PEIXE DA VEZ: Lobotes surinamensis (Bloch, 1790)
Full text
N. 150 - ISSN 1808-1436 ALTAMIRA, DEZEMBRO/2025
2 Foto de Capa Autor: Oliver Lucanus Localidade: Goiania GO
3 EDITORIAL Nos próximos três anos, meu compromisso será manter a qualidade científica e o espírito colaborativo que caracterizam a SBI, ao mesmo tempo em que buscamos aproximar ainda mais o boletim da diversidade de cientistas, pesquisadores e estudantes, todos profissionais que compõem nossa sociedade. Pretendo abrir espaço para novas vozes, destacar iniciativas relevantes pelo país, valorizar a produção nacional em ictiologia e promover debates atuais que ajudem a enfrentar os desafios da conservação, da pesquisa e da gestão dos nossos ambientes aquáticos. Espero contar com a participação ativa de todas e todos — sugestões, contribuições, relatos de campo, notas técnicas e reflexões são sempre bem-vindas. Este boletim é coletivo, e é esse caráter plural que o torna vivo e representativo. Agradeço a confiança e desejo uma excelente leitura. Gislene Torrente-Vilara Editora do Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia Q ueridas e queridos associados, É com grande satisfação que assumo a editoria do Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia. Recebo essa responsabilidade com entusiasmo e profundo respeito pela trajetória construída por todas as gestões anteriores, que consolidaram o boletim como um espaço de informação, diálogo e fortalecimento da nossa comunidade. Altamira, dezembro de 2025
4 DESTAQUES Reflexões recentes sobre a conservação da Ictiofauna Brasileira Avaliações recentes do ICMBio trouxeram dados atualizados sobre o estado de conservação dos peixes continentais. As oficinas têm mostrado que uma fração significativa das espécies avaliadas permanece classificada nas categorias de ameaça, especialmente nas bacias do São Francisco, Paraíba do Sul, Alto Paraná e rios costeiros do Nordeste e Sudeste. A combinação entre perda de habitat, poluição, barragens, introdução de espécies exóticas e mudanças climáticas tem intensificado o cenário de vulnerabilidade da ictiofauna brasileira. Paralelamente, a fragilidade de nossa ictiofauna também enfrenta registros da expansão de espécies invasoras em rios em todo território nacional e, em algumas regiões, a proporção de exóticas ultrapassa 15% das espécies registradas localmente, sinalizando mudanças profundas na estrutura ecológica dos ambientes. Recentemente, uma base de dados revelou 16.806 registros de invasão envolvendo 162 espécies para o Brasil onde as maiores contribuições são Characiformes com 49 espécies, Perciformes com 32 espécies e Siluriformes com 29 espécies*, mas esses números são controversos (118** e 109***). Ao mesmo tempo, avanços em taxonomia e filogenia — incluindo novas espécies descritas e revisões sistemáticas — reforçam a magnitude da biodiversidade da ictiofauAltamira, dezembro de 2025
5 na brasileira. E a ironia científica persiste: ao mesmo tempo que continuamos descobrindo novas espécies não estamos sendo capazes de proteger as que enfrentam algum grau de ameaça, com risco crescente de perda de diversidade. À luz desse panorama, é importante ampliar programas de monitoramento contínuo das bacias hidrográficas; integrar dados de genética, ecologia e distribuição para orientar ações de manejo; fortalecer políticas públicas para controle de exóticas e restauração de habitats; aproximar mais a ciência da gestão ambiental e da sociedade; investir em novas tecnologias — como eDNA e métodos que sejam capazes de acelerar o conhecimento sobre as espécies e seus ambientes com baixo número de amostragens, reduzindo custos, esforço de campo e lacunas de dados. O momento, portanto, é de reflexão, mas também de oportunidade: a ictiologia brasileira vive um período de intensa produção científica, e esse conhecimento precisa ser traduzido em ações rápidas e eficazes para evitar perdas irreversíveis. Abraços ictiológicos, Leandro, Lorena e Gislene DESTAQUES *: Sühs RB, Ziller SR, da Rosa CA, Puechagut PB, Marterer BT, Giehl EL, Asth MS, Targino CH, Legracie-Jr JR, Chapla TE, Zenni RD. Georeferenced database of invasive non-native species occurrences in Brazil. Scientific Data. 2025 Oct 6;12(1):1619. https://www.nature.com/articles/s41597-025-05904-x **: Zenni RD, Ziller SR, da Rosa CA, Sühs RB, Puechagut PB, Marterer BT, Heringer G, de Matos AC, Bueno ML, Almeida JW, Silva CH. Invasive non-native species in Brazil: an updated overview. Biological Invasions. 2024 Aug;26(8):2397-405. https://link.springer.com/article/10.1007/s10530-024-03302-9 ***: Latini AO, Resende DC, Silva DP, Lima-Junior DP. Assessing the occurrence of alien species on Brazilian freshwater ecosystems: insights from a comprehensive survey. Acta Limnologica Brasiliensia. 2024 Jul 5;36:e19. https://www.scielo.br/j/alb/a/NjBkV5b7xFJLWmn89n5nDcF/?format=html&lang=en
6
7 PEIXE DA VEZ Jenifer Chong1 Junior Chuctaya1 Morgan Ruiz-Tafur1 Pseudohemiodon apithanosIsbrücker & Nijssen 1978 1Instituto de Investigaciones de la Amazonia Peruana, Laboratorio de Taxonomía de Peces, Carretera Iquitos-Nauta, km 4.5, Quistococha, distrito de San Juan Bautista, Maynas, Loreto. SHITARI, LORICARIA CHAMALEON, CHAMELEON WHIPTAIL Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI Nº 150 - ISSN 1808-1436 Nome popular “Shitari” (Ortega et al., 2012); “loricaria chamaleon”, “Chameleon whiptail” (García-Dávila et al., 2021) Informações gerais Pseudohemiodon apithanos foi descrita originalmente para o rio Cornejo, afluente do rio San Miguel, próximo à localidade de Santa Cecília (0°06'N, 76°51'W), na província de Napo, Equador. Esta espécie
8 pertence à família Loricariidae, subfamília Loricariinae. Atualmente, o gênero Pseudohemiodon é composto por nove espécies válidas (Fricke et al., 2025), das quais duas foram registradas para o Peru (Ortega et al., 2012), ambos presentes na região de Loreto (MezaVargas et al., 2021). Essas espécies são consideradas de importância ornamental na região amazônica (García-Dávila et al., 2021). O holótipo de Pseudohemiodon apithanos está depositado na Academy of Natural Sciences of Philadelphia (ANSP), também conhecido como Academy of Natural Sciences of Drexel University, sob o código ANSP 134370. Os parátipos incluem os exemplares ANSP 130592 (2 espécimes), ANSP 130593 (3 espécimes) e Zoological Museum Amsterdam (ZMA) sob o código ZMA 114692 [ex ANSP 130592] (1 espécime) . Esta espécie foi registrada pela primeira vez por Saul (1975), que a identificou preliminarmente como Loricaria cf. laticipes. Posteriormente, a partir da revisão realizada por Isbrücker, Nijssen (1978), esses exemplares foram formalmente descritos como Pseudohemiodon apithanos. Embora tenha sido originalmente descrita para a bacia do rio Napo, no Equador, sua presença no Peru foi documentada por Ortega et al., (2012) e Meza-Vargas et al., (2021). Coletas mais recentes na região de Loreto realizadas pelo Laboratório de Taxonomia de Peixes do Instituto de Investigaciones de la Amazônia Peruana (IIAP), confirmam sua distribuição nos rios Tigre, Nanay, Itaya e na alta bacia do rio Amazonas. Identificação Pseudohemiodon apithanos pode atingir até 180 mm de comprimento padrão. Apresenta corpo alongado, ventralmente achatado, mais largo na região anterior e que se estreita gradualmente em direção à região caudal. A boca é ampla e rodeada por pequenas projeções carnudas, especialmente evidentes no lábio inferior. A nadadeira caudal possui uma prolongação PEIXE DA VEZ
9 filamentosa no raio espinhoso superior. O corpo exibe coloração que varia do cinza claro ao branco, com várias faixas escuras que vão do marrom escuro ao preto. A primeira faixa é larga, inicia-se no focinho, percorre a cabeça entre os olhos e se alarga ao atingir a região dorsal. Nas regiões dorsal e peitoral observa-se uma faixa horizontal que cobre praticamente toda essa área, onde converge a faixa vertical proveniente da cabeça. A nadadeira dorsal é predominantemente preta, exceto na borda distal. (García-Dávila et al., 2021; Isbrücker, Nijssen, 1978). Figura 2. Pseudohemiodon apithanos, Colección Ictiológica del Instituto de Investigaciones de la Amazonia Peruana (CIIAP), sob o código CIIAP 6009, 130.9 mm CP, bacia do río Itaya, Iquitos-Perú, (A) vista dorsal, (B) lateral e (C) ventral. PEIXE DA VEZ
16 Biologia De hábito piscívoro e noturno, se alimenta de peixes de pequeno a grande porte, possui comportamento migratório durante a reprodução tendo a inundação como um estímulo para a migração e desova (Agostinho et al., 2003). Uma fêmea acompanhada por radiotelemetria no reservatório de Funil, no rio Grande, apresentou uma área de vida linear de 31,4 km, migrando do reservatório para a zona de transição reservatório-rio (Alves et al., 2007). No Rio Paraná, a espécie realiza todo o seu ciclo de vida no canal principal, abrigando-se principalmente em áreas profundas quando adulto e na foz de riachos e outros pequenos tributários quando alevinos (Agostinho et al., 2003). Atinge a primeira maturação com 70 cm de comprimento total e sua desova ocorre de dezembro a fevereiro (Agostinho et al., 2003). Conservação De acordo com o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), a espécie Z. jahu foi classificada como “Quase Ameaçado” (NT) em 2014, e em 2020 foi avaliada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) também como ‘Quase Ameaçado” (NT). Segundo o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Estado do Paraná a espécie Z. jahu está classificada como “Vulnerável” (VU) para o estado, o que denota um status de conservação diferente de sua classificação a nível nacional (Abilhoa, 2025). As subpopulações das bacias do Paraná e Paraguai possuem situações bem distintas quanto à situação para a sua conservação (Abilhoa, 2025). Para a bacia do rio Paraná, a espécie apresenta uma distribuição severamente fragmentada, com declínio da AOO (área de ocupação) e declínio na integridade dos hábitat por barramentos (Abilhoa, 2025). No rio Paranapanema a espécie praticamente desapareceu, tendo o seu último exemplar capturado e registrado no ano de 2001 (Orsi et al., 2016). Recentemente a primeira captura de Z. jahu foi registrada no Rio Iguaçu, fora de sua área de distribuição original, sua introdução provavelmente intencional, teve como vetor a soltura de exemplares com finalidade ornamental (aquarismo jumbo) e/ou PEIXE DA VEZ
17 para pesca esportiva (Frota et al., 2022). O aquarismo e a pesca esportiva estão entre os principais vetores para a introdução de peixes na bacia do Rio Iguaçu (Mezzaroba et al., 2021). Desde o início da década de 1990 foi observada uma diminuição da pesca de Z. jahu por meio de informações sobre a produção pesqueira profissional no reservatório de Itaipu (Okada et al., 2005). A espécie é alvo de pesca esportiva e comercial, porém o declínio da população foi suspeitado em mais de 30%, indicando que seus estoques vêm apresentando redução relevante em todo o rio Paraná (Abilhoa, 2025). No Alto Paraná, grandes peixes migradores como o jaú (Z. jahu) sofrem com a fragmentação de suas populações imposta pela série de sucessivas barragens hidrelétricas construídas nos principais rios dessa bacia, em razão disso o habitat remanescente deve ser protegido e recuperado (Bressan et al., 2009). Programas de conservação ex situ são necessários para desenvolvimento de tecnologia de reprodução e preservação da espécie, sendo necessário o manejo in situ, com vistas à reintrodução da espécie no ambiente (Bressan et al., 2009). REFERÊNCIAS Abilhoa V. Pisces (Peixes). In: Leivas PT, editor. Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Estado do Paraná. Curitiba: Instituto Água e Terra; 2025. cap. Pisces (Peixes), págs 403-489. Agostinho AA, Gomes LC, Suzuki HI, Júlio Jr HF. Migratory fishes of the Upper Paraná River Basin, Brazil. In: Carolsfeld J, Harvey B, Ross C, Baer A, editors. Migratory Fishes of South America: Biology, Fisheries and Conservation Status; 2003. World Fisheries Trust – The World Bank. pp. 19-98. Alves CBM, Silva LGM, Godinho AL. Radiotelemetry of a female jaú, Zungaro jahu (Ihering, 1898)(Siluriformes: Pimelodidae), passed upstream of Funil Dam, rio Grande, Brazil. Neotropical Ichthyology. 2007; v. 5, p. 229-232. Avigliano E, Chung MT, Pouilly M, Huang KF, Casalinuovo M, Dominino J, Silva N, Sánchez S, Facetti JF, Volpedo AV. Mapeamento de isótopos de estrôncio e sua aplicação no estudo da história de vida de peixes (Salminus brasiliensis) em rios semi fragmentados (Bacia do Prata, América do Sul). Fisheries Research. 2023; 10.1016/j.fishres.2023.106741 , 265, (106741), https://doi.org/10.1002/rra.4120 Boni TA, Padial AA, Prioli SM, Lucio LC, Maniglia TC, Bignotto TS, PanarariAntunes RS, Prioli RA, Prioli AJ. Molecular differentiation of species of the genus Zungaro (Siluriformes, Pimelodidae) from the Amazon and Paraná-Paraguay River basins in Brazil. Genet Mol Res. 2011; Nov 10;10(4):2795805. doi: 10.4238/2011.November.10.2. PEIXE DA VEZ
18 Bressan PM, Kierulff MCM, Sugieda AM. Fauna ameaçada de extinção no estado de São Paulo: Vertebrados. São Paulo: Fundação Parque Zoológico de São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente, 646p, 2009. Caldas J, Dias JHP, Shibatta OA. 40 peixes do Brasil: CESP 40 anos. Rio de Janeiro: Dois, 1°ed., 2006, 208p Donagh M. Sobre o manguruyú (gênero Paulicea , Siluriformes) . Revista Del Museu de La Plata. 1937, p. 3-30 . Fricke R, Eschmeyer WN, Van der Laan R. Eschmeyer’s Catalog of Fishes: Genera, Species, References; 2025. Available from: https://researcharchive.calacademy. org/research/ichthyology/catalog/ fishcatmain.asp Frota A. et al. Here comes the large catfish “jaú” Zungaro jahu (Ihering 1898) (Teleostei, Pimelodidae): a new alarming case of fish introduction in a highendemism Neotropical ecoregion. Acta Limnologica Brasiliensia. 2022; vol. 34, e25. Graça WJ, Pavanelli CS. Peixes da planície de inundação do Alto Rio Paraná e áreas adjacentes. Maringá, PR: EDUEM, 2007. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília: ICMBio; 2018. International Union for Conservation of Nature. The IUCN Red List of threatened species; 2023. Available from: https://www. iucnredlist.org/species/186875/1819694. Lundberg JG, Littmann MW. Family Pimelodidae (LongWhiskered Catfishes). In: Reis RE, Kullander SO, Ferraris CJ Jr, editors. Check list of the freshwater fishes of South and Central America. EDIPUCRS. Porto Alegre. 2003; pp 432–446 Machado AB, Drummond GM, Paglia AP. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília. 2008 Mateus LAF, Penha JMF. Dinâmica populacional de quatro espécies de grandes bagres na bacia do rio Cuiabá, Pantanal norte, Brasil (Siluriformes, Pimelodidae) Brasil. Revista Brasileira de Zoologia. 2007; v. 24 , 87-98 . Mezzaroba L, Debona T, Frota A, Graça WJ, Gubiani EA. From the headwaters to the Iguassu Falls: inventory of the ichthyofauna in the Iguassu River basin shows increasing percentages of nonnative species. Biota Neotrop., 2021; 21(2), e20201083. http://dx.doi. org/10.1590/1676-0611 bn-2020-1083. Okada EK, Agostinho AA, Gomes LC. Spatial and temporal gradients in artisanal fisheries of a large Neotropical reservoir, the Itaipu Reservoir, Brazil. Canadian Journal of Fish and Aquatic Science. 2005; 62: 714–724. Orsi ML. Ovos, larvas e juvenis dos peixes da Bacia do Rio Paranapanema uma avaliação para a conservação. Assis: Triunfal Gráfica e Editora. 2016; 136 p. Scarabotti PA, Lucifora LO, Espínola LA, Rabuffetti AP, Liotta J, Mantinian JE, Roux JP, Silva N, Balboni L, Vargas F, Demonte LD, Sánchez S. Tendências de longo prazo dos desembarques pesqueiros e populações-alvo de peixes na bacia do baixo La Plata . Ictiologia Neotropical. 2021; 19 ( 3 ) , 1-31. https://doi. org/10.1590/1982-0224-2021-0013 PEIXE DA VEZ
19 PEIXE DA VEZ Alexandre Peressin1,2* Pedro Leite de Castro Uzeda3 Ivo Gavião Prado3,4 Marina Ferreira Moreira3 Francisco Ricardo Andrade Neto3 João de Magalhães Lopes5 Carlos Bernardo Mascarenhas Alves6 Paulo Santos Pompeu3 Prochilodus costatus Valenciennes 1850 Figura 1. Exemplar de Prochilodus costatus capturado no rio São Francisco, na cidade de Pompéu (MG), exemplar não catalogado, 315 mm de comprimento padrão. Foto: Alexandre Peressin ¹Florida International University, Department of Earth and Environment, FL 33199, Miami, Estados Unidos. 2Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – campus Lagoa do Sino, Centro de Ciências da Natureza, CEP 18245-970, Buri, SP, Brasil. 3Universidade Federal de Lavras, campus Universitário, Departamento de Ecologia e Conservação, CEP 37200-900, Lavras, MG, Brasil. 4Pisces - Consultoria e Serviços Ambientais. Rua Comandante Vilas Boas, 35. CEP 37206-662, Lavras, MG, Brasil. 5Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, 38039-755, Uberaba, MG, Brasil. 6Bio-Ambiental Consultoria em Meio Ambiente Ltda., R. Rio de Janeiro, 1858/902, Lourdes, CEP 30160-046 Belo Horizonte, MG, Brasil. *Autor correspondente: [email protected] PIOA, CURIMATÁ-PIOA Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI Nº 150 - ISSN 1808-1436
20 Nome popular Pioa, Curimatá-pioa. Segundo pescadores, o nome ‘Pioa’ se deve à similaridade morfológica da espécie com alguns piaus (Characiformes: Anostomidae) da bacia do rio São Francisco, especialmente em relação ao corpo mais alongado e extremidades das nadadeiras alaranjadas ou avermelhadas. Informações Gerais Prochilodus costatus é uma das 13 espécies do gênero Prochilodus (Fricke et al., 2025), endêmico da região Neotropical (Castro, Vari, 2004). Podem atingir 72 cm e pesar até 6 kg (Bazzoli, 2003; Sato et al., 2003). Machos atingem maturidade aos 26 cm e fêmeas aos 26,8 cm de comprimento total (Bazzoli, 2003). Como outras espécies do gênero, é detritívora, transformando recursos hiperabundantes, porém pobres em nutrientes em proteína animal (Bowen, 1983), assim desempenhando papel fundamental na ciclagem de nutrientes (Flecker, 1996). De maneira semelhante a outros Prochilodontidae, a espécie é conhecida pelas grandes migrações, podendo migrar mais de 400 km durante deslocamentos entre seus sítios de desova, crescimento e alimentação (Alves, 2012; Lopes et al. 2019b; Peressin et al., 2025, no prelo). Identificação Segundo Castro, Vari (2004), Prochilodus costatus pode ser diferenciada das demais congêneres pela seguinte combinação de caracteres: ausência de barras irregulares escuras nos lobos da nadadeira caudal, presença de 44 a 47 escamas na linha lateral, 8 a 9 séries de escamas entre a origem da nadadeira dorsal e linha lateral, 16 a 18 séries de escamas circum-pedunculares, 10 a 14 dentes na série interna do dentário, 14 a 18 escamas na série predorsal, e 41 a 43 vértebras totais. PEIXE DA VEZ
21 Distribuição Endêmica da bacia do rio São Francisco, mas introduzida em outras bacias (Fricke et al., 2025), como Jequitinhonha (Silva et al., 2021), Doce (Musielo-Fernandes et al., 2024) e Mucuri (Pompeu, Martinez, 2006). Etimologia O nome genérico Prochilodus tem origem no grego ‘pro’ (anterior, projetado) + ‘cheilos’ (lábios) + odus (dentes) (Romero, 2002), possivelmente uma alusão aos lábios protráteis portando dentes diminutos. Embora a etimologia do epíteto específico costatus não tenha sido explicitada na descrição da espécie (Cuvier, Valenciennes, 1850), o termo é amplamente utilizado em referência a marcações estruturais ou de coloração nas laterais e dorso de espécies. Diversas espécies do gênero, incluindo P. costatus, apresentam faixas transversais escuras e difusas sobre os flancos, sendo mais evidentes em juvenis, e menos conspícuas em exemplares adultos (Castro, Vari, 2004). Biologia Adultos de pioa estudados no alto rio São Francisco passam 71% do seu tempo nos sítios de alimentação (Lopes et al., 2019b), que podem estar localizados em qualquer ponto da bacia hidrográfica, migrando para os sítios de reprodução entre fim de setembro até dezembro, com picos entre outubro e novembro (Peressin et al., 2025, no prelo). Anualmente, uma porção variável dos indivíduos adultos migram até os sítios de desova, caracterizando a espécie como migradora parcial, sendo que os principais gatilhos migratórios da espécie são a quantidade e intensidade dos picos hidrológicos gerados pelas chuvas que ocorrem durante sua janela migratória reprodutiva (Lopes et al., 2018). Durante a migração reprodutiva, sobem o rio a uma velocidade média de 34,4 km/dia até atingirem os sítios de desova (Lopes et al. 2019a), situados nos trechos a montante da bacia, incluindo o próprio rio São Francisco e alguns tributários, como os rios Bambuí e Samburá (Lopes et al., PEIXE DA VEZ
22 2019b). Uma vez nestes pontos, as fêmeas podem desovar centenas de milhares de pequenos ovócitos livres e os machos milhões espermatozoides, sem haver qualquer cuidado parental à prole (Sato et al., 2003). Durante a deriva, os ovos eclodem e as larvas são levadas pela correnteza às planícies de inundação, onde realizam seu desenvolvimento inicial, podendo deixar estas áreas em direção a rios de menor porte (Moreira et al., 2023a, b). Após este período ocorre o recrutamento, quando juvenis oriundos dos sítios de crescimento realizam uma migração de dispersão pela bacia, se juntando a população adulta num movimento conhecido localmente como arribação (Prado et al., 2016). Após passarem aproximadamente 25% do tempo de vida nos sítios de desova (Lopes et al., 2019b), esses adultos retornam aos sítios de alimentação entre dezembro e maio, a velocidade de 97,7 km/dia (Lopes et al., 2019a). A espécie apresenta grande fidelidade tanto aos sítios de alimentação (Lopes et al., 2019b), quanto reprodução (Peressin et al., 2025, no prelo). Conservação Embora seu estado de conservação seja considerado pouco preocupante - LC (ICMBio, 2022), a espécie é alvo de forte pressão pesqueira e vem mostrando empobrecimento genético no alto rio São Francisco (Ludwig et al., 2023). Como a espécie possui sítios de alimentação, reprodução e crescimento diferentes, precisando se mover entre eles, qualquer bloqueio da conectividade fluvial representa uma grande ameaça. Esta situação é especialmente preocupante em algumas regiões da bacia do São Francisco, como o seu alto curso, onde está planejada a construção de pelo menos três novas barragens (Lopes et al., 2025). PEIXE DA VEZ
23 Grandes reservatórios podem bloquear tanto a migração reprodutiva dos adultos quanto seu retorno aos sítios de alimentação e a deriva de ovos e larvas (Pelicice et al., 2015; Lopes et al., 2021). Tributários e trechos superiores dos rios principais, sítios de reprodução preferenciais, recebem menos atenção regulatória para licenciamento de novos empreendimentos devido ao porte, situação que deve se agravar com as recentes alterações propostas para o processo de licenciamento (Fernandes et al., 2025). A aglomeração de indivíduos nesses sítios também os torna bastante vulneráveis à pesca predatória, demandando proteção dos sítios de desova e fiscalização intensificada da pesca. Considerando que a maioria destas informações foram obtidas em pesquisa de longo prazo (>10 anos), com grande volume de recursos investidos, conclui-se que estudos de impacto ambiental como são realizados atualmente dificilmente conseguiriam diagnosticar a importância de trechos de rio livre para a manutenção de populações de espécies migradoras (Lopes et al., 2025). REFERÊNCIAS Alves, CBM. Evaluation of fish passage through the Igarapé Dam fish ladder (rio Paraopeba, Brazil), using marking and recapture. Neotropical Ichthyology, 2007. 5(2):233-236. https://doi.org/10.1590/S167962252007000200019 Bazzoli N. Parâmetros reprodutivos de peixes de interesse comercial na região de Pirapora. In: Godinho HP, Godinho AL, editores. Águas, peixes e pescadores do São Francisco das Minas Gerais. Belo Horizonte, MG: Pontifícia Universidade Católica; 2003. p.291–306. Bowen SH. Detritivory in neotropical fish communities. Env Biol Fishes. 1983; 9(2):137-144. Castro R, Vari RP. Detritivores of the South American fish family Prochilodontidae (Teleostei: Ostariophysi: Characiformes): a phylogenetic and revisionary study. Washington D.C.: Smithsonian Contributions to Zoology, 2004. 622, p. 1-189. Cuvier G, Valenciennes A. Histoire naturelle des poissons. Tome vingt-deuxième. Suite du livre vingt-deuxième. Suite de la famille des Salmonoïdes. Table générale de l'Histoire Naturelle des Poissons. 1850, 1–91. Fernandes GW, Ramos L, Fernandes S, Adams, C, Alencar AAC, Almada ED …, Vaz-de-Mello FZ. O Brasil em Risco: Os Impactos do PL 2159/2021 na Sustentabilidade e na Governança Ambiental. 2025; Policy Brief 003. https:// doi.org/10.6084/m9.figshare.29250836.v1. Flecker AS. Ecosystem engineering by a dominant detritivore in a diverse tropical stream. Ecology. 1996; 77(6):1845–1854. https://doi.org/10.2307/2265788 PEIXE DA VEZ
24 Fricke R, Eschmeyer WN, Van der Laan R. Eschmeyer’s catalog of fishes: genera, species, references [Internet]. San Francisco: California Academy of Science; 2025. Available from: http://researcharchive.calacademy. org/research/ichthyology/catalog/ fishcatmain.asp. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Prochilodus costatus. The IUCN Red List of Threatened Species [Internet]. 2022. Available from: https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.20221.RLTS.T186824A1818929.pt. Lopes JM, Alves CBM, Peressin A, Pompeu PS. Influence of rainfall, hydrological fluctuations, and lunar phase on spawning migration timing of the Neotropical fish Prochilodus costatus.Hydrobiologia.2018; 818:145-161. DOI:10.1007/s10750-018-3601-4 Lopes JM, Alves CBM, Peressin A, Pompeu PS. Upstream and downstream migration speed of Prochilodus costatus (Characiformes: Prochilodontidae) in upper São Francisco basin, Brazil.Neotrop Ichthyol. 2019a; 17(2):e180072. DOI: 10.1590/1982-0224-2018007 Lopes JM, Pompeu PS, Alves CBM, Peressin A, Prado IG, Suzuki FM, ... & Kalapothakis E. The critical importance of an undammed river segment to the reproductive cycle of a migratory Neotropical fish. Ecol Fresh Fish, 2019b;28(2): 302-316. DOI: 10.1111/eff.12454 Lopes, JM, Alves CBM, Peressin A, & Pompeu PS. Dazed and confused: Behavioural constraints impose major challenges to fish passage in the neotropics. Aquat Conserv: Mar Freshwater Ecosyst. 2021; 31(12):3403-15.DOI: 10.1002/aqc.3716 Lopes JM, Peressin A, Andrade FR, Moreira MF, Ludwig S, Pimentel JSM, ... , Pompeu PS. Conventional environmental assessments are inadequate for predicting and mitigating impacts of dams on migratory fish in Brazil: an integrative assessment approach for the Neotropics. Aquatic Sciences. 2025;87(1):1-20. DOI: 10.1007/s00027-02401157-9 Ludwig S, Pimentel JSM, Resende LC, Kalapothakis E. Eco-evolutionary factors that influence its demographic oscillations in Prochilodus costatus (Actinopterygii: Characiformes) populations evidenced through a genetic spatial-temporal evaluation. Evol Appl. 2023; 16(4):895-910. https://doi. org/10.1111/eva.13544 Moreira MF, Peressin A, Lopes JM, Pompeu PS. Fish assemblage and current status of the Upper São Francisco River Basin floodplain as nursery habitat. Acta Limnol Bras. 2023a; 30:e26. https://doi. org/10.1590/S2179-975X0823 Moreira MF, Peressin A, Pompeu PS. Small rivers, great importance: Refuge and growth sites of juvenile migratory fishes in the upper São Francisco Basin, Brazil. Fish Manage Ecol. 2023b; 30(1):1-10. https://doi.org/10.1007/s00027-024-011579 Musielo-Fernandes J, Avila da Silva AO, Hostim-Silva M. Guia ilustrado da atividade pesqueira e dos principais recursos naturais pesqueiros no rio Doce. Vitoria, ES: Universidade Federal do Espírito Santo; 2024. Pelicice FM, Pompeu PS, Agostinho AA. Large reservoirs as ecological barriers to downstream movements of Neotropical migratory fish. Fish Fish. 2015; 16(4):697715. https://doi.org/10.1111/faf.12089 Peressin A, Lopes JM, Andrade Neto FR, Machado GJ, Alves CBM, Murgas LDS, Pompeu OS. Deciphering the complex life cycle and partial migration of an ecological engineer and critical neotropical fishery species, Prochilodus costatus. J Fish Biol. 2025; no prelo Pompeu PS, Martinez CB. Variações temporais na passagem de peixes pelo elevador da Usina Hidrelétrica de Santa Clara, rio Mucuri, leste brasileiro. Rev Bras Zool. 2006; 23: 340-349. Prado IG, Andrade Neto FR, Souza RCR, Rodrigues R, Monteiro AB, Godinho AL. The arribação in the upper-middle São Francisco river, Brazil. In: Loures RC, Godinho AL, editors. In: Risk assessment of fish death at hydropower plants in southeastern Brazil. Belo Horizonte, Brazil: Companhia Energética de Minas Gerais; 2016. p. 259-72. DOI: 10.5935/97885-87929-62-4.2016.13 Romero P. An etymological dictionary of taxonomy. Madrid, unpublished. 2002. Sato Y, Fenerich–Verani N, Godinho HP. Reprodução induzida de peixes da bacia do São Francisco. In: Godinho HP, Godinho AL, editores. Águas, peixes e pescadores do São Francisco das Minas Gerais. Belo Horizonte, MG: Pontifícia Universidade Católica; 2003. p.277–90. Silva FO, Kalapothakis E, Silva LGM, Pelicice FM. The sum of multiple human stressors and weak management as a threat for migratory fish. Biol Conserv, 2021; 264:109392.DOI: 10.1016/j. biocon.2021.109392 PEIXE DA VEZ
25 PEIXE DA VEZ Lucas Henrique dos Santos¹,²* Arthur Vinicius Martins dos Santos¹ Samuel Avila Lorenço¹,² Luccas Machado de Andrade¹ Augusto Gabriel Jatobá Fernandes¹,² Gabriela Correia de Oliveira¹,² Matheus Chueire Luiz¹,² Jullia de Castro Merey¹ Mário Luís Orsi¹,² Hemisorubim platyrhynchos (Valenciennes, 1840) ¹Universidade Estadual de Londrina, Laboratório de Ecologia Aquática e Conservação de Espécies Nativas (LEACEN)/ Laboratório de Ecologia de Peixes e Invasões Biológicas (LEPIB), Departamento de Biologia Animal e Vegetal, Centro de Ciências Biológicas, CEP 86057-970, Londrina, PR, Brasil. ²Universidade Estadual de Londrina, Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Departamento de Biologia Animal e Vegetal, Centro de Ciências Biológicas, CEP 86057-970, Londrina, PR, Brasil. *Autor correspondente: [email protected] JURUPOCA, JEREPOCA, JIRIPOCA, LIRA, BICO DE PATO, TRES-PUNTOS Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI Nº 150 - ISSN 1808-1436 Figura 1. Hemisorubim platyrhynchos, 45,0 cm de comprimento total, indivíduo mantido vivo no CEPTA/ICMBio, Pirassununga-SP, Rio Moji-Guaçu, 21°55'41.6"S 47°22'28.6"W. Foto: Mário Luís Orsi.
32 Identificação: Potamotrygon henlei se distingue de todas as espécies de Potamotrygon exceto Potamotrygon albimaculata, Potamotrygon leopoldi e Potamotrygon rex pela coloração de fundo dorsal variando entre marrom-escuro e preto acinzentado (vs. coloração de fundo marrom claro, ou marrom claro com padrão reticulado para as demais espécies do gênero); coloração ventral nas bordas do disco geralmente marrom-escuro a cinza, se estendendo por uma região que veria desde o quarto mais distal até metade do disco (vs. bege em todas as outras espécies) (Azevedo, 2025). Potamotrygon henlei se diferencia de Potamotrygon rex, Potamotrygon leopoldi e Potamotrygon albiumaculata por seu padrão de coloração dorsal único, com poucos ocelos isolados amarelados e mais separados no disco e na cauda (vs. numerosas 21 pequenas manchas irregulares amarelas e laranjas, geralmente formando grupos concêntricos em P. rex; coloração dorsal preta escura com grandes ocelos amarelos, esparsos ou incompletos em P. leopoldi; e coloração marrom-preta uniforme, com manchas circulares esbranquiçadas no disco dorsal e na base da cauda em P. albimaculata) (Azevedo, 2025). Adicionalmente, se difere de Potamotrygon constellata, Potamotrygon humerosa, Potamotrygon magdalenae, Potamotrygon marquesi, Potamotrygon ocellata, Potamotrygon orbignyi, Potamotrygon schroederi, Potamotrygon tatianae, e Potamotrygon yepezi pela presença de mais de uma fileira de espinhos na cauda (vs. uma única fileira); e de Potamotrygon orbignyi, Potamotrygon marianae, Potamotrygon tatianae, Potamotrygon humerosa, Potamotrygon constellata pela ausência de sulcos labiais (vs. presença) (Azevedo, 2025). Distribuição O primeiro espécime de Potamotrygon henlei foi descrito em 1855 para o Rio Tocantins, onde novos registros foram posteriormente realizados. Atualmente, a espécie, endêmica do Brasil, ocorre no rio Araguaia e na parte baixa do rio Tocantins, sendo registrada apenas a jusante da confluência com o rio Araguaia (Rincon et al., 2014; Azevedo, 2025). PEIXE DA VEZ
33 Etimologia Potamotrygon vem do grego potamos, que significa rio, e trygon, que significa arraia. O nome henlei é uma homenagem ao Dr. Friedrich Gustav Jakob Henle (1809–1885), médico, anatomista e zoólogo alemão, conhecido por seus estudos em ictiologia e biologia humana (Fishbase, 2025). Biologia Potamotrygon henlei é mais abundante em rios com águas turvas e fundos rochosos, onde a disponibilidade de alimento é maior, embora também ocorra em rios de águas claras (Rincon, 2006). A espécie é frequentemente encontrada em áreas de portos e em locais de evisceração de peixes para venda, especialmente nas cidades costeiras do médio rio Araguaia até a confluência com o rio Tocantins (Rincon, 2006). É comum à jusante da confluência dos rios Tocantins e Araguaia, estendendo-se até o reservatório da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Estado do Pará (Azevedo, 2025). No entanto, é rara no médio e alto rio Tocantins, onde Potamotrygon rex é mais frequentemente encontrada (Carvalho, 2016). Conservação Segundo a Lista Vermelha da IUCN, P. henlei é classificada como ‘Vulnerável (VU – Vulnerable) (IUCN, 2025)., apesar do status atual de conservação da espécie no Brasil ser classificado como Dados Insuficientes (DD – Data Deficient) (ICMBio, 2018; Rosa et al 2025). No entanto, devido sua distribuição mais restrita aos rios Tocantins e Araguaia, Potamotrygon henlei possivelmente enfrenta ameaças significativas devido à construção de barragens hidroelétricas que alteram seu habitat natural, impactam a variabilidade genética das populações e aumentam a hibridização entre espécies (Lasso et al 2016). Essas pressões antrópicas e a ausência de regras específicas que controlem o uso, manejo, captura e/ou proteção de P. henlei tornam urgente a reavaliação do seu estado de ameaça e adoção de medidas de conservação para garantir a proteção e sustentabilidade das populações de P. henlei (Lasso et al 2016). PEIXE DA VEZ
34 REFERÊNCIAS Azevedo JP. Revisão taxonômica e análises alométricas em Potamotrygoninae: estudos em Potamotrygon henlei (Castelnau, 1855) e Potamotrygon motoro (Müller & Henle, 1841) (Myliobatiformes: Potamotrygonidae). [Dissertação de mestrado]. Brasília: Universidade de Brasília; 2025. Carvalho MR. Potamotrygon rex, a new species of neotropical freshwater stingray (Chondrichthyes: Potamotrygonidae) from the middle and upper rio Tocantins, Brazil, closely allied to Potamotrygon henlei (Castelnau, 1855). Zootaxa. 2016 ; 4150(5):537–65. https://doi.org/10.11646/ zootaxa.4150.5.2 Castelnau FL. Animaux nouveaux ou rares recueillis pendant l'expedition dans les parties centrales de l'Amérique du Sud, de Rio de Janeiro à Lima, et de Lima au Para. Vol. 2. Paris: P. Bertrand; 1855. Castex MN, Castello HP. Potamotrygon leopoldi: una nueva especie de raya de agua dulce para el Río Xingú, Brasil (Chondrichthyes, Potamotrygonidae). Argentina: Acta Scient ILAFIR. 1970; 10(1):1–16. Dagosta FCP, de Pinna M. Biogeography of Amazonian fishes: deconstructing river basins as biogeographic units. Neotrop Ichthyol. 2017; 15(3):e170034. https://doi. org/10.1590/1982-0224-20170034 Fishbase. FishBase 99 CD-ROM [Internet]. Manila: ICLARM; 1999. Disponível em: https://www.fishbase.se/search.php Fricke R, Eschmeyer WN, Van der Laan R. Eschmeyer’s catalog of fishes: genera, species, references [Internet]. San Francisco: California Academy of Sciences; 2025. Disponível em: http://researcharchive.calacademy. org/research/ichthyology/catalog/ fishcatmain.asp ICMBIO – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção [Internet]. Disponível em: http://icmbio.gov.br/ portal/images/stories/comunicacao/ publicacoes/publicacoes-diversas/livro_ vermelho2018 vol1.pdf. 2018 IUCN. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN [Internet]. Gland: IUCN; 2025. Disponível em: https://www.iucnredlist. org. Lasso CA, Rosa RS, Sánchez-Duarte P, Morales-Betancourt MA, AgudeloCórdoba E. IX. Rayas de agua dulce (Potamotrygonidae) de Suramérica Parte I: Colombia, Venezuela, Ecuador, Perú, Brasil, Guyana, Surinam y Guayana Francesa: diversidad, bioecología, uso y conservación. Bogotá: JAVEGRAF; 2016 Loboda, TS, Carvalho, MR. Systematic revision of the Potamotrygon motoro (Müller & Henle, 1841) species complex in the Paraná-Paraguay basin, with description of two new ocellated species (Chondrichthyes: Myliobatiformes: Potamotrygonidae). Neotropical Ichthyology. 2013; 11: 693–737. https://doi. org/10.1590/S1679-62252013000400001 Müller J, Henle FGJ. Systematische Beschreibung der Plagiostomen. Berlim: Veit und Comp; 1841; Disponível em: https://www.biodiversitylibrary.org/ page/6352890#page/5/mode/1up Rincon G. Aspectos taxonômicos, alimentação e reprodução da raia de água doce Potamotrygon orbignyi (Castelnau) (Elasmobranchii: Potamotrygonidae) no rio ParanáTocantins. [Tese de doutorado]. Rio Claro: Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”; 2006. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/entities/ publication/457b78c1-10eb-4f10-baf13a868c2b5679 Rosa RS, Charvet P, Araujo MLG, Salge PG, Scalco ACS, Schneider F, Dolphine PM, Santos RA. Potamotrygon henlei [Internet]. Brasília: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio; 2025. Available from: https:// salve.icmbio.gov.br. doi: https://doi. org/10.37002/salve.ficha.9928.2 PEIXE DA VEZ
35 PEIXE DA VEZ Loricariichthys castaneus (Castelnau, 1855) Figura 1. Loricariichthys castaneus, MZUFV 13586, 320 mm de comprimento padrão, Rio Doce, à montante da Usina Hidrelétrica de Mascarenhas, Baixo Guandu, Espírito Santo. Foto: Gustavo Rodrigues Fernandes. ¹Universidade Federal de Viçosa, UFV, Departamento de Biologia Animal, Laboratório de Sistemática Molecular e Biologia da Reprodução (BEAGLE), 36570-900, Viçosa, MG, Brasil. *Autor correspondente: [email protected] CASCUDO-VIOLA Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI Nº 150 - ISSN 1808-1436 Gustavo Rodrigues Fernandes1* Cidimar Estevam de Assis1 Isabella Gonzalez Gamboa1 João Eduardo Vardiero Carvalho¹ Lara Miranda Ramos1 Luiza Gonçalves¹ Maria Clara de Jesus Matos¹ Rafaela Resende Costa1 Rebeca Rosa de Oliveira1 Elisabeth Henschel1
36 Nome popular cascudo-viola Informações gerais Loricariichthys castaneus (Castelnau, 1855) é um peixe da ordem Siluriformes pertencente à família Loricariidae, atualmente reconhecida como a mais diversa da ordem. Loricariidae é composta por seis subfamílias: Delturinae, Hypoptomatinae, Hypostominae, Lithogeninae, Loricariinae e Rhinelepinae (Roxo et al., 2019). Dentre elas, a subfamília Loricariinae distingue-se pela presença de caracteres como um pedúnculo caudal alongado e achatado e a ausência de nadadeira adiposa (Covain et al., 2016). Loricariichthys castaneus foi originalmente descrita como Loricaria castanea por Castelnau, F. L. em 1855, a partir de exemplares coletados nas proximidades da cidade do Rio de Janeiro. Posteriormente, Steindachner descreve Loricaria spixii Steindachner, 1881 com base em espécimes coletados em rios costeiros do sul e sudeste do Brasil. Porém, L. spixii é considerada atualmente como sinônimo júnior de L. castaneus e seus espécimes coletados na região Sul foram reidentificados como Loricariichthys anus (Valenciennes, 1835) (Reis & Pereira, 2000). Após a descrição de Loricaria castanea, o gênero Loricariichthys Bleeker, 1862 é erguido para abrigar a espécie nominal Loricaria maculata (Block, 1794). Mais de um século depois, várias espécies do gênero Loricaria Linnaeus, 1758 foram alocadas dentro de Loricariichthys por Isbrücker (1980), incluindo a espécie nominal Loricaria castanea. Desde então, o nome Loricariichthys castaneus seguiu sendo utilizado pelos estudos posteriores. Identificação: De acordo com Paixão (2012), as espécies do gênero Loricariichthys possuem o lábio superior totalmente aderido à porção central do pré-maxilar, sem apresentar franjas ou barbelas na região mediana, enquanto o lábio inferior é espesso, formando duas estruturas arredondadas, uma em cada lado da boca. Ainda segundo a autora, L. castaneus pode ser diagnosticada das demais espécies PEIXE DA VEZ
37 do gênero pelas seguintes características: margem anterior das placas abdominais medianas posicionada logo após a linha vertical que passa pela base do espinho peitoral; série única de placas abdominais medianas, geralmente desalinhadas; cristas prédorsais ausentes ou pouco evidentes, especialmente em indivíduos adultos; 32 a 34 placas na série média-ventral, das quais 7 a 12 são coalescidas; placa pré-anal limitada por 2 a 4 placas; borda rostral estreita ao longo de toda a sua extensão; perfil lateral do focinho convexo entre a ponta e a região orbital; e ausência de mancha escura no ápice da nadadeira dorsal. Além disso, L. castaneus se diferencia morfologicamente de Loricariichthys melanurus, espécie com maior similaridade morfológica e proximidade geográfica, pela ausência de uma conspícua faixa marginal preta na porção distal dos raios medianos e inferiores da nadadeira caudal e na metade distal da nadadeira dorsal, marcas essas presentes em L. melanurus. Somada às diferenças morfológicas, a distinção genética entre as espécies é marcante, com distância pareada de 4,6% no gene COI (Reis et al., 2021). Distribuição O táxon apresenta ampla distribuição nos rios costeiros do sudeste brasileiro, com registros que se estendem do rio São Mateus, no Espírito Santo, ao Ribeira de Iguape, em São Paulo, incluindo o rio Paraíba do Sul (Reis et al., 2021). Ocorre predominantemente em habitats lênticos e, assim como outras espécies do gênero, demonstra grande capacidade de colonização em reservatórios, sendo comumente uma das espécies coletadas em maior abundância nestes ambientes (Suzuki et al., 2000; Gomes et al., 2011; Costa et al., 2013). Etimologia O nome genérico apresenta duas origens etimológicas: lorica, do latim, que se refere a couraça ou armadura, e ichthys, do grego antigo, que significa peixe. Esses termos refletem a principal característica dos indivíduos da família Loricariidae, a presença de placas ósseas recobrindo o corpo (Romero, 2002; Nelson, 2006). O epíteto específico, castaneus, também derivado do latim, faz alusão à coloração castanha do animal (Romero, 2002). PEIXE DA VEZ
38 Biologia A espécie é considerada iliófaga, isto é, se alimenta de lodo e pequenos organismos bentônicos presentes no fundo dos ambientes aquáticos. Esse hábito alimentar faz com que a espécie esteja intimamente associada a habitats lênticos com trechos de fundo arenoso ou lamacento, geralmente em rios de médio a grande porte (Vieira et al., 2015). Além disso, L. castaneus apresenta dimorfismo sexual bem marcado durante o período reprodutivo, no qual os machos apresentam lábios inferiores aumentados, estrutura que serve para armazenar os ovos fertilizados até sua eclosão. Posteriormente, as larvas se aderem à região ventral da boca até estarem suficientemente desenvolvidas (Gomes et al., 2011). Conservação Loricariichthys castaneus é classificada pela IUCN como espécie “menos preocupante” (LC) e, no Brasil, não consta na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos do ICMBio (ICMBio, 2022; MMA, 2022). Tratase de uma espécie abundante em ambientes modificados, como reservatórios artificiais, além de ocorrer amplamente em ambientes naturais. Tal sucesso populacional deve-se a características como o cuidado parental, a produção de ovócitos grandes e períodos reprodutivos prolongados, que favorecem o estabelecimento e a manutenção de populações (Gomes et al., 2011; Ferreira et al., 2013). Outro aspecto relevante é o baixo índice de predação, ou mesmo a ausência de predadores naturais, resultado do corpo fortemente armado que oferece proteção contra ataques. Possíveis medidas de conservação voltadas à espécie devem priorizar o controle da eutrofização e da poluição nos reservatórios onde está estabelecida (Dourado et al., 2005), além da prevenção à introdução de espécies invasoras que possam atuar como novos predadores. Mudanças na hidrologia dos corpos d'água também representam ameaça potencial, visto que L. castaneus é tipicamente associada a remansos e trechos calmos de rios e reservatórios (Bizerril, 1999). PEIXE DA VEZ
39 REFERÊNCIAS Bizerril CRSF. A ictiofauna da bacia do rio Paraíba do Sul. Biodiversidade e padrões biogeográficos. Brazilian Archives of Biology and Technology: 2011; (42)2: 233-50. https://doi.org/10.1590/S151689131999000200014 Costa MR, Mattos TM, Borges JL, Araújo FG. Habitat preferences of common native fishes in a tropical river in Southeastern Brazil. Neotropical Ichthyology; 2013: (11)04: 871-80. https://doi.org/10.1590/ S1679-62252013000400015 Covain E, Fish-Muller S, Oliveira C, Mol JH, Montoya-Burgos JI, Dray S. Molecular phylogeny of the highly diversified catfish subfamily Loricariinae (Siluriformes, Loricariidae) reveals incongruences with morphological classification. Mol Phylogenet Evol; 2016: 94: 492-517. https:// doi.org/10.1016/j.ympev.2015.10.018 Dourado EDS, Benedito-Cecilio E, Latini JD. O grau de trofia do ambiente influencia a quantidade de energia dos peixes. In Rodrigues L, Thomaz SM, Agostinho AA, Gomes LC. Biocenoses em reservatórios: Padrões espaciais e temporais. São Carlos: Rima; 2005. 211-22. Ferreira GL, Lopes VG, Cantarino Gomes JH, Castelo Branco CW. Condition factor and diet of the catfish Loricariichthys castaneus (Castelnau, 1855): gender differences in three tropical reservoirs. Studies on Neotropical Fauna and Environment: 2011; 48(3): 190–198. https:// doi.org/10.1080/01650521.2014.890849 Gomes ID, Araújo W, Uehara AS. Reproductive biology of the armoured catfish Loricariichthys castaneus (Castelnau, 1855) in Lajes reservoir, southeastern Brazil. Journal of Applied Ichthyology; 2011: (27)6: 1322-31. https:// doi.org/10.1111/j.1439-0426.2011.01874.x Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Loricariichthys castaneus. The IUCN Red List of Threatened Species. Version 3.1 [Internet]. Cambridge; 2022. Available from: https:// dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2022-1.RLTS. T186441A1813107.pt. Ministério do Meio Ambiente. Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022. Diário Oficial da União. Brasília; 2022. Nelson JS, Grande TC, Wilson M. Fishes of the World. Hoboken: John Wiley & Sons, Inc; 2006. p. 216-18. Paixão AC. Revisão taxonômica e filogenia do gênero Loricariichthys Bleeker, 1862 (Ostariophysi: Siluriformes: Loricariidae). [Tese de Doutorado]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 2012. Disponível em: https://doi. org/10.11606/T.41.2012.tde-01052013105133 Reis RE, Pereira EHL. Three new species of the loricariid catfish genus Loricariichthys (Teleostei: Siluriformes) from southern South America. Copeia: 2000; (2000)4: 1029-47. https://doi.org/10.1643/00458511(2000)000[1029:TNSOTL]2.0.CO;2 Reis RE, Vieira F, Pereira EHL. A New Species of the Loricariid Catfish Genus Loricariichthys (Teleostei: Siluriformes) from Eastern Brazil. Ichthyology & Herpetology: 2021; (109)4: 557-566. https:// doi.org/10.1643/i2020013 Romero P. An etymological dictionary of taxonomy. Madrid. Unpublished manuscript. 2002. Roxo FF, Ochoa LE, Sabaj MH, Lujan NK, Covain R, Gabriel M, Albert JS, Chang JL, Foresti F, Alfaro ME, Oliveira C. Phylogenomic reappraisal of the Neotropical catfish family Loricariidae (Teleostei: Siluriformes) using ultraconserved elements. Molecular Phylogenetics and Evolution: 2019; 135: 148–165. https://doi.org/10.1016/j. ympev.2019.02.017 Suzuki HI, Agostinho AA, Winemiller KO. Relationship between oocyte morphology and reproductive strategy in loricariid catfishes of the Paraná River, Brazil. Journal of Fish Biology: 2000; (57)3: 791-807 .https://doi. org/10.1111/j.1095-8649.2000.tb00275.x Vieira F, Gomes JPC, Maia BP. Peixes do Quadrilátero Ferrífero: Guia de Identificação. Belo Horizonte: Fundação Biodiversitas; 2015. PEIXE DA VEZ
40 PEIXE DA VEZ Thiago Morais Barbosa1 Larissa Medeiros Freire1 Eurico José Giacoia Penetra1 Felipe Douglas Mendonça Cadilho1 Marcus Rodrigues da Costa1 Lobotes surinamensis (Bloch, 1790) Figura 1. Lobotes surinamensis (Bloch, 1790) 92 mm CT, exemplar fotografado em vida e não catalogado, coletado no dia 16 de maio de 2024 na Lagoa de Araruama, região leste do estado do Rio de Janeiro, no município de Araruama, RJ, Brasil, 22º89’12” S, 42º38’65” W. Foto: Thiago Morais Barbosa ¹Universidade Federal Fluminense, Laboratório Biologia do Nécton e Ecologia Pesqueira (Ecopesca), Departamento de Biologia Marinha, Instituto de Biologia, Instituto de Biologia. Rua Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis, S/N, São Domingos, Niterói, 24210201, RJ, Brasil. *Autor correspondente: barbosa.t[email protected]om ORCID: https://orcid.org/0009-0009-6873-8208 (TMB); https://orcid.org/0009-0005-1216-4517 (LMF); https://orcid.org/0009-0006-9441-9110 (EJGP); https://orcid.org/0000-0002-6205-3517 (FDMC); https://orcid.org/0000-0002-0737-1184 (MRC). PREJEREBA, PREJEREVA, “TRIPLETAIL” Boletim da Sociedade Brasileira de Ictiologia - SBI Nº 150 - ISSN 1808-1436
41 Nome Popular Prejereba, prejereva, “tripletail” (em países de língua inglesa). Informações gerais Pertencente à ordem Acanthuriformes, família Lobotidae (Van der Laan & Fricke, 2025) que apresenta apenas o gênero Lobotes com duas espécies: Lobotes surinamensis (Bloch, 1790) e Lobotes pacificus Gilbert, 1898 (Van der Laan & Fricke, 2025). Identificação Nadadeira dorsal com 10 a 12 espinhos e 14 a 16 raios; anal com 3 espinhos e 11 raios. Linha lateral com 45 a 52 escamas. Colorido variável, principalmente nos jovens. Corpo marrom, um pouco mais escuro superiormente, com manchas claras irregulares. Nadadeiras escuras assim como o corpo, com exceção das peitorais claras. Jovens com algumas manchas negras na base das nadadeiras dorsal posterior e anal (Figueiredo & Menezes, 1980). Em adultos apresenta variações de tons de marrom-amarelado até marromescuro, com manchas e marmoreados pouco definidos. Os jovens são, frequentemente, de coloração amarelada brilhante, tornandose mais escuros com a idade (Carpenter, 2002). Distribuição Presente em todo o Atlântico Centro-Ocidental, desde a Nova Inglaterra e Bermudas até a Argentina. Também foi registrado no Mar Adriático, no Mar de Omã, no Mediterrâneo e uma vez em águas profundas do norte da Tunísia (Fagundes et al., 2021). Trata-se de uma espécie cosmopolita, registrada em todos os oceanos em águas quentes, tropicais e subtropicais (Carpenter, 2002). No Brasil, está presente em praticamente toda a costa Brasileira (atualmente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe) incluindo Fernando de Noronha, PE (Carpenter & Robertson, 2015). PEIXE DA VEZ