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O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador

Silva, Amanda de Freitas; Cardoso de Oliveira, Bárbara; Silva, Matheus Henrique; Schmitz de Almeida Lopes, Tatiana

Abstract

Com o aumento da concorrência em âmbito mundial, observa-se que a estrutura logística brasileira é um gargalo que vem reduzindo a competitividade agrícola do país. Diante deste cenário, é possível constatar o aumento da procura por alternativas com objetivo de reduzir os custos operacionais tomando a logística como um fator extremamente relevante a ser estudado para alcançar esta finalidade. Para exemplificar esta problemática, compreende-se a cotonicultura brasileira, que vem atravessando um período de transformações que resultam em expressividade no mercado mundial, como grande exportador, mas com altos custos logísticos que impactam sua performance. Dado este cenário, o presente estudo discorre sobre o escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos através de uma análise comparativa entre os portos de Santos e Salvador. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/170

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170 | Uma reflexão sobre as publicações científicas e a aderência brasileira ao paradigma da indústria 4.0 A Revista Processando o Saber (eISSN: 2179-5150) é publicada pela FATEC Praia Grande Multidisciplinar - Revisão por pares - Acesso aberto - www.fatecpg.edu.br/revista - [email protected] eISSN 2179-5150 FATEC Praia Grande • fatecpg.edu.br/revista submetido: Jan/2021 • aceito: Mar/2021 • publicado: Jun/2021 Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário Descrição gerada automaticamente O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador The flow of baiano cotton and its logistic barriers: an economic and comparative study between the port of Santos x the port of Salvador Amanda de Freitas Silva Fatec de Praia Grande [email protected] Barbara Cardoso de Oliveira Fatec de Praia Grande [email protected] Matheus Henrique da Silva Mateus Fatec de Praia Grande [email protected] Tatiana Schmitz de Almeida Lopes Fatec de Praia Grande [email protected] RESUMO Com o aumento da concorrência em âmbito mundial, observa-se que a estrutura logística brasileira é um gargalo que vem reduzindo a competitividade agrícola do país. Diante deste cenário, é possível constatar o aumento da procura por alternativas com objetivo de reduzir os custos operacionais tomando a logística como um fator extremamente relevante a ser estudado para alcançar esta finalidade. Para exemplificar esta problemática, compreende-se a cotonicultura brasileira, que vem atravessando um período de transformações que resultam em expressividade no mercado mundial, como grande exportador, mas com altos custos logísticos que impactam sua performance. Dado este cenário, o presente estudo discorre sobre o escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos através de uma análise comparativa entre os portos de Santos e Salvador. PALAVRAS-CHAVE: Algodão. Logística. Gargalos. Exportação. ABSTRACT Competitiveness is an important factor for the global trade and companies, over the years, have been seeking new alternatives to improve their procedures. Logistic processes have been the key to achieve the company goals and rise competitiveness to a higher level. Brazil is a big country, with some internal logistic obstacles that interfere in its international trade result. In this paper, we present the process of exporting cotton from Bahia and the problems of this supply chain. The main objective is to show logistical obstacles in Bahia's cotton trade and propose solutions to this problem by describing the supply chain, showing the port's structure and demonstrating the logistical and economical viability of using Salvador port as an alternative to Santos port. KEY-WORDS: Cotton. Logistics. Bottlenecks. Export. 171 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 INTRODUÇÃO O agronegócio é um dos grandes pilares comerciais de diversos países, principalmente os que têm disponibilidade de solo e condições climáticas para cultivo e/ou produção de diferentes culturas, sobretudo aqueles que não possuem infraestrutura em produção de bens com alto valor agregado. Conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - (CNA) (2020), nos últimos anos, o Brasil mostra-se como grande produtor do agronegócio mundial, setor que representou 21,4% do PIB brasileiro em 2019, crescimento este comprovado mesmo durante a grande recessão que o país enfrentou. “Entre 2014 e 2017, houve contração do PIB em 6%, a indústria de transformação encolheu incríveis 12,1% e o setor de serviços perdeu 5%. No mesmo período, o setor agrícola cresceu 11,7%” (BARROS, 2018). No setor agropecuário, dentre as culturas cultivadas no Brasil, a cotonicultura está tomando destaque nos últimos anos, pois gera dois subprodutos: o caroço e a pluma, que são as fibras prontas para fiação. Segundo Silva et al. (2009), a pluma é o produto resultante de beneficiamento do algodão, ou seja, o resultado do processo de separação das fibras do caroço que no contexto internacional é o principal foco das exportações brasileiras diante da demanda externa. As exportações do algodão em pluma brasileiro vêm crescendo exponencialmente e no ano de 2019 ficaram atrás apenas do volume exportado pelos Estados Unidos (CONAB, 2019). Os principais importadores desta commodity são os países asiáticos, justificando-se, assim, a necessidade de escoar a carga produzida no oeste baiano até o litoral paulista, devido a disponibilidade de serviços e de linhas marítimas com destino a Ásia, mas a distância entre produção e porto gera um obstáculo logístico tornando o processo moroso e oneroso. O escoamento das cargas produzidas no estado poderia ser feito via porto de Salvador, o que tornariam os resultados mais satisfatórios, entretanto é preciso compreender o motivo pelo qual esta rota não é adotada, sendo o escoamento pelo porto de Santos a opção feita pelos produtores. O artigo tem como objetivo geral apresentar os gargalos existentes na cadeia logística da cotonicultura baiana e seu escoamento pelos portos de Santos e Salvador. E como objetivo específico, descrever a cadeia logística baiana do algodão; analisar os cenários portuários de Santos e Salvador e demonstrar a viabilidade econômica/logística do porto de Salvador como alternativa ao porto de Santos para escoamento da carga. Por fim, cabe colocar que a metodologia utilizada foi a pesquisa descritiva e bibliográfica, levantando e detalhando dados quantitativos e qualitativos, juntamente com a pesquisa de campo, através da entrevista semiestruturada em profundidade, que permite a liberdade de expressão do entrevistado e a manutenção do foco por parte do entrevistador, com o objetivo de obter dois pontos de vista sobre o tema central, conforme Gil (2002). 172 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 1. COMERCIO EXTERIOR BRASILEIRO Segundo Poyer e Roratto (2017), o comércio é uma atividade milenar que com o desenvolvimento foi tomando proporções globais. Durante o período mercantilista ocorreu o surgimento das primeiras teorias econômicas que justificam e intensificam a troca de mercadoria entre os países, o liberalismo econômico por exemplo. Entende-se que a ideia central do liberalismo é que o comércio internacional ocorre pela diversidade dos países e pela busca em obter produtos que não são encontrados em abundância internamente. No contexto brasileiro, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola - (IEA) (2020), a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 46,66 bilhões em 2019 e dentro do resultado alcançado o agronegócio tem grande representatividade como mostra o gráfico 1: Gráfico 1 - Balança comercial brasileira e do agronegócio (US$ Bilhão) Fonte: IEA (2020) As exportações do agronegócio brasileiro no ano de 2019 apresentaram redução em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 96,79 bilhões. As importações retrocederam 1,9% no mesmo intervalo de tempo, alcançando US$ 13,77 bilhões, representando 43,2% do total nacional. Com os dados apresentados, identifica-se que houve superávit na balança comercial brasileira que atingiu US$ 83,02 bilhões. Por outro lado, a participação das exportações do agronegócio no total nacional aumentaram 0,9%. De modo geral, observa-se que o comércio exterior brasileiro só obteve saldo positivo na balança 173 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 comercial graças ao desempenho deste setor. Conforme o Centro de Pesquisas Econômicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - (CEPEA) (2019) em 2019 um dos produtos agrícolas responsáveis pelo aumento das exportações foi o algodão em pluma, tendo um aumento no volume exportado de 65% entre o ano de 2018 e 2019. 1.1 ASPECTOS GERAIS DA COTONICULTURA A cotonicultura, cultura do algodão, é a principal matéria-prima da produção têxtil e um dos mais importantes setores do agronegócio mundial (NAGAY, 1999). Uma fibra têxtil natural, o algodão é aproveitado de diversas formas, gerando produtos como a pluma, o caroço e o óleo. Dentre eles, o mais exportável é a pluma, que representa o produto resultante do beneficiamento do algodão em caroço, que consiste na separação das fibras do algodão da semente, por meio de processos mecânicos, obtendo fibras limpas prontas para a fiação (SILVA et al., 2009). Gráfico 2 – Principais Países Exportadores de Algodão em Pluma Fonte: USDA (2020), adaptação própria Nota-se a partir do gráfico 2, que os Estados Unidos se mantiveram como maior exportador de algodão, representando 39% das exportações mundiais. Seguido pela Índia, que no acumulado mostra-se como a segunda colocada no ranking das exportações, mesmo sendo o Brasil o ocupante deste lugar no ano de 2018/19. No período demonstrado pelo gráfico, algo relevante a tratar é o crescimento da participação do Brasil nas exportações da fibra, devido a 174 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China, pois segundo a Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, as tarifas impostas provocaram queda de aproximadamente 40% no valor das exportações americanas para o país asiático, resultando em aumento de preços dos produtos agropecuários. No caso do algodão, o aumento chegaria a 7,5%. Por esse motivo, o Brasil ganhou espaço no mercado desta commodity, resultando em mais de 1.300.000,00 toneladas exportadas (MENDES, 2018). Gráfico 3 – Principais Países Importadores de Algodão em Pluma Fonte: USDA (2020), adaptação própria Identifica-se a partir do gráfico 3, que dos cinco maiores importadores do mundo, Bangladesh segue na liderança, em função da indústria têxtil local, que é a principal atividade econômica e responsável por aproximadamente 80% das receitas das exportações do país, sendo no período demonstrado no gráfico, o maior comprador da fibra no mundo. Entretanto a nação que cresceu mais durante o intervalo (2016/17 - 2018/19) foi a China, aumentando suas importações em 91%, este aumento é resultado da queda de volume da fibra nos estoques públicos chineses (NOGUEIRA, 2018). Juntos, os cinco maiores compradores representam 71% da importação mundial de algodão. Os dados apresentados demonstram que as importações estão concentradas em países mais populosos para atender a demanda doméstica de tecidos e ao mesmo tempo exportar roupas feitas para países, principalmente desenvolvidos, devido ao custo baixo de mão de obra (GRUPO, 2018). 175 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 1.2 COTONICULTURA NACIONAL E SUA COMERCIALIZAÇÃO De acordo com Barreto (2008), a produção em longa escala de algodão no Brasil é resultado do deslocamento da cotonicultura do eixo Sul-sudeste para os Cerrados. Diversos fatores em conjunto tornaram viável a mudança das lavouras para o Cerrado. Dentre elas estão as condições climáticas da região, a disponibilidade de capital aliada as pesquisas tecnológicas que confirmavam a viabilidade econômica da produção do algodão na região centro-oeste, motivando os grandes empresários agrícolas a migrarem, implementando a cotonicultura nos moldes do modelo empresarial. Atualmente, a região líder de cotonicultora brasileira é a Centro-Oeste, responsável por 71% da produção nacional, seguida pelo Nordeste, mais especificamente o Cerrado Baiano com 26%. O antigo eixo produtor sul-sudeste representa apenas 2% do total de pluma produzida (ABRAPA, 2020). Gráfico 4 – Principais estados brasileiros produtores de algodão em pluma (em 1000 t.) Fonte: ABRAPA (2020), adaptação própria De acordo com o gráfico 4, por ordem de relevância, a disposição dos estados por produção seria: Mato Grosso, Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Constata-se a mudança radical do polo produtivo do algodão brasileiro, e neste caso, o cerrado destaca-se como principal núcleo produtor de outras commodities agrícolas como a soja. O entendimento sobre o ambiente nacional e internacional da cotonicultura pode auxiliar na compreensão sobre a cotonicultura do Oeste Baiano, pois o processo produtivo do algodão no Cerrado Baiano está diretamente ligado aos acontecimentos internos e mundiais no mercado algodoeiro. São componentes que influenciam, por vezes, o vínculo entre os agentes da cadeia. Como por exemplo acordos estabelecidos entre produtores e governo. 4.117,30 1.442,20 172,9 163,7 129,9 0,00 500,00 1.000,00 1.500,00 2.000,00 2.500,00 3.000,00 3.500,00 4.000,00 4.500,00 MT BA MS GO MG 176 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 Para Barreto (2008), o desenvolvimento da cotonicultura no Oeste Baiano ocorre durante o movimento de diversificação produtiva, acompanhando o exemplo de cultivo desenvolvido no Centro-Oeste. A topografia plana e extensa do Oeste Baiano assegura ao produtor vários benefícios. Segundo dados da Associação Baiana dos Produtores de Algodão - (ABAPA) (2019) o Oeste da Bahia atualmente é o segundo maior produtor e exportador de algodão no Brasil, ficando atrás somente do Mato Grosso. Para a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), dentro do núcleo da região Oeste baiana existem duas áreas características: o vale e o cerrado. A partir dos dados da ABAPA de 2018 (tabela 1), a participação da Bahia no total brasileiro das exportações do produto foi de 21%, onde o município que mais se destaca é o de Barreiras com mais de 67 mil toneladas exportadas, resultando em 33,2% do total das exportações baianas e gerando US$ 113.742.678,00 de receita. Tabela 1 – Exportações de algodão em pluma pelas cidades baianas em 2018 MUNICÍPIOS BAIANOS 2018 - Valor FOB (US$) 2018 - Toneladas Barreiras 113.742.678,00 67.165 Luís Eduardo Magalhães 106.566.655,00 62.716 São Desidério 60.470.497,00 33.389 Correntina 38.822.199,00 21.504 Formosa do Rio Preto 18.221.530,00 9.420 Vitória da Conquista 9.811.782,00 5.845 Jaborandi 3.191.735,00 1.727 Fonte: ABAPA, (s.d.), adaptação própria Os principais destinos da produção baiana são os países asiáticos e os cinco primeiros foram respectivamente China, Vietnã, Indonésia, Bangladesh e Turquia, configuração resultante da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Já em 2018 o ranking dos principais compradores possuía outra composição tendo o Vietnã como o maior importador. Ainda no contexto exportação, referente aos portos de saída da commodity, esta operação fica praticamente toda concentrada no Porto de Santos, responsável por aproximadamente 98% das saídas do produto, seguido pelo Porto de Salvador com 0,9%, conforme dados da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão – (ANEA). Devido à demanda ser pelo Porto de Santos, cadeias logísticas surgem gerando gargalos e custos altos prejudiciais às operações, por conta da grande deficiência na infraestrutura do país (ANEA, 2018). 177 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 2. TRANSPORTE NO AGRONEGÓCIO De acordo com Oliveira (2017 apud LOPES, et al., 2018), o Brasil tem volume expressivo de algodão em pluma para ser escoado de maneira rápida e com baixo custo de transporte, minimizando os gastos logísticos da operação, entretanto em um país continental que utiliza, em sua maioria, o modal rodoviário como movimentação de carga, se faz necessário o constante monitoramento e aperfeiçoamento das técnicas logísticas utilizadas. Deste modo, a logística aplicada ao agronegócio não pode ser exclusivamente atrelada a maximização dos lucros, e sim como uma oportunidade de diminuir e aprimorar os custos a partir de uma gestão aperfeiçoada, por meio de qualidade do serviço logístico oferecido aos clientes. Dentro do contexto da produção do algodão na Bahia, a gestão dos processos logísticos é de extrema importância, tendo em vista a distância entre a produção e o principal porto de escoamento de cargas brasileiras, o porto de Santos. Sendo assim pode-se observar que neste cenário, um estudo logístico, levando em consideração os gargalos já existentes e as especificidades da carga são indispensáveis. Atualmente no Brasil, a desigualdade de distribuição, a falta de incentivo para o uso da intermodalidade, com muita utilização independente dos modais, são fatores presentes na matriz de transporte nacional. Atitude pouco estratégica, visto que, a movimentação de mercadorias usando a intermodalidade, tem a capacidade de reduzir custos, tempo de trânsito, perdas e avarias no processo, entre outros aspectos positivos (SILVA JUNIOR, 2017). No Brasil, de acordo com dados da Confederação Nacional dos Transportes – (CNT) (2019) a matriz de transporte de cargas é distribuída entre os modais de transporte de acordo com o gráfico 5: Gráfico 5 - Matriz do transporte de cargas em 2019 – participação (%) Fonte: CNT (2019), elaboração própria 178 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 No gráfico 5 é possível observar que, no ano de 2019, mais da metade das cargas nacionais foram movimentadas pelo modal rodoviário com 61% da participação, o modal ferroviário com 21% da participação, foi o segundo mais utilizado, seguido pelo aquaviário com 14%. Os modais dutoviário e aéreo juntos são 4,6% da participação na matriz de carga brasileira. Dentro do contexto da cotonicultura brasileira, os modais são influenciadores diretos na operação de escoamento do produto, isto porque são os modos de transferência de itens no mercado interno e externo. Destacam-se os modais rodoviário e marítimo utilizados para o transporte, sendo o rodoviário intermediador entre o ponto de origem até o ponto de embarque para exportação, como exemplo Bahia x Santos, e o modal marítimo para escoamento destinado à exportação do produto. A matriz utilizada na cotonicultura se reflete na capacidade de transporte e custos finais devido às limitações, além do alto custo envolvido na logística do país. No quesito transporte marítimo a cadeia do algodão enfrenta dependência do porto de Santos que é um dos portos com variedade de linhas para países no exterior ao mesmo tempo que é distante dos pontos de produção no Oeste baiano o que encarece o produto e as operações que o envolvem. Segundo o consultor logístico entrevistado, as últimas três safras do algodão baiano obtiveram alto nível de produtividade, gerando um excedente de produção que portos próximos a produção não seriam capazes de suprir. Desta forma, o porto de Santos torna-se o principal porto utilizado para expedição dessa mercadoria, exportando 90% do algodão produzido no oeste baiano. Com a safra atual 2019/2020, a empresa Maersk previu uma produção de 2,8 milhões de toneladas, onde desse total, 30% deverá ser o crescimento na exportação de algodão, chegando de 1,8 milhões até 2 milhões de toneladas exportadas pelo porto de Santos, mas devido ao alto volume desta commodity ser viabilizada no porto Santos, este acaba tendo atrasos de uma até duas semanas na embarcação da carga (REVISTA SAFRA, 2019). Devido ao exponencial de crescimento da cotonicultura no oeste da Bahia, alternativas para diminuição de custos na origem devem ser estudadas com o objetivo de beneficiar o produtor. Se utilizado, o porto de Salvador seria uma importante alternativa para os gargalos que o porto de Santos apresenta, sendo capaz de diminuir custos logísticos e evitar atrasos nos embarques, trazendo a cotonicultura brasileira aumentos em sua produção. 185 | O escoamento do algodão baiano e seus entraves logísticos: um estudo econômico e comparativo entre o porto de Santos x porto de Salvador Revista Processando o Saber - v.13 - p. 170-185 - 2021 LOPES, Adriano et al. Exportação de algodão via Porto de Salvador: estudo de viabilidade econômica e comparativo do cenário atual. 2018. 69 f. Monografia (Especialização) - Curso de Gestão de Negócios, Fundação Dom Cabral, Salvador, 2018. Disponível em: https://repositorio.itl.org.br/jspui/bitstream/123456789/297/1/Exporta%C3%A7%C3%A3o% 20de%20algod%C3%A3o%20via%20porto%20de%20Salvador.pdf. Acesso em: 10 set. 2020. MENDES, Carla. Guerra comercial EUA x China pode tirar 40% de valor das exportações agrícolas americanas. 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