Recomendações para a redação de artigos científicos de pesquisa qualitativa com uso de inteligência artificial
Abstract
Este guia apresenta recomendações éticas, metodológicas e editoriais para a redação de artigos científicos qualitativos com uso de inteligência artificial, alinhadas às diretrizes COREQ, SRQR e ENTREQ, bem como às recomendações da UNESCO para IA, ciência aberta e integridade científica. O documento propõe orientações práticas para descrição de métodos, uso responsável da IA, estrutura de artigos, critérios de autoria, transparência em pesquisa e boas práticas de escrita científica. Destina-se a pesquisadores, docentes, estudantes e autores em ciências da saúde e humanas, incentivando rigor metodológico, clareza textual e ética no uso de IA.
Full text
RECOMENDAÇÕES PARA A REDAÇÃO DE ARTIGOS CIENTÍFICOS EM PESQUISA QUALITATIVA COM USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
1 HELLMANN, Fernando. Recomendações para a redação de artigos científicos de pesquisa qualitativa com uso de inteligência artificial. Versão 01 (4/12/2025). Florianópolis: Cátedra UNESCO de Bioética e Saúde Coletiva, UFSC, 2025. 14 p. Disponível em: https://doi.org/10.5281/zenodo.17818172 Este documento apresenta recomendações para a redação ética, transparente e metodologicamente consistente de artigos científicos resultantes de pesquisas qualitativas com atenção especial aos estudos que utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) em alguma etapa da investigação ou da escrita1. Sua estrutura fundamenta-se nos principais referenciais internacionais de boas práticas em pesquisa qualitativa, a saber, o COREQ - Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (TONG; SAINSBURY; CRAIG, 2007; SOUZA et al., 2021), o SRQR - Standards for Reporting Qualitative Research (O’BRIEN et al., 2014) e o ENTREQ - Enhancing Transparency in Reporting the Synthesis of Qualitative Research (TONG et al., 2012), bem como em diretrizes UNESCO, expressas no Guia para a IA Generativa na Educação e na Pesquisa (UNESCO, 2024), na Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial (UNESCO, 2022) e na Recomendação sobre Ciência Aberta (UNESCO, 2021) e na Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (UNESCO, 2005). Reconhece-se que o uso de ferramentas de IA, especialmente as baseadas em IA generativa, tem se expandido em diferentes etapas da produção científica, oferecendo apoio em tarefas como revisão linguística, tradução de trechos, visualização preliminar de dados qualitativos e organização de referências. Quando utilizadas com discernimento, tais tecnologias podem ampliar a acessibilidade, a eficiência e a qualidade do trabalho acadêmico. No entanto, conforme enfatizado pelas recomendações da UNESCO, é imprescindível que esse uso seja sempre declarado de forma explícita e contextualizada e jamais substitua o juízo crítico, a autoria intelectual ou a responsabilidade ética do pesquisador. Este guia promove uma abordagem da IA centrada no ser humano enquanto sujeito epistêmico e agente da produção de conhecimento, orientada pelos princípios da integridade científica, da transparência, da justiça cognitiva e da equidade epistêmica. Considerando tratar-se de um campo em constante transformação, este documento deve ser periodicamente revisado para manter sua aderência às melhores práticas científicas e às diretrizes internacionais mais atualizadas. 1 Durante a preparação deste trabalho, utilizou-se as plataformas ChatGPT, DeepSeek e Maritaca IA para apoio em tradução, revisão linguística e aperfeiçoamento da redação, bem como a ferramenta Data Analysis & Report AI, com o objetivo de obter sugestões iniciais de agrupamento temático. Após o uso dessas ferramentas, o autor revisou integralmente o conteúdo, realizou as edições necessárias e assume total responsabilidade pelo conteúdo final da publicação. A versão inicial foi preparada por Fernando Hellmann ([email protected]) e validada pelo(as) professor(as) Mirelle Finkler, Marta Verdi, Sandra Caponi e Roger Flores Ceccon. As ideias e opiniões expressas neste documento são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem, necessariamente, a posição oficial da UNESCO, tampouco comprometem a Organização.
2 TÍTULO DO ARTIGO: deve ser descritivo e conciso, refletindo com precisão o conteúdo do estudo Recomenda-se que o título: ● Indique a abordagem qualitativa utilizada, quando pertinente; ● Evite o uso de acrônimos ou siglas não padronizadas e termos excessivamente subjetivos; ● Mencione, sempre que possível, o fenômeno investigado, o grupo ou população estudada, o contexto ou local da pesquisa e o método de abordagem. Exemplo de título: "Percepções de membros de Comitê de Ética em Pesquisa sobre os contratos de pesquisa clínica com patrocínio estrangeiro na América Latina: um estudo qualitativo multicêntrico" RESUMO O resumo deve ser conciso, factual e informativo, com o número de palavras exigido pela revista (geralmente até 250). Sua função é apresentar uma síntese estruturada do artigo, incluindo os principais elementos do estudo: contexto, objetivo, métodos, resultados e considerações finais. Recomendações: ● Evite o uso de referências bibliográficas. Se forem absolutamente necessárias, cite apenas autor e ano. ● Evite conclusões exageradas ou sensacionalistas. ● Abreviações e acrônimos não padronizados devem ser evitados; se indispensáveis, devem ser definidos na primeira menção no próprio resumo. O resumo deve conter: ● Contexto: Apresente de forma objetiva o problema investigado e sua relevância científica, social e/ou política. ● Objetivo: Declare com precisão o propósito central da pesquisa. ● Métodos: Informe a abordagem qualitativa adotada, o cenário do estudo, o perfil dos participantes, os procedimentos de coleta e análise dos dados e os aspectos éticos considerados. Caso use IA na análise de dados, citar. ● Resultados: Destaque os temas ou categorias principais, os achados relevantes e, se pertinente, exemplos representativos das falas dos participantes. ● Conclusão: Apresente as principais implicações teóricas, práticas e sociais do estudo, indicando sua contribuição para o avanço do conhecimento. Palavras-chave: Indique até o número máximo permitido pela revista (geralmente até seis). Utilize termos indexados preferencialmente do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde) ou do MeSH (Medical Subject Headings). ● Escolha palavras que representem com precisão os principais eixos temáticos do estudo. ● Inclua o termo “pesquisa qualitativa”, bem como descritores específicos relacionados ao fenômeno investigado, à população e/ou ao método. 1. INTRODUÇÃO A introdução de um artigo de pesquisa qualitativa tem como objetivo apresentar o fenômeno investigado, contextualizar o problema de pesquisa, justificar sua relevância científica e social e expor claramente os objetivos do estudo. Essa seção deve ser redigida em forma de narrativa fluida, sem a necessidade de subtítulos internos, mantendo um encadeamento lógico de ideias por meio de transições bem articuladas. Na introdução e em todas as seções do artigo, a escrita reflexiva deve permanecer sob responsabilidade humana; evite delegar à IA a formulação de argumentos interpretativos.
3 Componentes essenciais da introdução: 1. Formulação do problema o Apresente a fundamentação teórica do fenômeno em questão, com base em autores e correntes relevantes. o Destaque as lacunas no conhecimento sobre o tema, com base em uma revisão concisa e crítica da literatura. o Justifique a importância científica, social e/ou política da pesquisa (por exemplo, seu impacto em políticas públicas, práticas profissionais ou processos formativos). 2. Síntese crítica da literatura o Evite uma revisão extensa ou descritiva. Em vez disso, selecionar estudos centrais que ajudem a contextualizar o problema e evidenciar porque ele ainda merece investigação. o Apresente uma análise interpretativa dos estudos anteriores, apontando limites, contradições, lacunas teóricas ou metodológicas, e como seu estudo pretende contribuir para mitigar ou preencher essas lacunas. 3. Objetivo(s) do estudo o Declare de forma precisa o objetivo geral da pesquisa e, se pertinente, os objetivos específicos. o Quando aplicável, apresente também as perguntas de pesquisa qualitativa que orientaram a coleta e a análise dos dados, em linguagem compatível com o referencial teóricometodológico adotado. Orientações adicionais: ● Evite incluir nesta seção detalhes metodológicos, resultados ou análises — esses elementos devem ser tratados nas seções específicas do artigo. ● Não é necessário criar uma subseção separada para a revisão de literatura ou para o histórico do tema. A contextualização teórica deve estar integrada de forma natural à construção do problema de pesquisa. ● Ao final da introdução, o leitor deve compreender por que o estudo é relevante, o que ele pretende investigar e o que se propõe a contribuir com o campo de conhecimento. 2. MATERIAIS E MÉTODOS / PERCURSO METODOLÓGICO A seção Materiais e Métodos, em pesquisas qualitativas, descreve de forma detalhada e transparente como o estudo foi conduzido — desde os fundamentos epistemológicos até os procedimentos de coleta, análise e validação dos dados. Por ser um dos aspectos mais individualizados do artigo, recomenda-se o uso de títulos e subtítulos que facilitem a organização da leitura e a compreensão do percurso investigativo. Essa seção deve conter informações suficientes para permitir a replicação ou a compreensão aprofundada do processo de produção dos dados, respeitando a natureza interpretativa da pesquisa qualitativa. Sugestão: Utilize como referência os checklists internacionais reconhecidos para avaliação de estudos qualitativos a fim de assegurar transparência e rigor metodológico.
4 2.1 Paradigma Teórico e Abordagem Qualitativa ● Indique e justifique o paradigma epistemológico adotado (ex.: construtivista, interpretativo, pós-positivista, crítico, feminista, pós-estruturalista, pós-modernista, participativo/emancipatório, realismo crítico, fenomenológico, hermenêutico, decolonial, novo materialismo etc.). ● Descreva a estratégia metodológica utilizada (ex.: teoria fundamentada em dados, etnografia, fenomenologia, estudo de caso, narrativa/pesquisa narrativa, cartografia). ● Explique o porquê da abordagem escolhida (ex. etnografia, grounded theory) ser adequada ao fenômeno investigado. 2.2 Contexto e Cenário da Pesquisa ● Apresente uma descrição do local da pesquisa, incluindo instituições, cidade, estado e país. ● Caracterize o contexto sociocultural, político e/ou institucional que permeia o fenômeno estudado. ● Informe o período de realização da coleta de dados e quaisquer aspectos relevantes ao ambiente em que a pesquisa foi conduzida. 2.3 Participantes e Critérios de Seleção ● Descreva a estratégia de amostragem (ex.: intencional, bola de neve, teórica, por conveniência). ● Especifique os critérios de inclusão e exclusão utilizados para selecionar os participantes. ● Apresente o número e perfil dos participantes, com informações relevantes como idade, sexo, função, área de atuação, tempo de experiência, entre outros dados pertinentes ao campo investigado. ● Caso exclua entrevistado ou informações após a coleta, explicite critérios e decisões analíticas que levaram à exclusão de dados durante a análise. 2.4 Relação Pesquisador–Participante ● Declare se havia relação prévia entre os pesquisadores e os participantes. ● Apresente a reflexividade do pesquisador: sua formação, experiência, posicionamentos e possíveis implicações dessas características na coleta e interpretação dos dados. ● Descreva as estratégias utilizadas para minimizar vieses, como diários reflexivos, discussões em equipe e supervisão metodológica. 2.5 Coleta de Dados / Colheita de Dados ● Indique os tipos de dados coletados: entrevistas (semiestruturadas, em profundidade), grupos focais, observação participante, análise documental, entre outros. ● Descreva os instrumentos utilizados, como roteiros de entrevista, gravações de áudio ou vídeo, cadernos de campo. ● Especifique os procedimentos de coleta: local, duração, número de encontros, quem realizou a coleta. ● Informe quem codificou os dados e como foi feito o consenso analítico. ● Explique como foi garantida a saturação teórica ou conceitual – por exemplo, se usou IA generativa ou algum programa.
5 ● Comente o uso de notas de campo, diários de bordo ou registros reflexivos para ampliar a compreensão dos dados. 2.6 Análise de Dados ● Nomeie e justifique a técnica analítica utilizada (ex.: análise temática, análise de conteúdo, análise narrativa, análise do discurso, codificação aberta). ● Detalhe as etapas da análise, como leitura flutuante, codificação, categorização, construção de temas. ● Informe se houve o uso de softwares de apoio à análise qualitativa (ex.: NVivo, Atlas.ti, MaxQDA) e de que forma contribuíram para o processo analítico. ● Descreva o número de codificadores, processos de triangulação, validação com os participantes (member checking) ou auditorias internas/externas, quando aplicáveis. ● Caso tenha utilizado inteligência artificial generativa, informe de maneira clara e objetiva como, em que etapa e com que finalidade a ferramenta foi empregada no processo de análise dos dados. ● Em análises de dados com suporte de IA, especialmente em abordagens qualitativas, atente-se ao seguinte: o A IA pode auxiliar na organização preliminar de categorias, mas a nomeação, definição e interpretação analítica devem ser realizadas exclusivamente pelos(as) pesquisadores(as). o Garanta que todas as interpretações estejam ancoradas em trechos do corpus empírico, respeitando o contexto original dos dados. o Preserve a voz dos participantes da pesquisa e assegure que o uso de IA não comprometa a diversidade epistêmica, cultural ou linguística dos sujeitos. 2.7 Estratégias de Validação e Confiabilidade Apresente as estratégias utilizadas para assegurar o rigor científico e a credibilidade dos achados. Dentre as principais, destacam-se: ● Triangulação de dados, fontes, métodos ou pesquisadores. ● Validação por pares (peer debriefing) para revisão crítica do processo analítico. ● Auditoria externa do processo de categorização e interpretação. ● Devolutiva aos participantes (member check) para validação dos significados atribuídos. ● Documentação sistemática do percurso metodológico, garantindo rastreabilidade e transparência. ● Validação de toda saída de IA por análise humana, seja por revisão de pares, auditoria metodológica ou checagem com participantes. Deve assumir o risco da homogeneização de perspectivas e invisibilização de diversidades epistêmicas com o uso acrítico da IA. 2.8 Procedimentos Éticos ● Aqui geralmente se abordam os aspectos éticos formais da pesquisa que envolve seres humanos diretamente ou indiretamente. Indique o nome completo do Comitê de Ética em Pesquisa que aprovou o estudo, com o número do parecer e data de aprovação. ● Descreva os procedimentos do consentimento dos participantes. ● Comente, quando aplicável, sobre cuidados adicionais com populações vulneráveis, e se houve compensações ou retribuições, ou mesmo a devolutiva da pesquisa.
6 ● Refletirem criticamente sobre possíveis vieses introduzidos pela IA, especialmente em etapas como análise de dados, construção de categorias ou tradução automática e assegurem-se de que as informações privadas dos participantes da pesquisa não foram inclusas na IA. 3. RESULTADOS Em artigos de pesquisa qualitativa, é comum que os resultados sejam apresentados em conjunto com a discussão, formando uma seção integrada. No entanto, recomenda-se, sempre que possível, a separação entre as seções de Resultados e Discussão, de modo a garantir maior precisão, organização e foco na apresentação dos achados empíricos. Ao optar por separar essas seções, os resultados devem concentrar-se exclusivamente nas evidências produzidas pela pesquisa, sem interpretações teóricas aprofundadas nem comparações com a literatura — elementos que pertencem à seção de discussão. Em casos em que se opte pela apresentação conjunta, é essencial manter a distinção nítida entre os dados originados da investigação empírica e as contribuições de outros autores. Apresentação dos Achados Os resultados devem ser apresentados com base nas categorias ou temas emergentes da análise, construídos a partir da codificação dos dados (entrevistas, grupos focais, observações, documentos etc.). Cada tema deve: ● Ter um título descritivo e informativo; ● Ser acompanhado de um texto interpretativo, que introduza a categoria e explicite seu significado; ● Ser ilustrado com citações diretas dos participantes, devidamente codificadas de forma ética (ex.: E1, GF2), a fim de preservar o anonimato. As citações devem exemplificar e sustentar as categorias, permitindo ao leitor compreender o percurso analítico que levou à sua construção. Nos casos de análise documental, aplicar o mesmo princípio com excertos representativos dos documentos analisados. Recursos Visuais (optativos) ● É recomendável o uso de quadros (para dados qualitativos), tabelas (quando forem pertinentes, como para caracterização dos participantes) ou figuras (ex.: mapas conceituais, diagramas temáticos), com o objetivo de organizar visualmente as categorias e suas respectivas falas. A construção de modelos visuais (exemplo: nuvem de palavras) ou teorias fundamentadas, indo além da descrição temática, enriquece o trabalho. ● Esses recursos devem complementar o texto e não o substituir. Evite a repetição desnecessária das mesmas informações no corpo do artigo e nos elementos gráficos, exceto quando for necessário para fins de ênfase ou clareza. ● Quando o volume de resultados for extenso, recomenda-se utilizar apêndices ou anexos para apresentar o quadro completo de categorias, subcategorias e respectivas citações.
7 Estruturação da Seção Embora o uso de subtítulos numerados (como “3.1”, “3.2”) não seja obrigatório, recomenda-se organizar a seção de forma lógica e progressiva. Uma estrutura sugerida seria: 3.1 Apresentação dos Achados ● Organize os resultados em temas e subtemas. ● Para cada tema: o Dê um título claro e significativo; o Apresente uma descrição interpretativa da categoria; o Insira citações ilustrativas dos participantes, com codificação por questão ética. 3.2 Reflexão Interpretativa ● Apresente inferências e insights iniciais sobre os dados, com base no raciocínio empírico. ● Evite, neste ponto, o diálogo com a literatura — isso será desenvolvido na seção seguinte. ● Caso apropriado, inclua diagramas, fluxogramas ou modelos conceituais que ajudem a representar a articulação entre categorias e a lógica emergente dos dados. 4. DISCUSSÃO A seção discussão é o espaço analítico do artigo onde os resultados são interpretados criticamente à luz dos objetivos do estudo, do problema de pesquisa e do referencial teórico adotado. É o momento em que o(a) autor(a) reconstrói o sentido dos achados, articulando-os com a literatura científica existente e destacando sua contribuição original para o campo de conhecimento. É essencial evitar redundâncias com a seção de Resultados. A Discussão não deve repetir os dados, mas aprofundar sua interpretação, situando-os em um panorama mais amplo — tanto teórico quanto prático — e oferecendo explicações para os fenômenos observados. Nesta seção, espera-se que o(a) pesquisador(a): ● Contextualize os achados no debate científico atual; ● Identifique convergências e divergências em relação à literatura; ● Reflita sobre os significados emergentes e suas implicações; ● Reconheça as limitações metodológicas do estudo; ● Aponte caminhos para pesquisas futuras. De forma geral, a discussão deve demonstrar densidade interpretativa, coerência lógica e capacidade crítica, revelando como a pesquisa contribui para aprofundar a compreensão do fenômeno investigado e para enriquecer o campo científico e profissional ao qual está vinculada. 4.1 Diálogo com a Literatura ● Estabeleça um diálogo crítico entre os achados empíricos e os estudos anteriores, nacionais e internacionais. ● Identifique convergências (elementos que reforçam teorias existentes), divergências (tensões ou contradições) e contribuições inéditas do estudo.
8 ● Utilize o referencial teórico como ferramenta analítica, e não apenas como apoio descritivo. A teoria deve ser mobilizada para interpretar, questionar ou aprofundar os significados dos dados. 4.2 Implicações Práticas e Teóricas Analise as implicações dos resultados, com base na sua relevância para diferentes dimensões, tais como: ● Políticas públicas e formulação de estratégias sociais ou institucionais; ● Práticas profissionais, especialmente aquelas relacionadas ao fenômeno investigado; ● Processos de formação e educação, contribuindo para o aperfeiçoamento de currículos, metodologias e práticas pedagógicas; ● Produção teórica, promovendo a revisão, aprofundamento ou ressignificação de conceitos, categorias e modelos analíticos; ● Metodologia de pesquisas qualitativas, refletindo sobre aprendizados, limites e inovações no processo investigativo. 4.3 Limitações do Estudo Reconheça de forma honesta e crítica os limites do estudo, considerando aspectos como: ● Amostragem e perfil dos participantes (número, diversidade, critérios de inclusão); ● Contexto institucional, geográfico ou temporal da pesquisa, que pode influenciar a transferibilidade dos achados; ● Implicações da posição do(a) pesquisador(a) no campo (relações prévias, vieses, subjetividades envolvidas); ● Condições específicas de coleta e análise dos dados, como tempo reduzido, restrições éticas, ou limitações técnicas. As limitações não invalidam os achados, mas ajudam a qualificar a interpretação dos resultados e a orientar futuras investigações. 5. CONCLUSÕES / CONSIDERAÇÕES FINAIS A seção de Conclusões deve oferecer uma síntese argumentativa e reflexiva dos principais aprendizados do estudo, destacando sua contribuição científica, social ou profissional. Diferentemente de um simples resumo ou repetição dos resultados, esta seção deve apontar como os achados ampliam a compreensão sobre o fenômeno investigado, quais elementos inéditos ou relevantes emergiram da pesquisa, e quais novas perguntas ou caminhos investigativos se abrem a partir dos dados produzidos. O foco deve estar na relevância do estudo e na aplicabilidade dos resultados, considerando os objetivos traçados, a metodologia adotada e o contexto sociocultural em que a pesquisa foi realizada. O tom deve ser moderado, analítico e fundamentado, evitando afirmações taxativas ou generalizações indevidas. Recomenda-se que as conclusões sejam apresentadas em texto corrido, evitando listas ou tópicos soltos, para garantir profundidade interpretativa e coesão argumentativa.