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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: REPERCUSSÕES DERMATOLÓGICAS

Editora Saúde Vital

Abstract

Autores Maria Fernanda Mendes Moreira Graduanda em Medicina pela Universidade Prof. Edson Antônio Velano - UNIFENAS - Alfenas/MG Yasmin Dara Mendes da Silva Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID - São Paulo/SP Beatriz de Oliveira Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes - UNIT - Aracaju/SE Lívia Marina de Oliveira Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID - São Paulo/SP Luana Vitória de Melo Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário da Vitória de Santo Antão - UNIVISA/PE Maria Eduarda Olivare Graduada em Medicina pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS - Campus São Caetano do Sul Fernanda Birraque Saleme Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP - SP Giovana Monteiro de Carvalho Serrano Graduada em Medicina pela Universidade Nove de Julho - Vergueiro (UNINOVE) - SP Erika Alves dos Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes - UNIT - Aracaju/SE Mariana Menezes de Mauro Graduada em Medicina pela Universidade São Francisco - USF - Bragança Paulista - SP

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10. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: REPERCUSSÕES SYSTEMIC ARTERIAL HYPERTENSION: DERMATOLOGICAL EIXO TEMÁTICO: CARDIOLOGIA CLÍNICA E DIAGNÓSTICO Graduanda em Medicina pela Graduada em Medicina pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul Email do autor: RESUMO Introdução: A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma das doenças crônicas mais prevalentes e constitui fator de risco para morbimortalidade cardiovascular. Além das complicações clássicas, tanto a doença quanto seu tratamento podem repercutir na pele, gerando manifestaç ões clínicas e reações adversas. da HAS, identificando manifestações clínicas, efeitos adversos dos anti implicações para a prática clínica dermatológica. in tegrativa da literatura nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, além de documentos oficiais (CONITEC, PCDT) e diretrizes. Incluíram de 2001 a 2025 sobre HAS, manifestações cutâneas e efeitos de anti cont emplando artigos observacionais, ensaios clínicos, revisões e relatos de caso. e Discussão: A HAS está associada a xerose, prurido, hiperpigmentações e alterações vasculares periféricas, podendo evoluir para ulcerações. O tratamento anti 111 HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: REPERCUSSÕES DERMATOLÓGICAS. SYSTEMIC ARTERIAL HYPERTENSION: DERMATOLOGICAL REPERCUSSIONS. EIXO TEMÁTICO: CARDIOLOGIA CLÍNICA E DIAGNÓSTICO CARDIOVASCULAR Maria Fernanda Mendes Moreira Graduanda em Medicina pela Universidade Prof. Edson Antônio Velano Yasmin Dara Mendes da Silva Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo Beatriz de Oliveira Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes Lívia Marina de Oliveira Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo Luana Vitória de Melo Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário da Vitória de Santo Antão Maria Eduarda Graduada em Medicina pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS Fernanda Birraque Saleme Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto Giovana Monteiro de Carvalho Graduada em Medicina pela Universidade Nove de Julho Erika Alves dos Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes Mariana Menezes de Mauro Graduada em Medicina pela Universidade São Fran cisco mail do autor: [email protected] A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma das doenças crônicas mais prevalentes e constitui fator de risco para morbimortalidade cardiovascular. Além das complicações clássicas, tanto a doença quanto seu tratamento podem repercutir na pele, gerando ões clínicas e reações adversas. Objetivo: Analisar as repercussões dermatológicas da HAS, identificando manifestações clínicas, efeitos adversos dos anti implicações para a prática clínica dermatológica. Metodologia: tegrativa da literatura nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, além de documentos oficiais (CONITEC, PCDT) e diretrizes. Incluíram de 2001 a 2025 sobre HAS, manifestações cutâneas e efeitos de anti emplando artigos observacionais, ensaios clínicos, revisões e relatos de caso. A HAS está associada a xerose, prurido, hiperpigmentações e alterações vasculares periféricas, podendo evoluir para ulcerações. O tratamento anti HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: REPERCUSSÕES SYSTEMIC ARTERIAL HYPERTENSION: DERMATOLOGICAL EIXO TEMÁTICO: CARDIOLOGIA CLÍNICA E DIAGNÓSTICO Maria Fernanda Mendes Moreira Universidade Prof. Edson Antônio Velano - UNIFENAS - Alfenas/MG Yasmin Dara Mendes da Silva Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID - São Paulo/SP Beatriz de Oliveira Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes - UNIT - Aracaju/SE Lívia Marina de Oliveira Graduanda em Medicina pela Universidade Cidade de São Paulo - UNICID - São Paulo/SP Luana Vitória de Melo Graduanda em Fisioterapia pelo Centro Universitário da Vitória de Santo Antão - UNIVISA/PE Maria Eduarda Olivare USCS - Campus São Caetano do Sul Fernanda Birraque Saleme Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - FAMERP - SP Giovana Monteiro de Carvalho Serrano Graduada em Medicina pela Universidade Nove de Julho - Vergueiro (UNINOVE) - SP Erika Alves dos Santos Graduanda em Enfermagem pela Universidade Tiradentes - UNIT - Aracaju/SE Mariana Menezes de Mauro cisco - USF - Bragança Paulista - SP A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma das doenças crônicas mais prevalentes e constitui fator de risco para morbimortalidade cardiovascular. Além das complicações clássicas, tanto a doença quanto seu tratamento podem repercutir na pele, gerando Analisar as repercussões dermatológicas da HAS, identificando manifestações clínicas, efeitos adversos dos anti -hipertensivos e Metodologia: Realizou-se revisão tegrativa da literatura nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS, além de documentos oficiais (CONITEC, PCDT) e diretrizes. Incluíram -se estudos de 2001 a 2025 sobre HAS, manifestações cutâneas e efeitos de anti -hipertensivos, emplando artigos observacionais, ensaios clínicos, revisões e relatos de caso. Resultados A HAS está associada a xerose, prurido, hiperpigmentações e alterações vasculares periféricas, podendo evoluir para ulcerações. O tratamento anti -hipertensivo foi um 112 dos principais fatores de complicações cutâneas: diuréticos tiazídicos e bloqueadores de canais de cálcio provocam fotossensibilidade, erupções liquenoides e dermatite de contato; IECA e betabloqueadores, angioedema, psoríase e fenômeno de Raynaud. Em idosos, a polifarmácia amplia os riscos, somando-se à fragilidade cutânea e ao estresse oxidativo. Protocolos como o PCDT da HAS destacam a necessidade de vigilância ativa, rastreamento de eventos adversos e orientação pelo Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER). A avaliação dermatológica periódica é essencial, pois alterações cutâneas podem indicar descontrole pressórico ou reações adversas, permitindo ajustes oportunos. A abordagem multiprofissional favorece a adesão e a qualidade de vida. Considerações Finais: As manifestações cutâneas no contexto da HAS refletem tanto a fisiopatologia da doença quanto os efeitos adversos dos anti-hipertensivos. O reconhecimento precoce dessas alterações é crucial para a adesão terapêutica e prevenção de complicações, reforçando a importância da avaliação dermatológica no cuidado integral. Palavras-Chaves: hipertensão arterial sistêmica; manifestações na pele; complicações dermatológicas; drogas anti-hipertensivas. ABSTRACT Introduction: Systemic Arterial Hypertension is one of the most prevalent chronic diseases and constitutes a major risk factor for cardiovascular morbidity and mortality. In addition to classic complications, both the disease itself and its treatment may affect the skin, leading to clinical manifestations and adverse reactions. Objective: To analyze the dermatological repercussions of SAH, identifying clinical manifestations, adverse effects of antihypertensive drugs, and implications for dermatological clinical practice. Methodology: An integrative literature review was conducted in the PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO, and LILACS databases, as well as in official documents (CONITEC, PCDT) and clinical guidelines. Studies published between 2001 and 2025 addressing SAH, skin manifestations, and the effects of antihypertensive drugs were included, comprising observational studies, clinical trials, reviews, and case reports. Results and Discussion: SAH is associated with xerosis, pruritus, hyperpigmentation, and peripheral vascular changes, which may progress to ulcerations. Antihypertensive treatment was identified as one of the main factors for cutaneous complications: thiazide diuretics and calcium channel blockers cause photosensitivity, lichenoid eruptions, and contact dermatitis; ACE inhibitors and betablockers are related to angioedema, psoriasis, and Raynaud’s phenomenon. In the elderly, polypharmacy increases risks, in addition to skin fragility and oxidative stress. Protocols such as the SAH PCDT emphasize the need for active monitoring, detection of adverse events, and patient guidance through the Informed Consent and Responsibility Term (TER). Periodic dermatological evaluation is essential, as skin alterations may indicate poor blood pressure control or adverse drug reactions, allowing timely therapeutic adjustments. A multidisciplinary approach enhances adherence and quality of life. Final Considerations: Cutaneous manifestations in the context of SAH reflect both the disease’s pathophysiology and the adverse effects of antihypertensive drugs. Early recognition of these alterations is 113 crucial for therapeutic adherence and prevention of complications, highlighting the importance of dermatological evaluation in comprehensive patient care. Keywords: systemic arterial hypertension; skin manifestations; dermatological complications; antihypertensive drugs. INTRODUÇÃO A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das doenças crônicas não transmissíveis mais prevalentes no mundo, sendo reconhecida como o principal fator de risco para morbimortalidade cardiovascular. Estima-se que aproximadamente 1,3 bilhão de pessoas convivam com essa condição, tornando-a um dos maiores desafios de saúde pública global (CONITEC, 2022; GELFAND et al., 2025). No Brasil, sua prevalência é elevada, sobretudo entre indivíduos acima de 40 anos, representando um importante determinante de hospitalizações, complicações e perda de qualidade de vida. Apesar do enfoque tradicional nas complicações cardíacas, renais e neurológicas, a HAS também pode repercutir sobre outros órgãos e sistemas, incluindo a pele. Essas manifestações dermatológicas podem decorrer tanto do impacto fisiopatológico da hipertensão — como alterações microvasculares, endoteliais e inflamatórias — quanto do uso crônico de anti-hipertensivos. Esse aspecto, ainda pouco explorado, possui relevância clínica por afetar a adesão ao tratamento e bem-estar do paciente. Entre as manifestações cutâneas associadas à HAS encontram-se xerose, prurido, hiperpigmentações e alterações vasculares periféricas, que podem evoluir para ulcerações. Além disso, estudos relatam que fármacos amplamente empregados, como diuréticos tiazídicos e bloqueadores de canais de cálcio, podem causar fotossensibilidade, erupções liquenoides, dermatite de contato e outras reações adversas (SKIN CANCER FOUNDATION, 2024). O envelhecimento cutâneo acelerado também tem sido relacionado à hipertensão. A disfunção endotelial e o estado inflamatório crônico favorecem o aumento do estresse oxidativo e o comprometimento da barreira cutânea, predispondo a infecções, má cicatrização e respostas exacerbadas a traumas ou procedimentos dermatológicos (BROWN et al., 2017; AMEER et al, 2023). Nos idosos, grupo em que a HAS é mais prevalente, a questão torna-se ainda mais 114 complexa, uma vez que a polifarmácia é frequente. O uso simultâneo de múltiplos antihipertensivos aumenta a probabilidade de reações adversas dermatológicas, potencializando riscos de fotodermatoses, hipersensibilidade e inflamações cutâneas (MARTINS et al., 2022). Dessa forma, compreender a interação entre a HAS, seus tratamentos e a pele tornamse essencial não apenas para o manejo integral do paciente hipertenso, mas também para garantir adesão terapêutica e preservar a qualidade de vida. Reconhecer precocemente as manifestações cutâneas permite adaptar condutas, reduzir riscos e promover melhor prognóstico clínico. No entanto, a literatura científica ainda é escassa e fragmentada sobre esse tema. A maior parte dos estudos foca nas complicações cardiovasculares e metabólicas, relegando os aspectos dermatológicos a uma posição secundária. Isso reforça a necessidade de investigações mais consistentes e sistemáticas (VARALHO; MASTROIANNI 2013). As repercussões dermatológicas da HAS também podem servir como sinais indiretos de descontrole pressórico ou de efeitos adversos medicamentosos, funcionando como indicadores clínicos relevantes para ajustes terapêuticos. Assim, dermatologistas e clínicos devem atuar em conjunto no acompanhamento dos pacientes hipertensos (SKIN CANCER FOUNDATION, 2024). Além das manifestações clássicas, há relatos crescentes de que determinados antihipertensivos influenciam a resposta da pele à radiação ultravioleta, aumentando a fotossensibilidade e o risco de neoplasias cutâneas não melanoma. Isso amplia a importância de estratégias preventivas como fotoproteção rigorosa e monitoramento dermatológico regular (MARTINS et al., 2022; AMEER et al., 2023). Assim, a presente investigação se propõe a analisar de forma sistematizada a relação entre hipertensão arterial sistêmica e suas repercussões dermatológicas, considerando manifestações clínicas, efeitos adversos de medicamentos e implicações no cuidado multiprofissional. OBJETIVO O objetivo deste estudo é analisar as repercussões dermatológicas da hipertensão arterial sistêmica, identificando manifestações clínicas associadas à doença, efeitos adversos do tratamento anti-hipertensivo e implicações para a prática clínica dermatológica e 115 multiprofissional. METODOLOGIA Optou-se por um delineamento de revisão integrativa da literatura, uma vez que essa metodologia permite reunir, avaliar criticamente e sintetizar diferentes tipos de evidências disponíveis sobre a relação entre hipertensão arterial sistêmica (HAS) e repercussões dermatológicas. Essa escolha possibilita contemplar tanto estudos observacionais e ensaios clínicos quanto diretrizes clínicas, revisões sistemáticas e narrativas, favorecendo uma visão ampla e crítica do tema (CONITEC, 2022). A pesquisa foi conduzida em bases eletrônicas de grande abrangência, incluindo PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO e LILACS. Além dessas, também foram considerados documentos técnicos governamentais, protocolos clínicos nacionais, livros científicos de acesso aberto e diretrizes internacionais de dermatologia e cardiologia. As publicações selecionadas englobaram o período entre 2001 e 2025, contemplando tanto estudos clássicos quanto evidências recentes. A estratégia de busca utilizou descritores controlados e não controlados, em português e inglês, como “hipertensão arterial sistêmica”, “hypertension”, “dermatologia”, “skin manifestations”, “dermatologic complications”, “antihypertensive drugs” e “photosensitivity”. Os operadores booleanos “AND” e “OR” foram empregados para aumentar a sensibilidade e especificidade da pesquisa, conforme a necessidade. Os critérios de inclusão abrangeram artigos que relacionassem a hipertensão a manifestações cutâneas, direta ou indiretamente, e estudos que abordassem repercussões do uso prolongado de anti-hipertensivos sobre a pele. Foram aceitos trabalhos em inglês, português e espanhol. Ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte, revisões sistemáticas, relatos de caso e documentos oficiais compuseram a amostra final (SKIN CANCER FOUNDATION, 2024). Foram excluídas publicações que não apresentavam conexão entre hipertensão e alterações dermatológicas, estudos com população exclusivamente pediátrica sem comorbidades, artigos duplicados entre bases e textos sem acesso integral. Trabalhos cujo enfoque era restrito às complicações cardiovasculares, sem considerar manifestações cutâneas ou efeitos colaterais medicamentosos, também foram desconsiderados. 116 Para a extração e organização dos dados, foi utilizada uma planilha padronizada que incluía informações como ano de publicação, país, tipo de estudo, população avaliada, manifestações dermatológicas observadas, fármacos envolvidos e principais conclusões. Esse processo foi conduzido por dois revisores independentes, e divergências foram solucionadas por consenso, garantindo maior confiabilidade à seleção dos achados. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada com ferramentas adequadas ao tipo de delineamento. Utilizou-se a escala de Newcastle-Ottawa para estudos observacionais, a ferramenta Cochrane Risk of Bias para ensaios clínicos e o AMSTAR-2 para revisões sistemáticas. Documentos técnicos, como o Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica (PCDT) da CONITEC, foram analisados de acordo com consistência, aplicabilidade e atualização de suas recomendações. Os resultados foram sintetizados de forma descritiva e temática. Os achados foram categorizados em três eixos principais: manifestações cutâneas decorrentes da própria hipertensão (como alterações microvasculares e cutâneas por comprometimento endotelial), efeitos adversos dermatológicos associados ao uso crônico de anti-hipertensivos (fotossensibilidade, erupções medicamentosas e reações liquenoides) e implicações dermatológicas em populações específicas, como idosos e pacientes com múltiplas comorbidades. Por se tratar de uma revisão de literatura, o estudo não envolveu coleta direta de dados de pacientes, estando, portanto, isento de apreciação em Comitê de Ética em Pesquisa. Contudo, foram respeitados os preceitos de integridade científica, com rigor na citação das fontes e fidelidade aos achados originais. Entre as limitações, destacam-se a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, a escassez de ensaios clínicos robustos na área e as restrições de acesso a artigos em periódicos pagos, o que pode ter reduzido o alcance da revisão. RESULTADOS E DISCUSSÃO A presente revisão integrativa demonstrou que a hipertensão arterial sistêmica (HAS) está associada a diversas manifestações dermatológicas, decorrentes tanto de seus efeitos fisiopatológicos quanto do uso prolongado de fármacos anti-hipertensivos. Entre os achados mais recorrentes, destacaram-se xerose, prurido, hiperpigmentações e alterações vasculares 117 periféricas, que em casos avançados podem evoluir para ulcerações. Tais manifestações relacionam-se a alterações microvasculares e endoteliais próprias da HAS, que comprometem a perfusão tecidual e favorecem processos inflamatórios e de cicatrização deficiente (JAWORSKI et al., 2014). O tratamento farmacológico, embora essencial no controle pressórico, mostrou-se um dos principais fatores predisponentes às complicações cutâneas. Medicamentos como diuréticos tiazídicos e bloqueadores de canais de cálcio foram fortemente associados a fotossensibilidade, erupções liquenoides, dermatite de contato e exacerbação de prurido. Há também evidências de que determinados anti-hipertensivos aumentam a sensibilidade à radiação ultravioleta como visto na tabela 1, elevando o risco de neoplasias cutâneas não melanoma, o que ressalta a importância de medidas preventivas como uso regular de fotoprotetores e acompanhamento dermatológico periódico (SKIN CANCER FOUNDATION, 2024). Tabela 1: Principais anti-hipertensivos e repercussões dermatológicas. Classe do Fármaco Repercussões Dermatológicas Implicações Clínicas Diuréticos tiazídicos Fotossensibilidade, hiperpigmentação, aumento do risco de câncer de pele não melanoma. Uso de protetor solar; rastreio dermatológico periódico. Betabloqueadores Psoríase, rash cutâneo, fenômeno de Raynaud. Evitar em pacientes com psoríase prévia; monitoramento rigoroso. IECA (Captopril, Enalapril) Angioedema, rash, prurido. Suspender em caso de angioedema; substituição terapêutica. BCC (Nifedipino, Anlodipino) Rubor facial, edema periférico, prurido, hiperplasia gengival. Monitorar adesão; cuidados locais com edema. 118 Hidralazina , Metildopa Lúpus induzido por drogas ( lesões cutâneas eritematosas) Monitorar sintomas sistêmicos; solicitar exames laboratoriais. Fonte: JAWORSKI et al., 2014. A análise dos estudos com população idosa revelou uma maior prevalência de repercussões dermatológicas, sobretudo pela polifarmácia e pela fragilidade cutânea característica do envelhecimento. O estresse oxidativo crônico e a disfunção endotelial relacionados à HAS contribuem para acelerar o envelhecimento da pele, predispondo a infecções, cicatrização lenta e respostas exacerbadas a traumas e procedimentos dermatológicos (BROWN et al, 2017; AMEER et al, 2023). Diante desse cenário, os protocolos oficiais reforçam a necessidade de vigilância clínica. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêutica (PCDT) da Hipertensão Arterial Sistêmica, orienta a monitorização ativa de eventos adversos dos anti-hipertensivos, com ênfase em manifestações cutâneas, metabólicas e vasculares. Além disso, destaca-se a obrigatoriedade do Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER), garantindo que o paciente seja informado sobre os riscos e benefícios da terapêutica (CONITEC, 2022). Esses resultados evidenciam a relevância de uma abordagem multiprofissional no acompanhamento do paciente hipertenso. A avaliação dermatológica periódica deve ser incorporada às práticas clínicas, uma vez que as alterações cutâneas podem funcionar como marcadores indiretos de descontrole pressórico ou de reações adversas medicamentosas, permitindo ajustes terapêuticos oportunos. Além disso, a integração entre médicos, dermatologistas e outros profissionais da saúde amplia a adesão ao tratamento e contribui para a preservação da qualidade de vida dos pacientes (CONITEC, 2022). Ainda, a relevância da avaliação cutânea se aprofunda ao considerar o espectro das Reações Adversas a Medicamentos (RAM), problema de saúde pública que pode gerar morbidade, incapacidade e mortalidade, sendo definidas como qualquer evento nocivo e não intencional que ocorre com o uso de um medicamento em doses terapêuticas habituais (VARALHO; MASTROIANNI, 2013). Dentre estas, a manifestação cutânea, denominada farmacodermia, é a forma mais comum de RAM, tornando o paciente hipertenso, frequentemente em polifarmácia, particularmente vulnerável (MARTINS et al., 2022). 119 O quadro clínico dessas reações varia de formas leves, como o exantema, que representa a maioria dos casos, a condições graves e potencialmente fatais, como a Síndrome de Hipersensibilidade Induzida por Drogas com Eosinofilia e Sintomas Sistêmicos (DRESS). A alta proporção de casos graves demanda intervenções imediatas, como a suspensão do agente causal e, em quase metade dos casos hospitalares, o uso de corticosteroides sistêmicos (MARTINS et al., 2022). A complexidade do manejo da HAS e a ampla gama de efeitos adversos exigem que o acompanhamento do paciente siga diretrizes rigorosas, como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hipertensão Arterial Sistêmica (PCDT HAS). Este protocolo, aprovado pela Portaria SECTICS/MS Nº 49, DE 23 DE JULHO DE 2025, estabelece que a monitorização deve incluir ativamente a investigação de potenciais eventos adversos dos anti-hipertensivos, que extrapolam as manifestações cutâneas e englobam, por exemplo, o edema maleolar comum aos Bloqueadores de Canais de Cálcio ou a fraqueza e cãibras associadas a diuréticos. Para garantir a segurança do tratamento e a participação ativa do paciente, o PCDT HAS exige que o paciente seja plenamente informado sobre os riscos e benefícios do tratamento medicamentoso por meio do Termo de Esclarecimento e Responsabilidade (TER), reforçando a vigilância contínua para um manejo seguro e eficaz da hipertensão arterial (PORTARIA SECTICS/MS Nº 49, DE 23 DE JULHO DE 2025). CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que este estudo evidencia a relevância das manifestações dermatológicas no contexto da hipertensão arterial sistêmica, tanto como reflexo da fisiopatologia da doença quanto como consequência do uso crônico de anti-hipertensivos. Fica clara a necessidade de vigilância clínica ampliada e multiprofissional, em especial com a inclusão sistemática da avaliação dermatológica no acompanhamento de pacientes hipertensos. Como limitação, destaca-se a escassez de estudos nacionais com grande amostra populacional, além da predominância de pesquisas observacionais, o que restringe a possibilidade de estabelecer relações causais mais robustas. Ademais, a heterogeneidade metodológica entre os trabalhos revisados pode ter impactado na padronização dos achados.