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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 593 (Ciências Sociais) CULTIVA – CENTRO CULTURAL DE ECONOMIA CRIATIVA PARA O MUNICÍPIO DE SÃO VICENTE CULTIVA – CULTURAL AND CREATIVE ECONOMY CENTER FOR THE MUNICIPALITY OF SÃO VICENTE Flávia de Oliveira Carneiro, Daniel Passos Proença Universidade Santa Cecília, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo E-mail para contato: [email protected] RESUMO – Este artigo apresenta o projeto arquitetônico CULTIVA – Centro Cultural de Economia Criativa, desenvolvido como Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo. O objetivo do estudo é propor um espaço cultural multifuncional localizado na Área Continental de São Vicente/SP, com ênfase na formação de jovens, incentivo à produção artística, tecnológica e empreendedora, além da valorização da identidade local. A metodologia compreendeu pesquisa bibliográfica e documental, análise de referências projetuais e diagnóstico urbano-ambiental. Os resultados apontam a relevância da economia criativa como estratégia de desenvolvimento socioeconômico, justificando a criação de um equipamento cultural inclusivo, acessível e sustentável. Conclui-se que o projeto constitui-se como um catalisador para a integração social e fortalecimento da economia local. Palavras-chave: Arquitetura cultural; Economia criativa; Espaço público; Integração comunitária; São Vicente. ABSTRACT – This article presents the architectural project CULTIVA – Creative Economy Cultural Center, developed as a Final Graduation Project in Architecture and Urbanism. The aim is to propose a multifunctional cultural space located in the Continental Area of São Vicente/SP, with emphasis on youth training, encouragement of artistic, technological, and entrepreneurial production, as well as the enhancement of local identity. The methodology included bibliographic and documentary research, analysis of architectural references, and urban-environmental diagnosis. The results highlight the relevance of the creative economy as a strategy for socioeconomic development, justifying the creation of an inclusive, accessible, and sustainable cultural facility. It is concluded that the project acts as a catalyst for social integration and strengthening of the local economy. Keywords: Cultural architecture; Creative economy; Public space; Community integration; São Vicente.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 594 (Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO A cultura e a economia criativa têm se destacado como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento urbano e inclusão social. No Brasil, a criação de centros culturais desde a década de 1980 buscou democratizar o acesso à cultura e descentralizar equipamentos antes restritos às áreas centrais das cidades (Ramos, 2007; Lima, 2017). Nesse contexto, o presente artigo apresenta o projeto CULTIVA, concebido como proposta arquitetônica para um centro cultural multifuncional na Área Continental de São Vicente/SP, região marcada por desigualdades socioespaciais e carência de infraestrutura cultural. O município de São Vicente, considerado a primeira cidade do Brasil, apresenta fortes contrastes entre sua área insular e continental. Enquanto a ilha concentra maior infraestrutura urbana, a Área Continental enfrenta carências históricas em mobilidade, saneamento e acesso a equipamentos culturais. Esse desequilíbrio territorial impacta diretamente a qualidade de vida da população e limita as oportunidades de desenvolvimento social e econômico. O problema que norteia este estudo é: como projetar um centro cultural capaz de atuar como catalisador de desenvolvimento social e econômico por meio da economia criativa em um território marcado pela exclusão socioespacial? Parte-se da hipótese de que a criação de um equipamento cultural de caráter multifuncional pode contribuir para a democratização da cultura, a formação cidadã e a dinamização econômica regional. 2 MATERIAIS E MÉTODOS A metodologia adotada baseou-se em pesquisa bibliográfica e documental, análise de estudos sobre economia criativa e centros culturais (UNCTAD, 2012; Dantas et al., 2018), além de levantamento urbano e socioeconômico do município de São Vicente. Foram examinadas referências arquitetônicas nacionais e internacionais, como o Centre Pompidou (França), o Sesc Pompeia e o Centro Cultural São Paulo, que serviram como diretrizes projetuais. Complementarmente, realizou-se diagnóstico urbano-ambiental do bairro Samaritá, com análise de infraestrutura, mobilidade, equipamentos públicos e potencial para atividades culturais.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 595 (Ciências Sociais) O estudo contemplou também a aplicação da legislação urbana vigente, como o Plano Diretor de Desenvolvimento e Expansão Urbana (Lei Complementar nº 917/2018) e a Lei de Uso e Ocupação do Solo (Lei Complementar nº 987/2020), além da NBR 9050:2020, que estabelece parâmetros de acessibilidade universal. Esses referenciais normativos garantiram que o projeto atendesse às exigências legais, assegurando inclusão social e acessibilidade em todos os setores do CULTIVA. Para subsidiar o projeto, foi desenvolvida pesquisa populacional junto à comunidade local, por meio de questionários, entrevistas e observações in loco, buscando compreender as necessidades, expectativas e hábitos culturais da população. Os dados coletados revelaram carência de espaços culturais, demanda por capacitação profissional e interesse em atividades artísticas, tecnológicas e de empreendedorismo criativo. Essas informações fundamentaram a elaboração do programa de necessidades do CULTIVA, estruturado em setores como Área Cultural, Área Educacional, Biblioteca, Administrativo, Serviços/Apoio e Conveniência/Entretenimento, considerando a diversidade de faixas etárias e perfis de usuários. Os projetos de referência analisados foram essenciais para embasar a proposta do CULTIVA. O Centre Georges Pompidou, em Paris, inspirou a concepção de espaços flexíveis e integrados, promovendo circulação dinâmica, diversidade de usos e fachada como elemento comunicativo e de diálogo com a cidade. A transparência, a estrutura exposta e a multiplicidade de usos do Pompidou reforçaram o caráter multifuncional do CULTIVA. O Sesc Pompeia, de Lina Bo Bardi, serviu como exemplo de requalificação de pré-existências e valorização da coletividade, transformando galpões industriais em espaços culturais multifuncionais. Essa referência consolidou no projeto a importância de criar conexões entre áreas internas e externas, com passarelas, praças e áreas de convivência que estimulam encontros e integração comunitária. Já o Centro Cultural São Paulo contribuiu com sua proposta de espaços democráticos, abertos e acessíveis, marcados pela transparência, pelo uso extensivo de áreas verdes e pela integração entre arquitetura e topografia. Essa experiência orientou a implantação do CULTIVA em diálogo com a paisagem, valorizando percursos sombreados, áreas permeáveis
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 596 (Ciências Sociais) e flexibilidade programática, permitindo adaptação a diferentes atividades culturais e educacionais. Além disso, a análise das referências contemplou aspectos de sustentabilidade, como eficiência energética, ventilação e iluminação natural, uso de materiais de baixo impacto ambiental e gestão de recursos hídricos, integrando princípios de arquitetura sustentável ao projeto. A observação de soluções inovadoras nos projetos de referência também orientou a incorporação de tecnologias digitais e interatividade, promovendo experiências culturais mais envolventes e ampliando o alcance das atividades do CULTIVA. Dessa forma, a metodologia adotada, combinando pesquisa teórica, análise de referências, levantamento urbano-ambiental e participação da comunidade, proporcionou um embasamento sólido para o desenvolvimento do projeto arquitetônico, assegurando funcionalidade, integração social, inovação e sustentabilidade. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO O projeto CULTIVA foi estruturado em cinco módulos principais: Social, Serviço, Expositivo, Administrativo e Educacional. O programa de necessidades contempla recepção, biblioteca, auditório, salas multiuso, estúdios de música e audiovisual, oficinas criativas, camarins, refeitório, ambulatório psicológico, estacionamento e áreas de convivência externas. A setorização foi concebida para promover integração comunitária e estimular o protagonismo juvenil. O partido arquitetônico adota a metáfora do “cultivar”, entendendo a arquitetura como terreno fértil para a criatividade. A implantação valoriza a integração com o entorno urbano, prevendo áreas verdes de uso público, percursos sombreados e espaços abertos que favorecem a convivência. O plano de massa organiza os setores em blocos sobrepostos, sendo os módulos educacional e administrativo posicionados no pavimento superior, o expositivo no centro, configurando o coração do projeto, e os setores social e de serviços no térreo, em contato direto com a comunidade. Além da organização programática, a discussão revela que a proposta busca responder a problemas históricos da Área Continental, como a ausência de equipamentos culturais e a carência de espaços públicos de qualidade. O projeto pretende reverter esse quadro ao
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 597 (Ciências Sociais) disponibilizar um espaço multifuncional que combina áreas de aprendizado, lazer e produção cultural, ampliando as possibilidades de uso cotidiano pela população. A proximidade com escolas e bairros residenciais reforça sua vocação como equipamento de uso comunitário, voltado especialmente à juventude, mas sem excluir outras faixas etárias. Outro ponto relevante é a capacidade do CULTIVA de funcionar como polo articulador de políticas públicas. Sua estrutura física e programática permite abrigar oficinas de capacitação, exposições de artistas locais, feiras de economia criativa, eventos musicais e atividades ligadas ao empreendedorismo cultural. Dessa forma, o espaço torna-se plataforma de valorização da identidade regional e de geração de renda para a comunidade. Do ponto de vista ambiental, o CULTIVA incorpora estratégias sustentáveis como captação e reuso de águas pluviais, uso de energia solar fotovoltaica, ventilação e iluminação natural, preservação de áreas permeáveis e emprego de materiais de baixo impacto ambiental. Essas medidas reforçam a proposta de um espaço cultural alinhado às demandas contemporâneas por sustentabilidade e inovação. Adicionalmente, a discussão aponta para a importância de associar sustentabilidade ambiental à sustentabilidade social, por meio de práticas educativas que conscientizem a comunidade sobre preservação ambiental e consumo responsável. A análise demonstra que o CULTIVA tem potencial para atuar como polo de desenvolvimento socioeconômico ao estimular setores da economia criativa como música, dança, design, moda, audiovisual e tecnologia. Tais atividades podem gerar emprego, renda e fortalecer a identidade cultural local. Ao comparar com experiências referenciais como o Sesc Pompeia e o Centre Pompidou, observa-se que equipamentos culturais multifuncionais são capazes de requalificar territórios, atrair fluxos de pessoas e impulsionar atividades turísticas e econômicas. O projeto ainda se aproxima do Centro Cultural São Paulo no que se refere à criação de espaços democráticos, acessíveis e integrados à paisagem urbana, promovendo novos modelos de sociabilidade. Nesse sentido, o CULTIVA se insere como iniciativa necessária e estratégica para São Vicente.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 598 (Ciências Sociais) 4 CONCLUSÃO O artigo apresentou o desenvolvimento do projeto arquitetônico CULTIVA, centro cultural de economia criativa localizado na Área Continental de São Vicente/SP. A proposta contribui para democratizar o acesso à cultura, estimular práticas artísticas e empreendedoras, integrar a comunidade local e reduzir desigualdades territoriais. Além de atender às necessidades culturais e sociais diagnosticadas, o projeto se configura como espaço de inovação, aprendizado e cidadania. Sua implantação poderá gerar novas oportunidades profissionais, fortalecer vínculos comunitários e impulsionar a economia criativa regional. Recomenda-se a continuidade de parcerias institucionais, bem como investimentos públicos e privados, para viabilizar sua execução e garantir sua sustentabilidade a longo prazo. A análise permite concluir ainda que o CULTIVA pode atuar como elemento estruturador do território, articulando dimensões urbanas, sociais, culturais e ambientais em um mesmo equipamento. Ao valorizar a identidade regional e propor soluções sustentáveis, o projeto contribui para ressignificar a Área Continental de São Vicente como espaço de pertencimento e de oportunidades. Por fim, destaca-se o papel do centro cultural como plataforma de experimentação e de inovação, capaz de se adaptar às transformações futuras da sociedade e de consolidar novas formas de produção cultural e de integração comunitária. 5 REFERÊNCIAS DANTAS, Denise et al. Materiais para a economia criativa. 2018. Pesquisa em Design. FAUUsp, São Paulo. LIMA, Ana Carolina Batista. Complexo Cultural Macaboqueira. 2017. RAMOS, Luciene Borges. O centro cultural como equipamento disseminador de informação: um estudo sobre a ação do Galpão Cine Horto. 2007. UNCTAD, Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento. Relatório de Economia Criativa 2010: economia criativa uma, opção de desenvolvimento. 2012.