Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 614 EMERGÊNCIA CLIMÁTICA NO PANTANAL SUL-MATOGROSSENSE: OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTAL NA EMISSÃO DOS GASES DE EFEITO ESTUFA Climate Emergency in the Southern Mato Grosso Pantanal: Challenges of SocioEnvironmental Education in Greenhouse Gas Emissions Milena da Silva Ayala Mestranda em Geografia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS-CPAQ Orcid: https://orcid.org/0009-0006-6762-8873
[email protected] Vicentina Socorro da Anunciação Professora do Programa de Pós Graduação em Geografia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS-CPAQ Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8571-5109
[email protected] Artigo recebido em junho/2025 e aceito em dezembro/2025 ________________________________________________________________________________ RESUMO A intensificação das emissões de gases de efeito estufa (GEE), resultantes de atividades antrópicas como o desmatamento e a agropecuária, tem agravado os efeitos da emergência climática em ecossistemas sensíveis, como o Pantanal sul-mato-grossense. Esta pesquisa analisa a vulnerabilidade socioespacial associada ao avanço das emissões de GEE em municípios e sub-regiões localizados na porção sudeste do bioma, com destaque para Miranda, Aquidauana e Abobral. A partir de dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG, 2023) e de revisão bibliográfica especializada, foram identificados os principais vetores de emissão e os impactos ambientais e sociais decorrentes, como a degradação de áreas úmidas, os incêndios florestais e o aumento da exposição de populações tradicionais a riscos climáticos. O estudo propõe estratégias de mitigação alinhadas à realidade regional, incluindo a recuperação de áreas degradadas, a adoção de práticas agropecuárias de baixa emissão, o controle do desmatamento e o fortalecimento da educação socioambiental como instrumento de transformação territorial. A construção de políticas públicas intersetoriais e territorializadas é apontada como caminho necessário para reduzir a vulnerabilidade do Pantanal frente à crise climática e promover um modelo de desenvolvimento ambientalmente justo e resiliente. Palavras-chave: Gases de Efeito Estufa; Educação Socioambiental; Pantanal. ABSTRACT The intensification of greenhouse gas (GHG) emissions resulting from anthropogenic activities such as deforestation and agriculture has exacerbated the impacts of the climate emergency in sensitive ecosystems, such as the southern Mato Grosso Pantanal. This study analyzes the socio-spatial vulnerability associated with the advance of GHG emissions in municipalities and subregions located
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 615 in the southeastern portion of the biome, with particular emphasis on Miranda, Aquidauana, and Abobral. Based on data from the Greenhouse Gas Emissions Estimation System (SEEG, 2023) and a specialized literature review, the main emission drivers and the resulting environmental and social impacts were identified, including the degradation of wetlands, forest fires, and the increased exposure of traditional populations to climate risks. The study proposes mitigation strategies aligned with regional realities, including the restoration of degraded areas, the adoption of low-emission agricultural practices, deforestation control, and the strengthening of socio-environmental education as an instrument of territorial transformation. The development of intersectoral and territorially grounded public policies is identified as a necessary pathway to reduce the vulnerability of the Pantanal to climate change and to promote an environmentally just and resilient development model. Keywords: Greenhouse Gases; Socio-Environmental Education; Pantanal. _______________________________________________________________________________ 1. INTRODUÇÃO A imperatividade das pautas socioambientais na contemporaneidade traz em seu bojo a tese circunstanciada da emergência climática, integrando debates nas mais diversas esferas da sociedade e nos meios acadêmicos, direcionando tomadas de decisão sobre as multiplicidades temáticas a ela relacionada. As mudanças climáticas, com efeitos já perceptíveis no Pantanal sul-mato-grossense, constituem uma das maiores ameaças ambientais, sociais e econômicas do século XXI. Seu principal motor é o aumento da concentração de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, decorrente, principalmente, de atividades humanas como o desmatamento, a agropecuária e a queima de combustíveis fósseis (Fumiã; Silva, 2022). Nesse sentido, o engendramento desse ideário traz no seu âmago a explícita relação sociedade x natureza em territórios cobiçados por diferentes estratos sociais congregando interesses da coletividade bem como a valia e utilidade difusas e diversas de corporações capitalistas. Contudo, cabe destacar que a crise paradigmática instaurada com os impactos adversos latentes e manifestos materializados, associa sua gênese à ruptura social com a dinâmica natural, potencializada por intervenções socioespaciais e agravada à medida que compromete o suporte de carga do ambiente inerente ao processo de uso e ocupação do solo, desencadeando diferentes níveis de manifestações da vulnerabilidade, da suscetibilidade e exposição à repercussão das ocorrências manifestas, sobretudo àquelas relacionadas aos aspectos socioambientais. Ao revelar elementos de políticas ambientais, instrumentos e regramentos legais advindo de organismos governamentais, transgressão de normativas, atores sociais, observa-se que fatores determinantes e condicionantes se entrelaçam nas tramas das narrativas que compõem a complexa teia da emergência climática, não podendo dicotomizar a natureza, a política, o discurso e o diferentes grupos sociais. Tal ideário é reforçado por (Sant'Anna Neto, 2021), ao destacar que o clima é um
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 616 fenômeno natural resultante de processos físicos e químicos na atmosfera, mas, também é moldado pelas interações sociais, econômicas e políticas. Sendo assim, observações referentes ao papel do clima na emergência climática, devem estar associadas às desigualdades sociais uma vez que as vulnerabilidades da população vêm se agravando drasticamente a cada dia. Nesse sentido, observa-se que regiões como o Pantanal sul-mato-grossense, marcado por vulnerabilidades socioambientais históricas, tornam-se epicentros de impactos agravados pelas mudanças no uso da terra e pela intensificação das pressões econômicas sobre o território. De acordo com informações do IBGE, o Pantanal situa-se na planície da Bacia do Alto Paraguai e ocupa uma área de 150.533 km². Notas do portal online da Embrapa Pantanal o nomeiam como a maior planície alagável do mundo, abrangendo território da Bolívia, do Paraguai e do Brasil, sendo que a extensão da área na esfera nacional compreende os estados de Mato Grosso (35%) e Mato Grosso do Sul (65%). Figura 1 - Mapa de Localização do bioma Pantanal nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Fonte: Silva & Abdon (1998) e IBGE, 2021. Este trabalho parte da hipótese de que as transformações no uso da terra na porção sudeste do bioma Pantanal — com destaque para as sub-regiões Miranda, Aquidauana e e Abobral — têm contribuído diretamente para o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE), sobretudo em razão de queimadas, desmatamento e da intensificação da pecuária. Essas alterações vêm gerando
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 617 instabilidades no sistema climático, com efeitos socioambientais cada vez mais evidentes. A região, com alto valor ecológico, abriga comunidades tradicionais e áreas de grande biodiversidade marcada por campos alagáveis e fazendas centenárias. No entanto, tais territórios enfrentam pressões crescentes decorrentes da expansão agropecuária e da redução dos ciclos hidrológicos, o que acentua sua vulnerabilidade diante das mudanças climáticas. Segundo o IBGE (2022), Aquidauana tem cerca de 47.500 habitantes e Miranda, aproximadamente 28.000, ambos com Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) entre 0,68 e 0,70, o que evidencia também desafios sociais e econômicos estruturais. A escolha do recorte territorial se justifica, portanto, não apenas pela relevância ambiental das áreas estudadas, mas pela urgência em propor estratégias de mitigação e adaptação compatíveis com suas especificidades ecológicas e socioculturais. Dessa forma, norteando este estudo emergem indagações na perspectiva de desvendar se o uso e ocupação do espaço na escala regional, Centro-Oeste, potencializam reflexões sobre a emergência climática com desencadeamento de repercussões ao bioma pantanal? Ações socioeconômicas materializadas no bioma pantanal sobretudo na porção sudeste convergem para a produção dos gases do efeito estufa? Face ao cenário configurado no recorte espacial estudado, é possível alvitrar estratégias de mitigação relacionadas a produção de gases do efeito estufa? Ancorado nestes ideários objetiva-se com este estudo analisar o panorama atual das emissões de Gases de Efeito estufa (GEE) na região Centro-Oeste, com ênfase na porção sul-mato-grossense do bioma Pantanal, abrangendo os territórios das sub-áreas Miranda, Aquidauana e Abobral. Refletir sobre os fatores que contribuem para o desencadeamento e o aumento da incidência da emissão dos gases de efeito estufa nesta porção do bioma. Enfatizar as repercussões desencadeadas no bioma e propor estratégias de enfrentamento alinhadas à realidade regional e às diretrizes de sustentabilidade. Assim, a partir desta fusão de análises reflexivas bem como observâncias ao cenário e ações materializada face aos desafios na compreensão acerca da emergência climática no contexto do bioma pantanal, contribuir com fundamentações na construção de informações e conhecimentos ancoradas na educação socioambiental para o ator social pantaneiro, direcionando a compreensão sobre a gestão ambiental em consonância ao contexto da realidade local, face as interferências na dinâmica natural do bioma. Embora o desmatamento seja mais intenso no chamado ‘Arco do desmatamento’, os efeitos da expansão da fronteira agropecuária já se manifestam também no bioma Pantanal, sobretudo em sua porção sul-mato-grossense. Por conta do aumento das concentrações atmosféricas de Gases de Efeito Estufa (GEE) e das consequentes alterações climáticas globais, não só os governos nacionais que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) (BRASIL, 1992), mas
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 618 também os governos subnacionais ou locais, como os governos dos estados, províncias e municípios, têm se empenhado em fazer estimativas das emissões desses gases visando subsidiar a sociedade na identificação das prioridades locais e adoção das medidas mais adequadas para reduzir essas emissões. Assim, com esse estudo, é possível analisar a vulnerabilidade socioespacial associada à emergência climática no bioma Pantanal, especialmente na porção sudeste situada no estado de Mato Grosso do Sul. A pesquisa foca nos impactos da emissão de gases de efeito estufa (GEE), investigando os principais vetores de emissão, os riscos ambientais e sociais associados, e as possibilidades de mitigação voltadas à sustentabilidade local. 2. METODOLOGIA A presente pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico, com o intuito de compreender teoricamente as abordagens relacionadas à emissão de gases de efeito estufa no contexto do bioma Pantanal sul-mato-grossense. Pesquisa exploratória tencionando certificar-se das estratégias de ações territorializadas no espaço. e análise documental, focando na coleta e interpretação de dados secundários disponibilizados em bases oficiais e reconhecidas. A pesquisa bibliográfica com intuito de abordar a temática transcorreu através de busca por palavras-chave no acervo virtual de conteúdos científicos no Periódico Capes direcionada à literatura versando sobre os temas gases de efeito estufa, queimadas, incêndios, desmatamento, atividade econômica, Centro-Oeste e, com ênfase, Pantanal, educação ambiental, selecionando, dessa forma, corpora textuais. Envolve análise de caráter qualitativo exploratório uma vez que aprimoram as ideias, a descoberta e intuições possibilitando aproximação dos atores sociais com o problema analisado, incentivando aprofundar o conhecimento de um tema controvertido a partir da realidade local das sub-áreas inseridas na porção sudeste do Pantanal. De acordo com Minayo (2001 p.19): “A pesquisa qualitativa se preocupa com o nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, de motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes”. O processo da pesquisa, partiu do método indutivo e dialético, através da discussão em relação aos resultados alcançados, pois busca através de hipóteses levantadas, chegar à compreensão do que factualmente ocorre dentro de uma realidade. Segundo Suertegaray, (2005 p. 15) o método indutivo: “Constitui o método Positivo, um método histórico, genético-indutivo, ou seja, parte da observação induz leis de coexistência e de sucessão e deduz fatos novos que escapam à observação direta. Trata-se de um método que privilegia o processo de indução, que parte da observação dos fenômenos através dos sentidos para deduzir teorias. São palavras
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 619 fundamentais e expressivas para a compreensão do método Positivo: experiência, observação, comparação, analogia, indução, dedução, filiação histórica”. Desse modo, o estudo enfatiza os fatos considerando o contexto e a circunstância socioespacial no bioma Pantanal, especialmente na região sudeste do Mato Grosso do Sul, que compreende os pantanais de Miranda, Aquidauana e Abobral. De acordo com Gil (2008, p. 14): [...] a dialética fornece as bases para uma interpretação dinâmica e totalizante da realidade, uma vez que estabelece que os fatos sociais não podem ser entendidos quando considerados isoladamente, abstraídos de suas influências políticas, econômicas, culturais etc. O principal conjunto de dados secundários utilizado na pesquisa cujo natureza de levantamento bibliográfico e análise documental foi extraído do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), edição 2023, que compila informações sobre emissões regionais no Brasil, incluindo o recorte regional do Centro-Oeste, onde estão os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (SEEG, 2023). Para complementar a caracterização ambiental e territorial de Miranda, Aquidauana e Abobral, localizadas na porção sudeste do Pantanal sul-mato-grossense, foram utilizados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fornecem informações sobre densidade demográfica, expansão urbana e infraestrutura local (IBGE, 2022). A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) contribuiu com dados sobre uso e cobertura do solo, fundamentais para compreender a relação entre vegetação e regulação microclimática urbana (EMBRAPA, 2021). Por fim, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL) foi consultado para compreender as diretrizes ambientais vigentes no estado e os planos estratégicos relacionados à adaptação climática e sustentabilidade urbana (IMASUL, 2022). Foram selecionados dados referentes aos seguintes setores de emissão: Mudança de Uso da Terra e Florestas (MUT); Agropecuária; Energia; Resíduos; Processos Industriais. A análise se concentrou no período que abrange o intervalo de 2010 a 2021, com ênfase nos setores de uso da terra e agropecuária, que impactam diretamente o equilíbrio ecológico do Pantanal, que concentram a maior parte das emissões regionais, possibilitando obter o resultado de um Ranking 2023 com os estados que mais emitiram gases de efeito estufa, contando com a presença de três dos quatro estados da região Centro-Oeste presentes em doze principais emissores.
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 620 Figura 2 - Ranking dos estados brasileiros com maior emissão de gases de efeito estufa. Fonte: Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) | Disponível em: SEEG Brasil – O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) oferece dados em tempo real, que apoiam a transformação necessária para enfrentar os desafios globais que afetam todas as regiões brasileiras. | Acesso em 22 de abril de 2025. Além do SEEG, foram consultados relatórios e estudos técnicos produzidos pelo Instituto Centro de Vida (ICV), especializado em monitoramento ambiental no estado de Mato Grosso, e artigos científicos selecionados sobre mudanças climáticas, gases de efeito estufa e gestão territorial sustentável. A interpretação dos dados foi realizada de forma descritiva e comparativa, buscando identificar: Tendências de aumento ou redução das emissões; setores mais críticos em relação ao volume de emissões; possibilidades de mitigação e adaptação regionalmente viáveis. As informações foram organizadas de forma a construir um diagnóstico atualizado da situação do Pantanal sul-matogrossense frente à emissão de GEE em relação ao efeito estufa, além de subsidiar a proposição de estratégias práticas para redução de impactos. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com dados do SEEG (2023), os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão entre os principais emissores de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil, impulsionados principalmente pelos setores de mudança no uso da terra e agropecuária. No ano de 2021, o estado de Mato Grosso
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 621 registrou emissões brutas de aproximadamente 264 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, enquanto Mato Grosso do Sul totalizou cerca de 70 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Em ambos os estados, o setor Mudança de Uso da Terra e Florestas (MUT) representa a principal fonte de emissões, resultando principalmente do desmatamento associado à expansão agropecuária. Em Mato Grosso, cerca de 60% das emissões totais são provenientes desta configuração, refletindo a intensa pressão sobre os biomas Cerrado e Amazônia. Já em Mato Grosso do Sul, esse percentual atinge cerca de 45%, com destaque para o desmatamento do Cerrado e da região do Pantanal. A agropecuária é a segunda maior fonte emissora. De acordo com o SEEG (2023), aproximadamente 30% das emissões de Mato Grosso e 40% das emissões de Mato Grosso do Sul estão relacionadas à criação de gado bovino, principalmente pelo metano (CH₄) emitido através da fermentação entérica. Figura 3 - Ranking evidenciando a região Centro-Oeste como a segunda maior emissora de gases de efeito estufa do Brasil. Fonte: Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) | Disponível em: SEEG Brasil – O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) oferece dados em tempo real, que apoiam a transformação necessária para enfrentar os desafios globais que afetam todas as regiões brasileiras. | Acesso em 22 de abril de 2025 Embora ambos os estados exerçam papel relevante nas emissões de SEEG na região CentroOeste, é no Pantanal sul-mato-grossense que os efeitos se tornam mais críticos do ponto de vista ecológico e social. A recorrência de queimadas, o avanço de monoculturas e a vulnerabilidade das populações locais tornam essa região um espaço de atenção climática.
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 622 3.1. Panorama das Emissões de Gases de Efeito Estufa, na região centro-oeste brasileira, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul A região Centro-Oeste do Brasil, composta pelos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal, desempenha um papel estratégico tanto na produção agropecuária quanto nas dinâmicas de emissões de GEE. Em especial, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul concentram grande parte das emissões nacionais, impulsionadas pela conversão de vegetação nativa em áreas de pastagem e lavoura (SEEG, 2023). De acordo com dados recentes do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), Mato Grosso lidera o ranking de emissões do setor de uso da terra no Brasil, sendo responsável por mais de 30% das emissões nacionais oriundas do desmatamento. Já Mato Grosso do Sul apresenta crescimento significativo nas emissões associadas à expansão agropecuária e às mudanças no uso do solo. Além disso, a agropecuária é responsável por cerca de 70% das emissões combinadas nos dois estados, com destaque para a emissão de metano (CH₄) oriundo da digestão entérica de bovinos. Tais emissões impactam não apenas o clima local e regional — alterando padrões de precipitação e elevando as temperaturas médias —, mas também ameaçam a biodiversidade, os recursos hídricos e a qualidade de vida das populações. Como apontam estudos recentes (Dalcin et al., 2021), o efeito estufa intensificado pode comprometer a sustentabilidade da produção agrícola e pecuária, setores fundamentais para a economia regional. Diante desse cenário, segue análise acerca do panorama atual das emissões de GEE com ênfase nas repercussões sobre o bioma Pantanal sul-mato-grossense, sobretudo nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, trazendo à tona os riscos e vulnerabilidades socioambientais associados indicando estratégias de enfrentamento alinhadas à realidade regional e às diretrizes de sustentabilidade.
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 629 variáveis climáticas e zonas de risco; e o apoio à formulação de Planos Municipais de Adaptação e Mitigação Climática, de forma participativa e inclusiva. Além disso, o fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da regularização fundiária e ambiental é essencial para promover o uso racional da terra. A cooperação entre municípios, estados e a União se mostra indispensável para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono no Pantanal sul-mato-grossense, respeitando suas singularidades ecológicas, sociais e culturais. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise das emissões de gases de efeito estufa, principalmente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, evidencia a urgente necessidade de repensar as práticas de uso da terra e produção agropecuária no Pantanal sul-mato-grossense, especialmente em áreas de transição entre planície e planalto. Com base nos dados do SEEG (2023), observou-se que o desmatamento e a pecuária são os principais vetores de emissões, impactando significativamente o equilíbrio climático regional. No caso do Pantanal, os efeitos se manifestam por meio da degradação de áreas úmidas, perda de biodiversidade, incêndios frequentes e impactos diretos sobre comunidades ribeirinhas e populações vulneráveis, agravando desigualdades socioespaciais. A crise climáticas já provocam alterações no regime de chuvas, aumento das temperaturas médias e maior ocorrência de eventos extremos, impactando a biodiversidade, a produção agrícola e a população, especialmente na porção sudeste pantaneira Miranda, Aquidauana e Abobral, localizados em áreas sensíveis do Pantanal. Esse cenário exige resposta imediata e coordenada entre diferentes setores sociais e governamentais. Estratégias como recuperação de áreas degradadas, agricultura de baixo carbono, controle do desmatamento e fortalecimento da educação ambiental são caminhos viáveis para mitigar os efeitos do aquecimento global. Políticas públicas integradas e incentivos econômicos a práticas sustentáveis podem acelerar a transição para um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e resiliente. É fundamental que Mato Grosso e Mato Grosso do Sul avancem na construção de soluções que aliem conservação ambiental, produtividade econômica e redução das vulnerabilidades socioespaciais no Pantanal sul-mato-grossense, contribuindo para os compromissos climáticos do Brasil. As análises confirmam a hipótese de que o uso e ocupação do solo na porção sudeste do bioma ampliam as emissões de gases de efeito estufa, agravando a emergência climática e as desigualdades da região. As três questões norteadoras foram respondidas afirmativamente: o uso do território influencia negativamente o bioma Pantanal; atividades socioeconômicas como a pecuária extensiva e o desmatamento intensificam as emissões de GEE; e há viabilidade de estratégias de mitigação
Revista Territorium Terram, v. 08, n. 16, 2025 DOI: 10.5281/zenodo.18001190 ISSN 2317-5419 630 alinhadas à realidade local, como a agricultura de baixo carbono, a recuperação ambiental e políticas públicas participativas. Assim, conclui-se que o objetivo do estudo foi plenamente atingido, ao evidenciar a vulnerabilidade socioespacial da região e propor alternativas sustentáveis para enfrentamento da crise climática. AGRADECIMENTOS Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES pelo incentivo à pesquisa. REFERÊNCIAS AB’SÁBER, A. N. O Pantanal Mato-Grossense e a Teoria dos Refúgios. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 50, n. esp., p. 9-57, 1988. BRASIL. Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Brasília: Governo Federal, 1992. BRASIL. Lei nº 14.119, de 13 de janeiro de 2021. Institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato20192022/2021/lei/L14119.htm. Acesso em: 21 abr. 2025. BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA. Brasília: MMA, 2012. DALCIN, G.; MANGINI, L. F. K.; DE GODOI, L. Química ambiental e o impacto ambiental relacionado aos gases de efeito estufa. Caderno Intersaberes, Curitiba, v. 10, n. 27, p. 117-134, 2021. EMBRAPA. Plano ABC+: Estratégias para a Agricultura de Baixo Carbono no Brasil. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2023. Disponível em: https://www.embrapa.br/abc. Acesso em: 21 abr. 2025. EMBRAPA. Recuperação de pastagens degradadas: estratégias e tecnologias. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br. Acesso em: 21 abr. 2025. FUMIÃ, H. F.; SILVA, S. L. L. Fourier revisitado: um modelo simplificado para o efeito estufa. Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 44, p. e20210103, 2022. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. 248p. IPCC. Relatório de Avaliação AR6: Mudanças Climáticas 2022: Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade. Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 2022. Disponível em: https://www.ipcc.ch. Acesso em: 21 abr. 2025. MAPBIOMAS. Relatório Anual de Desmatamento no Brasil – 2023. Projeto MapBiomas, 2023. Disponível em: https://mapbiomas.org. Acesso em: 21 abr. 2025.
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