ARTISTIC LANGUAGE: THE INFLUENCE OF ART ON THE SOCIAL FORMATION OF INDIVIDUALS
Abstract
The aim of this article is to highlight the relevance of art in the construction of human history, emphasizing how it becomes an essential tool for individual’s social formation and helps to insert them in society. The analysis proposed here examines the relation between art and society, as well as the importance of artistic expression for human development since the beginning of the species. From the thesis that art emerged simultaneously to mankind, we will explore the way that visual art is configured as the first language known in the trajectory of humanity and its essentiality in interpretation and comprehension of the internal and external world.
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___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 147 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) LINGUAGEM ARTÍSTICA: A INFLUÊNCIA DA ARTE NA FORMAÇÃO SOCIAL DOS INDIVÍDUOS ARTISTIC LANGUAGE: THE INFLUENCE OF ART ON THE SOCIAL FORMATION OF INDIVIDUALS Luisa Martinaitis Soares, Vitória Jackeline Lima Espírito Santo, Guilherme Santos da Silva (orientador), Luana Silva Rodrigues Castro Liberto (orientadora) ETEC Drª Ruth Cardoso, Ensino Médio com Itinerário de Linguagens E-mail para contato: [email protected] RESUMO – O objetivo deste artigo é destacar a relevância da arte na construção da humanidade, evidenciando como ela se torna uma ferramenta fundamental para a formação social do indivíduo e ajuda a inseri-lo na sociedade. A análise aqui proposta examina a relação entre arte e sociedade, bem como a importância da expressão artística para o desenvolvimento humano desde a origem da espécie. A partir da tese de que a arte emergiu simultaneamente à humanidade, exploraremos a maneira como a arte visual se configurou como a primeira linguagem descoberta na trajetória da humanidade e sua essencialidade na interpretação e compreensão do mundo interno e externo. Palavras-chave: Arte; audiovisual; comunicação; cultura; história. ABSTRACT – The aim of this article is to highlight the relevance of art in the construction of human history, emphasizing how it becomes an essential tool for individual’s social formation and helps to insert them in society. The analysis proposed here examines the relation between art and society, as well as the importance of artistic expression for human development since the beginning of the species. From the thesis that art emerged simultaneously to mankind, we will explore the way that visual art is configured as the first language known in the trajectory of humanity and its essentiality in interpretation and comprehension of the internal and external world. Keywords: Art; audiovisual; communication; culture; history.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 148 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) 1 INTRODUÇÃO Consideramos arte tudo aquilo que é capaz de transmitir uma mensagem, emoção, sentimento e/ou expressar pensamentos. Desde os primórdios da sociedade, os seres humanos encontram diferentes formas de se expressar, dentre elas os desenhos e símbolos. Aos poucos, estas representações do cotidiano foram se tornando não somente formas de gravura, mas também uma necessidade básica do indivíduo, sendo crucial para formar a cultura de uma nação, expressar diferentes perspectivas de mundo, crenças, desejos, prazeres, anseios, medos, sensações. Com o passar dos séculos, o que eram desenhos em pedras tornou-se a arte digital. Agora, a arte se dividiu em onze partes, sendo elas: música, teatro, arquitetura, escultura, literatura, dança, pintura, escultura, cinema, fotografia, histórias em quadrinhos, arte digital e jogos eletrônicos. Este conjunto de representações emocionais e individuais são o que chamamos de arte e, ao decorrer deste artigo, abordaremos a individualidade de algumas das artes mais influentes na sociedade e como elas expressam uma linguagem, bem como são uma forma de comunicação entre os homens. À medida que o tempo passa, sentimentos mudam em conjunto com o pensamento coletivo, moldando a arte de acordo com os acontecimentos da sociedade e até fazendo com que ela modifique o cenário geral, o que ocorre até os dias de hoje. O nosso objetivo neste artigo é mostrar como essa influência decorre desde os primeiros seres humanos até hoje em dia, e a importância que a arte tem para todos nós. Compreendemos como formação social o processo de socialização do indivíduo a partir do ambiente em que vive. Dito isto, podemos afirmar que o meio em que a pessoa vive molda sua personalidade, caráter e a forma como interpreta o mundo ao redor. Neste, conseguimos exemplificar como se dão as relações entre sociedade e a arte, de que forma as condições sociais de um indivíduo tornam possível esta interação entre ambos e de que forma influencia na arte, o aumento do condicionamento das formas artísticas, a discussão e reflexão do belo e como circunstâncias sociais moldam diversos conceitos estéticos. Ademais, traremos o conceito de que tanto o campo social quanto o cultural podem ser pautados como modelos de comunicação que visam expressar a sociabilização e interação entre humanos.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 149 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) 2 MATERIAIS E MÉTODOS Neste artigo, optamos por fazer uma metodologia explicativa qualitativa onde, através de pesquisas digitais, outros artigos científicos, vivências e projetos pessoais, iremos expor nossas ideias e conclusões sobre o que é a arte e como ela é uma linguagem que molda o caráter humano. O estudo deste trabalho será fundamentado em ideias, teorias, fatos científicos e eventos históricos que apresentam significativa importância na definição e construção dos conceitos discutidos nesta análise. Através de análises, compreendemos a capacidade da arte de expressar uma forma própria de comunicação, individual ou coletiva. A comunicação individual, como dito anteriormente, significa a capacidade do indivíduo em compreender a si próprio em seu mundo e no mundo. Logo, traremos também a arte como fórmula de autoconhecimento e auto entendimento, e como ela pode transformar a visão de realidade de um ser. Na sociedade, a arte tem o dom de, além de expressar emoções que não são capazes de serem transmitidas por meio de uma simples verbalização, também oferece diversas perspectivas e sentimentos em uma única obra. Assim, ela é a ferramenta crucial para a sociabilidade do ser humano, além de ser uma forma de mídia. A arte, portanto, é flexível, podendo ser uma Mídia Primária, Secundária ou Terciária, dependendo unicamente da forma como a mensagem é emitida e expressa. 3 A ARTE NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE E SUA FUNÇÃO Desde os primórdios da civilização, a arte tem desempenhado um papel significativo no cotidiano da humanidade. A arte, sendo uma das criações fundamentais do ser humano, só pode existir enquanto houver humanidade. É evidente, portanto, que a arte necessita do ser humano, mas não mais do que o ser humano necessita da arte. Com base nessa premissa, iniciamos nosso artigo explorando a intersecção entre a história da arte e a história da humanidade, uma vez que ambas estão profundamente ligadas. Segundo o autor Ernst Peter Fischer (1987, p.45, "A Necessidade da Arte"), "Nos alvores da humanidade, a arte pouco tinha a ver com 'beleza' e nada com a contemplação estética: era um instrumento mágico, uma arma da coletividade humana em sua luta pela sobrevivência." Para o homem préhistórico, a pintura rupestre representava a única forma de comunicação conhecida. Através de gravuras em pedras, esses hominídeos expressavam suas crenças, medos, hábitos e virtudes,
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 150 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) permitindo-nos assim compreender a importância essencial da arte na linguagem humana. Mesmo antes da fala, o homem já reconhecia a necessidade de intercomunicação. Para Fischer, a arte é uma forma de magia e o ser humano, o mago. A arte, enquanto ferramenta, não permanece estática; ela evolui à medida que a tecnologia e a evolução social e cognitiva do homem avançam. Diante do exposto, podemos concluir inicialmente que a arte acompanha o curso evolutivo da humanidade, embora sua essência permaneça inalterada: expressar emoções, anseios, desejos, medos e diferentes perspectivas do mundo. Suponhamos que a arte seja uma criação divina e que o homem seja um deus. A criação divina, embora seja feita por alguém, é o que faz com que o deus se sinta divino; ele possui o poder de criar algo através de sua individualidade, para um bem coletivo. Quando o homem expressa suas emoções por meio de uma manifestação artística, ele transmite suas emoções e possibilita que o público analise a obra, identifique a individualidade do artista ou desenvolva uma reflexão crítica sobre ela. Contudo, é um equívoco acreditar que a arte é composta apenas de emoções. Fischer afirma que: Para ser um artista, é necessário dominar, controlar e transformar a experiência em memória, a memória em expressão, e a matéria em forma. A emoção para um artista não é tudo; ele também precisa saber tratá-la e transmiti-la, conhecendo todas as regras, técnicas, recursos, formas e convenções com que a natureza – esta provocadora – pode ser dominada e sujeitada à concentração da arte. A paixão que consome o diletante serve ao verdadeiro artista; o artista não é possuído pela besta fera, mas a doma. (FISCHER, 1973, p.14) Observando a origem da arte, reconhecemos que sua necessidade sempre esteve presente. Atualmente, os seres humanos não utilizam mais a arte apenas para a comunicação entre tribos, como os homens pré-históricos. No período contemporâneo, a arte é criada porque a vida, por si só, não é suficiente. A realidade é muitas vezes cruel demais para ser plenamente aproveitada, e, portanto, buscamos uma realidade paralela, onde os tons são mais vibrantes, as palavras são sutis e os finais são mais felizes. A arte, em seu estado atual, serve para entretenimento, mas a questão é: por que os seres humanos se entretêm com a irrealidade? O fato é que o indivíduo vive em constante vazio, sempre buscando algo que o preencha por completo. O ser humano está destinado a buscar um 'Eu' que raramente encontrará. Geralmente, tentamos preencher esse vazio para compensar sua individualidade, seus “erros”, pois não se sente parte do coletivo. A plenitude mencionada refere-se ao mundo. O ser humano é inclinado a ser ganancioso, não deseja apenas o mundo, mas torná-lo parte de si mesmo, sem perceber que o individualismo, por si só, já é um universo. Na incessante busca por um significado pessoal no mundo, criamos a
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 151 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) arte. Friedrich Nietzsche deixou claro a importância desta ferramenta para o ser humano em: “Temos a arte para não morrer ou enlouquecer perante a verdade. Somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida” (2008). Quando uma manifestação artística é criada, compreendemos como a mente humana opera e a dualidade do indivíduo: a constante excitação de controlar sua realidade ou fugir dela. A partir dessa perspectiva, analisamos as diferentes formas de arte, suas distinções e semelhanças em relação aos objetivos que têm para o ser humano enquanto indivíduo. Neste artigo, não abordaremos todas essas formas de manifestações artísticas e seu impacto na sociedade. Com base em estudos, decidimos focar no Cinema, na Pintura e na Música. Nosso critério foi examinar aquelas que mais influenciaram e continuam a influenciar a compreensão do indivíduo como ser humano, bem como aquelas que o formaram. 4 O CINEMA NA CONSTRUÇÃO DA MORAL Uma obra cinematográfica é o retrato de uma determinada época, e auxilia o espectador a compreender seu próprio contexto sociopolítico. É um fato facilmente confirmado quando observamos o número de obras que retratam o apocalipse que começaram a ser produzidos no século 21: segundo um levantamento da Folha, 211 filmes sobre o assunto foram produzidos de 2001 a 2018, número maior que a soma de todos os lançamentos do gênero no século 20. Esse efeito coincide com o aumento de crises climáticas e o pânico moral em torno de um potencial fim do mundo. Além de refletir os receios e concepções da sociedade e do autor, o cinema também é uma maneira de influência potente na contemporaneidade, e a inserção de personagens identificáveis na obra faz com que o espectador tenha mais imersão na história, criando empatia no decorrer do desenvolvimento do enredo. Existem estudos que afirmam que a inserção de personagens fictícios com os quais o paciente se identifique na terapia pode facilitar uma abertura maior por parte de indivíduos mais fechados. No artigo “A identificação com personagens fictícios como recurso terapêutico na abordagem centrada”, os autores Raissa Moreira Moraes e Fábio Pinheiro Pacheco evidenciam em suas finais considerações sobre o tema: Ressalta-se que a importância não está no “conhecer o personagem” sobre o qual o cliente fala, mas em aceitar e acolher o contato do cliente com tal personagem. Empaticamente, o terapeuta vai acompanhar a construção dos
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 152 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) personagens pelo cliente, entendendo-os e contribuindo para a percepção que o cliente tem do personagem e de si mesmo. Dessa forma, a utilização da identificação com personagens fictícios como recurso terapêutico pode ajudar no manejo das condições facilitadoras, contribuindo para que o cliente as perceba – fator indispensável para o processo de transformação do ser. (MORAES, Raissa Moreira, 2023, pg 13) Ainda na compreensão de identificação com enredos de produções audiovisuais, temos a estrutura do monomito de Joseph Campbell, onde ele se baseou nos arquétipos de Jung. Jung trouxe em sua teoria dos arquétipos a ideia do “inconsciente coletivo”, de elementos comuns da psique humana independentemente de espaço ou tempo. Apoiado no pensamento junguiano e em enredos comuns a mitologias antigas, Campbell criou o conceito da “jornada do herói”, em que há a ruptura do cotidiano do protagonista, que é coagido a explorar outro mundo, ter sua vitória e retornar à sua vida habitual. Os conceitos de Jung e Campbell tiveram uma grande repercussão no audiovisual, inclusive servindo de base a Christopher Vogler para a criação de seu guia para roteiristas muito utilizado em Hollywood e nos estúdios Walt Disney. Porém, antes mesmo de irem para Hollywood, essas teorias já se apresentavam em diversas obras cinematográficas. Segundo Sílvio Antonio Luiz Anaz em seu artigo “Teoria dos arquétipos e construção de personagens em filmes e séries”: As representações arquetípicas podem ser entendidas como padrões cognitivos que medeiam a relação do ser humano com o mundo, atuando no processo de interpretação e atribuição de significados aos objetos e ações. Cada padrão se repete em diferentes culturas e, embora imagens distintas o representem, elas estão sempre impregnadas dos mesmos significados positivos e negativos do arquétipo. (LUIZ ANAZ, Silvio Antonio, 2022, pg 6) A influência arquetípica já foi utilizada como forma silenciosa para disseminação de valores ou propaganda política. Esse tema é indiretamente abordado em Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009), quando o enredo se conecta com a produção de um filme nomeado “Orgulho da Nação”, uma jornada de herói que idolatrava um soldado nazista. Apesar da obra citada em Bastardos Inglórios ser ficcional, existiram diversos títulos que abordavam a ideologia nazista de maneira heroica e vilanizavam os judeus, como Triunfo da Vontade (1935), O Judeu Süss (1940) e O Eterno Judeu (1940). Quase todos foram organizados por Joseph Goebbels, ministro da propaganda durante a Alemanha nazista, que apoiava o uso da sétima arte como ferramenta política para atrair mais ideólogos.
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 153 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) Figura 1: Pôster do filme “O Triunfo da Vontade” Fonte: Vortex Cultural O regime nazista não foi o único a utilizar-se do cinema para pregar políticas, uma prática presente brevemente durante os regimes salazarista (governo do ditador Oliveira Salazar em Portugal) e o franquista (regime totalitário fundado pelo general militar Francisco Franco na Espanha), por exemplo, com narrativas otimistas e heróicas. A partir dessas informações, é nítida a influência que o audiovisual tem na formação sociopolítica dos espectadores, trazendo ideias, manifestos e valores de maneira imersiva e plural, além de servir como retrato de contextos históricos e políticos. O cinema vai muito além de uma forma de comunicação, “posto que é um canal em que circulam valores, concepções e representações transformadores da realidade e dos sonhos. Isto porque ele tem a capacidade de traduzir a complexidade emocional dos espectadores” (FIUZA, 2016). 5 A MÚSICA E OS SERES HUMANOS Iniciamos esta premissa contextualizando a história da arte com a ancestralidade da música. Na Pré-História, houve a iniciação da musicalidade entre os homens. Estes utilizavam os sons da natureza para tentar se comunicar verbalmente, imitando-os, como os sons das ondas, dos batimentos cardíacos ou canto dos pássaros. Com base nisso, notaram que era possível também emitir sons com o próprio corpo, como o bater palmas, pés e a própria voz. No Museu Nacional da Eslovênia, no continente Europeu, há uma flauta fabricada de ossos de ursos por um Neandertal, sendo este instrumento o mais antigo do mundo, datado há cerca de 50 mil anos. Por volta de 3 mil anos a.C., há registros históricos de tambores, harpas e cítaras no Egito Antigo. Na civilização egípcia, a música possuía objetivo e era um forte
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 154 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) elemento espiritual, estando relacionada à dança e aos ritos. Para os sumérios que viviam entre os rios Tigres e Eufrates, na Mesopotâmia, a música também possuía o mesmo objetivo: a transcendência. Entretanto, foi na Grécia Antiga que o que conhecemos hoje como música surgiu. Apolo, o deus grego do Sol e das artes, era representado sempre segurando uma Lira, instrumento de cordas mais antigo. A música modal, desenvolvida pelos gregos, era uma organização sonora composta por 7 sons e, a partir dessa ideia, teria sete maneiras de se iniciar uma música. Os modos gregos eram Dórico, Jônico, Frígio, Lídio, Mixolídio, Eólio e Lócrio. Mais tarde, na Idade Média, estes modos tornaram-se as 7 notas musicais. A música é muito presente no cotidiano contemporâneo: nas redes sociais, no ambiente urbano, na televisão, em momentos de lazer. Como apontou o filósofo Nietzsche, “sem música a vida seria um erro”. Como o marco inicial para a música contemporânea, podemos citar a rádio, a invenção que possibilitou uma grande transformação na música no século XIX. Aparelhos televisivos permitiram a transmissão de clipes e performances gravadas e o mercado da indústria cultural se expandiu. Reagimos a certas melodias com base não só em nossas vivências ou círculo social em que estamos inseridos, como também na forma como os acordes e acidentes são construídos. Algo talvez não perceptível inicialmente é o efeito que a música tem em nosso cérebro. Em seu estudo de 1982, o professor Ronald Milliman comprovou que a velocidade da música tocada nos supermercados influencia na velocidade em que os consumidores andam, quanta mais rápida, as pessoas andam mais rápido, e vice e versa. Isso se dá devido a um fenômeno do cérebro chamado neuroplasticidade, a capacidade do sistema nervoso central de adaptação a situações ou ambientes. Essa mesma habilidade cerebral é responsável pela mudança de comportamento do indivíduo de acordo com o gênero ou a natureza da música que ele escuta. A exposição constante a músicas violentas e com mensagens de ódio pode fazer com que o ouvinte se torne mais agressivo, e músicas alegres com letras calmas, torná-lo mais tranquilo. Melodias ouvidas frequentemente podem impactar diretamente no Eustress e Distress do indivíduo, sendo estes termos da psicologia utilizados para distinguir o que é o estresse positivo e negativo. O primeiro, sendo o estresse positivo, é associado a sentimentos de excitação e desafios vencidos. Quando uma melodia e ritmo musical coincide com o Eustress, significa que o ritmo musical está interligado com o ritmo biológico do corpo humano. Por sua vez, o Distress é o
___________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº4 (2025) 155 Ensino Médio (Ciências Exatas, Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Sociais) oposto. Quando uma música possui o ritmo conturbado, isto é, um ritmo que não se adequa ao do corpo humano, causando o estresse negativo, é caracterizado pela ansiedade, depressão e manifestações somáticas, sendo elas sintomas físicos que resultam em conflitos psicológicos, emocionais ou sentimentais. Por isso é crucial ter contato com variados estilos musicais, uma vez que, além de gerar conhecimento, proporciona um equilíbrio maior na saúde mental do ouvinte. Em 1999, o psicólogo David Huron sugeriu que, no decorrer da evolução da espécie, a música foi crucial para as relações interpessoais dos indivíduos, inclusive aqueles de natureza amorosa. A escolha de músicas e seu estilo musical preferido pode ser uma forma de expressar a identidade e de pertencer a um determinado grupo social. Ela, muitas vezes, pode desempenhar um papel crucial na formação de subculturas e na criação de identidades. No coletivo, por exemplo, pode nos ensinar sobre a cultura de um povo, refletindo sobre suas tradições, valores e crenças, sendo também uma ferramenta fundamental para a preservação de sua herança cultural. A música também pode reativar conexões neurais. No documentário Alive Inside (Michael Rossato-Bennett, 2014), o assistente social Dan Cohen leva musicoterapia a pessoas com demência e Alzheimer, retomando reações cerebrais extraviadas. Esse evento ocorre devido à influência da música em nosso cérebro, já que estimula quase todas as regiões e conexões neurais, sendo essas automáticas ou não. Segundo a mestre em cognição e filosofia da música Carolina Octaviano: Pode-se afirmar que a atividade musical envolve quase todas as regiões do cérebro e os subsistemas neurais. Quando uma música emociona, são ativadas estruturas que estão nas regiões instintivas do verme cerebelar (estrutura do cerebelo que modula a produção e liberação pelo tronco cerebral dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina), e da amídala (principal área do processamento emocional no córtex). Na leitura musical, o córtex visual é a área utilizada. O ato de acompanhar uma música é capaz de ativar o hipocampo (responsável pelas memórias) e o córtex frontal inferior. Já para a execução de músicas, são acionados os lobos frontais - o córtex motor e sensorial. A musicoterapia também é eficaz no tratamento de transtornos mentais, pressão arterial, aumento do efeito de drogas anestésicas ou analgésicas, redução ou controle da dor, melhora de sinais vitais, desenvolvimento de indivíduos diagnosticados com autismo, dentre outros benefícios. A música é, portanto, uma importante mediadora social.