THE STEREOTYPE OF THE QUEER IMAGINARY: A COMMUNICATIONAL ANALYSIS OF HEARTSTOPPER
Abstract
This study analyzes queer representation in narrative media, focusing on the transmedia production Heartstopper, by Alice Oseman. The research investigates how communication influences the perception of the LGBTI+ community and in what ways the work challenges heteronormative stereotypes. The methodology includes bibliographic and thematic analysis on queer communication, as well as audience reception. The results show that Heartstopper expands representation but also reproduces normativities within the community. It is concluded that the work contributes to the normalization of queer relationships and the deconstruction of stereotypes, fostering a more inclusive dialogue about identity and diversity.
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____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 204 (Ciências Sociais) O ESTEREÓTIPO DO IMAGINÁRIO QUEER: UMA ANÁLISE COMUNICACIONAL DE HEARTSTOPPER THE STEREOTYPE OF THE QUEER IMAGINARY: A COMMUNICATIONAL ANALYSIS OF HEARTSTOPPER Miguel Araujo Leandro e Robson Bastos da Silva Universidade Santa Cecília, Faculdade de Artes e Comunicação, Curso de Comunicação Social - Jornalismo E-mail para contato: miguel.ara[email protected] RESUMO – Este estudo analisa a representatividade queer nas mídias narrativas, focando na produção transmídia Heartstopper, de Alice Oseman. A pesquisa investiga como a comunicação influencia a percepção da comunidade LGBTI+ e de que forma a obra desafia estereótipos heteronormativos. A metodologia inclui análise bibliográfica e temática sobre comunicação queer, além da recepção do público. Os resultados mostram que Heartstopper amplia a representatividade, mas também reproduz normatividades dentro da comunidade. Conclui-se que a obra contribui para a normalização das relações queer e a desconstrução de estereótipos, promovendo um diálogo mais inclusivo sobre identidade e diversidade. Palavras-chave: queer; representatividade; Heartstopper; comunicação; identidade. ABSTRACT – This study analyzes queer representation in narrative media, focusing on the transmedia production Heartstopper, by Alice Oseman. The research investigates how communication influences the perception of the LGBTI+ community and in what ways the work challenges heteronormative stereotypes. The methodology includes bibliographic and thematic analysis on queer communication, as well as audience reception. The results show that Heartstopper expands representation but also reproduces normativities within the community. It is concluded that the work contributes to the normalization of queer relationships and the deconstruction of stereotypes, fostering a more inclusive dialogue about identity and diversity. Keywords: queer; representation; Heartstopper; communication; identity.
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 205 (Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO As mídias narrativas, como a literatura e a televisão atuam na dramatização de subjetividades, seja através da interseção ou disjunção de determinados aspectos das relações humanas. As produções que abordam pautas relacionadas a pessoas queer, entendidas aqui como aquelas que integram a sigla LGBTI+, frequentemente reforçam ou replicam estereótipos presentes no imaginário social sobre sexualidade e gênero construído de acordo com os aspectos axiológicos e práticas sexuais e de gênero em diversas formas de narrativas. E por mais que possa ser o retrato de uma época específica, segundo Silva, Fernandez e Candido (2024), o efeito de verdade em torno desses estigmas se perpetua no cotidiano, principalmente quando são contraditórios e problemáticos. Lançada em forma de webtoon, e posteriormente como série, disponibilizada pela plataforma de streaming Netflix, a obra da escritora e ilustradora Alice Oseman, Heartstopper, conta a história de autodescoberta, aceitação e amadurecimento de Charlie Spring e Nick Nelson lidando com as dificuldades da vida escolar e amorosa. Popularizada pela abordagem narrativa que ao longo de seus cinco livros em quadrinhos, a obra se evidencia pelo alto poder de representatividade estruturada e complexa, com seu ápice sendo distribuída para uma das plataformas de streaming mais acessadas em todo o mundo, a Netflix, assim, dando sentido a uma produção transmídia. (AUGUSTO e GOES, 2022) Entretanto, desde a primeira temporada, a dramatização do romance entre os protagonistas tem sido criticada pelos telespectadores, que a consideram excessivamente idealizada. Essa insatisfação urge majoritariamente entre espectadores que fazem parte da comunidade queer, que influenciados pela mídia tradicional, criam um diálogo comum que valide a identidade e percepções de forma homogênea, ignorando a pluralidade dentro da própria comunidade. Abordar esse tema parte do pressuposto de que os últimos anos têm revelado uma intensificação no uso das tecnologias digitais, que segundo Mônaco (2024), inicia-se a partir da construção de espaços de ativismo. Isso agrega não somente na questão das mídias narrativas, mas impulsiona o entendimento de como a cultura dominante dentro da própria comunidade LGBTI+ tende a privilegiar um certo tipo de comportamento que é visto como "normal" ou
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 206 (Ciências Sociais) "respeitável" de acordo com os padrões heteronormativos da sociedade. (BORSATO e MAIO, 2024) É intrínseco que a homofobia parte de uma construção cultural e histórica, que se desenvolve através da imposição de um ideal subjetivo da heteronormatividade. Isso gera, então, identidades limitadoras, que originam expressões da sexualidade rotuladas como marginais que sofrem tal padronização, sendo fruto de um processo comunicacional além do aprendizado, mas uma soma de vivências da sociedade. Esta pesquisa tem como objetivo desmistificar o estereótipo queer no âmbito comunicacional, relacionando a Heartstopper com a problemática do imaginário queer além de entender como a comunicação afeta a percepção da comunidade queer sobre si própria, buscando demonstrar que a produção transmídia Heartstopper representa uma quebra de paradigma na iconografia queer evidenciando com a forma de linguagem da comunidade queer é uma construção social. 2 MATERIAIS E MÉTODOS A evolução do entendimento do conceito de queer para a Teoria Queer está enraizada em movimentos sociais e culturais das últimas décadas do século XX. Originalmente como termo pejorativo, queer foi reivindicado pela comunidade LGBTI+ a partir dos anos 1980 como um símbolo de resistência e autoafirmação (MAZZARO e NEGREIROS, 2024). À vista disso, a Educação Linguística Queer evidencia a língua como um componente crucial no entendimento da identidade como prática que serve para a interação e integração sociocultural, também ligadas à construção de identidades. Assim como, o papel da mídia para a formação da identidade deve ser um tópico relevante na medida que os indivíduos sejam capazes de se envolver com representações condizentes com suas identidades. Optou-se por uma análise do panorama geral de Heartstopper no panorama da cultura mainstream, no qual a obra desafia as normas tradicionais da representação da comunidade LGBTI+, oferecendo um olhar autêntico e humano sobre as experiências de jovens queer. A análise foi conduzida a partir de categorias como: representações da identidade queer, presença de estereótipos, recepção do público e repercussão em mídias digitais.
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 207 (Ciências Sociais) Além disso, quando se observa o teor de transmídia da obra, as webtoons que deram início a toda história, segundo SILVA, E. et al. (2024), emergem como uma manifestação única da criatividade moderna, estabelecendo um espaço necessário para a representação de uma pluralidade de vozes estigmatizadas. Assim como, a comunidade de fãs da série realiza grandes ações em prol do sucesso da produção nas redes sociais, no X (antigo 'Twitter") a série foi um dos assuntos mais tuitados no mundo e os fãs brasileiros somam a maior parte dessa movimentação da série nas mídias sociais. (AUGUSTO e GOES, 2022). Segundo a repórter Amber Dowling da revista Variety (2022), quando a adaptação audiovisual da obra literária estreou na plataforma da Netflix, o tópico mais comentado na rede social foi “Heartstopper”. (OLIVEIRA, 2023) Vale salientar também como nesse cenário, a literatura queer emerge como um espaço autêntico de validação, oferecendo “uma representação fiel das experiências, identidades e vivências da comunidade ali representada”. (SANTOS, 2023) Durante a elaboração do projeto, se optou pela escolha da utilização da sigla LGBTI+ ao longo da pesquisa, pelo fato da mesma, ser adotada pela Aliança Nacional LGBTI+ no Brasil que contempla “a população lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual e intersexo (...) o símbolo + foi acrescentado à sigla LGBTI+ para abranger outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero” (Reis org, 2021, p. 12). Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e temática sobre o assunto, através de anais científicos, como Seminário Internacional Fazendo Gênero e das plataformas de busca acadêmica (Scielo e Google Scholar). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Desde a virada do século, a sociedade intensificou a criação de dispositivos que moldam a conduta dos indivíduos. Desta maneira, se organizou o que é dito e conhecido sobre a sexualidade humana. Segundo Rodrigues (2023), o “poder saber” carrega em si uma verdade moral, que cria os padrões de atos puros e impuros, naturais e não naturais. Com isso, o corpo social rege normas e padrões, assim como criam-se as várias ‘classificações’ da sexualidade humana: heterossexuais, bissexuais, homossexuais, transexuais, entre outros, transformadas em identidades limitadoras.
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 208 (Ciências Sociais) Embora a mídia tradicional atualmente construa uma narrativa comum e valide a pluralidade das identidades, a representação das pessoas LGBTI+ continua unidimensional e estereotipada, ignorando muitos subgrupos LGBTI+, consequentemente limitando as percepções dos jovens queer sobre suas trajetórias e construção crítica do mundo ao seu redor. Isso foi potencializado com os personagens, chamados de queer coded (codificado como queer), portanto, englobam, segundo Schroeder (2021), a representação subjetiva, de características relacionadas a homossexuais ou transgêneros. Isso é refletido em vestimentas, os modos de se movimentar, o tom de voz, entre outros aspectos. Da mesma forma, através da ‘scientia sexualis’, processo que Foucault argumenta que historicamente extrai a verdade sobre o sexo, todos os indivíduos foram forçados a falar do sexo a fim de se produzir uma ‘verdade regulada’ que gerava saberes (CABRAL e CASTRO, 2024). E a comunidade LGBTI+, por décadas de repressão e homofobia, se constrói através dessa ideia, de maneira que se cria preconceito contra os próprios desejos afetivos e sexuais, enquanto uma homofobia internalizada é projetada sobre outras pessoas queer. Em outubro de 2022, o ator Kit Connor, que interpreta Nick Nelson, foi acusado por parte dos fãs da série, em sua maioria da comunidade LGBTI+, de praticar queerbaiting 1 , já que vivia um personagem bissexual sem ter se assumido publicamente até então. A pressão gerada por essa reputação levou o ator britânico a declarar sua sexualidade no X, mesmo sem estar preparado, devido à forte insistência dos fãs (conforme a imagem 1). Imagem 1 - “Tweet” do ator Kit Connor em 2022. Fonte: X 1 O queer-baiting é uma estratégia de marketing em que celebridades e produções insinuam ser ou retratar personagens queer sem assumir isso de fato, criando ambiguidade, dessa forma atraindo o público LGBTI+ sem afastar o público geral. (RITSCHEL, 2019)
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 209 (Ciências Sociais) Na postagem, o ator pontua “i think some of you missed the point of the show” (tradução: acho que alguns de vocês perderam o ponto do show), ressaltando como Heartstopper representa uma história que não aborda somente os relacionamentos que os protagonistas constroem, mas também, as relações que envolvem a identidade queer e adolescência, como os relacionamentos desenvolvidos com a família, os amigos e a sociedade ao redor. Isso reforça como não apenas a heteronormatividade emprega padrões sociais, mas assim como a própria comunidade queer impõe expectativas sociais em relação à sua identidade sexual. Junto com a sociedade, são impostos estereótipos específicos sobre como uma pessoa queer, nessa situação um homem bissexual, deve se comportar, incluindo a demonstração de uma masculinidade hegemônica que não desvie das valorações estabelecidas por um padrão antes patriarcal, e hoje midiático. Se deve ao fato também de que quando pessoas da comunidade LGBTI+ não se assumem, elas normalmente acabam associando sua sexualidade com a imoralidade e loucura, aspectos axiológicos de gerações que sofrem repressão. E, segundo Carvalho (2016), esse tipo de homofobia internalizada inclusive faz com que eles compartilhem um sentimento de não pertencimento, o qual pode gerar atitudes de desprezo contra pessoas abertamente assumidas ou em seu processo de autoaceitação. Tomando de exemplo os países anglo-saxões, a expressão de gênero não é diretamente atribuída à orientação sexual, por partir de uma construção histórica e cultural. Já nos países latinoamericanos, e também em outros países que falam línguas derivadas do latim, como na Itália, o modo como você se porta faz com que as pessoas inferirem sobre sua orientação sexual e também sua posição sexual. E mesmo que a população de hoje seja mais aberta ao diálogo para essas questões e exista uma força social pela narrativa que é construída para e com a comunidade queer, a oposição entre conceitos como masculino e feminino, ativo e passivo, correto e incorreto, continua desempenhando um papel essencial na compreensão humana, uma vez que é através dessa distinção que podemos discernir as nuances. No entanto, essas categorizações são influenciadas pela cultura, mesmo em uma era que valoriza a diversidade, nossas normas morais parecem estar se tornando mais conservadoras
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 210 (Ciências Sociais) (BORSATO e MAIO, 2024). E é por meio da homossexualidade visível, que prevalece a ideia de que a homossexualidade só é reconhecida socialmente quando é manifestada publicamente, por meio de atitudes ou comportamentos considerados "estereotipados" (TREVISAN, 2018). Isso é compreendido na medida que a essência queer é vista como algo que precisa ser demonstrado ou provado por meio da aparência, do modo de falar, do jeito de se vestir ou de se comportar, para que seja discernida. Durante o lançamento das temporadas da adaptação para o streaming, a série Heartstopper recebeu críticas também por parte dos fãs, que consideram sua narrativa excessivamente idealizada, não apenas com construção de arco dos personagens, mas também exigem certos padrões e atitudes dos protagonistas que não são impostas no conteúdo original. Imagem 2 - Comparação dos atores e os personagens ilustrados Fonte: Netflix/Instagram - Alice Oseman - Montagem do autor Através dos princípios da narrativa transmídia idealizados por Henry Jenkins em sua obra Cultura da Convergência (2006), a produção, também produzida pela criadora dos webtoons, dispõe de uma infinidade de conteúdos disponíveis, o que poucas produções com engajamento proporcionam ao seu público. Dessa maneira, por meio do princípio de Imersão, segundo Augusto e Goes (2022), será mais fácil poder dar liberdade ao espectador de se posicionar como um membro ativo da história, onde ele irá possuir um alto nível de interatividade.
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 211 (Ciências Sociais) Esse enfoque restrito na assimilação aos padrões dominantes pode prejudicar a luta por direitos LGBTI+ como um todo, na qual Borsato e Maio (2024): Seria como se tanto a homofobia enraizada na sociedade quanto preconceitos dentro da própria comunidade gay, que muitas vezes valoriza a masculinidade por reproduzir a heteronormativade para manter o local dentro da lógica social misógina, podem levar a problemas de autoestima e ansiedade, além de contribuírem para a marginalização e exclusão desses indivíduos na sociedade em geral e na própria comunidade LGBTQIA+, uma vez que a sociedade é fundamentalmente responsável por influenciar na construção da nossa subjetividade de diversas maneiras, seja por meio de normas, valores e comportamentos socialmente construídos. Porém, a obra não apenas elucida a compreensão dos leitores sobre a diversidade sexual, mas também questiona estereótipos prejudiciais à construção identitária desses sujeitos. Dessa forma, ela se torna, assim, um instrumento de conscientização, em que a "normalização gay" que pode levar à marginalização e discriminação, deixa de ser um agravante e abre espaço para diálogos construtivos sobre a aceitação das diferenças, além de estimular uma reflexão crítica sobre as próprias crenças e atitudes (SILVA, E. et al., 2024). Em relação ao objetivo de desmistificar estereótipos queer, os resultados apontam que a nova mídia emergente oferece espaços novos, importantes e valorizados para discussão com maior pluralidade de vozes, influências e experiências presentes na narrativa, que ressoa como um reflexo das múltiplas facetas da identidade sexual e gênero. Dessa forma, as mídias narrativas precisam pensar que a produção da arte e da cultura exige também estabelecer estratégias possíveis para lidar com essas novas formas de expressão que “produzem efeitos que vão além do que seus criadores possam imaginar e, ao mesmo tempo produzir, pensando na possibilidade de interatividade em meios eletrônicos” (SILVA; FERNANDEZ; CANDIDO, 2024). Alice Oseman, por meio de um produto transmídia, rompe estigmas associados à representação de dois adolescentes em um relacionamento homoafetivo e outros temas sobre diversidade e representação, e buscar criar, mesmo que de forma inconsciente, uma narrativa que normatize as relações homoafetivas e diversas camadas que representam a diversidade para cada indivíduo.
____________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 212 (Ciências Sociais) Pois é através dessa ação que é possível gerar inteligência coletiva que se desconecte do pensamento estereotipado e preconceituoso, e consequentemente um conteúdo positivo para a comunidade queer não apenas consumir, mas também se relacionar. Como também, com a escalação do elenco, visto que a composição do casting de atores e atrizes não se trata de adolescentes que imprimem referências do ideal de beleza único, mas que imprima a pluralidade de corpos e identidades, através dos atores como Joe Locke, Yasmin Finney e Kizzy Edgell. É entender que os artefatos culturais, como filmes, músicas, propagandas, peças publicitárias e, especialmente, as redes sociais, dentre tantos outros, precisam estar alinhados com a busca pela emancipação da comunidade LGBTI+, bem como o empoderamento e felicidade das pessoas queer, que também começaram a reestruturar o imaginário que tinham sobre si mesmo, com afirmação de que o indivíduo se dá pelas relações que estabelece com o meio em que vive (GOMES e ROSARIO, 2022). Com isso, a cultura LGBTI+ se torna uma voz importante nesse diálogo, pois cada personagem se depara com narrativas e experiências compartilhadas por essa comunidade. Segundo Silva, E. et al. (2024), a diversidade de vozes, dentro da comunidade contribui para uma rica tapeçaria de experiências, que podem ressoar ou contrastar com as experiências individuais de cada pessoa queer. 4 CONCLUSÃO Em síntese, a partir da fundamentação e análise contextual utilizada, os integrantes da comunidade LGBTI+ ainda incorporam vozes de várias fontes que, de alguma forma, ecoam na sociedade, incluindo discursos que se sobrepõem de “tabus” ou de “preconceitos”. É importante considerar também que as mudanças sociais são frequentemente desencadeadas por narrativas que desafiam por essas normas preestabelecidas, como a de Heartstopper, e instiga questionamentos construtivos, tendo como princípio a diversidade sexual moldada por pessoas que estão inseridas nas relações de gênero. É a partir dessa representatividade que se revela a presença e a participação de diferentes grupos sociais em várias esferas da sociedade, como mídia, cultura e outros. Dessa forma se torna crucial garantir que as diversas vozes e experiências presentes em uma sociedade sejam refletidas de maneira justa e equitativa. Compreender, por meio de produções acadêmicas como esta, de que forma o processo