50 LAUREADOS COM O PRÊMIO NOBEL E OUTROS GRANDES CIENTISTAS QUE ACREDITAM EM DEUS * Tihomir Dimitrov * Juliano Carvalho Bento1 (Tradutor e Organizador da Edição Portuguesa) omniscientiæ (edição especial 01) DOI: 10.5281/zenodo.17847854 Este livro é uma antologia de citações bem documentadas. É um e-book gratuito. Copyright © 1995-2008 por Tihomir Dimitrov – compilador, M.Sc. em Psicologia (1995), M.A. em Filosofia (1999). Todos os direitos reservados. Este e-book e seu conteúdo podem ser usados exclusivamente para fins não comerciais. Se usado na Internet, um link para o meu site em <http://nobelists.net> seria apreciado. E-mail do compilador:
[email protected] 1 Doutorando em Ensino de Física (PIEC–USP), Bacharelado e Licenciatura em Física (IFGW– UNICAMP). E-mail: [email protected].
Prefácio do Organizador Há algumas décadas, enquanto ainda cursava meu bacharelado em Física no início dos anos 2000, iniciei, concomitantemente, uma “jornada pessoal” (parafraseando o grande Carl Sagan em sua série Cosmos), mas com um objetivo um pouco distinto: encontrar e compreender melhor as crenças de alguns dos maiores cientistas da história da humanidade. Esse empreendimento tinha, para mim, dois propósitos principais: identificar-me mais com essas personalidades (como físico que também possuía, e ainda possui, suas próprias crenças) e, em um plano mais acadêmico 2 , compreender as motivações subjacentes às suas empreitadas científicas. Entretanto, os livros aos quais eu tinha acesso sobre o assunto, seja em bibliotecas, seja em livrarias, eram escassos e, em geral, dedicavam-se apenas às personalidades mais famosas, como Einstein, Newton, Galileu, Darwin, entre outros. Assim, restava-me recorrer a sites na internet que pudessem trazer tais informações ou que, ao menos, me orientassem minimamente sobre onde procurar biografias e outros livros de divulgação científica sobre o assunto. No entanto, o que enfim pude constatar era que muitas das informações e máximas que encontrava ou não haviam sido, de fato, proferidas pelas pessoas a quem eram atribuídas, ou apresentavam problemas de tradução a partir de suas línguas originais, ou ainda eram totalmente forjadas. Um exemplo emblemático disso seria uma frase atribuída a Einstein, contida em uma suposta carta enviada à sua filha Lieserl, na qual o físico teria afirmado que “existe uma força extremamente poderosa para a qual a ciência não encontrou ainda uma explicação formal (...) essa força universal é o Amor”. Essa passagem era recorrentemente difundida em diversos portais de notícia e redes sociais da época 3 , o que me levou, em 2015, a enviar um e-mail ao The Albert Einstein Archives da The Hebrew University of Jerusalem (órgão responsável por todos os arquivos de Einstein), questionando sua veracidade. Barbara Wolff, então responsável pelo Einstein Information Officer, respondeu-me gentilmente, afirmando que se tratava, em última análise, de um embuste. 2 Caso tenha curiosidade, o(a) leitor(a) pode acessar a seção About da minha comunidade no Zenodo (<https://zenodo.org/communities/juliano/about>) – onde também se encontra mais informações sobre o projeto omniscientiæ – ou o meu perfil ORCID (<https://orcid. org/0000-0003-3808-2833>) para obter mais informações sobre meus projetos, estudos e desenvolvimentos acadêmicos. 3 Vide ESTADO DE MINAS. Checamos: Arquivos de Albert Einstein não têm uma carta sobre a “força universal do amor”.Estado de Minas, Belo Horizonte, 11 ago. 2020. Disponível em: <https:// www.em.com.br/app/noticia/internacional/factcheck/2020/08/11/interna_internacional, 1176877/checamos-arquivos-de-albert-einstein-nao-tem-uma-carta-sobre-a-forca.shtml>. Acesso em: 6 dez. 2025. 3
Desse modo, é possível de se notar que o problema maior nessa busca não era propriamente levantar esses dados, mas encontrar fontes seguras. Algo digno de nota é que a Wikipédia, naquele período – ao contrário de hoje, em que se tornou uma fonte relativamente segura para se obter determinadas informações –, acabava também por reverberar dados equivocados, em grande medida pelo fato de qualquer pessoa poder modificar uma entrada sem muito critério. Além disso, quando encontrávamos textos ou frases emblemáticas nas línguas nativas desses pensadores e necessitávamos de tradução, os serviços disponíveis eram, em geral, pagos, ou então recorríamos ao Google Tradutor que, na época (anos 2000), possuía muitas limitações. Foi então que finalmente me deparei com um e-book gratuito que muito me intrigou. Intitulado 50 Nobel Laureates and Other Great Scientists Who Believe in God, tratava-se de um compilado muito bem pesquisado e referenciado sobre o que diversos cientistas laureados com o Prêmio Nobel (em sua maioria cientistas ou fundadores de ramos da ciência) pensavam sobre Deus. Tal documento foi uma dádiva às minhas necessidades e, embora se tratasse de um texto que trazia um recorte que priorizava uma crítica mais acentuada ao ateísmo, bem como um enfoque maior no Deus judaico-cristão, ainda assim houve espaço para outras tradições como hinduísmo/vedanta, islamismo, misticismo filosófico não confessional. Isso foi exatamente ao encontro do que eu buscava: informações confiáveis sobre essas personalidades, além de um guia de onde, enfim, encontrar mais dados sobre esses assuntos. Por reconhecer a relevância desse documento, nunca abandonei a ideia de traduzi-lo para o português. No contexto brasileiro, em particular – um país majoritariamente religioso e, ao mesmo tempo, marcado por profundas desigualdades no acesso ao ensino de línguas estrangeiras –, uma tradução poderia ampliar significativamente o público capaz de acessar essas fontes em primeira mão. Mais do que facilitar a leitura, tal iniciativa pode contribuir para qualificar o debate sobre a relação entre ciência e religião, contrariando visões simplificadoras e oferecendo ao leitor brasileiro um contato mais direto com as próprias palavras desses cientistas 4 . Todavia, por se tratar de um trabalho que exigiria muito tempo e dedicação, essa intenção permaneceu, durante anos, apenas como uma possibilidade futura. 4 Uma das iniciativas que tem buscado promover debates sobre esses temas é o Fórum Mundial Espírito e Ciência, da Legião da Boa Vontade (LBV) , criado pelo educador e então presidente da LBV, José de Paiva Netto (1941-2025). Segundo o próprio site “(...) este é um espaço aberto para o diálogo fraterno entre os inúmeros setores da sociedade, a fim de estimular um amplo debate a respeito de importantes temas para os povos e apresentar as contribuições das diversas áreas do conhecimento espiritual e humano para a construção de uma sociedade mais solidária, altruística e ecumênica, visando implementar suas propostas no campo pragmático das realizações da sociedade civil”. Além disso, “(...) teve sua primeira edição realizada entre os dias 18 e 21 de outubro de 2000, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, debatendo o tema “Ciência e Fé na trilha do equilíbrio”. Reuniu inúmeros cientistas, religiosos, pesquisadores e estudiosos, do Brasil e do exterior, para apresentarem suas visões acerca do possível e necessário intercâmbio entre os campos do saber. Diante do sucesso e da grande repercussão alcançada por essa iniciativa, o Fórum tornou-se uma atividade permanente.” Fonte: <https://www.forumespiritoeciencia.org/> (acessado em 7 de dez. 2025). 4
Seja como for, em 2023, enquanto desenvolvia meu projeto de doutorado em Ensino de Física e, mais uma vez, buscava reunir informações sobre essas personalidades, lembrei-me desse singular texto e reconsiderei a possibilidade de, enfim, traduzi-lo. Com o advento das inteligências artificiais generativas — que, evidentemente, devem ser utilizadas como facilitadoras, e não como substitutas do processo — bem como com o apoio de colegas tradutores, essa empreitada, que provavelmente antes demandaria alguns anos, poderia agora ser realizada em menos tempo. Foi assim que entrei em contato com o autor da pesquisa (ou “compilador”, como ele próprio se define), Tihomir Dimitrov, para saber se eu poderia levar adiante tal projeto. Para minha surpresa e felicidade, ele respondeu ao meu e-mail e gentilmente concedeu seu aval, desde que o material não fosse utilizado com objetivos financeiros. Desde então, tenho me dedicado a esse labor de perscrutar o cosmos pessoal de tão célebres figuras e de compreender que o universo é muito mais vasto do que imaginamos. Assim, por se tratar de um trabalho tão rico e altruísta por parte de seu autor, chegamos, enfim, a esta versão em português, que dedico integralmente a Dimitrov, em reconhecimento ao seu empenho inicial. É digno de nota, ainda, que alguns livros, de gosto no mínimo duvidoso, têm surgido recentemente valendo-se de sua pesquisa de forma pouco transparente. Esta tradução, ao contrário, pretende ser também um testemunho de que Tihomir Dimitrov foi, historicamente, um dos primeiros artífices de uma obra singular, destinada ao público em acesso aberto e gratuito e que, por isso, merece todas as honras. Posto isso, apresento a seguir a tradução integral de sua obra. Qualquer material além deste prefácio é de autoria de Dimitrov – com excessão de eventuais notas que serão identificadas como sendo “Notas do Tradutor e Organizador ( NTO )”. Antes, contudo, de dar continuidade, faz-se necessário salientar alguns pontos importantes: 1. O trabalho é um recorte de visões religiosas teístas de grandes cientistas, escritores e pacifistas que ganharam o famoso prêmio, bem como de alguns antigos pensadores. Isso não significa, contudo, que compartilhamos tais visões ou que, de alguma forma, as endossemos; o material é apresentado apenas como documentação, lembrando que o recorte da pesquisa corresponde ao viés de seu compilador. 2. Nossa tradução foi realizada a partir do arquivo em inglês compilado por Dimitrov; isso significa que há algumas camadas de mediação da tradução em relação aos textos originais. Como nosso objetivo principal é divulgar essas informações ao público de língua portuguesa, salientamos que, para a elaboração de artigos ou livros acadêmicos, pode ser mais adequado recorrer, sempre que possível, às obras originais indicadas nas referências, de onde as citações foram inicialmente extraídas. 3. Alguns Links que constam na Parte VIII do texto original encontravamse atualmente fora do ar. Optamos, assim, por removê-los todos desta 5
tradução. 4. As referências localizadas ao final do texto foram adaptadas para o formato ABNT, a fim de melhorar a padronização e a análise das fontes pelo público brasileiro, sem qualquer modificação de conteúdo. No entanto, mantivemos as referências no corpo do texto no formato do arquivo original, para não acrescentar mais uma camada de interpretação na tradução, o que poderia gerar problemas adicionais. 5. Eventuais erros de tradução podem ter permanecido, assim como a ausência de atualização quanto a alguns autores citados que vieram a falecer nesse ínterim. Caso você identifique qualquer problema, basta enviar um e-mail para <[email protected]>. Ficarei imensamente grato pela colaboração e poderei incorporá-la em uma próxima edição. Juliano Carvalho Bento São Paulo, Brasil, 7 de dezembro de 2025 6
Sumário I Cientistas Laureados com o Prêmio Nobel (Séculos XX–XXI) 14 1 ALBERT EINSTEIN Laureado com o Nobel de Física ................... 15 2 MAX PLANCK Laureado com o Nobel de Física ................... 19 3 ERWIN SCHRÖDINGER Laureado com o Nobel de Física ................... 22 4 WERNER HEISENBERG Laureado com o Nobel de Física ................... 26 5 ROBERT MILLIKAN Laureado com o Nobel de Física ................... 28 6 CHARLES TOWNES Laureado com o Nobel de Física ................... 32 7 ARTHUR SCHAWLOW Laureado com o Nobel de Física ................... 35 8 WILLIAM PHILLIPS Laureado com o Nobel de Física ................... 37 9 SIR WILLIAM H. BRAGG Laureado com o Nobel de Física ................... 40 10 GUGLIELMO MARCONI Laureado com o Nobel de Física ................... 42 11 ARTHUR COMPTON Laureado com o Nobel de Física ................... 44 12 ARNO PENZIAS Laureado com o Nobel de Física ................... 48 13 NEVILL MOTT Laureado com o Nobel de Física ................... 51 14 ISIDOR ISAAC RABI Laureado com o Nobel de Física ................... 53 15 ABDUS SALAM Laureado com o Nobel de Física ................... 54 16 ANTONY HEWISH Laureado com o Nobel de Física ................... 56 17 JOSEPH H. TAYLOR Jr. Laureado com o Nobel de Física ................... 58 18 ALEXIS CARREL Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 59 19 JOHN ECCLES Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 62 20 JOSEPH MURRAY Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 67
21 ERNST CHAIN Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 69 22 GEORGE WALD Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 73 23 RONALD ROSS Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia ......... 77 24 SIR DEREK BARTON Laureado com o Nobel de Química ................. 79 25 CHRISTIAN ANFINSEN Laureado com o Nobel de Química ................. 81 26 WALTER KOHN Laureado com o Nobel de Química ................. 83 27 RICHARD SMALLEY Laureado com o Nobel de Química ................. 85 II Escritores Laureados com o Nobel (Séculos XX-XXI) 87 28 T. S. ELIOT Laureado com o Nobel de Literatura ................ 88 29 RUDYARD KIPLING Laureado com o Nobel de Literatura ................ 91 30 ALEXANDER SOLZHENITSYN Laureado com o Nobel de Literatura ................ 93 31 FRANÇOIS MAURIAC Laureado com o Nobel de Literatura ................ 97 32 HERMANN HESSE Laureado com o Nobel de Literatura ................ 99 33 WINSTON CHURCHILL Laureado com o Nobel de Literatura ................101 34 JEAN-PAUL SARTRE Laureado com o Nobel de Literatura ................103 35 SIGRID UNDSET Laureado com o Nobel de Literatura ................107 36 RABINDRANATH TAGORE Laureado com o Nobel de Literatura ................110 37 RUDOLF EUCKEN Laureado com o Nobel de Literatura ................112 38 ISAAC SINGER Laureado com o Nobel de Literatura ................114 9
4. “Afinal, as diferenças entre judeu e cristão não têm sido exageradas em demasia por fanáticos de ambos os lados? Vivemos ambos sob a aprovação de Deus e nutrimos capacidades espirituais quase idênticas. Judeu ou gentio, escravo ou livre, todos são de Deus.” (Einstein, citado em H. G. Garbedian, Albert Einstein: Maker of Universes, Nova York, Funk and Wagnalls Co., 1939, p. 267). 5. “Todo aquele que se envolve seriamente na busca científica acaba convencido de que um Espírito se manifesta nas leis do universo – um Espírito imensamente superior ao do homem, e diante do qual nós, com nossas modestas capacidades, devemos sentir-nos humildes. Desse modo, a busca científica conduz a um sentimento religioso de tipo especial, que é, de fato, bastante diferente da religiosidade de alguém mais ingênuo.” (Einstein, 1936, citado em Dukas e Hoffmann, Albert Einstein: The Human Side, Princeton University Press, 1979, p. 33). 6. “Quanto mais profundamente se penetra nos segredos da natureza, maior se torna o respeito por Deus.” (Einstein, citado em Brian, 1996, p. 119). 7. “A mais bela e mais profunda emoção que podemos experimentar é a sensação do místico. Ela é a semeadora de toda verdadeira ciência. Quem é estranho a essa emoção, quem não é mais capaz de permanecer arrebatado em admiração, está, no sentido mais profundo, morto. Essa convicção profundamente emocional da presença de um Poder Racional superior, que se revela no Universo incompreensível, forma a minha ideia de Deus.” (Einstein, citado em Libby Anfinsen, 1995). 8. “Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração do Espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nosso entendimento fraco e transitório, podemos compreender da realidade.” (Einstein, 1936, citado em Dukas e Hoffmann, 1979, p. 66). 9. “Quanto mais estudo ciência, mais acredito em Deus.” (Einstein, citado em Holt, 1997). 10. Max Jammer (professor emérito de física e autor do livro biográfico Einstein and Religion, 2002) afirma que o conhecido ditado de Einstein “A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega” pode servir como epítome e quintessência da filosofia religiosa de Einstein. (Jammer, 2002; Einstein, 1967, p. 30). 11. “Os princípios mais elevados para nossas aspirações e juízos nos são dados pela tradição religiosa judaico-cristã. É um objetivo muito elevado, que, com nossas fracas forças, só conseguimos atingir de modo bastante inadequado, mas que confere um fundamento seguro às nossas aspirações e valorações.” (Albert Einstein, Out of My Later Years, New Jersey, Littlefield, Adams and Co., 1967, p. 27). 16
12. “Diante de tamanha harmonia no cosmo, que consigo reconhecer com minha limitada mente humana, ainda há pessoas que dizem que não existe Deus. Mas o que realmente me deixa irritado é que me citem em apoio a tais pontos de vista.” (Einstein, citado em Clark, 1973, p. 400; e Jammer, 2002, p. 97). 13. A respeito dos ateus fanáticos, Einstein observou: “Há então os ateus fanáticos, cuja intolerância é do mesmo tipo que a intolerância dos fanáticos religiosos e provém da mesma fonte. São como escravos que ainda sentem o peso das correntes que lançaram fora após dura luta. São criaturas que – em seu rancor contra o tradicional ‘ópio do povo’ – não suportam a música das esferas. A maravilha da natureza não se torna menor porque não se pode medi-la pelos padrões da moral e dos objetivos humanos.” (Einstein, citado em Max Jammer, Einstein and Religion: Physics and Theology, Princeton University Press, 2002, p. 97). 14. “A verdadeira religião é vida autêntica – viver com toda a alma, com toda a bondade e retidão.” (Einstein, citado em Garbedian, 1939, p. 267). 15. “É certo que uma convicção, aparentada a um sentimento religioso, da racionalidade ou inteligibilidade do mundo está na base de todo trabalho científico de nível mais elevado. ... Essa firme crença, uma crença ligada a um profundo sentimento, em uma Mente superior que se revela no mundo da experiência, representa minha concepção de Deus.” (Einstein, 1973, p. 255). 16. “O árduo trabalho intelectual e o estudo da Natureza de Deus são os anjos que me conduzirão por todos os infortúnios desta vida com consolação, força e rigor intransigente.” (Einstein, citado em Calaprice, 2000, cap. 1). 17. A atitude de Einstein em relação a Jesus Cristo foi expressa em uma entrevista que o grande cientista concedeu à revista norte-americana The Saturday Evening Post (26 de outubro de 1929): – Até que ponto o senhor é influenciado pelo cristianismo? – Quando criança, recebi instrução tanto na Bíblia quanto no Talmude. Sou judeu, mas fico fascinado com a figura luminosa do Nazareno. – Leu o livro de Emil Ludwig sobre Jesus? – O Jesus de Emil Ludwig é superficial. Jesus é colossal demais para a pena de fazedores de frases, por mais hábeis que sejam. Ninguém pode se desembaraçar do cristianismo com um bon mot. – O senhor aceita o Jesus histórico? – Inequivocamente! Ninguém pode ler os Evangelhos sem sentir a presença real de Jesus. Sua personalidade pulsa em cada palavra. 17
Nenhum mito é pleno de tanta vida.” (Einstein, citado em Viereck, 1929; ver também Einstein, citado na revista alemã Geisteskampf der Gegenwart, Gütersloh, 1930, p. 235). 18
2 MAX PLANCK Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Max Planck (1858–1947) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1918 “por seu trabalho sobre o estabelecimento e o desenvolvimento da teoria dos quanta elementares”. Max Planck é universalmente reconhecido como o pai da física moderna; formulou uma das teorias físicas mais importantes do século XX – a teoria quântica. Também contribuiu para o progresso da teoria da relatividade e para o estudo da radiação eletromagnética. Planck é um dos fundadores da mecânica quântica. Nacionalidade: Alemão. Formação: Ph.D. em Física, Universidade de Munique, Alemanha, 1879 (com 21 anos de idade). Ocupação: Professor de Física nas Universidades de Munique, Kiel e Berlim. 1. Em sua famosa conferência Religion and Science (maio de 1937), Planck escreveu: “Tanto a religião quanto a ciência precisam, para suas atividades, da crença em Deus e, além disso, Deus está, para a primeira, no início, e, para a segunda, no fim de todo o processo de pensamento. Para a primeira, Deus representa o fundamento; para a segunda, a coroa de qualquer raciocínio acerca da visão de mundo.” (Max Planck, Religion und Naturwissenschaft. Leipzig: Johann Ambrosius Barth Verlag, 1958, p. 27). 2. “A religião representa um vínculo do ser humano com Deus. Ela consiste em reverente temor diante de um Poder [Macht] sobrenatural, ao qual a vida humana é subordinada e que tem em suas mãos o nosso bem-estar e a nossa desgraça. Permanecer em contato permanente com esse Poder e mantê-lo o tempo todo inclinado em nosso favor é o esforço incessante e o objetivo mais elevado do homem crente. Porque somente desse modo alguém pode sentir-se seguro diante dos perigos esperados e inesperados que o ameaçam em sua vida e pode participar da mais alta felicidade – a paz psíquica interior – que só pode ser alcançada por meio de um forte vínculo com Deus e de uma confiança incondicional na Sua onipotência e disposição de ajudar.” (Max Planck, 1958, p. 9). 3. Planck concluiu sua conferência Religion and Science (maio de 1937) com as palavras: 19
“É a luta constante, contínua, que nunca esmorece contra o ceticismo e o dogmatismo, contra a incredulidade e a superstição, que religião e ciência travam juntas. A palavra de ordem que orienta essa luta corre desde o mais remoto passado até o futuro distante: ‘Rumo a Deus!’ ” (Planck, citado em Heilbron, 1986, p. 185; ver também Planck, 1958, p. 30). 4. “Nessas condições, não é de surpreender que o movimento dos ateus, que declara a religião ser apenas uma ilusão deliberada, inventada por sacerdotes sedentos de poder, e que não tem para a piedosa crença em um Poder superior senão palavras de zombaria, faça uso ávido do conhecimento científico progressivo e, em suposta unidade com ele, expanda, em ritmo cada vez mais acelerado, sua ação desagregadora sobre todas as nações da Terra e sobre todos os estratos sociais. Não preciso explicar com mais detalhes que, após sua vitória, não apenas todos os tesouros mais preciosos de nossa cultura desapareceriam, mas – o que é ainda pior – também quaisquer perspectivas de um futuro melhor.” (Planck, 1958, p. 7). 5. “Mas o valor da religião ultrapassa o indivíduo. Não apenas cada homem tem a sua própria religião, mas a religião requer sua validade para uma comunidade mais ampla, para uma nação, uma raça e para toda a humanidade. Como Deus reina igualmente sobre todos os países do mundo, o mundo inteiro, com todos os seus tesouros e horrores, está submetido a Ele.” (Planck, 1958, p. 9). 6. Infelizmente, durante a Segunda Guerra Mundial, em fevereiro de 1945, o filho de Planck, Erwin, foi executado pelos nazistas por participar de uma tentativa fracassada de assassinar Adolf Hitler. Em 14 de março de 1945, Planck escreveu, em uma carta a seu amigo Anton Kippenberg: “Se há consolação em algum lugar, é no Eterno, e considero uma graça do Céu o fato de a crença no Eterno ter sido profundamente enraizada em mim desde a infância. Que Deus o proteja e fortaleça para tudo o que ainda possa sobrevir antes que esta insanidade na qual somos obrigados a viver chegue ao fim.” (Planck, citado em Heilbron, 1986, p. 195–196). 7. “Que Deus existia antes que houvesse seres humanos na Terra, que Ele sustém o mundo inteiro, crentes e não crentes, em Sua mão onipotente por toda a eternidade, e que Ele permanecerá entronizado em um plano inacessível à compreensão humana muito depois de a Terra e tudo o que nela há terem caído em ruínas; aqueles que professam essa fé e que, inspirados por ela, em veneração e plena confiança, se sentem seguros diante dos perigos da vida sob a proteção do Todo-Poderoso, somente estes podem contar-se entre os verdadeiramente religiosos.” (Planck, citado em Staguhn, 1992, p. 152). 8. Em seu importante livro Where Is Science Going? (1932), Planck ressaltou: 20
“Jamais pode haver verdadeira oposição entre religião e ciência; pois uma é o complemento da outra. Toda pessoa séria e reflexiva percebe, creio eu, que o elemento religioso em sua natureza precisa ser reconhecido e cultivado se todas as forças da alma humana hão de atuar em conjunto com perfeito equilíbrio e harmonia. E, de fato, não foi por acaso que os maiores pensadores de todas as épocas foram almas profundamente religiosas.” (Planck, 1977, p. 168). 9. “Como físico, isto é, um homem que devotou toda a sua vida a uma ciência totalmente prosaica, a exploração da matéria, ninguém, por certo, suspeitaria de mim como um fabulador. E assim, tendo estudado o átomo, digo-lhes que não existe matéria como tal! Toda matéria surge e persiste apenas graças a uma força que põe as partículas atômicas em vibração, mantendo-as unidas nos menores sistemas solares, o átomo. No entanto, em todo o universo não há uma força que seja, ao mesmo tempo, inteligente e eterna, e devemos, portanto, supor que por trás dessa força existe uma Mente ou Espírito consciente e inteligente. Esta é a verdadeira origem de toda matéria.” (Planck, citado em Eggenstein, 1984, Parte I; ver “Materialistic Science on the Wrong Track”). 10. À pergunta da revista The Observer: “O senhor acha que a consciência pode ser explicada em termos de matéria?”, Max Planck respondeu: “Não, considero a consciência como algo fundamental. Considero a matéria como derivada da consciência. Não podemos ir além da consciência. Tudo aquilo de que falamos, tudo aquilo que consideramos como existente, pressupõe a consciência.” (Planck, citado em De Purucker, 1940, cap. 13). 11. Planck acreditava na vida após a morte; ele cria na existência de “outro mundo, exaltado acima do nosso, no qual podemos e poderemos buscar refúgio a qualquer momento”. (Planck, citado em Heilbron, 1986, p. 197). “Teólogos de visão ampla estão agora trabalhando para extrair o metal eterno dos ensinamentos de Jesus e forjá-lo para todos os tempos.” (Planck, citado em Heilbron, 1986, p. 67). 12. Escrevendo sobre as relações complementares entre ciência e religião, Max Planck observou: “Uma não exclui a outra; antes, são complementares e interagem mutuamente. O ser humano precisa da ciência como instrumento de percepção; precisa da religião como guia para a ação.” (Planck, citado em Schaefer, 1983, p. 84). 21
3 ERWIN SCHRÖDINGER Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Erwin Schrödinger (1887–1961) foi agraciado com o Prêmio Nobel de Física de 1933 “pela descoberta de novas formas produtivas da teoria atômica”. Schrödinger também contribuiu para a teoria ondulatória da matéria e para outros fundamentos da mecânica quântica. É o fundador da mecânica ondulatória. Nacionalidade: Austríaco. Formação: Ph.D. em Física pela Universidade de Viena, Áustria, 1910. Ocupação: Professor de Física nas Universidades de Stuttgart, Jena, Berlim, Zurique, Oxford e Viena. 1. Schrödinger afirma que a ciência é um jogo criativo com regras estabelecidas pelo próprio Deus: “A ciência é um jogo – mas um jogo com a realidade, um jogo com facas afiadas. Se um homem recorta cuidadosamente uma figura em mil pedaços, você resolve o quebra-cabeça quando recompõe os pedaços em uma figura; no êxito ou no fracasso, as inteligências de vocês dois competem. Na apresentação de um problema científico, o outro jogador é o bom Deus. Ele não apenas colocou o problema, mas também concebeu as regras do jogo – porém elas não são completamente conhecidas, metade delas fica por você descobrir ou deduzir. A incerteza consiste em saber quantas das regras Deus mesmo estabeleceu de forma permanente e quantas, aparentemente, são causadas pela sua própria inércia mental, enquanto a solução em geral só se torna possível mediante a libertação dessas limitações. Talvez essa seja a coisa mais excitante nesse jogo.” (Schrödinger, citado em Walter Moore, Schroedinger: Life and Thought, Cambridge University Press, 1990, p. 348). 2. “Fico muito admirado de o quadro científico do mundo real ao meu redor ser tão deficiente. Ele nos fornece um monte de informações factuais, coloca toda a nossa experiência em uma ordem magnífica e coerente, mas permanece horrivelmente silencioso sobre tudo aquilo que está realmente perto de nosso coração, que realmente nos importa. Ele não pode nos dizer uma palavra sobre o vermelho e o azul, o amargo e o doce, a dor física e o prazer físico; nada sabe sobre o belo e o feio, o bem e o mal, Deus e a eternidade. Às vezes, a ciência finge responder a perguntas nesses domínios, mas as respostas são com tanta frequência tão tolas que não nos sentimos inclinados a levá-las a sério.” (Schrödinger, Nature and the Greeks, 1954, p. 93). 22
3. Schrödinger nega enfaticamente a alegação, feita por alguns teístas, de que a essência da ciência é ateísta: “Mencionarei aqui, muito brevemente, o notório ateísmo da ciência. Os teístas a censuram por isso, vez após vez. Injustamente. Um Deus pessoal não pode ser encontrado em um quadro de mundo que se torna acessível apenas ao preço de que tudo o que é pessoal seja excluído dele. Sabemos que, sempre que Deus é experienciado, trata-se de uma experiência tão real quanto uma impressão sensível direta, tão real quanto a própria personalidade. Enquanto tal, Ele precisa estar ausente do quadro espaço-temporal. ‘Não encontro Deus no espaço e no tempo’, diz o honesto pensador científico, e, por essa razão, é censurado por aqueles cujo catecismo, no entanto, afirma: ‘Deus é Espírito’.” (Schrödinger, citado em Moore, 1990, p. 379; ver também Schrödinger, Mind and Matter, Cambridge University Press, 1958, p. 68). 4. Schrödinger sustenta que as invenções técnicas humanas têm causado uma deterioração na Natureza: “O grave erro de um impulso cultural orientado tecnicamente é considerar seu objetivo mais elevado a possibilidade de obter uma alteração da Natureza. Ele espera colocar-se no lugar de Deus, a fim de poder impor à vontade divina algumas pequenas convenções de sua mente nascida do pó.” (Schrödinger, citado em Moore, 1990, p. 349). 5. No livro Nature and the Greeks, Schrödinger declara: “De onde vim, para onde vou? A ciência não pode nos dizer uma palavra sobre por que a música nos deleita, por que e como uma canção antiga pode comover-nos às lágrimas. A ciência também se mostra reservada quando se trata da grande Unidade – o Um de Parmênides – da qual todos nós, de algum modo, fazemos parte, a que pertencemos. O nome mais comum para ela em nosso tempo é Deus – com ‘D’ maiúsculo. De onde venho e para onde vou? Essa é a grande questão insondável, a mesma para cada um de nós. A ciência não tem resposta para ela.” (Schrödinger, 1954, p. 95–96). 6. Walter Moore (Professor Emérito de Química Física na Universidade de Sydney, Austrália) escreve que a citação favorita de Schrödinger extraída dos Vedas é a seguinte: 23
“Quem vê o Senhor habitando igualmente em todos os seres e não perecendo quando eles perecem, esse, de fato, vê. Pois, quando ele vê o Senhor habitante em todas as coisas, ele não fere o próprio eu pelo próprio eu. Esse é o caminho mais elevado.” (Walter Moore, Schroedinger: Life and Thought, Cambridge University Press, 1990, p. 349). A respeito desse versículo, Schrödinger comenta: “Essas belas palavras não precisam de comentário. Aqui, a misericórdia e a bondade para com todos os seres vivos (não apenas os semelhantes humanos) são glorificadas como o objetivo mais elevado que se pode alcançar – quase no sentido da reverência pela vida de Albert Schweitzer.” (Schrödinger, citado em Moore, 1990, p. 349 e p. 477). 7. Schrödinger rejeita o materialismo (isto é, a teoria segundo a qual a matéria é a única realidade). Schrödinger afirma que a consciência humana é absolutamente diferente dos processos corporais materiais: “A consciência não pode ser explicada em termos físicos. Pois a consciência é absolutamente fundamental. Ela não pode ser explicada em termos de qualquer outra coisa.” (Schrödinger, 1984, p. 334). 8. Sobre metafísica e misticismo, Schrödinger afirma5: “Agora, não me manterei distante da metafísica, nem mesmo do misticismo; eles desempenham um papel em tudo o que se segue. Nós, seres vivos, pertencemos todos uns aos outros; somos, na verdade, membros ou aspectos de um único Ser, que podemos, em terminologia ocidental, chamar de Deus, enquanto nos Upanishads ele é chamado de Brahman.” (Schrödinger, citado em Moore, 1990, p. 477). No livro Mind and Matter, Schrödinger escreve: “Uma coisa pode ser afirmada em favor do ensinamento místico da ‘identidade’ de todas as mentes entre si e com a Mente Suprema – em contraste com a temível monadologia de Leibniz. A doutrina da identidade pode alegar que é confirmada pelo fato empírico de que a consciência nunca é experienciada no plural, apenas no singular. Nenhum de nós jamais experienciou mais de uma consciência, e tampouco há qualquer vestígio de evidência 5NTO: Frase acrescentada para manter o padrão estabelecido 24
circunstancial de que isso já tenha ocorrido em qualquer lugar do mundo. Se eu digo que não pode haver mais de uma consciência na mesma mente, isso parece ser uma tautologia grosseira – somos totalmente incapazes de imaginar o contrário.” (Schrödinger, Mind and Matter, 1958). 9. O escritor de ciência Ken Wilber observa: “Meu livro Quantum Questions centrou-se no fato notável de que praticamente todos os grandes pioneiros da física moderna – homens como Einstein, Schrödinger e Heisenberg – eram místicos espirituais de um tipo ou de outro, uma situação absolutamente extraordinária. A mais dura das ciências, a física, trombou de frente com a mais delicada das religiões, o misticismo. Por quê? E o que exatamente era o misticismo? Assim, reuni os escritos de Einstein, Heisenberg, Schrödinger, Louis de Broglie, Max Planck, Niels Bohr, Wolfgang Pauli, Sir Arthur Eddington e Sir James Jeans. O gênio científico desses homens está além de qualquer dúvida (todos, exceto dois, eram laureados com o Nobel); o que é tão espantoso, como eu disse, é que todos eles partilhavam uma visão de mundo profundamente espiritual ou mística, o que é talvez a última coisa que se esperaria de cientistas pioneiros.” (Wilber, The Essential Ken Wilber, 1998, p. 16). Veja também os seguintes livros de Schrödinger: • SCHRÖDINGER, Erwin. My view of the world. Cambridge: Cambridge University Press, 1964. • SCHRÖDINGER, Erwin. Mind and matter. Cambridge: Cambridge University Press, 1958. • SCHRÖDINGER, Erwin. What is life? New York: Doubleday, 1956. 25
6 CHARLES TOWNES Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: O inventor do laser, Charles Hard Townes (1915–2015), recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1964 “por seu trabalho fundamental no campo da eletrônica quântica, que levou à construção de osciladores e amplificadores baseados no princípio do maser–laser”. Charles Townes é o fundador da ciência do laser. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Física, Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), 1939. Ocupação: Pesquisador nos Bell Telephone Laboratories, Nova Jersey; Professor de Física na Universidade Columbia, no MIT e na Universidade da Califórnia. 1. À pergunta: “O que o senhor pensa sobre a existência de Deus?”, Charles Townes deu a seguinte resposta: “Acredito firmemente na existência de Deus, com base na intuição, em observações, na lógica e também no conhecimento científico.” (Townes, 2002a). 2. “A ciência, com seus experimentos e sua lógica, procura compreender a ordem ou a estrutura do universo. A religião, com sua inspiração teológica e reflexão, procura compreender o propósito ou o significado do universo. Essas duas coisas são inter-relacionadas. Propósito implica estrutura, e a estrutura deve, de algum modo, ser interpretável em termos de propósito. Pelo menos é assim que vejo a questão. Sou físico. Também me considero cristão. Ao tentar compreender a natureza do nosso universo nesses dois modos de pensamento, vejo muitas semelhanças e interseções entre ciência e religião. Parece lógico que, em longo prazo, as duas até mesmo convergirão.” (Townes, 2001, p. 296). 3. Em seu livro autobiográfico Making Waves (Nova York: American Institute of Physics Press, 1995), Charles Townes escreveu: “Você bem pode perguntar: E exatamente onde entra Deus nisso tudo? Talvez meu relato possa lhe dar algumas respostas, mas, para mim, é quase uma pergunta sem sentido. Se você acredita em Deus, não há um ‘lugar’ particular – Ele está sempre ali, em toda parte, Ele está em todas essas coisas. Para mim, Deus é... pessoal e, no entanto, onipresente. Uma grande fonte de força, Ele fez uma diferença enorme para mim.” (Townes, 1995). 32
4. “Há uma enorme experiência emocional na descoberta científica que, creio, é semelhante àquilo que algumas pessoas normalmente descreveriam como experiência religiosa, uma revelação. De fato, parece-me que uma revelação pode ser vista como uma descoberta súbita de compreensão do ser humano e de sua relação com o universo, com Deus e com os outros seres humanos.” (Townes, 1963, p. 37). 5. “Acho que toda a ciência, de certo modo, decorre da crença de que há ordem no universo. Isso faz parte da fé científica: que há ordem e confiabilidade, e assim por diante; e isso faz parte da tradição judaico-cristã, a ideia de que há um único Deus.” (Townes, citado em Palmer, 1997, vol. 17). 6. Sobre o problema da origem da vida, o Prof. Townes observa: “A vida pode ser muito improvável, mas ela aconteceu, e aconteceu de acordo com leis físicas, e leis físicas são leis que Deus fez.” (Townes, citado em Palmer, 1997, vol. 17). 7. Em sua conferência The Convergence of Science and Religion, proferida no encontro “Science and the Spiritual Quest” (19 de abril de 2002, Paris), Charles Townes declarou: “Ciência e religião são frequentemente vistas como aspectos separados de nossas crenças e de nossa compreensão. Mas a religião é uma tentativa de compreender o propósito do nosso universo, e a ciência – uma tentativa de compreender sua natureza e características; portanto, as duas são necessariamente relacionadas. Procurarei discutir o paralelismo e a interação cada vez mais intensa entre ciência e religião, tal como a visualizo, juntamente com a possibilidade de que elas acabem por se fundir em uma compreensão mais unificada tanto do propósito quanto da natureza de nosso universo.” (Townes, 2002b). 8. No que diz respeito à questão da origem da vida, Charles Townes afirma: “A meu ver, a questão da origem parece ficar sem resposta se a explorarmos apenas de um ponto de vista científico. Assim, creio que há necessidade de alguma explicação religiosa ou metafísica. Acredito no conceito de Deus e em Sua existência.” (Townes, 1995). 9. Em seu famoso artigo de capa “Science Finds God” (Newsweek, 27 jul. 1998), Sharon Begley citou as palavras de Charles Townes: “Como pessoa religiosa, sinto fortemente a presença e a ação de um Ser criador muito além de mim e, no entanto, sempre pessoal e próximo.” (Townes, citado em Begley, 1998, p. 47). Begley escreveu: 33
“Townes acredita que descobertas recentes em cosmologia revelam ‘um universo que se ajusta a visões religiosas’ – especificamente, que ‘de algum modo, a inteligência deve ter estado envolvida nas leis do universo’.” (Begley, 1998, p. 47). 10. “A religião, com sua reflexão teológica, apoia-se na fé. A ciência também se apoia na fé. Como? Para que haja uma ciência bem-sucedida do tipo que conhecemos, precisamos ter fé de que o universo é governado por leis confiáveis e, além disso, de que essas leis podem ser descobertas pela investigação humana. A lógica da investigação humana só é confiável se a natureza for, ela própria, lógica. A ciência opera com a fé de que a lógica humana pode, a longo prazo, compreender as leis da natureza e de que essas leis são confiáveis. Essa é a fé na razão. Nós, cientistas, trabalhamos com base em uma suposição fundamental acerca da razão na natureza e da razão na mente humana, suposição que é mantida como princípio cardeal de fé. E, no entanto, essa fé é tão automática e tão geralmente aceita que mal a reconhecemos como uma base essencial da ciência.” (Townes, 2001, p. 300). 11. “A ciência quer conhecer o mecanismo do universo; a religião – o significado. As duas não podem ser separadas.” (Townes, citado em Easterbrook, 1997, p. 891). 34
7 ARTHUR SCHAWLOW Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Arthur Schawlow (1921–1999), um dos inventores do laser, recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1981 por sua contribuição para o desenvolvimento da espectroscopia a laser e por seu trabalho revolucionário na análise espectroscópica da interação da radiação eletromagnética com a matéria. Schawlow e Charles Townes detêm a patente original do laser; eles são os fundadores da ciência do laser. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Física, Universidade de Toronto, Canadá, 1949. Ocupação: Pesquisador na Universidade Columbia e nos Bell Telephone Laboratories, NJ; Professor de Física na Universidade Stanford. 1. Arthur Schawlow descreveu da seguinte maneira a relação entre religião e ciência: “A religião se fundamenta na fé. Parece-me que, diante das maravilhas da vida e do universo, é preciso perguntar por que e não apenas como. As únicas respostas possíveis são religiosas. Para mim, isso significa o cristianismo protestante, ao qual fui apresentado na infância e que resistiu às provas de toda uma vida. Mas o contexto da religião é um grande pano de fundo para fazer ciência. Nas palavras do Salmo 19: ‘Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de Suas mãos’. Assim, a pesquisa científica é um ato de adoração, na medida em que revela mais das maravilhas da criação de Deus.” (Schawlow, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 105–106; e em Templeton, 1994). 2. “Somos afortunados por ter a Bíblia e, especialmente, o Novo Testamento, que nos fala tanto sobre Deus em termos humanos amplamente acessíveis.” (Schawlow, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 107). “Sinto necessidade de Deus no universo e em minha própria vida.” (Schawlow, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 107). 3. “Existem cultos e seitas religiosas enormemente diferentes, e acho que isso não é irrazoável, porque penso que Deus – se Ele é tão maravilhoso quanto acreditamos – também é muito complexo, e pessoas diferentes precisam vê-Lo de maneiras diferentes. Você não pode esperar que um camponês e um filósofo tenham a mesma imagem de Deus. Acho que Deus é grande o bastante para abarcar a todos, 35
até mesmo escritores de ciência – eles também podem ter sua própria imagem de Deus.” (Schawlow, 1998, cap. I, parte 5). 4. “A imitação de Jesus é o caminho para salvar a própria vida, eu acho. Além disso, não sei.” (Schawlow, citado em Brian, 1995, p. 242). 5. “O mundo é simplesmente tão maravilhoso que não consigo imaginar que tenha surgido apenas por puro acaso.” (Schawlow, 1998, cap. I, parte 5). 36
8 WILLIAM PHILLIPS Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: William D. Phillips (nascido em 1948) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1997 “pelo desenvolvimento de métodos para resfriar e aprisionar átomos com luz laser” e o Prêmio Arthur Schawlow de Ciência do Laser em 1998. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Física, MIT, 1976. Ocupação: Líder do grupo de Laser Cooling and Trapping no Laboratório de Física do National Institute of Standards and Technology (1998–presente); Professor Distinto de Física na Universidade de Maryland (2001–presente). 1. “Eu creio em Deus. Na verdade, creio em um Deus pessoal, que age na criação e interage com ela. Acredito que as observações sobre a ordem do universo físico e o aparente ajuste extremamente preciso das condições do universo para o desenvolvimento da vida sugerem que um Criador inteligente é o responsável. Creio em Deus por causa de uma fé pessoal, uma fé que é consistente com aquilo que conheço pela ciência.” (Phillips, 2002b). 2. Em sua conferência Ordinary Faith, Ordinary Science, apresentada no encontro “Science and the Spiritual Quest” (20 de abril de 2002, Paris), o Dr. Phillips afirmou: “Muitos cientistas são também pessoas com uma fé religiosa bastante convencional. Eu, um físico, sou um exemplo. Creio em Deus como criador e amigo. Isto é, acredito que Deus é pessoal e interage conosco.” (Phillips, 2002a). 3. À pergunta: “O que o senhor acha que deveria ser a relação entre ciência e religião? Por que pensa assim?”, o Prof. Phillips respondeu: “Esta é uma questão complexa, sobre a qual outros, mais sábios do que eu, escreveram livros inteiros. Em grande medida, acredito que ciência e religião lidam com tipos diferentes de questões, usando métodos diferentes (embora não completamente diferentes). A ciência trata de questões sobre como as coisas funcionam, da história do desenvolvimento do universo e assim por diante. A religião trata de questões sobre o significado último, sobre como deveria ser a relação entre as pessoas, e entre as pessoas e Deus. Não quero dizer que não exista relação alguma entre ciência e religião. Há áreas em que decisões religiosas/morais precisam ser 37
informadas por fatos científicos. Também acredito que Deus Se revela em parte por meio das observações que fazemos sobre a criação.” (Phillips, 2002b). 4. Em 6 de março de 1998, William Phillips e Stephen Hawking participaram da série de palestras do Milênio na Casa Branca. À pergunta: “Dr. Phillips, por que o universo obedece a quaisquer leis?”, William Phillips respondeu: “Bem, essa é uma pergunta realmente boa. É o tipo de questão que tem intrigado e afligido cientistas e, suponho, filósofos e teólogos por muito tempo. É realmente algo notável. Todas as coisas maravilhosas de que o professor Hawking falou podem, na verdade, ser descritas por um número muito pequeno de equações relativamente simples e, depois, um monte de matemática complicada. Por que é que o universo é tão simples? Por que é que ele segue leis matemáticas? Bem, as pessoas têm especulado sobre isso, e uma possível resposta é que, se o universo tivesse sido diferente do que é, nós não estaríamos aqui. Isto é, se as leis do universo não fossem o que são, ou se não houvesse leis nenhumas, teria sido impossível a evolução da vida. Teria sido impossível que nós tivéssemos evoluído até o ponto de podermos fazer essa pergunta. Às vezes, isso é chamado de ‘princípio antrópico’. Talvez não para colocar ênfase demais sobre as pessoas, mas isso provavelmente vale também para as amebas, pois elas também não teriam podido evoluir. Por outro lado, há outra resposta, que na verdade não está tão distante dessa, e, se você é uma pessoa de fé religiosa, como eu, pode responder que a razão de termos um universo que segue leis é porque Deus decidiu fazer o universo dessa maneira, porque Deus queria que nos desenvolvêssemos como nos desenvolvemos e evoluíssemos da forma como evoluímos; e essa é, evidentemente, uma resposta filosófica e teológica, que tem mais a ver com a fé de alguém do que com suas conclusões científicas, mas é uma resposta de que eu gosto muito e que não considero muito diferente da primeira.” (Phillips, 1998a). 5. “Tenho profunda convicção de que Deus é pessoal, e isso é o fundamento da minha fé.” (Phillips, citado em Witham, 2001). “Ser um cientista comum e um cristão comum parece perfeitamente natural para mim. Também é perfeitamente natural para os muitos cientistas que conheço e que são pessoas de profunda fé religiosa.” (Phillips, citado em Christie, 2002). 6. “A religião nos diz como nos relacionar uns com os outros e a ciência nos mostra como Deus construiu o Universo.” (Phillips, 1999). “Algumas coisas na ciência tornam impossível descartar a intervenção divina.” (Phillips, citado em Witham, 2001). 38
William Phillips proferiu duas palestras no 54 o Encontro Anual da American Scientific Affiliation (agosto de 1999, John Brown University, Arkansas): Testifying to God’s Goodness through Science and Technology eAlmost Absolute Zero: The Story of Laser Cooling and Trapping (Phillips, 1999). 7. “Provavelmente há mais laureados com o Nobel que são pessoas de fé do que se imagina em geral. A maior parte das pessoas, na maioria das profissões, não faz questão de tornar públicas suas convicções religiosas, pois elas são muito pessoais.” (Phillips, 2002c). 8. O Dr. Phillips considera que a ciência pode apenas indicar-nos o caminho para Deus, mas não pode explicitar a essência divina, como esta é exposta na Bíblia: “É difícil ver como a ciência poderá apontar para um Criador que deseja um relacionamento pessoal conosco, que nos ama, que quer que nos amemos uns aos outros, que tem expectativas a nosso respeito e que nos chegam pela sabedoria das Escrituras.” (Phillips, citado em Witham, 2001). 39
9 SIR WILLIAM H. BRAGG Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: William Henry Bragg (1862–1942) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1915 por sua contribuição à análise de estruturas cristalinas por meio de raios X. Nacionalidade: Britânico. Formação: M.A., Universidade de Cambridge, 1884. Ocupação: Professor de Física nas Universidades de Adelaide, Leeds e Londres; Presidente da Royal Society de Londres (1935–1940). 1. “A regra e o exemplo de Cristo mostraram Deus como nosso Pai e a nós como Seus filhos, uma sociedade em que o amor governa tudo. Então, se procuramos uma regra de conduta, devemos pensar em como gostaríamos que as crianças fossem e o que desejaríamos que elas fizessem. Gostamos que elas sejam trabalhadoras, dedicadas, alegres, solidárias. Gostamos que aproveitem plenamente a vida. Devemos ficar tristes e sofrer às vezes, mas sejamos felizes tanto quanto e sempre que pudermos; e, enquanto estivermos bem e felizes, ajudemos todos os que não estão. Quanto mais esforçados formos em desfrutar a vida, mais felicidade conseguiremos comunicar aos outros. Pois confiamos que esta vida é uma preparação, não uma prova final.” (Bragg, citado em Caroe, 1979, p. 164). 2. “Da religião vem o propósito do ser humano; da ciência, o seu poder de realizá-lo. Às vezes, as pessoas me perguntam por que, sendo cientista, acredito em Deus. Eu lhes respondo que posso acreditar em Deus precisamente por ser cientista.” (Bragg, citado em Lindberg e Numbers, 1986, p. 437). 3. “A ciência é experimental, avança passo a passo, fazendo tentativas e aprendendo por meio do êxito e do fracasso. Não é esse também o caminho da religião, e especialmente da religião cristã? Os escritos daqueles que pregam a religião insistiram, desde o início, que ela deve ser provada pela experiência. Se um homem é atraído para a honra, a coragem, a perseverança, a justiça, a misericórdia e a caridade, que siga o caminho de Cristo e descubra por si mesmo. Nenhuma descoberta científica o impedirá nesse caminho.” (Bragg, citado em Lindberg e Numbers, 1986, p. 437). 4. “A convicção da verdade de qualquer fé, na medida em que o homem pode medir a verdade, é alcançada pela prática, e é aqui que o cientista encontra uma ilustração em seu próprio trabalho. 40
Cada homem, no círculo em que se encontra – pode ser um círculo pequeno, seus meios podem ser modestos –, pode experimentar o caminho cristão, descobrir por si e adquirir suas próprias convicções. Ele põe sua fé à prova. Quanto ao modo concreto de realizar o experimento, nada direi. Todos nós já o conhecemos bem: ele foi consagrado em milhares de testemunhos; foi manifestado em incontáveis vidas; está todo contido nas belas palavras de São Paulo, por mais simples que sejam: ‘E o maior destes é a caridade’.” (Bragg, citado em Caroe, 1979, p. 170). 5. A filha de Bragg, Gwendolen Mary Caroe, escreveu sobre a fé de seu pai: “Fé religiosa, para W. H. Bragg, era a disposição de apostar tudo na hipótese de que Cristo tinha razão, e testá-la por meio de um experimento de toda uma vida em caridade.” (Caroe, 1979, p. 161–163). 6. Em 1940, Bragg identificou “dois tristes enganos” correntes nos debates entre ciência e religião: “Um é supor que a ciência, isto é, o estudo da Natureza, leva ao materialismo. O outro é imaginar que o culto a Deus possa ser realizado sem o instrumental que a ciência fornece.” (Bragg, citado em Lindberg e Numbers, 1986, p. 436). 41
12 ARNO PENZIAS Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Arno Penzias (nascido em 1933) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1978 pela descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, que deu suporte à teoria do Big Bang para a criação do Universo. Nacionalidade: Alemão; posteriormente cidadão norte-americano. Formação: Ph.D. em Física, Universidade Columbia, 1962. Ocupação: Pesquisador e Administrador nos Bell Laboratories, NJ. 1. “Se há um monte de macieiras, pode-se dizer que aquele que criou essas macieiras queria algumas maçãs. Em outras palavras, ao olhar para a ordem no mundo, podemos inferir propósito e, a partir do propósito, começamos a obter algum conhecimento do Criador, do Planejador de tudo isso. É assim, portanto, que vejo Deus. Eu olho para Deus por meio das obras de Suas mãos e, dessas obras, infiro intenções. A partir dessas intenções, recebo uma impressão do Todo-Poderoso.” (Penzias, citado em The God I Believe in, J. O. Haberman, org., Nova York, Maxwell Macmillan International, 1994, p. 184). 2. Em uma entrevista publicada na antologia The God I Believe in (1994), Penzias expõe suas visões religiosas e sobre o Monte Sinai, onde Deus teria dado os Dez Mandamentos a toda a nação judaica – 3 milhões de pessoas: Pergunta: O senhor se referiu antes ao Sinai. Isso traz à tona um dos problemas mais complexos – a revelação. O senhor acha que Deus Se revelou no Sinai? Penzias: Ou talvez Deus esteja sempre Se revelando? Novamente, penso como no Salmo 19: ‘Os céus proclamam a glória de Deus’; isto é, Deus Se revela em tudo o que existe. Toda a realidade, em maior ou menor grau, manifesta o propósito de Deus. Há alguma conexão com o propósito e a ordem do mundo em todos os aspectos da experiência humana. Pergunta: Quando o senhor lê ou ouve a Torá, ela é, para o senhor, a palavra de Moisés ou a palavra de Deus? Penzias: Bem, para mim é a palavra de Moisés e a palavra de Deus por meio de Moisés. Pergunta: Então, por que o Sinai aconteceu? Penzias: Não tenho uma boa resposta, exceto que o Sinai foi importante para o Judaísmo e importante para o futuro do mundo. Foi um lugar em que Deus escolheu os judeus, mas os judeus 48
também escolheram Deus. Foi um momento histórico em que se estabeleceu uma conexão espiritual. Pergunta: As especulações judaicas sobre o além envolvem o Messias. O senhor acredita em tal redentor ou em uma redenção final de todo o mal aqui na Terra? Penzias: Sim. Creio que o mundo tem um propósito, de preferência um bom propósito. Portanto, penso que um Messias é necessário para ajudar a realizar um mundo com propósito.” (Penzias, citado em The God I Believe in, Haberman, 1994, p. 188–190). 3. Em relação à teoria do Big Bang e à questão da origem de nosso universo altamente ordenado, em 12 de março de 1978 o Dr. Penzias declarou ao New York Times: “Os melhores dados de que dispomos são exatamente aquilo que eu teria previsto, se nada tivesse para seguir senão os cinco livros de Moisés, os Salmos, a Bíblia como um todo.” (Penzias, citado em Bergman, 1994, p. 183; ver também Brian, 1995, p. 163). As pesquisas de Arno Penzias em astrofísica o levaram a ver “evidências de um plano de criação divina”. (Penzias, citado em Bergman, 1994, p. 183). 4. Em uma entrevista publicada na antologia científica The Voice of Genius (1995), o Dr. Penzias afirma: Penzias: A Bíblia fala de uma criação com propósito. O que nós temos, porém, é uma quantidade espantosa de ordem; e, quando vemos ordem, em nossa experiência isso normalmente reflete propósito. Brian: E essa ordem está refletida na Bíblia? Penzias: Bem, se lermos a Bíblia como um todo, esperaríamos ordem no mundo. Propósito implicaria ordem, e o que de fato encontramos é ordem. Brian: Então podemos supor que talvez haja propósito? Penzias: Exatamente. ... Este mundo é o mais consistente com uma criação intencional. (Penzias, citado em Brian, 1995, p. 163–165). 5. No artigo de Gordy Slack, “When Science and Religion Collide or Why Einstein Wasn’t an Atheist: Scientists Talk about Why They Believe in God” (1997), o Dr. Penzias declarou: “Se Deus criou o universo, Ele o teria feito de maneira elegante. A ausência de qualquer marca de intervenção sobre a criação é exatamente o que esperaríamos de um Criador verdadeiramente onipotente. Você não precisa de alguém mexendo nas engrenagens, como Frank Morgan em O Mágico de Oz, para manter o universo funcionando. Em vez disso, o que você tem é meia 49
página de matemática que descreve tudo. Em certo sentido, o poder da criação reside em sua simplicidade subjacente.” (Penzias, citado em Slack, 1997). 6. Quanto à teoria do Big Bang e às evidências observacionais de que o universo foi criado, Penzias assinalou: “Como o homem comum poderia tomar partido nessa disputa entre gigantes? Um [lado] sustentava que o universo fora criado a partir do nada, enquanto o outro proclamava a evidente eternidade da matéria. O ‘dogma’ da criação era contrariado pelo ‘fato’ da natureza eterna da matéria. Pois bem, hoje o dogma sustenta que a matéria é eterna. O dogma vem da crença intuitiva das pessoas (incluindo a maioria dos físicos) que não querem aceitar as evidências observacionais de que o universo foi criado – apesar do fato de que a criação do universo é apoiada por todos os dados observáveis que a astronomia produziu até agora. Como resultado, as pessoas que rejeitam os dados podem ser descritas, com razão, como possuidoras de uma crença ‘religiosa’ de que a matéria deve ser eterna. Essas pessoas consideram a si mesmas cientistas objetivas.” (Penzias, 1983, p. 3; ver também Bergman, 1994, p. 183). 50
13 NEVILL MOTT Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Sir Nevill Mott (1905–1996) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1977 por suas pesquisas sobre as propriedades magnéticas e elétricas de semicondutores não cristalinos. Nacionalidade: Britânico. Formação: Mestrado em Física, Universidade de Cambridge, 1930. Ocupação: Professor de Física na Universidade de Bristol (1933–1954) e na Universidade de Cambridge (1954–1971); Presidente da União Internacional de Física (1951–1957). 1. “Creio em Deus, que pode responder às orações, em quem podemos depositar confiança e sem o qual a vida nesta Terra seria destituída de sentido (uma história contada por um idiota). Creio que Deus Se revelou a nós de muitas maneiras e por meio de muitos homens e mulheres, e que, para nós aqui no Ocidente, a revelação mais clara é por meio de Jesus e daqueles que O seguiram.” (Mott, citado em Nevill Mott: Reminiscences and Appreciations, E. A. Davis, org., Londres, Taylor & Francis, 1998, p. 329). 2. “Os milagres da história humana são aqueles nos quais Deus falou aos homens. O nascimento de Jesus não teria sido um milagre se Ele não tivesse sido o Cristo. O mais importante é que Ele revelou Deus a nós.” (Mott, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 62). 3. Mott observa que o avanço da ciência não elimina a necessidade de Deus: “Não creio que a ciência vá alguma vez resolver todos os mistérios ou responder a todas as questões importantes sobre o sentido e o propósito da vida. Não creio que a ciência vá algum dia fornecer a base para uma ética.” (Mott, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 65). 4. “Sou cristão. Creio que, na pessoa de Jesus, Deus Se revelou a nós de uma forma única. Não creio que a ciência vá alguma vez nos fornecer as respostas para todas as nossas perguntas.” (Mott, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 65). 5. “Na minha compreensão de Deus, parto de certas crenças firmes. Uma delas é que as leis da natureza não são violadas. Deus age, creio eu, dentro das leis naturais e de acordo com as leis naturais.” (Mott, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 66). 51
6. Em 1991, Nevill Mott organizou um volume de artigos de cientistas famosos sobre o significado da crença religiosa e a interface ciência–religião, intitulado Can Scientists Believe? (Londres, James & James). Em seu artigo nessa antologia científica, o Prof. Mott escreve que Deus é absolutamente necessário para explicar a origem e a essência da consciência humana. Mott afirma que o mistério da consciência jamais poderá ser explicado pela ciência: “Creio também que nem a ciência física nem a psicologia poderão ‘explicar’ a consciência humana. Para mim, portanto, a consciência humana situa-se fora da ciência, e é aí que busco a relação entre Deus e o ser humano.” (Mott, Can Scientists Believe?, Londres, James & James Science Publishers, 1991, p. 8). 52
14 ISIDOR ISAAC RABI Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Isidor Isaac Rabi (1898–1988) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1944 por seu trabalho sobre as propriedades magnéticas dos núcleos atômicos. Nacionalidade: Austríaco; posteriormente cidadão norte-americano. Formação: Ph.D. em Física, Universidade Columbia, 1927. Ocupação: Professor de Física na Universidade Columbia (1937–1988). 1. “A física encheu-me de assombro, pôs-me em contato com um senso de causas primeiras. A física aproximou-me de Deus. Esse sentimento permaneceu comigo ao longo de todos os meus anos na ciência. Sempre que algum de meus alunos vinha a mim com um projeto científico, eu fazia apenas uma pergunta: ‘Isso o aproximará de Deus?’ ” (I. I. Rabi, 1999, Physics Today). 2. “Os primeiros versículos do Gênesis foram muito comoventes para mim em criança. Toda a ideia da Criação – o mistério e a filosofia disso. Isso penetrou em mim, e é algo que ainda sinto. Não há dúvida de que, basicamente, em algum lugar bem profundo, sou um judeu ortodoxo. Minha formação inicial, tão marcada por Deus, o Criador do mundo, permaneceu comigo.” (Rabi, citado em John S. Rigden, Rabi: Scientist and Citizen, Harvard University Press, 2000, p. 21). 3. “A formação ortodoxa de Rabi lhe deu um senso do mistério da física, um gosto pela generalização e uma crença na profundidade e na unidade subjacente da natureza. ‘Quando você faz física, está lutando com um campeão’, ele gostava de dizer. ‘Você está tentando descobrir como Deus fez o mundo, exatamente como Jacó lutando com o anjo.’ A física aproximava Rabi de Deus, porque o mundo era criação Dele. E, como Deus, a física era infinita e certamente nada trivial.” (Brian VanDeMark, Pandora’s Keepers: Nine Men and the Atomic Bomb, Little Brown & Co., 2003, cap. 1). 4. Em seu artigo “Isidor Isaac Rabi” (Physics World, novembro de 1999), John Rigden escreveu: “Para Rabi, a física, como a religião, brota das aspirações humanas, das profundezas da alma, do pensamento profundo e do sentimento profundo. Para Rabi, fazer grande física era caminhar na trilha de Deus.” (Rigden, 1999, p. 31). 53
15 ABDUS SALAM Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Abdus Salam (1926–1996) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1979 por seus trabalhos em teoria eletrofraca, que explicam a unidade entre a força nuclear fraca e o eletromagnetismo; essa teoria é a etapa mais recente no esforço de fornecer uma descrição unificada das quatro forças fundamentais da natureza. Nacionalidade: Paquistanês. Formação: Ph.D. em Matemática e Física, Universidade de Cambridge, 1952. Ocupação: Professor de Física Teórica na Universidade de Londres e na Universidade do Punjab (Paquistão); Diretor do Centro Internacional de Física Teórica, em Trieste (Itália), desde 1964. 1. Abdus Salam conclui seu discurso “Poor as a Nation” com as palavras: “Nossa sociedade sofre com ameaças como montanhas. Procurem removê-las de seu entorno com paciência. Deus terá misericórdia de vocês um dia. Não tenham medo se seus esforços não derem fruto, mas continuem fazendo seu trabalho, e Deus de fato abençoará seus esforços.” (Salam, 1990). 2. Em uma entrevista para a revista New Scientist (26 de agosto de 1976), Abdus Salam afirma: “Todo ser humano precisa de religião, como Jung argumentou de forma tão categórica; esse sentimento religioso mais profundo é um dos impulsos primários da humanidade.” (Salam, 1976). 3. Em física, o Prof. Salam esteve, sobretudo, envolvido com o problema das simetrias; ele explica seu interesse da seguinte maneira: “Talvez isso venha de minha herança islâmica; pois é assim que consideramos o universo criado por Deus: com ideias de beleza, simetria e harmonia, com regularidade e sem caos. Estamos tentando descobrir o que o Senhor pensou; é claro que falhamos miseravelmente na maior parte do tempo, mas às vezes há grande satisfação em ver um pouquinho da verdade.” (Salam, 1976; New Scientist). 4. Em seu artigo Science and Religion, o Prof. Salam escreveu: “Einstein nasceu em uma fé abraâmica; em sua própria visão, era profundamente religioso. Ora, esse senso de maravilhamento leva 54
a maioria dos cientistas a um Ser Superior – der Alte, o Velho, como Einstein chamava afetuosamente a Divindade –, uma Inteligência Superior, o Senhor de toda a Criação e de toda a Lei Natural.” (Salam, citado em Lai e Kidwai, 1989, p. 285). 55
16 ANTONY HEWISH Laureado com o Nobel de Física Prêmio Nobel: Antony Hewish (nascido em 1924) recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1974 por sua descoberta dos pulsares. Nacionalidade: Britânico. Formação: Ph.D. em Física, Universidade de Cambridge, 1952. Ocupação: Professor de Radioastronomia no Cavendish Laboratory, Universidade de Cambridge (1971–presente). 1. À pergunta: “O que o senhor pensa sobre a existência de Deus?”, o Prof. Hewish respondeu: “Eu creio em Deus. Não faz sentido para mim supor que o Universo e a nossa existência sejam apenas um acidente cósmico, que a vida tenha surgido devido a processos físicos aleatórios em um ambiente que, simplesmente por acaso, tinha as propriedades adequadas. Como cristão, começo a compreender o que é a vida por meio da crença em um Criador, cuja natureza foi, em parte, revelada por um homem nascido há cerca de 2000 anos.” (Hewish, 2002a). 2. À indagação: “Qual o senhor acha que deveria ser a relação entre ciência e religião? Por que pensa assim?”, o Prof. Hewish deu a seguinte resposta: “Acho que tanto a ciência como a religião são necessárias para entender a nossa relação com o Universo. Em princípio, a ciência nos diz como tudo funciona, embora haja muitos problemas não resolvidos, e eu suponho que sempre haverá. Mas a ciência levanta questões que ela mesma nunca poderá responder. Por que o Big Bang acabou levando a seres conscientes que se perguntam sobre o propósito da vida e a existência do Universo? É aqui que a religião se faz necessária.” (Hewish, 2002a). 3. À pergunta: “Qual é a sua opinião sobre a natureza de Deus? O senhor acha que Deus é um Criador (Designer) racional?”, o Prof. Hewish respondeu: “Deus certamente parece ser um Criador racional. O fato de que todo o mundo terrestre seja feito de elétrons, prótons e nêutrons e de que o vácuo esteja repleto de partículas virtuais exige uma racionalidade incrível.” (Hewish, 2002b). 4. E, à indagação: “Qual deveria ser o lugar da religião em nosso mundo materialista moderno?”, Antony Hewish respondeu: 56
“A religião tem um papel da mais alta importância ao apontar que há mais na vida do que o materialismo egoísta.” (Hewish, 2002b). 5. “Deus é um conceito de que preciso para dar coerência à minha experiência total. O cristianismo é, para mim, aquilo que mais se aproxima de uma expressão formal disso. Você precisa de algo além de simples leis científicas. Mais ciência não vai responder a todas as questões que colocamos.” (Hewish, citado em Candid Science IV: Conversations with Famous Physicists, de Istvan Hargittai, Londres, Imperial College Press, 2004, p. 637). * Jocelyn Bell Burnell foi uma parte importante da equipe de astrônomos que descobriu os pulsares em 1967; por esse trabalho Antony Hewish e Martin Ryle receberam o Prêmio Nobel de Física de 1974. Jocelyn Bell Burnell é uma Quaker profundamente religiosa e professora de física. 57
Precisamos reconhecer que somos seres espirituais com almas que existem em um mundo espiritual, bem como seres materiais com corpos e cérebros que existem em um mundo material.” (Eccles, 1991, p. 241). 9. “Uma vez que as soluções materialistas falham em dar conta de nossa singularidade experimentada, sinto-me constrangido a atribuir a singularidade do eu ou da alma a uma criação espiritual sobrenatural. Essa conclusão é de importância teológica inestimável. Ela reforça poderosamente nossa crença na alma humana e em sua origem miraculosa em uma criação divina.” (Eccles, 1994, p. 168). 10. Sobre o dualismo de Eccles: “Como dualista, creio na realidade do mundo da mente ou do espírito, bem como na realidade do mundo material. Além disso, sou finalista, no sentido de acreditar que há um Desígnio nos processos da evolução biológica que, por fim, conduziu a nós, seres autoconscientes, com nossa individualidade única; e somos capazes de contemplar e tentar compreender a grandeza e a maravilha da natureza.” (Eccles, 1979, p. 9). O professor de Eccles, o laureado com o Nobel em neurofisiologia Sir Charles Sherrington, também era dualista; Sherrington sustenta que nossa mente imaterial é fundamentalmente distinta de nosso corpo físico. Sherrington crê em uma Deidade onipotente e na Religião Natural. (Ver Charles Sherrington, Man on His Nature. The Gifford Lectures in Natural Theology, Cambridge University Press, 1975, p. 59 e 293). Há muitos outros cientistas laureados com o Nobel que exploraram a fundo o problema mente–corpo e que são firmes dualistas: George Wald, Nevill Mott, M. Planck, E. Schroedinger, Brian D. Josephson, Santiago Ramón y Cajal, Roger Sperry, Albert Szent-Györgyi, Walter R. Hess, Henri Bergson, Alexis Carrel, etc. (Ver Margenau e Varghese, 1997, “Cosmos, Bios, Theos”; ver também Popper e Eccles, 1977, The Self and Its Brain). Veja também, neste livro, os capítulos sobre George Wald, Nevill Mott, M. Planck e E. Schroedinger. 11. Em seu artigo “Scientists in Search of the Soul” (Science Digest, 1982), o escritor de divulgação científica John Gliedman observou: “Eccles defende vigorosamente a antiga crença religiosa de que o ser humano consiste em uma misteriosa combinação de corpo físico e espírito intangível. Cada um de nós encarna um eu não material pensante e perceptivo que ‘entrou’ em nosso cérebro físico em algum momento durante o desenvolvimento embrionário ou na primeira infância, afirma o homem que ajudou a lançar as bases da neurofisiologia moderna. Esse ‘fantasma na máquina’ é responsável por tudo o que nos torna distintamente humanos: 64
autoconsciência, livre-arbítrio, identidade pessoal, criatividade e até emoções como amor, medo e ódio. Nosso eu não material controla seu ‘cérebro de ligação’ do mesmo modo que um motorista dirige um carro ou um programador controla um computador. A presença espiritual fantasmagórica do homem, diz Eccles, exerce apenas o sussurro de uma influência física sobre o cérebro-computador, suficiente para encorajar alguns neurônios a disparar e outros a permanecerem silenciosos. Avançando ousadamente aquilo que, para a maioria dos cientistas, é a maior heresia de todas, Eccles afirma também que nosso eu não material sobrevive à morte do cérebro físico.” (Gliedman, 1982, p. 77). 12. “Podemos considerar a morte do corpo e do cérebro como dissolução de nossa existência dualista. Com esperança, a alma libertada encontrará outro futuro, de significado ainda mais profundo e experiências ainda mais cativantes, talvez em alguma existência novamente corporificada, em conformidade com o ensino cristão tradicional.” (Eccles, 1991, p. 242). 13. “Creio, sim, que somos produto da criatividade daquilo a que chamamos Deus. Espero que esta vida conduza a alguma existência futura em que meu eu ou minha alma tenham outra existência, com outro cérebro, ou computador, se preferir. Não sei como consegui este cérebro; é muito bom, e sou grato por isso, mas sei, como realista, que ele desaparecerá. Mas penso que meu eu consciente, ou minha alma, sobreviverá.” (Eccles, citado em Gilling e Brightwell, The Human Brain, 1982, p. 180). 14. Em seu livro The Human Mystery, Sir John Eccles afirmou: “O extraordinário sucesso da teoria da evolução a preservou de uma avaliação crítica significativa nos últimos tempos. Contudo, ela fracassa em um aspecto crucial. Não consegue explicar a existência de cada um de nós como seres únicos e autoconscientes.” (Eccles, 1979, p. 96). 15. Sir John Eccles sustenta que a vontade do ser humano é livre; por isso, nega o chamado determinismo físico: “Se o determinismo físico é verdadeiro, então está encerrada toda discussão ou argumentação; tudo está terminado. Não há filosofia. Todas as pessoas humanas estão aprisionadas nessa teia inexorável de circunstâncias e não podem escapar dela. Tudo o que pensamos estar fazendo é uma ilusão.” (Ver Popper e Eccles, 1977, p. 546). 16. “Com um propósito autoconsciente, a pessoa enfrenta um grande desafio ao escolher que vida deseja viver. Pode-se escolher viver dedicado aos mais altos valores: verdade, amor e beleza, com gratidão pelo dom divino da vida e suas maravilhosas oportunidades de participar da cultura humana. Isso pode ser feito de acordo com as oportunidades. Por exemplo, uma das 65
mais altas realizações é criar uma família humana que viva numa relação amorosa. Fui educado religiosamente em condições tão maravilhosas, pelas quais posso ser eternamente grato. Há grandes oportunidades em uma vida dedicada à educação ou à ciência ou à arte ou ao cuidado dos enfermos. Sempre se deve procurar estar em uma relação amorosa com aqueles que nos cercam. Somos todos companheiros vivendo misteriosamente nesta maravilhosa nave espacial que é o planeta Terra, que devemos amar com devoção, mas não adorar.” (Eccles, citado em Templeton, 1994, p. 131). 17. Em carta a Erika Erdmann (19 de dezembro de 1990), Eccles escreveu: “Você menciona a proteção de nossa Terra como o objetivo mais urgente no presente. Discordo. O mais urgente é salvar a humanidade da degradação materialista. Ela se manifesta na mídia, na sociedade de consumo, na busca desenfreada de poder e dinheiro, na degradação de nossos valores (que antes se julgava baseados no amor, na verdade e na beleza) e na desintegração da família humana.” (Eccles, 1990). 18. “Repudio filosofias e sistemas políticos que reconhecem os seres humanos apenas como coisas, com existência material de valor apenas como engrenagens na grande máquina burocrática do Estado, que assim se torna um Estado escravo. As terríveis e cínicas escravidões descritas em ‘1984’, de Orwell, estão engolfando cada vez mais o nosso planeta. Ainda haverá tempo para reconstruir uma filosofia e uma religião que nos possam dar uma fé renovada nessa grande aventura espiritual, que para cada um de nós é uma vida humana vivida em liberdade e dignidade?” (Eccles, 1979, p. 237). 66
20 JOSEPH MURRAY Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia Prêmio Nobel: Joseph E. Murray (1919–2012) recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1990 por um trabalho que “provou a um mundo cético que era possível transplantar órgãos para salvar a vida de pacientes em fase terminal”. Murray foi o primeiro a realizar transplantes de rim. É um dos fundadores da transplantologia moderna. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: M.D., Universidade Harvard, 1943. Ocupação: Professor de Cirurgia na Harvard Medical School; Cirurgião PlásticoChefe no Children’s Hospital Medical Center, em Boston. 1. Em uma entrevista ao National Catholic Register (1–7 de dezembro de 1996), o Prof. Joseph Murray afirma que não há conflito entre religião e ciência: “A Igreja é inimiga da ciência? Tendo crescido como católico e cientista – não vejo isso. Uma verdade é a verdade revelada; a outra é a verdade científica. Se você realmente acredita que a criação é boa, não pode haver mal nenhum em estudar ciência. Quanto mais aprendermos sobre a criação – sobre o modo como ela surgiu –, isso apenas acrescenta à glória de Deus. Pessoalmente, nunca vi um conflito.” (Murray, citado em Meyer, 1996). 2. “Estamos apenas trabalhando com as ferramentas que Deus nos deu. Não há razão para que ciência e religião tenham de operar em relação de confronto. Ambas vêm da mesma fonte, a única fonte de verdade – o Criador.” (Murray, citado em Meyer, 1996). 3. Em seu artigo “Murray: Surgeon with soul” (Harvard University Gazette, 4 de outubro de 2001), John Lenger escreveu: “Para Murray, a responsabilidade do médico é tratar cada paciente não apenas como um conjunto de sintomas, mas como alguém dotado de um espírito que pode ser ajudado pelos procedimentos médicos. O título de sua autobiografia, Surgery of the Soul (Boston Medical Library, 2001), nasce da abordagem espiritualmente orientada de Murray à medicina. Embora, no passado, tenha hesitado em falar publicamente sobre sua fé, por medo de ser confundido com o grupo dos televangelistas, Murray é profundamente religioso. ‘O trabalho é uma oração’, disse ele, ‘e começo todas as manhãs dedicando-o ao nosso Criador. Cada dia é uma oração – 67
eu sinto isso e sinto isso muito intensamente’.” (Murray, citado em Lenger, 2001). 4. “Penso que o importante é perceber o quão pouco sabemos sobre qualquer coisa – como as flores se abrem, como as borboletas migram. Precisamos evitar a arrogância das pessoas, de ambos os lados da divisão ciência–religião, que acham que têm todas as respostas. Temos de tentar usar o nosso intelecto com humildade.” (Murray, citado em Meyer, 1996). 5. “Há muitos problemas morais para os quais a minha formação jesuíta tem me ajudado. Em minha própria consciência, nunca tive conflito entre minha formação religiosa e a minha ciência.” (Murray, citado em Meyer, 1996). 68
21 ERNST CHAIN Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia Prêmio Nobel: Sir Ernst Chain (1906–1979) recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1945 “pela descoberta da penicilina e seu efeito curativo em várias doenças infecciosas”. Nacionalidade: Alemão. Formação: Graduou-se em Química e Fisiologia na Universidade FriedrichWilhelm, em Berlim, obtendo o título de Ph.D. em 1930. Ocupação: Pesquisador no Instituto de Patologia em Berlim (1930–1933), na Universidade de Cambridge (1933–1935), na Universidade de Oxford (1936–1948) e no Istituto Superiore di Sanità em Roma (1948–1961); Professor de Bioquímica no Imperial College, Universidade de Londres (1961–1973). Chain foi presidente da Organização Mundial da Saúde. 1. A respeito da teoria materialista da evolução, Ernst Chain (que é um evolucionista teísta) afirma: “Eu preferiria acreditar em fadas do que em especulações tão extravagantes. Tenho dito, há anos, que as especulações sobre a origem da vida não levam a nenhum propósito útil, pois mesmo o mais simples sistema vivo é complexo demais para ser entendido em termos da química extremamente primitiva que os cientistas têm usado em suas tentativas de explicar o inexplicável que aconteceu bilhões de anos atrás. Deus não pode ser descartado por pensamentos tão ingênuos.” (Chain, citado em Clark, The Life of Ernst Chain: Penicillin and Beyond, Londres, Weidenfeld & Nicolson, 1985, p. 147–148). 2. Em seu discurso no Congresso Mundial Judaico de Intelectuais, em 1965, Chain declarou: “Embora tenhamos testemunhado um notável progresso tecnológico ao longo dos últimos 4.000 anos, as relações humanas permaneceram essencialmente inalteradas desde a época em que a Torá foi escrita, e precisam ser reguladas por leis muito semelhantes. Por essa razão, o ensinamento fundamental do Judaísmo, tal como expresso no Antigo Testamento e desenvolvido pelos grandes sábios da Idade Média – um único Deus onipotente, benevolente, onipresente, eterno, cuja força divina é a imagem segundo a qual foi criado o espírito humano – é, para mim, ainda o modo mais racional de aceitar a posição e o destino do ser humano neste mundo e no Universo.” (Chain, citado em Clark, 1985, p. 154). 69
3. Em um discurso proferido ao receber o título de Doctor of Philosophy Honoris Causa pela Universidade Bar-Ilan (Israel), Chain afirmou: “É preciso lembrar que, à parte do caráter efêmero das teorias científicas, a ciência pura é eticamente neutra. Nenhum valor de bem ou de mal é atribuído a qualquer constante natural ou, aliás, a qualquer observação científica em qualquer campo. Contudo, em nossas relações com o próximo – e isso inclui, em particular, as aplicações da pesquisa científica – devemos ser guiados por um código ético de conduta, e a ciência pura não pode fornecê-lo. Na busca de um código ético de comportamento, temos de procurar valores mais duradouros do que descobertas ou teorias científicas. Nós, o povo judeu, tivemos o extraordinário privilégio de ter recebido um código duradouro de valores éticos nas leis e tradições divinamente inspiradas do Judaísmo, que se tornaram os pilares básicos do mundo ocidental.” (Chain, citado em Clark, 1985, p. 146). 4. “Considero o poder de crer um dos grandes dons divinos concedidos ao ser humano, por meio dos quais ele é autorizado, de modo inexplicável, a aproximar-se dos mistérios do Universo sem compreendê-los. A capacidade de crer é uma característica tão própria e tão essencial da mente humana quanto o seu poder de raciocínio lógico e, longe de ser incompatível com a abordagem científica, complementa-a e ajuda a mente humana a integrar o mundo em um todo ético e dotado de sentido. Há muitas maneiras pelas quais as pessoas tomam consciência de seu poder de crer na supremacia da orientação e do poder divinos: por meio da música ou das artes visuais, de algum acontecimento ou experiência que influencie decisivamente sua vida, ao olhar através de um microscópio ou de um telescópio, ou simplesmente ao contemplar as manifestações miraculosas da finalidade presente na Natureza.” (Chain, citado em Clark, 1985, p. 143). 5. Em sua conferência pública “Social Responsibility and the Scientist in Modern Western Society” (Universidade de Londres, fevereiro de 1970), Sir Ernst Chain declarou: “No que diz respeito às minhas próprias ações, procuro ser guiado pelas leis, pela ética e pelas tradições do Judaísmo, tal como formuladas no Antigo Testamento, que são, evidentemente, também a base do Cristianismo. Estou convicto, e tenho estado há muitos anos, de que é impossível construir uma espécie de código absoluto e universalmente aplicável de comportamento ético apenas sobre o conhecimento científico, se não por outra razão, pelo fato de que nosso conhecimento sobre os problemas fundamentais da vida é demasiadamente fragmentário e limitado – e sempre o será. [...] Todos sabemos que as teorias científicas, em qualquer campo, são efêmeras e passíveis de terem seus fundamentos abalados 70
e até mesmo virados de cabeça para baixo pela descoberta de um único novo fato que não se encaixe no sistema existente. Por esse motivo, não acredito que seja possível construir um código absoluto de conduta ética e de valores morais com base apenas no conhecimento científico, pois esse conhecimento sempre permanecerá fragmentário e assentado em premissas frágeis e, portanto, poderá facilmente levar a conclusões equivocadas, que talvez tenham de ser corrigidas à luz de novas evidências.” (E. Chain, “Social Responsibility and the Scientist in Modern Western Society”, Perspectives in Biology and Medicine, primavera de 1971, v. 14, n. 3, p. 366–367). 6. Sobre o comportamento humano em comparação com o dos primatas, Chain observa: “É verdade que muitos biólogos ficam fascinados com o estudo do comportamento dos macacos, e uma parcela menos exigente do público pode divertir-se lendo comparações entre o comportamento dos macacos e o do ser humano, mas essa abordagem – que, aliás, não é nem nova nem original – não nos leva, de fato, muito longe. Não precisamos ser zoólogos, anatomistas ou fisiologistas especialistas para reconhecer que existem certas semelhanças entre macacos e seres humanos, mas, sem dúvida, estamos muito mais interessados nas diferenças do que nas semelhanças. Afinal, os macacos, ao contrário do homem, não produziram grandes profetas, filósofos, matemáticos, escritores, poetas, compositores, pintores e cientistas. Eles não são inspirados pela centelha divina que se manifesta de forma tão evidente na criação espiritual do ser humano e que distingue o homem dos animais.” (Chain, 1971, p. 368). 7. “Apenas uma teoria foi proposta para tentar compreender o desenvolvimento da vida – a teoria da evolução de Darwin e Wallace. E é uma tentativa muito frágil, baseada em suposições tão tênues, principalmente de natureza morfológica e anatômica, que dificilmente pode ser chamada de teoria.” (Chain, citado em Clark, 1985, p. 147). 8. Sobre a teoria da evolução de Darwin e Wallace, Chain escreveu: “É, evidentemente, nada mais do que um truísmo – e não uma teoria científica – dizer que sistemas vivos não sobrevivem se não forem aptos a sobreviver. Postular, como fizeram os positivistas do final do século XIX e seus seguidores, que o desenvolvimento e a sobrevivência do mais apto são inteiramente consequência de mutações ao acaso, ou até mesmo que a natureza realiza experimentos por tentativa e erro, por meio de mutações, a fim de criar sistemas vivos mais bem 71
adaptados à sobrevivência, parece-me uma hipótese sem qualquer base em evidências e irreconciliável com os fatos. Essa hipótese ignora deliberadamente o princípio de finalidade teleológica, que salta aos olhos do biólogo, qualquer que seja a direção para a qual ele olhe: seja ao estudar os diferentes órgãos de um mesmo organismo, seja os diversos compartimentos subcelulares em suas relações mútuas dentro de uma única célula, seja ainda as inter-relações e interações entre várias espécies. Essas teorias evolucionistas clássicas são uma grosseira simplificação de um conjunto imensamente complexo e intrincado de fatos, e me espanta que tenham sido engolidas de forma tão acrítica e tão prontamente, e por tanto tempo, por tantos cientistas, sem um murmúrio de protesto.” (Chain, 1971, p. 367). 72
22 GEORGE WALD Laureado com o Nobel de Medicina e Fisiologia Prêmio Nobel: George Wald (1906–1997) recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1967 por seu trabalho sobre a bioquímica da visão. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Biologia, Universidade Columbia, 1932. Ocupação: Professor de Biologia na Universidade Harvard (1948–1977). WALD — O ATEU CONVICTO 1. Em 1954 o Prof. George Wald (que ainda era ateu naquela época) escreveu na revista Scientific American: “Quando se trata da origem da vida, só há duas possibilidades: criação ou geração espontânea. Não existe uma terceira via. A geração espontânea foi refutada há cem anos, mas isso nos conduz apenas a uma outra conclusão, a da criação sobrenatural. Não podemos aceitar isso por razões filosóficas; portanto, escolhemos crer no impossível: que a vida surgiu espontaneamente por acaso!” (George Wald, 1954, “The Origin of Life”, Scientific American, v. 191, n. 2, p. 48). 2. “A visão razoável era crer na geração espontânea; a única alternativa, crer em um único ato primário de criação sobrenatural. Não há uma terceira posição. A maioria dos biólogos modernos, tendo revisto com satisfação a queda da hipótese da geração espontânea, mas não querendo aceitar a crença alternativa na criação especial, fica sem nada.” (Wald, 1954, “The Origin of Life”, Scientific American, v. 191, n. 2, p. 45–46). DEÍSMO CIENTÍFICO DE WALD 3. Apesar disso, George Wald passou por uma mudança de pensamento surpreendente no início da década de 1980 e aproximou-se muito de uma mentalidade religiosa. Em seu artigo “Life and Mind in the Universe” (1984), o Prof. Wald escreveu: “Em minha vida como cientista deparei-me com dois grandes problemas que, embora enraizados na ciência, embora só pudessem surgir nessa forma para um cientista, projetam-se para além da 73
infinito. Ele é a verdade última, que é Deus.” (Barton, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 144). 5. “Portanto, a religião diz respeito, em última instância, à relação do indivíduo com Deus. Pode-se falar com Deus? Orações a Deus para promover o próprio bem-estar, à custa dos menos virtuosos, certamente não são bemvindas. Orações a Deus para que nos deixe descobrir a verdade talvez sejam aceitáveis. Certamente é notável o quanto conseguimos compreender do nosso ambiente. Deus permite que o ser humano faça observações e experimentos que podem ser interpretados pelo pensamento lógico.” (Barton, citado em Margenau e Varghese, 1997, p. 147). 80
25 CHRISTIAN ANFINSEN Laureado com o Nobel de Química Prêmio Nobel: Christian Anfinsen (1916–1995) recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1972 “por seu trabalho sobre a ribonuclease, especialmente no que diz respeito à conexão entre a sequência de aminoácidos e a conformação biologicamente ativa”. Anfinsen é um pioneiro no estudo das enzimas. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Bioquímica, Universidade Harvard, 1943. Ocupação: Professor de Química em Harvard e na Universidade da Pensilvânia; Pesquisador na Carlsberg University (Dinamarca), no National Institute of Health (Bethesda) e no National Institute of Arthritis, Metabolism and Digestive Diseases; Professor de Biologia na Universidade Johns Hopkins de 1982 até sua morte. 1. À pergunta: “Muitos cientistas proeminentes — incluindo Darwin, Einstein e Planck — levaram muito a sério o conceito de Deus. Quais são seus pensamentos sobre o conceito de Deus e sobre a existência de Deus?”, Christian Anfinsen respondeu: “Acho que só um idiota pode ser ateu. Temos de admitir que existe um poder ou força incompreensível, com ilimitada previsão e conhecimento, que pôs em marcha todo o universo, em primeiro lugar.” (Anfinsen, citado em Margenau e Varghese, Cosmos, Bios, Theos, 1997, p. 139). 2. O Prof. Anfinsen escreveu o seguinte aos organizadores da antologia científica Cosmos, Bios, Theos (1997): “Anexo uma citação favorita de Einstein que concorda quase completamente com o meu próprio ponto de vista. O próprio Einstein disse certa vez que ‘a mais bela e mais profunda emoção que podemos experimentar é a sensação do místico. Ela é a semeadora de toda a verdadeira ciência. Aquele para quem essa emoção é estranha, que já não consegue ficar arrebatado em admiração, está praticamente morto. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional superior, que se revela no Universo incompreensível, forma a minha ideia de Deus’.” (Anfinsen, citado em Margenau e Varghese, Cosmos, Bios, Theos, 1997, p. 140). 3. Em sua carta de 28 de março de 1989 ao Prof. Henry Margenau (organizador da antologia científica Cosmos, Bios, Theos), Anfinsen escreveu: 81
“Obrigado por sua carta de 13 de março e por suas amáveis palavras sobre minha pequena contribuição à sua antologia. Creio que tenho muito pouco a acrescentar ao meu ponto final, que diz respeito à natureza de Deus e à existência de Deus. É claro que deve existir uma entidade onipotente e onisciente para explicar a nossa existência.” (Anfinsen, 1989). 4. Em 1979, Anfinsen converteu-se ao judaísmo ortodoxo, compromisso que manteve pelo resto de sua vida; afirmava ter ficado profundamente impressionado com “a história, a prática e a intensidade do Judaísmo”. Em 16 de novembro de 1995, em seu discurso em memória de Christian Anfinsen, por ocasião da Dedicação do Memorial Garden, no Instituto Weizmann, Libby Anfinsen (esposa do Prof. Anfinsen) declarou: “Seu histórico religioso é interessante, na medida em que a família de sua avó materna judia desapareceu quando os nazistas invadiram Bergen, na Noruega. Seus pais eram luteranos leitores da Bíblia, e ele próprio foi agnóstico até o final da década de 1970, quando estudou e se converteu ao judaísmo tradicional. Ele sentia que a seguinte citação de Einstein expressava com precisão suas crenças: ‘A mais bela e mais profunda emoção que podemos experimentar é a sensação do místico. Ela é a semeadora de toda a verdadeira ciência. Aquele para quem essa emoção é estranha, que já não consegue ficar arrebatado em admiração, está praticamente morto. Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder racional superior, que se revela no Universo incompreensível, forma a minha ideia de Deus’. Ele tirou cópias e distribuiu essa citação a muitas pessoas.” (Libby Anfinsen, 1995). 82
26 WALTER KOHN Laureado com o Nobel de Química Prêmio Nobel: Walter Kohn (nascido em 1923) recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1998 por seu trabalho no desenvolvimento da teoria do funcional da densidade, que transformou fundamentalmente a forma como os cientistas abordam a estrutura eletrônica de átomos e moléculas. Nacionalidade: Austríaco; posteriormente cidadão norte-americano. Formação: Ph.D. em Física, Universidade Harvard, 1948. Ocupação: Professor de Física na Universidade da Califórnia, San Diego (1960– 1979); Diretor do Institute for Theoretical Physics, Universidade da Califórnia, Santa Barbara (1979–1984); Professor de Física na UCSB, Santa Barbara (1984–1991); Professor Emérito de Física e Professor-Pesquisador na UCSB, Santa Barbara (1991–presente). 1. Na entrevista intitulada “Dr. Walter Kohn: Science, Religion, and the Human Experience” (26 de julho de 2001), o Dr. Kohn declarou: “Sou judeu e tenho uma forte identificação com o Judaísmo. Eu diria que me vejo como religioso simultaneamente de duas maneiras. Uma é que considero que a religião, especificamente a religião judaica, enriqueceu muito a minha própria vida, e é algo que transmiti a meus filhos e sinto que a vida deles também foi enriquecida por isso. Em segundo lugar, sou intensamente um cientista e, portanto, naturalmente também pensei sobre a religião com os olhos de um cientista. Quando faço isso, vejo a religião não de forma denominacional, mas num sentido mais, digamos, deísta. Fui influenciado, no meu modo de pensar, pelos escritos de Einstein, que fez observações no sentido de que, quando contemplava o mundo, ele percebia uma Força subjacente muito maior do que qualquer força humana. Sinto algo muito semelhante. Há um senso de admiração, um senso de reverência e um senso de grande mistério.” (Kohn, 2001a). 2. À pergunta: “Quando o senhor se refere a si mesmo como deísta, eu entendo deísmo como a crença de que alguma força divina colocou o universo em movimento, mas, depois disso, trata-se basicamente de uma relação em que Deus não intervém. É isso que o senhor quer dizer por deísmo?”, o Dr. Kohn respondeu: “Isso está incluído. Não vejo razão para acreditar que, de vez em quando, as leis da natureza, que nós, cientistas, estudamos, 83
sejam suspensas por intervenção divina. Mas, ao mesmo tempo, não vejo o universo como necessariamente seguindo um curso simples, totalmente previsível, mecanicista. Continuam a existir questões epistemológicas muito profundas acerca do significado de leis científicas rigorosas, como as leis da mecânica quântica e as leis que regem a natureza do caos. Ambos esses campos abalaram irreversivelmente a visão puramente determinista e mecanicista de mundo dos séculos XVIII e XIX. Essas são minhas reações à sua pergunta sobre como vejo o deísmo e à sua afirmação — parafraseando o que o senhor disse — de que o mundo foi posto em movimento por alguma força divina e agora segue por conta própria. Estou tentando dizer que não é tão simples assim. É algo inacreditável, buscamos a palavra certa. A pessoa sente admiração e reverência pelo mundo da experiência e pelo mundo da ciência. Em todo caso, há um senso de um mundo que, de maneira surpreendente, se deixa compreender em grande medida, mas permanece, em seu fundamento, incompreensível. E, porque é manifestamente algo tão maravilhoso, isso leva alguém — e aqui sigo os passos de Einstein — a intuir alguma Força que possa assumir a responsabilidade e o mérito por ele.” (Kohn, 2001a). 3. À pergunta: “Qual o senhor acha que deveria ser a relação entre ciência e religião?”, Walter Kohn respondeu: “Respeito mútuo. São partes importantes e complementares da experiência humana.” (Kohn, 2002). E, à indagação: “O que o senhor pensa sobre a existência de Deus?”, Walter Kohn deu a seguinte resposta: “Há aspectos essenciais da experiência humana sobre os quais a ciência, por sua própria natureza, não tem nada a dizer. Eu os associo a uma entidade que chamo de Deus.” (Kohn, 2002). 4. Em sua palestra Reflections of a Physicist after an Encounter with the Vatican and Pope John Paul II (20 de abril de 2001, Universidade da Califórnia, Santa Barbara), o Dr. Kohn afirmou: “Sem dúvida, a ciência, especialmente a física e a química, é uma parte muito importante de minha identidade. Mas também me considero uma pessoa religiosa, e isso em dois sentidos: um, baseado na minha formação judaica liberal, que transmiti a meus filhos; o outro, um tipo de deísmo não denominacional que brota da minha admiração pelo mundo de nossas experiências e é intensificado por minha identidade como cientista. Inclui também a convicção de que a ciência, sozinha, é um guia insuficiente para a vida, pois deixa muitas questões profundas sem resposta e muitas necessidades sem atendimento.” (Kohn, 2001b). 84
27 RICHARD SMALLEY Laureado com o Nobel de Química Prêmio Nobel: Richard Smalley (1943–2005) recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1996 pela descoberta dos fulerenos — a terceira forma elementar do carbono (junto com o grafite e o diamante). Após sua morte, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução em sua homenagem, creditando-o como o “pai da nanotecnologia”. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Química, Universidade Princeton (EUA), 1973. Ocupação: Professor de Química e Professor de Física na Rice University, em Houston, Texas (1981–2005). 1. “Recentemente, voltei a frequentar a igreja regularmente, com um novo foco: compreender o melhor possível o que torna o Cristianismo tão vital e poderoso na vida de bilhões de pessoas hoje, embora quase 2000 anos tenham se passado desde a morte e ressurreição de Cristo. Embora eu suspeite que nunca entenderei completamente, hoje creio que a resposta é muito simples: é verdade. Deus realmente criou o universo há cerca de 13,7 bilhões de anos e, por necessidade, tem Se envolvido com Sua criação desde então. O propósito deste universo é algo que só Deus conhece com certeza, mas está cada vez mais claro para a ciência moderna que o universo foi cuidadosamente ajustado para possibilitar a vida humana. De algum modo, estamos criticamente envolvidos em Seu propósito. Nosso trabalho é perceber esse propósito o melhor que pudermos, amar uns aos outros e ajudá-Lo a cumprir essa tarefa.” (Smalley, 2005b). 2. Em sua carta de apoio à organização cristã Reasons To Believe, o Prof. Smalley recomendou os livros Origins of Life eWho Was Adam?, do Dr. Hugh Ross (astrofísico) e do Dr. Fazale Rana (bioquímico). Richard Smalley disse o seguinte sobre esses livros: “A evolução acaba de receber seu golpe de morte. Depois de ler Origins of Life, com minha formação em química e física, fica claro que a evolução não poderia ter ocorrido. O novo livro, Who Was Adam?, é a bala de prata que põe o modelo evolucionista por terra.” (Smalley, 2005a). 3. Em seu discurso na 79 ª Annual Scholarship Convocation da Tuskegee University (3 de outubro de 2004), Smalley mencionou as ideias de evolução versus criacionismo, Darwin versus o Gênesis bíblico; então apontou: 85
“O ônus da prova recai sobre aqueles que não acreditam que o Gênesis estava certo, que houve uma criação e que esse Criador ainda está envolvido.” (Smalley, 2004). 86
II. Escritores Laureados com o Nobel (Séculos XX-XXI) 87
28 T. S. ELIOT Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Thomas Stearns Eliot (1888–1965) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1948 “por sua extraordinária e pioneira contribuição para a poesia contemporânea”. Seu prestígio ainda é evidente, sobretudo em sua escolha pela revista Time como “o poeta do século 20”. Nacionalidade: Norte-Americano; posteriormente cidadão britânico. Formação: M.A. em Filosofia, Universidade Harvard, 1910. Ocupação: Poeta, Filósofo, Dramaturgo, Crítico Literário; Assistente em Filosofia em Harvard (1909–1910); Editor de The Criterion (1922–1939); Editor e Diretor da Faber & Faber Ltd. (1925–1965). 1. “O pior de tudo é defender o Cristianismo, não porque ele seja verdadeiro, mas porque talvez seja benéfico.” (Eliot, 1988, The Idea of a Christian Society.) “Justificar o Cristianismo porque ele fornece um fundamento para a moralidade, em vez de mostrar a necessidade da moralidade cristã a partir da verdade do Cristianismo, é uma inversão muito perigosa.” (Eliot, 1988, The Idea of a Christian Society.) 2. “Não creio que a cultura da Europa poderia sobreviver ao desaparecimento completo da fé cristã. E estou convencido disso, não apenas porque sou cristão, mas como estudioso de biologia social. Se o Cristianismo desaparecer, toda a nossa cultura desaparece.” (Eliot, 1967, p. 200.) 3. “A maior prova do Cristianismo para os outros não é até que ponto um homem consegue analisar logicamente as razões de sua crença, mas até que ponto, na prática, ele arriscará a própria vida por causa dessa crença.” (Eliot, citado em Draper, 1992, n. 599.) 4. Em The Rock (1934), Eliot desafia os chamados “avanços” de nossa era de informação de alta tecnologia: “O ciclo sem fim de ideia e ação, Invenção sem fim, experimento sem fim, Traz conhecimento do movimento, mas não da quietude; Conhecimento da fala, mas não do silêncio; Conhecimento das palavras, e ignorância do Verbo. Todo o nosso saber nos aproxima da nossa ignorância, Toda a nossa ignorância nos aproxima da morte, Mas proximidade da morte não nos aproxima de Deus. Onde está a Vida que perdemos ao viver? Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento? 88
Onde está o conhecimento que perdemos na informação? Os ciclos do Céu, em vinte séculos, Nos levam para longe de Deus e mais perto do pó.”7(Eliot, 1934.) 5. “Senhor, não deveríamos levar esses dons ao Teu serviço? Não deveríamos pôr a Teu serviço todas as nossas faculdades, para a vida, para a dignidade, a graça e a ordem, e os prazeres intelectuais dos sentidos? O Senhor que criou deve querer que também nós criemos e empreguemos de novo a nossa criação em Seu serviço, que já é Seu serviço ao criar.” (Eliot, citado em Smidt, Poetry and Belief in the Work of T. S. Eliot, 1961, p. 55; ver também Caputo, God – Seen through the Eyes of the Greatest Minds, 2000, p. 116.) 6. Em The Idea of a Christian Society (1939), T. S. Eliot afirma: “Devemos tratar o Cristianismo com muito mais respeito intelectual do que costumamos; devemos tratá-lo como sendo, para o indivíduo, uma questão primariamente de pensamento e não de sentimento. As consequências de tal atitude são sérias demais para serem aceitáveis a todos: pois, quando a fé cristã não é apenas sentida, mas também pensada, ela tem resultados práticos que podem ser inconvenientes.” (Eliot, 1988, cap. 1, p. 6.) 7. “Considero que a divisão entre aqueles que aceitam e aqueles que negam a revelação cristã é a mais profunda divisão entre os seres humanos.” (Eliot, citado em Yancey, 1999, p. 88.) “Nosso tempo é corrupto; toda a literatura moderna está corrompida pelo secularismo.” (Eliot, citado em Ozick, 1989, p. 151.) 8. “Por que os homens deveriam amar a Igreja? Por que deveriam amar suas leis? Ela lhes fala de Vida e de Morte, e de tudo aquilo que eles gostariam de esquecer. Ela é terna onde eles preferem ser duros, e dura onde eles preferem ser suaves.” (Eliot, 1934, The Rock.) 9. Este é o triste retrato do século 20: “Aqui havia pessoas decentes e sem Deus: Seu único monumento, a estrada asfaltada E mil bolas de golfe perdidas.” (Eliot, 1934, The Rock.) 10. “Uma sociedade deixou de ser cristã quando as práticas religiosas são abandonadas, quando o comportamento deixa de ser regulado por referência a princípios cristãos e quando, na prática, a prosperidade neste mundo, para o indivíduo ou para o grupo, se torna o único objetivo consciente.” (Eliot, 1988, cap. 1, p. 9–10.) 11. Em Christianity and Culture (1948), T. S. Eliot declara: 7NTO: Nesta parte, apresentamos alguns poemas e estrofes. Optamos por traduzi-los de modo direto, mesmo à custa da cadência ou de eventuais rimas presentes no original, por priorizarmos aqui o conteúdo. 89
como capitão de artilharia, criticou Stalin em privado e foi enviado a oito anos em campos de prisioneiros. Ali, o leal leninista encontrou luminosos crentes religiosos e passou do Marx de seus professores para o Jesus de seus antepassados russos ortodoxos: ‘Deus do Universo!’, escreveu ele, ‘Eu volto a crer! Embora eu Te tivesse renegado, Tu estiveste comigo!’.” (Ericson, 2000, p. 32.) Em sua autobiografia, Solzhenitsyn relata que, enquanto estava em um dos campos de prisão do Gulag, um médico judeu chamado Boris Kornfeld (que era cristão) o levou à fé em Jesus Cristo. 11. “Nossa vida não consiste na busca do sucesso material, mas na procura de um crescimento espiritual digno. Toda a nossa existência terrena é apenas uma etapa de transição no movimento rumo a algo mais elevado, e não devemos tropeçar e cair, nem permanecer inutilmente em um único degrau da escada. As leis materiais, por si só, não explicam nossa vida nem lhe dão direção. As leis da física e da fisiologia jamais revelarão o modo indiscutível pelo qual o Criador, constante e diariamente, participa da vida de cada um de nós, concedendo-nos infalivelmente a energia da existência; quando essa assistência nos abandona, morremos. E, na vida de todo o nosso planeta, o Espírito Divino certamente se move com não menos força: é isso que devemos compreender em nossa hora escura e terrível.” (Solzhenitsyn, 1984, n. 36.) 96
31 FRANÇOIS MAURIAC Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: François Mauriac (1885–1970) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1952 “por sua profunda penetração espiritual e a intensidade artística com que, em seus romances, penetrou no drama da vida humana”. Nacionalidade: Francês. Formação: Licence ès Lettres (equivalente a Mestrado em Letras), Universidade de Bordeaux, França, 1905. Ocupação: Romancista, Dramaturgo, Poeta e Jornalista. 1. Mauriac escreveu, em seu livro Anguish and Joy of the Christian Life (1931): “Hoje, no entardecer da minha vida, conheço a resposta final. É somente Jesus Cristo que aquieta a angústia radical que há em nós – uma angústia tão consubstancial à condição humana que se manifesta cruelmente da infância ao túmulo. O tormento da solidão, as sombras vacilantes daqueles que amamos quando eles nos deixam nos horríveis mistérios da morte, a sede secreta e permanente que temos pela satisfação ilimitada do nosso ego. Nossos corações permanecem cheios de ídolos invisíveis até que sejamos estendidos, com Cristo, sobre a madeira da Cruz, até que deixemos de tentar alimentar a nós mesmos e aos nossos desejos e nos entreguemos completamente aos pobres, aos necessitados, aos membros sofredores do corpo de Cristo espalhados pelo mundo.” (Mauriac, 1964, Notre Dame.) 2. “Deus não Se dá totalmente, a não ser à pessoa que aniquilou todas as coisas – tudo, absolutamente tudo, tanto em si mesma quanto no mundo, que se interpõe ao amor divino.” (Mauriac, 1964, p. 43, Notre Dame.) 3. “O Deus dos cristãos não deseja apenas ser amado. Ele deseja ser o único objeto do nosso amor. Ele não nos permite desviar dEle um único suspiro; todo outro amor não é, para Ele, senão uma forma de idolatria, a menos que se exprima em Seu próprio amor. É impossível amar uma criatura sem divinizá-la; e, no entanto, somos obrigados a amar todas as pessoas e todas as coisas. A criatura torna-se, assim, uma necessidade que usurpa o lugar de Deus: o céu de Sua presença, o inferno de Sua ausência.” (Mauriac, 1964, p. 26, Dimension Books.) 4. “A impureza nos separa de Deus. A vida espiritual obedece a leis tão verificáveis quanto as do mundo físico. 97
A pureza é condição de um amor mais elevado – de uma posse superior a todas as posses: a de Deus. Sim, é isso que está em jogo, nada menos do que isso.” (Mauriac, 1963, p. 51–52.) 5. Em seu Life of Jesus (1936), Mauriac afirma: “Se há uma parte da mensagem cristã que os seres humanos rejeitaram com obstinação incomparável, é a fé no igual valor de todas as almas e de todas as raças diante do Pai que está nos Céus.” (Mauriac, 1978.) 6. “A maioria dos cristãos jamais vai além da letra do catecismo. Eles não tiveram conhecimento de Deus. É uma palavra que, para eles, nunca teve conteúdo real. Eles negam, e ao mesmo tempo não negam. Cristo nunca esteve em suas vidas.” (Mauriac, 1970.) 7. “Portanto, erramos ao considerar os místicos como cristãos excepcionais. Ao contrário, eles são os únicos cristãos autênticos. Desgastam-se na busca de Deus, e esta busca os faz consumir-se por Ele, amar a Deus. Aqui, amor significa abraçar Deus de todo o coração, dar-se completamente a Ele e buscar ser possuído inteiramente por Ele em retribuição.” (Mauriac, 1964, p. 26–27, Dimension Books.) 8. Em Holy Thursday: An Intimate Remembrance (1931), Mauriac descreve o aspecto ético da fé cristã: “Primeiro, é necessário odiar o próprio pecado – condição prévia que, em certos casos, é muito difícil de alcançar. Em seguida, devemos resolver nunca mais pecar – e isso não é apenas questão de palavras, mas de uma determinação interior da qual somente Deus é juiz. Por fim, o temor do castigo não basta, se não for inspirado pelo amor de Deus. Ninguém pode ser perdoado sem um começo de amor.” (Mauriac, 1999, cap. 5.) 98
32 HERMANN HESSE Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Hermann Hesse (1877–1962) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1946 “por seus escritos inspirados, que, ao crescerem em ousadia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilo”. Nacionalidade: Alemão; posteriormente cidadão suíço. Formação: Estudou no Grammar School em Cannstatt e no Seminário Teológico de Maulbronn, Alemanha. Ocupação: Romancista e Poeta. 1. Hesse expressou sua atitude em relação a Deus numa conversa com seu amigo Miguel Serrano: “Você deve deixar-se levar, como as nuvens no céu. Não deve resistir. Deus existe no seu destino tanto quanto nestas montanhas e naquele lago. É muito difícil compreender isso, porque o ser humano está se afastando cada vez mais da Natureza, e também de si mesmo.” (Hesse, citado em Miguel Serrano, C. G. Jung and Hermann Hesse: A Record of Two Friendships, 1966, p. 10.) 2. “O fato de as pessoas pensarem que têm a vida emprestada de Deus e não quererem usá-la de modo egoísta, mas, ao contrário, quererem vivê-la como serviço e sacrifício a Deus – essa experiência e legado, o maior deles, da minha infância, exerceu uma influência extremamente poderosa sobre a minha vida.” (Hesse, 1972, p. 59.) 3. “Quando você está próximo da Natureza, pode ouvir a voz de Deus.” (Hesse, citado em Serrano, 1966, p. 10.) 4. “O cristianismo, não o pregado, mas o vivido, foi a mais forte das forças que me moldaram e formaram.” (Hesse, citado em Gellner, 1997, vol. 1.) 5. “Se não tomarmos os versículos do Novo Testamento como mandamentos, mas como expressões de uma consciência extraordinária dos segredos da nossa alma, então a palavra mais sábia já pronunciada é: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’.” (Hesse, citado em Gellner, 1997, vol. 1.) 6. “Para pessoas diferentes, há caminhos diferentes para Deus, para o centro do mundo. No entanto, a experiência em si é sempre a mesma.” (Hesse, citado em Gellner, 1997, vol. 1.) 99
7. “O caminho para a piedade pode ser diferente para cada um. Para mim, passou por muitos erros e grandes sofrimentos, por um grande tormento interior, por uma imensa tolice, selvas cheias de tolices. Eu era um espírito liberal e sabia que a piedade farisaica era uma doença da alma. Fui um asceta e cravava pregos na minha própria carne. Eu não sabia que ser religioso significava saúde e alegria.” (Hesse, citado em Gellner, 1997, vol. 1.) 100
33 WINSTON CHURCHILL Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Sir Winston Churchill (1874–1965) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1953 “por sua maestria na descrição histórica e biográfica, bem como por sua brilhante oratória em defesa de elevados valores humanos”. Nacionalidade: Britânico. Formação: Estudou na Harrow School e no Royal Military College em Sandhurst, Inglaterra (1895). Ocupação: Escritor, Historiador e Primeiro-Ministro do Reino Unido. 1. No discurso “The 20th Century – Its Promise and Its Realisation”, proferido na MIT Mid-Century Convocation, em Boston (31 de março de 1949), Churchill afirmou: “Aqui, falo não apenas àqueles que desfrutam das bênçãos e consolações da religião revelada, mas também aos que enfrentam sozinhos os mistérios do destino humano. A chama da ética cristã continua sendo o nosso mais elevado guia. Guardá-la e preservála é o nosso primeiro interesse, tanto espiritual quanto material. O cumprimento do dever espiritual em nossa vida cotidiana é vital para a nossa sobrevivência. Unidos, permanecemos seguros. Caminhemos, então, juntos, no cumprimento de nossa missão e do nosso dever, temendo a Deus e a mais nada.” (Churchill, 1974, vol. VII, p. 7807 e segs.) 2. “Devemos, de fato, ser vigilantes, devemos, de fato, ser firmes em defender os princípios que acreditamos ser justos, mas resolvamo-nos, com paciência e coragem, a trabalhar pelo dia em que todos os homens de todas as terras possam ser levados a abandonar as sombrias aspirações que alguns herdaram e outros criaram. Então, enfim, juntos poderemos lutar, em liberdade, pelo gozo das bênçãos que aprouve a Deus oferecer ao gênero humano.” (Churchill, 1974, vol. VIII, p. 8607.) 3. “Acima de tudo, temos a nossa fé de que o universo é governado por um Ser Supremo e pela realização de um propósito moral sublime, segundo o qual todas as nossas ações são julgadas.” (Churchill, 1974, vol. VII, p. 7650.) 4. “Há outro elemento que nunca deve ser banido do nosso sistema de educação. Aqui, obtivemos liberdade de pensamento e também liberdade de consciência. Aqui, fomos pioneiros na tolerância religiosa. Mas, lado a lado com tudo isso, sempre esteve o fato de que a religião foi uma rocha na vida e 101
no caráter do povo britânico, sobre a qual eles construíram suas esperanças e lançaram suas preocupações. Este elemento fundamental nunca deve ser tirado de nossas escolas.” (Churchill, 1974, vol. VII, p. 6762.) 5. Em seu célebre Harvard Address (6 de setembro de 1943), Churchill declarou: “Se estivermos juntos, nada é impossível. Se estivermos divididos, tudo fracassará. Elevemo-nos plenamente ao nível do nosso dever e da nossa oportunidade, e agradeçamos a Deus pelas recompensas espirituais que Ele concedeu a todas as formas de serviço valente e fiel.” (Churchill, 1974, vol. VII, p. 6827.) 6. “A chama da ética cristã continua sendo o nosso melhor guia. Sua animação e realização são uma necessidade prática, tanto espiritual quanto material. Esta é a questão mais vital do futuro. A realização da ética cristã em nossa vida cotidiana é a palavra final e mais grandiosa que jamais foi pronunciada. Somente sobre essa base podemos conciliar os direitos do indivíduo com as exigências da sociedade, de modo que traga felicidade e paz à humanidade.” (Churchill, 1974, vol. VII, p. 7645.) 102
34 JEAN-PAUL SARTRE Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Jean-Paul Sartre (1905–1980) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1964 “por sua obra que, rica em ideias e impregnada pelo espírito de liberdade e pela busca da verdade, exerceu influência de longo alcance sobre a nossa época”. Sartre recusou o prêmio. Nacionalidade: Francês. Formação: Doutorado em Filosofia, École Normale Supérieure, França, 1929. Ocupação: Professor nos Liceus de Havre, Laon, Pasteur de Neuilly-sur-Seine e Condorcet; Editor de Les Temps Modernes, Paris (1944–1980). Sartre – A Ateu Militante 1. Na conferência O existencialismo é um humanismo (1946), Sartre descreveu assim seu existencialismo ateu: “Dostoiévski disse: ‘Se Deus não existisse, tudo seria permitido!’ Esse é exatamente o ponto de partida do existencialismo. De fato, tudo é permitido se Deus não existe, e, como consequência, o ser humano está abandonado, porque nem dentro nem fora de si encontra algo a que se agarrar. Ele não pode começar a inventar desculpas para si mesmo. Em outras palavras, não há determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos valores ou mandamentos a que recorrer para legitimar nossa conduta. Assim, no luminoso reino dos valores, não temos desculpas atrás de nós nem justificativas diante de nós. Estamos sozinhos, sem desculpas.” (Sartre, 1957, p. 22–23; ver também Sartre, 1988, p. 78.) 2. “Antes de tudo, o homem existe, aparece, surge no mundo e, somente depois, se define. Se o homem, tal como o existencialista o concebe, é indefinível, é porque, no início, ele não é nada. Só posteriormente será alguma coisa, e ele próprio terá feito aquilo que será. Assim, não há uma natureza humana, pois não há Deus para concebê-la.” (Sartre, 1957, p. 15–16; ver também Sartre, 1988, p. 75.) A Conversão de Sartre 103
3. Apesar disso, Sartre passou por uma mudança de pensamento surpreendente no fim da vida; de fato, aproximou-se muito de um compromisso teísta. A revista National Review (11 de junho de 1982) relatou: “Ao longo de toda a sua carreira madura, o filósofo Jean-Paul Sartre foi um ateu militante. Politicamente, embora se desentendesse com o materialismo marxista, sua retórica era muitas vezes indistinguível do mais pesado jargão stalinista. Entretanto, nos últimos meses de vida do filósofo, houve alguns acontecimentos surpreendentes. Em 1980, já perto da morte, então cego, decrépito, mas ainda em plena posse de suas faculdades, Sartre aproximou-se muito de crer em Deus – talvez mais do que apenas se aproximar. A história pode ser contada de forma breve, e talvez reverente. Um ex-maoísta, Pierre Victor, compartilhou muito do tempo de Sartre no final. No início da primavera de 1980, os dois mantiveram um diálogo nas páginas do ultraesquerdista Le Nouvel Observateur. Basta citar uma única frase do que Sartre disse então para medir o grau de sua aceitação da graça de Deus e da condição de criatura do homem: ‘Não me sinto um produto do acaso, um grão de poeira no universo, mas alguém que foi esperado, preparado, prefigurado. Em suma, um ser que só um Criador poderia colocar aqui; e essa ideia de uma mão que cria remete a Deus.’ Os estudiosos do existencialismo, em sua vertente ateísta, notarão que, nessa única frase, Sartre desautorizou todo o seu sistema, seus engajamentos, sua vida inteira. .. . O epílogo é bem menos edificante. Sua companheira, Simone de Beauvoir, comportou-se como viúva enlutada durante o funeral. Depois, publicou La cérémonie des adieux, no qual se tornou virulenta, atacando Sartre. Ela conta que ele resistiu à sedução de Victor e depois cedeu. ‘Como explicar esse ato senil de um vira-casaca?’, pergunta ela, estupidamente. E acrescenta: ‘Todos os meus amigos, todos os sartreanos e a redação de Les Temps Modernes me apoiaram na minha consternação.’ A consternação de Mme. de Beauvoir versus a conversão de Sartre. A balança pende infinitamente mais para o lado do velho cego – e, porém, vidente.” (National Review, Nova York, 11 jun. 1982, p. 677, artigo de Thomas Molnar.) 4. No fim da década de 1970, o amigo íntimo e secretário pessoal de Sartre, Pierre Victor (judeu egípcio e ex-líder estudantil maoísta), tornou-se um judeu ortodoxo profundamente religioso. Seu nome verdadeiro é Benny Lévy. O editor de Hope Now: The 1980 Interviews (University of Chicago Press, 1996) escreve: 104
“Em março de 1980, apenas um mês antes da morte de Sartre, oLe Nouvel Observateur publicou uma série de entrevistas – as últimas que ele concedeu – entre o filósofo, já cego e debilitado, e seu jovem assistente, Benny Lévy. Pareciam retratar um Sartre que havia abandonado suas convicções de esquerda e rejeitado seus amigos mais íntimos, inclusive Simone de Beauvoir. Esse homem havia deixado de lado suas crenças fundamentais na primazia da consciência individual, na inevitabilidade da violência e no marxismo, abraçando em vez disso um judaísmo messiânico. Pouco antes de morrer, Sartre confirmou a autenticidade das entrevistas e seu conteúdo desconcertante. Nos quinze anos seguintes, tornou-se tarefa dos estudiosos de Sartre desvendar e compreender esses textos. Apresentadas nesta tradução cuidadosa, as entrevistas são emolduradas por dois ensaios provocativos do próprio Benny Lévy, acompanhados de uma introdução abrangente do reconhecido especialista em Sartre, Ronald Aronson. Este volume fascinante finalmente contextualiza e elucida os pensamentos finais de uma mente brilhante e influente.” (Introdução de Hope Now: The 1980 Interviews, 1996.) 5. Os editores da revista Wired (maio de 1996) comentaram: “Tudo o que você sabe sobre Jean-Paul Sartre está errado. Hope Now: The 1980 Interviews, livro repleto de conversas entre Sartre e seu assistente Benny Lévy, realizadas pouco antes da morte do filósofo, revela alguém que havia abandonado a esquerda e seus amigos em favor de um judaísmo messiânico.” (Wired, 1996, edição 4.05.) 6. Sobre sua antiga filosofia existencialista ateia, em uma das entrevistas de 1980 com Benny Lévy, Sartre fez reconhecimentos chocantes: “Benny Lévy: Você me disse uma vez: ‘Falei de desespero, mas isso é conversa fiada. Falei disso porque outras pessoas falavam, porque estava na moda. Todo mundo lia Kierkegaard naquela época.’ Sartre: É verdade. Pessoalmente, nunca desesperei, nem por um momento considerei o desespero como algo que pudesse ser uma característica minha. Ainda assim, eu tinha de considerar que o desespero devia existir para outras pessoas, já que falavam dele. Mas foi algo passageiro. Vejo isso em muitos filósofos: no começo de sua obra, falam de ouvido sobre alguma ideia, dãolhe importância. Depois, pouco a pouco, deixam de falar dela, porque percebem que, para eles, seu conteúdo não existe – eles simplesmente pegaram a ideia de outras pessoas. Lévy: Isso também vale para a angústia? 105
37 RUDOLF EUCKEN Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Rudolf Eucken (1846–1926) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1908 “em reconhecimento à sua filosofia de vida idealista, ao seu penetrante poder de pensamento e à sua séria busca da verdade”. Eucken foi um filósofo idealista, intérprete de Aristóteles, autor de obras em ética e religião e fundador do ativismo ético. Nacionalidade: Alemão. Formação: Universidade de Göttingen (Alemanha) e Universidade de Berlim; Doutor em Filosofia. Ocupação: Professor de Filosofia na Universidade de Basileia (Suíça, 1871–1874) e na Universidade de Jena, Alemanha (1874–1920). 1. “O Cristianismo é uma religião de redenção, não uma religião de lei; isto é, faz com que o ponto crítico de virada, a conquista do novo mundo, dependa não da decisão ou dos esforços humanos, mas da graça divina que vem ao seu encontro e o eleva, uma graça que não apenas ajuda o seu próprio esforço, mas implanta dentro dele novas fontes de ação e faz da sua relação com Deus a origem de uma vida nova, de uma nova criatura. Pois o ser humano tal como o encontramos se afastou demasiado da bondade e se tornou fraco demais em capacidade espiritual para ser capaz de realizar sua própria conversão; toda a sua esperança de salvação depende de Deus, e dele deve receber tudo. Assim, profunda humildade e jubilosa gratidão tornam-se, por assim dizer, pilares da nova vida; mas só são autênticas quando resultam de uma grande revolução interior e de uma transformação íntima.” (Eucken 1914, p. 7). 2. “O Cristianismo continua sendo, para incontáveis almas, um ancoradouro nas tempestades da vida e um consolo em suas provações; ainda é uma fonte fecunda de amor abnegado e leal devoção ao dever; ainda encontra muitos que estão prontos a viver e morrer a seu serviço.” (Eucken 1914, p. 1). 3. “A união da natureza divina e humana é a verdade fundamental da religião, e o seu mistério mais profundo consiste no fato de que o Divino entra no âmbito do Humano sem diminuir a sua divindade. Com essa nova fase, a vida é completamente renovada e elevada. O homem torna-se imediatamente consciente do infinito e do eterno, daquilo dentro de si que transcende o mundo. Pela primeira vez, o amor de Deus se torna o motivo dominante de sua vida e o coloca numa relação interior com o conjunto da realidade.” (Eucken, citado em Trine 1936, cap. 5). 112
4. “A história do mundo se realiza em grandes feitos; é isso, de fato, que a transforma de mero processo em uma verdadeira história. E na medida em que esses feitos se interligam e se unem em mútua interação para formar um todo completo, a realidade se transforma em um drama ético. Esse drama, além disso, estende sua ação até à alma do indivíduo, que tem as suas próprias lutas íntimas a travar, suas próprias experiências de renovação; só assim cada alma adquire uma história própria e distinta. Foi o Cristianismo que tornou possível essa história. De outro modo, ele jamais teria rebaixado todos os acontecimentos exteriores a meros fatos secundários, em comparação com o cuidado com a alma, como o próprio Jesus disse: ‘Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?’.” (Eucken 1914, p. 9). 113
38 ISAAC SINGER Laureado com o Nobel de Literatura Prêmio Nobel: Isaac Bashevis Singer (1904–1991) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1978 “por sua arte narrativa apaixonada que, enraizada na tradição cultural judaico-polononesa, dá vida a condições humanas universais”. Nacionalidade: Polonês; posteriormente cidadão norte-americano. Formação: Educação judaica tradicional no Seminário Rabínico de Varsóvia. Ocupação: Romancista, Contista e Jornalista, escrevendo em iídiche; colaborador de longa data do jornal The Jewish Daily Forward. 1. Em sua palestra no Nobel (8 de dezembro 1978, Les Prix Nobel 1978) Singer afirmou: “Ao longo de todos esses anos, não parei de perguntar a mim mesmo e aos outros: o que é que está acontecendo conosco? O que é a vida? Há algum sentido nela? E, se existe, por que é que tantas pessoas não conseguem encontrar nenhum sentido na vida? A melhor resposta que posso dar é que, mesmo que eu não acredite no Deus de Michelangelo ou do Sistine Chapel, estou pronto para admitir que uma inteligência fora do tempo e do espaço, e que eu chamo de ‘alma do universo’, criou todas as coisas. Eu não posso acreditar que o universo, com todas as suas leis, veio do nada, por acaso. Nem posso acreditar que a vida e a consciência sejam um mero acidente de uma evolução cega. Embora eu tenha aprendido a reconhecer as mentiras, os clichês e as idolatrias da mente humana, ainda me agarro a algumas verdades que penso que todos nós talvez aceitemos um dia. Deve haver um caminho para o homem alcançar todos os prazeres possíveis, todos os poderes e conhecimentos que a natureza pode lhe conceder e, ainda assim, servir a Deus — um Deus que fala por atos, não por palavras, e cujo vocabulário é o Cosmo.” (Singer 1979). 2. “Sou um cético. Sou cético quanto a fazer um mundo melhor. Quando se trata desse papo de que este ou aquele regime, esta ou aquela ordem sociológica, trará felicidade às pessoas, eu sei que isso nunca vai funcionar, chame como quiser. As pessoas continuarão sendo pessoas, e permaneceram pessoas sob o comunismo e sob toda espécie de ‘ismos’. Mas eu não sou cético quando se trata da crença em Deus. Eu acredito. Sempre acreditei. Que há um plano, uma consciência por trás da criação, 114
que isso não é um acidente.” (Singer, citado em Sinclair, The Brothers Singer, 1983, p. 30). 3. Na sua última entrevista (1987), Singer declarou: “Deus está por trás de tudo. Mesmo quando fazemos coisas contra Ele, Ele também está lá. Não importa o quê. Como um pai que vê seus filhos fazendo um monte de coisas tolas, coisas ruins. Ele se irrita com eles, Ele os castiga. E, ao mesmo tempo, eles são Seus filhos.” (Singer, citado em Green 1998). 4. “O homem pede misericórdia, mas não está disposto a concedê-la aos outros. Por que, então, o homem deveria esperar misericórdia de Deus? É injusto esperar algo que você não está disposto a dar. É incoerente.” (Singer, citado em Rosen 1987). 5. “O escritor sério do nosso tempo precisa estar profundamente preocupado com os problemas de sua geração. Ele não pode deixar de ver que o poder da religião, especialmente a crença na revelação, é hoje mais fraco do que em qualquer outra época da história humana. Cada vez mais crianças crescem sem fé em Deus, sem crença em recompensa e castigo, na imortalidade da alma e até na validade da ética. O escritor genuíno não pode ignorar o fato de que a família está perdendo o seu fundamento espiritual. Todas as sombrias profecias de Oswald Spengler tornaram-se realidade desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhuma conquista tecnológica consegue atenuar a decepção do homem moderno, sua solidão, seu sentimento de inferioridade e seu medo da guerra, da revolução e do terror. Não apenas a nossa geração perdeu a fé na Providência, mas também no próprio homem, nas suas instituições e, muitas vezes, naqueles que lhe são mais próximos.” (Singer 1979). 6. “O mundo material é uma combinação de visão e cegueira. À cegueira damos o nome de Satanás. Se nos tornássemos totalmente videntes, não teríamos mais livre-arbítrio. Porque, se víssemos Deus, se víssemos a Sua grandeza, não haveria tentação nem pecado. E, como Deus quis que tivéssemos livre-arbítrio, isso significa que Satanás — em outras palavras, o princípio do mal — precisa existir. Pois o que significa livre escolha? Significa liberdade para escolher entre o bem e o mal. Se não há mal, não há liberdade.” (Singer, citado em Farrell 1976, p. 157). 7. “A vida é o romance de Deus. Deixa que Ele o escreva.” (Singer, citado em Moraes 1975). 115
III. Laureados com o Nobel da Paz (Séculos XX-XXI) 116
39 ALBERT SCHWEITZER Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: Albert Schweitzer (1875–1965) recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1952 por seus esforços em favor da “fraternidade entre as nações”. Foi médico missionário na África por 52 anos. Schweitzer usou o dinheiro do prêmio para modernizar seu hospital na África e construir uma colônia de hansenianos. Ao longo dos anos, ampliou o hospital até chegar a setenta edifícios, que atendiam milhares de africanos. Schweitzer é autor de obras eruditas em Filosofia e Teologia. Nacionalidade: Alemão; posteriormente residente na França. Formação: Universidade de Estrasburgo, França: Doutorado em Filosofia (1899); Doutorado em Teologia (1901); Doutorado em Musicologia (1905); Doutorado em Medicina, com especialização em Medicina Tropical e Cirurgia (1913). Ocupação: Médico, Filósofo, Teólogo, Musicólogo e Organista; Diretor do Seminário Teológico da Universidade de Estrasburgo (1901–1912); Cirurgião Missionário e Fundador do Hospital Schweitzer, no Gabão, África Ocidental (1913–1965). 1. Em seu sermão proferido em Lambaréné, em 1947, no domingo seguinte à Festa de São João, o Dr. Schweitzer disse: “Se aparecesse um homem que fosse rei de todo o mundo – Europa, América, Ásia, África – ele não seria o maior dos homens. A verdadeira grandeza de um homem é compreender o coração de Deus. João pronunciou as palavras de Deus quando disse que havia chegado o tempo em que o reino de Deus deveria vir. Ele foi maior do que qualquer um dos profetas porque seu coração estava cheio do espírito de Deus. Ó Deus, jamais poderemos agradecer-Te o bastante pelo grande pregador do reino de Deus que enviaste, o homem que nos deu um exemplo, o homem que teve forças para colocar coragem em nossos corações, o homem que foi servo de Deus. Que ele nos faça servos de Deus. Nós Te agradecemos por todas as riquezas que colocaste dentro de nós. Concede-nos compreender essas riquezas. Que desejemos ter a Tua força em nós. Dá-nos então a vontade de ser Teus filhos. Amém!” (Schweitzer, citado em The Africa of Albert Schweitzer, de Charles Joy e Melvin Arnold, cap. “The Feast of Saint John”, Boston, The Beacon Press, 1948). 2. Em seu livro Reverence for Life o Dr. Schweitzer escreveu: 117
“Os que muito agradecem a Deus são os verdadeiramente ricos. Assim, nossa felicidade interior não depende do que experimentamos, mas do grau de nossa gratidão a Deus, seja qual for a experiência. A tua vida é algo opaco, não transparente, enquanto a contemplas de forma puramente humana. Mas, se a levantas à luz da bondade de Deus, ela brilha e se torna transparente, radiante e luminosa. E então perguntas, admirado: ‘É realmente a minha própria vida que vejo diante de mim?’ ” (Albert Schweitzer, Reverence for Life, Ulrich Neuenschwander, editor, Harper & Row, 1969, p. 39–40). 3. Em sua autobiografia Out of My Life and Thought, o Dr. Schweitzer escreveu: “O elemento essencial do Cristianismo, tal como foi pregado por Jesus e tal como é compreendido pelo pensamento, é isto: somente por meio do amor podemos alcançar a comunhão com Deus. Todo conhecimento vivo de Deus repousa sobre esse fundamento: que O experimentamos em nossa vida como Vontade de Amar.” (Schweitzer, 1933, p. 277). 4. “O amor de Deus fala conosco em nossos corações e procura agir por nosso intermédio no mundo. Devemos escutar essa voz; devemos ouvi-la como uma melodia pura e distante que nos chega através do ruído dos acontecimentos do mundo...” (Schweitzer, citado em George Seaver, Albert Schweitzer: The Man and His Mind, Harper & Brothers Publishers, 1947, p. 133). 5. “O que o Cristianismo necessita é ser preenchido até transbordar com o espírito de Jesus e, pela força desse espírito, espiritualizar-se numa religião viva de interioridade e amor, tal como sua finalidade o destina a ser. Porque sou profundamente devotado ao Cristianismo, procuro servi-lo com lealdade e sinceridade.” (Schweitzer, 1933, p. 278–279). 6. Em carta ao crítico musical Gustav von Lüpke, o Dr. Schweitzer explicou sua decisão de fundar um hospital na África: “Para mim, toda a religião está em jogo. Para mim, religião significa ser humano, simplesmente humano, no sentido em que Jesus o foi. Nas colônias, as coisas estão bastante sem esperança e sem consolo. Nós – as nações cristãs – mandamos para lá apenas a escória do nosso povo; só pensamos no que podemos tirar dos nativos; em suma, o que está acontecendo lá é uma zombaria da humanidade e do Cristianismo. Se esse mal deve ser de algum modo reparado, precisamos enviar para lá homens que façam o bem em nome de Jesus, não simples missionários proselitistas, mas homens que ajudem os aflitos 118
como eles precisam ser ajudados, se o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus forem válidos e verdadeiros. Agora, nós nos sentamos aqui e estudamos Teologia, e depois competimos pelos melhores cargos eclesiásticos, escrevemos grossos livros eruditos para nos tornarmos professores de Teologia, e o que acontece lá fora, onde a honra e o nome de Jesus estão em jogo, não nos diz respeito em nada. E espera-se que eu dedique a minha vida a fazer sempre novas descobertas críticas, para que eu me torne famoso como teólogo e continue formando pastores que também ficarão em casa, sem ter o direito de enviá-los a esse trabalho vital. Eu não posso fazer isso. Durante anos, refleti sobre essas questões de todos os modos. Por fim, tornou-se claro para mim que o sentido da minha vida não consiste em conhecimento ou arte, mas simplesmente em ser humano e fazer alguma pequena coisa no espírito de Jesus – ‘o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes’. Assim como o vento é impelido a gastar sua força nos grandes espaços vazios, também os homens que conhecem as leis do espírito devem ir aonde os homens são mais necessários.” (Schweitzer, citado em Jean Pierhal, Albert Schweitzer: The Story of His Life, Philosophical Library Inc., Nova York, 1957, p. 59). 7. Em Out of My Life and Thought Schweitzer escreveu: “A verdadeira compreensão de Jesus é a compreensão da vontade agindo sobre a vontade. A verdadeira relação com Ele é ser por Ele tomado em posse. A piedade cristã, seja de que espécie for, só tem valor na medida em que significa a entrega de nossa vontade à Sua.” (Schweitzer, 1933, p. 71). 8. Albert Schweitzer escreveu em seu livro A Place For Revelation: “E a razão descobre o elo de ligação entre o amor a Deus e o amor ao homem: amor a todas as criaturas, reverência por todo ser, uma compaixão que partilha as experiências com toda a vida, por mais externamente diferente que seja da nossa.” (Schweitzer, 1988, p. 11). 9. “A importância de Jesus Cristo para a humanidade não está nos rituais que os homens fizeram a partir de seu ensinamento, mas no exemplo de sua vida. Seu amor e compaixão e sua disposição de morrer pela convicção de que sua morte redimiria todos os homens do sofrimento e do pecado: são esses os atos que foram lembrados ao longo do tempo.” (Schweitzer, citado em Jilek-Aall, 1990). 10. Em Reverence for Life, Schweitzer afirma: “Esperar, calar e trabalhar a sós – isso é o que precisamos aprender a fazer, se realmente quisermos trabalhar no verdadeiro espírito. 119
Mas em que consiste exatamente esse lavrar? O lavrador não puxa o arado. Ele não o empurra. Ele apenas o conduz. É exatamente assim que os acontecimentos se movem em nossas vidas. Nada podemos fazer senão guiá-los em linha reta na direção que leva ao nosso Senhor Jesus Cristo, buscando-o em tudo o que fazemos e experimentamos. Busca-O, e o sulco se abrirá por si mesmo.” (Schweitzer, 1969, p. 47). 11. Em seu livro Christianity and the Religions of the World, Albert Schweitzer escreveu: “Durante dez anos, antes de partir para a África, preparei rapazes da paróquia de São Nicolau, em Estrasburgo, para a confirmação. Depois da Primeira Guerra Mundial, alguns deles vieram até mim e agradeceram por eu lhes ter ensinado de forma tão definida que a religião não era uma fórmula para explicar tudo. Disseram que foi esse ensinamento que os impediu de abandonar o Cristianismo, enquanto tantos outros nas trincheiras o rejeitaram, por não estarem preparados para enfrentar o inexplicável. Quando pregas, deves conduzir os homens para fora do desejo de saber tudo, rumo ao conhecimento da única coisa necessária, rumo ao desejo de estar em Deus e, assim, já não se conformar com o mundo, mas elevar-se acima de todos os mistérios como aqueles que foram redimidos do mundo.” (Schweitzer, citado em Ratter, 1950, p. 24). Em Out of My Life and Thought, o Dr. Schweitzer disse: “Para mim, pregar era uma necessidade do meu ser. Eu sentia como algo maravilhoso o fato de me ser permitido dirigir-me a uma congregação todos os domingos acerca das questões mais profundas da vida.” (Schweitzer, 1933, p. 36). 12. Albert Schweitzer escreveu em seu livro On the Edge of the Primeval Forest and More from the Primeval Forest: “Pela primeira vez desde que vim para a África, meus pacientes estão abrigados como os seres humanos deveriam estar. Como sofri, durante esses anos, por ter de amontoá-los em quartos abafados e escuros! Cheio de gratidão, ergo os olhos para Deus, que me permitiu experimentar tal alegria.” (Schweitzer, 1948). 13. Em carta à sua futura esposa Helene Bresslau, escrita em 1905, Albert Schweitzer declarou: “Encontramo-nos um ao outro, e nada neste mundo poderia ser mais belo do que isso. Fazer, cada um no seu âmbito, ou juntos se o destino assim quiser, compreender a vida e, juntos, caminhar pelas altas montanhas, dever um ao outro e dar um ao outro. Somos ricos um pelo outro! 120
A nós e à nossa relação só compreendo corretamente quando penso nEle, nosso Senhor. Foi Ele quem nos reuniu, não de qualquer maneira errada ou mística, mas como dois trabalhadores que Ele encontrou pela manhã na rua e enviou para a Sua vinha. Estamos nesse caminho.” (Schweitzer, citado em James Brabazon, Albert Schweitzer: A Biography, Syracuse University Press, Nova York, 2000). 121
digo literalmente — impossível imaginarmos como seria essa vida se tais ensinamentos fossem removidos. Perderíamos quase todos os padrões pelos quais hoje julgamos a moral pública e privada; todos os padrões pelos quais, com maior ou menor resolução, buscamos elevar-nos. Quase todo homem que, pela obra de sua vida, acrescentou algo ao conjunto das realizações humanas das quais a raça se orgulha, das quais o nosso povo se orgulha, fundamentou em grande parte sua obra de vida nos ensinamentos da Bíblia.” (Roosevelt, 1956, p. 28). 9. “A igreja precisa adequar-se à melhoria prática da humanidade se quiser atrair e manter a fidelidade dos homens de melhor caráter e maior utilidade. A Igreja deve ser uma força viva, palpitante, vital, ou não é uma verdadeira igreja.” (Roosevelt, 1956, p. 29). 10. “As verdades que eram verdadeiras ao pé do monte Sinai são verdadeiras agora. As verdades que eram verdadeiras quando a Regra de Ouro foi proclamada são verdadeiras agora. Ninguém é bom cidadão se não agir de modo a mostrar que realmente utiliza os Dez Mandamentos e traduz a Regra de Ouro na conduta de sua vida.” (Roosevelt, 1956, p. 25). Veja também: HART, Albert Bushnell; FERLEGER, Herbert Ronald. Theodore Roosevelt cyclopedia. New York: Roosevelt Memorial Association, 1941. 128
42 WOODROW WILSON Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: O vigésimo oitavo presidente dos Estados Unidos, Thomas Woodrow Wilson (1856–1924), recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1919 “por suas sinceras tentativas de negociações de paz” e por sua contribuição para a paz ao fim da Primeira Guerra Mundial. Wilson é o fundador da Liga das Nações. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: Ph.D. em Política e História, Universidade Johns Hopkins, 1886; permanece sendo o único presidente norte-americano a ter obtido um título de Ph.D. Ocupação: Presidente dos EUA (1913–1921); Professor de Jurisprudência e Economia Política na Universidade Princeton; Professor no Bryn Mawr College (Pensilvânia) e na Wesleyan University (Connecticut). 1. “Das leis do Antigo e do Novo Testamento toda nação civilizada extraiu o fundamento de suas leis. Em nenhum momento qualquer nação pode ser próspera se suas leis não forem fundadas nesses princípios eternos de certo e errado, de justiça e injustiça, de liberdade civil e religiosa. Acima de tudo, nessas páginas pode ser encontrada a regra de vida mais perfeita que a mente pode conceber. De forma tênue no Antigo, e de modo brilhante no Novo Testamento, resplandece o princípio do amor a Deus como fundamento e causa dos deveres do homem para com Deus, para com o próximo e para com a própria alma. Quem moldar sua vida cotidiana segundo o modelo perfeito da vida de Cristo será ele próprio um modelo que nenhum homem pode dar-se ao luxo de desprezar, além de, com isso, obter para si a certeza da vida eterna.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1966, vol. 1, p. 185; Arthur S. Link, ed., Princeton University Press). 2. “Nossa civilização não pode sobreviver materialmente a menos que seja redimida espiritualmente. Ela só pode ser salva se for impregnada pelo Espírito de Cristo e se tornar livre e feliz pelas práticas que brotam desse Espírito. Só assim o descontentamento poderá ser afastado e todas as sombras se erguerão do caminho à frente.” (Wilson, citado em Collins, 1988). 3. “Quando você tiver lido a Bíblia, saberá que ela é a Palavra de Deus, porque terá descoberto que ela é a chave do seu próprio coração, da sua própria felicidade e do seu próprio dever.” (Wilson, citado em Huling, 2000). 4. “O erro radical entre os cristãos modernos é a negligência da Palavra de Deus. Somos demasiado propensos a buscar informações e instruções 129
religiosas em outras fontes. As pessoas cristãs têm o costume excessivo de procurar instrução ou aperfeiçoamento em cursos menores de conhecimento, de preferência a ir à fonte eterna, que está sempre à mão. Isso é um grande erro. Ainda que um homem lesse este precioso volume continuamente por toda a vida, não poderia esgotar nem a metade de seus tesouros.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1966, vol. 1, p. 185; Arthur S. Link, ed.). 5. “A Bíblia é a única fonte suprema de revelação do sentido da vida, da natureza de Deus e da natureza e necessidades espirituais do homem. É o único guia de vida que realmente conduz o espírito ao caminho da paz e da salvação.” (Wilson, citado em Ankerberg e Weldon, 1997). 6. “Somos tão lentos para compreender que a felicidade não está em nada do que se possa obter pensando em si mesmo, mas sempre em alegrar-se por causa dos outros e viver fora de si mesmo, na atmosfera livre do grande Mundo de Deus. Na graciosa disposição das coisas feita por Deus, tenho pouco tempo ou oportunidade de pensar em mim mesmo.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1977, vol. 31, p. 4; Arthur S. Link, ed.). 7. “Não há meio-termo, não há neutralidade. Cada um deve alistar-se ou entre os seguidores de Cristo ou entre os de Satanás.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1966, vol. 1, p. 181; Arthur S. Link, ed.). 8. “Tenho pena dos homens que não leem a Bíblia todos os dias. Pergunto-me por que se privam de força e de prazer.” (Wilson, citado em Huling, 2000). 9. “A Bíblia não é algo para o qual nos desviamos; a Bíblia não é algo a que recorrer para instrução e consolo religiosos; a Bíblia não é algo a ser associado meramente a igrejas e sermões. Ela está bem no centro, na praça do mercado, de nossa vida, e ali jorra com a água da vida. Ela é, em si, a fonte; é, em si, a fonte inesgotável. Só aqueles que aprenderam dela, e só aqueles que beberam dessas águas, podem ser revigorados para a longa jornada.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1977, vol. 23, p. 499; Arthur S. Link, ed.). 10. “A Bíblia é tão conhecida e tão universalmente difundida por este país cristão que poucas pessoas apreciam o tesouro que veem diariamente em suas bibliotecas. Que alguém percorra suas páginas com cuidado e examine seu conteúdo com olhar crítico. Ela é um tesouro de poesia, história, filosofia, leis e moral que jamais será igualado.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1966, vol. 1, p. 184; Arthur S. Link, ed.). 11. “Como obra histórica, a Bíblia é um dos mais valiosos registros antigos, embora dê e professe dar pouca informação quanto à história do período. Nessas páginas sagradas o historiador pode mergulhar sem receio de encontrar outra coisa que não seja a verdade. 130
Como obra filosófica, este livro maravilhoso é insuperável. Em suas páginas abundantes, desenvolve-se um sistema de filosofia mental e moral do qual nenhum jamais foi mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo, mais claro ou mais lógico. Nenhum filósofo antigo ou moderno conseguiu conceber motivos mais poderosos do que os aqui apresentados. Aqui se encontra a chave do caráter de todo homem, chave que os filósofos há tanto tempo e tão inutilmente procuram.” (Woodrow Wilson, The Papers of Woodrow Wilson, 1966, vol. 1, p. 185; Arthur S. Link, ed.; ver também o Wilmington North Carolina Presbyterian, 30 ago. 1876). 12. Sigmund Freud e William C. Bullitt descreveram as convicções religiosas de Woodrow Wilson em seu estudo psicobiográfico Thomas Woodrow Wilson: 28th President of the United States: “Ele jamais duvidou da exatidão e da veracidade literal do presbiterianismo. Durante toda a vida, orou de joelhos, manhã e noite. Todos os dias leu a Bíblia. Acreditava absolutamente na imortalidade da alma e na eficácia da oração. ‘Não vejo como alguém possa sustentar-se em qualquer empreendimento na vida sem oração’, escreveu certa vez. ‘Ela é a única fonte na qual pode renovar o espírito e purificar o motivo. Deus é a fonte de força para todo homem, e só pela oração ele pode manter-se próximo ao Pai de seu espírito.’ Em momentos de crise, sentia-se ‘guiado por um Poder inteligente fora de si mesmo’.” (Freud e Bullitt, 1967, p. 7–8). 131
43 FREDERIK de KLERK Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: O presidente da África do Sul, Frederik de Klerk (nascido em 1936), recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1993 por seus esforços para estabelecer uma democracia não racial na África do Sul. Nacionalidade: Sul-Africano. Formação: Bacharelado em Direito, Universidade de Potchefstroom, África do Sul, 1958. Ocupação: Presidente da África do Sul (1989–1994); Líder da Câmara da Assembleia em 1986. 1. Em sua Conferência Nobel (Oslo, 10 de dezembro de 1993), o presidente da República da África do Sul, Frederik de Klerk, afirmou: “Creio que a maior paz é a paz que derivamos de nossa fé em Deus Todo-Poderoso; da certeza quanto ao nosso relacionamento com o nosso Criador. Podem nos cercar crises, podem rugir batalhas ao nosso redor – mas, se tivermos fé e a certeza que ela traz, gozaremos de paz – a paz que excede todo entendimento.” (de Klerk, citado em Marek Thee (org.), Peace!, UNESCO Publishing, 1995, p. 55). 2. Frederik de Klerk concluiu sua conferência sobre os princípios do perdão e da reconciliação (2 de setembro de 1997, Coventry, Reino Unido) com estas palavras: “Como cristãos, cremos que o ato central da história foi o sacrifício que Deus fez por meio da encarnação e crucificação de Seu Filho. Cremos que, por esse sacrifício, Cristo tomou sobre si todos os pecados de todas as pessoas de todas as eras. Ao fazer isso, Ele tornou possível que elas fossem reconciliadas com Deus, após a alienação que fora produzida entre o ser humano e Deus pelo pecado original. – Nós, seres humanos, devemos perdoar uns aos outros porque, ao fazê-lo, libertamo-nos do fardo de nossos opressores. – Aqueles que foram alienados uns dos outros devem perdoar seus inimigos porque isso é pré-requisito para a reconciliação e o estabelecimento da paz temporal. – Os cristãos devem perdoar uns aos outros porque esse é o mandamento do Senhor e a condição que Ele estabelece para o nosso próprio perdão. 132
Em última análise, porém, em nosso relacionamento com Deus, nossos pecados só podem ser perdoados por meio do sacrifício e da intercessão de Seu Filho, Jesus Cristo. Esse é, no sentido mais profundo, o significado do perdão e da reconciliação, e ele conduz não necessariamente à paz neste mundo, mas à paz que excede todo entendimento.” (de Klerk, 1997). 3. Na mesma conferência (2 de setembro de 1997), Frederik de Klerk disse: “Um dos temas centrais de nossa religião é o mandamento de que devemos perdoar uns aos outros. Uma das realidades centrais de nossas histórias tem sido o completo fracasso da maioria dos cristãos e da maioria dos países cristãos em cumprir esse mandamento. Apesar do serviço labial que prestamos todos os dias à importância do perdão – ‘Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido’ –, a realidade é que raramente perdoamos de fato. No entanto, o perdão é essencial, não apenas porque é um mandamento central de nosso Senhor, mas porque é criticamente importante para o nosso próprio bem-estar espiritual e mental e para a busca de uma paz duradoura. Até perdoarmos verdadeiramente nossos inimigos, carregamos em nossos corações uma amargura que pode envenenar todos os outros aspectos de nossas vidas.” (de Klerk, 1997). 4. Em sua conferência sobre Os fundamentos espirituais e éticos do mundo em globalização, proferida no Fórum 2000 (17 de outubro de 2000, Praga, República Tcheca), Frederik de Klerk declarou: “Nosso mundo globalizado, temos de admitir, é movido de forma avassaladora pelo materialismo. Ele tem um deus, e 15% é o seu lucro. Cada vez mais, o sucesso pessoal é equiparado à riqueza e à acumulação de bens materiais, e não aos valores mais tradicionais de serviço e integridade pessoal. Como resultado da globalização, está se desenvolvendo uma espécie de nova uniformidade internacional em muitas áreas que antes eram caracterizadas pela diversidade cultural. Pensem nisso: novas gerações estão crescendo em todo o mundo; elas assistem aos mesmos programas de TV quando crianças, idolatram os mesmos ídolos da música pop e do cinema quando adolescentes e acompanham as mesmas novelas quando adultas. A compreensão que têm do mundo é cada vez mais influenciada pelas mesmas redes globais de notícias e comentaristas. Elas não recebem opiniões diferentes: todas assistem às mesmas notícias e recebem a mesma interpretação das mesmas notícias, as notícias globais. Seguem as mesmas modas e compram os mesmos produtos de marca global, sejam brinquedos e camisetas da Disney, jeans e 133
perfumes das casas de moda de Paris, Milão ou Nova York, ou os mais recentes artigos eletrônicos de consumo do Japão ou da Coreia. Fazem compras nos mesmos shoppings, compram hambúrgueres nas mesmas redes de fast-food e trabalham em reluzentes prédios de escritórios que parecem iguais de Xangai a Buenos Aires e de Frankfurt a Singapura. O resultado é o desenvolvimento de uma nova geração de cidadãos globais cujas atitudes, gostos e aspirações são cada vez mais uniformes.” (de Klerk, 2000). 5. “Em toda parte, culturas e identidades regionais e nacionais estão sob pressão. Estima-se que metade das 6000 línguas do mundo desaparecerá no próximo século. Nossa diversidade cultural está agora sob ameaça maior do que a biodiversidade do planeta. A globalização, creio, nos apresenta, portanto, um grande desafio – o desafio de preservar e fortalecer nossa diversidade cultural e nossos valores espirituais, ao mesmo tempo em que participamos de uma economia e de uma cultura globais. Nosso mundo, sabemos, é agora esmagadoramente secular. Muitos dos valores morais e religiosos sobre os quais nossas famílias e sociedades se baseavam tradicionalmente estão sob séria ameaça, quando já não foram varridos de lado. Em grande parte do mundo ocidental, as igrejas estão vazias e a sociedade entrou naquilo que tem sido descrito como era póscristã. Na Europa, uma grande proporção dos casais já não passa pelo processo do matrimônio. Em toda parte, o conceito tradicional de família nuclear está sob ameaça. Na Alemanha, na Itália, na Rússia e em boa parte da Europa Oriental, as populações começam a diminuir à medida que mais e mais pessoas optam por famílias menores ou por não ter família alguma. O advento da pílula nos anos 1960, a ampla aceitação do sexo fora do casamento e as mudanças de atitude em relação à homossexualidade contribuíram para uma revolução nas atitudes das sociedades em relação à moralidade sexual. A decisão sobre Lady Chatterley’s Lover no início dos anos 1960 começou a romper o dique tradicional de tabus e de decoro com que minha geração cresceu. E agora, a qualquer momento, nossos filhos são rotineiramente expostos a uma enxurrada de obscenidades e blasfêmias na TV e no cinema que teria feito corar gerações anteriores, e até mesmo marinheiros.” (de Klerk, 2000). 6. “Ora, a ciência forneceu respostas para muitos dos antigos mistérios. Hoje sabemos por que as estações mudam e como as próprias estrelas nasceram. Os cientistas estão desvendando os segredos genéticos da própria vida. Nosso senso do divino era sustentado pela cerimônia, pela estrita observância do sábado, por proibições, em algumas fés, contra pronunciar o nome de Deus e, em outras, contra representar Sua imagem ou mesmo a imagem do ser humano. 134
Em nossa época, nosso senso do divino foi seriamente erodido por nosso apetite pela análise racional e pela familiaridade produzida pelos épicos hollywoodianos e pela massiva comercialização da religião. Há apenas uma ou duas gerações, nossa orientação moral era fixada por mandamentos imutáveis, por noções em preto e branco de certo e errado. Contudo, no mundo de valores relativistas e de moralidade situacional, a maioria desses mandamentos foi varrida de lado e reduzida à proposição de que podemos fazer o que quisermos, desde que não prejudiquemos ninguém.” (de Klerk, 2000). 135
44 NELSON MANDELA Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: O presidente da África do Sul, Nelson Mandela (nascido em 1918) foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 1993 por sua resistência contra as políticas de apartheid do governante Partido Nacional e por seus esforços para estabelecer uma democracia não racial na África do Sul. Mandela foi julgado por alta traição em dezembro de 1956, esteve preso por cinco anos a partir de novembro de 1962 e foi condenado à prisão perpétua em 12 de junho de 1964. Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, após 27 anos de encarceramento. Nacionalidade: Sul-Africano. Formação: Curso de Direito, Universidade de Witwatersrand, 1942; University College of Fort Hare, África do Sul. Ocupação: Presidente da África do Sul, 1994–1999 (eleito nas primeiras eleições gerais multirraciais do país, em 1994). 1. Em seu discurso na Conferência de Páscoa da Zionist Christian Church (Moria, 3 de abril de 1994), Nelson Mandela declarou: “Neste dia inclinamos nossas cabeças em adoração e damos graças ao Todo-Poderoso pela generosidade que Ele nos concedeu ao longo do último ano. Erguemos nossas vozes em santa alegria para celebrar a vitória de Cristo ressuscitado sobre as terríveis forças da morte. A Páscoa é uma festa de alegria! É uma celebração porque é, de fato, uma festa de esperança! A Páscoa assinala a renovação da vida! O triunfo da luz da verdade sobre as trevas da falsidade! A Páscoa é uma festa de solidariedade humana, porque celebra o cumprimento da Boa-Nova! A Boa-Nova trazida por nosso Messias ressuscitado, que não escolheu uma raça, que não escolheu um país, que não escolheu uma língua, que não escolheu uma tribo, que escolheu toda a humanidade! Cada Páscoa marca o renascimento da nossa fé. Marca a vitória de nosso Salvador ressuscitado sobre a tortura da cruz e do túmulo. Nosso Messias, que veio a nós na forma de um homem mortal, mas que, por seu sofrimento e crucifixão, alcançou a imortalidade. Nosso Messias, que nasceu como um excluído em um estábulo e foi executado como um criminoso na cruz. 136
Nosso Messias, cuja vida dá testemunho da verdade de que não há vergonha na pobreza: envergonhados devem estar aqueles que empobrecem os outros. Cuja vida testemunha a verdade de que não há vergonha em ser perseguido: envergonhados devem estar aqueles que perseguem os outros. Cuja vida proclama a verdade de que não há vergonha em ser vencido: envergonhados devem estar aqueles que vencem os outros. Cuja vida testemunha a verdade de que não há vergonha em ser despossuído: envergonhados devem estar aqueles que despojam os outros. Cuja vida testemunha a verdade de que não há vergonha em ser oprimido: envergonhados devem estar aqueles que oprimem os outros.” (Mandela, 1994). 2. “Por que é que, em pleno século como este, seres humanos ainda se chacinaram uns aos outros simplesmente porque ousaram pertencer a religiões diferentes, falar línguas diferentes ou pertencer a raças diferentes? Os seres humanos são inerentemente maus? O que infunde nos indivíduos o ego e a ambição de clamar tanto pelo poder, a ponto de o genocídio assumir o manto de meio que justifica fins cobiçados? São questões difíceis que, se examinadas de forma equivocada, podem levar alguém a perder a fé no semelhante. E é aí que erraríamos. Em primeiro lugar, porque perder a fé nos outros seres humanos é, como o arcebispo corretamente apontaria, perder a fé em Deus e no próprio propósito da vida. Em segundo lugar, é equivocado atribuir ao caráter humano um traço universal que ele não possui – o de ser inerentemente mau ou inerentemente bom. Eu me atreveria a dizer que há algo inerentemente bom em todos os seres humanos, derivado, entre outras coisas, do atributo de consciência social que todos possuímos. E, sim, há também algo inerentemente mau em todos nós, carne e sangue que somos, com o consequente desejo de perpetuar e bajular o próprio eu. Dessa premissa decorre o desafio de ordenar nossa vida e moldar nossos costumes de tal maneira que o bem em todos nós tenha precedência. Em outras palavras, não somos almas passivas e desamparadas, à espera de maná ou de praga vindos do alto. Todos nós temos um papel a desempenhar na formação da sociedade.” (Mandela, 1994b). 3. Em outro discurso na Conferência de Páscoa da Zionist Christian Church (Moria, 20 de abril de 1992), Nelson Mandela disse: 137
7. “Alegra-te se Deus encontrou uso para teus esforços em Sua obra. Alegra-te se sentes que o que fizeste foi ‘necessário’; mas lembra-te, ainda assim, de que foste simplesmente o instrumento por meio do qual Ele acrescentou um minúsculo grão ao Universo que criou para Seus próprios desígnios.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 143). 8. “Os teus desejos, enquanto animal humano, não se transformam em oração só porque é a Deus que pedes que cuide deles.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 11). 9. “Como podes esperar conservar tua capacidade de ouvir se nunca queres escutar? O fato de que Deus deveria ter tempo para ti, pareces tomar tão naturalmente quanto tomas como certo que tu não podes ter tempo para Ele.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 12). 10. “Reza para que a tua solidão te estimule a encontrar algo pelo qual viver, suficientemente grande para que valha a pena morrer por isso.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 72). 11. “Ser livre, poder levantar-se e deixar tudo para trás — sem olhar para trás. Dizer Sim. Sim a Deus, Sim ao destino, Sim a ti mesmo. Essa realidade pode ferir a alma, mas tem o poder de curá-la.” (Hammarskjold, Markings, 1964). 12. “Não basta colocar-se diariamente sob Deus. O que realmente importa é estar somente sob Deus.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 110). 13. “É a nossa concepção da morte que decide as respostas que damos a todas as questões que a vida nos coloca.” (Hammarskjold, Markings, 1964, p. 160). 144
47 MARTIN LUTHER KING Jr. Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: Martin Luther King Jr. (1929–1968) recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964 por sua luta contra o racismo e por seus esforços para promover a integração dentro dos Estados Unidos sem violência. King foi assassinado por um atirador em 4 de abril de 1968, em Memphis, Tennessee, onde lideraria uma marcha de protesto. Nacionalidade: Norte-Americano. Formação: B.A. em Sociologia, Morehouse College, Atlanta, Geórgia, 1948; Ph.D. em Teologia Sistemática, Boston University, 1955. Ocupação: Presidente da Southern Christian Leadership Conference (1957–1968); Pastor Batista (1947–1968). 1. Martin Luther King encerrou seu último discurso, “I’ve Been to the Mountain Top” (3 de abril de 1968, Memphis, Tennessee), com as palavras: “Eu não sei o que vai acontecer agora. Temos alguns dias difíceis pela frente. Mas isso já não importa para mim, porque eu estive no topo da montanha. E isso não me incomoda. Como qualquer um, eu gostaria de viver uma longa vida; a longevidade tem o seu lugar. Mas não estou preocupado com isso agora. Só quero fazer a vontade de Deus. E Ele me permitiu subir à montanha. E eu olhei lá de cima. E vi a Terra Prometida. Talvez eu não chegue lá com vocês. Mas quero que saibam, esta noite, que, como povo, nós chegaremos à Terra Prometida. E, por isso, estou feliz esta noite; não estou preocupado com nada; não temo nenhum homem. Meus olhos viram a glória da vinda do Senhor.” (Trecho do último discurso de King, antes de ser assassinado em 4 de abril de 1968; ver Martin Luther King Jr., The Words of Martin Luther King, Jr.. New York: Newmarket Press, 1983, p. 94). 2. Em sua Conferência Nobel (11 de dezembro de 1964, Universidade de Oslo), King afirmou: “Profundamente gravada na fibra de nossa tradição religiosa está a convicção de que os homens são feitos à imagem de Deus e de que são almas de infinito valor metafísico, herdeiros de um legado de dignidade e valor. Se sentimos isso como um fato moral profundo, não podemos ficar contentes em ver homens com fome, ver homens vitimados pela fome e pela má saúde quando temos 145
meios para ajudá-los.” (King, citado em PEACE!, Marek Thee, org., UNESCO Publishing, 1995, p. 374). 3. Em seu discurso na Prayer Pilgrimage for Freedom (Peregrinação de Oração pela Liberdade, 17 de maio de 1957, Washington, D.C.), King disse: “Devemos enfrentar o ódio com amor. Devemos enfrentar a força física com a força da alma. Ainda há uma voz clamando através da vista do tempo, dizendo: ‘Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos maltratam e vos perseguem’. Então, e somente então, podereis matricular-vos na universidade da vida eterna. Essa mesma voz clama em termos elevados a proporções cósmicas: ‘Quem vive pela espada morrerá pela espada’. E a história está repleta dos ossos branqueados de nações que falharam em seguir esse mandamento. Devemos seguir a não violência e o amor. Agora, não estou falando de um tipo de amor sentimental e superficial. Não estou falando de eros, que é uma espécie de amor estético, romântico. Nem sequer estou falando de philia, que é uma espécie de afeição íntima entre amigos pessoais. Estou falando de agape. Estou falando do amor de Deus nos corações dos homens. Estou falando de um tipo de amor que fará com que você ame a pessoa que pratica a ação má, enquanto odeia a ação que essa pessoa pratica.” (King, 1957a). 4. “Decidi amar. Se você está buscando o bem mais elevado, penso que pode encontrá-lo por meio do amor. E o belo é que não erramos quando fazemos isso, porque João estava certo: Deus é amor. Quem odeia não conhece a Deus; mas quem ama tem a chave que abre a porta para o sentido da realidade última.” (King, 1967). 5. “O que quer que façamos, devemos manter Deus na linha de frente. Sejamos cristãos em todas as nossas ações. Mas quero dizer-lhes, esta noite, que não basta falarmos de amor; o amor é um dos pontos centrais da fé cristã. Há outro lado chamado justiça. E justiça é, na verdade, o amor em cálculo. Justiça é o amor corrigindo aquilo que se revolta contra o amor.” (King, 1955). 6. Em seu discurso na Prayer Pilgrimage for Freedom (17 de maio de 1957, Washington, D.C.), King declarou: “Concluo dizendo que cada um de nós deve manter a fé no futuro. Não percamos a esperança. Percebamos que, enquanto lutamos por justiça e liberdade, temos uma companhia cósmica. Esta é a longa fé da tradição hebraico-cristã: que Deus não é algum Motor Imóvel aristotélico, que meramente contempla a si mesmo. Ele não é apenas um Deus que se conhece a si mesmo, mas um Deus que ama o outro, para sempre atuando na história para o estabelecimento de Seu reino. 146
E aqueles de nós que invocam o nome de Jesus Cristo encontram algo, em um acontecimento de nossa fé cristã, que nos diz justamente isso. Há algo em nossa fé que nos diz: ‘Nunca desesperes; nunca desistas; nunca sintas que a causa da justiça e da retidão está condenada’.” (King, 1957a). 7. Em seu Discurso de Aceitação do Prêmio Nobel (10 de dezembro de 1964, Oslo, Noruega), o Dr. King afirmou: “Ainda creio que um dia a humanidade se ajoelhará diante dos altares de Deus e será coroada triunfante sobre a guerra e o derramamento de sangue, e a boa-vontade redentora não violenta proclamará a regra sobre a terra. ‘E o leão e o cordeiro se deitarão juntos e todo homem se sentará debaixo de sua videira e de sua figueira, e ninguém terá medo’. Ainda creio que nós venceremos.” (Martin Luther King Jr., The Words of Martin Luther King, Jr., 1983, p. 91). 8. King sustentava que não havia conflito entre sua fé religiosa e sua atividade social: “Cremos firmemente na revelação de Deus em Jesus Cristo. Não consigo ver qualquer conflito entre nossa devoção a Jesus Cristo e nossa ação presente. Na verdade, vejo uma relação necessária. Se alguém é verdadeiramente devotado à religião de Jesus, procurará livrar a terra dos males sociais. O Evangelho é social tanto quanto pessoal.” (King, citado em Stephen B. Oates, The Life of Martin Luther King, Jr.. New York: Harper & Row, 1982, p. 81–82). 9. Em seu discurso proferido na Marcha sobre Washington (28 de agosto de 1963), King disse: “Eu tenho um sonho hoje. Eu tenho um sonho de que, um dia, todo vale será exaltado, todo monte e toda colina serão rebaixados; os lugares escabrosos serão aplainados, e os tortuosos serão endireitados, e a glória do Senhor será revelada, e toda carne juntamente a verá. Com essa fé, seremos capazes de trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, ir para a cadeia juntos, erguer-nos pela liberdade juntos, certos de que seremos livres um dia.” (Martin Luther King Jr., The Words of Martin Luther King, Jr., 1983, p. 95). 147
48 ADOLFO PÉREZ ESQUIVEL Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: Adolfo Pérez Esquivel (nascido em 1931) foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz de 1980 por sua luta pela democracia e pelos direitos humanos na Argentina. Foi preso em 1977 e mantido detido, sem acusação formal, por 14 meses, período durante o qual foi torturado. Nacionalidade: Argentino. Formação: Arquiteto e Escultor, Universidade Nacional de La Plata, Argentina. Ocupação: Professor de Arquitetura e Escultura na Academia Nacional de Arte de Buenos Aires (1968–1974); Secretário-Geral da Organização Internacional Peace and Justice Service (Serviço Paz e Justiça, 1974–presente). 1. Em seu Discurso de Aceitação do Prêmio Nobel (Les Prix Nobel 1980), o Prof. Pérez Esquivel declarou: “Estou convencido de que o poder evangélico da não violência apresenta uma escolha que nos abre um desafio de perspectivas novas e radicais. É uma opção que dá prioridade ao valor cristão essencial: a dignidade do ser humano; a dignidade sagrada, transcendente e irrevogável que pertence ao ser humano pelo fato de ser filho de Deus e irmão ou irmã em Cristo e, portanto, nosso próprio irmão e irmã.” (Pérez Esquivel, 1981). 2. À pergunta do Denver Catholic Register (fevereiro de 2001) – “Você foi preso em 1977 por sua oposição ao governo argentino; o que o sustentou durante aquele período de prisão e durante a tortura que sofreu?” – Pérez Esquivel respondeu: “Para mim, a oração foi muito importante. E a experiência de começar a compreender a fé a partir da experiência do sofrimento e por meio de uma experiência de dor. Muitas vezes, essa experiência é algo tão abstrato e não real e, por isso, é preciso começar a compreender e a viver a própria fé através da dor, do sofrimento e de estar às margens. Mas foi um processo muito difícil. Foi um tempo de muitos questionamentos, porque aqueles que estavam me torturando, por exemplo, também se diziam cristãos. E todos os crimes que cometeram, cometeram em nome da defesa da chamada ‘civilização cristã ocidental’. Outra experiência que foi muito difícil para mim, que levou muito tempo até eu conseguir lidar com ela, foi refletir sobre as palavras de Cristo quando Ele é julgado e levado à cruz. Ele diz: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. Demorou muito tempo, e muitas reflexões, 148
até que eu pudesse perceber que, penso eu, o que Cristo estava dizendo ali é que Ele estava dizendo àquelas pessoas que me torturaram e a outros que elas não compreendiam que o homem ou a mulher que torturavam era sua própria irmã, ou seu próprio irmão.” (Pérez Esquivel, citado em Bledsoe, 2001). 3. “Para nós, a liberdade é aquela capacidade inalienável de que todos os seres humanos, igualmente, dispõem. É essa capacidade que permite construir comunhão e participação, que estimula as pessoas a se relacionarem plenamente com o mundo, com seus irmãos e irmãs e com Deus.” (Pérez Esquivel, 1981, Conferência Nobel). 4. “Para mim, é essencial ter a paz interior e a serenidade da oração, a fim de escutar o silêncio de Deus, que nos fala em nossa vida pessoal e na história de nosso tempo, sobre o poder do amor. Por causa dessa fé em Cristo e na humanidade, devemos aplicar nossos humildes esforços à construção de um mundo mais justo e humano. Quero afirmar enfaticamente: tal mundo é possível.” (Pérez Esquivel, 1981, Discurso de Aceitação). 5. Pérez Esquivel encerrou seu Discurso de Aceitação do Prêmio Nobel (Les Prix Nobel 1980) com as palavras: “Invocando a força de Cristo, nosso Senhor, gostaria de compartilhar com vocês, com o meu povo e com o mundo, aquilo que Ele nos ensinou no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os pobres em espírito – porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que choram – porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos – porque herdarão a terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça – porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos – porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração – porque verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores – porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça – porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem, mentindo, todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa nos Céus. Pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.” (Mt 5, 3–12).” (Pérez Esquivel, 1981). 149
49 DESMOND TUTU Laureado com o Nobel da Paz Prêmio Nobel: O teólogo Desmond Tutu (nascido em 1931) recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1984 por seu papel na oposição ao apartheid na África do Sul. Nacionalidade: Sul-Africano. Formação: Mestrado em Teologia, King’s College, Londres, 1966. Ocupação: Professor de Teologia na Emory University, em Atlanta, EUA (1999– presente); Secretário-Geral do Conselho Sul-Africano de Igrejas (1978); Arcebispo Anglicano da Cidade do Cabo (1986). 1. Em sua Conferência Nobel (11 de dezembro de 1984, Les Prix Nobel 1984), Desmond Tutu afirmou: “Quando aprenderemos que os seres humanos têm valor infinito porque foram criados à imagem de Deus, e que é uma blasfêmia tratá-los como se fossem menos do que isso e que agir assim, em última instância, recai sobre aqueles que o fazem? Ao desumanizar os outros, eles próprios se desumanizam. Talvez a opressão desumanize o opressor tanto quanto, ou até mais do que, o oprimido. Deus nos chama a ser seus colaboradores, para que possamos estender Seu Reino de shalom, de justiça, de bondade, de compaixão, de cuidado, de partilha, de riso, de alegria e de reconciliação, de modo que os reinos deste mundo se tornem o Reino de nosso Deus e de Seu Cristo, e Ele reine para todo o sempre. Amém.” (Tutu, 1985, p. 246). À pergunta: “Se existe um Deus, por que tantos sofrem durante toda a vida e por que tantas pessoas se odeiam com base em sua cor?”, Desmond Tutu respondeu: “No fim, é um imenso tributo a nós o fato de que o nosso Deus não é alguém que fica intervindo o tempo todo, intrometendo-se. Porque Deus nos deu um presente incrível – o dom de poder fazer escolhas. Ele é como um pai. Os pais muitas vezes veem seu filho, que amam profundamente, prestes a tomar uma decisão errada. O bom pai é aquele que vai permitir que você tome essa decisão, porque é assim que você vai aprender a crescer. Não é que Deus não faça nada. É que Deus nos respeita e diz: ‘Se vocês vão ser pessoas e não robôs, terão que ser livres; terão que ter espaço para escolher. A realidade da sua liberdade é julgada 150
pelo fato de que Eu os deixo livres até mesmo para Me rejeitar, para escolher o mal’. Temos de viver com as consequências dessas escolhas. Deus, contudo, não nos abandona! Jesus Cristo morreu, em última instância, como preço do cuidado de Deus por nós, quando nós mesmos nos colocamos na confusão em que estamos.” (Tutu, 1995). 2. “O Deus que eu adoro é aquele revelado por Jesus. Jesus é uma espécie de janela para o caráter de Deus. Esse é um Deus que afirma a vida, que se opõe a tudo o que mina a integridade de qualquer pessoa.” (Tutu, 1995). 3. “O Deus que eu adoro é um Deus estranho. Porque é Deus, onipotente, todopoderoso, mas é também um Deus que é fraco. Um paradoxo extraordinário: é Deus, um Deus de justiça, que deseja ver justiça no mundo. Mas, porque Deus tem um respeito tão profundo por nossa liberdade em toda parte, Ele não intervém enviando relâmpagos para despachar todos os tiranos. Deus espera pelos parceiros de Deus: nós. Deus tem um sonho. Deus tem um sonho de um mundo diferente, um mundo em que você e eu nos preocupamos uns com os outros porque pertencemos a uma mesma família. E quero fazer um apelo em nome de Deus. Deus diz: ‘Você pode me ajudar a realizar o meu sonho? Meu sonho de um mundo mais solidário, um mundo mais compassivo, um mundo que diga que as pessoas importam mais do que as coisas. As pessoas importam mais do que os lucros. Esse é o meu sonho’, diz Deus. ‘Você, por favor, pode me ajudar a realizar o meu sonho? E não tenho ninguém além de você’.” (Tutu, 1998). 4. Em seu sermão proferido em 11 de setembro de 2002, na Catedral Nacional de Washington, Desmond Tutu disse: “Queridos amigos, de muitos modos, trata-se de dizer que todos nós somos vulneráveis, frágeis. Pois a vulnerabilidade é da essência da condição de criatura. Só Deus é, em última instância, invencível. A Bíblia tem imagens maravilhosas de Deus segurando de volta as águas do caos que procuram nos submergir. Deus segurando de volta o deserto que procura tomar conta da terra cultivável. Pois é apenas porque Deus contém as forças do mal que você e eu somos capazes de existir. E a Bíblia tem essa imagem incrível de você, de mim, de todos nós, cada um, sustentado como algo precioso e frágil nas palmas das mãos de Deus. E que você e eu existimos apenas porque Deus está continuamente soprando o Seu sopro em nosso ser. E existimos apenas porque Deus nos mantém no ser. Caso contrário, nos desintegraríamos no nada, no esquecimento do qual o fiat de Deus nos trouxe.” (Tutu, 2002). 151
5. “Os poderes das trevas, do mal e da destruição fizeram o pior que podiam, mataram o próprio Senhor da vida. Mas essa morte não foi o fim. Essa morte foi o começo de uma vida gloriosa, a vida da ressurreição. Essa morte foi a morte da própria morte – pois Jesus Cristo vive para sempre.” (Desmond Tutu, The Rainbow People of God. New York: Image Books, 1996, p. 18). 6. “Deus nos criou para a comunhão. Deus nos criou para que formássemos a família humana, existindo juntos porque fomos feitos uns para os outros. Não fomos feitos para uma autossuficiência exclusiva, mas para a interdependência.” (Tutu, 1985, p. 246). 7. Em sua carta aberta ao Primeiro-Ministro do governo do apartheid na África do Sul, B. J. Vorster (6 de maio de 1976), Desmond Tutu escreveu: “Escrevo ao senhor como uma pessoa humana para outra pessoa humana, gloriosamente criada à imagem do mesmo Deus, redimida pelo mesmo Filho de Deus, que por todos nós morreu na Cruz e ressuscitou triunfante dentre os mortos, e reina agora em glória à direita do Pai; santificada pelo mesmo Espírito Santo, que opera interiormente em todos nós para transformar nossos corações de pedra em corações de carne. Escrevo-lhe, portanto, senhor, como um cristão para outro cristão, pois, por meio do nosso batismo comum, fomos feitos membros e estamos unidos no Corpo de nosso querido Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Esse Jesus Cristo, qualquer que seja a nossa conduta, derrubou todas as barreiras que irrelevantemente nos separam – tais como raça, sexo, cultura, condição, etc. Nesse Jesus Cristo estamos para sempre ligados como uma só humanidade redimida, negros e brancos juntos.” (Desmond Tutu, The Rainbow People of God. New York: Image Books, 1996, p. 7). 8. A oração favorita de Desmond Tutu é a oração de São Francisco de Assis: Senhor, faze de mim um canal da Tua paz para que, onde houver ódio, eu leve o amor, para que, onde houver injustiça, eu leve o espírito de perdão, para que, onde houver discórdia, eu leve a harmonia, para que, onde houver erro, eu leve a verdade, para que, onde houver dúvida, eu leve a fé, para que, onde houver desespero, eu leve a esperança, para que, onde houver sombras, eu leve a luz, para que, onde houver tristeza, eu leve a alegria. Senhor, concede-me que eu procure mais consolar do que ser consolado, compreender do que ser compreendido, amar do que ser amado. Pois é esquecendo-se de si que se encontra, 152
é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se desperta para a vida eterna. Amém. (Desmond Tutu, The Rainbow People of God. New York: Image Books, 1996, p. 13; ver também Les Prix Nobel 1979). 153