SiMCosta - Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira
Abstract
Entrevista com Ella Pereira
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CARBON TEAM NEWS VOL. 7 | 06 Com Ella Pereira Gerente Operacional do SiMCosta CARBON TEAM NEWS VOL. 7 | 10 Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira SiMCosta Entrevista Monitorar o oceano não é uma tarefa fácil e exige muita colaboração! Apenas monitorando o oceano seremos capazes de entender melhor como ele funciona para identificar alterações e como isso vai impactar nossa vida. É isso que o Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira, o SiMCosta, está fazendo. Batemos um papo com Ella Pereira, a Gerente Operacional do SiMCosta, para saber mais sobre essa excelente iniciativa brasileira que está revolucionando nosso entendimento sobre nosso oceano. Ella: O SiMCosta é uma iniciativa da Sub-Rede Zonas Costeiras da REDE CLIMA para o monitoramento das Variáveis Climáticas Essenciais (VCEs) na costa do Brasil. Essas variáveis são definidas pelo Global Climate Observing System (GCOS) para a observação e monitoramento das mudanças climáticas. Na prática, o SiMCosta utiliza boias com sensores meteorológicos e oceanográficos, estações meteo-maregráficas e equipamentos fundeados (instalados no fundo) para a coleta de dados e disponibilização pública e gratuita dessas observações. Hoje o SiMCosta está presente em todas as regiões costeiras do Brasil, ampliando constantemente o número de plataformas de coleta de dados e colaborações para disponibilização de dados publicamente. tuições responsáveis por emitir os alertas necessários em eventos extremos, e também a Defesa Civil a preparar suas ações, por exemplo. O mesmo dado que serve para monitorar a temperatura da água em um evento de ressurgência costeira ou onda de calor marinho auxilia nadadores a planejar seus treinos. Durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, o SiMCosta foi responsável por monitorar as águas do Rio de Janeiro para garantir a previsão e observação em tempo real das condições meteo-oceanográficas das áreas de competição aquática. As mesmas boias monitoram o Rio até hoje e permitem que operações portuárias na cidade sejam realizadas com mais segurança e produtividade devido ao monitoramento de ondas, correntes e ventos em tempo real. Não existe limite para a aplicação dos dados. CTNews: O que é o projeto SIMCosta e como ele funciona na prática? Ella: Por ter um sistema de fácil acesso aos dados, qualquer cidadão do mundo pode livremente obter todas as informações adquiridas pelos equipamentos do SiMCosta. Através de APIs (Application Programming Interface) é possível automatizar a assimilação de dados por modelos de previsão, auxiliando a validar os resultados gerados para instiCTNews: Como os dados do SiMCosta podem auxiliar pesquisas, gestão costeira e a sociedade em geral? Boia utilizada para monitorar a temperatura da água durante as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Foto: Rubens Torquato https://doi.org/10.5281/zenodo.17885586 Foto: SiMCosta
CARBON TEAM NEWS VOL. 7 | 06 A Sede nacional do SiMCosta está localizada na Universidade Federal do Rio Grande - FURG, no Centro de Estudos dos Oceanos e Clima - CEOCEAN, em Rio Grande - RS. Todos os dados podem ser acessados através do portal www.simcosta.furg.br. Ella: O SiMCosta conta hoje com a colaboração de 16 universidades brasileiras, portos, terminais portuários e praticagens. Além disso, é membro do grupo de especialistas do braço brasileiro do Global Ocean Observing System, o GOOS-Brasil, gerenciado pelo Centro de Hidrografia da Marinha. Todos os dados do SiMCosta alimentam a Rede Nacional de Observação e Monitoramento Oceânico - ReNOMO, que conta com centenas de pesquisadores das diferentes áreas da ciência marinha nacional. Internacionalmente, colaboramos com o IOC Sea Level Monitoring Facility, fornecendo através das APIs os dados de nível do mar dos marégrafos e com a Aqualink.org com o monitoramento da temperatura da água para detectar as ondas de calor que causam o branqueamento de corais no país. A intenção é ampliar essas colaborações para que mais estudos sejam realizados, melhorando nossa compreensão sobre os impactos dos eventos extremos nesses ambientes. Ella: A principal inovação do SiMCosta é a aprovação do Centro Nacional Multiusuário CEOCEAN/SiMCosta (CNM SiMCosta) pela FINEP. A formação do CNM permite ao SiMCosta a aquisição de equipamentos oceanográficos de médio e grande porte e disponibilizá-los à comunidade científica que não possui acesso a essas tecnologias de monitoramento. Além disso, a equipe de engenharia do SiMCosta está sempre inovando no desenvolvimento de soluções para redução de custos e ampliação da capacidade de monitoramento. Compartilhar dados, conhecimento e infraestrutura com uma rede de cooperação nacional bem integrada é uma das maiores conquistas do SiMCosta. CARBON TEAM NEWS VOL. 7 | 11 CTNews: Quais os maiores desafios do projeto? Para monitorarmos mudanças climáticas, é preciso que as séries de dados sejam longas, decadais. Manter o financiamento para garantir a coleta de dados por 20, 30 anos é um grande desafio, visto que a maioria do financiamento nacional para ciência é através de editais de curto prazo. Além disso, temos o vandalismo dos equipamentos, que prejudica toda a sociedade. CTNews: Como o projeto lida com a integração e o compartilhamento de dados? CTNews: Como o SiMCosta contribui para monitorar as respostas aos impactos das mudanças climáticas e de eventos extremos no ambiente marinho e costeiro? Ella: O SiMcosta já tem mais de dez anos de atuação e forneceu dados para centenas de dissertações, teses e artigos científicos. Essa contribuição é crescente à medida que ampliamos o tempo e número de estações de monitoramento. Todos os estudos estão de alguma forma ligados às áreas de preservação e gestão costeira. CTNews: Quais são os planos futuros para o SiMCosta? Algumas das regiões costeiras no literial brasileiro monitoradas com as boia do SiMCosta. Foto: CARBON Team