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Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado

Russo da Silva, Aline; Morschheiser, Horrana Naichele Costa de Oliveira; Ortiz Portella, Fabiani; Santos, Bianca Goulart; Machado, Leticia Sophia

Abstract

O objetivo desta pesquisa foi apresentar as percepções de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) sobre as competências digitais (CD) necessárias para atender pessoas com deficiência. Com a transformação dos cenários educacionais pela tecnologia, o AEE, implementado desde 2015 no Brasil pela Lei Brasileira da Inclusão n. 13.146 (Brasil, 2015), busca promover a integração escolar. A pesquisa qualitativa envolveu 38 professores de escolas públicas e privadas no Rio Grande do Sul, destacando o papel das Tecnologias Assistivas e a importância das Competências Digitais para facilitar o aprendizado e criar ambientes inclusivos. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/382

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74 | Inteligência Artificial na educação contemporânea Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) - Fatec Praia Grande – Multidisciplinar Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista - [email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2025 • aceito: Mar/2025 • publicado: Jun/2025 Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente com confiança baixa Desenho de um círculo Descrição gerada automaticamente com confiança média Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Inclusive education: teachers’ digital skills for specialized educational servisse Aline Russo Silva Universidade F. do R. Grande do Sul – UFRGS [email protected] Horrana N. C. de Oliveira Morschheiser Universidade F. do R. Grande do Sul – UFRGS [email protected] Fabiani Ortiz Portella Universidade F. do R. Grande do Sul – UFRGS [email protected] Bianca Goulart Santos Universidade F. do R. Grande do Sul – UFRGS [email protected] Leticia Sophia Rocha Machado Universidade F. do R. Grande do Sul – UFRGS [email protected] RESUMO O objetivo desta pesquisa foi apresentar as percepções de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) sobre as competências digitais (CD) necessárias para atender pessoas com deficiência. Com a transformação dos cenários educacionais pela tecnologia, o AEE, implementado desde 2015 no Brasil pela Lei Brasileira da Inclusão n. 13.146 (Brasil, 2015), busca promover a integração escolar. A pesquisa qualitativa envolveu 38 professores de escolas públicas e privadas no Rio Grande do Sul, destacando o papel das Tecnologias Assistivas e a importância das Competências Digitais para facilitar o aprendizado e criar ambientes inclusivos. PALAVRAS-CHAVE: Atendimento Educacional Especializado; Competências digitais; Competências socioafetivas; Inclusão; Tecnologia. ABSTRACT The aim of this research was to present the perceptions of teachers in the Specialized Educational Assistance (AEE) about the digital competencies (CD) necessary to support people with disabilities. With the transformation of educational settings through technology, the AEE, implemented since 2015 in Brazil under the Brazilian Inclusion Law No. 13.146 (Brazil, 2015), seeks to promote school integration. The qualitative research involved 38 teachers from public and private schools in Rio Grande do Sul, highlighting the role of Assistive Technologies and the importance of Digital Competencies in facilitating learning and creating inclusive environments. KEYWORDS: Specialized Educational Service; Digital skills; Socio-affective skills; Inclusion; Technology. 75 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 INTRODUÇÃO Nos últimos anos, as mudanças e inovações tecnológicas têm surgido de maneira rápida e contínua. Em decorrência do avanço tecnológico e as políticas educacionais inclusivas atuais, são necessárias discussões e a ampliação do conhecimento sobre o tema. Aragón (2016) ressalta que os cenários educacionais também têm sido influenciados pela presença das tecnologias e estas têm trazido novas configurações ao espaço escolar, oportunizando a expansão dos limites físicos e temporais nas instituições. As mudanças e as tecnologias digitais proporcionam, no contexto educacional, a potencialização do processo de ensino e aprendizagem para o estudante. Portanto, seu uso contextualizado com o currículo traz dinamismo e contribui para que os estudantes tenham papel mais ativo em seu processo de aprendizagem (Minuzi et al., 2023). Contudo, considerando o crescimento das tecnologias na educação, é fundamental que o professor estabeleça competências digitais para sua atuação. Segundo Behar (2013), uma competência é formada por um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), os quais auxiliam na atuação frente a novas situações tanto no dia a dia quanto no uso das tecnologias digitais. As competências digitais (CD) estão ligadas ao domínio tecnológico e mobilizam o conjunto de conhecimentos, habilidade e atitudes na intenção de solucionar problemas em meios digitais, sendo o contexto fator importante a ser observado (Silva; Behar, 2019). Diante desse cenário, o objetivo principal desta pesquisa é apresentar as percepções de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) sobre as competências digitais (CD) necessárias para atender às pessoas com deficiência. O intuito é refletir sobre a aplicação de tecnologias para promover a inclusão de estudantes que fazem parte do público-alvo do AEE. Na próxima seção, exploraremos os conceitos de Educação Inclusiva, AEE e competências digitais na educação, um tema cada vez mais relevante na era da tecnologia. 76 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: EDUCAÇÃO INCLUSIVA A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), estabelecida pela Lei n. 13.146, de 6 de julho de 2015 (Brasil, 2015), busca garantir a acessibilidade em diversos contextos. Segundo o art. 3º, acessibilidade é a possibilidade e condição de uso seguro e autônomo de espaços, mobiliários, equipamentos, transportes e serviços, tanto em áreas urbanas quanto rurais, para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Essa definição é crucial para assegurar que todos possam usufruir plenamente dos serviços e instalações disponíveis (Brasil, 2015). O conceito de desenho universal, também presente no art. 3º, refere-se à concepção de produtos e ambientes que atendam a todas as pessoas sem necessidade de adaptações específicas (Brasil, 2015). Isso inclui a integração de recursos de tecnologia assistiva, que visam promover a funcionalidade e a inclusão social, permitindo que indivíduos com deficiência vivam de maneira autônoma e independente, melhorando sua qualidade de vida. 1.2 ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO O Atendimento Educacional Especializado (AEE) é um serviço oferecido pela educação especial, destinado a estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, que estão matriculados em escolas regulares. Esse tipo de atendimento busca criar, desenvolver e implementar recursos pedagógicos e de acessibilidade, eliminando barreiras para garantir a plena participação de todos os alunos no processo de ensino-aprendizagem (Brasil, 2011). 1.3 COMPETÊNCIAS DIGITAIS Behar e Silva (2022) destacam que, na área da educação, acompanhar as diversas transformações da sociedade é um desafio significativo. Isso exige que os educadores implementem novas estratégias e abordagens pedagógicas inovadoras, reconhecendo as particularidades de cada estudante, independentemente de sua geração, tornando a integração de tecnologias digitais com ambientes físicos para o desenvolvimento de competências digitais ao longo de suas experiências. Vale ressaltar que o simples uso de tecnologias digitais não 77 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 garante o sucesso na aprendizagem. Portanto, é fundamental adotar metodologias que permitam ao estudante assumir um papel ativo em seu processo de aprendizado. Além disso, a integração de competências digitais é necessária, uma vez que as transformações sociais exigem que educadores adotem novas metodologias que reconheçam as particularidades de cada estudante e incentivem sua participação ativa no aprendizado. O uso da tecnologia para fins pedagógicos tem permitido que os estudantes se tornem mais ativos e protagonistas de seu processo educativo. 2. METODOLOGIA Este artigo trata-se de uma pesquisa qualitativa, por coletar as perspectivas dos professores em relação às competências digitais para atuação no AEE. O objetivo geral da pesquisa é apresentar as percepções de professores do AEE sobre as CD necessárias para atender às pessoas com deficiência. O método de coleta de dados adotado consistiu em um questionário digital, empregando a ferramenta Google Forms. O instrumento, composto por 11 perguntas objetivas e 2 perguntas dissertativas, foi distribuído aos professores envolvidos no AEE, tanto na rede pública quanto na privada, na região metropolitana de Porto Alegre e no município de Caxias do Sul, por meio do aplicativo WhatsApp. A análise dos dados foi conduzida seguindo a perspectiva de Bardin (2016), utilizando o método organizado em três etapas: pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, inferência e interpretação. Os dados foram estruturados em três categorias definidas posteriormente: dos sujeitos da pesquisa; da atuação dos professores do AEE; e das competências necessárias para o professor do AEE. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados aqui expostos fundamentam-se nas respostas fornecidas pelos participantes que compõem o corpo de profissionais do AEE. 78 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 3.1 OS SUJEITOS DA PESQUISA A seguir, são apresentados os dados coletados referentes à formação e área de atuação dos participantes da pesquisa. O estudo envolveu 38 professores que trabalham no AEE. Gráfico 1 – Formação inicial Fonte: Elaborado pelas autoras. Portanto, dos respondentes, metade (50%, n=38) são pedagogos, enquanto 34,2% (n=38) têm formações em diversas licenciaturas. Assim, os participantes com formação em Educação Especial representam 13,2% (n=38) do total. Por fim, apenas 2,06% (n=38) são psicopedagogos. É importante destacar que, entre os psicopedagogos, alguns também são pedagogos ou possuem diferentes licenciaturas. Gráfico 2 – Formação complementar Fonte: Elaborado pelas autoras. 79 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 Ainda sobre a formação inicial dos respondentes, 81,6% (n=38) possuem especialização, 10,5% (n=38) têm mestrado e 2,6% (n=38) possuem doutorado. Além disso, 13,2% (n=38) tem de forma associada tanto especialização quanto mestrado, enquanto outros 2,6% (n=38) tem especialização e doutorado. Portanto, todos os entrevistados indicaram possuir graduação em licenciatura e algum nível de pós-graduação, sendo isso um dos pré-requisitos estabelecidos na legislação como condição que habilita o professor para atuação no Atendimento Educacional Especializado. No entanto, ainda se observa, nos dados coletados, que os professores do AEE buscam a formação complementar para qualificar suas práticas. Gráfico 3 – Média de idade Fonte: Elaborado pelas autoras. As idades dos entrevistados (n=38) variaram de 20 a 60 anos. O maior percentual, correspondendo a 57,9% (n=38), está na faixa etária entre 20 e 35 anos. Nota-se que outras faixas etárias apresentaram menor representatividade na atuação com AEE. Portanto, são professores relativamente jovens e que buscam formação para otimizar suas práticas, pois vem atuando em um mundo tecnológico, que, em sua maioria, 57,9% (n=38) (em função da idade), já são usuários da tecnologia em suas vidas diárias tanto em tablets, smartphones, jogos eletrônicos quanto em computadores. 80 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 3.2 ATUAÇÃO DOS PROFESSORES E RECURSOS UTILIZADOS NO AEE Gráfico 4 – Tempo de atuação no AEE Fonte: Elaborada pelas autoras. Nota-se que cerca de 65,7% (n=58) dos profissionais possuem uma experiência de atuação no Atendimento Educacional Especializado entre 1 e 10 anos. Os demais respondentes estão distribuídos da seguinte maneira: 10,5% (n=38) possuem uma dedicação de 10 a 15 anos à função de professor do AEE, incluindo a mesma proporção de 10,5% (n=38) os educadores com menos de 1 ano e sendo que aqueles com mais de 15 anos de experiência apresentam um percentual de 13,2% (n=38). Sobre a rede de ensino onde os docentes pesquisados atuam, foram dadas duas opções: rede pública e rede privada de ensino. Do total de profissionais entrevistados, 94,7%(n=38) atuam como docentes na rede pública, o que demonstra uma representatividade expressiva nesse ambiente educacional. Isso sugere um cenário em que a maioria desses profissionais está envolvida em práticas pedagógicas dentro de sistemas educacionais públicos, seja em nível estadual ou municipal, enfatizando a relevância do AEE dentro desses contextos de ensino. Dessa forma, é possível pensar quais são os recursos digitais inseridos nesses contextos e disponíveis para atuação desse professor. 81 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 Gráfico 5 – Ferramentas digitais disponíveis Fonte: Elaborado pelas autoras. É relevante notar que, no contexto da sala de recursos do AEE, a disponibilidade de tecnologia varia consideravelmente. O acesso mais comum é a 89,5%, (n=38) de Chromebooks, seguido por 68,4% (n=38) de celulares, 55,3%(n=38) de tablets e 47,4% (n=38) de mesas interativas. No entanto, a presença de recursos menos comuns, como tela interativa, é de apenas 15,8%(n=38), enquanto a disponibilidade de computadores que produzem material impresso em braile (impressora braile) para aulas no AEE é extremamente baixa, registrando-se em apenas 2,6%(n=38). Essa variedade de acesso tecnológico destaca a necessidade de ampliar a disponibilidade de recursos acessíveis, especialmente para alunos com necessidades específicas de aprendizagem. Assim, entende-se também que as competências digitais se apresentarão de diferentes formas, considerando também os recursos que são disponíveis no ambiente em que o professor está inserido. 82 | Educação inclusiva: competências digitais dos professores para o atendimento educacional especializado Revista Processando o Saber - v.17 - p. 74-88 - 2025 Gráfico 6 – Uso das tecnologias Fonte: Elaborado pelas autoras. Cabe destacar que, em relação ao uso das tecnologias digitais nas práticas inclusivas do Atendimento Educacional Especializado, apenas uma minoria de 10,5% (n=4) dos entrevistados as utiliza sempre. A maioria expressiva, totalizando 68,4% (n=26), faz uso frequente dessas ferramentas, enquanto uma parcela significativa de 21,7% (n=8) utiliza essas tecnologias de forma rara. Esse dado sugere uma utilização relativamente baixa das tecnologias digitais no contexto do AEE, o que tem relação direta com as demais competências digitais que esse educador vai buscar desenvolver. Gráfico 7 – Formas de uso Fonte: Elaborado pelas autoras