scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas

Gualda, Linda Catarina

Abstract

O artigo objetiva mostrar como o percurso de implantação das línguas estrangeiras se efetivou nos Cursos Superiores de Tecnologia das Fatecs e de que maneira essas disciplinas evidenciam o arrojamento e a contextualização curricular da instituição. Para a pesquisa, foram adotados como procedimentos metodológicos a realização de entrevistas qualitativas semiestruturadas com professores e coordenadores envolvidos na reestruturação curricular ou ainda da área de línguas e consulta de materiais bibliográficos como normativas do Centro Paula Souza, relatórios, informativos, teses, dissertação e artigos acadêmicos a respeito das atividades realizadas pela equipe de idiomas. Ao longo do texto, discorremos acerca da elaboração do Projeto de Línguas, da criação e resultados atuais dos exames de nivelamento e rendimento de inglês e espanhol, da implantação e alcance dos Projetos Colaborativos Internacionais e também das perspectivas futuras para a área de línguas nas Fatecs. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/400

Full text

239 | A adesão do eletronic bill of lading (EBL) pelos armadores no mercado brasileiro e seus impactos no transporte marítimo Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) - Fatec Praia Grande – Multidisciplinar Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista - [email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2025 • aceito: Mar/2025 • publicado: Jun/2025 Interface gráfica do usuário Descrição g erada automaticamente com confiança baixa Desenho de um círculo Descrição g erada automaticamente com confiança média A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas The trajectory and future of foreign languages at Fatec: emergence, consolidation and perspectives Linda Catarina Gualda Fatec Itapetininga [email protected] RESUMO O artigo objetiva mostrar como o percurso de implantação das línguas estrangeiras se efetivou nos Cursos Superiores de Tecnologia das Fatecs e de que maneira essas disciplinas evidenciam o arrojamento e a contextualização curricular da instituição. Para a pesquisa, foram adotados como procedimentos metodológicos a realização de entrevistas qualitativas semiestruturadas com professores e coordenadores envolvidos na reestruturação curricular ou ainda da área de línguas e consulta de materiais bibliográficos como normativas do Centro Paula Souza, relatórios, informativos, teses, dissertação e artigos acadêmicos a respeito das atividades realizadas pela equipe de idiomas. Ao longo do texto, discorremos acerca da elaboração do Projeto de Línguas, da criação e resultados atuais dos exames de nivelamento e rendimento de inglês e espanhol, da implantação e alcance dos Projetos Colaborativos Internacionais e também das perspectivas futuras para a área de línguas nas Fatecs. PALAVRAS-CHAVE: Línguas Estrangeiras; Programa de Línguas; Centro Paula Souza; Perspectivas Futuras. ABSTRACT This article aims to show how the implementation of foreign languages took place in the Higher Education Technology Courses at Fatecs and how these disciplines demonstrate the boldness and contextualization of the curriculum of the institution. For the research the methodological procedures adopted were semi-structured qualitative interviews with professors and coordinators involved in the curricular restructuring or even in the languages area, and having access to bibliographical materials such as Centro Paula Souza normatives, reports, newsletters, thesis, dissertation and academic articles regarding the activities carried out by the language team. Throughout the text, we discuss the development of the Language Project, the creation and current results of the English and Spanish leveling and performance exams, the implementation and scope of the International Collaborative Projects and also the future perspectives for the language area at Fatecs. KEYWORDS: Foreign Languages; Language Program; Centro Paula Souza; Future Perspectives. 240 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 INTRODUÇÃO As Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) eram uma federação de escolas que seguiam quatro modelos e regimentos: o da Fatec São Paulo, Fatec Sorocaba, Fatec Santos e Fatec Americana e, com a expansão das unidades, cada Fatec criada seguia um desses regimentos. Devido às dificuldades de lidar com vários regimentos simultâneos, pensou-se em uma unificação e disciplinas com mesmo nome deveria ter a mesma carga horária e ementa (Cortelazzo, 2024). Cogitou-se, então, a necessidade de uma reforma curricular, cuja proposta deveria considerar as especificidades de uma instituição do porte das Fatecs, as conjunturas mercadológicas com vistas à empregabilidade e o contexto tecnológico e globalizado. Tendo isso em consideração, em 2007, o professor Angelo Cortelazzo, na época coordenador da Unidade do Ensino Superior de Graduação do Centro Paula Souza (CESU), “identificou a necessidade de reestruturar os cursos, visto que não havia unificação das ementas e a carga horária dos cursos não permitia o acesso dos egressos a programas de pós-graduação” (Gualda; Santos, 2024, p. 40). Assim, em 2008, Cortelazzo propôs uma reestruturação no currículo que contemplasse a inclusão de línguas estrangeiras, já que, a partir da motivação dos eventos internacionais que começam a se impor com mais clareza no Brasil, aumentava consideravelmente a requisição de profissionais de nível superior com domínio de uma segunda língua e até de uma terceira. O projeto de reestruturação visava inserir inglês e espanhol nos cursos das Fatecs dando ênfase às quatro habilidades linguísticas: leitura, escrita, fala e compreensão auditiva (Cortelazzo, 2024; Paschoalini, 2024; Valim, 2024) embasada na abordagem comunicativa e no desenvolvimento de competências integradas à realidade profissional (Gritti, 2024). Com a mudança, a partir de 2009, inglês e espanhol passaram a vigorar em caráter obrigatório na maioria dos cursos das Fatecs. É importante mencionar que, além do inglês e espanhol, a Fatec São Paulo oferece francês e alemão no currículo dos cursos de Secretariado e Assessoria Internacional (Centro Paula Souza, 2021). Também há a oferta do curso de “Introdução a Libras” desde 2022 sob a coordenação da Professora Darli Regina Paschoalini Vaccari. Cortelazzo (2024) relembra que houve resistência por parte de diretores das Fatec para inserir línguas estrangeiras nos currículos dos cursos. Porém, o inglês (e, posteriormente, o espanhol) seria um diferencial no ensino tendo em vista que os alunos de Fatec não possuem condições financeiras para pagar cursos de idiomas e nem disponibilidade para frequentá-los em outro horário, pois a grande maioria trabalha. Pensando nisso, a reestruturação pretendia 241 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 articular teoria e prática, o científico e o tecnológico com conhecimentos que oportunizassem ao aluno atuar em um mundo de trabalho intercultural e em constante mudança. Isto posto, objetiva-se mostrar como o percurso de implantação das línguas estrangeiras se efetivou nos Cursos Superiores de Tecnologia das Fatecs e de que maneira essas disciplinas evidenciam o arrojamento e a contextualização curricular da instituição. Para isso, no item seguinte, discorreremos a respeito das Políticas Linguísticas instituídas pelo Centro Paula Souza (CPS) para garantir a oferta e permanência das línguas no currículo dos cursos. 1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A reestruturação foi aprovada pela Superintendência e implantada a partir do segundo semestre de 2009 (Alvarenga et al., 2017, 209). Com ela, a língua inglesa passou a fazer parte do currículo dos cursos evidenciando a preocupação do Centro Paula Souza em estar alinhado às demandas da globalização. A inserção das línguas estrangeiras foi oficializada no CPS por meio da Portaria CEETEPS – GDS 2338, de 30 de outubro de 2018, que “Institui a Política Linguística Institucional do Centro Estadual de Educação Tecnológica “Paula Souza” – CEETEPS”. Os três primeiros itens do artigo 2º apresentam os princípios norteadores da Política Linguística Institucional evidenciando a oferta e acessibilidade das línguas estrangeiras não só diante das necessidades impostas pelo mercado de trabalho, mas também vinculadas à carreira acadêmica. I. a democratização do acesso às línguas estrangeiras, buscando a melhoria dos níveis de proficiência de membros dos corpos docente, discente e administrativo; II. o desenvolvimento dos letramentos acadêmico, científico e profissional, seja em língua vernácula, seja em língua estrangeira; III. o estímulo à comunicação intercultural dos corpos docente, discente e administrativo do CEETEPS com seus homólogos em Instituições de Educação estrangeiras (...). Mais adiante, no artigo 3º, todos os itens referem-se à oferta e consolidação das línguas estrangeiras no sentido de: fomentar o letramento acadêmico e nível linguístico (itens I e II), promover a oferta de disciplinas em língua estrangeira nos cursos (item III), estimular a integração entre instituições a partir de intercâmbios, ações de mobilidade e parcerias (itens IV, VI, X), alavancar a formação continuada discente por meio de cooperações institucionais, 242 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 incentivo a publicações internacionais e desenvolvimento de projetos colaborativos (item V, VII, VIII, IX), atentando ao processo de globalização, às demandas acadêmicas e do mundo do trabalho. Tais iniciativas podem ser verificadas nos excertos a seguir. I. oferecer disciplinas e cursos de língua vernácula e de línguas estrangeiras nas faculdades de tecnologia e nas escolas técnicas vinculadas ao CEETEPS (...); II. no âmbito das línguas estrangeiras, oferecer, prioritariamente, disciplinas e cursos de língua inglesa e de língua espanhola, com vistas ao processo de globalização e de integração regional latino-americana (...); III. oferecer disciplinas em língua estrangeira nos cursos de graduação tecnológica, extensão e pós-graduação (...); IV. organizar atividades de intercâmbio técnico, científico e cultural entre membros dos corpos docente, discente e administrativo do Centro Paula Souza - CPS e indivíduos vinculados a Instituição de Ensino Superior - IES estrangeiras (...); V. promover e apoiar ações que favoreçam a mobilidade internacional de estudantes de ensino médio técnico, de graduação tecnológica e pósgraduação, de docentes e de técnicos administrativos, além da recepção de membros da comunidade acadêmica externa (...). Outros documentos foram e são importantes para a oferta, democratização e permanência das línguas nos currículos dos cursos das Fatecs. A Deliberação CEETEPS 70, de 15 de abril de 2021, especificamente no artigo 2º, trata do incentivo à inserção de espanhol nos cursos com relação ao Mercosul com ênfase na comunicação. Destaca-se ainda as Diretrizes para os cursos Superiores de Tecnologia do Centro Paula Souza de abril de 2021, que prevê a comunicação profissional oral e escrita em língua vernácula e estrangeira. Tais normativas e diretrizes evidenciam que o CPS proporciona condições para que discente, docente e administrativo desenvolvam e aperfeiçoem competência em língua estrangeira. Para os alunos, em especial, são políticas que oportunizam “melhores posições e salários àqueles que vêm de classes sociais mais baixas e não têm o privilégio de praticar a comunicação em língua estrangeira muito antes de chegarem ao ensino superior” (Gualda; Santos, 2024, p. 48). De fato, o estímulo à aquisição de habilidades de comunicação em língua estrangeira é fundamental na medida em que se relaciona à preparação do estudante para a vida em uma sociedade internacionalizada, à oportunização de melhores perspectivas de emprego, ao estabelecimento de boas relações interpessoais e interculturais, à promoção do protagonismo, autonomia e liderança. Ademais, conhecer outro idioma implica em uma nova perspectiva 243 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 sociocultural que influencia as práticas sociais e profissionais, além do desenvolvimento de valores de tolerância e respeito face a outras culturas por meio da língua alvo. Essa mudança de perspectiva, priorizando o ensino da comunicação foi ao encontro das demandas mercadológicas e das mudanças de paradigmas que alavancam a globalização e impulsionam os indivíduos às relações interculturais. A expansão da dimensão internacional da educação superior tecnológica atende aos impactos do mundo globalizado, oportuniza crescimento aos docentes e discentes, promove o reconhecimento da instituição entendendo que desenvolvimento científico e tecnológico tem como imperativo, hoje em dia, o incremento de suas relações interinstitucionais e internacionais (Gualda; Santos, 2024, p. 41). A partir da reestruturação curricular, iniciou-se o Projeto de Línguas (atualmente chamado de Programa de Línguas) e com ele outras ações foram realizadas: criação dos exames de nivelamento e rendimento, surgimento dos Projetos Colaborativos Internacionais (PCI), criação do Congresso Brasileiro de Línguas na Formação Técnica e Tecnológica (CBTecLE), que este ano será realizado em setembro na Fatec Praia Grande, da revista científica CBTecLE, dos Núcleos de Estudos da Linguagem (Nelfs) das Fatecs, da aplicação do exame internacional TOEIC, da Assessoria de Relações Internacionais (ARInter), entre outras. Algumas dessas pautas serão discutidas nos itens seguintes. 2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O artigo foi elaborado a partir da realização de entrevistas com professores e coordenadores envolvidos na reestruturação curricular e professores de línguas estrangeiras de diversas Fatecs. Sendo uma metodologia de coleta de dados em pesquisa qualitativa, a entrevista pode ser definida como “uma técnica especial para a coleta de informações diretas dos sujeitos investigados” (Silva et al., 2006, p. 247) especialmente útil para investigar o comportamento e a subjetividade humana (Gil, 2008). Muitos teóricos já ressaltaram a importância da entrevista como procedimento para coleta de dados em pesquisa (Mcgrath, Palmgren, Liljedahl, 2009; Gil, 2008; Marconi, Lakatos, 2003; Manzini, 1991, 2003, 2004; Minayo, 2009; Guazi, 2021), pois, sendo um processo de interação social, possibilita estudar determinada pauta além de fornecer “dados básicos para a compreensão das relações entre os atores sociais e o fenômeno, tendo como objetivo a compreensão detalhada das crenças, atitudes, valores e motivações, em relação aos comportamentos das pessoas em contextos específicos” (Silva et al., 2006, p. 247). 244 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 Considerando o escopo da pesquisa, optou-se por entrevista qualitativa semiestruturada (chamada de semidiretiva ou semiaberta) a qual é caracterizada por questionamentos básicos apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa. Tais questões suscitariam novas hipóteses surgidas a partir das respostas dos entrevistados (Manzini, 2003, p. 18). Devido à sua adaptabilidade e flexibilidade, essa técnica de entrevista é frequentemente empregada em diferentes áreas do conhecimento, já que se mostra eficaz na investigação do comportamento e da subjetividade humana (Guazi, 2021, p. 2). Isto posto, entre maio e agosto de 2024, foram realizadas entrevistas com 26 pessoas entre professores de Fatecs e coordenadores de projetos na Cesu totalizando 26 entrevistas (uma entrevista por participante). Quanto ao roteiro (estrutura), as entrevistas partiram de perguntas principais fixas a respeito de como se concebeu a reestruração curricular, as ações realizadas pelo Programa de Línguas e as projeções futuras para a área de idiomas e seguiram complementadas por outros questionamentos inerentes às circunstâncias momentâneas à entrevista (Manzini, 2004, p. 2). O intuito era que se parecessem mais como uma conversa, na qual as perguntas abrissem perspectivas para análise e interpretação de ideias e as informações emergissem de forma mais livre, ou seja, intencionava-se que as respostas não fossem condicionadas a uma padronização de alternativas (Gaskell, 2003). Assim, os partícipes tiveram maior liberdade de expressão e as perguntas variaram de acordo com o rumo que as respostas tomaram e com o envolvimento do entrevistado. Com duração aproximada de uma hora, as conversas foram realizadas e gravadas pela plataforma Teams para que pudessem ser acessadas posteriormente. Cabe ressaltar que para este artigo considerou-se unicamente as respostas e não expressão corporal, tonalidade de voz e titubeios do entrevistado, haja vista que todas as entrevistas foram feitas virtualmente e por muitas vezes o participante não abriu a câmera. Além das entrevistas, houve consulta a materiais acadêmicos como relatórios, dissertação de Mestrado, tese de Doutorado e artigos publicados em revistas científicas a respeito das atividades realizadas pela equipe de línguas das Fatecs. Também foram utilizados como fonte bibliográfica documentos do Centro Paula Souza como portarias, normativas e diretrizes que estalecem as Políticas Linguísticas da instituição. Dessa forma, nos tópicos a seguir, discorreremos, respectivamente, acerca da criação do Projeto de Línguas (item 4.1), dos exames de nivelamento e rendimento de inglês e espanhol (item 4.2), bem como da implantação e alcance dos PCIs (item 4.3), além das perspectivas futuras (item 4.4) para a área de línguas nas Fatecs. 245 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 A ELABORAÇÃO DO PROJETO DE LÍNGUAS O desenvolvimento de novas tecnologias, o crescimento da produção e ampliação de diversas prestações de serviços, o impacto da globalização exige mudanças contínuas, o que faz com que as instituições de educação profissional busquem ampliar o oferecimento de cursos e programas a fim de atender às novas demandas com qualidade. Nesse contexto, e considerando que as Fatecs não tinham ementas e material didático direcionados aos cursos e as disciplinas de inglês e espanhol possuíam denominações e carga-horária diversas, pensou-se na elaboração de um catálogo de disciplinas de graduação que unificasse essa diversidade de nomes e foco. Desde seu início, o Projeto de Línguas esteve focado no desenvolvimento humano e profissional dos educandos, nas necessidades do mercado de trabalho, no contexto de globalização por meio de um viés educativo. Pensando nisso, a decisão de elaboração do projeto surgiu a partir da preocupação da Coordenadoria da CESU, representada pelo professor Angelo Luiz Cartelazzo, e do corpo docente, “em formar profissionais qualificados para atuarem na área de tecnologia, sobretudo competentes linguisticamente em inglês, considerada a maior fragilidade na formação do tecnólogo” (Alvarenga et al., 2017, p. 211). Assim, um grupo composto por aproximadamente 40 professores iniciaram a elaboração do projeto. Cabe ressaltar que a Cesu foi a responsável por conduzir as atividades do processo de Reestruturação Curricular e do Projeto de Línguas buscando entender a realidade dos contextos, resolver os conflitos decorrentes do trabalho coletivo, além de estabelecer as responsabilidades entre os pares e promover o diálogo e a tomada de decisão. Por meio do levantamento de documentos do CPS, tais como o Regimento, Regulamento do Ensino Superior, ementas de cursos, essa coordenadoria foi responsável por analisar o currículo das línguas com base nos seguintes aspectos: objetivos e carga-horária dos cursos oferecidos, necessidades mercadológicas e dos alunos, infraestrutura física e de pessoas. Essa avaliação mostrou a importância de se repensar uma proposta que fosse capaz de cumprir o novo objetivo estabelecido: o aluno ter condições de se comunicar em situações profissionais e acadêmicas em um nível linguístico préintermediário e, consequentemente, atender às expectativas dos setores públicos e privados em virtude das demandas do mercado de trabalho (Ramos; Teixeira, 2013). No início da implantação das línguas, as disciplinas de inglês e, posteriormente, espanhol focavam no ensino da leitura e o currículo considerava a Zona de Desenvolvimento 246 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 Proximal (Valim, 2024). Entretanto, verificou-se ser necessário repensar os objetivos do ensino de idiomas, uma vez que a prioridade passou a ser o desenvolvimento de habilidades de linguagem que enfatizassem a comunicação para fins práticos. Em outras palavras, interessava o aprendizado da comunicação, uma vez que se trata de um diferencial para os alunos da Fatec e uma expectativa do setor produtivo (Ramos; Teixeira, 2013). Com isso, a proposta didático-pedagógica foi alinhada aos padrões do Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment (CEFR) e embasada em exigências que não se restringissem às habilidades de leitura, privilegiando a comunicação verbal e a escuta ativa, estimulando a resolução de conflitos, a clareza na comunicação e a habilidade na apresentação de ideias. Ademais, o CEFR estipula uma base comum para a elaboração de material didático, programas de cursos de idiomas e exames de proficiência, a partir de descritores que medem e avaliam o nível de proficiência dos aprendizes. Além de elementos linguísticos, as habilidades descritas no CEFR incluem aspectos culturais relacionados aos idiomas e, por essa razão, é amplamente utilizado por instituições educativas e empregadores na avaliação das qualificações linguísticas dos candidatos à admissão. Para esse propósito, os materiais didáticos deveriam ser multimodais e estratégia de ensino por meio de tarefas que envolvessem os alunos (task based learning) a partir de metodologia ativa e interdisciplinar conectando diferentes áreas do conhecimento e projetando novos currículos que considerassem a inclusão sociocultural e ampliação das oportunidades no mercado de trabalho. Para isso, adotou-se o Business English e o Español para los Negocios como material didático a fim de incorporar a abordagem comunicativa e impulsionar o desenvolvimento de habilidades integradas à realidade profissional dos estudantes. Além da implantação das línguas nas Fatecs atentando às premissas do CEFR com vistas à empregabilidade dos alunos, muitas outras atribuições couberam à coordenação do Projeto de Línguas nesse período, a saber: realização de acompanhamento pedagógico das atividades do eixo; acompanhamento e elaboração de documentos com orientações para o processo de concurso público e contratação de docentes de línguas; elaboração de ementas específicas pensando na contextualização (Meaningful learning); recepção de visitantes representando a Cesu em visitas internacionais; análise de material didático; supervisão de intercâmbios; discussão de propostas de currículo e mediação de ações curriculares de língua inglesa; orientação e esclarecimento quanto à abordagem adotada nas aulas de inglês e espanhol; estreitamento do canal de comunicação entre professores de línguas, coordenadores, diretores e Cesu; realização de avaliação e elaboração de currículo em detrimento das demandas do mercado de trabalho, das necessidades dos alunos, da estrutura física e de pessoal do CPS. 247 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 O que nasceu de uma ideia vanguardista, ganhou forma e força devido ao trabalho e empenho constantes da equipe. Com o passar dos anos, o Projeto de Línguas ganhou dimensão quantitativa e qualitativa dentro da Cesu e é possível ver seu crescimento e alcance pelas áreas de atuação e as atividades que elas abarcam. Atualmente, o Eixo de Línguas e Projetos Internacionais, sob a coordenação da professora Elenir Almeida Silva, divide-se em Núcleo de Línguas e Núcleo de Projetos Internacionais os quais são constituídos pelas áreas de Currículo e Comunicação Profissional, Exames, Fomento Científico, Aprimoramento Profissional, Preparação e Revisão Textual e Eventos Internacionais, cujas atribuições são específicas. Currículo e Comunicação Profissional é responsável, entre outras atividades, por elaborar e atualizar componentes curriculares das línguas vernácula e estrangeiras, orientar as unidades e os coordenadores de curso acerca das Políticas Linguísticas e Internacionalização do CPS, informar representantes de disciplina das unidades e professores sobre o processo de reestruturação de cursos e de elaboração de disciplinas, oportunizar a oferta de curso extracurricular de “Introdução à Libras”. A área de Exames cuida da elaboração, atualização e a aplicação de Exames de Nivelamento e Rendimento de Inglês e de Espanhol aos alunos da Fatecs, além disso, divulga os resultados, mensura o progresso dos alunos no decorrer do curso, revalida ou modifica as ementas e objetivos de disciplinas, auxilia o CPS na logística para a aplicação nas Fatecs de testes internacionais de proficiência (Teixeira, 2024b, p. 1). O segmento de Fomento Científico promove a pesquisa e o aprimoramento científico de docentes do CPS, oportunizar publicações em revistas científicas e a participação em eventos acadêmicos além de promover melhoria constante da Revista CBTecLE. A área de Aprimoramento Profissional possibilita o oferecimento de capacitações, formações, palestras ou eventos que proporcionem reflexão e aprimoramento profissional e Preparação e Revisão Textual, por sua vez, efetua a revisão e a padronização de textos e documentos emitidos pela Cesu, divulga notícias interna e externa, além de zelar pela identidade visual da instituição. Por fim, Eventos Internacionais atua na busca por parcerias para os PCIs desenvolvidos pela Cesu, no apoio, acompanhamento e certificação de alunos e professores de Fatecs participantes dos projetos (Teixeira, 2024b, p. 2). 254 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 3.4 PERSPECTIVAS FUTURAS PARA A ÁREA DE LÍNGUAS NAS FATECS Considerando que a aprendizagem de línguas requer contínua e expressiva interação, além dos requisitos exigidos pelo mercado de trabalho a respeito do conhecimento de idiomas, a proposta da equipe de línguas, desde sua criação, foi balizada na criação de espaços democráticos com foco na oralidade e vistas à autonomia e protagonismo do estudante. Para isso, faz-se necessário atentar ao cenário globalizado e tecnológico cada vez mais presente nas relações pessoais e profissionais, o qual pressupõe inovação pedagógica na criação de ambientes de aprendizagem mais flexíveis e inclusivos que melhor acolham estudantes de diversas origens e contextos promovendo uma educação mais equitativa, multicultural e global. Nesse contexto, a aprendizagem de línguas surge como uma necessidade identificada e acelerada pelas constantes mudanças do mercado de trabalho atual. Logo, a fim de garantir que as perspectivas multilíngues no cenário globalizado sejam inclusivas e inovadoras com recursos tecnológicos como elemento facilitador, pode-se pensar em alguns movimentos de incrementos na área de línguas e programas internacionais nas Fatecs, a saber: 1) Avultar a visibilidade do Centro Paula Souza no cenário educacional internacional a partir de novas colaborações; 2) Formalizar parcerias com empresas objetivando investimentos e incentivos para pesquisas, desenvolvimento de cursos e programas, oportunidades de estágios e colocação profissional para os estudantes, entre outras possibilidades; 3) Tornar o Centro Paula Souza um ponto de referência para a educação profissionalizante; 4) Focar na internacionalização do ensino superior com o objetivo de ampliar o acesso a experiências internacionais de educação; 5) Fortalecimento da ARInter na promoção da mobilidade acadêmica gratuita; 6) Estender as parcerias com universidades estrangeiras e, com isso, as possibilidades de intercâmbio (tradicional e/ou virtual) para alunos e professores no intuito de integrar o conhecimento técnico, científico, cultural; 7) Ampliar a oferta de cursos gratuitos de línguas materna, estrangeira, Libras e Braille nas Fatecs para a comunidade interna e externa; 8) Retomar o programa de valorização docente e administrativa que visa contribuir para a promoção de qualificação e aprimoramento acadêmico-profissional por meio de cursos de idiomas, programas de mobilidade, capacitações, entre outros; 255 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 9) Aumentar a oferta de programas de formação continuada para professores de línguas fomentando o aperfeiçoamento linguístico e pedagógico através atividades, cursos de extensão, de especialização, intercâmbios culturais, tradicionais e virtuais; 10) Fortalecimento dos Núcleos de Estudos da Linguagem (Nelfs) das Fatecs, responsáveis por promover iniciativas e desenvolver atividades de ensino e aprendizagem de línguas vernácula e estrangeiras; 11) Enfocar no aumento da visibilidade e impacto da Revista CBTecLE e do Congresso CBTecLE com vista a atingir maior público, aumento de citação, fomentos, disseminação de conhecimentos; 12) Estreitamento da coordenação de línguas com a equipe de professores de línguas na intenção de oferecer suporte e acesso a recursos e expertise, estimular a coerência na abordagem pedagógica, o compartilhamento de conhecimento e experiências. Ciente da importância e dos impactos que uma educação voltada ao mundo do trabalho e que se preocupa em desenvolver sujeitos com capacidade crítico-social pode causar na formação do tecnólogo, Mariane Teixeira, coordenadora do Programa de Línguas de 2013 a 2024, em entrevista para a realização deste artigo, sinalizou alguns desafios que o Programa de Línguas pode enfrentar futuramente: 1) resistência de quem não é da área de idiomas: há áreas que ainda não reconhecem a importância das línguas estrangeiras no currículo e opinam acerca do trabalho da equipe de línguas sem conhecimento linguístico; 2) visão restrita da importância e abrangência das línguas: as línguas estrangeiras sempre foram tratadas como uma competência socioemocional, mas são, na verdade, competência profissional, na medida em que constam nos processos de seleção; 3) priorização das disciplinas técnicas e consequente redução da carga horária das disciplinas de línguas vernácula e estrangeiras: se não há desenvolvimento de linguagens há massificação do conhecimento e o pensamento crítico deixa de existir. Para que essas limitações não ocorram, Mariane Teixeira enfatiza que é preciso oportunizar os alunos, abrir seus horizontes, procurar suprir uma lacuna advinda do ensino fundamental e médio, já que o público das Fatecs e Etecs é oriundo de escola pública onde o ensino de línguas é precário (Teixeira, 2024a). Em vista disso, a escolha por ferramentas pedagógicas como materiais autênticos (vídeos, áudios e textos que reflitam o uso real do idioma), estudo de caso, aprendizagem por projetos com foco na interação e oralidade são algumas possibilidades para aumentar o contato do aluno com a língua alvo, auxiliando na aquisição de maior fluência no idioma, no desenvolvimento de soft skills (comunicação, 256 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 liderança, empatia intercultural, resiliência, inteligência emocional, trabalho em equipe, etc.) e na aplicação de conhecimentos teóricos em contextos reais. Portanto, o futuro das línguas pressupõe aulas interativas centradas no aluno e com propostas colaborativas capazes de gerar novos estímulos e desenvolver habilidades funcionais e produtivas de comunicação. Essa abordagem de ensino, com tarefas significativas e contexto autêntico, promove o pensamento crítico e a consciência metalinguística ao integrar as línguas às outras áreas de conteúdo curricular. Com isso em mente, muitas outras ações podem ser pensadas para o fortalecimento do Programa de Línguas e ampliação de seu fator de impacto no Centro Paula Souza e nas Fatecs. As possibilidades supracitadas não se esgotam neste artigo e, naturalmente, estão suscetíveis à ajustes, reconfigurações e realinhamentos. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em entrevista, a professora Simone Teles Ramos, responsável pela implantação do Projeto de Língua Inglesa nas Fatecs e na Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), resume o percurso realizado pelos professores que fizeram parte desse momento histórico que foi a reestruturação das línguas. Para ela, a resistência ao momento de transformação, o pensamento retrógrado voltado somente para leitura, falas medíocres e limitantes, além de outros entraves foram barreiras para o desenvolvimento do projeto demandando coragem e luta. Todavia, quando os professores de línguas de fato compreenderam a necessidade de reestruturação do currículo, com idealismo e flexibilidade, houve fortalecimento e construção uma equipe arrojada e unida que revolucionou o ensino de línguas nas Fatecs (Ramos, 2024). Levando em conta o acolhimento ao aluno e ao professor, o mercado globalizado e a interação social (que pressupõe o aprendizado de línguas), a equipe alicerçou o projeto em práticas pedagógicas interativas, abordagem com foco no processo em conjunto às metodologias ativas. Com isso, a partir de faculdades isoladas que se reuniram para formar um centro universitário, as Fatecs criaram e expandiram um ecossistema que consiste em: 1) movimentação da economia local com professores e alunos empregados; 2) divulgação das Fatecs para o mundo por meio dos PCIs e de programas de intercâmbios para alunos e professores; 257 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 3) promoção de formação continuada dentro da rede: cursos, palestras, capacitações para docentes, discentes e administrativo; 4) fortalecimento da Fatec e atuação na comunidade com suporte para resolução de problemas, oferta de cursos e atividades (Mostra de Projetos, Semana do Meio Ambiente, Semana da Tecnologia, etc); 5) promoção da cultura e desenvolvimento social a partir de campanhas sociais (como Páscoa Solidária, Trote Solidário, etc), ações para desenvolver a criatividade e inovação (eventos como Festa Junina, Festa das Nações, coral, atividades esportivas), entre tantas outras atuações. Assim, as Fatecs transformam seu entorno trazendo possibilidades de crescimento, de soluções e propostas criativas para situações reais fomentando a promoção e preservação da cultura local, o fortalecimento da identidade cultural e o desenvolvimento da economia local. A equipe de línguas entende que o movimento de valorização das línguas na educação profissional deve ser contínuo, uma vez que é preciso preparar os estudantes para o mercado de trabalho globalizado, desenvolver habilidades de comunicação e aumentar a competitividade. Nesse sentido, a equipe constantemente preocupa-se em: trabalhar para que as línguas materna e estrangeiras como disciplinas constituam-se em competências para o aluno ser cidadão da Sociedade do Conhecimento, ou seja, que vá além do conhecimento técnico do idioma; dar suporte aos professores de línguas ressaltando a consciência de seu papel no processo educativo e formativo para o enfrentamento à desigualdade, à intolerância, ao preconceito e à cegueira do monoculturalismo; buscar uma educação profissional que assuma a responsabilidade de promover um aprendizado para os egressos atuarem com ética, respeito à diversidade e visão multicultural; promover cursos de formação continuada aos professores que sejam espaços para difusão e atualização do conhecimento, reflexão e discussão de práticas pedagógicas na melhoria da qualidade do ensino, fortalecimento da comunidade docente. A consistência do progresso discente é alicerçada pelo papel da equipe de línguas que sempre esteve interessada na formação de cidadãos qualificados para o exercício da cidadania e de suas atribuições profissionais no mercado de trabalho. Ao reconhecer a importância de preparar uma geração apta a operacionalizar frente às demandas de um mundo globalizado, midiático, multicultural e competitivo, o Programa de Línguas busca desenvolver competências profissionais, acadêmicas e interculturais. Para isso, toda a equipe está constantemente em busca de recursos para complementar a aprendizagem e incrementar a prática docente, contribuindo com o trabalho das unidades de ensino em detrimento do perfil de profissionais exigido pelo mercado. 258 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 Inciativas como congresso para professores de língua materna e estrangeira discutirem suas práticas, revista acadêmica para divulgação de produções científicas no campo do ensino de línguas, programa de intercâmbio para alunos e professores, projetos colaborativos internacionais, criação de núcleos de estudos da linguagem, entre outras atividades vinculam o aperfeiçoamento acadêmico ao conhecimento de língua como instrumento de informação e comunicação favorecendo o desenvolvimento didático-pedagógico, teórico, metodológico, linguístico e cultural. Por fim, vale ressaltar que entendemos que este estudo contribui para o avanço do conhecimento acerca da reestruturação curricular das Fatecs, da inserção de idiomas estrangeiros nos currículos dos cursos superiores e das atividades realizadas pela equipe de línguas desde o início de seu estabelecimento até os dias atuais. Contudo, a discussão apresentada aqui é apenas um ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre as implicações deste tema na qual pretende-se não esgotar o assunto, mas estimular a continuidade, ampliação e aprofundamento do debate. REFERÊNCIAS ALVARENGA, M. B. et al., Exame de entrada para alunos ingressantes no ensino superior tecnológico: uma experiência na preparação de um piloto. In: CONSOLO, D; GATTOLIN, S.; SILVA, V. (orgs.). Perspectivas em avaliação no ensino e na aprendizagem de línguas: pesquisas e encaminhamentos na formação e na prática docente. Campinas, SP: Pontes Editores, 2017, p. 207-236. BEELEN, J; JONES, E. Redefining internationalization at home. In: CURAJ, A.; MATEI, L.; PRICOPIE, R.; SALMI, J.; SCOTT, P. (Eds.). The European higher education area: Between critical reflections and future policies. Dordrecht: Springer, 2015. CENTRO PAULA SOUZA. Projeto Pedagógico de Curso: Secretariado e Assessoria Internacional. 2021. CORTELAZZO, A. Trajetória do ensino de línguas nas Fatecs e o projeto de reestruturação curricular. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 25 de julho de 2024. GASKELL, G. Entrevistas individuais e grupais. In: BAUBER, M.W; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. 2ª ed. Petrópolis: Vozes; 2003, p. 64-89. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2008. 259 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 GRITTI, N. H. S. Participação no projeto de reestruturação curricular das línguas nas Fatecs e nos PCIs. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 14 de agosto de 2024. GUALDA, L. C.; SANTOS, M. C. O ensino de língua espanhola nas Fatecs: percurso histórico e atualidade. In: Encontro de Professores de Espanhol: Paradigmas da Educação Profissional e Tecnológica Parte 2. São Paulo: CPS Centro Paula Souza, 2024, p. 35-49. GUAZI, T. S. Diretrizes para o uso de entrevistas semiestruturadas em investigações científicas. In: Revista Educação, Pesquisa e Inclusão, v. 2, p. 1-20, 2021. JORGE, M. L. S. Línguas estrangeiras em evidência: formação de professores, justiça social e letramentos. In: FERREIRA, Maria Cristina Faria Dalacorte; REICHMANN, Carla Lynn; ROMERO, Tania Regina de Souza (Orgs.). Construções Identitárias de Professores de Línguas. Campinas: Pontes, 2016. MANZINI, E. J. Entrevista semi-estruturada: análise de objetivos e de roteiros. In: Seminário internacional sobre pesquisa e estudos qualitativos. Anais. Bauru, v. 2, 2004, p. 1-10. _________. Considerações sobre a elaboração de roteiro para entrevista semiestruturada. In: MARQUEZINE: M. C.; ALMEIDA, M. A.; OMOTE; S. (Orgs.) Colóquios sobre pesquisa em Educação Especial. Londrina: Eduel, 2003. p.11-25. MARTINS, T. H. B. Participação no processo de criação dos exames de proficiência. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 25 de julho de 2024. OLIVEIRA, L. S. A plataforma onde os exames de proficiência estão inseridos: como se deu o desenvolvimento, manutenção e suporte. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 01 de agosto de 2024. PASCHOALINI, D. R. Participação no projeto de reestruturação curricular das línguas nas Fatecs e perspectivas futuras. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 31de julho de 2024. RAMOS, S. T. M.; Trajetória do ensino de línguas nas Fatecs e o projeto de reestruturação curricular. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 12 de julho de 2024. RAMOS, S. T. M.; TEIXEIRA, M. Relatório do Projeto de Línguas: Inglês. Cesu. São Paulo, 2013. RIBEIRO, M. M. da S.; BARÇANTE, M. Exames de proficiência no Ensino Superior Tecnológico: resultados comparativos em dois momentos. Revista CBTecLE, v. 1, n.1. 2017, p. 345–359. 260 | A trajetória e o futuro das línguas estrangeiras nas Fatecs: surgimento, consolidação e perspectivas Revista Processando o Saber - v.17 - p. 239-260 - 2025 SÃO PAULO. Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza. Portaria CEETEPS-GDS 2338, de 30 de outubro de 2018. Diário Oficial do Estado de São Paulo. Poder Executivo, Seção 1, São Paulo128 (208). Disponível em https://bkpsitecpsnew.blob.core.windows.net/uploadsitecps/sites/195/2024/02/PortariaCEETEPS-GDS-2338-_-2018-10-30-003-1.pdf Acessado em 02 de março de 2025. SILVA, G.R.F; MACÊDO, K.N.F; REBOUÇAS, C.B.A; SOUZA, A.M.A. Entrevista como técnica de pesquisa qualitativa. In: Online Brazilian Journal of Nursing. Janeiro, 2006, p. 246-257. SUCCI JUNIOR, O. Relatório da equipe dos Projetos Colaborativos Internacionais da Cesu. 2º Trimestre de 2024. Cesu. São Paulo, 2024, p. 1-15. ________. Projetos colaborativos internacionais na unidade de ensino superior de graduação: a evolução dos intercâmbios virtuais no Centro Paula Souza. In: REGIT – Revista de Estudos de Gestão, Informação e Tecnologia. V. 14, n. 2, p. 126-140, jul/dez 2020. TEIXEIRA, M. Participação no projeto de reestruturação curricular das línguas nas Fatecs e perspectivas futuras. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda e Michelle Santos em 22 de agosto de 2024a. TEIXEIRA, M. Informativo acerca das áreas e atribuições do Eixo de Línguas e Projetos Internacionais. Cesu. Apresentado ao Diretor Acadêmico-Pedagógico André Luiz Braun Galvão. São Paulo, julho, 2024b. TEIXEIRA, M.; RIBEIRO, M. M. S. Relatório de aplicação de Exame de Rendimento 2024-2. Cesu. São Paulo, julho de 2024, p. 1-12. VALIM, M. A. G. Participação no projeto de reestruturação curricular das línguas nas Fatecs. Entrevista cedida a Linda Catarina Gualda, Mariane Teixeira e Michelle Santos em 15 de julho de 2024.