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Altamira - PA 2025 CONHECIMENTO, CUIDADO E AÇÃO NAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS MALÁRIA NAS ÁGUAS DA AMAZÔNIA:
AUTORIA Tayane Moura Martins - Docente da Universidade do Estado do Pará, campus IX Altamira. Reginaldo Pereira de Oliveira - Docente da Universidade do Estado do Pará, campus IX Altamira. Luan Aércio Melo Maciel - Docente da Universidade do Estado do Pará, campus IX Altamira Victor de Lima Dias - Docente da Universidade do Estado do Pará, campus IX Altamira Deizyane dos Reis Galhardo - Docente da Universidade do Estado do Pará, campus IX Altamira ORGANIZAÇÃO/REVISÃO TÉCNICA Marcela Fernandes Pereira*; Lilia Monik Souza Figueiroa Silva*; Luana Cabral Bezerra*; Nicoli Monteiro Medeiros*; Samara Silva de Souza*. *Acadêmicas de enfermagem do 8° período - UEPA, Campus IX Altamira. 3 DOI: 10.5281/zenodo.17761228
APRESENTAÇÃO Este material surgiu a partir das reflexões desenvolvidas no contexto das Atividades Integradas em Saúde (AIS), no município de Altamira-PA, como resultado do projeto de intervenção realizado pelo subgrupo B da turma 2022 do curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade do Estado do Pará – Campus IX Altamira. Esperamos que este material contribua para a qualificação das práticas profissionais, fortalecendo o conhecimento dos trabalhadores da saúde no enfrentamento da malária. Pois valorizar e capacitar quem atua na linha de frente é essencial para integrar saberes locais e garantir um cuidado sensível e baseado em evidências. BOA LEITURA! As informações contidas no presente trabalho procedem de uma revisão de literatura acerca da temática abordada. 4
SUMÁRIO MALÁRIA E POVOS RIBEIRINHOS ------------------------------- AGENTE ETIOLÓGICO E CICLO DE TRANSMISSÃO -------------------- EPIDEMIOLOGIA DA MALÁRIA NO BRASIL -------------------------- RECONHECIMENTO CLÍNICO DA MALÁRIA ------------------------- DIAGNÓTICO: IDENTIFICAÇÃO E TESTAGEM ----------------------- MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA --------------------------------- PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA - COMPLICAÇÕES E URGÊNCIAS NA MALÁRIA GRAVE ----------------- MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DE MALÁRIA GRAVE -------------------- MANIFESTAÇÕES LABORATORIAIS DE MALÁRIA GRAVE -------------- CONDUTAS EM CASOS DE MALÁRIA GRAVE ----------------------- ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE ------------------ ----- EDUCAÇÃO EM SAÚDE COMO ESTRATÉGIA TRANSFORMADORA ------- PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA ---- ASPECTOS SOCIOCULTURAIS E DESAFIOS NO TERRITÓRIO ------------ CONCLUSÃO E PLANO DE AÇÃO -------------------------------- CONSIDERAÇÕES FINAIS -------------------------------------- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS --------------------------------- 06 08 13 15 19 22 34 42 45 47 50 59 63 69 77 83 84 40 5
MALÁRIA E POVOS RIBEIRINHOS A malária é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos do gênero Anopheles. Nas populações ribeirinhas, o risco de transmissão é muito alto, por diversos fatores: Moradia próxima a áreas de água parada Dificuldades de acesso a serviços de saúde 6
MALÁRIA E POVOS RIBEIRINHOS Esses são alguns dos fatores que aumentam o risco de transmissão e atrasam o diagnóstico e o tratamento adequado. Sazonalidade das chuvas na Região Amazônica Práticas de subsistência, sendo a agricultura a ocupação mais afetada pela malária. 7
AGENTE ETIOLÓGICO E CICLO DE TRANSMISSÃO A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium. As espécies mais relevantes no Brasil são P. vivax e P. falciparum. O Plasmodium necessita de dois hospedeiros: O mosquito Anopheles - onde se desenvolve; O ser humano - onde causa a doença. 8
AGENTE ETIOLÓGICO E CICLO DE TRANSMISSÃO Quando uma fêmea infectada pelo Plamodium pica uma pessoa, ela injeta o parasita em forma de esporozoíto junto com a saliva. Esses esporozoítos entram na corrente sanguínea e chegam rapidamente ao fígado. 9
RECONHECIMENTO CLÍNICO DA MALÁRIA SINAIS E SINTOMAS CLÁSSICOS febre Calafrios Em crianças ou gestantes, atenção especial: Prostração, dor abdominal, icterícia, taquipneia ou sangramentos podem surgir mais rápido. Mialgia Sudorese VômitoNauseas Fadiga Cefaleia 16
RECONHECIMENTO CLÍNICO DA MALÁRIA DIFERENÇAS CLÍNICAS ENTRE A P. FALCIPARUM E A P. VIVAX P. Falciparum: Tem maior potencial de evolução rápida para a forma, com risco de óbito, pois tem alta carga parasitária. Por isso, em áreas endêmicas, quando se há pacientes apresentando febre alta, deve-se suspeitar de malária. P. Vivax: Essa é a espécie mais frequente no Brasil. O quadro é muitas vezes “menos grave” que a da Falciparum, mas importante porque tem formas latentes no fígado (hipnozítos) que podem gerar recaídas. O seu inicio pode ser mais lento e tem parasitemia menor. 17
RECONHECIMENTO CLÍNICO DA MALÁRIA COMPLICAÇÕES E SINAIS DE GRAVIDADE Fique Atento: Quando houver vômitos persistentes (impedindo medicação oral), icterícia, dificuldade para respirar, confusão mental. O encaminhamento para unidade de referência deve ser imediato. Outros sinais laboratoriais (se houver acesso): Anemia grave, hipoglicemia, acidose, alta parasitemia. Atenção técnicos de enfermagem e Agentes comunitários saúde: É extremamente importante manter o paciente e a família informada sobre estes sinais de alerta. Manter sempre registros de febre, sintomas e evolução para avaliação de risco. 18
DIAGNÓSTICO: IDENTIFICAÇÃO E TESTAGEM A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE Diagnosticar cedo significa iniciar o tratamento rapidamente. Essa ação ajuda a reduzir riscos de complicação e quebra a cadeia de transmissão. Nas zonas ribeirinhas, o tempo entre febre e testagem tendem a ser maior, dessa forma os técnicos de enfermagem e os ACS que estão em território tem um papel fundamental na identificação dos sintomas e no atendimento imediato. Em áreas de difícil acesso, o uso de métodos de testagem rápida ou encaminhamento imediato é essencial 19
Teste rápido imunocromatográfico (TDR): Utilizado em locais sem microscopia. O teste detecta antígenos específicos de P. falciparum e P.vivax. O Resultado é obtido em até 20 min. Entretanto não mede a parasitemia. DIAGNÓSTICO: IDENTIFICAÇÃO E TESTAGEM MÉTODOS DIAGNÓSTICOS Teste da Gota Espessa (Microscopia): É padrão ouro no diagnóstico da malária. Esse teste permite identificar a espécie do Plasmodium, calcular parasitemia e identificar em fase da vida o parasito se encontra. 20 MÉTODOS DIAGNÓSTICOS
Transporte: Proteger contra o calor, umidade, vibração, manter os materiais secos; e registrar cadeia de custodia. DIAGNÓSTICO: IDENTIFICAÇÃO E TESTAGEM CUIDADOS NA COLETA E NO TRANSPORTE DO MATERIAL COLETADO Teste da Gota Espessa: Estar sempre atento as normas de assepsia. Sempre higienizar as mãos, puncionar o dedo, desprezar a primeira gota (se o protocolo exigir), fazer a lâmina na lamínula. E não esquecer de identificar a lâmina com o local, data e nome. L.C.M U.B.S Premem d: 25/10/25 No TDR: Seguir sempre as instruções do fabricante e do Ministério da Saúde, verificar prazo de validade, registrar horário da leitura. 21
1.Interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção; 2. Destruição de formas latentes do parasito no ciclo tecidual (hipnozoítos) das espécies P. vivax e P. ovale, evitando assim as recaídas; 3.Interrupção da transmissão do parasito, pelo uso de drogas que impedem o desenvolvimento de formas sexuadas dos parasitos (gametócitos). MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Objetivos do tratamento da malária Para entendermos de forma didática, o tratamento da malária busca atingir o parasito em pontos-chaves de seu ciclo evolutivo, que podem ser resumidos. 22
MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Tratamento para P.vivax Para entendermos melhor, o tratamento da malária busca atingir o parasito em pontos crucias de seu ciclo evolutivo. Dessa forma, o objetivo do tratamento de P. vivax é curar tanto a forma sanguínea quanto a forma hepática e, assim, prevenir recrudescência e recaída, respectivamente. Para isso, usa-se a combinação de dois medicamentos: cloroquina e primaquina. Apenas as 8-aminoquiloninas têm atividade contra os hipnozoítos. OBS: Na próxima pagina haverão tabelas que ilustrarão o esquema de tratamento da P.vivax, recomendado pelo Ministério da Saúde. 23
MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Fonte: Ministério da Saúde, 2021 24
MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Fonte: Ministério da Saúde, 2021 25
MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Fonte: Ministério da Saúde, 2021 32
MANEJO CLÍNICO DA MALÁRIA Fonte: Ministério da Saúde, 2021 33
PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM OUTROS FÁRMACOS Anticoncepcionais orais: Medicamentos como a Primaquina e a Doxiciclina podem reduzir a eficácia dos anticoncepcionais orais. Por isso, é importante aliar o uso do medicamento com um método contraceptivo adicional, como o uso do preservativo, por exemplo. Antirretrovirais: Substâncias como o Efavirenz e o Ritonavir (antirretrovirais) reduzem o efeito da Lumefantrina (antimalárico), podendo comprometer o tratamento antimalárico. É necessário avaliar a possibilidade de troca do esquema terapêutico para evitar falhas. 34
Antibióticos macrolídeos: O uso de antibióticos como azitromicina e claritromicina junto com antimaláricos pode aumentar o risco de arritmia cardíaca. Dessa forma, recomenda-se evitar o uso concomitante desses medicamentos. PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM OUTROS FÁRMACOS Antiepilépticos: Medicamentos como a Fenitoína, Carbamazepina e Fenobarbital diminuem os níveis de Cloroquina e Artemeter no sangue. Nesses casos, deve-se monitorar a resposta do paciente e evitar combinações sempre que possível. Interação 35
PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM OUTROS FÁRMACOS Suplementos de ferro e cálcio: Esses suplementos podem diminuir a absorção da doxiciclina, reduzindo sua eficácia. O ideal é tomar os suplementos com um intervalo de, pelo menos, duas horas em relação ao medicamento antimalárico. INTERAÇÕES COM FITOTERÁPICOS Chá de boldo (Plectranthus barbatus ou Peumus boldus): O chá de boldo estimula enzimas hepáticas (CYP3A4), o que pode reduzir o efeito de medicamentos como artemeter, lumefantrina e primaquina. Deve-se evitar o consumo durante o tratamento e orientar a suspensão temporária. 36
PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM FITOTERÁPICOS Chá de alho (Allium sativum): O chá de alho potencializa a ação anticoagulante e interfere no metabolismo hepático, aumentando o risco de sangramento ou alterando a eficácia dos antimaláricos. Por isso, o uso concomitante deve ser evitado. Chá de erva-doce (Foeniculum vulgare): Esse chá pode interferir na absorção intestinal de medicamentos, reduzindo a eficácia do tratamento. Portanto, é recomendado tomar o chá apenas duas horas após o uso do antimalárico. 37
Chá de gengibre (Zingiber officinale): O gengibre pode aumentar levemente a absorção gástrica e causar náuseas quando combinado com a cloroquina. Devido a isso, é recomendado evitar ou usar em pequenas quantidades durante o tratamento. Chá de camomila (Matricaria chamomilla): A camomila contém cumarinas, que possuem efeito semelhante ao de anticoagulantes, podendo potencializar o risco de sangramento, especialmente com o uso de artesunato. Ela deve ser evitada durante o tratamento. PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM FITOTERÁPICOS 38
Chá de andiroba, copaíba ou unhade-gato: As plantas medicinais andiroba (Carapa guianensis), copaíba (Copaifera langsdorffii), e unha-degato (Uncaria tomentosa) alteram o metabolismo hepático e renal, o que aumenta o risco de toxicidade, principalmente quando usadas junto à primaquina. Por isso, o uso de tais chás durante o tratamento deve ser contraindicado. PRINCIPAIS INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS NO MANEJO DA MALÁRIA INTERAÇÕES COM FITOTERÁPICOS 39
A malária, quando não tratada de forma oportuna e adequada, pode evoluir para formas graves e potencialmente fatais. Essa gravidade ocorre principalmente em infecções causadas pelo Plasmodium falciparum, devido à sua capacidade de invadir um grande número de hemácias e provocar alterações na circulação sanguínea. COMPLICAÇÕES E URGÊNCIAS NA MALÁRIA GRAVE 40
COÁGULO Dessa forma, o parasita destrói as células vermelhas e faz com que elas se fixem nas paredes dos vasos, prejudicando o fluxo de sangue e o fornecimento de oxigênio a órgãos vitais, como cérebro, rins e pulmões. Por isso, em casos de malária grave, surgem manifestações laboratoriais e clínicas características, que indicam a necessidade de atendimento hospitalar imediato. COMPLICAÇÕES E URGÊNCIAS NA MALÁRIA GRAVE 41
Administrar medicação conforme prescrição: O tratamento deve seguir rigorosamente a prescrição médica, sendo o artesunato intravenoso o medicamento de escolha para casos de malária grave. A administração deve ocorrer sob monitoramento constante, observando possíveis reações adversas. CONDUTAS EM CASOS DE MALÁRIA GRAVE Iniciar medidas de suporte: 1.Administração de oxigênio, se saturação < 94%; 2.Controle rigoroso de glicemia e temperatura; 3.Monitoramento da diurese para verificar o balanço hídrico. 48
CONDUTAS EM CASOS DE MALÁRIA GRAVE Coordenação do transporte: É necessário acionar o sistema de regulação e organizar o transporte fluvial ou terrestre o mais rápido possível para uma unidade de referência. Durante o deslocamento, deve-se garantir a estabilidade do paciente, mantendo hidratação, oxigênio e vigilância contínua dos sinais vitais. Registros necessários: Todas as ações realizadas devem ser registradas no prontuário do paciente e na ficha de notificação de malária do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), o que assegura a rastreabilidade e a continuidade do cuidado. Fonte: https://marineboats.com.br/website/wp-content/uploads/2019/04/AMBULANCHA-7300-NAVEGANDO-C.jpg 49
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE A malária continua sendo um importante problema de saúde pública em regiões ribeirinhas da Amazônia, onde as condições ambientais favorecem a proliferação do mosquito Anopheles. Por isso, as estratégias de prevenção e controle devem envolver ações individuais, coletivas e institucionais integrando a população, os profissionais de saúde e os órgãos de vigilância. 50
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Voltadas para a proteção direta das pessoas e das famílias, especialmente durante os horários de maior atividade do mosquito, ou seja, no início da manhã e final da tarde. Uso de mosquiteiros impregnados com inseticida (MILDs): É a principal medida preventiva domiciliar, e deve ser utilizada todas as noites, cobrindo completamente a cama e mantendo o tecido em bom estado. Além disso, é necessário que os profissionais de saúde garantam a distribuição equitativa desses produtos e capacitem a população quanto ao uso, limpeza e substituição periódica. MEDIDAS INDIVIDUAIS: 51
Aplicação de repelentes: A utilização de produtos seguros, obedecendo as orientações de idade e frequência de reaplicação, é essencial para reforçar a proteção dos indivíduos. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Uso de roupas adequadas: O uso de camisas de manga longa, calças compridas e meias durante atividades ao ar livre, contribui para a redução na exposição da pele. MEDIDAS INDIVIDUAIS: 52
Atenção e cuidado com o repouso diurno: As pessoas que dormem durante o dia, como os pescadores noturnos, por exemplo, também devem utilizar mosquiteiros ou redes protegidas. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Instalação de telas protetoras em portas e janelas: As telas reduzem a entrada de mosquitos nas residências, sendo uma medida simples e eficaz. MEDIDAS INDIVIDUAIS: 53
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Controle vetorial: O controle vetorial inclui vigilância entomológica, borrifação intradomiciliar residual, e monitoramento da densidade de mosquitos. Ele é realizado por equipes de endemias, com apoio dos moradores na identificação de criadouros e áreas críticas. MEDIDAS COLETIVAS: 54
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE MEDIDAS COLETIVAS: Manejo ambiental: O manejo ambiental visa reduzir criadouros e alterar condições que favorecem o vetor, como, a drenagem de poças e canais próximos às casas e a retirada de lixo e materiais que acumulam água. 55
ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE MEDIDAS COLETIVAS: Ações intersetoriais: Através de parcerias com escolas, associações comunitárias e órgãos públicos para campanhas educativas, mutirões de limpeza e monitoramento local. 56
Diagnóstico precoce e tratamento imediato: A testagem rápida de casos suspeitos, o início imediato do tratamento com esquemas padronizados pelo Ministério da Saúde, e o acompanhamento da adesão ao tratamento a fim de evitar recaídas, contribuem para a prevenção e controle do vetor na comunidade. ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO E CONTROLE Educação em saúde contínua: Promover rodas de conversa, palestras e visitas domiciliares com linguagem acessível, valorizando o saber local e os costumes ribeirinhos. ESTRATÉGIAS INSTITUCIONAIS E DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE 57
Todo caso suspeito de malária deve ser notificado imediatamente e encaminhado para confirmação laboratorial, por meio do exame de gota espessa, considerado o padrão ouro para o diagnóstico. Após a confirmação, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, de acordo com o tipo de parasita identificado (Plasmodium vivax, P. falciparum ou outros), seguindo as orientações do Ministério da Saúde. O acompanhamento do paciente é fundamental para verificar a eficácia do tratamento, prevenir recaídas e interromper a cadeia de transmissão. PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA APS FLUXO DE NOTIFICAÇÃO, DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO: 64
Na prática, a UBS funciona como porta de entrada do sistema de saúde. É nela que o paciente com sintomas suspeitos é acolhido e imediatamente encaminhado para coleta de sangue. PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA APS INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS), O LABORATÓRIO E A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: 65
O laboratório de referência recebe as amostras, realiza o exame de gota espessa e identifica o tipo de parasita e a carga parasitária. O resultado deve retornar rapidamente à UBS, permitindo o início imediato do tratamento conforme o protocolo do Programa Nacional de Controle da Malária (PNCM). PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA APS INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS), O LABORATÓRIO E A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: 66
A vigilância epidemiológica é responsável por notificar o caso no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica (SIVEP-Malária), acompanhar o tratamento até a cura e realizar a busca ativa de novos casos entre pessoas que tiveram contato com o paciente, prevenindo surtos. Além disso, a vigilância coordena ações de controle vetorial, como o uso de mosquiteiros impregnados, borrifação intradomiciliar e educação em saúde voltada à comunidade. PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA APS INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS), O LABORATÓRIO E A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: 67
A comunicação constante entre esses três setores é indispensável para a efetividade da linha de cuidado. Quando UBS, laboratório e vigilância trabalham de forma integrada, há maior agilidade na detecção de casos, maior adesão ao tratamento e redução das chances de reinfecção. Essa integração também fortalece o planejamento local, permitindo que gestores de saúde identifiquem áreas de maior risco e direcionem recursos de forma mais estratégica. PROTOCOLOS E FLUXOS DE ATENDIMENTO NA APS INTEGRAÇÃO ENTRE A UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS), O LABORATÓRIO E A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA: 68
As crenças locais das populações ribeirinhas sobre a malária são complexas e misturam conhecimentos empíricos sobre a natureza da doença com elementos culturais, espirituais e tradições de cura. ASPECTOS SOCIOCULTURAIS E DESAFIOS NO TERRITÓRIO CRENÇAS LOCAIS SOBRE A DOENÇA A seguir, conheceremos as crenças existentes no território dos ribeirinhos. VEM COMIGO! 69
1.Crenças sobre a origem e a transmissão Mosquito e água: embora a população tenha o conhecimento acerca do mosquito transmissor (conhecido como carapanã, mosquito-prego ou muriçoca) da doença, existe uma crença na comunidade de que o desenvolvimento das larvas do mosquito advém da água parada ou suja, acredita-se que o local é propício para o desenvolvimeto da larva. Forças espirituais: É comum que a malária seja interpretada como uma doença com origem espiritual, causada por feitiçaria, por espíritos da floresta ou por desequilíbrios espirituais. Nesses casos, a cura buscada não se limita ao tratamento médico, mas envolve também rituais e a intervenção de curandeiros. 70
3.Crenças quanto às práticas de tratamento Tradição versus medicina: As comunidades ribeirinhas costumam combinar a medicina tradicional com a moderna. A busca por tratamento pode começar com curandeiros ou com o uso de ervas e outros remédios caseiros, como cascas de árvore e folhas. 2.Crenças quanto à percepção da gravidade Graus de gravidade: A população pode distinguir diferentes "tipos" de febre malárica, com gravidades variadas. As formas mais leves podem ser vistas como doenças menos sérias, o que pode atrasar a busca por tratamento médico adequado. 71
Automedicação: É uma prática comum, seja por falta de acesso a serviços de saúde ou por desconfiança, recorrendo a medicamentos comprados em farmácias locais sem prescrição médica. Medicamentos e efeitos colaterais: A adesão ao tratamento medicamentoso pode ser influenciada por crenças sobre a ação dos remédios e seus efeitos colaterais. Se a medicação não trouxer alívio imediato, a pessoa pode parar de tomá-la. 72
Agora que já conhecemos as crenças existentes no território ribeirinho, é importante sabermos as barreiras que dificultam o acesso a essas áreas. No próximo tópico, abordaremos os principais impasses no que diz respeito à assistência a essa população. 73
CONCLUSÃO E PLANO DE AÇÃO PROPOSTAS DE AÇÃO PARA OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS) 2.Educação continuada em saúde Orientações sobre Medidas de Proteção: Educar a população sobre o uso de medidas de proteção individual e coletiva. Mobilização Social: Incentivar e mobilizar a comunidade para o manejo ambiental (limpeza de terrenos, eliminação de possíveis criadouros, etc.) e para a busca ativa por diagnóstico em caso de sintomas. 80
CONCLUSÃO E PLANO DE AÇÃO PROPOSTAS DE AÇÃO PARA OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS) Sinais e Sintomas: Ensinar a reconhecer os sintomas da malária (febre alta, calafrios, sudorese e dor de cabeça) e a importância de procurar a unidade de saúde imediatamente. Informação sobre o Ciclo de Transmissão: Explicar de forma acessível como ocorre a transmissão da doença, destacando que a interrupção do ciclo depende do diagnóstico e tratamento precoces. 81
CONCLUSÃO E PLANO DE AÇÃO PROPOSTAS DE AÇÃO PARA OS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE (ACS) 3.Avaliação do Impacto das Ações de Prevenção Análise de Indicadores: Participar, junto à equipe de saúde, da análise de indicadores locais, como a redução do número de casos notificados e a diminuição da infestação vetorial em áreas trabalhadas. Feedback Comunitário: Coletar feedback dos moradores sobre a eficácia das medidas preventivas adotadas e as dificuldades encontradas na implementação (ex: dificuldade de acesso a repelentes ou mosquiteiros). 82
CONSIDERAÇÕES FINAIS As considerações apresentadas ao longo deste livro reforçam que a malária permanece um desafio significativo para os profissionais de saúde, especialmente em áreas endêmicas. Dessa forma, a compreensão dos aspectos clínicos, epidemiológicos e operacionais é essencial para garantir diagnóstico oportuno, tratamento eficaz e ações de prevenção sustentáveis, assim como o fortalecimento da vigilância, a capacitação contínua das equipes e a integração das práticas de cuidado ampliam a capacidade de resposta dos serviços. Esperamos que este material fortaleça a prática clínica, amplie a capacidade de resposta dos serviços e contribua para a redução da morbimortalidade, reafirmando o compromisso coletivo com a proteção da vida e o enfrentamento da malária em todos os territórios. 83
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANVISA. Bulário Eletrônico de Medicamentos Antimaláricos. Acesso em 2025. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/ptbr/sistemas/bulario-eletronico. Acesso em: 27 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de tratamento da malária no Brasil. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_tratamento_m alaria_brasil_2ed.pdf. Acesso em: 26 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Tratamento da Malária no Brasil. Brasília: MS, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-deconteudo/publicacoes/svsa/malaria/tratamento/guia_tratament o_malaria_2nov21_isbn_site.pdf/view. Acesso em: 22 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde: volume único. 5. ed. Brasília: MS, 2023. Disponível em : https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-deconteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-de-vigilancia-emsaude-5a-edicao-revisada-e-atualizada-2022/view. Acesso em: 22 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Malária: tratamento e esquemas. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saude-de-a-a-z/m/malaria/tratamento/esquemas. Acesso em: 26 out. 2025. Acesso em: 30 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Diagnóstico Laboratorial da Malária. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/malaria_diag_man ual_final.pdf. Acesso em: 27 out. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos de Vigilância e Tratamento da Malária. Brasília: MS, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-deconteudo/publicacoes/svsa/malaria/tratamento. Acesso em: 25 out. 2025. 84
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. Guia de tratamento da malária no Brasil. 2. ed. atual. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 84 p. ISBN 978-65-5993-096-8. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-deconteudo/publicacoes/svsa/malaria/tratamento/guia_tratame nto_malaria_2nov21_isbn_site.pdf. Acesso em: 26 out. 2025. CARNEIRO, Sofia Raposo de Melo. Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda como complicação da malária grave. 2021. Tese de Doutorado. Disponível em: https://repositorio.ulisboa.pt/handle/10451/54308. Acesso em: 30 out. 2025. DE LIMA TEIXEIRA, Ana Carolina et al. Malária-uma revisão abrangente sobre o ciclo de vida do parasito e transmissão, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 1, p. 3718-3727, 2024. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/vi ew/66812. Acesso em: 16 out 2025. FIGUEIREDO JÚNIOR, Adilson Mendes de et al. O acesso aos serviços de saúde da população ribeirinha: um olhar sobre as dificuldades enfrentadas. Revista Eletrônica Acervo Científico, [S.L.], v. 13, n. 4680, p. 1-8, 8 out. 2020. Revista Eletronica Acervo Saude. http://dx.doi.org/10.25248/reac.e4680.2020. Disponível em: file:///C:/Users/LABINF%20UEPA/Downloads/4680-Artigo51101-1-10-20201008.pdf. Acesso em: 3 nov. 2025. HEUFEMANN, Nicolás Esteban Castro; FERLA, Alcindo Antonio; SCHWEICKARDT, Júlio Cesar; FONSECA, Fernanda Rodrigues. Acesso aos serviços de saúde: território, fluxos e fronteiras das populações ribeirinhas de Boa Vista do Ramos, Amazonas. Saúde Soc.,São Paulo, v. 33, n. 3, p. 1-13, 28 maio 2024. Disponível em:https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2024.v33n3/e230392pt /pt. Acesso em: 3 nov. 2025. 85
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Oliveira, R. C. et al. Interações entre plantas medicinais e fármacos: implicações no tratamento da malária na Amazônia. Rev. PanAmazônica de Saúde, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbpm/a/dSnKNDYc5Wsf4QSFyyLf6Fd/. Acesso em: 30 out. 2025. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Malária: prevenção, diagnóstico e tratamento. Brasília: OPAS/OMS, 2021. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/malaria. Acesso em: 26 out. 2025. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines for the Treatment of Malaria. 4th ed. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/guidelines-for-malaria. Acesso em: 28 out. 2025. 86
Material elaborado por acadêmicos do curso de enfermagem, Campus IX Altamira. CONHECIMENTO, CUIDADO E AÇÃO NAS COMUNIDADES RIBEIRINHAS MALÁRIA NAS ÁGUAS DA AMAZÔNIA: 87 ISBN 978-65-01-81891-7