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O uso do fruto tucumã (Astrocaryum aculeatum) como ferramenta para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA

Ana Paula Pereira dos Santos; Klenicy Kazumy de Lima Yamaguchi

Abstract

Resumo: A abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) vem como uma possibilidade de contribuir com a aproximação da teoria e prática, enfatizando a interconexão entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, reconhecendo a influência mútua desses elementos no desenvolvimento científico e tecnológico. Essa pesquisa objetivou demonstrar a utilização do fruto tucumã como ferramenta pedagógica para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA. A pesquisa caracteriza-se como natureza básica com objetivos exploratórios e os procedimentos técnicos se enquadram como intervenção, com métodos quali-quantitativos. O projeto aconteceu na Escola de Tempo Integral localizados na cidade de Coari-Amazonas, em uma turma do 1º ano do Ensino Médio. O desenvolvimento da pesquisa aconteceu em 5 etapas: a aplicação do questionário inicial; aula expositiva; aula prática; abordagem CTSA e questionário final. Após essa análise foi possível identificar que a sequência didática contribuiu para o desenvolvimento de habilidades investigativas e científicas dos alunos, possibiltando uma maior compreensão dos conceitos científicos, relacionando-os com questões sociais, ambientais e tecnológicas. Salienta-se que essas práticas metodológicas aproximaram os conteúdos teóricos de química em aplicações reais. A utilização do uso de tucumã como ferramenta de ensino possibilitou a exploração de temas como biodiversidade, sustentabilidade, impactos ambientais e aplicação de conceitos de química, permitindo aos alunos uma aprendizagem mais significativa e uma maior conscientização sobre a interação entre ciência, tecnologia e sociedade. Palavras-chave: Ensino de química. Tucumã. Abordagem CTSA.

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HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 77 O uso do fruto tucumã (Astrocaryum aculeatum) como ferramenta para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA The use of tucumã fruit (Astrocaryum aculeatum) as a tool for teaching chemistry using the STS approach Ana Paula Pereira dos Santos 1 Klenicy Kazumy de Lima Yamaguchi 2 Resumo: A abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) vem como uma possibilidade de contribuir com a aproximação da teoria e prática, enfatizando a interconexão entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, reconhecendo a influência mútua desses elementos no desenvolvimento científico e tecnológico. Essa pesquisa objetivou demonstrar a utilização do fruto tucumã como ferramenta pedagógica para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA. A pesquisa caracteriza-se como natureza básica com objetivos exploratórios e os procedimentos técnicos se enquadram como intervenção, com métodos quali-quantitativos. O projeto aconteceu na Escola de Tempo Integral localizados na cidade de Coari-Amazonas, em uma turma do 1º ano do Ensino Médio. O desenvolvimento da pesquisa aconteceu em 5 etapas: a aplicação do questionário inicial; aula expositiva; aula prática; abordagem CTSA e questionário final. Após essa análise foi possível identificar que a sequência didática contribuiu para o desenvolvimento de habilidades investigativas e científicas dos alunos, possibiltando uma maior compreensão dos conceitos científicos, relacionando-os com questões sociais, ambientais e tecnológicas. Salienta-se que essas práticas metodológicas aproximaram os conteúdos teóricos de química em aplicações reais. A utilização do uso de tucumã como ferramenta de ensino possibilitou a exploração de temas como biodiversidade, sustentabilidade, impactos ambientais e aplicação de conceitos de química, permitindo aos alunos uma aprendizagem mais significativa e uma maior conscientização sobre a interação entre ciência, tecnologia e sociedade. Palavras-chave: Ensino de química. Tucumã. Abordagem CTSA. Abstract: The CTSA approach (Science, Technology, Society, and Environment) emerges as a possibility to contribute to the integration of theory and practice, emphasizing the 1 Graduada em Ciências: Biologia e Química pelo Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas 2 Doutora em Química. Professora Adjunta no Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas Recebido em: 28 /10/2025 Aprovado em: 16/12/2025 Sistema de Avaliação: Double Blind Review HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 78 interconnection between Science, Technology, Society, and Environment, recognizing the mutual influence of these elements on scientific and technological development. This research aimed to demonstrate the use of the tucumã fruit as a pedagogical tool for teaching chemistry using the CTSA approach. The research is characterized as basic nature with exploratory objectives, and technical procedures are classified as intervention, using quali-quantitative methods. The project took place at the Full-Time School located in the city of Coari-Amazonas, with a 1st-year High School class. The research development occurred in 5 stages: initial questionnaire application, lecture, practical class, CTSA approach, and final questionnaire. After analysis, it was possible to identify that the didactic sequence contributed to the development of investigative and scientific skills among students, enabling a better understanding of scientific concepts by relating them to social, environmental, and technological issues. It is emphasized that these methodological practices brought theoretical chemistry content closer to real-world applications. The use of tucumã as a teaching tool enabled the exploration of topics such as biodiversity, sustainability, environmental impacts, and the application of chemistry concepts, allowing students to achieve more meaningful learning and greater awareness of the interaction between science, technology, and society. Keywords: Chemistry teaching. Tucumã. CTSA approach. 1 Introdução Com o avanço da sociedade e da ciência, torna-se necessário que a educação acompanhe as transformações e se adapte a elas. Nesse sentido, a educação em CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) surge como uma proposta pedagógica que busca integrar esses aspectos em todos os níveis educacionais. Segundo Vasconcelos e Andrades (2017), a utilização de atividades experimentais no ensino de química, voltadas para abordagens CTSA, tem como enfoque desenvolver a competência científica nos estudantes, estabelecendo relações entre as ciências naturais, outras áreas do conhecimento e os desafios da sociedade. Dessa forma, o ensino de Química deve ser voltado para a formação de cidadãos críticos, capazes de avaliar as consequências sociais e ambientais da ciência e tecnologia, a fim de propor soluções que visem um desenvolvimento sustentável (Lorenzetti, 2016). Além disso, a educação CTSA tem como objetivo desenvolver uma visão crítica e reflexiva sobre a ciência e a tecnologia, a fim de que os estudantes possam compreender as implicações sociais, ambientais e éticas desse saber (Leite et al.,2018). Pensando nisso, o presente trabalho buscou utilizar o tucumã como ferramenta para o ensino de química. Conforme destacado por Nogueira et al. (2014), os recursos naturais locais possuem grande potencial para serem utilizados no ensino de ciências, uma vez que permitem uma conexão entre o conhecimento científico e a realidade dos estudantes. O tucumã (Astrocaryum aculeatum) é uma fruta nativa da região amazônica, região localizada no Norte do Brasil, palmeira pertencente à família Aracaceae (Lopes et al., 2015). O HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 79 uso do tucumã como alimento tem origem na cultura indígena e desde então tem se mostrado uma importante fonte de nutrientes e de benefícios à saúde da população da região Amazônica (DE Macêdo, 2015, p, 377). De acordo com estudos realizados, o tucumã tem sido apontado como uma frutífera com inúmeros benefícios, uma vez que o óleo derivado do tucumã contém uma grande quantidade de ácidos graxos essenciais, antioxidantes, vitaminas A e B, além de fitoesteróis, e possui possível propriedades anti-inflamatórias e antitumorais (Alves, 2020). Essa palmeira tem um papel social importante na região amazônica, pois sua exploração sustentável pode gerar empregos e renda para as localidades de cultivos e vendas. Segundo Tolentino et al. (2016), a cadeia produtiva do tucumã no Amazonas tem potencial para gerar desenvolvimento socioeconômico das comunidades ribeirinhas, além de promover a conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida da população local. Diante disso, o presente trabalho tem como objetivo analisar a utilização do tucumã como ferramenta pedagógica para o ensino de química, considerando a educação CTSA como premissa metodológica. A pesquisa buscará evidenciar como o uso do tucumã pode contribuir para o desenvolvimento da competência científica nos estudantes, bem como para a promoção da valorização dos recursos naturais locais. 2 Referencial teórico Ensino de química O ensino de química é uma disciplina fundamental no currículo escolar, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades cientificas (Del Pino, 2011). A abordagem tradicional no ensino de química tem sido criticada por sua ênfase excessiva na memorização de fórmulas e conceitos, sem que haja uma conexão com mundo real dos alunos. Conforme afirmar Da Silva (2011, p. 1): Das disciplinas ministradas, tanto no ensino fundamental como no ensino médio, a Química é citada pelos alunos como uma das mais difíceis e complicadas de estudar, e que sua dificuldade aumenta por conta de ser abstrata e complexa. Eles alegam a necessidade de memorizar fórmulas, propriedades e equações químicas. Tendo em vista que hoje além das dificuldades apresentadas pelos alunos em aprender Química, muitos não sabem o motivo pelo qual estuda química, e nem sempre esse conhecimento é repassado de maneira que o aluno consegue compreender a importância dessa disciplina. (Neto; Carvalho, 2008). No entanto, pesquisa recentes na área de ensino de ciências têm enfatizado a importância HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 80 de abordagem contextualizadas e significativas, que possibilite aos alunos relacionar os conceitos com a situação do cotidiano. A contextualização no ensino é amplamente apoiada por educadores e grupos ligados à educação como uma estratégia que permite aos alunos uma educação para a cidadania, ao mesmo tempo em que promove uma aprendizagem dos conteúdos. Neste sentido, a contextualização é vista como uma abordagem que ensina conceitos científicos relacionados à vivência dos alunos, seja como recurso pedagógico ou como um princípio orientador do processo de ensino (Silva, 2007). CTSA A abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) é um enfoque interdisciplinar e integrado que visa promover a compreensão das interações entre a ciência, a tecnologia, a sociedade e o meio ambiente (RICARDO, 2008). Essa abordagem reconhece que a ciência, e a tecnologia são influenciadas por fatores sociais e estão intrinsecamente relacionadas ao ambiente em que são desenvolvidas. A integração desses quatro elementos no ensino das ciências permite uma compreensão mais ampla e crítica dos impactos e das implicações das descobertas cientificas e das inovações tecnológicas na sociedade e no meio ambiente (VASCONCELS, 2017). De acordo com os pensamentos de Linsingen (2007, p. 32) sobre a proposta CTSA: Educar numa perspectiva CTSA é, fundamentalmente, possibilitar uma formação para maior inserção social das pessoas no sentido de se tornarem aptas a participar dos processos de tomadas de decisões conscientes e negociadas em assuntos que envolvam ciência e tecnologia. Essa prática busca desenvolver nos alunos habilidades de pensamento crítico, tomada de decisões e participação ativa na resolução de problemas complexos. Assim como afirma Da Silva (2007, p. 22) “Então, ao ensino de Ciências com enfoque CTS, delega-se a função de preparar os futuros cidadãos a participarem ativamente no processo democrático de tomada de decisões na sociedade”. Uso de produtos naturais no ensino O uso de produtos naturais no ensino é uma estratégia educacional que busca promover uma abordagem mais contextualizada e significativa no ensino. A contextualização se faz necessária e é importante no processo educacional dos alunos, uma vez que muitos professores HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 81 têm buscado estratégias metodológicas para auxiliar na compreensão fazendo ligação com o cotidiano dos estudantes (Lima et al., 2022). Diante disso, a abordagem valoriza a utilização de recursos naturais, como plantas, minerais e organismos vivos como ferramenta para explorar conceitos científicos, históricos geográficos, entre outros (Martins et al.,2017). Essa vertente tem sido amplamente defendida por educadores e pesquisadores por seus benefícios pedagógicos e sua capacidade de engajar os alunos de forma mais concretas e prática. Ao utilizar produtos naturais, os alunos têm a oportunidade de vivenciar experiências únicas, o que estimula o interesse, a curiosidade e a motivação (Lima et al., 2017). Além disso, o uso de produtos naturais no ensino contribui para a valorização da biodiversidade e para a conscientização ambiental. Os alunos são incentivados a explorar a natureza ao seu redor, observar as características dos produtos naturais e compreender sua importância ecológica (Arruda, 1999). 3 Metodologia O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza básica e de caráter exploratório, sendo classificada, quanto aos procedimentos técnicos, como uma pesquisa de intervenção. Segundo Pádua (2019, p. 39), a pesquisa é uma atividade voltada à resolução de problemas, envolvendo busca, indagação e investigação sistemática da realidade. No contexto científico, a pesquisa permite a produção de conhecimentos que contribuem para a compreensão dos fenômenos e orientam a ação humana frente às diferentes situações do cotidiano. A investigação foi desenvolvida na Escola Estadual de Tempo Integral, localizada no município de Coari-AM, com uma turma do 1º ano do Ensino Médio (1º ano 3), totalizando a participação de 18 estudantes. O desenvolvimento da proposta ocorreu em cinco etapas sequenciais, descritas a seguir. HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 82 Aplicação do questionário inicial A primeira etapa consistiu na coleta de dados diagnósticos por meio da aplicação de um questionário inicial contendo sete questões abertas e fechadas. O instrumento foi elaborado para identificar o nível de conhecimento prévio dos estudantes sobre o fruto tucumã (Astrocaryum aculeatum), incluindo aspectos relacionados à sua composição, usos tradicionais, importância socioeconômica e possíveis aplicações químicas. O questionário também buscou compreender a percepção dos alunos sobre a relação entre produtos naturais e processos químicos, servindo como subsídio para direcionar as etapas seguintes da intervenção. A aplicação ocorreu em sala de aula, com duração aproximada de 30 minutos, em ambiente tranquilo e supervisionado pelo pesquisador e pelo professor responsável pela disciplina de Química. Aula expositiva Na segunda etapa, foi ministrada uma aula expositiva dialogada, utilizando recursos audiovisuais como data show e slides ilustrativos. O conteúdo abordado tratou dos processos de separação de misturas homogêneas e heterogêneas, tema integrante do currículo de Química do Ensino Médio. Durante a exposição, o docente incentivou a participação ativa dos alunos, propondo questionamentos sobre situações cotidianas em que tais processos são aplicados. Essa etapa teve por finalidade retomar conceitos fundamentais e estabelecer uma ponte entre a teoria e a prática, preparando os estudantes para compreender os princípios envolvidos na extração do óleo de tucumã, que seria realizada posteriormente. A aula teve duração de aproximadamente 50 minutos. Aula prática: extração do óleo de tucumã A terceira etapa consistiu na realização de uma atividade experimental voltada à extração artesanal do óleo da polpa de tucumã, com o objetivo de promover a aprendizagem significativa por meio da experimentação. O experimento foi desenvolvido em sala de aula, de forma supervisionada, e contou com o uso de materiais de fácil acesso, conforme especificado na Tabela 1. Tabela 1 – Materiais utilizados na aula prática Materiais Reagentes Materiais Reagentes HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 83 4 tubos de ensaio 4 seringas 1L de álcool Polpa de tucumã tritura Peneira/filtro de café 4 copos Fonte: elaborada pelo autor, 2024. O procedimento ocorreu em três momentos: a) Preparação do material: Foram descascadas e trituradas 20 unidades de tucumã, obtendo-se uma massa homogênea, armazenada em recipiente plástico com tampa e mantida sob refrigeração até o momento do uso. b) Mistura e repouso: Cada grupo de alunos adicionou uma colher de polpa de tucumã e 10 mL de álcool etílico em um tubo de ensaio, realizando agitação leve para promover a dissolução parcial das substâncias lipídicas. As amostras permaneceram em repouso por 72 horas, a fim de favorecer a separação das fases. c) Filtragem e evaporação: Após esse período, o conteúdo foi filtrado com auxílio de peneira ou filtro de café e o filtrado foi transferido para copos plásticos, mantidos em local arejado por 72 horas adicionais, permitindo a evaporação do álcool e a observação da formação de uma fina camada de óleo. Essa prática experimental possibilitou aos estudantes visualizar a aplicação de conceitos de extração, decantação e evaporação, além de valorizar um recurso natural amplamente disponível na região amazônica. Abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente) Na quarta etapa, realizou-se uma atividade de reflexão e debate fundamentada na abordagem CTSA, com o propósito de ampliar a compreensão dos alunos sobre a relação entre o conhecimento científico e o contexto sociocultural amazônico. Os estudantes organizaram-se em círculo de discussão, favorecendo a interação e o diálogo horizontal. Utilizou-se recursos visuais (slides, imagens e vídeos curtos), em que o professor-mediador conduziu a reflexão sobre os aspectos científicos, tecnológicos, sociais e ambientais relacionados ao uso do tucumã, desde o aproveitamento de seus derivados até as implicações da extração e do consumo sustentável. Durante a atividade, foram discutidos temas como valorização dos produtos regionais, geração de renda, impactos ambientais da coleta e importância da biotecnologia na conservação dos recursos naturais. Essa etapa buscou promover o desenvolvimento do pensamento crítico e HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 84 da consciência ambiental, articulando ciência e cidadania. Os exemplos práticos do cotidiano foram apresentados para ilustrar a relevância do tema na vida dos alunos. Aplicação do questionário final A última etapa consistiu na aplicação de um questionário avaliativo final, composto por cinco questões abertas, voltadas à análise da compreensão conceitual e da percepção dos alunos sobre o projeto desenvolvido. As perguntas abordaram aspectos relacionados à aprendizagem dos processos de separação de misturas, à atividade experimental de extração do óleo e às discussões CTSA, buscando identificar as contribuições da intervenção para o engajamento, curiosidade científica e contextualização do ensino de Química. Os dados obtidos foram analisados de forma qualitativa, considerando as respostas escritas e as observações registradas durante as aulas, de modo a compreender os avanços conceituais e atitudinais dos participantes em relação ao tema. 4 Resultados e discussão O presente estudo, apresenta as análises obtidas a partir de etapas, como aplicação do questionário inicial, revisão do conteúdo de processos de separação de misturas, abordagem CTSA do tucumã e por último questionário final, com objetivo de investigar e analisar o tema em questão. Na primeira etapa foi aplicado um questionário inicial, para saber o nível de conhecimento dos alunos com o fruto que iria ser trabalhado foram no total de participantes 18 alunos que estavam presente nessa aula. Tabela 1: Diagnóstico inicial Questões OPÇÕES RESULTADOS (N) RESULTADOS(%) 1.Você gosta de comer tucumã? A) Sim 13 72% B) Não 5 28% 2.Em que forma você costuma consumir o tucumã? Tucumã com pão ou tapioca 9 50% Tucumã com pão ou tapioca e só o fruto 3 17% Tucumã com pão ou tapioca, só o fruto e em outras comidas 1 5% Não consumo 5 28% 3.Quais propriedades nutricionais você D 2 11% F 7 39% HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 85 acredita que o tucumã possui?* A 1 6% C e D 2 11% A e D 3 17% C 1 6% C e E 1 6% 4.Quais benefícios para a saúde você conhece relacionados ao consumo de tucumã? Reforço do sistema imunológico 3 17% Melhora da saúde ocular 1 6% Auxílio na digestão 1 6% Contribuição para a saúde cardiovascular 2 12% Não sei os benefícios 11 61% Você sabia que é possível extrair óleo a partir do tucumã? Sim 13 72% Não 5 28% Você já utilizou ou consumiu produtos feitos com óleo de tucumã? Sim 5 28% Não 13 72% Você sabia que o tucumã tem substâncias químicas? Sim 7 39% Não 11 61% *Opcões: a)Rico em vitaminas; b)Fontes de minerais; c) Contém fibras; d) Fonte de energia; e) Não sei as propriedades nutricionais do tucumã Fonte: elaborada pelos autores, 2024. Dos 18 alunos entrevistados, 72% afirmaram gostar de comer tucumã, enquanto 28% disseram que não gostam. A maioria dos alunos entrevistados demonstrou um interesse positivo pelo consumo de tucumã. Essa preferência pode estar relacionada ao sabor característico e à popularidade da fruta na região em que o projeto está sendo desenvolvido. Além disso, o tucumã é considerado uma fruta típica da Amazônia, como afirma Ferraz e Didonet (2014), “ O tucumanzeiro é uma palmeira típica da região amazônica e pertence ao gênero Astrocaryum”. Sendo assim, o que pode despertar um sentimento de identificação e valorização do local de origem. Em relação a pergunta de número 2, à forma de consumo do tucumã 9 alunos marcaram a opção de consumir com pão ou tapioca, 3 alunos marcaram as opções de consumir a fruta in natura e com pão ou tapioca, 5 alunos marcaram a opção de não consumir tucumã e 1 aluno marcou as opções de consumir a fruta in natura, com pão ou tapioca e de outras formas. Os resultados indicam que a maioria dos alunos está familiarizada com o consumo do tucumã acompanhado de pão ou tapioca. Essa forma de consumo pode ser influenciada por hábitos alimentares regionais e pela disponibilidade desses alimentos na região (COSTA, 2005). Além disso, a variedade de respostas indica que existem diferentes formas de consumir o tucumã. De acordo com Kieling et al (2019), a polpa alaranjada do tucumã faz parte dos hábitos HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 92 do óleo do tucumã. Além do fruto que pode ser usado para esses fins nas indústrias, é importante falar sobre os artesanatos feitos por comunidades ribeirinhas e por tribos indígenas. Tudo do tucumã é aproveitado, desde o fruto como a alimentação, folhas confecções de cestos, coberturas de casas em comunidades rurais, o tronco é utilizado como madeira para construção de casas. Ao abordamos o tucumã na sociedade, discutiu-se os impactos econômicos que gera renda tanto para comunidades ribeirinhas sustentadas pelo extrativismo, como para cidadão que sustentam suas famílias com vendas do fruto nas feiras e diferentes localidades dentro dos municípios amazonenses. Além disso, discutiu-se a importância dos alimentos produzidos com base no tucumã, como x-caboquinho e tapioca com tucumã que beneficia a sociedade local e contribuem para o turismo em algumas regiões da Amazônia. No aspecto ambiental foi trabalho a importância da planta para o ecossistema, alguns estudos relatam que algumas espécies de palmeiras tais como o tucumã seja tolerante a solos pobres e degradados. Diante disso, concluísse que a palmeira pode contribuir para áreas que sofreu algum tipo de perturbação, seja ela por desmatamento, alagação ou queimada. Essa palmeira tem potencial para integrar sistemas como agroflorestais, podendo ser usada para recuperação de área destruídas (Lopes et al., 2015). A quinta e última etapa foi a aplicação do questionário final, com objetivo de verificar, se o projeto obteve exto ou não. Durante esse passo 22 alunos participaram da pesquisa. É importante ressaltar, que o número de alunos que participaram desse momento foi maior que do início da pesquisa. Isso porque muitos discentes ficam ausentes da escola por algum período por motivos variados. Tabela 2 – Questionário final sobre a avaliação dos alunos. QUESTÕES OPÇÕES RESPOSTA (N) RESPOSTA (%) 1.A revisão do conteúdo de processo de separação de misturas antes da atividade prática com o tucumã foi útil para você? Sim 15 68% Não 0 0% Não tem certeza 7 32% 2.A atividade experimental sobre a extração do óleo de tucumã foi eficiente para entender os processos de separação de misturas? Sim 18 82% Não 1 4% Não tem certeza 3 14% 3.Durante a extração do óleo de tucumã, quais métodos de separação de misturas foram utilizados? Marque na ordem correta Catação, Extração, Centrifugação, Decantação, Evaporação 3 14 Destilação, Catação, Separação Magnética, Evaporação 2 9% HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 93 Extração, Catação, decantação, Levigação, Evaporação 4 18% Catação, Extração, Filtração, Decantação, Evaporação 10 45% Filtração, Peneiração, Flotação, Decantação, Evaporação 3 14% 4.Você concorda que o uso do tucumã como ferramenta para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA foi eficaz para seu aprendizado? Sim 20 91% Não 0 0% Não tenho certeza 2 9% 5.O uso do tucumã como ferramenta contribui para a conscientização sobre a importância da preservação da biodiversidade amazônica? Sim 15 68% Não 1 5% Não tenho certeza 6 27% Fonte: elaborada pelos autores, 2024. A maioria dos alunos considerou a revisão do conteúdo de processos de separação de misturas antes da atividade prática com o tucumã como útil. Isso indica que a revisão prévia contribuiu para o entendimento dos conceitos teóricos e preparou os alunos para a aplicação prática durante a atividade experimental. Os discentes que responderam que “não tem certeza” podem ter tido diferentes motivos para essa resposta. Alguns podem ter se sentindo confusos ou inseguros sobre a relevância da revisão teórica para a atividade. Outros podem ter tido dificuldades em conectar os conceitos teóricos com a aplicação prática no contexto do tucumã. Dos 22 alunos que participaram do questionário, 18 que corresponde à 82% responderam que a atividade experimental sobre a extração do óleo de tucumã foi eficiente para entender os processos de separação de misturas, 1 aluno que corresponde à 4%, respondeu não e 3 alunos que corresponde à 14% responderam que não tem certeza. A maioria dos alunos considerou a atividade experimental eficiente para entender os processos de separação de misturas. Isso indica que a atividade prática ajudou visualizar e compreender na prática os conceitos teóricos apresentados anteriormente. Os discentes que responderam não provavelmente tiveram dificuldades ou não conseguiu fazer a conexão entre a atividade experimental e os processos de separação de misturas. É importante investigar os motivos dessa resposta para identificar possível lacunas na compreensão do aluno. Contudo, no memento dessa atividade, foi dado espaço para sanar dúvidas que possivelmente poderia existir. No que diz respeitos aos alunos que responderam a opção de não tenho certeza podem tem tido diferentes motivos para essa resposta. Eles podem ter se sentido inseguros sobre o HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 94 quanto a atividade experimental contribui para o entendimento dos processos de separação de misturas ou podem ter tido dúvidas específicas sobre determinados aspectos da atividade. Os resultados mostram que 10 alunos responderam corretamente, marcando a opção D. Esses alunos demonstraram compreensão dos métodos de separação de misturas utilizados durante a extração do óleo de tucumã. No entanto, é preocupante que alguns alunos tenham selecionado respostas incorretas. Dois alunos escolheram a opção B, três alunos escolheram a opção A, três alunos escolheram a opção “E” e quatro alunos escolheram a opção C. Essas respostas indicam que esses alunos podem ter uma compreensão limitada ou confusa sobre os métodos de separação de misturas. É importante abordar as respostas incorretas dos alunos para corrigir possíveis equívocos e fornecer esclarecimentos adicionais. Contudo, é importante ressaltar que esse conteúdo era uma revisão, pois já havia sido trabalhado pelo professor da turma, e que no momento que as etapas das práticas aconteciam eram lembrados de qual processo de separação estava ocorrendo Além disso, é válido destacar a importância de entender os métodos de separação de misturas não apenas para a atividade específica com o tucumã, mas também para a compreensão de processos químicos em geral. Isso foi feito com a finalidade de motivar os alunos a se empenharem em aprender e aplicar esses conceitos em outras situações. Em relação a pergunta feita 20 alunos concordou que o uso do tucumã como ferramenta para o ensino de química utilizando a abordagem CTSA foi eficaz para o seu aprendizado. Isso indica que a abordagem CTSA, que integra Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, aliada ao uso prático do tucumã, proporcionou uma experiência de aprendizado significativa para esses alunos. Enquanto 2 alunos responderam não ter certeza, podem ter tido diferentes motivos para essa resposta. Eles podem não ter uma opinião formada sobre a eficácia do uso do tucumã como ferramenta de ensino ou podem ter dúvidas sobre os benefícios específicos dessa abordagem. É válido ressaltar que o uso de materiais práticos e contextos do mundo real, como o tucumã, pode promover uma compreensão mais profunda dos conceitos científicos, além de incentivar a curiosidade, o pensamento crítico e a conexão entre a ciência e o cotidiano dos alunos. Essa abordagem CTSA pode ser uma estratégia eficaz para engajar os alunos e tornar o ensino de química mais relevante e significativo. Além disso, é encorajador ver que a maioria dos alunos reconhece que o uso do tucumã como ferramenta de ensino contribui para a conscientização sobre a importância da preservação da biodiversidade amazônica. Isso indica que os alunos estão fazendo uma conexão entre a HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 95 atividade prática com o tucumã incluindo a abordagem CTSA e a valorização da biodiversidade da Amazônia. O aluno que respondeu "não" pode ter tido uma visão diferente ou pode não ter percebido a relação direta entre o uso do tucumã e a conscientização sobre a preservação da biodiversidade amazônica. É importante abordar essa resposta para entender os motivos do aluno e fornecer informações adicionais sobre a importância da biodiversidade e como o uso do tucumã pode ajudar a promover essa conscientização. Os alunos que responderam "talvez" podem ter tido diferentes níveis de compreensão sobre a relação entre o uso do tucumã e a conscientização da importância da biodiversidade amazônica. É importante explorar as razões por trás dessas respostas e fornecerem mais informações e exemplos para ajudar a fortalecer a conexão entre a atividade com o tucumã e a conscientização ambiental. No geral, é importante destacar a relevância da biodiversidade amazônica e como o uso de materiais e contextos locais, como o tucumã, pode ajudar a promover a conscientização sobre a importância da preservação desse ecossistema único. Isso pode incentivar os alunos a se tornarem defensores da biodiversidade e a adotarem práticas sustentáveis em suas vidas cotidianas. 5 Considerações Finais Ao iniciar o projeto de pesquisa, constatou-se a escassa utilização de matérias-primas naturais nas aulas de Ciências, em especial nas de Química. A investigação buscou evidenciar de que forma o uso do tucumã pode contribuir para o desenvolvimento da competência científica dos estudantes e para a valorização dos recursos naturais locais. Nesse sentido, o estudo sobre o uso do tucumã como ferramenta pedagógica, aliado à abordagem CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente), mostrou-se relevante para o processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa teve como objetivo geral analisar a utilização do tucumã como ferramenta pedagógica para o ensino de Química, considerando como premissa metodológica a educação orientada pela perspectiva CTSA. Verificou-se que o objetivo foi alcançado, uma vez que o uso de produtos naturais como o tucumã, foi bem aceito pelos alunos, possibilitando o desenvolvimento integrado dos aspectos científicos, tecnológicos, sociais e ambientais relacionados ao fruto. Além disso, os objetivos específicos também foram atendidos, pois a HUMANIDADES & TECNOLOGIA (FINOM) - ISSN: 1809-1628. vol. 62 – Out. /Dez. 2025 Doi 10.5281/zenodo.17952583 96 extração do óleo de tucumã para a demonstração dos processos de separação de misturas ocorreu de forma satisfatória, promovendo a valorização dos recursos naturais da região e estimulando o interesse dos estudantes pela ciência. Por fim, destaca-se que práticas metodológicas contextualizadas aproximam o aluno do seu cotidiano e favorecem uma aprendizagem mais significativa. Entretanto, a ausência de contextualização nas aulas de Química ainda compromete a compreensão dos conceitos científicos, tornando necessário o incentivo a estratégias pedagógicas que articulem teoria e realidade local, de modo a fortalecer o ensino de Ciências em contextos amazônicos. Referências ALVES, Vânia Maria. Caracterização física, química, antinutricional e tecnológica de coprodutos de frutos da Amazônia Legal. 2020. 181 f. 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