PROTOCOLO DE SEPSE NA UTI: A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA DETECÇÃO PRECOCE E MANEJO
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Revista Brasileira Método Científico TIPO: Artigo original PUBLICADO: 15 de Dezembro de 2025 . DOI: 10.5281/zenodo.17945715 EDITADO POR Edson Silva-Filho REVISADO POR Donato Braz Junior e Juliana Guimarães RECEBIDO: 20 de Novembro de 2025 ACEITO: 01 de Dezembro de 2025 PUBLICADO: 15 de Dezembro de 2025 COPYRIGHT © 2025. Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da Licença de Atribuição Creative Commons (CCBY). O uso, distribuição ou reprodução em outros fóruns é permitido, desde que o(s) autor(es) original(is) e o(s) proprietário(s) dos direitos autorais sejam creditados e que a publicação original neste periódico seja citada, de acordo com a prática acadêmica aceita. Não é permitido uso, distribuição ou reprodução que não esteja em conformidade com esses termos. PROTOCOLO DE SEPSE NA UTI: A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA DETECÇÃO PRECOCE E MANEJO Vitória Emanuelle de Souza Daniel, Stefany Kerolayne da Silva Rosa, Elys Eulália dos Santos Souza, Vinícius Lira de Souza, Ana Vitórya Pereira Barbosa, Hany Camilly Lima da Silva RESUMO A Sepse é uma condição inflamatória grave desencadeada por uma infecção, que pode comprometer o funcionamento de diversos órgãos e levar à morte se não for tratada rapidamente. Em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde os pacientes já se encontram em estado crítico e frequentemente fazem uso de dispositivos invasivos, o risco de desenvolver sepse é ainda maior. Diante disso, a atuação do enfermeiro é essencial para identificar precocemente os sinais da sepse e contribuir de forma efetiva no seu manejo, seguindo protocolos estabelecidos. Este trabalho teve como objetivo compreender de que forma o enfermeiro atua na identificação precoce e no cuidado ao paciente com sepse dentro da UTI. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, buscando estudos publicados entre 2020 e 2025 nas bases BVS, LILACS, Medline, SciELO e PubMed, utilizando os descritores “Sepse”, “Cuidados de Enfermagem”, “Unidade de Terapia Intensiva” e “Diagnóstico Precoce de Sepse”. A escolha por essa metodologia permitiu reunir e analisar criticamente os conhecimentos já existentes sobre o tema, contribuindo para fortalecer a prática profissional baseada em evidências e orientar novas pesquisas na área. Palavras-chave: Sepse. Enfermagem. Diagnóstico Precoce. Unidade de Terapia Intensiva. Manejo Clínico. Revista Brasileira Método Científico 1 revistabrasileirametodocientifico.com
ABSTRACT Sepsis is a serious inflammatory condition triggered by an infection that can compromisse the functioning of several organs and lead to death if not treated promptly. In Intensive Care Units (ICUs), Where patients are already in critical condition and frequently use invasive devices, the risk of developing sepsis is even greater. Therefore, the role of nurses is essential to identify signs of sepsis early and contribute effectively to its management, following established protocols. This study aimed to understand how nurses act in the early identification and care of patients with sepsis within the ICU. An integrative literature review was carried out, searching for studies published between 2020 and 2025 in the BVS, LILACS, Medline, SciELO and PubMed databases, using the descriptors “sepsis”, “nursing care”, “intensive care unit” and “early diagnosis of sepsis”. The choice of this methodology allowed us to gather and critically analyze existing knowledge on the subject, contributing to strengthening evidence-based professional practice and guiding new research in the area. Keywords: Sepsis, Nursing, Early Diagnosis, Intensive Care Unit, Clinical management. R Bras. Met. Cient 2 revistabrasileirametodocientifico.com
INTRODUÇÃO A sepse é uma resposta grave do organismo frente a uma infecção que pode colocar a vida em risco. Quando o corpo tenta combater um agente infeccioso, em vez de reagir de forma equilibrada, pode desencadear um processo inflamatório descontrolado. Esse desequilíbrio acaba afetando órgãos e tecidos saudáveis, podendo evoluir para falência múltipla e até mesmo levar ao óbito. Embora, na maioria das vezes, a sepse tenha origem bacteriana, também pode ser forma viral, fúngica ou parasitária.¹ De acordo Ellwanger, até o ano de 2016, a sepse era dividida em três categorias: sepse, sepse grave e choque séptico. No entanto, uma revisão nos critérios diagnósticos levou à retirada do termo “sepse grave”, uma vez que toda manifestação séptica já é considerada grave por si só. A partir dessa mudança, passou-se a utilizar apenas os termos “sepse” e “choque séptico”, sendo este último a forma mais crítica da condição, exigindo intervenções imediatas para evitar que o paciente evolua para um choque séptico venha a óbito.² Alguns grupos de pacientes são mais vulneráveis à sepse, especialmente aqueles internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), onde o uso de dispositivos invasivos como sondas, cateteres e ventilação mecânica é comum. Além disso, estão mais propensos à sepse pessoas com o sistema imunológico comprometido, pacientes com infecções maltratadas, recém-nascidos prematuros, idosos com mais de 65 anos, e indivíduos com doenças crônicas como diabetes, insuficiência renal, doenças cardíacas, pacientes com feridas extensas e queimaduras.³ Os sinais clínicos da sepse podem surgir de forma repentina e incluem febre alta ou temperatura corporal muito baixa, calafrios, frequência cardíaca acelerada, sudorese, fraqueza extrema, queda de pressão arterial, alterações na coagulação, confusão mental e redução na produção de urina. Por isso, reconhecer esses sinais o mais cedo possível é fundamental para garantir um tratamento eficaz e reduzir os riscos ao paciente.4 Nesse contexto, o enfermeiro tem um papel central, desde os primeiros sinais clínicos até o acompanhamento durante o tratamento, sua atuação pode fazer a diferença no desfecho do quadro. Ferramentas como o escore SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) são importantes aliados para identificar a gravidade do caso e indicar a necessidade de intervenções urgentes.5 Entre as principais responsabilidades da enfermagem estão: comunicar rapidamente a equipe, realizar a coleta de exames, administrar antibióticos com agilidade e segurança (conforme prescrição médica) manter o paciente bem hidratado e monitorar constantemente seus sinais vitais. Além disso, o cuidado prestado pelo enfermeiro vai além dos aspectos técnicos, envolve atenção, R Bras. Met. Cient 3 revistabrasileirametodocientifico.com
acolhimento e comunicação clara tanto com a equipe quanto com a família do paciente, oferecendo uma assistência contínua, segura e humanizada.6 Diante do exposto, o objetivo do trabalho é compreender o papel do enfermeiro na identificação precoce e no manejo da sepse, com foco na sua atuação dentro das Unidades de Terapia Intensiva. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de uma revisão integrativa, escolhida por ser uma metodologia que permite reunir e avaliar estudos já existentes de forma mais ampla. Sobre esse determinado tema, essa abordagem metodológica foi escolhida por possibilitar uma visão ampla e crítica sobre a atuação do enfermeiro na identificação precoce e no manejo da sepse em unidade de terapia intensiva (UTI). Essa revisão é importante porque, além de organizar o conhecimento existente, também aponta caminhos para a prática e futuras pesquisas. Seguiram-se as etapas metodológicas para a realização da revisão integrativa, a saber: definição do tema, da questão de estudo, e dos descritores; estabelecido os critérios de inclusão e exclusão; definição da questão norteadora com levantamento das informações extraídas das referências selecionadas, bem como, a avaliação dos mesmos; incorporação dos resultados para apresentação da síntese do estudo. A questão de pesquisa é como o enfermeiro contribui para a detecção precoce e o manejo da sepse em pacientes internados na UTI? A busca foi realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), que incluiu, as bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval Sistem on-line (Medline) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), além das bases como (Scientific) Eletronic Library Online (SCIELO) e (Pubmed) como estratégia de busca foram utilizados os descritores em saúde (DeCS): Sepse, cuidados de enfermagem, unidade de terapia intensiva, pacientes internados, diagnóstico precoce de sepse, e entre eles o operado booleano AND. A coleta de dados foi realizada entre os meses de fevereiro a junho de 2025. Em seguida, foram estabelecidos os critérios de inclusão e de exclusão. Incluíram-se artigos publicados de 2020 a 2025 nos idiomas português e inglês das referidas bases. Excluíram-se os artigos encontrados em duplicidade, capítulo de livro, resumo, textos de acesso indisponível ou inconsistentes com o objeto e questão do estudo. Após seleção dos periódicos e melhor definição dos artigos foi utilizado o fluxograma, conforme demostra a figura 1: R Bras. Met. Cient 4 revistabrasileirametodocientifico.com
As buscas realizadas nas bases de dados, associando-se os descritores pertinentes, resultaram na identificação de 34 artigos. Este artigo também fez uso da estratégia PICO para formular perguntas de pesquisa e realizar pesquisas bibliográficas. PICO é um acrônico para paciente/população; intervenção (diagnóstica ou terapêutica), alternativa intervenção (comparação) e os resultados de interesse (desfechos, ou outcomes). Nesta perspectiva foi utilizado a tabela 2 trazendo a abordagem da estratégia PICO relacionadas as perguntas norteadoras desta pesquisa. Tabela 1. Descrição da estratégia PICO Acrônimo Definição Descrição P Paciente ou problema Paciente em foco são adultos hospitalizados em Unidade de Terapia Intensiva (UTIs), que apresentam suspeita ou diagnóstico confirmado sepse. I Intervenção Atuação do enfermeiro na identificação precoce da sepse e na implementação de intervenções terapêuticas baseadas em protocolos assistenciais específicos. C Controle ou Comparação Considera-se a assistência convencional, caracterizada pela ausência de protocolos estruturados ou por intervenções tardias realizadas pela equipe de enfermagem. O Desfecho (outcomes) Envolve a redução da mortalidade, a detecção precoce da sepse, a diminuição do tempo de internação e a melhora dos desfechos clínicos dos pacientes. A aplicação dessa estratégia permite avaliar de forma sistemática e fundamentada o impacto da atuação da enfermagem no manejo da sepse em ambientes críticos. R Bras. Met. Cient 5 revistabrasileirametodocientifico.com Identificação de estudos por meio de bases de dados e registros Identificação Registros identificados nas Bases de Dados: Lilacs (n = 30) Mediline (n = 20) Scielo (n = 27 ) PubMed (n = 16) Registros removidos antes da triagem: (n = 35) Registros duplicados removidos (n = 12) Registros marcados como inelegíveis por ferramentas de automação (n = 0) Registros removidos por outros motivos (n = 15)
RESULTADOS E DISCUSSÕES Inicialmente, foi realizada uma busca e leitura dos títulos e resumos dos artigos encontrados, permanecendo aqueles que apresentaram relação direta com o tema proposto nesta pesquisa. Em seguida, procedeu-se à leitura completa dos estudos selecionados, o que possibilitou refinar a amostra final para 8 artigos, considerados mais pertinentes aos objetivos do trabalho. As informações extraídas foram organizadas e analisadas conforme o enfoque e o conteúdo abordado em cada publicação. A análise do material permitiu constatar que a maioria dos artigos reforça o papel essencial do enfermeiro na identificação precoce da Sepse e na implementação do protocolo institucional, destacando a importância da capacitação profissional e da integração entre os membros da equipe multiprofissional. Alguns estudos evidenciaram também a relevância da padronização dos fluxos assistenciais e do uso de indicadores clínicos para otimizar o tempo de resposta ao paciente séptico. O Quadro 1 a seguir apresenta um resumo dos estudos selecionados, destacando seus autores, títulos, objetivos e ano de publicação, de modo a facilitar a compreensão da contribuição de cada obra para a discussão proposta. Tabela 2. Artigos selecionados para composição dos resultados Autor/ano Título Objetivo Resultados Forrester JD, Spain DA (2024) Sepse e choque séptico Descrever a fisiopatologia, diagnóstico e manejo clínico da sepse e do choque séptico, com foco em condutas atualizadas para profissionais de saúde. Destaca a importância da detecção precoce e do tratamento rápido, especialmente com reposição volêmica e antibioticoterapia. Ressalta que o manejo deve ser guiado por protocolos baseados em evidências e monitoramento hemodinâmico rigoroso. Wang J, Li Z, Chen X, Zhang Y, Liu Y, Zhang S, et al. (2024) Epidemiology and outcomes of sepsis: A systematic review and meta-analysis Analisar a incidência, mortalidade e fatores prognósticos associados à sepse em diferentes populações. A sepse apresenta alta incidência global e mortalidade significativa, principalmente em países de baixa renda. O estudo destaca a necessidade de padronização nos critérios diagnósticos e aprimoramento das estratégias de prevenção. Pereira Viana RA et al. (2020) Sepse: um problema de saúde pública – a atuação e colaboração da Enfermagem na rápida identificação e tratamento da doença Evidenciar o papel da enfermagem na identificação precoce da sepse e no manejo clínico adequado. Demonstra que o enfermeiro tem papel essencial na vigilância clínica, na aplicação de protocolos institucionais e na redução da mortalidade por meio da identificação precoce de sinais clínicos. Evans L et al. (2021) Surviving Sepsis Atualizar as diretrizes As novas diretrizes reforçam a R Bras. Met. Cient 6 revistabrasileirametodocientifico.com
Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021 internacionais para o tratamento da sepse e do choque séptico. necessidade de iniciar antibióticos e reposição volêmica dentro da primeira hora, bem como o uso de ferramentas como o SOFA e qSOFA para avaliação da gravidade e resposta ao tratamento. World Health Organization (WHO) (2023) Sepsis: fact sheet Fornecer um panorama global sobre a sepse e estratégias de enfrentamento da doença. A OMS reconhece a sepse como um problema de saúde pública mundial, destacando a importância da educação dos profissionais e do público sobre prevenção, detecção e manejo precoce. Li Y, Yan C, Gan Z, Xi X, Tan Z, Li J, et al. (2020) Prognostic values of SOFA score, qSOFA score, and LODS score for patients with sepsis Avaliar o valor prognóstico de diferentes escores clínicos — SOFA, qSOFA e LODS — na predição de mortalidade e gravidade em pacientes sépticos. O estudo demonstrou que o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) é eficaz para avaliar a disfunção orgânica e predizer mortalidade em pacientes com sepse, sendo mais sensível em ambiente hospitalar. Já o qSOFA (quick SOFA), composto por três critérios clínicos simples — frequência respiratória ≥ 22 rpm, pressão arterial sistólica ≤ 100 mmHg e alteração do nível de consciência —, apresentou boa aplicabilidade à beira-leito e em unidades de emergência. Ambos se mostraram ferramentas essenciais para o reconhecimento precoce e manejo da sepse pela equipe de enfermagem, auxiliando na priorização de cuidados e tomada de decisão clínica. Singer M et al. (2016) The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3) Propor novas definições para sepse e choque séptico com base em disfunção orgânica. Introduziu o conceito de disfunção orgânica como critério essencial para o diagnóstico de sepse e o uso do escore SOFA. A nova definição aprimorou a identificação de casos graves e direcionou melhor o manejo clínico. Santana MM, Souza ACF, Picanço CM, Souza D, Peixoto ÊMF, Santos AA, et al. (2023) Concepção dos enfermeiros de terapia intensiva sobre detecção e tratamento da sepse Investigar a percepção dos enfermeiros intensivistas sobre sua atuação no reconhecimento e manejo da sepse. Os resultados apontam que, embora os enfermeiros reconheçam a importância de sua atuação, ainda existem lacunas no conhecimento e adesão aos protocolos de sepse, evidenciando a necessidade de capacitação contínua. Fonte: Autores (2025) R Bras. Met. Cient 7 revistabrasileirametodocientifico.com
DISCUSSÕES A Sepse é uma das principais causas de mortalidade no Brasil e no mundo. É Uma síndrome clínica complexa caracterizada por uma resposta imune exacerbada e desregulada do organismo frente a um agente infeccioso ou a substâncias liberadas durante o processo inflamatório, como toxinas e mediadores endógenos, incluindo citocinas e interleucinas. Essa reação sistêmica anormal provoca disfunção orgânica potencialmente fatal, decorrente do desequilíbrio entre os mecanismos pró e anti-inflamatórios.6 A condição geralmente se desenvolve como complicação de uma infecção pré-existente, As fontes mais comuns de infecção que levam à sepse incluem pneumonia (40–50%), infecções intraabdominais (20–25%) e infecções do trato urinário (10–15%). Os agentes etiológicos podem ser de natureza bacteriana, viral, fúngica ou protozoária. Por sua rápida progressão e elevada taxa de mortalidade, a sepse requer identificação precoce e intervenção imediata para reduzir os riscos à vida do paciente.7 A definição de Sepse passou por importantes atualizações ao longo dos anos. Até 2016, o diagnóstico baseava-se na presença da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SRIS) associada a um quadro infeccioso, sendo classificada em Sepse, Sepse Grave e Choque Séptico. No entanto, esse modelo apresentava limitações, pois incluía pacientes com resposta inflamatória leve, sem risco real de morte. Em 2016, a Society of Critical Care Medicine e a European Society of Intensive Care Medicine propuseram uma nova conceituação, conhecida como Sepsis-3, na qual a sepse passou a ser definida como uma disfunção orgânica com risco de vida, resultante de uma resposta desregulada do organismo frente a uma infecção. O termo “Sepse Grave” foi abolido e a disfunção orgânica passou a ser identificada por meio do escore SOFA, que avalia a função de diferentes sistemas corporais. Essas mudanças tornaram o diagnóstico mais específico, priorizando a identificação de pacientes com maior risco de mortalidade e a necessidade de intervenções imediatas.8 O Pacote Hour-1 tem como propósito promover uma resposta imediata dos profissionais de saúde diante da suspeita de sepse. Ele orienta que, logo após o reconhecimento do quadro, sejam colhidas hemoculturas, administrados antibióticos de amplo espectro, iniciada a reposição volêmica adequada, mensurado o nível de lactato sérico e, se necessário, iniciada a infusão de vasopressores. Essas ações devem ser implementadas o mais rapidamente possível, preferencialmente dentro da primeira hora, ainda que a conclusão de todas as etapas possa ocorrer em seguida. Essa abordagem reforça que a agilidade no manejo é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência do R Bras. Met. Cient 8 revistabrasileirametodocientifico.com
paciente com sepse ou choque séptico. Após o reconhecimento da Sepse, as primeiras horas são determinantes para o prognóstico do paciente. Por isso, protocolos internacionais, como o da Surviving Sepsis Campaign (SSC), orientam a execução de medidas específicas nas primeiras três e seis horas de atendimento, com o objetivo de reduzir complicações e a mortalidade associada à doença. Durante as primeiras três horas do manejo, é fundamental iniciar intervenções voltadas para a identificação precoce e o controle da infecção. Nessa fase, recomenda-se a coleta de hemoculturas antes do início da antibioticoterapia, a administração imediata de antibióticos de amplo espectro e a mensuração dos níveis séricos de lactato, que auxiliam na avaliação da perfusão tecidual. Além disso, quando o paciente apresenta hipotensão ou níveis de lactato iguais ou superiores a 4 mmol/L, deve-se realizar a reposição volêmica com cristaloides, geralmente na dose inicial de 30 mL/kg. Já no intervalo de até seis horas após o diagnóstico, o foco passa a ser a reavaliação da resposta às medidas iniciais e a estabilização hemodinâmica. Caso a hipotensão persista mesmo após a reposição de fluidos, é indicado o uso de vasopressores preferencialmente noradrenalina para manter uma pressão arterial média igual ou superior a 65 mmHg. Também é recomendado repetir a dosagem de lactato sérico para verificar se há melhora da perfusão e ajustar o tratamento conforme a evolução clínica.9 Tabela 3. Tratamento pós as 3 e 6 primeiras horas Período Ações prioritárias Finalidade clínica e observações Até 3 horas após o reconhecimento da sepse - Solicitar a dosagem do lactato sérico.- Coletar hemoculturas antes de iniciar o antibiótico.- Administrar antibiótico de amplo espectro o mais rápido possível, de preferência na primeira hora.- Infundir solução cristalóide (30 mL/kg) em casos de hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L.- Monitorar sinais vitais e nível de consciência. Possibilita avaliar o grau de hipoperfusão tecidual, identificar o agente infeccioso, iniciar tratamento antimicrobiano precoce, restabelecer volume circulante e observar resposta inicial ao tratamento. Entre 3 e 6 horas após o diagnóstico - Iniciar vasopressores se a hipotensão persistir após a reposição volêmica (meta: PAM ≥ 65 mmHg).- Reavaliar perfusão periférica e estado hemodinâmico (diurese, enchimento capilar, perfusão de extremidades).- Repetir a dosagem de lactato caso o valor inicial esteja elevado.- Avaliar disfunções orgânicas Mantém a perfusão adequada dos órgãos, permite reavaliação da resposta à ressuscitação, identifica disfunções sistêmicas e assegura continuidade do cuidado multiprofissional. R Bras. Met. Cient 9 revistabrasileirametodocientifico.com