VISITA TÉCNICA AO SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA ACADÊMICA
Full text
120 VISITA TÉCNICA AO SERVIÇO DE REFERÊNCIA EM DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS: RELATO DE EXPERIÊNCIA ACADÊMICA Sônia de Azevedo Queiroz de Souza (E-mail: azeve[email protected]) Deborah Helena Batista Leite DOI 10.5281/zenodo.17675336 Resumo Objetivo: Relatar a vivência de estudantes de enfermagem durante visita técnica a um serviço de referência em doenças infectocontagiosas. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado por discentes do curso de Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), no contexto da disciplina PIESC I. Relato de experiência: A visita técnica possibilitou a observação de setores especializados no atendimento a pessoas com tuberculose, HIV, hepatites e hanseníase, além de áreas de atenção ambulatorial, incluindo um ambulatório voltado à saúde integral de pessoas transexuais e travestis. Foram abordadas rotinas assistenciais, fluxos de atendimento e protocolos de biossegurança. Considerações finais: A experiência proporcionou uma compreensão ampliada sobre a atuação da enfermagem em serviços especializados e ressaltou a importância da biossegurança, da inclusão e da assistência integral. Descritores: Doenças Transmissíveis; Assistência de Enfermagem; Biossegurança; Educação em Enfermagem. Introdução As doenças infectocontagiosas continuam sendo um dos principais desafios enfrentados pelos sistemas de saúde no mundo. Causadas por diversos agentes etiológicos como vírus, bactérias, fungos e protozoários, essas enfermidades possuem elevada transmissibilidade e podem ser disseminadas tanto por contato direto, por meio de fluidos corporais, quanto por vias indiretas, como objetos contaminados.
121 A sua alta incidência e capacidade de propagação tornam indispensáveis estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico adequado (Gomes; Sousa; Egypto, 2024). Entre essas doenças, destaca-se a tuberculose, cuja forma pulmonar é a mais comum, mas que também pode acometer outros órgãos. No Brasil, permanece como uma condição de notificação compulsória, demandando atenção contínua dos serviços de saúde (Brasil, 2020). Ainda nesse cenário, outras infecções como HIV, hepatites virais e hanseníase também figuram entre as principais causas de morbidade, exigindo políticas públicas direcionadas e ações integradas entre os diferentes níveis de atenção (DATASUS, 2024). A enfermagem ocupa posição estratégica nas ações de enfrentamento dessas doenças. O enfermeiro atua tanto na assistência direta quanto na vigilância, na promoção da saúde e na educação em comunidades, assumindo um papel central na prevenção da transmissão e no cuidado humanizado aos pacientes acometidos (Dantas et al., 2024). O desenvolvimento de competências técnicas, éticas e comunicacionais é essencial para lidar com as especificidades dessas condições, bem como para garantir a adesão ao tratamento e o acompanhamento contínuo dos casos (COFEN, 2021). Nesse contexto, as visitas técnicas emergem como importantes ferramentas pedagógicas para a formação do estudante de enfermagem. Ao permitir a vivência prática em serviços especializados, essas atividades ampliam a compreensão sobre o funcionamento das redes de atenção, fortalecem a articulação entre teoria e prática, e proporcionam o contato direto com as rotinas assistenciais, fluxos de atendimento e protocolos clínicos (Gonçalves; Almeida, 2020). Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência acadêmica vivenciada em uma visita técnica a um serviço de referência em
122 doenças infectocontagiosas, destacando as percepções obtidas sobre o cuidado de enfermagem nesse contexto. Metodologia Trata-se de um estudo descritivo do tipo relato de experiência, desenvolvido com discentes do curso de graduação em Enfermagem do Centro Universitário de João Pessoa-UNIPÊ. A experiência foi realizada no contexto da disciplina de PIESC I, com o objetivo de proporcionar aos estudantes a vivência prática de situações que envolvem o cuidado a pacientes com doenças infectocontagiosas, complementando o conteúdo teórico abordado em sala de aula. A visita técnica ocorreu no mês de maio de 2024, em horário de aula, sendo os alunos distribuídos em grupos de quatro participantes para otimizar a experiência e facilitar o processo de aprendizado. Durante a visita, os discentes foram introduzidos ao funcionamento de um serviço especializado no atendimento a pacientes com doenças infectocontagiosas, abordando fluxos assistenciais, rotinas de enfermagem e medidas de biossegurança. A visita contemplou áreas de internação dedicadas ao tratamento de doenças como tuberculose, HIV, hepatites e hanseníase, além de unidades de atendimento ambulatorial. A experiência também incluiu a observação das práticas de assistência e a análise das rotinas operacionais, com ênfase no cuidado especializado e na importância dos protocolos de biossegurança no manejo desses pacientes. A atividade visou, portanto, proporcionar aos estudantes uma compreensão mais profunda e prática das demandas específicas da enfermagem em serviços especializados, bem como destacar a relevância da integração entre teoria e prática na formação profissional.
123 Relato de experiência A atividade permitiu aos discentes observar, na prática, o funcionamento de um serviço de saúde voltado ao atendimento de pessoas com doenças infectocontagiosas. Inicialmente, foi apresentada a estrutura do local, seus fluxos de atendimento e as condições clínicas mais comuns entre os usuários, como tuberculose, HIV, hepatites e hanseníase. A visita incluiu setores de internação e áreas ambulatoriais. Os estudantes acompanharam as rotinas de enfermagem, medidas de biossegurança e o acolhimento humanizado realizado pela equipe multiprofissional. Um dos momentos marcantes foi a visita ao ambulatório especializado no atendimento integral a pessoas transexuais e travestis, que oferece acompanhamento psicológico, médico, nutricional, entre outros. Também foi possível compreender o fluxo de atendimento relacionado à profilaxia pós-exposição (PEP), incluindo triagem, cadastro e orientações oferecidas aos pacientes, especialmente em situações de exposição ocupacional a material biológico. Esse contato direto com a prática contribuiu para consolidar conhecimentos previamente discutidos em sala de aula. Considerações finais A visita técnica foi uma experiência significativa para os discentes, contribuindo para a compreensão da assistência de enfermagem no cuidado às pessoas com doenças infectocontagiosas. A atividade permitiu a articulação entre teoria e prática, enfatizando a importância dos protocolos de biossegurança e do acolhimento humanizado.
124 Além disso, foi possível refletir sobre a relevância da atenção integral e inclusiva, especialmente no cuidado a populações vulneráveis. O conhecimento adquirido sobre o fluxo de atendimento da PEP também agregou valor à formação dos estudantes, tornando a experiência ainda mais enriquecedora. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Informática do SUS – DATASUS. SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação: Tuberculose. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sinannet/cnv/tubercbr.def. Acesso em: 27 abr. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Tuberculose. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/tuberculose. Acesso em: 27 abr. 2025. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Parecer de Conselheira nº 240/2021/Cofen. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/parecerde-conselheira-no-240-2021-cofen/. Acesso em: 27 abr. 2025. DA COSTA GONÇALVES, A.; OLIVEIRA DE ALMEIDA, E. Visita técnica: uma modalidade de ensino prático no ensino técnico. Revista Ensino, Saúde e Biotecnologia da Amazônia, v. 2, n. esp., p. 132–136, 2020. Disponível em: https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/resbam/article/view/6595. Acesso em: 27 abr. 2025. DANTAS, E. V. O. et al. O papel da enfermagem frente às prevenções das doenças infectocontagiosas. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 12, p. 2743-2754, 2024. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/17553. Acesso em: 27 abr. 2025. GOMES, A. F.; SOUSA, M. N. A.; EGYPTO, I. A. S. do. Perfil das doenças transmissíveis em crianças do Brasil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 6, p. 1375-1389, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2382. Acesso em: 27 abr. 2025.