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EFFECTS OF THE PANDEMIC ON ANTIDEPRESSANT CONSUMPTION: A COMPARATIVE ANALYSIS OF PRE AND POST-COVID CONSUMPTION IN A MUNICIPALITY IN BAIXADA SANTISTA, STATE OF SÃO PAULO

Santos, Caroline; Souza e Silva, Caroline; Barcelos, Marcela; Santos, Valter

Abstract

The COVID-19 pandemic has brought challenges to mental health worldwide. The objective of this study was to analyze the consumption of antidepressants dispensed in public pharmacies in the municipality of Praia Grande, before and after the pandemic. Data on the consumption of antidepressants dispensed between January 2018 and December 2024 were collected. The project was approved by the Research Ethics Committee of Santa Cecília University under number 7,420,283. We observed an increase in the consumption of all medications, with the largest increases recorded: amitriptyline (219%), clomipramine (209%), fluoxetine (186%), and citalopram (183%). The study reinforces the hypothesis that the COVID-19 pandemic has intensified depression and anxiety in the population, resulting in a greater need for pharmacological treatment.

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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 178 (Ciências Biológicas e da Saúde) EFEITOS DA PANDEMIA NO CONSUMO DE ANTIDEPRESSIVOS: UMA ANÁLISE COMPARATIVA DE CONSUMO PRÉ E PÓS-COVID EM UM MUNICÍPIO DA BAIXADA SANTISTA DO ESTADO DE SÃO PAULO EFFECTS OF THE PANDEMIC ON ANTIDEPRESSANT CONSUMPTION: A COMPARATIVE ANALYSIS OF PRE AND POST-COVID CONSUMPTION IN A MUNICIPALITY IN BAIXADA SANTISTA, STATE OF SÃO PAULO Caroline Ozeomena Santos, Caroline Souza e Silva, Marcela do Amaral Barcelos, Valter Garcia Santos Universidade Santa Cecília, Faculdade de Ciências da Saúde, Curso de Farmácia E-mail contato: carolines[email protected] RESUMO – A pandemia COVID-19 trouxe desafios à saúde mental em todo o mundo. O objetivo deste estudo foi analisar o consumo de antidepressivos dispensados em farmácias públicas do município de Praia Grande, antes e após a pandemia. Foram levantados dados de consumo de antidepressivos dispensados entre janeiro 2018 e dezembro de 2024. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Santa Cecília sob o número 7.420.283. Observamos aumento no consumo de todos medicamentos, tendo como maiores acréscimos registrados: amitriptilina (219%), clomipramina (209%), fluoxetina (186%) e citalopram (183%). O estudo reforça a hipótese de que a pandemia de COVID-19 intensificou os quadros de depressão e ansiedade na população, resultando em uma maior necessidade de tratamento farmacológico. Palavras-chave: antidepressivos, pandemia de COVID-19, saúde mental ABSTRACT – The COVID-19 pandemic has brought challenges to mental health worldwide. The objective of this study was to analyze the consumption of antidepressants dispensed in public pharmacies in the municipality of Praia Grande, before and after the pandemic. Data on the consumption of antidepressants dispensed between January 2018 and December 2024 were collected. The project was approved by the Research Ethics Committee of Santa Cecília University under number 7,420,283. We observed an increase in the consumption of all medications, with the largest increases recorded: amitriptyline __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 179 (Ciências Biológicas e da Saúde) (219%), clomipramine (209%), fluoxetine (186%), and citalopram (183%). The study reinforces the hypothesis that the COVID-19 pandemic has intensified depression and anxiety in the population, resulting in a greater need for pharmacological treatment. Keywords: antidepressants, COVID-19 pandemic, mental health 1 INTRODUÇÃO Em 11 de março de 2020, a OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou que a disseminação do novo coronavírus SARS-CoV-2 (Síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2) constituía uma pandemia. Durante a primeira onda de disseminação viral, a maioria dos países implementou bloqueios para reduzir a transmissão da COVID-19 (Tiger et al, 2023; Uthayakumar et al 2022). Os bloqueios parecem afetar a saúde mental e aumentar os sintomas de depressão e ansiedade em particular. (Tiger et al 2023) A pandemia de SARS-CoV-2 (COVID-19) causou um aumento na carga sobre a saúde pública e os sistemas sociais em todo o mundo, e uma deterioração da saúde mental foi reivindicada em várias populações (Glinianowicz et al, 2023; Pazzagli et al, 2022). Numerosos estudos mostraram que o estresse crônico relacionado ao isolamento social e ao medo de contágio aumentou as taxas de desenvolvimento de ansiedade, síndrome de depressão, alimentação emocional e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) (Glinianowicz et al, 2023). Em particular, a prevalência de transtornos depressivos e de ansiedade autorrelatada mais que dobrou na Bélgica, França, Itália, México, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos no caso de ansiedade; e na Austrália, Bélgica, Canadá, França, República Tcheca, México, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos no caso de depressão (Marazzi et al, 2022; Levaillant et al, 2023). Um relatório recente da OMS fornece uma visão geral abrangente dos efeitos da pandemia da COVID-19 na saúde mental, com base nos dados da Carga Global de Doenças (GBD), incluindo revisões sistemáticas e meta-análises. De acordo com o GBD, a pandemia levou a um aumento de 27,6% nos casos de transtorno depressivo maior (TDM) e a um aumento de 25,6% nos casos de transtornos de ansiedade (TA) em todo o mundo em 2020. O relatório sugere que o aumento nos transtornos de saúde mental afetou desproporcionalmente os jovens, as mulheres e os pacientes com condições de saúde preexistentes (Marazzi et al, 2022). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 180 (Ciências Biológicas e da Saúde) O presente estudo tem como objetivo primário analisar as variações no consumo de medicamentos antidepressivos dispensados nas farmácias públicas do município de Praia Grande (CAPS II Boqueirão e CAPS II Mirim), antes e após o início da pandemia de COVID19, com o intuito de identificar os possíveis impactos da crise sanitária na saúde mental da população local. Como objetivo secundário iremos comparar com dados da literatura a variação de consumo dos medicamentos antidepressivos entre o município da Estância Balneária da Praia Grande com outras cidades ou regiões do país e do mundo. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Foram levantados dados de consumo de antidepressivos dispensados pelas Farmácias dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do município da Estância Balneária de Praia Grande (CAPS II Boqueirão e CAPS II Mirim). Os dados foram extraídos do sistema informatizado utilizado pela Farmácia (OLOSTEC) no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2024, dividindo-o em pré-pandemia (janeiro de 2018 a dezembro de 2019) e pós-pandemia (janeiro de 2020 a dezembro de 2024). Foram considerados os seguintes antidepressivos padronizados pelo município: amitriptilina, cloridrato 25 mg comprimido; citalopram 20 mg comprimido; clomipramina, cloridrato 25 mg comprimido; fluoxetina 20 mg cápsulas; imipramina 25 mg comprimido; nortriptilina 25 mg comprimido e sertralina 50 mg comprimido (PRAIA GRANDE, 2024). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Santa Cecília sob o número 7.420.283. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados levantados (gráfico 1) revelaram que houve um crescimento na quantidade de dispensação de todos os medicamentos antidepressivos padronizados no município. Ao comparar as taxas de dispensação antes e durante a pandemia, verificou-se que durante a pandemia ocorreu aumento de todos os medicamentos estudados. Destaque para citalopram 20 mg, clomipramina 25 mg, nortriptilina 25 mg e sertralina que aumentaram em mais de 100% a dispensação durante a pandemia de COVID-19. __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 181 (Ciências Biológicas e da Saúde) Gráfico 1 – Comparação entre a quantidade de medicamentos antidepressivos dispensados nos CAPS do município de Praia Grande, antes e durante a pandemia de COVID19. Fonte: Elaborado pelos autores Um estudo retrospectivo realizado na França, com abrangência nacional e período de análise entre 2015 e 2022, constatou que, embora o uso de antidepressivos estivesse em declínio antes da pandemia, a partir de março de 2020 houve uma inversão dessa tendência. Os pesquisadores identificaram um aumento inicial de aproximadamente 1,65% no consumo desses medicamentos, seguido por um crescimento contínuo mensal de 0,31% no período póslockdown. O aumento foi especialmente marcante entre mulheres com menos de 26 anos, evidenciando o impacto emocional desproporcional sofrido por esse grupo etário durante a pandemia (BERARD et al, 2024). Além disso, uma análise publicada na revista Epidemiology and Psychiatric Sciences apontou um aumento de até 50% no uso de antidepressivos entre adolescentes de 12 a 19 anos, e de cerca de 10% entre jovens adultos de 20 a 34 anos, no mesmo contexto pandêmico. O estudo associa esse aumento a fatores como isolamento social, interrupção de atividades escolares e profissionais, incertezas econômicas e a perda de entes queridos, todos elementos __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 182 (Ciências Biológicas e da Saúde) que contribuíram significativamente para o sofrimento psíquico das populações mais jovens (ZHOU et al, 2023). As evidências sugerem que a prevalência de depressão aumentou 3 vezes nos Estados Unidos desde a ocorrência da pandemia de COVID-19. Uma pesquisa recente conduzida no Reino Unido descobriu que o número de indivíduos vivendo com depressão quase dobrou durante a pandemia. Dado o aumento significativo na prevalência de depressão associada à COVID-19, o consumo de antidepressivos (ADs) também aumentou em todo o mundo (Rabeea et al, 2021). Durante a pandemia no Brasil, houve um crescimento expressivo nas prescrições de antidepressivos, evidenciando uma demanda cada vez maior por cuidados com a saúde mental entre os brasileiros (FIOCRUZ. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2024). A análise de dados entre 2019 e 2022 revelou um aumento relevante no consumo de medicamentos psiquiátricos, com aumento de 34% no uso de antidepressivos (BRUM, Gabriel, 2023). Os efeitos da pandemia na vida cotidiana, incluindo o isolamento social, a incerteza econômica e as preocupações com a saúde, provavelmente contribuíram para o aumento das taxas de prescrição no país (CFF. CONSELHO FEDERAL DE FARMACIA, 2023). Segundo o Conselho Federal de Farmácia, a venda de antidepressivos e estabilizantes de humor cresceu em 14% no Brasil em 2020, comparando com o ano de 2019, sendo que este crescimento tem relação com fatores como desemprego e isolamento social (Conselho Federal de Farmácia, 2020). Alves et al., 2021 cita que quando se compara o primeiro trimestre de 2020 (período concomitante aos primeiros eventos de Covid-19 no país) e 2021 (vigência da pandemia), teve-se aumento expressivo na venda de vários psicotrópicos no país, como a amitriptilina com 41,5%. A tabela 1 complementa essa análise ao detalhar a dispensação de medicamentos em farmácias e drogarias privadas na Baixada Santista durante a pandemia, especialmente no caso dos antidepressivos (dados retirados do SNGPC durante o período de 2019 a 2021). Ele destaca a distribuição de antidepressivos antes e durante a pandemia, evidenciando um crescimento expressivo no consumo desses fármacos ao longo do período pandêmico. Esse aumento pode estar relacionado às condições impostas pela pandemia, como isolamento social e incertezas __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 183 (Ciências Biológicas e da Saúde) econômicas, e o crescimento da necessidade de tratamento para questões relacionadas à saúde mental. Tabela 1 – Quantidade de medicamentos dispensados e relação percentual de dispensação de antidepressivos em municípios da Baixada Santista, antes (2019) e durante (2020 e 2021) a pandemia de COVID-19 (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA), 2025. Medicamentos 2019 2020 2021 Relação Pré / Pandemia AMITRIPTILINA 25mg 6.957.937 7.976.546 7.276.234 219% CITALOPRAM 20mg 1.325.481 1.205.916 1.218.895 183% CLOMIPRAMINA 25mg 1.224.098 1.334.696 1.224.379 209% FLUOXETINA 20mg 7.397.181 7.189.555 6.589.684 186% IMIPRAMINA 25mg 1.350.310 244.416 124.468 27% NORTRIPTILINA 25mg 1.617.493 1.350.310 1.672.838 187% SERTRALINA 50mg 11.092.443 3.469.555 12.336.522 142% Total Geral 30.964.943 22.770.994 30.443.020 172% Fonte: Elaborado pelos autores Estudos afirmam que muitos fatores colaboraram para o progressivo uso de medicamentos pela população brasileira no período de pandemia da Covid-19, como a vontade de aumentar a expectativa de vida, prevenir problemas relativos à saúde, o acesso fácil aos fármacos e o aumento de transtornos de humor determinados por ansiedade e depressão (Meira, Araújo, Rodrigues, 2021; Agência Brasil, 2024). É evidente que a pandemia da COVID-19 tem um efeito profundo nas sociedades, e que, portanto, pode levar a um aumento do estresse e, portanto, potencialmente ao risco de ansiedade e depressão na população. A utilização de medicamentos antidepressivos e __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 184 (Ciências Biológicas e da Saúde) ansiolíticos pode ser vista como um proxy para a prevalência de sintomas depressivos e ansiedade em uma população (Tiger et al, 2023). 4 CONCLUSÃO Os resultados deste estudo apontam aumento no consumo de medicamentos antidepressivos no município de Praia Grande durante a pandemia de COVID-19. Dados semelhantes foram encontrados na região da Baixada Santista, em outras localidades do país e fora dele também no mesmo período de avaliação. Este estudo reforça a hipótese de que a pandemia de COVID-19 intensificou os quadros de depressão e ansiedade na população, resultando em uma maior necessidade de tratamento farmacológico. Esperou-se como benefício adquirirmos conhecimento sobre o uso de medicamentos antidepressivos pré e pós pandemia como também identificar os possíveis impactos da crise sanitária na saúde mental da população local e global. Os resultados obtidos em Praia Grande, alinhados com as tendências nacionais e internacionais, sublinham a importância de fortalecer a prevenção, a vigilância e o acesso aos cuidados em saúde mental, especialmente para populações mais vulneráveis como adolescentes e jovens adultos, que foram desproporcionalmente afetados. 5 REFERÊNCIAS Agência Brasil. Pesquisa aponta aumento do uso de psicofármacos na pandemia em MG. Brasília: Agência Brasil; 2024. 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