Review assesses the state of the art regarding the use of livestock for ecosystem management in Mediterranean landscapes
Abstract
The use of domestic herbivores in ecosystem management contributes to fire prevention and biomass control, but this effect fades when pastoral activity is long-term. The use of goats performs better in terms of biomass control when compared to other domestic livestock species. The effects on biodiversity and habitat conservation were positive when the grazing regime was extensive or moderate, and significantly negative when the regime was intensive. The effect of livestock farming on regulating soil quality is always negative, and its impact increases with the intensity of the grazing regime practised.
Full text
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2 SILVPAST Revisão do estado de arte relativamente à utilização do pastoreio para a gestão de ecossistemas na paisagem mediterrânica. Programa financiador: PDR 2020 - Programa de Desenvolvimento Rural Medida: Ação1.1 - Grupos Operacionais Código: PDR2020-101-031877
3 Ficha técnica Coordenação Nuno Rodrigues Colaborador Conceição Santos Silva Colaborador Inês Ribeiro Colaborador Miguel Simões Colaborador Octávio Paulo Colaborador Silvia Bernardino Colaborador Vânia Proença Data: 24/05/2024
4 Índice Ficha técnica ................................................................................................................ 3 1. Sumário .................................................................................................................... 5 2. Introdução ............................................................................................................... 6 3. Enquadramento ...................................................................................................... 8 3.1 Os Bosques de Carvalho Negral ..................................................................... 8 3.2 Regeneração Natural ....................................................................................... 9 4. Pastoreio................................................................................................................ 10 5. Conclusão .............................................................................................................. 11 6. Boas práticas para a gestão silvo-pastoril ....................................................... 16 Referências ................................................................................................................ 18 Índice de ilustrações Figura 1. Áreas de estudo ......................................................................................... 7 Figura 2.Impacto do regime de pastorícia nos ecossistemas........................... 12 Figura 3. Estrutura da vegetação com e sem pastoreio .................................... 13 Figura 4. Número de espécie vasculares identificadas numa área de 1m² .... 14 Figura 5. Curvas NDVI para as diferentes classificações de plantas ............... 15
5 1. Sumário Na bacia do mediterrânio, a estrutura e composição de espécies da paisagem tradicional é desde os primórdios moldada e mantida pela atividade e distúrbios antrópicos, como o pastoreio extensivo de gado. A interrupção destas práticas, que parcialmente substituíam as perturbações naturais, pode levar ao crescimento excessivo da vegetação e acumulação de biomassa, com potenciais impactos negativos nas funções e serviços dos ecossistemas. O uso da atividade pecuária para gestão dos ecossistemas, através da manutenção dos distúrbios causados pela pastorícia, tem atualmente vindo a ganhar interesse. Contudo, ainda existe pouco conhecimento sobre a eficiência desta prática. Neste trabalho foi realizada uma revisão sobre o estado de arte em relação ao uso da pastorícia para a gestão dos ecossistemas na paisagem mediterrânica bem como instaladas parcelas de estudo para o mesmo fim. Foi analisado o efeito que o regime e duração da atividade pecuária, sob diversas ocupações de solo, tem sobre os ecossistemas. A prevenção de incêndios, através da redução da biomassa, a conservação de habitats e biodiversidade, e a regulação da qualidade do solo são as três principais razões para o uso da pastorícia. No geral, os resultados observados, ou seja, o efeito da pastorícia na gestão de ecossistemas da paisagem do mediterrâneo, foram bastante distintos para os diferentes estudos analisados. Os resultados sugerem que o uso de herbívoros domésticos na gestão de ecossistemas contribui para a prevenção de incêndios e controlo de biomassa, contudo este efeito desvanece quando a atividade pastoril é de longo termo. O uso de cabras tem um desempenho melhor no controlo de biomassa, quando comparado com outras espécies de gado doméstico. Em relação aos efeitos na biodiversidade e conservação dos habitats foram positivos quando o regime de pastoreio era extensivo ou moderado, e significativamente negativos quando o regime era intensivo. O efeito na regulação da qualidade do solo da atividade pecuária é sempre negativo, aumentando o seu impacto com a intensidade do regime de pastoreio praticado.
6 Como resultado deste projeto, foi criado o documento “Implementação custo-eficiente de mosaicos silvopastoris de carvalho negral” que reúne toda a informação obtida da revisão do estado de arte e os resultados observados nas áreas de estudo. 2. Introdução O presente relatório técnico é um resumo do projeto SILVPAST. A entidade responsável por este projeto foi a Terraprima Sociedade Agrícola, Lda. O grupo operacional responsável pelas inovações aqui resumidas é constituído pelas seguintes entidades: Terraprima Sociedade Agrícola, Lda. Multinatura, Lda. APIS, Companhia Agrícola e Pecuária, S.A. Quinta do Colmeal, Lda. ATNatureza – Associação Transumância e Natureza UNAC – União da Floresta Mediterrânica FCUL – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
7 Este grupo de trabalho teve como objetivo desenvolver um método de implementação de mosaicos silvo-pastoris, em áreas ocupadas por carvalhonegral, promovendo as atividades pecuárias e florestais viabilizando economicamente a exploração destas áreas. Para alcançar estes objetivos foi em primeiro lugar realizada uma revisão bibliográfica e posteriormente realizado um intenso trabalho de inventário florestal e florístico, monitorização dos animais pastoreados, tratamento de imagens de satélite e análise genética das árvores da espécie em causa. No total houve 2 áreas de estudo, constituídas por povoamentos de carvalhonegral, totalizando uma área superior a 300ha. As áreas de estudo são constituídas por dois tipos de parcelas. Parcelas testemunha (locais que não sofreram alterações) e parcelas onde fora introduzido pastoreio de baixa intensidade, < 0,3 cabeças de gado normais por hectare (encabeçamento). Em uma das áreas de estudo foi também analisada uma área com a ocupação por pastagem. Posteriormente foi avaliado o impacto da atividade pastoril nas seguintes variáveis: estrutura da vegetação, regulação da biomassa, biodiversidade, sucesso da regeneração natural, produtividade e sazonalidade da vegetação. FIGURA 1. ÁREAS DE ESTUDO
8 3. Enquadramento 3.1 Os Bosques de Carvalho Negral Os bosques de carvalho negral (Quercus pyrenaica Willd.) são um ecossistema nativo de Portugal, Espanha, França e Marrocos, ocupando zonas de transição entre climas temperados sub-húmidos (Cfb) e climas semi-aridos mediterrânicos (BSk). São ecossistemas de elevado valor paisagístico e ecológico, pelo que foram classificados pela rede NATURA 2000 como habitats de interesse comunitário. Atualmente estes sistemas encontram-se em risco de desaparecer devido às atividades antrópicas e sucessiva recorrência de incêndios. O que levou à atual ocupação do território ser bastante diminuta e fragmentada. Como estes sistemas são muito pouco produtivos economicamente e bastante atingidos por fogos, o proprietário não tem incentivo de gerir estes locais ativamente, o que leva à acumulação de biomassa e maior suscetibilidade a incêndios. Pretende-se revigorar estes sistemas através da introdução do pastoreio, permitindo reduzir os custos associados ao controlo da vegetação espontânea e haver um retorno económico mais regular ao proprietário, assim assegurando o restauro a longo prazo dos bosques nativos. Devido à distribuição espacial desta espécie, tal como mencionado anteriormente, ser diminuta e dispersa, houve a necessidade de
9 compreender se as áreas de estudo apresentavam diversidade genética suficiente para garantir a perpetuidade dos povoamentos. 3.2 Regeneração Natural A regeneração natural do carvalho negral pode ocorrer por via seminal ou vegetativa (rebentos de toiça ou de raízes superficiais). Estes dois meios de regeneração natural apresentam vantagem diferentes. Em relação à via seminal, esta permite que exista uma maior diversidade genética, em relação à via vegetativa, esta permite um crescimento inicial mais vigoroso e maior resistência a condições de secura pois faz uso de um sistema radicular já desenvolvido. A regeneração natural quando comparada a plantações apresenta algumas vantagens e desvantagens. Em relação aos fatores positivos, da regeneração natural, esta é menos dispendiosa monetariamente e é mais ecológica, devido a não se causarem perturbações no sistema e estar assente nos processos naturais de sucessão ecológica. Contudo este processo é mais demoroso, é imprevisível em relação á composição, distribuição espacial e etária, e pode levar á acumulação de vegetação espontânea aumentando assim a suscetibilidade a incêndios.
16 6. Boas práticas para a gestão silvo-pastoril De modo a garantir a recuperação e perpetuidade dos povoamentos de caralho negral, a implementação de mosaicos silvo-pastoris pode ser um método de gestão a contemplar. Este método de gestão permite reduzir encargos financeiros, aumentar os lucros e diminuir a periodicidade de retornos monetários ao proprietário. Desta maneira cria-se um incentivo para a gestão ativa destes ecossistemas, auxiliando o restabelecimento de bosque nativos. Abaixo segue uma lista de boas práticas para a implementação de mosaicos silvo-pastoris de carvalho negral. - A área intervencionada deve de ser constituída por três tipos de parcelas, distribuídos heterogeneamente pela sua área. Parcelas de pastagem, terrenos de diminuta ocupação arbórea e arbustiva com pastagem que suplementam a alimentação do gado, parcelas de floresta pastoreadas, o uso destes terrenos pelos animais permite o controlo da vegetação espontânea, e parcelas de floresta com exclusão do pastoreio, de modo a garantir o sucesso da regeneração natural. - Caso tenha sido detetado um “afunilamento” do material genético, em princípio tal não irá acontecer devido à dispersão do pólen a grandes
17 distâncias, será necessário realizar a introdução de indivíduos geneticamente diferentes. - Deverá haver uma rotação entre as parcelas de floresta com pastoreio e sem pastoreio, de modo a garantir a perpetuidade de todo o povoamento. - O encabeçamento deverá ser reduzido, de modo a promover os efeitos positivos do pastoreio e mitigar os efeitos negativos. Como medida aproximada, o encabeçamento deverá ser entre 0,3 e 1 cabeça de gado normal por hectare, valores inferiores não se obterá o efeito pretendido na redução de biomassa e valores superiores irão promover em grande escala os efeitos negativos. - Será necessário continuar a realizar operações de controlo da vegetação espontânea sempre que necessário, contudo em princípio será com uma maior periodicidade. - Após a introdução do pastoreio numa dada área, toda a regeneração natural deverá ser protegida, garantido assim o seu sucesso.
18 Referências Toda a informação e imagens contidas no presente relatório são da auditória do Grupo Operacional SILVPAST O presente relatório teve como base: Rodrigues, N. (2023). Implementação Custo-Eficiente de Mosaicos Silvopastoris de Carvalho Negral. UNAC – União da Floresta Mediterrânica. Benfica, Portugal.
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