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314 28. CUIDADOS COM GESTANTES SOROPOSITIVAS: PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO VERTICAL CARE FOR HIV-POSITIVE PREGNANT WOMEN: PREVENTION OF VERTICAL TRANSMISSION Epidemiologia e indicadores de saúde materna e perinatal Larissa da Cruz Soares Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte - UNINORTE Lucas Pereira Castro Graduando em Enfermagem pela Unic Beira Rio - Cuiabá/MT Tais Rodrigues Nogueira Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Nilton Lins, Manaus - AM Sthefany da Silva Rego Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte - UNINORTE Ryanne Djanira Faustino Ferreira Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Brasileiro - UNIBRA, Recife - PE Maria Gabriela Tota dos Santos Coelho Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau-UNINASSAU, Petrolina - PE Lilandra Angela Almeida Melo Pimenta Leão Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário do Norte - UNINORTE Sabrina Lopes Da Luz Graduada pelo Centro Universitário Uninassau Parnaíba Débora Cristina de Lima Leão Cavalcanti Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba RESUMO Introdução: A transmissão vertical (TV) do HIV, que ocorre durante a gestação, parto ou amamentação, ainda representa desafio para a saúde pública. Sem intervenções, até 25% das gestantes soropositivas podem transmitir o vírus ao bebê. Objetivo: Analisar as contribuições do cuidado multiprofissional na atenção à gestante soropositiva para prevenção da TV do HIV. Metodologia: Revisão bibliográfica narrativa, realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico, com descritores HIV, transmissão vertical, gestantes soropositivas, atenção pré-natal e cuidado multiprofissional. Incluíram-se publicações entre
315 2019 e 2024 e estudos anteriores de relevância teórica. Resultados e Discussão: A detecção precoce, o pré-natal regular e a integralidade das ações multiprofissionais foram determinantes para prevenir a TV. Médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais atuaram de forma complementar, favorecendo adesão ao tratamento, apoio psicossocial e autonomia materna. Aspectos sociais, como baixa escolaridade e vulnerabilidade econômica, impactaram negativamente os desfechos. Considerações Finais: A prevenção da TV exige abordagem ampliada, integrando práticas clínicas, educativas e sociais. O cuidado multiprofissional, aliado ao fortalecimento das políticas públicas, é fundamental para reduzir desigualdades e promover qualidade de vida materna e neonatal. Palavras-Chaves: Atenção pré-natal; Cuidado multiprofissional; Gestantes soropositivas; HIV; Transmissão vertical. ABSTRACT Introduction: Vertical transmission (VT) of HIV, which may occur during pregnancy, childbirth, or breastfeeding, remains a public health challenge. Without preventive measures, up to 25% of HIV-positive pregnant women can transmit the virus to the child. Objective: To analyze the contributions of multidisciplinary care for HIV-positive pregnant women in preventing VT. Methodology: Narrative literature review conducted in SciELO, LILACS, PubMed, and Google Scholar, using the descriptors HIV, vertical transmission, HIV-positive pregnant women, prenatal care, and multidisciplinary care. Publications from 2019–2024 were included, as well as previous relevant studies. Results: Early diagnosis, regular prenatal care, and integrated multidisciplinary actions proved essential to VT prevention. Physicians, nurses, psychologists, physical therapists, and social workers played complementary roles, improving treatment adherence, psychosocial support, and maternal autonomy. Social determinants such as low education and economic vulnerability negatively affected outcomes. Conclusion: Preventing VT requires an integrated approach that combines clinical, educational, and social strategies. Multidisciplinary care, together with public health policies, is key to ensuring equity, reducing transmission, and improving maternal and child quality of life. Keywords: HIV; Multidisciplinary care; Prenatal care; Vertical transmission; Women with HIV. INTRODUÇÃO
316 O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é o agente etiológico da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), enfermidade marcada pela destruição progressiva dos linfócitos TCD4+, células essenciais para a defesa imunológica. Essa condição fragiliza o organismo e aumenta a suscetibilidade a infecções oportunistas, configurando-se como um dos maiores desafios da saúde pública mundial (Júnior et al., 2020). O impacto da doença é ainda mais relevante quando se considera a transmissão vertical, que compromete diretamente a saúde infantil. Nas últimas décadas, a epidemia do HIV passou por transformações significativas. Inicialmente vinculada a grupos específicos considerados de risco, hoje é analisada sob a perspectiva da vulnerabilidade. Esse conceito considera determinantes sociais, desigualdades de gênero e o aumento da incidência em mulheres em idade reprodutiva, ampliando a compreensão sobre os fatores que influenciam a disseminação do vírus (Moura; Faria, 2017). A interiorização da doença e o crescimento em populações mais amplas exigem atenção redobrada das políticas de saúde. Esse cenário tem impacto direto na saúde materno-infantil, uma vez que a transmissão vertical (TV) é a principal forma de infecção pelo HIV em crianças. Estima-se que, sem intervenções, até 25% das gestantes soropositivas possam transmitir o vírus ao bebê. Contudo, avanços clínicos e protocolos de cuidado reduziram expressivamente esse índice, destacando a relevância do pré-natal como espaço de diagnóstico precoce, intervenção oportuna e fortalecimento da adesão terapêutica (Santos, 2019; Fender et al., 2021). Além dos fatores clínicos, é fundamental considerar as dimensões emocionais e sociais da gestação. O diagnóstico de HIV pode gerar sentimentos de insegurança, medo e ansiedade, influenciando a percepção da gestante sobre sua própria capacidade de cuidar do bebê. O apoio contínuo, o acolhimento humanizado e o vínculo com a equipe de saúde tornam-se indispensáveis para garantir que a mulher se sinta segura e confiante durante toda a gestação.
317 A prevenção da TV exige a atuação articulada de uma equipe multiprofissional, capaz de integrar dimensões clínicas, sociais e psicológicas do cuidado. Médicos e enfermeiros atuam no monitoramento clínico e na adesão ao tratamento, enquanto psicólogos e assistentes sociais oferecem suporte emocional e social. Essa abordagem integrada contribui não apenas para o controle clínico do HIV, mas também para o enfrentamento do estigma que ainda permeia a maternidade em mulheres soropositivas (Souza et al., 2027). Outro ponto relevante refere-se à importância da comunicação e do acompanhamento contínuo entre gestante e equipe de saúde. Sessões educativas, orientações claras sobre cuidados preventivos e espaço para diálogo aberto fortalecem a confiança da mulher e promovem maior adesão ao tratamento. Esse vínculo é essencial para superar barreiras emocionais e práticas que possam interferir na efetividade das estratégias de prevenção. No Brasil, observou-se entre 2010 e 2020 um crescimento de 30,3% na taxa de detecção de HIV em gestantes, passando de 2,1 para 2,7 casos por mil nascidos vivos (Brasil, 2021). Esse aumento evidencia a necessidade de pesquisas que sistematizem práticas de cuidado e apontem estratégias multiprofissionais capazes de reduzir a transmissão vertical. Além disso, reforça a importância de políticas públicas que promovam maior equidade no acesso à assistência. Outro aspecto a ser destacado refere-se às desigualdades regionais que ainda limitam a efetividade das ações de prevenção. Em áreas rurais e comunidades afastadas dos grandes centros urbanos, a escassez de recursos, de profissionais especializados e de infraestrutura adequada dificulta o acompanhamento contínuo das gestantes. Essa realidade reforça a necessidade de estratégias diferenciadas e adaptadas a contextos de maior vulnerabilidade social. Ainda é necessário considerar a importância da educação em saúde para a prevenção da transmissão vertical. Programas de orientação, palestras e materiais educativos contribuem para que a gestante compreenda as medidas preventivas, os cuidados durante a gestação e a
318 importância do acompanhamento pós-parto. Essas ações fortalecem a autonomia da mulher e promovem uma participação ativa no cuidado próprio e do bebê. Também se deve considerar a relevância da vigilância epidemiológica e da integração dos níveis de atenção em saúde. A testagem precoce no pré-natal, associada ao seguimento adequado no parto e no puerpério, depende de fluxos articulados entre a atenção primária, hospitais e serviços especializados. Essa integração não apenas melhora a qualidade da assistência, mas também possibilita a produção de indicadores confiáveis para orientar políticas públicas (Brasil, 2022). Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar as contribuições do cuidado multiprofissional na atenção à gestante soropositiva para a prevenção da transmissão vertical do HIV. A escolha do tema se justifica pela relevância científica e social, dado o impacto da infecção tanto na saúde pública quanto no bem-estar das famílias, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Acadêmico. Foram utilizados os descritores HIV, transmissão vertical, gestantes soropositivas, atenção pré-natal e cuidado multiprofissional, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Essa estratégia de busca foi escolhida por permitir uma seleção mais precisa dos estudos, garantindo que apenas publicações diretamente relacionadas ao tema fossem incluídas no levantamento. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2024, de forma a contemplar as evidências mais recentes sobre o assunto e refletir os avanços nas práticas de prevenção da transmissão vertical do HIV. No entanto, publicações anteriores também foram incorporadas, desde que apresentassem relevância teórica ou fossem amplamente citadas em pesquisas posteriores. Essa escolha assegurou a construção de um embasamento consistente para a análise.
319 Os critérios de exclusão abrangeram artigos duplicados nas diferentes bases de dados, trabalhos que apresentavam métodos semelhantes ou que não abordassem diretamente a temática proposta. Essa filtragem foi necessária para manter a qualidade e a objetividade da revisão, evitando redundâncias e assegurando a inclusão apenas de estudos que realmente contribuíssem para o aprofundamento da discussão. Além dos artigos científicos, foram considerados documentos institucionais e normativos, devido à sua relevância prática na assistência à saúde. Entre esses materiais, destacaram-se as diretrizes internacionais da Organização Mundial da Saúde (OMS) e os protocolos nacionais do Ministério da Saúde do Brasil, que fornecem parâmetros técnicos para o manejo clínico e para a implementação de políticas públicas relacionadas ao tema. A análise foi de caráter qualitativo e interpretativo, com ênfase em identificar o papel dos profissionais de saúde no acompanhamento pré-natal, parto e puerpério. Também foram exploradas as estratégias de adesão à terapia antirretroviral, bem como práticas educativas destinadas a promover a saúde da mãe e da criança. Esse processo analítico buscou interpretar as evidências disponíveis e relacioná-las às demandas da prática clínica e da saúde pública. Por fim, foram observadas as barreiras mais recorrentes enfrentadas pelas gestantes, como o estigma social, as desigualdades de acesso aos serviços e as dificuldades para manter a adesão terapêutica. Esses fatores destacaram a necessidade de um cuidado multiprofissional integrado, que associe atenção clínica, apoio social e ações educativas. Dessa forma, reforçouse a importância de políticas públicas consistentes para reduzir a transmissão vertical do HIV e assegurar melhores condições de vida para mães e filhos. RESULTADOS E DISCUSSÃO Estudos indicam que a transmissão vertical do HIV permanece como um dos maiores desafios de saúde pública, mesmo diante dos avanços no diagnóstico e tratamento. Quando não há intervenções, gestantes soropositivas apresentam risco significativo de transmissão ao
320 bebê. Entretanto, a adesão à terapia antirretroviral (TARV) e a adoção de medidas preventivas durante o pré-natal têm reduzido de forma expressiva essa taxa em contextos com protocolos adequados, o que reforça a importância da detecção precoce e do acompanhamento contínuo (JUNIOR et al., 2020; LEAL et al., 2020). A análise evidenciou que a TARV é o principal recurso terapêutico para a prevenção da transmissão vertical, sendo complementada pelo uso da zidovudina e pela suspensão do aleitamento materno. Além disso, a literatura aponta que a adesão da gestante ao tratamento depende fortemente do apoio oferecido pela equipe multiprofissional, especialmente no que se refere à educação em saúde e ao enfrentamento do estigma social. Sem esse suporte, os índices de abandono da TARV permanecem elevados, comprometendo a efetividade das estratégias de prevenção (SANTOS, 2019; FENDLER et al., 2021). No acompanhamento pré-natal, os resultados apontam que consultas regulares e protocolos integrados favorecem melhores desfechos materno-infantis. O diagnóstico precoce do HIV durante a gestação possibilita intervenções rápidas, aumentando as chances de supressão viral antes do parto. Em alguns casos, a cesariana eletiva pode ser indicada como medida adicional de prevenção, embora sua necessidade esteja diretamente relacionada ao nível de carga viral da gestante (LEAL et al., 2020; SILVA et al., 2023). A implementação de programas de capacitação contínua para profissionais de saúde é outro ponto que merece destaque. Equipes bem preparadas conseguem identificar precocemente situações de risco, orientar adequadamente as gestantes e aplicar protocolos de forma segura e eficaz. Esse investimento contribui para elevar a qualidade do cuidado e para padronizar condutas em diferentes regiões, reduzindo desigualdades no atendimento e aumentando a efetividade das ações de prevenção. O papel da equipe multiprofissional emergiu como um fator central na promoção da adesão e na integralidade do cuidado. Médicos garantem o tratamento farmacológico adequado, enfermeiros atuam no acompanhamento clínico e na educação em saúde,
321 psicólogos oferecem suporte emocional para reduzir os impactos do estigma, e assistentes sociais auxiliam no fortalecimento das redes de apoio. Essa integração amplia as chances de sucesso terapêutico e favorece uma abordagem mais humanizada, respeitando a singularidade de cada gestante (SOUZA; SOUSA; LIMA, 2024; BERTAGNOLI; FIGUEIREDO, 2017). Também se observa a importância do fortalecimento das redes de apoio comunitárias, que desempenham papel relevante no acolhimento de gestantes vivendo com HIV. Iniciativas locais, como grupos de apoio e associações comunitárias, auxiliam no enfrentamento do estigma, promovem trocas de experiências e oferecem suporte social e emocional. Essas redes complementam o trabalho das equipes de saúde e reforçam a construção de um cuidado mais inclusivo e participativo. Outro aspecto identificado foi o impacto dos determinantes sociais no enfrentamento da transmissão vertical. Gestantes em contextos de vulnerabilidade, com baixa escolaridade, dificuldades financeiras ou ausência de apoio familiar, apresentam maiores riscos de não aderirem ao tratamento. Esses fatores reforçam que o cuidado não pode se limitar ao âmbito clínico, sendo necessária a articulação de políticas públicas que ampliem o acesso aos serviços e reduzam desigualdades sociais, assegurando que a prevenção seja eficaz em diferentes realidades (MOURA; FARIA, 2017; BRASIL, 2021). Além disso, a integração entre diferentes níveis de atenção à saúde é fundamental para otimizar os resultados. A articulação entre a atenção primária, os serviços de referência e os hospitais de alta complexidade permite fluxos mais ágeis, reduz atrasos no diagnóstico e garante continuidade no tratamento. Essa organização integrada fortalece a efetividade das ações preventivas e amplia a possibilidade de acompanhamento integral e resolutivo das gestantes. Apesar dos avanços, algumas limitações foram observadas nos estudos analisados. Muitas pesquisas ainda apresentam amostras reduzidas ou concentradas em centros urbanos, o que dificulta a generalização dos resultados. Outro ponto é a falta de dados atualizados em
322 regiões de maior vulnerabilidade social, onde a realidade pode diferir dos grandes centros. Essas limitações evidenciam a necessidade de ampliar os estudos com diferentes recortes populacionais e geográficos, a fim de compreender melhor os desafios atuais no Brasil (SILVA et al., 2023; SOUZA; SOUSA; LIMA, 2024). Os resultados também apontaram para o papel crucial da educação em saúde como ferramenta de empoderamento feminino. Quando as gestantes compreendem a importância da TARV e do acompanhamento multiprofissional, há maior adesão ao tratamento e mais segurança no enfrentamento da gestação. Além disso, o aconselhamento contribui para diminuir o medo e a ansiedade, permitindo que a mulher exerça maior autonomia em suas decisões reprodutivas, mesmo diante do diagnóstico de HIV (BERTAGNOLI; FIGUEIREDO, 2017; SOUZA; SOUSA; LIMA, 2024). Por fim, pode-se afirmar que o cuidado multiprofissional é determinante para reduzir a transmissão vertical e garantir a saúde materno-infantil. O fortalecimento de políticas públicas, aliado à ampliação do acesso a exames e medicamentos, deve caminhar junto da formação de equipes capacitadas para atuar de maneira integrada. O desafio atual está em reduzir desigualdades regionais e sociais, ao mesmo tempo em que se ampliam práticas humanizadas e educativas. Dessa forma, será possível alcançar melhores resultados e assegurar qualidade de vida às gestantes soropositivas e seus filhos (MOURA; FARIA, 2017; BRASIL, 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS A prevenção da transmissão vertical do HIV ainda representa um grande desafio na saúde materno-infantil, exigindo estratégias eficazes que integrem diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e adesão ao tratamento. Entre as medidas clínicas de maior impacto destacam-se a terapia antirretroviral (TARV), o uso da zidovudina, a suspensão do aleitamento materno e, em situações específicas, a realização da cesariana eletiva. Quando