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A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS

POSSOBAM, Reginaldo

Abstract

Atualmente, o estresse, os perigos e a violência fazem parte do cotidiano dos policiais e vem trazendo sérias consequências à sua saúde em geral. Este artigo teve como objetivo destacar a importância de cuidar da Saúde Mental dos Policiais Militares, em vista o aumento dos casos de suicídio entre estes profissionais, analisando os fatores que contribuem para isso e propondo estratégias para enfrentar esse problema. Para isso, elaboramos um questionário e aplicamos na 8ª Companhia Independente de Polícia Militar, composta por 163 policiais. Dentre eles, 50 responderam ao formulário do Google Forms, de modo anônimo. Como resultados, constatou-se que as longas jornadas de trabalho, algumas questões administrativas, a dificuldade de acesso a psicólogos, a pressão constante decorrente e o ambiente estressante e de alto risco, afetam de forma direta ao bem-estar psicológico dos profissionais da segurança pública. Diante do exposto, concluímos que, para enfrentar esse problema, se faz necessário o investimento em políticas públicas de Saúde Mental, incluindo apoio psicológico, palestras e a normalização deste tema dentro da Corporação.

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A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 1 de 14 A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS MENTAL HEALTH IN THE MILITARY POLICE AND ITS RELATIONSHIP WITH THE INCREASE IN SUICIDE CASES AMONG POLICE OFFICERS POSSOBAM, Reginaldo 1 RESUMO Atualmente, o estresse, os perigos e a violência fazem parte do cotidiano dos policiais e vem trazendo sérias consequências à sua saúde em geral. Este artigo teve como objetivo destacar a importância de cuidar da Saúde Mental dos Policiais Militares, em vista o aumento dos casos de suicídio entre estes profissionais, analisando os fatores que contribuem para isso e propondo estratégias para enfrentar esse problema. Para isso, elaboramos um questionário e aplicamos na 8ª Companhia Independente de Polícia Militar, composta por 163 policiais. Dentre eles, 50 responderam ao formulário do Google Forms, de modo anônimo. Como resultados, constatou-se que as longas jornadas de trabalho, algumas questões administrativas, a dificuldade de acesso a psicólogos, a pressão constante decorrente e o ambiente estressante e de alto risco, afetam de forma direta ao bem-estar psicológico dos profissionais da segurança pública. Diante do exposto, concluímos que, para enfrentar esse problema, se faz necessário o investimento em políticas públicas de Saúde Mental, incluindo apoio psicológico, palestras e a normalização deste tema dentro da Corporação. Palavras-chave: Polícia Militar. Saúde Mental. Suicídio. ABSTRACT Stress, danger, and violence are now part of police officers' daily lives and have serious consequences for their overall health. This article aims to highlight the importance of caring for the mental health of Military Police officers, given the increase in suicide among these professionals, analyzing the contributing factors and proposing strategies to address this issue. To this end, we developed a questionnaire and administered it to the 8th Independent Military Police Company, composed of 163 officers. Of these, 50 responded anonymously to the Google Forms survey. The results showed that long work hours, administrative issues, limited access to psychologists, the constant pressure, and the stressful and high-risk environment directly affect the psychological well-being of public safety professionals. Given the above, we conclude that addressing this problem requires investment in public mental health policies, including psychological support, lectures, and the standardization of this topic within the Police Force. Keywords: Military Police. Mental Health. Suicide. 1 Graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual do Centro-Oeste. E-mail: [email protected] A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 2 de 14 INTRODUÇÃO Tendo em vista que o trabalho policial é de extrema importância para a sociedade, o bem-estar psicológico destes profissionais é um tópico que precisa ser analisado, observando o cenário atual de aumento dos casos de suicídio constatado nos últimos anos. As condições de trabalho, o estresse psicológico constante, a dificuldade de acesso ao apoio psicológico, as longas jornadas de trabalho, as exigências institucionais, as situações tensas e muitas vezes violentas são comuns no cotidiano dos Policiais Militares. No entanto, com o passar do tempo, se alguns traumas e situações não forem tratadas com suporte e ajuda adequados, podem facilitar o aparecimento de doenças psicológicas nas corporações. Além disso, em nosso país, os policiais militares convivem diariamente com desafios visíveis como os riscos físicos e invisíveis, que são os que afetam diretamente a Saúde Mental. O segundo, talvez, sendo o mais preocupante devido ao seu caráter sorrateiro e silencioso. Nos últimos anos, tornouse crescente os casos de transtornos mentais e de casos de suicídio entre os integrantes da corporação, especialmente na Polícia Militar. Compreendemos que o tema da Saúde Mental e o crescente caso de suicídios entre Policiais Militares é uma questão que afeta não apenas os próprios profissionais, mas também suas famílias, o convívio entre colegas de trabalho e toda a sociedade. Apesar da gravidade da situação, este tema ainda recebe pouca atenção por parte dos órgãos de segurança e da sociedade como um todo. Além disso, é de conhecimento geral que há um estigma relacionado a esse tema, a ausência de apoio psicológico estruturado e uma cultura institucional marcada pela rigidez e disciplina, que dificultam a descoberta de doenças mentais nesses profissionais. Como resultado, muitos acabam tendo o acesso à ajuda postergado, tornando-se mais vulneráveis a transtornos, como depressão, ansiedade e, nos casos mais graves, ao suicídio. Neste artigo, buscamos investigar a percepção dos Policiais Militares com relação ao tema da Saúde Mental e quais os possíveis impactos que a desvalorização dessa questão pode acarretar sobre suas vidas pessoais e seu trabalho. Sendo assim, A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 3 de 14 o objetivo principal foi destacar a importância de cuidar da Saúde Mental dos Policiais Militares, analisando os fatores que contribuem para o aumento dos casos de suicídio entre esses profissionais e propondo estratégias para prevenir e enfrentar esse problema. Além disso, buscamos compreender qual é a sua relevância no exercício da atividade policial, como está o estado psicológico dos policiais militares da Companhia a ser analisada e a quais riscos esses profissionais estão expostos. Para isso, realizamos um levantamento de dados por meio da aplicação de um questionário aplicado de forma online e anônima à 50 policiais militares da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (8ª CIPM), localizada no interior do Paraná. O questionário foi aplicado com base em parâmetros que foram divididos em quantitativos e qualitativos. Optamos também por utilizar uma investigação qualitativa a fim de dar a oportunidade para os participantes redigirem comentários ou sugestões de melhoria para os desafios encontrados, aplicando a seguinte questão, de resposta não obrigatória: “Gostaria de deixar algum comentário ou sugestão de medidas que poderiam melhorar o bem-estar emocional dos policiais militares?” FATORES DE RISCO PARA A SAÚDE MENTAL De acordo com Silva e Fagiolo (2024, p. 1), “[...] os policiais militares enfrentam desafios significativos em relação à saúde mental, incluindo altos níveis de estresse ocupacional, traumas relacionados ao trabalho e estigmatização do apoio psicológico.”, que são os maiores fatores de risco à sua Saúde Mental. Sua função os coloca em contato direto com situações de elevada tensão, como atendimento a ocorrências violentas, confrontos armados e a constante ameaça à vida. Além disso, a pressão por resultados, muitas vezes acompanhada de cobranças institucionais e expectativas da comunidade e da família, agrava ainda mais esse desafio emocional. Nos últimos anos, estes fatos passaram a receber maior atenção das autoridades, principalmente quando os dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2025, p. 16) revelaram que o número de suicídios de policiais no Brasil ultrapassou o número de mortes em confrontos diretos com criminosos em 2025, sendo de 126 policiais que cometeram A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 4 de 14 suicídio e 124 foram mortos na folga e 46 mortos no trabalho. Esses números são ainda mais preocupantes considerando que nem todos os casos são registrados ou recebem a devida investigação. Segundo Pereira, Madruga e Kawahala (2020, p. 501), “O suicídio está entre as principais causas de morte de policiais no mundo, e os estudos sobre esse fenômeno ocorrem, em sua grande maioria, em países desenvolvidos, existindo poucos dados sobre o Brasil.” De acordo com Cubas, Alves e Rodrigues (2020, p. 819) “[...] os policiais não se sentem reconhecidos e recompensados por suas instituições, pois, na prática, os procedimentos usados não são percebidos necessariamente como justos." As jornadas de trabalho prolongadas, a remuneração muitas vezes defasada e incompatível com a função, a falta de reconhecimento por parte da sociedade e do próprio Estado são fatores que contribuem para a exaustão e a desmotivação entre os profissionais da segurança pública. Alguns estudos demonstram que essa exposição ao longo da carreira pode levar ao desenvolvimento de transtornos psicológicos mais graves, como Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Ansiedade, Insônia, Síndrome de Burnout, Síndrome do Pânico, Depressão, Transtornos alimentares, Problemas cardiovasculares, Problemas de pele, entre outros. Sem o devido apoio psicológico, esses problemas tendem a se agravar, afetando o desempenho profissional, os relacionamentos pessoais e, até mesmo, levando ao suicídio (SARTOR, 2024). Neste sentido, Oliveira (2024) também salienta que, em um ambiente de trabalho, podem ocorrer algumas condições adversas de sobrecarga emocional quando os níveis de estresse se tornam expressivos para além do tolerado, contribuindo para alguns problemas, como: Insônia, Síndrome de Burnout, Síndrome do Pânico, Depressão, Transtornos alimentares, Problemas cardiovasculares e problemas de pele. A cultura organizacional dentro da Polícia segue os padrões militares que foram herdados com o tempo. Isso faz com que o ambiente de trabalho seja mais rígido e com regras que não permitem que os funcionários falem sobre os sentimentos, os medos e as angústias relacionados ao trabalho e às suas vidas pessoais e mesmo A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 5 de 14 entre os colegas, há uma insegurança em desabafar sobre estes assuntos, devido ao medo de serem vistos como fracos ou incapazes. Desta forma, a ausência de apoio psicossocial e de informação dentro das instituições policiais faz com que os problemas psicológicos sejam silenciados ao longo dos anos, uma vez que estes profissionais hesitam em buscar ajuda até que a situação se agrave a casos mais extremos. Diante destes fatos, compreendemos que mesmo que haja um suporte eficaz nas corporações, ele ainda será inútil se não houver uma mudança de mentalidade por parte dos policiais, para que percebam a importância do cuidado com a Saúde Mental. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS O questionário foi aplicado por meio de um formulário do Google Forms via grupo do WhatsApp, as respostas foram anônimas, sendo 19 de múltipla escolha e 1 descritiva, alcançando um total de 50 participantes dos 183 que compõem a companhia. Os resultados para a pergunta “1) Qual é a sua faixa etária?”, na qual obtivemos como resposta um percentual de 46% de profissionais com idade entre 35 e 44 anos, 38% com idade entre 25 e 34 anos, 14% com idade entre 45 e 54 anos e 2% com 55 anos ou mais. A segunda pergunta foi: “2) Qual é o seu tempo de serviço na instituição?”, onde a maioria (46%) tem entre 8 e 14 anos de serviço na Polícia Militar, 26% têm menos de 7 anos, 14% têm entre 15 e 21 anos, 10% têm entre 22 e 28 anos e 4% têm mais de 29 anos. Considerando as respostas, percebemos que os profissionais que aceitaram responder o questionário possuem um tempo de serviço considerável dentro da instituição, o que justifica as próximas respostas. Na sequência, questionamos os entrevistados sobre a frequência com que se sentem angustiados ou desconfortáveis com situações do trabalho, onde a maioria (44%) respondeu que, em média, uma vez por semana, 30% dos entrevistados responderam que uma vez ao mês e 6% nunca se sentiram desconfortáveis com A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 6 de 14 situações do trabalho. No entanto, infelizmente, 16% relataram que se sentem assim diariamente. A questão quatro (Você acredita que o ambiente profissional em que está inserido impacta na sua Saúde Mental?) evidenciou que a grande maioria, 72% acreditam que o ambiente profissional em que está inserido impacta muito em sua Saúde Mental e 28% responderam que o impacto é moderado. Entre os fatores de estresse no trabalho, os participantes da pesquisa destacaram: Ambiente interno de trabalho (48%), Carga Horária (32%), Falta de reconhecimento (8%), Exposição ao perigo (4%), Problemas com colegas de trabalho (4%) e Todas as opções (4%). Com relação aos fatores de estresse selecionados pelos participantes da entrevista, podemos afirmar que os mesmos podem desencadear doenças como a síndrome de Burnout. De acordo com o Ministério da Saúde (Brasil, 2025), a síndrome de Burnout é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita responsabilidade, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas, dentre outros. Os achados coletados na 8ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), onde se constatou que longas jornadas de trabalho, o ambiente de alto risco e a pressão constante afetam o bem-estar psicológico dos profissionais, alinham-se diretamente com as dimensões da Síndrome de Burnout. O segundo fator mais citado pelos policiais da 8ª CIPM, a sobrecarga decorrente das longas jornadas, representa o principal fator para o desenvolvimento da Exaustão Emocional, a dimensão primária do Burnout (MASLACH; JACKSON, 1981). Essa exaustão, alimentada por um contexto de alto risco, limita a capacidade do policial de se engajar e de ter a energia necessária para o trabalho interpessoal. Segundo Maslach e Jackson (1981), a Síndrome de Burnout é uma reação a fatores estressantes do contexto ocupacional que se manifesta em três dimensões: a sensação de esgotamento de recursos e energia (exaustão emocional), o desenvolvimento de atitudes de cinismo e distanciamento (despersonalização) e a A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 7 de 14 tendência à autoavaliação negativa (baixa realização profissional) (MASLACH, JACKSON, 1981). Na pergunta número seis, 74% responderam que receberam orientações relacionadas aos cuidados com a Saúde Mental no trabalho algumas vezes, 8% dos participantes se manifestaram dizendo que receberam essas orientações muitas vezes. No entanto, uma quantidade significativa, representando 18% dos policiais, retornaram que não receberam orientações sobre esse tema. Na sétima questão (A Corporação desenvolve atividades relacionadas ao tema da campanha do setembro Amarelo?), os participantes registraram respostas ambivalentes, onde 52% responderam que sim e 48% que não possuem conhecimento sobre a Campanha do Setembro Amarelo. Nisto, podemos inferir que existe a campanha, entretanto há uma falha na comunicação interna dentro do Regimento da 8ª Companhia Independente de Polícia Militar acerca desse assunto. A seguir, temos a questão 8 (Há estigmas ou resistência em relação ao cuidado com a Saúde Mental?), que trata sobre a existência de estigmas sobre os cuidados com a Saúde Mental. Na qual, 70% responderam Sim, 28% talvez e somente 2% que não. Nisto, podemos analisar que a grande maioria sente que há uma discriminação quando o assunto é a Saúde Mental e que há uma necessidade de se trabalhar no sentido de amenizar esse tabu dentro da Corporação. A dificuldade de acesso a psicólogos, um dos fatores levantados pelos policiais da 8ª CIPM, não reside unicamente na escassez de profissionais, mas é agravada pelo estigma institucional inerente à cultura militar. A profissão, pautada nos pilares da hierarquia e da disciplina, impõe que [...] os policiais necessitam estar constantemente no controle de suas emoções, pois a missão exige uma profunda restrição em circunstâncias altamente emocionais" (LIMA, 2005, p. 49). Atualmente, a Polícia Militar do Paraná vem atuando com projetos como o Prumos (Programa de Saúde Mental aos Profissionais de Segurança Pública do Estado do Paraná), criado pelo Decreto Estadual n° 6.297, de 04 de dezembro de 2020, para cidades como: Curitiba, Apucarana, Cascavel, Colombo, Foz Do Iguaçu, Francisco Beltrão, Jacarezinho, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Paranavaí, Pato Branco, Piraquara, Ponta Grossa, Rolândia, São José Dos Pinhais, A SAÚDE MENTAL NA POLÍCIA MILITAR E SUA RELAÇÃO COM O AUMENTO DOS CASOS DE SUICÍDIO ENTRE POLICIAIS. AUTOR(A): POSSOBAM, REGINALDO. Página 8 de 14 Toledo, Umuarama, porém o mesmo ainda não chegou às cidades atendidas pela 8ª Companhia. Isto vem sendo um desafio para os funcionários das regiões afastadas, pois, muitas vezes, a cidade mais próxima para eles serem atendidos acaba sendo Ponta Grossa ou, em casos específicos, são encaminhados para Curitiba. Além do projeto Prumos, ainda existe o Centro Terapêutico (CETE-PMPR), localizado na Av. Prefeito Omar Sabbag, 894, em Curitiba, que oferece o atendimento à policiais e bombeiros, tanto ativos quanto inativos, e seus familiares em caso de dependência química, estresse pós-traumático e depressão (PARANÁ, 2025). Estes projetos disponibilizam recursos de suporte para policiais que passam por algum incidente crítico no trabalho e que necessitam de auxílio de um profissional especializado. De acordo com a Seção de Assistência Social da Polícia Militar do Paraná (PARANÁ, 2016, p. 1): É válido ressaltar, que se entende por incidente crítico, evento emocionalmente significativo, com características incapacitantes e de conteúdo muito diferenciado da experiência cotidiana das pessoas, capaz de desencadear sofrimento incomum em uma pessoa saudável e provocar mudança ou ruptura profunda no funcionamento fisiológico e/ou psicológico do indivíduo. Representam uma quebra na rotina de trabalho no cotidiano do profissional de segurança pública: catástrofes, desastres naturais, morte ou criança gravemente ferida, morte de um companheiro de trabalho, acidentes com múltiplas mortes, confrontos entre policiais e infratores, violência no local de trabalho, entre outros. Neste sentido, a Polícia Militar do Paraná, ainda carece de investimento para que projetos como este cheguem a mais funcionários, proporcionando assim, recursos para que os policiais das cidades menores e mais afastadas da Capital também tenham acesso a eles, uma vez que 52% relataram que não conhecem os recursos da Corporação de suporte emocional disponíveis para os militares, 26% disseram que não existem estes recursos e 22% responderam de maneira afirmativa para a existência dos mesmos. Estes dados vêm de encontro à lacuna presente quando se trata da Lei Estadual 15.448 de 2007 que previa a avaliação anual da Saúde Mental, mas que na prática, não foi totalmente implementada, sendo um desafio notório para a avaliação preventiva de casos como o suicídio, como vemos no Gráfico a seguir.