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Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade

Santos, Beatriz Silva; Santana, Tatiana Nunes da Silva; Romano, Simone Maria Viana

Abstract

O presente artigo tem como objetivo discutir a relação entre tecnologia e inclusão educacional no contexto das escolas públicas brasileiras, com foco nas práticas pedagógicas voltadas para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A pesquisa foi realizada com professores que atuam diretamente com alunos com necessidades educacionais especiais (NEE), abordando desafios, estratégias de adaptação e o uso de tecnologias assistivas. A partir de uma análise qualitativa das respostas obtidas através de um formulário aplicado aos docentes, o estudo revela que, apesar do reconhecimento do potencial transformador da tecnologia, a sua utilização enfrenta limitações significativas devido à escassez de recursos, infraestrutura inadequada e a falta de formação específica dos professores. A pesquisa também destaca que a colaboração entre escola, família e profissionais especializados é fundamental para o sucesso da inclusão escolar, mas que ainda existem lacunas no apoio institucional e nos investimentos necessários para garantir uma educação inclusiva de qualidade. Conclui-se que, embora a tecnologia tenha o potencial de transformar o processo educacional, a efetiva inclusão escolar depende de esforços coordenados entre professores, gestores, políticas públicas e a sociedade para superar as barreiras estruturais e promover a equidade educacional. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/386

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1 | As lideranças religiosas no contexto da gestão de conhecimento: o estudo da igreja evangelizadora deus é contigo (IEDC) Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) - Fatec Praia Grande – Multidisciplinar Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista - [email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2025 • aceito: Mar/2025 • publicado: Jun/2025 Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente com confiança baixa Desenho de um círculo Descrição gerada automaticamente com confiança média Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Technological innovation and school inclusion Beatriz Silva Santos Fatec Praia Grande [email protected] Tatiana Nunes da Silva Santana Fatec Praia Grande [email protected] Simone Maria Viana Romano Fatec Praia Grande [email protected] RESUMO O presente artigo tem como objetivo discutir a relação entre tecnologia e inclusão educacional no contexto das escolas públicas brasileiras, com foco nas práticas pedagógicas voltadas para alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A pesquisa foi realizada com professores que atuam diretamente com alunos com necessidades educacionais especiais (NEE), abordando desafios, estratégias de adaptação e o uso de tecnologias assistivas. A partir de uma análise qualitativa das respostas obtidas através de um formulário aplicado aos docentes, o estudo revela que, apesar do reconhecimento do potencial transformador da tecnologia, a sua utilização enfrenta limitações significativas devido à escassez de recursos, infraestrutura inadequada e a falta de formação específica dos professores. A pesquisa também destaca que a colaboração entre escola, família e profissionais especializados é fundamental para o sucesso da inclusão escolar, mas que ainda existem lacunas no apoio institucional e nos investimentos necessários para garantir uma educação inclusiva de qualidade. Conclui-se que, embora a tecnologia tenha o potencial de transformar o processo educacional, a efetiva inclusão escolar depende de esforços coordenados entre professores, gestores, políticas públicas e a sociedade para superar as barreiras estruturais e promover a equidade educacional. PALAVRAS-CHAVE: Educação inclusiva, Tecnologia assistiva, Inclusão escolar, Ensino fundamental, Desafios educacionais. ABSTRACT The purpose of this article is to discuss the relationship between technology and educational inclusion in the context of Brazilian public schools, with a focus on pedagogical practices aimed at students from the 1st to the 5th grade of elementary school. The research was conducted with teachers who work directly with students with special educational needs (SEN), addressing challenges, adaptation strategies, and the use of assistive technologies. Based on a qualitative analysis of responses obtained through a questionnaire applied to the educators, the study reveals that, despite the recognition of technology's transformative potential, its use faces significant limitations due to resource scarcity, inadequate infrastructure, and the lack of specific teacher training. The research also highlights that collaboration between schools, families, and specialized professionals is essential for the success of school inclusion, but there are still gaps in institutional support and the investments needed to ensure quality inclusive education. It concludes that, while technology has the potential to transform the educational process, effective school inclusion depends on coordinated efforts between teachers, school administrators, public policies, and society to overcome structural barriers and promote educational equity. KEYWORDS: Inclusive education, assistive technology, school inclusion, elementary education, educational challenges. 134 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 INTRODUÇÃO A inclusão escolar tem sido um tema central nas discussões educacionais contemporâneas, gerando debates intensos sobre a democratização do acesso à educação para indivíduos com necessidades especiais. No Brasil, a implementação de legislações voltadas à inclusão tem sido um esforço contínuo para garantir o acesso desses indivíduos não só à educação, mas também ao mercado de trabalho e à vida social (ROGALSKI, 2010). O uso de tecnologias digitais durante a pandemia de COVID-19 foi essencial para viabilizar o ensino remoto, evidenciando tanto avanços quanto desigualdades no acesso educacional. Segundo Vitorino et al. (2021), a transição para o ensino mediado por tecnologia mostrou que, apesar do potencial de inclusão, muitas escolas enfrentaram dificuldades, como falta de internet estável e equipamentos adequados para alunos com deficiência, o que de acordo com a pesquisa TIC Educação 2022, 93% das escolas públicas passaram a contar com conexão à internet após a pandemia, um aumento significativo em relação a 2020, contudo, a infraestrutura escolar ainda apresenta deficiências: apenas 49% das escolas municipais e 38% das escolas rurais possuem equipamentos adequados, como computadores e tablets, além disso, a falta de formação dos professores para o uso pedagógico dessas ferramentas reforçou barreiras já existentes, impactando negativamente alunos com necessidades educacionais especiais. Assim, fica evidente que, para a tecnologia se tornar efetivamente inclusiva, é necessário um investimento contínuo na infraestrutura digital das escolas e na capacitação docente em práticas de ensino acessíveis (AGÊNCIA BRASIL, 2023). Nesse contexto, torna-se essencial refletir sobre como as inovações tecnológicas podem promover a inclusão escolar de forma eficaz, como a importância de tecnologias alinhadas ao Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que propõe práticas pedagógicas flexíveis para ampliar o acesso e o sucesso escolar. Tecnologias assistivas, como softwares de leitura de tela e plataformas interativas, favorecem um ensino mais inclusivo e personalizado, ampliando as possibilidades de aprendizagem para estudantes com diferentes necessidades (CORRÊA et al, 2021). O presente artigo analisa a importância das inovações tecnológicas como ferramentas pedagógicas e investiga como elas podem ser implementadas para fortalecer a educação inclusiva. O objetivo é compreender as práticas existentes, identificar desafios e propor estratégias que maximizem o uso de recursos digitais na criação de um ambiente educacional mais acessível e democrático. 135 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 As discussões aqui apresentadas, fundamentadas em estudos de diversos autores, buscam evidenciar os principais desafios enfrentados pela rede pública de ensino na implementação das inovações tecnológicas na educação inclusiva (SOUTO, 2014). Embora essas dificuldades não sejam exclusivas da rede pública, os desafios são mais acentuados nesse contexto (ROGALSKI, 2010). Para investigar essas questões, o presente artigo baseia-se em uma pesquisa qualitativa realizada em uma escola municipal de Itanhaém, envolvendo professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. 1. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, com o objetivo de analisar o uso de inovações tecnológicas na educação inclusiva, destacando as práticas adotadas pelos educadores, os desafios enfrentados e as estratégias para otimizar o uso dessas ferramentas nas salas de aula inclusivas. A pesquisa baseou-se em uma revisão literária de autores como Rogalski (2010), Corrêa et al. (2021) e Souto (2014), selecionados a partir de fontes acadêmicas e institucionais, priorizando publicações científicas indexadas em bases como SciELO, Google Scholar e CAPES Periódicos, entre 2007 e 2024. A escolha das referências seguiu critérios de relevância, atualidade e impacto na área, incluindo autores seminais. Também foram consultados documentos de órgãos governamentais (INEP), ONGs (Instituto Alana) e veículos de comunicação (Agência Brasil, Terra) para contextualizar políticas públicas e tendências atuais na educação inclusiva. A coleta de dados foi realizada em uma escola municipal de Itanhaém, com professores que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Utilizou-se um formulário online (Google Forms) para coletar informações sobre as experiências dos educadores no uso de tecnologias digitais para a inclusão. A pesquisa foi estruturada em duas etapas: a análise bibliográfica e a coleta de dados empíricos. A análise bibliográfica teve como objetivo identificar as melhores práticas e metodologias para integrar a tecnologia à educação inclusiva. Já a coleta de dados visou avaliar o conhecimento dos professores sobre as tecnologias assistivas, suas percepções acerca da eficácia dessas ferramentas e os desafios na implementação delas nas escolas. A análise dos dados foi qualitativa, permitindo a identificação de padrões nas respostas dos educadores e oferecendo uma visão aprofundada sobre o uso de tecnologias digitais na inclusão escolar. 136 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 2. EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL: ORIGEM, DESAFIOS, AVANÇOS E POLÍTICAS PÚBLICAS. A educação inclusiva no Brasil teve avanços significativos, mas ainda enfrenta desafios consideráveis, especialmente na implementação de políticas públicas, infraestrutura e capacitação docente. O movimento para integrar crianças com deficiência ao sistema educacional regular começou na década de 1970, rompendo com a segregação educacional até então predominante (CAVALCANTE, 2011). Ao longo do século XX, ocorreram avanços significativos em que se destacam a fundação do Instituto Pestalozzi em 1926 e da APAE em 1954, voltados para o atendimento de crianças com necessidades especiais. A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 4.024, em 1961, também foi um marco, pois integrou, pela primeira vez, a educação de pessoas com deficiência ao sistema regular de ensino, embora ainda de forma assistencialista e segregada (SOUTO, 2014).A década de 1970 representou um ponto de inflexão, com a criação do Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) em 1973, que buscava promover a integração das pessoas com deficiência ao ensino regular. No entanto, esse modelo ainda apresentava limitações estruturais e de formação (CORRÊA et al., 2021). Somente com a promulgação da LDBEN nº 9.394/1996, a educação inclusiva se consolidou no Brasil, garantindo o direito de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades de frequentar classes regulares, com apoio especializado (MAGRO; RODRIGUES, 2007). Com o Decreto nº 3.298 de 1999 e as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial (2001) foi formalizado a obrigatoriedade da adaptação escolar, mas sua aplicação prática é dificultada por desafios estruturais e administrativos, como é corroborado pelos dados do Censo Escolar 2020 que indicam que, enquanto o Distrito Federal possui 44% de suas escolas equipadas com Salas de Recursos Multifuncionais, estados como a Bahia e o Piauí têm apenas 13%, evidenciando a disparidade na infraestrutura para o Atendimento Educacional Especializado (AEE) (BRASIL, 2021). Além disso, em 2022, 94% dos professores regentes no país não tinham formação continuada em Educação Especial, com a região Nordeste apresentando apenas 3,7% de docentes qualificados para o ensino inclusivo (TERRA, 2022), o que mesmo com a Lei nº 13.005/2014, que institui o Plano Nacional de Educação (PNE) e propõe a universalização da educação básica para alunos com deficiência, sua efetivação é dificultada pela falta de 137 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 investimentos contínuos e pela falta de articulação entre os entes federativos (PEREIRA et al., 2024). O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), criado em 1997, tem ajudado na informatização das escolas e na capacitação de docentes, mas, como observam Corrêa et al. (2021), ainda enfrenta limitações, como a falta de conectividade e equipamentos adaptados. Em suma, embora a educação inclusiva no Brasil tenha avançado, ainda há muitos desafios a serem superados, e para isso é fundamental garantir investimentos contínuos, tanto em infraestrutura quanto na formação dos profissionais da educação, para que a inclusão de fato se concretize, em que a utilização das tecnologias como ferramentas educacionais podem superar barreiras pedagógicas, atendendo melhor às necessidades dos alunos com deficiência e, assim, transformando a educação inclusiva em uma realidade plena (YOSHIDA, 2018). 3. EDUCAÇÃO INCLUSIVA E TECNOLOGIA NO BRASIL: MARCOS E PERSPECTIVAS NO CONTEXTO ESCOLAR O uso de tecnologias no ambiente educacional brasileiro, embora tenha raízes históricas, se intensificou a partir da década de 1990, quando o Ministério da Educação criou o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo). O objetivo do programa era equipar as escolas públicas com computadores, promovendo a inclusão das tecnologias no ensino-aprendizagem (CORRÊA et al., 2021). Na década de 2000, o Plano Nacional de Educação (PNE), renovado em 2014, reforçou a necessidade de integrar recursos digitais ao processo educacional para modernizar o ensino e reduzir as desigualdades no acesso ao conhecimento. No entanto, como destacam Magro e Rodrigues (2007), esses avanços foram limitados pela falta de infraestrutura adequada e pela necessidade de uma formação docente específica para o uso de tecnologias. A pandemia de COVID-19 acelerou o uso de tecnologias na educação brasileira, expondo tanto os desafios quanto as possibilidades oferecidas pelas ferramentas digitais. Durante esse período, muitos professores enfrentaram dificuldades para adaptar suas práticas ao ensino remoto, principalmente pela falta de capacitação e infraestrutura. Contudo, o uso de plataformas digitais e dispositivos móveis também revelou novas formas de tornar a aprendizagem mais acessível e inclusiva (VITORINO et al., 2021). 138 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 As tecnologias assistivas são essenciais para a inclusão de alunos com deficiência, pois garantem autonomia e equidade no aprendizado, o que segundo Oliveira (2020), ferramentas como softwares de leitura de tela e dispositivos de amplificação sonora são eficazes, mas dependem da infraestrutura e capacitação adequadas, o que é mostrado, segundo um estudo de Lima et al. (2019) que embora muitas escolas tenham computadores, a maioria não dispõe das tecnologias assistivas necessárias, o que é asseverado por meio da pesquisa de Santos e Almeida (2018) que aponta que muitos professores desconhecem softwares especializados, como leitores de tela ou aplicativos de comunicação alternativa para alunos não verbais, indicando a necessidade de maior formação para a utilização desses recursos. A adoção do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) tem sido uma estratégia importante para promover a diversidade na educação, uma vez que essa abordagem utiliza tecnologias para diversificar formas de apresentação de conteúdo e engajamento dos alunos, garantindo que todos tenham acesso igualitário à aprendizagem, como observado por Corrêa et al. (2021). No entanto, os desafios permanecem, como por exemplo, a formação insuficiente dos professores e a desigualdade no acesso a equipamentos e internet limitam a efetividade das iniciativas tecnológicas no Brasil, o que, de acordo com Magro e Rodrigues (2007) a ausência de políticas públicas coordenadas que integrem a tecnologia de forma sustentável no ambiente escolar, tornando necessária uma maior articulação entre infraestrutura, capacitação docente e investimentos contínuos. Nesse contexto, Pereira et al. (2024) ressaltam que a tecnologia, mais do que uma ferramenta de suporte, deve ser vista como um catalisador para a transformação pedagógica. Quando bem utilizada, ela pode tornar a educação mais dinâmica, interativa e inclusiva, conectando os alunos a um universo de possibilidades antes inalcançáveis. Entretanto, embora o país tenha investido em programas que ampliam o acesso às tecnologias, a plena concretização de uma educação inclusiva e tecnológica exige ações coordenadas e consistentes em diversas áreas, dependendo de esforços contínuos para superar desigualdades estruturais e capacitar os professores para uma prática pedagógica mediada pela tecnologia. 139 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 4. O PAPEL DA ESCOLA NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: TECNOLOGIA E DIVERSIDADE COMO ALIADAS A missão da educação transcende a mera preparação para o mercado de trabalho ou a transmissão de habilidades básicas; ela está intrinsecamente ligada ao exercício da cidadania, ao respeito à diversidade e à convivência harmoniosa em sociedade. Nesse cenário, a educação inclusiva assume um papel central ao integrar alunos com diferentes necessidades e realidades em um espaço educacional comum (FERREIRA, 2018). Segundo Ferreira (2018), a inclusão escolar representa um compromisso com a equidade, demandando transformações nos ambientes de ensino e o uso de estratégias inovadoras, como a incorporação de tecnologias assistivas e digitais e o papel da escola na promoção da inclusão é especialmente relevante nos anos iniciais do Ensino Fundamental, uma fase crucial para a formação de valores e atitudes que moldam a vida dos estudantes. A educação inclusiva, de acordo com Mantoan (2003), se fundamenta no princípio de que todas as crianças têm o direito de aprender juntas, independentemente de suas diferenças, o que é corroborado por Aranha (2000) que destaca que a educação inclusiva surgiu como uma resposta a uma prática excludente, buscando criar espaços compartilhados onde alunos com e sem deficiência pudessem conviver e aprender juntos. Essa abordagem exige que as escolas acolham a diversidade e utilizem tecnologias como mediadoras pedagógicas, adaptando tanto os currículos quanto os métodos de ensino às particularidades de cada estudante (MAGRO & RODRIGUES, 2007). Durante a pandemia de COVID-19, o uso de tecnologias digitais tornou-se uma ferramenta transformadora para a educação, incluindo a dimensão inclusiva, como plataformas virtuais de aprendizagem, softwares educacionais e recursos assistivos ampliaram significativamente o alcance da educação em cenários remotos e híbridos. Vitorino et al. (2021) apontam que essas ferramentas possibilitaram que alunos com diferentes habilidades participassem ativamente do processo educativo, promovendo acessibilidade e personalização do ensino em níveis antes inexplorados. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) desempenhou um papel essencial na consolidação desse paradigma inclusivo, ao incorporar os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), em que esses princípios propõem diversificar as formas de apresentação de conteúdos, oferecer múltiplos meios de expressão para os estudantes demonstrarem seu aprendizado e incentivar sua motivação e permanência no processo educativo. Corrêa et al. (2021) reforçam que a tecnologia é uma aliada crucial nesse processo, 140 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 com recursos como aplicativos de leitura de tela, dispositivos de amplificação sonora e plataformas interativas que tornam o ensino mais acessível e inclusivo para todos. Exemplos práticos de integração tecnológica mostram o impacto positivo dessas ferramentas na educação inclusiva. Escolas que adotaram plataformas digitais, como o Google Classroom, conseguiram personalizar o ensino para alunos com deficiência visual utilizando softwares de leitura de tela, um exemplo notável do potencial da tecnologia como mediadora pedagógica, conforme indicado por Corrêa et al. (2021). No entanto, a inclusão plena exige que os professores sejam devidamente capacitados para lidar com essas ferramentas e valorizar a diversidade em sala de aula. Mantoan (2003) enfatiza que a formação docente contínua é indispensável, sendo fundamental que educadores participem de programas de formação específica, reuniões pedagógicas e grupos de estudo que promovam competências voltadas para a inclusão. Além disso, a infraestrutura escolar precisa ser adequada para garantir a acessibilidade. Escolas inclusivas devem contar com adaptações físicas, como rampas de acesso, bem como recursos tecnológicos, como materiais interativos digitais e softwares de comunicação alternativa. Esses elementos não apenas facilitam o acesso ao conhecimento, mas também promovem a autonomia e a participação ativa dos estudantes, como destacam Magro e Rodrigues (2007). 5. OS OBSTÁCULOS DA INCLUSÃO NA REALIDADE ESCOLAR PÚBLICA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL A inclusão educacional nas escolas públicas brasileiras enfrenta desafios estruturais e pedagógicos que dificultam a implementação eficaz de práticas inclusivas. Tais desafios estão diretamente ligados à escassez de recursos materiais, limitações na infraestrutura, falta de formação docente e a ausência de políticas públicas amplamente disseminadas que favoreçam a adaptação curricular e o uso de tecnologias assistivas (CORRÊA et al., 2021). Para que a educação inclusiva atenda às necessidades específicas dos alunos, é essencial que as instituições públicas adaptem suas práticas e superem as barreiras históricas e sistêmicas que ainda persistem. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 54, III, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9.394/1996, capítulo V, "Da Educação Especial", consolidam o direito à educação inclusiva como um dever do Estado. Embora essas 141 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 legislações representem um marco importante, sua implementação nas redes públicas de ensino enfrenta obstáculos significativos, especialmente devido à má interpretação de termos legais e à falta de infraestrutura adequada (PEREIRA et al., 2024). Conforme Yoshida (2018), o conceito de "adaptações razoáveis", muitas vezes confundido com adaptações curriculares, refere-se a ajustes no ambiente físico, nos métodos de comunicação e na condução de avaliações. Essas adaptações são essenciais para criar um ambiente escolar inclusivo, mas, infelizmente, raramente são aplicadas de forma eficaz nas escolas públicas, devido à falta de recursos técnicos e financeiros. A utilização de tecnologias assistivas e digitais é apontada como um caminho promissor para superar essas barreiras. Ferramentas como softwares de leitura de tela, dispositivos de amplificação sonora e plataformas interativas podem ser integradas ao ensino regular, promovendo a autonomia e a inclusão dos alunos com necessidades especiais. Contudo, a falta de conectividade e de equipamentos em muitas escolas públicas ainda limita o impacto positivo dessas tecnologias. Outro ponto crítico é a formação docente. Segundo Magro e Rodrigues (2007), muitos professores não recebem capacitação adequada para lidar com as demandas da educação inclusiva, especialmente no uso de tecnologias como ferramentas pedagógicas. Essa lacuna prejudica a adaptação de práticas pedagógicas que poderiam atender à diversidade de alunos em sala de aula, especialmente no contexto do ensino fundamental do 1º ao 5º ano. De acordo com Vitorino et al. (2021), a pandemia de COVID-19 evidenciou a importância das tecnologias digitais como mediadoras pedagógicas e ressaltou as desigualdades educacionais existentes. Durante o período de ensino remoto, muitos alunos com necessidades especiais ficaram ainda mais isolados devido à ausência de recursos tecnológicos e ao despreparo das escolas para atender às suas demandas específicas. Embora existam escolas públicas com salas de recursos multifuncionais e profissionais capacitados, a realidade ainda mostra que o alcance dessas iniciativas é limitado. Yoshida (2018) ressalta que, mesmo nas escolas que possuem algum suporte técnico e humano, a integração completa da educação inclusiva depende de ações coordenadas entre gestores, professores, famílias e a comunidade escolar. Para tanto, é fundamental que os gestores escolares compreendam profundamente as diretrizes legais e promovam discussões constantes com a equipe pedagógica, visando esclarecer dúvidas e alinhar estratégias inclusivas. A flexibilização curricular é outro ponto essencial para o sucesso da inclusão educacional. Segundo Corrêa et al. (2021), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) oferece diretrizes importantes que podem ser aliadas nesse processo, especialmente ao incorporar os 148 | Inovação tecnológica e inclusão escolar: o caminho para a equidade Revista Processando o Saber - v.17 - p. 133-148 - 2025 SANTOS, A. P.; ALMEIDA, S. R. Formação de professores para o uso de tecnologia assistiva no ambiente educacional. Revista de Educação Especial e Inclusiva, v. 10, n. 3, p. 75-90, 2018. SANTOS, G. Educação e tecnologia: transformando o ensino no pós-pandemia. Livro 1, Letramento Digital. eBook Kindle. São Paulo: EBPCA – Editora Brasileira de Publicação Científica Aluz, 2024. 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