8. A IMPORTÂNCIA DO TEMPO PORTA THE IMPORTANCE OF EIXO TEMÁTICO: EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES Graduando em Medicina pelo Centro Universitário Metropolitano da Amazônia Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau Fisioterapeuta, PósGraduação em Fisioterapia T Bacharel em Enfermagem, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU, Fortaleza Email do autor:
[email protected] RESUMO INTRODUÇÃO: O infarto agudo do miocárdio (IAM) permanece como uma das principais emergências cardiovasculares e uma das maiores causas de mortalidade no mundo. A efetividade do tratamento está diretamente relacionada à rapidez no diagnóstico e à realização da reperfu são coronariana, sendo o tempo porta ao hospital e a execução da angioplastia primária, um importante indicador da qualidade assistencial. OBJETIVO: em pacientes com IAM, identificando os fatores que interferem em sua efetividade e discutindo estratégias que contribuam para a melhoria do atendimento e redução da mortalidade. METODOLOGIA nas bases PubMed, Lilacs e Scielo, entre janeiro de 2015 e setembro de 2025, em português e inglês. Foram incluídos dez artigos que abordaram a relação entre o tempo porta desfechos clínicos em pacientes com infarto agudo do miocárdio, considerando estruturais, organizacionais e assistenciais. indicam que atrasos superiores a 90 minutos estão associados ao aumento da necrose miocárdica, maior incidência de insuficiência cardíaca e elevação das taxas de mo No Brasil, a sobrecarga hospitalar, a escassez de equipes de hemodinâmica e a limitação de infraestrutura comprometem o tempo de resposta. Em contraste, estudos internacionais demonstram que a implementação de protocolos assistenciais padronizad 88 A IMPORTÂNCIA DO TEMPO PORTA - BALÃO NO IAM THE IMPORTANCE OF DOOR-TOBALLOON TIME IN IAM EIXO TEMÁTICO: EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES DAYVISON GABRIEL SETUBAL POIARES Graduando em Medicina pelo Centro Universitário Metropolitano da Amazônia GIOVANNA MARCUSSO FONTENLA Graduando em Medicina pela LAURA SANTIAGO DE MATOS Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro MARIANA LUIZA FERREIRA DE OLIVEIRA Graduanda em Medicina pela Universidade de Rio Verde VITÓRIA SILVA CORDEIRO Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás LEANDRO DA SILVA FERREIRA Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau ESTERLITO NETO GOMES COSTA Graduação em Fisioterapia T raumatoOrtopédica e Desportiva, Universidade da Amazônia SUELLEN DIANNA ANDRADE GUIMARÃES Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás JHENIFER MARIA ROSA DA COSTA Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás ANDRÉA LAUÉ PASSOS SANTOS Bacharel em Enfermagem, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU, Fortaleza mail do autor:
[email protected] O infarto agudo do miocárdio (IAM) permanece como uma das principais emergências cardiovasculares e uma das maiores causas de mortalidade no mundo. A efetividade do tratamento está diretamente relacionada à rapidez no diagnóstico e à realização são coronariana, sendo o tempo porta - balão, intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a execução da angioplastia primária, um importante indicador da qualidade Analisar a relevância clínica e prognóstica do tempo porta em pacientes com IAM, identificando os fatores que interferem em sua efetividade e discutindo estratégias que contribuam para a melhoria do atendimento e redução da METODOLOGIA : Tratase de uma revisão bibliográfica narrativa realizada bases PubMed, Lilacs e Scielo, entre janeiro de 2015 e setembro de 2025, em português e inglês. Foram incluídos dez artigos que abordaram a relação entre o tempo porta desfechos clínicos em pacientes com infarto agudo do miocárdio, considerando estruturais, organizacionais e assistenciais. RESULTADOS E DISCUSSÃO: indicam que atrasos superiores a 90 minutos estão associados ao aumento da necrose miocárdica, maior incidência de insuficiência cardíaca e elevação das taxas de mo No Brasil, a sobrecarga hospitalar, a escassez de equipes de hemodinâmica e a limitação de infraestrutura comprometem o tempo de resposta. Em contraste, estudos internacionais demonstram que a implementação de protocolos assistenciais padronizad BALÃO NO IAM BALLOON TIME IN IAM EIXO TEMÁTICO: EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES DAYVISON GABRIEL SETUBAL POIARES Graduando em Medicina pelo Centro Universitário Metropolitano da Amazônia - UNIFAMAZ, BelémPA GIOVANNA MARCUSSO FONTENLA Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro LAURA SANTIAGO DE MATOS Graduando em Medicina pela Universidade Santo Amaro MARIANA LUIZA FERREIRA DE OLIVEIRA Graduanda em Medicina pela Universidade de Rio Verde - UNIRV, Campus Goianésia GO VITÓRIA SILVA CORDEIRO Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás LEANDRO DA SILVA FERREIRA Graduando em Enfermagem pelo Centro Universitário Maurício de Nassau - UNINASSAU, Fortaleza - CE ESTERLITO NETO GOMES COSTA Ortopédica e Desportiva, Universidade da Amazônia - UNAMA, BelémPA SUELLEN DIANNA ANDRADE GUIMARÃES Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás JHENIFER MARIA ROSA DA COSTA Graduando em Enfermagem pela Universidade de Iporá, Goiás ANDRÉA LAUÉ PASSOS SANTOS Bacharel em Enfermagem, Esp. em Saúde Pública em Ênfase em Atenção Básica pela UNINASSAU, Fortaleza - CE. mail do autor:
[email protected] O infarto agudo do miocárdio (IAM) permanece como uma das principais emergências cardiovasculares e uma das maiores causas de mortalidade no mundo. A efetividade do tratamento está diretamente relacionada à rapidez no diagnóstico e à realização balão, intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a execução da angioplastia primária, um importante indicador da qualidade Analisar a relevância clínica e prognóstica do tempo porta -balão em pacientes com IAM, identificando os fatores que interferem em sua efetividade e discutindo estratégias que contribuam para a melhoria do atendimento e redução da se de uma revisão bibliográfica narrativa realizada bases PubMed, Lilacs e Scielo, entre janeiro de 2015 e setembro de 2025, em português e inglês. Foram incluídos dez artigos que abordaram a relação entre o tempo porta -balão e os desfechos clínicos em pacientes com infarto agudo do miocárdio, considerando fatores RESULTADOS E DISCUSSÃO: As evidências indicam que atrasos superiores a 90 minutos estão associados ao aumento da necrose miocárdica, maior incidência de insuficiência cardíaca e elevação das taxas de mo rtalidade. No Brasil, a sobrecarga hospitalar, a escassez de equipes de hemodinâmica e a limitação de infraestrutura comprometem o tempo de resposta. Em contraste, estudos internacionais demonstram que a implementação de protocolos assistenciais padronizad os, a presença de
89 equipes multiprofissionais e o gerenciamento da qualidade reduzem significativamente o tempo porta-balão e melhoram os prognósticos. CONCLUSÕES: O tempo porta-balão constitui um marcador estratégico de qualidade no atendimento ao IAM, exigindo investimento em infraestrutura, capacitação profissional e integração entre os atendimentos pré e intra-hospitalar, assegurando intervenções ágeis, seguras e eficazes, com impacto direto na redução da mortalidade e na qualidade da assistência cardiovascular. Palavras-Chaves: angioplastia primária; infarto agudo do miocárdio; tempo porta-balão. ABSTRACT INTRODUCTION: Acute myocardial infarction (AMI) remains a major cardiovascular emergency and a leading cause of mortality worldwide. Treatment effectiveness is directly related to rapid diagnosis and coronary reperfusion. Door-to-balloon time (the interval between hospital arrival and primary angioplasty) is an important indicator of quality of care. OBJECTIVE: To analyze the clinical and prognostic relevance of door-to-balloon time in patients with AMI, identifying factors that interfere with its effectiveness and discussing strategies that contribute to improving care and reducing mortality. METHODOLOGY: This is a narrative literature review conducted in the PubMed, Lilacs, and Scielo databases between January 2015 and September 2025, in Portuguese and English. Ten articles were included that addressed the relationship between door-to-balloon time and clinical outcomes in patients with acute myocardial infarction, considering structural, organizational, and care factors. RESULTS AND DISCUSSION: Evidence indicates that delays greater than 90 minutes are associated with increased myocardial necrosis, a higher incidence of heart failure, and higher mortality rates. In Brazil, hospital overload, a shortage of catheterization teams, and limited infrastructure compromise response times. In contrast, international studies demonstrate that the implementation of standardized care protocols, the presence of multidisciplinary teams, and quality management significantly reduce door-to-balloon time and improve prognoses. CONCLUSIONS: Door-to-balloon time constitutes a strategic marker of quality in AMI care, requiring investment in infrastructure, professional training, and integration between preand in-hospital care, ensuring agile, safe, and effective interventions, with a direct impact on reducing mortality and improving the quality of cardiovascular care. Keywords: acute myocardial infarction; door-to-balloon time; primary angioplasty. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares são, ainda hoje, uma das principais causas de morte em todo o mundo e representam um desafio contínuo para os sistemas de saúde. Entre essas doenças, o infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma das emergências médicas mais graves, exigindo diagnóstico rápido e tratamento imediato. O infarto agudo do miocárdio (IAM) representa uma das principais emergências cardiovasculares e segue como causa significativa
90 de morbimortalidade global (International Journal of Cardiovascular Sciences, 2025). A efetividade do tratamento depende não apenas da disponibilidade de recursos tecnológicos, mas, sobretudo, da rapidez no diagnóstico e na instituição da terapêutica de reperfusão, na qual a angioplastia primária ocupa papel central (Cureus, 2024). Um dos indicadores mais relevantes para mensurar a qualidade desse cuidado é o tempo porta-balão, que corresponde ao intervalo entre a chegada do paciente ao serviço hospitalar e a realização da intervenção coronariana percutânea (International Journal of Cardiovascular Sciences, 2021). Pesquisas demonstram que atrasos nesse intervalo repercutem em maior extensão de necrose miocárdica, maior incidência de insuficiência cardíaca e aumento expressivo das taxas de mortalidade (Vascular Health and Risk Management, 2017). Dados obtidos em hospitais brasileiros revelam barreiras estruturais e organizacionais que dificultam a otimização desse tempo crítico, sobretudo em regiões afastadas dos grandes centros, onde a disponibilidade de hemodinâmica é limitada (International Journal of Cardiovascular Sciences, 2021). Em contrapartida, experiências internacionais destacam que a implementação de protocolos assistenciais e a cobertura contínua por equipes especializadas contribuem para reduções significativas no tempo porta-balão, refletindo em melhores desfechos clínicos (Cureus, 2024; Vascular Health and Risk Management, 2017). Além desses fatores, outros elementos podem interferir diretamente nesse tempo, como a demora no reconhecimento dos sintomas, a lentidão na triagem inicial, falhas de comunicação entre os setores hospitalares e a ausência de fluxos padronizados para o atendimento de urgência (Amoras et al., 2020; Lima et al., 2019). Esses entraves demonstram que o problema é multifatorial e exige ações integradas que envolvam desde o atendimento pré-hospitalar até a reestruturação dos processos internos das unidades de saúde. Estudos recentes apontam que, quanto mais rápido o paciente é diagnosticado e submetido à reperfusão, maiores são as chances de recuperação do tecido miocárdico e de sobrevida (Bansal; Swaroop, 2022). Nesse contexto, compreender a relevância clínica e prognóstica do tempo porta-balão e identificar os fatores que interferem em sua efetividade no manejo do IAM tornam-se fundamentais para o aprimoramento dos serviços de emergência cardiovascular. Essa compreensão possibilita analisar as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais e propor estratégias capazes de melhorar o desempenho assistencial, reduzir a mortalidade e qualificar o cuidado prestado ao paciente.
91 O fortalecimento das equipes multiprofissionais, a capacitação contínua e o uso de protocolos baseados em evidências são medidas indispensáveis para tornar o atendimento mais ágil e eficiente. Assim, estudar e compreender o tempo porta-balão é essencial não apenas para avaliar a qualidade dos serviços de saúde, mas também para orientar políticas públicas e ações clínicas que garantam um atendimento mais seguro e resolutivo em casos de infarto agudo do miocárdio. Desse modo, o objetivo do estudo é analisar a relevância clínica e prognóstica do tempo porta-balão em pacientes com IAM, identificando os fatores que interferem em sua efetividade e discutindo estratégias que contribuam para a melhoria do atendimento e redução da mortalidade. METODOLOGIA Este capítulo configura-se como uma revisão bibliográfica narrativa, conduzida com o propósito de analisar e discutir a produção científica acerca da importância do tempo portabalão no Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). A escolha deste delineamento se justifica por permitir a integração crítica de diferentes evidências já publicadas, possibilitando compreender a relevância clínica do tempo porta-balão, bem como suas implicações prognósticas e organizacionais na atenção cardiovascular. As buscas foram realizadas nas bases de dados PubMed, LILACS e SciELO, entre janeiro de 2015 e setembro de 2025, em português e inglês. Para a pesquisa, foram utilizados os descritores “Door-to-Balloon Time”, “Primary Angioplasty”, “Percutaneous Coronary Intervention” e “Acute Myocardial Infarction”, combinados por meio dos operadores booleanos OR e AND, de acordo com os vocabulários DeCS/MeSH. Os critérios de inclusão abrangeram artigos completos e disponíveis na íntegra, publicados em português ou inglês, que discutem a relação entre o tempo porta-balão e desfechos clínicos em pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio. Foram considerados tanto estudos observacionais quanto ensaios clínicos, revisões e protocolos que apresentassem relevância científica para o tema. Os critérios de exclusão, por sua vez, compreenderam artigos duplicados, resumos ou trabalhos sem acesso ao texto integral, publicações em idiomas diferentes do português ou inglês, além de estudos cujo enfoque não estivesse diretamente relacionado ao tempo porta-balão.
92 Ao final do processo de seleção, foram incluídos 10 artigos que atenderam integralmente aos critérios estabelecidos, garantindo um conjunto de evidências diversificado e atualizado. Esse processo possibilitou reunir estudos clínicos e organizacionais que, em sua totalidade, fornecem uma base sólida para a discussão crítica dos impactos do tempo portabalão no prognóstico e na qualidade da atenção cardiovascular. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os estudos revisados confirmam que o tempo porta-balão (door-to-balloon — D2B) é um dos principais determinantes de prognóstico no infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAM-STEMI). A literatura demonstra que a redução desse intervalo está associada a menor extensão de necrose, menor risco de insuficiência cardíaca e redução de mortalidade hospitalar (Foo et al., 2016). No entanto, os resultados observados variam conforme a realidade estrutural e organizacional dos serviços de saúde, especialmente quando se comparam países desenvolvidos e em desenvolvimento. No Brasil, os estudos apontam médias superiores ao limite de 90 minutos recomendado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Amoras et al. (2020) observaram tempo médio de 115 minutos, enquanto Moraes et al. (2020) registraram média de 179 minutos. Esses atrasos estão relacionados à sobrecarga hospitalar, à escassez de recursos humanos e à limitação de centros com serviço de hemodinâmica, o que dificulta o atendimento em tempo hábil. Em contrapartida, Kohan et al. (2017) e Bansal et al. (2022), em estudos internacionais, demonstraram que a adoção de protocolos assistenciais e a presença de equipes multiprofissionais em regime de plantão integral reduziram o tempo porta-balão para menos de 90 minutos, refletindo em melhor prognóstico e menor mortalidade. A Tabela 1 apresenta um comparativo entre os estudos mais representativos, destacando o tempo médio porta-balão, os fatores que influenciam esse intervalo e os principais impactos clínicos observados. Autor/ Ano Local do Estudo Tempo PortaBalão Principais Fatores Associados Impactos Observados
93 Médio Kohan et al. (2017) EUA 68 min Equipe de cardiologia 24h e protocolos rápidos Redução de 23 min no D2B e melhora do prognóstico Lima et al. (2019) Brasil (Nordeste) Variável Gestão da qualidade e auditorias internas Melhoria gradual no desempenho assistencial Amoras et al. (2020) Brasil (Norte) 115 min Escassez de equipe, demora no ECG e ativação tardia da hemodinâmica Aumento da necrose miocárdica e da mortalidade Moraes et al. (2020) Brasil (CentroOeste) 179 min Falhas logísticas e sobrecarga hospitalar Piora dos desfechos clínicos e maior tempo de internação Bansal et al. (2022) Índia <90 min Protocolos padronizados e treinamento contínuo Aumento da taxa de reperfusão e menor mortalidade Lott et al. (2025) EUA (pandemia COVID-19) 89 min Atraso pré-hospitalar e medo de procurar atendimento Elevação da mortalidade geral apesar do D2B estável
94 Fonte: De autoria, (2025). De acordo com a análise dos dados apresentados, é possível observar que países que adotam protocolos assistenciais padronizados, equipes especializadas em tempo integral e processos bem definidos de atendimento emergencial apresentam tempos porta-balão mais curtos e, consequentemente, desfechos clínicos mais positivos. Nos Estados Unidos e na Índia, por exemplo, os resultados de Kohan et al. (2017) e Bansal et al. (2022) mostram que a manutenção de equipes multiprofissionais 24 horas e o uso de protocolos rápidos de triagem garantiram D2B abaixo de 90 minutos, reduzindo substancialmente as complicações e a mortalidade hospitalar. Em contrapartida, os estudos brasileiros revelam fragilidades que vão além da infraestrutura. Há falhas na integração dos fluxos de atendimento, atrasos na decisão clínica e dificuldades no transporte do paciente até o setor de hemodinâmica, especialmente em hospitais públicos ou de médio porte (Amoras et al., 2020; Moraes et al., 2020). A ausência de um sistema de comunicação eficiente entre a emergência, o laboratório e a hemodinâmica é um dos principais fatores que ampliam o tempo do porta-balão. Essas diferenças refletem também o impacto da gestão hospitalar e da capacitação profissional. Lima et al. (2019) demonstram que hospitais que implantaram sistemas de controle de qualidade e auditorias internas obtiveram melhora gradual dos tempos de resposta e maior eficiência no atendimento. A utilização de indicadores de desempenho e o acompanhamento periódico dos resultados permitem identificar gargalos e corrigir falhas, tornando o processo mais ágil e seguro. Além dos fatores internos, o tempo pré-hospitalar exerce influência decisiva no prognóstico. Lott et al. (2025) destacam que, durante a pandemia de COVID-19, houve prolongamento do tempo até a chegada dos pacientes aos hospitais, causado pelo medo de contaminação e pela sobrecarga dos serviços. Mesmo com o tempo porta-balão mantido dentro do recomendado, o atraso inicial resultou em aumento da mortalidade geral. Isso demonstra que o cuidado com o paciente com IAM deve ser avaliado de forma integral, considerando todas as etapas do atendimento, desde o início dos sintomas até a reperfusão coronariana. Outro ponto de destaque nos estudos é o papel da educação da população no reconhecimento precoce dos sinais do infarto. Muitos pacientes retardam a busca por atendimento, o que aumenta o tempo total de isquemia e reduz as chances de sucesso da
95 angioplastia. Campanhas educativas, capacitação de equipes da atenção primária e fortalecimento do serviço de urgência são estratégias fundamentais para reduzir o intervalo entre o início dos sintomas e o tratamento definitivo (Júnior et al., 2023; Dornas, 2019). A Tabela 2 a seguir apresenta uma síntese final com as conclusões e recomendações dos autores revisados, evidenciando a convergência dos resultados e a necessidade de ações integradas para aprimorar a assistência cardiovascular. Autor/Ano Tipo de Estudo / Local Principais Conclusões Recomendações dos Autores Foo et al. (2016) Revisão sistemática / Ásia Atrasos >90 min elevam mortalidade e sequelas cardíacas. Promover políticas públicas de acesso e reperfusão rápida. Kohan et al. (2017) Quantitativo / EUA Equipe 24h reduziu significativamente o tempo do porta-balão. Manter cobertura profissional contínua. Lima et al. (2019) Gestão da qualidade / Brasil Indicadores de desempenho melhoram a eficiência hospitalar. Realizar auditorias periódicas e capacitar profissionais. Dornas (2019) Estudo de caso / Brasil Falhas inter-hospitalares prolongam o tempo total de isquemia. Integrar unidades e implantar redes de atenção ao infarto. Amoras et al. (2020) Observacional / Brasil Tempo elevado e dificuldade na ativação da equipe de hemodinâmica. Melhorar a comunicação e implantar protocolos rápidos. Moraes et al. (2020) Descritivo / Brasil Atrasos expressivos em hospitais do interior com maior mortalidade. Fortalecer a rede de referência e transporte especializado.
96 Bansal et al. (2022) Prospectivo / Índia Protocolos padronizados mantiveram D2B abaixo de 90 min. Aplicar fluxos clínicos integrados e capacitação regular. Júnior et al. (2023) Revisão integrativa / Brasil O tempo é fator decisivo para reduzir sequelas e complicações. Incentivar campanhas de conscientização e diagnóstico precoce. Lott et al. (2025) Comparativo / EUA Atraso pré-hospitalar aumentou a mortalidade geral. Fortalecer o atendimento de urgência e a educação da população. Fonte: De autoria, (2025). A análise da Tabela 2 mostra que há um consenso entre os autores: o tempo portabalão é um marcador fundamental da qualidade assistencial e sua redução depende de múltiplos fatores interligados. A integração dos serviços de emergência, a capacitação das equipes multiprofissionais, o fortalecimento da rede de referência e o investimento em infraestrutura hospitalar são aspectos indispensáveis para a melhoria dos resultados. Os estudos internacionais reforçam que é possível alcançar tempos inferiores a 90 minutos com medidas relativamente simples, como a implantação de protocolos clínicos padronizados, uso de tecnologias de comunicação imediata, simulações periódicas de atendimento e monitoramento contínuo de indicadores. Já no contexto brasileiro, além dessas estratégias, é necessário o reforço das políticas públicas voltadas à ampliação dos serviços de hemodinâmica, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que apresentam maiores índices de atraso. Dessa forma, pode-se afirmar que a redução do tempo porta-balão exige um conjunto de ações integradas, que envolvem desde a gestão hospitalar até a conscientização da população. O aprimoramento contínuo das práticas assistenciais, aliado à atuação coordenada entre os níveis de atenção, é essencial para garantir o atendimento rápido e eficaz ao paciente com infarto agudo do miocárdio, contribuindo para a diminuição da mortalidade e para a melhoria da qualidade da assistência cardiovascular no Brasil.