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___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 81 (Ciências Biológicas e da Saúde) OS IMPACTOS PSICOSSOCIAIS DO EXCESSO DE EXPOSIÇÃO DA MÍDIA E ABUSO DE SUBSTÂNCIAS ILÍCITAS: UMA ANÁLISE DA TRAJETÓRIA DO ARTISTA ALEXANDRE MAGNO ABRÃO (CHORÃO) THE PSYCHOSOCIAL IMPACTS OF EXCESSIVE MEDIA EXPOSURE AND ILLICIT SUBSTANCE ABUSE: AN ANALYSIS OF THE CAREER OF ARTIST ALEXANDRE MAGNO ABRÃO (CHORÃO) Giovanna Zanetti Oliveira, Alexandre Galvão da Silva, Gisela Vasconcelos Monteiro, Débora Dias Ferraretto Moura Rocco Universidade Santa Cecília, Curso de Psicologia E-mail para contato: [email protected] RESUMO – Esta pesquisa se propõe a mergulhar no universo complexo e multifacetado que é a mídia, com o objetivo de investigar o impacto da mídia e do meio social na ocorrência de transtornos mentais entre figuras proeminentes da indústria musical e televisiva. Através de uma metodologia documental, analisando documentos como documentários e livros biográficos, sobre o caso de Chorão e sua relação com o abuso de substâncias, buscamos desvendar as nuances dessa problemática, lançando luz sobre os desafios enfrentados, por ele. Os resultados evidenciaram que figuras públicas apresentam maior vulnerabilidade a transtornos mentais devido à exposição intensa à mídia, à invasão de privacidade, às críticas constantes e ao estigma social. Esses fatores favorecem sentimentos de baixa autoestima e o uso de substâncias como forma de enfrentamento, o que intensifica quadros de ansiedade, depressão. O caso de Alexandre Magno Abrão, Chorão, analisado neste estudo, ilustra a relação complexa entre saúde mental, abuso de drogas e pressões midiáticas, ressaltando a importância de ampliar o debate sobre saúde mental, políticas públicas e responsabilidade da mídia. Palavras-chave: Transtornos Mentais, Figuras Públicas, Indústria Televisiva, Indústria Musical, Mídia, Impactos Psicossociais. ABSTRACT – This research aims to delve into the complex and multifaceted world of the media, with the aim of investigating the impact of media and social environments on the occurrence of mental disorders among prominent figures in the music and television industries. Using a documentary methodology, analyzing documents such as documentaries and biographical books about Chorão's case and his relationship with substance abuse, we seek to unravel the nuances of this issue, shedding light on the challenges he faced. The results showed that public figures
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 82 (Ciências Biológicas e da Saúde) are more vulnerable to mental disorders due to intense media exposure, invasion of privacy, constant criticism, and social stigma. These factors foster feelings of low self-esteem and the use of substances as a form of coping, which intensifies anxiety and depression. The case of Alexandre Magno Abrão, also known as Chorão, analyzed in this study, illustrates the complex relationship between mental health, substance abuse, and media pressure, highlighting the importance of expanding the debate on mental health, public policy, and media responsibility. Keywords: Mental Disorders, Public Figures, Television Industry, Music Industry, Media, Psychosocial Impacts. 1. INTRODUÇÃO O abuso de substâncias químicas e a prevalência de transtornos mentais nas figuras do mundo midiático é algo muito discutido. Figuras públicas frequentemente enfrentam pressões extraordinárias, decorrentes de uma exposição constante na mídia, expectativas sociais e responsabilidades profissionais. Essas condições podem intensificar quadros de ansiedade, depressão e outros transtornos, muitas vezes associados ao uso de substâncias como uma tentativa de alívio. Os transtornos mentais são alterações clínicas que afetam o comportamento e a personalidade dos indivíduos, podendo ser temporários ou permanentes. As drogas, por sua vez, são substâncias que provocam mudanças fisiológicas e comportamentais nos usuários, sendo consideradas um problema de saúde pública mundial. (SOUSA; SOUSA, 2021). Um estudo publicado na Revista científica multidisciplinar núcleo do conhecimento, destaca que usuários de drogas têm maior propensão a desenvolver transtornos mentais, como ansiedade, depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, distúrbios alimentares e esquizofrenia. (SOUSA; SOUSA, 2021). Saindo da esfera particular e entrando em uma esfera pública, na qual a mídia e o ambiente onde o indivíduo está inserido desempenham um papel potencializador, pode-se considerar o consumo de drogas como um comportamento operante, ou seja, uma ação influenciada por suas consequências no ambiente. Essa abordagem permite compreender os fatores que mantêm o comportamento de uso e dependência. (BRITTO et al., 2012). As questões que permeiam o vício em substâncias ilícitas, são um grave problema de saúde pública brasileira e mundial. Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), 10,48% dos homens e 3,63% das mulheres brasileiras são dependentes de álcool. As substâncias com maior prevalência é a maconha, estima-se que 7,8 milhões de brasileiros declararam já ter usado a substância alguma vez na vida.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 83 (Ciências Biológicas e da Saúde) Segundo a pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (2025), "os transtornos mentais comuns entre universitários estão frequentemente associados ao uso de substâncias psicoativas" (FCM UNICAMP, 2025). A médica psiquiatra Marjourie Dragoni elegeu a prevalência de uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas em pacientes internados na enfermaria de psiquiatria do Hospital de Clínicas da Unicamp. Da maior prevalência para a menos, encontrou-se: maconha (61,7%), álcool (29,4%), cocaína inalada (14,7%), crack (8,8%), benzodiazepínicos (7%), mesclado (5,8%), anabolizante e cafeina (8,8%). Na pesquisa também foram destacados os diagnósticos mais prevalentes: esquizofrenia (32,3%), transtorno afetivo bipolar (29,4%), depressão (17,6%), transtorno de personalidade (14,7%) e transtorno esquizofreniforme (8,8%). Entre os muitos casos de abuso de substâncias em figuras públicas, destaca-se a trajetória de Alexandre Magno Abrão, conhecido como Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr. Sua luta contra a dependência química e seus transtornos mentais culminaram em um desfecho trágico, que evidencia a complexa relação entre saúde mental, uso de drogas e o papel potencializador da mídia. A análise de casos como o de Chorão permite compreender de forma mais profunda os fatores que contribuem para o abuso de substâncias e a deterioração da saúde mental em figuras públicas. Essa pesquisa tem como objetivo, investigar o impacto da mídia e do meio social na ocorrência de transtornos mentais entre figuras proeminentes da indústria musical e televisiva. Além disso, investigações dessa natureza podem iluminar o papel da mídia na amplificação ou na mitigação desses problemas, fornecendo subsídios para discussões sobre saúde mental, políticas públicas e responsabilidade midiática. 2. MATERIAIS E MÉTODOS Essa pesquisa apresenta caráter documental com análise qualitativa. 2.1. Instrumentos e procedimentos de pesquisa Foram utilizados dois documentos não bibliográficos para esta investigação. O primeiro documento analisado foi o livro “Se não eu, quem vai fazer você feliz?” Escrito por Graziella Gonçalves (a esposa do artista). O livro foi analisado através da sua leitura e destaque das partes que se relacionavam com as categorias que selecionamos: a personalidade do artista, a utilização de drogas, o impacto nas relações sociais e a influência da mídia e meio social. O segundo material analisado foi o documentário Marginal Alado, que conta a história do artista Alexandre Magno (conhecido popularmente como Chorão), que está disponível em plataformas de streaming abertas ao público e possui duração total de 75 minutos. Para a análise,
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 84 (Ciências Biológicas e da Saúde) o documentário foi assistido na íntegra inicialmente. Posteriormente observamos minuciosamente o documentário com intuito de analisar os mesmos pontos destacados no livro. Assim, a pesquisa foi dividida em duas partes. Na primeira parte foi feita a análise conjunta dos dois documentos previamente selecionados e em seguida uma discussão sobre os resultados analisados. 2.2. Análise de dados Os dados foram analisados pela metodologia de análise de conteúdo proposta por Bardin (2016). Esta análise é realizada em três fases: Pré-análise: Organização inicial do material: leitura, escolha dos documentos, formulação das hipóteses e objetivos; Exploração do material organização das informações: recorte do texto em unidades de registro (palavras, frases, ideias), categorização e agrupamento; Tratamento dos resultados e interpretação: análise dos dados agrupados, buscando padrões, relações e significados que respondam ao objetivo da pesquisa. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO A intersecção entre a fama, as pressões inerentes ao ambiente artístico e as vulnerabilidades individuais, apresenta um terreno fértil para o surgimento de problemas de saúde mental e o abuso de substâncias. Diversos casos notórios no mundo das celebridades ilustram essa complexa dinâmica, na qual o sucesso público muitas vezes contrasta com lutas pessoais silenciosas. Abaixo apresentamos os pontos destacados de cada um dos documentos analisados do artista Alexandre Magno 1. Comportamento e personalidade de Chorão A personalidade de Chorão pode ser definida como difícil, a busca por perfeição nos seus trabalhos o levava ao limite. De acordo com Gonçalves (2018, p. 167): Toda a ideia da banda, a identidade, realmente vinha da cabeça do Alê, e nos momentos mais tensos ele se valia disso. Costumava dizer que era o dono de tudo, mas, no fundo, sabia muito bem a importância daquele grupo, de como cada um dos meninos era indispensável para o CBJr. No documentário a personalidade de Chorão também foi bastante explorada. “Ele era um cara muito exigente e poucas pessoas aguentam isso, ele pensava além e exigia que todo mundo pensasse além” (MARGINAL ALADO, 2019, 17:06), enfatizou o produtor musical Rick Bonadio, também disse que Chorão não tinha muita paciência e era duro com o pessoal, o que gerava atrito (MARGINAL ALADO, 2019, 23:40). Mauricio Cury, advogado de Chorão disse:
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 85 (Ciências Biológicas e da Saúde) “O Chorão era uma manteiga como pessoa era carinhoso generoso amigo e tinha um lado brigão explosivo, eu acho que o que talvez melhor defina o Chorão é essa super intensidade da personalidade dele, era um cara que amava e odiava no mesmo grau.” (MARGINAL ALADO, 2019, 35:54) “A personalidade intensa de Chorão era um grande impasse para ele lidar com as mudanças drásticas e rápidas que acontecem na indústria da música. “Ele tinha muita dificuldade de lidar com os problemas, porque ele era uma pessoa muito intensa” (MARGINAL ALADO, 2019, 46:48). Serginho Groisman, que acompanhou a jornada de Chorão de perto disse (MARGINAL ALADO, 2019 18:26) Quando existe um mundo ao redor da música, que tem fã, que tem crítico, que tem venda, que tem exposição, que tem mídia, tem rádio, tem televisão, tem jornal. Quem era realmente o chorão em relação a isso e até que ponto isso era uma satisfação ou incomodava. 2. Uso de drogas A trajetória de Chorão é um exemplo claro da progressão do uso de drogas. O que Graziela Gonçalves descreve como um uso ocasional e recreativo em turnês “uma vez ou outra podiam rolar drogas nas turnês...” (GONÇALVES, 2018, p. 210), rapidamente se tornou um consumo habitual e descontrolado. É fundamental compreender as definições de uso, abuso e dependência (Transtorno de Uso de Substâncias - TUS) para analisar o caso de Chorão. O Uso refere-se ao consumo de uma substância, o abuso de substâncias é um consumo exacerbado em um curto período, onde o indivíduo ainda mantém certo controle sobre a autoadministração e a dependência, é uma doença grave, um distúrbio neuropsicológico persistente que estimula o consumo descontrolado e a compulsão pela droga, mesmo diante dos problemas que seu uso causa. (FORMIGONI, DUARTE 2018) No caso de Chorão, a situação descrita por Graziela, onde ele negava a perda de controle, não aceitava ajuda, mas o uso de drogas era frequente e o deixava péssimo no dia seguinte, sem comer, sem dormir e extremamente depressivo, (GONÇALVES, 2018, p. 210) evidencia uma clara transição para a dependência (TUS), o que reforça o diagnóstico de adicção. O uso repetitivo da cocaína, que atua bloqueando os transportadores de dopamina e aumentando sua disponibilidade, faz com que o cérebro se adapte a essa ativação constante. Com o tempo, a ausência da droga não causa mais prazer, mas sim uma disforia, uma sensação de extremo desconforto, descontentamento e a necessidade imperativa de consumir mais da droga para
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 86 (Ciências Biológicas e da Saúde) aliviar sentimentos negativos. Essa é a característica central do cérebro de um adicto. (ALARCON, 2012) O melhor amigo de infância de Chorão, Glauco disse que ele começou a abusar do uso de drogas por causa de situações mal resolvidas, Graziela, exesposa complementou que ele a disse que "já tinha experimentado, mas que ele também odiava"(MARGINAL ALADO, 2019, 57:00). É relatado que o uso não era uma constante e que ele tentava a todo custo esconder o vício de pessoas próximas (MARGINAL ALADO, 2019, 57:36). Durante uma conversa nos bastidores de um show, Chorão disse que foi procurar ajuda médica “Meu irmão, não estou conseguindo raciocinar direito estou doidão precisa me medicar tá ligado precisa me salvar a vida, estou morrendo aqui, você não está entendendo” (MARGINAL ALADO, 2019, 59:29). Graziela disse que cerca de quatro anos antes de sua morte, teve uma conversa em que o aconselhou a procurar ajuda, pois pessoas que trabalhavam diretamente com ele já estavam preocupadas com o vício. Chorão afirmava que tudo estava totalmente controlado, mas depois admitiu "eu estou perdido" (MARGINAL ALADO, 2019 1:00:00). Glauco disse que ele chegou a falar para ele: “não consigo cara, eu estou perdido” (MARGINAL ALADO, 2019 1:06:16). Champignon disse que o viu pela última vez em um festival, onde Chorão "não estava bem", estava "num momento de crise" (MARGINAL ALADO, 2019, 1:03:25). “Sabe como é que funciona a droga, para tudo você tem uma desculpa para usar droga" (MARGINAL ALADO, 2019, 1:05:50). A ex-esposa, descreve que ele usava drogas por "dois, três, quatro dias seguidos, sem dormir, comer ou tomar banho, tornando a convivência impossível” (MARGINAL ALADO, 2019, 1:06:40). “Cheirava e tomava 10 lexotan de uma vez só foi criando uma bomba” (MARGINAL ALADO, 2019, 1:07:22). Maurício Cury encerrou dizendo "Viveu como quis e morreu como quis também, porque acho que quem fez o que ele fez, da forma como fez, sabia que poderia morrer” (MARGINAL ALADO, 2019 1:09:00). 3. Impacto nas relações sociais O uso de drogas logo se tornou uma adiccçao, quando o uso ocasional se tornou habitual. Graziela percebia algo errado com ele quase toda semana, e ele confessava que era cocaína. Essa situação chegou a um ponto crítico em julho de 2010, com o uso da droga se tornando frequente. Ele se sentia mal e pedia a Graziela para não contar a ninguém, jurando a cada episódio que seria o último. “Ele morria de vergonha daquela situação e, toda vez, me fazia prometer que não
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 87 (Ciências Biológicas e da Saúde) contaria que aquilo estava acontecendo para ninguém. Se eu fizesse isso, jamais iria me perdoar. A cada episódio, ele jurava que seria o último” (GONÇALVES, 2018, p. 211) Ele insistia que estava no controle e que era algo temporário. Com a volta do uso mais intenso, a tensão e a instabilidade na banda aumentaram. Graziela percebeu que a droga "tirava o seu foco e aumentava a sua paranoia". (GONÇALVES, 2018, p. 224). “O vício trazia à tona seu lado mais sombrio.” (GONÇALVES, 2018, p. 229). Gonçalves (2018, p. 229) enfatizou que as crises atingiram tal intensidade que ele passou a acreditar estar sob constante vigilância. Convencido de que havia câmeras ocultas. 4. Influência da mídia e meio social A luta de Chorão contra a dependência foi agravada pela estigmatização social associada ao uso de drogas. Quando pessoas próximas a Graziela viam seus pedidos de ajuda como uma importunação (GONÇALVES, 2018, p. 236). No meio do rock existe uma certa permissividade, a figura do “artista maluco” é muito mais comum do que se imagina e vista até como uma coisa divertida por algumas pessoas. Talvez por isso quase todos se comportavam como se aquilo fosse algo banal. Logo, reflete um preconceito social que é uma barreira significativa para a detecção, prevenção e tratamento. A psicologia, em sua dimensão ético-política, posiciona-se contra a estigmatização. A figura do "artista maluco" no meio do rock pode ter contribuído para normalizar o comportamento de Chorão, dificultando que seu sofrimento fosse visto como um problema de saúde grave. “Sendo músico te oferecem, você tem acesso muito fácil” (MARGINAL ALADO, 2019, 58:54). A situação piorou no início de 2013, com ele parecendo "pesado, descuidado, numa espiral autodestrutiva". (GONÇALVES, 2018, p. 241). Ele chegou a ficar em estado de profunda perturbação emocional, encontrando-se em um estado de intenso sofrimento psíquico e vulnerabilidade. Graziela e a produtora da banda, Samantha, procuraram a médica que já o havia atendido, que diagnosticou a necessidade de uma internação compulsória ("intervenção"). A resistência de Chorão em admitir que tinha um problema e buscar ajuda "conseguia cumprir seus compromissos profissionais e que sairia do vício na hora que quisesse" (GONÇALVES, 2018, p. 231) é uma característica comum da dependência. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) posiciona-se contra a internação compulsória e o tratamento em instituições asilares como centralidade do cuidado, defendendo abordagens que respeitem a autonomia e dignidade da pessoa e que se pautem na Redução de Danos (RD) e no cuidado em liberdade.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 88 (Ciências Biológicas e da Saúde) Infelizmente o final da história de Chorão é triste e não faz jus a pessoa que ele foi, Alexandre Magno Abrão, faleceu dia 6 de março de 2013 por overdose de cocaína. Os resultados da análise revelaram que figuras públicas são particularmente suscetíveis a transtornos mentais. O estigma social associado a esses transtornos contribui ainda mais para o sofrimento, uma vez que o medo de julgamento ou discriminação pode levar celebridades a esconder seus problemas, adiando o tratamento e perpetuando o ciclo de sofrimento. 4. CONCLUSÃO A análise dos documentários mostrou-se de extrema relevância, uma vez que possibilitou tanto a complementação quanto o aprofundamento das informações referentes a cada uma das etapas propostas nesta pesquisa. Os dados obtidos permitiram concluir que o artista em estudo apresentava uma personalidade marcada por traços de firmeza e elevado perfeccionismo, características que resultavam em frequentes sentimentos de insatisfação e angústia. Tais aspectos, quando somados às pressões e aos impactos advindos da fama, atuaram como fatores desencadeadores para o uso excessivo e descontrolado de substâncias psicoativas. Esse processo comprometeu de maneira significativa suas relações sociais e profissionais, culminando tragicamente em sua morte por overdose. Gostaria de agradecer às contribuições que possibilitaram o desenvolvimento deste trabalho, em especial à professora e orientadora Débora Rocco, cuja dedicação, apoio e direcionamento foram fundamentais em todas as etapas desta pesquisa, bem como ao Departamento de Pesquisa Científica da Universidade Santa Cecília, pelo suporte acadêmico e institucional que permitiu a concretização deste estudo. Ademais, compreende-se que a presente análise não se esgota em si mesma, mas abre espaço para o desenvolvimento de trabalhos futuros que possam aprofundar a compreensão acerca da relação entre mídia, saúde mental e uso de substâncias. 5. REFERÊNCIAS ALARCON, Sergio. Drogas Psicoativas: classificação e bulário das principais drogas de abuso. In: ALARCON, S.; JORGE, MAS. (comp.). Álcool e outras drogas: diálogos sobre um mal-estar contemporâneo [recurso eletrônico]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2012. cap. 5, p. 103129. ISBN 978-85-7541-539-9. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9788575415399.0006. BRITTO, M. M. S. et al. Sobre o comportamento de consumir e depender de substâncias: uma abordagem comportamental. Vox Faifae, Feira de Santana, v. 2, n. 2, p. 49–60, jul./dez. 2012. Chorão: Marginal Alado [direção: Felipe Novaes]. Brasil: Bravura Cinematográfica; O2 Play, 2019. Documentário, 75 min.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 89 (Ciências Biológicas e da Saúde) FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS – UNICAMP. Pesquisa: a relação entre transtornos mentais e o uso de substâncias psicoativas entre estudantes universitários. [S.l.]: FCM/UNICAMP, 2025. Disponível em: https://www.fcm.unicamp.br/fcm/sites/default/files/images/user228/_pesquisa_a_relacao_entre _transtornos.pdf. Acesso em: 20 jan 2025. FORMIGONI, M. L. O. S.; DUARTE, P. C. V. A. (Org.). O uso de substâncias psicoativas no Brasil [recurso eletrônico]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP); Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD), 2018. (Coleção SUPERA, v. 2, SUPERA EAD [13a turma])2. ISBN 978-8562377-25-9 (on-line)2. Disponível em: http://www.supera.org.br2. Acesso em: 20. Jan. 2025. GONÇALVES, Graziela. Se não eu, quem vai fazer você feliz? Minha história de amor com Chorão. 1. ed. São Paulo: Paralela, 2018. 262 p. MOURA, P.; NAUTER, G. E.; KUBRUSLY, R.; PEREIRA, M. S. Usar, abusar e depender de drogas: do cérebro à sociedade. Neurociências & Sociedade, v. 1, n. 1, p. e024006, 2 set. 2024. Acesso em: 20. JAN 2025. SOUSA, Ana Lúcia Pereira Martins De. SOUSA, Francisco Danúbio Timbó De. A Saúde Mental E As Drogas: Uma Revisão Sobre Os Transtornos Mentais Dos Usuários De Drogas No Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 04, Vol. 11, pp. 156170. Abril de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/drogas-no-brasil