INTERNATIONAL JOURNAL ON WORKING CONDITIONS ISSN 2182-9535 Publicação editada pela RICOT (Rede de Investigação sobre Condições de Trabalho) Instituto de Sociologia da Universidade do Porto Publication edited by RICOT (Working Conditions Research Network) Institute of Sociology, University of Porto http://ricot.com.pt Publicação editada pela RICOT (Rede de Investigação sobre Condições de Trabalho) Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, Portugal Publication edited by RICOT (Research Network on Working Conditions) Institute of Sociology, University of Porto, Portugal http://ricot.com.pt Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós 1 ICAD Unidade de Estatística e Investigação, Porto, Portugal,
[email protected], ORCID: 0000-0002-0771-5303; 2 ICAD Centro de Respostas Integradas Porto Oriental, Porto, Portugal, ORCID: 0000-0002-5498-2375; 3 ICAD Gabinete de Tecnologias e Sistemas de Informação, Porto, Portugal, ORCID: 0009-0005-5413-4623; 4 Centro de Psicologia da Universidade do Porto, FPCEUP, Porto, Portugal, ORCID: 0000-0002-8045-5317 Absenteeism, Engagement, Burnout, Anxiety and Depression in Health Professionals working in the Area of Addictive Behaviours and Dependencies in the northern region Abstract: In recent years, and especially after the pandemic, mental health at work in professionals whose activity involves human interaction has been worsening. Health professionals who work in support of addictive behaviors and dependencies face increased challenges due to the characteristics of the patients with whom they interact, being less investigated regarding their psychological illness and motivation to work. This study aims to identify the levels of burnout, engagement (as motivation to work) and anxiety/depression, as well as their relationship with psychological and psychiatric absenteeism. Through an online questionnaire, 233 health professionals participated, all working in the Area of Addictive Behaviors and Dependencies in the northern region. The results indicated 31% of the sample with moderate/high levels of burnout, 49% with low engagement and nearly 14% with clear symptoms of anxiety and depression. Moreover, 18% have been on sick leave in the last two years for psychological reasons. It was clearly identified a risk group with absenteeism in the last two years, characterized by higher levels of burnout, anxiety and depression, and less involvement with work (namely less vigor and dedication). Regular monitoring of psychological variables and the promotion of mental health at work are suggested. Keywords: Psychological/Psychiatric Absenteeism, Health Professionals, Burnout, Anxiety/depression, Addictive Behaviors and Dependencies. Resumo: Nos últimos anos, e sobretudo após a pandemia, a saúde mental no trabalho em profissionais cuja atividade implica interação humana tem vindo a piorar. Os profissionais de saúde que trabalham no apoio aos comportamentos aditivos e dependências enfrentam desafios acrescidos pelas características dos utentes com os quais interagem, sendo pouco investigados no que se refere ao seu adoecer psicológico e motivação para o trabalho. Este estudo pretende conhecer os níveis de burnout, de engagement (enquanto envolvimento com o trabalho) e de ansiedade/depressão, bem como a sua relação com o absentismo psicológico/psiquiátrico. Através de um questionário online participaram 233 profissionais de saúde a trabalhar na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da região Norte. Os resultados indicaram 31% da amostra com níveis moderados/elevados de burnout, 49% com baixo engagement e cerca de 14% com sintomas nítidos de ansiedade e depressão, tendo 18% tido atestado nos últimos dois anos por razões psicológicas. Identificou-se claramente um grupo de risco com absentismo nos últimos dois anos, caracterizado por maior nível de burnout, ansiedade e depressão, e menor envolvimento com o trabalho (nomeadamente menos vigor e dedicação). Sugere-se monitorização regular das variáveis psicológicas e a promoção da saúde mental no trabalho. Palavras-chave: Absentismo Psicológico/Psiquiátrico, Profissionais de Saúde, Burnout, Ansiedade/depressão, Comportamentos Aditivos e Dependências.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 22 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós 1. Introdução O absentismo no trabalho por razões psicológicas e psiquiátricas tem suscitado interesse crescente pelos custos que tem nas organizações e por poder expressar adoecer psicológico dos trabalhadores, surgindo associado aos atuais riscos psicossociais no trabalho (EU-OSHA, 2023). Portugal apresenta uma tendência crescente de 2023 para 2024 (EC, 2025), sabendo-se que após a pandemia COVID-19, a saúde mental no trabalho piorou nos profissionais de saúde, existindo aumento dos níveis de burnout, ansiedade e depressão (EU-OSHA, 2024; INSA, 2020). Ora, a diminuição da saúde mental no trabalho acarreta riscos acrescidos para o bom desempenho laboral e para a saúde individual, contribuindo para o aumento do absentismo e sua interligação com outras dimensões como o burnout, stress ocupacional e reduzido envolvimento no trabalho (Gonzales et al., 2025; Lee et al., 2023; Neuber et al., 2021; Thomas et al., 2020). Assim, importa conhecer estas interligações nos profissionais de saúde que trabalham no apoio aos comportamentos aditivos e dependência, pois são um grupo pouco investigado no que se refere ao seu adoecer psicológico e motivação para o trabalho. De acordo com o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e das Dependências 2030 (Ministério da Saúde, 2023), os comportamentos aditivos e dependências são um fenómeno complexo do ponto de vista social e sanitário que contempla milhões de pessoas em todo o mundo, com consequências que, quando nefastas, não se refletem apenas nos sujeitos que o protagonizam, mas também nas suas famílias e comunidades, gerando enormes custos e danos para a saúde pública, ambiente, produtividade no trabalho, entre outros. Representam também, em termos de segurança, ameaças que estão associadas à violência, criminalidade e corrupção. Na Região Norte de Portugal, até 2024, as respostas assistenciais estavam estruturadas em sete Centros de Respostas Integradas (CRI), uma Unidade de Alcoologia (UA), uma Unidade de Desabituação (UD), uma comunidade terapêutica (CT) e um Programa Integrado de Apoio à Comunidade (PIAC), concretizando-se em cerca de 4.000 acolhimentos a novos utentes, 17.600 utentes ativos e um volume de consultas de 214.000 no ano de 2023, numa média de 12 consultas por utente/ ano. Como o trabalho com utentes que apresentam comportamentos aditivos e dependências exige uma resiliência significativa, pode fazer aumentar o risco de burnout e outros problemas de saúde mental devido ao stress crónico e à necessidade de gestão emocional constante. Estes profissionais enfrentam desafios acrescidos pelas características dos utentes com os quais interagem, sendo importante reconhecer o seu esforço diário e refletir sobre as suas condições de trabalho. Este estudo pretende conhecer os níveis de burnout, de ansiedade e depressão, e de engagement (enquanto envolvimento com o trabalho), bem como a sua relação com o absentismo psicológico e psiquiátrico, em profissionais de saúde a trabalhar na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da região norte (anteriormente designada como Divisão para os Comportamentos Aditivos e Dependências - DICAD da ARS Norte). Para melhor contextualização teórica aborda-se, seguidamente, o fenómeno do absentismo e alguns estudos sobre este tipo de profissionais, para depois descrever o estudo empírico. 2. Enquadramento teórico O absentismo define-se como a ausência do trabalhador no seu posto de trabalho (Mussa & Abreu, 2024), configurando uma situação ocasional ou ocorrer associado à
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 23 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós intenção de saída e, eventualmente, mudança de trabalho (Khan et al., 2016). É ainda importante considerar se o absentismo é planeado/imprevisto, e de carácter voluntário/involuntário (Belita et al., 2013), podendo ainda ser influenciado pelo lugar e conteúdo do trabalho, bem como pela organização e dimensões culturais. No que se refere ao absentismo não planeado, Saruan e colegas (2020) analisaram o papel dos stressores laborais e não laborais baseando-se nos atestados médicos e nos atestados dos serviços de urgência, e concluindo que é difícil distingui-los, mesmo com elevados níveis de prevalência, pois metade dos profissionais já tiveram no último ano um dos dois tipos de atestados monitorizados. Num outro estudo, Duarte e colegas (2017) estudaram os fatores de risco entre profissionais de saúde num contexto hospitalar brasileiro para o que denominaram absentismo-doença, utilizando informações baseadas em autodeclaração juntamente com variáveis sociodemográficas e laborais. Encontraram no último ano do seu estudo 28,5% de absentismo, associado a doença ocupacional, altas exigências físicas e psicológicas no lugar de trabalho e tempo de trabalho. É então importante considerar os fatores que podem influenciar o absentismo, e, Chenevert e colegas (2013) recomendaram o envolvimento dos trabalhadores nos processos de tomada de decisão, para melhorar os níveis de perceção e sentimento de justiça e desta forma reduzir o absentismo. Brady e colegas (2023a), em profissionais de saúde de contextos hospitalares encontraram relação entre atestados e dimensões organizacionais como carga de trabalho, stress, condições de trabalho, controle laboral com baixos níveis de envolvimento nos processos de tomada de decisão e baixos níveis de apoio social. Num outro estudo (Brady et al., 2023b) encontraram associações entre os atestados e a idade, género, estado civil, personalidade e satisfação laboral, surgindo o maior absentismo associado à idade e estado de saúde. Em profissionais de saúde, Dyrbye e colegas (2019) verificaram que maiores níveis de fadiga implicavam maior probabilidade de ausência ao trabalho de um ou mais dias, tendo encontrado em enfermeiros um nível mais elevado de burnout. Também Johnson e colegas (2018) verificaram que baixos níveis de bem-estar e altos níveis de burnout estavam relacionados com uma degradação da qualidade do cuidado e segurança do doente, e simultaneamente implicavam maior absentismo e maior percentagem de mudança entre os profissionais. Soane e colegas (2013) demonstraram que maior engagement se associava a menor absentismo, enquanto Llanos (2015), em contexto hospitalar encontrou uma relação do absentismo com a insatisfação laboral e variando em função da cultura organizacional, ou seja, existência de alguns fatores mais externos aos trabalhadores. Mais tarde, num estudo de caracter qualitativo, Mmako e Ngwato (2023) relacionaram o absentismo em contexto hospitalar com a excessiva carga de trabalho, dificuldades financeiras, problemas e responsabilidades familiares, situações relacionadas com a moral das equipas, e consumo de álcool e abuso de substâncias. Salientaram a importância de melhorar as condições de trabalho e de implementar programas de bemestar dirigidos aos profissionais. Já em 2025, Brulin e colegas identificaram num estudo longitudinal de um ano em médicos suecos, 9% de absentismo, 4,7% de burnout elevado e 3,7% de sintomas depressivos. No que se refere ao absentismo em Portugal, não existe aprofundada investigação na função pública e em profissionais de saúde. Contudo, na Enfermagem, Lima e colegas (2019) realçaram uma mudança nos padrões do absentismo, pois verificaram que as exigências do trabalho e a sua conjugação com a crise económica, fizeram com que
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 24 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós muitos destes profissionais fossem trabalhar mesmo estando doentes. Encontraram 87% dos seus participantes que relataram já ter ido trabalhar doentes, configurando o fenómeno do presentismo. Este é definido como o comportamento de ir trabalhando doente física ou mentalmente, sendo frequente no setor da saúde em profissionais que enfrentam elevado stress no trabalho (Zeng et al., 2025). Tem consequências em termos de produtividade e qualidade das ações e funções desempenhadas devido ao esforço para cumprir as tarefas, apresentando os enfermeiros portugueses maior presentismo do que os enfermeiros brasileiros e espanhóis (Mosteiro‐Díaz et al., 2020). Note-se que nem sempre os estudos apresentam o mesmo intervalo para o critério de presentismo (ex.: um mês ou um ano) ou até nem o clarificam, o que dificulta efetuar comparações. Além disso, em épocas de maior crise financeira os trabalhadores apresentam menos absentismo devido a penalizações, optando pelo presentismo. Nunes (2021) procurou caracterizar o absentismo em profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), identificando na região norte 13% de absentismo em 2019 e 15% em 2020, já durante a pandemia. Como causas destacaram motivos relacionados com a doença em geral, com a parentalidade e com acidente de trabalho ou doença de carácter profissional. Também Ribeiro e colegas (2021), citando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), encontraram na administração pública portuguesa 4,5% de absentismo em 2015, 4,8% em 2016 e 6,8% em 2017, valores considerados elevados. Não encontraram relação entre satisfação laboral e absentismo, mas identificaram como principais motivos de absentismo a necessidade de apoiar a família, existência de doença ou de doença prolongada, desmotivação e insatisfação laboral. Note-se que o Plano Nacional da Saúde 2021-2030 (DGS, 2022) refere que no SNS o absentismo tem vindo a aumentar de forma progressiva desde 2013, sendo de 11,4% em 2018, e motivado sobretudo por doença e parentalidade. Contudo os dados parecem ter alguma desatualização e não se consegue distinguir a percentagem de ausências devidas a motivos de ordem psicológica ou psiquiátrica, o que dificulta compreender o fenómeno. Afonso (2023) considera o absentismo e turnover como ferramentas importantes para se compreender e avaliar o comportamento dos trabalhadores, e a intenção de mudar é um percursor fiável da mudança factual ou turnover (Degen & Angerer, 2015). Recentemente, Lee e colaboradores (2023) encontram uma prevalência de absentismo não planeado de 20% entre trabalhadores de saúde durante a pandemia da COVID-19, bem como a sua relação com a exaustão e o burnout. O burnout foi em 2019 considerado fenómeno ocupacional (WHO, 2019), sendo definido como a resposta desadequada ao stress crónico no trabalho (Maslach et al., 2001; Queirós & Cameira, 2024). Associado ao burnout é frequentemente referido o conceito de engagement como estado psicológico individual de motivação, envolvimento e prazer no trabalho (Schaufeli, 2017), constituindo um fator protetor do burnout (Hafstd et al., 2025; Perepelkin & Wilson, 2023). Nos últimos anos surgiu a discussão sobre a relação entre burnout e depressão, com Schaufeli e colegas (2020) a considerarem conceitos independentes, enquanto Bianchi e Schonfeld (2020) consideram conceitos sobrepostos. Contudo, a discussão mais recente tem reforçado a relação, mas não sobreposição (Beer & Schaufeli 2025), podendo burnout e depressão ocorrer em comorbilidade (Tavella & Parker, 2024). Acresce que a preocupação com a saúde mental no trabalho foi já tema do Dia Mundial da Saúde Mental em 10 de outubro de 2000/2001, de 2017 e, recentemente, de 2024 (WHO, 2024), incluindo variáveis psicológicas como stress ocupacional, burnout, ansiedade e depressão, entre outras.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 25 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós Recentemente, numa detalhada revisão da literatura, Khalid e Syed (2024) identificaram para a saúde mental no trabalho fatores de risco antecedentes: ao nível macro/societal como por exemplo, crise socioeconómica e cultura de masculinização organizacional; ao nível meso/organizacional interações negativas no trabalho, natureza e exigências das tarefas, conflito trabalho-família e conflitos laborais; e ao nível micro/individual ser do género feminino e traços de personalidade como neuroticismo e adição ao trabalho. Contudo, como fatores protetores encontraram: ao nível macro, o suporte social da organização ou outras entidades; ao nível meso a justiça organizacional, suporte de colegas, estilo de liderança e boa articulação trabalhador/tarefa; e ao nível micro a religiosidade, capital social/psicológico, prática de atividade física e comportamentos inovadores no trabalho. Os resultados de boa saúde mental no trabalho surgiram associados: no nível meso a menor absentismo e intenção de mudar de trabalho, e maior engagement; e no nível micro a partilha de conhecimento, criatividade, menor conflito trabalho-família e maior resiliência. Numa outra revisão, Lancman e colegas (2024) alertaram para a importância de se considerar aquando do regresso ao trabalho após absentismo, a melhor compatibilização trabalhador/tarefa e a reorientação vocacional no trabalho. Por sua vez, Gonzales e colegas (2025), numa revisão sobre burnout e intenção de mudar, realçaram a importância de se reduzir o stress no trabalho, sobrecarga laboral, ansiedade, exaustão emocional e insatisfação laboral, bem como melhorar o suporte organizacional o bem-estar no trabalho e a promoção da resiliência. Ainda relacionado com a saúde mental no trabalho em profissionais de saúde, sobretudo depois da pandemia, foram efetuados inúmeros estudos sobre ansiedade e depressão. Por exemplo, Duarte e colegas (2020) encontraram níveis elevados de stress e depressão em profissionais de saúde. Heitor (2021) encontrou em profissionais de saúde mulheres 31% com burnout, 27% com ansiedade e 29% com sintomas depressivos, enquanto nos homens encontraram respetivamente 30%, 24% e 25%. LimaNunes (2021) encontrou 60% dos profissionais de saúde com sintomas de ansiedade e 44% com sintomas de depressão. Pelo exposto verifica-se que o absentismo é um fenómeno complexo que se associa ao burnout, ansiedade, depressão e desinvestimento/desmotivação no trabalho, os quais têm consequências graves quando se trata de profissionais de saúde que prestam serviços (Maslach, 1976). Curiosamente, foi Freudenberger (1974) quem definiu os sintomas de burnout na sua equipa de profissionais de saúde que atendiam toxicodependentes. Contudo, este tipo de profissionais é pouco investigado, destacandose, contudo, o estudo de Vilardaga e colegas (2011) que identificaram níveis elevados de burnout em profissionais de saúde norte-americanos na área dos comportamentos aditivos. Também Gutierrez e colegas (2019) realçaram o papel protetor da inteligência emocional no burnout destes profissionais, e Christ (2021) encontrou níveis mais elevados de stress ocupacional e de burnout em profissionais de saúde que exerciam a sua atividade profissional nos serviços na área das adições. Em Portugal, um estudo realizado numa unidade de tratamento a comportamentos aditivos na zona norte detetou diversas dimensões do burnout com níveis elevados (Lopes et al., 2023), o mesmo acontecendo em profissionais na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da região norte (Coutinho et al., 2024). Faz, então, sentido conhecer a saúde mental no trabalho destes profissionais expressa em absentismo, burnout, ansiedade/depressão e engagement/motivação no trabalho.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 26 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós 3. Método 3.1. Instrumentos Foi construído um questionário sociodemográfico, o qual, para além de variáveis individuais e laborais, incluiu uma questão sobre o absentismo motivado por causas psicológicas e psiquiátricas nos últimos dois anos de trabalho. Em seguida foram utilizados instrumentos para identificação do burnout (BAT), ansiedade e depressão (HADS) e envolvimento com o trabalho (UWES) nas suas versões portuguesas. O BAT - Burnout Assessment Tool (Schaufeli et al., 2020; versão portuguesa de Sinval et al., 2022) é constituído por 12 itens organizados nas dimensões exaustão, distanciamento mental, dificuldades cognitivas e dificuldades emocionais, sendo possível calcular um score global de burnout. Todos os itens são avaliados numa escala de 1 (nunca) a 5 (sempre), sendo possível através de pontos de corte estabelecidos pelos autores (Schaufeli et al., 2023) identificar níveis respetivamente de baixo, moderado e elevado para cada dimensão do burnout e para o total dos sintomas secundários. Estes constituem mais 10 itens, sendo 5 sobre queixas psicológicas e 5 sobre queixas psicossomáticas. A HADS - Hospital Anxiety Depression Scale (Zigmond & Snaith, 1983; versão portuguesa de Pais-Ribeiro et al., 2007) é composta por 14 itens (7 para ansiedade e 7 para depressão), sendo possível utilizar os pontos de corte que permitem a categorização em: sem sinais de perturbação, situação duvidosa, e, com sinais de perturbação. Todos os itens são avaliados numa escala de 0 a 3, descritos qualitativamente de forma diferente conforme cada afirmação (ex.: para o valor 0=nunca, quase nada ou de modo algum; para o valor 3=sempre, a maior parte do tempo ou muito forte) e considerados no somatório de cada dimensão de 0 a 21 pontos. A UWES - Utrecht Work Enthusiasm Scale (Schaufeli & Bakker, 2004; versão portuguesa de Sinval et al., 2018) foi utlizada na sua versão de 9 itens, organizados nas três dimensões: vigor, dedicação e absorção, sendo possível o cálculo de um score global de engagement. Todos os itens são avaliados numa escala de 0 (nunca) a 6 (todos os dias), existindo pontos de corte para os níveis de baixo, moderado e elevado. Todos os instrumentos apresentaram adequadas propriedades psicométricas (Tabela 1) através do Alfa de Cronbach, que varia entre 0,76 e 0,95, aproximando-se do valor de 0,80 recomendado por Field (2009). Na análise comparativa foram utilizados testes não paramétricos (Mann-Whitney U), visto se ter verificado que as variáveis em análise não seguiam uma distribuição normal para um nível de significância de 0,05. Tabela 1. Alfa de Cronbach para os questionários BAT, UWES e HADS Questionário e dimensões Nº. itens Alfa de Cronb. Média Mediana Desvio Padrão Assimetria Curtose Sig Kolmogorov Smirnov BAT-12 Burnout 12 0,91 2,31 2,25 0,61 0,84 1,63 ,000*** Exaustão 3 0,88 2,86 3,00 0,84 0,07 -0,06 ,000*** Distanc. Mental 3 0,76 2,21 2,00 0,77 0,87 1,22 ,000*** Dif. Cognitivas 3 0,85 2,24 2,00 0,69 0,58 0,72 ,000*** Dif. Emocionais 3 0,86 1,94 2,00 0,72 1,17 2,16 ,000*** BAT-Sint. Sec. 10 0,90 2,46 2,40 0,74 0,42 -0,08 ,002** Queixas psicológicas 5 0,85 2,66 2,60 0,79 0,25 -0,22 ,004** Queixas psicossom. 5 0,82 2,26 2,20 0,81 0,44 -0,27 ,000***
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 27 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós Questionário e dimensões Nº. itens Alfa de Cronb. Média Mediana Desvio Padrão Assimetria Curtose Sig Kolmogorov Smirnov UWES-9 Engagement 9 0,95 3,06 2,89 1,24 0,20 -0,82 ,000*** Vigor 3 0,93 2,75 2,67 1,27 0,36 -0,55 ,000*** Dedicação 3 0,89 3,23 3,00 1,33 0,23 -0,73 ,000*** Absorção 3 0,84 3,19 3,00 1,42 0,21 -0,76 ,000*** HADS-Ansiedade 7 0,86 6,54 6,00 3,84 0,69 0,74 ,000*** HADS-Depressão 7 0,86 5,72 5,00 4,13 0,64 -0,18 ,000*** **p<0,010 ***p<0,001 3.2. Procedimento No âmbito do estudo “Burnout e Envolvimento nos Profissionais de saúde dos comportamentos aditivos e dependências da Região Norte de Portugal (Coutinho et al., 2024), foi enviado o questionário online para os emails de trabalho dos profissionais dos profissionais de saúde que trabalham em respostas estatais na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da região norte, apresentando no início do questionário o consentimento informado (projeto 20230054 aprovado pela Comissão de Ética da ARS Norte IP, ata nº 2023-32, de 21/7/2023). Se algum profissional não quisesse participar, clicava na opção “Recuso”, sendo o questionário submetido sem dados. A recolha de dados decorreu entre 25/09 e 20/10 de 2023. A análise de dados foi efetuada com o software IBM SPSS Statistics 28.0, recorrendo a análise descritiva (para caracterizar em termos de médias e de percentagem por níveis o estado psicológico global da amostra) e análise comparativa em função da existência de absentismo laboral. Nesta foi aplicado o teste não paramétrico, mas para permitir melhor reflexão sobre o estado psicológico dos participantes, são apresentadas as médias (c.f. Tabela 5), pois os valores da assimetria e da curtose estão respetivamente abaixo de 3 e abaixo de 7, sugerindo que os resultados não são afetados por ausência de normalidade, típica das variáveis psicológicas (Field, 2009; Kline, 2005). Além disso, pelo Teorema do Limite Central, à medida que uma amostra apresenta valores elevados de participantes, aproxima-se de uma distribuição normal (Field, 2009). 3.3. Participantes A amostra foi constituída por 233 profissionais de saúde, representando uma taxa de resposta de 58,69% dos funcionários no ativo durante a etapa de recolha de dados (total de 397 funcionários), pois dos 423 funcionários dos serviços encontrou-se uma taxa de 6,14% de absentismo total. Um dos participantes não facultou o consentimento informado, reduzindo a amostra para 232 respostas. No que se refere à caracterização da amostra (Tabela 2), verifica-se um envelhecimento das equipas, pois os intervalos 46-50, 51-55 e 56-60 constituem mais de metade da amostra (60%). Relativamente às habilitações literárias (Tabela 3), destaca-se a licenciatura (56%), seguida pelo mestrado (22%), existindo poucos profissionais com o 9º ano (1%) e com o doutoramento (4%).
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 28 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós Tabela 2. Distribuição em função de características sociodemográficas Questão Categorias Frequência Percentagem 21-25 1 0,4 26-30 5 2,2 31-35 9 3,9 36-40 28 12,1 Grupo etário 41-45 29 12,5 46-50 48 20,7 51-55 58 25,0 56-60 34 14,7 61-65 16 6,9 66-70 4 1,7 Até 9º ano 3 1,3 Entre 10º e 12º ano 40 17,2 Habilitações Licenciatura 129 55,6 Mestrado 51 22,0 Doutoramento 9 3,9 No que se refere ao grupo profissional (Tabela 3), verificou-se que se trata de equipas multidisciplinares, constituídas por profissionais de saúde de diversos quadrantes. Assim, predominaram os profissionais de psicologia (25%) e enfermagem (24%), surgindo em menor expressividade os participantes integrados em três especialidades médicas (7%) e outros técnicos superiores (6%). Tabela 3. Distribuição em função de características laborais Questão Categoria Frequência Percentagem Assistente Operacional 11 4,7 Assistente Técnico 41 17,7 Enfermagem 56 24,1 Grupo profissional Medicina Geral e Familiar 5 2,2 Psicologia 58 25,0 Serviço Social 36 15,5 Psiquiatria/Pedopsiquiatria 12 5,2 Outros Técnicos Superiores 13 5,6 menos de 5 anos de exercício da profissão 16 6,9 6 a 10 anos 8 3,4 11 a 15 anos 16 6,9 Tempo de serviço 16 a 20 anos 32 13,8 na profissão 21 a 25 anos 58 25,0 26 a 30 anos 62 26,7 31 anos ou mais 40 17,2 menos de 5 anos na área dos CAD 38 16,4 6 a 10 anos 24 10,3 11 a 15 anos 17 7,3 Tempo de serviço 16 a 20 anos 25 10,8 nos CAD 21 a 25 anos 63 27,2 26 a 30 anos 46 19,8 31 anos ou mais 19 8,2
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 29 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós Relativamente ao tempo de exercício da profissão no seu todo verificou-se que os intervalos 21 a 25 anos (25%) e 26 a 30 anos (27%) constituem mais de metade das respostas. Sublinha-se, de igual forma, que a categoria 31 anos ou mais tem também um percentual elevado (17%). Esta distribuição reflete também o envelhecimento das equipas anteriormente notado. Em relação ao tempo de profissão na área dos CAD (área dos Comportamentos Aditivos e Dependências), as categorias 21 a 25 anos (27%) e 26 a 30 anos (20%) compreendem mais de metade das respostas. Também aqui a categoria 31 anos (8%) apresenta alguma expressividade. 4. Apresentação e discussão de resultados 4.1. Análise descritiva No que se refere ao absentismo por razões psicológicas e psiquiátricas nos últimos dois anos (Tabela 4 e Figura 1), verificou-se que quase 18% da amostra relatou ter estado de atestado para o período dos últimos 2 anos, por oposição a 81% que não o referiu, enquanto a intenção de turnover variou entre 29,8% e 40,5%. Estes valores confirmam a tendência crescente do absentismo, pois Nunes (2021) referiu em profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na região Norte 13% em 2019 e 15% em 2020, enquanto Ribeiro e colegas (2021) encontraram na administração pública portuguesa 4,5% de absentismo em 2015, 4,8% em 2016 e 6,8% em 2017. Por sua vez no Plano Nacional da Saúde 2021-2030 (DGS, 2022) é referido que no SNS o absentismo tem vindo a aumentar de forma progressiva desde 2013, sendo de 11,4% em 2018. No mundo empresarial a Associação para o Progresso da Direção de Empresas (APD, 2024) referiu para 2023 o valor de 4,1%, num aumento constante na última década, acelerado pela pandemia, e que coloca desafios acrescidos no mundo do trabalho. Numa notícia, Campos e Barros (2024) referiram a existência nesse ano de mais de 4,6 milhões de dias de ausência até novembro, e apesar de se notar uma descida da taxa de absentismo no SNS, este era ainda elevado. No que se refere ao turnover voluntário, segundo um relatório da MERCER (2023), este era de 10% em 2019, 5,6% em 2020 e 5% até 2023. Contudo, no pós-pandemia o panorama inverteu-se, com 52% das organizações a reconhecerem dificuldades na retenção de talento e 10,6% de turnover. Contudo é importante realçar que é difícil encontrar valores comparativos com este estudo empírico, pois neste foram apenas consideradas as razões psicológicas/psiquiátricas, e conforme já referido o absentismo é um fenómeno complexo, motivado por ausências planeadas ou imprevistas, por motivos relacionados com o próprio trabalhador ou seus familiares. Por outro lado, a intenção de mudar pode não se concretizar em real turnover, embora possa espelhar insatisfação laboral. Tabela 4. Frequência e percentagem do absentismo/atestado por razões psicológicas ou psiquiátricas e intenção de mudança / turnover Questão Sim n (%) Não n (%) Prefere não responder n (%) Atestado por motivo psicológico/psiquiátrico (últimos 2 anos) 41 (17,8%) 188 (81,1%) 3 (1,1%) Pensou em mudar de serviço dentro das respostas existentes na área dos CAD (último mês) 70 (30,2%) 150 (64,6%) 12 (5,2%) Pensou em sair da área dos CAD 94 (40,5%) 127 (54,8%) 11 (4,7%) Pensou em mudar de profissão? 69 (29,8%) 155 (66,8%) 8 (3,4%)
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 36 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós satisfação laboral destes trabalhadores, pois podem existir fatores de risco e estilos de lidar com os desafios profissionais que poderão agravar o adoecimento psicológico. Acresce que os mais recentes resultados do inquérito europeu de riscos psicossociais ESENER-24 (EU-OSHA, 2025) realçam o aumento de riscos no lidar com utentes difíceis e complexos, o teletrabalho e o sedentarismo, bem como a sobrecarga de tarefas e a pressão do tempo, sendo importante que a Saúde Ocupacional considere a especificidade de cada profissão e seus desafios. Apesar de os dados deste estudo terem sido recolhidos a nível regional e representarem cerca de 59% dos profissionais de saúde da área dos Comportamentos Aditivos e Dependências, 6% estavam ausentes, sendo importante investigar se esse absentismo era por origem psicológica/psiquiátrica ou outra, relembrando que o absentismo é constituído por uma série de dimensões e variabilidades que estão ainda por conhecer nestes trabalhadores. Importa ainda confirmar se os resultados não foram enviesados pelo fenómeno do trabalhador saudável (Chowdhury et al., 2017), no qual apenas os trabalhadores mais saudáveis têm capacidade para participar em estudos, pois os já doentes ou estão ausentes ou sem força/disponibilidade para participar, refletindo os resultados um melhor estudo psicológico do que o real estado. Outra limitação constitui a reflexão através da comparação com outros profissionais de saúde, pois a maioria dos estudos focam-se no impacto da pandemia na saúde mental dos profissionais da linha da frente quando há estudos (Trumello et al., 2020) que diferenciam ter estado na linha da frente ou na retaguarda. No futuro seria importante continuar a monitorizar o estado psicológico dos profissionais de saúde da área dos Comportamentos Aditivos e Dependências, nomeadamente com recurso ao BAT - Burnout Assessment Tool, pois tem-se revelado mais fiável e consistente do que o Maslach Burnout Inventory (Villacura-Herrera et al., 2025) e apresenta pontos de corte que permitem organizar os resultados por níveis de burnout comparáveis entre países e profissões. Poderiam também ser utilizadas aplicações móveis (Oliveira et al., 2025) para automonitorização e dar especial atenção ao recovery e regresso ao trabalho após um episódio de burnout (Walsh et al., 2025), sem culpar os trabalhadores que adoeceram (Beer & Schaufeli, 2024), bem como refletir sobre a relação burnout-engagement-depressão. Contudo, não se pode esquecer que a saúde mental no trabalho é um processo complexo e interligado no qual as organizações desempenham um papel importante na promoção de ambientes de trabalho saudáveis e os riscos psicossociais devem ser constantemente contemplados (EU-OSHA, 2024; Magnavita et al., 2022). Assim, recomenda-se a condução de mais estudos sobre este tema e a utilização de outros instrumentos que permitam identificar mais aspetos da complexidade que esta área implica. Além disso, é essencial que as políticas de saúde ocupacional e os programas de apoio psicológico sejam reforçados para atender às necessidades específicas desses profissionais. A criação de ambientes de trabalho que promovam o bem-estar e a resiliência pode ajudar a reduzir os níveis de burnout e absentismo, melhorando tanto a qualidade de vida dos profissionais quanto a eficácia dos serviços prestados na área dos Comportamentos Aditivos e Dependências.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17776859 International Journal on Working Conditions, No.29, 2025 (2nd Semester) 37 Absentismo, Engagement, Burnout, Ansiedade e Depressão em Profissionais de Saúde na Área dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte Rui Tinoco, Cátia Coutinho, Rita Valinho, Cristina Queirós 6. Bibliografia Afonso, L. (2023). A responsabilidade social interna como ferramenta de combate aos índices de absentismo e turnover (Dissertação de Mestrado em Gestão das Organizações, não publicada). Instituto Politécnico de Viana do Castelo. In http://repositorio.ipvc.pt/bitstream/20.500.11960/3256/1/Liliana_Afonso.pdf APD - Associação para o Progresso da Direção de Empresa (2024). Absentismo laboral: o que é, principais tipos e causas (17 abril 2024). In https://www.apd.pt/absentismo-laboral-o-que-eprincipais-tipos-e-causas/ Beer, L., & Schaufeli, W. (2024). Casting a Wider Net: On the Utilitarian Nature of Burnout Assessment in the Workplace. Evaluation & the Health Professions. https://doi.org/10.1177/01632787241259032 Beer, L., & Schaufeli, W. (2025). Burnout reflections: musings on Bianchi and Schonfeld’s five focal area. Occupational Medicine, 75, 79-82. https://doi.org/10.1093/occmed/kqae134 Belita, A., Mbindyo, P., & English, M. (2013). Absenteeism amongst health workers-developing a typology to support empiric work in low-income countries and characterizing reported associations. Human Resources for Health, 11, 1-10. https://doi.org/10.1186/1478-4491-11-34 Bianchi, R., & Schonfeld, I. S. (2020). The Occupational Depression Inventory: A new tool for clinicians and epidemiologists. Journal of Psychosomatic Research, 138, 110249.https://doi.org/10.1016/j.jpsychores.2020.110249 Borges, E., Abreu, M., Loureiro, H., Ferreira, M., & Nogueira, A. (2024). Engagement em profissionais de saúde. International Journal on Working Conditions, 26.https://doi.org/10.25762/jrg5-8030 Brady, H., McGrath, D., & Dunne, C. (2023a). Sick Leave Determinants in the Healthcare Sector (Part II): A Review of Organizational-Level Factors. Journal of Brown Hospital Medicine, 2(2). https://doi.org/10.56305/001c.73369 Brady, H., McGrath, D., & Dunne, C. (2023b). Sick Leave Determinants in the Healthcare Sector (Part III): A Review of Individual-Level Factors. Journal of Brown Hospital Medicine, 2(3). https://doi.org/10.56305/001c.77844 Brulin, E., Wilczek, A., Ekberg, K., Lidwall, U., Beer, L., Hadzibajramovic, E., Landstad, B. J., & Nyberg, A. (2025). Predictive value of burnout complaints and depressive symptoms for medically certified sickness absence among physicians in Sweden: a 1-year follow-up observational study. BMJ Open, 15(4). https://doi.org/10.1136/bmjopen-2024-090966 Campos, A., & Barros, R. (2024). Mais de 4,6 milhões de dias de ausência até novembro. Público, 17/12/2024. In https://www.publico.pt/2024/12/17/sociedade/noticia/46-milhoes-diasausencia-ate-novembro-absentismo-sns-desce-elevado-2115909 Chenevert, D., Jourdain, G., Cole, N., & Banville, B. (2013). The role of organizational justice, burnout and commitment in the understanding of absenteeism in the Canadian healthcare sector. Journal of Health Organization & Management, 27(3), 350367.https://doi.org/10.1108/JHOM-06-2012-0116 Chowdhury, R., Shah, D., & Payal, A. (2017). Healthy worker effect phenomenon: revisited with emphasis on statistical methods - a review. Indian Journal of Occupational and Environmental Medicine, 21, 2-8. Coutinho, C., Queirós, C., Rodrigues, L., Valinho, R., & Tinoco, R. (2024). Burnout e envolvimento nos Profissionais de Saúde dos Comportamentos Aditivos e Dependências da Região Norte de Portugal. ICAD. https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/51204 Christ, M. (2021). Effect of The People Project on Well-being and Burnout in Mental Health and Addiction Services Staff (Doctoral thesis in Nursing Practice, non-published), South Dakota State University, EUA. In https://openprairie.sdstate.edu/con_dnp/161/ Degen, C., Li, J., & Angerer, P. (2015). Physicians’ intention to leave direct patient care: an integrative review. Human Resources for Health, 13, 1-12. https://doi.org/10.1186/s12960-0150068-5
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