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EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA POPULAR: UMA EXPERIÊNCIA NECESSÁRIA NA FORMAÇÃO EM SAÚDE

Centro Universitário de João Pessoa

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40 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA POPULAR: UMA EXPERIÊNCIA NECESSÁRIA NA FORMAÇÃO EM SAÚDE Camile Pinheiro Kaffa Ferraz (Email: estudocamillekaf[email protected]m) Rayanne Santos Alves Sabrina Coutinho Duarte Joyce simplicio Bandeira Anna Vitória Marques Martins DOI 10.5281/zenodo.17674970 Resumo Objetivo: Relatar de forma reflexiva a vivência no projeto de extensão universitária Ciranda Freireana dos Pensadores em Saúde – CIRFREIREPENSA. Metodologia: estudo do tipo Sistematização de Experiência, realizado nos meses março e abril do ano 2025. Descrição da Experiência: esta vivência versa sobre quatro encontros entre coordenadora e extensionistas do projeto CIRFREIREPENSA. O grupo de extensionistas está composto por acadêmicos do curso de enfermagem e medicina. As reuniões ocorreram na sala de aula de uma Instituição de Ensino Superior. A experiência proporciona o protagonismo estudantil, o diálogo coletivo de caráter crítico e reflexivo da realidade em relação aos temas coletivamente e democratamente elencados. Considerações finais: a extensão universitária popular impulsiona uma formação do sujeito na perspectiva da transformação social. O conhecimento construído, ainda que com poucos encontros, na perspectiva do diálogo, reflexão e criticidade proporciona desenvolvimento de habilidades e competências que induz uma postura política para defesa da justiça social. Descritores: Extensão Universitária; Saúde; Educação Popular. Introdução O campo da Extensão Universitária tem contribuído significativamente para o preenchimento de vasto e diferenciado movimento nacional de experiências que visam a configuração de um fazer universitário socialmente referenciado e politicamente orientado 41 pela formação crítica das pessoas. A Extensão é compreendida como comunicação, trabalho social e articuladora do ensino-pesquisa. Por tal razão, precisa constituir o eixo fundamental para qualquer proposta de ação universitária cujo interesse esteja no desenvolvimento da formação de sujeitos com cunho crítico, cidadão e emancipatório (Cruz, 2021). O desenvolvimento de ações de extensão universitária é uma ferramenta exequível que possibilita práticas de atenção integral à saúde dos sujeitos nos diversos níveis tecnológicos. A utilização da educação popular colabora com reformulação de saberes na junção do conhecimento técnico-científico e popular. O convívio entre a comunidade e acadêmicos fortalece a tríade ensino-prática-pesquisa. A ação de extensão universitária é uma estratégia de formação e promoção de saúde, necessitando de maior incentivo político e econômico, para seu fortalecimento e efetivação de sua proposta na academia e na comunidade (Santana et al., 2021). A Extensão Universitária Popular utiliza a Educação Popular (EP) como recurso teórico-metodológico norteador, que vem sendo desenvolvido pelos integrantes do projeto. Estudos têm evidenciado experiências exitosas da utilização da EP tanto em espaços acadêmicos quanto comunitários. A Extensão Popular compreende uma concepção de pensar, de fazer e de pautar a Extensão Universitária sob a sinfonia dos princípios teórico-metodológicos da EP, vislumbrados pelo pensador-educador Paulo Freire e por uma rica diversidade de autores(as) (Cruz, 2021). A extensão na perspectiva mencionada pode ser compreendida como o horizonte na tentativa de buscar as iniquidades sociais, onde possa ser feita a escuta sincera dos grupos socialmente marginalizados e efetivando uma produção realmente direcionada para melhoria da qualidade de vida dos sujeitos. Assim, a Extensão Popular não pode ser 42 vista como qualquer trabalho fora do ambiente acadêmico, ou mero serviço assistencialista à população carente (Falcão, 2018). A EP direcionada à área da saúde constitui uma estratégia ímpar para a promoção da ação-reflexão-ação, buscando o cuidado, a formação, o fortalecimento dos atores sociais, o reconhecimento do saber popular e a efetivação da democratização do Sistema Único de Saúde (SUS) (Sthal; Leal, 2017). Nesse sentir, a formação de profissionais de saúde comprometidos com a transformação social exige mais do que o domínio técnico: requer a vivência de práticas que despertem a consciência crítica, a capacidade de diálogo e o respeito às múltiplas formas de saber. Diante disso e dos desafios persistentes no SUS e da urgência em formar profissionais sensíveis às desigualdades e atentos às potências populares, faz-se necessário fortalecer ações extensionistas que rompam com modelos tradicionais e fragmentados de ensino. Dessa forma, o Projeto de Extensão Ciranda Freireana dos Pensadores em Saúde (CIRFREIREPENSA) nasce dessa necessidade, com compromisso e horizonte da construção coletiva do conhecimento e formação de sujeitos críticos, protagonistas de práticas emancipatórias. O presente relato se justifica pela relevância de sistematizar essa experiência como espaço de reflexão e fortalecimento de práticas que unem teoria e prática, ciência, conhecimento e cultura popular, saber técnico e vivência comunitária. São nos espaços tecidos da extensão popular que se reafirma como eixo formativo indispensável na construção de uma saúde verdadeiramente democrática, humanizada e comprometida com a transformação social. Logo, este estudo objetiva relatar de forma reflexiva a vivência na extensão universitária popular Ciranda Freireana dos Pensadores em Saúde – CIRFREIREPENSA. 43 Metodologia Trata-se de um estudo do tipo Sistematização de Experiências, compreendida como um processo de interpretação crítica dos acontecimentos vividos, a partir do seu ordenamento e reconstrução, buscando descobrir a lógica do processo, seus fatores constitutivos e suas relações internas. Segundo Oscar Jara Holliday (2006), sistematizar não é apenas narrar ou avaliar, mas transformar a prática em objeto de análise reflexiva, superando a mera descrição e produzindo novos conhecimentos a partir da prática social concreta. Este trabalho cumpriu cinco etapas: (1) o ponto de partida, no qual define-se a experiência crítica; (2) a formulação de perguntas-chave, que orientam a investigação e reflexão crítica; (3) a reconstrução do processo vivido, reconstituindo a trajetória e identificando momentos significativos; (4) a análise crítica, etapa em que se busca interpretar a lógica do processo, seus avanços, limites e contradições; e (5) a chegada, que corresponde à identificação das aprendizagens, novos sentidos e contribuições práticas e teóricas que emergem essa experiência. O projeto de extensão universitária CIRFREIREPENSA surgiu no ano de 2025 no Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), município João Pessoa, capital da Paraíba - Brasil. Tal projeto fundamenta-se nos princípios da Educação Popular em Saúde (EPS) e no pensamento freireano, que promove rodas de conversa dialógicas, dinâmicas e análise crítica de temas atuais que interferem na saúde pública. Durante a sistematização dessa experiência, foram feitos registros fotográficos, escritos, bem como observação da dinâmica dos debates entre os extensionistas. Assim, também foi possível compreender sua dinâmica interna, extrair aprendizados e apontar caminhos para efetivação de 44 práticas de EPS na formação de profissionais críticos e comprometidos com a transformação social, promovendo aprendizagens significativas para prática sociais em saúde. Relato de Experiência A participação no projeto de extensão popular CIRFREIREPENSA tem se revelado uma vivência profundamente significativa para a formação acadêmica e pessoal dos envolvidos. Desenvolvido ao longo de 2025, o projeto fundamenta-se na EPS, reflexões e contribuições do pensamento Paulo Freire. O primeiro encontro foi dedicado à apresentação da proposta e objetivos do projeto e seus integrantes, bem como discussão sobre a Educação Popular e obras de Paulo Freire. Nesse momento, foi debatida a importância das rodas de conversa, espírito democrático e construção horizontal do conhecimento. Essa introdução mostrou-se essencial para compreender o impacto do pensamento freireano na área da saúde. No segundo encontro, os participantes assistiram a um vídeo que retratava a realidade das mulheres em situação de privação de liberdade e vulnerabilidade social. É válido ressaltar que a condução foi protagonizada por uma extensionista do projeto. A partir desse material, foi feita uma roda de conversa que produziu a reflexões sobre políticas públicas, justiça social e vulnerabilidades, invisibilidade, abandono e a negligência de atenção à saúde e de assistência social por parte do poder público voltado a estas pessoas. Essa discussão tocou profundamente os participantes, evidenciando a necessidade urgente de um olhar mais sensível e humanizado frente as desigualdades sociais no Brasil. O debate foi enriquecedor, pois foi possível identificar diversos e distintos pontos de vista, com isso ampliou-se de forma panorâmica a compreensão sobre o tema. 45 No terceiro encontro foi abordado tema contemporâneo, mediado por extensionista: o uso excessivo de telas na infância e suas implicações à saúde. Foram discutidos os impactos dessa realidade no desenvolvimento físico, emocional, psicológico e social na infância. A partir do debate foi possível ampliar conhecimentos, esclarecer dúvidas e desvendar estratégias para orientação de responsáveis quanto exposição de telas. Mediante a reflexão proporcionada, esse tema conduziu os participantes a outras questões relevantes que vivenciam em sua realidade atual, resultando em compartilhamento de saberes e ideias imprescindíveis para tomada de decisão em saúde. Por fim, o quarto encontro – o mais recente até agora – teve um formato amplo, em forma de roda de diálogo. Diversos temas interligados foram abordados, como o Anel de Tucum, cultura popular, ideais de Paulo Freire, justiça social, movimentos sociais, democracia e a própria Educação Popular em Saúde. Esse momento simbólico e enriquecedor possibilitou uma discussão profunda sobre a educação popular e suas contribuições para uma sociedade mais equânime e justa. A experiência como integrante do CIRFREIREPENSA tem se mostrado como espaço de formação na perspectiva transformadora e motiva os participantes a buscar um olhar mais crítico e humanizado na sua futura prática profissional. Considerações Finais As experiências vividas nesta extensão revelam a importância da Educação Popular em Saúde como um instrumento de formação e transformação social. Ao longo dos encontros, os participantes não apenas se depararam com temas relevantes e atuais, mas também ampliam uma consciência crítica sobre as realidades que afetam a saúde pública. As discussões proporcionam um olhar mais politizado 46 quanto os aspectos e variáveis que afetam a qualidade de vida dos sujeitos. As vivências nas rodas de conversas simbolizam a essência do pensamento freireano: uma construção compartilhada do conhecimento, aprendizagem significativa, aprimoramento do diálogo e comunicação, comprometimento com a justiça social e o respeito à dignidade humana. Referências CRUZ, P. J. S. C. et al. Extensão popular: bases teórico-metodológicas. Reflexão e Ação, v. 29, n. 2, p. 69-85, 2021. FALCÃO, E. F. Extensão popular: caminhos para a emancipação. João Pessoa: Editora do CCTA , 2018. JARA HOLLIDAY, Oscar. Para sistematizar experiências. 2. Ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. 2006. SANTANA, R. R. et al. Extensão Universitária como Prática Educativa na Promoção da Saúde. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 46, p. e98702, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/2175-623698702. Acesso em: 17 abr. 2024. STHAL, H. C.; LEAL, C. R. A. A. Educação popular como política de saúde: interfaces com a formação profissional em saúde. Cadernos de Pesquisa, São Luís, v. 24, n. 2, 2017. Disponível em: https://periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/cadernosdepesquisa/ar ticle/view/7518. Acesso em: 17 abr. 2024.