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CESÁREA VERSUS PARTO VAGINAL: TENDÊNCIAS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS

Editora Saúde Vital

Abstract

Autores Francisca Tamires Ferreira de Andrade Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal do Piauí-UFPI Maria Francisca de Aragão Mendes Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB Letícia Marchi Kieling Graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria-UFSM Vitória Wagner Yi Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário Brasileiro- UNIBRA, Recife-PE Isa de Quadros Miranda Graduanda em Enfermagem pela Universidade de Brasília - UnB Vanilda Sofia dos Santos Nunes Gonçalves Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal Petróleo Portela UFPI Moisés Ferreira Alves de Oliveira Enfermeiro pela Universidade Federal de Campina Grande Maria Clara Fernandes Xavier Enfermeira pela Universidade Federal de Campina Grande Vitória Victor Menezes Enfermeira pela Universidade Federal de Campina Grande

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414 37. CESÁREA VERSUS PARTO VAGINAL: TENDÊNCIAS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS CESAREAN SECTION VERSUS VAGINAL DELIVERY: TRENDS AND CLINICAL IMPLICATIONS EIXO TEMÁTICO: Saúde Materna e Perinatal Francisca Tamires Ferreira de Andrade Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal do Piauí-UFPI Maria Francisca de Aragão Mendes Graduanda em Enfermagem pela Universidade Estadual da Paraíba-UEPB Letícia Marchi Kieling Graduanda em Medicina pela Universidade Federal de Santa Maria-UFSM Vitória Wagner Yi Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário BrasileiroUNIBRA, Recife-PE Isa de Quadros Miranda Graduanda em Enfermagem pela Universidade de Brasília - UnB Vanilda Sofia dos Santos Nunes Gonçalves Graduanda em Enfermagem pela Universidade Federal Petróleo Portela UFPI Moisés Ferreira Alves de Oliveira Enfermeiro pela Universidade Federal de Campina Grande Maria Clara Fernandes Xavier Enfermeira pela Universidade Federal de Campina Grande Vitória Victor Menezes Enfermeira pela Universidade Federal de Campina Grande RESUMO Introdução: O parto vaginal constitui a via natural de nascimento, enquanto a cesárea é um procedimento cirúrgico indicado em situações de risco materno ou fetal, mas cuja prática tem aumentado expressivamente, sobretudo de forma eletiva, configurando-se como fenômeno relevante no Brasil e no mundo. Objetivo: Analisar, por meio da literatura científica, as principais tendências e implicações clínicas associadas ao parto vaginal e à cesárea, com foco nos desfechos maternos e neonatais, bem como nos fatores que influenciam a escolha da via de parto. Metodologia: Revisão integrativa de artigos publicados entre 2021 e 2025, localizados na base PubMed, por meio de descritores combinados, incluindo estudos que abordassem diretamente a temática. Foram selecionados 10 artigos para análise qualitativa. Resultados e discussão: Observou-se aumento expressivo nas taxas de cesárea s no Brasil, alcançando índices superiores a 50%, sobretudo na rede privada. Embora a cesárea seja recurso indispensável em situações de risco materno ou fetal, a sua realização indiscriminada associa-se a maior frequência de complicações maternas, como infecções, cefaleia e complicações anestésicas, além de impactos neonatais negativos, incluindo maior risco de internação em UTI, dificuldades respiratórias e redução do sucesso da amamentação precoce. A via de nascimento também influencia a colonização microbiana inicial do recém-nascido, 415 com repercussões na saúde ao longo da infância. Além dos aspectos clínicos, fatores sociais, culturais e institucionais, como tipo de financiamento hospitalar, contribuem para a decisão da via de parto. Considerações finais: Conclui-se que a promoção do parto vaginal, sempre que seguro e possível, deve ser priorizada em consonância com as diretrizes de humanização do cuidado, garantindo melhores desfechos para mãe e bebê. Recomenda-se ampliar pesquisas multicêntricas e fortalecer práticas baseadas em evidências que aliem autonomia da gestante à redução de cesárea s sem indicação clínica. Palavras-chave: cesárea; Parto vaginal; Saúde materno-infantil. ABSTRACT Introduction: Vaginal birth constitutes the natural route of delivery, while cesarean section is a surgical procedure indicated in situations of maternal or fetal risk. However, its performance has significantly increased especially in elective cases, becoming a relevant phenomenon in Brazil and worldwide. Objective: To analyze, through scientific literature, the main trends and clinical implications associated with vaginal delivery and cesarean section, focusing on maternal and neonatal outcomes, as well as the factors that influence the choice of delivery route. Methodology: Integrative review of articles published between 2021 and 2025, retrieved from the PubMed database through combined descriptors, including studies that directly addressed the topic. A total of 10 articles were selected for qualitative analysis. Results and Discussion: A significant increase in cesarean section rates was observed in Brazil, reaching levels above 50%, particularly in the private health sector. Although cesarean section is an essential resource in situations of maternal or fetal risk, its indiscriminate use is associated with a higher frequency of maternal complications, such as infections, headache, and anesthetic-related problems, in addition to negative neonatal outcomes, including higher risk of admission to the ICU, respiratory difficulties, and reduced rates of early breastfeeding success. The mode of delivery also influences the newborn’s initial microbial colonization, with repercussions for health throughout childhood. Beyond clinical aspects, social, cultural, and institutional factors, such as hospital financing models, also contribute to the decision regarding the delivery route. Final Considerations: It is concluded that the promotion of vaginal birth, whenever safe and feasible, should be prioritized in line with humanized care guidelines, ensuring better outcomes for both mother and baby. It is recommended to expand multicenter research and strengthen evidence-based practices that reconcile maternal autonomy with the reduction of cesarean sections without clinical indication. Keywords: Cesarean section; Maternal and child health; Vaginal delivery. INTRODUÇÃO O parto vaginal é a via natural de nascimento, enquanto a cesárea é um procedimento cirúrgico realizado por meio de incisões feitas no abdômen e útero da mãe, para o nascimento 416 da criança. Durante a gestação o corpo da mãe passa por vários processos fisiológicos, para gerar o feto e se preparando para o parto. Em geral, o processo de gestar ocorre sem complicações, permitindo que a mulher escolha a via de parto desejada. O parto cesárea é indicado quando o parto normal representa sérios riscos à saúde da mãe ou do bebê, uma medida que era tomada preventivamente ou no surgimento de complicações no curso do parto. Muito recentemente as mães optam por fazer a cesárea planejada, o que vem aumentando radicalmente a tendência por esse tipo de parto (SANTOS et al., 2023). Em todo o mundo houve um aumento na incidência de cesáreas, sendo considerado um fenômeno comum, porém, no Brasil as taxas se elevaram como em nenhum outro país. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que as taxas de cesáreas não ultrapassem 15%, no Brasil em 2010 segundo o Ministério da Saúde, as taxas de cesáreas foram maiores que 52%, com ocorrência maior na rede privada 82% e na rede pública 37%. Em outros países essa taxa varia de 15 a 30%, como nos Estados Unidos 26%, Canadá 36% e Suécia 16% (MADI et al., 2013). O Brasil objetiva aumentar os números de partos normais a fim de conservar o ato fisiológico do parto normal. Durante a gestação a mulher precisa tomar decisões importantes, pensando no binômio mãe-bebê, entre essas escolhas está à via de parto, a qual ela deve considerar os riscos e benefícios (SANTOS et al., 2023). Adicionalmente, estudos brasileiros mostram que a cesárea, especialmente quando não indicada clinicamente, está associada a complicações maternas significativamente superiores às observadas no parto vaginal. Uma coorte prospectiva conduzida em Pelotas (RS) acompanhou mais de 4.200 puérperas; foi encontrada uma associação com risco 56 % maior de complicações precoces, quase três vezes mais infecções pós-parto, quase duas vezes mais infecção urinária, 2,4 vezes mais dor, 6,16 vezes mais cefaleia e mais de doze vezes mais complicações anestésicas em cesáreas em comparação com partos normais, embora sem diferenças em desfechos tardios até seis anos pós-parto (MASCARELLO et al., 2018). No que tange aos desfechos neonatais, evidências apontam que os recém-nascidos resultantes de cesáreas apresentam maior risco de complicações respiratórias imediatas (como 417 hipertensão pulmonar persistente ou disparo do desconforto respiratório), maior necessidade de internação em UTI neonatal e menor índice de amamentação precoce eficaz, uma vez que a cesárea interfere no contato pele a pele e na lactação inicial (USP, 2022). Essa exposição precoce aos antibióticos, à ausência do trabalho de parto e ao contato com microbiota hospitalar também altera o perfil microbiano dos recém-nascidos. Estudos indicam que bebês nascidos por cesárea têm maior colonização por microrganismos oportunistas resistentes, o que pode impactar o risco de alergias, asma, obesidade, diabetes tipo 1 e até algumas doenças autoimunes ao longo da infância (COELHO et al., 2021). Um grande estudo nacional envolvendo mais de 17 milhões de nascimentos no Brasil entre 2012 e 2018, utilizando a classificação de Robson, concluiu que cesáreas em grupos com baixa indicação (Robson 1–4) foram associadas a aumento de 25 % na mortalidade infantil até cinco anos de idade. No entanto, para gestantes com indicação médica clara (como grupos Robson 6–10), houve redução do risco perinatal e infantil, confirmando a importância de selecionar criteriosamente a via de parto (FIOCRUZ, 2021). As diretrizes do Ministério da Saúde reforçam que a cesárea não deve ser oferecida rotineiramente ou por conveniência, e determinam que toda gestante deve ser cientificada sobre os riscos e benefícios da cesárea e do parto vaginal. Elas recomendam que as taxas populacionais fiquem entre 25% e 30%, considerando-se o contexto brasileiro, e desencorajam a cesárea eletiva antes de 39 semanas sem justificativa clínica (BRASIL,2016). Nesse sentido, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio da literatura científica, as principais tendências e implicações clínicas associadas ao parto vaginal e à cesárea, com foco nos desfechos maternos e neonatais, bem como nos fatores que influenciam a escolha da via de parto. Desse modo, a pergunta norteadora proposta foi: “Quais são as tendências atuais e as principais implicações clínicas da cesárea em comparação ao parto vaginal para mães e recém-nascidos?”. METODOLOGIA 418 Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura com o objetivo de comparar o parto cesáreo e o parto vaginal, analisando suas tendências e implicações clínicas. Foi realizada busca por artigos indexados na base PubMed (MedLine) utilizando descritores combinados por operadores booleanos: ("Cesarean Section"[Mesh] OR "cesarean section" OR "caesarean section" OR "c-section") AND ("Vaginal Delivery"[Mesh] OR "vaginal delivery" OR "natural childbirth" OR "spontaneous vaginal delivery") AND ("Trends"[Mesh] OR "trend*" OR "increase" OR "rate*" OR "incidence") AND ("Clinical Implications" OR "clinical outcome*" OR "maternal outcome*" OR "neonatal outcome*" OR "healthcare impact" OR "risks" OR "benefits"). Foram definidos como critérios de inclusão: (a) artigos publicados entre 2021 e 2025; (b) estudos que comparassem diretamente parto cesáreo e parto vaginal; e (c) pesquisas que apresentassem informações pertinentes às tendências e implicações clínicas relacionadas aos dois tipos de parto. Foram considerados como critérios de exclusão: (a) artigos duplicados; (b) artigos de opinião, editoriais e teses; (c) estudos que não abordassem especificamente a temática; e (d) trabalhos que não apresentassem relação com a realidade brasileira. Dentre os 131 artigos encontrados, 84 atenderam aos criterios de inclusão, e destes 10 foram selecionados pela relevância e compatibilidade ao tema. A análise dos dados foi realizada de maneira qualitativa, buscando compreender os padrões e divergências presentes nos estudos, bem como as contribuições que eles oferecem para o debate acadêmico sobre o parto cesáreo e o parto vaginal. RESULTADOS E DISCUSSÃO No Brasil, observou-se entre os anos de 2000 a 2019 uma significativa mudança no perfil obstétrico. Houve um aumento de 30,37% na realização de cesárea s, com pico em 2014, enquanto os partos vaginais espontâneos sofreram redução de 37,05% no mesmo período (SANTOS et al., 2023). A análise por região revelou prevalência de partos vaginais 419 nas regiões Norte (61%) e Nordeste (59,7%), e maior número de cesáreas no Sudeste (55,2%), Sul (54,8%) e Centro-Oeste (55,3%) (SANTOS et al., 2023). Esses dados refletem não apenas questões clínicas, mas também fortes influências socioculturais, como a maior escolaridade materna, a percepção de que a cesárea representa menor sofrimento, o acesso desigual à informação e as diferentes características da rede de saúde pública e privada. Soma-se a isso o fato de que, na rede privada, existe uma lógica de organização do trabalho médico que frequentemente favorece a cesárea eletiva em detrimento do parto vaginal, o que reforça disparidades regionais e socioeconômicas (FIOCRUZ, 2021). As implicações clínicas do aumento indiscriminado de cesárea s são expressivas e preocupantes. Estudo de coorte conduzido por MASCARELLO et al. (2018) demonstrou que mulheres submetidas à cesárea apresentaram 56% mais risco de complicações precoces em comparação ao parto vaginal. Foram observadas taxas elevadas de infecção pós-parto (2,98 vezes maior), infecção urinária (79% maior), cefaleia (6,16 vezes mais frequente) e complicações anestésicas (12 vezes mais comuns). Embora a cesárea seja um recurso seguro e fundamental em casos de risco materno ou fetal, sua banalização aumenta consideravelmente os riscos tanto na gestação atual quanto em futuras, como placenta prévia, acretismo placentário e até mesmo infertilidade secundária. As repercussões sobre o recém-nascido também merecem destaque. Bebês nascidos por cesárea apresentam maior chance de desenvolver complicações respiratórias imediatas, como taquipneia transitória e síndrome do desconforto respiratório, além de maior probabilidade de internação em unidade de terapia intensiva neonatal e de menor sucesso na amamentação precoce (MASCARELLO; HORTA; SILVEIRA, 2017; FIOCRUZ, 2021). Esses fatores comprometem não apenas o início do vínculo mãe-bebê, mas também a saúde ao longo do desenvolvimento neonatal, já que a primeira hora de vida é considerada essencial para o estímulo do aleitamento materno e para a formação do apego (FIOCRUZ, 2021). Outro ponto relevante diz respeito à influência da via de nascimento sobre a microbiota neonatal. De acordo com COELHO et al. (2021), recém-nascidos por via vaginal adquirem 420 uma microbiota composta principalmente por Lactobacillus, Bifidobacterium e Bacteroides, que favorecem o desenvolvimento do sistema imunológico e têm papel protetor contra infecções. Por outro lado, os nascidos por cesárea tendem a ser colonizados por microrganismos hospitalares e cutâneos, como Staphylococcus e Clostridium, apresentando menor diversidade microbiana. Essa alteração inicial está relacionada ao aumento da incidência de doenças crônicas na infância, como asma, obesidade, diabetes tipo 1 e enfermidades autoimunes, mostrando que o impacto da cesárea ultrapassa o momento do parto e pode se estender por toda a vida do indivíduo. A prática de cesárea por decisão materna não é comum nos hospitais públicos, principalmente nas maternidades universitárias, onde os protocolos assistenciais são bem definidos e aplicados de forma sistemática, evitando cesáreas desnecessárias. Em todo o país existem apenas 14 Casas de Parto, que representam uma alternativa importante para gestações de baixo risco. Embora haja divergências de opinião entre entidades médicas, estudos recentes apontam que as Casas de Parto configuram-se como unidades de saúde voltadas à assistência humanizada, possibilitando maior protagonismo da mulher e ressignificando a experiência do parto (LOPES et al., 2019; ALVARENGA; GAMA; NAKAMURA-PEREIRA, 2023). Nesse contexto, a Casa de Parto simboliza uma estratégia de humanização da assistência, ao devolver à parturiente sua voz, permitindo que ela se reconheça como figura central no processo e exercite sua autonomia. Além disso, tais espaços favorecem a construção de um vínculo mais próximo entre a mulher e a equipe de saúde, promovendo o respeito às escolhas individuais. O profissional que se propõe a uma atuação humanista deve não apenas conduzir tecnicamente o parto, mas também estimular a participação ativa da parturiente, reconhecendo seus direitos e seu valor pessoal (MASCARELLO; HORTA; SILVEIRA, 2017). A decisão sobre a via de nascimento deve, portanto, ser compartilhada entre a equipe multiprofissional e a mulher, respeitando a autonomia materna. Contudo, fatores como a formação dos profissionais, a sobrecarga de trabalho e a lógica institucional podem direcionar 421 a compreensão da cesárea como um procedimento mais prático e seguro, além de muitas mulheres associarem a cirurgia à redução imediata da dor, desconsiderando os riscos perinatais (LOPES et al., 2019). Esse cenário reforça a necessidade de ampliar estratégias de educação em saúde que ofereçam informações claras e baseadas em evidências, permitindo que a gestante faça escolhas conscientes. Por fim, estudos demonstram que as taxas de cesárea no Brasil estão fortemente associadas ao sistema de financiamento hospitalar. Mulheres atendidas na rede privada têm maior probabilidade de parto cirúrgico quando comparadas àquelas da rede pública, mesmo após ajustes para fatores clínicos e sociodemográficos. Essa diferença reforça a hipótese de que um número expressivo de cesáreas sem indicação médica acontece predominantemente no setor privado, o que aponta para a necessidade de políticas públicas e regulação que possam desencorajar tais práticas (ALVARENGA; GAMA; NAKAMURAPEREIRA, 2023). CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve como objetivo investigar as tendências e as implicações clínicas do parto vaginal e da cesárea, fundamentando-se na revisão de artigos científicos previamente publicados. A partir da análise das pesquisas selecionadas fica evidente que, embora a cesárea represente um recurso essencial em situações de risco para a realização do parto natural, a execução desse procedimento sem real indicação clínica acarreta em complicações não só para a mãe, mas também para o recém-nascido. Além disso, é importante a compreensão de que o corpo passa por inúmeras mudanças para conseguir passar por um parto que será, presumivelmente, vaginal. Dessa maneira, quando possível e seguro, o parto natural deve ser priorizado. Apesar das contribuições obtidas, o estudo realizado apresenta como limitação o fato de ser uma revisão de literatura 422 dependente da disponibilidade de publicações na área, o que pode não contemplar todas as nuances regionais e institucionais sobre a decisão da via de parto. Dessa forma, recomenda-se a realização de pesquisas mais amplas especialmente estudos multicêntricos que permitam o aprofundamento da compreensão de determinantes sociais podendo ser fatores clínicos, sociais ou econômicos que influenciam a decisão sobre o parto. Conclui-se, portanto, que a redução de cesáreas eletivas exige estratégias integradas: promoção de práticas baseadas em evidências, humanização da assistência e maior autonomia da gestante quanto à escolha da via de parto. Essas medidas permitem restringir o uso da cesárea a situações estritamente necessárias, conservando, assim, o processo fisiológico do parto vaginal e garantindo maiores benefícios maternos e neonatais. REFERÊNCIAS ALVARENGA, Marina Barreto; GAMA, Silvana Granado Nogueira da; NAKAMURAPEREIRA, Marcos. Characteristics of women who underwent one or more previous cesarean sections according to Nascer no Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 57, p. 89, 2023. DOI: https://doi.org/10.11606/s1518-8787.2023057004819. ARCOVERDE, K. C. C. Custos da assistência obstétrica hospitalar de alto risco. 2021. Dissertação (Mestrado em Economia) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2021. CARVALHO, Beatriz Farias Agres; MOREIRA, Leandro de Almeida; OLIVEIRA, Mariana Silva; VIREIRA, Michele Santos; OLIVEIRA, Viviane Miranda; OLIVEIRA, Bárbara Cabral de Sousa. Elective cesarean section: an integrative review of women’s discourse and factors influencing the choice of cesarean delivery in Brazil. Revista de Medicina, São Paulo, v. 103, n. 4, e-221639, 2024. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v103i4e-221639. COELHO, Luciane Carla Batista Baccin et al. Parto cesáreo e microbiota intestinal neonatal: revisão integrativa. Revista de Enfermagem UFPE On-line, Recife, v. 15, e246835, 2021. DOI: https://doi.org/10.5205/1981-8963.2021.246835.