THE POST-METHOD APPLIED TO TEACHING ENGLISH AS A FOREIGN LANGUAGE
Abstract
This article assesses the applicability of Postmethod Pedagogy in teaching English as a foreign language (EFL) in Brazilian schools. The qualitative, bibliographic research draws on studies of language acquisition and pedagogical approaches. It examines limitations of traditional methods and the theoretical and practical bases of Postmethod Pedagogy, proposed by B. Kumaravadivelu, which stresses teacher autonomy, contextualization, and critical thinking. Results indicate it is an effective, necessary alternative to current challenges, promoting more inclusive, critical, and culturally responsive practices.
Full text
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 40 (Ciências Sociais) O PÓS-MÉTODO APLICADO AO ENSINO DE INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA THE POST-METHOD APPLIED TO TEACHING ENGLISH AS A FOREIGN LANGUAGE Nickolas Martins Viana, Raphaela dos Santos Gonçalves Universidade Santa Cecília, Licenciatura em Letras – Português/ Inglês E-mail para contato: [email protected] RESUMO – Este artigo investiga a aplicabilidade da Pedagogia Pós-Método no ensino de inglês como língua estrangeira em escolas brasileiras. De caráter qualitativo e bibliográfico, apoia-se em estudos sobre aquisição de linguagem e abordagens pedagógicas. Discute-se as limitações dos métodos tradicionais e os princípios da proposta de B. Kumaravadivelu, que valoriza a autonomia docente, a contextualização e a criticidade no ensino-aprendizagem. Os resultados indicam que o Pós-Método é alternativa eficaz e necessária diante dos desafios atuais, favorecendo uma prática mais inclusiva, crítica e ajustada às realidades socioculturais dos alunos. Palavras-chave: Ensino de inglês; Pós-Método; Linguística aplicada; Autonomia docente; Prática pedagógica. ABSTRACT – This article assesses the applicability of Postmethod Pedagogy in teaching English as a foreign language (EFL) in Brazilian schools. The qualitative, bibliographic research draws on studies of language acquisition and pedagogical approaches. It examines limitations of traditional methods and the theoretical and practical bases of Postmethod Pedagogy, proposed by B. Kumaravadivelu, which stresses teacher autonomy, contextualization, and critical thinking. Results indicate it is an effective, necessary alternative to current challenges, promoting more inclusive, critical, and culturally responsive practices. Keywords: English teaching. Postmethod; Applied linguistics; Teacher autonomy; Pedagogical practice.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 41 (Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO Apesar dos avanços significativos nas Ciências da Linguagem, especialmente com a Linguística Aplicada focada no ensino de línguas estrangeiras (doravante, LE), a má aplicação de métodos tem causado baixo desempenho no aprendizado de LE (RICHARDS; RODGERS, 2011, p. 244, apud SILVA, 2021). Segundo o Valor Econômico (2024), uma pesquisa da Viva América revela que 91,2% dos brasileiros que imigram para os EUA não são fluentes em inglês, e menos de 30% se sentem à vontade em situações como consultas médicas ou reuniões. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira para o Ensino Médio (PCNEM) definem que o conhecimento de línguas deve facilitar o acesso a outras culturas. A língua, oral e escrita, deve ser vista como prática social, com o texto como ponto de partida (RODRIGUES, 2022). Percebe-se, então, que o ensino de inglês no Brasil visa a participação ativa dos alunos em uma sociedade globalizada, característica do século XXI. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996) estabelece que o ensino fundamental e médio, com língua estrangeira obrigatória, são parte da educação básica, um direito de todos, conforme a Constituição Federal, art. 205. O Estado deve garantir essa oferta (SANTOS, 2002). Mesmo com amparo legal, questiona-se a eficácia dos métodos de ensino de L2 nas escolas brasileiras. Brown (1997) afirma que “os métodos focam nos papéis do professor e alunos, e nos objetivos linguísticos, conteúdo e materiais” (apud SILVA, 2017). Nesse contexto, a discussão sobre o Pós-Método surge como alternativa para solucionar as falhas no ensino de LE. A Pedagogia Pós-Método, proposta em 1994 por B. Kumaravadivelu, da San Jose State University, tem ganhado apoio de pesquisadores e professores, após publicações como Beyond Methods (2003) e Understanding Language Teaching (2006) (ORTALE; FERRI; SILVA, 2021). Este estudo busca verificar a aplicabilidade da Pedagogia Pós-Método no ensino de inglês nas escolas regulares brasileiras. Os objetivos específicos incluem: diferenciar método, abordagem e técnica; conceituar língua estrangeira como língua-alvo; apresentar estudos sobre o Pós-Método no ensino de idiomas.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 42 (Ciências Sociais) 2 MATERIAIS E MÉTODO De acordo com Gil (2010), a metodologia empregada neste estudo foi a pesquisa bibliográfica, com um viés qualitativo. A investigação envolveu a seleção e avaliação de artigos acadêmicos e livros, abordando temas de linguística, a aquisição da linguagem, e as variadas abordagens e métodos de ensino de inglês. As fontes bibliográficas abrangem o período de 2017 a 2024, colhidas no Google Acadêmico e SciELO, utilizando palavras-chave como "ensino de inglês" e "Pós-Método". A escolha dos materiais considerou critérios de relevância temática e também rigor metodológico. A análise qualitativa teve como foco a identificação de padrões, contribuições teóricas e abordagens recorrentes no debate contemporâneo sobre o ensino de LE. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Ainda que as leis e os currículos brasileiros deem suporte ao ensino de inglês nas escolas, muitos obstáculos práticos ainda são evidentes. A eficácia dos métodos tradicionais tem sido posta em xeque, sobretudo por serem inflexíveis e desconectados da realidade. Frequentemente, tais métodos ignoram o contexto sociocultural dos estudantes, tratando-os como meros receptores de conteúdos predefinidos (RICHARDS; RODGERS, 2001, apud SILVA, 2017). Esse distanciamento entre teoria e prática resulta em aulas pouco significativas, nas quais o aluno não se reconhece como participante ativo do processo de aprendizagem. Nesse sentido, compreender a diferença entre os conceitos de abordagem, método e técnica torna-se fundamental. Conforme Furlanetto (2019, p. 74), a abordagem engloba as crenças sobre a natureza da linguagem e do aprendizado; o método é o roteiro pedagógico derivado da abordagem; e a técnica são as ações específicas usadas em sala de aula. Esses conceitos, quando confundidos, geram práticas desarticuladas que, muitas vezes, não conseguem alcançar os objetivos educativos. É preciso, portanto, que o professor reconheça tais distinções para melhor orientar suas escolhas didáticas. A reflexão docente, no entanto, não deve se restringir ao campo metodológico. Ainda segundo Furlanetto (2019, p. 24), é essencial que o professor de língua estrangeira considere a realidade social, política e econômica que envolve o ensino do inglês. Nesse cenário, a língua deve ser vista não apenas como um código ou ferramenta de comunicação, mas como um instrumento de poder e de acesso a oportunidades, além de ser um meio eficaz para desenvolver o pensamento crítico. Ao se apropriar desse entendimento, o professor pode promover um
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 43 (Ciências Sociais) ensino que transcenda a memorização de estruturas linguísticas e dialogue diretamente com os desafios vividos pelos estudantes. É nesse contexto que a Pedagogia Pós-Método se apresenta como alternativa viável. Diferentemente dos métodos rígidos e uniformizadores, ela visa romper com modelos engessados de ensino. De acordo com Kumaravadivelu (2003), o Pós-Método não descarta os métodos já existentes, mas propõe uma adaptação baseada na autonomia do professor, na contextualização do ensino e no engajamento dos alunos. Essa flexibilidade permite que a sala de aula se torne um espaço dinâmico, onde o conhecimento é construído de forma colaborativa e significativa. Além disso, conforme Ortale, Ferri e Silva (2021), a visão do Pós-Método está intimamente ligada à ideia de que o ensino é uma prática situada. Isso significa que o contexto do aluno, as necessidades do professor e a dinâmica da sala de aula são elementos cruciais no planejamento das atividades. Em outras palavras, não há uma fórmula única a ser aplicada, mas sim uma constante adaptação às realidades específicas que emergem em cada situação de ensino-aprendizagem. Essa perspectiva conecta-se diretamente às discussões sobre o papel político do ensino de línguas. Rocha e Maciel (2013, apud MACHADO; RODRIGUES, 2021) defendem que não se pode separar o ensino da língua de seu papel político e de resistência. Dessa forma, a prática pedagógica deve promover mudanças nas estruturas de poder, permitindo aos alunos construir um aprendizado que seja tanto relevante quanto crítico. O inglês, nesse caso, deixa de ser apenas uma exigência curricular e passa a constituir-se como um recurso de emancipação e cidadania. A partir da análise da bibliografia, observou-se que: entender a diferença entre abordagem, método e técnica é vital para a formação crítica do professor de língua estrangeira; conceber a língua estrangeira como prática social contribui para um aprendizado mais profundo; e reconhecer o Pós-Método como um caminho que valoriza a autonomia, a reflexão crítica e o contexto fortalece o papel do ensino na contemporaneidade. Assim, as evidências apontam que a Pedagogia Pós-Método não apenas se configura como uma alternativa válida, mas também como uma necessidade diante dos desafios atuais, cumprindo, portanto, o propósito central desta pesquisa.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 44 (Ciências Sociais) 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa teve como objetivo principal analisar como a Pedagogia Pós-Método pode ser aplicada no ensino de inglês como língua estrangeira nas escolas brasileiras. A partir da revisão bibliográfica, ficou claro que, apesar de os métodos tradicionais ainda serem bastante utilizados, suas limitações dificultam uma aprendizagem mais significativa e conectada com o contexto dos estudantes. Ao esclarecer as diferenças entre método, abordagem e técnica, percebemos que muitas práticas pedagógicas acabam se misturando na teoria e no funcionamento, o que leva a estratégias pouco articuladas e pouco eficazes. Encarar a língua estrangeira como uma prática social reforça a ideia de que o ensino deve ir além da repetição de regras gramaticais, levando em conta também aspectos culturais, históricos e ideológicos envolvidos na comunicação. A Pedagogia Pós-Método surge, nesse cenário, como uma alternativa mais viável e necessária para tornar a educação linguística mais crítica, autônoma e conectada com a realidade. Em vez de seguir modelos rígidos e padronizados, ela valoriza a experiência do professor, o contexto sociocultural dos alunos e a construção conjunta do conhecimento. Por isso, para que o ensino de inglês nas escolas brasileiras seja capaz de atender às necessidades da sociedade atual e cumpra sua função social e formativa, é fundamental adotar uma postura reflexiva e flexível, como sugere o Pós-Método. Essa mudança vai além de trocar materiais ou estratégias: ela envolve uma transformação na maneira de pensar o ensino, baseada na autonomia do professor, na valorização do contexto local e no compromisso com uma educação mais crítica, inclusiva e significativa. 5 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 23 dez. 1996. FURLANETTO, R. S. Ensino de língua inglesa: práticas, discursos e resistências. São Paulo: Parábola Editorial, 2019. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010. KUMARAVADIVELU, B. Beyond Methods: Macrostrategies for Language Teaching. New Haven: Yale University Press, 2003. KUMARAVADIVELU, B. Understanding Language Teaching: From Method to Postmethod. New York: Routledge, 2006.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº3 (2025) 45 (Ciências Sociais) MACHADO, J. P.; RODRIGUES, E. M. O ensino de inglês e as pedagogias críticas: reflexões a partir da escola pública. Revista Linguagens em (Dis)curso, v. 21, n. 2, p. 356–377, 2021. ORTALE, M. F.; FERRI, M. F.; SILVA, D. C. Pós-método e ensino de línguas: fundamentos e possibilidades. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, v. 21, n. 3, p. 921-938, 2021. RICHARDS, J. C.; RODGERS, T. S. Approaches and Methods in Language Teaching. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2001. ROCHA, C. H.; MACIEL, R. F. Educação linguística crítica e ensino de inglês: intersecções e desafios. In: MACHADO, J. P.; RODRIGUES, E. M. (org.). Ensino de inglês e pedagogias críticas: experiências na escola pública. São Paulo: Ponte, [s.d.]. RODRIGUES, L. M. Os PCNs e o ensino de línguas estrangeiras. Revista Interação, v. 15, n. 2, p. 42-59, 2022.