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Alfabetização: a efetividade do Método Fônico

Leite Mateus Martins Romera, Viviane; Araújo, Roberta Negrão

Abstract

O presente relato aborda o processo de alfabetização por meio da utilização do método fônico realizado em uma turma de 2º ano do ensino fundamental da rede pública de um município do interior do Estado de São Paulo. Durante o processo, foi desenvolvido com os estudantes a relação grafema e fonema, perpassando por três estágios de aprendizagem. Para enriquecer a implementação deste método, diariamente, foram trabalhadas listas bem como textos pouco extensos, além de atividades de um programa baixado nos equipamentos da sala de informática da escola. A necessidade de desenvolver este método ocorreu devido à grande defasagem apresentada pelos alunos durante a avaliação diagnóstica. Para obter êxito na sua aplicação foi necessário que o método selecionado fosse desenvolvido mediante aprofundamento de referencial teórico e de forma atenta no que se refere à clareza na dicção da pronúncia dos fonemas, sílabas e palavras, com o intuito de proporcionar a ampliação dos conhecimentos sobre a leitura e a escrita. O referencial utilizado fundamentou-se em autores que, em suas pesquisas, comprovam a relevância do método na formação docente, bem como sua efetividade, sobretudo junto a crianças com dificuldade de aprendizagem. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/260

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A Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) é publicada pela FATEC Praia Grande Multidisciplinar - Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista - [email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2022 • aceito: Mar/2022 • publicado: Jun/2022 Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente Alfabetização: a efetividade do Método Fônico Literacy: the effectiveness of the Phonic Method Viviane Leite Mateus Martins Romera Universidade Estadual do Norte do Paraná [email protected] Roberta Negrão de Araújo Universidade Estadual do Norte do Paraná robertanegr[email protected] RESUMO O presente relato aborda o processo de alfabetização por meio da utilização do método fônico realizado em uma turma de 2º ano do ensino fundamental da rede pública de um município do interior do Estado de São Paulo. Durante o processo, foi desenvolvido com os estudantes a relação grafema e fonema, perpassando por três estágios de aprendizagem. Para enriquecer a implementação deste método, diariamente, foram trabalhadas listas bem como textos pouco extensos, além de atividades de um programa baixado nos equipamentos da sala de informática da escola. A necessidade de desenvolver este método ocorreu devido à grande defasagem apresentada pelos alunos durante a avaliação diagnóstica. Para obter êxito na sua aplicação foi necessário que o método selecionado fosse desenvolvido mediante aprofundamento de referencial teórico e de forma atenta no que se refere à clareza na dicção da pronúncia dos fonemas, sílabas e palavras, com o intuito de proporcionar a ampliação dos conhecimentos sobre a leitura e a escrita. O referencial utilizado fundamentou-se em autores que, em suas pesquisas, comprovam a relevância do método na formação docente, bem como sua efetividade, sobretudo junto a crianças com dificuldade de aprendizagem. PALAVRAS-CHAVE: Alfabetização. Método Fônico. Formação de Professores. ABSTRACT This report addresses the literacy process through the use of the phonic method carried out in a 2nd year elementary school class in the public network of a municipality in the countryside of the State of São Paulo. During the process, the grapheme and phoneme relationship was developed with the students, passing through three learning stages. To enrich the implementation of this method, lists were worked daily, as well as short texts, in addition to activities from a program downloaded on the equipment of the school's computer room. The need to develop this method occurred due to the great lag presented by the students during the diagnostic evaluation. In order to be successful in its application, it was necessary that the selected method was developed by deepening the theoretical framework and paying attention to clarity in the diction of the pronunciation of phonemes, syllables and words, in order to provide the expansion of knowledge about reading and writing. The reference used was based on authors who, in their research, prove the relevance of the method in teacher training, as well as its effectiveness, especially with children with learning difficulties. KEY-WORDS: Literacy. Phonic Method. Teacher training. 217 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 INTRODUÇÃO O processo de alfabetização exige que o docente assuma postura de pesquisador, além de ter olhar atento para a aprendizagem dos escolares. Assim, a aquisição da leitura e da escrita, como foco dos anos iniciais do Ensino Fundamental, objetiva o avanço do aluno com autonomia. É evidente que cada um aprende e se desenvolve de modos diferente. No entanto é importante que a prática do professor contemple a aprendizagem efetiva da grande maioria dos escolares e, como isso, possa desencadear um movimento interventivo, considerando a totalidade dos alunos. O presente relato aborda a experiência vivenciada em uma turma de 2º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública da rede municipal de Salto Grande, estado de São Paulo. A escola é lócus de atuação de uma das autoras do presente artigo. O contexto tomou como aspecto principal as dificuldades dos alunos apresentadas no processo de alfabetização, bem como o aprofundamento de estudos realizados em relação ao método fônico. Embora haja certa polêmica em relação ao referido método pois, por muitos é considerado tradicional enquanto outros defendem sua eficácia, decidimos utilizá-lo considerando os estudos recentes que apontam seu êxito. Para desenvolvimento do trabalho em sala foi preciso levantamento inicial por meio de avaliação diagnóstica e posteriormente busca incessante por estratégias que amenizassem a defasagem apresentada pelos alunos. A necessidade de aprofundar o conhecimento do método fônico deu-se a partir da participação em um curso ofertado por uma determinada rede e entender seu funcionamento, princípios e etapas a serem seguidas. Etapas estas apontadas pelos autores que serviram de base para a implementação do método. No decorrer do processo percebemos a importância da formação continuada do professor e seu impacto em sua prática pedagógica. Assim, faz-se necessário que o docente amplie tanto seus saberes disciplinares como os pedagógicos, superando práticas enraizadas que mantém resultados insatisfatórios. A implementação do método fônico na turma selecionada oportunizou vivenciar a necessidade da formação continuada do professor alfabetizador, bem como concluir que este não se trata de um método fácil, muito menos constituído por receitas prontas. É imprescindível que a prática pedagógica seja planejada e preveja estratégias que contemplem a utilização de 218 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 diferentes recursos e ferramentas diversificadas, colaborando para atingir os objetivos propostos. O presente artigo está organizado em quatro seções, além desta introdução e das considerações finais. As duas primeiras, elaboradas por meio de revisão narrativa de literatura, constituem o quadro teórico e fundamentam a experiência realizada. A seção de Procedimentos Metodológicos apresenta os passos desenvolvidos e a quarta e última seção, Resultados e Discussões aponta as evidências obtidas. 1. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E O MÉTODO FÔNICO De acordo com Soares (2017), a alfabetização é imprescindível na vida da criança, visto que a prepara para viver em sociedade e para o mundo do trabalho. Entende-se por alfabetização, [...] o ensino e o aprendizado de uma tecnologia de representação da linguagem humana, a escrita alfabético-ortográfica. O domínio dessa tecnologia envolve um conjunto de conhecimentos e procedimentos relacionados tanto ao funcionamento desse sistema de representação quanto às capacidades motoras e cognitivas para manipular os instrumentos e equipamentos de escrita (BATISTA; SOARES, 2005, p. 24). Segundo os autores, ninguém aprende a ler e a escrever se não aprender as relações entre fonemas e grafemas para que, assim, possa codificar e decodificar o registro escrito. Trata-se então de um aspecto particular do processo de aprendizagem da leitura e da escrita. Para Sternberg (1969), Sanders (1983) e Sergeant (2000), ao falar de aprendizagem é preciso desenvolver nos educandos a atenção, a motivação e a vigilância. No que diz respeito à atenção, ela promove por meio do ver, do ouvir, do sentir, da percepção, da codificação e o ato motor, no pensar, a memória recente e antiga e também a memória semântica. Já para responder, é preciso compreender, interpretar e escrever. Assim, para que a aprendizagem ocorra é preciso uma consolidação, repetindo as atividades observadas, fazer e praticar após observar, verificar como o cérebro aprende criando formas novas de fazer, estimular a percepção dos erros e imperfeições para refazer de outras formas. De acordo com Capovilla (2007), para que a alfabetização ocorra de forma eficaz, e a leitura e a escrita aconteçam satisfatoriamente é preciso desenvolver a consciência fonológica, ensinando a correspondência entre grafema e fonema. Para Oliveira (2019), a consciência 219 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 fonológica compõe as habilidades metalinguísticas, sendo de fundamental importância no processo de alfabetização e, consequentemente, na aquisição e desenvolvimento da leitura e da escrita. A consciência fonológica é composta por cinco habilidades, “[...] rima, aliteração, consciência silábica, consciência lexical ou da palavra e consciência fonêmica, permitindo que a criança identifique e manipule os sons da fala em todos os seus níveis” (OLIVEIRA, 2019, p.97). [...] a criança passa por três estágios na aquisição de leitura e escrita: 1o logográfico, em que ela trata a palavra escrita como se fosse uma representação pictoideográfica e visual do referente; 2o alfabético em que com o desenvolvimento da rota fonológica, a criança aprende a fazer a decodificação grafofonêmica; 3o ortográfico em que, com o desenvolvimento da rota lexical, a criança aprende a fazer a leitura visual direta de palavras de alta frequência (CAPOVILLA et al., 2004, p. 16) Seabra e Dias (2011) indicam que os métodos de alfabetização podem ser classificados a partir de três aspectos: (1) relação ao ponto de partida para a alfabetização, sendo classificados em analíticos e sintéticos; (2) quanto à unidade mínima de análise, podendo ser global, silábico e fônico 1 ; e, por último, (3) no que diz respeito ao tipo de estimulação envolvida, classificandose em método tradicional, que se utiliza basicamente da visão e audição, e multissensorial, que faz uso do tato, da cinestesia e da estimulação fonoarticulatória. No que se refere aos métodos sintéticos, estes se estruturam na teoria behaviorista e partem das partes para o todo. Estes privilegiam o sentido do ouvido na relação com os sinais gráficos, e neles são comuns os exercícios de leitura em voz alta e o ditado. Todas as atividades guardam coerência com o tipo de pressuposto: o da transformação da fala em sinais gráficos, os quais são decorados e correspondem a fonografias. Assim, os métodos sintéticos são organizados em: (a) alfabético, (b) fônico e (c) silábico. Por outro lado, no construtivismo, busca-se a desmetodização, já que em tal abordagem os métodos, tanto sintéticos como analíticos, são considerados ultrapassados. No construtivismo acredita-se que a aquisição da leitura e da escrita é algo intrínseco ao ser humano, desde que seja estimulada (SOARES, 2016). 1 De acordo com Seabra e Dias (2011) o método global, embora seja considerado como moderno, não favorece a aprendizagem dos princípios da língua escrita. Já o método fônico propõe um ensino sistemático e explícito das correspondências entre letras e sons, focando no desenvolvimento das habilidades metafonológicas. 220 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 Ao iniciar a discussão da alfabetização por meio do método fônico, vale citar que, de acordo com Soares (2008), o referido processo ocorre por meio da associação entre símbolo e som. Para a autora, tal método age em duas áreas: a fisiológica e a psicológica; sendo caracterizado como sintético. Na abordagem fônica o aluno parte do som das letras, une o som da consoante ao som da vogal e pronuncia a sílaba formada (SOARES, 2008, 2017). Já para Capovilla e Capovilla (2007) este método permite ao aluno descobrir primeiro o princípio alfabético e, posteriormente, apresentar domínio sobre o conhecimento ortográfico próprio de sua língua. O método consiste em atividades fônicas e atividades metafonológicas. As atividades fônicas concentram-se na introdução sistemática de correspondências grafofonêmica para a construção da leitura e da escrita. As atividades metafonológicas concentramse em exercícios para o desenvolvimento da consciência fonológica, especialmente no nível fonêmico (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2007, p.XXI). Para os autores, o método fônico é considerado um dos mais eficazes no processo de alfabetização. É ressaltado, ainda, que este “[...] produz leitores de maior competência” (CAPOVILLA, 2007, p. 08). Como evidenciamos, o método investigado ensina a relação dos sons com as letras e, assim, estabelece relação da palavra falada com a escrita. A criança associa o som que faz quando fala, e este tem uma representação: as letras. Desta maneira são ensinadas, inicialmente, as vogais, logo depois as consoantes e, por fim, as palavras mais complexas (FRADE, 2007). Logo, uma vez compreendida a relação grafo fonêmica, a criança tem a possibilidade de ler sílabas e palavras complexas. Apresentando, com isso, evolução na aprendizagem de forma surpreendente e, em curto prazo. O método fônico, objeto de estudo que oportunizou a vivência, caracteriza-se, portanto, pelo ensino do código alfabético. Tal ensino, mesmo que intencional e planejado, não deve ser maçante e repetitivo, o que significa que as atividades lúdicas, nas quais a criança aprende a relação entre grafemas e fonemas, podem ser utilizadas. Por meio destas atividades, inicialmente, há a codificação e, posteriormente, a decodificação do código alfabético. De acordo com pesquisadores, por meio deste método as crianças são alfabetizadas em um curto período (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2005). Em consonância com tais autores, Pollard (1993) explicita o entendimento de Montessori no contexto de ensino. Para a médica e pesquisadora italiana, as crianças devem ser ensinadas com firmeza. No entanto, para que a aprendizagem ocorra, faz-se necessário condições favoráveis para tal. E, dentre tais condições está a utilização de materiais adequados. 221 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 O método fônico possui princípios que colaboram para sua eficácia. Vale destacar, no que se refere a estes princípios, a educação sensorial com base na liberdade, bem como o respeito à autonomia e ao tempo de cada criança. Deste modo, o processo de alfabetização pode se efetivar com menos dificuldades quando há o desenvolvimento de habilidades que a antecedem, por meio de exercícios que promovam o aspecto sensorial e, com isso, a criança é levada à reflexão sobre o que é concreto e abstrato (MONTESSORI, 2004). Partindo deste conceito, Montessori criou a Casa dei Bambini, popularmente chamada de Casa das Crianças, que tinha o intuito de que as crianças escolhessem, de forma autônoma, o que queriam explorar e, consequentemente, percebessem por meio de tentativas, o acerto e o erro. Desta forma, todo conhecimento extraído era considerado e, a partir de situações vivenciadas, eram direcionadas para as habilidades de escrita. Cabe ao professor desenvolver critérios para que o material utilizado, bem como todas as etapas do processo atinjam o objetivo estipulado. É importante que a criança se sinta segura, e se concentre nas atividades, tendo liberdade para pedir auxílio quando necessário. Deste modo é preciso também levá-la à reflexão, sem respostas prontas, para que assim construa o aprendizado. “O caráter de todas as crianças muda nesse ambiente em que podem trabalhar sem serem incomodadas, elas se tornam calmas e capazes de se concentrar”. A partir desta afirmação, Montessori (2004, p. 104) indica que é possível compreender que para a aprendizagem ocorrer de forma efetiva é preciso envolver os alunos. Estes precisam reconhecer sua importância na construção do saber. Pesquisas que envolvem professores alfabetizadores que utilizam o método fônico, apontam que estes afirmam sua eficácia no processo de alfabetização, além de colaborar com a compreensão de texto. Isto porque, o processo fonêmico ocorre quando realizamos a leitura de uma palavra, ouvimos ela internamente e/ou a reproduzimos em voz baixa, ou seja, a criança é estimulada a ler por memorização (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2005). Considerando os pesquisadores favoráveis à utilização do método fônico, a leitura e a escrita alfabética ocorrem por meio do desenvolvimento de habilidades metafonológicas. Com isso é imprescindível que o professor alfabetizador desenvolva atividades que possibilitem perceber a relação entre grafema e fonema, construindo assim a consciência fonológica. 222 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 2. A FORMAÇÃO DE PROFESSORES ALFABETIZADORES A discussão acerca da formação de professores não é recente. Todavia, foi a partir da década de 1990 que esta foi intensificada (ARAÚJO, 2017). Pimenta, por sua vez, destaca a necessidade de repensar a formação de professores e afirma que, “Repensar a formação inicial e contínua, a partir da análise das práticas pedagógicas e docentes, tem se revelado como uma das demandas importantes dos anos 90” (PIMENTA, 1997, p.5). No que diz respeito à formação de professores, as ações assumidas pelo Governo Federal, Distrito Federal, Estados, Municípios e sociedade assumem um compromisso por meio do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) de que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade, ou seja, ao final do 3º ano do Ensino Fundamental I (BRASIL, 2015). No entanto, vale ressaltar que a realidade histórica brasileira apontada em diversas pesquisas, explicitam grandes números de crianças que concluem o processo de escolarização sem estarem alfabetizadas e essa defasagem se alastra pelos anos seguintes sem possíveis preenchimentos dessas lacunas. Com o objetivo de suprir esta necessidade, o Pacto Nacional visa o direito da educação de qualidade aos alunos do primeiro ciclo, assim sendo, em parceria com o MEC disponibiliza aos professores alfabetizadores formação continuada por meio de várias ações materiais, referencial curricular e pedagógico (BRASIL, 2015) Mas para que essa formação seja eficaz, de acordo com Pimenta (1999), o professor precisa construir a sua identidade por meio dos saberes da docência, experiência, conhecimento e saberes pedagógico. Portanto, entende-se que a formação continuada está relacionada ao início e a continuação no decorrer da profissão, na qual na verdade trata-se de auto formação, local em que os docentes reelaboram os saberes iniciais confrontando-os com as experiências do cotidiano escolar (PIMENTA, 1999). Segundo a autora, o professor deve construir para profissão docente a sua identidade de acordo com as necessidades decorrentes em meio ao momento contexto social, pois esta profissão diferente de algumas se transforma visando atender novas demandas. Passos et al. (2017) comentam que o tema acerca da identidade docente se tornou objeto de pesquisa concomitante ao momento em que a discussão sobre da formação inicial do professor se intensificava. Segundo os pesquisadores, a identidade docente advém das relações dos docentes, com as instituições de ensino e com os colegas de profissão, com os estudantes, 223 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 e com seu próprio saber. É um processo de construção e reconstrução, e esse processo está atrelada ao contexto que o professor está inserido (PASSOS et al., 2017). Tardif (2002), deixa claro que os saberes docentes devem estar entrelaçados entre o estudo e o trabalho e ressalta a respeito da identidade da profissão: [...] o saber dos professores é o saber deles e está relacionado com a pessoa e a identidade deles, com a sua experiência de vida e com a sua história profissional, com as suas relações com os alunos em sala de aula e com os outros atores escolares na escola, etc. [...] um professor nunca define sozinho e em si mesmo o seu próprio saber profissional. Ao contrário, esse saber é produzido socialmente, resulta de uma negociação entre diversos grupos (TARDIF, 2002, p. 11-3). Desta forma, o professor constrói seu currículo de saberes desde antes de sua formação, no qual tem seu desenvolvimento real usa implicitamente na formação e acrescenta mais, partindo para o desenvolvimento proximal. Pós-formação o docente em exercício da profissão resgata o que aprendeu faz uma reflexão e busca melhorar ainda mais por meio da formação continuada. 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A partir da participação em um curso disponibilizado pelo mantenedor das escolas públicas que ofertam os anos iniciais do Ensino Fundamental no município de Salto Grande, no interior de São Paulo, foi sensibilizado o interesse no que tange ao método fônico. Desde então nos dedicamos a aprofundar, teoricamente, o conhecimento sobre o referido método, para tanto recorremos ao desenvolvimento de revisão narrativa de literatura. Para Cordeiro et al. (2007), A revisão da literatura narrativa ou tradicional, [...] apresenta uma temática mais aberta; dificilmente parte de uma questão específica bem definida, não exigindo um protocolo rígido para sua confecção; a busca das fontes não é pré-determinada e específica, sendo frequentemente menos abrangente. A seleção dos artigos é arbitrária, provendo o autor de informações sujeitas a viés de seleção, com grande interferência da percepção subjetiva. (CORDEIRO et al., 2007, p. 429). Tendo como subsídio o quadro teórico elaborado, organizamos a implementação do método fônico junto a uma turma de 2º ano. Como já registrado, os estudantes apresentavam grande dificuldade e não estavam alfabetizados. O relato da vivência é feito neste artigo. De acordo com Daltro e Faria (2019), o relato de experiência é “[...] mais uma possibilidade de 224 | Alfabetização: a efetividade do método fônico Revista Processando o Saber - v.14 - p. 216-228 - 2022 criação de narrativa científica, especialmente no campo das pesquisas capazes de englobar processos e produções subjetivas, como é o caso da psicologia e das ciências humanas” (p.224). A seguir, apresentamos os resultados obtidos na vivência. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO A implementação do método fônico foi realizada em uma escola municipal que oferta os anos iniciais do Ensino Fundamental, especificamente com uma turma de 2º ano que, no período, era formada por 19 escolares. Considerando os estágios de Capovilla et al. (2004), dentre eles 8 escolares estavam no terceiro, apresentando facilidade na compreensão. No entanto, dos 8, apenas 2 possuíam aptidão para leitura de palavras mais complexas. Já no segundo estágio, encontravam-se 4 alunos, que estavam conseguindo fazer a correspondência grafofonêmica. No entanto, não apresentavam evolução. Os demais 6 escolares encontravam-se no primeiro estágio: não identificavam a relação entre grafema e fonema, apenas vendo o texto como desenho e/ou considerando apenas a letra inicial. Diante deste quadro e levando em conta a experiência como docente responsável pela sala, foi possível perceber a necessidade de desenvolver o método fônico. Tendo feito o levantamento inicial, por meio de avaliação diagnóstica, houve a necessidade emergente de utilizar um método que colaborasse com o desenvolvimento da aprendizagem efetiva desses alunos preparando-os para a aquisição da autonomia na leitura e escrita. Entretanto, para abordar este método como estratégia de trabalho, foi preciso conciliar com o sistema utilizado pelo município, o guia do Ler e Escrever. Para que os resultados alcançassem êxitos, foram trabalhadas listas de palavras do contexto do aluno e pequenos textos para alfabetização diariamente, no qual eram realizadas as leituras dos mesmos coletivamente. Posterior à leitura, designava-se um aluno para realizá-la no individual, no caso, era selecionado os que se apresentavam no primeiro estágio, após a leitura, solicitava-se o apontamento de algumas palavras que compunham o texto. Desta forma o aluno era levado à concentração e análise sobre a leitura realizada para que consequentemente elaborasse estratégias para encontrar as palavras solicitadas, caso