INTEGRALIDADE ENTRE ATENÇÃO PRIMÁRIA E HOSPITALAR NO CUIDADO OBSTÉTRICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
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79 INTEGRALIDADE ENTRE ATENÇÃO PRIMÁRIA E HOSPITALAR NO CUIDADO OBSTÉTRICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA Gabriella Cristina Andrade Alves (E-mail: [email protected]) Maria do Carmo Clemente Marques Figueiredo (Orientadora) DOI 10.5281/zenodo.17675082 Resumo Objetivo: Relatar por meio da experiência prática, os desafios enfrentados pela enfermagem obstétrica em demandas de Atenção Primária na Maternidade Pública. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, realizado nos meses de fevereiro e março de 2025. Descrição da experiência: A vivência ocorreu em uma maternidade pública de referência na Paraíba, durante estágio supervisionado em enfermagem obstétrica. Observou-se a recorrente chegada de gestantes com condições que poderiam ser resolvidas na APS. Evidenciaram-se fragilidades na comunicação entre os níveis de atenção e na orientação prestada à população. Nesse sentido, demonstrando o papel crucial dos enfermeiros para mitigar esse empasses. Considerações finais: O estágio permitiu refletir sobre a importância da integração entre os serviços de saúde e o papel estratégico da enfermagem na linha de cuidado obstétrico. A experiência reforça a necessidade de fortalecimento da APS e da articulação ensino-serviço para uma formação crítica e comprometida com os princípios do SUS. Descritores: Atenção Primária; Enfermagem Prática; Enfermagem obstétrica Introdução O Estágio Supervisionado (ES) é crucial na formação do enfermeiro, proporcionando a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos e o desenvolvimento de habilidades clínicas, éticas e comunicacionais essenciais para a atuação profissional (Silva et al., 2019). O ES permite ao estudante vivenciar situações reais de cuidado, estimulando a reflexão crítica e contribuindo para a construção de uma
80 identidade profissional pautada em empatia, responsabilidade e qualidade da assistência (Ribeiro et al., 2018). Percebeu-se a importância da articulação entre os níveis de atenção à saúde, com o enfermeiro atuando como elo entre a Atenção Primária e o hospital, assegurando um cuidado integral e centrado na mulher (Almeida et al., 2010). No entanto, houve fragilidade nessa articulação, com gestantes buscando atendimento hospitalar para casos de baixa complexidade, o que reforça a necessidade de fortalecer a Estratégia Saúde da Família (Brasil, 2017). Este relato descreve as experiências vividas por uma estudante de enfermagem na Maternidade Flávio Ribeiro Coutinho, destacando os desafios enfrentados e os aprendizados na construção de sua identidade profissional em enfermagem obstétrica. Este relato apresenta as aprendizagens do Estágio Supervisionado em enfermagem obstétrica, destacando a importância do enfermeiro no cuidado integral à gestante e os desafios da articulação entre os níveis de atenção. A fragmentação do sistema prejudica a continuidade do cuidado (Almeida et al., 2010). O estágio é um espaço formativo que desenvolve habilidades clínicas, éticas e relacionais, promovendo reflexão crítica e construção de uma identidade profissional responsável (Silva; Sena, 2020). Durante o estágio, o estudante adquire competências exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais, como liderança, comunicação e atenção à saúde, essenciais para uma atuação segura e eficaz (Benito; Gonçalves; Pereira, 2012). Compreender o papel do enfermeiro é fundamental para uma assistência humanizada. O estágio amplia a visão crítica, fortalece a tomada de decisão e o trabalho em equipe (Fonseca Filho, 2010). Por fim, o relato reforça a importância da integração ensino-serviço para a formação de profissionais comprometidos com os princípios do SUS,
81 incentivando reflexões sobre os desafios da atenção obstétrica (Brasil, 2018). Metodologia A abordagem metodológica do estágio foi qualitativa, com foco nas experiências e percepções da estudante. A observação participante permitiu uma análise reflexiva da prática hospitalar e do papel do enfermeiro no cuidado à mulher, promovendo uma construção crítica do conhecimento (Minayo, 2010). As atividades do estágio foram registradas em diário de campo, contendo descrições das práticas assistenciais, interações com a equipe e aprendizados. O uso do diário possibilitou uma reflexão contínua sobre os processos observados (Souza et al., 2015). As observações e reflexões foram autorizadas pela coordenação do estágio, respeitando os princípios éticos da pesquisa, conforme a Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Embora não envolvesse dados sensíveis, as diretrizes éticas foram rigorosamente seguidas (Brasil, 2016). Descrição da experiência O estágio supervisionado em enfermagem obstétrica foi uma experiência valiosa de aprendizado e amadurecimento profissional. A vivência hospitalar possibilitou aplicar conhecimentos e refletir sobre os desafios na assistência às gestantes, reforçando o papel do enfermeiro no cuidado integral, seguro e humanizado. Foi evidente a importância da integração entre os níveis de atenção, principalmente na triagem de gestantes que poderiam ser atendidas na Atenção Primária. Tal situação reforça a necessidade de
82 fortalecer a Estratégia Saúde da Família (ESF) e ampliar a divulgação dos serviços ofertados, evitando a sobrecarga hospitalar. A sobrecarga dos serviços de urgência reflete a fragilidade da atenção básica em garantir resolutividade e vínculo com os usuários, contrariando os princípios de hierarquização e regionalização do SUS (Brasil, 2011). Observaram-se também falhas na comunicação entre os serviços de saúde e a população, o que compromete a continuidade do cuidado. Muitas gestantes desconheciam os serviços da ESF ou não se sentiam acolhidas, buscando diretamente o hospital. Isso aponta para a urgência de ações educativas e qualificação das equipes da Atenção Básica. Assim, o estágio supervisionado se confirmou como uma estratégia essencial na formação, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais, promovendo competências alinhadas ao cuidado integral e ao compromisso com o SUS (Brasil, 2001). Considerações finais O estágio supervisionado em enfermagem obstétrica permitiu vivenciar a complexidade do cuidado à gestante no contexto hospitalar, evidenciando a relevância da atuação do enfermeiro na promoção da integralidade da atenção. A prática demonstrou que a fragmentação entre os níveis de atenção compromete a continuidade do cuidado, especialmente quando a Atenção Primária não consegue acolher ou resolver demandas que acabam sobrecarregando os serviços hospitalares. A experiência favoreceu o desenvolvimento de habilidades clínicas, éticas e relacionais, proporcionando amadurecimento profissional e fortalecimento da identidade do futuro enfermeiro. A reflexão crítica diante dos desafios vivenciados contribuiu para a
83 construção de um cuidado mais consciente, humanizado e alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, o estágio reforçou a importância da articulação ensinoserviço como estratégia essencial para a formação de profissionais qualificados. O contato direto com a realidade do cuidado obstétrico incentivou o desenvolvimento de competências como liderança, comunicação e tomada de decisão, conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais. Conclui-se que a formação em enfermagem deve investir em experiências práticas que promovam a compreensão do papel do enfermeiro como agente de transformação do cuidado. Estágios supervisionados como este são fundamentais para preparar profissionais comprometidos com a humanização, a resolutividade e a integralidade do SUS. Referências ALMEIDA, P. F. et al. Desafios à coordenação dos cuidados em saúde: estratégias de integração entre níveis assistenciais em grandes centros urbanos. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 2, p. 286– 298, 2010. ALMEIDA, P. F. de; GIOVANELLA, L.; MENDES, E. V.; ESCOSTEGUY, C. Desafios à coordenação dos cuidados em saúde: estratégias de integração entre níveis assistenciais em grandes centros urbanos. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 26, n. 2, p. 286-298, 2010. BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 maio 2016. Disponível em: <https://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2016/Reso510.pdf>. Acesso em: 01 maio 2025. BENITO, G. A.; GONÇALVES, M. V.; PEREIRA, L. G. O ensino da enfermagem e a formação de competências para o SUS: um olhar
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