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190 17. HEMORRAGIA PÓS-PARTO: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA POSTPARTUM HEMORRHAGE: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW EIXO TEMÁTICO: SAÚDE MATERNA E PERINATAL Mikaelly Fabianny Honorato Graduanda de enfermagem pela Faculdade Wenceslau Braz - FWB, Itajubá MG Naiara Cristina De Souza Garajau Graduanda em Enfermagem pela Universidade Norte Paraná - Unopar, Arapiraca AL Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal de Pelotas - UFPel, Pelotas RS Vitória Wagner Yi Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário Brasileiro-UNIBRA, Recife-PE Graduada em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte - UniNorte Jonathas Rodrigo Nascimento Alves Graduado em Fisioterapia pelCentro Universitário Brasileiro Aline Da Silva Pereira Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Pernambuco Débora Cristina De Lima Leão Cavalcanti Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba RESUMO Introdução: a hemorragia pós-parto (HPP) é uma das principais emergências obstétricas e permanece como causa significativa de morbimortalidade materna em escala global, especialmente em países de baixa e média renda. Caracteriza-se pela perda sanguínea ≥500 mL após parto vaginal ou ≥1000 mL após cesariana, podendo evoluir rapidamente para instabilidade hemodinâmica e óbito. Objetivo: identificar as estratégias de prevenção e manejo da HPP descritas em produções científicas recentes. Metodologia: a busca foi realizada nas bases MEDLINE, SciELO, LILACS e BVS, contemplando artigos publicados entre 2020 e 2025 nos idiomas português, inglês e espanhol. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 15 artigos compuseram a amostra final. Resultados e Discussão: evidenciaram que a HPP continua a representar desafio expressivo para a saúde materna, sendo a atonia uterina a principal causa relatada. As medidas preventivas mais citadas foram o manejo ativo do terceiro estágio do parto, uso profilático de uterotônicos, tração controlada do cordão umbilical e massagem uterina. Para o manejo, destacaram-se a utilização sequencial de ocitocina, misoprostol, metilergonovina, ácido tranexâmico, além de recursos avançados como balão intrauterino, traje antichoque e intervenções cirúrgicas em casos
191 refratários. A literatura também aponta a importância da criação de protocolos assistenciais, kits emergenciais e treinamentos multiprofissionais para otimizar a resposta frente à HPP. Considerações Finais: o diagnóstico precoce, a implementação de medidas preventivas eficazes e a capacitação contínua das equipes de saúde são essenciais para reduzir a morbimortalidade materna, embora ainda existam barreiras na padronização das práticas. Recomenda-se que futuras pesquisas explorem tecnologias inovadoras e estratégias educativas capazes de fortalecer a assistência e promover maior segurança materna. Palavras-Chaves: Hemorragia Pós-Parto; Período Pós-Parto; Transtornos Hemorrágicos da Gravidez; Mortalidade Materna. ABSTRACT Introduction: postpartum hemorrhage (PPH) is one of the main obstetric emergencies and remains a significant cause of maternal morbidity and mortality worldwide, especially in lowand middle-income countries. It is characterized by blood loss ≥500 mL after vaginal delivery or ≥1000 mL after cesarean section, which can rapidly progress to hemodynamic instability and death. Objective: to identify strategies for the prevention and management of PPH described in recent scientific publications. Methodology: the search was conducted in the MEDLINE, SciELO, LILACS, and BVS databases, covering articles published between 2020 and 2025 in Portuguese, English, and Spanish. After applying the inclusion and exclusion criteria, 15 articles comprised the final sample. Results and Discussion: the results showed that PPH continues to represent a significant challenge to maternal health, with uterine atony being the main reported cause. The most frequently cited preventive measures were active management of the third stage of labor, prophylactic use of uterotonics, controlled umbilical cord traction, and uterine massage. For management, the sequential use of oxytocin, misoprostol, methylergonovine, and tranexamic acid stood out, in addition to advanced resources such as intrauterine balloon, anti-shock suit, and surgical interventions in refractory cases. The literature also points to the importance of creating care protocols, emergency kits, and multidisciplinary training to optimize the response to PPH. Final considerations: early diagnosis, the implementation of effective preventive measures, and the continuous training of health teams are essential to reduce maternal morbidity and mortality, although barriers to standardizing practices still exist. Future research should explore innovative technologies and educational strategies capable of strengthening care and promoting greater maternal safety. Keywords: Postpartum Hemorrhage; Postpartum Period; Hemorrhagic Disorders of Pregnancy; Maternal Mortality.
192 INTRODUÇÃO A Hemorragia Pós-Parto (HPP) é uma das principais emergências obstétricas, definida pela perda de aproximadamente 500 mL de sangue após parto vaginal ou 1.000 mL após cesariana, podendo também ser caracterizada por qualquer volume associado à instabilidade hemodinâmica nas primeiras 24 horas após o nascimento (Oliveira et al., 2025). Trata-se da principal causa de mortalidade materna no mundo, com grande parte dos óbitos considerada evitável, sobretudo em países de baixa e média renda, onde a limitação de recursos e o atraso no manejo agravam os desfechos (Oliveira et al., 2025). As causas da HPP são tradicionalmente resumidas nos “4 T’s”: tônus (atonia uterina), trauma (lacerações ou rupturas), tecido (retenção placentária ou coágulos) e trombina (distúrbios de coagulação), cujo reconhecimento precoce é essencial para prevenir complicações e reduzir a mortalidade materna (Bienstock; Eke; Hueppchen, 2021). A identificação precoce dos fatores de risco para hemorragia pós-parto (HPP) deve integrar a assistência à gestante desde o pré-natal, intensificando-se no momento da admissão na maternidade e sendo mantida continuamente durante o trabalho de parto e parto. Essa abordagem é fundamental como etapa de prevenção e para o manejo oportuno desse evento potencialmente grave. Desse modo, gestantes com fatores de risco conhecidos exigem atenção diferenciada e cuidados específicos, a fim de reduzir a ocorrência de hemorragias e complicações secundárias. No entanto, estudos apontam que cerca de 20% dos casos de HPP ocorrem mesmo na ausência de fatores predisponentes identificáveis, o que reforça a importância da vigilância clínica contínua e da preparação da equipe multiprofissional para o reconhecimento e tratamento imediato da condição (Silva et al., 2024a). Para que os profissionais de saúde possam responder de forma eficaz às emergências obstétricas, o diagnóstico precoce, aliado à prevenção e ao tratamento oportuno da hemorragia pós-parto (HPP), é fundamental para a redução da morbimortalidade materna. Nesse contexto, uma das estratégias mais relevantes para aprimorar a qualidade da assistência consiste na capacitação contínua das equipes multiprofissionais, visando ao desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais essenciais para uma abordagem segura e eficaz.
193 O investimento em processos educativos objetivos e dinâmicos contribui diretamente para a segurança do paciente e para melhores desfechos clínicos (Coelho et al., 2025). Entre as metodologias disponíveis, destaca-se a simulação clínica, que se mostra uma ferramenta eficaz para o ensino-aprendizagem, permitindo a vivência de cenários realísticos, a tomada de decisão crítica e o aprimoramento das habilidades necessárias ao gerenciamento adequado da HPP (Coelho et al., 2025). O manejo da hemorragia pós-parto (HPP) inicia-se com medidas conservadoras, como massagem uterina e administração de ocitocina terapêutica, visando restaurar o tônus uterino e controlar o sangramento. Caso essas intervenções não sejam eficazes, empregam-se medicamentos uterotônicos adicionais e, quando contraindicações impedem seu uso ou o sangramento persiste, recorre-se a abordagens mais avançadas, como a inserção de dispositivos de tamponamento uterino com balão (TUB). Estes dispositivos atuam comprimindo a vasculatura uterina e permanecem por 12 a 24 horas. Persistindo a hemorragia, indicam-se procedimentos cirúrgicos progressivamente invasivos, incluindo suturas compressivas, ligadura arterial e, em casos extremos, histerectomia (D’Alton et al., 2021). Nos últimos anos, estratégias globais têm sido implementadas para reduzir a morbimortalidade materna associada à HPP, incluindo o desenvolvimento de pacotes de segurança do paciente que favorecem o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno. A avaliação contínua da literatura científica sobre essas intervenções é fundamental para assegurar sua eficácia e segurança. Além disso, torna-se essencial acompanhar os avanços terapêuticos e considerar a incorporação de novas abordagens nos protocolos clínicos, visando aprimorar os resultados maternos e garantir uma assistência obstétrica de excelência (Main et al., 2015). Este estudo busca discutir a relação entre o diagnóstico precoce da hemorragia pósparto (HPP), a identificação de fatores de risco e a importância da capacitação das equipes multiprofissionais para o manejo seguro e eficaz dessa emergência obstétrica. A pergunta que orienta esta discussão é: como o reconhecimento precoce da HPP, aliado a estratégias de prevenção e intervenção, pode contribuir para a redução da morbimortalidade materna? O
194 objetivo é fornecer uma visão abrangente sobre como a atuação precoce, o manejo clínico adequado e a preparação da equipe multiprofissional podem influenciar positivamente os desfechos materno-fetais, promovendo maior segurança e melhores resultados de saúde para mães e recém-nascidos. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, cujo objetivo foi reunir e analisar publicações científicas que abordam a hemorragia pós-parto, incluindo estratégias para sua prevenção e manejo. A busca foi realizada nas bases de dados MEDLINE, SciELO, LILACS e BVS, considerando artigos publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram utilizados descritores previamente selecionados após consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Hemorragia Pós-Parto”, “Período Pós-Parto”, “Transtornos Hemorrágicos da Gravidez” e “Mortalidade Materna”, bem como aos seus correspondentes em inglês do Medical Subject Headings (MeSH): “Postpartum Hemorrhage”, “Postpartum Period”, “Pregnancy Complications, Hematologic” e “Maternal Mortality”. A estratégia de busca utilizou os operadores booleanos AND e OR, combinando os termos da seguinte forma: (“Hemorragia Pós-Parto” OR “Período Pós-Parto” OR “Postpartum Hemorrhage” OR “Postpartum Period”) AND (“Transtornos Hemorrágicos da Gravidez” OR “Pregnancy Complications, Hematologic” OR “Mortalidade Materna” OR “Maternal Mortality”). Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 15 artigos foram selecionados para compor a amostra final da revisão. Foram incluídos artigos completos, disponíveis gratuitamente, que abordassem a hemorragia pós-parto, suas estratégias de prevenção e manejo, bem como fatores relacionados a complicações hemorrágicas e à mortalidade materna. Em seguida, foram excluídos os artigos duplicados, editoriais, resumos sem acesso
195 ao texto completo, estudos que não abordavam diretamente a temática ou que apresentavam metodologia não clara. A seleção dos estudos foi realizada por um único revisor, com base na leitura dos títulos e resumos. Os artigos que atendiam aos critérios foram lidos na íntegra e analisados quanto aos seus objetivos, resultados e contribuições para o tema. Essa seleção permitiu reunir evidências atuais e relevantes, possibilitando a análise crítica das práticas clínicas e intervenções voltadas à redução da incidência e das consequências da hemorragia pós-parto. Dessa forma, definiu-se como pergunta norteadora: quais são as estratégias de prevenção e manejo descritas na literatura recente para reduzir a ocorrência e os desfechos adversos da hemorragia pós-parto? Para responder a esse questionamento, utilizou-se a estratégia PICO, considerando como população as mulheres no período pós-parto, como intervenção as medidas preventivas e terapêuticas relacionadas à hemorragia, como comparação a ausência ou ineficácia dessas condutas e, como desfecho, a redução da ocorrência da HPP e a diminuição da morbimortalidade materna. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os seis artigos selecionados para esta revisão, apresentados no quadro 1, evidenciam, de forma consistente, que a hemorragia pós-parto (HPP) permanece entre as principais causas de mortalidade materna em âmbito mundial, reforçando sua relevância como problema de saúde pública. Essa condição é definida pela perda sanguínea igual ou superior a 500 ml após o parto vaginal ou a 1000 ml em cesarianas, podendo evoluir rapidamente para instabilidade hemodinâmica e óbito caso não seja identificada e tratada de maneira imediata. Moreira et al. (2023) destacaram que os fatores mais frequentemente associados à hemorragia incluem a atonia uterina, as lacerações do canal de parto, as alterações placentárias e as coagulopatias,
196 sendo essas condições responsáveis pela maior parte dos óbitos maternos registrados nas primeiras 24 horas após o nascimento. Silva et al. (2024) acrescentaram que as principais causas da hemorragia podem ser agrupadas pelo mnemônico dos “4T”: tônus, tecido, trauma e trombina. Além da perda sanguínea significativa, os autores identificaram sinais clínicos recorrentes, como hipotensão, taquicardia, vertigem e palpitação, que caracterizam a gravidade do quadro. O estudo ressalta ainda a importância da chamada “Hora de Ouro”, período em que a intervenção rápida é decisiva para reduzir a morbimortalidade materna, reforçando a necessidade de protocolos específicos para cada etiologia. No campo preventivo, um estudo identificou que estratégias como o manejo ativo do terceiro estágio do trabalho de parto, o uso profilático de uterotônicos, a tração controlada do cordão umbilical e a massagem uterina apresentaram resultados positivos na redução da ocorrência da hemorragia. Além disso, quando as medidas preventivas não são suficientes, o reconhecimento precoce da causa, aliado ao uso sequencial de fármacos como ocitocina, metilergonovina, misoprostol e ácido tranexâmico, mostrou-se fundamental para o controle do sangramento, com as intervenções cirúrgicas sendo reservadas aos casos refratários Teixeira et al. (2021). Oliveira et al. (2023) reforçaram que, nos estágios iniciais da hemorragia, as condutas terapêuticas mais utilizadas são de caráter farmacológico, e que a persistência do sangramento é indicativa para a adoção de medidas adicionais, como a massagem uterina bimanual. O estudo também evidenciou que, em situações críticas, intervenções cirúrgicas e transfusões maciças tornam-se indispensáveis para a estabilização materna. No aspecto preventivo, destacou-se o uso rotineiro de ocitocina e a capacitação profissional como estratégias fundamentais para minimizar a incidência e a gravidade dos episódios de HPP. Rabêlo et al. (2021) apontaram outras intervenções eficazes na prevenção e no controle da hemorragia, como o uso da carbetocina em substituição à ocitocina e a metilergometrina em casos selecionados. Para o manejo da hemorragia já instalada, os autores destacaram a utilização do balão intrauterino como estratégia de tamponamento, associada à redução significativa da perda sanguínea, bem como o emprego do traje antichoque não
197 pneumático em situações de maior gravidade. A ligadura da artéria uterina também foi citada como técnica cirúrgica de alta relevância, sobretudo quando os métodos farmacológicos e menos invasivos não apresentam eficácia. Por fim, Silva et al. (2023) ressaltaram a necessidade de estruturar o cuidado por meio da criação de protocolos assistenciais e kits emergenciais voltados para a hemorragia pósparto. O estudo mostrou que a fragmentação das condutas e a ausência de liderança comprometem a resposta da equipe, enquanto a padronização do atendimento, aliada ao uso de fluxogramas clínicos, potencializa a eficácia da assistência. Os autores destacaram ainda a importância de treinamentos periódicos e capacitações práticas como estratégias para aprimorar a atuação profissional, ampliando a segurança da mãe e do recém-nascido em situações de urgência. De forma geral, os estudos analisados convergem para a compreensão de que a hemorragia pós-parto continua sendo um desafio global, exigindo desde medidas preventivas eficazes até condutas terapêuticas rápidas e organizadas. Os autores reforçam que a integração entre recursos farmacológicos, intervenções cirúrgicas, protocolos assistenciais e capacitação profissional é essencial para reduzir a morbimortalidade materna e qualificar a assistência prestada. Código Base de dados Autor/Ano Título Tido de estudo Objetivo A1 Brazilian Journal of Health Review Moreira et al. (2023) O impacto da hemorragia pós-parto na mortalidade materna: Revisão da Literatura Avaliar o impacto na mortalidade materna, fatores e condutas associadas.
198 uma revisão da literatura A2 Brazilian Journal of health review Alencar et al. (2021) Prevenção e manejo da hemorragia pós-parto: uma revisão da literatura Revisão da Literatura Identificar as principais medidas de prevenção e manejo de HPP preconizadas pela comunidade científica. A3 Recima21 Oliveira et al. (2023) Hemorragia pós-parto: atualizações sobre o manejo terapêutico e sua prevenção Revisão de literatura