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UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES GABRIEL SILVEIRA MARQUES REESTRUTURAÇÃO DE BIBLIOTECAS: ESTUDO DE CASO DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DA CASA SÃO JOSÉ BRASÍLIA – DF 2018
UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES GABRIEL SILVEIRA MARQUES REESTRUTURAÇÃO DE BIBLIOTECAS Artigo Científico Apresentado à Universidade Candido Mendes - UCAM, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Biblioteconomia. BRASÍLIA – DF 2018
3 REESTRUTURAÇÃO DE BIBLIOTECAS Gabriel Silveira Marques1 RESUMO A reestruturação de bibliotecas se faz presente periodicamente para atender as demandas informacionais dos usuários cada vez mais presentes com o advindo da nova era da informação e da fake news. Este artigo vem com o intuito de abordar técnicas e referenciais teóricos documentados abordando tal procedimento, além de diferenciar, conforme a literatura diz, as principais diferenças de bibliotecas públicas e comunitárias, tendo em visto que estes demandam maior interesse social e assim incentivar que novos relatos sejam também relatados. A pesquisa bibliográfica foi utilizada como recurso metodológico aonde abordou diversas técnicas e métodos aplicados em diferentes tipos de biblioteca, tal pesquisa não abordou outros espaços públicos devido à falta de literatura em espaços que têm o mesmo contexto social e dinâmico de bibliotecas, não se esquecendo da imagem do bibliotecário social, que se faz presente em toda a história de sua formação acadêmica e profissional, sempre se importando com o bem-estar social, não só no âmbito informacional, mas também no âmbito socioeconômico. Palavras-chave: Reestruturação de bibliotecas. Reorganização de espaços públicos. Acesso à informação. Papel social do bibliotecário. Biblioteca pública e comunitária. Anseios informacionais. 1 INTRODUÇÃO A biblioteca pública vem ganhando um grande espaço na vida social dos brasileiros, de acordo com os indicadores culturais de estados e municípios do IBGE (MANSUR, 2015), subiu de 76,3% em 1999 para 97,1% em 2014, os municípios que possuem bibliotecas deste caráter no Brasil. Esta presença maciça nos faz repensar nos programas e serviços que são desenvolvidos dentro destes espaços, tendo em vista sempre o papel principal desta modalidade de biblioteca: oferecer programas de incentivo à leitura e promoção da cidadania por meio do acesso à informação com caráter inclusivo. De acordo com Suiaden (1980, p. 2), o acesso ao conhecimento se torna requisito básico para a formação da autoconsciência comunitária e a função social da biblioteca pública está integrada complementarmente à escola e à comunidade, 1 Taguatinga norte, Brasília - DF.
4 garantindo a irradiação cultural, se estabelecendo como agência de informação e pesquisa como centro de aperfeiçoamento intelectual e democratizando a leitura. O papel social do bibliotecário é evidenciado no trecho do discurso de Cunha (2003) que afirma ser uma profissão essencialmente social de mediação de contato em dar ao cidadão informação sobre direitos e deveres, já para o estudante, dar informação que o possibilite realizar suas pesquisas além de esclarecer dúvidas e despertar curiosidade. No âmbito de biblioteca pública, continua exemplificando que atendidas as necessidades de informação, os cidadãos, via de regra, conquista o direito básico da cidadania, que o atendimento eficaz de alunos primários, desperta o gosto pela leitura e por novas descobertas, sendo assim, a missão mais importante da profissão bibliotecária, é dar informação e respostas sendo assim um agente de mudança (CUNHA, 2003). Nesta perspectiva, seguem os objetivos específicos a serem elucidados com o intuito de alcançar o objetivo geral: Qual é a diferença entre biblioteca pública e comunitária? Quais são os serviços prestados em biblioteca pública? Existem métodos eficazes documentados a ser seguido nas reformulações de espaços públicos? Quais são as perspectivas de futuro para a literatura nesta área? Os principais anseios deste trabalho é o incentivo de práticas de reformulação de espaços para que fiquem mais dinâmicos e mais próximos de seus usuários, não só a reformulação de bibliotecas públicas, mas também a prática de relatar de forma científica para assim difundir o conhecimento e a informação. No aspecto de ambiente comunitário, identificar qual processo pode ser copiado ou aprimorado em outros espaços públicos como modelo, e também incentivar o surgimento destes espaços que têm crescido nos últimos anos no Brasil. Para alcançar tais objetivos, utilizou-se o recurso metodológico, pesquisa bibliográfica de materiais físicos e online para o embasamento das ideias do trabalho. 2. DESENVOLVIMENTO Atendendo o entendimento das propostas deste trabalho, se faz necessário algumas reflexões acerca de biblioteca pública/comunitária e seus serviços, reformulação de espaços públicos.
5 2.1 Biblioteca pública e comunitária As diferentes tipologias de bibliotecas, se diferenciam principalmente conforme sua criação e o público principal a qual se destina, como afirma o trecho: De modo geral, as bibliotecas atendem as demandas de suas comunidades e são caracterizadas por elas, ou seja, pelo seu público. A biblioteca universitária é criada por lei federal, independente de ser vinculada a uma instituição de ensino superior pública ou privada, atende prioritariamente a comunidade de docentes, estudantes e funcionários que a integram, enquanto que a biblioteca especializada está necessariamente atrelada a uma instituição e atende às demandas informacionais do grupo de técnicos e especialistas vinculados formalmente a essa instituição (MACHADO, 2009, p. 85). A figura de biblioteca pública e biblioteca comunitária, se confundem no decorrer da história por atender ao mesmo princípio e o mesmo público, que é dispor serviços informacionais para a comunidade em geral sem custo (CUNHA, 2008). Uma das poucas diferenças fica na administração de recursos, de uma parte mantida por uma comunidade específica e da outra parte mantida pelo próprio Estado (CUNHA, 2008). Machado também ressalta tal paridade com as duas modalidades de bibliotecas e a falta de literatura sobre o tema: Apesar da escassez de literatura sobre o assunto, não podemos dizer que o emprego do termo biblioteca comunitária é recente. Na literatura estrangeira, identificamos autores utilizando essa denominação para se referir àquelas bibliotecas que tem um trabalho ativo junto a sua comunidade. Na maioria dos casos, essas bibliotecas poderiam ser caracterizadas, segundo a tipologia biblioteconômica, como bibliotecas públicas, pois possuem o mesmo objetivo, ou seja, democratizar o acesso ao livro e à informação para a comunidade local [...] (MACHADO, 2009, p. 81). Tal escassez relatada acima, foi constatada por Bastos, Almeida e Romão (2011) por um levantamento bibliométrico em periódicos com Qualis/CAPES2 reconhecidas, conforme Quadro 1: 2 Conjunto de procedimentos para estratificação da qualidade de produção intelectual nos programas de pósgraduação.
6 Quadro 1 - Quantidade de artigos com temática “biblioteca comunitária” encontrados nos periódicos especializados. Fonte: BASTOS; ALMEIDA; ROMÃO, 2011. Em sua dissertação de mestrado, Almeida Júnior (1997) concluiu que biblioteca comunitária não pode ser tratada como um tipo de biblioteca diferente das públicas e das populares por possuírem os mesmos objetivos e por oferecerem os mesmos serviços das demais. Adotamos neste como sendo o principal contraste para diferenciação da tipificação de bibliotecas públicas e comunitárias, conforme o levantamento bibliográfico apresentado, como sendo a principal fonte de renda destes espaços e a dimensão de atuação para com os usuários. Sabendo que existem outros aspectos que as diferencie, como Machado (2009) ressalta: a forma de constituição, o público alvo, o processo participativo com a comunidade, a referência espacial e o fato de não terem vínculos com a administração pública. A figura de biblioteca comunitária está presente desde o século retrasado, inicialmente nos Estados Unidos e Inglaterra, devido principalmente à demanda de mão de obra qualificada após a revolução industrial e pela reivindicação popular por acesso à educação e informação de forma gratuita, motivados pelos ideais da revolução francesa (NOGUEIRA, 1986). Após a grande demanda da população por estes espaços, o Estado se fez presente, patrocinando e depois gerenciando todas as atividades (ALMEIDA JÚNIOR, 2013, p. 67), trazendo um caráter de biblioteca pública, não mais comunitária. As grandes funções destes espaços, desde o seu surgimento não se alterou de forma intensificada de acordo com Almeida Júnior (2013, p. 69-73), destaca-se quatro
7 delas, que é a função educacional (já que os estudantes compõem cerca de 80% a 90% dos usuários atualmente, devido à ausência de bibliotecas escolares, demandando assim quase que integralmente o tempo da equipe), função cultural (sempre relacionada com eventos eruditos), função de lazer recreativo (oferecendo obras literárias) e a função informacional (mais evidente no final dos anos 60, alavancadas com o serviço de referência). Com os tempos modernos, a disseminação da informação se faz como tópico principal no atendimento e nos serviços prestados nestes espaços. Porém a concepção entre a dicotomia da preservação e disseminação não se alterou, investindo a menor parte das verbas para a ampliação e manutenção do acervo físico e online, além da total inerência de promoção de mudanças e ao apego tecnicista, resultando na não efetiva participação da comunidade em geral, mas sim de uma pequena parte envolvida (ALMEIDA JÚNIOR, 2013, p. 70-72). Algumas destas pequenas comunidades envolvidas, são os alunos de escola pública que não tem acesso a um espaço que comporte e atenda seus anseios informacionais devido à falta de investimento do setor público em bibliotecas escolares, refletindo a adequação do acervo de biblioteca comunitária ao público escolar, que muitas das vezes são repostas por doações de obras sem condições de uso, desatualizados e que não estão realmente voltados a esse público (ALMEIDA JÚNIOR, 2013). Diferente deste cenário, nos Estados Unidos da América, após a segunda guerra mundial, o espaço informacional público era utilizado principalmente para auxiliar pessoas com problemas sociais e pessoais originados do estado de guerra envolvida no país, com literatura especializada nestes assuntos e profissionais, tanto financiados pelo próprio governo ou voluntários (FIGUEIREDO, 1985, p. 7-19). De acordo com Bastos, Almeida e Romão (2011), os principais serviços e produtos oferecidos nestes espaços nos Estados Unidos, são cursos de inglês aos imigrantes, fornecimento de espaços para reuniões comunitárias, serviços de orientações jurídicas, alfabetização e complementação educacional para alunos e entrega de livros em domicílio. Já no Reino Unido e na Suécia, oferecem o fomento à leitura do público infantil, voltam o olhar da sociedade em regiões menos ricas, disponibilizam materiais nos principais idiomas estrangeiros e fazem a ponte das informações oficiais do governo para a comunidade (BASTOS; ALMEIDA; ROMÃO, 2011).
8 Não só nos países desenvolvidos encontramos modelos a serem seguidos, no Nepal, Nicarágua e Quênia. Nestes países as bibliotecas comunitárias não se restringem apenas na alfabetização da população, mas oferecem palestras sobre criação de gado, uso de drogas, trabalho infantil, gravidez e investimento financeiro, incentiva a união da comunidade que por razões culturais são marginalizados, não se restringem a modelos padrões utilizando barcos e ônibus como bibliotecas itinerantes (BASTOS; ALMEIDA; ROMÃO, 2011). Já no Brasil, algumas diretrizes seguem o que é observado nos países subdesenvolvidos, como a falta de profissionais da área de biblioteconomia gerindo tais espaços, ao invés disto, a própria comunidade (BASTOS; ALMEIDA; ROMÃO, 2011). Alguns aspectos desta ausência se fazem positivos, como o maior envolvimento e identidade nas atividades envolvidas, porém a principal perda é a descontinuidade nos serviços oferecidos e devida a inexistência da técnica biblioteconômica, a recuperação da informação se prejudica substancialmente. 2.2 Reformulação de espaços públicos As bibliotecas em geral, são tratadas como espaços públicos pela aglomeração de pessoas, por serem espaços físicos abertos e por reunir informação em geral (MACHADO, 2009), mas em um sentido mais restrito, bibliotecas públicas, comunitárias e populares possuem aspectos mais evidentes para esta associação. No Brasil, leis e decretos são responsáveis pela criação e dissolução de bibliotecas públicas que possuem vínculo governamental. Em certos casos, com o objetivo de aproximar seus usuários passaram a ser denominadas populares, como exemplo temos as bibliotecas dos municípios de Niterói e do Rio de Janeiro, não resultando em grandes mudanças neste envolvimento (MACHADO, 2009). A escassez de literatura sobre estrutura organizacional física de bibliotecas públicas é relatada por Davok, Pereira e Ordovas (2011), que segundo eles, se faz necessária a literatura de outras áreas, como administração, para o embasamento teórico para tal trabalho. Na biografia especializada sobre reformulação de bibliotecas e/ou de espaços públicos, encontra-se experiências muito válidas, como a reformulação da biblioteca do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (REBELLO, 2018), que adotou os cinco sensos de qualidade, conhecido também como 5S (Seiri; Seiton; Seiso;
9 Seiketsu; Shitsuke) traduzindo do japonês para o português significa seleção (descarte), organização (ordenação), limpeza (saúde), padronização (sistematização) e autodisciplina (manutenção da ordem), além de outras metodologias administrativas. Tal experiência começou de dentro para fora, avaliando a satisfação dos próprios funcionários e depois de seus usuários finais, descartando todo o material desatualizado e sem saída, obtendo espaço para um layout mais agradável, iluminado e espaçoso (REBELLO, 2018). Todo o processo perdurou por 4 anos, segundo a autora, exemplificando que toda grande mudança, demanda tempo e esforço para que se obtenha um resultado satisfatório. Ressalto a importância da padronização e documentação dos processos técnicos e administrativos, pois sem isso não há continuidade nas mudanças positivas e identificação dos pontos negativos, fazendo com que todo o processo seja jogado fora. Outro estudo, este com enfoque apenas na reorganização do layout da Biblioteca Pública de Santa Catarina com intuito de aumentar a produtividade, segurança e conforto do corpo administrativo, além de garantir maior satisfação aos usuários. A importância do estudo do layout no planejamento das organizações e a presença de diferentes profissionais especializados é evidenciada no trecho: O estudo do layout é uma das partes fundamentais do planejamento de organizações. Para tanto, deve-se desenvolver um estudo preliminar para identificar as necessidades, deficiências, pontos fracos e fortes, verificando documentos e levantando informações in loco, que possibilitem a elaboração de um diagnóstico da situação objeto do estudo de layout [...] Para planejar um layout ideal para uma biblioteca, torna-se necessário o apoio de uma equipe multidisciplinar, sendo composta preferencialmente por bibliotecários, arquitetos e engenheiros, além de envolver o pessoal operacional e os usuários da biblioteca. (DAVOK; PEREIRA; ORDOVÁS, 2011, p. 346) Esta experiência em Santa Catarina se deu com um projeto de extensão de estudantes de biblioteconomia denominado “Biblioteca Pública: um Modelo de Gestão”, os funcionários da biblioteca e os próprios usuários com sugestões e críticas, e seguiu as seguintes etapas: Levantamento da situação vivida; Estudo do mobiliário e dos materiais disponíveis; Observação do fluxo de atividades administrativas; Estudo das soluções prováveis; Apresentação da solução viável escolhida (DAVOK; PEREIRA; ORDOVÁS, 2011).