4. PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR: MUDANÇAS DE ESTILO DE VIDA QUE FUNCIONAM CARDIOVASCULAR EIXO TEMÁTICO: Nutrição e estilo de vida na saúde cardiovascular Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Email do autor:
[email protected] RESUMO Introdução: As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morbimortalidade global, associadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, má alimentação, estresse e consumo excessivo de álcool. Nesse cenário, a prevenção baseada e m mudanças de estilo de vida representa estratégia prioritária na saúde pública e na prática clínica. intervenções relacionadas ao estilo de vida na prevenção cardiovascular. Revisã o narrativa da literatura, com recorte temporal de 2019 a 2025, realizada em bases nacionais e internacionais (Pubmed, Scielo, Lilacs e Scopus). Foram incluídos artigos disponíveis na íntegra em português e inglês, resultando em nove estudos selecionados a aplicação dos critérios de elegibilidade maior eficácia de estratégias multifatoriais, com destaque para alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e cessação do t integrativas, como yoga, e o uso de tecnologias educacionais em saúde mostraram potencial para aumentar a adesão às medidas preventivas. Desigualdades sociais e diferenças de gênero influenciam diretamente o acesso e a efetividade de prevenção cardiovascular deve integrar dimensões clínicas, educativas e políticas, superando a visão biomédica tradicional. Políticas públicas, tecnologias educativas e ações intersetoriais 44 PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR: MUDANÇAS DE ESTILO DE VIDA QUE FUNCIONAM CARDIOVASCULAR PREVENTION: LIFESTYLE CHANGES THAT WORK EIXO TEMÁTICO: Nutrição e estilo de vida na saúde cardiovascular Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina Ludmila Gonzaga de Souza Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de João Pessoa Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira, Especialista em Car diologia: Hemodinâmica, graduanda em Medicina pela PUC Minas. Naiara Cristina de Souza Garajau Graduanda em Enfermagem pela Universidade Norte Paraná, Arapiraca Ihury Jhonson Evangelista Alves de Lima Graduando em Medicina pela Universidade de Rio Ver Letícia da Silva Costa Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal de Pelotas Vitória Silva Cordeiro Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário de Iporá mail do autor:
[email protected] As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morbimortalidade global, associadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, má alimentação, estresse e consumo excessivo de álcool. Nesse cenário, a m mudanças de estilo de vida representa estratégia prioritária na saúde pública e na prática clínica. Objetivo: Analisar evidências recentes sobre a efetividade de intervenções relacionadas ao estilo de vida na prevenção cardiovascular. o narrativa da literatura, com recorte temporal de 2019 a 2025, realizada em bases nacionais e internacionais (Pubmed, Scielo, Lilacs e Scopus). Foram incluídos artigos disponíveis na íntegra em português e inglês, resultando em nove estudos selecionados a aplicação dos critérios de elegibilidade . Resultados e Discussão: As evidências apontaram maior eficácia de estratégias multifatoriais, com destaque para alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e cessação do t abagismo. Intervenções integrativas, como yoga, e o uso de tecnologias educacionais em saúde mostraram potencial para aumentar a adesão às medidas preventivas. Desigualdades sociais e diferenças de gênero influenciam diretamente o acesso e a efetividade de ssas estratégias. Considerações Finais: prevenção cardiovascular deve integrar dimensões clínicas, educativas e políticas, superando a visão biomédica tradicional. Políticas públicas, tecnologias educativas e ações intersetoriais PREVENÇÃO CARDIOVASCULAR: MUDANÇAS DE ESTILO DE VIDA QUE FUNCIONAM PREVENTION: LIFESTYLE CHANGES THAT WORK EIXO TEMÁTICO: Nutrição e estilo de vida na saúde cardiovascular Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Fortaleza - CE Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina -PE Ludmila Gonzaga de Souza Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de João Pessoa - PB Keyla de Cássia Barros Bitencourt diologia: Hemodinâmica, graduanda em Medicina pela PUC Minas. Naiara Cristina de Souza Garajau Graduanda em Enfermagem pela Universidade Norte Paraná, Arapiraca - AL Ihury Jhonson Evangelista Alves de Lima Graduando em Medicina pela Universidade de Rio Ver de, Campus Goiânia, GO Letícia da Silva Costa Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Maracanaú - CE Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal de Pelotas -RS Vitória Silva Cordeiro Graduanda em Enfermagem pelo Centro Universitário de Iporá - GO mail do autor:
[email protected] As doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morbimortalidade global, associadas a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, tabagismo, má alimentação, estresse e consumo excessivo de álcool. Nesse cenário, a m mudanças de estilo de vida representa estratégia prioritária na saúde Analisar evidências recentes sobre a efetividade de intervenções relacionadas ao estilo de vida na prevenção cardiovascular. Metodologia: o narrativa da literatura, com recorte temporal de 2019 a 2025, realizada em bases nacionais e internacionais (Pubmed, Scielo, Lilacs e Scopus). Foram incluídos artigos disponíveis na íntegra em português e inglês, resultando em nove estudos selecionados a pós As evidências apontaram maior eficácia de estratégias multifatoriais, com destaque para alimentação equilibrada, abagismo. Intervenções integrativas, como yoga, e o uso de tecnologias educacionais em saúde mostraram potencial para aumentar a adesão às medidas preventivas. Desigualdades sociais e diferenças de gênero Considerações Finais: A prevenção cardiovascular deve integrar dimensões clínicas, educativas e políticas, superando a visão biomédica tradicional. Políticas públicas, tecnologias educativas e ações intersetoriais
45 são essenciais para reduzir a incidência e mortalidade por doenças cardiovasculares, promovendo equidade, qualidade de vida e longevidade. Palavras-Chaves: Fatores de risco; Fatores de riscos cardiovasculares; Prevenção cardiovascular; Prevenção de doenças. ABSTRACT INTRODUCTION: Cardiovascular diseases remain the leading cause of global morbidity and mortality, associated with modifiable risk factors such as a sedentary lifestyle, smoking, poor diet, stress, and excessive alcohol consumption. In this scenario, prevention based on lifestyle changes represents a priority strategy in public health and clinical practice. OBJECTIVE: To analyze recent evidence on the effectiveness of lifestyle-related interventions in cardiovascular prevention. METHODOLOGY: A narrative review of the literature, covering the period 2019 to 2025, conducted in national and international databases (Pubmed, Scielo, Lilacs, and Scopus). Articles available in full in Portuguese and English were included, resulting in nine studies selected after applying the eligibility criteria. RESULTS AND DISCUSSION: The evidence indicated greater effectiveness of multifactorial strategies, especially a balanced diet, regular physical activity, stress management, and smoking cessation. Integrative interventions, such as yoga, and the use of educational health technologies have shown potential to increase adherence to preventive measures. Social inequalities and gender differences directly influence the access and effectiveness of these strategies. Final CONSIDERATIONS: Cardiovascular prevention must integrate clinical, educational, and political dimensions, going beyond the traditional biomedical perspective. Public policies, educational technologies, and intersectoral actions are essential to reduce the incidence and mortality from cardiovascular diseases, promoting equity, quality of life, and longevity. Keywords: Risk factors; Cardiovascular risk factors; Cardiovascular prevention; Disease prevention. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (DCVs) permanecem como a principal causa de morbimortalidade em nível global, sendo responsáveis por elevado impacto socioeconômico e na qualidade de vida da população. A literatura científica aponta que fatores modificáveis, como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse crônico e distúrbios do sono, exercem papel determinante no surgimento e progressão dessas enfermidades. Diante desse cenário, a prevenção cardiovascular assume caráter
46 prioritário nas políticas públicas e nas práticas clínicas, com ênfase em mudanças de estilo de vida que demonstram resultados consistentes. A prevenção cardiovascular tem se consolidado como uma das principais estratégias de saúde pública diante da elevada incidência de doenças cardíacas no Brasil e no mundo. Estudos apontam que a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e cessação do tabagismo, pode reduzir significativamente a mortalidade e a morbidade associadas às doenças cardiovasculares. No entanto, a efetividade dessas mudanças exige não apenas ações individuais, mas também políticas públicas que incentivem escolhas mais saudáveis no cotidiano, especialmente em contextos de vulnerabilidade social e de acesso restrito a cuidados de saúde (Carli et al., 2025). Nesse cenário, novas abordagens têm sido investigadas, com destaque para estratégias complementares, como a prática do yoga e o uso de tecnologias educacionais em saúde, que ampliam a conscientização e fortalecem o autocuidado. Além disso, a adequação nutricional, em especial a redução de ácidos graxos saturados e a priorização de gorduras insaturadas, é reconhecida como um fator determinante para o equilíbrio metabólico e a redução de risco cardiovascular. Portanto, compreender quais mudanças de estilo de vida realmente funcionam e como podem ser integradas na rotina da população é fundamental para promover uma prevenção eficaz e sustentável (Marcadenti et al., 2024; Pereira, 2023; Alves et al., 2025). Dessa forma, o presente capítulo tem como objetivo geral analisar as evidências científicas mais recentes sobre mudanças de estilo de vida e sua efetividade na prevenção cardiovascular. Como objetivos específicos, propõe-se: 1. Identificar os principais fatores de risco modificáveis associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. 2. Avaliar o impacto de diferentes estratégias de promoção da saúde — incluindo nutrição, atividade física, controle do estresse e terapias complementares — na redução da morbimortalidade cardiovascular. 3. Discutir as implicações práticas das intervenções de estilo de vida para a clínica e para a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção cardiovascular. A elaboração deste capítulo justifica-se pela necessidade de reunir e analisar criticamente recomendações práticas e científicas que possam orientar tanto profissionais de saúde quanto a população em geral. Apesar do vasto conhecimento acumulado, a adesão a
47 comportamentos saudáveis ainda é insuficiente em diversos contextos, reforçando a importância de estratégias educativas e integradas. Assim, problematiza-se a questão central: quais mudanças de estilo de vida apresentam maior efetividade comprovada na redução do risco cardiovascular? Do ponto de vista metodológico, esta produção baseia-se em revisão narrativa da literatura recente, com ênfase em estudos indexados em bases internacionais (PubMed, Scopus, Web of Science) e regionais (SciELO, BVS), garantindo abrangência e diversidade de fontes. Essa abordagem permite identificar tendências, lacunas e consensos científicos, além de traduzir a evidência em recomendações aplicáveis à prática clínica e às políticas de saúde. Portanto, este capítulo pretende contribuir para o campo da prevenção cardiovascular, oferecendo uma síntese atualizada, crítica e acessível sobre as mudanças de estilo de vida que efetivamente funcionam, apoiando a construção de estratégias mais eficazes de cuidado e promoção da saúde. METODOLOGIA A presente revisão narrativa da literatura tem como objetivo apresentar métodos de prevenção de doenças cardiovasculares, conceituando-os e destacando suas características principais. O estudo também aborda os riscos associados a um estilo de vida irregular e suas consequências clínicas e sociais. A elaboração desta revisão permitiu a avaliação de artigos e publicações com diferentes abordagens metodológicas e critérios de análise, possibilitando uma compreensão ampla sobre as estratégias de prevenção cardiovascular e seus impactos na saúde pública. A busca dos artigos foi realizada de forma minuciosa no mês de setembro de 2025, nas bases de dados LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), SciELO (Scientific Electronic Library Online) e PubMed. Foram utilizados como Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH) os termos “prevenção cardiovascular”, “prevenção de doenças”, “fatores de risco” e “fatores de risco cardiovasculares”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Inicialmente, foram identificados 87 artigos, sendo 35 na PubMed, 18 na SciELO e 34 na LILACS. Após a leitura dos títulos e resumos, 24 artigos foram selecionados para leitura
48 completa. Em seguida, aplicaram-se os critérios de inclusão e exclusão, resultando em 9 estudos que compuseram a amostra final da revisão. Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos publicados entre 2019 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português e inglês, que abordassem métodos de prevenção de doenças cardiovasculares, fatores de risco modificáveis e seus impactos clínicos e sociais. Como critérios de exclusão, eliminaram-se estudos sem acesso ao texto completo, duplicados, relatos de caso, editoriais e aqueles que não respondiam ao objetivo proposto. Os estudos selecionados apresentaram disponibilidade integral do texto, diversidade temática e relevância científica, contribuindo significativamente para a análise dos métodos de prevenção cardiovascular e para a compreensão das práticas mais eficazes na redução da morbimortalidade por doenças cardiovasculares. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise dos nove artigos selecionados evidenciou que a prevenção das doenças cardiovasculares (DCV) está fortemente relacionada a estratégias multifatoriais, envolvendo mudanças de estilo de vida, controle de fatores clínicos e fortalecimento das políticas públicas de saúde. De modo geral, os resultados permitiram organizar as evidências em três eixos principais: (i) intervenções clínicas e nutricionais, (ii) práticas integrativas e promoção da saúde, e (iii) impacto social e educacional na prevenção cardiovascular. No primeiro eixo, referente às intervenções clínicas e nutricionais, as Diretrizes Brasileiras de Prevenção Cardiovascular (Précoma et al., 2019) reforçam a necessidade de uma abordagem global e integrada do paciente, contemplando o controle de hipertensão, diabetes, dislipidemias e obesidade. Marcadenti et al. (2024) destacam que a substituição de gorduras saturadas por insaturadas está associada a significativa redução do risco cardiovascular, evidenciando o papel central da alimentação balanceada na prevenção primária e secundária. De forma complementar, Brandão et al. (2025) apontam que o tratamento anti-hipertensivo personalizado, com metas ajustadas ao perfil individual, resulta em melhor controle pressórico e menores eventos adversos. Isso reforça a importância de se priorizar a individualização terapêutica e o acompanhamento multiprofissional como pilares para a efetividade das intervenções.
49 Outro ponto recorrente na literatura é a ênfase no padrão alimentar sustentável e culturalmente adaptado, que respeite hábitos locais e condições socioeconômicas. Dietas como a mediterrânea e a DASH têm sido amplamente estudadas, mas sua adesão depende de fatores culturais e do acesso a alimentos in natura. Nesse contexto, programas de educação alimentar e nutricional têm mostrado impacto positivo na adesão e manutenção de hábitos saudáveis, principalmente quando integrados à atenção primária em saúde. O segundo eixo identificado diz respeito às práticas integrativas e de promoção da saúde, que vêm ganhando relevância crescente nos últimos anos. Pereira e Tesser (2023) observaram que o yoga e outras práticas meditativas contribuem para o equilíbrio autonômico, redução do estresse e melhora da variabilidade da frequência cardíaca, atuando como estratégias preventivas complementares. Carli et al. (2025) reforçam que a atividade física regular é um dos fatores mais consistentes na redução da mortalidade cardiovascular, sendo recomendada para todas as faixas etárias. Além dos benefícios fisiológicos, o exercício físico regular melhora o humor, a qualidade do sono e a autoestima, o que favorece a adesão contínua às práticas saudáveis. A literatura também evidencia a importância do apoio social e do ambiente comunitário como determinantes do sucesso das intervenções. A criação de espaços públicos seguros para a prática de atividades físicas, bem como programas de incentivo à mobilidade ativa (como caminhadas e ciclismo), têm impacto significativo na saúde cardiovascular populacional. Dessa forma, a promoção da saúde extrapola a esfera individual e passa a ser entendida como uma responsabilidade coletiva, que envolve políticas urbanas, planejamento alimentar e ações intersetoriais. No terceiro eixo, relacionado ao impacto social e educacional, observa-se que as estratégias de prevenção cardiovascular estão intimamente ligadas às condições de vida, escolaridade e renda da população. Alves et al. (2025) demonstraram que o uso de tecnologias educacionais em saúde, quando desenvolvidas de forma participativa com os usuários da atenção primária, aumenta o protagonismo dos indivíduos e melhora a adesão às medidas preventivas. Tais tecnologias, como aplicativos, cartilhas e vídeos interativos, têm se mostrado instrumentos eficazes de educação em saúde continuada. Vieira et al. (2025), analisando dados da Pesquisa Nacional de Saúde, evidenciaram a persistência de desigualdades regionais e socioeconômicas no controle da hipertensão arterial, o que influencia diretamente o risco cardiovascular. Essas desigualdades comprometem a
50 efetividade das ações preventivas e evidenciam a urgência de políticas públicas voltadas à equidade em saúde. Pereira Santos et al. (2024), por sua vez, observaram que ferramentas internacionais de estratificação de risco, como o escore SCORE2, podem subestimar o risco em populações específicas, o que reforça a necessidade de instrumentos adaptados à realidade brasileira. As diferenças de gênero também merecem destaque. Oliveira e Wenger (2022) apontam que as mulheres apresentam particularidades na manifestação clínica e na resposta terapêutica das doenças cardiovasculares. Fatores hormonais, psicossociais e comportamentais interferem na prevenção e no prognóstico, demandando políticas públicas sensíveis ao gênero. Estratégias de comunicação e rastreamento direcionadas ao público feminino, especialmente no período pós-menopausa, são fundamentais para reduzir as iniquidades de cuidado. De maneira geral, a discussão integrada dos estudos revela que a prevenção cardiovascular é um processo complexo, dinâmico e interdependente, que requer ações articuladas entre clínica, educação e políticas públicas. A simples orientação médica, isoladamente, não é suficiente para promover mudanças sustentáveis. É necessário que as práticas preventivas sejam acompanhadas de estratégias educativas permanentes, suporte social e condições objetivas que possibilitem a adoção de comportamentos saudáveis. Apesar dos avanços evidenciados nas últimas décadas, a literatura ainda aponta limitações relevantes: a maioria dos estudos concentra-se em amostras urbanas, de nível socioeconômico intermediário, e com curto tempo de acompanhamento. Essa limitação reduz a capacidade de generalização dos achados. Outro desafio identificado é a baixa adesão a longo prazo às mudanças de estilo de vida, que muitas vezes é interrompida pela falta de acompanhamento profissional ou por barreiras sociais e econômicas. Portanto, os resultados analisados sugerem que a efetividade das medidas de prevenção cardiovascular depende da integração de ações clínicas, educativas e políticas, com ênfase na educação em saúde, na redução das desigualdades e na incorporação de tecnologias sociais que fortaleçam o autocuidado. A atuação intersetorial e o incentivo à pesquisa aplicada são essenciais para transformar evidências científicas em práticas cotidianas sustentáveis. Dessa forma, a prevenção cardiovascular deve ser compreendida não apenas como uma intervenção médica, mas como um processo coletivo e contínuo de promoção da vida, da equidade e do bem-estar social.
51 CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise realizada evidenciou que a prevenção cardiovascular exige uma abordagem multifatorial, que ultrapassa o campo biomédico e alcança dimensões sociais, comportamentais e políticas. Os resultados mostraram que mudanças consistentes no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividade física, manejo do estresse, abandono do tabagismo e moderação no consumo de álcool permanecem como pilares fundamentais para reduzir a incidência e a mortalidade por doenças cardiovasculares. Esses achados reforçam que a prevenção não deve ser vista apenas como responsabilidade individual, mas como um processo que demanda suporte coletivo, políticas públicas efetivas e acesso equitativo aos serviços de saúde. Outro ponto central identificado foi a relevância das práticas integrativas e do uso de tecnologias educacionais como aliados no fortalecimento do autocuidado e na adesão às medidas preventivas. Estratégias como yoga, programas educativos em saúde e intervenções comunitárias demonstraram potencial para ampliar a consciência populacional e engajar diferentes perfis de indivíduos em práticas de cuidado sustentável. Isso indica que a prevenção cardiovascular, para ser efetiva, deve se articular com estratégias inovadoras que valorizem não apenas o tratamento clínico, mas também a dimensão educativa, cultural e subjetiva da saúde. Os estudos também revelaram que desigualdades sociais, gênero e fatores contextuais exercem impacto significativo na manifestação do risco cardiovascular e no acesso às estratégias preventivas. Tal constatação reforça a necessidade de políticas de saúde que sejam sensíveis às especificidades de grupos vulneráveis e que considerem as particularidades culturais e socioeconômicas da população brasileira. O enfrentamento das doenças cardiovasculares, portanto, exige mais do que recomendações técnicas: demanda equidade, sensibilidade social e compromisso político com a redução das iniquidades em saúde. Por fim, conclui-se que a efetividade da prevenção cardiovascular depende da integração entre clínica, educação e políticas públicas, estruturada em uma perspectiva interdisciplinar e intersetorial. A consolidação de práticas preventivas eficazes requer, ao mesmo tempo, avanços científicos, inovação tecnológica e engajamento comunitário. Mais do que prevenir a doença, trata-se de promover vida com qualidade, longevidade e dignidade.
52 Assim, este estudo contribui ao evidenciar que a verdadeira força da prevenção cardiovascular está em reconhecer o ser humano em sua integralidade, garantindo estratégias que sejam viáveis, inclusivas e transformadoras para toda a sociedade. Como limitação deste estudo, destaca-se o delineamento narrativo da revisão, que não permite análise quantitativa nem controle de vieses de seleção. Apesar disso, a síntese qualitativa apresentada oferece uma visão abrangente e crítica sobre as principais estratégias de prevenção cardiovascular. Para pesquisas futuras, recomenda-se a realização de revisões sistemáticas e metaanálises que quantifiquem os efeitos das intervenções em diferentes contextos, bem como estudos longitudinais que avaliem a adesão sustentada às mudanças de estilo de vida. Além disso, sugere-se ampliar as investigações sobre fatores socioculturais e de gênero que interferem na efetividade das ações preventivas, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas e para a redução das iniquidades em saúde cardiovascular. REFERÊNCIAS Alves, A. B. S. et al. Risco cardiovascular na atenção primária à saúde: elaboração conjunta de tecnologia educacional. Enfermagem em Foco, v. 16, p. 1-7, abr. 2025. DOI: https://doi.org/10.21675/2357-707X.2025.v16.e-2025010. Brandão, A. A. et al. Revisão sistemática sobre a eficácia de metas intensivas do tratamento anti-hipertensivo: recomendação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Arquivos Brasileiros de Cardiologia, mar. 2025. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20240761. Carli, M. R. et al. Atividade física para a saúde cardiovascular de pessoas adultas e idosas: revisão de literatura. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental (Online), v. 17, e13730, 2025. DOI: https://doi.org/10.9789/2175-5361.rpcfo.v17.13730. Marcadenti, A.et al. Adequação do consumo de ácidos graxos entre pacientes em prevenção cardiovascular secundária. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2024. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20230487. Oliveira, G. M. M.; Wenger, N. K. Special considerations in the prevention of cardiovascular disease in women. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 118, n. 2, p. 374-377, 2022. DOI: https://doi.org/10.36660/abc.20220028. Pereira, L. F.; Tesser, C. D. O sofrimento futuro pode ser evitado: o yoga como estratégia na prevenção primária das doenças cardiovasculares. Physis: Revista de Saúde Coletiva, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/s0103-7331202333049.