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ANALYSIS OF BCG VACCINATION COVERAGE IN THE METROPOLITAN REGION OF BAIXADA SANTISTA BETWEEN 2016 AND 2023

Bento, Alicia; Martins, Lourdes

Abstract

The study analyzed BCG vaccination coverage in the Metropolitan Region of Baixada Santista between 2016 and 2023, aiming to assess its temporal and spatial dynamics and compare municipalities. This was a mixed ecological study using secondary data from SI-PNI, SINASC and DATASUS, analyzed through descriptive statistics, association tests and georeferencing. Results showed significant fluctuations, sharp decline during the COVID-19 pandemic, territorial inequalities and inconsistencies in information systems. It is concluded that vaccination coverage is unstable and heterogeneous, requiring strengthening of primary care, standardization of records and strategies to ensure equity in child immunization.

Full text

__________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 581 (Ciências Biológicas e da Saúde) ANÁLISE DA COBERTURA VACINAL DA BCG NA REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA ENTRE 2016 E 2023 ANALYSIS OF BCG VACCINATION COVERAGE IN THE METROPOLITAN REGION OF BAIXADA SANTISTA BETWEEN 2016 AND 2023 Alicia dos Santos Cortes Bento, Lourdes Conceição Martins Universidade Católica de Santos, Curso de Bacharelado em Enfermagem E-mail para contato: [email protected] RESUMO – O estudo analisou a cobertura vacinal da BCG na Região Metropolitana da Baixada Santista entre 2016 e 2023, com o objetivo de avaliar sua dinâmica temporal e espacial e comparar os municípios. Trata-se de pesquisa ecológica mista com dados secundários do SI-PNI, SINASC e DATASUS, analisados por estatística descritiva, testes de associação e georreferenciamento. Os resultados revelaram oscilações significativas, queda acentuada durante a pandemia de COVID-19, desigualdades territoriais e inconsistências em sistemas de informação. Conclui-se que a cobertura vacinal é instável e heterogênea, exigindo fortalecimento da atenção primária, padronização de registros e estratégias para garantir a equidade da imunização infantil. Palavras-chave: vacinação; BCG; tuberculose; cobertura vacinal; saúde pública. ABSTRACT – The study analyzed BCG vaccination coverage in the Metropolitan Region of Baixada Santista between 2016 and 2023, aiming to assess its temporal and spatial dynamics and compare municipalities. This was a mixed ecological study using secondary data from SI-PNI, SINASC and DATASUS, analyzed through descriptive statistics, association tests and georeferencing. Results showed significant fluctuations, sharp decline during the COVID-19 pandemic, territorial inequalities and inconsistencies in information systems. It is concluded that vaccination coverage is unstable and heterogeneous, requiring strengthening of primary care, standardization of records and strategies to ensure equity in child immunization. Keywords: vaccination; BCG; tuberculosis; vaccine coverage; public health. __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 582 (Ciências Biológicas e da Saúde) 1 INTRODUÇÃO A tuberculose é uma enfermidade milenar que permanece como um dos principais desafios de saúde pública em escala global, mesmo após os avanços diagnósticos e terapêuticos alcançados nas últimas décadas. Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, identificado por Robert Koch no final do século XIX, a doença sempre esteve relacionada a fatores sociais determinantes, como condições precárias de habitação, saneamento básico insuficiente e desigualdade no acesso aos serviços de saúde (Martins et al., 2023). Essa associação histórica revela a persistência da tuberculose como marcador de iniquidades, especialmente em países em desenvolvimento, onde tais vulnerabilidades ainda se mantêm presentes. No Brasil, a incorporação da vacina Bacillus Calmette-Guérin (BCG) ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973, representou uma das estratégias mais importantes para o controle da doença. Indicada para recém-nascidos, a vacina tem como finalidade reduzir as formas graves da tuberculose, como meningite tuberculosa e manifestações disseminadas, que apresentam elevada letalidade em crianças pequenas (Ministério da Saúde, 2019). Apesar de sua relevância, estudos apontam que as coberturas vacinais vêm apresentando oscilações, com tendência de queda a partir de 2016, em movimento que acompanha também outras vacinas do calendário infantil (Domingues et al., 2020). A tendência descendente da cobertura vacinal foi intensificada pela pandemia de COVID19. Entre 2020 e 2022, o país registrou a maior retração das imunizações, reflexo direto da sobrecarga do sistema de saúde, das restrições de circulação impostas às famílias e do redirecionamento de recursos para o enfrentamento da emergência sanitária. Nesse cenário, recém-nascidos, grupo que depende da aplicação precoce da BCG para proteção contra formas graves da doença, tornaram-se ainda mais vulneráveis (Andrade et al., 2021). Na Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS), composta por nove municípios do litoral do estado de São Paulo, esses desafios assumem características particulares. O território concentra desigualdades sociais acentuadas, bolsões de pobreza urbana e intensa mobilidade populacional em função do Porto de Santos, o maior da América Latina. Esses fatores, aliados à vulnerabilidade ambiental e às limitações no acesso equitativo aos serviços de __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 583 (Ciências Biológicas e da Saúde) saúde, contribuem para a manutenção da tuberculose como problema recorrente e para a heterogeneidade da cobertura vacinal (Martins et al., 2023). Estudos apontam que a cobertura vacinal adequada da BCG, definida entre 90% e 120% segundo parâmetros do Programa Nacional de Imunizações, é capaz de reduzir de maneira significativa o risco de surtos locais e de casos graves da tuberculose. Entretanto, os indicadores da RMBS revelam instabilidade, com percentuais que frequentemente ficam abaixo do recomendado em alguns municípios, ao mesmo tempo em que outros apresentam valores excessivamente elevados. Essa discrepância sugere não apenas fragilidades na adesão da população à imunização, mas também inconsistências nos sistemas de informação e falhas nas estimativas populacionais (Braz et al., 2021). Diante desse panorama, torna-se essencial analisar de forma sistemática a dinâmica temporal e espacial da cobertura vacinal da BCG na região, a fim de identificar padrões de vulnerabilidade, desigualdades municipais e impactos contextuais, como os observados durante a pandemia. Tal abordagem permite subsidiar políticas públicas mais eficazes, capazes de contemplar as especificidades locais e fortalecer as estratégias de vigilância epidemiológica. O presente estudo tem como objetivo analisar a cobertura vacinal da BCG na Região Metropolitana da Baixada Santista entre 2016 e 2023, comparando os índices de cada município e identificando tendências temporais e territoriais que possam orientar intervenções voltadas à proteção da infância e ao controle da tuberculose. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de um estudo ecológico misto, desenvolvido a partir de dados secundários de domínio público. Foram incluídos todos os municípios que compõem a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS), abrangendo o período de 2016 a 2023. As informações referentes às doses aplicadas da vacina BCG foram obtidas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), enquanto os dados relativos ao número de nascidos vivos foram extraídos do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 584 (Ciências Biológicas e da Saúde) (SINASC). Ambos integram o banco de dados oficial do DATASUS, constituindo fontes públicas e consolidadas de informação em saúde (Braz et al., 2021). A cobertura vacinal (CV) foi calculada para cada município e ano de estudo por meio da seguinte fórmula: Após o cálculo, as coberturas vacinais foram classificadas em quatro categorias, de acordo com parâmetros previamente estabelecidos: muito baixa (0–50%), baixa (50–90%), adequada (90–120%) e elevada (acima de 120%) (Braz et al., 2021). Na etapa analítica, as variáveis qualitativas foram descritas em valores absolutos e relativos, enquanto as quantitativas foram apresentadas por medidas de tendência central e dispersão. Para a análise espacial, aplicaram-se técnicas de georreferenciamento, permitindo a identificação de áreas com concentração de coberturas muito baixas ou excessivamente elevadas. Na análise inferencial, utilizou-se o teste do Qui-quadrado para avaliar associações entre variáveis qualitativas. Para a comparação das coberturas vacinais entre os municípios, aplicouse a análise de variância (ANOVA) nos casos em que os pressupostos de normalidade e homogeneidade foram atendidos. Quando tais condições não se verificaram, recorreu-se ao teste não paramétrico de Kruskal-Wallis, seguido do teste de comparações múltiplas de Dunn. O nível de significância adotado em todas as análises foi de 5%. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise da cobertura vacinal da BCG nos municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) entre 2016 e 2022 revelou variações expressivas, sem que se configurasse uma tendência linear de melhora. O exame do conjunto de dados mostra que, em vários momentos, a proporção de municípios que atingiram a faixa considerada adequada — definida entre 90% e 120% segundo os parâmetros do Programa Nacional de Imunizações (PNI) — foi reduzida e irregular ao longo do período analisado (Braz et al., 2021). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 585 (Ciências Biológicas e da Saúde) Em 2016 e 2017, apenas 11,11% dos municípios alcançaram a cobertura adequada. Esse índice apresentou elevação em 2018 e 2019, quando 33,33% dos municípios passaram a atender às metas preconizadas. Contudo, essa recomposição não se sustentou: em 2020, apenas 11,11% mantiveram coberturas dentro do esperado, havendo discreta recuperação em 2021, com 22,22%, seguida novamente de queda em 2022 para 11,11% (p < 0,001). Esse padrão evidencia não apenas oscilações no desempenho vacinal, mas também dificuldades estruturais e conjunturais que atingiram de forma diferenciada os municípios da região. A pandemia de COVID-19, coincidente com os anos de maior declínio, representou fator determinante nesse cenário. Restrições de mobilidade, sobrecarga dos serviços de saúde e redirecionamento de recursos comprometeram significativamente as rotinas de imunização, sobretudo em unidades básicas com menor capacidade operacional (Andrade et al., 2021; Domingues et al., 2020). Tabela 1 – Distribuição qualitativa da cobertura vacinal da BCG por município Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base nos dados encontrados (2025). É importante destacar que a irregularidade nas coberturas não se deve apenas à pandemia. Mesmo em anos anteriores, os percentuais já se encontravam aquém do ideal, apontando fragilidades persistentes na adesão da população à imunização, além de possíveis __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 586 (Ciências Biológicas e da Saúde) falhas de registro e inconsistências nos sistemas de informação. Esse conjunto de fatores reforça a necessidade de aprimoramento contínuo dos instrumentos de vigilância, bem como de estratégias locais de busca ativa de recém-nascidos não vacinados. Quando se observa a cobertura vacinal de forma desagregada por município, torna-se evidente a heterogeneidade que marca a Região Metropolitana da Baixada Santista. Alguns municípios apresentaram valores anormalmente elevados, como Cubatão e Mongaguá, que em determinados anos ultrapassaram 200% de cobertura, seguidos de quedas abruptas nos períodos seguintes. Esse comportamento sugere problemas relacionados à estimativa populacional ou inconsistências nos sistemas de informação, pois é improvável que tais índices reflitam unicamente a realidade das práticas vacinais locais. De acordo com Braz et al. (2021), distorções dessa magnitude indicam falhas de registro que podem comprometer a interpretação epidemiológica e dificultar a tomada de decisão. Em contrapartida, municípios como Santos, Bertioga e Peruíbe apresentaram, de forma recorrente, coberturas inferiores a 85%, permanecendo sistematicamente abaixo da média regional. Esse desempenho persistente abaixo da meta estipulada pelo PNI (90%) expõe uma vulnerabilidade grave, pois justamente nesses territórios a densidade populacional e os fluxos migratórios são mais intensos, aumentando o risco de manutenção da cadeia de transmissão da tuberculose (Martins et al., 2023). Tais resultados chamam a atenção para a necessidade de compreender as especificidades locais: em áreas urbanas mais complexas, as barreiras de acesso aos serviços de saúde, a rotatividade populacional e as condições de vida precárias podem explicar parte das dificuldades em manter a regularidade vacinal (Andrade et al., 2021). Um cenário distinto foi observado em Itanhaém, município que manteve coberturas superiores a 100% até o ano de 2020, o que pode refletir estratégias mais eficazes de organização da rede de atenção primária, com destaque para ações de busca ativa e de integração entre maternidades e unidades básicas de saúde. A literatura aponta que municípios que estruturam rotinas sólidas de acompanhamento neonatal tendem a apresentar melhor desempenho vacinal, ainda que as metas numéricas sejam influenciadas por oscilações demográficas e limitações dos sistemas de registro (Domingues et al., 2020). __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 587 (Ciências Biológicas e da Saúde) Já Guarujá, São Vicente e Praia Grande exibiram certa estabilidade, mas com índices predominantemente abaixo dos 90% recomendados. Embora o comportamento desses municípios não tenha apresentado variações tão acentuadas quanto o de Cubatão e Mongaguá, tampouco demonstraram a capacidade de manter níveis adequados de cobertura, revelando uma situação crônica de desempenho insuficiente. Esse padrão reforça a noção de que a estabilidade por si só não garante proteção coletiva quando se encontra abaixo da meta preconizada pelo PNI. Assim, os resultados demonstram que a RMBS não apenas enfrenta oscilações temporais significativas na cobertura vacinal da BCG, mas também apresenta desigualdades territoriais profundas, que comprometem a homogeneidade necessária para a eficácia das políticas públicas de imunização. Em termos de saúde coletiva, a irregularidade entre municípios pode gerar bolsões de suscetibilidade, que servem como pontos de reintrodução da doença e ameaçam os avanços conquistados em outras áreas. Nesse sentido, a análise espacial mostra-se estratégica, uma vez que possibilita a identificação desses territórios vulneráveis e a implementação de medidas direcionadas. A queda observada nas coberturas vacinais da BCG nos anos de 2020, 2021 e 2022 coincide diretamente com o período de maior impacto da pandemia de COVID-19. Nesse intervalo, diversos fatores contribuíram para a interrupção das rotinas vacinais, entre eles o redirecionamento de recursos humanos e financeiros para o enfrentamento da emergência sanitária, a sobrecarga hospitalar, as medidas de distanciamento social e o medo das famílias em procurar unidades de saúde (Andrade et al., 2021). Tais elementos explicam, em parte, o fato de que apenas 11,11% dos municípios da RMBS tenham alcançado a faixa considerada adequada em 2020 e 2022, e de que, mesmo com discreta recuperação em 2021, os índices tenham permanecido aquém do recomendado (p < 0,01). Figura 1 – Cobertura vacinal Geral da BCG por município e ano __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 588 (Ciências Biológicas e da Saúde) Fonte: Elaborado pela pesquisadora com base nos dados encontrados (2025). Esse fenômeno, embora evidente na Baixada Santista, não foi exclusivo da região. Dados nacionais apontaram retração semelhante em diferentes imunizantes do calendário básico, reforçando que a pandemia afetou profundamente o Programa Nacional de Imunizações como um todo (Domingues et al., 2020). Em muitos estados, a cobertura da BCG caiu para patamares inferiores a 80%, resultado alarmante considerando que se trata de uma vacina aplicada em dose única e logo após o nascimento. Esse paralelo mostra que os desafios encontrados na RMBS refletem, em certa medida, dificuldades de alcance nacional, ainda que a região apresente agravantes próprios, como desigualdades socioeconômicas e intensa mobilidade populacional. A literatura também tem ressaltado que o impacto da pandemia não se restringe à redução numérica das coberturas, mas também à perda de oportunidades de vacinação em períodos críticos da vida infantil. Muitos recém-nascidos que deveriam ter sido vacinados nas primeiras 24 horas de vida acabaram não recebendo a dose, seja por partos realizados fora de unidades com sala de vacina, seja por atrasos decorrentes do desabastecimento e da reorganização logística (Ministério da Saúde, 2019). Essa falha inicial representa risco 0,00 50,00 100,00 150,00 200,00 250,00 300,00 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Cobertura Vacinal em % Municípios BERTIOGA CUBATÃO GUARUJÁ ITANHAÉM MONGAGUÁ PERUÍBE PRAIA GRANDE SANTOS SÃO VICENTE __________________________________________________________________________________ Anais do Congresso Brasileiro de Iniciação Científica Vol2 nº1 (2025) 589 (Ciências Biológicas e da Saúde) elevado, pois a proteção contra formas graves da tuberculose depende da imunização precoce, que atua como barreira fundamental contra complicações potencialmente fatais. Outro ponto que merece destaque é a relação entre a pandemia e a acentuação das desigualdades já existentes. Municípios que antes apresentavam coberturas relativamente adequadas sofreram declínios abruptos, enquanto aqueles historicamente frágeis mantiveram desempenhos baixos, agravando ainda mais o cenário. Isso sugere que o choque provocado pela COVID-19 não apenas reduziu a média regional, mas também ampliou a distância entre os diferentes territórios, criando bolsões ainda mais vulneráveis. Nesse sentido, os achados da presente análise confirmam que a pandemia funcionou como um fator catalisador das fragilidades do sistema de imunização, deixando evidente a necessidade de planos de contingência que assegurem a manutenção das coberturas mesmo em contextos emergenciais. A ausência de estratégias eficazes nesse período resultou não apenas em números insuficientes de vacinados, mas também em uma geração de crianças mais suscetíveis, cujas consequências poderão repercutir a médio e longo prazo nos indicadores epidemiológicos da tuberculose. A análise espacial revelou desigualdades territoriais que não seriam perceptíveis apenas nos dados agregados. O georreferenciamento mostrou mosaicos de vulnerabilidade na Baixada Santista, onde municípios vizinhos apresentam realidades distintas de cobertura vacinal, comprometendo a efetividade coletiva da imunização (Martins et al., 2023). Foram identificados bolsões com cobertura abaixo de 85%, em especial em Santos, Bertioga e Peruíbe, marcados por densidade populacional e alta mobilidade, o que amplia o risco de transmissão. Em contraste, Itanhaém superou 100% até 2020, resultado atribuído a estratégias locais mais estruturadas. Já Cubatão e Mongaguá ultrapassaram 200% em alguns anos, sugerindo falhas de registro e estimativas populacionais (Braz et al., 2021). Os testes estatísticos confirmaram diferenças significativas entre os anos, sobretudo entre 2020 e 2022 (p < 0,01), período mais impactado pela pandemia. Esses achados reforçam que as oscilações não são aleatórias, mas refletem mudanças estruturais que afetam a cobertura vacinal.