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Grau de inovação de centros culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco

Freire, Ricardo Ruiz

Abstract

Esta pesquisa visa identificar o grau de inovação de entidades culturais pernambucanas com inserção comunitária, classificadas pela LEI No 13.018/2014 como Pontos de Cultura. A princípio, um estudo bibliográfico traça a etimologia da inovação e sua relação com a sustentabilidade e com a Economia Criativa, da qual os Pontos de Cultura são afirmados como parte. Em seguida, são analisados os investimentos em inovação no Brasil da década de 1930 até a Lei Orçamentária de 2017. Posteriormente, é apresentado um conjunto de ferramentas de medição de inovação existentes e, a partir destas, é proposta uma ferramenta para a mensurar o grau de inovação das entidades em questão. Um questionário on-line seguido de entrevistas semi-estruturadas aplicadas em 33 entidades do estado é analisado segundo a ferramenta conhecida como Radar da Inovação. Ao final, é percebido que as entidades possuem um baixo grau de inovação, principalmente porque as mesmas não entendem o produto de seu trabalho como comercializável ou pelo aspecto conceitualmente não inovador das tradições culturais.

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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO MESTRADO EM GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL RICARDO RUIZ FREIRE GRAU DE INOVAÇÃO DE CENTROS CULTURAIS COM INSERÇÃO COMUNITÁRIA NO ESTADO DE PERNAMBUCO RECIFE 2018 Ricardo Ruiz Freire Grau de inovação de centros culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco Dissertação apresentada como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável, pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável da Universidade de Pernambuco - UPE. Orientador: Prof. Dr. Cristóvão de Souza Brito Recife 2018 Dados internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Biblioteca Prof. Guilherme Simões Gomes Faculdade de Odontologia de Pernambuco – FOP/UPE F866g Freire, Ricardo Ruiz Grau de inovação de centros culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco/Ricardo Ruiz Freire; orientador: Cristóvão de Souza Brito. - Recife, 2018. 108f. : il.;tab. - Dissertação (Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável) - Universidade de Pernambuco, Faculdade de Administração e Direito de Pernambuco, Universidade de Pernambuco, Recife, 2018. 1 INOVAÇÃO 2 INOVAÇÃO SOCIAL 3 INDICADORES DE INOVAÇÃO 4 ECONOMIA CRIATIVA 5 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A CULTURA I Brito, Cristóvão de Souza (orient.) II Título CDD 23th ed. - 320.6 BFOP-080/2018 Manoel Paranhos, CRB4/1384 Ricardo Ruiz Freire Grau de inovação de centros culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco Dissertação apresentada como requisito para obtenção do título de Mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável, pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável da Universidade de Pernambuco - UPE. Aprovado em 25 de Julho de 2018. BANCA EXAMINADORA: Profa. Dra. Simone Ferreira Teixeira – UPE Avaliadora Prof. Dr. José Luis Alves – UPE Avaliador Prof. Dr. André Marques Cavalcanti – UFPE Avaliador Externo Prof. Dr. Cristóvão de Souza Brito (Orientador) Visto e permitida a impressão Recife Profa. Dra. Simone Ferreira Teixeira Coordenadora PPG em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável - UPE Este trabalho é dedicado à Wanderlynne Selva. A revolução não tem face. AGRADECIMENTOS Agradecimentos eternos do autor à todos os Orixás e Espíritos de Luz. À Cauã Onilé, Pedro Primeiro. Aos meus pais, irmã e sobrinhos, pelo amor, incentivo e apoio incondicional. Esta pesquisa deve sinceros agradecimentos à Mãe Beth de Oxum, Jéssica Miranda, Emmanuel Costa, André Mesquita, Tarciana Portela, Ricardo Brazileiro, Andrea Vibert, Gabriel Herminio, Geórgia Haddad, Renata Lourenço, Thaís Brito, Adriano Belisário, Jaborandy, Jaguar, Marcelo e a todo povo Tupinambá de Olivença e da Serra do Padeiro. Agradecimentos especiais para o Núcleo de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade da Universidade Federal do Pernambuco - NIES/UFPE e ao Global Innovation Gathering - GIG: We are what we create together À Fundação Para o Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - FUNDARPE, pelo financiamento desta pesquisa. Aos professores, pelo caráter e afetividade na educação, os meus sinceros agradecimentos. "A maior inovação do século XX foi a invenção da inovação." (Christopher Freeman) RESUMO Esta pesquisa visa identificar o grau de inovação de entidades culturais pernambucanas com inserção comunitária, classificadas pela LEI N o 13.018/2014 como Pontos de Cultura. À princípio, um estudo bibliográfico traça a etimologia da inovação e sua relação com a sustentabilidade e com a Economia Criativa, da qual os Pontos de Cultura são afirmados como parte. Em seguida, são analisados os investimentos em inovação no Brasil da década de 1930 até a Lei Orçamentária de 2017. Posteriormente, é apresentado um conjunto de ferramentas de medição de inovação existentes e, a partir destas, é proposta uma ferramenta para a mensurar o grau de inovação das entidades em questão. Um questionário on-line seguido de entrevistas semi-estruturadas aplicadas em 33 entidades do estado é analisado segundo a ferramenta conhecida como Radar da Inovação. Ao final, é percebido que as entidades possuem um baixo grau de inovação, principalmente porque as mesmas não entendem o produto de seu trabalho como comercializável ou pelo aspecto conceitualmente não inovador das tradições culturais. Palavras-chaves : Inovação. Inovação social. Indicadores de inovação. Economia criativa. Políticas públicas para a cultura. ABSTRACT This research aims to identify the degree of innovation of Pernambuco cultural entities with community insertion, classified by LEI N o 13.018 / 2014 as Culture Points. At the outset, a bibliographic study traces the etymology of innovation and its relation to sustainability and the Creative Economy, being Culture Points a part of it. Next, we analyse the investments in innovation in Brazil from the 1930s up to the 2017 Budget Law. Subsequently, it presents a set of existing innovation measurement tools and, from these, a mechanism is proposed to measure the degree of the entities concerned. An online questionnaire followed by semi-structured interviews applied in 33 state entities is analysed using the tool known as the Innovation Radar. It is perceived in the end that the organisations have a low degree of innovation, mainly because they do not understand the product of their work as marketable or the conceptually non-innovative aspect of cultural traditions. Key-words : Innovation. Social innovation. Indicators of innovation. Creative economy. Public policies for culture. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................ 18 1.1 Motivação ................................... 18 1.2 Objetivos ................................... 20 1.2.1 ObjetivoGeral................................. 20 1.2.2 ObjetivosEspecíficos ............................. 20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 2.1 Etimologia da inovação ............................ 21 2.2 O Modelo linear de inovação ........................ 23 2.3 Inovação e sustentabilidade ......................... 26 2.4 Economia criativa, cultura e inovação social ................ 27 2.5 Pontos de Cultura em Pernambuco ..................... 33 2.6 Políticas e investimentos em inovação no Brasil .............. 34 2.6.1 Brevehistórico................................. 34 2.6.2 A inovação no Plano Plurianual 2016-2019 e sua execução na Lei Orçamentáriade2017.................................. 39 2.7 Construção de ferramenta para mensuração da inovação em centros culturais ...................................... 46 2.7.1 Pesquisas em métricas de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46 2.7.2 Evolução das ferramentas de mensuração da inovação . . . . . . . . . . . . 46 2.7.3 Indicadores de inovação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48 2.7.3.1 Cadeia de valor da inovação .......................... 48 2.7.3.2 Funil da inovação ............................... 49 2.7.3.3 Diamante da Inovação ............................. 50 2.7.3.4 Radar da inovação ............................... 51 2.7.3.5 Gerenciamento da inovação em uma cadeia verde .............. 53 2.7.3.6 Escala de desempenho da inovação sustentável em organizações de manufatura 54 2.7.3.7 Sinalizadores da inovação ........................... 54 2.7.3.8 Manual de OSLO ............................... 55 2.7.3.9 IMP3rove - Europe Innova ........................... 56 2.7.3.10 NESTA ..................................... 57 2.7.4 Uma comparação entre os modelos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 3 METODOLOGIA .............................. 61 3.1 Revisão integrativa da literatura conceitual ................ 61 3.2 Revisão sistemática sobre métricas de inovação .............. 62 3.3 A mensuração da Inovação dos Pontos de Cultura de Pernambuco ... 62 3.3.1 Conceitodeinovação ............................. 64 3.3.2 AtributosdaInovação ............................. 64 3.3.3 A estrutura da coleta de dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65 3.3.4 Teste de aplicação e correções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 3.3.5 Demais ferramentas para a pesquisa de campo . . . . . . . . . . . . . . . . 67 3.3.5.1 Plataforma online ............................... 67 3.3.5.2 Cartografia ................................... 67 3.3.5.3 Agenda ..................................... 67 3.3.6 Acoletadedados ............................... 67 3.3.6.1 Telefonemas .................................. 68 3.3.6.2 Correios eletrônicos com os questionários prévios às visitas ......... 68 3.3.6.3 Visita em Campo ................................ 69 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 4.0.1 Perfil das organizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 4.0.2 Grau de inovação dos Pontos de Cultura do PE . . . . . . . . . . . . . . . . 73 4.0.2.1 Dimensão Oferta ................................ 74 4.0.2.2 Dimensão Diversificação de trabalhos artísticos ............... 76 4.0.2.3 Dimensão Propriedade intelectual ....................... 76 4.0.2.4 Dimensão Frequentadores dos pontos ..................... 77 4.0.2.5 Dimensão Relacionamento .......................... 77 4.0.2.6 Dimensão Agregação de valor ......................... 78 4.0.2.7 Dimensão Processos .............................. 78 4.0.2.8 Dimensão Organização ............................ 78 4.0.2.9 Dimensão Presença .............................. 79 4.0.2.10 Dimensão Ambiência inovadora ........................ 79 4.0.3 Distinção entre os setores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 5 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS . . . . . . . . . . . . . . . 83 5.1 Contribuições do Trabalho .......................... 84 5.2 Limitações ................................... 84 5.3 Trabalhos Futuros .............................. 84 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 APÊNDICES 94 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO - INDICADORES DE INOVAÇÃO EM PONTOS DE CULTURA . . . . . . . . . . . . . . 95 APÊNDICE B – ROTAS DE VISITAS EM CAMPO . . . . . . . . . . . 98 APÊNDICE C – ANOTAÇÕES DE CAMPO DURANTE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA IN-LOCO . . . . . . . . . . 100 APÊNDICE D – FOTOS DOS PONTOS DE CULTURA . . . . . . . . 106 18 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho enseja analisar o grau de inovação de entidades culturais conhecidas como Pontos de Cultura no estado de Pernambuco. Para tal, utiliza-se de revisão bibliográfica, de questionários qualitativos e entrevistas semi-estruturadas com 33 entidades do território pernambucano. A análise dos dados é feita através da técnica conhecida como Radar da Inovação, e reflete sobre quais as dimensões da inovação incidem no setor cultural comunitário e com qual intensidade. Esta pesquisa pode ser dividida em três partes. Na primeira parte, a dialética presente nos termos inovação social e inovação tecnológica é o método de abordagem teórica do estudo. Baseados nos estudos de Godin (2010), este estudo acredita que estes conceitos não possuem naturezas antagônicas ou mesmo distintas, e são consubstanciados, independente da aplicação ou área do conhecimento. Para além, inovação, de acordo com a origem do termo, permeia transformações sociais e tecnológicas em simbiose, portanto, auferem significantes mútuos. Para reatar esses laços entre os conceitos, busca-se compreender, durante o estudo etimológico do termo, em que momento inovação se distingue entre social e tecnológica. Na segunda parte, é abordado o tema da relação da inovação com a sustentabilidade conforme apresentada por Vizeu, Meneghetti e Seifert (2012); é abordada também a economia criativa e o mercado de intangíveis conforme apresentado por Barbrook (1998); e como o investimento em inovação no Brasil se relaciona com as duas abordagens anteriores. Na terceira parte, é feito um levantamento das ferramentas de mensuração da inovação, para, a partir da relação entre elas, determinar quais as dimensões de análise para a inovação em centros culturais de base comunitária. Nesta análise, se utiliza os métodos propostos por Chen e Sawhney (2008), conhecido como Radar da Inovação. A ferramenta fornece uma possibilidade de medir e avaliar a capacidade de inovação de uma organização. São analisados dados das entidades pesquisadas coletados através de questionário online organizados em questões abertas e fechadas, posteriormente acompanhadas de entrevistas semi-estruturadas nas entidades a fim de uma captura qualitativa a partir do envolvimento dos participantes. Nesta terceira parte também são apresentados os resultados da análise da pesquisa com as entidades culturais em foco. Espera-se com essa pesquisa tanto colaborar nos esforços para a conceituação da inovação bem como apontar características de processos e modelos de inovação na cultura comunitária. 1.1 Motivação Sabe-se que a inovação é um conceito amplo e com diversas dimensões. Isto torna a medição da inovação uma tarefa árdua (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). Porém, "tem havido, na atualidade, uma necessidade premente de evolução e criação de boas medidas nesse 19 campo"(KON, 2015, p.315). Gamal, Salah e Elrayyes (2011) afirma que medir a inovação é uma questão importante, pois o crescimento dos negócios e a lucratividade na era do conhecimento dependem da inovação. A aceleração contínua da inovação tende a sustentar o crescimento econômico, que então estimula a própria inovação. Portanto, o crescimento sustentável requer inovação sustentável, institucionalizada e com uma produção previsível. A literatura demonstra constantemente a inovação como a adoção e implementação de uma nova tecnologia (CHEN; SAWHNEY, 2008), no entanto, a inovação não se limita ao desenvolvimento de novos produtos e à inovação tecnológica. Uma visão estreita sobre a inovação limita as oportunidades das organizações e as torna vulneráveis a concorrentes com perspectivas mais amplas. Acreditamos, por isso, que é necessária uma visão ampla sobre o que é inovação. Por sua vez, inovação social é apresentada como um conceito criado em contraste com a inovação tecnológica e seus efeitos indesejáveis (DOWBOR, 2007; ANDRÉ; ABREU, 2006), e sugere que o conceito de inovação social tenha surgido depois do conceito de inovação tecnológica. Porém, inovação social remonta ao início do século XIX (SARGANT, 1858; GODIN, 2010), momento em que a inovação tecnológica não existe nos discursos. Após um longo período em que inovação é relacionada a um processo social, a partir da segunda metade do século XX o termo passa a definir processos relacionados somente ao desenvolvimento tecnológico e econômico. Recentemente, inovação social é discutida muitas vezes com um sentido restritivo às ações de combate à exclusão social e ao desgaste ambiental promovidos pela inovação tecnológica. Da mesma forma que Drucker (1985) define que inovações não-tecnológicas são ao menos tão importantes quanto as inovações tecnológicas, este estudo acredita que a inovação social e a inovação tecnológica são de igual valor para a construção de estratégias para o desenvolvimento local sustentável. Uma vez que o desenvolvimento sustentável pressupõe os campos ambientais, econômicos e sociais (CGDES, 2016), por que a inovação para o progresso econômico é tida como tecnológica enquanto iniciativas focadas na compensação das consequências do progresso econômico, com a mitigação da saturação do capital, são vistas como inovação social? Uma questão principal motiva esta pesquisa: é possível utilizar ferramentas de mensuração da inovação tecnológica em iniciativas organizacionais que colaboram concomitantemente no desenvolvimento social e econômico? A hipótese apresentada aqui é que ferramentas holísticas para a mensuração da inovação tecnológica podem também ser utilizadas para a mensuração da inovação social e que a inovação é fundamental para um desenvolvimento sustentável com foco na inclusão social necessária nos processos econômicos, ambientais e políticos (SMITH et al., 2013; GRIMBLE, 2016). Realizar um diagnóstico da inovação em entidades responsáveis pelo desenvolvimento social e econômico – a economia criativa – se mostra importante para (1.) atribuir valor econô- 20 mico ao Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco e (2.) servir como fonte de referência para políticas de investimentos públicos e privados no setor cultural. Esta pesquisa tem relevância específica para economias cujos governos "estão em processo de redução da amplitude e alcance do estado do bem-estar social"(CHALMERS, 2012, p.18) em favor da maior participação da sociedade civil na prestação da assistência social. 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo Geral Identificar o grau de inovação de organizações culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco utilizando-se ferramentas de mensuração da inovação tecnológica de organizações. 1.2.2 Objetivos Específicos a) Compreender o conceito de inovação e sua relação com a esfera econômica, social, tecnológica e ambiental; b) Compreender o papel da inovação na economia criativa; c) Identificar o investimento em inovação no país; d) Fornecer uma ferramenta para diagnosticar e analisar a inovação em organizações culturais comunitárias; 21 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Etimologia da inovação Para entender amplamente a inovação e contribuir para discursos, teorias e políticas mais lúcidas, Godin (2012) desenvolve uma pesquisa através da etimologia do termo, e apresenta conceitos existentes para a inovação: mudança, novidade, originalidade, invenção e criatividade. O autor também apresenta os diversos significados do conceito, os discursos feitos sobre a inovação, os valores envolvidos nos debates sobre o tema e as estruturas conceituais desenvolvidas para explicar o que é a inovação. Seu objetivo é compreender e mensurar a inovação. Segundo o autor, o conceito de inovação é de origem grega – καινοτομία , kainotomia – e surge no século V a.C.. A palavra é derivada de καινός – kainos; novo. Inicialmente, Καινοτομία não tem relação com o atual significado dominante de inovação como uma invenção técnica comercializável. A inovação significou corte fresco em. Foi usada no contexto do pensamento abstrato fazer de uma nova forma - bem como no pensamento concreto, abertura de novas minas [de prata]. Na sua constituição, a inovação foi "introduzir mudanças na ordem estabelecida"(XENOPHON, 2014). A primeira discussão integral da inovação é feita por Xenófanes de Cólofon, um filósofo e historiador grego. Ele descreve um projeto de parceria público-privada que consiste em incentivos financeiros aos proprietários de excedentes de escravos privados. Seu objetivo é resolver a questão da escassez de mão-de-obra nas minas de prata estatais de Laurion. A consequência, segundo o autor, seria o aumento das receitas e atividades econômicas do estado grego, falidas na era pósguerra – naquela época, "a população de Atenas era composta por três grandes estratos sociais: 100 mil cidadãos nacionais; 30.000 residentes estrangeiros e 90.000 escravos"(AMEMIYA, 2004, p.59). Xenófanes sugere que os novos imigrantes envolvidos na mineração de prata estabelecidos como residentes estrangeiros poderiam receber tratamento igual ao concedido aos nativos atenienses, uma nova ideia na época (XENOPHON, 2014). Xenófanes apresenta uma empresa onde indivíduos particulares combinariam seus recursos em operações comerciais para "compartilhar riqueza e minimizar riscos". Seu livro, Ways and Means, a Pamphlet on Revenues, onde essas propostas estão documentadas, tem sua primeira publicação em 354 aC.(DUPONT, 2017), um ano antes de sua morte. Xenófanes interpreta a inovação ou καινοτομία como a abertura de novos cortes: novas fontes de renda, uso eficiente do trabalho e uma mão-de-obra melhor treinada e próspera para a valorização dos preços da terra (XENOPHON, 2014, p.75). O significado da inovação era criar formas de realizar processos para atingir um objetivo específico. No entanto, Xenófanes considera sua própria proposta arriscada (GODIN; LUCIER, 2012), "capaz de afetar o equilíbrio dos poderes políticos existentes"(XENOPHON, 2014, p.85). Nos escritores gregos posteriores, Platão e Aristóteles, a inovação é usada com um 22 sentido essencialmente depreciativo. Platão expõe seu ponto de vista sobre a inovação em suas Leis, quando se refere a crimes e punições à imigrantes: "(...) mas se ele é condenado por tentar fazer inovações na educação e nas leis, deixe-o morrer"(PLATO, 2013). Para Aristóteles, a inovação também deve ser rejeitada. De acordo com Lockwood (2015, p.72), "embora cada um dos tomos de Política II tenha seu próprio foco, eles estão unidos pelo problema das inovações e as consequentes mudanças políticas". A partir dos gregos, a ideia de inovação com uma conotação proibitiva é comum entre escritores romanos (GODIN, 2011): Sêneca e Lucrécia discutiram inovação, innovatione, e ambos demonstram por que esta é temida por todos. Poetas como Horácio e Virgil, moralistas como Juvenal, Sêneca, Cícero e Tácito, e historiadores como Salústio desenvolvem o pensamento sobre a inovação, in novo, como algo maligno e proibido para o espírito. Cícero, em seu trabalho De Imperio CN, afirma: "Eu sei que o exemplo do que não deve ser feito contra a tradição e costume de nossos antepassados - ne quid novi fiat contra exempla atque institute maiorum"(CICERONIS, 1899, p.22). As opiniões desses escritores têm grande influência sobre o pensamento político ocidental. Nos séculos seguintes, revolução e renovação são os dois polos que impulsionam o termo inovação entre um significado negativo ou positivo. Isso se altera em 1547, com a Proclamação contra aqueles que inovam, do rei britânico Eduardo VI: A proclamation against those that doeth innouate, alter or leaue doune any rite or ceremonie in the Church, of their priuate aucthoritie: and against them which preacheth without licence, set furth the .vj. daie of Februarij, in the seconde yere of the Kynges Maiesties most gracious reigne. 1 A partir deste período, principalmente devido à igreja cristã, a inovação significa algo muito negativo, e se transforma em sinônimo de heresia, uma mudança intencional para o mal. (GODIN, 2012). Somente no século XVIII, e através da burguesia francesa, os conceito de revolução e inovação adquirem um significado positivo, e o espírito de inovação, expressão maligna de outros séculos, torna-se fonte de orgulho: O que quer que seja agora o estabelecimento foi uma vez Inovação ... A idéia de novidade era a única idéia inicialmente ligada ao termo de inovação, e a única expressa diretamente na etimologia. (BENTHAM, 1824, p.218) Foi graças a esse espírito de inovação que, em 1858, um economista político de Birmingham defendor da promoção de aulas de religião no ensino fundamental cunha o termo 1 England and Wales. Sovereign (1547-1553 : Edward VI). Excusum Londini: In ædibus Richardi Graftoni regij impressoris. Cum priuilegio ad imprimendum solum, [1548]. http://quod.lib.umich.edu/cgi/t/text/textidx?c=eebo2;idno=A69318.0001.001 23 inovadores sociais. Em um livro eloquente em defesa do capitalismo, William Lucas Sargant salienta os planos, em particular dos socialistas franceses - os inovadores sociais - para a sociedade inglesa: "Planos corajosos de inovação moderna"(SARGANT, 1858, p.113). Hoje, a inovação se refere tão fortemente a uma ideologia econômica baseada em inovação tecnológica (LEITE, 2015, p.41) que esquecemos que esse termo é um conceito de disputa política que se perpetua por dois mil anos (GODIN, 2012). O século XX torna a inovação uma ideologia incontestável: a inovação adquire uma conotação positiva dominante e quase exclusiva. A inovação é uma prática incontroversa, um significante institucionalizado e um princípio ordenador e estruturante de pensamentos e ações. Mas como a inovação deixa de ser temida e indesejada para se tornar uma necessidade humana, organizacional e governamental nos séculos XX e XXI? 2.2 O Modelo linear de inovação Sabe-se que a de-contestação – do inglês de-contestation – é um processo de naturalização de conceitos, práticas e representações em ideologias (NORVAL, 2000; FREEDEN, 2006). Nessa naturalização, as ideologias apresentam um modelo organizacional particular da sociedade, um imaginário não-histórico construído, quase sempre infundado. Como sistemas de crença coletiva, as ideologias desafiam os conceitos políticos e convertem as opiniões em uma certeza monolítica. A inovação como ideologia serve como um sistema de crença coletiva (GODIN, 2012). Aqueles que fizeram da inovação um conceito contestado no passado – as classes dominantes – desafiaram o termo e transformataram a inovação em um instrumento de política pública (GODIN, 2011). Para tanto, governos, teóricos e cientistas construíram uma nova visão para a inovação – a inovação tecnológica – em resposta a um contexto específico – a competitividade econômica (SCHUMPETER, 1911; DRUCKER, 1985). A fim de legitimar a inovação para fins políticos, os governos precisaram de argumentos e de estruturas conceituais. O processo de legitimação do conceito foi conduzido por cientistas sociais que desenvolveram pensamentos teóricos sobre a inovação tecnológica, além de práticas especializadas que empresas e governos deveriam seguir para obter mais resultados de processos, matérias-primas ou invenções tecnológicas. Ao atuar como assessores de governos e organizações internacionais, os cientistas sociais eram defensores, simpatizantes, estudiosos e eles próprios beneficiários da inovação: a riqueza baseada no conhecimento (LEITE, 2015). Inovação tecnológica é um termo comumente atribuído às teorias dos ciclos econômicos de Joseph Schumpeter (LEITE, 2015; LACERDA; FERRARINI, 2013), muito embora, na versão alemã de seu livro, o autor utilize o termo Kombinationen - "combinações"(SCHUMPETER, 1911, p.160, 161, 458) - e apenas na tradução inglesa de 1939 o termo é grafado como innovation - inovação (GODIN, 2010) 2 . Porém, a literatura mostra que um professor do Instituto de 2 O termo Kombinationen é grafado 64 vezes no texto original de Schumpeter. Os outros possíveis termos utilizados para descrever inovação em alemão seriam Innovation,Neuerung,Neueinführung ou Novität.Neuerung 24 Tecnologia de Massachusetts – MIT, William Rupert Maclaurin, um neozelandês que vivia nos Estados Unidos da América, produziu um dos primeiros títulos sobre a inovação no século XX: Invention and Innovation in the Radio Industry. MacLaurin (1949) desenvolveu nesta universidade o primeiro programa de inovação em uma tradição schumpeteriana e estudou os fatores responsáveis pelos ciclos econômicos, chamados de mudança tecnológica, bem como o processo de inovação tecnológica, da invenção à comercialização (BACKHOUSE; MAAS, 2016). Maclaurin é o verdadeiro responsável pelos estudos sobre inovação tecnológica, e não Schumpeter – este pode ser considerado como um teórico sobre os ciclos econômicos. No entanto, foi Maclaurin quem produziu a teoria mais influente – o Modelo Linear de Inovação (tecnológica) – que serviu de quadro conceitual para políticas públicas durante décadas (MACLAURIN, 1949). As idéias de Maclaurin foram influenciadas por considerações políticas e, por sua vez, influenciaram a política. Em 1944, Maclaurin serviu como secretário do Comitê de Ciências e Bem-Estar Público dos Estados Unidos que, juntamente a outros quatro comitês, ajudaram Vannevar Bush na preparação de Science: The Endless Frontier, um dos documentos responsáveis por iniciar uma discussão pós-guerra sobre como organizar políticas para financiar pesquisas como fonte de progresso e competitividade entre nações dentro do governo estadunidense: We have no national policy for science. The Government has only begun to utilize science in the nation’s welfare. There is no body within the Government charged with formulating or executing a national science policy. There are no standing committees of the Congress devoted to this important subject. Science has been in the wings. It should be brought to the centre of the stage - for in it lies much of our hope for the future. (BUSH, 1960, p.12) Para governos e organizações internacionais, a inovação étecnológica e éuma ferramenta política, uma ferramenta a serviço da indústria. O pensamento é essencialmente econômico: competitividade entre indústrias e entre países. Durante as últimas décadas, a inovação como comercialização de invenções tecnológicas se tornou a representação dominante da inovação. E com isso, florescem políticas globais para estimular a inovação tecnológica (LEITE, 2015). A inovação social em oposição à inovação tecnológica também é recente, como se vê em Cloutier (2003), Dowbor (2007) e André e Abreu (2006), enquanto, de fato, o conceito de inovação social surge um século antes da inovação tecnológica. Nesses estudos, a inovação social é baseada em compensação aos males causados pela inovação tecnológica, uma dicotomia de forças opostas. Alguns autores como André e Abreu (2006), Sousa e Júnior (2013) e Hart et al. (2015) definem a inovação social como os novos produtos, serviços e modelos que simultaneamente satisfazem os requisitos sociais e envolvem colaborações. Para serem considerados nesta definição, as inovações devem ter um ambiente social e os possíveis destinatários devem decidir o que deve ser feito e fazê-lo por si mesmos, e devem mudar as escalas locais, regionais, nacionais e globais (QUILLEY; JASON; KISH, 2016). Sob essas perspectivas, as inovações é usado 2 vezes no texto, uma vez com o sentido de "novo produto"e outra com o sentido de "novo processo". Nenhum dos outros termos existe na versão original do livro em alemão. 31 Com o intuito de fomentar as indústrias criativas no território no início do milênio, o programa apoia centenas de iniciativas com foco em: • Inovação: para projetos de inovação tecnológica e manutenção de redes de pesquisa e informação; • Ambiente: para projetos focados na preservação do meio ambiente e a geração de energias limpas; • Acessibilidade: para projetos estratégicos no desenvolvimento policêntrico das cidades, como nas áreas de transporte, infraestrutura e distribuição demográfica; • Desenvolvimento Urbano Sustentável: para projetos que proponham sinergia entre as cidades e o campo e a produção e a valorização do patrimônio cultural. Como é possível perceber, a produção midiática — de signos, significados, subjetividades e demais possíveis produções a partir das expressões culturais — é apenas uma parte do amplo emaranhado de empresas, grupos, setores da sociedade, instituições acadêmicas e pessoas que compõe o atual quadro da Economia Criativa. Muito mais do que produtores de material comercializável através de meios digitais, as Indústrias da Economia Criativa buscam novas formas de estruturação social, econômica, empresarial e ambiental. Para além, as similaridades entre os conceitos de Economia Criativa promovidos pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento - UNCTAD e os processos envolvidos no desenvolvimento da inovação mostram a relação intrínseca entre os termos e suas práticas: (Economia criativa compreende) os ciclos de criação, produção e distribuição de produtos e serviços que utilizam criatividade e capital intelectual como insumos primários; constituem um conjunto de atividades baseadas em conhecimento, focadas, entre outros, nas artes, que potencialmente geram receitas de vendas e direitos de propriedade intelectual; constituem produtos tangíveis e serviços intelectuais ou artísticos intangíveis com conteúdo criativo, valor econômico e objetivos de mercado; posicionam-se no cruzamento entre os setores artísticos, de serviços e industriais; constituem um novo setor dinâmico no comércio mundial; É uma opção de desenvolvimento viável que demanda respostas de políticas inovadoras e multidisciplinares, além de ação interministerial. (UNCTAD, 2012, p.10) Dez anos após o início das atividades do Programa Cultura Viva, esta inovadora política de gestão cultural estatal se consolidada pela Lei n o 13.018, de 22 de julho de 2014. A legislação, que não abarca pontos críticos como a propriedade intelectual ou a radiotransmissão cultural, instaura dentre seus artigos o apoio aos Pontos de Cultura, definidos como "entidades jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, grupos ou coletivos sem constituição jurídica, de natureza ou finalidade cultural, que desenvolvam e articulem atividades culturais em suas comunidades"(BRASIL, 2014, art.4). Essas entidades organizacionais são incumbidas de: 32 • potencializar iniciativas culturais já desenvolvidas por comunidades, grupos e redes de colaboração; •promover, ampliar e garantir a criação e a produção artística e cultural; •incentivar a preservação da cultura brasileira; • estimular a exploração de espaços públicos e privados que possam ser disponibilizados para a ação cultural; •aumentar a visibilidade das diversas iniciativas culturais; •promover a diversidade cultural brasileira, garantindo diálogos interculturais; •garantir acesso aos meios de fruição, produção e difusão cultural; •assegurar a inclusão cultural da população idosa; •contribuir para o fortalecimento da autonomia social das comunidades; •promover o intercâmbio entre diferentes segmentos da comunidade; •estimular a articulação das redes sociais e culturais e dessas com a educação; • adotar princípios de gestão compartilhada entre atores culturais não governamentais e o Estado; •fomentar as economias solidária e criativa; •proteger o patrimônio cultural material e imaterial; •apoiar e incentivar manifestações culturais populares; São sobre estas instituições, frutos de um processo de inovação social promovido por uma instituição pública, que se debruça esta pesquisa. Medir o grau de inovação dos Pontos de Cultura é acompanhar o desenvolvimento de uma política que possui, em seu cerne, a inovação como marca, e que, fomentada inicialmente pelo Estado, propõe absorver o conhecimento cultural como valorosa fonte para processos de inovação cultural, educacional, social, ambiental, industrial, de serviços, de organização administrativa ou política, com foco no desenvolvimento econômico. Aqui, existe um paradoxo previsível entre apoio estatal e inovação social como ferramenta neoliberal, que pode ser ilustrada pela hipótese sobre a recuperação capitalista através de suas próprias alternativas (GREGOIRE, 2016; SHARMA, 2016; FOUGèRE; SEGERCRANTZ; SEECK, 2017): Social innovation is supposed to carry social transformation and to provide an alternative to the neoliberal system. Yet, because it emerges in times of crises, it rather seems to repair the dominant system’s harms, thus allowing it to perpetuate. Therefore, it is not clear whether it reinforces neoliberal capitalism, or whether it seeks alternatives to it. (GREGOIRE, 2016, p.22) 33 Porém, uma faceta que se percebe comum à inovação é seu papel necessário para o desenvolvimento da sociedade do século XXI, inflada com a superpopulação, o desgaste ecológico, a concentração de renda, as desigualdades intercontinentais, os abusos de poder e a democraticidade cada vez mais ausente nas novas tecnologias. 2.5 Pontos de Cultura em Pernambuco O Estado de Pernambuco possui importância histórica no desenvolvimento de políticas culturais no Brasil, como mostram as políticas a favor do reconhecimento das culturas populares do governo de 1945 a 1964 de Miguel Arraes, como a Campanha Nacional do Folclore e o Movimento de Cultura Popular (RUBIM, 2008). Em Pernambuco, a parceria entre o Ministério da Cultura e o Governo do Estado se dá através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - FUNDARPE. (MELO; RÉGIS, 2012). Investigar os Pontos de Cultura neste território demonstra uma relevância econômica, considerada a alta densidade de atividades culturais do Estado, e a participação estimada do PIB criativo em Pernambuco em 2015 de 1,6%, o que coloca o Estado na 9a posição em um ranking de estados brasileiros que mais contribuem com o PIB criativo (FIRJAN, 2016). Demonstra também de grande relevância identitária, pois os Pontos de Cultura de Pernambuco: Tratam de assuntos culturais de cunho social e uma quantidade considerável se refere a matrizes africanas. Muitos desses projetos trabalham a linguagem musical nas formas das tradições de maracatu ou de orquestras de frevo (...) Está presente na maioria desses projetos a influência das matrizes africanas e suas religiões (...) Outros projetos tratam do cinema e do teatro, bem como a preservação de tradições culturais do Estado. (MELO; RÉGIS, 2012, p.111) Outras atividades da Economia Criativa relacionadas aos Pontos de Cultura do Estado são a qualificação em "núcleos de comunicação, artes plásticas, música, dança, capoeira, teatro, educação e pesquisa"(LOUREIRO; CALLOU, 2007, p.218), além de manifestações culturais locais, como o xaxado, o coco de roda e as tradições da cultura sertaneja. Normalmente estas ações já são reconhecidas localmente, e com o incentivo do Ponto de Cultura estas se diversificam e ganham amplitude (REIS; SANTANA, 2010). Melo e Régis (2012) afirma ainda que gestores de Pontos de Cultura são muitas vezes líderes religiosos, artistas reconhecidos e representantes de comunidades que buscam preservar suas tradições (MELO; RÉGIS, 2012), portanto, com grande inserção em suas localidades. Atualmente, Pernambuco conta com 133 Pontos de Cultura distribuídos entre as 12 regiões de desenvolvimento do Estado. Destes, 97 são em parceria com a FUNDARPE, e outros 36 em parceria com o Ministério da Cultura. A FUNDARPE, através de suas ferramentas de comunicação, aponta que: 34 A formação da identidade pernambucana é ligada diretamente a cultura de base e comunitária, assim é possível revelar toda sua diversidade e a construção da cidadania para esses territórios culturais. Com a implementação do Programa Cultura Viva em Pernambuco é possível estimular essas iniciativas, construir uma rede de possibilidades e articulação. Os Pontos de Cultura são elos entre a sociedade e o Estado que possibilitam o desenvolvimento de ações culturais sustentadas pelos princípios da autonomia, protagonismo e empoderamento social. (FUNDARPE, 2018) O presente trabalho enseja analisar de que forma os Pontos de Cultura encontrados no Estado podem desenvolver-se através da política pública Cultura Viva e do movimento da Economia Criativa através da avaliação da Capacidade de Inovação de tais entidades. 2.6 Políticas e investimentos em inovação no Brasil Busca-se agora compreender como funciona e qual a ordem dos investimentos em políticas públicas para a inovação no Brasil. Para fins de definição, este trabalho trata políticas públicas para a inovação como um conjunto de estratégias e ações desenvolvidas pelo Estado, e que podem ser realizadas através da criação de ministérios, conselhos, secretarias ou fundações que tenham como fim a inovação em seu sentido mais amplo, com incentivos direcionadas à empresas públicas e privadas. É entendido que essas políticas possuem diferentes formatos, como empréstimos públicos, incentivos fiscais, programas de apoio intelectual, apoio em infraestrutura, cooperação, apoio de de treinamento e gestão, entre outros. Após um breve histórico das políticas públicas para a inovação no Brasil, é analisado como o Plano Plurianual - PPA 2016-2019 configura o investimento em inovação e como a Lei Orçamentária Anual - LOA de 2017 executa estes investimentos previstos. A intenção aqui é apresentar como as políticas e os investimentos públicos federais em inovação se comportam no primeiro ano após as mudanças no orçamento da União provocadas pelo Projeto de Lei Complementar 257/2016, que estabelece as novas regras para os gastos públicos federais, conhecido como teto dos gastos. O que se percebe é que, comparado com o previsto em 2016, os investimentos em inovação mais que dobraram em relação ao proposto. 2.6.1 Breve histórico O desenvolvimentismo industrial brasileiro, inicia após a crise de 1929 no governo de Getúlio Vargas, se estende por todo o período do milagre econômico do país, e tem como característica investimentos, ajustes fiscais e leis de protecionismo para garantir o surgimento e o fortalecimento de uma indústria primária nacional, que altera gradativamente a dependência do país de produtos importados até o final da década de 1980 (VALLIM, 2014). Do início da década de 1930 ao final da década de 1950 foi o período marcado pela criação de grandes empresas estatais que visavam constituir a base produtiva sobre a qual o desenvolvimento dos outros setores poderia se apoiar. Em 1942 foi fundada a Vale do Rio Doce, 35 com o intuito de explorar minas de ferro localizadas inicialmente no Estado de Minas Gerais. Em 1946, a Companhia Siderúrgica Nacional – CSN tornou-se operacional com a missão de integrar a cadeia produtiva de insumos básicos, e foi a primeira produtora integrada de aços planos no Brasil. Já em 1953, foi instituída a Petrobrás no bojo do debate sobre a forma de exploração do petróleo, sob monopólio estatal ou com participação de empresas privadas estrangeiras (VALLIM, 2014). Durante a segunda metade da década de 1950, na era Juscelino Kubitschek, foi implantado um Plano de Metas sob a forma de ambiciosas políticas setoriais que buscavam dar “continuidade ao processo de substituição de importações que se vinha desenrolando nos dois decênios anteriores"(LESSA, 1983, p.27). O Conselho de Desenvolvimento, instituído pelo decreto n o 38.744 de 01 de fevereiro de 1956, sob o conhecido lema de 50 anos em 5, incluía em suas metas os setores de transportes, energia, insumos básicos, alimentação e educação. Entre outros impactos relevantes, a indústria automobilística iniciou sua consolidação no mercado brasileiro com o estabelecimento de fabricantes multinacionais estrangeiras e a prevalência do transporte rodoviário como principal meio de transporte no país (VALLIM, 2014, p.80). Ainda segundo o autor: No período de industrialização por substituição de importações, a política de apoio à inovação no Brasil resumiu-se a uma política de ciência e tecnologia com enfoque na criação de infraestrutura científica e tecnológica. (VALLIM, 2014, p.79) Durante esse período e até meados da década de 1970 foram criadas as instituições que consolidaram a infraestrutura de ciência e tecnologia no país: em 1951 foi criado o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES como as "(...) primeiras iniciativas articuladas de ciência e tecnologia no âmbito do governo federal"(KOELLER, 2009, p.72). Em 1969, criou-se o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - FNDCT, que concedia apoio financeiro aos programas e projetos prioritários, e a Financiadora de Estudos e Projetos - Finep foi designada como secretaria executiva do FNDCT. Nos âmbitos estaduais, as fundações de amparo à pesquisa – FAPs – surgiram como um instrumento de promoção à pesquisa e inovação em diversas áreas do conhecimento através de apoio financeiro, impulsionadas pelo surgimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, em 1962 (VALLIM, 2014). Outras instituições relevantes foram o Centro Técnico da Aeronáutica - CTA, de 1954; o Instituto Militar de Engenharia – IME, de 1959; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, de 1961; o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - COPPE/UFRJ, de 1963, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, de 1973. Em 1975, durante o governo de Geisel, foi implantado o II Plano Nacional de Desenvolvimento – II PND, um programa de investimentos elaborado sob a batuta de João Paulo dos Reis Veloso. Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Reis Veloso 36 era funcionário do Banco do Brasil desde 1955, quando se tornou assessor da Presidência da República entre 1958 e 1961 e assessor do Ministro da Fazenda entre 1961 e 1962. Em 1969, foi convidado a ser o primeiro presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, que se tornava uma fundação pública federal cinco anos após seu surgimento, em 1964, sob o nome de EPEA – Escritório de Pesquisa Econômica Aplicada, instaurado pelo então presidente Humberto Castelo Branco. No mesmo ano, Veloso foi convidado a se tornar Ministro do Planejamento do Brasil, cargo no qual se consolidou até 1979. O Plano focava nos ativos de produção – aço, produtos químicos pesados, metais e minerais –, no setor energético e nas exportações, e tinha como meta ampliar a capacidade e a qualidade da infraestrutura brasileira, apontada por muitos empresários como "principal obstáculo ao crescimento econômico"(GASPARI, 2014, p.101). A complexidade econômica durante o governo de Geisel, agravada pelas influências políticas da hierarquia militar na política econômica, logo fez o Plano tornar-se uma “vaga esperança” para o desenvolvimento do país (Ibidem, p.237). Em 29 de Outubro de 1984 foi criada a Lei 7.232, que dispunha sobre a Política Nacional de Informática – PNI. Criticada nacionalmente e internacionalmente, instaurou o protecionismo para a criação de uma indústria nacional de informática, no intuito de concorrer com empresas internacionais do porte da International Business Machines - IBM e da Hewlett Packard - HP. A importação de produtos industrializados foi proibida e foram exigidos índices crescentes de nacionalização dos produtos utilzados na fabricação de equipamentos de informática. Proprietário da marca Sharp no Brasil desde 1965 – e sem possuir relações institucionais com a marca Japonesa – o empresário gaúcho Matias Machline, um dos poucos empresários que se movimentaram com desenvoltura durante o período militar, criou, graças a esta lei, o consórcio formado pela Sharp do Brasil, Grupo Inepar e Dataserv, e se transformou em uma das empresas líderes na fabricação de microcomputadores, possuidor de uma incrível fatia de 25% do mercado brasileiro de terminais bancários. Para a empreitada, ele contou com o apoio – e com o dinheiro – do então Ministro da Comunicações Higino Corsetti, oficial e engenheiro do exército que fez sua carreira nas trincheiras das comunicações militares. As portas do governo federal foram abertas graças à amizade de Machline com o general João Baptista Figueiredo, um dos mais próximos colaboradores do então presidente Emílio Garrastazu Médici. Nos governos seguintes, Matias Machline ainda circulava pelos corredores do Brasília. Quando um de seus principais amigos, José Sarney, ocupou a Presidência da República, Machline foi um dos grandes incentivadores da criação da Lei da Informático em seu governo (SELVA, 2004). A lei se mostrou concentradora e ineficaz em termos espaciais e de capilarização de investimentos das empresas beneficiadas. Do total da isenção concedida pela União, 81% relacionaram-se a atividades de apenas 30 empresas, e destas, as 10 maiores beneficiárias foram responsáveis por 61% do total investido. Entre 1993 e 1997, as empresas instaladas nos estados de São Paulo (64%) e do Rio de janeiro (16%) favoreciam-se com 80% dos incentivos concedidos (GARCIA; ROSELINO, 2004). Esse cenário indica que a concentração dos ativos do investimento em inovação nas regiões subnacionais mais prósperas não levaram a um desenvolvimento próximo ao verificável em países avançados. 37 Salienta-se que a existência de estruturas para a inovação também nas regiões mais pobres de um país permite não só o desenvolvimento destas, como o das regiões mais ricas, uma vez que amplia seus fluxos e redes, e viabiliza a interação científica, econômica e tecnológica de suas instituições com outras instituições num mesmo espaço nacional (VALLIM, 2014). Esta lei foi modificada pela Lei n o 10.176, de 2001, e os incentivos fiscais passaram a se basear, então, nas deduções do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, que variam de acordo com a região do país (Norte, Nordeste e Centro-Oeste com abatimentos maiores). Ainda assim “fica visível que há uma grande concentração dos recursos voltados para pesquisa na região Sudeste” (VALLIM, 2014, p.81). A Lei 8.661/93 instituiu o Programa de Desenvolvimento Tecnológico da Indústria – PDTI, e o Programa de Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura – PDTA. Dada a abertura ao mercado internacional promovida pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, as empresas que acessaram o PDTI entre 1994 e 2004, por meio de projetos de inovação, eram em sua maior parte transnacionais. Nos dez anos entre 1994 e 2004, os incentivos do PDTI foram dirigidos para um grupo muito restrito de beneficiários (TONUCCI et al., 2016). É fato a falta de equidade na distribuição dos recursos, principalmente em relação aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro que, ainda em 2010, concentravam 43% dos recursos federais em pesquisa (VALLIM, 2014). Em 2004 e 2005 o Brasil reformulou seu aparato institucional para o investimento em inovação. A Lei de Inovação (2004) e a Lei do Bem (2005) reduziram algumas barreiras institucionais, forneceram incentivos à cooperação entre universidades e empresas e modificaram o acesso aos incentivos fiscais à inovação. A Lei 11.196/2005, ou Lei do Bem, teve origem na Medida Provisória 255, da qual foi relator o ex-ministro da Previdência Social Amir Lando – um advogado de formação condenado por improbidade administrativa, acusado de ter usado a máquina pública para favorecer o Banco de investimentos BMG (SANTOS, 2011) – apoiado por Francisco Dornelles – proeminente economista de Harvard que ocupou o cargo de Ministro da Fazenda e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo de José Sarney e Ministro do Trabalho no governo de Fernando Henrique Cardoso – e por Flávio Arns – político paranaense, professor pela Universidade Federal do Paraná e sobrinho do Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Diferentemente da Lei da Informática, a Lei do Bem foi instituída como uma proposta de apoio horizontal. O objetivo era estimular os investimentos em inovação em todos os setores da economia através de um tratamento indiscriminado e equânime entre os diferentes segmentos produtivos. A lei, em seu capítulo III, consolida os incentivos fiscais que as pessoas jurídicas podem usufruir de forma automática, desde que realizem investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. O governo brasileiro, ao criar a Lei do Bem, utilizou-se dos conceitos obtidos no Manual Frascati para definir o que faz e não faz parte de Pesquisa e Desenvolvimento, através do seu modelo linear de mensuração estatística de inovação tecnológica. O Manual Frascati foi projetado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico dos Estados Unidos da América - OCDE a partir do início da década de 1960 para 38 estabelecer critérios para os esforços dos países em mensurar o desenvolvimento nacional, e oferecia, baseado no Modelo Linear de Inovação de MacLaurin, convenções metodológicas que permitiriam comparações internacionais. Em consonância com as definições da Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos, o manual recomendava, em 1962, a coleta e tabulação de dados de acordo com o que seriam os três componentes da pesquisa, definidos como: i) Pesquisa fundamental: trabalho realizado principalmente para o avanço do conhecimento científico, sem uma aplicação prática específica em vista; ii) Pesquisa aplicada: trabalho realizado principalmente para o avanço do conhecimento científico, com um objetivo prático específico em vista; iii) Desenvolvimento: utilização dos resultados de pesquisas fundamentais e aplicadas voltadas à introdução de materiais, dispositivos, produtos, sistemas e processos úteis ou à melhoria dos existentes (FREEMAN, 1995; GODIN, 2012). Já a Lei n o 10.973 de 02 de Dezembro de 2004, conhecida como Lei da Inovação, dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo e sofreu diversas alterações desde sua sanção, mas seus objetivos podem ser relacionados, segundo Leite (2015) em: •Criar incentivo à pesquisa científica e tecnológica e à inovação; •Incentivar a cooperação entre os atores do Sistema Nacional de Inovação; •Flexibilizar a gestão das Instituições Científicas e Tecnológicas; •Estimular pesquisadores e inventores; •Estimular a formação e o fortalecimento de empresas inovadoras; •Promover novas modalidades de parceria público-privada; • Facilitar e estabelecer regras para o relacionamento e integração dos vários atores que compõem a cadeia da inovação; • Possibilitar a encomenda de projetos estratégicos para a União diretamente de empresas privadas; • Promover a concessão de subvenção econômica à empresas alinhadas à política industrial e tecnológica do País; •Instituir o Núcleo de Inovação Tecnológica - NIT. Ainda segundo o autor, a Lei de Inovação pode ser considerada positiva pois “estabelece medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica e ao desenvolvimento industrial do País” (LEITE, 2015, p. 39). Porém, além da precariedade na aplicação de mecanismos de incentivo, o fortalecimento dos agentes intermediadores na interação entre os Institutos de Ciência e Tecnologia – ICTs e as empresas que promovem a Lei obtiveram pouco ou irrisório 39 impacto no papel de facilitadores do processo inovativo brasileiro. O que acontece, de fato, é “um constante escrutínio” (RAUEN, 2016, p.23) pelos órgãos de controle dos projetos de pesquisa das ICTs devido a seu papel de captadores de recursos financeiros extra orçamentários, bem como contratantes de recursos humanos temporários em parceria com empresas e fundações de apoio. Por isso, "são constantes os processos na Controladoria-Geral da União – CGU e de acórdãos no Tribunal de Contas da União – TCU"(Ibid., p.23). Para além, a autora nota que se faz necessário o aprimoramentos no marco legal da inovação no Brasil, em especial para corrigir distorções relacionadas aos estímulos para a interação ICT-empresa, pois as bases pelas quais a Lei de Inovação estabelece as formas de estímulo permanecem excessivamente ofertantes e lineares – da pesquisa à produção – uma vez que o marco legal da inovação parte da premissa de que as bases para a interação ICT-empresa residem nas iniciativas de oferta de infraestrutura e conhecimento exclusivamente das universidades e instituições de pesquisa, “como se toda essa infraestrutura de pesquisa estivesse pronta e autonomamente à disposição dos interesses (se/quando existirem) do sistema produtivo nacional” (Ibid., p. 27). Dessa forma, a lei da inovação desconsidera o dinamismo e a retroalimentação interativa que se estabelecem no processo de pesquisa e de produção de novas tecnologias. É importante notar o que salienta Leite (2015, p.41) em relação à lei: “a definição de inovação apresentada (...) se refere, na realidade, à inovação tecnológica”. Os motivos são evidentes. Construída em sua maioria por políticos e acadêmicos conservadores, se busca ao máximo ampliar a competitividade da indústria e do país em um nível internacional sem assegurar as revoluções sociais necessárias à inovação como compreendida neste estudo. 2.6.2 A inovação no Plano Plurianual 2016-2019 e sua execução na Lei Orçamentária de 2017 O Plano Plurianual 2016-2019 emitido pelo Ministério do Planejamento salienta no capítulo denominado Cenário Macroeconômico e Composição do Crescimento que "(...) o crescimento depende (...) da capacidade inovadora das empresas, o que em conjunto [com outros fatores] proporciona elevação da produtividade e da competitividade"(BRASIL, 2015, p. 22). Por mais 76 vezes a palavra inovação pode ser encontrada no Plano Plurianual, com destaque para "inovação para da produtividade do trabalho"(Ibid., p. 30) e "promoção da ciência, da tecnologia e da inovação e estímulo ao desenvolvimento produtivo, com ampliação da produtividade, da competitividade e da sustentabilidade da economia"(Ibid., p. 38). Sob o programa temático Ciência, Tecnologia e Inovação, o Plano Plurianual 2016-2019 garante para políticas de inovação 2% da distribuição do crédito e das fontes extraorçamentárias e 9% do gasto tributário, conforme demonstram as figuras 1 e 2, o que corresponde ao valor global de 7% do orçamento total previsto para o período. Menciona-se ainda, pelo volume expressivo, as linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES para o crédito à inovação através das atividades de ensino, pesquisa e extensão previsto no âmbito da Financiadora de Estudos e Projetos - Finep, no valor de R$ 21,9 bilhões, bem como as metas voltadas "ao apoio, via recursos de crédito ou de participação acionária para 1.000 micro e pequenas empresas de base tecnológica e ao estímulo a 1.250 empresas a cada ano a realizarem 40 atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação via incentivos fiscais (Ibid., p. 58.) Nas descritivas, o plano faz alusão à inovação nas áreas da produção audiovisual e para a expansão na produção de insumos para o Sistema Único de Saúde - SUS(Ibid., p. 73). Para além, salienta a importância da inovação para a sustentabilidade dos sistemas produtivos da agricultura familiar (Ibid., p. 75-76) e a necessidade de fomento a uma maior participação de meninas, jovens e mulheres em áreas científicas, tecnológicas e de inovação (Ibid., p. 86). Por fim, o Plano Plurianual de 2016 - 2019 também visa promover a inovação, o desenvolvimento tecnológico e a competitividade da indústria nacional de telecomunicações (Ibid., p. 128) e de energia elétrica (Ibid., p. 132), no desenvolvimento da atividade mineral (Ibid., p. 133-134-135.), da indústria nacional (Ibid., p. 144), da indústria de petróleo e gás(Ibid., p. 145), zona costeira e Antártida (Ibid., p. 196), programa espacial (Ibid., p. 198) e programa nuclear (Ibid., p. 201). Figura 1 – PPA 2016 a 2019 - Distribuição do Crédito e Demais Fontes Extraorçamentárias por Programas Temáticos (%) Fonte: Fonte:SIOP/Ministério do Planejamento Ao tratar exclusivamente da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Plano Plurianual garante que: (Esta agenda) tem papel central na promoção do desenvolvimento socioeconômico dos países, sobretudo no cenário mundial contemporâneo, marcado pela crescente exigência de ganhos de produtividade e competitividade. Nesse sentido, o investimento contínuo em Ciência, Tecnologia e Inovação, aliado à formação, capacitação e aperfeiçoamento de recursos humanos constituem demandas prioritárias às quais o Estado deve buscar atender. Ações de política pública nessa área são necessárias a qualquer país que deseja enfrentar as exigências do processo produtivo crescentemente globalizado, intensivo em conhecimento, altamente dinâmico e competitivo. Também é imprescindível que o Estado estimule a formação e o fortalecimento da inovação nas empresas e nos demais entes públicos ou privados, a constituição e a manutenção de parques e polos tecnológicos e ambientes promotores da inovação, a criação, a absorção, a difusão e a transferência de tecnologia. (Ibid., p. 160) Aponta a importância do estreitamento entre a produção científica e o desenvolvimento 47 • A primeira geração de métricas reflete uma concepção linear de inovação com foco em insumos para a inovação, como investimento em Pesquisa e Desenvolvimento - P&D; • A segunda geração complementa os indicadores de insumos com resultados obtidos nas atividades de aquisição tecnológica e de vendas; • A terceira geração é ampliada em um conjunto mais rico de indicadores e índices de inovação e a integração de dados públicos; •As métricas da quarta geração são baseadas na economia em rede e no conhecimento. Quadro 1 – Evolução das medidas da inovação através das gerações Primeira Geração Segunda Geração Terceira Geração Quarta Geração Indicadores de insumos (1950-60) Indicadores de resultados (1970-80) Indicadores de inovação (1990s) Indicadores de processos (2000) Despesas com P&D; Pessoal capacitado; Capital; Intensidade tecnológica Patentes; Publicações; Produtos; Qualidade; Mudança Pesquisas em inovação; Indexação; Comparação das capacidades inovativas Conhecimento; Intangíveis; Ligações; Demanda; Agrupamentos; Técnicas de gestão; Risco/Retorno; Dinâmicas sistêmicas Fonte – (MILBERGS; VONORTAS, 2004). Traduzido pelo autor. A primeira geração de métricas reflete uma concepção linear de inovação, conforme discutida no Capítulo 2.2, com o foco em insumos para a inovação, como investimento em P&D, gastos com educação, gastos de capital, quantitativo de pessoal em equipes de pesquisa, graduados em universidades na empresa, intensidade tecnológica e afins. A segunda geração complementa os indicadores de insumos com os resultados intermediários das atividades de vendas e tecnológicas. Exemplos típicos incluem contagens de patentes, publicações científicas, quantitativos de novos produtos e processos, bem como o comércio de alta tecnologia. A terceira geração acrescenta um conjunto mais rico de indicadores e índices de inovação baseados em pesquisas de campo e na integração de dados disponíveis publicamente, com foco na classificação da capacidade de inovação entre nações e a comparação entre as mesmas. Todas essas gerações de indicadores se encaixam no clássico modelo econômico de uma função de produção Y=f(x) , onde x refere-se ao conjunto de insumos e Y o resultado do processo de inovação. A parte central da equação (em função de, f ), que lida com a transformação de uma variável à outra, mantêm-se intocada em termos de indicadores significativos (MILBERGS; VONORTAS, 2004). Soma-se à isso a dificuldade destas gerações em validar as comparações internacionais de dados e de incorporar as inovações no setor de serviços, onde o processo é o produto. Neste século, uma nova geração de indicadores de inovação é proclamada, e que envolve índices de sustentabilidade econômica, ambiental e social, conforme sugere Hervani, Helms e Sarkis (2005), Calik e Bardudeen (2016) e Hao, Ark e Ozyildirim (2017). 48 Geralmente, métricas sistêmicas de inovação capturam o contexto no qual as organizações formam e combinam expectativas e capacidades para inovar. Centenas de indicadores poderiam ser imaginados, mas para esta pesquisa são necessários indicadores que: (a) descrevam as principais características do sistema de inovação e sua dinâmica; e (b) prevejam prováveis caminhos do desenvolvimento na esfera da inovação em cultura. 2.7.3 Indicadores de inovação Sabe-se que a inovação é um conceito amplo e com diversas dimensões. Isto torna a medição da inovação uma tarefa árdua a se realizar (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). Porém, "tem havido, na atualidade, uma necessidade premente de evolução e criação de boas medidas nesse campo"(KON, 2015, p.315). Chen e Sawhney (2008) mostra que existem duas correntes de pesquisa sobre a mensuração da inovação. Um fluxo procura medir a inovação por meio de insumos para a inovação, como a intensidade da Pesquisa e Desenvolvimento, bem como por meio de produtos resultantes dessa inovação. A outra corrente na medição da inovação tem uma visão macro, como os esforços da União Europeia para medir as capacidades de inovação de seus países membros através de medidas econômicas objetivas. Segundo a autora, essas medidas capturam um subconjunto restrito de todas as atividades possíveis da inovação. As formas de medir a inovação mais amplamente utilizadas ainda são bastante relacionadas a um modelo linear, com base apenas nas informações de inovações tecnológicas e tangíveis. Isto direciona as prioridades das políticas públicas a um foco distante das inovações intangíveis e de serviços, em prol da ciência e da tecnologia voltada para a indústria manufatureira (KON, 2015). Sabemos que a inovação nas organizações é mais do que apenas progresso tecnológico. Buscou-se necessário construir nesta pesquisa um quadro de mensuração holístico e abrangente para a inovação, que ultrapasse o modelo linear proposto em meados do século XX. As subseções a seguir lançam luz sobre alguns exemplos de estruturas e modelos de medição da capacidade de inovação de organizações. Essas estruturas representam a base sobre a qual se construiu os instrumentos de medição usados nesta pesquisa. A maioria dessas diferentes estruturas e modelos considera similares dimensões de inovação; no entanto, elas fornecem diferentes perspectivas de foco e de como visualizar o processo de inovação. 2.7.3.1 Cadeia de valor da inovação Hansen e Birkinshaw (2007) recomendam pensar a inovação como uma cadeia de valor. A visão da cadeia de valor da inovação apresenta a inovação como um processo sequencial, de três fases: envolve a geração de ideias, seu desenvolvimento e a difusão do que foi desenvolvido. A figura 3 as ilustram. Embora desenvolvida inicialmente por Hansen e Birkinshaw (2007) como uma ferra- 49 Figura 3 – Cadeia de valor da inovação C onversão Difusão Seleção: Filtro e Investimento Desenvolvimento Ideia ao resultado Disseminação dentro da organização e fora dela Modelos de perguntas Local / Interno Interno / colaboração entre setores Colaboração externa Modelos de indicadores Criamos boas ideias entre todas as pessoas da organização? Conseguimos difundir as ideias na organização? E fora dela? Temos inspirações suficientes fora da organização? Geração da Ideia Transformamos a ideia em produto, prática ou serviços? As pessoas do nosso entorno tem boas ideias? Número de boas ideias geradas entre grupos Indice de alcance dos mercados desejados, canais de distribuição ou grupo de usuarios; meses até distribuição Número de boas ideias geradas com fontes externas Porcentagem de ideias selecionadas e financiadas Porcentagem de ideias que geraram lucro, tempo até venda Número de ideias geradas em um grupo Conseguimos selecionar e investir em novas ideias? Fonte – Hansen e Birkinshaw (2007, p.24). Traduzido pelo autor. menta de diagnóstico para as corporações avaliarem suas capacidades inovadoras, Roper, Du e Love (2008) estendem e formalizam o trabalho através de uma modelagem econométrica. Essa abordagem de modelagem formal fornece uma estrutura de interpretação que reflete três atividades de inovação: • Acesso ao conhecimento: processo colaborativo de criação ou troca de conhecimento para inovação, que pode envolver atividades internas de P&D com fontes externas de conhecimento. • Construção da inovação: envolve a transformação do conhecimento. Esse elemento da ferramenta pode pode ser medido, por exemplo, pelo uso de equipes com múltiplas habilidades dentro de uma organização, bem como parceiros externos no processo de construção dessas inovações. Neste estágio, a ferramenta captura taxas e intensidades de diferentes tipos de inovação, como atividades organizacionais e de marketing. • Comercialização da inovação: processo através do qual as inovações são traduzidas em ganhos de produtividade, relacionamentos ou vendas. Pode incluir diferentes métricas, como formas de envolvimento com o cliente, gastos internos com reputação e valorização da marca e o uso de proteção à propriedade intelectual. 2.7.3.2 Funil da inovação Morris (2008) propõe um quadro de medição chamado Funil da Inovação, ao longo do qual as empresas desenvolvem ideias/projetos de inovação, eliminam ideias/projetos menos promissores ao longo do processo e transformam o restante das ideias/projetos em inovações de sucesso. Este quadro lista nove estágios de inovação: pensamento estratégico, gerenciamento de portfólio e métricas, pesquisa, ideação, percepção, direcionamento, desenvolvimento da inovação, 50 desenvolvimento de marketing e vendas. O processo é ilustrado como um funil, conforme ilustra a Figura 4. Figura 4 – Funil da Inovação 1. Pensamento Estratégico 2. Ideação 0. Gerenciamento de Portfólio e Métricas 1. Pesquisa 3. Percepção 4. Direcionamento 7. Vendas 6. Desenvolvimento de Marketing 5. Desenvolvimento da Inovação Entradas (Input) Processo Saída (Output) Fonte – Morris (2008). Traduzido pelo autor. O modelo pode ser dividido em três partes distintas. A parte 1 inclui estratégia, portfólio e métricas, as entradas ou os insumos – inputs – que definem o escopo, o contexto e as estruturas para inovação. A parte 2 é o próprio processo de inovação, que inclui pesquisa, ideias, percepção, direcionamento, desenvolvimento de inovação e desenvolvimento de mercado. A Parte 3 é a saída, venda, o resultado do processo de inovação. Este gera valor econômico para as organizações que o criam e gerenciam. O autor sugere a interação constante entre as pessoas que trabalham nos diferentes estágios, à medida que aprendem coisas e compartilham o aprendizado entre si. As métricas propostas para medir cada estágio são de dois tipos: as métricas suaves são qualitativas, na forma de perguntas provocativas com o objetivo de levar as pessoas a pensar mais efetivamente sobre o trabalho que estão fazendo. As métricas duras são quantitativas e passíveis de análise estatística. 2.7.3.3 Diamante da Inovação Esta estrutura de auditoria da inovação é proposta por Tidd, Bessant e Pavitt (1997) e considera as 5 dimensões a seguir para a avaliação da inovação: • A dimensão estratégica inclui o processo de planejamento estratégico, a prioridade da estratégia de inovação e a implementação da estratégia; • A dimensão do processo inclui o gerenciamento de processos internos, o processo de desenvolvimento de novos produtos/processos e a integração das necessidades dos clientes no processo; 51 Figura 5 – Diamante da inovação Estratégia Processo Organização Ligaçoes Aprendizagem 1 2 3 4 5 Fonte – Tidd, Bessant e Pavitt (1997) e Hao, Ark e Ozyildirim (2017) •A dimensão organizacional mede a comunicação de ideias inovadoras; • A dimensão de ligação mede o relacionamento com fornecedores, clientes, universidades etc.; • A dimensão de aprendizagem mede o treinamento de funcionários, suas ligações, aprendizado com sucessos e fracassos e comunicações sobre esses aprendizados. Cada uma das dimensões mencionadas é medida por um conjunto de perguntas para avaliar o desempenho da organização ao longo da dimensão estudada. O modelo Diamante de Tidd, Bessant e Pavitt (1997) tem como característica principal avaliar os recursos e o potencial inovador das iniciativas pesquisadas (HAO; ARK; OZYILDIRIM, 2017). Para a representação e comparação de entidades descritas por múltiplos atributos, é utilizado um diagrama de Kiviat com as dimensões propostas dispostas nos eixos principais do gráfico, conforme ilustra a figura 5. 2.7.3.4 Radar da inovação O radar da inovação é uma abordagem prática e robusta para a mensuração da inovação empresarial, desenvolvida pelos pesquisadores da Kellogg School of Management. Com base nos hábitos de inovação de empresas como Boeing, Microsoft e DuPont, Mohanbir Sawhney, diretor do Centro de Pesquisa em Tecnologia e Inovação da Kellogg School of Management, em colaboração com os colegas Robert C. Wolcott e Inigo Arroniz, apresentam uma ferramenta para a gestão da inovação descrita pela primeira vez na edição de primavera de 2006 do MIT 52 Sloan Management Review, e posteriormente revista na mesma publicação em 2008 e 2013, com ajustes e melhoras propostas pelos autores (CHEN; SAWHNEY, 2008). A ferramenta possui teste e documentação estatística em 40 empresas dos Estados Unidos da América. Aborda uma visão holística da inovação e apoia com evidência empírica o fato de que as empresas que adotam uma perspectiva de modelo de negócios inovador superam as empresas que focam mais estreitamente apenas na inovação de produtos ou processos (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). O radar apresenta uma topologia que serve como âncora dos indicadores: •Ofertas que a organização cria - O QUÊ; •Clientes a que serve - QUEM; •Processos que se utiliza - COMO; • Pontos de presença usados para apresentar seus produtos/serviços para o mercado desejado - ONDE. Figura 6 – Radar da Inovação: disposição de 3 organizações Tecnologia Produtos Plataformas Soluções Cliente Interação Design Presença Processos Organização Fornecedores Ecossistema 12345 Fonte – Chen e Sawhney (2008). Traduzido pelo autor Espalhadas por esses quatro principais marcos, as organizações podem inovar em seus negócios sob um escopo mais amplo do que apenas o produto ou a inovação tecnológica: uma empresa pode inovar em 12 dimensões diferentes, derivadas do que os autores chamam de tricotomia de estratégias de inovação: estratégia de inovação que fornece o valor funcional; 53 (b) estratégia de inovação que crie valor emocional; e (c) estratégia de inovação que oferece valor econômico (CHEN; SAWHNEY, 2008). A dimensão funcional compreende indicadores de tecnologia, produtos, plataformas e soluções inovadoras. A dimensão emocional compreende o cliente, a interação com este cliente, o design dos produtos ou serviços e a presença das inovações com a consumidor. Já a dimensão econômica compreende os processos, a organização da gestão, a cadeia de fornecedores e o ecossistema inovador da organização. As questões são respondidas em uma escala de 0 a 5, e o resultado expresso em gráficos Kiviat como os da figura 6, conforme sugerido pelo Diamante da Inovação. Mais do que apontar um ranking competitivo em busca da inovação, o radar permite que as organizações possam compreender as diferentes áreas em que inovam, e como podem ampliar ações inovadoras nas diferentes dimensões de atuação. Ainda mais, como argumenta Gamal, Salah e Elrayyes (2011), o Radar da Inovação ajuda a amplificar a inovação nas empresas e mostrar que "a inovação é sobre a criação de novos valores, não a criação de novos produtos". 2.7.3.5 Gerenciamento da inovação em uma cadeia verde Indicadores para o gerenciamento de uma cadeia verde de inovação são propostos por Hervani, Helms e Sarkis (2005) em um artigo publicado no despontar do milênio. O trabalho procura integrar em uma só ferramenta indicadores de gerenciamento da cadeia de suprimentos, gerenciamento ambiental e gerenciamento de desempenho em uma organização (HERVANI; HELMS; SARKIS, 2005). Tabela 2 – Dimensões da inovação em uma cadeia verde Dimensão Indicadores Ambiental air emissions; receiving streams and water bodies; underground injection on-site; releases, discharges and off-site transfers; energy recovery; recycling or reuse; treatment; non-production releases; source reduction activities; spill and leak prevention; Gerencial inventory control; publicly available missions and values statement(s); raw material, products and process modifications; pollution prevention opportunity audits; materials balances audits; participative management; environmental compliance; site remediation costs, magnitude and nature of penalties for non-compliance and environmental liabilities under applicable laws and regulations; Social social and environmental performance; awards received; life cycle of products and services; formal, written commitments; prevent or minimize potentially adverse impacts of products and services; products or services with reduced adverse life cycle impact Fonte – Construído pelo autor com base em Hervani, Helms e Sarkis (2005). O modelo, focado na indústria, fornece uma dispersa estrutura avaliação de desempenho de gerenciamento de organizações com foco na sustentabilidade. É composto por uma só dimensão de análise, que concilia o ambiental, o gerencial e o social. Pela especificidade dos termos e a grande miríade de indicadores, preferimos manter o nome das dimensões em sua língua original. A Tabela 2 classifica os indicadores propostos nas dimensões defendidas no estudo. 54 2.7.3.6 Escala de desempenho da inovação sustentável em organizações de manufatura O modelo proposto por Calik e Bardudeen (2016) para a indústria de manufatura sugere 3 aspectos ou dimensões para a análise da inovação: a social, a ambiental e a econômica. Dentro destas, 15 medidas, sendo 5 medidas para cada dimensão, são propostas para avaliar processos e produtos sustentáveis, conforme apresentados na Tabela 3. Importante notar como a última medida de uma dimensão se relaciona diretamente com a primeira medida da dimensão seguinte. Tabela 3 – Dimensões da escala de desempenho da inovação sustentável Aspecto Subgrupo Tipo de inovação Econômico Gastos com inovação; Produto / processo Novos produtos sustentáveis; Produto Patente ou citações em sustentabilidade; Produto / processo Novos processos sustentáveis; Processo Uso de matéria prima; Produto / processo Ambiental Uso de energia; Produto / processo Uso de outros recursos; Produto / processo Descarte, emissões e poluição; Produto / processo Gerencia de ciclos de vida; Produto / processo Certificações Ecológicas; Produto / processo Social Saúde e segurança; Produto / processo Qualidade e durabilidade; Produto Gerenciamento de descarte; Produto Certificações; Processo Ergonomia; Produto / processo Fonte – Calik e Bardudeen (2016). Traduzido pelo autor. 2.7.3.7 Sinalizadores da inovação Hao, Ark e Ozyildirim (2017) propõe uma ferramenta que se destina a educar e orientar o processo pelo qual uma empresa incorpora atividades inovadoras em seus objetivos e estratégias para impulsionar a criação de valor dentro da organização. Mais que uma ferramenta de análise, se pretende como uma ferramenta de educação. Uma literal pesquisa-ação. O modelo proposto é dimensionado através de sinalizadores, como exemplifica a Tabela 4: Tabela 4 – Sinalizadores da inovação Sinalizador Insumos Tecnologia Pesquisa e Desenvolvimento Digitalização Investimento em tecnologias da informação Sustentabilidade ambiental e social Investimento operacional em sustentabilidade Marca e experiência do cliente Investimentos em publicidade e marketing Redes internas de inovação Investimentos em projetos de inovação Ecossistemas externos de inovação Acesso a capital de risco, relações com governo, pesquisa e educação e acesso a financiamento Lucro e Receitas Orçamento para a inovação Fonte – Hao, Ark e Ozyildirim (2017). Traduzido pelo autor. 55 2.7.3.8 Manual de OSLO É uma das estruturas de medição de inovação mais influente da atualidade. Suas origens remontam ao Manual Frascati da OCDE, que fornece diretrizes de medição de Pesquisa e Desenvolvimento a nível nacional desde a década de 1960. O Manual de OSLO orienta pesquisas sobre inovação em mais de 80 países desde a década de 1990 (HAO; ARK; OZYILDIRIM, 2017). Propõe uma estrutura de medição que inclui a empresa como parte de um sistema de inovação (Figura 7). Segundo esta estrutura, uma empresa realiza quatro tipos de inovações: produto, processo, marketing e estruturas organizacionais. O sistema de inovação que impacta a empresa inclui demanda, outras empresas, sistema educacional e de pesquisa pública, políticas de inovação e infraestrutura, e instituições. Nesse âmbito, mede 7 tipos de atividades para inovações de produtos e processos: Figura 7 – Esquemática do Manual de OSLO indicadores da organização inovação de produtos inovação de processos inovação em marketing inovação organizacional indicadores institucionais e de infraestrutura demanda indicadores de políticas para a inovação indicadores de sistemas públicos de educação e pesquisa indicadores de outras organizações Fonte – Gamal, Salah e Elrayyes (2011). Traduzido pelo autor. •Pesquisa e Desenvolvimento intramural (interno); •Aquisição de Pesquisa e Desenvolvimento; •Aquisição de outros conhecimentos externos; •Aquisição de máquinas, equipamentos e outros bens de capital; •Outros preparativos para inovações de produtos e processos; •Preparações de mercado para inovações de produtos; 56 •Treinamento. A estrutura fornecida no Manual representa uma integração de percepções de diferentes teorias da inovação, e apresenta diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre a inovação que possibilitam sua comparação internacional. Foi construída sob a orientação conjunta da OCDE e do Gabinete de Estatísticas da União Europeia - Eurostat. Sua terceira edição é resultado de um processo colaborativo de três anos que envolveu o Grupo de Peritos Nacionais em Ciência e Tecnologia da OCDE e o Grupo de Trabalho do Eurostat sobre Estatísticas da Ciência, Tecnologia e Inovação (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). 2.7.3.9 IMP3rove - Europe Innova O projecto IMP 3 rove foi criado pela Comissão Europeia com o objetivo de melhorar o desempenho da gestão da inovação de pequenas e médias empresas. O projeto começa com uma análise das melhores práticas existentes em ferramentas de gestão de inovação e uma auto-avaliação em empresas da Comunidade Europeia. Os resultados são avaliados anualmente pelo consórcio europeu que orienta a pesquisa. Propõe medir constantemente o desempenho dos fatores chave para o sucesso do gerenciamento da inovação. Envolve as dimensões da estratégia de inovação, organização e cultura, além do gerenciamento do ciclo de vida da inovação, que inclui gerenciamento de ideias, desenvolvimento de produtos, processos de lançamento e melhoria contínua. As dimensões da inovação conforme proposto pelo programa são: • Estratégia de Inovação: visão e foco estratégico em inovação, implementação de estratégias; • Organização e Cultura: papéis e responsabilidades, estrutura, cultura e ambiente organizacional; • Processo de ciclo de vida da inovação: gestão de ideias, desenvolvimento de processos, produtos e serviços; • Habilidades: gerenciamento de projetos, recursos humanos, incentivos, tecnologias da informação, gestão do conhecimento e resultados da inovação Estas são, segundo Gamal, Salah e Elrayyes (2011), as características fundamentais do programa IMP 3 rove, que defende a avaliação da Gestão da Inovação como um fator-chave para a competitividade das micro e pequenas empresas. Mais de 3000 entidades participam ou já participaram da avaliação (HAO; ARK; OZYILDIRIM, 2017). O programa é composto por questionário online, resultado de performance das entidades, serviços de consultoria e busca pela melhoria contínua da gestão da inovação nas organizações. Seus relatórios comparativos 63 entidades e processos de medidas selecionadas com foco em um determinado setor organizacional devem ser considerados. Se as estratégias de inovação estão no centro do interesse de políticas públicas, a capacidade de inovação é a questão mais importante para o desenho de uma pesquisa. No caso das organizações objetos desta pesquisa, centros culturais com inserção social, mensurar a capacidade de inovação das entidades é a questão mais importante deste trabalho. Muitas dificuldades estão envolvidas na mensuração das capacidades de inovação, uma vez que é necessário medir o conhecimento que não está codificado, mas armazenado nas mentes dos indivíduos ou nas rotinas organizacionais. Ao mesmo tempo, não é fácil obter a troca confiável de conhecimento com outros agentes ou dados de empresas sobre organizações. (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). No entanto, uma métrica de inovação equilibra precisão, longevidade, comparabilidade e facilidade de coleta (SHAW; BRUIN, 2013), para medir com precisão o que for necessário de acordo com a atual fase de inovação de um determinado setor, e deve ser realizada de forma consistente durante um longo período de tempo, e permitir comparações entre a mesma organização e entre organizações. Hao, Ark e Ozyildirim (2017) também afirmam que uma ferramenta para mensurar a inovação deve ser projetada com o intuito de: • Gerar valor para a empresa pesquisada (através de uma ferramenta de auto-avaliação: somente se o usuário considerar a ferramenta valiosa é que se pode aumentar sua a aceitação); •Fornecer a gestores públicos informações para o apoio à tomada de decisão; • Enfocar na capacidade do processo de inovação bem como em seus fatores capacitadores, e não em um tipo determinado de inovação; •Fornecer informações detalhadas sobre o que impede a inovação dentro da organização; •Ser simples e eficaz, como uma ferramenta online; •Ter os resultados da medição confidenciais. Nos países em desenvolvimento, a prioridade para medir a capacidade de inovação de organizações deve também mensurar as conexões destas organizações. A fim de permitir a ponderação das diferentes ligações da companhia, para que se estabeleça uma matriz de agentes de ligação e tipos de ligação (incluindo fontes de informação abertas, aquisição de conhecimento e tecnologia e cooperação para inovação, suplementada por atividades como acesso a novas fontes de financiamento e informações comerciais) (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011). Além, a medição da inovação deve produzir resultados comparáveis aos obtidos pelos países desenvolvidos para comparação analítica e para o envolvimento em índices internacionais (HAO; ARK; OZYILDIRIM, 2017). 64 Com base nas argumentações até aqui expostas, é possível estabelecer critérios mínimos para investigar o grau de inovação em centros culturais comunitários como os Pontos de Cultura. 3.3.1 Conceito de inovação Propõe-se para este estudo uma definição que respeite o fato da inovação ser uma atividade complexa e multidimensional, que não pode ser medida diretamente ou com um único indicador e, portanto, necessita de uma medida composta que reflita a capacidade inovadora das organizações estudadas para comparações, diagnósticos e apoio à construção de práticas de inovação nas mesmas. Prefere-se assim a adoção de uma definição ampla, onde inovação é a introdução de um novo processo, serviço, produto ou de um determinado modelo de negócio, seja pela utilização ou pela comercialização, que resulte em transformações positivas no ambiente envolvido. Por isso, engloba a inovação de produtos, inovação de serviços, inovação de processos, inovação de modelos de negócios e a inovação de modelos sociais. 3.3.2 Atributos da Inovação Antes de discutir medidas que mensurem a inovação, é importante estabelecer quais os atributos da inovação. Dentre os atributos discutidos na literatura, se destacam (STONE; SHIPP; LEADER, 2008): • Atributo 1: a inovação envolve a combinação de insumos na criação de resultados. Algo novo é criado durante a inovação. Certos insumos cruciais devem estar disponíveis para que a inovação ocorra; • Atributo 2: insumos para a inovação podem ser tangíveis e intangíveis. Insumos tangíveis têm uma incorporação física e custo determinado. Insumos intangíveis não possuem uma incorporação física, mas podem ter custo. Os insumos intangíveis são comumente referidos na literatura econômica como ativos de conhecimento e na literatura de gestão de negócios como ativos intelectuais. • Atributo 3: o conhecimento é um insumo fundamental para a inovação. A inovação envolve a aplicação de conhecimento em atividades criativas. A inovação não pode ocorrer sem a compreensão dos recursos, ferramentas, tecnologias, materiais, mercados e necessidades do momento em questão. • Atributo 4: insumos para inovação são ativos. Ativos intangíveis são reconhecidos como críticos para o processo de inovação; • Atributo 5: a inovação envolve atividade com o propósito de criar valor econômico ou social - algo que ofereça benefícios aos consumidores e proporcione retorno ao inovador. 65 A comercialização e a difusão - mecanismos pelos quais o consumidor obtém os benefícios da inovação e o inovador obtém o retorno - são também fundamentais para o processo inovador; • Atributo 6: a inovação é um processo complexo que não é facilmente reduzido a elementos mensuráveis, nem é linear. Muitas vezes é iterativo - os resultados das primeiras atividades tornam-se insumos para processos posteriores. A dinâmica não linear caracteriza toda a cadeia de valor da inovação de ponta a ponta; • Atributo 7: os resultados da inovação são imprevisíveis porque a inovação é complexa, não linear e arriscada. Responde a oportunidades e inerentemente inclui aspectos de serendipidade; • Atributo 8: o conhecimento é um resultado fundamental da inovação. Quaisquer que sejam os resultados da inovação, eles incorporam o conhecimento da organização a partir de sua incorporação; • Atributo 9: o impulso para a inovação deve incluir a consideração da demanda, que determina a taxa de investimento e a difusão de novos produtos, processos ou serviços. 3.3.3 A estrutura da coleta de dados A estrutura da coleta está organizada em dois questionários online com 45 perguntas no total. Busca-se adaptar as dimensões abordadas nos modelos apresentados, enfatizadas pelos argumentos expostos na seção 3.3. As questões foram elaboradas em parceria entre o Núcleo de Inovação, Empreendedorismo e Sustentabilidade da Universidade Federal de Pernambuco e pela Diretoria de Formação da Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado de Pernambuco. Na combinação de dimensões de diferentes modelos, são delimitados os principais aspectos para a avaliação da inovação nos Pontos de Cultura. Cada dimensão pode ser avaliada por um conjunto de perguntas que abordam diretamente os principais indicadores para essa dimensão conforme a Tabela 5. Indicadores de sustentabilidade ambiental foram minimizadas, mesmo que não suprimidos, a favor das dimensões relacionadas ao aspecto social da sustentabilidade, dada a especifidade desse grupo sob investigação. Possui também questões para informações sobre o perfil da entidade e de sua infra-estrutura humana, organizacional, financeira e de parcerias internas e externas. Os indicadores referentes a cada dimensão em análise estão dispostos em formulário online e listados no Apêndice A. Todas as questões possuem uma métrica para as respostas compreendidas dentro de uma escala como proposta por Likert (1932), com uma variação de 1 a 5, sendo sempre a de valor = 1 correspondente à menor escala de valor ou o resultado mais negativo e o valor = 5 correspondente 66 Tabela 5 – Dimensões da análise de inovação em organizações culturais Dimensão Definição Origem Oferta Desenvolver produtos e serviços de caráter inovador e sustentável Radar; OSLO Diversificação Capacidade de diversificação de produtos Funil; OSLO Propriedade Intelectual Refere-se ao reconhecimento e proteção ou compartilhamento dos bens imateriais Cadeia de valor; Funil; OSLO Frequentadores Identificar novos clientes e nichos de mercado Radar; Sinalizadores Relacionamento Relaciona-se com a experiência com agentes externos Diamante; Cadeia verde; Sinalizadores; OSLO Agregação de valor Como o valor é agregado aos produtos Cadeia de valor; OSLO Processos Moldes processuais de gestão e eficiência operacional Funil; Diamante; Cadeia verde; escala de desempenho; OSLO Organização Referente à estrutura organizacional Diamante; Cadeia verde, Escala de desempenho, OSLO Presença Refere-se a difusão dos produtos em diferentes pontos e novos mercados Cadeia de valor; Funil; Radar Ambiência Inovadora Relaciona-se ao capital intangível humano da organização, o aprendizado e a cultura de inovação Cadeia de valor; IMPR3ove; Sinalizadores; OSLO Fonte – Produzida pelo autor. à maior escala/resultado mais positivo em relação à questão. Todas as questões contam com um campo descritivo, para uma análise qualitativa de cada dimensão. É disponibilizado na rede mundial de computadores através da ferramenta Google Forms 1 . Esta é uma ferramenta técnica de coleta de informações fácil e direta. Os formulários são verificados pelo endereço de correio eletrônico do entrevistado, e é conectado automaticamente a uma planilha digital. Quando o formulário é preenchido, as respostas dos destinatários são coletadas em tempo real nesta planilha. Optamos pelo uso da ferramenta pois "facilita a coleta dos dados, sua análise e posterior compreensão"e permite "trocar impressões e opiniões, além de enriquecer a pesquisa"(FALCO; CASTANHEIRA, 2012, p.28). O formulário possui também um número de questões abertas e fechadas para coleta de dados sobre o perfil sócio-econômico da organização. Estes indicadores também estão elencados no Apêndice A. 3.3.4 Teste de aplicação e correções O questionário foi testado em campo em duas organizações da Região Metropolitana do Recife, com aplicação presencial em entrevista semi-estruturada com gestores responsáveis. O tempo médio para o total preenchimento do formulário foi de 45 (quarenta e cinco) minutos. A aplicação resultou em pequenos ajustes no questionário para facilitar seu preenchimento e na criação de uma agenda de visitas. 1http://forms.google.com 67 3.3.5 Demais ferramentas para a pesquisa de campo Esta seção visa apresentar demais processos e ferramentas utilizadas para a gestão das informações, coleta de dados e logística de visitação às entidades. O uso das ferramentas de comunicação providas sem custo financeiro pela empresa Google, Inc. e pela Automattic Inc. – desenvolvedora do WordPress.com – se mostra útil para prover a agilidade necessária às visitas em campo. Agendas de compromissos, Formulários e Mapas online, além da ferramenta de email, foram fundamentais nesse processo. 3.3.5.1 Plataforma online Como forma de aproximar as pessoas ligadas às instituições e pesquisadores, existe uma plataforma online no endereço http://economiadaculturape.wordpress.com. Nela estão agrupados textos sobre a pesquisa, um mapa georeferenciado com todos os pontos de cultura do Estado e seus contatos, uma pequena bibliografia de referência e link para o questionário online. A ferramenta serve como uma ferramenta de comunicação do projeto, responsável por disponibilizar informações para os envolvidos na pesquisa. 3.3.5.2 Cartografia Uma das estratégias traçadas para materializar a pesquisa em campo é um mapa georeferenciado na plataforma Google Maps para facilitar o deslocamento da equipe em campo, o agendamento das visitas e o contato com as organizações pesquisadas. Além de facilitar a logística, a cartografia em mapas afetivos atrai um grande potencial de pesquisadores por "acelerar a curva de aprendizagem sobre os projetos ao explorar diferentes tecnologias e técnicas em ferramentas fáceis de manipular e de compartilhar"(BREWER, 2016, p.203). O mapa pode ser acessado em https://economiadaculturape.wordpress.com/mapa-dospontos/. 3.3.5.3 Agenda Uma agenda de visitas compartilhada com todos envolvidos com a pesquisa também se mostra fundamental para dinamizar o processo de visitas à campo. A intenção é deixar evidente datas e horários de visita às entidades, associada aos recursos de notificação disponíveis no aplicativo Google Agenda nos aparelhos celulares dos envolvidos na pesquisa. 3.3.6 A coleta de dados Nesta seção abordaremos os passos para a coleta dos dados através da plataforma digital e in-loco. A coleta propriamente dita se inicia com telefonemas prévios para agendamento de visita e troca de informações sobre a pesquisa, perpassa o envio de questionário para auto-avaliação online através de endereço eletrônico e posterior entrevista in-loco. 68 Figura 11 – Mapa dos Pontos de Cultura de Pernambuco produzido pelo autor Fonte – Produzido pelo autor 3.3.6.1 Telefonemas Antes de realizar as visitas em campo, são realizados telefonemas para as entidades com o objetivo de explicar o projeto, descrever os questionários, confirmar visitas e sanar dúvidas. Essa fase é crucial para o melhor funcionamento da logística de visitas. Preferencialmente, é pedido que o questionário seja respondido por gestores da organização ou, na sua falta, por outra pessoa que atue de forma direta na gestão da entidade pesquisada. Interessante notar que nas regiões do Agreste e Sertão, o cronograma foi facilmente acordado com as entidades entrevistadas, porém na Região Metropolitana do Recife - RMR, houveram constantes remarcações de agenda. Também na RMR uma das entidades se recusou a responder à pesquisa, o Clube Carnavalesco Misto Seu Malaquias. 3.3.6.2 Correios eletrônicos com os questionários prévios às visitas Além das ferramentas aqui citadas no Capítulo 2.7.3, outras ações de mensuração da inovação utilizam como método o envio prévio de um formulário para auto-avaliação por email. Dois exemplos são o InnoCERT Malaysia, uma certificação baseada na autoavaliação da organização em um plataforma web e, após, por meio de auditoria no estabelecimento (GAMAL; SALAH; ELRAYYES, 2011); ou o Innobiz Korea, que também acontece em duas fases, com um auto-diagnóstico online e um acompanhamento posterior no local. Sob esta perspectiva, são enviadas mensagens de correio eletrônico para gestores das entidades sob o foco da pesquisa. As mensagens eletrônicas explicam o projeto e possuem uma ligação para o formulário online, a 69 fim de que sejam preenchidos pela própria organização antes de receberem uma visita in-loco de um pesquisador. Conforme afirma Roper, Du e Love (2008), há uma clara relação entre o acesso ao conhecimento e o aumento da inovação e da produtividade dos negócios mesmo com pequenas variações de vínculos. Assim, há evidências de uma cadeia de relação entre as atividades de inovação das empresas baseadas também em suas atividades de auto conhecimento. O envio prévio do questionário para ser respondido pela gestão da entidade cumpre essa função de despertar as questões a partir do núcleo gestor das entidades, e contribui ao mesmo tempo para o levantamento de dados e para o auto conhecimento da entidade pelos seus gestores. 3.3.6.3 Visita em Campo Na visita in-loco, são realizadas entrevistas semi-estruturadas para uma captura qualitativa de dados, a partir do envolvimento de entrevistador/entrevistado, e que resultam num refinamento das respostas e uma análise qualitativa por parte do entrevistador, com anotações sobre questões pertinentes à pesquisa, que podem ser observadas no Apêndice C. As entrevista são guiadas pelo questionário online. O entrevistador possui um dispositivo móvel conectado à internet via banda larga 4G nas visitas em campo. Quando os formulários não são previamente preenchidos pela gestão da identidade, as questões são respondidas conjuntamente pela gestão e entrevistador. Caso a resposta in-loco para o entrevistador seja dieferente da que já se encontra no questionário online respondido previamente, valores são revalidados em comum acordo entre entrevistador e entrevistada. As rotas percorridas nas visitas in-loco podem ser vistas no Apêndice B. Fotografias de alguns dos Pontos de Cultura visitados podem ser acessadas no Apêndice D 70 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Buscou-se identificar as dimensões do radar de inovação, conforme descrito no Capítulo 2.7.3.4 que possam ser trabalhadas para que os Pontos de Cultura identifiquem que competências devem ser desenvolvidas com vistas ao reconhecimento da atividade cultural atribuindo o valor adequando as suas características diferenciadoras das demais no mercado da economia criativa. O programa Cultura Viva tem o intuito de aumentar o acesso da população aos produtos e serviços culturais. Para conseguir esse fim é preciso que os negócios culturais tenham condições de atender esse público. A capacidade de inovar e gerir esta inovação são pressupostos para a manutenção sustentável do empreendimento e sua efetividade social. Para mensurar tais perspectivas, utilizou dos questionários como descritos no Capítulo 3.3 e análisados através de radares de inovação, conforme descritos no Capítulo 2.7.3.4. Os questionários tiveram como intuito entender o grau de inovação das instituições e de auxiliar na construção dos radares. Desse modo, essa pesquisa baseou-se nos diagnósticos realizados através dos radares de inovação das entidades. Foi composto por dimensões estratégicas e pertinentes para o desenvolvimento de produtos e serviços que tenham diferenciais percebidos pelos clientes, conforme descritos no Capítulo 3.3.3. Assim, com os diagnósticos realizados, sabemos as diferentes intensidades de inovação nas dimensões analisadas com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento das organizações culturais pesquisadas. Das 33 (trinta e três) organizações pesquisadas, 24 responderam ao questionário apresentado, ou seja 72,73% da amostra. Nota-se também que apenas 59,26% deste total responderam sobre os recursos financeiros movimentados pela organização. 4.0.1 Perfil das organizações A figura 12 evidencia a preponderância da formação superior no nível escolar de gestores das entidades. Isso aponta o valor do capital humano no que se relaciona a colaboradores qualificados. Gestores apenas com educação básica representam pouco mais de dez por cento da amostra. Isto desmistifica a ideia de que instituições comunitárias são geridas por pessoas menos capacitadas. As mulheres possuem um papel de liderança nas instituições, uma vez que a participação delas na gestão de um Ponto de Cultura soma 60%. Já nas tomadas de decisão, este valor salta para 76.7%. Apenas 6.7% das entidades não possuem mulheres com participação ativa nos quadros de gestão ou na tomada de decisões, conforme demonstram as Figuras 13 e 14. A figura 15 mostra a abrangência dos pontos de culturas diagnosticados. Pode-se perceber 71 Figura 12 – Proporção da escolaridade dos gestores 22 Médio 65 Superior 13 Básico 0 10 20 30 40 50 60 70 Valores percentuais (%) Fonte: Dados da Pesquisa Figura 13 – Participação de mulheres na gestão de pontos de cultura do PE 60 Muita 33.3 Razoável 6.7 Pouca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Valores percentuais (%) Fonte: Dados da Pesquisa Figura 14 – Participação de mulheres nas tomadas de decisões em pontos de cultura do PE 76.7 Muita 16.7 Razoável 6.7 Pouca 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Valores percentuais (%) Fonte: Dados da Pesquisa que, mesmo com a maior parte tendo uma atuação local, Pontos de Cultura possuem o potencial de nacionalizar e internacionalizar a cultura de Pernambuco. Em relação ao público alvo das organizações, jovens e crianças representam 71,42% dos atendidos, na formação em algum ofício relativo à Economia Criativa ou como frequentadores dos espaços e das atividades. O público idoso representa 17.85% dos frequentadores das atividades e 7.14% das atividades são focadas apenas para mulheres. Mesmo com uma altos índices de atuação internacional, apenas 3.57% das entidades se dedicam aos turistas, conforme demonstra a Figura 16. Dentre os serviços oferecidos, a partir de uma pergunta com possibilidade aberta de respostas, é notado o papel que Pontos de Cultura exercem na formação de jovens e crianças, 72 Figura 15 – Proporção de entidades por abrangência de atuação dos pontos de cultura de PE 33 Local 20 Internacional 20 Nacional 17 Regional 10 Estadual 0 5 10 15 20 25 30 35 Valores percentuais (%) Fonte: Dados da Pesquisa Figura 16 – Público alvo dos pontos de cultura do PE 39.28 Jovens 32.14 Crianças 17.85 Terceira idade 7.14 Mulheres 3.57 Turistas 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Valores percentuais (%) Fonte: Dados da Pesquisa uma vez que 93.3% das organizações oferecem aulas, oficinas e palestras. Eventos e espetáculos representam 53.3% dos serviços oferecidos. Enquanto exercem papel importante na formação de crianças e jovens, Pontos de Cultura poderiam também oferecer eventos e espetáculos internacionalmente. Alimentação regional como serviço se destaca dentre as respostas abertas, com 6.6 pontos percentuais das respostas. Em relação aos recursos movimentados, nem todas as instituições respondem sobre o faturamento com as vendas de produtos e serviços, como demonstra a Figura 18. Acredita-se também que muitas das respostas demonstram que alguns gestores não consideram seu produto vendável, portanto não quantificam seu faturamento. Isto é demonstrado em respostas como "não tem", "sem fins lucrativos", "sem base", "não vendemos produtos nem cobramos por serviços". Esta afirmação esteve presente em 16,67% dos casos. As respostas obtidas apontam um mercado de R$ 1.431.800,00 - um milhão, quatrocentos e trinta e um mil e 800 reais - no ano de 2016, o que representa 0,057% do PIB da Economia da Cultura no País em 2016, sendo 1.6% a participação total do estado de Pernambuco (FIRJAN, 79 Comumente também se organizam junto à outras entidades para realização de diferentes ações: "Sempre faz parcerias com eventos que promulgam a cultura pernambucana", ou, ainda, "Parceria com os sindicatos, igrejas, municípios e outras comunidades." Nota-se, porém, que a maioria das entidades que se auto avaliaram como menor índice nas respostas não deram justificativa para tão baixo valor. 4.0.2.9 Dimensão Presença A dimensão presença nos Pontos de Cultura se mostra incipiente, pois possuem dificuldades de estarem em diferentes locais seja na promoção ou na execução de seus produtos ou serviços. O índice alcançado nesta dimensão foi o menor de todos, com 1,81 pontos. Não há o desejo de expor fora da comunidade. Só durante as festas do município que tem um stand. - Gestor ligado a Ponto de Cultura É também comum encontrar a resposta "Não vendemos"ou "Nosso perfil não se enquadra", uma prova de que não reconhecem valor em seus produtos, serviços ou processos. Alguns pontos se destacam, possuindo vendas online ou a busca de mercados externos ao município de atuação para vendas de ações ou espetáculos. Percebe-se nessa dimensão, uma deficiência em termos de visibilidade ao público, e se pode concluir que os Pontos de Culturas não ampliam sua aproximação com à população total dos municípios em que atuam, em sua maioria. 4.0.2.10 Dimensão Ambiência inovadora Como evidencia a literatura, as empresas que querem avançar em termos de inovação devem investir em um ambiente organizacional propício à inovação. Contudo, os Pontos de Cultura possuem um baixo índice na dimensão da ambiência inovadora, com 1,99 pontos, o que ocasiona uma barreira para a inovação contínua. Poucas instituições celebram parcerias para além das feitas com a FUNDARPE ou o Ministério da Cultura, mesmo sabendo que "É raro vir recursos (sic) do governo". Da mesma forma, mesmo organizações que representam tradições seculares, tocam apenas uma vez por ano, quando tocam, pagas pelas prefeituras. E, em sua maioria, as instituições não se relacionam com nenhum órgão de formação, como universidades e cursos técnicos, sendo eles públicos ou privados. 4.0.3 Distinção entre os setores Cada setor tem sua especificidade em termos de divulgação, visibilidade junto ao público, facilidade de obtenção de créditos e fundos, dentre outros fatores. Com isto, é necessário também 80 observar separadamente cada um dos segmentos de atuação dos Pontos de cultura, conforme salientado por De Oliveira et al. (2014). Segundo os autores, cada setor possui dimensões mais ou menos acentuadas devido ao caráter do segmento nos quais as organizações estão inseridas. Figura 20 – Radar da Inovação: Organizado por setor de atuação Oferta Diversificação Propriedade intelectual Frequentadores Relacionamento Agregação de Valor Processos Organização Presença Ambiência inovadora 1 2 3 4 5 – Artesanato;– Cultura Tradicional;– Música; – Educação cultural;– Teatro;– Expressões culturais; Fonte: Dados da pesquisa A Figura 20 mostra evidente as diferenças no grau de inovação entre setores culturais, representado também pela Tabela 8. Percebe-se que os setores de artesanato e de serviços culturais se mostram como mais aptos à inovação. No setor do Artesanato, o único setor que pode ter as entidades classificadas como Inovadoras Ocasionais a caminho da Inovação Sistêmica, segundo os critérios de Bachmann e Destefani (2008), as dimensões de Agregação de Valor aos Produtos chega a um índice de 4,16 pontos, e outros sete dimensões possuem índices acima dos 3 pontos. As dimensões com pontuação mais baixa são a da Oferta, com 2,88 pontos, e de Relacionamento com os Clientes, que alcança o índice de 2,66 pontos. Já o setor de Serviços Culturais, onde estão presentes cursos de capacitação e serviços terceirizados, as dimensões de Propriedade Intelectual, Diversificação de Produtos e Organização das Entidades alcançam os índices de 3,64, 3,10 e 3,42 pontos, respectivamente. 81 Tabela 8 – Grau de Inovação por setor Setor / Dimensão Artesanato Tradições Música Serviços Teatro Expressões Oferta 2,8888 2,6944 2,3333 2,9762 2,5 1,8888 Diversificação 3,5 2,5 2 3,5714 3 2,5 Propriedade Intelectual 3,3333 3,25 4,3333 3,6428 3,5 3 Frequentadores 3,25 2,5 3,0833 2,75 2 2,25 Relacionamento 2,6666 2,7562 2,8333 3,1071 3,75 2,4083 Agregação de valor 4,1666 2,9166 3,6666 2,8571 3,25 3 Processos 3,5555 2,3888 2,3333 2,8095 2,3333 1,6666 Organização 3,9166 2,4583 3,25 3,4285 3,375 2,9166 Presença 3,1666 1,4166 1,1666 2,0714 1 1,8333 Ambiência inovadora 3,2222 1,5555 1,6666 2,4285 1,6666 1,2222 Índice 3,3666 2,4436 2,6666 2,9642 2,6375 2,2686 Fonte – Dados da pesquisa Os setores com menor grau de inovação segundo a pesquisa são os das Expressões Culturais – como Orquestras de Frevo ou organizações relacionadas à Danças Típicas – com um índice de 2,26 pontos, e as entidades ligadas as Tradições Culturais – como Pontos de Cultura relacionados à Matriz Africana ou à Matriz Indígena. É notável, no setor da Expressão Cultural, a baixa pontuação alcançada nas dimensões de: Processos, com 1,66 pontos; Ambiência, com 1,22 pontos; Oferta, 1,88 pontos; e Presença, com 1,83 pontos. Nas organizações relacionadas às Tradições Culturais, as menores pontuações se dão nas dimensões da Presença e da Ambiência Inovadora, alcançando os índices de 1,41 pontos e 1,55 pontos respectivamente. Com exceção da dimensão relativa à Propriedade Intelectual, com 3,25 pontos, todos os outros índices estão abaixo dos 3 pontos, ou seja, classificados como organizações não inovadoras segundo a métrica aqui utilizada. Importante perceber que as organizações de Teatro e de Música possuem nas dimensões da Presença e da Ambiência índices abaixo dos 2 pontos, o que demanda atenção especial por parte dessas organizações para ampliarem sua capacidade de inovação. Não foram encontradas pesquisas que mensurem o grau de inovação de pontos de cultura em outros estados do Brasil. No âmbito da Economia Criativa, conforme os dados apresentados por Oliveira, Araujo e Silva (2017, p.31), o tamanho da economia criativa no Brasil varia entre 1,2% e 2% do PIB nacional. Da mesma forma, os empregos gerados pelas Expressões Culturais Tradicionais – onde se encaixam os pontos de cultura – ocupam a terceira pior colocação, com 3,8 pontos percentuais, sendo também a segunda menor média salarial do setor. A participação estimada do PIB criativo no estado de Pernambuco em 2015 foi de 1,6%, o que coloca o Estado na 9a posição em um ranking de estados brasileiros que mais contribuem com o PIB criativo (FIRJAN, 2016). 82 Quando comparada com a participação com a verificada em países Europeus, observase que Pernambuco e o Brasil estão muito abaixo dos países onde ela é significativamente expressiva: (...) indústrias criativas (setores culturais incluídos) correspondem a 3,3% da produção total da União Europeia, mensurada como produto interno bruto (PIB), apesar de que usando uma classificação mais ampla proposta pela Unctad (2010) elas chegam a 6,5% do PIB da UE. Esses números são bastante semelhantes para a economia mundial, onde em 2005 elas geraram um PIB de US$2.706 bilhões, e exportações de bens e serviços criativos atingiram US$424 bilhões, o que representa 6,1% do PIB mundial e 3,4% de todo o comércio mundial. (ABELEDO-SANCHIS, 2017, p.49) Pode-se considerar que tanto país quanto o estado de Pernambuco são de baixa intensidade criativa, ainda que, pelo menos em algumas atividades, haja escala suficiente para permitir que esse percentual aumente significativamente. Oliveira, Araujo e Silva (2017) também aponta que a economia criativa cresce alinhada ao resto da economia, sem indicações de que ela esteja crescendo significativamente mais do que a economia brasileira. Percebe-se a necessidade de ações pontuais, por parte das entidades e das políticas públicas, para desenvolver as capacidades de inovação dos Pontos de Cultura do estado de Pernambuco para ampliar a participação dos mesmos no PIB da Economia Criativa na economia do Estado de Pernambuco, elevando também os patamares da participação da economia criativa na economia brasileira, em consonância com demais países. 83 5 CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS Esta pesquisa cumpre seu objetivo principal de identificar o grau de inovação em centros culturais com inserção comunitária no estado de Pernambuco. Percebe-se que a compreensão do termo inovação conforme abordado por Godin (2012) e sua relação com a esfera econômica, tecnológica, social e ambiental se mostra essencial para afirmar o potencial da inovação para o desenvolvimento sustentável, mesmo com a contradição apontada por Vizeu, Meneghetti e Seifert (2012) entre a lógica de acúmulo do capital e a sustentabilidade. A percepção do mercado de intangíveis como o eixo da economia criativa, conforme abordado por Barbrook (1998), e o papel dos centros culturais pesquisados como frutos da inovação neste mercado, salienta ainda mais as contradições apontadas por Vizeu, Meneghetti e Seifert (2012) quando observados os investimentos em inovação no país. Tais investimentos utilizam o mote da inovação para o bem estar social como fomentador da tradicional lógica de acumulação do desenvolvimento econômico do país, caracterizado pela distribuição ineficaz desses investimentos. Por fim, compreender a inovação social como no mínimo tão importante quanto a inovação tecnológica permite a adaptação e o uso de ferramentas para a mensuração da inovação técnica, como a apresentada por Chen e Sawhney (2008), em organizações de diferentes áreas de atividade que têm, em comum, a preocupação com o desenvolvimento social ou ambiental, comumente tidas como organizações de inovação social. Isto comprova a hipótese apresentada neste estudo. Em relação às entidades pesquisadas, é percebido que, mesmo com foco em formação, o elevado grau de instrução de seus gestores e de possuir o conhecimento como matéria prima de suas produções, os Pontos de Cultura pesquisados possuem baixa capacidade de inovação. Isso se dá pois a grande maioria das entidades não compreende o resultado de seu trabalho como um produto ou um serviço comercializável. Esta não-percepção influencia diretamente o tênue relacionamento com seus clientes/consumidores, a não identificação de possíveis mercados e tão pouco a abertura destes. Da mesma forma, a incompreensão do mercado torna as entidades pesquisadas pouco capazes de ofertar seus produtos ou serviços, o que gera uma dependência grande de investimentos governamentais federais, estaduais ou municipais. É notado que, mesmo com o amplo investimento em inovação no país, entidades com foco na formação de crianças e jovens – futuros mantenedores da economia criativa pernambucana – não participam desse aporte e, por sua vez, pouco contribuem para essa economia. Dado o potencial da cultura para o PIB do estado do Pernambuco, se faz necessário o investimento em inovação nas entidades responsáveis por transformar este patrimônio imaterial em desenvolvimento econômico. Devido às características dessas instituições, é notório que ações focadas na ampliação de sua capacidade inovadora acarretará também em um desenvolvimento 84 social. Esses mesmos investimentos precisam fomentar, concomitantemente, a conscientização da responsabilidade ambiental de tais entidades. 5.1 Contribuições do Trabalho Esta pesquisa colabora na concepção do conceito de inovação e suas ferramentas de mensuração, o que pode favorecer no desenvolvimento de políticas públicas para o setor. Colabora também no processo de desenvolvimento dos Pontos de Cultura de Pernambuco e na compreensão da importância da Lei Cultura Viva como decisiva para ampliar o PIB da Economia Criativa no Estado. 5.2 Limitações Este estudo não aponta alternativas, como a união dos serviços com o turismo ou capacitações específicas em vendas e marketing. A partir deste estudo, estas decisões possam ser mais facilmente tomadas por gestoras e gestores públicos, bem como por gestores responsáveis pelas entidades pesquisadas. Este trabalho se considera, portante, um ponto de partida na pesquisa sobre inovação e economia criativa. 5.3 Trabalhos Futuros Trabalhos futuros devem validar a ferramenta apresentada para a mensuração da inovação em diferentes setores da economia, no intuito de colaborar num aperfeiçoamento da mesma. Da mesma forma, se mostra necessário acompanhar o desenvolvimento da capacidade inovadora dos mesmos Pontos de Cultura pesquisados, no intuito de avaliar investimentos e resultados na ampliação do PIB da Economia Criativa Pernambucana. Nota-se, sobre a ferramenta, que a diminuição no número de questões, focadas nas dimensões necessárias, tende a dinamizar o preenchimento do questionário. Esta é uma alteração sugerida para a continuidade deste estudo. 85 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABELEDO-SANCHIS, R. A contribuição de atividades culturais e criativas para moldar o espaço socioeconômico europeu. In: VALIATI, L.; FIALHO, A. L. do N. (Ed.). Atlas Econômico da Cultura Brasileira - Metodologia II. Porto Alegre: UFRGS, 2017. cap. 3, p. 49–73. Citado na página 82. ADORNO, T. W. Negative Dialektik. Frankfurt am Main: Suhrkamp Verlag, 1966. Disponível em: <https://archive.org/details/TheodorAdorno-NegativeDialektik>. Citado na página 61. AMEMIYA, T. The Economic Ideas of Classical Athens. 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Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script= 95 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO - INDICADORES DE INOVAÇÃO EM PONTOS DE CULTURA •Dimensão Oferta: – A instituição tem uma rotina para encontrar novos compradores para seus produtos (participação em feiras, uso de rede sociais, etc)?; – A instituição lançou à venda como produto ou serviço, com sucesso, mais de uma arte produzida por algum artista vinculado a essa instituição?; – A instituição lançou alguma nova produção artística (produto ou serviço) ou participou de eventos que não deu certo?; – A instituição mudou as características de mais de uma produção artística por preocupação com a sustentabilidade ambiental?; – A instituição fez mudanças significativas na estética, desenho ou outra mudança subjetiva nas artes nele produzidas ou pelos artistas vinculados a instituição?; – Os artisitas vinculados a instituição são estimulados ao uso de novos materiais, técnicas ou processos?; •Dimensão Diversificação: –Os processos de criação dos artistas é mais individual ou coletivo?; – O mesmo trabalho artístico é oferecido em mais de uma versão, para atingir públicos diferentes? •Dimensão Generosidade Intelectual: – A instituição adota formas de proteger o acervo artístico produzido por seus afiliados?; – A instituição é reconhecido como um difusor de atividades artísticas diversificadas? •Dimensão Frequentadores: – A instituição tem uma sistemática para colher informações sobre as necessidades dos seu frequentadores?; – A instituição tem uma sistemática para identificar novos compradores para as artes produzidas por seus afiliados?; – A instituição busca obter opiniões dos frequentadores (sugestões, reclamações, etc.) para apoiar o desenvolvimento de novas manifestações artísticas?; 96 – A instituição ofertou algum novo produto, ou versão, em decorrência de informações sobre necessidades dos seus frequentadores?; •Dimensão Relacionamento: – A instituição adotou algum recurso (cafezinho, água, aniversário) para melhorar o relacionamento com os seus frequentadore?; – A instituição utiliza-se de mídias digitais (web site, e-mail, redes sociais, etc.) para se relacionar com os frequentadores e parceiros?; •Dimensão Agregação de valor: – A instituição tem buscado novas formas de captar recursos fazendo projetos que usam o acervo de suas artes disponíveis ?; – A instituição tem adotado mais de uma nova forma de buscar oportunidades de interação com seus frequentadores e parceiros? •Dimensão Processos: – A instituição modifica seus processos (ou compra ou aluga equipamentos diferentes dos usados anteriormente) para obter maior eficiência, qualidade, flexibilidade para melhorar o resultado final no desenvolvimento e criação de suas artes?; – A instituição adota alguma prática de gestão da produção e disseminação das artes produzidas no ponto focal ( gestão da qualidade, controle do que é produzido, definição de preços) ?; – Nos últimos 3 anos, a instituição recebeu algum tipo de reconhecimento de alguma instituição pública ou privada relativo ao impacto na atividade cultural indesenvolvida no mesmo?; •Dimensão Organização: – A instituição tem avaliado as suas atividades para reorganizar, ou adotou alguma forma de avaliar dificuldades e buscar soluções tando na produção artística como na gestão?; – A instituição tem feito parcerias com outras organizações para fornecerem novos produtos ou serviços?; –A instituição participou de algum projeto cultural cooperativo? –Busca-se alternativas para reduzir o custo da matéria-prima?; •Dimensão Presença: – Nos últimos 3 anos, a instituição criou pontos ou canais de venda diferentes dos existentes anteriormente, compartilhando recursos com terceiros?; 97 – Nos últimos 3 anos, a instituição vendeu seus produtos, diretamente ou por meio de distribuidores/representantes, em novos mercados para os produtos fornecidos? •Dimensão Diálogo: –A instituição adotou novas formas de falar ou ouvir os frequentadores?; •Dimensão Ambiência Inovadora: – A instituição faz uso de apoio de entidades como o SEBRAE, SENAI, SESI, IEP, universidades, empresas júnior, sindicatos patronais, etc.?; – A instituição tem realizado mais de um projeto para desenvolver ou introduzir novas formas à arte através de processo tecnologicamente novo ou aprimorado?; – A instituição utiliza recursos financeiro de algum dos programas de apoio do governo para realizar suas atividades ou para disseminar as artes desenvolvidas?; Questões abertas e fechadas para coleta de dados sobro perfil sócio-econômico da organização, com as seguintes perguntas: •Dados cadastrais da instituição; •Escolaridade da gestão (fechada); •Conservação do espaço (fechada); •Qualidade do acesso ao espaço (fechada); •Segurança da localidade (fechada); •Área de atuação (aberta); •Abrangência de atuação (fechada); •Em que essa instituição é diferente dos demais? (Aberta e fechada); •Qual o Público Alvo? (aberta); •Participação de mulheres na gestão (fechada); •Participação de mulheres nas decisões (fechada); •Quais produtos a instituição vende? (fechada); •Quais serviços a instituição oferece? (fechada); 98 APÊNDICE B – ROTAS DE VISITAS EM CAMPO As rotas percorridas foram diversas e não respeitam a ordem de apresentação abaixo. Porém podem ser divididas em duas fases distintas. Na primeira foram visitados os Pontos de cultura no agreste: •Mulheres de Fibra, Bom Conselho; •Aldeia Fulni-ô, Águas Belas; •Alto do Moura(ABMAM), Caruaru; •Teatro Experimental de Arte, Caruaru; •Música, Vida e Continuidade, São Caetano; •Orquestra Sertão, Arcoverde; •Associação da Comunidade Indígena Xucuru, Pesqueira; •Identidade e Cultura, São Bento do Una; •Fábrica da Cultura(GAMR), Gravatá. No segundo momento, foram visitados os pontos da região metropolitana do Recife, conforme listados: •Centro Cultural Coco de Umbigada, Olinda; •Associação Povo de Odé, Olinda; •Centro Cultural Henrique Dias, Olinda; •Instituto Brasileiro Pró-cidadania, Recife; •Associação Pernambucana de Teatro de Bonecos, Recife; •Centro SUVAG de Pernambuco; •Associação Sambada Comunicação e Cultura, Olinda; •Ylé Asé Ayará Adjáosi, Reicfe; Por fim, foram visitadas organizações do sertão, mata norte e outras da região metropolitana: 99 •SOS Corpo, Recife; •Maracatu Nação Estrela Brilhante, Recife; •Nação Maracatu Porto Rico, Recife; •Sociedade dos Forrozeiros Pé de Serra e Ai!, Recife; •Maracatu Estrela Brilhante, Igarassú; •Sociedade Musical Curica, Goiana; •Caboclos CAHETÉS, Goiana; •O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico, Recife; •Ana das Carrancas, Petrolina; •Associação de Mulheres Rendeiras de Petrolina, Petrolina; •Matingueiros, Petrolina; •Ilha do Massangano, Petrolina; •Centro Cultural Raízes, Petrolina; •Nação do Maracatu Aurora Africana, Jaboatão dos Guararapes; •Maracatu de Baque Solto Pingüim, Araçoiaba; •Centro Cultural Farol da Vila, Cabo de Santo Agostinho; 100 APÊNDICE C – ANOTAÇÕES DE CAMPO DURANTE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA IN-LOCO SOS Corpo O espaço é muito bom mesmo se a localização põe alguns problemas de segurança. Já foram roubados varias vezes. Novo portão e paredes para segurar o lugar. Algumas reformas a fazer. Ponto de cultura com impacto social importante e por causa das escolhas politicas tem dificuldades com o governo. Problema na conservação do material que foi pago por a FUNDARPE porque eles podem cobrar anos depois se não tiver a prova material da compra. Sensação que as visitas da FUNDARPE tentam criminalizar os pontos de cultura, porque não acreditam nas contas fiscais fornecidas. Acumulação de estoque inútil e que ocupa muito espaço. Muito boa organização interna, eleições dos representeantes, reuniões regulares, tomada de decisão com o corpo de administração. Edita livros. Maracatu Nação Estrela Brilhante Recife Começou a ser ponto de cultura em 2010, parou em 2010 e voltou em 2016. A pessoa quem criou o projeto foi embora, o que deixa um pouco perdido pra gestão. Problemas de gestão financiaria. Incompreensão das transferências bancarias, o ponto recebeu a segunda parcela sem ter ainda fechado a primeira com a prestação de contas. Centro SUVAG de Pernambuco O local do ponto de cultura é bom. Não tem tanta dificuldades com a FUNDARPE para a gestão do ponto. Porem, Parece ter perdido vigor na realização das atividades porque a antiga diretora do lugar faleceu e tinha muito da essência do projeto na cabeça. Dificuldades para a equipe atual de resgatar o material que já foi produzido e continuar a antiga trajetória. Nação Maracatu Porto Rico Sede grande e confortável no Pina. O ponto de cultura contem uma grande diversidade de atividades, musica, dança, criação de instrumentos e aprendizagem de línguas. Sociedade dos Forrozeiros Pé de Serra e Ai! Novo espaço de qualidade no Recife antigo. Problemas com a exigência sobre o material que foi comprado com o dinheiro dos pontos de cultura e não puderam levar na mudança. Grande estoque de material fora de uso para provar a compra. Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu Maracatu antigo e muito tradicional. A sede estava fechada o dia da visita. Ponto de Cultura sem problema serio com a FUNDARPE, bom funcionamento e entendimento da gestão dos pontos de cultura. A sede é acessível em Igarassu e fácil de achar. Sociedade Musical Curica 101 Ponto de Cultura desde 2010, com 5 salas de estudo só para uma turma, uma grande sala para os ensaios de grupos, espaços para guardar os instrumentos. O espaço foi roubado faz pouco tempo, tiveram de fechar um tipo de aula de tratamento do som por falta do material. Atualmente, sem vendas por mas pensa em produzir pequenos produtos para ter uma renda. Ainda receberam só uma parcela do projeto ponto de cultura. Tem no máximo 120 alunos na associação. Os alunos entram entre 7-8 anos para ter aulas de música, de solfejo, de cultura musical, ... Cada semestre tem uma renovação de matricula, se abrem 3-4 turmas. Grande influencia social, muitos dos antigos alunos ficam relacionados com a instituição depois de ter acabado a formação. Eles entram em geral no grupo de música da instituição, chegam a ser professores/coordenadores ou podem se profissionalizar como músicos independentes ou com outras bandas. Grande acompanhamento dos alunos até fora da instituição. Tem um contato bem forte com as escolas e os pais para ter consciência das consequências das aulas e ajudar os alunos quando precisa. O grupo musical da instituição funciona principalmente com 95% de apresentações pagas (10% vão para a instituição, 10% para o maestro e 90% a dividir entre os músicos). Os clientes são particulares (governo, empresas, etc.) ou editais abertos. Contato com outras bandas da região para trocar partituras musicais. Caboclos CAHETÉS de Goiana Problema de recepção do dinheiro então ficam muito parados ou pedem empréstimos de dinheiro e se prejudicam porque tem que pagar as taxas depois. Crítica feita no aspeito muito burocrático da gestão dum ponto de cultura. Todas as formações financeiras e todos os processos ficam no Recife, o que é distante e faz gastar muito tempo e dinheiro para os pontos que podem ir até lá. Os outros não têm opções. As formações dadas duram um dia, o que não é suficiente para adquirir competências de administradores. Ademais, são pessoas do meio cultural quem as vezes não têm nenhuma noção na área, e não têm as condições de contratar um especialista. O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico Espaço pequeno para guardar todas as fantasias e o material. A sede vai ser deslocada por um espaço privado (casa do dono) por falta de recursos. O dinheiro dos pontos de cultura não incluem o pagamento das contas nem o aluguel. Espaço vendendo camisas, canetas a o logo do grupo. As fantasias são produzidas na sede por o grupo mesmo. Coco de Umbigada Entidade desenvolve diversas atividades: rádio FM, capacitação em jogos digitais, possuem um restaurante aberto ao público, um estúdio musical onde gravaram seu próprio CD - com turnê de lançamento pela Europa - e um restaurante que funciona no terraço aos finais de semana. Grande potencial de empreendedorismo. Alguns processos de gestão financeira podem ser melhorados. Citaram problemas no diálogo com a prestação de conta da FUNDARPE, mas demonstraram boa relação com o órgão Orquestra Henrique Dias No momento da visita não havia ninguém, mas encontrei com uma de suas gestoras no Centro 102 Cultural Coco de Umbigada, no mesmo dia da visita, e conversamos também sobre o funcionamento. Possuem a banda de música onde arrecadam investimento, mas dependem bastante também de incentivos públicos. Tem funcionamento regular em Olinda, com ensaios abertos ao públicos durante a noite. Centro Cultural Povo de Odé Detentores da sabedora de uma das casas mais antigas de Candomblé do Recife, dependem majoritariamente de investimentos públicos. Têm problemas no relacionamento com a prestação de contas no que diz respeito, ao que disseram, constantes trocas de funcionários e técnicos da FUNDARPE que trocam suas orientações e atrapalham o processo de prestação de contas Ana das Carrancas Museu sobre dona Ana, gerenciada pelas filhas, também trabalhadoras do barro. Dona Maria de Ana é funcionária da prefeitura, professora, é alocada no museu, fundado através de Lei Rouanet. Tem uma loja que vende as obras. Conhecida internacionalmente. Pediu necessário um escritório da FUNDARPE no sertão Associação de Mulheres Rendeiras de Petrolina Associação de mulheres da periferia, possuem um bom espaço até para shows, pequena loja e lanchonete, jovens de música com banda de coco, conhecimento das questões periféricas sociais. Reclamaram da morosidade para prestar contas e de difícil diálogo com a FUNDARPE. Achariam interessante um escritório da FUNDARPE no sertão Matingueiros Espaço cultural, construção de roupas e cenários, loja de fantasias, banda, curso de música, produção audiovisual, espaço para sarau. muito ativo e movimentado, dinamizam diversos projetos. possuem funcionárias na questão das roupas e fantasias. Possuem também professores de música. Trabalham com escolas públicas e com público em geral. Reclamaram de diálogo com alguns níveis da FUNDARPE, sugeriram um escritório da FUNDARPE no interior, Ilha do massangano Centro cultural ativo principalmente nos finais de semana, promovem shows que misturam novas tendências com música tradicional da ilha. Algumas vezes esses eventos são pagos. O diálogo com a FUNDARPE acontece mas as vezes tem problemas de prestação de conta. Centro Cultural Raízes Funcionam com um cinema no andar superior de um café gourmet da cidade. Alguns filmes pagos, alguns cineclubes, algumas sessões de graça. Possuem parceria com o colégio marista para exibir filmes para alunos e professores. Também fazem cinema itinerante nas comunidades. Se diz satisfeito com o diálogo om a FUNDARPE, até porque viaja muito para o recife. Salientou que um escritório da FUNDARPE no sertão poderia facilitar o diálogo e promover melhor a cultura do interior do estado. Instituto Brasileiro Pró-Cidadania 103 Muito bem estruturados, trabalham pouco com recurso público. Organizam feiras e eventos. Um dos principais eventos que participa da organização é a FENEARTE. Prestam conta tudo bem. Teatro de Bonecos do Recife Teatro utópico. Sobrevive de venda de bonecos e fantasias. Prove espetáculos e cursos gratuitos. São bem dependentes de editais públicos. Mulheres de Fibra Não foi possível realizar a visita ao casarão que abriga o Ponto de Cultura. O espaço, segundo a gestora, é gerido pelas mulheres da comunidade. Ele funciona principalmente como um ateliê para produção do artesanato à base da folha da bananeira. Aldeia Fulni-ô O Ponto de Cultura está em reforma para ampliar o espaço de atendimento aos jovens indígenas. Além de uma sala ampla, possui um palco para atividades artísticas. Ele está situado numa área marginalizada da aldeia para atuar no resgate dos jovens e na sua profissionalização. As atividades do PdC estavam paralisadas por conta do aguardo da parcela da FUNDARPE. Alto do Moura A Associação está muito bem estruturada, com mais de 700 artesãos associados. Possui regras bem definidas para a governança e para as atividades. É um PdC que tem grande potencial de sustentabilidade e de inovação. Possui canais de vendas tanto para o comercio local quanto para grandes encomendas para outros estados e outros países. Teatro Experimental de Arte Um grupo que atua há mais de 50 anos com Teatro em Caruaru. Focado em formação de jovens e na cadeia produtiva da cultura. Organiza festivais e mostras de teatro. Existe uma escola pública em frente ao espaço do PdC, o que possibilita interações pedagógicas com a escola a partir de oficinas e workshops. A fonte de renda está focada principalmente na venda de espetáculos e na produção do festival FETEAG. Música, Vida e Continuidade Um PdC com uma infraestrutura muito boa, com várias salas para ensaio e espaço livre para integração entre os jovens. Focado na inclusão, o PdC já obteve resultados positivos quando foi lançado o Filme sobre a história da banda dos meninos de São Caetano. No momento estão em fase de formação e não existe uma deadline para lançar um novo produto. Segundo a gestora, o tempo é um elemento muito importante na produção sonora do grupo. Não há uma urgência para lançar um produto novo. O foco está na transformação dos jovens. Orquestra Sertão O PdC está situado numa infraestrutura da prefeitura onde funciona uma feira pública. Localizado num primeiro andar de um casarão antigo, o espaço abriga um estúdio multimídia e uma área aberta para realização de eventos e ensaios. No momento o PdC está produzindo alfaias sob encomenda e enxerga nesse mercado uma possibilidade de sustentabilidade. 104 Associação da Comunidade Indígena Xucuru O PdC da Comunidade Xucuru está em bom estado de conservação, possui uma biblioteca multimídia onde o grupo atua com produção de filmes. No momento o PdC não está focado em novos editais. Eles querem fortalecer o PdC em suas bases, não estão com preocupação em vendas de artesanato e produtos. Tem na formação política o seu mote de atuação. Identidade e Cultura, São Bento do Una O PdC está situado dentro de uma escola pública municipal na zona rural de São Bento do Una. Existe também uma casa onde funciona como o laboratório para as oficinas de artesanato e pintura. Tem como característica marcante o Pastoril e o Coco. É a partir dessas expressões culturais que o grupo consegue se destacar e realizar shows e intercâmbios. Fábrica da Cultura(GAMR) Um PdC situado no Alto do Cruzeiro em Gravatá, possui uma pizzaria artesanal construída pelos jovens que frequentam o PdC. Atuam também com formação em fotografia e em música. Nação do Maracatu Aurora Africana O maracatu é novo (16 anos) e o PdC começou em 2010. O Plano de ação era inicialmente previsto com atividades repartidas nos 3 anos. O primeiro devia ser na FUNASE de Jaboatão dos Guararapes, o secundo na comunidade e o tercero não foi determinado ainda. O primeiro ano foi comprido e um real sucesso com os adolescentes da FUNASE. Premiado duas vezes por o órgão como unidade de referencia. As oficinas podem ser de dança, de musica, de capoeira, ... O trabalho é feito unicamente com homens porque é um presidio para meninos menores exclusivamente. Através do xaxado, os participantes se identificam a cultura popular por causa do papel do cangaceiro Lampião quem combina heroísmo e banditismo. Por falta de verba, o PdC parou na metade de 2011 mas continuou a dar oficinas até 2013. Atualmente, o PdC ainda esta num processo de prestação de contas. Não tem problemas diretos com a FUNDARPE, mas o atendimento é péssimo no anexo Cultura Viva. Maracatu de Baque Solto Pingüim PdC criado em 2010. Receberam 2 verbas da FUNDARPE. O objetivo do PdC é de criar artes do começo até o fim com um publico alvo de crianças e adolescentes mas também de adultos. Tem aulas de artesanato, de musica, de informática. Mas o espaço do ponto foi entregado em Março 2017 por falta de recurso. O dono tirava o aluguel do bolso dele. O dono se queixa da falta de intercâmbios entre os diversos pontos de cultura do Pernambuco. Ele sugeriu dedicar uma grana especifica dos pontos de cultura que serviria para pagar à viagem até outros pontos ou até eventos de encontro organizados para trocar saberes. Ele deplorou também à falta de visibilidade do ponto dele mesmo sendo um ponto de cultura. A participação a outros eventos como o FIG se faz com seleção a partir de editais. Centro Cultural Farol da VilaCCFV O PdC começou em 2009 com a vontade de institucionalizar as ações para resgatar o coco de Pontezinha que não tinha perspectiva de herança. O ponto de cultura está localizado em