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Pesquisa e extensão: Unipê

Centro Universitário de João Pessoa

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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA ASSESSORIA DE PESQUISA, EXTENSÃO E DESENVOLVIMENTO – ASPED Reitora Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca Vice-Reitor Oswaldo Trigueiro do Valle Pró-Reitoria Acadêmica – PROAC Ana Flávia Pereira Medeiros da Fonseca Assessoria de Pesquisa, Extensão e Desenvolvimento – ASPED James Felipe Tomaz de Morais Karina Guedes Correia Organizadores James Felipe Tomaz de Morais Karina Guedes Correia Copyright© by Institutos Paraibanos de Educação Revisores Ana Cristina da Nobrega M Torres L Ana Paula Pereira Falcão André Luz Ângela Coelho Antônio da Silva Sobrinho Jr Bruno Soares Abreu Cristiane Galvão Ribeiro Eric de Lucena Barbosa Felipe Brandao dos Santos Oliveira Helcia Macedo de Carvalho Diniz José Vicente Moreira Josevânia Silva Karina Guedes Correia Karla Fernandes de Albuquerque Marcia Magalhaes Avila Paz Márcio De Lima Coutinho Maria Das Merces Maia Muribeca Ramón Cunha Montenegro Raquel Mercedes Pinto Mascareno Rildesia Silva Veloso Gouveia Silvana Nobrega Gomes Uyara de Sousa Travassos Barbosa Vanduir Soares de Araujo Filho Diagramação NPI - Núcleo de Publicações Institucionais Raiff Pimentel Félix Almeida P473 Pesquisa e extensão: Unipê / Organizado por: James Felipe Tomaz de Morais, Karina Guedes Correia. - João Pessoa, 2018. 297p. ISBN 978-85-87868-38-1 1. Produção Acadêmica. 2. Pesquisa Científica. 3. Educação. I. Título. UNIPÊ / BC CDU 001.891 DOI: 10.5281/zenodo.17600483 SUMÁRIO PLANO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DA FÁBRICA DE SOFTWARE DO UNIPÊ .....................................................................................................................................................9 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO EXTENSIONISTA NA ESCOLA DE COMPUTAÇÃO SOLIDÁRIA CONSIDERANDO ASPECTOS SOCIOEMOCIONAIS............................................................................................................................. 16 UMA EXPERIÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DISTRIBUÍDO ÁGIL BASEADA NO MAPEAMENTO DE CIDADES INTELIGENTES ........................................................ 21 CONDIÇÕES COGNITIVAS DE IDOSOS RESIDENTES EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA ....................................................................................................................27 É RECICLANDO QUE SE APRENDE: VIVÊNCIA DO PROJETO SUSTENTABILIDADE NA COMUNIDADE JARDIM MANGUINHOS, CABEDELO-PB ......................................................................................................................................... 37 IMPLEMENTAÇÃO DE SALA DE ESPERA SUSTENTÁVEL: SAÚDE EM UM NOVO OLHAR ........................................................................................................................................... 41 CARACTERÍSTICAS ANTROPOMÉTRICAS E DE APTIDÃO FÍSICA DE JOGADORES DE FUTEBOL AMERICANO DE JOÃO PESSOA-PARAÍBA ... 47 EXERCÍCIOS FÍSICOS APÓS A CIRURGIA BARIÁTRICA ......................................... 55 ATENDIMENTO PRÉ - HOSPITALAR MÓVEL: IDENTIFICANDO AGRAVOS À SAÚDE DA PESSOA IDOSA ............................................................................................................61 CARACTERÍSTICAS DA FORÇA MUSCULAR, AGILIDADE, FLEXIBILIDADE E COMPOSIÇÃO CORPORAL EM ESCOLARES DO SEXO FEMININO ............... 77 PREVENÇÃO DE FATORES DE RISCOS DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES VIVÊNCIA DE CALOUROS NUMA AÇÃO SOCIAL ......................................................... 85 PROJETO DE EXTENSÃO NA REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR, METABÓLICA E PULMONAR: RELATO DA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA .... 89 PROJETO DE EXTENSÃO TERAPIA DE MÃO E DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS DOS DISCENTES .............................................95 GRUPO DE APOIO AOS PAIS E CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS – GAPCCE ................................................................................ 102 A EQUOTERAPIA COMO MODALIDADE TERAPEUTICA INTERDISCIPLINAR DIRECIONADO A CRIANÇAS E ADULTOS COM DISFUNÇÃO NEUROMOTORAS ................................................................................................................................. 108 QUALIDADE DE VIDA E AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO MOTORA GROSSA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM PARALISIA CEREBRAL .............................. 113 ESCALADA ESPORTIVA: UM ESPORTE RADICAL NO FOCO DAS EXTENÇÕES ................................................................................................................................................ 123 PERCEPÇÃO DOS IDOSOS SOBRE ATIVIDADES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE: UMA VIVÊNCIA NO PROJETO DE OFICINA DA MEMÓRIA .............. 127 ENVELHECIMENTO ATIVO: ESTIMULAÇÃO MULTISSENSORIAL AO IDOSO ..... ..................................................................................................................................................................................138 DESEMPENHO FÍSICO E SATISFAÇÃO COM PRÁTICA DE EXERGAMES EM IDOSOS ATIVOS SUBMETIDOS À GAMETERAPIA...........................................................146 ATUAÇÃO INTEGRADA NOS ESTÁGIOS DE FONOAUDIOLOGIA DO UNIPÊ ..................................................................................................................................................................................156 PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO DE PAIS NO COMBATE AO CONSUMISMO EXAGERADO INFANTIL .....................................................................................................................163 OS BENEFÍCIOS DO ATENDIMENTO DE PRIMEIROS SOCORROSPAPS NA CAPACITAÇÃO DE ALUNOS DO CURSO DE FISIOTERAPIA............................................................................................................................................169 O BRINCAR COMO EXPRESSÃO DOS MOVIMENTOS PULSIONAIS DE UM GRUPO DE CRIANÇAS .......................................................................................................................173 A ESCUTA DOS PAIS E CUIDADORES DAS CRIANÇAS DA CRECHE...... 178 CONCEPÇÕES SOBRE A IMPLEMENTAÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA EM SITUAÇÃO DE RISCO ................................................................................................................. 183 CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES SOBRE ABRIGOS INSTITUCIONAIS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES ...................................................................................................195 IDOSOS RESIDENTES EM CIDADES RURAIS: ANÁLISE DAS VULNERABILIDADES AO HIV/AIDS ........................................................................................ 206 NÍVEL DE AUTOESTIMA EM IDOSOS EM RELAÇÃO AO GÊNERO ................ 217 VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA IDOSA: INCIDÊNCIA DE CASOS REGISTRADOS NA DELEGACIA DO IDOSO ..................................................................... 226 APRENDENDO SOBRE O PREZI .............................................................................................. 236 OS CUIDADOS COM OS BEBÊS E A CRECHE .................................................................241 A PSICANÁLISE EXTRAMUROS: PROJETO DE EXTENSÃO EM PSICANÁLISE DO UNIPÊ .....................................................................................................................................................245 A PRÁTICA DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO MANEJO DA ANSIEDADE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA ...................................................................251 AGRESSORES SEXUAIS: VIOLÊNCIA, SEXO E PRAZER ...........................................256 TRATAMENTO ENDODÔNTICO DE MOLARES EM PACIENTES IDOSOS ... 263 A IMPORTÂNCIA DO POSTO DE ATENDIMENTO EM PRIMEIROS SOCORROS (PAPS) NA CAPACITAÇÃO EM URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS NO CURSO DE ODONTOLOGIA ..................................................................................................267 A EXPERIÊNCIA DA OBSERVAÇÃO PARTICIPATIVA EM UM CONTEXTO PSICOPEDAGÓGICO ............................................................................................................................271 INSERÇÃO DE ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA EM HOSPITAL INFANTIL ...............................................................................................................................................................................276 A CONSTRUÇÃO DE UMA AÇÃO DE PROMOÇÃO DA SAÚDE UTILIZANDO A APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS ........................................................ 280 9Pesquisa e Extensão: Unipê 1 Tecnóloga em Gestão da Tecnologia da Informação, [email protected] 2 Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas, [email protected] RELATO DE EXPERIÊNCIA PLANO DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS DA FÁBRICA DE SOFTWARE DO UNIPÊ Juliana de Oliveira Costa1, Walace Sartori Bonfim2 RESUMO Este artigo relata a realização de uma pesquisa exploratória no âmbito da tecnologia da informação (TI), mais especificamente relacionado ao gerenciamento de projetos orientado às melhores práticas de mercado na área. Onde o objeto do estudo referese a um projeto demandado à Fábrica de Software do UNIPÊ, visando o desenvolvimento de um portal para o Observatório de Dados da Paraíba, cujo propósito considera a apresentação clara e transparente, para toda a sociedade, de informações e dados relativos ao cenário da Paraíba, no contexto dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos e difundidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao redor do mundo. Em linhas gerais, o estudo realizado propôs uma estrutura de gerenciamento de projeto, ponderando o cenário onde o projeto está inserido, sustentado em um plano de gerenciamento de projetos, por sua vez, embasado no paradigma da gerência de projetos sugerido pelo Project Management Institute (PMI), através do guia PMBOK em sua quinta edição. O trabalho foi realizado com base na bibliografia especializada sobre o tema e, uma vez realizada a coleta e análise de dados, foram desenvolvidos o plano do projeto supracitado e demais documentos complementares ao mesmo. Com os resultados obtidos, observou-se o ganho proporcionado pela utilização das boas práticas e ferramentas de gerenciamento de projetos, tanto por assegurar um eficiente emprego dos recursos do projeto, como por facilitar a definição e compreensão das atividades a serem executadas, garantindo assim o esclarecimento a todos os envolvidos quanto à condução do mesmo em função de seu sucesso. Palavras-chave: Gerenciamento de projeto. Guia PMBOK. Plano de gerenciamento de projeto. Objetivos de desenvolvimento do milênio. Fábrica de software do Unipê. Recebido: 30/09/2015 Aceito: 30/09/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de Gestão da Tecnologia da Informação , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João PessoaPB, Brasil. 16 Pesquisa e Extensão: Unipê 1 Mestrado em Ciências da Computação, [email protected] RELATO DE EXPERIÊNCIA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DO EXTENSIONISTA NA ESCOLA DE COMPUTAÇÃO SOLIDÁRIA CONSIDERANDO ASPECTOS SOCIOEMOCIONAIS Walter Travassos Sarinho1 RESUMO A Escola de Computação Solidária (ECS) já capacitou mais de 3 mil jovens no curso de Introdução a Informática que acontece durante as manhãs de 15 sábados a cada semestre no Unipê. Adolescentes carentes com faixa etária entre 13 e 18 anos são o público alvo do projeto. Os instrutores da ECS (em sua maioria) são graduandos dos cursos da UBTechTI (Ciência da Computação, Sistemas para Internet, Gestão de TI e Redes de Computadores). Os instrutores são orientados por outros cinco colegas (Coordenadores do Projeto). Ao final de cada semestre cada extensionista (instrutores e coordenadores) recebe certificado de participação no projeto. No entanto, os certificados não fazem nenhuma menção ou avaliação acerca do desempenho de cada discente no decorrer do projeto. Focando nesta lacuna de avaliação é que surge a proposta de criar um instrumento de aferição do desempenho de cada discente durante sua permanência no projeto. Além disso, esta avaliação considera não somente as habilidades cognitivas, mas também, as não cognitivas. Palavras-chave: Escola de computação solidária. Projeto de extensão. Competências socioemocionais. Instrumento de avaliação. Recebido: 20/10/2015 Aceito: 20/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de ciência da computação, BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 17 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO A Escola de Computação Solidária é um projeto de extensão que ocorre semestralmente no Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. A solidariedade é a principal característica do programa. Os voluntários nele envolvidos – professores e alunos – se apercebam da satisfação que pode advir de uma troca com seu semelhante. Por um lado, doação de tempo e conhecimento, por outro o empenho em crescer – lições de vida são trocadas por lições técnicas com o objetivo de desenvolver competências no uso do computador. Comunidade e Universidade se beneficiam deste programa. Ao concluir o curso introdutório da ECS novas possibilidades de crescimento profissional são abertas ao jovem carente. Além disso, a Universidade oferece a seus graduandos a possibilidade de desenvolver competências de ensino neste programa. A missão da ECS é propiciar instrução técnica complementar na área de Tecnologia da Informação (TI) para adolescentes carentes, na busca constante do cumprimento de seu papel de bem servir à comunidade. Desde 1999 o curso é oferecido semestralmente durante as manhãs de 15 sábados – das 8:00hs às 12:00hs para 120 jovens (divididos em 4 turmas). Em 2015 houveram mudanças na gestão do projeto e reorganização de processos. Isto ocasionou a não abertura do programa no semestre de 2015.1. A ECS retomou as atividades em 2015.2 com material atualizado e com parcerias em 2 centros de treinamentos externos ao UNIPÊ. Esta ação tem como objetivo transpor os muros do Centro Universitário e cada vez mais aproximar a ECS da comunidade. A ECS oferece seus cursos para adolescentes carentes com faixa etária entre 13 até os 18 anos. A escolaridade mínima exigida é que o aluno esteja no 7ª ano do Ensino Fundamental. Os instrutores do Projeto são os próprios graduandos voluntários dos cursos da UBTechTI (Ciência da Computação, Sistemas para Internet, Redes de Computadores e Gestão de TI). Estes instrutores são coordenados por outros cinco colegas (Coordenadores do Projeto) responsáveis por toda a organização da ECS durante o semestre. Além disso, a ECS conta com o apoio dos professores da instituição, da Coordenação da UBTechTI, e da Pró-Reitoria de Planejamento Educacional, Pesquisa e Extensão – PROPDEPE. As aulas são oferecidas nos laboratórios do UNIPÊ, cedidos pela instituição, com toda infraestrutura necessária. Os alunos carentes beneficiados recebem material didático (apostilas), pastas (bolsas), lanche, vale-transporte e uniforme inteiramente grátis. O conteúdo programático da ECS está dividido em seis módulos: (i) Introdução ao Computador – Apresentação da história do computador e diversas características deste dispositivo. (ii) Windows – Apresentação das principais características deste sistema operacional e gerenciamento de arquivos. (iii) Microsoft Word – Principais ferramentas e comandos deste software editor de texto. (iv) Excel – Principais ferramentas, comandos e fórmulas deste software editor de planilhas. (v) Powerpoint – Principais características para criação de apresentações neste software. (vi) Internet – História, Ética na Internet, Redes Sociais e Extração dos principais recursos como ferramenta de aprendizagem. Ao final do curso, é realizada uma cerimônia de encerramento onde o aluno recebe um certificado de conclusão assinado pelo coordenador da UBTechTI. Além disso, os alunos que se destacarem com o maior desempenho no curso ganham computadores (desktops) reciclados pelo Apoio a Inclusão Digital (AID) – outro projeto de extensão da instituição que recicla computadores doados com algum tipo de problema com o objetivo de doá-los para a comunidade. 18 Pesquisa e Extensão: Unipê É importante instrutores e coordenadores dominarem estas tecnologias, como também, ter uma boa dicção e clareza ao apresentar o assunto durante as aulas. Estas são as habilidades cognitivas que serão avaliadas em cada extensionista. Somado a esta avaliação, destacam-se também três habilidades não cognitivas, como: Conscienciosidade, Amabilidade e Estabilidade Emocional. A seguir será descrito e exemplificado o instrumento de avaliação proposto. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA Antes do início das aulas da ECS é aberto o cadastro de instrutores para participar do projeto no decorrer do semestre. Cada instrutor é alocado para fazer pelo menos uma participação por mês no período de 4 meses. Contudo, apesar de ser uma participação relativamente pequena, é alto o número de instrutores que eventualmente esquecem deste dia ou pedem para realizar alguma troca no cronograma. Outro fator que deve ser considerado é o relacionamento com os estudantes da ECS. Deve-se primar por uma postura profissional, buscando sempre a estabilidade emocional na comunicação durante as aulas, como também, primar pelo relacionamento de igualdade e respeito entre aluno e instrutor. Assim, é possível elicitar três pontos a serem avaliados pelas habilidades cognitivas que o extensionista deve desenvolver (domínio do conteúdo, dicção e clareza na explicação) e mais três relacionados a habilidades não cognitivas (conscienciosidade, amabilidade e estabilidade emocional). As habilidades não cognitivas são competências socioemocionais1 desejáveis ao desenvolvimento do extensionista que passa pelo projeto. Assim, o instrumento de avaliação do extensionista é composto por seis perguntas (aqui chamadas de Perguntas Avaliadoras) a serem respondidas com valor entre 0,00 e 10,00 pelos professores gestores da ECS. As perguntas são: (i) Domina o conteúdo programático que é ministrado na ECS? (ii) Possui boa dicção? (iii) Consegue apresentar um assunto com clareza no discurso (sem prolixidade)? (iv) Está presente (pontualmente) nos dias que se comprometeu? (v) Se relaciona de forma profissional (é modesto) com os alunos? (vi) Não se irrita ou altera o humor ao sanar dúvidas dos alunos? Outro ponto a ser considerado é a porcentagem que será atribuída a cada uma das Perguntas Avaliadoras. O Quadro 1 apresenta o Aspecto Avaliador de cada Pergunta Avaliadora. Além disso, mostra a distribuição de pesos para compor o cálculo da nota final do extensionista. Quadro 1: Instrumento de Avaliação do Extensionista na ECS. Aspecto Avaliador Pergunta Avaliadora Composição da Nota Domínio do Conteúdo Domina o conteúdo programático que é ministrado na ECS? 20% Dicção Possui boa dicção? 15% Clareza no Discurso Consegue apresentar um assunto com clareza no discurso (sem prolixidade)? 15% Conscienciosidade Está presente (pontualmente) nos dias que se comprometeu? 20% 1 Uma descrição mais detalhada sobre as competências socioemocionais pode ser encontrada em <http://educacaosec21. org.br/iniciativas/competencias-socioemocionais/>. Acesso em 05 de Outubro de 2015 19 Pesquisa e Extensão: Unipê Amabilidade Se relaciona de forma profissional (é modesto) com os alunos? 15% Estabilidade Emocional Não se irrita ou altera o humor ao sanar dúvidas dos alunos? 15% Fonte: Dados da Pesquisa, 2015. O Quadro 2 apresenta as notas de um graduando hipotético. É possível observar um baixo desempenho relacionado a Estabilidade Emocional. Quadro 2: Instrumento de Avaliação do Extensionista na ECS. Aspecto Avaliador Nota Domínio do Conteúdo 8,50 Dicção 7,00 Clareza no Discurso 7,50 Conscienciosidade 9,00 Amabilidade 10,00 Estabilidade Emocional 6,00 Fonte: Dados da Pesquisa, 2015. A fórmula para o cálculo desta nota seria: Nota ECS = ( (DC*20%)+(D*15%)+(C*15%)+(Co*20%)+(A*15%)+(E*15%) ) Onde: DC é a nota referente ao domínio de conteúdo; D é a nota referente dicção; C é a nota referente a clareza no discurso; Co é a nota referente a conscienciosidade; A é a nota referente a amabilidade; E é a nota referente a estabilidade emocional. Para as notas apresentadas no Quadro 2, o resultado seria: Nota ECS = ((8,50 * 20%) + (7,00 * 15%) + (7,50 * 15%) + (9,00 * 20%) + (10,00 * 15%) + (6,00 * 15%)) = 8,075 = 8,08. De possa da nota, o passo seguinte é associar um conceito ao extensionista. O Quadro 3 apresenta a associação entre as notas e os conceitos. Caso o desempenho do aluno seja menor que 7,00, ele não recebe certificado. Quadro 3: Lista de conceitos a partir da nota. Nota Conceito Entre 9,00 e 10,00 Excelente Entre 8,00 e 8,99 Ótimo Entre 7,00 e 7,99 Bom Abaixo de 7,00 Insuficiente (não recebe certificado) Fonte: Dados da Pesquisa, 2015. 20 Pesquisa e Extensão: Unipê Assim, para o aluno hipotético foi atribuído o conceito Ótimo, pois sua nota foi 8,08. IMPACTOS Esta modalidade de avaliação está sendo testada em 2015.2 e ainda está sujeita a alterações. Por este motivo, ainda não existem resultados preliminares. O objetivo é que a partir de 2016.1 todos os certificados dos instrutores da ECS possuam, além da declaração de participação, um dos conceitos do Quadro 3: excelente, ótimo ou bom. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nos 15 anos de existência da ECS nunca foi possível mensurar o desempenho de cada extensionista que passou pelo projeto. Esta igualdade de resultados que não considera o esforço e características individuais não promove motivação extrínseca no aluno (OLIVEIRA e CHADWICK, 2008). É preciso analisar cada extensionista de forma individual para instigar uma participação mais empenhada. Utilizando este instrumento de avalição, se espera alcançar um conceito mais fiel ao desempenho real do discente que participou do projeto. REFERÊNCIAS OLIVEIRA, J. B. A.; CHADWICK, C. Aprender e Ensinar. Belo Horizonte: Instituto Alfa e beto, 2008. 9ª edição. 21 Pesquisa e Extensão: Unipê 1 Mestre em Ciência da Computação, [email protected] 2 Doutor em Ciência da Computação, [email protected] 3 Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas, [email protected] 4 Tecnólogo em Sistemas para internet, alex.sousart @gmail.com RELATO DE EXPERIÊNCIA UMA EXPERIÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DISTRIBUÍDO ÁGIL BASEADA NO MAPEAMENTO DE CIDADES INTELIGENTES Hugo Vieira Lucena de Souza1, Rodrigo da Cruz Fujioka2, Walace Sartori Bonfim3, Alex de Sousa Lima4 RESUMO Dentre os principais anseios da sociedade atual encontra-se o bem estar proporcionado por uma vida saudável nas Cidades Inteligentes que, cada vez mais, necessitam das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para viabilizar as demandas das pessoas por novas experiências. Este rítmo acelerado de mudança tem requerido das empresas de desenvolvimento de software processos produtivos ágeis, de alta qualidade e baixos custos, com entregas rápidas em curtos espaços de tempo. Mediante a utilização de metodologias ágeis, associadas ao modelo de desenvolvimento distribuído de software, é possível atender satisfatóriamente estas atuais exigências do mercado e formar RH qualificado para ingressar no mercado de trabalho. Foi realizado um experimento, no âmbito da unidade curricular Projeto Aplicado I, do curso de Sistema para Internet do UNIPÊ, para o desenvolvimento de um produto software aplicado no contexto de cidades inteligentes. Este desenvolvimento foi orquestrado pela metodologia Scrum, seguiu um ciclo de vida iterativo incremental e foi configurado segundo o modelo de desenvolvimento distribuído de software. Com resultado, obteve-se, dentro do prazo estabelecido, um protótipo de qualidade que atende aos requisitos iniciais estabelecidos pelo Product Owner e, adicionalmente, um conjunto expressivo de ganhos para os alunos em diversos aspectos, com destaque para a vivência em gerenciamento de projetos, desenvolvimento do senso de equipe e das relações interpessoais, para a formação profissional diferenciada e aquisição de visão empreendedora. Palavras-chave: Cidades inteligentes. Software. desenvolvimento distribuído. Metodologia ágil. Recebido: 03/12/2015 Aceito: 03/12/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de ciência da computação, BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 22 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO O mercado de desenvolvimento de software deixou de ser algo isolado e de pequeno porte para se tornar um ambiente global e que incorpora as mais diversas áreas. Esta mudança ocorreu com a introdução da tecnologia na vida das pessoas e das empresas (NOSENGO, 2008). Com a evolução do mercado de software, as empresas de desenvolvimento de software têm buscado, cada vez mais, implantar processos produtivos visando melhorar a qualidade de seus produtos e reduzir custos de produção (FERREIRA 2006). É devido a esta visão que as metodologias ágeis ganham força e, embora tenha foco na simplicidade, tais processos demandam grande carga de disciplina e organização. No atual contexto de metodologias ágeis de gerenciamento de projetos, deve-se destacar o Scrum que, seja pelo seu fácil entendimento e divisão de papeis ou pelo foco em gerenciamento, é utilizado em diversos projetos, não apenas de desenvolvimento de software, e está presente em cerca de 70% das empresas que utilizam metodologias ágeis (VERSIONONE, 2008). A facilidade de adaptação desta metodologia aos diversos tipos de projetos é o fator responsável pela sua popularização. Em 1986, Hirotaka Takeuchi e Ikujiro Nonaka publicaram em um artigo, “The New New Product Development Game”, um novo modelo que aumentava a velocidade e a flexibilidade do desenvolvimento de novos produtos comerciais. Eles descreveram o novo método organizado em fases com forte intersecção entre elas, e todo o processo desenvolvido por times multifuncionais, fazendo uma comparação com “rugby”, onde todo o time trabalha em conjunto para avançar um mesmo objetivo (SUTHERLAND, 2014). Em 1991, DeGrace e Stahl, em “Wicked Problems, Righteous Solutions: A Catolog of Modern Engineering Paradigms” foram os primeiros a mencionar o nome Scrum em analogia ao local onde a equipe de rugby se reune para planejar a próxima jogada. (FOGGETTI, 2014) O Scrum pode ser considerado um framework para gerenciamento de projetos, dentro do qual podem ser empregados diversos processos ou técnicas. De acordo com Schwaber (2002), as principais características do Scrum são: • é divido em etapas chamadas sprints, que são iterações de trabalho da equipe, cuja duração é de 2 a 4 semanas cada. O esforço de cada sprint está em entregar um incremento do software pronto; • o conjunto de requisitos do sistema é chamado de product backlog. O cliente do sistema, chamado de Product Owner, é responsável por definí-los e priorizá-los; • os membros da equipe realizam breves reuniões diárias, chamadas de daily scrum meeting, onde são discutidos o andamento do projeto, próximas tarefas a serem realizadas e impedimentos de cada membro; • as reuniões de planejamento, chamadas de sprint planning, acontecem no início das atividades de cada sprint e objetivam a escolha dos itens de backlog a serem incluídos na sprint; • antes da passagem de uma sprint à outra, a equipe do projeto realiza uma retrospectiva, chamada de sprint review, para refletir sobre a sprint anterior; e • uma equipe ágil em Scrum possui uma pessoa que faz o papel de gerente, chamado de Scrum Master, cujas principais atribuições são: responsável por atuar como um mediador, motivar a equipe e remover impedimentos do grupo. O Scrum aplicado a projetos de desenvolvimento de software cumpre perfeitamente a missão de propiciar um ambiente controlado sob o qual se possa produzir com qualidade, a um custo reduzido e com grandes chances de cumprir os prazos definidos. (FOGGETTI, 2014) Em particular, ao tratar-se de desenvolvimento de software para cidades inteligentes, faz-se necessário destacar que, de acordo com Steventon e Wright (2006), Cidade Inteligente, ou Smart City, 23 Pesquisa e Extensão: Unipê pode ser considerada como: [...] um espaço inteligente, onde as TICs “desaparecem” e se tornam incorporadas em objetos físicos, em locais em que vivemos e/ou trabalhamos. A perspectiva atual é que esta tecnologia embarcada nos fornece suporte inteligente e contextualmente relevante, aumentando a expectativa de vida e nossa experiência do mundo físico de uma forma benigna e não intrusiva. (STEVENTON, WRIGHT, 2006, p.XV) Neste contexto, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) tornam-se fundamentais para que as cidades inteligentes sejam realmente “smart”. Steventon (2006) defende que todo o desenvolvimento voltado à cidades inteligentes deve ser encorajado, pois apenas benefícios são gerados. Entre esses benefícios destacam-se: • melhor acesso a informações urbanas por parte da população; • crescimento urbano de forma sustentável e coordenada; e • possibilidade de melhor qualidade de vida nos grandes centros. Por outro lado, um dos maiores desafios para os produtos de software é a integração orquestrada entre os mais diversos dispositivos tecnológicos existentes nestes meios urbanos, nas mais diferentes áreas (mobilidade, telecomunicações, imobiliário, serviços públicos e tecnológicos). (AVELAR, 2013) Para atender às restrições de produção de software de qualidade, baixo custo de produção, respeitando prazos e integrando diversos campos de conhecimento das TICs, e em consonância com a globalização dos processos de produção, encontra-se o Desenvolvimento Distribuído de Software (DDS) (PRIKLADNICKI, AUDY, 2008). Ao contrário do método tradicionalmente realizado com pessoas localizadas lado-a-lado, o que permite um fluxo constante de informações e ideias (COCKBURN, 2002), o DDS viabiliza o processo de desenvolvimento de software quando as pessoas envolvidas no projeto não podem trabalhar em proximidade física, e ainda favorece a característica de ambiente globalizado, no qual é possível envolver diferentes culturas, conhecimentos e tecnologias em pról do mesmo produto. Embora o DDS preconize uma origanização de pessoas, ou grupos, dispersos geograficamente, e considere diferentes distâncias, seja nacional, continental ou global (PRIKLADNICKI, AUDY, 2008), pode-se também aplicar os conceitos a um projeto cuja execução se realiza na mesma cidade, mas com seus integrantes trabalhando de forma não presencial. Este trabalho reporta a experiência exitosa de gerenciar um projeto de desenvolvimento distribuído de software para cidades inteligentes, cujo produto visa coletar, processar, gerar e disponibilizar informações urbanas qualificadas, tais como qualidade do ar, poluição sonora, coleta de lixo, todas relativas ao local onde se encontra o imóvel de interesse. O projeto em questão, denominado NOVAVIZINHANÇA, está sendo executado no âmbito das unidades curriculares Projeto Aplicado I e Projeto Aplicado II, do Curso de Sistemas para Internet do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), e envolve estudantes e professores que estão trabalhando de forma distribuída. Neste trabalho estão registradas as ações realizadas desde o início do projeto até a criação do protótipo, no âmbito do Projeto Aplicado I, sendo que a finalização do projeto como um todo irá coincidir com o encerramento do Projeto Aplicado II. Este trabalho contribui para a formação diferenciada do discente, dado que ele utiliza conceitos e técnicas individualmente consolidadas, aplicadas de maneira integrada e sincronizada, e representa uma iniciativa inovadora no meio acadêmico. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA Com vistas a atender os requisitos das unidades curriculares Projeto Aplicado I e Projeto Aplicado II, do Curso de Sistemas para Internet do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), foi concebido um projeto de desenvolvimento para disponibilizar uma ferramenta de software que utiliza o mapeamento das cidades para organizar e disponibilizar dados urbanos e de qualidade 24 Pesquisa e Extensão: Unipê de vida a partir do endereço postal de um determinado local de interesse. O mapeamento urbano foi realizado utilizando-se a Interface de Programação de Aplicações (API) GoogleMaps (https:// developers.google.com/maps/, acessado em 26/09/2015), e os dados urbanos deverão ser coletados utilizando um hardware próprio baseado em Arduino (https://www.arduino.cc/ acessado em 26/09/2015). O software principal foi analisado e modelado em UML2.0 utilizando a ferramenta Astah (http://astah.net/ acessado em 27/09/2015), desenvolvido em JAVA EE com persistência em banco de dados com o gerenciador PostegreSQL (http://www.postgresql.org/ acessado em 27/09/2015) e teve suas interfaces gráficas produzidas utilizando BootStrap. A ferramenta PMINova (http:// www.pminova.com/, acessado em 26/09/2015) foi utilizada para planejar e organizar a realização das tarefas do processo de desenvolvimento. A estimativa inicial de prazo foi de 12 meses para a conclusão do projeto, executado segundo um ciclo de vida iterativo incremental e cumprindo as fases de planejamento, construção e implantação. Além dos participantes centrais do projeto, o desenvolvimento também conta com estudantes de outras universidades que têm uma mesma linha de pesquisa e colaboraram com trocas de informações e desenvolvimento do hardware. GERENCIAMENTO DO PROJETO Para o gerenciamento do projeto NOVAVIZINHANÇA foi adotada a metodologia ágil Scrum, apresentada na contextualização deste trabalho. O Scrum pode ser aplicado em projetos de diferentes dimensões e tempo, sendo que, no caso do presente trabalho, embora com uma equipe reduzida de pessoas, pôde ser adaptado e aplicado com sucesso, confirmando assim as características de flexibilidade do framework. Com vistas a um gerenciamento efetivo, o grupo foi dividido em duas equipes, uma responsável pelo software e outra pelo hardware de coleta de dados urbanos. Adicionalmente foi criada uma posição de apoio, tendo como responsável o professor orientador das equipes. O professor de Projeto Aplicado I ficou no papel de Product Ower. GERENCIAMENTO SCRUM DENTRO DAS EQUIPES A escolha do responsável pelo papel de Scrum Master foi realizada com base na experiência dos componentes da equipe com a metodologia. A pessoa escolhida também ficou responsável por toda comunicação com o grupo, sempre com o apoio do orientador. A constante comunicação dentro da equipe foi definida como atividade de alto valor agregado para o gerenciamento eficiente, e foi realizada através de reuniões semanais via Skype (http://www. skype.com/pt-br/download-skype/skype-for-computer/, acessado em 26/09/2015), e da troca de informações diárias através do aplicativo Whatsapp (https://web.whatsapp.com/, acessado em 26/09/2015) Nessas comunicações eram expostas atividades realizadas e problemas encontrados ao longo da atividade. GERENCIAMENTO SCRUM ENTRE AS EQUIPES Seguindo a metodologia Scrum, foram realizadas reuniões semanais, entre as equipes e o apoio, para esclarecimento de dúvidas anteriores, exposição de novas dúvidas e problemas com características de impedimento, além de solicitação de auxílio para o desenvolvimento de partes pontuais do projeto. Essas reuniões semanais caracterizaram-se por sincronizar as atividades e impedir que o projeto ficasse parado por algum motivo não visível a todos os participantes. As Sprints Plannings e Sprints Reviews foram definidas com prazo de 15 dias, quando ocorre a entrega de uma nova versão funcional do protótipo para testes e verificação de possíveis alterações, 25 Pesquisa e Extensão: Unipê sempre adicionadas na próxima Sprint. O Product Owner realiza, nestas oportunidades, a avaliação da nova versão. DESAFIOS NO GERENCIAMENTO DAS EQUIPES A utilização intensiva de ferramentas de comunicação, sob a regência do Scrum, apontaram ações necessárias para melhorar a experiência vivenciada pela equipe durante o desenvolvimento distribuído, e eliminar eventuais problemas observados. Em termos de desafios superados, destacase os principais: • gestão de equipes distribuídas: a permanente comunicação caracterizou-se como um desafio no desenvolvimento interativo entre as equipes distribuídas; • falta de comunicação imediata: devido ao fato de não estar no mesmo ambiente qualquer comunicação poderia resultar em atrasos e, para evitar isso, utilizou-se, principalmente, o whtsapp, em adição ao e-mail, hangouts e ambiente virtual institucional. Dadas às características do Scrum e à flexibilidade de adequação destas às características particulares do projeto em questão, os resultados alcançados demonstraram que a aplicação combinada de Scrum e desenvolvimento distribuído foi bem sucedida. IMPACTOS A execução do projeto apresentou impactos positivos em duas perspectivas: experiência vivenciada e software produzido. Com relação à primeira, a experiência vivenciada no uso da metodologia Scrum no gerenciamento do projeto de desenvolvimento distribuído de software aplicado ao mercado imobiliário apresentou resultados positivos, destacados a seguir: • gerenciamento do projeto: através da proposta de condução deste projeto foi possível aos integrantes das equipes adquirirem novos conhecimentos e aplicá-los na construção de competências e habilidades não encontradas no ambiente de sala de aulas; • senso de equipe: a organiação do desenvolvimento baseada em DDS resultou em uma experiência intensa dos aspectos de senso de equipe, ética profissional, compromisso, comprometimento e disciplina; • aprimoramento das relações interpessoais: devido à intensa comunicação à distância, desenvolveu-se uma capacidade diferenciada de ouvir e argumentar, resultando em um ambiente de aceitação e reconhecimento do próximo; • formação de profissionais diferenciados: a aplicação de metodologias e tecnologias de ponta resultaram em uma experiência inovadora e geraram diferenciais profissionais nos alunos integrantes das equipes; e • visão empreendedora: a escolha do tema e problema oportunizou aos integrantes da equipe a construção de uma base de software, aplicada à área de TICs para cidades inteligentes, passível de exploração comercial futura, mediante investimentos de capital e evolução do produto. Com relação ao produto de software que foi gerado nessa etapa do trabalho, pode-se afirmar que foram satisfatórios, tendo em vista a boa avaliação do corpo discente a partir da apresentação dos resultados em sessão formal de avaliação de aprendizagem no âmbito da unidade curricular Projeto Aplicado I. 32 Pesquisa e Extensão: Unipê O Gráfico 2 representa a orientação espacial dos sujeitos, sendo ILPI I 2±1,8 pontos; ILPI II 4,3±1; ILPI III 4,6±1,1. Constatou-se na ILPI III uma maior média. Os dados de significância da ILPI I apresentam diferença estatística entre a ILPI II e a ILPI III, enquanto que os dois últimos não demonstram significância. No que concerne à categoria Orientação Espacial entende-se que por ser a maioria dos residentes da ILPI I idosos analfabetos os escores estão associados com o nível de escolaridade e classe social dos respectivos idosos. Gráfico 3: Memória imediata dos sujeitos do estudo. ILPI.I ILPI.II ILPI.III 0 1 2 3 4 5 ILIPI.I ILIPI.II ILPI.III Variável Média_memória_imediata Fonte: Pesquisa de campo, 2011. A memória refere-se à retenção de habilidades adquiridas ou de informação e em situações cotidianas, os adultos, especialmente os idosos, podem ter algumas dificuldades de recuperação de memória. Mesmo sendo consequência do envelhecimento, a diminuição da eficiência da memória é também influenciada por questões como genética, fatores ambientais, vivências, hábitos linguísticos, caráter e personalidade (BORN; BOECHAT, 2006). Desse modo, os dados correspondentes ao Gráfico 4 demonstram que não houve significância entre os escores relacionados à memória imediata dos idosos das Instituições. Desta forma, encontram-se: ILPI I 1,3±0,9; ILPI II 2,7±0,4 e ILPI 2,6±0,8. Estando, portanto, os idosos no mesmo nível com relação à memória imediata. Gráfico 4: Memória de evocação dos sujeitos do estudo. ILPI.I ILPI.II ILPI.III 0 1 2 3 4 5 ILPI.I ILPI.II ILPI.III * * * Variável Média_evocação Fonte: Pesquisa de campo, 2011. 33 Pesquisa e Extensão: Unipê Observou-se que os idosos das Instituições apresentam diferença estatística no que diz respeito à memória de evocação, conforme disposto no Gráfico 4. Neste, constata-se que a ILPI I possui diferença significativa em comparação à ILPI II e a ILPI III em relação à ILPI II. A ILPI I 1,27±1,22, ILPI II atingiu 2,3±1, ILPI III 1,5±1,2 pontos. Estando a memória de evocação relacionada a dados mais antigos da vida da pessoa idosa, esses dados predizem transtorno cognitivo leve devido ao comprometimento da referida memória. Nesse cenário, compreende-se que para conceituar-se um idoso em saudável ou não, leva-se em consideração fatores do seu cotidiano, em que serão observadas as suas condições de desenvolver suas atividades da vida diária. Aqueles que são independentes e realizam suas atividades são classificados como saudáveis, enquanto aqueles que por algum motivo apresentam qualquer tipo de prejuízo são dados como doentes (BORN; BOECHAT, 2006). Gráfico 5: Escores das três instituições. ILPI.I ILPI.II ILPI.III 0 5 10 15 20 25 30 ILPI.I ILPI.II ILPI.III * Escore Média_escore Fonte: Pesquisa de campo, 2011. De acordo com o Gráfico 5, observa-se diferença significativa apenas entre ILPI I e as demais Instituições. A ILPI I possui 14,8±6; ILPI III 20±6 e a ILPI II 22±5 pontos. O resultado da ILPI I é sugestivo de déficit cognitivo. O mesmo é coerente com o número de idosos analfabetos. Percebeu-se, durante a coleta de dados na ILPI I, que as atividades direcionadas a estímulos cognitivos, físico e psicomotores são ainda pouco expressivas. Tal resultado confirma os estudos nos quais os mesmos defendem que envelhecimento não necessariamente vem acompanhado de declínio e prejuízo cognitivo e que novos aprendizados e atividades podem ocorrer até o final da vida (ANTHONY et al., 1982; SILVER; JILINSKAIA; PERLS, 2001). Pesquisadores (SILVER; JILINSKAIA; PERLS, 2001; BORN; BOECHAT, 2006) apresentam o estímulo como forma de promover a saúde cognitiva, a exemplo de estudos sobre a relação entre a prática de atividades físicas e cognitivas e a diminuição da incidência de prejuízo cognitivo entre os idosos. Os resultados são consistentes com estudos de estimulação cognitiva, os quais evidenciam que exercícios semanais, tais como tarefas de resolver problemas e jogos de memória, aumentam o bem-estar psicológico daqueles que os praticam, corroborando com a afimativa que a expectativa média de vida ao nascer, deverá chegar a 90 anos em 2050. Utilizou-se no estudo a escala psicométrica MEEM que é uma escala de avaliação cognitiva prática e útil para rastreamento cognitivo e investigação de pacientes com risco de demência como é o caso de idosos. A escala apresenta ponto de corte 23/24. A mesma pode variar de um mínimo de 0 pontos, o qual indica o maior grau de comprometimento cognitivo dos indivíduos, até um total máximo de 30 pontos, o que corresponde a melhor capacidade cognitiva, desde que levado em conta o nível educacional do indivíduo para o ajuste dos pontos de corte. Desse modo, os cento e vinte e dois (122) idosos, com condição cognitiva presumivel satisfatória foram convidados a realizar o MEEM, proposto por Folstein em 1975. . A partir dos escores obtidos e pontos de corte, segundo a escolaridade, foram selecionadas surgindo a amotragem final constituida po 51 idosos (33%) cognitivamente aptos, a participarem da avaliação do Sistema de Banho no Leito, dos quais: 08 são da ILPI I., 30 ILPI II e 13 ILPI III . É mister destacar qua a amostra da ILPI I antes do sceening correspondia a 46 idosos, a da ILPI II 39 e os do ILPI III 37 idosos. A prevalência de declínio cognitivo encontrada foi 55,7%. Observou-se também em uma das instituições, resultados 34 Pesquisa e Extensão: Unipê significativamente inferiores no que tange a memória de evocação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante dos resultados, percebeu-se que a pesquisa foi útil não só para rastrear idosos com condições cognitivas para participar de estudos futuros envolvendo tecnologias assitivas nas ILPI, como também possibilitou identificar, quando da análise de significância com o Boxplot, algumas situações ditas não conformes relacionadas à Orientação Temporal, Espacial e Memória a de Evocação, relacionadas talvez a falta de estímulos cerebrais, atividades física, e a maneira de viver dos idosos nas respectivas ILPI que, direta ou indiretamente, contribuem para a evolução ou declinio da saúde do idoso. Sabe-se que a idade cronológica tem pouca relação com a realidade do envelhecimento para um idoso, ou seja, cada ser envelhece de acordo com seu próprio esquema e história de vida (SILVER; JILINSKAIA; PERLS, 2001). A condição cognitiva e o estado geral, preservado dos idosos residentes na ILP II, possibilitaram um screening com um número mais expressivo, comprovando que quando os fatores de risco comportamentais e ambientais de doenças crônicas e de declínio funcional são mantidos baixos, as pessoas permanecem sadias e capazes de cuidar de sua própria vida à medida que envelhecem, visto que a saúde, participação e segurança constituem-se nos três pilares da estrutura política para o envelhecimento ativo. Motivo pelo qual as ILPI devem propiciar o exercício dos direitos humanos políticos, econômicos, sociais, culturais e individuais de seus residentes, garantindo o atendimento integral e o apoio necessário ao bem-estar dessa clientela (BORN; BOECHAT, 2006). O MEEM possibilitou o rastreamento cognitivo, além de detectar transtorno cognitivo leve (TCL), uma vez que o parâmetro que melhor prediz o TCL nesse teste é o comprometimento da memória de evocação. Nesse contexto, sugere-se a utilização de outra escala psicométrica, em curto prazo e rotineiramente nas ILPI, como meio de confirmar os achados e implantar medidas de prevenção aos agravos à saúde, tendo em vista que os referidos déficits podem causar prejuízos na vida diária do idoso, constituindo possíveis indicações de tratamento e intervenções severas. Tomado como base estudos publicados infere-se que as pesquisas futuras devem se voltar para o desenvolvimento de intervenções específicas para cada Instituição, assim como a implementação de protocolos que avaliem diferentes aspectos: atividades de vida diária, qualidade de vida, atividades ofertadas, ações de promoção à saúde dentre outras. Nesse contexto, os benefícios devem ser avaliados a curto e longo prazo por meio de medidas evolutivas adequadas (SOUSA et al., 2010; ANDRADE; PEREIRA, 2009; M NETO; ROLLEMBERG, 2005). Sendo assim, propõe-se empenho de pesquisadores e de outros segmentos da sociedade para intervirem junto a parcela institucionalizada da população idosa, visto que há uma grande demanda de ILPI para as próximas décadas. Esta demanda, atrelada à realidade vivenciada nessas Instituições, exige formas de melhoria e qualidade de vida para os idosos mantendo a educação em saúde, como uma pluralidade de ações para promoção da saúde e estratégias didáticas que transformem indivíduos socialmente inseridos no mundo, ampliando sua capacidade de compreender a complexidade dos determinantes de ser saudável . REFERÊNCIAS AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. ANVISA. Resolução da Diretoria Colegiada, 283, de 26 de setembro de 2005. Disponível em: <www.portalsaude.gov.br>. Acesso em: 14 mar. 2012. ALMEIDA, O.P. Mini mental state examination and the diagnosis of dementia in Brazil. Arq Neuropsiquiatr, v.6, n.3B, p.605-12, 1998. 35 Pesquisa e Extensão: Unipê ANDRADE, V. S.; PEREIRA, L, S. M. Influência da tecnologia assistiva no desempenho funcional e na qualidade de vida de idosos comunitários frágeis: uma revisão bibliográfica. Rev. Bras. Geront., v.12, n.1, p.113-22, 2009. ANTHONY, J.C. et al. Limits of the mini-mental state as a screening test for dementia and delirium among hospital patients. Psychol Med. p.408, 1982. BORN, T.; BOECHAT, N.S. A qualidade dos cuidados ao idoso institucionalizado. In Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p.768-77, 2006. BRASIL. Lei No 8.842 de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências. 1994. Disponível em: <https://www.planalto. Gov.br/ccivil_03/leis/l8842.htm>. Acesso em: 01 mar. 2012. BRASIL. 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O estudo buscou despertar crianças e pedagogos acerca da preservação do meio ambiente; incentivar a coleta seletiva do lixo; reaproveitar materiais recicláveis para a criação de novos utensílios; abordar a temática da sustentabilidade e o convívio harmonioso com a natureza e incentivar o hábito da leitura. Descrição da experiência: durante a vivência na Escola Municipal Edézio Rezende Pereira, no bairro Jardim Manguinhos, CabedeloPB, foi observada a falta de espaço lúdico para que as crianças pudessem unir a brincadeira ao aprendizado e o depósito de lixo inadequado nas ruas da comunidade. Portanto, construiuse uma brinquedoteca ecológica na instituição, entre 09 de fevereiro à 11 de março de 2015. O público alvo compreendeu crianças na média de 06 anos. Os materiais recicláveis utilizados foram doados por discentes do UNIPE e comunidade. Impactos: observou-se adesão não somente das crianças, como também dos professores e funcionários, os quais deram continuidade às atividades, a exemplo da confecção de novos brinquedos e ampliação da sala de leitura. O projeto causou impactos positivos acerca da promoção da saúde e sustentabilidade. Destarte, o mesmo foi apresentado na IX Semana de Enfermagem da UNIPE e premiado como o melhor trabalho. Considerações finais: o estudo obteve êxito e os objetivos foram alcançados. Houve conscientização da comunidade e escolares acerca das boas práticas sustentáveis. Almejamos a realização de mais experiências como a relatada. Palavras-chave: Sustentabilidade. Brinquedoteca. Enfermagem. Recebido: 26/06/2015 Aceito: 11/11/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de enfermagem , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 38 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO O Plano Político Pedagógico do Centro Universitário de João Pessoa-PB (UNIPÊ), tem como principal finalidade fomentar a interação ensino/serviço, com o intuito de fortalecer conhecimentos e desenvolver habilidades e competências, através dessa interligação teoria e prática no sentido de formar profissionais que tenham uma visão ampla das condições de saúde dos usuários, assim como também do meio em que estão inseridos. Destarte, no sétimo período do curso de graduação em enfermagem é lançado à proposta de vivência junto à uma Unidade de Saúde da Família, fazendo com que os discentes tenham um olhar crítico e reflexivo diante de cada situação vivida neste cenário. Diante do cenário de prática, os mesmos são suscitados a identificar problemas que causem impactos ao meio ambiente e promover uma educação popular, a partir da construção de um projeto sustentável no primeiro campo de estágio, tendo em vista o foco da saúde pública estar na prevenção de doenças e promoção da saúde, boas condições socioeconômicas e ambientais do nosso país. Considerando a exploração do território como indispensável na promoção da saúde, os equipamentos sociais são espaços férteis para o trabalho, logo a justificativa para o desenvolvimento do estudo na escola. Sua pertinência concatena-se no despertar para a preservação ambiental no universo da educação infantil, pois quanto mais cedo o tema for abordado e internalizado, existirão mais possibilidades de construção da consciência social no que concerne a adoção de hábitos de vida sustentáveis, as quais poderão formar uma gama de opções sustentáveis. A maneira lúdica de aprender na educação infantil é de extrema importância, pois leva o aluno a sensações e emoções fundamentais para o seu desenvolvimento. Afinal, brincando a criança forma sua personalidade e aprende a lidar com o mundo. Assim, pelo fato da brincadeira estar intrinsecamente ligada ao desenvolvimento infantil, também deve estar inserida no contexto escolar com o objetivo de auxiliar o processo de aprendizagem (LIRA; RUBIO, 2014). Espera-se que as crianças possam despertar nos profissionais da instituição, no ambiente familiar e na comunidade o interesse de contribuir para a conservação ambiental, evitando o desperdício e promovendo a reciclagem. Na esteira dessa convicção, a Sustentabilidade pode ser entendida como ação ou atividade que pode suprir as necessidades de uma população, sem que afete ou traga problemas para o futuro. No cenário contemporâneo, em meio ao problema de exíguos recursos naturais, tal assunto que vem sendo frequentemente discutido diante a visão e o despertar de se preservar o meio ambiente, sendo também vista como uma relação harmônica entre a sociedade e o meio ambiente (SANTANA et al., 2011). Mais que isso, a noção de sustentabilidade incorpora uma clara dimensão social e implica atender também as necessidades dos mais pobres de hoje, outra dimensão ambiental abrangente, uma vez que busca, segundo Oliveira et al. (2012), garantir que a satisfação das necessidades de hoje não pode comprometer o meio ambiente e criar dificuldades para as gerações futuras. Nesse sentido, a ideia de desenvolvimento sustentável carrega um forte conteúdo ambiental e um apelo claro à preservação e à recuperação dos ecossistemas e dos recursos naturais. A despeito disso, optou-se pela oficina da reutilização do lixo e sua transformação em utensílios que incentivam a leitura e colaboram na diversão das crianças. Nesse sentido, a criação de uma brinquedoteca ecológica é vista, em primeiro lugar, como uma maneira de evitar a poluição ambiental e também como atrativo para que os pequeninos possam usufruir desse ambiente, utilizando a brincadeira como forma de aprendizagem. Assim, o estudo buscou despertar escolares e pedagogos para a preservação do meio ambiente; incentivar a coleta seletiva do lixo; reaproveitar materiais recicláveis para a criação de novos utensílios; abordara temática da sustentabilidade e o convívio harmonioso com a natureza e incentivar o hábito de leitura. 39 Pesquisa e Extensão: Unipê Descrição da experiência O estudo consiste em um relato da experiência do desenvolvimento do projeto sustentável - “É reciclando que se aprende”, na Escola Municipal Edézio Rezende Pereira, localizada na Rua Nossa Senhora Aparecida, bairro Jardim Manguinhos, no município de Cabedelo/PB, no período compreendido entre os meses de fevereiro e março de 2015. Optou-se pela referida escola, por conveniência, pois é um dos equipamentos sociais do território de abrangência da Unidade de Saúde da Família Antônio Mariz, campo de prática de estágio das discentes do sétimo período de enfermagem, idealizadoras e colaboradoras do estudo. O público alvo foi composto por escolares matriculadas na instituição em tela, na faixa etária média de 06 anos, escolhidas por apresentarem uma melhor compreensão e assimilação do assunto abordado. Com vista a proporcionar maior familiaridade com o tema e a realização do estudo de viabilidade do projeto, obteve-se informações de bancos de dados de pesquisas científicas, como a Bireme, BVS, Scielo afim de obter maior conhecimento acerca da sustentabilidade. Ainda, para a fabricação dos brinquedos foi realizada a coleta e arrecadação de materiais recicláveis na comunidade e no UNIPE. Impactos Após a realização do projeto, foi observado adesão não somente das crianças, como também dos funcionários da escola, tendo, inclusive continuidade. As professoras junto aos alunos realizaram atividades sobre reciclagens e cuidado com o meio ambiente, a exemplo da confecção de novos brinquedos, nomeada à posteriori como “Espaço do Saber”, como mostra as Figuras 1 e 2. Ainda houve ampliação do ambiente de leitura, pois mais livros foram doados pela escola e comunidade, como mostra a Figura 3. Nesse âmago, o trabalho foi rompendo os muros da escola e foi sendo conhecido institucionalmente, na UNIPÊ, não somente no curso de enfermagem. O mesmo foi apresentado em evento local da área na IX Semana de Enfermagem do UNIPÊ, sendo, inclusive premiado como o melhor trabalho, dentre os expostos. Na Semana Pedagógica da UNIPÊ 2015/SAPIENS foi apresentado em forma de cordel. Destarte, esse trabalho causou grande satisfação aos idealizadores e, mais que isso, mostrou ainda que ações dessa natureza, a exemplo da brinquedoteca e do ambiente de leitura, mesmo pontuais, quando desenvolvidas em um contexto intersetorial e interdisciplinar, ampliam o conceito de saúde profundamente. Iniciativas como essa, mesmo diante de fatores limitantes como a sensibilização de uma comunidade local imbuída de pouca preocupação com meio ambiente e um espaço de trabalho com sua cultura organizacional já posta, podem sim ser alcançadas de forma efetiva, através do despertar dos indivíduos acerca da sustentabilidade como alternativa de proteção ao meio ambiente e promoção da saúde coletiva. No campo científico, esse trabalho é relevante no sentido de fortalecer a discussão sobre a responsabilidade social de toda comunidade, seja ela, do campo da saúde, seja ela de outros. Como mostra diversos estudos nacionais e internacionais, existe a possibilidade de construção de sistemas de saúde e complexos produtivos comprometidos com a sustentabilidade. Em um país como o Brasil e, em um contexto local caracterizado pela riqueza natural, como é a Floresta Nacional da Restinga localizada próximo àquela escola e USF do município de Cabedelo/ PB, podemos levantar orgulhosamente essa bandeira verde. Urge a necessidade de fazermos parte desse movimento de proteção ao meio ambiente. Dessa forma, o estudo funcionou como um alerta aos profissionais de saúde, gestores, empresários e pesquisadores locais para a preservação do nosso maior patrimônio: a natureza. 40 Pesquisa e Extensão: Unipê CONSIDERAÇÕES FINAIS A vivência foi de grande magnitude para os idealizadores e comunidade destino, cumprindo seus objetivos propostos, posto ter havido uma conscientização acerca das boas práticas de conservação ambiental. Almejamos a realização de mais experiências como a relatada, aproximando a academia da comunidade e cumprindo seu papel social. É notória a necessidade de ser inserido no ensino infantil assuntos que abordem a importância de se ter hábitos ambientais saudáveis, a fim de construir uma nova cultura desde cedo e desperta nestes a consciência de se viver em um ambiente saudável. Sejam elas de forma ilustrativa, por vídeos ou dinâmicas ou não, é preciso usar a criatividade para atrair a atenção das crianças, provocando assim um impacto sobre a realidade, de modo que os incentive a colocar em prática as boas ações pensando nas gerações futuras. A realização do projeto na escola proporcionou impacto no público alvo, visto ter despertado a curiosidade dos sujeitos acerca da construção dos objetos mediante a utilização do “lixo”. A partir disso, obteve-se maior entendimento sobre a sustentabilidade, os malefícios da poluição e as vantagens de se viver em um ambiente limpo, tendo como foco a reciclagem. Nesse sentido, tal projeto mostra-se de grande relevância, proporcionando assim um pensamento reflexivo sobre a educação sustentável nos primeiros passos escolares. A prática desse projeto permitiu que as crianças conhecessem, observassem e por conseguinte preservassem mais o meio ambiente, despertando seu interesse, de forma a se reconhecer como seres transformadores e com atitudes conservadoras. Enfim, abordar a referida temática foi de uma relevância notória, uma vez que chamou a atenção tanto das crianças, como dos funcionários, deixando-os provocados a levar adiante essa ideia de reduzir a quantidade de lixo do meio ambiente através da reutilização de materiais para a construção de novos objetos. Logo, o estudo obteve resultado satisfatório, destacando-se a continuidade das atividades pelos profissionais junto a colaboração dos alunos. Apesar de iniciativas como essa, sabemos que a preservação ambiental é um desafio a ser superado pela sociedade. Espera-se que mais atitudes sustentáveis sejam despertadas para a consolidação de uma consciência social de cuidado do meio onde vivemos. Referências LIRA, N.A.B.; RUBIO, J.A.S. A Importância do Brincar na Educação Infantil. R. Eletr. Sab. Educ., São Roque, v.5, n.1, p.01-20, 2014. Disponível em: <http://www.uninove.br/marketing/fac/ publicacoes_pdf/educacao/v5_n1_2014/Natali.pdf>. Acesso em: 03 mar. 2015. OLIVEIRA, L. R.; MEDEIROS, R.M.; TERRA, P.B.; TELHAS, O.L.G. Sustentabilidade: da evolução dos conceitos à implementação como estratégia nas organizações. Produção, Niterói, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, p. 70-82, 2012. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/prod/v22n1/ aop_0007_0245.pdf>. Acesso em: 03 mar. 2015. SANTANA, P.M.; SANTOS, C.C.A.S.; FÉLIX, G.M.B.; SILVA, I. F. C. Brinquedoteca Reciclável na Escola Municipal Saul BennesbyZona Sul Porto VelhoRO, Proporcionando Educação Ambiental e Inclusão Social. Sab. Cient., Porto Velho, v.3, n. 1, p. 99-111, 2011. Disponível em: <http:// revista.saolucas.edu.br/index.php/resc/article/view/202/pdf_13>. Acesso em: 10 mai. 2015. 41 Pesquisa e Extensão: Unipê 1 Graduação em enfermagem , [email protected] 2 Graduada em enfermagem, [email protected] 3 Graduação em enfermagem, [email protected] 4 Doutorado em andamento em programa de pós-graduação em enfermagem, [email protected] 5 Mestrado em andamento em educação, [email protected] RELATO DE EXPERIÊNCIA IMPLEMENTAÇÃO DE SALA DE ESPERA SUSTENTÁVEL: SAÚDE EM UM NOVO OLHAR Beatriz Geiziane da Cunha Carneiro1, Emmanuele Ferreira da Silva2, Milena Barbosa da Silva3,Mariana de Sousa Dantas4, Andreia Christinne Soares de Assis Ramalho5 RESUMO Trata-se de um relato de experiência acerca da implementação de uma sala de espera sustentável, utilizando, para isto, materiais que iriam para o lixo e foram reaproveitados. A implantação desse espaço originou-se da necessidade do serviço em possuir nas dependências um local aconchegante para a distração dos idosos enquanto aguardavam atendimento. O trabalho foi ofertado ao Centro de Atenção Integral a Saúde do Idoso (CAISI) com o intuito de proporcionar aos idosos em atendimento um espaço que otimizasse o tempo de espera para consultas, despertando nos beneficiários um olhar diferenciado sobre reutilização e reciclagem, estimulando a conscientização sobre os impactos ambientais causados pelo lixo. Utilizaramse materiais desprezados pela sociedade tais como: pneu, papel, lata, vidro, papelão e tecido. Atingiu-se o objetivo proposto no presente projeto visto que, a proposta da sala de espera organizada com produtos reciclados possibilitou uma conscientização acerca da importância da sustentabilidade na sociedade. Palavras-chave: Sustentabilidade. Acolhimento. Idoso. Recebido: 13/10/2015 Aceito: 14/06/2016 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de enfermagem , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 48 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO O futebol americano, conhecido nos Estados Unidos como football e em alguns outros países de língua inglesa como gridiro, é um esporte de equipe e de contato físico que surgiu de uma variação do rugby, tendo como características a velocidade, agilidade, capacidade tática e força entre os contatos físicos dos jogadores em disputa da bola, no objetivo de fazer com que a bola avance ao território adversário (FRY et al., 1991). Observa-se no futebol americano jogadas com intenso contato físico, em que o perfil da aptidão física neste desporto parece influenciar diretamente no sucesso dos atletas, inclusive esportistas com maiores níveis de capacidade cardiorrespiratória, força, resistência muscular, flexibilidade e composição corporal adequada parecer apresentar melhores condições na prática desta modalidade (HOFFMAN et al. 2011; ROBBINS et al. 2012). Em relação à aptidão física, American College of Sports Medicine (2001) define como uma série de atributos que os indivíduos têm ou adquirem que se relacionam com a capacidade de realizar determinada atividade física. É importante mencionar que a aptidão física não é determinada exclusivamente pela atividade física. Outros fatores interagem significativamente no processo de aquisição de aptidão física, como os ambientais, características genéticas e sociais. Neste caso, a aptidão física pode variar bastante também em função da idade, raça, sexo e nível social (MAZO; LOPES e BENEDETTI, 2001). Quando relacionada ao desempenho de atletas, a aptidão física tem como componentes a força e a resistência muscular, flexibilidade, resistência cardiorrespiratória, velocidade, potência, agilidade, coordenação e equilíbrio (GUEDES, 2006). Em virtude da escassez de trabalhos nacionais com jogadores de futebol americano, haja vista esta modalidade ainda não ter se disseminado nas principais capitais do Brasil, e desta forma por saber da importância do conhecimento do perfil antropométrico e da aptidão física de jogadores desta modalidade, o objetivo do presente estudo foi avaliar as características antropométricas, e da aptidão física de jogadores de futebol americano em João Pessoa-Paraíba. MÉTODOS O estudo foi de caráter descritivo e transversal, a qual avaliou 17 atletas do sexo masculinos sendo (G1) jogadores do ataque e (G2) jogadores de defesa integrantes de uma equipe de futebol americano em João Pessoa-Paraíba. A técnica de amostragem foi não probabilística, já que não houve sorteio e a amostra foi formada a partir de atletas de futebol americano que aceitaram livremente o convite para participar da pesquisa. Fizeram parte da pesquisa, os indivíduos que estavam treinando regularmente a no mínimo seis meses o esporte e aceitar participar da pesquisa voluntariamente através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram excluídos aqueles que apresentaram algum problema físico ou psíquico no dia da coleta de dados que impossibilitasse as mensurações, ou que se recusarem participar do estudo como voluntários. Todos os testes foram realizados no Centro de Aperfeiçoamento Físico do clube Botafogo-PB Espectros. Os protocolos utilizados para a coleta foram: antropometria de Fernandes Filho (2003), Salto Vertical, Salto Horizontal, Lançamento Horizontal de Medicine Ball e Shuttler Run (18,3 metros) Johnson e Nelson (1974) e o de 40 jardas (36,6 metros) de Morrow (1979). Após autorização e consentimento, foi agendado o dia de avaliação física, que inclui medidas antropométricas e testes neuromusculares. As medidas foram realizadas no período vespertino onde foi preenchida uma ficha com nome posição em seguida foram mensurados o peso e a estatura, após este procedimento foi realizado os testes que seguiu a ordem a seguir: Índice de Massa Corpórea - IMC: Para a verificação do IMC foram realizadas as medidas da massa corporal, estatura. Para a verificação da Massa Corporal o avaliado posicionou-se de pé, de costas para a balança e com os pés no centro da plataforma. A sua estatura foi observada 49 Pesquisa e Extensão: Unipê mantendo-o na posição ortostática (PO), onde foi solicitada ao indivíduo uma apneia inspiratória. Para a verificação desta medida o avaliado permaneceu descalço. Força dos membros inferiores: Mensurado através do Salto Vertical. O executante em pé na posição inicial com o pé junto a uma linha (no chão), a 30 cm ao lado da tábua de marcação. Passar o pó de giz nas pontas dos dedos indicadores da mão dominante, permanecendo com a outra junto ao corpo. Saltar procurando a máxima altura. O executante faz uma marca na tábua com os dedos (sujos de giz) procurando alcançar o mais alto possível (através de um salto) (JOHNSON E NELSON, 1974). Força muscular explosiva membros superiores: Foi por meio do arremesso de Medicine Ball de 5kg (MAYHEW, J;1993). Sentado com um encosto nas costas o atleta arremessará com as duas mãos a medicine ball, a maior distância possível, mantendo os cotovelos o mais próximo do tronco, eliminando, assim, a ação de embalo do tronco durante o gesto motor. Força muscular explosiva membros inferiores: A força explosiva dos membros inferiores fora obtido, através do teste de impulsão horizontal. A trena é fixada ao solo, perpendicularmente à linha, ficando o ponto zero sobre a mesma. O executante coloca-se imediatamente atrás da linha, com os pés paralelos, ligeiramente afastados, joelhos semi-flexionados, tronco ligeiramente projetado à frente. Ao sinal o executante deverá saltar a maior distância possível (JOHNSON & NELSON, 1974). Agilidade: Constam de duas linhas paralelas traçadas no solo distantes 9,14 metros, medidos a partir de suas bordas externas. Dois blocos de madeira, com dimensões de 5 cm x 5 cm x 10 cm serão colocados a 10 cm da linha externa e separados entre si por um espaço de 30 cm.. Requer ainda livre de obstáculos, solo com não pode estar molhado para evitar o deslize do avaliado. O avaliador inicia o teste acionando concomitantemente o cronômetro. O avaliado em ação simultânea corre a máxima velocidade até os blocos, pega um deles e retorna ao ponto de onde partiu depositando esse bloco atrás da linha de partida. Em seguida, sem interromper a corrida, vai em busca do segundo bloco, procedendo da mesma forma. O cronômetro é parado quando o avaliado coloca o último bloco no solo e ultrapassa com pelo menos um dos pés a linha final. O bloco não deve ser jogado, e sim colocado no solo. Sempre que houver erros na execução, o teste deverá ser repetido (JOHNSON & NELSON;1974). Velocidade: O teste envolve a execução de um sprint máximo único de 40y, com o tempo registrado. Deve iniciar a partir de uma posição de três ou quatro apoios (stance), com um pé em frente do outro. O pé da frente deve estar na linha de partida. O timing pessoa deve estar na linha de chegada com um braço erguido, e chamam Atenção... Já! Seguido por uma baixa de seu braço rapidamente, para iniciar o teste. Deve-se iniciar o cronômetro no momento em que o braço estiver baixo e terminar o cronômetro quando o peito do atleta ultrapassar através da linha de chegada (JOHNSON & NELSON;1974). Utilizou-se a estatística descritiva com valores médios, desvio padrão, valores mínimos e máximos. As tabelas foram produzidas na planilha do Excel 2010 do Office for Windows®. Todos os voluntários do estudo foram esclarecidos quanto aos objetivos, riscos e benefícios do estudo, respeitando assim, a realização de pesquisas envolvendo Seres Humanos, de acordo com o Conselho Nacional de Saúde na sua Resolução 466/2012. RESULTADOS As características antropométricas como a massa corporal, estatura e IMC dos jogadores de Futebol Americano investigados, são descritas na Tabela 01 (posição de ataque) e Tabela 02 (posição de defesa), em valores de Média, Desvio Padrão, Mínimo e Máximo. 50 Pesquisa e Extensão: Unipê Tabela 01 – Distribuição das características antropométricas dos jogadores de Futebol Americano de João Pessoa – Paraíba (posição de ataque). Jogadores Posição Ataque Massa Corporal (Kg) Estatura (cm) IMC Classificação 01 OL 126 185 36,82 Obesidade II 02 OL 93 171 31,80 Obesidade I 03 QB 103 191 28,23 Acima Do Normal 04 TE 92 183 27,47 Acima Do Normal 05 WR 82 179 25,59 Acima Do Normal 06 WR 65 175 21,22 Normal 07 WR 80 173 26,73 Acima Do Normal 08 WR 80 171 27,36 Acima do Normal Média - 90,13 179 28,15 - Des. Padrão - 18,33 0,7 4,57 - Mínimo - 65 171 21,22 - Máximo - 126 185 36,82 - Legenda: OL= Offensive Line (Jogador de linha ofensiva); QB= Quarterback ( Lançador);TE=Tight End (Recebedor e Bloqueador); WR = Wide Receivers (Recebedor) Tabela 02 – Distribuição das características antropométricas dos jogadores de Futebol Americano de João Pessoa – Paraíba (posição de defesa). Jogadores Posição Defesa Massa Corporal (Kg) Estatura (Cm) IMC Classificação 01 DL 165 1,93 44,30 Obesidade III 02 DL 106 1,90 29,36 Acima Do Normal 03 DL 115 1,88 32,54 Obesidade I 04 DB 76 1,80 23,46 Normal 05 DB 66 1,71 22,57 Normal 06 DB 79 1,76 25,50 Acima Do Normal 07 LB 80 1,77 25,54 Acima Do Normal 08 LB 80 1,69 28,01 Acima Do Normal 09 LB 91 1,79 28,40 Acima Do Normal Média - 95,33 1,80 28,85 - Des. Padrão - 30,30 0,8 4,57 - Mínimo - 66 1,69 22,57 - Máximo - 165 1,93 44,30 - Legenda: DL= Densive Line (Jogadores de linha); DB= Defensive Backs (Marcadores); LB = Linebackers (Defensores) No Tabela 03 e 04 serão descritos os resultados do Salto Vertical, Salto horizontal, Arremesso de Medicine Ball, Shuttler Run e 40 jardas, agrupadas pela posição de ataques e defesas respectivamente. As informações são representadas em valores de média, Desvio Padrão, Mínimo e Máximo. 51 Pesquisa e Extensão: Unipê Tabela 03 – Distribuição dos testes físicos dos jogadores de Futebol Americano de João Pessoa – Paraíba. (Posição de Ataque). Jogadores Posição Ataque Salto Vertical (cm) Salto Horizontal (cm) Arremesso Medicine Ball (m) Shuttler Run (s”) 40 Jardas (s”) 01 OL 56 2,10 5,05 11,88 6,13 02 OL 35,5 1,50 4,08 12,87 6,52 03 QB 56 2,40 5,2 10,23 5,43 04 TE 56,5 2,20 5,05 9,78 5,17 05 WR 53,5 2,40 4,66 9,6 5,34 06 WR 49 2,10 4,01 9,89 5,33 07 WR 52,5 2,20 4,07 9,08 5,09 08 WR 62 2,40 4,66 10,2 5,6 Média - 52 2,26 4,60 10,57 5,58 Des. Padrão - 7,76 0,30 0,49 1,17 0,50 Mínimo 35,6 1,50 4,01 9,08 5,09 Máximo 62 2,40 5,05 12,87 6,52 Legenda: OL= Offensive Line (Jogador de linha ofensiva); QB= Quarterback( Lançador); TE= Tight End(Recebedor e Bloqueador); WR = Wide Receivers(Recebedor) Tabela 04 – Distribuição dos testes físicos dos jogadores de Futebol Americano de João Pessoa – Paraíba. (Posição de Defesa). Jogadores Posição Defesa Salto Vertical (cm) Salto Horizontal (cm) Arremesso Medicine Ball (m) Shuttler Run (s’’) 40 Jardas (s’’) 01 DL 31,5 1,50 5,33 14,49 8,11 02 DL 47,0 2,10 5,24 10,62 5,81 03 DL 45,5 2,10 5,32 10,34 5,85 04 DB 63,5 2,80 4,4 9,24 5,00 05 DB 55,5 2,50 3,79 9,78 5,00 06 DB 45,5 1,93 4,08 10,37 5,59 07 LB 64,0 2,65 5,32 10,20 5,20 08 LB 50,5 2,34 4,37 10,37 5,30 09 LB 74,5 2,58 4,92 9,46 5,39 Média - 54,33 2,23 4,75 10,54 5,69 Des. Padrão - 12,55 0,48 0,60 1,55 0,96 Mínimo - 31,5 1,50 4,08 9,24 5,00 Máximo - 74,5 2,80 4,92 10,62 8,11 Legenda: DL= Densive Line (Jogadores de linha); DB= Defensive Backs (Marcadores); LB= Line backers (Defensores) 52 Pesquisa e Extensão: Unipê DISCUSSÃO Considerando que o perfil antropométrico e o desempenho motor de Jogadores de Futebol Americano, podem contribuir como indicador de sucesso nesta modalidade ou ainda auxiliar a detecção de jovens talentos, o presente estudo investigou tais parâmetros em Jogadores pertencentes a uma das principais equipes de Futebol Americano do Brasil. Com relação às características antropométricas, os resultados do presente estudo indicaram que os jogadores do ataque apresentavam resultados médios de massa corporal de 90,13 kg. Entretanto, o jogador considerado como wide receiver (recebedor) apresentou uma massa total de 65 kg, o qual pode ser explicado por não se fazer necessário devido ao pouco contato físico quando observado a outras posições do jogo (WARD, SMITH e SHARPE, 1997). Já os defensive lines (Jogadores de linha) apresentaram resultados médios 95,33 kg, contribuindo assim, com um maior bloqueio contra os jogadores adversários no meio do campo. Em contra partida, os defensive backs (Marcadores) demonstraram uma menor massa corporal (76 kg, 66 kg e 79 kg) devido a suas posições requererem uma alta velocidade (PINCIVERO e BOMPA, 1997). No que se refere à estatura, pode-se observar que em ambos os jogadores de ataque (179 cm) e defesa (180 cm), se mantiveram aproximados à média dos jogadores norte americanos que é 178.2 centímetros (LESSER, 2005). No presente estudo, o quarterback (Lançador) foi o jogador que obteve maior resultado para a equipe de ataque (191 cm) sendo esta característica de tamanha relevância, pois quanto maior a estatura maior o campo de visão. Quanto ao IMC, estudos que avaliaram jogadores de ligas profissionais de futebol americano concluíram que, em média, 96% dos jogadores apresentavam IMC acima do normal (JOYCE 2005; MALINA et al. 2007). No presente trabalho, houve uma semelhança (28,15 e 28,85) nos resultados do IMC entre os jogadores de ataque e defesa, porém é importante destacar que um (01) Wide Receivers (Recebedor) e (02) dois Defensive Backs (Marcadores) apresentavam uma resultados ideais. Ao observar os resultados das variáveis de aptidão física do salto vertical da liga NCAA (Futebol Americano), identificou-se que a média do salto foi de 70,2±9 centímetros (FRY, KRAEMER e WILLIAM 1991). Já Davis em 2004 ao avaliar 46 jogadores da liga universitária (NCAA), pode constatar a partir dos resultados obtidos, uma média de 73,2±2 centímetros para o salto vertical. Observando os resultados do salto vertical da equipe de ataque do proposto estudo, pode-se constatar que o menor resultado (45,75 cm) foi de um offensive line (Jogador de linha ofensiva) o qual não precisa saltar, seu trabalho é principalmente proteger o quarterback (Lançador) na formação do pocket (Formação da linha ofensiva) (HOFFMAN et al. 2011 e ROBBINS et al. 2012). Porém, o maior valor foi do wide receiver (Recebedor) (54,25 cm), jogador este que precisa de uma boa impulsão, para conseguir pegar a bola muitas vezes entre os marcadores (HOFFMAN et al. 2011 e ROBBINS et al. 2012). Quanto o salto vertical da equipe defensiva pode-se constatar que (02) dois line backers (defensores) obtiveram os melhores resultados (64 cm e 74 cm). Kimberly e Lee (2003) analisaram as características do perfil do salto horizontal em 326 jogadores da liga universitária de futebol americano (NCAA), obtendo uma média de 2,26±9.18. Nos resultados encontrados no presente trabalho, os jogadores obtiveram uma média de 2,23 metros para defesa e 2,26 metros para ataque, chegando assim, com os resultados semelhantes ao estudo de Kimberly e Lee (2003). Quanto aos resultados do teste de membros superiores, realizados através do arremesso de uma medicine ball (5Kg), constatou-se através do estudo Chizewski, e Alexander (2015), com atletas da Liga Universitária de Futebol Americano (NCAA), que a distância encontrada em média era de 7,9 metros, enquanto que a média encontrada com os jogadores da Paraíba (ataque e defesa) não superaram os 5 metros. Outro importante variável a ser discutida é a agilidade dos avaliados. Davis em 2004 analisou 46 jogadores da NCAA, seus resultados demonstraram uma média de 9,52 segundos no teste de Shuttle Run, enquanto a média encontrada neste foi de 10,57 e 10,54 segundos respectivamente. Quanto à qualidade física velocidade, Fry e Kraemer (1991), constataram ao avaliar jogadores 53 Pesquisa e Extensão: Unipê profissionais de futebol americano, por meio do teste de 40y dash uma média de 4,92. Em outro estudo na liga universitária NCAA, Kimberly e Lee (2003), encontraram uma média de 4,81 segundos. No presente estudo identificou valores de 5,69 segundos para jogadores de defesa e 5,58 segundos para jogadores de ataque, uma diferença aproximada de quase 01 segundo com os trabalhos citados anteriormente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os jogadores da equipe campeã da Liga Nordeste de Futebol Americano – LINEFA 2011 apresentaram características antropométricas peculiares ao esporte e as posições específicas de cada jogador. Da mesma maneira, no que se diz respeito ao perfil da aptidão física, também se demonstraram típicas aos esporte com exceção dos níveis de força de membros superiores apresentando-se regulares, e agilidade fraca. Os achados (resultados) desta pesquisa se apresentam com linha de referência para a produção de outras pesquisas sobre este esporte, considerando que existe a necessidade da produção de mais estudos direcionados a modalidade envolvendo outras variáveis, entre telas, o somatotipo, a percepção da imagem corporal e as principias lesões mais comuns no esporte. REFERÊNCIAS AMERICAN COLLEGE OF PHYSICIANS, HEALTH AND PUBLIC POLICY COMMITTEE. Improving medical education in therapeutics. Annals of Internal Medicine, p. 145-147, l988. CHIZEWSKI, M. G.; ALEXANDER, M. J. L. A biomechanical comparison of the long snap in football between high school and university football players. Journal of Strength & Conditioning Research, v. 16, 2015. DAVIS, D. S. et al. 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As atividades desenvolveram-se durante 03 (Três) meses, nos turnos da manhã (07:00 às 8:30), nas segundas, terças, quartas e quintas. Foram realizadas avaliações da composição corporal e antropométricas por meio da bioimpedância, identificação da percepção da imagem corporal, em que ocorreu inquéritos e prescrições nutricionais e identificação dos níveis de ansiedade. Resultados: constatou-se melhorias na diminuição da massa e gordura corporal, nos níveis de ansiedade e depressão, redução de dores articulares dos membros inferiores, capacidade física, maior resistência física e amplificação da força muscular. Conclusão: As atividades oferecidas resultaram uma vida mais saudável, maior interação social e melhorias na qualidade de vida da paciente. Palavras-chave: Exercícios físicos. Qualidade de vida. Cirurgia bariátrica. 1 Doutorado em ciência do movimento humano, [email protected] 2 Doutorado em Ciências do Movimento Humano , [email protected] 3 Graduação em educação física, [email protected] 4 Graduação em educação física, [email protected] Recebido: 19/10/2015 Aceito: 19/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 56 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO: Observa-se, que que a vida sedentária e a falta de atividade física têm sido consideradas como as grandes causas da obesidade, do mesmo modo, a cirurgia bariátrica está sendo apontada como um dos tratamentos para obesidade (CONSENSO LATINO AMERICANO DE OBESIDADE, 1999; SEGAL E FANDIÑO, 2002). Porém, em alguns casos, os pacientes podem recuperar a massa corporal (engordar) novamente (CUNHA, CUNHA JÚNIOR, PIRES NETO, 2006). Partindo deste pressuposto, o relato de experiência consistiu no acompanhamento da prática da atividade física de uma mulher pós-cirúrgida de redução de estomago (bariátricas), usuária do projeto de extensão ETRE’s do Curso de Educação Física do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: As atividades foram realizadas nas instalações esportivas do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, com diversas modalidades envolvidas, entre elas: musculação, treinamento funcional, alongamento, dança e Hidroginástica. As atividades tiveram início no dia 06 de setembro do ano de 2014 até o dia 08 de dezembro do mesmo ano, sendo composto, portanto, por quatro meses de duração. O relato de experiência ocorreu com uma mulher, pertencente ao programa de acompanhamento pós-operatório de redução de estômago (bariátrica) do Hospital Municipal de Santa Isabel, ocasionado através de uma parceria entre as duas instituições. A partir dos objetivos propostos que teve como foco a melhoria da saúde e qualidade de vida do pós-operatório, as atividades eram realizadas nas segundas, terças, quartas e quintas pela manhã das 07:00 ás 8:30. O treinamento resistido era a principal atividade desenvolvida, sempre com o objetivo voltados para hipertrofia, pois existe a necessidade no ganho de massa muscular para estes pacientes, e após a musculação as outras atividades eram desenvolvidas diariamente, na segunda o treinamento funcional, na terça a hidroginástica, na quarta dança e na quinta o alongamento. A paciente era casada, 35 anos, professora de matemática, possuía a massa corporal total antes da cirurgia de 130kg (Figura 1). Foram realizadas avaliações da composição corporal e antropométricas por meio da bioimpedância (Inbody 720), identificação da percepção da imagem corporal, em que ocorreu inquéritos e prescrições nutricionais e identificação dos níveis de ansiedade. IMPACTOS: Destaca-se que a paciente tinha realizado a cirurgia aproximadamente dois meses antes do início das atividades, não estava mais conseguindo perder peso, ou seja, ocorreu uma redução da massa corporal. 57 Pesquisa e Extensão: Unipê Assim, a primeira avaliação foi realizada em 08/09/2014 para o início das atividades do projeto, a massa corporal da paciente era de 82,5 kg, com massa gorda de 28,6 kg, ou seja 34,7% eram de gordura, e apresentando área de gordura visceral de 142,6 cm2 e grau de obesidade 146,3%. A paciente estava em boas condições para a atividade física com apenas uma observação nos níveis de hemácias no sangue, que encontrava-se abaixo do valores de referências. Nas hemácias existem as hemoglobinas responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue, com os níveis de hemácias baixas e como consequência de hemoglobina, poderá causa palidez cutânea, descoramento das mucosas, redução dos níveis de oxigênio nos órgãos do corpo, levando ao cansaço fácil e falta de ar na realização de atividades físicas, até mesmo nas rotinas do dia-a-dia (BONINI-DOMINGOS, 2006). Na segunda avaliação antropométrica realizada no dia 08/10/2014 percebe-se que a paciente já apresentava massa corporal de 80,5 kg, e embora percentualmente a massa gorda tinha permanecido em 34,7%, mesmo assim, houve mudanças em seu peso e portanto na massa gorda. A área de gordura visceral e o grau de obesidade diminuiu de 142,6 cm2 para 136,1 cm2 e 146,3% para 142,7% respectivamente. Na terceira avaliação (10/11/2014) constata-se que a paciente já se encontrava com uma massa corporal de 78,7 kg, seu percentual de gordura diminuiu para 32,9%, isso corresponde a 26,4 kg do peso total. Sua área de gordura visceral reduziu mais uma vez, agora com valor de 126,7 cm2, como também o grau de obesidade para 142,4%. A quarta e última avaliação aconteceu no dia 08/12/2014 e destaca-se que a massa corporal diminuiu para 77,9 kg, com percentual de gordura aumentando para 34,1%. Já a área de gordura visceral continuou reduzindo para 127,5 cm2 e 138,2% para o grau de obesidade. Abaixo observa-se algumas fotos da paciente após a intervenção dos treinamentos (Figura 2) e a descrição detalhada de todos os resultados das avaliações antropométricas (Tabela 1). Tabela 1Descrição das características antropométricas Datas das Avaliações Massa Corporal (kg) Massa Magra (kg) Massa Gorda (kg) Percentual Gordura (%) Grau de obesidade (%) Área de gordura visceral (cm2) 08/09/2014 82,5 29,5 28,6 34,7 146,3 142,6 08/10/2014 80,5 28,9 27,9 34,7 142,7 136,1 10/11/2014 78,7 29,8 26,4 32,9 142,4 132,0 08/12/2014 77,9 27,1 26,0 34,1 138,2 127,5 Verifica-se no Gráfico 1, a cada avaliação, que a taxa metabólica basal diminuía, podendo estar relacionado a redução da massa corporal magra, que ao longo das atividades diminuiu 64 Pesquisa e Extensão: Unipê ANÁLISE DOS DADOS Após a coleta de dados, as informações foram categorizadas e digitadas em uma planilha do Programa Excel, importados e processados no Software Statistical Package for the Social Sciences 13.0 (SPSS 13.0), sendo representado pela frequência, percentual, média e desvio padrão da média. ÉTICA DA PESQUISA O estudo atendeu aos princípios da Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 2012a) que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de João Pessoa em 18 de setembro do ano 2012, CAAE: número 05866612.8.0000.5176. RESULTADOS E DISCUSSÃO CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA DOS PARTICIPANTES DO ESTUDO Dos 240 prontuários de idosos atendidos pelo SAMU, a média de idade foi de 75,5 ±9,5 anos, sendo 54,6% (131) do sexo feminino. A predominância de idosas no estudo pode ser entendida pelo grande percentual de ocorrências clínicas, pois pessoas idosas do sexo masculino tendem a apresentar mais agravos de natureza traumática, pois segundo estudo realizado em Londrina/PR (2008) envolvendo 495 fichas de atendimento de trauma em idosos verificou-se que 61% da amostra eram do sexo masculino, demonstrando que os homens tendem a ser mais expostos ao trauma, por serem mais ativos, circularem com mais frequência em perímetro urbano e estarem mais inseridos no mercado de trabalho (SILVA et al., 2008). UNIDADE DE SUPORTE ACIONADO PELOS IDOSOS Com relação aos tipos de viaturas utilizadas para assistir a vítima idosa, a Unidade de Suporte Básico registra uma demanda maior de atendimentos (87,1%) em detrimento a unidade de Suporte Avançado (12%). A realidade do município de João Pessoa-PB também se apresenta no Estado de Sergipe (2011), quando dentre os 4.500 atendimentos mensais, 15 a 20% das ocorrências se destinam para unidade de suporte avançado enquanto 80 a 85% para as de suporte básico (BRASIL, 2011). O deslocamento das unidades de suporte básico ou avançado para o local da ocorrência, somente, salvo determinações excepcionais provenientes de órgãos superiores, é liberado para atendimento mediante autorização do médico regulador ou do coordenador direto do SAMU, não respondendo a outras solicitações que não tenham sidas reguladas pelos profissionais citados. Ao determinar a existência de risco imediato à vida, como comprometimento de funções vitais, capazes de afetar seriamente a qualidade de vida ou a expectativa de vida, serão despachadas as unidades de suporte avançado, enquanto o suporte básico atende pacientes quando o médico regulador define que não há risco imediato à vida (BRASIL, 2002). No SAMU, médicos e enfermeiros prestam atendimento a casos de maior complexidade, ou seja, de maior gravidade por meio do suporte avançado de vida. Este suporte é oferecido através de ambulâncias, equipamentos e instrumental utilizado em uma Unidade de Terapia Intensiva; e equipe de médicos, enfermeiros e com condutores de veículos de urgência capacitados. Esta especificação da estrutura do pré-hospitalar móvel e seus componentes são definidos pela Portaria do Ministério da Saúde do Brasil (BRASIL, 2002). 65 Pesquisa e Extensão: Unipê NATUREZA DAS OCORRÊNCIAS Conforme a natureza das ocorrências (clínica, traumática, psiquiátrica, outras), foi solicitado atendimento pré-hospitalar, sendo em sua maioria para os agravos clínicos, conforme registra a Tabela 1. TABELA 1: Distribuição da natureza das ocorrências em idosos atendidas pelo SAMU no ano de 2011-João Pessoa/PB,2012. (n=240) Tipo de Ocorrência n % Clínica 135 56,2 Traumática 68 28,3 Outras 25 10,4 Psiquiátrica 12 5,0 Cirúrgica - - Obstétrica - - TOTAL 240 100,0% Fonte: Dados da pesquisa,2012.Valores são percentuais e frequência. A maior demanda de ocorrências clínicas entre os idosos atendidos pelo SAMU de João Pessoa, no ano de 2011, corrobora com estudos realizados em Ribeirão Preto/SP (85,0%), em abril de 2003(FERNANDES, 2004). O estudo ainda corrobora com dados registrados em Olinda/PE que registrou 1.956 ocorrências de fevereiro a junho de 2006, verificando 1.114 (57,0%) atendimentos por natureza clínicas e 645 (32,9%) por causas externas (CABRAL e SOUZA, 2008). O mesmo cenário foi encontrado em Catanduva/SP onde se verificaram os tipos de ocorrências mais prevalentes, entre 2006 e 2012, no âmbito pré-hospitalar, obtendo destaque para agravos clínicos (GONSAGA; BRUGUGNOLLI; ZANUTTO et al., 2013). Embora o trauma seja mais frequente nas pessoas jovens e as emergências geriátricas sejam normalmente clínicas, o número de idosos traumatizados é expressivo, pois as lesões que poderiam ser facilmente toleradas por pacientes jovens podem resultar em índices consideráveis de mortalidade nos idosos (LIMA e CAMPOS, 2011). A realidade registrada na capital paraibana se configura com os dados do país no que diz respeito à assistência pré-hospitalar voltada para população idosa, caracterizada pela maior demanda de solicitações ao SAMU para atendimento aos agravos clínicos (MARQUES, 2007). NATUREZA DAS OCORRÊNCIAS CONFORME MESES DO ANO As características das ocorrências para cada mês do ano nos idosos do presente estudo, evidenciou que dentre as causas clínicas a maioria (11%) ocorrem nos meses de junho, julho e agosto; 10,5% ocorrem no mês de fevereiro; quanto as ocorrências traumáticas 15% foram no mês de abril; 13% janeiro e 10% em maio. Os agravos psiquiátricos destacam-se nos meses de junho, julho e dezembro com 33%. Ao confrontar estes resultados com os equivalentes aos meses relacionados aos acidentes estes apresentam algumas diferenças, pois um maior percentual de acidentes, segundo pesquisas feitas anteriormente, foi registrado nos meses de maio, outubro e novembro com maior prevalência de ocorrências traumáticas (SOARES, 2012). Outro estudo realizado no SAMU de Cuibá/MT por Souza (2010), em prontuários de jovens atendidos no ano 2009, afirma que as ocorrências atendidas referentes aos meses do ano apontam mais chamados para os meses de agosto, setembro e novembro, e os três primeiros meses do ano obtiveram menor número de atendimentos, discordando com a presente pesquisa, revelando diferenças quanto a particularidade dos idosos. 66 Pesquisa e Extensão: Unipê Considerando as diferentes regiões do Brasil e que a população investigada foi especificamente idosa, a presente pesquisa entra em divergência com estudos anteriores realizados nas regiões de Cuibá e João Pessoa que investigaram a incidência de ocorrências para cada mês do ano na população jovem. Atualmente não foram encontrados registros na população idosa acerca da variável tipo de acidentes relacionados aos meses do ano, impossibilitando traçar comparativo entre estudos (GAWRYSZEWSKI; KOIZUMI; MELLO-JORGE, 2004). AGRAVOS CLÍNICOS À SAÚDE DOS IDOSOS CONFORME CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS(CID 10) Os agravos clínicos são conhecidos por alterações fisiológicas, consequentemente desequilíbrio na hemodinâmica do indivíduo, sendo responsáveis por grande parcela dos óbitos da população em geral, principalmente idosos. Especificamente, no âmbito préhospitalar é necessário conhecer a natureza clínica que compromete a saúde, pois todas as ações do SAMU devem ser rápidas e se tornarão mais eficazes ao conhecer as limitações/doenças pré-existentes do paciente. Em relação à classificação dos agravos à saúde dos idosos, tendo como referência a Classificação Internacional de Doenças (CID 10), a hipertensão essencial (CID I10) se destaca (9,6%) entre as ocorrências de natureza clínica (56,25%), conforme se observa na Tabela 2. TABELA 2: Identificação dos agravos à saúde dos idosos de natureza clínica conforme a Classificação Internacional de doenças (CID 10) no ano de 2011. João Pessoa/PB, 2012. (n=240) Natureza da ocorrência n % Clínica Agravos cardiovasculares Hipertensão Essencial 23 9,6% Infarto Cerebral ou Acidente Vascular Cerebral 16 6,7% Hipoglicemia 16 6,7% Angina Pectoris 13 5,4% Hipotensão 13 5,4% Parada Cardíaca 4 1,7% Aumento da glicemia 4 1,7% Infarto Agudo do Miocárdio 2 0,8% Outras arritmias cardíacas 1 0,4% TOTAL 92 38,4% Agravos respiratórios Outros transtornos respiratórios 8 3,3% Síndrome do desconforto respiratório do adulto 5 2,1% Outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas 3 1,3% Insuficiência respiratória não classificada de outra parte 2 0,8% Asma 1 0,4% Edema pulmonar não especificado de outra forma 1 0,4% TOTAL 20 8,3% Agravos gastrointestinais Outras doenças do aparelho digestivo 7 2,9% Diarréia 3 1,3% Náusea e vômitos 2 0,8% TOTAL 12 5% 67 Pesquisa e Extensão: Unipê Intoxicação Auto intoxicação por e exposição, intencional a pesticidas 1 0,4% TOTAL 1 0,4% Agravos renais Calculose Renal 1 0,4% Cólica Nefrética não especificada 1 0,4% Insuficiência Renal Aguda 1 0,4% TOTAL 3 1,2% Outros agravos Outros transtornos do equilíbrio hidroeletrolítrico e ácido básico 3 1,3% Dor abdominal e pélvica 1 0,4% Febre de origem desconhecida 1 0,4% Hemorragia não classificada em outra parte 1 0,4% Efeito tóxico do álcool 1 0,4% TOTAL 7 2,9% TOTAL 135 56,25% Fonte: Dados da pesquisa,2012.Valores são percentuais e frequência. Dentre as doenças mais frequentes no processo de envelhecimento, Schimidt et al (2011) cita as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), doenças cardiovasculares incluindo a hipertensão, doenças respiratórias crônicas, diabetes, câncer e outras, inclusive doenças renais, onde juntas formam um conjunto de morbidades geralmente associadas entre si, constituindo-se em graves problemas de Saúde Pública( SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2007). A prevalência de hipertensão em idosos também é destacada como o atendimento mais frequente entre as demais ocorrências clínicas (71,5%) pelo SAMU na cidade de Recife/PE(2008) (CABRAL; SOUZA, 2008).. Tal fato merece destaque, pois no Brasil as doenças circulatórias são responsáveis por 31,0% da mortalidade total, com 302.817 óbitos em 2006 (BRASIL, 2006). Considera-se a hipertensão como principal fator de risco preditivo para Acidente Vascular Cerebral (AVC), pois está presente na maior parte dos casos de doenças cardiovasculares. Destacase segundo Nunes (2004) e Souza (2001) grande parte da morbimortalidade no Brasil ocorre por doenças crônico-degenerativas, em geral associadas à comorbidades que demandam assistência de alta complexidade, destacando-se as doenças do aparelho circulatório, dentre elas o AVC e o Infarto Agudo do Miocárdio, sendo o AVC para Giles e Rothwell (2008) caracterizado como uma das principais doenças na população idosa(correspondendo a 6,7%(16) ocorrências nos idosos estudados. Ainda sobre o AVC, estudo realizado em Porto Alegre/RS identificou que 20,04% das ocorrências clínicas realizadas por atendimentos de urgência deviam-se a agravos neurológicos, sendo o AVC mais comum em pessoas acima de 60 anos (SORENSEN et al., 2008). Neste estudo o infarto agudo do miocárdio surge como 0,8% dos agravos clínicos, apesar de pouco expressivo, outros fatores como o Acidente Vascular Cerebral, em segundo lugar, influencia o aumento por estas causas nos idosos. Tal fato alerta para a melhoria de condutas precoces para reverter este quadro, pois no Brasil, o infarto agudo do miocárdio configura-se como uma das mais significativas doenças cardiovasculares, sendo considerada a principal causa isolada de morte (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2004). Para controlar as doenças cardiovasculares construíram-se unidades coronarianas, introduziram-se novos medicamentos e tecnologias, no entanto a mortalidade pré-hospitalar permanece praticamente inalterada com níveis semelhantes aos de 40 anos atrás, desafiando as autoridades de saúde pública e ceifando milhares de vidas em plena idade produtiva ( TIMERMAN et al., 2004). Dois terços das mortes súbitas por infarto ocorrem fora do hospital, à maioria dentro de duas horas após o início dos sintomas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2004). 68 Pesquisa e Extensão: Unipê A hipoglicemia atingiu no presente estudo 6,7%(16) das ocorrências, sendo uma condição clínica temida, potencialmente fatal e que ganha ainda mais importância com a idade. O risco de hipoglicemia fatal progride exponencialmente com a idade e se dá, parcialmente, devido à menor secreção de glucagon pelo pâncreas, que é um dos principais hormônios contra-reguladores. Contribui para o aumento do risco de hipoglicemias graves a menor percepção dos sinais: tontura, fraqueza, delirium e confusão mental, aumentando o risco de queda e fraturas graves (MARQUEZINE; MANCINI, 2014). Ainda merece destaque as ocorrências respiratórias (8,3%) que também surgiram na realidade do SAMU de Porto Alegre/RS(2011) ocupando o terceiro lugar dentre os agravos clínicos, obtendo pico de atendimento na faixa etária entre 61 a 79 anos (MARQUES; LIMA; CICONET,2011). AGRAVOS DE NATUREZA TRAUMÁTICA CONFORME CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS(CID 10) As ocorrências traumáticas são descritas como aquelas com impactos de energia cinética, ou seja, envolve força e movimento, caracterizando o trauma. Os agravos à saúde de natureza traumática embora apresentem baixa frequência entre idosos, o presente estudo revelou uma informação importante, quando dentre as causas traumáticas (28,33%), o maior quantitativo caracterizou-se como quedas com 20,9%, sendo em sua maioria ocasionadas por escorregão, tropeção ou passos em falsos - CID W01 (18,8%), conhecido como queda da própria altura. A Tabela 3 revela o percentual de agravos de origem traumática em idosos atendidos pelo SAMU no ano 2011, sendo divididos em quedas, acidente de trânsito, e outras causas traumáticas. TABELA 3: Identificação dos agravos à saúde dos idosos de natureza traumática conforme a Classificação Internacional de doenças (CID 10) no ano de 2011. João Pessoa/PB,2012. (n=240) Natureza da ocorrência n % Traumática Quedas Queda no mesmo nível por escorregão, tropeção ou passos em falsos 45 18,8% Outras quedas de um nível a outro 4 1,7% Outras quedas no mesmo nível 1 0,4% TOTAL 50 20,9% Acidente de trânsito Pedestre traumatizado em colisão com um automóvel 3 1,3% Ocupante de um automóvel traumatizado em colisão com um automóvel 3 1,3% Agressão por meio de objeto cortante ou penetrante 2 0,8% Ciclista Traumatizado em Colisão com trem 1 0,4% Ciclista traumatizado em colisão com um automóvel 1 0,4% Pedestre traumatizado em colisão com um veículo a motor de duas ou três rodas 1 0,4% Pedestre traumatizado em colisão com outro veículo não-motorizado 1 0,4% Pedestre traumatizado em outros acidentes de transporte 1 0,4% Motociclista traumatizado em colisão com um automóvel 1 0,4% Ocupante de um automóvel traumatizado em colisão com outro veículo 1 0,4% Pessoa montada em animal ou ocupante de um veículo a tração animal traumatizado em um acidente de transporte 1 0,4% TOTAL 16 6,6% 69 Pesquisa e Extensão: Unipê Outros causas traumáticas Fratura do fêmur 1 0,4% Traumatismo intracraniano 1 0,4% TOTAL 2 0,8% TOTAL 68 28,33 Fonte: Dados da pesquisa,2012.Valores são percentuais e frequência. Os mecanismos de trauma mais frequentes na população idosa são as quedas e os acidentes automobilísticos (atropelamento e colisão), seguidos por queimaduras e violência doméstica (CAMPOS et al., 2007). Desta forma, os acidentes por causas externas nos idosos são merecedores de atenção, principalmente por possuírem um caráter evitável e por constituírem a quinta causa de mortalidade de indivíduos com mais de 75 anos. Ademais, os idosos apresentam como consequência mais frequente do trauma, a dor e a suspeita de fratura. Constitui também um agravante dessa realidade, o fato de o idoso ter maior possibilidade de recidiva do trauma em virtude da ocorrência de comorbidades que, no geral, afetam sua funcionalidade (HIRANO;FRAGA;MANTOVANI,2007) Dentre os atendimentos de natureza traumática a queda da própria altura ocorre com maior frequência em idosos e é considerado um problema de saúde pública, tanto pela elevada frequência como pelos seus efeitos diretos e indiretos sobre a saúde da população. Aproximadamente 15% dos pacientes que são admitidos em centros especializados no atendimento a traumatizados sofreram quedas da própria altura (GAWRYSZEWSKI, 2010). A incidência de quedas aumenta com o avançar da idade, variando de 34% entre idosos com 65 e 80 anos, 45% entre 80 e 89 anos e 50% acima de 90 anos (BERRY; MILLER;FALLS,2008). Tinetti (2003) e Liu-ambrose(2004) afirmam que aproximadamente 30% dos indivíduos com mais de 65 anos de idade caem ao menos uma vez por ano, dos quais a metade de forma recorrente. Dentre as consequências encontradas em decorrência da queda, encontram-se: fratura no fêmur (62%); quadril (12%); braços (49%) e antebraço (12,5%) (FABRÍCIO e RODRIGUES, 2004; GONZALEZ; MARIN;CARDOSO;PEREIRA,2001). Destaca-se ainda estudo realizado em Florionópolis/SC (2008) com sujeitos de meia idade e idosos em que se avaliou o perfil dos pacientes que sofreram Traumatismo Crânio Encefálico (TCE) ressaltando a queda da própria altura como causa mais importante de TCE em pessoas idosas, no entanto, muitas vezes o atendimento a vítimas deste agravo é negligenciado, pois considera-se como um trauma de pouco impacto. Entretanto, lesões graves e potencialmente letais podem estar presentes (BRAGA; NETTO; SANTOS; BRAGA,2008). Considerando que o alto índice de ocorrências envolvendo idosos no âmbito pré-hospitalar é ocasionado por quedas e que muitas vezes tal fenômeno agrava-se horas após a ocorrência, se faz necessário apresentar um olhar voltado a peculiaridades decorrentes destas causas. Os atendimentos pré-hospitalares oriundos de quedas em idosos também predominaram como a principal causa de traumas nesta faixa da população no ano 2012 na cidade João Pessoa/PB onde dos 180 prontuários, 134 foram desta natureza, podendo-se dizer que este fenômeno faz parte da realidade dos idosos da capital paraibana (OLIVEIRA et al.,2013). Para Fernandes et al(2013) quedas são os eventos mais comuns e incapacitantes nos idosos, causando elevado número de institucionalização e mortalidade, podendo ser definidas como evento não intencional que leva uma pessoa inadvertidamente a cair ao chão em um mesmo nível ou em outro inferior, sendo influenciadas por diversos fatores, de acordo com Alvares et al (2010), pela cultura e as condições de vida dos idosos, além de estarem associadas a problemas biopsicossociais. Embora o grande número de atendimentos traumáticos seja ocasionado por quedas, estatisticamente o estudo revela grande número de ocorrências envolvendo acidentes de transito (6,6%), fato que nos leva a refletir sobre a intensificação dos cuidados a serem dispensados com a população senil, uma vez que essas pessoas apresentam limitações visual, locomotora,auditiva e cognitiva. Deficiências específicas do processo de envelhecimento. Estudo de Lima e Campos (2011), realizado em Campinas/SP, com 108 idosos também 70 Pesquisa e Extensão: Unipê evidenciou os acidentes de trânsito como a segunda causa de eventos traumáticos dos idosos atendidos pelo sistema pré-hospitalar, destacando que os acidentes de trânsito na população idosa necessitam de atenção principalmente ao se considerar o seu caráter evitável. As colisões são mais frequentes, no entanto as ocorrências atendidas pelo pré-hospitalar que envolvem pedestres tendem a ser mais graves. As estatísticas referentes aos acidentes de trânsito destacam o pedestre, vítima de atropelamento como o elemento mais vulnerável no trânsito(BRASIL,2004). Os traumas e lesões relacionados com transporte terrestre são importantes tanto na mortalidade quanto na morbidade, devendo esta causa ser objetivo de políticas públicas preventivas. AGRAVOS PSIQUIÁTRICOS CONFORME CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS(CID 10) Registraram-se 5% de agravos psiquiátricos(5%), e 10,41% de mortes no local da ocorrência. Os dados estão expressos na Tabela 4. TABELA 4: Identificação dos agravos de natureza psiquiátrica à saúde dos idosos e outras causas conforme a Classificação Internacional de Doenças (CID 10) no ano de 2011.João Pessoa/PB,2012. (n=240) Natureza da ocorrência n % Psiquiátrica Convulsões 10 4,2% Episódios depressivos 1 0,4% Esquizofrenia 1 0,4% TOTAL 12 5% Outras Morte 25 10,4% TOTAL 25 10,4% Fonte: Dados da pesquisa,2012.Valores são percentuais e frequência. As crises convulsivas surgiram também em outro estudo realizado no município de João Pessoa (2011) no período de janeiro a julho do referido ano, onde 18(5,07%) dos 546 prontuários de idosos foram de natureza convulsiva. No entanto, revelou um percentual inferior (1,5%) de agravos psiquiátricos quando comparados ao presente estudo, podendo ser explicado pelo período de coleta de dados(BARROS et al., 2013). A convulsão também está dentre os agravos atendidos pelo SAMU de Porto Alegre/RS(2011), onde as demandas obtiveram prevalência significativa, dentre as 804 (11,02%), 95 ocorreram em pessoas entre 61 e 79 anos de idade(MARQUES; LIMA; CICONET,2011). Os agravos resultantes em morte (10,4%) foram aqueles registrados no prontuário do idoso em que o SAMU encontrou a vítima em estado de óbito no local da ocorrência. Apesar de não apresentar registros na literatura sobre a incidência de mortes em idosos que são submetidos ao atendimento pré-hospitalar, é preciso entender a vertente dos profissionais que prestam socorro, pois sofrem grande estresse emocional quando não conseguem salvar a vida do paciente. Este fato foi evidenciado em estudo realizado no SAMU de Ribeirão Preto/SP(2008) pela equipe multiprofissional, onde sua maioria revelou sentimentos de frustração e tristeza na impossibilidade de salvar uma vida(CRISTINA et al.,2008). 71 Pesquisa e Extensão: Unipê REMOÇÃO/TRANSPORTE DOS IDOSOS PELO SISTEMA PRÉ-HOSPITALAR Do total de prontuários pesquisados (240), apenas 1% negou atendimento do SAMU; 23% recebeu atendimento local; 46% foram transportados para o hospital de trauma da respectiva cidade; 6% para hospitais particulares e os demais (24%) para outros hospitais públicos. Estudo realizado na mesma cidade (João Pessoa/PB), reveleou que do total de atendimentos realizados, 473(86,63%) dos idosos foram removidos para o serviço de urgência em trauma e 7,88%, representando o segundo lugar, receberam atendimento apenas local BARROS et al., 2013). No SAMU de Porto Alegre/RS (2011) assim como em Ribeirão Preto/SP(2004), as equipes de suporte básico também são as mais acionadas para assistir indivíduos com a saúde comprometida (MARQUES; LIMA; CICONET,2011; FERNANDES, 2004). Apesar dos dados referentes ao encaminhamento das vítimas para os hospitais terem atingido um percentual baixo de recusa de direcionamento para o hospital, considera-se importante que a população em geral entenda os benefícios da assistência pré-hospitalar e que a melhora do quadro clínico da vítima depende da assistência definitiva prestada no ambiente intra hospitalar. Estudo do ano 2010 realizado por Soares (2010), sobre os acidentes assistidos pelo SAMU em João Pessoa obteve uma frequência de 103 negações de atendimentos. Outro aspecto a ser considerado no item encaminhamento é a alta prevalência de pessoas que receberam atendimento apenas local, mostrando que as evoluções dos quadros clínicos do grupo estudado ocorreram com intervenções rápidas e que foram suficientes para que o idoso melhorasse, levando a entender que a implementação de ações preventivas teriam minimizado as chances da ocorrência. DOENÇAS PRÉ-EXISTENTES EM IDOSOS ATENDIDOS PELO SISTEMA PRÉ-HOSPITALAR Importante fator para condutas na assistência médica é o histórico de doenças prévias que o paciente possui, visto que influencia as sequencias do atendimento. Sendo assim, o presente estudo se preocupou em elencar estas doenças representando-as através de porcentagem para que fosse entendido e correlacionado com a natureza dos agravos registrados nos prontuários. Sendo assim, as doenças prévias dos idosos da presente pesquisa estão destacadas na Tabela 5. TABELA 5: Doenças prévias de idosos atendidos no âmbito pré-hospitalar, João Pessoa/ PB,2012.(n=240). Doenças Prévias %(N) % Não possuíam doença 176 73,3% Hipertensão 47 19,6% Diabetes 9 3,8% Insuficiência Cardíaca 2 0,8% Alzheimer 1 0,4% Arritmia cardíaca 1 0,4% Esquizofrenia 1 0,4% Doença de Chagas 1 0,4% Epilepsia 1 0,4% Mal de Parkinson 1 0,4% TOTAL Fonte: Dados da pesquisa,2012.Valores são percentuais e frequência. 72 Pesquisa e Extensão: Unipê Dentre as doenças prévias registradas nos prontuários do SAMU encontram-se cmaior frequência de idosos diagnosticados com hipertensão, corroborando com as principais causas clínicas (9,6%) de atendimento neste estudo. No entanto, o quantitativo de pessoas hipertensas é superior ao número de ocorrências desta natureza, registrando-se um aumento de 31 idosos que apesar de hipertensos não obtiveram atendimento pré-hospitalar por esta causa, levando a considerar a pressão arterial controlada. Sendo as crises hipertensivas passíveis de controle, é preciso considerar que muitas vezes o idoso apresenta tal agravo, mas desconhece-o, assim como revelado por Patrício et al(2014) no universo de 84 idosos frequentadores de um Clube da Pessoa Idosa onde grande parte apresentou hipertensão (45,2%), no entanto apenas 38,1% utilizava métodos de controle, ou seja, 7,1% não fazia uso de mecanismos de controle, favorecendo os agravos decorrentes. Sendo assim, uma das soluções para reduzir estes atendimentos seria um trabalho de promoção e prevenção implementados pelas Unidades de Saúde da Família que segundo a portaria MS2488/2011, instrumento regulamentador da funcionalidade da Atenção Básica de Saúde, estabelece dentre suas ações o rastreamento e cuidados de hipertensos (BRASIL,2012b). Sabe-se que a hipertensão é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial. Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, consequentemente aumenta-se o risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais (FREEMAN, 2008). A hipertensão arterial sistêmica destaca-se com maior frequência em relação às demais, sendo também o principal fator de risco para complicações mais comuns, como acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio, constituindo um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade (MOREIRA,2011). As crises hipertensivas são caracterizadas por elevações agudas da pressão arterial sistêmica, sendo necessária sua redução no intuito de prevenir lesões nos órgãos alvo ( AUGUSTO et al., 2006). As doenças prévias presentes nos pacientes atendidos pelo pré-hospitalar assumem importância ímpar no seu prognóstico, haja vista que a conduta médica será baseada no quadro clínico do paciente, mas ponderada conforme doenças e medicações prévias utilizadas antes da ocorrência. CONCLUSÃO Este estudo procurou conhecer os agravos à saúde da pessoa idosa no âmbito préhospitalar, sendo observado que alguns aspectos como as causas clínicas são responsáveis por maior parte dos acionamentos ao SAMU pelos idosos; as Unidades de Suporte Básico são mais solicitadas que a de Suporte Avançado; a demanda maior de atendimento a população idosa ocorre por natureza clínica (hipertensão) e as de natureza traumática (quedas da própria altura); dentre as doenças prévias destaca-se a hipertensão, no entanto, em quantitativo inferior a prevalência de atendimentos realizados pelo SAMU as crises hipertensivas. O envelhecimento engloba uma série de modificações morfológicas, anatômicas e fisiológicas, que influenciam no processo de saúde ou doença de idosos, tornam essa camada da população com peculiaridades singulares que direcionam o sistema de saúde a tomada de decisão quanto à assistência prestada. Não podia ser diferente no atendimento pré-hospitalar, ocasião em que a equipe multiprofissional deve estar preparada para compreender as limitações do paciente idoso, adaptando muitas vezes protocolos criados para a população em geral, na intenção de proporcionar atendimento mais otimizado, Nesta ótica procurou-se coletar dados constantes de prontuários de atendimento, identificando as maiores incidências no intuito de instigar propostas assistenciais mais resolutivas. É importante entender que a maioria dos achados dos agravos clínicos e traumáticos deste estudo configura-se como manifestações que podem ser evitadas. No caso da hipertensão, por 73 Pesquisa e Extensão: Unipê exemplo, onde níveis pressóricos podem ser regulados através da promoção de hábitos de vida saudáveis, prática de atividade física, alimentação balanceada, uso de medicações conforme prescritas pelo medico, estilo de vida equilibrado, controle da pressão arterial em postos de saúde e afins. A ocorrência de queda da própria altura, evento traumático mais prevalente no presente estudo, acontece normalmente devido a problemas relacionados ao equilíbrio, visão e aspectos ortopédicos, possuindo assim, alternativas de prevenção praticáveis como adequar a casa e ambientes destinados ao convívio da população idosa, de modo que favoreçam seu caminhar de feitio seguro e equilibrado, reduzindo as chances de quedas. A realização do estudo permitiu desvendar agravos e aspectos importantes do atendimento pré-hospitalar ao idoso, favorecendo a construção de protocolos e medidas específicas voltadas para esta camada da sociedade. Tais medidas não devem envolver somente a assistência prestada no momento do agravo à saúde, mas também permitir a redução da sua prevalência, principalmente considerando que as ocorrências destacadas são passíveis de prevenção. Ainda se espera que os resultados do estudo possam contribuir com um novo modelo atitudinal de políticas, ancoradas em uma proposta de atendimento singular e com olhar multiprofissional, direcionada as pessoas idosas socorridas pelo SAMU. Enfim, todo estudo envolvendo a população idosa pode transformar-se em legado para o futuro da população jovem ou adulta por estimular a criação de medidas que possam otimizar a existência desses futuros idosos. REFERÊNCIAS ÁLVARES, L.M; LIMA, R.C; SILVA, R.A. Ocorrência de quedas em idosos residentes em instituições de longa permanência em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saúde Pública. 2010; 26(1):31-40. BARROS, M.A.A; OLIVEIRA,D.S.T; CARVALHO;M.A.P; FERNANDES,M.G.M; COSTA,K.N.F.M; SANTOS,K.F.O. 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O G3 foi o grupo que apresentou menores resultados da agilidade, o que pode ter sido influenciado pelo excesso de massa corporal, já que foi o grupo que apresentou o maior resultado dessa variável. Na Tabela 4 os resultados apontam que o G3 possui um percentual de gordura e a massa gorda maior que os demais grupos e que o G1 apresentou menores valores do percentual de gordura e da massa gorda. 81 Pesquisa e Extensão: Unipê Nas Tabelas 5 e 6, observa-se que o G4 apresentou resultados melhores tanto na força absoluta como na agilidade e na flexibilidade. É importante ressaltar que as crianças deste grupo apresentam idade menor que as crianças dos demais grupos. Na Tabela 7, verifica-se que as crianças do G1 apresentaram um percentual de gordura e a massa gorda mais elevadas que os demais grupos, o que pode ter influenciado na execução dos testes devido ao excesso de massa gorda. 82 Pesquisa e Extensão: Unipê Gráfico 1: Dados da Classificação da Força Relativa de membros superiores e inferiores O gráfico mostra a porcentagem das crianças classificadas em cada grupo de membros inferiores e superiores. E pode-se observar ainda que a maioria das crianças está no G1 e G2, o que significa que a grande maioria dos indivíduos apresentaram valores de força baixo. DISCUSSÃO Nos estudos de Bordignon e Olivoto (2004), onde foram avaliados 30 escolares de ambos os sexos, com idade entre 8 e 10 anos, verificou-se que as crianças com 9 anos de idade apresentaram melhores resultados no teste de flexão de braço, divergindo do presente estudo, em que as meninas que obtiveram melhores resultados tinham a mediana de idade de 6,5 anos. Os estudos de Deprá e Walter (2012), avaliaram 137 escolares de ambos os sexos, com idade entre 7 e 10 anos e mostraram que no teste de força de membros inferiores as crianças com a mediana de idade de 7 anos foram as que obtiveram melhores resultados, corroborando com o presente estudo. Nos estudos de Coledam et al (2013), foram avaliados 58 escolares de ambos os sexos, matriculados no 5º ano de uma escola em São Paulo, com média de idade de 9,69 anos, e verificouse que as meninas apresentaram uma média de agilidade de 11,67 segundos no teste Shuttle run, sendo superiores às meninas do presente estudo, onde todas apresentaram resultados acima de 13,2 segundos. Isso pode ter sido influenciado pelo aumento da massa corporal, pois no presente estudo as meninas com a mediana de 9 anos estão com a massa corporal mais elevada. Com relação a flexibilidade, na pesquisa realizada por Minatto et al. (2010), ao avaliarem 2604 escolares do sexo feminino, de 8 a 17 anos, pode-se observar que as meninas com a média de 8 anos de idade apresentaram uma média de 26,5 centímetros, divergindo do presente estudo, onde as meninas com mediana de 8 anos apresentaram valores medianos de 34 centímetros. Na pesquisa de Conte et al. (2000), na qual foram avaliados 56 escolares de ambos os sexos, com idade entre 10 e 17 anos, verificou-se que a composição corporal parece não interferir na flexibilidade das meninas, divergindo do presente estudo, onde observa-se que os grupos que obtiveram um maior percentual de gordura (G1 e G2 de membros inferiores e G3 e G4 de membros superiores), foram os que obtiveram também um menor índice de flexibilidade. Nos achados de Romansini e Lopes (2005), foram avaliados 83 escolares de ambos os sexos na faixa etária de 7 a 12 anos, e verificou-se que a média do percentual de gordura em todas as 83 Pesquisa e Extensão: Unipê idades foi classificada como ótima, apresentando valores entre 16,0% e 21,9%. Diferente do presente estudo, em que todos os grupos apresentaram valores acima de 23,81%. No estudo de Minatto et al. (2010), foram avaliadas 2604 escolares do sexo feminino, de 8 a 17 anos, da cidade de Cascavel/PR, e foi verificado que meninas de 9 anos de idade apresentaram uma média de massa corporal de 31,7kg, divergindo do presente estudo, onde as crianças com a mediana de idade de 9 anos apresentaram valores medianos de massa corporal de 43,7kg. CONCLUSÃO Conclui-se então que a maioria das crianças que obtiveram melhores resultados nos testes neuromotores (força, agilidade e flexibilidade) eram as mais novas, e que todos os grupos apresentaram um alto percentual de gordura. A partir destas conclusões sugere-se que sejam realizados novos estudos, para que se possa verificar o comportamento dessas variáveis em estudos longitudinais, e que também seja verificada a influência da maturação biológica nas variáveis investigadas. Sugere-se ainda que sejam realizados estudos comparativos entre o sexo feminino e o sexo masculino e estudos de correlação entre as variáveis. REFERÊNCIAS BORDIGNON, OSMAR & OLIVOTO, ROBSON. Diagnóstico do nível de aptidão física em crianças escolares de ambos os sexos com idade cronológica entre 8 e 10 anos. Revista Digital Buenos Aires, Ano 10, Nº 77, Outubro de 2004. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd77/ criancas.htm>. Acesso em 21 /05/2015 às 14h. COLEDAM DHC, et al. Relação dos saltos vertical, horizontal e sêxtuplo com a agilidade e velocidade em crianças. Rev Bras Educ Fís Esporte. São Paulo. Jan-Mar de 2013. 27(1), p. 43-53 CONTE, MARCELO; GONÇALVES, AGUINALDO; ARAGON, FLÁVIO FERRARI; PADOVANI, CARLOS ROBERTO. 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São Paulo: Manole, 1999. 85 Pesquisa e Extensão: Unipê RELATO DE EXPERIÊNCIA PREVENÇÃO DE FATORES DE RISCOS DE DOENÇAS CARDIOVASCULARES VIVÊNCIA DE CALOUROS NUMA AÇÃO SOCIAL Veruschka Ramalho Araruna1, Gisele Barros Soares2, Andrea Carla Brandão da Costa Santos3, Fernanda Alves Dionísio4 , Eva Laressa Cavalcante L. Santos5, Eduardo Henrique Dias Araújo6, Chiara Svendsen7, Nadiedja Fátima das Chagas Costa8 RESUMO A fundação Bradesco localizada no bairro do Valentina, realiza anualmente o dia do voluntariado que trata-se de uma ação social destinada a prestar assistência aos usuários e seus familiares além da população circunvizinha. Neste dia, diversas entidades se voluntariam para auxiliar a Fundação Bradesco a desenvolver um momento de integração, educação e promoção da saúde desta população. Neste contexto o UNIPÊ esteve presente com representantes de cursos da saúde, e o curso de fisioterapia teve a oportunidade de levar alguns alunos ingressantes do primeiro período através do Projeto de Reabilitação Cardiovascular Metabólica e Pulmonar. A experiência, neste evento foi à porta de entrada para que acontecesse o primeiro contato com a sociedade, como estudantes promotores de saúde, mesmo sendo principiantes do curso, mas com a oportunidade de compartilhar e receber informações, conhecimentos e trocar experiências com outros acadêmicos e profissionais. A ação social realizada teve como objetivo avaliar os fatores de risco do publico local em desenvolver doenças cardiovasculares, informando e alertando a cada pessoa, os possíveis riscos de patologias que poderiam ser prevenidas. O resultado final foi de grande significância a presença de calouros em ação social mesmo estando no primeiro período, pois auxilia na construção de uma atuação mais humanista, e de um pensamento mais consciente e cuidadoso com a saúde, motivando-os, através deste, a desenvolver mais a experiência nessa área e seguir 1 Mestrado em andamento em Maestria en Fisioterapia, [email protected] 2 Mestrado em Ciências da Educação, [email protected] 3 Doutorado em Saúde Materno Infantil, [email protected] 4 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 5 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 6 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 7 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 8 Graduação em Fisioterapia, [email protected] Recebido: 5/10/2015 Aceito: 26/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de fisioterapia , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 86 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO Ao passar do tempo, a mortalidade por doenças cardiovasculares (DCV), vem crescendo nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a previsão é que em 2020 as doenças cardiovasculares, continuem sendo a causa de maior número de mortos e incapacitados, e isto é devido ao estilo de vida em que a população atual se encontra. Estudos mostram que esses hábitos de vida quando não são saudáveis são considerados fatores de risco de desenvolver as doenças relacionadas ao sistema cardiovascular, e quanto mais fatores cardiovascular o indivíduo tiver, maior será a chance de adquirir essas doenças, e, evidenciam também, que a alteração destes fatores, os considerados modificáveis, podem evitar o surgimento e a progressão dessas doenças. (GAMA; MUSSI; GUIMARÕES, 2010) No Brasil, doenças cardiovasculares além de representar uma importante causa de mortalidade, também é responsável por elevados custos, como os decorrentes a hospitalização e aposentadorias. Nas diversas regiões, observam-se diferentes culturas e condições socioeconômicas, que criam hábitos inadequados de vida, ou seja, pouco saudável e podem favorecer, diretamente, as DCV. Dessa forma, quanto maior forem a incidência de fatores de riscos na população, mais elevada será a frequência em que a doença aparecerá.( MATOS; LADEIA, 2012). Se no Brasil as estatísticas mostram que as doenças cardiovasculares representam a principal causa de óbito, na Paraíba esse número de óbitos superam a referência nacional (SAÚDE BRASIL, 2007)em que pesam a forte presença dos fatores de risco evitáveis nesta população. Eyken et al. (2009) afirma que mais de 80% dos casos de morte por doenças cardiovasculares estejam associados a fatores de risco já conhecidos, podendo ser classificados em não modificáveis, quando está relacionado a fatores genéticos como o sexo e a idade, enquanto que os modificáveis são os que podem ser controlados e revertidos se obtiver o necessário cuidado com a saúde, pois estão associadas à má alimentação, consumo excessivo de álcool, tabagismo e sedentarismo. Portanto, nota-se que é imprescindível que a população tenha o conhecimento dos riscos que podem ocasionar as doenças cardiovasculares, e que são relacionadas a um conjunto de características individuais, que aumentam a chance do individuo vir a desenvolver a doença. O conhecimento desses fatores é de grande importância para a realização de estratégias de prevenção. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA A fundação Bradesco, localizada no bairro do Valentina, realiza anualmente o dia do voluntariado que se trata de uma ação social destinada a prestar assistência aos usuários e seus familiares além da população circunvizinha. Neste contexto o UNIPÊ esteve presente com representantes dos cursos da saúde, e o curso de fisioterapia levou alguns alunos ingressantes do primeiro período através do Projeto de Reabilitação Cardiovascular Metabólica e Pulmonar. O projeto sempre está contribuindo com a redução dos índices de morbimortalidade em que se encontra nossa região que geram uma baixa qualidade de vida com incapacidade física, social, psicológica e laborativa dessa população, que precisa ser mais bem esclarecida através de programas de promoção da saúde com prevenção de fatores de risco. A ação social teve como objetivo analisar os fatores de risco para a obtenção de doenças cardiovasculares, como a idade, o sexo, alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo, pressão alta e estresse. Foi aplicada uma ficha de avaliação, baseada no estudo de escore de Framingham, com a construção de novos trabalhos científicos, cujo tema seja prevenção de fatores de risco cardiovascular no decorrer da graduação. Palavras-chave: Fisioterapia. Doenças cardiovasculares. Fatores de risco 87 Pesquisa e Extensão: Unipê onde se coletou dados como: nome, idade, sexo, antecedentes familiares, exame físico (peso, altura, pressão arterial, circunferência da cintura, circunferência do quadril), e hábitos de vida, como: tabagismo, alcoolismo, e padrão de atividade física. A avaliação da idade era considerada fator de risco em homens maiores de 45 anos, e mulheres acima de 55 anos, pois as situações mais comuns de eventos cardiovasculares ocorrem em pessoas com essa idade, sendo orientado a realizar exames periódicos. Além da idade, o sexo foi avaliado por ser um fator de risco cardíaco que predomina, principalmente, nos homens. Os antecedentes familiares surgem como risco apenas em indivíduos com parentes de 1º grau com DCV precoce e se estes apresentarem idade inferior a 55 anos, e consanguinidade de 1º grau com cardiopatas, devendo ser alertados e orientados quanto ao desenvolvimento de risco cardíaco. No exame físico foi avaliado o peso e a altura, e calculado o índice de massa corporal identificando pela classificação de obesidade quem era considerado de risco para o desenvolvimento de problemas cardíacos, pois a obesidade é um forte fator para o desenvolvimento das DCV, segundo a conclusão do Framinghan Heart Study, que mostrou que a obesidade é um fator independente para a ocorrência de DCV, principalmente em indivíduos abaixo de 60, mesmo na ausência de outros fatores de risco. A pressão arterial foi verificada para determinar a presença de alteração nos níveis pressóricos, pois se os indivíduos mantiverem a pressão elevada, pode provocar uma sobrecarga no coração que realiza um trabalho maior, e ocasiona uma hipertrofia no miocárdio, que com o passar do tempo se dilata gerando insuficiência, e aumentando o risco de eventos cardíacos. A hipertensão arterial é considerada como uma das principais doenças causadoras de cardiopatias, e os indivíduos que possuíam valores acima de 140/90mmhg eram orientados a procurar assistência médica para o seu controle, pois esses valores já são determinantes de quadros hipertensivos. Também foi realizado a relação cintura e quadril, realizada através da avaliação da perimetria da cintura e do quadril, e em seguida feito a divisão do valor da circunferência da cintura, pelo valor da circunferência do quadril, e depois de obtido o resulto observou-se na tabela padrão de referência os valores de acordo com o sexo e idade, para analisar se o individuo possuía um baixo, moderado, alto ou muito alto, risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Na ficha de avaliação utilizada, perguntava se o individuo fumava, bebia e como era o seu padrão de atividade física. O fumo eleva o risco de doenças cardiovasculares, pois a nicotina eleva a pressão sanguínea e o monóxido de carbono reduz a quantidade de oxigênio que o sangue pode transportar. O consumo excessivo de álcool ocasiona elevação na pressão sanguínea, e elevação no nível de triglicérides, que contribui para arteriosclerose outra comorbidade cardiovascular. A falta de atividade física ou sua prática insuficiente caracteriza o sedentarismo no individuo, que pode ter impacto em outros fatores de risco, como obesidade, pressão alta, triglicérides altos, baixos níveis do colesterol HDL, e diabetes e sendo orientados a todos os participantes da importância do seu beneficio. Por fim, foi conversado individualmente com os participantes da ação, onde foi exposto o motivo de cada informação recolhida na avaliação, ficando mais fácil de alertar os possíveis riscos dessas doenças e, que poderiam ser evitadas, ocorrendo um compartilhamento de informações, ou seja, uma troca de experiências entre acadêmicos e profissionais da área de saúde, junto com a população envolvendo diversos assuntos, tendo como principal enfoque a prevenção de doenças e a promoção da saúde. 88 Pesquisa e Extensão: Unipê IMPACTOS Saber quais são os fatores de risco de cada individuo, é o primeiro passo para obter controle da saúde do coração. Há vários fatores de risco para doença do coração e todos necessitam de atenção, quanto mais fatores de risco tiver presente, maiores serão as chances de afetar negativamente a saúde do sistema cardiovascular. Para uma prevenção adequada das doenças cardiovasculares, é necessário uma boa estratificação do risco, e real controle dos fatores predisponentes. Várias diretrizes foram publicadas na tentativa de se prevenir DCV, e conscientizar a população importância que se controle a pressão arterial, o excesso de peso, por intermédio de alimentação adequada, a pratica de exercício físico, também têm papel de extrema importância, além dos outros hábitos inadequados que devem ser corrigidos como o tabagismo e etilismo. As pessoas que participaram da ação social tiveram a oportunidade de compreender melhor as doenças cardiovasculares, e os riscos que podem acarretá-las ou agravá-las. Dessa forma, houve a conscientização da prevenção de DCV, absorvendo não apenas a população submetida a avaliação, mas também a todos os profissionais e alunos presentes. CONSIDERAÇÕES FINAIS É de extrema importância a consciência de que não é o coração que mata, e sim alguns hábitos praticados no dia-a-dia que maltratam a saúde, e sobrecarregam esse órgão bastante nobre. Foi de grande significância a presença de calouros em ação social mesmo estando no primeiro período, pois auxilia na construção de uma atuação mais humanista, e de um pensamento mais consciente e cuidadoso com a saúde, motivando – os , através deste, a desenvolver mais a experiência nessa área e seguir com a construção de novos trabalhos científicos, cujo tema seja prevenção de fatores de risco cardiovascular no decorrer da graduação. REFERÊNCIAS CHAVAGLIA, A. F; SILVA, C.A. ANÁLISE DOS FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR NA HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA, 2010. Universidade da Amazônia-UNAMA. Belém – PA. Disponível em: http://www.unama.br/graduacao/fisioterapia/pdf/2010.2/ANALISE-FATORESRISCO-CARDIOVASCULAR-HIPERTENSAO.pdf. Acesso em: 25/09/2015 EYKEN, E.B.B.D.V; MORAES, C.L. Prevalência de fatores de risco para doenças cardiovasculares entre homens de uma população urbana do Sudeste do Brasil. Caderneta de Saúde Publica. Rio de Janeiro, v.25, n.1, p.111-123, 2010 GAMA, G.G.G; MUSSIL, F.C; GUIMARÃES, A.C. REVISANDO OS FATORES DE RISCO CARDIOVASCULAR, 2010. Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v18n4/v18n4a25.pdf. Acesso em: 25/09/2015 LOTUFO, P.A. O escore de risco de Framingham para doenças cardiovasculares. Revista Médica. São Paulo, v.87, n.4, p.232-237, 2008 MATOS, A.C; LADEIA, A.M. Avaliação de Fatores de Risco Cardiovascular em uma Comunidade Rural da Bahia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Salvador, v.81, n.3, p.291-296, 2003 89 Pesquisa e Extensão: Unipê RELATO DE EXPERIÊNCIA PROJETO DE EXTENSÃO NA REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR, METABÓLICA E PULMONAR: RELATO DA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA Veruschka Ramalho Araruna1, Gisele Barros Soares2, Andrea Carla Brandão da Costa Santos3, Rayane Larissa Carneiro Batista4 , Emília Macedo de Melo5, Paula Cynthia Santos da Silva6, Davi Montenegro7, Camila Nepomuceno Norat8 RESUMO A Reabilitação Cardiovascular, Metabólica e Pulmonar objetiva oferecer um serviço preventivo e terapêutico especializado à comunidade, integrando à extensão ao ensino e a pesquisa. Participam 3 docentes e 10 alunos de Fisioterapia. É desenvolvolvida a reabilitação nas fases 2 e 3, com atendimento supervisionado usando recursos como estepe, cama elástica, esteira, bicicleta, bastões, bolas, caneleiras, halteres, e equipamentos de musculação. Complementando o programa estão as atividades preventivas e educacionais, associadas aos programas de políticas públicas de saúde. No decorrer do programa, são realizadas avaliações e atendimento a voluntários, com idade de 38 a 61 anos, portadores de pneumopatias e cardiopatias. O projeto teve participação em eventos científicos de destaque como a Jornada de Fisioterapia do UNIPÊ com apresentação do trabalho Avaliação do Pico de Fluxo Expiratório de Funcionários Tabagistas Passivos e não Tabagistas em uma Instituição Pública, 2º Congresso Nordestino de Extensão Universitária (2º CNEU) com apresentação do trabalho Projeto de Extensão na Reabilitação Cardiovascular Metabólica e Pulmonar, II Congresso Científico de Fisioterapia da UFPB (II CONCIF) com apresentação do trabalho Avaliação da Função Respiratória de Funcionários Tabagistas Passivos de uma Instituição Pública, Encontro de extensão do Unipê com apresentação do trabalho Projeto de Reabilitação Cardiovascular Metabólica e Pulmonar. Pretende-se contribuir 1 Mestrado em andamento em Maestria en Fisioterapia, [email protected] 2 Mestrado em Ciências da Educação, [email protected] 3 Doutorado em Saúde Materno Infantil, [email protected] 4 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 5 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 6 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 7 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 8 Graduação em Fisioterapia, [email protected] Recebido: 08/10/2015 Aceito: 26/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de fisioterapia , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 96 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO As mãos são meios de contato com o mundo exterior. São diversas as possibilidades de preensões-ações e de adaptações às distintas situações de utilização funcional, o que nos fornece singularidade, individualidade. As mãos são tão importantes que nosso cérebro reservou 1/3 de seu córtex para comandar suas funções, denotando complexidade, podendo até mesmo serem utilizadas como parâmetro para investigar habilidades individuais nos esportes, de acordo com a dominância e a força de preensão manual (OLIVEIRA et al., 2013). Segundo dados apontados pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), durante o ano de 2013 foram registrados aproximadamente 717.911 mil acidentes de trabalho. Os acidentes com maior incidência foram os ferimentos do punho e da mão (9,59%), fraturas ao nível do punho ou da mão (6,91%) e traumatismos superficiais do punho e da mão (4,84%). Dentre os acidentes de motivo típico incidiram majoritariamente as lesões de dedo (29,93%) e mão (8,60%), com exceção do punho ou mais de um dedo. Contudo, estes números podem ser maiores, pois muitos casos não são documentados, devido à informalidade do ofício ou até mesmo pela omissão das empresas (MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 2015). Lesões nas mãos podem gerar sequelas que interferem diretamente na funcionalidade do indivíduo, comprometendo sua capacidade laboral e suas atividades de vida diária, gerando afastamento do trabalho, onerando a saúde para o Estado e prejudicando a qualidade de vida do lesionado e da família na qual ele se insere (PARDINI JR, 2015). Devido ao grande número de lesões que acometem as mãos e também a sua importância e utilização, a necessidade de reabilitar esse segmento, faz com que a procura pelos serviços fisioterapêuticos para tratar acometimentos traumáticos e prevenir distúrbios musculoesqueléticos específicos da mão e punho, sejam extremamente procurados, sendo o objetivo principal no âmbito da Terapia da Mão restaurar a mobilidade funcional ativa. Resultados alheios a essa meta comprometem as atividades de vida diária do paciente e o levam a buscar mecanismos compensatórios (NORONHA, 2011). Compreender como se procede a fisioterapia especializada, respeitando especificidades faz com que muitos alunos de fisioterapia busquem complementação de conhecimento e prática nos projetos de pesquisa e extensão, ofertados pelas Instituições de Ensino Superior, pautadas na norma do artigo 207 da Constituição Federal de 1988 e no Plano Nacional de Educação (PNE, Lei 10.172, de 09 de janeiro de 2001). No contexto educacional, a indissociação do Ensino, Pesquisa e Extensão proporciona aos discentes novas possibilidades. Neste contexto pode-se nas quais os quatro pilares da educação estarão firmemente estabelecidos, sendo eles: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver juntos (SCHERER; SCHERER, 2012). Os quatro pilares citados são fundamentos educacionais descritos no relatório em formato de livro para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors. “Aprender a conhecer ou a aprender” corresponde às competências desenvolvidas para a compreensão; “aprender a fazer” permite ao indivíduo poder atuar sobre o meio; “aprender a conviver ou a viver juntos” implica na participação e cooperação com os outros em todas as atuações humanas; e “aprender a ser” corresponde à compreensão holística do homem (LOPES, 2012; DELOR’S J; 2001). Para desenvolvimento destes princípios educacionais declarados pela UNESCO, necessitase desenvolver habilidades cognitivas e não-cognitivas (como a autoconfiança, amabilidade, extroversão e autocontrole), que caracterizariam a personalidade do indivíduo. Estas habilidades são autorreforçáveis, ou seja, as habilidades não-cognitivas alcançadas em um estágio influenciam as atingidas em estágios subsequentes (URANGA, 2014). Para caracterização da personalidade chegou-se ao modelo dos Cinco Grandes Fatores (Big Five), teorizado pela primeira vez por Gordon Allport e colaboradores, em meados dos anos 30, em um conjunto de pesquisas sobre personalidade. Fazem parte deste conjunto a abertura a novas experiências, o neuroticismo, a amabilidade, a extroversão e conscienciosidade. 97 Pesquisa e Extensão: Unipê Cada Habilidade não-cognitiva pertencente ao Big Five possui domínios, sendo eles (PORVIR, 2015): • Abertura a novas experiências: tendência a ser aberto a novas experiências estéticas, culturais e intelectuais, sendo o indivíduo imaginativo, artístico, excitável, curioso, não convencional e com amplos interesses. • Consciência: tendência a ser organizado, esforçado e responsável. Este atributo caracteriza o indivíduo como eficiente, organizado, autônomo, disciplinado, não impulsivo e orientado para seus objetivos. • Extroversão: direcionamento de interesses e energia em direção ao mundo externo e pessoas e coisas (ao invés da introspecção e da experiência subjetiva). Este caracteriza-se como amigável, sociável, autoconfiante, energético, aventureiro e entusiasmado. • Amabilidade: impulsionamento em agir de modo cooperativo e não egoísta. Pessoa com este traço de personalidade se caracteriza como tolerante, altruísta, modesto, simpático, não teimoso e objetivo. • Estabilidade Emocional: previsibilidade e consistência de reações emocionais, sem mudanças abruptas de humor. De forma inversa, o indivíduo emocionalmente instável é caracterizado como preocupado, irritadiço, introspectivo, impulsivo, e não-autoconfiante. Levando em consideração o grande número de acometimentos e lesões das mãos e a importância de se conceber desde cedo um protocolo de reestabelecimento funcional que tem como prioridade minimizar e/ou abolir os danos causados, por iniciativa docente foi aceito em 2009 o Projeto de extensão Terapia de Mão, funcionando na Clínica Escola de Fisioterapia do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. Com ele surgiu e se aprimorou uma forma alternativa de prática, onde os discentes desenvolvem habilidades cognitivas e não-cognitivas de maneira espontânea, agradável e intencional. Este relato de experiência tem o intuito de fornecer ao leitor um modelo de atuação em Projetos de Extensão, demonstrando que é possível estimular as habilidades socioemocionais de forma a potencializar as habilidades técnicas a priori almejadas. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA O projeto de extensão Terapia de Mão, iniciado em março de 2009, surgiu da iniciativa da docente Simone Gomes Torquato, Mestre em Fisioterapia, Especializada em Fisioterapia ortopédica e traumatológica, pela necessidade de criar um campo de atuação no Unipê que atendesse à comunidade carente e aos alunos que desejassem se aprofundar na Reabilitação da Mão. Esse consiste em um complemento acadêmico que proporciona aos discentes um ambiente pedagógico propício ao desenvolvimento de habilidades cognitivas e não-cognitivas, a partir de experiências práticas, contempladas de forma agradável e direcionada à formação discente. O projeto de extensão envolve alunos a partir do 2º período do curso de fisioterapia do UNIPÊ, desde que estejam regularmente matriculados, iniciando-os precocemente na clínica-escola desde os primeiros períodos, como observadores e, posteriormente, a partir do quarto período, como extensionistas. No projeto, o foco principal é a aprendizagem teórica, prática e a experiência de lidar com o paciente e com a equipe sobre Terapia de Mão, não havendo preocupação com avaliações formais. As atividades foram organizadas de forma a estimular as habilidades cognitivas, através do conhecimento técnico, da tutoria prático-demonstrativa, da leitura científica, do estudo de casos clínicos. Além destas, as habilidades não-cognitivas foram fomentadas pela dinâmica de atendimentos a partir do Big Five. O comprometimento com o projeto e o envolvimento emocional os motiva para contribuir com a formatação do projeto, tendo sido sugerido por eles as duas logomarcas para o Projeto (figura 01). 98 Pesquisa e Extensão: Unipê Figura 01Logomarcas propostas pelos alunos, estando em uso atualmente a segunda Com a finalidade de promover o desenvolvimento técnico foram realizados treinamentos iniciais abarcando as regras do Projeto, sua rotina diária, as características específicas do atendimento especializado em Mão e dos métodos e técnicas de avaliação física e da função manual. Os atendimentos ocorrem em mesas localizadas aos pares nos boxes da clínica-escola e quando não há espaço, em camas postas em boxes isolados. A disposição das mesas facilita a rede de colaboração entre os alunos, que compartilham conhecimentos. A coordenadora do projeto permanece ao lado dos alunos, demonstrando técnicas, corrigindo vícios de execução, explicando conceitos sobre as afecções e métodos de tratamento, atendendo pacientes e direcionando as atividades como, por exemplo, a orientação de alunos com menos experiência pelos próprios colegas, que já possuem mais conhecimentos específicos ou que já estão a mais de um semestre no Projeto. A população beneficiada foi composta por todos os indivíduos com limitações manuais, residentes na cidade de João Pessoa ou municípios adjacentes, sendo priorizados aqueles assistidos pelo Sistema Único de Saúde – SUS. As lesões abrangidas são reumatológicas, ortopédicas ou traumatológicas, das mãos ou de qualquer parte do membro superior que venha a influenciar a função manual. Os pacientes podem ser atendidos por qualquer aluno, de forma a permitir que todos os extensionistas conheçam vários casos clínicos. Esta dinâmica de atendimento exige de forma indireta a atualização científica e técnica, proporcionado uma observação mais proveitosa, com maior entendimento. Com isso, ocorrem questionamentos baseados na observação crítica e o desenvolvimento da capacidade de interpretar diariamente os sinais clínicos do paciente. Ocorre ainda o estímulo à busca autônoma do conhecimento, através da pesquisa e da leitura. Neste processo, os alunos observadores se beneficiam de forma diferenciada, por estarem tendo sua primeira experiência com o atendimento direto aos pacientes. Após receberem informações suficientes para manipular equipamentos, realizar algumas terapias manuais e evoluir prontuários, passam da avaliação fisioterapêutica e do planejamento de conduta ao atendimento direto, com execução de condutas simples nos atendimentos em dupla com extensionistas mais experientes, supervisionadas pela professora. Esta rotina valoriza-se na capacidade de motivar alunos iniciantes no curso, oportunizando a experiência prática, para a maioria possível apenas a partir do 4º período. As habilidades socioemocionais são estimuladas de diversas formas. A abertura a novas experiências é aguçada em todas as sessões de atendimento pela imprevisibilidade quanto ao paciente a quem se vai prestar assistência. Os alunos são desafiados a buscar recurso ou técnicas que possam melhorar o tratamento e potencializar resultados. Esta rotina gera experiências mais abrangentes e amplia as possibilidades de vínculo paciente/aluno. O projeto prima pela harmonia de convivência, pelo coleguismo, pela amizade e respeito com a equipe e com os pacientes. Com isso, a estabilidade emocional e a amabilidade são desenvolvidas, respeitando-se as diferenças e relacionando-se pacificamente, quando a amizade não for possível. Todas as responsabilidades são compartilhadas. Prontuários podem ser preenchidos por qualquer aluno extensionista, incluindo os observadores, fomentando, com isso, a proatividade (figura 02). 99 Pesquisa e Extensão: Unipê Figura 02 – Seleção de imagens dos atendimentos O ambiente harmonioso predispõe o bom humor, o entusiasmo e a curiosidade, alimentando a extroversão e minimizando dificuldades de comunicação. Os pacientes são envolvidos por esse ambiente e passam pelo tratamento com maior leveza, desviando o foco da doença para a saúde. Os pacientes desenvolvem vínculo emocional com todos os extensionistas e observadores, auxiliando os mesmos a desenvolver habilidades técnicas, através do direcionamento do toque, do manuseio de forma a se aproximarem ao máximo do padrão demonstrado pela professora. Apesar de algumas limitações, como espaço físico e insuficiência de equipamentos, o projeto tem acolhido muitos alunos, sendo uma das extensões mais procuradas do curso. Na seleção 2015.2 se inscreveram para concorrer a 3 vagas 25 alunos do 2º ao 5º período de Fisioterapia. Ademais, a maioria dos ingressantes optaram por permanecer no projeto por mais de 1 semestre. RESULTADOS E IMPACTOS A formação de profissionais da fisioterapia requer um ensino de qualidade, que lhe confira competências na realização de atividades assistenciais dentro do seu âmbito de atuação, quais sejam prevenir, promover, tratar e reabilitar qualquer alteração funcional relacionada ao movimento humano. Na formação acadêmica, os alunos têm a oportunidade de desenvolver atividades teóricas, práticas e de estágio na Clínica Escola do UNIPÊ, dentro dos projetos oferecidos pela Instituição. Nesse contexto, o desenvolvimento de atividades de extensão no Projeto Terapia de Mão possibilita o contato direto do estudante com o paciente, conferindo uma oportunidade singular de aplicar os conhecimentos teóricos, bem como de contribuir no desenvolvimento do tratamento de cada paciente assistido pelo projeto. Nestes seis anos de atuação foram preenchidas aproximadamente 87 vagas para alunos, beneficiando mais de 117 pacientes. As vivências no Projeto de extensão Terapia de Mão influenciaram na formação acadêmica dos alunos que ingressaram antes das práticas-assistidas curriculares, por adiantar conhecimentos e desenvolver segurança e autonomia na assistência, enquanto que para os alunos que estavam cursando as unidades curriculares com prática na Clínica-escola o projeto representou a chance de aprender e aperfeiçoar métodos e técnicas, sanado dúvidas e corrigindo vícios. 100 Pesquisa e Extensão: Unipê Os discentes informaram que o projeto os auxiliava inclusive de forma transversal, nas outras unidades curriculares cursadas no mesmo período de Terapia de Mão, facilitando o aprendizado de outros conteúdos por fornecer âncoras de conhecimento e vivência prática. A vivência no Projeto Terapia de Mão possibilitou, através da contribuição desse processo prático de aprendizagem, observar que a ação do discente vai além dos saberes teóricos e práticos, perpassa pelo âmbito do compartilhar esses conhecimentos com os colegas, de reconhecer fragilidades, de estabelecer um compromisso com a sociedade, de desenvolver potencialidades, de enfrentar suas limitações, de saber que não se sabe tudo, mas que juntos, discentes e docentes, podem ir além do que foi aprendido em sala de aula. A motivação e a identificação pessoal pelo projeto fizeram com que algumas alunas realizassem seus trabalhos de conclusão de curso neste contexto, além de propiciar temas para apresentações em congressos e simpósios científicos. Outro fator importante aprendido com as experiências do dia-a-dia nos atendimentos foi que a compreensão dos aspectos envolvidos no adoecimento é fundamental para a efetiva promoção da saúde, pois o paciente passa a ser considerado em sua integridade física, psíquica e social, e não somente de um ponto de vista biológico e funcional. Nesse contexto, observa-se que a habilidade de escutar o paciente é de grande importância na relação terapêutica estabelecida, além de favorecer a criação de um vínculo em que o paciente tem a permissão de expressar-se e ambos, dessa forma, têm a possibilidade de participar efetivamente do processo de cura. Segundo os próprios extensionista, “Através desse vínculo o paciente pode se sentir aceito, compreendido, amado e cuidado, e essa ligação de confiança, de empatia, de afeto e de todos os fatores citados concorrem para o sucesso do tratamento e da reabilitação. O relacionamento que aprendemos a ter com os pacientes, enquanto estudantes nas práticas de fisioterapia é fundamental para o sucesso da reabilitação, além de ser peça-chave no processo de adesão. A prática possibilita a aprendizagem dessa relação que se constrói entre profissional e paciente e que deve ser permeada por respeito, carinho, empatia, atenção e capacidade de escuta do outro.” Nesse panorama, o desenvolvimento do relacionamento entre o estudante de fisioterapia e paciente apresenta-se como algo natural e muito provável de acontecer, tendo em vista que o tratamento oferecido no projeto Terapia de mão apresenta fatores favoráveis ao surgimento de um relacionamento interpessoal, tais como: longo período de convivência, estímulos táteis prolongados e comunicação verbal em boa parte do atendimento fisioterapêutico. CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática oferecida pelo projeto de extensão Terapia de Mão facilitou o amadurecimento dos estudantes quanto às diversas situações que são inerentes a profissão do fisioterapeuta. Cuidar integralmente de um indivíduo significa percebê-lo como um ser social, físico e emocional, que carrega consigo todos os medos, angústias e frustrações por estar com alguma perda funcional naquele momento. Portanto, além da competência técnica, o estudante aprende que ser um bom profissional remete à capacidade de saber relacionar-se com o paciente e com a equipe de cuidados, oferecendo atenção individualizada, avaliando e cuidando daquele que o procura de uma forma integrada, considerando tanto os aspectos físicos como emocionais. Para que essa visão se desenvolva, o discente necessita adquirir características de personalidade que também favoreçam os quatro pilares da educação. Por esse motivo direcionar a rotina prática de projetos de extensão para o estímulo intencional das habilidades não-cognitivas só acrescenta valor ao indivíduo, contribuindo para sua formação técnica e socioemocional. 101 Pesquisa e Extensão: Unipê REFERÊNCIAS BRASIL – Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de dezembro de 1988. BRASIL - Plano Nacional de Educação (PNE) – Lei 10.172, de 09 de janeiro de 2001. BRASIL. Ministério da Previdência Social. Anuário Estatístico da Previdência Social de 2013. Seção IV – Acidentes de Trabalho. Disponível em: http://goo.gl/iRcCMB. Acesso em: 22 set. 2015DELORS, Jacques (org.). Educação um tesouro a descobrir. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2012. FERNANDES, Luciane Fernanda Rodrigues Martinho et al. Correlações entre força de preensão manual e variáveis antropométricas da mão de jovens adultos . Fisioterapia e Pesquisa, [S.l.], v. 18, n. 2, p. 151-156 , jun. 2011. LOPES, Maria do Socorro Nóbrega. Análise da prática pedagógica do Professor de Ensino Superior , 2012. 87 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Instituto de Educação, Lisboa, 2012 NORONHA, T.T. A Intervenção da Fisioterapia nas Lesões Traumáticas de Punho e Mão: Relato de caso. Revista Científica do Unisalesiano - Lins, São Paulo, ano 2, n. 4, p. 229-238, 2011. OLIVEIRA, T. et al. Estudo retrospectivo dos acidentes traumáticos da mão relacionados ao trabalho. Caderno de Terapia Ocupacional UFSCar, São Paulo, v. 21, n. 2, p. 339-349, 2013. PARDINI JÚNIOR, A.G. Traumatismos da mão. 3 ed. Rio de Janeiro: Medsi; 2015. PORVIR. Competências socioemocionais. Disponível em http://porvir.org/especiais/ socioemocionais/. Acesso em 09 jul 2016. SCHERER, Zeyne Alves Pires; SCHERER, Edson Arthur. Identificação dos pilares da educação na disciplina integralidade no cuidado à saúde. Revista da Escola de Enfermagem da USP, Brasil, v. 46, n. 4, p. 985-993, ago. 2012. SILVA, Izabella Brito; NAKANO, Tatiana de Cássia. Modelo dos cinco grandes fatores da personalidade: análise de pesquisas. Avaliação psicológica, v. 10, n. 1, p. 51-62, 2011. SILVA, S. Evolução fisiológica da sensibilidade e da força da mão com o envelhecimento. 2013. 158 f.. Tese (Doutorado em Ciências) – Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013. URANGA, Paulo Ricardo Ricco. A defasagem do desenvolvimento das habilidades socioemocionais na educação do Brasil.[S.L.]: 2014. 102 Pesquisa e Extensão: Unipê RELATO DE EXPERIÊNCIA GRUPO DE APOIO AOS PAIS E CUIDADORES DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS – GAPCCE Meryeli Santos de Araújo Dantas1, Carla Patrícia Novaes dos Santos Fechine2, Neusa Collet3, Barbara Ribeiro Bandeira4, Camila Duarte de Almeida5, Maria Arcilene Pires de Oliveira Jaquerod6 , Marcia Maria Dantas Gomes7 RESUMO O Grupo de Apoio aos Pais e Cuidadores de Crianças com Necessidades Especiais é um projeto de extensão que teve início em março de 2009 a partir das queixas de algias dos pais e cuidadores, assim como, mediante a convivência diária com os docentes e discentes durantes os atendimentos na unidade curricular Fisioterapia na saúde da criança e do adolescente. Foi observada a necessidade de um trabalho também voltado para esse público pela necessidade de oferecer um apoio e direcionamento a cerca de suas dificuldades vivenciais. Portanto, enquanto as crianças estão em atendimentos os pais e/ou cuidadores estão participando do grupo. Metodologia: As atividades são realizadas em grupo na Clínica Escola de Fisioterapia do UNIPÊ, uma vez por semana. É proposto aos participantes dinâmicas reflexivas, rodas de conversa, exercícios cinesioterapêuticos, técnicas de relaxamento, massoterapia, sempre respeitando as necessidades e as colocações do grupo. Resultados: A partir dos relatos apresentados ressalta-se a satisfação dos participantes com as atividades, além da troca de experiências ajudando no enfrentamento das dificuldades do diaa-dia, refletindo em uma melhor qualidade de vida.Conclusão: Diante da experiência tivemos a oportunidade de vivenciar através dos relatos dos participantes a rotina diária, dúvidas, medos, desabafos e a coragem com que esses pais enfrentam a realidade, o preconceito da sociedade e lutam pelo desenvolvimento de suas crianças mesmo diante das adversidades e limitações. Palavras-chave: Cuidador. Qualidade de vida. Saúde da criança. 1 Doutorado em Programa de pos graduaçao em enfermagem e saúde , [email protected] 2 Mestrado em Programa de Pós Graduação Em Ciências da Nutrição , [email protected] 3 Doutorado em Enfermagem, [email protected] 4 Graduação em andamento em Fisioterapia, [email protected] 5 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 6 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 7 Graduação em Fisioterapia, [email protected] Recebido: 08/10/2015 Aceito: 15/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de fisioterapia , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 103 Pesquisa e Extensão: Unipê CONTEXTUALIZAÇÃO: Atualmente a prevalência de indivíduos portadores de deficiência vem aumentando. Atribuise esse aumento à violência urbana, aos acidentes de trânsito, que atingem, principalmente, crianças, adolescentes e adultos jovens. Também contribui para o aumento da incidência de portadores de deficiência, o crescente desenvolvimento tecnológico, principalmente no tocante à evolução da assistência neonatal, que têm levado, cada vez mais, à sobrevivência de portadores de síndromes e patologias genéticas, recém-nascidos prematuros e de muito baixo peso, que poderiam vir a desenvolver algum tipo de deficiência (EFFGEN, 2007). O nascimento de uma criança é um momento único na vida de um casal onde são criadas grandes expectativas em torno de um filho que foi idealizado durante meses. Desde o início da gravidez os pais fantasiam sobre o sexo do bebê, aparência física, o desempenho no decorrer da vida e futuro profissional (FIAMENGHI,2007). Estas famílias têm a expectativa do nascimento de um filho sadio e ao se deparar com o diagnóstico de uma deficiência, sentem o impacto desta notícia, e para enfrentar esta nova realidade são percorridas várias fases como o luto, o choque, a rejeição, a aceitação e a adaptação. Estas fases não necessariamente dispõem-se nesta ordem e a duração nas respectivas fases é subjetiva, pois algumas variáveis irão influenciar nesse enfrentamento como a vulnerabilidade e a personalidade que remodela cada indivíduo, sendo assim alguns familiares se fragilizam tanto que se tornam “enfermos” concomitantemente a criança (DANTAS,2009; DANTAS et al.,2010). A figura materna tem um elo muito forte com o seu filho, independente de possuir ou não alguma deficiência, visto que nos primeiros anos de vida a criança é completamente dependente do cuidado, devido à mulher já de maneira inerente ter o instinto de cuidar, este zelo torna-se ampliado (BALBINO, SIMPHRONIO, 2004). Ao ser identificado um problema de saúde na família há uma mobilização de todos, contudo, a centralidade do cuidado recai, especialmente, em um de seus membros. Geralmente o cuidador primário é a mãe, pois ela, por ser ‘mãe’ se sente na obrigatoriedade de se voltar totalmente para seu filho, acompanhando o tratamento que é a longo prazo, por um período indeterminado e muitas vezes com resultados mínimos. Essa centralização do cuidado da criança gera sobrecarga de atividades e responsabilidades. Essa sobrecarga advém tanto da dependência física, quanto do tempo gasto pelo cuidador para oferecer assistência necessária à criança, levando os cuidadores muitas vezes a saírem do mercado de trabalho para dedicar-se inteiramente a seu filho. (DANTAS, 2009). O cuidador vivencia diversas situações na família, de caráter financeiro, de exercício de papéis familiares, sentimentos de desamparo, perda de controle, exclusão e sobrecarga, os quais podem gerar estresse (OLIVEIRA, 2008). Aquele que cuida da criança, os pais ou cuidador não familiar, necessitam compreender e praticar atividades que proporcionem prazer e ao mesmo tempo estimulem o desenvolvimento e aprendizado da criança, necessitando, portanto, que o cuidador esteja física e psicologicamente bem para melhor cuidar. O impacto do diagnóstico faz com que a família busque medidas de enfrentamento que possam influenciar nas reações que as mesmas virão a ter diante da nova situação, então a intervenção precoce de um grupo terapêutico se faz necessário para que se haja um incremento de informações e dos recursos de enfrentamentos, proporcionando a superação dos conflitos que surgiram inicialmente e ao decorrer do desenvolvimento da criança, além de possibilitar o compartilhamento de suas vivências e com outras pessoas que convivem com a mesma realidade (FIAMENGHI, 2007). A atividade em grupo pode ser um espaço de troca de informações e experiências podendo ajudar no enfrentamento do impacto do diagnóstico, aonde os familiares irão vivenciar e compreender os aspectos inerentes do cuidado de um filho com deficiência, esse espaço de convivência irá surgir como estratégia para ajudar os pais a lidar com a situação inesperada. Neste ambiente a família encontrará confiança para reestruturar o seu espaço familiar, além de poder ajudar outras famílias a erguer forças para enfrentar o diagnóstico do filho deficiente. 104 Pesquisa e Extensão: Unipê A partir das queixas de algias dos pais e cuidadores, assim como, mediante a convivência diária com os docentes e discentes durante os atendimentos na unidade curricular Fisioterapia na saúde da criança e do adolescente, evidenciou-se a necessidade de um trabalho também voltado para esse público pela necessidade de oferecer um apoio e direcionamento acerca de suas dificuldades vivenciais, além de ter um tempo para os cuidados inerentes a sua saúde. Enquanto as crianças estão em atendimentos os pais e cuidadores estão participando do grupo terapêutico. Assim o projeto de extensão Grupo de Apoio aos Pais e Cuidadores de Crianças com Necessidades Especiais – GAPCCE tem objetivo de favorecer atividades de promoção e educação em saúde contribuindo para uma melhoria da qualidade de vida dos pais e/ou cuidadores e beneficiando o processo do cuidar das crianças com necessidades especiais. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Este estudo consiste em um relato de experiência vivenciado no projeto de extensão GAPCCE, do Curso de Graduação em Fisioterapia do Centro Universitário de Joao Pessoa-UNIPE no período de março de 2009 até os dias atuais. Os discentes que já cursaram as unidades curriculares cinesioterapia I e II, Fisioterapia na Saúde da Criança e do Adolescente podem realizar processo seletivo para cumprir por um semestre e renovar por mais um o estágio no projeto de extensão supracitado. Os alunos de outros períodos e que ainda não cursaram as unidades curriculares que constam como prérequisito podem participar como extesionistas observadores, além da oportunidade dos alunos que estão cursando a unidade curricular saúde da criança e do adolescente de terem vivencias práticas com os pais e cuidadores. A média de discentes em cada semestre é de 25 com uma média de 15 pais e /ou cuidadores participantes por grupo. As atividades são realizadas em grupo na Clínica Escola de Fisioterapia - UNIPE, uma vez por semana e no turno matutino. Enquanto as crianças estão sendo assistidas por discentes no atendimento na unidade curricular saúde da criança e do adolescente os discentes extensionistas sob orientação dos docentes realizam atividades com os pais e/ou cuidadores. É proposto aos participantes atendimento em grupo com a utilização de recursos diversificados da cinesioterapia, mecanoterapia, palestras multiprofissionais (terapeuta ocupacional, odontólogo, nutricionista, assistente social, etc.), festejos de datas comemorativas. Além das atividades no grupo terapêutico os extensionistas realizam reuniões semanais para confecção de cronograma para organização das atividades propostas e discussão de artigos científicos que alicerçam a elaboração da programação terapêutica. No percurso da realização das atividades algumas dificuldades foram encontradas como: articulação com uma equipe multiprofissional que pudesse se agregar ao grupo para realização de um trabalho interdisciplinar e a evasão dos discentes em época de avaliações de aprendizagem. Figura 1:Atividade no grupo Fonte: Dados da Pesquisa 105 Pesquisa e Extensão: Unipê Figura 2:Atividade no grupo Fonte: Dados da Pesquisa Figura 3:Atividade no grupo Fonte: Dados da Pesquisa IMPACTOS A participação em grupos de apoio pode ser de grande ajuda para os familiares e cuidadores que aprenderam a lidar com o impacto do diagnóstico, onde serão compartilhadas novas experiências e a partir disso a família poderá conviver com famílias que passam por situações iguais ou parecidas, esse espaço ira afastar os pais da rotina de cuidado, onde os métodos de distração irão fazer com que os pais fujam um pouco do seu cotidiano e olhem para si mesmo. Como podemos observar nos depoimento dos pais e/ou cuidadores que seguem: [...] O grupo é como se fosse uma terapia pra gente, pra se distrai, rir fazendo muitas atividades (E5). [...] La no grupo a gente além de ouvir outras pessoas, faz alongamentos, palestras, eu acho que o grupo faz a gente sair um pouquinho da rotina (E4). [...] Tem dia la (no grupo) que a gente chora, rir se diverte, faz exercícios, alongamentos (E3). A assiduidade no GAAPCE nos mostrou que o grupo terapêutico irá ajudar os cuidadores se transformando em uma medida de enfrentamento no impacto do diagnóstico, onde a partir do relato de outras famílias os cuidadores irão encontrar motivação para seguir sua vida e ter uma aceitação da nova realidade 112 Pesquisa e Extensão: Unipê sindromes genéticas e transtorno do deficit de atenção. Durante o semestre de 2015.1, foram realizados aproximadamente 120 atendimentos, contribuindo assim para diminuir a lista de espera da Instituição.Como ponto positivo, destacamos a contratação de três discentes extensionistas egressas do projeto. As mesmas foram convidadas para fazer parte integrante da equipe da Aspeq. CONSIDERAÇÕES FINAIS Aequoterapia é um recurso alternativo de grande importância no processo de reabilitação de crianças e adultos, visando o desenvolvimento motor e biopsicossocial além de possibilitar uma maior participação, integração e acompanhamento dos familiares. O projeto de extensão tem possibilitado novas experiências aos discentes facilitando o processo de ensino aprendizagem, favorecendo um atendimento mais humanizado e interdisciplinar,com troca de experiências entre o praticante, família, profissionais e docentes/discentes. Nesse sentido, o praticante vivencia muitos acontecimentos ao mesmo tempo, permitindo desenvolver o aspecto biopsicossocial de forma descontraída, lúdica, em contato com a natureza o que representa uma excelente oportunidade de transformar o ambiente da terapia e oferecer ao praticante uma nova forma de alcançar suas metas com mais independência e confiança melhorando a sua qualidade de vida. REFERÊNCIAS ANDE-BRASIL.Apostila do curso básico de Equoterapia.Brasilia:DF, 2010 BARBOSA, G.O.; MUNSTER, M.A.V.; O efeito de um programa de equoterapia no desenvolvimento psicomotor de crianças com indicativos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Revista Brasileira Educação Especial. v.20, n.1 Marília Jan./Mar, 2014. CURY,V.C.;BRANDÃO,M.B. Reabilitação em paralisia cerebral.Rio de Janeiro:Medbook, 2011 CHAGAS, P. S. C et al. Combinando equoterapia com diferentes métodos fisioterapêuticos. CONGRESSODE FISIOTERAPIA DA UFJF, 1., 2000,Juiz de Fora. Anais... Juiz de Fora: UniversidadeFederal de Juiz de Fora, 2000. ESPINDULA, A.P.; ASSIS, I. S. S.; SIMÕES, M.; et al. Material de montaria para equoterapia em indivíduos com Síndrome de Down: estudo eletromiográfico.ConsSaude V.13, n3, p.350, 2014. LIPORONIL, G.F.; OLIVEIRA, A.P.R. Equoterapia como tratamento alternativo para pacientes com seqüelas neurológicas. Revista Científica da Universidade de Franca. v. 5, n. 1/6, p. 21-29, jan. 2003 / dez. 2005 MENEZES, K.M.; COPETTI, F.; WIEST, M.J.; et al. Efeito da equoterapiana estabilidade postural de portadores de esclerose múltipla: estudo preliminar.Fisioter. Pesqui. v.20, n.1 São Paulo mar. 2013. MEDEIROS, M.; DIAS, E. Equoterapia: Bases e Fundamentos. Rio de Janeiro: Revinte, 2002 SANCHES, V. M. N.; VASCONCELOS,L. A. P.; Equoterapia na reabilitação da meningoencefalocele: estudo de caso. Fisioter. Pesqui. v.17, n.4 São Paulo Oct./Dec, 2010. SEVERO, J. T. Equoterapia – equitação, saúde e educação. São Paulo: editora Senac.2010 VALLE,L.M.O.; NISHIMORI, A.Y.; NERM,K.; Atuação fonoaudiológica na equoterapia: Revista CEFAC. v.16, n.2 São Paulo Mar./Apr, 2014 SEVERO, J. T. Equoterapia – equitação, saúde e educação. São Paulo: editora Senac.2010 113 Pesquisa e Extensão: Unipê ARTIGO ORIGINAL QUALIDADE DE VIDA E AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO MOTORA GROSSA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM PARALISIA CEREBRAL Carla Patrícia Novaes dos Santos Fechine1, Meryeli Santos de Araújo Dantas2, Egmar Longo Araújo de Melo3, Camilla Duarte de Almeida4, Inajara Rodrigues Soares5, Andrea Martins da Silva Oliveira6 RESUMO Avaliar a qualidade de vida e a função motora grossa de crianças e adolescentes com diagnóstico de paralisia cerebral praticantes da equoterapia. Pesquisa do tipo exploratória, descritiva, com abordagem quantitativa. A população foi constituída por crianças e adolescentes com diagnóstico de paralisia cerebral, na faixa etária de 2 a 18 anos de idade, que pratiquem a equoterapia na Aspeq. Foi aplicado um questionário semi-estruturado, de qualidade de vida e de função motora grossa. Depois de realizada a transformação dos escores em uma escala do tipo Likert de 0 a 100 no questionário pediátrico de qualidade de vida, foi utilizado o pacote estatístico SPSS, versão 20.0. Os valores do GMFCS e das sete dimensões do Peds QL foram analisados quanto à normalidade pelo teste Shapiro-Wilk. Como apenas três dessas oito variáveis analisadas apresentavam distribuição normal, foi realizada análise inferencial com a correlação nãoparamétrica de Spearman. O nível de significância adotado foi de 0,05. O Peds QL demostrou que em relação aos domínios de atividades de vida diária, movimento e equilíbrio, atividades alimentares, atividades escolares, fala e comunicação às crianças não realizam tais tarefas. Correlações significativas foram encontradas entre a classificação segundo GMFCS e a dimensão Movimento e Equilíbrio, bem como entre a classificação segundo GMFCS e a dimensão Atividades Alimentares. Os resultados desta pesquisa revelaram que quanto maior for o comprometimento da função motora grossa, consequentemente menor será a sua Qualidade de Vida (QV). Palavras-chave: Qualidade de vida. Paralisia cerebral. Equoterapia. 1 Mestrado em Programa de Pós Graduação Em Ciências da Nutrição, [email protected] 2 Doutorado em Programa de pos graduaçao em enfermagem e saúde, [email protected] 3 Doutorado em Avances en Investigación sobre Discapacidad, [email protected] 4 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 5 Graduação em Fisioterapia, [email protected] 6 Graduação em Fisioterapia, [email protected] Recebido: 12/10/2015 Aceito: 23/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de fisioterapia , BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 114 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO A paralisia cerebral (PC), mas corretamente chamada de encefalopatia crônica não progressiva da infância é descrita como um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do cérebro que ocorre durante a fase pré, peri ou pós-natal. Os distúrbios motores que comumente surgem são os distúrbios sensoriais, de cognição, de comunicação, de percepção e de comportamento. A incidência dessa patologia no Brasil ainda é escassa de estudos, mas de acordo com a literatura, há uma incidência de 17.000 novos casos por ano, associados à prematuridade e baixo peso ao nascimento (ROSENBAUM E ET AL., 2007; PANETH E ET AL. 2007; CARVALHO ET AL., 2010). Com o passar do tempo às crianças vão se desenvolvendo e apresentando algumas alterações na sua funcionalidade. Existe uma escassez de sistemas padronizados para classificar as habilidades e limitações funcionais. Sendo assim, foi desenvolvido o sistema de classificação da função motora grossa - GMFCS (Gross Motor FunctionClassification System) para padronizar e classificar as limitações da função motora grossa e as habilidades (DIAS, ET AL., 2010; OLIVEIRA, GOLIN E CUNHA, 2010). O GMFCS é uma escala de avaliação dividida em cinco níveis, e é aplicada de acordo com a idade da criança. A criança classificada no nível I consegue deambular independentemente em ambientes variados e, no nível V, é dependente e apresenta uma mobilidade limitada, mesmo utilizando recursos de tecnologia assistida como: muletas, bengalas e andadores. (DIAS, ET AL., 2010). A equoterapia é uma terapia complementar que ajuda no desempenho e desenvolvimento biopsicossocial de pessoas portadoras de necessidades especiais. Ela utiliza o cavalo como meio cinesioterapêutico, pois o movimento tridimensional daandadura ao passo proporciona ao corpo do praticante montado deslocamentos em todos os planos, fazendo com que o paciente adquira equilíbrio de tronco, ativação muscular, normalização do tônus muscular, melhora da auto-confiança, auto-estima, iniciativa, integração sensorial, flexibilidade, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora. (ANDE-BRASIL, 2011; MEDEIROS, 2002; LIMA E FONSECA, 2004). A Qualidade de vida relacionada é uma abordagem multidimensional e subjetiva, onde se relaciona com o bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. O PediatricQualityof Life Inventory (PedsQL) é um instrumento padronizado e genérico relacionado a saúde elaborado por James Varni e col., para avaliar crianças sob os diferentes aspectos do seu desenvolvimento. É composto por 23 itens divididos em: emocionais (5 itens), aspectos físicos (8 itens), sociais (5 itens) e escolares (5 itens).Apresenta uma divisão etária, abrangendo pais de crianças de 2 a 4 anos e a versão dos pais e pacientes de 5 a 7 anos, 8 a 12 anos e 13 a 18 anos. A avaliação da qualidade de vida de crianças com PC é de difícil mensuração, pois possuem dificuldade de interpretação e de expressão devido a algum comprometimento cognitivo ou de fala. (KLATCHOIAN, 2007; LIM E ZEBRACK, 2008). Nesse sentido, a aplicação de instrumentos validados é de grande importância tanto para a criança quanto para os familiares e profissionais, pois é através dele que se pode ter um prognóstico e realizar um planejamento mais direcionado para intervenção correta focando nas necessidades futuras de cada um auxiliando nos objetivos terapêuticos, melhorando o grau de dependência e proporcionando uma melhor qualidade de vida. Dessa forma, o objetivo desse estudo foi de avaliar a qualidade de vida e a função motora grossa de crianças e adolescentes com diagnóstico de paralisia cerebral praticantes da equoterapia. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma pesquisa de campo do tipo exploratória, descritiva, com abordagem quantitativa. A população da pesquisa foi constituída por crianças e adolescentes com diagnóstico de paralisia cerebral, na faixa etária de 2 a 18 anos de idade, que pratiquem a equoterapia na Aspeq – Associação Paraibana de Equoterapia, no município de João Pessoa, que em média correspondem a 30 praticantes. A pesquisa foi realizada na ASPEQ – Associação Paraibana 115 Pesquisa e Extensão: Unipê de Equoterapia, localizado no loteamento Cidade Recreio Cabo Branco, quadra 30, loteamento 21, Altiplano Cabo Branco, João Pessoa-PB, com os dados coletados entre os meses de agosto e setembro de 2014, nos turnos matutinos e vespertinos. Para caracterizar a amostra foi aplicado um questionário semi estruturado com os pais composto por questões para identificação de dados clínicos e epidemiológicos da criança (sexo, idade, escolaridade, etiologia da PC, diagnóstico topográfico) e deles mesmos. Para análise da qualidade de vida foi utilizado a versão brasileira do questionário PediatricQualityoflifeInventory (Peds QL) 3.1 - módulo para paralisia cerebral (NUNES, 2008). O Peds QL é um instrumento de qualidade de vida relacionado à saúde que possui propriedades psicométricas adequadas em quanto à validade e confiabilidade (VARNI, SEID E RODE, 1999). Contém 35 itens divididos em: atividades de vida diária (9 itens), atividades escolares (4 itens), movimento e equilíbrio (5 itens), dor e machucado (4 itens), fadiga (4 itens), atividades alimentares (5 itens) e fala e comunicação (4 itens). A avaliação da qualidade de vida de crianças/adolescentes com PC é de difícil mensuração, pois possuem dificuldade de interpretação e de expressão devido a algum comprometimento cognitivo ou de fala O Peds QL 3.1 consiste de questionários dirigidos aos pais e às crianças, sendo que cada faixa etária tem um questionário específico, tanto para os pais como para as crianças. No caso das crianças dos 2-4 anos, o questionário é dirigido apenas aos pais. No caso das crianças de 5-7 anos, de 8-12 anos e dos adolescentes de 13-18 anos, há módulos tanto para as crianças como para os pais. As instruções pedem para os pais e crianças responderem o quão problemático cada item tem sido no último mês (para os pais: “No último mês, o quanto isso tem sido um problema para sua criança/ adolescente”, para as crianças/ adolescentes: “No último mês, quanto este problema tem te afetado”. Uma escala de cinco pontos foi utilizada na primeira versão do questionário para os pais e para as crianças de 8 a 18 anos (0= nunca, 1= quase nunca, 2= às vezes, 3= geralmente, 4=quase sempre, 5= não realiza). Para cálculo dos escores, os valores são revertidos e transformados linearmente em uma escala tipo Likert, de cinco opções, com pontuação que varia de 0 a 100 (0=100, 1=75, 2= 50, 3=25, 4=0, 5-=0). Para avaliar a função motora grossa foi utilizado o Gross Motor FunctionClassification System (GMFCS) (ANEXO B), que quantifica a função considerando o movimento iniciado voluntariamente, enfatizando particularmente o sentar (controle de tronco) e o andar. Os níveis funcionais do GMFCS variam de I (função motora grossa independente com poucas limitações) ao V (dependência completa para todas as atividades motoras). Os pais e/ou cuidadores foram convidadas a participar da presente pesquisa e esclarecidas quanto aos seus objetivos. Os pais que concordaram em participar, assinaram o termo de consentimento e posteriormente foi marcada uma entrevista com os pais e com a criança. Os pais preencheram o questionário sócio demográfico e deram informações clínicas respeito ao quadro clínico da criança. Um fisioterapeuta previamente treinado avaliou cada criança quanto à função motora grossa, definindo-a em quanto ao GMFCS. O principal cuidador da criança (mãe ou pai) preencheu o PedsQL 3.1, módulo paralisia cerebral versão para os pais e as crianças a partir de 5 anos, responderam ao questionário de qualidade de vida correspondente a sua faixa etária. O questionário dos pais foi auto aplicado na presença de um fisioterapeuta treinado, que pode esclarecer qualquer dúvida, sem influenciar nas suas respostas. As crianças a partir dos 5 anos foram entrevistas por um fisioterapeuta treinado, em um ambiente calmo e tranquilo, sem contar com a presença da mãe ou pai, para que não influenciem nas suas respostas. Quando as crianças não tinham condições de responder, não foram aplicados os questionários direcionados as mesmas, apenas com os pais. Após a coleta de dados, os mesmos foram armazenados em uma planilha do Microsoft Excel e em seguida repassados para o programa estatístico SPSS. Para caracterização da amostra, foi utilizada a estatística descritiva. Os escores obtidos em cada item do questionário de qualidade de vida foram somados e divididos pelo número de itens respondidos em cada dimensão. Após a obtenção das médias foram analisadas as relações entre a variável dependente (escores de qualidade de vida) e as variáveis independentes incluídas no estudo (idade, gênero, tipo de PC, nível de GMFCS), utilizando análises de correlação. 116 Pesquisa e Extensão: Unipê Depois de realizada a transformação dos escores em uma escala do tipo Likert de 0 a 100 no questionário pediátrico de qualidade de vida (Peds QL), foi utilizado o pacote estatístico SPSS, versão 20.0. Os valores do GMFCS e das sete dimensões do Peds QL foram analisados quanto à normalidade pelo teste Shapiro-Wilk. Como apenas três dessas oito variáveis analisadas apresentavam distribuição normal, foi realizada análise inferencial com a correlação não paramétrica de Spearman. O nível de significância adotado foi de 0,05. RESULTADO E DISCUSSÃO O presente estudo contou com a participação de 34 crianças/adolescentes com diagnóstico de PC. Quanto ao sexo o que mais predominou foi o masculino com 74%, assim como no estudo de Chagas et al. (2008). A faixa etária mais prevalente foi de 5 a 7 anos com 53% da população, o que difere do estudo de Vasconcelos (2009). Em seu estudo a amostra composta por 62 crianças apresentou a faixa etária de 2 a 4 anos como a mais prevalente com 62,9%. As crianças desse estudo foram diagnosticadas em diferentes idades, variando entre o nascimento e três anos, com predominância de diagnóstico na faixa etária entre dois a seis meses (38,7%) e de sete meses a um ano (35,5%). O que se torna extremamente importante, pois o diagnóstico precoce da PC permite uma intervenção precoce por parte dos profissionais, favorecendo melhor prognóstico. Em relação a escolaridade, 32% da amostra não estuda. Em relação à etiologia, as mais comuns foram as pré-natais (35%) e as pós-natais (35%) seguidas pela peri-natal (30%). Nos estudos de Hagberg (2000), evidenciou-se que a maioria dos casos de PC é causada por fatores pré-natais. Resultados atuais dos estudos de Sankar e Mundkur (2005) e Costeff (2004) indicam que fatores pré-natais são os mais apontados como principal causa de PC, onde a maioria são por fatores genéticos e não por condições tais como a deficiência na formação de placenta ou de traumas diretos, que foi refletida por um excesso de fatores de riscos pré-natais quando comparado a um grupo de indivíduos com atraso mental causado geneticamente ou a um grupo controle da população normal. Entre os fatores de risco pré-natais estão incluídos também gestações múltiplas e condições maternas, tais como retardo mental e hipertireoidismo. Quanto ao diagnóstico topográfico as crianças/adolescentes foram classificadas como espástico bilateral quadriplégico com 79%, o que corrobora com o estudo de Souza (2011). Sua pesquisa contou com a participação de 32 crianças com diagnóstico de PC, com idade média de 10 anos, sendo a maioria do sexo masculino. Onde 93,8% da amostra apresentavam a forma espástica, e 46,9% mostraram-se com topografia quadriplégica. Esse resultado corrobora com estudo de Chagas et al (2008) e Fonseca, Cordani e Oliveira (2005) que mostra o predomínio de crianças com PC espástica bilateral quadriplégica sendo classificado normalmente como grave de acordo com GMFCS. Em relação ao uso de medicamentos, 71% faz uso de algum tipo. É esperado que pacientes graves requeiram maiores cuidados medicamentosos, na literatura não foram encontrados estudos que investiguem a relação entre uso de medicamentos e gravidade da PC. Em relação aos pais/cuidadores, 88% são do sexo é feminino, onde a mãe foi citada como principal cuidadora, o que corrobora com os estudos de Santos (2010), que cita que normalmente é a mãe que assume os cuidados dos filhos com PC. A idade média dos pais/cuidadores foi de 32,94 anos. Em relação à escolaridade, 50% dos pais/cuidadores concluíram o Ensino Médio, o que discorda do estudo de Souza (2011). Onde quando considerado o nível de escolaridade dos pais/ cuidadores, 50% dos casos apresentavam nível fundamental incompleto. Segundo Santos (2010), a baixa escolaridade dos pais/cuidadores não demonstra correlação com a sobrecarga imposta a eles. Nesse estudo as crianças com PC foram agrupadas de acordo com o GMFCS, sendo dispostas em leve (nível I e II) com 6% (n=2) dos participantes, moderada (nível III) com 21% (n=7) dos participantes e grave (nível IV e V) com 73% (n= 25) dos participantes como descritos na Tabela 1. Corroborando com os estudos de Rocha, Afonso e Morais (2008) onde participaram da pesquisa 17 crianças e seus cuidadores. O estudo apresentou, segundo o GMFCS, duas crianças no nível I e duas no nível II, além de quatro crianças no nível IV e nove no nível V, isso é, 76% das crianças foram 117 Pesquisa e Extensão: Unipê classificadas em sua maioria nos níveis IV e V (nível grave). Os resultados deste estudo apresentam uma diversidade funcional das crianças com PC, sendo representada por uma variação significativa na funcionalidade conforme os diferentes níveis de gravidade da disfunção motora, comprometendo assim a qualidade de vida da criança e de seu cuidador. Os resultados do presente estudo favorecem o entendimento da relação entre a qualidade de vida da criança com PC segundo o seu desempenho funcional diante ao seu cuidador, cuja analise foi realizada de acordo com o nível de funcionalidade e gravidade classificados conforme o GMFCS. De acordo com Cesa et al. (2014) quanto a mobilidade as crianças apresentaram comprometimento moderado e grave, sendo sua amostra classificada no nível V, da escala GMFCS. Semelhante ao estudo, pois a amostra em sua maioria foi classificada no nível grave da escala GMFCS, porém classificada em sua maioria no nível IV. Nesse nível, sua mobilidade se faz presente por meio de equipamentos adaptados e modificações ambientais, fato este ocorrendo de maneira oposta nas crianças, onde estas demonstram mobilidade independente, encontrando-se assim, mais adaptadas a desempenharem atividades funcionais e a superarem barreiras ambientais, se comparadas com aquelas que lançam mão do uso de tecnologia assistida. Segundo Vasconcelos et al. (2009) as crianças classificadas no nível I possuem maior capacidade motora, necessitando de pouca ajuda do cuidador no autocuidado e na função social. De forma diversa, foi observado nas crianças classificadas no nível IV/V, onde uma menor habilidade na mobilidade estava diretamente relacionada com menor habilidade no autocuidado e também na função social, carecendo assim, de uma maior assistência do cuidador. Tais resultados só confirmam o impacto negativo gerado, com graves consequências, como o comprometimento motor no desempenho de atividades habituais, afetando a independência funcional da criança. Tabela 1 - GMFCS das crianças/adolescentes com PC, atendidas na ASPEQ, João Pessoa - PB. Fevereiro a Outubro, 2014.n=35 Níveis de GMFCS N % Nível I 0 0,0 Nível II 3 5,9 Nível III 7 20,6 Nível IV 14 41,1 Nível V 11 32,4 Fonte: Dados da pesquisa – 2014. Para avaliar a qualidade de vida de crianças/adolescentes com PC foi utilizado o Peds QL que é dividido por dimensões. A quantidade de dimensões é estipulada de acordo com a idade das crianças/adolescentes, sendo o total de cinco dimensões para crianças/adolescentes de 2-4 anos e de sete dimensões para criança/adolescentes de 5-18 anos. As dimensões são: atividades de vida diária, movimento e equilíbrio, dor e machucado, fadiga, atividades alimentares, atividades escolares (crianças/adolescentes de 5-18 anos) e fala e comunicação (crianças/adolescentes de 5-18 anos). A dimensão de atividades de vida diária é dividida em calçar sapatos, abotoar camisa, colocar a camiseta, colocar a calça, pentear os cabelos, usar o vaso sanitário, tirar a roupa para ir ao banheiro, entrar e sair do chuveiro/banheira e escovar os dentes. A maioria dos pais responderam que suas crianças/adolescentes não realizam tais funções.Tais resultados corroboram com o estudo de Janial et al (2013), realizado com 20 crianças com diagnóstico de paralisia cerebral, onde demonstraquea dimensão de “Atividades de Vida Diária” do PedsQL foi a que apresentou menor média de pontuação, ou seja, os pais/cuidadores que as crianças não conseguem realizar as atividades básicas de vida diária, classificando sua qualidade de vida como ruim. A dimensão de movimento e equilíbrio é dividida em mexer as pernas, mexer os braços, mexer partes do corpo, equilíbrio quando sentado e manter o equilíbrio em pé. A maioria dos pais responderam que suas crianças/adolescentes nunca tiveram problemas com tais funções, exceto a 118 Pesquisa e Extensão: Unipê de manter o equilíbrio em pé onde a maioria das crianças/adolescentes não realizam.As crianças com PC possuem lesão neurológica que causa atraso no desenvolvimento motor, padrões anormais de postura e movimento, acarretando, na maioria das vezes, na adoção de posturas assimétricas e limitação das amplitudes de movimento articular. As deformidades podem ser classificadas como posturais e posicionais, em que os músculos e os ossos se desenvolvem de maneiras diferentes, gerando desequilíbrios entre os grupamentos musculares, deformidades articulares e ósseas e, muitas vezes, densidade óssea diminuída nas crianças incapazes de andar independentemente (POUNTNEY, 2008). Essas alterações músculo esqueléticas resultam no comprometimento do movimento e equilíbrio da criança com PC, em especial no aspecto de manter-se em pé. A dimensão de dor e machucado é dividida em dor nas articulações e músculos, muita dor, não dormir direito devido a dor e músculos duro/doloridos. Através da distribuição das frequências dos escores obtidos quanto a dor e machucado de crianças/adolescentes com paralisia cerebral, observou-se que no relato dos pais/cuidadores, as crianças/adolescentes “nunca” têm problemas em ter dor ou machucado. O que entra em consonância com os estudos de Vasconcelos (2009), onde a maioria das 62 crianças/adolescentes demostraram não ter dor e machucado. As crianças não possuem problemas em sentir dor ou machucado, pelo fato de serem crianças com alterações apenas no que se refere aos aspectos motores/físicos, em não poderem andar ou desenvolverem atividades que demandem habilidades físicas com os membros superiores e/ou inferiores. A dimensão de fadiga é dividida em sentir-se cansado, sentir-se fraco, precisar descansar demais e falta de energia para fazer as coisas que gosta. Através da distribuição das frequências dos escores obtidos quanto à fadiga de crianças/adolescentes com paralisia cerebral, observou-se que os pais/cuidadores disseram que as crianças/adolescentes “nunca” têm problemas em ter fadiga. Corroborando com os estudos de Vasconcelos (2009), onde a maioria das 62 crianças/adolescentes demostraram não ter nenhum tipo de fadiga. A dimensão de atividades alimentares é dividida em comer com colher/garfo, mastigar comida, segurar um copo, consegui beber algo sozinho e cortar sua comida. Através da distribuição das frequências dos escores obtidos quanto às atividades alimentares de crianças/adolescentes com paralisia cerebral, observou-se que os pais/cuidadores disseram que em relação a comer com grafo/colher e a cortar a comida sozinhoas crianças/adolescentes não realizam tais atividades. Mas em relação a mastigar comida, segurar um copo e consegui beber algo sozinho, as crianças/ adolescentes“nunca” têm problemas.Lesões corticais e subcorticais poderiam explicar transtornos da fase orale faríngea da deglutição respectivamente. Os transtornos de deglutição que podem causar desnutrição, desidratação ou aspiração traqueal são conhecidos como disfagias orofaríngeas. As dificuldades de alimentação mais comuns são: comprometimento da fase motora oral, engasgo, tosse, náusea, dificuldade de transporte do bolo alimentar, refeições prolongadas ou interrompidas e refluxo gastroesofágico (ANDREW; SULLIVAN, 2010; CALIS et al., 2008; REILLY et al., 2010; WILSON; HUSTAD, 2009). A dimensão de atividades escolares é dividida em escrever ou desenhar com caneta ou lápis, usar tesoura, usar teclado de computador e usar mouse do computador..Através da distribuição das frequências dos escores obtidos quanto as atividades escolares de crianças/adolescentes com paralisia cerebral, observou-se que os pais/cuidadores disseram que a maioria das crianças/ adolescentes não realizam essas atividades.Segundo Gomes e Barbosa (2006), dentre as barreiras a serem superadas na escola para que o processo de inclusão escolar da PC e de outros portadores de necessidades especiais se torne realidade, tem-se: a precisão de adequação das instalações e dependências de parcela significativa das escolas, uma vez que não se contemplam espaços e condições para portadores de déficits motores, outro desafio seria o preparo do docente para lidar com portadores de necessidades educacionais especiais (PNEES) em geral, a disponibilidade de materiais básicos e de recursos tecnológicos avançados como computadores, a presença de uma prática pedagógica que contemple a diversidade de necessidades educacionais e equipes de apoio. A dimensão de fala e comunicação é dividida em dizer a família o que quer, dizer para outras pessoas o que quer, família entender suas palavras e outras pessoas entenderem suas palavras. 119 Pesquisa e Extensão: Unipê Através da distribuição das frequências dos escores obtidos quanto à fala e comunicação de crianças/adolescentes com paralisia cerebral, observou-se que em relação a dizer à família o que quer e a família entender o que ela quer, nunca houve problema. Mas em relação às outras pessoas entenderem o que elas querem e dizer para outras pessoas o que ela quer, os pais/cuidadores dizem que suas crianças/adolescentes não realizam.Concordando com o estudo de Hidecker et al (2011), os distúrbios da fala e comunicação em paralisia cerebral variaram de 31% a 88%.Essa variação pode estar relacionada à falta de consenso sobre a definição de distúrbios da comunicação, à gravidade da paralisia cerebral e à variabilidade dos fatores interferentes no desenvolvimento da linguagem e da aquisição de habilidades comunicativas. Correlações significativas foram encontradas entre a classificação segundo GMFCS e a dimensão Movimento e Equilíbrio (correlação inversa, de intensidade moderada), bem como entre a classificação segundo GMFCS e a dimensão Atividades Alimentares (correlação inversa, de intensidade e moderada) (Tabela 2). Podendo-se inferir que a maior gravidade de comprometimento motor está diretamente relacionado à maior dificuldade de realização das atividades propostas nestes domínios.Neste estudo, foi verificada elevada correlação entre a GMFCS e o Peds QL, o que justifica a relação da função motora grossa com a qualidade de vida dos indivíduos com PC avaliadas, conforme visto em outros estudos que afirmam sobre a relação entre a disfunção motora e o comprometimento da QV (VARNI et al., 2005; LOPES et al., 2009). O conhecimento da qualidade de vida e função motora auxilia no planejamento de uma intervenção mais eficaz, abrange orientação ao cuidador para estimular as individualidades do indivíduo e, consequentemente, promove melhora funcional, Monteiro et al (2012) e Herrero et al (2008). Tabela 2 - Correlação entre os valores das dimensões do Peds QL e a classificação das crianças segundo o GMFCS. Dimensão do Peds QL GMFCS r p-valor Atividades diárias -0,211 0,230 Movimento e equilíbrio -0,403 0,018 ** Dor e machucado -0,108 0,542 Fadiga -0,074 0,678 Atividades alimentares -0,364 0,034 ** Atividades escolares * -0,329 0,087 Fala e comunicação * -0,200 0,307 Fonte: Dados da pesquisa – 2014. Este estudo possui algumas limitações, como a falta de condições das crianças/adolescentes com paralisia cerebral de responder o questionário de qualidade de vida (Peds QL), sendo aplicado apenas com os pais/cuidadores, limitando a comparação da qualidade de vida das crianças/ adolescentes na visão dos pais e deles mesmos. Mesmo assim, os resultados descrevem crianças/ adolescentes com PC avaliadas e são importantes para direcionar um melhor tratamento melhorando assim a qualidade de vida para estas e outras crianças/adolescentes. CONCLUSÃO Os domínios da qualidade de vida que apresentaram alguma correlação estatística significativa (correlação moderada) com a função motora grossa foram movimento e equilíbrio e atividades alimentares. Os demais domínios da qualidade de vida não apresentaram correlação estatística significativa com a função motora grossa de crianças/adolescentes com paralisia cerebral. Logo, os resultados destapesquisa revelaram que quanto mais complexas sejam as características anatômicas e clínicas das crianças/adolescentes com paralisa cerebral e maior for o 120 Pesquisa e Extensão: Unipê comprometimento da função motora grossa, consequentemente menor será a sua Qualidade de Vida (QV). Deste modo, esta avaliação é primordial e de suma importância para elaborar uma adequada intervenção multiprofissional, com o intuito de melhora da função motora que implicará em boa evolução da QV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Apostila do Curso Básico de Equoterapia – ANDE-BRASIL, Agosto 2011. 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Rev. Bras. Saúde Matern. Infant. Recife, 2009 jan./mar.;9(1):31-37 MANCINI, M. C.; ALVES, A. C. M.; SCHAPER, C.; FIGUEIREDO, E. M.; SAMPAIO, R. F.; COELHO, Z. A. C.; TIRADO, M. G. A. Gravidade da Paralisia Cerebral e Desempenho Funcional. Rev. bras. Fisioter. vol. 8, n. 3, p.253-260, 2004. MANCINI, M. C. Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI): manual da versão brasileira adaptada. Belo Horizonte: UFMG. 2005. MEDEIROS, M.; DIAS, E. Equoterapia: Bases e Fundamentos. Rio de Janeiro: Revinte, 2002. MONTEIRO C. B. M. The functionalactivitiesmanipulation and adaptation (FAMA) approach in cerebral palsy: a treatmentproposal with emphasis on motor learning. RevBras Crescimento DesenvolvHum. 2012;22(2):151-9. OLIVEIRA, A. I. A. de. ; GOLIN, M. O.; CUNHA, M. C. B. Aplicabilidade do Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS) na Paralisia Cerebralrevisão da literatura. Arq. Brás Ciên Saúde, Santo André, v.35, n.3, p.220-224, set/dez. 2010. 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TEIVE, H. A. G. et al. Tratamento da espasticidade: uma atualização. ArqNeuropsiquiat 1998; 56 (4): 852 – 858. 128 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e, no Brasil, as modificações se dão de forma bastante acelerada, processo que, do ponto de vista puramente demográfico, deve-se unicamente ao rápido e sustentado declínio da fecundidade (NASRI, 2008). O aumento da expectativa de vida, no nosso país, tem sido evidenciada pelos avanços tecnológicos relacionados à área de saúde nos últimos 60 anos. Estima-se que nos próximos 20 anos a população de idosos poderá alcançar e até mesmo ultrapassar a cifra dos 30 milhões de pessoas, o que representará aproximadamente 13% da população (MENDES et al., 2005). O envelhecimento progressivo da população constitui um problema com implicações médicas, econômicas, sociais e políticas. Já que o idoso sofre modificações biológicas, fisiológicas, cognitivas, patológicas e socioeconômicas, necessitando, portanto, de atenção especial (SOUZA et al., 2006). Entretanto, as particularidades da idade não podem determinar que o idoso seja um ser doente e sim, que tais modificações podem ser adaptáveis a uma vida ativa e saudável. Assim, torna-se essencial que os profissionais de saúde tomem consciência dos fatores determinantes desse processo, compreendendo sua complexidade e magnitude, atuando em prol da promoção da saúde desses idosos (MARTINS et al., 2007). Portanto, o envelhecimento saudável deverá sempre ser a meta buscada, visto que, ainda se encontra um elevado índice de doenças crônico-degenerativas, o que submete muitas vezes o envelhecimento a um contexto de múltiplas privações (ALMEIDA, 2005). Assim é necessário favorecer a autonomia dos idosos, no limite máximo de suas possibilidades, independente do grau de dificuldades particulares que possam apresentar (MOURA; CAMARGOS, 2005). De acordo com Martins et al. (2007), a importância do autocuidado em saúde está diretamente relacionada com a prática de atividades iniciadas e executadas pelos próprios indivíduos, em seu próprio benefício, para a manutenção da vida, da saúde e do bem-estar. Dessa forma, a educação em saúde visa promover o desenvolvimento do conhecimento e com isso melhorar a qualidade de vida e de saúde das pessoas envolvidas neste processo. A grande relevância da temática, a carência de estudos e a viabilidade de desenvolver a pesquisa com os idosos participantes do projeto foram fatores relevantes para a escolha do tema. Visto ainda que a estimulação da memória em idosos através de atividades educativas e funcionais, tem se mostrado um trabalho inovador com fundamental importância na qualidade de vida do idoso. Assim, frente a essa temática, observou-se a importância do desenvolvimento de atividades educativas em saúde que venham a estimular a independência, autonomia e o autocuidado, melhorando assim a qualidade de vida da pessoa idosa. Nesse contexto, essa produção científica visou analisar a percepção dos idosos a respeito das atividades educativas desenvolvidas no projeto de Oficina da Memória; caracterizar a população estudada quanto aos aspectos sociodemográficos; apontar as estratégias educativas desenvolvidas no Projeto de Oficina da Memória; verificar a contribuição das atividades educativas para a independência, autonomia e o bem-estar dos idosos participantes do projeto. PERCURSO METODOLÓGICO O presente estudo tratou-se de uma pesquisa de campo, exploratória, de caráter descritivo e com abordagem quantiqualitativa. Para Spink (2003), a pesquisa de campo é um tipo de pesquisa desenvolvida em locais da vida cotidiana em que o pesquisador vai ao campo para coletar dados que serão depois analisados utilizando uma variedade de métodos tanto para a coleta quanto para a análise. Quanto à pesquisa do tipo exploratória possui a finalidade básica de desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias para a formulação de abordagens posteriores. Dessa forma, este tipo de estudo visa proporcionar um maior conhecimento para o pesquisador acerca do assunto, a fim de que esse possa formular problemas mais precisos ou criar hipóteses que possam ser pesquisadas por estudos posteriores (GIL, 2002). 129 Pesquisa e Extensão: Unipê As abordagens de pesquisas do tipo quantitativas apresentam natureza empírica e hipóteses “fortes” e bem formuladas. Baseiam-se em métodos lógico-dedutivos, buscam explicar relações de causa/efeito e, através da generalização de resultados, possibilita replicações. As pesquisas de natureza qualitativa buscam aproximar a teoria e os fatos, através da descrição e interpretação de episódios isolados ou únicos, privilegiando o conhecimento das relações entre contexto e ação (BERTO; NAKANO, 2008). No que diz respeito à população alvo da pesquisa, esta correspondeu aos idosos participantes do projeto de extensão Oficina da Memória, que é desenvolvido pelos alunos do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ do curso de Fisioterapia. Quanto à amostra da pesquisa, esta foi representada por 10 idosos, selecionados através dos seguintes critérios de inclusão: ser participante da Oficina da Memória; ter a idade mínima de 60 anos, visto que a Lei Federal Nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso (PNI), considera idoso, a pessoa maior de sessenta anos de idade; ter condições de se comunicar verbalmente; e apresentar boa cognição, verificado através do Mini Exame do Estado Mental (MEEM). Quanto aos critérios de exclusão, foram considerados apenas os idosos que se recusaram a participar da pesquisa, que apresentaram idade inferior a 60 anos, déficit cognitivo e alterações audiovisuais. O presente estudo foi desenvolvido no Clube da Pessoa Idosa, que corresponde a um espaço de atividades e lazer, destinado às pessoas a partir de 60 anos, inaugurado em janeiro de 2008 e administrado pela Prefeitura de João Pessoa, através do Instituto de Previdência do Município (IPM). Localiza-se na Rua Ana Guedes Vasconcelos, S/N, no bairro do Altiplano, João Pessoa–PB. Para a realização da coleta de dados da pesquisa, utilizou-se os seguintes instrumentos: Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e um questionário semiestruturado com questões abertas e fechadas, para avaliar os aspectos sociodemográficos e a percepção dos usuários da oficina da memória quanto as atividades educativas desenvolvidas no projeto. O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), elaborado por Folstein et al. (1975), é um dos testes mais empregados e mais estudados em todo o mundo, sendo usado isoladamente ou incorporado a instrumentos mais amplos para avaliar a função cognitiva e rastrear quadros demenciais (LOURENÇO; VERAS, 2006) O teste consiste em questões subdivididas em 06 itens: orientação temporal e espacial, registro (memória imediata), cálculo, memória recente e linguagem, sendo avaliadas agnosia, afasia, apraxia e habilidade construcional (VENTURA; BOTTINO, 2007). Já o questionário desenvolvido buscou avaliar a percepção dos usuários do projeto de extensão Oficina da Memória quanto às atividades educativas desenvolvidas no mesmo. Assim, correspondeu a um questionário semi-estruturado que abordou os aspectos sociodemográficos da população estudada, as estratégias utilizadas para a realização das atividades educativas desenvolvidas no Projeto de Oficina da Memória,e a percepção dos mesmos quanto às atividades educativas desenvolvidas. A partir da aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa do UNIPÊ, a pesquisadora apresentouse no Clube da Pessoa idosa, no período de setembro a outubro de 2012 para a coleta de dados, sob a supervisão da professora Juliana da Costa Santos Pessoa, docente do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. Primeiramente, foi aplicado o Mini Exame do Estado Mental (MEEM) para selecionar os idosos aptos a participarem da pesquisa, e posteriormente foi aplicado com os idosos previamente selecionados o questionário semiestruturado desenvolvido para a pesquisa. Para participarem da pesquisa, todos os entrevistados foram esclarecidos sob orientações orais e escritas sobre a pesquisa, destacando informações sobre todos os aspectos relacionados ao formato da pesquisa, sigilos dos dados, responsabilidade dos pesquisadores e profissionais envolvidos, sobre a possibilidade de deixarem de participar da pesquisa a qualquer momento, sobre a ausência de riscos aparentes ao indivíduo, a possibilidade de ampliar seus conhecimentos sobre atividades educativas a sua contribuição para a sua autonomia e independência, além do direito a recusar a participação na mesma através de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, fundamentado na Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que se remete a pesquisas que envolvem seres humanos. 130 Pesquisa e Extensão: Unipê É necessário apontar que todos os instrumentos foram aplicados individualmente no ambiente onde é realizado o projeto, sob a presença da pesquisadora responsável, com um tempo estipulado de 30 minutos para cada participante, sob forma de entrevista, com os relatos gravados e transcritos, para um melhor aproveitamento do conteúdo exposto pelos pesquisados. Torna-se relevante mencionar ainda que os participantes da pesquisa foram nomeados por letra, a fim de manter o sigilo dos mesmos. Após a coleta, os dados quantitativos foram tabulados em planilhas através do Microsoft Office Excel versão 2007, para análise através de modelos da estatística descritiva simples, sendo transcritos os dados para tabelas com medidas de proporção para as variáveis categóricas. Quanto à análise qualitativa, a mesma foi feita mediante transcrição das falas dos sujeitos pesquisados. E por último os dados foram lidos e interpretados a partir da literatura discutida. RESULTADOS Sobre as variáveis do perfil sócio-demográfico dos idosos pesquisados, os dados foram agrupados em tabelas, com a finalidade de facilitar a compreensão dos mesmos. Tabela 1 - Distribuição das variáveis sócio-demográficas com valores expressos em números dos idosos pesquisados. Idade M F 63-66 anos --- 5 (50%) 67-69 anos --- 3 (30%) 70-72 anos 2 (20%) --- Estado Civil Solteiro --- --- Casado 2 (20%) 3 (30%) Separado --- --- Viúvo --- 5 (50%) Escolaridade Analfabeto ou Semianalfabeto --- --- Fundamental Incompleto --- 2 (20%) Fundamental Completo --- 3 (30%) Médio Incompleto 1 (10%) 2 (20%) Médio Completo --- --- Superior Incompleto 1 (10%) --- Superior Completo --- 1 (10%) Fonte: Dados da pesquisa. Ao avaliar os resultados do Mini Exame do Estado Mental (MEEM), observou-se que a maioria dos idosos apresentou uma pontuação correspondente à função cognitiva íntegra (24 a 30 pontos). Entretanto, apenas um idoso apresentou uma pontuação inferior a 24 pontos. Desse modo, torna-se necessário esclarecer que por apresentar média de escolaridade inferior a 4 anos, uma pontuação 23 no MEEM, não exclui o idoso da amostra, conforme Tabela 2. 131 Pesquisa e Extensão: Unipê Tabela 2 – Escores dos idosos quanto ao Mini Exame do Estado Mental. N % Função Cognitiva Integra 10 100 Leve Deficiência Cognitiva 0 0 Moderada Deficiência Cognitiva 0 0 Grave Deficiência Cognitiva 0 0 TOTAL 10 100 Fonte: Dados da pesquisa. No que diz respeito à educação em saúde, os idosos participantes da pesquisa foram questionados quanto ao entendimento dos mesmos sobre atividades de educação em saúde, conforme observado nas falas transcritas abaixo: “[...] O que eu entendo é isso que a gente vê aqui na oficina da memória [...] É a prática ligada no dia-a-dia, que é importante pra conscientização que a gente adquire, por que muitas vezes a gente é alheio à um tema, à uma abordagem que vocês fazem, a gente não vê a importância que aquilo traz e repercute pra gente [...]” (Idoso B). “Eu acho que é pra melhorar mais o empenho das pessoas, o conhecimento da gente e é muito bom pra ativar a memória.” (Idoso E). “[...] São coisas benéficas onde está fazendo avaliação do nosso comportamento, por que a gente pode até passar despercebido e quando vê tá num buraco negro como diz a história.” (Idoso H). Com relação as preferências de realização das atividades de educação em saúde no projeto de Oficina da Memória o grupo destaca as palestras e dinâmicas como sendo as preferidas, seguido das paródias, cartilhas, encenações e outros, conforme apresentado na tabela abaixo. Tabela 3 - Atividades de educação em saúde. Atividades de educação em saúde. N % Palestra 9 39,1 Cartilha 1 4,3 Encenação 1 4,3 Paródia 2 8,9 Dinâmicas 9 39,1 Outros 1 4,3 Fonte: Dados da pesquisa. Quando questionados quanto às estratégias utilizadas para a realização das atividades, foram destacadas a seguir algumas das respostas mais relevantes: “Acho ótimo que é pra gente ficar mais ativo. Às vezes a gente tá esquecido e quando faz aquelas dinâmicas já se lembra das coisas. É muito bom pra saúde da gente” (Idoso A). “Eu acho muito bom, ótimo, acho que é útil para as pessoas, para abrir o universo à pessoa, renovar a pessoa. São satisfatórias, nós conseguimos entender e absorver o que se fala” (Idoso D). “Eu acho divino e maravilhoso, por que dá mais sabedoria, mais clareza a nossa vida, mais experiência e aqui nesses momentos ninguém sabe o que é estresse, é só alegria.” (Idoso G) 132 Pesquisa e Extensão: Unipê “Acho muito benéfica, por que isso estimula nosso cérebro, nossa coordenação motora [...], tudo é benéfico” (Idoso H). Os relatos dos idosos pesquisados quanto aos temas abordados indicam que os mesmos, em sua totalidade encontram-se satisfeitos com os temas abordados nas atividades de educação em saúde no projeto, conforme observado nas seguintes falas: “Acho sim, por que eles fazem a gente tomar mais consciência da situação da gente [...] é muito instrutivo o que vocês passam pra gente, por que a gente pensa que só acontece com o outro e não com a gente, ou então a gente sabe e aquilo tá muito adormecido na cabeça da gente [...]” (Idoso B). “[...] São muito interessantes por que muitas pessoas não sabem como se posicionar durante o dia, como dormir e tudo isso é útil para a terceira idade [...]” (Idoso D). “São interessantes demais, por que às vezes a gente tem um problema e não sabe e aqui a gente já aprende mais” (Idoso E). “É muito interessante por que me deram mais conhecimento, aprendi muito com essas aulas [...] às vezes alguém faz uma pergunta e a gente nem sabe responder e com aprendizado a gente já sabe né?” (Idoso J). Quando questionados sobre sugestões de novos temas a serem abordados no projeto, os mesmos mencionaram como temas: primeiros socorros, doença de Parkinson, doença de Alzheimer, varizes, problemas de estômagos, glaucoma, hábitos saudáveis e assistência da família ao idoso. Dentre os dez idosos pesquisados, apenas dois não citaram nenhuma sugestão de novos temas. Desse modo, pode-se observar que estas sugestões estão atreladas às formas como essas atividades são realizadas, visto que a diversidade dos temas abordados e o trabalho em grupo favorece a troca de saberes entre os participantes e o profissional de saúde, assim como na facilitação do processo de tomada de decisões como já abordado anteriormente. Finalmente no que se refere à forma que essas atividades têm influenciado na sua vida diária e nas suas tomadas de decisões, pode-se perceber que a maioria dos idosos afirmou que essas atividades têm ajudado a obter um maior esclarecimento sobre os problemas relacionados ao processo de envelhecimento, conforme as falas abaixo: “Sim, porque a gente aprende como é que luta com as doenças, dá mais força pra gente saber como é que evita as doenças também [...]” (Idoso A). “Dá mais experiência, e eu acho que esse momento aqui ensina como a gente se defender das angústias e de tantas outras coisas” (Idoso G). “Eu acho muito boa essas atividades por que muitas vezes a gente tem nossos reflexos melhorados. Isso influência muito no nosso dia-a-dia, e sempre a gente procura melhorar de acordo com os ensinamentos, e isso influencia muito e o aprendizado também” (Idoso H). “Influencia na minha vida diária, porque depois que meu marido morreu eu fiquei muito só [...] eu aprendo muito aqui [...] então isso ajuda nas decisões que eu tomo e é muito bom, só me trouxe coisas boas” (Idoso J). DISCUSSÃO Considerando que dos 10 idosos entrevistados, 80% (n=8) eram do sexo feminino, no que diz respeito ao sexo, observou-se uma predominância maior do sexo feminino, indo de encontro com o que determina Nicodemo e Godoi (2010) quando afirmam que as mulheres constituem a maioria da 133 Pesquisa e Extensão: Unipê população idosa em todo o mundo. Os resultados da pesquisa corroboram com os dados do IBGE (2010) que segundo o Censo Demográfico 2010, há no Brasil uma relação de 96 homens para cada 100 mulheres. Salgado (2002) complementa ainda relatando que a presença de um grande número de mulheres em idade avançada é, em muitas sociedades, um fenômeno demográfico recente. Essa maior proporção de mulheres do que de homens nesse grupo populacional resulta de uma desigualdade de gênero na expectativa de vida, isso se justifica pelo fato de que as mulheres vivem, em média, sete anos mais do que os homens. Quanto à faixa etária dos idosos pesquisados, percebeu-se uma predominância na faixa etária entre 63-66 anos, e que a idade máxima foi de 72 anos, sendo a idade média de 63,7 anos com desvio padrão de 2,99 anos. Tais resultados corroboram com os estudos de Oliveira (2006) que constatou em sua pesquisa que a população de idosos em Santos apresenta um envelhecimento com maior proporção de “jovens idosos” (entre 60 a 69 anos). Sobre o estado civil, constatou-se que o maior número de idosos distribuiu-se entre casados e viúvos. Assim, quando tenta-se relacionar o estado civil com o sexo Paschoal, Franco e Salles (2007) afirmam que há uma grande discrepância entre os sexos no que diz respeito ao estado civil. Notando-se ao analisar o estado marital da população idosa, que mais de 3/4 dos homens vivem em companhia de cônjuge, enquanto 2/3 das mulheres são viúvas, solteiras ou separadas. No que se refere à escolaridade, todos os entrevistados receberam algum tipo de alfabetização, mesmo que por níveis de ensino variáveis. Diante deste contexto, Oliveira (2006) destaca que a escolaridade do idoso brasileiro melhorou, principalmente entre as mulheres idosas, que em 1940 eram 74,2% analfabetas e em 2000 são menos de 30%, e que houve aumento na quantidade de anos de estudo, sendo que o primeiro segmento de idosos (60 a 79 anos) teve mais anos de estudo acumulados que o segundo. E sobre os resultados obtidos a partir do MEEM, em que todos tiveram função cognitiva íntegra, Antunes (2001) explica que a atividade física regular pode levar a melhora de funções cognitivas como: memória, atenção, raciocínio e praxia. Almeida, Beger e Watanabe (2007) destacam ainda que atividades promotoras de estimulação mental podem contribuir na prevenção do declínio cognitivo. Esta realidade pode estar também associada ao fato de que estes idosos estão inseridos em um programa de atividades físicas, assim como inseridos nas atividades da Oficina da Memória. Quanto às atividades de educação em saúde, observou-se nas afirmações apresentadas dos idosos que a educação em saúde é uma ferramenta de orientação, intervenção e cuidado, além de ser um meio de comunicação entre a comunidade e o profissional de saúde, de resolução de problemas e mudança de hábitos. Constatouse, ainda, que os mesmos relacionam a educação em saúde ao processo de promoção e prevenção da saúde. Nessa mesma direção, Mialhe et al. (2009) afirmam que a educação em saúde é considerada uma importante estratégia para a promoção da saúde, voltada a promover mudanças nos campos educacionais, organizacionais, econômicos e ambientais. Porém, a educação em saúde não está apenas preocupada com a comunicação da informação, mas também com a promoção da motivação, habilidades e confiança, necessárias para que as pessoas tomem medidas para melhorar a saúde. Para tanto, os mesmos complementam que a educação em saúde pretende ir muito além do que simplesmente informar ou tentar mudar comportamentos, buscando preparar o indivíduo para o controle e responsabilidade sobre sua própria saúde e saúde da comunidade, preparar para o empoderamento, para a participação, para a tomada de decisões, e para atuar sobre os fatores determinantes e condicionantes de sua saúde e qualidade de vida. Entretanto, observou-se que os idosos demonstraram pouco entendimento sobre o assunto, uma vez que de acordo com Souza et al. (2011) na área da saúde, a educação tem como finalidade integrar os saberes científico e popular, na tentativa de estimular o indivíduo a uma maior participação responsável e autônoma, frente ao cuidado com a sua saúde, caracterizando a Educação em Saúde. Para tanto, Souza et al. (2005) afirmam, com base nas ideias de Paulo Freire, a importância do modelo educativo que trabalha com o desenvolvimento da consciência crítica, processo facilitador pelo trabalho conjunto de análise coletiva dos problemas vivenciados pelos indivíduos e a busca de 134 Pesquisa e Extensão: Unipê soluções e estratégias conjuntas para a mudança da realidade. Pode-se constatar ainda que essa falta de compreensão de parte dos idosos, pode estar associada à baixa escolaridade, visto que os idosos que apresentaram respostas coerentes sobre o tema questionado foram os mesmos que apresentaram um melhor nível de escolaridade que os demais. Tal situação também foi abordada por Lamarca e Vittore (2012) ao afirmar que a escolaridade tem se mostrado como um importante determinante social para desfechos em saúde. Esta situação é comum em todo Brasil, e no Nordeste, por exemplo, os efeitos da educação sobre a saúde do indivíduo são maiores para as mulheres, para os grupos de maior renda e maior idade, apesar de todos os casos mostrarem a relação positiva esperada entre educação e saúde. Com relação às preferências de realização das atividades de educação em saúde no projeto de Oficina da Memória, chama-se a atenção para as palestras e dinâmicas. Desse modo, observa-se que, para a realização dessas atividades, os profissionais responsáveis devem se basear no modelo dialógico onde, de acordo com Fernandes e Backs (2010), o diálogo deve ser reconhecido como necessário para o desenvolvimento do processo educativo, bem como condição para a construção do conhecimento, como forma de problematização dos conteúdos do saber. Nessa perspectiva, Laperriére (2007) relata que o modelo dialógico estimula o potencial criativo e inovador das práticas pedagógicas, utilizando recursos como teatro, músicas e paródias, histórias e contos, poesias e danças, demonstrando modificações positivas surpreendentes no processo de aprendizagem. É importante ressaltar que vários idosos citaram mais de uma forma de realização dessas atividades. Com relação a opção outros foi citado o vídeo como preferência de realização dessas atividades, uma vez que a proposta da Oficina da Memória é proporcionar uma maior interação entre os idosos e a diversidade de técnicas utilizadas para a realização dessas atividades favorece a troca de conhecimento entre os participantes. Dessa forma, para Souza et al. (2005), o trabalho em grupo é uma forma de libertação do homem que sozinho está alienado, e ao participar de um grupo, cada indivíduo tem a possibilidade de expressar seu pensamento, dar sua opinião, seu ponto de vista ou seu silêncio. No que tange às estratégias utilizadas para a realização das atividades, pode-se observar que os idosos em sua totalidade aprovam as estratégias utilizadas para a realização dessas atividades. Evidenciase ainda que os mesmos interligam a realização dessas atividades a uma forma de estimulação da memória, de aprendizado, de lazer e de fuga da solidão. Para Yassuda (2002), muitos estudos indicam que atividades envolvendo técnicas de memorização, relaxamento e atenção podem gerar efeitos positivos e duradouros em idosos, especialmente quando empregadas em grupo. Almeida, Beger e Watanabe (2007) complementam que medidas como manter boa saúde física, evitar sedentarismo e inatividade, reduzir estresse, manter bom humor e amizades podem melhorar a saúde em geral, inclusive, cerebral. No trabalho em grupo, os sujeitos podem se beneficiar com as trocas de experiências que ocorrem entre eles e, também, com as contribuições do profissional de saúde (SOUZA et al, 2005). Por fim, Victor et al. (2007) afirmam que na terceira idade, as atividades sociais constituem aberturas para o estabelecimento de novos canais de comunicação entre as pessoas. O engajamento em atividade de grupo tem mostrado mudanças no comportamento dos idosos, principalmente, no círculo de amizade, que é ampliado, contribuindo assim, para romper situações de solidão. Os relatos dos idosos pesquisados quanto aos temas abordados indicam que os mesmos, em sua totalidade encontram-se satisfeitos com os temas abordados nas atividades de educação em saúde no projeto. Portanto, pode-se relacionar essa satisfação dos idosos com as estratégias utilizadas à diversidade de técnicas abordadas nos encontros, como também à abordagem de temas que estão relacionados ao cotidiano da terceira idade. Para tanto, Martins et al. (2007) afirmam que o trabalho de educação em saúde em grupo estimula o conhecimento dos problemas relacionados ao processo de envelhecimento, tanto os profiláticos, de cura e reabilitação, quanto os físicos e psicológicos. Ainda em relação à questão acima analisada, observa-se que a realização de atividades educativas centradas no modelo radical de educação em saúde, busca construir uma consciência 135 Pesquisa e Extensão: Unipê crítica coletiva com o objetivo de promover a autonomia desses idosos, respaldando ainda a satisfação dos mesmos quanto a essas atividades. Oliveira, Andrade e Ribeiro (2009) afirmam que educador em saúde desempenha um papel de facilitador das descobertas e reflexões dos sujeitos sobre a realidade, facilitando o processo de construção ou reconstrução dessa realidade. Para isso, o educador em saúde ao desenvolver seu trabalho educativo deve levar em conta à relação entre a vida dos indivíduos e a estrutura da sociedade onde estão inseridos, estimulando-os sempre a agir como sujeito de suas próprias vidas. Os mesmos autores ressaltam ainda, que ao trabalhar com base neste enfoque o profissional deve ser capaz de instrumentalizar os participantes do grupo a desenvolver sob uma consciência crítica o exercício da sua autonomia frente ás decisões de saúde. Finalmente sobre a forma que essas atividades têm influenciado na sua vida diária e nas suas tomadas de decisões, a maioria dos idosos afirmou que essas atividades têm ajudado a obter um maior esclarecimento sobre os problemas relacionados ao processo de envelhecimento. Tais afirmações levam a uma perspectiva abordada por Dall’Agnol et al. (2007), afirmando que a educação em saúde é uma estratégia que proporciona aos indivíduos sua inclusão como coadjuvantes do processo de cuidar em saúde para tomar decisões sobre os aspectos que melhorem sua qualidade de vida. Desse modo, aprendizagem é visualizada como inerente ao processo de educação e necessária para que esses indivíduos possam apreender as possibilidades de escolha coerentes com seu contexto. Assis (2005) complementa que a experiência e os conhecimentos que informam a vida prática das pessoas são base para a abordagem educativa, nessa perspectiva deve-se criar contextos favoráveis à reflexão sobre como as pessoas lidam com a saúde/doença, as dificuldades que enfrentam e as estratégias correspondentes diante das adversidades do contexto social. Portanto, Souza, Wegner e Gorini (2007) afirmam que a prática educativa em saúde é uma ferramenta importante para a estimulação dos princípios que regem a noção de autocuidado, ou seja, é por meio dela que se busca um viver saudável. Desse modo, ressalta-se ainda, que por meio da educação em saúde radical os sujeitos são empoderados por meio da autonomia que recebem para optar pelo melhor caminho a seguir. CONSIDERAÇÕES FINAIS O envelhecimento populacional é uma realidade mundial e deve-se principalmente à diminuição da mortalidade e da fecundidade e ao prolongamento da expectativa de vida. Desse modo, o envelhecimento progressivo da população constitui um problema com implicações médicas, econômicas, sociais e políticas, já que o idoso sofre modificações biopsicossociais, necessitando assim de atenção especial. A partir dessa nova realidade, surgem os desafios voltados para a promoção de um envelhecimento saudável, visto que a autonomia e a independência deverão sempre ser a meta buscada. Desse modo, as atividades de educação em saúde vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de estimular a independência, autonomia e o autocuidado, melhorando assim a qualidade de vida da pessoa idosa. Foi nessa perspectiva, que a pesquisa buscou analisar a percepção dos idosos participantes do projeto de Oficina da Memória quanto às atividades de educação em saúde desenvolvidas no projeto. Inicialmente, pode-se constatar, quanto aos aspectos sócio-demográficos, que a população estudada apresentou uma faixa etária distribuída entre 63 e 72, havendo uma maior prevalência do sexo feminino. Percebeu-se ainda que os idosos em sua maioria eram casados e viúvos e que todos receberam algum tipo de alfabetização, caracterizado por níveis de escolaridades variáveis. E no que diz respeito às atividades educativas desenvolvidas no projeto de extensão, podese perceber que palestras, cartilhas, encenações, paródias e dinâmicas foram consideradas como as estratégias educativas mais utilizadas e dentre essas os idosos relataram em sua maioria uma maior preferência pelas palestras e dinâmicas. Além disso, diante dos dados analisados, observou-se que os idosos pesquisados relacionam as atividades de educação em saúde ao processo de prevenção 136 Pesquisa e Extensão: Unipê e promoção da saúde. Desse modo, durante o desenvolvimento do estudo, ficou comprovado que a abordagem de temas relativos ao idoso, contribui para o desenvolvimento de uma consciência crítica dos idosos para o exercício da sua autonomia frente ás decisões de saúde. Conclui-se que as estratégias utilizadas no projeto de Oficina da Memória têm se mostrado eficazes para que os idosos desfrutem de um maior esclarecimento sobre os problemas relacionados ao processo de envelhecimento, como também para que os mesmos tenham um maior empoderamento para realizar suas tomadas de decisões quanto aos fatores determinantes de sua saúde. Considera-se ainda que as atividades promotoras de estimulação mental realizadas no projeto podem contribuir na prevenção do declínio cognitivo dos participantes, como também têm se mostrado aliadas às atividades de educação em saúde, visto que as mesmas também atuam na estimulação da independência, autonomia e o autocuidado da pessoa idosa. Além disso, podese constatar ainda que o trabalho em grupo pode ser considerado como uma técnica facilitadora para o processo de aprendizagem dos mesmos, além de permitir a troca de experiência entre os participantes. É importante destacar também que foram encontradas algumas dificuldades para a realização desse trabalho como redução do número de idosos participantes do projeto de extensão, decorrentes de alterações administrativas no Clube da Pessoa Idosa, além do número de faltosos ter se acentuado no decorrer do semestre. Porém, vale ressaltar que, mesmo com algumas dificuldades, os idosos sempre fizeram o possível para contribuir e facilitar o desenvolvimento das atividades. Por fim, vale a pena destacar que a atuação do fisioterapeuta na atenção primaria à saúde do idoso pressupõe uma adequação de sua prática à saúde, demonstrando a sua adequação ao modelo assistencial de saúde que visa a promoção da saúde. Desse modo, observa-se que o fisioterapeuta tem se mostrado como um profissional multidisciplinar quebrando os paradigmas que esse profissional é um mero reabilitador, e que está inserido em todos os níveis de atenção à saúde. REFERÊNCIAS ALMEIDA, M.H.M.; BEGER, M.L.M.; WATANABE, H.A.W. Oficina de Memória para idosos: estratégias para precaução da saúde. Interface, Botucatu, v.11, n.22, 2007. ALMEIDA, T.L. Características de cuidadores de idosos dependentes no contexto da saúde da família. Dissertação (Mestrado - Enfermagem). Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 2005. ASSIS, M. Envelhecimento ativo e promoção da saúde: reflexão para as ações educativas com idosos. Revista APS, v.8, n.1, p. 15-24, jan./jun. 2005. BERTO, R.M.V.S.; NAKANO, D.N.A Produção Científica nos Anais do Encontro Nacional de Engenharia de Produção: um levantamento de métodos e tipos de pesquisa. Encontro Nacional de Engenharia de Produção (Enegep). São Paulo, 2008. DALL´AGNOL, C. 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(2015), expressam que o aumento da expectativa de vida tem impactando diretamente na formação de grupos de idosos que objetivam promover maior socialização e funcionalidade dentro dos aspectos físicos e mentais. Como impactos pessoais, observou-se um crescimento pessoal e individual de todos os participantes envolvidos, pois trabalhar com idosos, além de muito gratificante é um grande aprendizado, pois se passa a compreender o seu ritmo, respeitar suas dificuldades e a nos preocuparmos com o nosso futuro. Messa et al. (2015) ressalta ainda que as atividades de extensão com idosos possibilitam troca de experiências e uma comunicação intergerencional que engrandece a vida dos participantes no âmbito pessoal. Lucena et al. (2016), expressam que as práticas educativas em grupo, além de consistirem em importante instrumento de socialização e concretização das atividades de educação em saúde, estimula a participação e interação entre os participantes, concretizando o efetivo estabelecimento de vínculo. Os autores supracitados explicitam ainda que as atividades em grupo visando promoção de envelhecimento saudável são fundamentais e concretizam momento ideal para o conhecimento de suas necessidades, além de incluírem o idoso no convívio social e na realização de atividades de estimulação física e mental. Dentro de uma perspectiva geral, observa-se, por parte dos extensionistas, uma grande dedicação e amor nas atividades que foram executadas. E, com relação aos idosos, observou-se uma grande aceitação com as atividades propostas, mesmo com as novas tecnologias utilizadas, bem como interesse e dedicação com as atividades e integração com os demais participantes. CONSIDERAÇÕES FINAIS: As atividades propostas por este projeto de extensão vêm contribuindo para uma melhor integração do processo ensino/aprendizagem e a prática terapêutica aplicada, favorecendo a formação de um profissional crítico e reflexivo a partir da inserção na comunidade. Além disso, tem contribuído para a promoção melhor qualidade de vida na velhice, através de uma maior autonomia funcional, e a uma melhor socialização, o que repercute diretamente na autoestima e da autovaloração pessoal. Aponta-se como limitação do desse projeto de extensão a pequena abrangência do projeto, no sentido em integrar extensionistas de diferentes áreas, o que possibilitaria, além de uma abordagem multidisciplinar, um maior número de idosos atendidos pelo programa. De toda maneira, todos os esforços destinados ao bem-estar e qualidade de vida das pessoas idosas atendidas pelo programa foram sempre evidenciados pelos participantes, e essas concepções são consideradas as grandes molas estimuladoras da equipe participante. REFERÊNCIAS: ASSIS, M. Envelhecimento ativo e promoção da saúde: reflexão para as ações educativas com idosos, Revista APS, v.8, n.1, p. 15-24, jan./jun, 2005. BITTAR, C.; LIMA, L.C.V. de. O impacto das atividades em grupo como estratégia de promoção da saúde na senescência. Revista Kairós Gerontologia, n. 14, v. 4, São Paulo (SP), Brasil, Setembro, p. 101-118, 2011. CIOSAK, S.T.; et al. Senescência e Senilidade: Novo Paradigma na Atenção Básica de Saúde. Revista Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, ano VII, nov/2011. 145 Pesquisa e Extensão: Unipê IBGE. Censo Demográfico 2010, site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Rio de Janeiro, 2011. 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A amostra foi de 09 idosas, ocorrendo de maio a julho de 2014, totalizando 30 intervenções utilizando os jogos do Nintendo Wii® e do X-Box 360 Kinect®. Resultados: Na análise das atividades de vida diária não houve diferença estatística na pré e pós-intervenção (p=0,339). No desempenho físico as idosas apresentaram resultados positivos na marcha (p=0,013) e no Total dos domínios (p=0,03). Na satisfação com o serviço 55% das idosas atribuíram o valor máximo de 32 pontos à prática da Gameterapia indicando que a atividade correspondeu às expectativas das pesquisadas. E no questionário sobre a prática com os exergames a Gameterapia proporcionou prazer contribuindo para o bem-estar físico geral segundo as pesquisadas. Considerações Finais: Os games resultam em uma nova estratégia em saúde com fins de proporcionar melhora e/ ou manutenção da autonomia funcional no idoso e promoção do envelhecimento saudável. Palavras-chave: Saúde do idoso. Desempenho físico. Exergames. 1 Graduação em andamento em Fisioterapia , [email protected] 2 Doutorado em Evolución Humana, Antropología Física y Forens, [email protected] 3 Mestrado em neurociência cognitiva e comportamento, [email protected] Recebido: 29/09/2015 Aceito: 04/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de Fisioterapia, BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 147 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO A preocupação crescente com a população idosa está diretamente relacionada ao aumento da expectativa de vida, principalmente nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O envelhecimento populacional é hoje um fenômeno universal, de modo crescente, no Terceiro Mundo. O aumento da expectativa de vida deve-se, à redução da mortalidade infantil, que progressivamente foi atingindo as demais idades. Em todo mundo, como também no Brasil, a redução da mortalidade da população idosa foi a que mais se evidenciou, levando ao aumento populacional dessa faixa etária (OLIVEIRA, 2011). Segundo dados do IBGE 2010 apud Silva et al. (2010), a população de idosos representa um contingente de quase 15 milhões de pessoas com 60 anos, mais de 8,6% da população brasileira, onde as mulheres são maioria, representando cerca de 8,9 milhões (62,4%). Estima-se que nos próximos 20 anos, a população idosa do Brasil ultrapasse 30 milhões de pessoas o que deverá representar quase 13% da população ao final deste período. O Estado da Paraíba possui um contingente de idosos maior do que a existente na média nacional, justificando-se esse fato pelo declínio da fecundidade, aumento da longevidade, aos movimentos migratórios e à dinâmica populacional do Estado. Mais especificamente, a cidade de João Pessoa apresenta uma média menor que a do estado, porém maior que a média nacional (CAVALCANTI, 2006). O processo de envelhecimento natural ou senescência é acompanhado por diversas alterações morfofisiológicas e psicossociais, realidades estas que exigem adaptações do meio externo e adaptabilidade da pessoa idosa à sua nova condição (CANCELA, 2007). Dentre as principais alterações que surgem com o avanço da idade destaca-se o declínio do desempenho físico, causado por alterações posturais e osteomioarticulares resultando na diminuição da força muscular e alterações da motricidade global, tais como equilíbrio, coordenação e marcha (MEIRELES et al., 2008). Apesar de todas as mudanças da senescência serem encaradas por muitos negativamente, cada pessoa as enfrenta de forma particular. Alguns aspectos do envelhecimento podem ser encarados como barreiras para uns, enquanto que para outros, nada mais são do que a oportunidade de vivenciar o novo, verificando que no idoso acontece um avanço gradativo na retrogênese psicomotora, refletindo em uma desorganização funcional dos fatores psicomotores, podendo apresentar um declínio da sua capacidade física e cognitiva, levando-o a uma perda progressiva da autonomia e independência (SANTOS; LIMA, 2005). Nesta perspectiva, os exergames através da gameterapia vêm sendo utilizada na estimulação funcional de idosos, utilizando-se jogos do Nitendo wii® e o X-BOX KINECT® como uma forma lúdica de estimulação de vários aspectos físicos e das funções psíquicas superiores, tais como: aprendizagem motora, planejamento e correção do ato motor, concentração, sensação e percepção para a resolução das tarefas propostas pelo jogo, além da competitividade e interatividade virtual com vistas também na promoção da satisfação com a prática desta atividade trabalhando diferentes elementos envolvidos nestas ações (LEMOS; SILVA, 2012). Dessa maneira, a presente pesquisa teve por objetivo analisar o desempenho físico e a satisfação com a prática dos exergames em idosos ativos submetidos a um protocolo de intervenção da gameterapia. MÉTODO TIPO DE ESTUDO O estudo caracteriza-se como uma pesquisa de campo, quase experimental com delineamento quali-quantitativo. 148 Pesquisa e Extensão: Unipê PARTICIPANTES A população da presente pesquisa foi constituída por idosos ativos que frequentam um Centro de Convivência para Pessoa Idosa – CCI no município de João Pessoa-PB, onde foi realizado o presente estudo. A amostra inicial foi constituída por 12 idosos, ocorreu uma perda amostral de 03 idosos que não puderam permanecer no estudo por manifestar problemas de saúde ao longo das atividades (cansaço, tontura, queda no âmbito residencial com fratura de MMSS) resultando 09 idosos que participaram da avaliação, intervenção e que preencheram os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. INSTRUMENTOS Inicialmente foram coletadas informações sociodemográficas para caracterização da amostra, através de um questionário semi-estruturado com informações tais como: sexo, idade, doença préexistente, estado civil, escolaridade e atividades físicas e de lazer desenvolvidas. O intuito foi realizar a triagem dos idosos, seguindo os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos para o presente. Em subsequente, foi utilizado o Mini Exame de Estado Mental - MEEM como critério de inclusão na pesquisa, com fins de rastreio do estado cognitivo para seleção da amostra, bem como para avaliação do desempenho cognitivo pós-intervenção com o Protocolo de Treinamento Neuropsicomotor da Gameterapia – PTNG. Ainda nesse âmbito, foi utilizado a Escala Bayer de Atividades da Vida Diária (B-ADL), a fim de realizar uma avaliação pré e pós-intervenção do PTNG. A Escala Bayer de Atividades de Vida Diária – B-ADL, trata-se de uma escala que avalia o desempenho dos idosos pesquisados com relação às atividades de vida diária. Para a análise da variável desempenho físico, foi utilizado o Short Physical Performance Battery - SPPB que consiste em testes que avaliam através do escore de tempo o equilíbrio, a marcha e a força de MMII validado no Brasil por Nakano (2007). No que concerne à avaliação da satisfação dos idosos ativos com a prática dos exergames foi utilizado o CSQ-8 que se trata de uma medida global do grau de satisfação do cliente com o serviço oferecido. Foi utilizado também um questionário semi-estruturado, contendo itens acerca da satisfação do idoso com os exergames através da Gameterapia. Este questionário é composto por 09 questões com modelo de resposta do tipo dicotômica “sim” ou não”, com espaço para expor livremente a opinião sobre a intervenção com o PTNG. Ele foi respondido pelos participantes mediante supervisão do pesquisador responsável, que se colocou a disposição para dirimir quaisquer dúvidas existentes. PROCEDIMENTOS Os dados da pesquisa foram coletados durante um período de 3 meses, de Maio a Julho de 2014, somando a avaliação, intervenção, reavaliação e análise dos dados. O Protocolo de Treinamento Neuropsicomotor da Gameterapia (PTNG) foi aplicado na frequência de 3 vezes por semana, totalizando 30 encontros de intervenção, com duração de 1 hora, com tomadas de medidas repetidas realizadas na sessão 0, e após o PTNG, ou seja após a sessão número 30. A PTNG foi estruturada da seguinte maneira: 1) realização de alongamento em grupo, com duração de 10 minutos utilizando o jogo Just Dance 2 do Nintendo Wii®; 2) aplicação do protocolo de intervenção com os jogos do Wii-Fit, Wii Sports, XBox Adventures e Sports, Your Shape Fitness Envolved 2012 em pequenos grupos, objetivando o treino do equilíbrio corporal, a força de membros inferiores e marcha, com duração de 40 minutos e 3) finalização da atividade com o jogo Dance Central 1 e 2 do X-BOX 360 Kinect® e do Nitendo Wii®, com duração de 10 minutos. 149 Pesquisa e Extensão: Unipê ANÁLISE DOS DADOS Ao final do procedimento de coleta e identificação dos dados, foram armazenados em uma planilha do Microsoft Excel e em seguida repassados para o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20.0, no qual foi realizada a análise descritiva: média, desvio padrão, valores máximo e mínimo, variáveis numéricas e frequência absoluta e relativa para as variáveis categóricas. Os valores da Escala Bayer e do SPPB para equilíbrio corporal, marcha e força de membros inferiores, foram analisados quanto à normalidade pelo teste Shapiro-Wilk, confirmada a distribuição normal destas variáveis, foi realizada análise inferencial com o teste T pareado para diferença de médias. O nível de significância adotado foi de 0,05. A análise qualitativa se deu mediante a leitura e seleção de informações que foram coletadas através de um questionário de autoavaliação sobre a temática: Satisfação das idosas com a prática com os exergames. Foram selecionadas quatro frases que expressaram o entendimento da maioria acerca da atividade vivenciada. Em seguida, as frases foram transcritas e apresentadas como resultados RESULTADOS E DISCUSSÃO Esta divisão apresenta a análise e discussão dos resultados obtidos nesta pesquisa com a análise das variáveis sociodemográficas com intuito de caracterizar a amostra, dos quais foram discutidos o: gênero, idade, grau de escolaridade, estado civil e a situação ocupacional. Em seguida, foram dispostos os resultados do desempenho físico das idosas ativas pré e pósintervenção, através da análise comparativa das médias obtidas nos testes de equilíbrio, velocidade de marcha, força de membros inferiores; foram apresentados os dados da avaliação das atividades de vida diária e a análise da satisfação das idosas ativas com a prática dos exergames. CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA A população do estudo compreendeu 09 idosas do sexo feminino, com idade mínima de 62 anos e máxima de 95 anos, com média de 70 anos (DP 11,14). A maioria (33%; n=3) apresentou escolaridade caracterizada como nível fundamental incompleto, 78% (n=7) casadas, apresentando, 100% (n=9) com situação ocupacional sendo aposentadas (Tabela 1). Tabela 1Características de escolaridade e estado civil das idosas participantes do PTNG no CCI 2014. Variável N % Escolaridade Fundamental incompleto Médio completo Médio incompleto Superior completo Superior incompleto 03 02 01 02 01 34 22 11 22 11 Estado Civil Casada Viúva Solteira 07 01 01 78 11 11 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. 150 Pesquisa e Extensão: Unipê Apesar da amostra do presente estudo ser composta em sua totalidade pelo gênero feminino, este dado reflete semelhança em outros estudos com idosos. Segundo o estudo de Philippi et al. (2007), que realizaram um estudo com idosas que participavam de grupos de convivência para idosos (n=198) em Florianópolis-SC, quanto “mais velho” o contingente estudado maior será a presença do gênero feminino, pelo fato da longevidade estar mais evidenciada nas mulheres, que vivem em média oito anos a mais que os homens. No estudo de Hott e Pires (2011), realizado junto a 184 idosos, verificou-se que 88,6% (n=163) era do gênero feminino na cidade de Fabriciano-MG. Segundo os autores a maior presença deste público na pesquisa ocorre pela expectativa de vida das mulheres ser maior em relação a dos homens no município estudado. Em relação ao nível de escolaridade esta pesquisa está em consonância com outros estudos, tais como os resultados apresentados por Pavarini et al. (2008) e Gutierrez, Auricchio e Medina (2011), onde o nível de ensino fundamental incompleto apresentou-se como uma realidade. De acordo com esses autores, trata-se de uma realidade dos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil, uma vez que retrata a infância dos idosos dentro de uma perspectiva no qual o ensino não era considerado prioridade, constituindo uma condição desfavorável ao idoso. Além disso, ressaltam os autores que a instrução está diretamente relacionada à qualidade de vida, ao bem-estar e longevidade, repercutindo na vida do idoso. Pessôa (2013) em seu estudo sobre o perfil de funcionalidade de idosas no Distrito Federal constatou que a maioria das idosas estudadas apresentava status civil “casadas”, o que representou 52,1% (n=48). Para o autor, esse status é bastante positivo, uma vez que configura um apoio familiar, resultando em maior cuidado e sensação de bem-estar. ANÁLISE DAS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA DAS IDOSAS PARTICIPANTES Pela escala de Bayer, quando o escore total é menor que 2,58 esse resultado é caracterizado como um bom desempenho. De maneira geral, comparando-se as médias do grupo, verifica-se que a maioria, apesar de já apresentar bom desempenho das AVD na tomada de medida pré-intervenção, melhorou seu desempenho na tomada de medida pós-intervenção, alcançando valores médios mais baixos (Tabela 2). Tabela 2 – Valores das médias, desvio padrão e nível de significância do Bayer pré e pós intervenção. Variável Pré-intervenção ** Pós-intervenção ** p-valor Escala Bayer 1,17 (DP 0,57) 0,95 (DP 0,64) 0,339 (**) Valores apresentados em média e desvio-padrão (DP). Fonte: Dados da pesquisa, 2014. No estudo comparativo do desempenho de AVD utilizando-se do B-ADL, entre dois grupos, sendo, um de idosos depressivos (GD) e outro sem depressão (GND), realizado por Bezerra (2011), verificou-se que as médias mostraram-se diferentes onde o GD apresentou escore médio de 2,25 (DP 1,01) e o GND com escore de 1,32 (DP 0,56). Constatou-se nesse estudo, com nível de significância (p<0,001), que os dois grupos apresentaram um bom desempenho de AVD, porém que dentro na categoria “bom desempenho” pode-se observar diferenças que apontam para uma melhor performance, como foi o caso do GND. Na avaliação funcional foi percebido que as idosas conseguiam desempenhar bem suas AVD, apresentando um melhora na comparação das médias pre e pós-intervenção, indicando que o PTNG contribuiu para potencializar a saúde física das pesquisadas. Na comparação com o estudo supracitado o grupo GND se sobressaiu em relação ao GD que mesmo apresentando maiores déficits conseguiu desempenhar bem suas AVD, conduzindo a um pensamento de que, por menor que seja 151 Pesquisa e Extensão: Unipê um indício de alteração emocional, poderá repercurtir negativamente no desempenho funcional de um indivíduo. ANÁLISE DO DESEMPENHO FÍSICO DAS IDOSAS A análise do desempenho físico das idosas participantes da pesquisa foi obtida por meio da soma dos resultados das três variáveis (equilíbrio, força de membros inferiores e marcha). Na comparação das médias das medidas gerais pré e pós-intervenção com o SPPB, observouse melhora em todos os domínios estudados, com incremento dos valores dos escores obtidos após a intervenção, porém com significância estatística para o desempenho da marcha (p=0,013) e na avaliação média geral (p=0,003) como pode ser apreciado na Tabela 3. Tabela 3 – Valores das médias, desvio padrão e nível de significância do SPPB pré e pós intervenção. Variável Pré-intervenção ** Pós-intervenção ** p-valor Equilíbrio corporal 3,56 (DP 0,73) 3,78 (DP 0,44) 0,169 Força de MMII 1,56 (DP 1,01) 2,67 (DP 0,78) 0,095 Marcha 2,78 (DP 0,97) 3,33 (DP 1,00) 0,013 * Total 7,89 (DP 2,03) 9,78 (DP 1,64) 0,003 * (*) Diferença significativa a 0,05. (**) Valores apresentados em média e desvio-padrão (DP). Fonte: Dados da pesquisa, 2014. O processo de envelhecimento provoca alterações na habilidade do sistema nervoso central em processar informações, visuais, vestibulares e proprioceptivos responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal (SILVA et al., 2014). Ferreira et al. (2014) realizou um estudo retrospectivo com 12 idosos após um programa de reabilitação fisioterapêutica convencional para idosos frágeis durante 4 meses na unidade Vila Mariana, do Hospital Albert Einstein, utilizando-se o SPPB. Nesse estudo, na avaliação do equilíbrio corporal pré-intervenção a média inicial foi de 2,91 (DP 1,11) e final de 3,91 (DP 0,27) apresentando uma significância estatística de (p=0,02), constatando-se melhora do equilíbrio corporal na pósintervenção. Diante do exposto, verifica-se que o estudo supracitado corrobora parcialmente com o presente estudo, uma vez que foi possível constatar através das médias uma melhora no equilibro corporal e também através dos relatos das idosas participantes do presente estudo. Porém, só não foi possível demonstrar uma significância estatística que não implica necessariamente em ausência de importância clínica. No estudo de Oliveira e Costa (2011) foram comparadas as médias do SPPB de idosas participantes e não participantes de atividades ofertadas por uma igreja na cidade de Brasília-DF, e no que concerne ao equilíbrio corporal obtiveram-se médias de 3,70 (DP 0,43) para o grupo de participantes da igreja e 3,11 (DP 1,16) para o de idosas não ligadas, porém sem nível de significância (p= 0,188). Observa-se que o grupo que participa de alguma modalidade de exercício físico pode incrementar suas funções de equilíbrio corporal e que as alterações de equilíbrio próprias da velhice podem ser minimizadas quando o idoso permanece ativo. No estudo de Silva et al. (2014), cujo objetivo foi correlacionar as variáveis do SPPB com a ocorrência de quedas, verificou-se que na avaliação de força de membros inferiores os idosos apresentaram melhoria com nível de significância de p<0,01. Mesmo diante desse resultado, 73% das idosas relataram sentir fraqueza muscular em extremidades inferiores o que interferia diretamente no caminhar. 152 Pesquisa e Extensão: Unipê No presente estudo, apesar de não ter havido significância estatística (p=0,095) observou-se um incremento de força de membros inferiores, determinadas pelo incremento dos escores do SPPB em associação com a melhoria da sensação de segurança nos membros inferiores no desempenho da marcha, por muitas vezes relatada pelas idosas participantes. Segundo Garcia et al., (2011), a redução de massa muscular está associada ao processo de senescência, sendo a principal responsável pela diminuição da força muscular e consequentemente interferindo na mobilidade funcional dos idosos. Entretanto, na velhice, além da perda substancial de massa muscular, verifica-se a diminuição da sensibilidade proprioceptiva que nutre o sistema nervoso central com informações acerca da ativação muscular e movimento articular. Dessa maneira, pode-se inferir que a melhoria da sensação de força deve-se ao incremento da percepção em nível cortical gerado pela prática dos exergames o que pode ter fortalecido a imagem corporal melhorando o processamento da informação e consequentemente o gesto de deambular, variável essa que apresentou melhor desempenho, inclusive, com significância estatística. Rosa et al. (2013) em seu estudo comparativo com 20 idosos com média de idade de 69,9 anos (DP 6,80), sendo, 10 idosos sedentários e 10 idosos praticantes do Método Pilates na cidade de Lages-SC, foi observado que na comparação das médias referente a condição funcional dos idosos, ocorreu diferença estatística significativa no teste de velocidade da marcha de (p=0,02), dados esses que corroboraram com o da presente pesquisa. Conclui-se que, se o indivíduo independente da idade realiza algum programa de exercício físico, é possível que se observe mudanças positivas na funcionalidade destas pessoas. Diante de uma análise geral, percebeu-se que na classificação do SPPB que avalia o desempenho físico, as idosas enquadraram-se na pontuação de 7-9 pontos representado como desempenho moderado como pode ser observado. Ainda que, permanecendo na classificação do desempenho como “moderado” a comparação das medidas pré e pós-intervenção apontaram para uma melhoria significativa (p= 0,003) do desempenho físico das idosas. No estudo de Ferreira et al. (2014) todos os idosos demonstraram melhora em pelo menos um domínio avaliado, onde 8 dos 12 idosos estudados apresentaram desempenho moderado saindo da faixa de risco de incapacidade funcional pós-intervenção, apresentando (p <0,001). No estudo comparativo de Rosa et al. (2013) o grupo de idosos praticantes de pilates enquadraram-se na pontuação máxima (10 a 12 pontos) considerado bom desempenho, enquanto o grupo de idosos sedentários apresentaram (7 a 9 pontos) recebendo classificação de desempenho moderado com nível de significância de p=0,001. Através dos resultados obtidos nesta pesquisa, observou-se que houve um incremento tanto no desempenho de atividades de vida diária quanto no desempenho físico, o que pode refletir uma possível relação entre essas variáveis, no sentido de que, quanto melhor o desempenho fisico, melhor seria o desempenho de atividades de vida diária, consistindo em mais um linha de pensamento e reflexão acerca da temática estudada. ANÁLISE DA SATISFAÇÃO DAS IDOSAS COM O SERVIÇO E COM A GAMETERAPIA Na análise da satisfação com a prática da Gameterapia foi utilizado o instrumento CSQ8 que avalia a qualidade do serviço na visão das idosas. Na análise, pontuações de 25 a 32 são consideradas como excelente satisfação. Assim, de acordo com a Tabela 4, o valor mínimo atribuído pelas idosas foi de 30 pontos, o que representou 11% (n=1) da amostra, ao passo que a maioria (55%; n=5) atribuiu 32 pontos equivalendo qualitativamente ao aspecto mais positivo de percepção na escala utilizada 153 Pesquisa e Extensão: Unipê Tabela 4 - Satisfação das idosas com o serviço da Gameterapia no CCI Idosas Pontuação Total 132 2 32 3 32 4 31 5 32 6 31 730 8 31 9 32 Fonte: Dados da pesquisa, 2014. De acordo com Santos et al. (2014), a experienciação da prática de atividades lúdicas a exemplo dos exergames, pode contribuir para a percepção de melhora na qualidade de vida de idosos, uma vez que gera satisfação e divertimento, sendo esses elementos considerados imprescindíveis para o desenvolvimento pessoal e para aumento das relações sociais destes indivíduos. Ainda na análise da satisfação, apesar da totalidade das idosas estudadas ter expressado que desconheciam os exergames, foi unânime (100%; n=9) entre elas a satisfação com a prática dessa atividade expressando, inclusive, a intenção de continuar utilizando os exergames como ferramenta de incremento das habilidades motoras em suas vidas. O reconhecimento da importância de um envelhecimento ativo contribuiu para que as idosas relatassem seus sentimentos, enquanto satisfação e/ou prazer que a atividade com os exergames no projeto da Gameterapia proporcionou, conforme frases transcritas a seguir: “Eu achei o projeto ótimo, eu senti melhora no meu corpo como geral, tanto físico quanto mental” (M.F., 67 anos). “Acho muito importante que todos participem do projeto, pois ajuda muito no desenvolvimento do idoso” (M.K., 71 anos). “Eu me diverti muito nos jogos, nos momentos do baile e melhorei muito meu equilíbrio” (M.D., 81 anos). “Melhorou a dor nas pernas, o equilíbrio e a concentração” (B.Q., 62 anos). Lins e Corbucci (2007) afirmam que a motivação, está na possibilidade de aprender coisas novas, através de atitudes ativas aos novos desafios até mesmo nas idades mais avançadas, onde a satisfação em aprender se faz presente e precisa ser incentivada através da interação e trocas que acontecem durante o desenvolvimento das atividades. Assim constatou-se que a realização do PTNG proporcionou sensações prazerosas, contribuindo para o bem-estar físico e mental das pesquisadas, que apesar de desconhecerem a prática com os exergames, estes, serviram de constructo motivacional para o decorrer da intervenção, contribuindo também para a interação social entre as idosas durante a Gameterapia. CONSIDERAÇÕES FINAIS Entendendo que o envelhecimento bem sucedido consiste na associação da melhora da aptidão física, com a satisfação em praticar as atividades que propõe um estilo de vida ativo, a Gameterapia apresentou-se como coajuvante da fisioterapia buscando traballhar a estimulação e preservação cognitiva, o bem-estar físico e manutenção da independência para realização das atividades de vida diária (AVD). 256 Pesquisa e Extensão: Unipê ARTIGO ORIGINAL AGRESSORES SEXUAIS: VIOLÊNCIA, SEXO E PRAZER Maria das Mercês Maia Muribeca1, Camila Yamaoka Mariz Maia2, Angeli Raquel R. Lucena de Farias 3, Danilla Alves Almeida 4, Elaine Amorim Quirino 5, Teresa Maria Silva dos Santos 6 RESUMO Desde tempos memoriais, a temática da sexualidade humana desperta, sob diversos aspectos, interesse de estudos que se estendem até a contemporaneidade. Diferentes ciências como antropologia, psicologia, medicina, entre outras, buscam desvelar o que está para além do instinto na seara sexual e que tanto influencia as emoções e ações do humano. De sorte, que este estudo nasce de um grupo de pesquisa que mantém seu foco de atenção voltada para o estudo da sexualidade desregrada e violenta, a qual, por diversas vezes desemboca no submundo do crime. Desta forma, criminosos sexuais como: pedófilos, estupradores, agressores, molestadores e abusadores sexuais, tornam-se por excelência o nosso objeto de estudo. A leitura de artigos científicos e livros que tratam sobre o assunto é a metodologia utilizada, assim como, a realização de visitas a três penitenciárias na cidade de João Pessoa, onde foi possível levantarse alguns dados sobre os criminosos sexuais que estão reclusos. Palavras-chave: Sexualidade. Agressores sexuais. Violência. 1 Doutorado em Fundamentos y desarrollos psicoanalíticos, [email protected] 2 Mestrado em Psicologia, [email protected] 3 Graduação em psicologia, [email protected] 4 Graduação em psicologia, [email protected] 5 Graduação em psicologia, [email protected] 6 Graduação em psicologia, [email protected] Recebido: 19/10/2015 Aceito: 19/10/2015 Conflito de interesses: Os autores declaram não existir conflitos de interesse. *Autor correspondente: Centro Universitário de João Pessoa, Coordenação de Psicologia, BR 230, KM 22, s/n, Água Fria, João Pessoa-PB, Brasil. 257 Pesquisa e Extensão: Unipê INTRODUÇÃO Da sexualidade findada para procriação, a sexualidade como prazer e a sexualidade transgressora causadora de crime, são vários trajetos e contextos que a sexualidade perpassou desde os tempos bíblicos até a contemporaneidade. Duarte & Christiano (2012) citam que dentro da história da humanidade, a sexualidade é marcada por mudanças influenciadas pelos pensamentos e ideias que surgem a partir das alterações nos contextos sociais, culturais, políticos, religiosos, econômicos. Assim, diante das neoconfigurações existentes referentes à sexualidade humana, este trabalho preocupar-se-á em analisar a sexualidade no sujeito que exerce sua satisfação sexual de forma violenta e transgressora. Tal curiosidade surgiu a partir dos estudos realizados no grupo de pesquisa que tem como interesse nuclear estudar os comportamentos de pedófilos, agressores, abusadores e estupradores sexuais. Neste sentido, o trabalho permeará no campo das perversões sexuais, sendo estas vivenciadas por sujeitos que, para satisfazerem sua libido sexual, transgridem leis morais, penais e de condição da dignidade humana, ao passo que agridem suas vítimas física e psicologicamente. Para tanto, na primeira parte do artigo, trataremos sobre a historicidade da sexualidade e seu conceito, mas sem o intuito de adentrarmos profundamente no tema, visto que a pretensão deste é tratarmos a sexualidade vinculada à violência, como também, traremos o contexto da sexualidade contemporânea na cultura ocidental, já que o campo da violência e da transgressão sexual situará apenas na mesma. Na segunda parte, trataremos da sexualidade no contexto dos transtornos sexuais, estudando, assim, as parafilias, para em seguida, adentrarmos no campo das transgressões e violências sexuais, compondo a terceira parte do trabalho. UM BREVE OLHAR SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA A sexualidade humana perpassa em sua história desde um cenário de tabus, de vergonha, distorções e tentativas de reduzi-la a sinônimo de genitalidade e de reprodução, e em seus diversos contextos ainda serviu para dar vazão a sentimentos elevados como o amor embora permita também que outros, como a agressividade e a violência, possam manifestar-se por meio dela (BEARZOTI, 1993). Seu conceito depende ainda do campo da ciência em que é estudada que vai desde a antropologia, medicina, psicologia, sexologia, entre outros. Entretanto, a partir da construção sócio-histórica-cultural do ser humano, Carvalho, Rodrigues & Medrado (2005) dizem que o campo da sexualidade fica demarcada como o da interface entre práticas individuais e a esfera pública, sendo, então, plurideterminada, remetendo-nos, a princípio, a uma dimensão biológica, mas também sendo produzida no contexto social, cultural e histórico no qual o sujeito encontra-se inserido. Assuntos envolvendo a sexualidade humana e os sentimentos que ela desperta sempre estiveram presentes desde os primórdios da humanidade. A primeira forma de expressão sexual foi encontrada no período Paleolítico, marcado pelas gravuras nas cavernas até esculturas contemplando o corpo feminino, principalmente as partes íntimas da mulher. Nesta época, marcada pelo místico, havia o culto a fertilidade feminina, haja vista que as comunidades eram comandadas pelas mulheres (SPITZNER, 2005). Ao final da era paleolítica, foram ocorrendo os relacionamentos intertribais surgindo, assim, as famílias, colocando um ponto final nos relacionamentos incestuosos, pois a união dentro de um grupo social tornava inevitável a consanguinidade, “onde o incesto surgia como o primeiro tabu da humanidade” (DUARTE & CHRISTIANO, 2012, p. 758). Ainda conforme as autoras, a partir da relação conjugal, já na era neolítica, a família passa a ser chefiada pelo homem, impondo à mulher a condição de objeto do desejo do homem. Na cultura romana, no final do primeiro século a.C., o marido tinha o direito legal de matar a esposa se fosse apanhada em adultério, e poderia desvincular-se dela caso ela tivesse uma conduta perversa e repugnante, lassidão moral e sexual e ser estéril. Segundo Sanfelice (2010), a sexualidade 258 Pesquisa e Extensão: Unipê na Roma Antiga é mencionada na arte, na literatura, em inscrições, e principalmente em achados arqueológicos, tais como artefatos eróticos, pinturas parietais e na arquitetura. As Pinturas que exibiam corpos nus e relações sexuais diversas foi destaque entre as coleções de arte em respeitáveis famílias da classe alta, como também eram expostas em praça pública. Com o advento do Cristianismo e início da decadência do império Romano, a Igreja assentouse no poder, e logo, impôs algumas posturas, a fim de se firmar como um governo político-religioso. Assim, na Idade Média a Igreja domina os preceitos sociais e culturais e dirigi suas preocupações aos comportamentos sexuais. O cerne da preocupação da Igreja repousou sobre a mulher, considerada como mais próxima da animalidade do que o homem. Seu caráter frio, úmido e voluptuoso permite ter sensações mais intensas que a do macho. E ao homem restava-lhe controlar-se para não cair em tentação. (ROSSIAUD, 2006). Neste contexto a Idade Média é marcada pelo domínio da Igreja nos comportamentos e condutas sexuais da sociedade. Por volta do século XVI, a Europa foi abalada por inúmeros movimentos religiosos que contestavam abertamente os dogmas da Igreja Católica e a autoridade do Papa. Inicia-se o movimento da Reforma Protestante liderada por Lutero, que se colocava contra a virgindade, a continência anormal e a castidade. Considerava ser o ato sexual uma necessidade vital referendando a vinculação sexo-procriação, também condenava as relações sexuais com amantes e prostitutas e a abertura de bordéis, pois esses criavam hábitos de libertinagem (SPITZNER, 2005). Como contra-ataque a Igreja reúne forças em seu próprio seio e se reorganiza a partir do Concílio de Trento, apresentando ao novo mundo que surgia sua face reformista. Surge, assim, a Contra Reforma, reforça-se o rigor em relação à sexualidade, o celibato é reafirmado e a caça às bruxas é referendada com a ameaça do fogo do inferno. Dessa forma, fortalecese a “cultura da vergonha”, onde tudo é proibido, o corpo é culpado de todos os vícios e pecados restando somente vigiá-lo e puni-lo, reduzindo-o à total submissão. E, para alcançar tal intento, a confissão foi instituída como mecanismo de repressão. (SPITZNER, 2005). Michel Foucault (1993), filósofo francês, afirma que somente poderíamos ter acesso ao homem pela vida, pelo trabalho e pela linguagem, ou seja, somente é possível conhecê-lo pelo que ele é, produz e diz. O que norteia a arqueologia dos saberes sobre o humano é a ótica das tecnologias de si ou formas de subjetivação. É nesta perspectiva que empreende a história da sexualidade. Esta última é vista como efeito produzido nos corpos, nos comportamentos e nas relações sociais por um dispositivo complexo. O mesmo autor, em “A vontade de saber”, primeira obra da sua trilogia a “História da Sexualidade” passa a estudar a sexualidade em termos de jogos de poder e de verdade, trabalho no qual podemos perceber a instauração, a partir do séc. XIX, de uma “ciência confissão” com seus procedimentos para fazer falar o sexo em termos de uma codificação clínica que estabelece os parâmetros para o normal e o anormal no campo da sexualidade. Aparecem, então, personagens novos: “a mulher nervosa”, a “esposa frígida”, a “moça histérica”, o “marido impotente”. (ASSIS & OLIVEIRA, 2009) A PERVERSÃOSEXUAL A palavra “perversão” deriva do verbo latino pervertere, resulta de “per” + “vertere” quer significa: pôr às avessas, desviar. Ao longo dos tempos, o termo perversão teve seus significados e atribuições, como perturbações no âmbito psíquico, as quais dariam origem a tendências afetivas e moralmente contrárias às do ambiente social do pervertido (FOUCAULT, 1984). Laplanche e Pontalis (1992, p. 341) definem perversão como sendo o: Desvio em relação ao ato sexual normal, definido este como coito que visa a obtenção do orgasmo por penetração genital, com uma pessoa do sexo oposto. Diz-se haver perversão: onde o orgasmo é alcançado com outros objetos sexuais ou através de outras regiões do corpo onde o orgasmo acha-se totalmente subordinado a certas condições extrínsecas, que podem mesmo ser suficientes, em si mesmas, para ocasionar prazer sexual. Num sentido 259 Pesquisa e Extensão: Unipê mais abrangente, perversão tem a conotação da totalidade do comportamento psicossexual que acompanha tais meios atípicos de obter-se prazer sexual. Na década de 80, o termo parafilia vem substituir a idéia de perversão sexual na literatura médica psiquiátrica. Parafilia (do grego pará = ao lado de, funcionamento desordenado ou anormal, oposição + philos = amante, que tem afinidade, atraído por) (ALVES & SOUSA, 2004). Na visão de Kaplan (apud COSTA, 2009), As parafilias caracterizam-se por fantasias sexuais especificas, necessidades e práticas sexuais geralmente repetitivas e angustiantes para o individuo. A fantasia especial, com seus componentes conscientes e inconscientes, constitui o elemento patognomônico sendo a excitação sexual e o orgasmo fenômenos associados. A influência da fantasia e suas manifestações comportamentais estendem-se além da esfera sexual, invadindo toda a vida da pessoa (p.377). Barlow e Durand (2008) afirmam que um grande contribuidor para o surgimento das parafilias está relacionado às primeiras fantasias sexuais reforçadas por meio de prazer sexual intenso associado à masturbação. A sexualidade, e seu desenvolvimento sadio, devem ser vistos como um fenômeno natural na vida das pessoas. Segundo Kaplan (apud COSTA, 2009) a relação sexual compreende atividades como: desejo, excitação, orgasmo e resolução, de maneira que seja consensual e prazerosa para os envolvidos no ato. Essas características reunidas compõem um ato sexual considerável para a maioria das pessoas. Mas, existem certos grupos em que esse desejo deverá ascender justamente quando uma das partes não consentir, e que a fase do orgasmo, ou seja, do prazer em seu estado absoluto, só será alcançado se for aplicada a dor e a crueldade em cima do seu parceiro (a), e não pelo coito em si. Podemos estranhar a natureza do ato, mas para alguns sujeitos, essa é a sua forma de se obter o prazer nas relações sexuais. E para satisfazer esse desejo, vale tudo; de atos de assédio até atos de violência repugnantes. PSICOLOGIA FORENSE A Psicologia Forense, nas áreas de investigação criminal, tem se preocupado exclusivamente com essas formas da expressão da sexualidade, consideradas graves e de caráter opressor, rígido e impulsivo. Segundo Abreu (2005) jamais devemos adequar os agressores sexuais sob o rótulo de “loucos”, pois os agressores que apresentam algum tipo de doença mental, considerada inimputável, concebem apenas uma pequena porcentagem desse total. Esta autora afirma ainda que a conduta violenta é resultado da interação entre a personalidade do autor, seu estado emocional atual, sua situação interpessoal e o contexto social em que se desenvolveu o ato agressivo. Definindo, “A violência consiste em acções de pessoas, grupos, classes ou nações que ocasionam a morte de seres humanos ou que afectam prejudicialmente sua integridade física, moral, mental ou espiritual” (ABREU, 2005, p. 1). Em seu livro “Predadores: pedófilos, estupradores e outros agressores sexuais”, Anna C. Salter, doutora em psicologia pela Universidade de Harvard (EUA), no qual teve a oportunidade de entrevistar cara a cara diversos agressores sexuais, descreve a ação de um jovem diácono da igreja católica. Um homem aparentemente íntegro, prestativo e dócil. Incapaz de matar um inseto. Mas, que por trás disso, apresentava uma vida dupla. A autora afirma que ele chegava a lhe dar calafrios de tão insensível personalidade. Um jovem de aparência angelical, mas que na sua intuição, algo denunciava de que havia algo estranho. Ele contava que escolhia crianças emocionalmente perturbadas e com histórico de mentir. Isso iria lhe favorecer na hora das denúncias, pois ninguém iria acreditar nelas. O Sr. Morgan, um estuprador de homens e mulheres que utilizava uma faca, relata: Eu tinha uma vida de camaleão ou salamandra, mudando as cores com o vento. Eu não tinha uma vida dupla apenas. Eu tinha vidas múltiplas. Qualquer vida que a situação pedis- 260 Pesquisa e Extensão: Unipê se, eu a vivia. Se eu andava com pessoas cristãs e sabia que elas eram cristãs, então minhas ações e maneirismos eram semelhantes aos deles. Eu me adaptava para tudo que a situação exigisse. Se eu andava com pessoas que xingavam, usavam linguagem vulgar e usavam drogas, então eu me adaptava a essa situação. Eu podia comunicar às pessoas o que eu achava que elas queriam ver e o que eu pensava que elas queriam ouvir (SALTER, 2008, p. 46). A autora nos remete ainda a fazer uma análise sobre o que julgamos ser uma pessoa de caráter, pois o pré-julgamento desse rótulo pode esconder muitas verdades. Às vezes achamos que o caráter daquela pessoa pode estar acima de qualquer suspeita, mas na realidade esconde muitas fraudes. Sobre os agressores sádicos, esta mesma autora desvenda que os sádicos são os agressores mais temerosos, visto a atrocidade e brutalidade que cometem os crimes. “A definição de sadismo sexual é atração pela dor, sofrimento, terror ou humilhação: simplificando, sádicos machucam pessoas pelo prazer sexual que isto lhes dá” (SALTER, p. 95). De acordo com a mesma autora, “os sádicos se sentem excitados pela violência, como também pela violência sexual, ou seja, uma violência voltada para um sexo em particular que é sexualmente estimulante, não um ataque a órgãos sexuais em si” (p.97). Sádicos podem se sentir excitados pela violência sexual, mas a excitação pela violência isolada parece superar isso. Impressiona a frequência com que os sádicos falam sobre um “barato”, uma euforia generalizada que parece menos concentrada nos genitais e mais ao estilo do “barato” que as drogas produzem, como pode-se observar no relato a seguir: O barato que consegui durante aquele crime me surpreendeu. Quando coloquei a pistola nas costas dela, quase desmaiei, a euforia era muito intensa [...] Algumas vezes me perguntei se devia continuar. Depois disso achei que o estupro não seria nada. Você sabe. Mas, pensei, se eu matar a vítima, aí vai ser o barato para valer (SALTER, p. 98). A razão do sadismo não é a indiferença à dor. É o infligir deliberado de dor e terror, um tipo de compaixão reversa. Ver outras pessoas morrendo faz com que eles se sintam vivos. Os sádicos se sentem satisfeitos, eufóricos e felizes quando presenciam uma pessoa sentindo dor, ao contrário da maioria das pessoas. O que é peculiar aos sádicos é se alimentar de dor. Os psicopatas, estupradores e muitos abusadores apenas ignoram a dor do outro. “Os vampiros parecem uma metáfora para esses seres humanos mais perigosos e nocivos, o tipo que emocionalmente bebe do sofrimento dos outros, como uma delícia gastronômica” (SALTER, p.104). PERFIL DOS AGRESSORES SEXUAIS RECLUSOS NA CIDADE DE JÃO PESSOA Com base nos dados obtidos sobre os agressores sexuais, foi possível traçar um perfil dos indivíduos que estão cumprindo pena nos respectivos presídios da cidade de João Pessoa/ PB: Presídio Sílvio Porto, Presídio do Roger e a Penitência de Segurança Máxima PB1. Identificamos que a idade predominante destes ficou entre 20 e 30 anos, o que corresponde à 55%. Com relação à escolaridade a predominância foi o ensino fundamental completo que corresponde a 39% e todos exercem uma profissão. Analisando o estado civil dos apenados constatamos que o índice de solteiros, se destacou correspondendo à 52% e em seguida casados com uma porcentagem significativa de 42%. Os tipos de crimes que se destacaram foram estupros e outros com uma porcentagem de 38%, seguidos de estupro com porcentagem de 22% e a pedofilia correspondeu a 6%. A maior parte destes crimes praticados por essa amostra de criminosos foram cometidos na Grande João Pessoa que corresponde a 47%, onde metade dos casos as vítimas são pessoas conhecidas e a reclusão predominante é de 1 à 30 anos com porcentagem de 86%. CONCLUSÃO A sexualidade é um assunto premente em nossos tempos. A partir da pesquisa bibliográfica realizada, observa-se que durante todo traçado histórico da humanidade a sexualidade humana 261 Pesquisa e Extensão: Unipê se colocou de distintas formas e padrões, em cada época determinado foco sobre a temática da sexualidade atingiu mais notoriedade do que outro. A perversão sexual e seus estudos se fez presente a partir do século XIX ganhando estudos a partir da medicina, sendo posteriormente difundida também pela psicanalise através dos estudos freudianos sobre a sexualidade humano. Atualmente, a perversão sexual adquiriu atenção devido ao número de notícias diuturnamente na mídia sobre as violências sexuais. Estupro, abusos sexuais, pedofilia passaram a ser temas debatidos frequentemente. Os criminosos ou perversos sexuais passaram a ser estudados a partir de seus comportamentos, atitudes, pensamentos na busca de se compreender como essas mentes criminosas, conhecidos como “monstros”, atuam. Nesse sentido, a literatura estudada notifica-nos que os criminosos sexuais sofrem de um incessante desejo de corromper com as leis jurídicas e morais, eles agem em busca do prazer incessante que supram sua vontade, sem importarem-se com a dor alheia. Como todo perverso, a lei do imperativo do gozo é o cerne desse indivíduo. São indivíduos que conseguem enganar, fingir e mentir facilmente. Podem ser, em sua maioria, pessoas comuns, que trabalham, estudam, e alguns são líderes de sua comunidade. Os agressores sexuais sádicos atuam no princípio de infligir dor no outro, sendo esse o foco de seu prazer, e que faz com que ele busque sempre novas oportunidades de sentir novamente o êxtase. Além da pesquisa bibliográfica, pode-se traçar um breve perfil dos criminosos sexuais sob cárcere em três distintos presídios da cidade de Joao Pessoa. Os dados encontrados nos mostraram que os criminosos sexuais são geralmente pessoas conhecidas, que estão perto de nós e que circulam livremente na sociedade, no meio familiar e no âmbito profissional, corroborando com as ideias anunciadas pelos autores pesquisados no presente trabalho. REFERÊNCIAS ABREU, I. P. Delitos Sexuais. Porto, 2005. 39 f. Monografia (Psicologia da Saúde) – Universidade Lusíada do Porto, Portugal. 2005. 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