ANALYSIS OF THE EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF HOSPITALIZATIONS DUE TO CLASSICAL DENGUE IN THE MUNICIPALITY OF SANTOS: FROM 2023 TO 2025
Abstract
This paper presents a study of hospitalizations due to classic dengue fever in the municipality of Santos. Dengue fever is a highly prevalent arbovirus in Brazil. Among the factors that trigger this situation are climate, lack of basic sanitation, and urbanization. The data were obtained from TABNET/DATSUS, and scientific articles from the Google Scholar platform and government websites were also used. The results revealed that dengue patients were mostly young white adults, and that there was a variation in gender. Given these results, public health strategies, along with additional studies, are needed to reduce cases.
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__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 427 (Ciências Biológicas e da Saúde) ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DAS INTERNAÇÕES POR DENGUE CLÁSSICA NO MUNICÍPIO DE SANTOS:DE 2023 A 2025 ANALYSIS OF THE EPIDEMIOLOGICAL PROFILE OF HOSPITALIZATIONS DUE TO CLASSICAL DENGUE IN THE MUNICIPALITY OF SANTOS: FROM 2023 TO 2025 Beatriz Trevisan Fernandez, Bianca da Silva Santos, Bárbara Gomes Del Rey Universidade Santa Cecília, Faculdade de Ciências da Saúde, Curso de Farmácia E-mail para contato: beatriz.tre[email protected] RESUMO – Este trabalho apresenta um estudo sobre as internações por dengue clássica no município de Santos. A dengue é uma arbovirose de alta prevalência no Brasil. Entre os fatores que desencadeiam esse cenário está o clima, a carência de saneamento básico e a urbanização. Os dados foram obtidos a partir do TABNET/DATSUS, além disso, foram usados artigos científicos da plataforma Google Acadêmico e sites governamentais. Os resultados revelaram que os pacientes acometidos por dengue eram jovens adultos brancos, ademais, houve uma oscilação na vertente do sexo. Diante dos resultados, cabe a criação de estratégias em saúde pública, junto a estudos complementares, a fim de que haja a redução dos casos. Palavras-chave: dengue clássica; internações; epidemiologia; fatores; saúde pública. ABSTRACT – This paper presents a study of hospitalizations due to classic dengue fever in the municipality of Santos. Dengue fever is a highly prevalent arbovirus in Brazil. Among the factors that trigger this situation are climate, lack of basic sanitation, and urbanization. The data were obtained from TABNET/DATSUS, and scientific articles from the Google Scholar platform and government websites were also used. The results revealed that dengue patients were mostly young white adults, and that there was a variation in gender. Given these results, public health strategies, along with additional studies, are needed to reduce cases. Keywords: classical dengue; hospitalizations; epidemiology; factors; public health.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 428 (Ciências Biológicas e da Saúde) 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho irá tratar sobre os casos de dengue clássica no município de Santos. Em 2025, o Brasil apresentou resultados alarmantes, passando da marca de 1,5 milhão de casos prováveis de dengue, sendo 1.658 óbitos e 304 em investigação, de acordo com dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses. O responsável por esses resultados é um vetor, a fêmea do Aedes aegypti. Tal espécie apresenta a possibilidade de completar o seu ciclo de vida entre 7 a 10 dias em ambientes adequados para a sua sobrevivência como, por exemplo, recipientes artificiais ou naturais que disponha de água parada. Seus ovos podem resistir em locais como ambientes secos por mais de um ano, estratégia para a perpetuação de sua espécie. Faz parte da família Flaviviridae e é subdividido em quatro sorotipos: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV 4 [1,2,3]. Seu diagnóstico se dá na análise clínica do paciente. A febre alta é um dos sintomas mais frequentes e geralmente apresenta redução entre o terceiro e o sétimo dia, vem acompanhada de mialgia, artralgia, cefaleia, prostração, mal-estar, além disso, o paciente pode ainda não apresentar nenhum sintoma [3]. Diante desses sintomas, o contexto ambiental de Santos amplia os ricos de contração da doença, visto que apresenta temperaturas elevadas e chuvas frequentes, condições perfeitas para a reprodução do mosquito. Além do clima, fatores como urbanização desordenada, impulsionada pelo turismo e atividade portuária, sobrecarregam a infraestrutura urbana. Consequentemente, a carência de saneamento básico favorece o acúmulo de água parada em vasos, pneus, garrafas, somada às limitações vacinais, que até o momento pelo SUS não atende a todas as idades, propicia o aumento de caso, tornando a dengue um desafio social [3,4,5]. Um avanço recente que pode mitigar os casos é a implementação da vacina contra a dengue no Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) no início de 2024. A Qdenga conta com a aplicação de duas doses, sendo um intervalo de três meses entre elas. O público-alvo da campanha foram crianças e adolescentes com idades entre 10 a 14 anos[3]. De acordo com os dados publicados pelo Governo do Estado de São Paulo, o total de doses aplicadas neste ano no município de Santos foram somente 8.924, dos quais 3.326 vacinados eram crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, que segundo a própria Secretaria
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 429 (Ciências Biológicas e da Saúde) do Município, não compareceram para a administração da segunda dose da vacina, ou seja, não estão com o esquema vacinal completo e seguem suscetíveis à doença e a proliferação da mesma [6,7,8]. O presente estudo tem como objetivo analisar e descrever o perfil epidemiológico dos pacientes internados com dengue clássica no município de Santos, com foco nos meses de janeiro a abril dos anos de 2023-2025. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de um estudo ecológico, de abordagem quantitativa e caráter descritivo. Os dados foram obtidos exclusivamente de fontes secundárias de domínio público, garantindo o anonimato. A pesquisa foi realizada com dados disponibilizados pelo departamento de Informações do Sistema Único de Saúde (TABNET\DATASUS). A coleta de dados ocorreu nos meses de janeiro a abril dos anos de 2023 a 2025, utilizando os registros de internações hospitalares por dengue clássica. As variáveis utilizadas foram: sexo, faixa etária, raça e número total de casos. A partir do software Microsoft Excel, criou-se uma tabela possibilitando melhor visualização dos dados. Na discussão, foram consultados artigos científicos da plataforma Google Acadêmico e sites governamentais [9]. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao se analisar a tabela 1, nota-se uma divergência entre os anos avaliados na pesquisa referentes ao sexo. No primeiro e no último ano analisado, 2023 e 2025, os resultados demonstraram uma superioridade pelos indivíduos de sexo masculino. Já no ano de 2024, os resultados se invertem, com um predomínio pelo sexo feminino. Em comparação ao estudo realizado por Oliveira et al. (2025), nota–se resultados distintos ao dessa pesquisa, com a prevalência apenas do sexo feminino. Essa divergência de dados sugere que o sexo não é um fator único para a ocorrência de casos de dengue clássica, podendo assim estar relacionado a outros fatores [10].
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 430 (Ciências Biológicas e da Saúde) Tabela 1. Distribuição dos casos de Dengue Fonte: Ministério da Saúde, DATASUS. Ao analisar a variável faixa etária, a mais acometida foram os jovens adultos. Em 2023, à faixa etária de indivíduos com menos de 19 anos representou 100% dos casos, isso se deve provavelmente a baixa quantidade de hospitalizações neste ano. Ademais, nos anos seguintes, os casos prevaleceram nas faixas etárias de indivíduos com menos de 19 anos e de 20 a 49 anos. Essa expressiva notificação pode ser explicada por uma menor adoção de medidas protetivas contra o vetor e por ser o grupo populacional em idade produtiva, expondo-se assim em maior área laboral. Pereira et al. (2020), constataram em sua pesquisa que as maiores incidências estavam relacionadas à faixa etária de 20 a 39 anos, confirmando os resultados apresentados [11]. A maior parte dos casos foram de indivíduos da raça branca, o que pode justificar esse resultado são os dados do Censo de 2022, que aponta a raça branca como a de maior prevalência no munício. Porém, isso não indica risco aumentado por fatores biológicos, afinal a ocorrência de dengue não está relacionada a associações simplistas como a raça. Esse quadro se relaciona com o estudo caso-controle realizado por Amalakanti et al. (2016) que envolveu 132 pacientes com dengue ou malária, ao final comparando o tom de pele segundo a escala de Fitzpatrick,
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 431 (Ciências Biológicas e da Saúde) não houve diferença significativa entre os grupos de modo que o tom de pele não constitui um fator relevante [12,13]. Ademais, vale ainda salientar o aumento de casos ao longo dos anos, principalmente do ano de 2023 para 2024. De acordo com a literatura, isso se deve a uma série de fatores como clima e problemas estruturais, por exemplo, o acúmulo de lixo, que criam focos de água parada, aumentando assim a transmissão. Além disso, a falta de vacinação no município também representa um fator para o agravamento da doença [10,14]. 4 CONCLUSÃO Com base nos resultados analisados, a dengue clássica se apresenta elevada no município de Santos, atingindo principalmente indivíduos jovens adultos brancos devido principalmente, por ser a população com maior exposição em área geográfica e por não estar presente, até o momento, ao grupo de imunização no SUS. Esse quadro evidencia que a disponibilidade da imunização não tem sido capaz de conter o avanço da doença. Ressalta-se, ademais, a criação de estratégias em saúde pública voltadas para a prevenção, controle vetorial e vacinação, junto a estudos complementares, pois só assim haverá a redução de casos no município de Santos. Aos familiares, amigos e professores, nossos singelos agradecimentos. 5 REFERÊNCIAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Painel de Monitoramento das Arboviroses: dengue, chikungunya e zika.2025. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes nacionais para prevenção e controle de epidemias de dengue, chikungunya e zika.2020. 3. Brasil. Ministério da Saúde.Dengue.2025. 4. Florenzano, B. M.et al. Análise comparativa do perfil epidemiológico doas casos de dengue no Brasil durante o primeiro trimestre dos anos de 2023 e 2024:um estudo ecológico. Revista Brasileira de Implantodontia e Ciências da Saúde.v.6, n.8, p.1459-1470,2024. 5. Lopes, E. R.do N; Nuvoloni, F.M; Moreno, G. S. Influência ambiental em doenças infecciosas emergentes e reemergentes. Revista do Departamento de Geografia, São Paulo, Brasil, v. 44, p.1-14, 2024. 6. Prefeitura de Santos. Mais de 3,3 mil crianças em Santos não retornaram para a segunda dose contra a dengue. Portal da Prefeitura, Santos, 22 julho 2025.
__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 432 (Ciências Biológicas e da Saúde) 7. Prefeitura de santos. Mutirão contra o Aedes na Área Continental de Santos elimina quase 50 focos com larvas de mosquito. Portal da Prefeitura, Santos, 18 de setembro de 2025. 8. Prefeitura de santos. Santos realiza DIA D de vacinação com sete postos no sábado. Portal da Prefeitura, Santos, 16 setembro 2025. 9. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de Informática do SUS-DATASUS. 2025. 10. Oliveira,I.C.et al. Aumento de casos de dengue em São Paulo de 2023 a 2024: uma análise epidemiológica. Res., Soc. Dev.v.2, p.1-10,2025. 11. Pereira,P.et al. Perfil epidemiológico da dengue em um município do norte brasileiro: uma análise epidemiológica. Res., Soc.Dev.v.9, n.12, p.1-15,2020. 12. Censo demográfico 2022.População residente por cor e raça no município de Santos.Rio de Janeiro,2022. 13. Amalakanti,S.et al.Influence of skin color in the dengue and malária:A case-control study.International Jornal of Mosquito Research.v.3,n.4,p.50-52,2016. 14. Miranda,A.H.F da.S.B de .M. et al.Análise do perfil epidemiológico da dengue na região sudeste do Brasil: comparação entre o primeiro bimestre de 2023 e 2024.Revista Científica Multidiciplinar.v.5,n.5,p.1-11,2024.