BRINCAR NA NATUREZA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA SUSTENTÁVEL: SENTIDOS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO INFANTIL
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ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 BRINCAR NA NATUREZA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA SUSTENTÁVEL: SENTIDOS, DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA EDUCAÇÃO INFANTIL Bianca Polli Rodrigues 1 INTRODUÇÃO A crescente preocupação com os impactos socioambientais da vida urbana tem impulsionado reflexões sobre o papel da Educação na formação de sujeitos mais sensíveis às questões ecológicas. No contexto da Educação Infantil, essa discussão passa pelo reconhecimento da importância do contato das crianças com a natureza desde os primeiros anos de vida. No entanto, o que se observa em muitas instituições é um cenário marcado por práticas pedagógicas emparedadas, que restringem a vivência com ambientes naturais e limitam as experiências sensoriais, corporais e exploratórias. Nesse cenário, compreender como as professoras da Educação Infantil percebem e promovem o brincar na natureza torna-se fundamental para pensar caminhos formativos que contribuam com a construção de práticas pedagógicas mais sustentáveis e humanizadoras. Este trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa de campo realizada como Trabalho de Conclusão de Curso em Pedagogia, com foco na relação entre criança, natureza e práticas pedagógicas. O objetivo foi analisar a compreensão de professoras da Educação Infantil sobre o brincar na natureza com crianças pequenas, identificar as práticas que vêm sendo desenvolvidas e refletir sobre os desafios e possibilidades para a promoção de experiências que valorizem a relação entre infância e ambiente natural. DESENVOLVIMENTO Para a compreensão aprofundada da temática investigada, esta seção está organizada em três partes. Inicialmente, apresenta-se o referencial teórico que fundamenta a relação entre infância e natureza, com base em autores que discutem o impacto do distanciamento dos ambientes naturais e a importância do brincar como prática pedagógica sensível e sustentável. Em seguida, descreve-se a metodologia adotada na pesquisa, de natureza qualitativa, com destaque para os instrumentos utilizados na produção dos dados. Por fim, são discutidos os principais resultados obtidos a partir da análise das falas das docentes, evidenciando os desafios, potencialidades e sentidos atribuídos ao brincar na natureza no cotidiano da Educação Infantil. Referencial Teórico O vínculo entre infância e natureza tem sido abordado por diferentes autores que evidenciam a importância das experiências sensíveis e diretas com o ambiente natural no desenvolvimento das crianças. Louv (2016) cunha o termo “transtorno do déficit de 1 Mestranda em Educação, Universidade Estadual de Ponta Grossa, biancapollirodrig[email protected]om.
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 natureza” para referir-se aos prejuízos gerados pelo afastamento dos ambientes naturais, como dificuldades de atenção e empobrecimento sensorial. Tiriba (2018) aprofunda esse debate ao denunciar o emparedamento da infância e os efeitos da “cultura da limpeza”, que associa a natureza à sujeira, reforçando o controle e o confinamento dos corpos infantis. Ao mesmo tempo, Zanon (2018) aponta para os benefícios físicos, emocionais e sociais do contato com a natureza, ressaltando sua potência na formação de valores como o cuidado, o pertencimento e o respeito à vida. Nesse contexto, o brincar na natureza é compreendido não apenas como direito das crianças, mas como prática pedagógica fundamental na construção de uma educação voltada para a sustentabilidade e para a formação de sujeitos mais conectados com o mundo que habitam. Metodologia A pesquisa possui abordagem qualitativa e foi realizada em dois Centros Municipais de Educação Infantil (Gil, 2008). A produção dos dados envolveu a aplicação de questionários com professoras e entrevistas com integrantes da equipe gestora. As informações obtidas foram organizadas e analisadas por meio da técnica de categorização temática, buscando identificar as compreensões docentes sobre o brincar na natureza, bem como as práticas e os obstáculos relacionados à efetivação desse direito no cotidiano escolar. A pesquisa foi aprovada conforme os trâmites éticos da instituição. Análise e Discussões Os dados revelam que, embora as professoras reconheçam a importância do contato com a natureza para o desenvolvimento infantil, há ainda muitas limitações para a concretização de práticas significativas nesse sentido. Dentre os principais desafios mencionados, destacam-se a precariedade da infraestrutura dos espaços externos, a falta de materiais e profissionais de apoio, a sobrecarga de tarefas e a ausência de formação continuada voltada às práticas ambientais e sensoriais. Apesar dessas dificuldades, algumas iniciativas revelaram tentativas de romper com a lógica do emparedamento, como o uso de materiais naturais nas atividades, saídas ao pátio em momentos específicos e a criação de cantinhos com plantas ou elementos sensoriais. Tais práticas, ainda que pontuais, demonstram um movimento inicial de desemparedamento que precisa ser fortalecido por políticas formativas e institucionais. A análise também evidencia a necessidade de uma reconfiguração dos espaços educativos, valorizando os recursos naturais disponíveis nos próprios territórios das escolas. Como afirmam Zanon (2018), projetos que incentivam o pertencimento à natureza e o uso consciente dos recursos locais são essenciais para consolidar práticas pedagógicas sustentáveis desde a Educação Infantil. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados desta pesquisa apontam para a urgência de repensar as práticas pedagógicas e a organização dos espaços escolares, a fim de garantir o direito das crianças ao brincar na natureza. A valorização do ambiente natural como campo de experiências estéticas, sensoriais e afetivas deve ser central na formação inicial e
ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS EM AMBIENTE E SOCIEDADE - CONBEAS Universidade Estadual do Ceará Evento online - 01 a 03 de agosto de 2025 continuada de professores, promovendo uma educação comprometida com a sustentabilidade e com o bem-estar das infâncias. Superar o emparedamento e a instrumentalização da natureza exige investimentos em infraestrutura, tempo pedagógico qualificado e formação crítica dos profissionais da educação. Nesse sentido, fortalecer práticas de desemparedamento nas instituições de Educação Infantil é um passo fundamental para a construção de um futuro mais justo, ético e sustentável. REFERÊNCIAS GIL, A. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2008. Disponível em: https://ayanrafael.files.wordpress.com/2011/08/gil-a-c-mc3a9todos-etc3a9cnicas-depesquisa-social.pdf. Acesso em: 28 jun. 2024. LOUV, R. A última criança na natureza: Resgatando nossas crianças do transtorno do déficit da natureza. 1. ed. São Paulo: Aquariana, 2016. 412 p. ISBN 978-85-7217-174-8. TIRIBA, L. Educação Infantil como direito e alegria: Em busca de pedagogias ecológicas, populares e libertárias. 1. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2018. v. 308. ISBN 978-85-7753-339-8. ZANON, S. Educando na Natureza. [Organização: Instituto Ecofuturo; Coordenação: Michele Martins; Ilustração: Paloma Portela]. 1. ed. São Paulo: Ecofuturo, 2018. 69 p. ISBN 978-85-60833-26-9. DOI 18-16219. Disponível em: http://www.ecofuturo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Educando-naNatureza.pdf. Acesso em: Acesso em: 2 jul. 2025.