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O USO DE APLICAÇÕES DE IA NA PROPOSIÇÃO DE ROTEIROS TURÍSTICOS VOLTADOS A EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM CÁCERES, MATO GROSSO, BRASIL

Lima, Bruno de Souza; Neves, Sandra Mara Alves da Silva; Arruda, Renato Fonseca de

Abstract

A pesquisa explora a aplicabilidade de tecnologias de inteligência artificial (IA) na formulação de roteiros turísticos voltados para a Educação Ambiental em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. Justifica-se pela relevância ambiental do município, que abrange o bioma Pantanal, além de áreas do Cerrado e da Amazônia, destacando-se pela biodiversidade e pela urgência de ações socioambientais. O estudo adota uma abordagem qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, utilizando revisão bibliográfica e análise de dados secundários. Para a construção dos roteiros, foram aplicados prompts em cinco sistemas de IA: OpenAI ChatGPT, Microsoft Copilot, DeepSeek, Meta AI e Google Gemini. Os resultados evidenciam limitações de todas as IAs testadas, sendo o Microsoft Copilot o mais alinhado à realidade local, apesar de apresentar falhas em informações complementares como hospedagem e transporte. Conclui-se que, embora úteis, as IAs carecem de exatidão na organização de roteiros turísticos. Contudo, o potencial dessas ferramentas é crescente, especialmente com o desenvolvimento contínuo de tecnologias mais especializadas. Ressalta-se a importância do elemento humano na construção de um turismo responsável e sustentável, promovendo os princípios da Educação Ambiental.

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Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 544 O USO DE APLICAÇÕES DE IA NA PROPOSIÇÃO DE ROTEIROS TURÍSTICOS VOLTADOS A EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM CÁCERES, MATO GROSSO, BRASIL The use of AI applications in the proposition of tourism itineraries focused on environmental education in Cáceres, Mato Grosso, Brazil Bruno de Souza Lima Doutor em Geografia e Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do Estado de Mato Grosso, Cáceres, Mato Grosso, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-2469-8226 [email protected] Sandra Mara Alves da Silva Neves Doutora em Geografia e Professora do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do Estado de Mato Grosso, Cáceres, Mato Grosso, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-2065-244X [email protected] Renato Fonseca de Arruda Doutor em Museologia e Patrimônio e Professor Visitante do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade do Estado de Mato Grosso, Cáceres, Mato Grosso, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0032-6214 [email protected] Artigo recebido em junho/2025 e aceito em dezembro/2025 ________________________________________________________________________________ RESUMO A pesquisa explora a aplicabilidade de tecnologias de inteligência artificial (IA) na formulação de roteiros turísticos voltados para a Educação Ambiental em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. Justifica-se pela relevância ambiental do município, que abrange o bioma Pantanal, além de áreas do Cerrado e da Amazônia, destacando-se pela biodiversidade e pela urgência de ações socioambientais. O estudo adota uma abordagem qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, utilizando revisão bibliográfica e análise de dados secundários. Para a construção dos roteiros, foram aplicados prompts em cinco sistemas de IA: OpenAI ChatGPT, Microsoft Copilot, DeepSeek, Meta AI e Google Gemini. Os resultados evidenciam limitações de todas as IAs testadas, sendo o Microsoft Copilot o mais alinhado à realidade local, apesar de apresentar falhas em informações complementares como hospedagem e transporte. Conclui-se que, embora úteis, as IAs carecem de exatidão na organização de roteiros turísticos. Contudo, o potencial dessas ferramentas é crescente, especialmente com o desenvolvimento contínuo de tecnologias mais especializadas. Ressalta-se a importância do elemento humano na construção de um turismo responsável e sustentável, promovendo os princípios da Educação Ambiental. Palavras-chave: Pantanal; Rio Paraguai; Agências de Turismo; Sustentabilidade; Patrimônio Natural. Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 545 ABSTRACT This study explores the applicability of artificial intelligence (AI) technologies in formulating tourism itineraries focused on Environmental Education in Cáceres, Mato Grosso, Brazil. It is justified by the environmental significance of the municipality, which encompasses the Pantanal biome, as well as areas of the Cerrado and Amazon, standing out for its biodiversity and the urgency of socioenvironmental actions. The research adopts a qualitative approach with exploratory and descriptive characteristics, utilizing bibliographic reviews and secondary data analysis. For itinerary development, prompts were applied to five AI systems: OpenAI ChatGPT, Microsoft Copilot, DeepSeek, Meta AI, and Google Gemini. The results reveal limitations in all tested AIs, with Microsoft Copilot being the most aligned with local realities, although it presents shortcomings in complementary information such as lodging and transportation. It is concluded that, while useful, AIs lack precision in organizing tourism itineraries. Nonetheless, the potential of these tools is growing, especially with the continuous development of more specialized technologies. The importance of the human element in constructing responsible and sustainable tourism is highlighted, promoting the principles of Environmental Education. Keywords: Pantanal; Paraguay River; Travel Agencies; Sustainability; Natural Heritage. _______________________________________________________________________________ 1. INTRODUÇÃO Reconhecidamente uma das principais atividades econômicas contemporâneas, o turismo apresenta-se como possibilidade propulsora de valorização social, cultural, econômico e ambiental em diferentes destinações do globo terrestre. Do ponto de vista conceitual, a OMT (2001, p. 38) defino o turismo como “fluxos/viagens de pessoas diferente de seu entorno habitual, que compreenda um período superior a 24 horas e inferior a um ano, com finalidades diversas”. Neste contexto, observa-se que a definição associada ao turismo pressupõe a complexidade da atividade e sua ampla abrangência de atores e variáveis envolvidas durante suas práticas. Neste ínterim, Dias (2003) destaca que o turismo tem passado por uma revolução associada ao incremento dos serviços e a ampliação do processo de globalização, fatores que tem cada vez mais ampliando as discussões acerca do turismo e o meio ambiente. Assim sendo, considerando a ampliação principalmente a partir dos anos de 1980 dos principais componentes do mercado turístico, os quais Oliveira (2000) destaca os atrativos turísticos, os equipamentos e serviços turísticos, e por fim, a infraestrutura de apoio turístico, observa-se um relevante aumento do chamado “turismo de massa”, condição que passa a despertar a preocupação acerca da capacidade de suporte dos ambientes visitados nas diferentes destinações que dão base ao turismo. É notório em diversos destinos as consequências negativas causadas pela atividade turística. Neste sentido, o planejamento se faz fundamental para que não se estabeleça apenas ganhos a curto prazo, mas sim que se desenvolva uma atividade que se sustente a longo prazo, trazendo consciência ambiental e valorizando/estimulando a manutenção das expressões culturais (manifestações tangíveis ou intangíveis produzidas pelas sociedades). Para que tal desenvolvimento harmonioso ocorra, é Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 546 necessário instigar a população local acerca da Educação Ambiental e Patrimonial, de maneira a estimular a percepção dos valores relacionados a seus ambientes. Para além do referido estímulo, é necessário propor a manutenção daqueles indivíduos que já possuem de certa forma tal consciência. Assim sendo, ao se considerar o desenvolvimento turístico de uma dada localidade, se faz necessário a equalização socioeconômica e ambiental, de modo a garantir a longevidade da atividade, bem como propiciar o máximo de distribuição dos resultados positivos da atividade aos seus atores envolvidos, seja a comunidade local, o poder público, iniciativa privada e/ou associações do terceiro setor, associando aos contextos ecológicos, sociais, econômicos e culturais. Compreender tais variáveis incide em observar os desdobramentos positivos e negativos da atividade, vislumbrando mitigar os efeitos desfavoráveis e maximizar aqueles que valorizem a promoção de uma atividade responsável e longeva, trazendo benefícios para os atores envolvidos em consonância com a conservação ambiental. Quanto aos impactos do turismo Ruschmann (2008) e Cruz (2003) indicam que estes podem estar atrelados de modo positivo a geração de empregos, geração de divisas, saneamento básico, conservação do meio ambiente, urbanização, melhorias de transportes, ampliação da qualidade de telefonia, construção de hotéis, ampliação de programas habitacionais, retorno de investimentos estrangeiros, dentre outros desdobramentos. Entretanto, de modo inverso pode suscitar a degradação do meio ambiente e de animais selvagens, proporcionar a erosão do solo, ocasionar a poluição de cursos hídricos, destruir vegetações nativas, causar a destruição de corais, promover o êxodo rural, ampliar ruinas arqueológicas, estimular padrões de consumo excedentes, acarretar mudanças de comportamento sociais e culturais, dentre outras implicações. Sobre a relação ambiental do turismo, Ruschmann (2008) aponta que as questões negativas podem ser mitigadas por medidas como: criação de planos e programas de conservação e preservação de áreas naturais; empreendimentos investindo em medidas preservacionistas; promoção de interação cultural sobre o ambiente; recuperação psicofísica dos indivíduos; e utilização racional da natureza. Nesta dualidade entre aspectos positivos e negativos do turismo, Banducci Jr e Barreto (2001) destacam essas diferentes visões, sejam aquelas que pautam a atividade turística por uma visão extremamente positiva, ou as que observa de maneira extremamente crítica, e uma outra vertente adaptativa, a qual vislumbrar perceber os aspectos positivos, negativos, e os diferentes desdobramentos que a atividade turística possibilita. Nesse contexto, ao tratar do turismo em áreas ambientais e, ressaltando a necessidade de conservação destes espaços, Marcatto (2002) destaca uma importante ferramenta no âmbito da promoção do turismo responsável: a Educação Ambiental. Para o autor, esta possibilita a sensibilização e capacitação da comunidade em geral acerca dos problemas ambientais. O autor Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 547 destaca ainda que, essa é uma ferramenta associada às medidas deliberadas na Agenda 21, documento que constituí o Programa global de ação para o desenvolvimento sustentável, resultado da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), no Rio de Janeiro, em 1992. Baseando-se nessa premissa, sugere-se que a Educação Ambiental seja um processo contínuo, dinâmico e colaborativo, no qual os participantes atuem como agentes de mudança, engajando-se de maneira ativa na busca por soluções para minimizar impactos ao meio ambiente e promover o controle social sobre o uso dos recursos naturais, podendo ser estimulada tanto por meio da educação formal (desde a educação infantil até a fundamental, média e universitária) quanto pela educação informal (envolvendo todos os segmentos da comunidade) (Marcatto, 2002). Em consonância às discussões globais e a necessidade de ampliação da atenção às questões ambientais no contexto nacional, o Brasil estabeleceu a Lei nº 9.795/99 como uma ferramenta estratégica para viabilizar o controle social no acesso e uso do patrimônio ambiental do país. Essa legislação instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental, complementada pelo Decreto nº 4.281/02, destacando a importância da preservação e conservação dos recursos naturais, o incentivo aos processos ecológicos e o fortalecimento da Educação Ambiental (Brasil, 1999; Brasil, 2002). Desde então, Menezes (2021) destaca que a conexão entre o meio ambiente e a educação para a cidadania tem se tornado cada vez mais desafiadora, exigindo o surgimento de novos conhecimentos que permitam compreender os intricados processos sociais e os crescentes riscos ambientais, que se acentuam desde o século passado. Em suma, considerando a atividade turística e a importância da Educação Ambiental como estratégia de conservação dos ambientes, Brancalione (2016) ressalta que a Educação Ambiental, em teoria, é um processo voltado para promover uma compreensão crítica em um contexto global. Esse processo busca desenvolver atitudes que englobem uma postura consciente e participativa, além de valores relacionados à preservação dos recursos naturais, visando alcançar uma melhor qualidade de vida para todos. Assim sendo, turistas, comunidade local, poderes público e privado, dentre outros atores diretos e indiretos, possuem nessa ferramenta a possibilidade de conscientização e valorização da natureza enquanto lócus do turismo. Assim, diante da importância da Educação Ambiental enquanto ferramenta de conservação da natureza e da prática do turismo responsável, a tecnologia também se apresenta como uma aliada na discussão, planejamento e execução das atividades turísticas na contemporaneidade. Nesta concepção, a internet se apresenta como condição sine qua non na proposição do novo cenário do turismo contemporâneo. Sobre tal fato, Russwurm (2014) destaca que o futuro da indústria dependerá ainda mais da internet como um elemento essencial na cadeia produtiva, abrangendo desde a aquisição e fornecimento de matérias-primas até a entrega do produto final ao consumidor. Com Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 548 essas tecnologias, torna-se viável compartilhar informações além das fronteiras organizacionais, integrando-as às atividades de desenvolvimento de produtos e serviços, produção, vendas, logística e operações. Diante de tais avanços tecnológicos, cada vez mais as agências e agentes de turismo necessitam se especializar e potencializar o uso de tais tecnologias, de modo a maximizar o alcance dos seus potenciais consumidores, bem como proporcionar melhores experiências aos mesmos. À medida que o agente de turismo passa a focar no consumidor em uma relação comercial, deixando de ser apenas um distribuidor, ele assume predominantemente o papel de consultor. Conforme destacado por Tomelin (2001, p. 85), isso representa "um novo perfil que exige um reposicionamento dos serviços de agenciamento diante do conflito de papéis entre distribuidor e consultor". Segundo Ansarah (2002, p. 61), “para atender às tecnologias que estão sendo aplicadas no mercado do turismo, o profissional das agências de viagens deverá preparar-se adequadamente e reposicionar o seu perfil, mediante a consideração dos seguintes aspectos”. Estamos vivendo uma nova fase para as agências de turismo, marcada por maior eficiência, redução de custos e acesso a um vasto universo de informações. No entanto, essa era também traz desafios, como concorrência global, disputa de preços, redução de pessoal, entre outros impactos previstos. Diante disso, as agências de viagens precisam modernizar suas estruturas, revisar seus processos e adaptar suas formas de atuação, garantindo competitividade nesse mercado emergente, onde o futuro dependerá integralmente da capacidade de seus produtos e serviços se tornarem digitais (Negroponte, 1995). Como uma das estratégias de “reinvenção” das agências de turismo, a personalização dos produtos e serviços se apresenta cada vez mais como uma forma de maior atração dos consumidores da atividade turística. Sobre tal estratégia, Bursztyn e Assis (2015, p. 213) citam que “A personalização consiste em sistemas baseados em aplicações de Inteligência artificial que mapeiam a navegação dos turistas dentro dos portais das OGDs, coletando seus cliques e gerando recomendações de destinos e fornecedores turísticos similares aos que estejam pesquisando”. Neste contexto, as IA’s - Inteligências Artificiais (Figura 1) – assumem um protagonismo na contemporaneidade, vezes associadas a facilitação dos processos, vezes criticada em função de suas imperfeições e substituição da mão de obra humana. Conceitualmente, a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia de aprendizado automatizado, onde máquinas são capazes de adquirir insights e se ajustarem com base em padrões e dados recebidos, sem depender de programação específica. Essa inovação tem revolucionado a indústria de viagens, permitindo que hoteleiros, companhias aéreas, empresas de aluguel de carros e outros setores se conectem de maneira mais eficiente e personalizada com seus clientes (Araujo; Farias; Ferreira, 2020). Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 549 Figura 1 - Principais ferramentas de IA. Fonte: Google Imagens. Organização dos autores (2025). Conforme Rocha (2017), a era atual da internet destaca a personalização das máquinas através da inteligência artificial, que é programada para compreender nossas preferências e oferecer conteúdos alinhados aos nossos interesses. Um exemplo disso pode ser observado nas buscas de informações relacionadas a viagens. Tradicionalmente, essas buscas eram realizadas em vários sites até que o consumidor encontrasse a opção mais atraente. Já com as ferramentas modernas, os resultados são exibidos com base no perfil e nas necessidades do consumidor, oferecendo informações mais claras e ajustadas ao viajante. No setor de viagens e turismo, os sistemas inteligentes consistem em tecnologias avançadas projetadas para oferecer serviços de alta qualidade aos consumidores e profissionais da área. Esses sistemas geram um fluxo abundante de informações que auxiliam na tomada de decisões, promovem maior mobilidade e tornam a experiência do turista mais satisfatória. A tecnologia presente em destinos turísticos pode contribuir tanto para o planejamento quanto para o desenvolvimento da viagem, seja por meio de informações detalhadas sobre o local ou pela utilização de aplicativos em smartphones (Soares; Mendes-Filho; Cacho, 2017). Assim sendo, considerando o conceito de Educação Ambiental, o avanço tecnológico das Inteligências Artificiais e os novos modelos de negócios das agências de turismo, observa-se uma grande oportunidade do uso integrado desses conceitos/temáticas na proposição de roteiros turísticos voltados a Educação Ambiental a partir de prompts de comandos em sistemas de inteligência artificial. Diante da temática apresentada, objetiva-se aqui a construção de uma análise acerca da aplicabilidade do uso das tecnologias de inteligência artificial (IA) na formulação de roteiros turísticos voltados a Educação Ambiental em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. A partir da premissa da importância da Educação Ambiental para a atividade turística e dos atuais avanços tecnológicos da Inteligência Artificial, postula-se aqui a capacidade de organização de roteiros voltados a prática do turismo responsável na região sudoeste mato-grossense. Justifica-se a presente proposta em virtude da relevância do município de Cáceres enquanto destino turístico, uma vez que, este compreende um relevante percentual do bioma Pantanal, que se apresenta como um ambiente de singularidade paisagística, dotado de relevantes exemplares de fauna Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 550 e flora, além de constantemente estar ameaçado por dinâmicas antrópicas como a agricultura e pecuária. Além disso, o território cacerense ainda conta com áreas do bioma de Cerrado e Amazônia, denotando assim um alto grau de importância ambiental. 2. METODOLOGIA A presente investigação possui natureza qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, utilizando revisão bibliográfica (artigos científicos, teses, dissertações e documentos oficiais) e análise de dados secundários obtidos por meio de sites e sistemas de Inteligência Artificial. A pesquisa qualitativa se justifica na perspectiva de qualificar a discussão acerca da Educação Ambiental e sua aplicação a partir da tecnologia, representada pela organização de roteiros turísticos com o auxílio da Inteligência Artificial. Neste sentido, a pesquisa se propõe a explorar a referida temática considerando o cenário do destino turístico de Cáceres, Mato Grosso, Brasil, descrevendo assim as possibilidades de roteiros turísticos ligados a Educação Ambiental elaborados por meio dos principais sistemas de Inteligência Artificial disponibilizados gratuitamente na rede global de internet (Lakatos; Marconi, 2017). O estado de Mato Grosso possui uma área total de 903 mil km², sendo 478 mil km² pertencentes ao Bioma Amazônia, 367 mil km² ao Bioma Cerrado e 58 mil km² ao Bioma Pantanal. O município de Cáceres (Figura 2) é o único onde os três biomas coexistem, com predomínio do Pantanal. No geral, o Bioma Amazônia está presente, de forma principal ou secundária, em 93 municípios, o Bioma Cerrado em 92 e o Pantanal em 15 (Faria, 2014). Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 551 Figura 2 - Município e Pantanal de Cáceres no contexto nacional, estadual e intermunicipal. Fonte: LABGeo Unemat (2023). Segundo Sudré (2012), a atividade turística no Pantanal atua como um fator econômico e ambiental em algumas regiões, enquanto em outras permanece estagnada. Cáceres-MT, juntamente com sua região, é reconhecida como o principal polo turístico do Pantanal. Conforme dados do IBGE (2022), o município possui 89.681 habitantes, distribuídos em uma área de 24.495,510 km², o que resulta em uma densidade demográfica de 3,66 habitantes por km². Localizada na microrregião do Alto Pantanal e na mesorregião do Centro-Sul Mato-grossense, Cáceres encontra-se na margem esquerda do rio Paraguai, a aproximadamente 215 km de distância de Cuiabá, capital de Mato Grosso, como destacado por Silva et al. (2016). Para a proposição dos roteiros turísticos, foram estabelecidos como parâmetros de amostragem a aplicação de prompt de comando em cinco (5) reconhecidas ferramentas de Inteligência Artificial de uso geral: OpenAI ChatGPT; Microsoft Copilot; DeepSeek, Meta AI e Google Gemini. Para a construção dos roteiros turísticos de educação ambiental, foi utilizado o mesmo prompt de comando em todos os sistemas de IA citados na amostragem, de modo a possibilitar a comparação dos resultados oferecidos por cada um, permitindo assim observar seus pontos positivos e negativos. O prompt padrão utilizado foi: “Haja como um agente/consultor profissional de turismo e formule um roteiro turístico detalhado de 3 dias voltado a atividades que contemplem a Educação Ambiental em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. No roteiro, deverão ser indicados atrativos que Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 552 possibilitam Educação Ambiental, sua exata localização, instruções para realizar as atividades e valores. Citar também possibilidades de hospedagem, transporte e alimentação em Cáceres. Indicar também guias profissionais do município para auxiliar nas atividades de Educação Ambiental apresentadas. Fazer a descrição detalhada dos três dias de roteiro”. Após a execução do prompt de comando nos sistemas de IA, as informações geradas foram organizadas em um quadro síntese e discutidas, possibilitando assim a avaliação de cada um dos sistemas, bem como seus pontos fortes e fracos na organização de roteiros turísticos voltados a Educação Ambiental. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES A partir da aplicação do prompt de comando nos cinco (5) sistemas de Inteligência Artificial elencados na amostragem da pesquisa, foi possível gerar e analisar os roteiros propostos em cada um deles, permitindo assim avaliar a veracidade e coerência das informações indicadas, bem como a viabilidade de execução de atividades turísticas voltados a Educação Ambiental em Cáceres, Mato Grosso, Brasil. A seguir apresenta-se a avaliação de cada IA utilizada. 3.1. OpenAI ChatGPT Considerado um dos percussores das IA’s, o popular ChatGPT tem sido utilizado para as mais diferentes finalidades, inclusive enquanto ferramenta de organização de informações de viagens em destinos turísticos. No caso da presente proposta, o OpenAI ChatGPT ofereceu o seguinte roteiro: Roteiro turístico de educação ambiental em Cáceres-MT - 3 dias. O roteiro foi dividido da seguinte forma: Dia 1 - Imersão no Pantanal Norte - Rio Paraguai; Dia 2 - Observação de Fauna e Educação sobre Conservação; e Dia 3 - Experiência no Pantanal Matogrossense. Dentre os destaques, o roteiro indica passeio no rio Paraguai, Visita ao Centro de Educação Ambiental Sesc Cáceres, Trilha Ecológica na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cabaçal; Workshop de Educação Ambiental – Projeto Arara Azul; Vivência em Fazenda Pantaneira Sustentável e Oficina de Observação de Aves e Plantas Nativas - Fazenda Descalvados. O passeio de barco no rio Paraguai (Figura 3) é indicado com início no Porto Geral de Cáceres, porém o endereço informado no roteiro não condiz com o correto. Quanto a visita ao Centro de Educação Ambiental Sesc Cáceres, destaca-se que a instituição oferece atividades de visitação ao centro, possibilitando assim a operacionalização da atividade em um roteiro de Educação Ambiental. Quanto a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cabaçal, esta foi indicada no roteiro proposto, porém não foi identificada sua existência no Cadastro Nacional de Unidades de Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 559 Conforme observado, o único sistema de IA que apresenta atrativos plenamente condizentes com a realidade de Cáceres-MT e passíveis de associação a práticas de Educação Ambiental é o Microsoft Copilot, entretanto, a ferramenta apresenta relevantes equívocos/limitações no que concerne a indicações de alimentação, hospedagem, transportes, guias e informações adicionais. Tais reflexões vão ao encontro do apontado por Oliveira e Resende (2014) e Ansarah (2002), uma vez que, destacam que a tecnologia por si só ainda não é capaz de oferecer todos os encaminhamentos necessários para atender as necessidades dos turistas, sendo importante então o investimento conjunto em formação profissional capaz de usar as tecnologias a favor do planejamento e execução de atividades turísticas. Tendo em vista a imprecisão das IA’s, é possível aferir que apesar da proposição de roteiros que não sejam plenamente operacionais, as ferramentas avaliadas podem servir de suporte na organização parcial de informações ligadas a Educação Ambiental no município cacerense, cabendo ao agente de turismo atuar na filtragem e checagem das informações geradas pelos sistemas de IA. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo em vista a importância da atividade turística no cenário econômico, ambiental, social e cultural, observa-se cada vez mais a necessidade da discussão de sua promoção a partir de práticas ligadas às ferramentas de Educação Ambiental. Considerando a associação do turismo enquanto atividade de valores responsáveis e que preza pela conservação ambiental, vislumbra-se a continuidade dos ambientes que servem como lócus da atividade, prologando assim a vida útil dos diferentes destinos turísticos, beneficiando comunidades locais, turistas/visitantes, poder públicos e privados. Neste ínterim, percebe-se cada vez mais a inserção tecnológica nos processos de planejamento, organização e operacionalização da atividade turística. Apesar de sua importância, os avanços da tecnologia, nesse caso específico representados pela aplicação das IA’s na formulação de roteiros turísticos, apresentam fragilidades quanto a exatidão das informações organizadas. Entretanto, tais ferramentas tecnológicas oferecem relevante suporte na pesquisa e organização de dados dos mais diferentes destinos turísticos do globo terrestre. Ressalta-se que as possibilidades de investigações deste cunho não se esgotam aqui, uma vez que, há um crescente desenvolvimento de diferentes ferramentas de IA, cada vez mais especializadas (inclusive para organização de viagens) e aprimoradas em função da retroalimentação de suas informações. Assim sendo, apesar das imprecisões observadas nos casos discutidos nesta investigação, é inegável que tais sistemas servirão cada vez mais como suporte da organização das atividades turísticas nos mais distintos destinos. Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.17902861 ISSN 2317-5419 560 Entretanto, convém aqui destacar a importância do “elemento humano”, uma vez que, apesar da reestruturação do agenciamento turístico, principalmente em função das novas tecnologias, a figura do agente de turismo ainda ocupa relevante papel na organização das viagens, principalmente reconhecendo a urgência do planejamento e desenvolvimento de atividades turísticas responsáveis, respeitando a condição socioambiental das destinações turísticas, bem como estimulando práticas que viabilizem a prática de um turismo pautado nos princípios da Educação Ambiental. AGRADECIMENTOS Ao Laboratório de Geotecnologias aplicadas aos estudos socioambientais e interdisciplinar (LABGeo) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) pela estrutura física, equipamentos e cedência de imagens e ao Laboratório de Pesquisa e Estudos em Geomorfologia Fluvial "Prof. Sandra Baptista Cunha" (LAPEGEOF) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) pela cedência de imagens. REFERÊNCIAS ANSARAH, M. G. R. Formação e capacitação do profissional em Turismo e Hotelaria: reflexos e cadastros das instituições educacionais do Brasil. São Paulo: Aleph, 2002. 202p. ARAUJO, T. M. O.; FARIAS, M. F.; FERREIRA, L. V. F. Um estudo sobre modelo de gestão dos negócios com ênfase no turismo 4.0. Revista Turismo Estudos e Práticas-RTEP/UERN, v. 9, n. 2, p. 1-20, 2020. BANDUCCI JR, A.; BARRETO, M (Orgs.) Turismo e identidade local: uma visão antropológica. Campinas: Papirus, 2001. 208p. BRANCALIONE, L. 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