Processando o Saber nº 7, 2015 48 AVALIAÇÃO AMBIENTAL DO RIO MONGAGUÁ, SP, UTILIZANDO MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS MATOS, Janara de Camargo, Mestre* * Faculdade de Tecnologia de Praia Grande Pça. 19 de Janeiro, 144, Boqueirão, Praia Grande / SP, CEP: 11700-100 Fone (13) 3591-1303
[email protected] SAGULA, Amanda de Lourdes, Técnica ** MENEZES, Viviane F., Técnica ** SOUZA, Iasmim O., Técnica ** ALMEIDA, Fernanda S. O., Técnica ** ** Etec de Praia Grande Pça. 19 de Janeiro, 144, Boqueirão, Praia Grande / SP, CEP: 11700-100 Fone (13) 3591-1303 RESUMO da qualidade ambiental do seu entorno. Uma das comunidades biológicas muito estudada, neste sentido, é o grupo dos macroinvertebrados bentônicos, seres com dimensões entre milímetros e centímetros que muitos invertebrados macroscópicos são usados para diagnosticar a qualidade das águas do Rio Mongaguá, SP, através da análise de parâmetros físicos, químicos e biológicos, utilizando a contagem e entre Praia Grande e Mongaguá, os pontos foram denominados 1, 2 e 3. Os resultados das análises químicas e físicas demonstraram o pH e turbidez dentro dos valores referências para águas doces de classe 2 da https://doi.org/10.5281/zenodo.15558094
Processando o Saber nº 7, 2015 49 resolução CONAMA 357/05. No ponto 1 foram encontrados organismos Chironomidae, que possuem resistência para sobreviver em águas com baixos níveis de oxigênio. Este ponto apresentava grande quantidade de lixo como garrafas plásticas e restos de alimentos. Não foi possível determinar a qualidade ambiental do ponto 2, pois o único organismo 3, dos grupos Plecoptera, Trichoptera, Ephemeroptera e Lepdoptera, que, neste ponto, a qualidade da água era boa. PALAVRAS-CHAVE: macroinvertebrados, bentônicos, avaliação ambiental. ABSTRACT Study the environmental quality of a water body leads to knowledge of the environmental quality of their surroundings. Biological communities has been studied, in this sense, as the benthic macroinvertebrates group. According to the literature there are many macroscopic invertebrates that are used to diagnose the health of rivers and lakes. The present study sought to understand the water quality of the Mongagua River, in São Paulo, Brazil, through the analysis of physical, chemical and biological parameters (benthic macroinvertebrates), at two points in Rio Mongagua and a third point in a tributary located on the border to survive in waters with low oxygen levels ,in this point were found rubbish like plastic bottles and food debris. It was unable to determine Ephemeroptera and Lepdoptera groups inhabit clean waters with high oxygen content, it can be inferred that at this point, the water quality was good. KEY-WORDS
Processando o Saber nº 7, 2015 50 INTRODUÇÃO Um dos temas mais discutidos, atualmente, é a dependência comum da população, necessária à agricultura, o lazer, o abastecimento, à indústria entre outras atividades, por isso a necessidade da preservação desse recurso natural é essencial. quando o objeto de estudo trata-se de um rio, pois este integra os fatos solo. Assim, suas características ambientais, especialmente as das comunidades biológicas, fornecem informações sobre as consequências et al., 2001). Uma das comunidades biológicas mais estudadas, sob essa perspectiva, é o grupo dos macroinvertebrados bentônicos, ou seja, macroscópicos que são usados para diagnosticar a saúde de rios e lagoas. O amplo uso dos invertebrados bentônicos na avaliação da qualidade da água, baseia-se na facilidade de coleta destes seres, além do fato de terem reduzido movimento de dispersão se comparado aos características taxonômicas. Por estes motivos, estes poderiam ser mais explorados como ferramenta didática. Ainda assim, muitos estudos aulas relacionadas aos temas ambientais. Estudos demonstram que estes organismos podem servir como parâmetro de qualidade da água, se analisados com outros aspectos quais grupos de macroinvertebrados bentônicos estão presentes em três pontos do Rio Mongaguá, para juntamente, com a análise de outros parâmetros, constatar o nível de qualidade da água deste rio (BAPTISTA, 2008; AMORIM & CASTILLO, 2009; CALLISTO et al., 2001). análise dos parâmetros físicos, químicos e biológicos, com foco nos macroinvertebrados bentônicos.
Processando o Saber nº 7, 2015 51 1 ÁREA DE ESTUDO O Rio Mongaguá localiza-se no município de Mongaguá, no A área do município de Mongaguá ocupa 143,17 Km2, com “Enseada de lama pegajosa”. Os índios que viviam as margens do Rio seguindo para o mar ora para um lado, ora para o outro. Este fato acabava por tornar toda a região lamacenta (LIVRO MONGAGUÁ, 2013). O Rio Mongaguá nasce na Serra do Mar a uma altitude de de extensão, atravessa o Bairro da Pedreira, o Centro de Mongaguá e desemboca no mar (PRAIASSP, 2013). O local denominado Poço das Antas trata-se de um parque Dentre os atrativos mais procurados, destaca-se o Poço Maior, tendo este uma cascata de cinco metros, frequentada por adultos e crianças. As para formar o Rio Mongaguá. O acesso ao Poço das Antas se dá pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega após a curva da área central do município de Mongaguá (GUIA DO LITORAL UOL, 2012). 2 METODOLOGIA foram realizados os procedimentos descritos a seguir.
Processando o Saber nº 7, 2015 52 2.1 MATERIAIS UTILIZADOS EM CAMPO E NAS ANÁLISES DE LABORATÓRIO Para a saída de campo, foram utilizados os seguintes materiais na realização das coletas e medições: peneira, sacos plásticos Os materiais e equipamentos usados nas análises de laboratório foram: pHmetro, condutivímetro, bacias, baldes, peneiras, pipetas plásticas, pinças de inox, microscópios, lupas de mão, placas de Petri, 2.2 PROCEDIMENTOS DE COLETA No dia 20/04/2013 foi realizada uma reunião para planejamento elaboração do dos materiais necessários. Foram determinados, inicialmente, dois pontos de pesquisa para a coleta de água e sedimento (ponto 1 e 2). Posteriormente à coleta, conforme a Figura 1, foi realizada a coleta em mais um ponto, denominado ponto 3 (Figura 2).
Processando o Saber nº 7, 2015 53 Figura 1 – Pontos 1 e 2 no Rio Mongaguá, SP Figura 2 – Ponto 3, Praia Grande, SP
Processando o Saber nº 7, 2015 54 PONTO1 – próximo ao Poço das Antas, este ponto encontra-se na lateral, cerca de 10 metros, da rodovia Padre Manoel da Nóbrega, sentido Peruíbe. PONTO2 – próximo à praia do Centro de Mongaguá, cerca de 400 metros de distância do ponto1. Praia Grande, JardimSolemar. Conforme mapa, este córrego inicia-se A água foi coletada em potes de vidros previamente esterilizados e lavados in loco, com a própria água do local; cerca de 500 mL foram coletados em cada ponto. Para coleta do sedimento, nos pontos 1 e 2, foi usada uma peneira com abertura de 0,5 mm para coleta dos organismos bentônicos. Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) (SILVEIRA et al. Figura 3 – Armadilha para coleta de macroinvertebrados Fonte: Silveira et al., 2012. 2.3 LAVAGEM DO SEDIMENTO O procedimento de lavagem do sedimento ocorreu no laboratório de Microbiolgia da Fatec Praia Grande e consistiu na
Processando o Saber nº 7, 2015 55 a visualização dos organismos entre o sedimento. Foi realizada a lavagem do sedimento em torneira de água corrente, por meio de uma peneira, com um balde posicionado logo abaixo do material lavado. de organismos. Também é importante ressaltar que, cuidados devem ser tomados para evitar a quebra dos organismos. Após a lavagem, 2.4 IDENTIFICAÇÃO DOS MACROINVERTEBRADOS BENTÔNICOS Para realização das análises dos organismos bentônicos e a) Biomonitoramento para Avaliação da Qualidade da Água em Rios, EMBRAPA, 2004. b) Carla Boeira. Comunicado Técnico 19. Protocolo de Coleta e Preparação de Amostras de Macroinvertebrados c) Marcos Eliseu Losekann; Ana Lúcia Silva Marigo; Marisa Nascimento. Circular Técnica 23. Utilização de Coletores com Substrato Artificial para o Biomonitoramento da Qualidade da Água na Aquicultura. 2012. d) Macroinvertebrados Bentônicos de Água Doce.1 e) 2 pdf. Acesso em: 03 maio 2013.
Processando o Saber nº 7, 2015 56 amostras na placa de Petri, coletando-se os organismos com uma pinça de inox. Em seguida foram montadas lâminas a fresco e as mesmas foram levadas ao microscópio óptico, bem como foram observadas utilizando lupa de mão. Foram analisadas as morfologias dos organismos e realizadas as medidas de suas dimensões quando o organismo media acima de 1 mm. Com o auxílio dos materiais supracitados realizou-se a foram armazenados em potes de vidros etiquetados e conservados com álcool 70º. Os organismos não identificados foram enviados aos especialistas da EMBRAPA Meio Ambiente, para solicitação de auxílio 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Ponto1: Foi observada uma vegetação densa, incluindo mata ciliar em restos de alimentos, papelões e sacos plásticos estavam presentes no local.
Processando o Saber nº 7, 2015 63 BIS, BARBARA; COSMALA, GRAZINA. de Macroinvertebrados Bentônicos de Água Doce. Disponível CALLISTO, M; MORETTI, M; GOULART, M. Macroinvertebrados Revista Brasileira de Recursos Hídricos. V. 6, n. 1, jan-mar, 2001. p. 71-82. GUIA DO LITORAL UOL. Reserva ecológica em Mongaguá oferece roteiros alternativos aos visitantes, www2.uol.com.br/guiadolitoral/materias/ poco_das_antas-2925-2012. GOOGLE EARTH-MAPAS Acesso em: 27 maio 2013. IBGE 2013. LIVRO MONGAGUÁ MORETTI, M. S. Grupos de Macroinvertebrados Bentônicos. Instituto de Ciências Biológicas Departamento de Biologia Geral Laboratório de Ecologia de Bentos.2004. Freshwater biomonitoring and benthic macroinvertebrates. (eds.)
Processando o Saber nº 7, 2015 64 SILVEIRA, M. P.; QUEIROZ, J. F.; LOSEKAN, M. E.; MARIGO, A. L. S.; NASCIMENTO, M. Circular Técnica 23. Utilização de Coletores da Água na Aquicultura. 2012. UECE.Disponível em: aereas/ciconiiformes.pdf. Acesso em: 27 maio 2013.