BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI doi.org/10.5281/zenodo.17742727 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR DE TRAUMATISMO EM DENTE PERMANENTE COM RIZOGÊNESE INCOMPLETA: RELATO DE CASO CLÍNICO Multidisciplinary treatment of trauma to a permanent tooth with incomplete rhizogenesis: clinical case report Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 RELATO DE CASO João Vitor Cunha Silveira1 ; João Vitor Sousa Silva2 ; Pedro Umberto Rabelo Camargos1 ; Arthur Leonel Oliveira1 ; Antônio Afonso Sommer3 ; Daniella Cristina Borges3 ; Leonardo Bíscaro Pereira3 RESUMO Introdução: O trauma dentoalveolar é uma lesão traumática muito comum que pode deixar sequelas irreparáveis e até mesmo causar a perda dentária. O tratamento interdisciplinar e conservador possibilita a manutenção de dentes com traumatismo que não completaram o desenvolvimento radicular. Objetivo: Relatar o tratamento endodôntico utilizando cimento biocerâmico e a extrusão ortodôntica para futuro tratamento restaurador, após uma fratura em dente permanente com rizogênese incompleta. Relato de caso: Paciente do sexo masculino, de 11 anos, sofreu traumatismo dental no elemento 11 após queda da própria altura. Ele compareceu ao Centro Clínico Odontológico do UNIPAM após atendimento de urgência feito por outro profissional. A criança apresentou fratura de esmalte, dentina e cemento com exposição pulpar, o paciente não sentia dor e não apresentava comprometimento sistêmico. Após radiografia periapical o tratamento proposto foi a apicificação utilizando cimento biocerâmico e futura extrusão ortodôntica para restauração definitiva. Considerações finais: Conclui-se que o conhecimento dos tratamentos conservadores é fundamental para a preservação de dentes permanentes com rizogênese incompleta que sofreram traumatismo. A escolha de condutas como a apicificação, extrusão ortodôntica e momento para restaurar definitivamente deve ser baseada na vitalidade pulpar, no estágio de desenvolvimento radicular e condições periodontais, priorizando sempre a manutenção do tecido dentário e do potencial de continuidade da rizogênese. A atualização científica e o domínio técnico do cirurgiãodentista são determinantes para a seleção adequada da abordagem terapêutica, favorecendo o reparo tecidual e a longevidade do dente no arco. 1 – Discente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 2 – Graduado em Odontologia pelo Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 3 - Docente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil Autor de Correspondência: João Vitor Cunha Silveira email:
[email protected] Palavras-chave: Traumatismo Dentário; Rizogênese incompleta; Tratamento endodôntico; Dente permanente
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 560 ABSTRACT Introduction: Dentoalveolar trauma is a common injury that can lead to irreversible sequelae and even tooth loss. An interdisciplinary and conservative approach enables the preservation of traumatized teeth that have not completed root development. Objective: To report an endodontic treatment using bioceramic cement and orthodontic extrusion for future restorative management following a fracture in a permanent tooth with incomplete rhizogenesis. Case report: An 11-year-old male patient suffered dental trauma to tooth 11 after a fall from standing height. He presented to the UNIPAM dental clinic after receiving emergency care from another professional. The child exhibited a fracture involving enamel, dentin, and cementum with pulp exposure, was asymptomatic, and had no systemic involvement. After a periapical radiograph, the proposed treatment was apexification using bioceramic cement, followed by orthodontic extrusion for definitive restoration. Final considerations: It is concluded that knowledge of conservative treatment options is essential for preserving permanent teeth with incomplete rhizogenesis that have suffered trauma. The choice of procedures such as apexification, orthodontic extrusion, and the timing of definitive restoration should be based on pulp vitality, stage of root development, and periodontal conditions, always prioritizing the maintenance of dental tissue and the potential for continued root formation. Continuous scientific updating and technical proficiency of the dentist are decisive factors for selecting the most appropriate therapeutic approach, promoting tissue repair and long-term tooth survival within the dental arch. Keywords: Dental Trauma; Incomplete Rhizogenesis; Endodontic Treatment; Permanent Tooth. INTRODUÇÃO O trauma dentoalveolar é uma lesão traumática grave que envolve o processo alveolar e as estruturas dentárias. Como qualquer trauma, pode deixar sequelas irreparáveis e até mesmo causar a perda dentária¹. Durante o período de formação radicular, caso ocorra qualquer distúrbio que danifique o tecido pulpar ou a bainha epitelial de Hertwing, há um grande risco de interromper ou alterar o desenvolvimento completo da raiz². Injúrias causadas por traumas são relativamente comuns sendo que a estimativa de adolescentes e adultos que já tiveram episódios de trauma em pelo menos um dente permanente varia de 17-50%. A prevalência de trauma em escolares é de 47% sendo que em 8% dos casos houve danos mais severos como fratura coronária com exposição pulpar, avulsão e necrose pulpar³. É necessário que protocolos sejam seguidos durante o atendimento à criança, como uma anamnese direcionada, exame físico, tomada de documentação radiográfica e fotográfica para o acompanhamento do paciente4. Quando a polpa de um dente previamente intacto é exposta traumaticamente, geralmente pode-se presumir que a polpa está saudável e capaz de regeneração5. Portanto, o tratamento de canal deve ser evitado,
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 561 a menos que haja evidência clínica ou radiográfica de necrose pulpar ou princípio de infecção nas consultas de acompanhamento6. O risco de reinfecção e reabsorção radicular tardia (inflamatória) deve ser ponderada em relação às chances de obter revascularização do espaço pulpar. Portanto, acompanhamentos regulares são obrigatórios6. Segundo ZANINI, (2019), em casos de intervenção endodôntica, todas as ações que visem controlar a infecção devem ser aplicadas. Descontaminação pré-operatória, isolamento absoluto com dique de borracha e irrigação peri-operatória com hipoclorito de sódio ou soluções de clorexidina são etapas inevitáveis a serem seguidas. A restauração de dentes desvitalizados com desenvolvimento radicular incompleto é uma tarefa extremamente desafiadora devido às paredes finas da dentina radicular e um ápice aberto sem um batente apical no qual o material obturador pode condensar8. O procedimento mais realizado nessas situações é a apicificação, que consiste na indução do fechamento do forame radicular, no qual é introduzido um material biocompatível no terço apical com o intuito de formar um tecido duro mineralizado2. Segundo FEITOSA et al., (2024), por muitos anos, casos de dentes com ápices abertos e necrose pulpar eram tratados com hidróxido de cálcio como material reparador, o que demandava múltiplas consultas e uma tendência das raízes tratadas à incidência de fraturas. Em busca de um material reparador ideal surgiram os cimentos biocerâmicos. O autor DONG (2023), traz que as biocerâmicas afetam a proliferação, diferenciação, migração e apoptose de células-tronco, osteoblastos/osteoclastos, células da polpa dentária (DP Cs)/células do ligamento periodontal (PDLCs) e células imunes. A resposta das células a biocerâmica determina o resultado da cicatrização de feridas e do reparo dos tecidos. RELATO DE CASO Paciente do sexo masculino, de 11 anos, sofreu traumatismo dental no elemento 11 após queda da própria altura. Ele compareceu ao Centro Clínico Odontológico do UNIPAM após atendimento de urgência feito por outro profissional. A criança apresentou fratura de esmalte, dentina e cemento com exposição pulpar e o cirurgião dentista realizou a remoção pulpar e colocação da medicação intracanal (hidróxido de cálcio). A anamnese revelou que o paciente não sentia dor, não apresentava comprometimento sistêmico, e estava com a vacinação em dia. Após avaliação da imagem tomográfica (Figura 1) e radiografia periapical (Figura 2) o tratamento proposto foi a apicificação utilizando cimento biocerâmico e futura extrusão ortodôntica para restauração definitiva. Foi realizada a limpeza da região com clorexidina 2%, remoção pulpar do terço cervical e médio, além da colocação de medicação intracanal (hidróxido de cálcio PA + clorexidina 2%) e moldagem dos arcos superior e inferior.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 562 Figura 1 - Corte sagital de tomografia computadorizada mostrando fratura coronoradicular com comprometimento pulpar no elemento 11. Figura 2 - Radiografia periapical do elemento 11 Após duas trocas da medicação intracanal, com intervalo de 7 dias entre cada troca, o terço apical foi preenchido com cimento bicerâmico BIO-C sealer e a porção coronária restaurada com ionômero de vidro (Figura 3). Na semana seguinte, foi aplicada uma base sobre a obturação do canal com cimento de hidróxido de cálcio fotopolimerizável, seguida da cimentação do pino de fibra de vidro e reconstrução da coroa em resina composta (Figura 4). O dente foi deixado em infraoclusão e após quinze dias da restauração, instalou-se botão ortodôntico na face vestibular, e após a fotopolimerização, o botão foi ativado com elásticos e o dente mantido em infraoclusão através do desgaste da face palatina com ajuda do papel carbono e ponta diamantada (Figura 5). O ajuste oclusal e a troca do elástico eram feitos quinzenalmente para manter o dente extruíndo e sem interferência oclusal.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 563 Figura 3 - Radiografia periapical mostrando o preenchimento do terço apical com cimento BIO Csealer e a porção coronária restaurada com cimento de ionômero de vidro. Figura 4 - Radiografia periapical mostrando o preenchimento do terço apical do canal com o cimento BIO C - sealer, uma base sobre a obturação do canal com cimento de hidróxido de cálcio fotopolimerizável, seguida da cimentação do pino de fibra de vidro e confecção da coroa em resina composta. Assim que o término cervical foi exposto, se fez a remoção do botão e dos elásticos. Além disso, o dente pôde ser restaurado definitivamente e colocado novamente em oclusão, para assim, reduzir as chances de anquilose dentária. O acompanhamento radiográfico foi feito após quatro semanas do trauma, seis semanas (Figura 6), oito semanas, quatro meses, seis meses e um ano para identificar sinais de reabsorção radicular, alterações periapicais e acompanhar o fechamento apical.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 564 Figura 5 - Fotografia mostrando a instalação do botão ortodôntico juntamente com o elástico para extrusão do elemento 11. Figura 6 - Radiografia periapical mostrando o acompanhamento radiográfico após 6 semanas do tratamento. DISCUSSÃO Traumatismos dentários (TDI) são muito comuns na comunidade e compreendem 85% dos pacientes que apresentam lesões na região oral, embora a região oral abranger uma área tão pequena quanto 1% da área total do corpo, as lesões orais representam 5% de todas as lesões corporais em todas as idades, e em crianças pré-escolares a proporção é tão alta quanto 17%. Assim, embora a prevalência e a incidência de TDI sejam geralmente elevadas em todo o mundo, podem variar consideravelmente. Tal variação reflete não apenas a diversidade socioeconômica, comportamental e cultural, mas também a falta de sistemas padronizados de registro e classificação de TDI observados na literatura11. Em dentes com desenvolvimento radicular incompleto, é de suma importância preservar a vitalidade pulpar, por meio da pulpotomia parcial, a fim de favorecer a revascularização pulpar e, em seguida, o capeamento pulpar. A pulpotomia parcial também é indicada para dentes jovens com desenvolvimento radicular completo. Já em dentes com desenvolvimento radicular completo, sugere-se a pulpectomia. As opções de tratamentos futuros são: finalização do tratamento endodôntico e restauração; extrusão ortodôntica
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 565 do fragmento apical; extrusão cirúrgica; tratamento endodôntico e restauração, em casos de necrose pulpar ou sepultamento da raiz12. Durante as primeiras horas de exposição, as alterações teciduais refletem mais os danos resultantes do trauma mecânico, com alterações inflamatórias superficiais insignificantes. Após 7 dias de exposição, a resposta inflamatória foi relatada como mais pronunciada, mas não se estende mais do que 2 mm no tecido pulpar. Assim, as condições para o tratamento da polpa vital (TPV) são favoráveis pelo menos nos primeiros dias após o trauma5. O capeamento pulpar direto visa manter a vitalidade de toda a polpa após a aplicação de um biomaterial diretamente no tecido exposto. No entanto, o capeamento pulpar direto após o trauma é geralmente recomendado para pequenas exposições pulpares, que são tratadas logo após o trauma. Assim, a pulpotomia parcial é preferível para a maioria dos casos, principalmente se uma grande área da polpa estiver exposta e o tratamento não x’puder ser realizado nas primeiras horas após a lesão5. Dentes incompletamente desenvolvidos que foram intruídos e também apresentam uma fratura de coroa (combinado de lesões traumáticas) apresentam maior risco de necrose pulpar e infecção e, portanto, o tratamento de canal radicular imediato ou precoce pode ser considerados nestes casos. Outros tratamentos endodônticos para dentes com raízes incompletamente desenvolvidas podem envolver apicificação ou técnicas de revascularização/ revitalização do espaço pulpar6. Cimentos biocerâmicos têm sido amplamente utilizados como materiais de reparo de raiz e substitutos de dentina para selar a comunicação entre o canal radicular e os ambientes periodontais ou a cavidade oral em várias situações clínicas, como obturação de canal radicular, retrobturação, reparo de perfuração, formação de barreira apical, cobertura pulpar direta, pulpotomia e procedimentos endodônticos regenerativo. Cimentos hidráulicos à base de silicato de cálcio (HCSCs) são os cimentos biocerâmicos mais populares para aplicações endodônticas. O primeiro representante patenteado e típico deste grupo é o agregado de trióxido mineral13. Embora o MTA constitua um material padrão ouro para vários procedimentos endodônticos, novos materiais têm surgido no mercado aprimorando as características encontradas em sua formulação original, apontando resultados promissores em relação às propriedades biológicas de citotoxicidade e de biocompatibilidade, além de promoverem a formação dos tecidos nas áreas lesionadas, estimulando a regeneração tecidual14. Dos materiais testados o Bio C Sealer e o Total Fill BC Sealer obtiveram os melhores resultados de citocompatibilidade e viabilidade celular, migração celular, fixação celular e mineralização, já AH Plus, por ser bioinerte, não induziu a produção de células progenitoras14.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 566 O autor Amaral et al., (2020), traz que o uso dos cimentos biocerâmicos podem ser classificados como bioinertes ou bioativos, de acordo com sua composição e mecanismo de ação no tecido vivo, sendo que o cimento considerado bioativo possui a capacidade de estimular o crescimento do tecido hospedeiro. Essa propriedade relaciona-se à indução de cristais de apatita, não sendo tóxica e aumentando a secreção de TGFB1 (fator de crescimento) das células pulpares, o que causa angiogênese, recrutamento de células progenitoras, diferenciação celular e mineralização16. Sendo assim, pode-se indicar a escolha de um cimento biocerâmico em casos de pulpotomias, infecções interradiculares persistentes, ou preenchimento retrógrado. Ademais, estudos mostram que a capacidade de regeneração tecidual é vista apenas nessa classe de materiais17. Diversas possibilidades de aplicações clínicas, dentre elas, destacam-se a apicificação, capeamentos pulpares, diversos procedimentos endodônticos, formação de barreiras apicais, obturações retrógradas, preenchimento do canal radicular, pulpotomias, reabsorção radicular inflamatória (interna e externa) e reparação de perfurações nas raízes15. Ao final os autores concluíram que o alto padrão de imunomarcação de FNC e TNC observado no estudo indicou um processo de reparo avançado e indícios de mineralização, induzidos pelos cimentos biocerâmicos, sugerindo que possam atuar funcionando como uma técnica de regeneração tecidual guiada e evitando um tratamento endodôntico radical16. A extrusão ortodôntica, é o procedimento no qual o dente é deslocado por meio da utilização de forças ortodônticas no sentido de sua irrupção, é um dos movimentos dentários utilizados como coadjuvantes ao tratamento periodontal, endodônticos e/ou restauradores de dentes traumatizados. Também denominada irrupção forçada, a extrusão ortodôntica constitui um procedimento terapêutico de grande valor no tratamento das invasões do espaço biológico em áreas onde existe envolvimento estético17. A extrusão pode ser realizada de forma lenta, nos casos em que se deseja a formação de tecido periodontal de proteção ou sustentação. Ou rápida, quando não se deseja que o tecido acompanhe a extrusão dentária18. O principal debate em torno do trauma dentário e reposicionamento ortodôntico, refere-se ao momento mais apropriado para iniciar a extrusão ortodôntica após ocorrida lesão. O reposicionamento ortodôntico dos dentes após o trauma deve ser idealmente realizado dentro de 3 semanas após o episódio traumático, desta forma, facilitando a extrusão dentária precoce, permitindo o tratamento endodôntico e provavelmente minimizando o risco de sequelas subsequentes, tais como anquilose e/ou reabsorção radicular18.
Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Nov 27, 2025 ISSN 3085-8097 Tratamento multidisciplinar de traumatismo em dente permanente com rizogênese incompleta: Relato de caso clínico Silveira JVC, Silva JVS, Camargos PUR, Oliveira AL, Sommer AA, Borges DC, Pereira LB 567 O tracionamento de raiz integra, uma alternativa de tratamento capaz de reabilitar dentes fraturados transversalmente abaixo no nível ósseo, cáries ou infecções subgengivais com pouca significância no remanescente radicular, diminuição de defeitos intraósseos, nivelamento de margens gengivais, reabsorções radiculares cervicais, sendo então imprescindível que a raiz esteja saudável e possua quantidade suficiente capaz de suportar a posterior reabilitação protética. Ao tracionar dentes fraturados promove-se o aumento vertical mantendo o espaço biológico saudável e proporcionando o acesso para restaurações de coroas protéticas 19. CONCLUSÃO O conhecimento aprofundado acerca das medicações intracanais, com destaque para o hidróxido de cálcio (HC), a aplicação criteriosa dessas substâncias não apenas contribui para o sucesso significativo dos tratamentos odontológicos, mas também promove a satisfação duradoura dos pacientes. Referências OMENA, A. L. C. S. DE et al. Severe trauma in young permanent tooth: a case report. RGO - Revista Gaúcha de Odontologia, v. 68, 2020. Disponível em https://www.scielo.br/j/rgo/a/4bbGN3YxpSJDx48zfcnWq4H/?lang=en. MENEZES, T. DO N.; RIBEIRO, C.; BARBOSA, I. Métodos para realizar apicificação em dentes permanentes imaturos. Journal of Multidisciplinary Dentistry, v. 12, n. 1, p. 71–8, 25 maio 2024. Disponível em https://jmdentistry.com/jmd/article/view/964/249. . CHAVES, Hebertt Gonzaga dos Santos et al. Terapia regenerativa em dente com rizogênese incompleta após traumatismo dentário do dente 21: relato de caso clínico. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 7, p. e11911729033, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i7.29033. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/29033/25687. SILVA, Sariane Santos; ANTUNES, Ana Isabel; PINTO, Emanuel Vieira. Traumatismo Dentoalveolar na Infância: Uma Revisão de Literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, São Paulo, v. 10, n. 05, p. 326-331, maio 2024. Disponível em: doi.org/10.51891/rease.v10i5.13797. KRASTL, G. et al. Endodontic management of traumatized permanent teeth: a comprehensive review. International Endodontic Journal, v. 54, n. 8, 31 mar. 2021. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdfdirect/10.1111/iej.13508.