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I caderno do projeto integrador do curso de arquitetura e urbanismo

Centro Universitário de João Pessoa

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ORGANIZADORES: DEBORAH PADULA KISHIMOTO KELLY CHRISTINE SILVA DE LIMA PRODUÇÃO EDITORIAL: NÚCLEO DE PUBLICAÇÕES INSTITUCIONAIS - NPI COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO: filipe carvalho de almeida PROJETO GRÁFICO: raiff félix pimentel almeida Não desperdice papel, imprima somente se necessário. Este e-book foi feito com intenção de facilitar o acesso à informação. Baixe o arquivo e visualize-o na tela do seu computador sempre que necessitar. É possível também imprimir somente partes do texto, selecionando as páginas desejadas nas opções de impressão. Os botões interativos são apenas elementos visuais, utilize-os para navegar pelo documento. Se preferir, utilize as teclas “Page Up” e “Page Down” do teclado ou o “Scroll” do mouse para retornar e prosseguir entre as páginas. Como melhor utilizar este ebook C122 I caderno do projeto integrador do curso de arquitetura e urbanismo/ Deborah Padula Kishimoto; Kelly Christine Silva de Lima (org.) - Unipê: João Pessoa, 2018. 33p. ISBN 978-85-87868-63-3 1. Produção Acadêmica. 2. Arquitetura e Urbanismo. I. Título. UNIPÊ / BC CDU 72 DOI: 10.5281/zenodo.17611600 APRESENTAÇÃO O primeiro caderno do Projeto Integrador do curso de Arquitetura e Urbanismo tem como objetivo reunir as experiências e resultados obtidos durante o desenvolvimento das atividades integradoras no semestre letivo 2018.1 através de artigos curtos ilustrados, do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa - UNIPÊ. A metodologia utilizada para o desenvolvimento dos projetos integradores do curso de Arquitetura e Urbanismo, foi elaborada de acordo com as recomendações da Resolução CONSEPE/UNIPÊ n.º15/2016, tanto para a criação das propostas quanto para a sua operacionalização. Assim, os projetos integradores têm no seu resultado final, a seleção de produtos que trazem capacitação teórica e prática aos discentes, com respeito ao nível de complexidade para alunos ingressantes e concluintes, com a integralização dos conteúdos programáticos de cada série letiva. Desta maneira, nas primeiras séries, os produtos têm um caráter mais relacionado às competências e habilidades iniciais a serem desenvolvidas nos alunos; e nas séries seguintes, os produtos visam viabilizar a apresentação de reflexão crítica sobre a produção arquitetônica e urbanística, compatível com alunos que concluíram a metade da carga horária do curso. Todas as atividades são inseridas e trabalhadas no ambiente virtual (AVA), com eventuais encontros presenciais com os professores integradores. Há na constituição do projeto integrador do curso de Arquitetura e Urbanismo, um incentivo à inciativa, empreendedorismo e autonomia das equipes de alunos, que tem total liberdade para a consulta e busca de orientação dos professores para o desenvolvimento das atividades. Assim, este caderno apresenta estratégias de ensino diferenciadas na busca da aprendizagem dos alunos, no que se refere a aquisição de conhecimentos, desenvolvimento de habilidades e formação de atitudes necessárias ao exercício profissional esperado dos egressos do curso de Arquitetura e Urbanismo do UNIPÊ. BRAGA, Mirella de Almeida CAVALCANTI, Andrei de Ferrer Arruda SANTANA, Camila Sales Nóbrega FERREIRA, Christiane Nicolau Rosendo BRANQUINHO, José Giuseppe Pereira LIMA, Kelly Christine Silva de SUMÁRIO ETNOGRAFIA DO QUE É SER ARQUITETO E URBANISTA 11 18 28 6 ABORDAGEM SOBRE PLÁSTICA – RELAÇÕES ENTRE ESPAÇO E FORMA O REPERTÓRIO PROJETUAL E A PRODUÇÃO VISUAL VERTICALIZAÇÃO, ARQUITETURA E PAISAGEM: HISTÓRIAS ALTERNATIVAS 6 UMA ETNOGRAFIA DO QUE É SER ARQUITETO E URBANISTA BRAGA, Mirella de Almeida1 CAVALCANTI, Andrei de Ferrer Arruda2 RESUMO O Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ tem como premissa que a integralização da carga horária dos cursos de graduação deve se desenvolver por meio do trabalho efetivo discente sob orientação do docente em meio as bases teóricas e práticas previstas no Projeto Pedagógico de cada Curso. O desenvolvimento de projetos integradores no âmbito dos cursos do UNIPÊ tem como finalidade de promover aprendizagem de forma interdisciplinar, para que o estudante amplie sua capacidade de relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã, tendo em vista romper com a compartimentalização do conhecimento para uma compreensão totalidade. A interdisciplinaridade visa relacionar as unidades curriculares em atividades, projetos de estudo, pesquisa e ação, tornando-se uma prática pedagógica e didática adequada aos objetivos de cada curso. PALAVRAS-CHAVE: UNIPÊ; PROJETOS INTEGRADORES; INTERDISCIPLINARIDADE. 1 UNIPÊ, Mestra em Antropologia. Contato: mirella.brag[email protected] 2 UNIPÊ, Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Contato: andr[email protected] 7 INTRODUÇÃO O projeto integrador para o 1º período do curso de Arquitetura e Urbanismo apresenta relação direta com as temáticas basilares do curso, procurando integrar o aspecto introdutório das disciplinas cursadas no semestre. Para tanto uma questão central serviu como eixo temático da atividade realizada pelas turmas. Partindo do pressuposto que este é um momento de aproximação inicial dos estudantes com o universo da arquitetura e urbanismo, o projeto integrador incentiva os discentes a investigarem ‘como ser arquiteto e urbanista? ’. A partir deste questionamento inicial, os discentes tiveram a oportunidade de perguntar o papel do arquiteto urbanista na sociedade, enxergando as diferentes possibilidades de contribuições que o profissional da área pode fazer para o melhoramento da qualidade de vida não só de sua clientela, mas compreendendo o impacto de suas ação na cidade onde trabalham, entendendo a complexidade da atuação do arquiteto urbanista ao explorar a realidade de trabalho de profissionais que atuam em diversas das possíveis áreas tocadas pela arquitetura e urbanismo. Os professores integradores do primeiro período são, Prof. Andrei de Ferrer e Arruda Cavalcanti, um dos docentes que ministrou a disciplina integradora, e a Profa. Mirella de Almeida Braga, que possui experiência com aspectos metodológicos e que ministra a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso, ofertando uma visão total de ingressos e egressos no curso. Na intenção de integrar os conteúdos das disciplinas do semestre, é proposta a construção de um diário de campo no qual os discentes relatam a experiência de entrevistar um profissional da área de Arquitetura e Urbanismo. Para tanto, foi elaborado um roteiro básico de entrevista com perguntas que concerniam às áreas de estudo de todas as disciplinas ministradas no semestre, para que os estudantes ouvissem de profissionais estabelecidos o quanto cada um dos componentes curriculares contribuiu para suas respectivas vidas profissionais. Os estudantes são agrupados em equipes, a intenção é que cada equipe seja responsável por apresentar aos demais colegas o dia a dia da profissão em suas diversas possibilidades de atuação. 8 MATERIAS E MÉTODOS A construção do Diário de campo e da percepção sobre como ser Arquiteto e Urbanista são produzidas através de seleção do escritório/arquiteto, montagem da ficha técnica do escritório/arquiteto, realização de observações e entrevistas, registro com textos e desenhos (croquis), reflexão crítica e formação do perfil profissional. Como forma de direcionar e auxiliar na condução desta atividade integrada, os professores orientadores das unidades curriculares do período trabalharão com as equipes por meio de questões norteadoras. RESULTADOS Os resultados alcançados nos diários de campo e apresentações estão sempre dentro e ora além das expectativas por se tratar de discentes de primeiro período, tendo em vista que esta é a primeira oportunidade de um trabalho acadêmico de maior exigência, alguns grupos ainda mostram desacostumados com o tipo de demanda. De forma geral, as maiores falhas podem ser atribuídas a falta de prática dos estudantes com o nível de cobrança de um curso superior. Entretanto, de forma geral, os resultados demonstram o interesse dos estudantes em conhecer mais sobre a ação profissional do arquiteto e urbanista, e a devolutiva dos discentes comprova a eficiência do método, ao esclarecer a importância do contato com profissionais experientes que complementem a mensagem dos professores em sala de aula. Através da atividade, os discentes recebem a oportunidade de visitar escritórios de arquitetura e outros ambientes de trabalho do profissional da área, como o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), fazendo-os reconhecer o arranjo do espaço de trabalho e o diaa-dia destes ambientes. Com a entrevista, os discentes entram em contato com a visão de profissionais de atuações diversas dentro do campo de Arquitetura e Urbanismo, firmando laços com representantes do mercado de trabalho (Fig. 01). 9 Figura 01 – Apresentação dos resultados da entrevista Fonte: Kishimoto, Deborah Padula, jun./2018. A ocasião das bancas de apresentações estimula nos discentes as habilidades relacionadas ao decoro e postura profissional, como pontualidade, oratória, entre outras. Além de possibilitar a troca de resultados obtidos entre as equipes que desenvolveram laços ao longo do semestre (Fig. 02). Nas apresentações, muitas equipes reforçam a percepção que obtiveram a partir das entrevistas a importância de cada componente curricular do 1º Período do curso e puderam observar na prática como estes conhecimentos são aplicados no mercado de trabalho. Figura 02 – Equipes em apresentação Fonte: Kishimoto, Deborah Padula, jun./2018. 16 Figura 03 – Produtos do projeto integrador Fonte: Sales, Camila, jun./2018. Figura 04 – Maquetes físicas do projeto integrador Fonte: Sales, Camila, jun./2018. Os resultados dos alunos superaram as expectativas, onde foi possível perceber o interesse das equipes pelo cumprimento das etapas anteriores e a procura por orientação e acompanhamento garantindo uma produção de qualidade e bons resultados. 17 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base nas discussões e em posse dos resultados alcançados no Projeto Integrador do segundo período do curso de Arquitetura e Urbanismo algumas considerações podem ser feitas: • Promoveu entre os discentes para a compreensão da interdisciplinaridade presente nos conteúdos abordados em sala; • Permitiu uma reflexão sobre a capacidade de trabalhar em equipe e a generosidade profissional, compreendendo o caráter multidisciplinar da Arquitetura e Urbanismo; • Observou que a produção de dois ou mais trabalhos numa mesma unidade curricular (geralmente na terceira unidade), sobrecarrega o discente, de forma a prejudicar o acompanhamento e execução do produto final do integrador. Tendo em vista que foi apresentado no estudo, sugere-se que que o projeto integrador seja trabalhado de forma integral na terceira unidade, para que o aluno desenvolva com mais clareza o objetivo do projeto integrador, que é a interdisciplinaridade das unidades curriculares. REFERÊNCIAS CHING, Francis D. K. Arquitetura: forma, espaço e ordem. São Paulo: Martins Fontes,2016. MUNARI, Bruno. Das Coisas Nascem Coisas. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2015. SILVA, Elvan. Uma introdução ao projeto arquitetônico. 2ª ed. Porto Alegre: Ed. Da Universidade UFRGS, 2006. WONG, Wucius. Princípios de Forma e Desenho. São Paulo: Martins Fontes, 2010. YOPANAN, C.P. Rebello. A concepção estrutural e a arquitetura. São Paulo: Zigurate editora, 2000. WESTPHAL, Márcia Faria; MENDES, Rosilda Cidade Saudável: uma experiência de interdisciplinaridade. Revista de Administração Pública – RAP – Rio de Janeiro, FGV, 34 (6) p. 47-61, nov/dez 2000. 18 O REPERTÓRIO PROJETUAL E A PRODUÇÃO VISUAL FERREIRA, Christiane Nicolau Rosendo4 RESUMO Este artigo discute a produção dos alunos no Projeto Integrador referente ao terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ. A partir da análise projetual embasada em autores, como por exemplo, Mahfuz (2004) e Unwin (2013) que citam os conflitos e crises na definição do campo disciplinar da Arquitetura e Urbanismo, e suas transformações ao longo dos anos que os alunos desenvolvem as atividades integradas. Ao tratarmos do ensino da arquitetura, a formação do docente e sua atuação em sala de aula têm influência direta na forma de ler e produzir o projeto devido às suas próprias experiências profissionais, assim como seus repertórios arquitetônicos. PALAVRAS-CHAVE: PROJETO INTEGRADOR; PORTFÓLIO; ARQUITETURA. 4 UNIPÊ, Mestra em Arquitetura e Urbanismo. Contato: Christiane.nic[email protected] 19 INTRODUÇÃO Nos últimos anos o número de cursos de Arquitetura e Urbanismo em Instituições de Ensino Superior tem crescido tão velozmente quanto o adensamento das cidades. A Formação do profissional Arquiteto e Urbanista tem sofrido mudanças não apenas relacionadas à estrutura do curso para se adaptar as novas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), mas também pela influência dos docentes e suas devidas formações superiores. Os cursos de Arquitetura e Urbanismo não formam professores, estes optam pela carreira docente a partir do interesse em pesquisas científicas e pela estrutura prática que o curso apresenta, fazendo com que os mesmos atuem como arquitetos e compartilhem de suas experiências nas salas de aula, junto a uma série de pesquisas e bibliografias de base, dando respaldo para o ensino. Devido a isso, é comum que alunos sejam influenciados pelo modo de pensar e projetar de seus mestres. Porém vemos na atualidade uma série de projetos sem expressividade serem desenvolvidos a partir de modismos e tendências apontadas pelo mundo globalizado, onde as obras estão sempre envolvidas em publicidade de produtos especificados e os profissionais constroem sua imagem através das propagandas de lojas em alta. Vários autores, como por exemplo, Mahfuz (2004) e Unwin (2013) citam os conflitos e crises na definição do campo disciplinar da Arquitetura e Urbanismo, e as mudanças ocorridas ao longo dos anos. O ensino da arquitetura, a formação do docente e sua atuação em sala de aula não podem ser ignorados, já que a influência na forma de ler e produzir o projeto está diretamente ligada às suas próprias experiências profissionais, assim como seus repertórios arquitetônicos. Dentro da matriz curricular do curso de Arquitetura e Urbanismo, o primeiro contato dos alunos com o exercício projetual propriamente dito se inicia no terceiro período e devido a isso percebeu-se a importância de conduzir os alunos na formação de repertório projetual necessário a produção de qualquer projeto arquitetônico, dentro das mais variadas temáticas. A partir da disciplina integradora – Teoria do Projeto – estruturou-se a produção de um portfólio de arquitetura contendo redesenhos, decomposição e análises de projetos arquitetônicos já edificados, mostrando as percepções dos alunos acerca de vários elementos que compõe este campo disciplinar, por exemplo: partido arquitetônico, estrutura, topografia, conforto ambiental e acústico, relação interior e exterior, programa de necessidades, circulação e acessos. O portfólio, desenvolvido no Projeto Integrador, tem sido o fio condutor do aluno quanto a maneira de se adquirir conhecimento acerca da temática projetual a ser trabalhada nas disciplinas de projeto arquitetônico, ao longo do curso. Segundo Simon Unwin (2013) 20 aprende-se a fazer projeto a partir da leitura de projetos já construídos e tendo essa preocupação de garantir qualidade e boas referências, aliada as experiências de cada docente, garantir uma produção arquitetônica expressiva e de qualidade. Vemos com mais facilidade a espetacularização da arquitetura, onde o arquiteto globalizado afirma-se como profissional ao construir sua imagem a partir daquilo que vende e é disseminado como tendência, deixando de lado a forma arquitetônica como leitura e resposta impactante do modo de pensar a sociedade e a vida cotidiana. Durante o ensino da disciplina de projeto arquitetônico é possível perceber o pouco esforço crítico que se tem a respeito das construções contemporâneas. A maior parte dos alunos debruça-se com mais frequência em revistas que apresentam uma série de construções que parecem mais caixas de concreto em escala industrial, revestidas com materiais apresentados como tendência nos últimos eventos. Arquitetura deve ter uma forte relação com o lugar, não podendo ignorar o seu entorno e o seu tempo, e o ensino de arquitetura a partir da influência do docente deve conduzir as discussões em sala de aula de modo a construir um repertório crítico nos alunos. Ao ler boas referências arquitetônicas a partir de redesenhos, se obtém o entendimento necessário para tomar as próprias decisões em meio ao exercício projetual e o portfólio vêm apresentar os resultados de análises e leituras de projetos arquitetônicos. MATERIAIS E MÉTODOS Fundamentação Teórica Discussões ligadas ao projeto arquitetônico não representam algo característico da arquitetura contemporânea, mas algo que tem acompanhado as mudanças ocorridas no ensino, na formação e na produção arquitetônica ao longo dos anos. Se o ensino da arquitetura está em crise, como defende Mahfuz (2004), devido à falta de consenso relacionada a procedimentos projetuais que podem conduzir a boa arquitetura, é preciso, ao menos, garantir que as experiências profissionais e a prática docente conduzam os estudantes a uma leitura crítica relacionada ao projeto arquitetônico. Se o projeto consegue ser lido, talvez a prática projetual leve a arquitetura a manter a coerência entra a obra e o discurso, fazendo com que o arquiteto possa colocar-se em sua época evitando as convenções como moda e tendências, mas voltando a ser uma referência na sociedade quanto ao modo de interferir no espaço e com expressividade, garantir a forma. 21 O ensino da arquitetura se confunde com a prática, e o conteúdo didático de qualquer professor só pode estar vinculado ao modo em que projeta e vê a arquitetura (MAHFUZ, 2004). A discussão relacionada ao projeto arquitetônico é algo intrínseco à formação do arquiteto urbanista, mas não se pode negar que cada vez mais a arquitetura perde sua expressividade na forma e a força no discurso, se tornando prioritariamente produto de venda. Mahfuz (2004) chama de “mercantilização da arquitetura” os edifícios que passam a ser tratados como objetos de consumo, cuja organização e aparência seguem as últimas modas ou tendências. É de suma importância o enquadramento teórico-conceitual, ao tratar dos conceitos e problemáticas que fundamentam o projeto arquitetônico, além de esclarecer a perspectiva adotada pelos docentes no desenvolvimento de trabalhos e se fazer entender no contexto da busca da coerência entre a obra e o discurso publicados pelos atuais profissionais de arquitetura. A temática escolhida para o período letivo 2018.1 do curso de Arquitetura e Urbanismo, para o terceiro período foi “O Partido Arquitetônico e a Teoria do projeto” que se apresenta aos alunos no início da sua atividade projetual de modo a fornecer repertório formal e técnicas de leitura da obra arquitetônica instruindo o mesmo quanto à tomada de decisões na construção do projeto arquitetônico. Entendendo que teoria e prática devem caminhar juntos; o aluno do terceiro período precisa estar apto a ler, analisar e se posicionar de forma crítica quanto ao programa, projeto e decisões projetuais em obras já edificadas. Sendo assim, é preciso fornecer ao aluno material e direcionamento necessário para saber responder ao exercício projetual de forma coerente, responsável e criativa. Metodologia Para realização do Projeto integrador referente ao terceiro período do curso de Arquitetura e Urbanismo foram necessárias o cumprimento de algumas etapas realizadas na disciplina Teoria do Projeto, esta que oferece suporte devido a interdisciplinaridade presente em seu conteúdo pragmático. Dentro da disciplina foram trabalhados quatro métodos de análise de projetos arquitetônicos: Francis D. K. Ching (2013); Roger Clark e Michael Pause (2005); Goeffrey Baker (1998) e, por fim, Simon Unwin (2013). Para o semestre 2018.1, o projeto integrador teve o objetivo de desenvolver um portfólio de arquitetura contendo redesenho e análise da obra a partir de metodologias de análise projetual. A importância do portfólio está não apenas no conteúdo que visa elencar todas as disciplinas que fazem parte do período, mas também no modelo de apresentação e análise, que precisa se fazer coerente com o curso em questão: Arquitetura e Urbanismo. 22 Este que se apresenta numa estrutura curricular envolvendo desenhos bidimensionais, tridimensionais, análises micro e macroespaciais, teorias e cálculos para respaldar toda concepção de projeto. Sendo assim, a intenção no desenvolvimento do portfólio foi estimular o aluno a pensar a teoria e prática como partes de um todo que não podem ser tratados de formas separadas, porém como lados diferentes de um mesmo elemento. O portfólio deveria conter embasamento teórico, redesenho e decomposição dos desenhos bidimensionais para análise de itens definidos a partir de metodologia previamente definida. Também deveria apresentar imagens, diagramação, síntese e decomposição da forma. Visando explicitar a interdisciplinaridade do período ao mesmo tempo em que fornece ao aluno um repertório formal e intelectual adequado para tomar decisões projetuais cabíveis às demais temáticas do curso. RESULTADOS Os trabalhos desenvolvidos pelos alunos permitiram uma aprendizagem de forma interdisciplinar, onde o estudante foi capaz de relacionar, selecionar, organizar, priorizar, analisar e sintetizar temas e abordagens relevantes à sua formação pessoal, profissional e cidadã, tendo em vista romper com a compartimentalização do conhecimento e partir para uma compreensão da totalidade. Dentre os trabalhos apresentados (Figs. 01, 02, 03 e 04) teve-se no discurso a percepção do amadurecimento dos alunos quanto a leitura do projeto arquitetônico e a compreensão das etapas projetuais. Foi possível observar ainda a linguagem técnica e um repertório formal e projetual já presente no vocabulário de cada equipe. 23 Figura 01 – Portfólio apresentado no projeto integrador Fonte: Acervo da equipe, 2018. 24 Figura 02 – Portfólio apresentado no projeto integrador Fonte: acervo da equipe, 2018. 25 Figura 03 – Portfólio apresentado no projeto integrador Fonte: acervo da equipe, 2018. 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS O propósito do projeto integrador na sexta série é a reflexão da influência do profissional de Arquitetura e Urbanismo com os demais produtores do espaço urbano, que modificam a cidade diante das demandas contemporâneas e (re)criam a paisagem continuadamente. Aliando as unidades curriculares de projeto arquitetônico e urbanístico principalmente, as equipes recriaram alternativas em que o processo de verticalização pudesse ser visto sob a ótica de diversas possibilidades, havendo assim histórias alternativas. A experiência deste projeto demonstrou que as equipes motivadas sob a perspectiva de criar histórias, trouxeram à tona reflexões que demonstram a capacidade de compreensão, síntese, análise e até avaliação das condições estudadas ao longo do semestre; sendo assim, uma alternativa interessante o uso de recursos visuais criativos e imaginativos na academia. REFERÊNCIAS ANDRADE, Patrícia Alonso de. Verticalização em João Pessoa. Produção do espaço e transformações urbanas. Arquitextos Vitruvius, 204.02, maio, 2017. Disponível em: < http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/17.204/6555> Acesso em jul./2018. LYNCH, Kevin. A imagem da cidade. 8ª ed. São Paulo: Martins Fontes Editora, 2005. OLIVEIRA, Paulo Victor Hipolito de; OLIVEIRA, Pedro Henrique Hipolito de; MENDES, Wander Luiz de Faria; OLIVEIRA, Muriel Batista de; SORAGGI, Marcus Vinícius. Verticalização consciente: edificar integrando ao meio urbano. Revista Interdisciplinar do Pensamento Científico, n.1. v.1., p.12-27. PIRES, Daniel Amador da Cunha. Clima urbano: uma análise das alterações provocadas pela verticalização e modelação urbana na cidade de Aracaju-SE. In: VI Colóquio Internacional “Educação e Contemporaneidade”, São Cristóvão/SE, set./2012. 33