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Adaptações de páginas web para deficientes visuais: análise de sites para identificar a necessidade das adaptações

Vidal, Rosemeire Cardozo; Albuquerque, Ronaldo Alves

Abstract

A internet, meio de comunicação amplamente difundido, favorece hoje diferentes grupos de usuários, inclusive os deficientes visuais. Para que este grupo em especial possa se favorecer desta ferramenta em suas atividades diárias, de forma eficaz, é necessário que haja atenção especial no desenvolvimento da interface das páginas Web. O W3C, órgão que visa normatizar internacionalmente o conteúdo da Web, disponibiliza através da WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), diretrizes que visam orientar o desenvolvedor na tarefa de criar um projeto com os níveis de acessibilidade adequados para conteúdo Web. Essa pesquisa tem por objetivo apresentar a atual situação de acessibilidade de sites comumente utilizados por usuários, visando identificar a utilização dos padrões de acessibilidade do W3C por parte dos desenvolvedores de paginas Web. Para tanto, foi utilizada a ferramenta DaSilva, avaliador em português, baseando nas regras de acessibilidade do WCAG, em 10 sites divididos entre sites de notícias online, instituições de ensino, lojas virtuais, bancos e organizações públicas. Analisando os resultados dos testes, nota-se que o processo de implantação das adaptações para acessibilidade ainda está em fase inicial. Os resultados obtidos mostram que 20% dos sites testados foram desenvolvidos usando as recomendações de acessibilidade da WCAG, o que pode ser considerado razoável, pelo tamanho da amostra, porém pouco satisfatório levando em consideração o universo de sites atualmente disponibilizados na internet. Versão publicada na Revista Processando o Saber:https://www.fatecpg.edu.br/revista/index.php/ps/article/view/97

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Processando o Saber nº 4, 2012 62 ADAPTAÇÕES DE PÁGINAS WEB PARA DEFICIENTES VISUAIS: ANÁLISE DE SITES PARA IDENTIFICAR A NECESSIDADE DAS ADAPTAÇÕES ALBUQUERQUE, Ronaldo Alves, Tecnólogo* VIDAL, Rosemeire Cardoso, Especialista* Departamento de Informática para Gestão de Negócios *Faculdade de Tecnologia de Praia Grande – Centro Paula Souza Pça. 19 de Janeiro, 144, Boqueirão, Praia Grande / SP, CEP: 11700-100 Fone (13) 3591-1303 [email protected] [email protected] RESUMO A internet, meio de comunicação amplamente difundido, favorece Para que este grupo em especial possa se favorecer desta ferramenta atenção especial no desenvolvimento da interface das páginas Web. O , órgão que visa normatizar internacionalmente o conteúdo da Web, disponibiliza através da WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), diretrizes que visam orientar o desenvolvedor na tarefa de criar um projeto com os níveis de acessibilidade adequados para conteúdo Web. Essa pesquisa tem por objetivo apresentar a atual situação de acessibilidade de sites comumente utilizados por usuários, por parte dos desenvolvedores de paginas Web. Para tanto, foi utilizada a ferramenta DaSilva, avaliador em português, baseando nas regras de acessibilidade do WCAG, em 10 sites divididos entre sites de notícias online, instituições de ensino, lojas virtuais, bancos e organizações públicas. Analisando os resultados dos testes, nota-se que o processo de implantação das adaptações para acessibilidade ainda está em fase inicial. Os resultados obtidos mostram que 20% dos sites testados foram desenvolvidos usando as recomendações de acessibilidade da https://doi.org/10.5281/zenodo.15566609 Processando o Saber nº 4, 2012 63 WCAG, o que pode ser considerado razoável, pelo tamanho da amostra, porém pouco satisfatório levando em consideração o universo de sites atualmente disponibilizados na internet. PALAVRAS-CHAVE: acessibilidade, desenvolvimento web, ABSTRACT group of users a good experience while browsing the Internet, it is necessary to take special care during the development of Web pages. content, provides the WCAG (Web Content Accessibility Guidelines) which intend to guide the developer on the task of creating a project has the objective of showing the accessibility situation of commonly In order to identify the patterns, a tool known as DaSilva was used to there are online news, institutes of education, virtual shops, banks and public organizations. Analyzing the tests results, it is possible to notice that the process of applying the guidelines of accessibility is at the developed according to the WCAG guidelines, which is below average and unsatisfactory regarding the real amount of available Web sites on the internet. KEYWORDS: accessibility, web development, visually disabled. Processando o Saber nº 4, 2012 64 INTRODUÇÃO A utilização da tecnologia, para auxiliar pessoas com necessidades especiais, possibilita a realização de muitas tarefas que antes não poderiam ser desenvolvidas por essas pessoas. Godinho (2010, apud BARBOSA, 2010), destaca que: “Para a maioria das pessoas a tecnologia torna a vida mais fácil. Para uma pessoa com necessidades especiais, a tecnologia torna as coisas possíveis”. O precário acesso à informação e a serviços de telecomunicações: “[...] têm constituído um dos mais sérios obstáculos à integração escolar, o seu acesso à equiparação de oportunidades a que, inegavelmente, têm direito” (GODINHO, 2010 apud BARBOSA, 2010). Segundo Spelta (2010, p.2): “A maioria das pessoas que conhecemos não situações especiais descritas acima. Mas isso não quer dizer rigorosamente nada a respeito da quantidade dessas pessoas e situações. Por exemplo, quantos tailandeses você conhece que usam a internet? Será que você poderia concluir, então, que são muito poucos os tailandeses que usam a internet? Nossa visão da realidade é sempre distorcida, pois tendemos a nos aproximar e conhecer somente aquilo que nos é semelhante”. O uso da tecnologia atenderia perfeitamente pessoas com necessidades especiais, como Godinho, não fosse pela visão limitada que se faz da diversidade de indivíduos na sociedade, como cita Spelta, o que contribui diretamente com o baixo nível de acessibilidade. Atualmente, observa-se que os desenvolvedores Web não possuem conhecimento das necessidades especiais de determinados grupos, concentrando-se apenas nas características da grande massa; o que resulta em um produto que Devido à falta de acessibilidade na maioria dos sites, alguns projetos foram criados para corrigir esse problema, como é o caso do Processando o Saber nº 4, 2012 65 visam adaptar o conteúdo da Web, permitindo que este possa estar ao alcance de pessoas com necessidades especiais. Alguns dos integrantes da equipe Acesso Digital são deficientes visuais e vivenciam a sites. No site do projeto Acesso Digital são relatadas complicações e propostas soluções que defendem a idéia de “Acessibilidade de Verdade”, slogan da equipe que trabalha para tornar a Web um ambiente inclusivo (ACESSO DIGITAL, 2010). 1 FERRAMENTAS DE AUXÍLIO A DEFICIENTES VISUAIS Clark (2002) faz uma observação sobre o modo como pessoas existentes no ambiente que cerca estes indivíduos. Conclui-se, portanto, que em um ambiente adequadamente preparado uma pessoa com Para exemplificar essa situação é possível citar caixas máquinas contam com conexão para fone de ouvido e podem conversar com o cliente por meio de um banco de frases pré-programadas. Com o fone, o cego é guiado por uma voz eletrônica, que o orienta a pressionar os botões de acordo com a operação que necessita e recolher comprovantes e dinheiro. O sistema tem um controle de segurança para que só o usuário tenha acesso às informações. No momento em que o fone de ouvido é conectado, a tela do caixa eletrônico escurece, protegendo, desta forma, dados sigilosos como número da conta e senhas. O tato também é um sentido importante para a utilização do equipamento. Da entrada da área de auto-atendimento até o caixa especial o cego é guiado por um piso tátil, emborrachado e com pequenas saliências. Já o teclado possui inscrições em braile (JUNIOR, 2008). O exemplo anterior prova que é possível adequar um ambiente suprindo as necessidades especiais de determinados indivíduos, possibilitando que estes também possam realizar atividades que exigiriam o sentido da visão. Processando o Saber nº 4, 2012 66 é a visual, já que este passa a maioria das informações ao usuário via estímulos visuais, bem como qualquer outro aparelho que possa acessar a Internet, como celulares e outros dispositivos móveis (DIAS, 2007). Sendo assim, faz-se necessária a utilização de algum tipo de tecnologia assistiva para tornar possível o acesso ao conteúdo que antes estava somente disponível aos que dispõem do sentido da visão. Tecnologia assistiva é qualquer tipo de dispositivo ou recurso que torne possível a realização de uma tarefa por um indivíduo que por algum motivo é termo não está ligado somente à informática, uma muleta usada por alguém com problemas para andar, por exemplo, é uma tecnologia assistiva (BERSCH e TONOLLI, 2010). No caso de pessoas que não enxergam, uma possibilidade de tecnologia assistiva é um programa que fará a leitura do texto contido na página Web, são os chamados leitores de tela. Esse tipo de sistema é comumente utilizado e garante ao usuário independência para poder navegar pela internet sem o auxílio de uma pessoa com boa visão, pois vai navegar ouvindo o conteúdo do site utilizando apenas o teclado para interagir com o computador. Um fato interessante sobre o acesso via leitores de tela, é que estes têm opções que possibilitam a reprodução do conteúdo escrito a uma velocidade duas vezes mais rápida que uma pessoa falando em uma conversa empolgante, sem redução da qualidade do áudio (CLARK, 2002). Uma ferramenta muito conhecida que realiza essa tarefa é a JAWS, a versão de teste pode ser adquirida no site do fabricante Freedom Esta versão de teste funciona por cerca de 40 minutos sendo necessário reinicializar o computador para nova utilização. 2 DEFICIÊNCIAS DAS PÁGINAS WEB Dentre os problemas encontrados no acesso de sites destacamse: a) site deve Processando o Saber nº 4, 2012 67 idioma utilizado no texto. Estas informações são utilizadas pelo agente de usuário (navegador, leitor de tela e etc.) para melhor reprodução do conteúdo a ser exibido. Quando o idioma não está corretamente site, o usuário que utiliza um leitor de tela terá como resposta sons diferentes do esperado, tornando o entendimento das palavras imagine uma pessoa que fala português tentando ler em voz alta um texto escrito em inglês, sem conhecer esse idioma. Neste caso, a fonética se tornaria completamente diferente e as palavras não seriam entendidas por uma pessoa que fala inglês; b) falta de clareza: a falta de clareza na nomenclatura encontrada nos sites prejudica o usuário que navega na internet utilizando leitor de telas, pois, esses leitores possuem atalhos para tornar mais ágil e produtiva a navegação, por exemplo, ao mudar entre as diferentes abas abertas, o leitor reproduz para o usuário o título exibido na aba selecionada; Figura 1 – Título da página exibido na aba do navegador Fonte: Adaptado Se esse título não for esclarecedor a navegação por abas será prejudicada, pois o usuário não terá certeza do conteúdo existente na página apenas ouvindo o título (CLARK, 2002). Ao navegar pelo site da entidade Centro Paula Souza, por exemplo, percebe-se que todas as páginas compartilham o mesmo título “Centro Paula Souza”, apesar de Processando o Saber nº 4, 2012 68 c) conteúdo acessível apenas por meio do mouse (dispositivo utilizado para movimentar o ponteiro): conteúdo acessível por mouse exige do usuário habilidades visuais, formando uma barreira para os que não enxergam, caso não haja uma maneira alternativa que permita ao usuário utilizar o teclado para acessar o conteúdo (CLARK, 2002). Um exemplo desse tipo de conteúdo é a barra de menus contida nos sites que ao passar o ponteiro do mouse exibe opções que estavam ocultas, Figura 2 – Menu com opções ocultas Fonte: Adaptado site de compras no qual a navegação das lojas virtuais se dá por meio do menu exibido na lateral esquerda. Ao navegar pelo site com a tecla tab, simulando a menu, impedindo que o usuário entre na loja. d) ou informações passadas apenas por meio de imagens, como é o caso de fotos ou ícones que além de enfeitar os sites executam ações ao serem acionados, sem texto alternativo estão invisíveis a usuários com texto alternativo que descreva de maneira concisa a informação que a imagem passa ou a ação que será executada ao acioná-la (PILGRIM, 2002); Processando o Saber nº 4, 2012 69 e) conteúdo principal em local de difícil acesso: o conteúdo principal de páginas Web, como a manchete em um site de notícias, por para ganhar visibilidade e ser percebido antes de qualquer outra coisa, visual. Isso ocorre, porque o leitor de telas lê o conteúdo seguindo uma sequência, que é de cima para baixo e da esquerda para a direita. Sendo assim, todos os menus, propagandas e links antes da informação principal e são facilmente ignorados por usuários de tela, obrigando o usuário a escutar grande quantidade de conteúdo no qual não está interessado antes de chegar ao conteúdo desejado (CLARK, 2002; PILGRIM, 2002); f) informação transmitida apenas por cores: cores, quando de acordo com as cores que distinguem cada elemento dos demais. Um daltônico pode não perceber a diferença entre eles (Figura 3). Links que utilizam apenas cores diferentes como forma de diferenciação do texto comum podem passar despercebidos por daltônicos da mesma forma (CLARK, 2002; PILGRIM, 2002). link diferenciado do texto, apenas pela cor vermelha, é facilmente confundido com o restante do texto quando visto por um daltônico, o que não ocorre nos outros dois casos, onde ainda é percebido o sublinhado e o negrito na fonte usada. Figura 3 – Diferentes tipos de links Processando o Saber nº 4, 2012 70 2.1 WORLD WIDE WEB CONSORTIUM (W3C) Por ser aberta a todos os que tenham conhecimento técnico para desenvolver sites e contribuir com a sua expansão, a Web necessita de Web. O W3C é o local onde se constrói o futuro da Web. Nossos constroem a universalidade da Web. O W3C cria o poder de comunicar, trocar informações e programar aplicações dinâmicas para qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer tempo e usando qualquer dispositivo (W3C ESCRITÓRIO BRASIL, 2009). Além de desenvolver diretrizes de regras gerais para desenvolvimento de sites que atendem a padrões internacionais, o dedica seus esforços também no desenvolvimento de diretrizes para orientar o desenvolvedor na tarefa de criar um projeto com os níveis WAI – Web Accessibility Initiative (Iniciativa de Acessibilidade para Web), projeto também desenvolvido pelo , porém objetivando a acessibilidade. A WAI trabalha desenvolvendo recomendações que visam prover níveis de acesso e oportunidades equivalentes para usuários com diversos níveis de habilidades. Como fruto desse projeto foram desenvolvidas as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web ), que está atualmente em sua versão 2.0 e é composta por orientações quanto aos procedimentos que devem ser adotados para tornar sites receptivos a usuários com necessidades especiais, evitando barreiras que os prejudiquem durante o acesso. O disponibiliza também uma lista completa de ferramentas para avaliação de acessibilidade em páginas Web no endereço <http:// www.w3.org/WAI/ER/tools/ complete.html>. 2.2 APLICAÇÃO DE TESTE EM PÁGINAS WEB Para a aplicação dos testes de acessibilidade das páginas Web, 10 sites foram selecionados divididos entre sites de notícias online, instituições de ensino, lojas virtuais, bancos e organizações públicas. Estes foram testados utilizando a ferramenta Dasilva, avaliador em português baseado nas regras de acessibilidade do WCAG e disponível no endereço <http://www.dasilva.org.br/>. Processando o Saber nº 4, 2012 77 FREEMAN, Elizabeth; FREEMAN, Eric. Use a cabeça!: HTML com CSS e XHTML. Rio de Janeiro: Alta Books, 2008. FLÜCK, Daniel. Color Blindness Tests: colblindor.com. 23 Mar 2010. Disponível em: <http://www.colblindor.com/2010/03/23/colorblindness-tests/> Acesso em: 13 Set 2010. FLÜCK, Daniel. : colblindor. com. 09 Abr. 2006. Disponível em: <http://www.colblindor. com/2006/04/09/daltonism-named-after-john-dalton/> Acesso em: 21 Set. 2010 FLÜCK, Daniel. Red-Green Color Blindness: colblindor. com. 16 Mar. 2010. Disponível em: <http://www.colblindor. com/2010/03/16/red-green-color-blindness/> Acesso em: 13 Set. 2010 FLÜCK, Daniel. : colblindor.com. 02 Mar. 2010. Disponível em: <http://www.colblindor.com/2010/03/02/whatis-color-blindness/> Acesso em: 13 Set. 2010. 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