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INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: DIAGNÓSTICO, CAUSAS E ABORDAGEM TERAPÊUTICA

Editora Saúde Vital

Abstract

Autores Giovanna Maria Reboucas dos Reis Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste- UNIAENE, Capoeiruçu-BA Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU , Pós- graduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU , Pós-graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Pará Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal da Pelotas-RS Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica, Graduanda em Medicina pela PUC Minas. Larissa de Sá Santos Graduanda em Medicina no Centro Universitário Atenas - UniAtenas, Paracatu-MG Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Fortaleza- CE Ludmila Gonzaga de Souza Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de João Pessoa - PB Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina-PE

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5. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: DIAGNÓSTICO, CAUSAS E ABORDAGEM TERAPÊUTICA ACUTE MYOCARDIAL INFARCTION: DIAGNOSIS, CAUSES, AND EIXO TEMÁTICO: Emergências Cardiovasculares Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em A UNINASSAU , Pósgraduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU , Pós Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Email do autor: [email protected] RESUMO Introdução: O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de mortalidade no Brasil, especialmente entre homens, idosos e populações com menor acesso à saúde. Fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo contribuem significat ivamente para o desenvolvimento da doença. fatores de risco, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas atuais relacionados ao IAM, com base em evidências científicas recentes. da literatura, com busca realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Acadêmico. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol, que abordassem aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do IAM. Est anteriores a 2015 foram incluídos quando considerados relevantes. O diagnóstico do IAM baseia biomarcadores, especialmente a troponina ultrassensível, que permite segura. Diretrizes recomendam ECG em até 10 minutos após a chegada do paciente e uso de 54 INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: DIAGNÓSTICO, CAUSAS E ABORDAGEM TERAPÊUTICA ACUTE MYOCARDIAL INFARCTION: DIAGNOSIS, CAUSES, AND THERAPEUTIC APPROACH EIXO TEMÁTICO: Emergências Cardiovasculares Giovanna Maria Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em A graduanda em Docência do Ensino Superior pela UNINASSAU , Pós - graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Pará Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal da Pelotas Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica, Graduanda em Medicina pela PUC Minas. Graduanda em Medicin a no Centro Universitário Atenas Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Ludmila Gonzaga de Souza Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina mail do autor: [email protected] O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de mortalidade no Brasil, especialmente entre homens, idosos e populações com menor acesso à saúde. Fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo contribuem ivamente para o desenvolvimento da doença. Objetivo: Analisar os principais fatores de risco, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas atuais relacionados ao IAM, com base em evidências científicas recentes. Metodologia: Tratase de uma revisão narra da literatura, com busca realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Acadêmico. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol, que abordassem aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do IAM. Est anteriores a 2015 foram incluídos quando considerados relevantes. Resultados e Discussão: O diagnóstico do IAM baseia - se na avaliação clínica, eletrocardiograma precoce e biomarcadores, especialmente a troponina ultrassensível, que permite segura. Diretrizes recomendam ECG em até 10 minutos após a chegada do paciente e uso de INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: DIAGNÓSTICO, CAUSAS E ABORDAGEM TERAPÊUTICA ACUTE MYOCARDIAL INFARCTION: DIAGNOSIS, CAUSES, AND EIXO TEMÁTICO: Emergências Cardiovasculares Giovanna Maria Reboucas dos Reis Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Adventista de Ensino do Nordeste - UNIAENE, Capoeiruçu-BA Andréa Laué Passos Santos Bacharel em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em A tenção Básica pela graduanda em Sexologia e Sexualidade Humana pela UNINASSAU Antônio Sena da Costa Graduando em Medicina pela Universidade Federal do Pará Josiane Könzgen Schneid Graduanda em Farmácia pela Universidade Federal da Pelotas -RS Keyla de Cássia Barros Bitencourt Enfermeira, Especialista em Cardiologia: Hemodinâmica, Graduanda em Medicina pela PUC Minas. Larissa de Sá Santos a no Centro Universitário Atenas - UniAtenas, Paracatu-MG Leandro da Silva Ferreira Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, FortalezaCE Ludmila Gonzaga de Souza Graduanda em Medicina pelo Centro Universitário de João Pessoa - PB Emanuela de Oliveira Reis Enfermeira pelo Centro Universitário Maurício de Nassau, Petrolina -PE mail do autor: [email protected] O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é uma das principais causas de mortalidade no Brasil, especialmente entre homens, idosos e populações com menor acesso à saúde. Fatores como tabagismo, hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo contribuem Analisar os principais fatores de risco, métodos diagnósticos e abordagens terapêuticas atuais relacionados ao IAM, se de uma revisão narra tiva da literatura, com busca realizada nas bases SciELO, PubMed, LILACS e Google Acadêmico. Foram selecionados artigos publicados entre 2015 e 2025, em português, inglês e espanhol, que abordassem aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos do IAM. Est udos clássicos Resultados e Discussão: se na avaliação clínica, eletrocardiograma precoce e biomarcadores, especialmente a troponina ultrassensível, que permite confirmação rápida e segura. Diretrizes recomendam ECG em até 10 minutos após a chegada do paciente e uso de 55 escores clínicos como o HEART para estratificação de risco. A abordagem terapêutica inclui medidas imediatas como terapia antiplaquetária com ácido acetilsalicílico e inibidores do receptor P2Y12 (ticagrelor, prasugrel), além de estratégias de reperfusão e acompanhamento ambulatorial. A adesão às diretrizes e a capacitação das equipes são fundamentais para melhorar o prognóstico e reduzir a mortalidade. Considerações Finais: O manejo eficaz do IAM depende de diagnóstico precoce, intervenção terapêutica baseada em evidências e estratégias de prevenção contínuas. A integração entre tecnologia, capacitação profissional e políticas públicas é essencial para reduzir os impactos da doença na população brasileira. Palavras-Chaves: Diagnóstico; Fatores de risco; Infarto agudo do miocárdio; Prevenção; Tratamento. ABSTRACT Introduction: Acute Myocardial Infarction (AMI) is one of the leading causes of mortality in Brazil, especially among men, the elderly, and populations with limited access to healthcare. Factors such as smoking, hypertension, diabetes, obesity, and physical inactivity significantly contribute to the development of the disease. Objective: To analyze the main risk factors, diagnostic methods, and current therapeutic approaches related to AMI, based on recent scientific evidence. Methodology: This is a narrative literature review, with searches conducted in the SciELO, PubMed, LILACS, and Google Scholar databases. Articles published between 2015 and 2025 in Portuguese, English, and Spanish that addressed clinical, diagnostic, and therapeutic aspects of AMI were selected. Classic studies prior to 2015 were included when considered relevant. Results and Discussion: The diagnosis of AMI is based on clinical evaluation, early electrocardiogram, and biomarkers, especially high-sensitivity troponin, which allows rapid and reliable confirmation. Guidelines recommend performing an ECG within 10 minutes of the patient's arrival and using clinical scores such as HEART for risk stratification. The therapeutic approach includes immediate measures such as antiplatelet therapy with acetylsalicylic acid and P2Y12 receptor inhibitors (ticagrelor, prasugrel), in addition to reperfusion strategies and outpatient follow-up. Adherence to guidelines and team training are crucial to improving prognosis and reducing mortality. Final Considerations: Effective management of AMI depends on early diagnosis, evidence-based therapeutic intervention, and continuous prevention strategies. The integration of technology, professional training, and public policies is essential to reduce the disease's impact on the Brazilian population. 56 Keywords: Diagnosis; Risk factors; Acute myocardial Infarction; Prevention; Treatment . INTRODUÇÃO O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das principais causas de morte no Brasil, sendo a maior em doenças crônicas não transmissíveis, com estimativas de centenas de milhares de casos anuais. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que, no Brasil, ocorram de 300 mil a 400 mil casos anuais de infarto e que a cada 5 a 7 casos, ocorre um óbito. A doença afeta principalmente homens, idosos e a população de menor escolaridade, com taxas de mortalidade mais altas nas regiões Norte e Centro-Oeste. Fatores de risco incluem tabagismo, obesidade, diabetes e sedentarismo, mas a falta de acesso a diagnóstico e tratamento, especialmente para mulheres e em regiões menos desenvolvidas, contribui para o prognóstico desfavorável. O infarto do miocárdio é definido como necrose miocárdica em uma condição clínica consistente com isquemia miocárdica (Thygesen et al., 2018). Isquemia miocárdica é a redução do fluxo sanguíneo direcionado ao coração – chamado, em linguagem médica, de miocárdio ou músculo cardíaco. Essa condição decorre de obstruções nas artérias coronárias, que são os vasos sanguíneos responsáveis por levar sangue rico em oxigênio até o coração. Por isso, a doença resulta em menor aporte de oxigênio e nutrientes ao órgão. Em consequência, as células cardíacas não recebem a nutrição necessária para garantir um bom desempenho, tendo seu funcionamento prejudicado (Telemedicina Morsch, 2024). Essas condições podem ser atendidas por meio de elevação de biomarcadores cardíacos (preferencialmente, troponina cardíaca [cTn]) acima do 99th percentil do limite superior de referência (LSR) (Manual MSD, 2024). Biomarcadores são indicadores biológicos objetivos e mensuráveis de um processo biológico normal ou patológico, que podem ser genes, proteínas, metabólitos ou outras moléculas encontradas em fluidos corporais ou tecidos. Eles auxiliam no diagnóstico, prognóstico e monitoramento de doenças, na avaliação da exposição a substâncias químicas e no desenvolvimento e acompanhamento de tratamentos médicos, permitindo prever a resposta a um medicamento e a evolução de uma condição (Amorim, 2003; Zamora et al., 2022). Somado a acentuação dos biomarcadores, observa-se pelo menos um dos seguintes, concomitantemente: sintomas da isquemia, alterações eletrocardiográficas indicativas de nova 57 isquemia (alterações significativas no ST/T ou bloqueio de ramo esquerdo), desenvolvimento de ondas Q patológicas, evidências nas imagens de nova lesão do miocárdio ou nova alteração da contração segmentar da parede e/ou evidências na angiografia ou autópsia de trombo intracoronário (Sweis e Jivan, 2024). É possível observar um crescente índice de jovens diagnosticados com Infarto Agudo do Miocárdio, ocasionado pelo aumento de fatores de risco. Embora muitos países tenham reportado uma queda dos números de incidência e mortalidade do IAM nos últimos anos, houve um aumento do número de jovens com essa patologia. Fatores como a sobrecarga de trabalho, estresse laboral, alimentação irregular, obesidade, tabagismo, entre outros, tornaramse decisivos para o desenvolvimento de cardiopatias e, consequentemente, os índices de mortalidade na população jovem aumentou consideravelmente. É de suma importância a identificação precoce dos fatores de risco tanto em jovens quanto em idosos, com o objetivo de prevenir o IAM (Dattoli-García et al., 2021). A presente revisão tem como objetivo apresentar o conceito de Infarto Agudo do Miocárdio, expondo os fatores predisponentes, os métodos de diagnóstico, as abordagens multiprofissionais no tratamento e as consequências do IAM. É importante salientar os métodos de prevenção, tais como a prática de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada, a realização de exames de rotina, entre outros. METODOLOGIA Este estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com o objetivo de sintetizar informações acerca dos fatores de risco, diagnóstico, terapêutica e estratégias de prevenção relacionadas ao Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados SciELO, PubMed, LILACS e Google Acadêmico, utilizando os descritores “Infarto Agudo do Miocárdio”, “fatores de risco”, “diagnóstico”, “tratamento” e “prevenção”, em português, inglês e espanhol. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em texto completo, que abordassem aspectos clínicos, diagnósticos, terapêuticos ou preventivos do IAM. Estudos O presente estudo trata-se de uma revisão narrativa da literatura, que visa sintetizar e analisar o conhecimento científico acumulado sobre o infarto agudo do miocárdio, oferecendo uma perspectiva ampla e aprofundada. O principal objetivo da pesquisa é levantar e consolidar informações acerca dos fatores de risco, do diagnóstico, das abordagens terapêuticas e das estratégias de prevenção relacionadas ao Infarto Agudo do 58 Miocárdio (IAM). O trabalho foi guiado pela questão norteadora: "Quais são os principais fatores de risco, os métodos diagnósticos mais eficazes e as atuais abordagens terapêuticas e preventivas do Infarto Agudo do Miocárdio?". Dessa forma, a busca bibliográfica foi realizada de forma estratégica em importantes bases de dados eletrônicas, tanto nacionais quanto internacionais, incluindo SciELO (Scientific Electronic Library Online), PubMed (U.S. National Library of Medicine), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Google Acadêmico. Para assegurar a máxima recuperação de artigos relevantes, foram utilizados os seguintes descritores e termos-chave, combinados em Português, Inglês e Espanhol: "Infarto Agudo do Miocárdio", "fatores de risco", "diagnóstico", "tratamento" e "prevenção". O período de interesse para a coleta de dados compreendeu as publicações veiculadas entre 2015 e 2025. Foram incluídos apenas artigos completos que abordassem direta e especificamente os aspectos clínicos, diagnósticos, terapêuticos ou preventivos do IAM. Contudo, em reconhecimento à necessidade de fundamentar o tema com informações cruciais, estudos publicados anteriormente a 2015 foram excepcionalmente considerados e incluídos quando identificados como referências clássicas ou de relevância histórica indispensável para a compreensão do tema, a exemplo de trabalhos seminais como os de Amorim (2003). A seleção do material ocorreu em duas fases distintas: inicialmente, por meio de uma triagem criteriosa baseada na leitura de títulos e resumos e, posteriormente, pela análise integral do texto daqueles artigos pré-selecionados que atendiam aos critérios estabelecidos. Sendo assim os dados relevantes extraídos da literatura selecionada foram meticulosamente organizados em eixos temáticos que correspondem aos objetivos centrais da revisão: fatores de risco, métodos diagnósticos, abordagens terapêuticas e medidas preventivas. Esta estrutura permitiu uma análise coerente e aprofundada, servindo de base para a discussão apresentada no artigo. Por fim, é importante destacar que, por se tratar exclusivamente de uma revisão bibliográfica de dados secundários e públicos, sem envolver qualquer tipo de coleta de dados em seres humanos, não houve necessidade de submissão do trabalho ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). RESULTADOS E DISCUSSÃO Resultados Os estudos no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio (IAM) coronariano 59 demonstram a importância da associação entre avaliação clínica, exames complementares e biomarcadores. A literatura recente aponta que a caracterização da dor torácica típica, associada a fatores de risco cardiovasculares, continua sendo o ponto inicial para suspeita diagnóstica. O eletrocardiograma (ECG) de 12 derivações realizado precocemente permanece como exame fundamental, possibilitando a identificação de alterações sugestivas de isquemia mesmo na ausência de supradesnivelamento do segmento ST. Além disso, a incorporação dos biomarcadores de necrose miocárdica, em especial a troponina ultrassensível, trouxe maior sensibilidade e especificidade ao diagnóstico. Estudos confirmam que a dosagem seriada em curto intervalo (1 a 2 horas) permite descartar ou confirmar com segurança o IAM em pacientes com dor torácica aguda. Discussão A discussão sobre o diagnóstico do IAM coronariano deve considerar as atualizações nas diretrizes internacionais e nacionais. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicada em 2021, destacou que o eletrocardiograma deve ser obtido em até 10 minutos após a chegada do paciente, devendo ser repetido no caso de repetição dos sintomas. Ainda, recomenda-se analisar as derivações adicionais (V3R-V4R, V7-V9) quando for necessário (Nicolau et al., 2021). No que se refere aos biomarcadores, as troponinas são os de escolha no diagnóstico de pacientes com suspeita de Infarto Agudo de Miocárdio. No caso de disponibilidade da troponina ultrassensível, será dispensada a solicitação dos outros marcadores, padronizando o manejo diagnóstico e facilitando a investigação de forma mais ágil. Quando as troponinas não estiverem disponíveis, pode-se usar dosagens de Ck-MB (Nicolau et al., 2021). Ainda, a estratificação de risco pelos escores clínicos, como o HEART, é indicado também para auxílio na decisão de alta hospitalar precoce. Assim sendo, pacientes com escore HEART menor que 3 junto à troponina em tempo hábil negativada, eletrocardiograma sem alteração de isquemia e ausência de antecedentes de doença arterial coronariana, poderão ser liberados do serviço emergencial para o ambulatorial (Nicolau et al., 2021). Essa forma resulta na redução das internações desnecessárias e no uso mais racional dos recursos de saúde. 60 Vale mencionar ainda que a combinação dos achados clínicos, do eletrocardiograma e da troponina ultra sensível melhora não apenas a análise do diagnóstico, bem como o prognóstico de pacientes, o que possibilita uma intervenção precoce e mais direcionada. Isso reforça a importância de adesão às diretrizes atualizadas e de uma capacitação constante das equipes multiprofissionais para reconhecer rapidamente diagnósticos de IAM coronariano (Nicolau et al., 2021). Abordagem terapêutica A compreensão da fisiopatologia do infarto agudo do miocárdio (IAM) permite estabelecer que a interrupção precoce do processo isquêmico é determinante para a preservação da função ventricular e para a redução da mortalidade. Assim, a terapêutica do IAM deve ser encarada como um conjunto de intervenções integradas, que envolvem desde a fase aguda até o acompanhamento ambulatorial de longo prazo. Esse manejo, cada vez mais embasado em evidências e atualizações de diretrizes nacionais e internacionais, representa não apenas uma resposta à crise coronariana, mas também uma oportunidade de modificar o curso natural da doença aterosclerótica (Nicolau et al., 2021; SBC, 2025). A utilização de biomarcadores na prática clínica não apenas facilita o diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio (IAM), mas também direciona a tomada de decisão terapêutica, permitindo uma intervenção mais precisa e em tempo oportuno (Zamora-Obando et al., 2022; Thygesen et al., 2018). A partir da confirmação diagnóstica, a abordagem terapêutica passa a ser determinante para a sobrevida dos pacientes e para a redução de complicações a longo prazo (Nicolau et al., 2021). A terapia antiplaquetária constitui um dos pilares iniciais do manejo. A combinação do ácido acetilsalicílico com inibidores do receptor P2Y12, como ticagrelor ou prasugrel, tem demonstrado significativa redução de eventos cardiovasculares adversos maiores, além de menor incidência de trombose de stent, quando comparada ao uso isolado de aspirina (Costa et al., 2023). Essa estratégia, atualmente padrão-ouro, impacta diretamente na redução da mortalidade precoce e na prevenção de reinfarto. O uso de anticoagulantes, como a enoxaparina e a bivalirudina, complementa a antiagregação, prevenindo complicações trombóticas no período agudo. Estudos recentes reforçam que a escolha deve ser guiada pelo risco de sangramento e pelas condições clínicas individuais, equilibrando segurança e eficácia (Morris et al., 2022). 61 A reperfusão coronariana precoce, quando possível por meio da intervenção coronária percutânea (ICP), continua a ser a estratégia de maior impacto prognóstico, reduzindo significativamente mortalidade, recorrência de IAM e insuficiência cardíaca (Ibanez et al., 2021). Em locais onde a ICP não é factível dentro do tempo recomendado, a fibrinólise com agentes como a tenecteplase mantém papel relevante, desde que instituída nas primeiras horas do evento (Pereira et al., 2022). As terapias adjuvantes também exercem papel central na evolução clínica. Os betabloqueadores reduzem a incidência de arritmias ventriculares e contribuem para a diminuição da mortalidade (Mccann et al., 2021). Os inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e os bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA), por sua vez, têm efeito comprovado na prevenção do remodelamento ventricular e no retardo da evolução para insuficiência cardíaca (Alfaddaghi et al., 2023). As estatinas em altas doses, recomendadas já na fase aguda, apresentam benefícios que vão além da redução lipídica, incluindo estabilização da placa aterosclerótica e propriedades anti-inflamatórias, com impacto positivo na sobrevida a longo prazo (Anderson et al., 2020). De forma emergente, os inibidores do co transportador sódio-glicose 2 (SGLT2) têm sido avaliados em pacientes com IAM e disfunção ventricular esquerda, mostrando potencial em reduzir hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular, embora ainda não integrados de forma ampla aos protocolos de primeira linha (Zhao et al., 2022). Dessa forma, o manejo contemporâneo do IAM integra diagnóstico precoce com biomarcadores e uma abordagem terapêutica multifacetada, em que o uso racional e sequencial das diferentes classes de fármacos, associado à reperfusão oportuna, configura a estratégia mais eficaz para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes (Nicolau et al., 2021; Collet et al., 2021). CONSIDERAÇÕES FINAIS O infarto agudo do miocárdio (IAM) permanece como uma das principais causas de morbimortalidade no cenário global e nacional, configurando-se como um desafio persistente para os sistemas de saúde. Apesar dos avanços diagnósticos e terapêuticos, ainda há entraves significativos relacionados ao subdiagnóstico, à demora no atendimento e às desigualdades de acesso a serviços especializados, fatores que condicionam desfechos clínicos 62 desfavoráveis. Tal realidade reforça a necessidade de intervenções mais céleres, estruturadas e equitativas, especialmente em regiões de maior vulnerabilidade. O diagnóstico precoce, alicerçado no uso de biomarcadores de alta sensibilidade, em especial a troponina ultrassensível, aliado ao eletrocardiograma e à estratificação clínica, consolidou-se como uma ferramenta imprescindível para assegurar intervenções oportunas. No campo terapêutico, a reperfusão coronariana precoce, somada à terapia antitrombótica moderna e ao manejo farmacológico adequado, demonstrou eficácia na redução de complicações e da mortalidade, embora sua plena aplicação dependa da disponibilidade de infraestrutura hospitalar adequada e da capacitação profissional. Nesse contexto, evidencia-se que a incorporação tecnológica precisa ser acompanhada por estratégias de gestão e políticas públicas voltadas para a equidade em saúde. Cabe destacar que fatores psicobiológicos como sono inadequado e estresse crônico potencializam a vulnerabilidade cardiovascular, transcendendo a condição de fatores de risco secundários e assumindo papel determinante no adoecimento. A privação de sono e a má qualidade do repouso associam-se a maior risco de hipertensão, arritmias, acidente vascular cerebral e doença isquêmica do coração, inclusive em indivíduos geneticamente predispostos. De forma sinérgica, o estresse crônico eleva mediadores inflamatórios e neuroendócrinos que favorecem hipertensão, síndrome metabólica e desfechos cardiovasculares maiores, ao mesmo tempo em que impacta a qualidade do sono e fomenta hábitos deletérios. Portanto, esses elementos não podem mais ser negligenciados na abordagem integral do paciente com risco cardiovascular. Diante disso, torna-se imperativo que o enfrentamento do IAM seja conduzido de forma multidimensional, articulando diagnóstico ágil, terapêutica baseada em evidências, políticas públicas equitativas e prevenção ampliada, que contemple não apenas os fatores de risco tradicionais, mas também aspectos psicossociais determinantes. A promoção de hábitos de vida saudáveis, a educação em saúde e a integração multiprofissional representam pilares estratégicos para reduzir a carga global da doença. Assim, a construção de um sistema de saúde que reconheça o indivíduo em sua totalidade é condição essencial para garantir maior sobrevida, qualidade de vida sustentável e efetiva redução da morbimortalidade cardiovascular. REFERÊNCIAS