Editorial nº 44
Abstract
Editorial
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1 Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 www.revistaintellectori.org.br Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 Editorial nº 44 1 Editor’s note #44 Charles Pennaforte Doutor em Relações Internacionais pela Universidad Nacional de La Plata (Argentina). Professor Adjunto da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Editor-Chefe e criador da Revista Intellector. 1 DOI https://doi.org/10.5281/zenodo.18009168
2 Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 www.revistaintellectori.org.br Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 44ª edição da Intellector reafirma o compromisso da revista com a reflexão crítica e rigorosa sobre os dilemas da política internacional, da geopolítica e da segurança em uma ordem mundial em acelerada transformação. Ao longo de mais de vinte anos de existência, a Intellector consolidou-se como um espaço singular de diálogo entre teoria e prática, abrigando contribuições de diferentes gerações de pesquisadoras e pesquisadores, e acompanhando, em tempo real, as inflexões da política externa brasileira, das disputas hegemônicas globais e das lutas sociais que marcam o sistema internacional. Desde o seu lançamento, a revista tem se colocado como foro permanente de debate sobre temas estratégicos para o Brasil e para a América Latina, articulando perspectivas críticas em Relações Internacionais, Estudos Estratégicos, Economia Política Internacional e Geopolítica. Nestas mais de duas décadas, a Revista Intellector acompanhou a emergência de novas agendas – como a justiça global, a governança da segurança, os direitos dos povos indígenas e a transição energética – sem perder de vista a centralidade das disputas por poder, território e recursos. A 44ª edição se organiza em torno de um conjunto de artigos que, em diferentes escalas de análise, abordam o entrelaçamento entre desenvolvimento, segurança, soberania e disputas geopolíticas contemporâneas. Do financiamento ao desenvolvimento regional à segurança espacial, passando pela normatividade internacional em direitos humanos, pelas sanções unilaterais e pela geopolítica da energia e dos minerais críticos, esta edição oferece um panorama abrangente dos desafios colocados ao Brasil e à América Latina na ordem global do século XXI. O número se abre com “O BNDES como instrumento para a promoção dos interesses do Brasil na América do Sul de 2003 a 2010”, de Caio Menezes dos Santos, que analisa o papel do banco como ator central no financiamento da internacionalização do capital brasileiro em infraestrutura e como mecanismo de promoção do interesse nacional em complemento às iniciativas de integração regional. Ao mobilizar abordagem qualitativa e extensa investigação documental, o artigo evidencia como o BNDES se tornou peça estratégica na articulação entre política externa, desenvolvimento e projeção de poder na América do Sul. Na sequência, “Segurança e Defesa do Centro de Lançamento de Alcântara: Insights da Segurança Corporativa Estratégica”, de Raimundo Felipe da Silva Costa e Luciano Vaz-Ferreira, discute o CLA como infraestrutura crítica para a soberania tecnológica brasileira, conjugando funções civis e militares. Com base na perspectiva da Segurança Corporativa Estratégica, os autores propõem diretrizes para a gestão de ativos críticos, mitigação de riscos e continuidade operacional, contribuindo para o debate sobre um modelo sustentável de segurança e defesa para o programa espacial brasileiro. Em “De Empreendedor Normativo a Pária Normativo: Brasil, R2P e genocídio Yanomami”, Rafael Assumpção Rocha e Demetrius Cesário Pereira examinam o contraste entre o protagonismo brasileiro na construção de normas ligadas à Responsabilidade de Proteger e a crise humanitária Yanomami. O artigo argumenta que o país percorre uma trajetória de empreendedor normativo a “pária normativo”, combinando capital político acumulado e posição estratégica na governança global para amortecer pressões externas, e discutindo os limites da R2P diante de formas graduais de violência extrema contra povos indígenas. A
3 Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 www.revistaintellectori.org.br Ano XXI | Volume XXII | Nº 44 | Julho/Dezembro 2025 | Rio de Janeiro | ISSN 1807-1260 O texto “Sanções Unilaterais e Desafios à Soberania Financeira: A Lei Magnitsky, os Impactos sobre as Instituições Financeiras Brasileiras e os Impasses da ADPF 1178”, de Alessandro Fernandes, analisa as implicações da inclusão do ministro Alexandre de Moraes na Global Magnitsky Act pelo OFAC e seus efeitos potenciais sobre o sistema financeiro brasileiro. Ao discutir a decisão do Supremo na ADPF 1178 e a persistente insegurança jurídica para instituições sob interdependência econômico-financeira com os Estados Unidos, o artigo problematiza o dilema entre soberania constitucional e a crescente instrumentalização das sanções unilaterais. Em “O Oriente Médio como Novo Heartland? Geopolítica, Energia e Poder no Século XXI”, José Alexandre Altahyde Hage, João Henrique Cervantes Falleiros Martins e Murilo Seri Fagundes retomam o conceito de *Heartland* de Halford J. Mackinder para discutir sua pertinência frente às dinâmicas atuais do Oriente Médio. O artigo avalia posição geoestratégica, centralidade energética e projeção de poder na região, propondo uma releitura em que o Oriente Médio é compreendido como zona pivotal fluida, atravessada por interdependências, disputas simbólicas e fragmentação. Fechando a edição, “Geopolítica dos minerais críticos: desafios e oportunidades da América Latina na transição energética global”, de Ciro Marques Reis, Fabiana de Oliveira e Vitor Stuart Gabriel de Pieri, aborda a centralidade latino-americana na oferta de minerais como cobre, lítio e terras raras, essenciais para tecnologias de energia renovável e mobilidade elétrica. O artigo discute como a posição estratégica da região, ao mesmo tempo em que abre oportunidades de desenvolvimento, tende a reforçar assimetrias, impactos socioambientais e vulnerabilidades em meio à disputa global pelos minerais críticos e pela descarbonização. Ao publicar sua 44ª edição, a Intellector renova o convite à comunidade acadêmica e aos formuladores de políticas para que sigam utilizando este espaço como fórum privilegiado de reflexão crítica, rigorosa e comprometida com a construção de uma ordem internacional mais justa, soberana e democrática. O Editor