scieee AI-readable full text Open interactive document viewer

v. 1 n. 2 (2025): Brazilian Journal of Oral and Systemic Health

Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, BJOSH

Full text

bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 VOL 1 NUM 2 JUL/DEZ 2025 BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Maurício Amormino Júnior, CRB6/2422) B827 Brazilian Journal of Oral and Systemic Health / Editor-chefe William Eduardo Pirola. – v. 1, n. 2 (jul./dez. 2025). – Barretos, SP: BJOSH, 2025. Publicação em fluxo contínuo Semestral. ISSN 3085-8097 Disponível em: http://bjoshealth.com.br 1. Odontologia. 2. Saúde bucal. 3. Saúde sistêmica. I. Pirola, William Eduardo. CDD 617.6 Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422 BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 1 ESCOPO, NORMAS E DIRETRIZES O Brazilian Journal of Oral and Systemic Health (BJOSH) – ISSN 30858097 é um periódico científico que publica manuscritos inéditos que contribuam para o desenvolvimento do conhecimento na interface entre a Odontologia e a Saúde Sistêmica. São aceitos para publicação artigos originais, notas científicas, artigos de revisão, artigos de opinião e artigos sobre métodos. A BJOSH aceita apenas artigos originais, não publicados em outros periódicos. Aceitamos artigos apresentados em eventos, desde que essas informações sejam disponibilizadas pelos autores. Os manuscritos devem ser redigidos em PORTUGUÊS ou INGLÊS, com título, resumo e palavras-chave também apresentados em ambos idiomas. Recomenda-se fortemente que autores cuja língua nativa não seja o inglês submetam o manuscrito à revisão por um profissional nativo do idioma antes da submissão. CATEGORIAS DE MANUSCRITOS ACEITOS 1. Artigos originais: Trabalhos com estrutura completa e apresentação detalhada de resultados inéditos, com até 25 páginas, incluindo figuras, tabelas e referências. 2. Casos clínidos: Casos clínidos na área de Odontologia ou Medicina. 3. Artigos de revisão: Devem abordar temas atuais e relevantes à área de interface entre a Odontologia e a Saúde Sistêmica. 4. Notas científicas: Manuscritos curtos (2 a 4 páginas) com resultados concisos e relevantes. Devem conter título, resumo, palavras-chave (em português e inglês) e texto contínuo, sem seções subdivididas. 5. Artigos de opinião: Discussões acadêmicas sobre questões teóricas, metodológicas ou emergentes. Devem ter até 3.000 palavras e basear-se em literatura científica. O BJOSH poderá publicar respostas ou contrapontos de outros autores. 6. Artigos sobre métodos: Apresentação de novos métodos ou aprimoramentos metodológicos relevantes para a pesquisa em Odontologia e Saúde Sistêmica. 7. Seções temáticas: Organizadas pelo corpo editorial ou por pesquisadores convidados sobre temas específicos. Forma e preparação dos manuscritos PRIMEIRA PÁGINA • Título em português (negrito) e em inglês (itálico) • Nome completo de todos os autores (máximo de 8 autores), afiliações institucionais (instituição, unidade, departamento, cidade, estado e país – este último em inglês), e-mails e ORCID; • Autor correspondente identificado com um asterisco (*). SEGUNDA PÁGINA • Resumo estruturado (em inglês e português), contendo de 250 a 300 palavras com as seções: Objective, Methods, Results, Conclusion; BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 2 • Palavras-chave: Fornecer o máximo de seis descritores em ordem alfabética e separados por vírgula para representar o conteúdo do artigo. Descritores ou palavras-chave devem se basear no DECS ou MeSH. (em inglês e português). TEXTO PRINCIPAL (A PARTIR DA TERCEIRA PÁGINA) • Introdução, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão, Conclusão, Agradecimentos (opcional), Declaração de Disponibilidade de Dados e Referências; • Fonte: Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5; Figuras e Tabelas • Numeradas consecutivamente (Figura 1, Tabela 1, etc.); • Devem ser inseridas no texto na primeira submissão e, na versão final, ao final do manuscrito; • Resolução mínima: 300 DPI; • Tabelas com linhas no cabeçalho e nas bordas superior e inferior; • Publicação apenas em formato digital permite o uso de figuras coloridas. Declaração de Disponibilidade de Dados É obrigatória para manuscritos com dados de pesquisa. Deve ser incluída após os agradecimentos. Exemplos: • “Os dados analisados neste estudo estão disponíveis em [REPOSITÓRIO], acessível em [DOI/URL].” • “Os dados utilizados não estão publicamente disponíveis.” • “Todos os dados relevantes estão incluídos no próprio artigo.” Referências As referências devem estar numeradas conforme a ordem de citação no texto (estilo Vancouver). Devem ser listadas ao final do manuscrito, iniciando em página separada. Exemplos: Artigo de periódico: Vallefuoco F, Vanek M, Bottarin R, Scotti A. Quantification of large-spatial scale and in-stream factors affecting the structure of benthic macroinvertebrate communities in mountain streams. Limnologica. 2024;106:126– 72. https://doi.org/10.1016/j.limno.2024.1 26172 Capítulo de livro: Ferragut C, Costa RA, Carneiro RO. Periphyton bioreactor as a tool for restoration of eutrophic environments. In: Ferreira ML, editor. Biogeochemistry and ecosystem services in urban green-blue systems. São Paulo: ANAP; 2022. p. 131– 45. Livro: Henry-Silva GG, Camargo AFM. A Bacia do Rio Apodi-Mossoró. Mossoró: EdUFERSA; 2022. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 3 Documento online: Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – CETESB. Mortandade de peixes no Rio Piracicaba [Internet]. São Paulo: CETESB; 2024 [citado 2024 Ago 21]. Disponível em: https://cetesb.sp.gov.br/blog/2024/0 7/19/mortandade-de-peixes-no-riopiracicaba-cetesb-conclui-laudo Declaração de financiamento Deve constar nos Agradecimentos, especificando a agência de fomento (no idioma original), número do processo e demais patrocinadores. Ética em publicação Estudos em animais Todo experimento com animais deve obedecer às diretrizes ARRIVE e ser realizado de acordo com a regulamentação de cada país. É essencial indicar de forma clara no manuscrito que tais diretrizes foram seguidas e carregar o checklist das diretrizes. O sexo dos animais deve ser citado e, quando for o caso, a influência (ou associação) do sexo nos resultados do estudo, além de genótipo, cepa, fonte, número de retrocruzamentos e idade dos animais estudados. Estudos em humanos Se o artigo envolver participantes humanos, o autor deve se certificar de que a pesquisa descrita foi realizada de acordo com o Código de Ética da Associação Médica Mundial (Declaração de Helsinque) para experimentos envolvendo humanos. Os autores devem incluir no manuscrito uma declaração de que foi obtido o consentimento livre e esclarecido para experimentação com participantes humanos. Os direitos dos participantes à privacidade devem ser sempre respeitados. O manuscrito deve estar em conformidade com as recomendações da Conduct, Reporting, Editing and Publication of Scholarly Work in Medical Journals [Conduta, Relatos, Edição e Publicação de Trabalho Acadêmico em Periódicos Médicos] e buscar incluir populações humanas representativas (sexo, idade e etnicidade) de acordo com essas recomendações. O manuscrito deve conter dados de idade (média e intervalo), altura (m), peso (kg), sexo (masculino/feminino, com números e porcentagens), critérios de seleção, condições de saúde, entre outros que sejam significativos para os resultados do estudo. É preferível que as informações mais complexas sejam apresentadas em tabela para facilitar o entendimento dos dados. Consentimento livre e esclarecido e detalhes de pacientes A aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e o consentimento livre e esclarecido devem estar registrados no trabalho. Consentimentos, autorizações e liberações apropriados devem ser obtidos quando os autores desejarem incluir detalhes de um caso, outras informações pessoais ou imagens de pacientes ou de quaisquer outros indivíduos. Por favor, sempre indique que foram obtidos e os envie o Termo de Conscentimento ou Carta de aprovação do CEP. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 4 Imagens Devem ser não identificáveis e anonimizadas, e uma autorização assinada especificamente para a publicação deve ser obtida do paciente, do representante legal ou de familiar e submetida juntamente com o manuscrito ou o relato de caso. Artigos Originais - É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo dos artigos, desde que citada a fonte. - Artigos com plágio serão rejeitados, e o autor do plágio perderá o direito de publicar neste periódico. - Os nomes e endereços informados neste periódico serão utilizados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação e não serão disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros. - Assim que você submeter os artigos, os autores cedem os direitos autorais dos mesmos à BJOSH. - Caso se arrependa da submissão, o autor tem o direito de solicitar à BJOSH que não publique o seu artigo. - No entanto, esta solicitação deve ocorrer até dois meses antes do lançamento da edição em que o artigo será publicado. - Para artigos envolvendo seres humanos, é obrigatório enviar carta de aprovação do CEP, e conter o número do CAAE no corpo do texto. SUBMISSÃO DE ARTIGOS - Antes de submeter o artigo, confira todas normas - Após organizar todos os arquivos, envie seu artigo para o email: [email protected] - Carta de Sessão de Direitos Autorais - Clique Aqui! BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH ISSN 3085-8097 Carta do Editor É com grande satisfação que apresentamos a segunda edição da Brazilian Journal of Oral and Systemic Health (BJOSH), volume 1, número 2, referente ao ano de 2025. Em poucos meses de existência, a BJOSH já ultrapassou a marca de 5 mil visualizações em nosso site, demonstrando o interesse crescente da comunidade científica por pesquisas que conectam a saúde bucal à saúde sistêmica. Seguimos firmes em nosso propósito de promover a ciência que dialoga com a prática clínica e que contribui para uma odontologia mais integrada, ética e atualizada. Nesta trajetória inicial, conquistamos importantes indexações: já estamos presentes no Google Acadêmico, Zenodo, OpenAIRE e Latindex, ampliando significativamente a visibilidade dos trabalhos publicados. Todos os artigos recebem DOI individual, assegurando rastreabilidade e reconhecimento internacional às publicações. Sabemos que o caminho ainda é longo, e que há muito trabalho pela frente. Continuaremos empenhados em fortalecer a qualidade editorial, ampliar nossa base de revisores e estreitar os laços entre a produção científica e a aplicação clínica. Agradecemos a todos os autores, revisores e leitores que já fazem parte da história da BJOSH. Convidamos a comunidade científica a submeter seus estudos, divulgar nossos conteúdos e contribuir ativamente com o avanço da ciência odontológica e interprofissional. Boa leitura! BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.15814165 http://bjoshealth.com ISSN 3085-8097 MANIFESTAÇÕES ORAIS EM PESSOAS DROGADICTAS DE COCAINA: UMA REVISÃO DE LITERATURA NARRATIVA Oral manifestations in people addicted to cocaine: a review of narrative literature Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Lucas Lourenço dos Santos1 ; Alessandra Kelle Cardoso1; Marcela Elisa Souza Lopes1; Aletheia Moraes Rocha2 RESUMO Introdução: A cocaína, um potente estimulante do sistema nervoso central, favorece a vasoconstrição severa da região onde é administrada e, também, a alteração nas glândulas salivares, causando a redução do fluxo salivar (xerostomia) e o desenvolvimento de alterações na cavidade bucal, como o bruxismo, a erosão dentária, as lesões ulcerativas, as necroses teciduais e, também, maior predisposição a infecções oportunistas, como a Candidiase Oral, causada pelo fungo Candida Albicans. Objetivo: Portanto, o presente artigo busca revisar a literatura e confrontá-la sobre a necessidade e a importância do papel do Cirurgião Dentista quanto ao manejo de pacientes usuários de cocaína. Método: O presente trabalho é uma revisão integrativa de literatura que contou com a seleção de 15 artigos que datam de 2015 à 2025, utilizando as palavras-chaves “Cocaína”, “Manifestações bucais”, “Saúde Bucal” e “Manejo Odontológico”, bem como seus termos correlatos na língua inglesa, através de busca nas bases de dados Sciello, Google acadêmico e Pubmed. Resultados: O uso da cocaína traz impactos severos à saúde bucal, como boca seca, desgaste nos dentes, infecções e feridas difíceis de cicatrizar. Essas alterações não surgem apenas pelos efeitos diretos da droga no organismo, mas também pelo descuido com a higiene e pela dificuldade que muitos usuários enfrentam em buscar ajuda. Por isso, é fundamental que o cirurgião-dentista esteja atento a esses sinais e preparado para oferecer um atendimento acolhedor, que vá além do tratamento clínico, contribuindo também para a recuperação da autoestima e da qualidade de vida dessas pessoas. Ademais, seus efeitos ainda são potencializados pela imunossupressão decorrente da alteração fisiológica do drogadicto e pela autonegligência comum entre essas pessoas, os quais frequentemente apresentam com comportamentos de risco e de negligência com a própria saúde, como a higiene bucal. Conclusão: A conscientização dos Cirurgiões Dentistas sobre os impactos da cocaína na saúde bucal é essencial para proporcionar um atendimento seguro, eficaz e humanizado, promovendo a recuperação da saúde oral e a qualidade de vida dos drogadictos. 1 – Acadêmico(a) do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil 2 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil Autor de Correspondência: Lucas Lourenço dos Santos email: [email protected] Palavras-chave: Cocaína. Manifestações Orais. Saúde Bucal. Manejo Odontológico. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 05, 2025 ISSN 3085-8097 Manifestações orais em pessoas drogadictas de cocaina: uma revisão de literatura narrativa Santos LL; Cardoso AK; Lopes MÊS; Rocha AM 207 ABSTRACT Introduction: Cocaine, a potent stimulant of the central nervous system, favors severe vasoconstriction of the region where it is administered and also changes in the salivary glands, causing a reduction in salivary flow (xerostomia) and the development of alterations in the oral cavity, such as bruxism, dental erosion, ulcerative lesions, tissue necrosis and also a greater predisposition to opportunistic infections. such as Oral Candidiasis, caused by the fungus Candida Albicans. Objective: Therefore, this article seeks to review the literature and confront it about the need and importance of the role of the Dental Surgeon in the management of patients who use cocaine. Method: The present study is an integrative literature review that included the selection of 15 articles dating from 2015 to 2025, using the keywords "Cocaine", "Oral Manifestations", "Oral Health" and "Dental Management", as well as their related terms in English, through a search in the Sciello, Google Scholar and Pubmed databases. Results: The use of cocaine has severe impacts on oral health, such as dry mouth, tooth wear, infections, and wounds that are difficult to heal. These changes do not arise only from the direct effects of the drug on the body, but also from carelessness with hygiene and the difficulty that many users face in seeking help. Therefore, it is essential that the dental surgeon is aware of these signs and prepared to offer a welcoming service, which goes beyond clinical treatment, also contributing to the recovery of self-esteem and quality of life of these people. In addition, its effects are also potentiated by immunosuppression resulting from the physiological alteration of the drug addict and by the self-negligence common among these people, who often present risky behaviors and neglect of their own health, such as oral hygiene. Conclusion: The awareness of Dental Surgeons about the impacts of cocaine on oral health is essential to provide safe, effective and humanized care, promoting the recovery of oral health and the quality of life of drug addicts. Keywords: Cocaine, Oral Manifestations, Oral Health, Chemical Dependency, Dentistry. INTRODUÇÃO A dependência química é um desafio enfrentado pela humanidade, mas desde os anos 1970, com o número de usuários de drogas aumentando mundialmente, a dendencia se tornou em um problema mundial (Yazdainian, M., et al, 2020). Melo (2017) define drogas como “substâncias que, quando administradas, provocam alterações fisiológicas no organismo, afetando a estrutura e função dos sistemas corporais”. Entretanto, levando em consideração seus efeitos, as formas de uso e as consequências para os pacientes, as drogas são classificadas em LÍCITAS, como o cigarro e o álcool, ou ILÍCITAS, como o crack e a cocaína. O uso indiscriminado dessas substâncias é o que representa uma problemática para a saúde pública, afetando milhões de pessoas em diversas esferas sociais e comprometendo a saúde dos usuários (Melo, C.A.A., et al, 2020). O abuso de drogas é atualmente um dos principais problemas sociais e de saúde pública, com graves implicações para os usuários, que vão além da saúde bucal. As manifestações bucais mais observadas em drogadictos usuários de cocaína são: a perfuração do septo nasal, as crostas intranasais, hemorragias recorrentes, ulcerações na mucosa, candidíase pseudomembranosa, queilite angular, erosão dentária, recessões Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 05, 2025 ISSN 3085-8097 Manifestações orais em pessoas drogadictas de cocaina: uma revisão de literatura narrativa Santos LL; Cardoso AK; Lopes MÊS; Rocha AM 214 nesses pacientes. Esse fenômeno, aliado à xerostomia e ao trauma constante na cavidade oral, cria um ambiente propício para o crescimento de microrganismos patogênicos. Drogadictos usuários de cocaína são, assim, mais vulneráveis a infecções orais recorrentes, que podem progredir para condições mais graves se não forem tratadas adequadamente (Melo, C.A.A., et al, 2020). A candidíase é particularmente comum devido à xerostomia, que altera o equilíbrio microbiano e cria um ambiente propício para o crescimento do fungo Candida albicans. Esse quadro é agravado pelo fato de que muitos usuários negligenciam a higiene bucal, contribuindo ainda mais para a proliferação de microrganismos patogênicos e para o desenvolvimento de periodontites e gengivites severas (Melo, C.A.A., et al, 2020). IMPACTOS PSICOSSOCIAIS E AUTONEGLIGÊNCIA Além dos efeitos fisiológicos diretos, o uso crônico de cocaína é frequentemente associado a comportamentos de risco, como negligência com a saúde e higiene bucal. Muitos usuários apresentam um estilo de vida desorganizado, com períodos de uso intenso de drogas seguidos de depressão e apatia, o que compromete a adoção de hábitos saudáveis. A falta de autocuidado e a má alimentação também são fatores que contribuem para a rápida deterioração da saúde bucal desses indivíduos. A autonegligência é uma característica importante a ser observada pelos profissionais da odontologia, pois, para além dos tratamentos clínicos, há a necessidade de orientação e incentivo à adesão a práticas de higiene e saúde. DESAFIOS NO ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO O atendimento odontológico de usuários de cocaína requer uma abordagem cautelosa e personalizada, considerando os múltiplos aspectos que afetam a saúde geral e bucal do paciente. O manejo clínico deve contemplar o diagnóstico e o tratamento das lesões, além de oferecer suporte psicológico e social, muitas vezes em parceria com profissionais de outras áreas, como a psicologia e a medicina. É essencial que os cirurgiões-dentistas estejam preparados para identificar sinais de uso de drogas e ajustar o plano de tratamento, evitando o uso de anestésicos e medicamentos que possam interagir de forma adversa com a cocaína. Além disso, a conscientização sobre os efeitos bucais do uso de cocaína e a abordagem educativa sobre os riscos são essenciais para incentivar o paciente a buscar apoio para cessar o uso da substância. CONCLUSÃO Além dos aspectos clínicos e fisiopatológicos, o uso de cocaína também traz desafios ao atendimento odontológico. A identificação precoce dessas manifestações é essencial para oferecer um tratamento adequado e orientações que possam minimizar os efeitos deletérios da droga na cavidade oral. Os profissionais da odontologia desempenham um papel crucial na detecção precoce desses sinais e na orientação de pacientes Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 05, 2025 ISSN 3085-8097 Manifestações orais em pessoas drogadictas de cocaina: uma revisão de literatura narrativa Santos LL; Cardoso AK; Lopes MÊS; Rocha AM 215 sobre os riscos associados ao uso contínuo de cocaína para a saúde bucal. Além disso, é importante que os dentistas estejam conscientes das implicações éticas e legais envolvidas no manejo de pacientes com histórico de uso de substâncias psicoativas, uma vez que esses pacientes podem apresentar maior resistência ao tratamento e dificuldades de aderência a um plano terapêutico. Portanto, conclui-se que o uso de cocaína tem impacto significativo na saúde bucal, manifestando-se por meio de alterações complexas que vão desde xerostomia e bruxismo até lesões ulcerativas e infecções oportunistas graves. Esses efeitos resultam da combinação de fatores fisiológicos, como vasoconstrição e imunossupressão, com comportamentos de risco associados ao uso da droga. A cavidade oral, sendo um reflexo da saúde geral, torna-se um importante indicador para a identificação precoce dos danos causados pela cocaína, possibilitando intervenções mais eficazes e direcionadas. O manejo odontológico de pacientes usuários de cocaína exige uma abordagem multidisciplinar, que integre conhecimento técnico, sensibilidade social e orientação educativa. Profissionais da odontologia têm um papel crucial não apenas no tratamento das lesões bucais, mas também na promoção da conscientização sobre os riscos do uso de drogas e na assistência para a reabilitação. Esse contexto reforça a importância da capacitação contínua e do desenvolvimento de estratégias clínicas e preventivas que visem melhorar a qualidade de vida desses indivíduos, abordando a saúde bucal como parte essencial de sua recuperação global. REFERÊNCIAS Bahdila, D., Aldosari, M., Abdullah, A., Nelson, J. L., Hegazi, F., Badamia, R., Alhazmi, H., Chandel, T., Odani, S., Vardavas, C. I., & Agaku, I. T. (2020). Cocaine, polysubstance abuse, and oral health outcomes, NHANES 2009 to 2014. Journal of Periodontology, 91(8), 1039–1048. https://doi.org/10.1002/JPER.19-0509 Bontempo, M. de S., & Andrade, C. M. de O. (2022). Alterações bucais devido ao consumo de drogas: uma revisão da literatura. Research, Society and Development, 11(14), e468111436779. https://doi.org/10.33448/rsd-v11i14.36779 Cossa, F., Piastra, A., Sarrion-Pérez, M. G., & Bagán, L. (2020). Oral manifestations in drug users: A review. Journal of Clinical and Experimental Dentistry, 12(2), e193–e200. https://doi.org/10.4317/jced.55928 Lira Farias Teotônio, M. H., Da Silva Lima, V., Da Silva Andrade, K., Maria de Melo Costa, B., & Cristina Tavares de Medeiros Honorato, M. (2021). O IMPACTO DO USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS E SUAS REPERCUSSÕES NA CAVIDADE BUCAL: REVISÃO INTEGRATIVA. Rev. Ciênc. Plur, 7(2), 239–252. https://doi.org/10.21680/2446-7286.2021v7n2id21802 MARQUES, L. A. R. V. et al. Abuso de Drogas e suas Consequências na Saúde Bucal: Uma Revisão de Literatura. Revista da Faculdade de Odontologia de Lins, v. 26, n. 1, p. 29–35, 2016. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 05, 2025 ISSN 3085-8097 Manifestações orais em pessoas drogadictas de cocaina: uma revisão de literatura narrativa Santos LL; Cardoso AK; Lopes MÊS; Rocha AM 216 Melo, C. A. A., Guimarães, H. R. G., Medeiros, R. C. F., Souza, G. C. de A., Santos, P. B. D. D., & Tôrres, A. C. S. P. (2022). Oral changes in cocaine abusers: an integrative review. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, 88(4), 633–641. https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2021.04.011 MELO, C. F. D. et al. MANIFESTAÇÕES ORAIS DE USUÁRIOS DE DROGAS ILÍCITAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA NARRATIVA. Revista Ceuma Perspectiva, v. 29, n. 1, p. 98, 2017. Nogueira, P. H., Dantas, A. T., & Lima, I. P. C. (2024). ALTERAÇÕES SISTÊMICAS E BUCAIS EM PACIENTES USUÁRIOS DE COCAÍNA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA. Rev. Ciênc. Plur, 10(1), 1–14. https://doi.org/10.21680/2446-7286.2024v10n1id32867 Parry, J., Porter, S., Scully, C., Flint, S., & Parry, M. G. (1996). Mucosal lesions due to oral cocaine use. British Dental Journal, 180(12), 462–464. https://doi.org/10.1038/sj.bdj.4809127 Roza, C., Cardoso Albino, D., & Bortoli, F. R. (2024). O uso de drogas e seus efeitos na cavidade oral. Revista da Faculdade de Odontologia - UPF, 29(1). https://doi.org/10.5335/rfo.v29i1.15559 Silva Fonseca, L., Mello, A. L. R., Chisini, L. A., & Collares, K. (2024). Hard drugs use and tooth wear: a scoping review. Clinical Oral Investigations, 28(6), 348. https://doi.org/10.1007/s00784-024-05738-8 Yazdanian, M., Armoon, B., Noroozi, A., Mohammadi, R., Bayat, A.-H., Ahounbar, E., Higgs, P., Nasab, H. S., Bayani, A., & Hemmat, M. (2020). Dental caries and periodontal disease among people who use drugs: a systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health, 20(1), 44. https://doi.org/10.1186/s12903-020-10103 BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.15815723 http://bjoshealth.com ISSN 3085-8097 ANÁLISE MORFOLÓGICA, ESTRUTURAL E DE CUSTO DE ESCOVAS DENTAIS BASEADO NA PORTARIA ANVISA 97/1996 Morphological, structural, and cost analysis of toothbrushes based on ANVISA 97/1996 ordinance Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 Camille Almeida Silva1 ; Thiago de Amorim Carvalho2,3 RESUMO Este trabalho teve como objetivo analisar as características morfológicas, estruturais e de custo-benefício de escovas dentais amplamente utilizadas no mercado local, com foco naquelas mais indicadas por cirurgiõesdentistas. A pesquisa envolveu a análise de diferentes marcas, comparando aspectos como o preço, a rigidez das cerdas, a resistência ao desgaste e a conformidade com as normas de qualidade estabelecidas pela ANVISA. A análise de tensão foi realizada para avaliar a resistência das escovas à remoção de tufos, seguindo os parâmetros definidos pela Portaria 97/1996. Os resultados indicaram que escovas como Sensodyne e Colgate Slim Soft se destacaram por seu custo-benefício, alta resistência, com forças máximas de tensão muito superiores ao valor mínimo exigido pela ANVISA. Por outro lado, a escova Dental Clear não atendeu aos requisitos mínimos, apresentando uma resistência insuficiente. A análise de custobenefício revelou que, embora a escova Sensodyne seja a mais acessível, a escova Needs, embora mais cara, oferece uma excelente qualidade, justificando seu preço. As análises realizadas servem como uma ferramenta para as marcas, incentivando-as a melhorar continuamente seus produtos, visando atender melhor às necessidades dos consumidores. Os resultados colaboram tanto para profissionais da odontologia quanto para os consumidores, possibilitando decisões mais assertivas na escolha da escova dental. 1 - Acadêmica do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil 2 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil 3 - Doutor em Odontologia Autor de Correspondência: Thiago de Amorim Carvalho email: [email protected] Palavras-chave: Odontologia, Escovas Dentais, Prevenção. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 218 ABSTRACT This study aimed to analyze the anatomical, structural, and cost-benefit characteristics of widely used toothbrushes in the local market, focusing on those most recommended by dentists.The research involved analyzing different brands, comparing aspects such as price, bristle stiffness, wear resistance, and compliance with quality standards established by ANVISA. Tensile testing was conducted to evaluate the toothbrushes' resistance to tuft removal, following the parameters defined by Ordinance 97/1996. The results indicated that toothbrushes like Sensodyne and Colgate Slim Soft stood out for their cost-benefit and high resistance, with maximum tensile forces far exceeding the minimum required by ANVISA. On the other hand, the Dental Clear toothbrush did not meet the minimum requirements, showing insufficient resistance. The cost-benefit analysis revealed that while the Sensodyne toothbrush is the most affordable, the Needs toothbrush, although more expensive, offers excellent quality, justifying its price. The analyses performed serve as a tool for brands, encouraging them to continuously improve their products to better meet consumer needs. The results contribute to both dental professionals and consumers, enabling more assertive decisions in choosing a toothbrush. Keywords: Dentistry, Toothbrushes, Prevention. INTRODUÇÃO A Odontologia tem uma evolução histórica que abrange diversas fases, desde o empirismo na Idade Antiga até o surgimento de escolas especializadas, culminando na fase científica, com sua história intimamente ligada ao desenvolvimento das ciências médicas¹. Hoje, a Odontologia atingiu um nível de excelência notável, possibilitando reabilitações com estética excepcional e foco na reparação. O Brasil se destaca internacionalmente nesse campo, exportando profissionais altamente capacitados graças aos cursos de graduação e pós-graduação disponíveis no país². Nesse contexto, o cirurgião dentista desempenha um papel crucial ao informar seus pacientes sobre a escolha adequada de escovas dentárias, considerando critérios estabelecidos pelas normas e regulamentos técnicos da Anvisa. Isso contribui para que os pacientes tomem decisões de compra mais informadas, levando em consideração não apenas o preço, mas também outros atributos, e, por consequência, desempenham um papel essencial no aprimoramento da indústria nacional³. As escovas dentárias, com as suas variedades e inovações tecnológicas, representam instrumentos simples, porém essenciais, que desempenham um papel crucial na preservação da saúde bucal e na prevenção de doenças orais. A seleção da escova dental apropriada é um aspecto fundamental da higiene bucal, pois há diversas opções disponíveis no mercado, cada uma com suas características distintas. Essas escovas variam em termos de formato, cabeças de tamanhos variados, design do cabo ergonômico e cerdas de diferentes rigidezes, projetados para atender às necessidades individuais de higiene bucal, permitindo uma abordagem personalizada na busca por uma limpeza eficiente e confortável. Adicionalmente, a Portaria 97/96 da ANVISA estabelece diretrizes para a fabricação e comercialização de escovas dentárias, assegurando a segurança e eficácia desses produtos. Essas normas incluem requisitos de qualidade, como a durabilidade do cabo, a Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 219 resistência das cerdas e a ausência de substâncias nocivas. Portanto, ao adquirir uma escova dental, é crucial verificar se ela está em conformidade com as exigências estabelecidas por essa portaria4. A Portaria número 97, datada de 26 de junho de 1996, foi criada com o objetivo de definir os critérios para escovas dentais de uso geral disponíveis para consumo no Brasil. É importante observar que essa regulamentação não se aplica às escovas usadas em tratamentos odontológicos específicos, como as escovas ortodônticas e unitufo. Adicionalmente, o anexo define os termos relacionados às escovas dentais, como cabeça, cerdas, cabo, encaixes especiais, pescoço, forma das cerdas e agrupamentos de cerdas (tufos). Ademais, ele também classifica as escovas com base na faixa etária e na textura dos tufos e especifica que todos os materiais utilizados na fabricação das escovas dentais devem ser atóxicos e adequados para o uso pretendido. No que diz respeito aos ensaios, é descrito como medir a altura das cerdas, a rigidez da área das cerdas encerdadas e a tensão necessária para remover um tufo. Além disso, ele estabelece requisitos para a forma da extremidade das cerdas e as diretrizes para a embalagem e identificação adequadas das escovas dentais5. Portanto, é essencial o conhecimento sobre escovas dentais adequadas por parte dos cirurgiões-dentistas, destacando seu papel como educadores em saúde bucal, fornecendo informações e orientações específicas sobre a escolha, uso adequado, armazenamento, substituição e desinfecção das escovas dentais. Este conhecimento não apenas contribui para a saúde bucal dos pacientes, mas também promove uma conscientização crítica sobre a importância da manutenção da saúde bucal, tornando os pacientes mais receptivos às orientações e condutas recomendadas6. Na orientação para uso de escovas de dente aos pacientes, a Resolução 142 (ANVISA, 2017), emerge como um guia essencial para cirurgiões-dentistas. Esta resolução estratifica as escovas dentais com base em sua finalidade, faixa etária e rigidez das cerdas, padronizando essas informações nas embalagens. No entanto, vale ressaltar que a conformidade com essas diretrizes ainda é desigual entre as marcas. Dessa forma, a pesquisa realizada teve como objetivo investigar as escovas dentárias disponíveis no mercado local, analisando suas características morfológicas, estruturais e os custos envolvidos. METODOLOGIA Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, exploratório, prospectivo, que buscou avaliar as escovas dentais disponíveis no mercado, em relação ao tipo de cerdas, desenho da cerda, quantidade de cerdas, resistência à tração, tamanho da cabeça, formato do cabo, material do cabo, preço. A amostra foi selecionada por conveniência, na qual foram avaliadas 10 escovas, das 5 marcas mais consumidas pelos pacientes locais, voltadas para o público adulto. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 220 A partir da obtenção das escovas das marcas Colgate Slimsoft Black, Oral B Indicator, Dental Clear, Sensodyne, Needs Sensitive, as embalagens com as informações sobre tipos de cerdas e tamanho da cabeça foram tabuladas. O pacote foi então aberto, e foi feita a medida da cabeça da escova e do cabo. A partir da tabulação, as escovas foram então avaliadas ao microscópio de luz para a contagem do número de tufos e do número de cerdas em cada tufo. O formato das porções terminais de cada tufo de cerdas também foi avaliado. Feita a análise microscópica, o cabo foi então avaliado, e um teste com escovação de um manequim preso à pia, com o pesquisador de mãos úmidas, foi realizado para verificar a aderência do cabo à mão. Além disso, o material do cabo foi devidamente relatado, bem como a presença de borrachas para a redução do risco de deslizamento durante a escovação. Após as análises anatômicas e estruturais da escova, baseadas no que foi recomendado pela portaria 97/96 e pelo INMETRO, foi realizado o teste de resistência mecânica à tração para verificar se a escova cumpria aquilo que foi determinado pela resolução federal. Para tal fim, o ensaio de tensão para a remoção dos tufos verificou a fixação das cerdas à base da cabeça da escova e a sua durabilidade, simulando uma operação que tentava arrancar ou puxar as cerdas. Entendeu-se por fixação a força com a qual os tufos estavam presos à cabeça da escova. O termo durabilidade, por sua vez, referiu-se ao tempo de vida útil, que dependia de outros fatores como a técnica de escovação, a frequência e o tempo de uso, a pressão e a velocidade exercidas durante o uso comum de cada indivíduo, independentemente da sua fixação. Para a realização desse ensaio, a base da cabeça da escova foi fixada no instrumento de medição, em uma máquina universal de ensaios, para que permanecesse imóvel, enquanto os tufos de cerdas foram submetidos a uma força crescente de tração, sendo puxados até serem arrancados. De acordo com a Portaria Anvisa nº 97, as cerdas deveriam suportar uma tensão mínima de 1,5 kg7. RESULTADOS Análise das embalagens A figura 1 demonstra as embalagens disponíveis no mercado para as escovas pesquisadas. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 221 Figura 1 – Embalagens das escovas analisadas - A: Sensodyne; B: Colgate SlimSoft; C: Needs; D: Oral B Indicator; E: Dental Clear. Fonte: os autores O quadro 1 apresenta as informações presentes nas embalagens das escovas dentais pesquisadas. Quadro 1 - Dados da análise realizada sobre 5 marcas de escovas dentárias amplamente utilizadas no mercado local. Informações das Embalagens Escova Unidade Valor R$ Tipos de Cerdas Cabeça da escova Informações cerdas Informações tamanho cabo Oral B Indicador 2 R$ 19,90 Macias e indicadoras x 35 tufos x Colgate Slim Soft 2 R$ 19,90 Pontas ultra finas x x x Sensodyne 1 R$ 9,90 Macias x x x Needs 1 R$ 27,90 Ultra macia x x x Dental Clear 2 R$ 5,00 Macia Suavesoft x x x Fonte: os autores Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 222 A escova Sendosyne Multi Proteção promete em sua embalagem cerdas macias, limpeza completa e multi proteção especialmente para dentes mais sensíveis. Cabeça oval e pequena. Quanto ao cabo, antiderrapante com pegada segura para permitir melhor controle da escovação. A composição é de produtos atóxicos para a cavidade bucal, incluindo: Polypropylene (PP), HydrogenatedStyrene\ButadieneCopolymer e Nylon 6\12. A embalagem está de acordo com o necessário, apresentando todas as informações essenciais, como modo de uso, indicação, composição dos materiais, e cuidados recomendados. Essas informações são importantes para garantir que o consumidor tenha acesso aos dados necessários para o uso correto e seguro do produto, atendendo às exigências regulatórias e proporcionando transparência sobre os componentes da escova. A embalagem da escova Colgate Slim Soft com 2 unidades consta cerdas suave\macia, ultrafinas e antibacterianas, limpeza profunda e delicada, com participação do carvão ativado. Suas cerdas ultrafinas prometem uma limpeza mais profunda e remoção de alimentos em áreas de difícil acesso. A embalagem também se encontra de acordo com o necessário, apresentando informações essenciais, como modo de uso, indicação, composição dos materiais, e cuidados recomendados. Essas informações são fundamentais para garantir que o consumidor receba os dados básicos para utilizar o produto de maneira adequada e segura, lembrando sempre de consultar o seu dentista. A escova Needs Sensitive garante na sua embalagem cerdas ultramacias, maior concentração de cerdas, perfeita higiene dos dentes e gengiva com suavidade. Além disso, também apresenta o modo de uso, quantidade de tufos, sua composição que é composta por: resinas termoplásticas, elastômero, poliéster-PBT, pigmentos e âncoras metálicas. Também consta precauções e conservação do produto, o que é de suma importância para o consumidor, ressaltando a importância de consultar o seu dentista. A embalagem da escova dental Oral-B Clean Indicator com duas unidades promete cerdas macias, suaves, com pontas arredondadas para preservação da gengiva, indicadoras de troca\cambio, em que no momento certo da troca as cerdas azuis mudam de cor e apresentando no total 35 tufos. Além disso, também contém as informações como composição: resinas termoplásticas, elastômero termoplástico, poliamida, âncora metálica, pigmento e corante, sua indicação (como não usar em crianças menores de 3 anos) e modo de armazenamento. De modo em que todas as informações básicas estejam descritas para a orientação do consumidor, embora haja algumas divergências que foram identificadas durante a análise microscópica e estrutural que serão discutidas a seguir. A escova Dental Clear garante em sua embalagem com duas unidades cerdas macias (suave-soft), formato da cabeça arredondado proporcionando conforto e limpeza eficiente, indicações de uso reforçando a Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 223 importância de consultar o seu dentista, composição: material plástico, Nylon, pigmentos e âncora metálica. Além disso, também é descrito na embalagem como preservar a escova dental. Dessa forma, a embalagem contém as informações básicas para o consumidor. Todas as escovas analisadas fornecem informações essenciais para o consumidor, como modo de uso, composição dos materiais, cuidados recomendados e precauções. Cada embalagem atende aos requisitos básicos e oferece transparência sobre os componentes dos produtos, permitindo que o consumidor faça escolhas mais informadas e seguras. No entanto, apesar da conformidade geral, algumas divergências foram identificadas durante a análise microscópica e estrutural, que podem afetar a performance dos produtos e serão discutidas mais adiante. De maneira geral, as embalagens cumprem seu papel de orientar e informar o consumidor. Análise macroscópica de cerdas, cabeça e cabo A Figura 2 e o Quadro 2 trazem respetivamente as imagens da cabeça e do cabo das escovas analisadas e a síntese dos dados obtidos a partir da avaliação macroscópica incluindo sua compatibilidade com a portaria 96/1997. Figura 2 – Análise macroscópica da cabeça e cabo das escovas analisadas - A: Sensodyne; B: Colgate SlimSoft; C: Needs; D: Oral B Indicator; E: Dental Clear. Fonte: os autores Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 07, 2025 ISSN 3085-8097 Análise morfológica, estrutural e de custo de escovas dentais baseado na portaria ANVISA 97/1996 Silva CA; Carvalho TA 230 de produtos mais adequados aos seus pacientes. A análise das cinco escovas mais amplamente utilizadas no mercado local, permitiu entender não apenas as especificações técnicas de cada uma, como também as diferentes faixas de preço, contribuindo para uma escolha mais informada no consultório odontológico. Escovas como a Sensodyne e a Colgate Slim Soft demonstraram bom desempenho e excelente custo-benefício, enquanto a escova Needs, apesar de seu preço mais elevado, mostrou-se uma opção de alta qualidade, ideal para pacientes que buscam um produto com maior durabilidade e conforto. Esses resultados fornecem aos profissionais de odontologia informações cruciais para fazer recomendações mais assertivas, levando em consideração as necessidades dos pacientes e suas condições financeiras, além de servir como uma ferramenta para as marcas, ajudando-as a aprimorar continuamente seus produtos e a atender de forma mais eficaz às necessidades de saúde bucal de toda a população. REFERENCIAS 1.Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Serviços Odontológicos - Prevenção e Controle de Riscos. Brasília: Anvisa; 2006. 152 p. Disponível em: http://cfo.org.br/wpcontent/uploads/2009/10/manual_odonto.pdf. Acesso em: 06 set. 2023. 2. Rodrigues MEJ. A importância da odontologia para a saúde da população. Rev SUSTINERE. 2015;3(2):191-2. 3. Maciel MP, Caribé JAS, Santos ALS, Lobo A. Programa de Análise de Produtos: Escovas Dentais. Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro); 2013. 4. Pestana SRCC. Escovas de dentes comercializadas no Brasil: normas e implicações para a vigilância sanitária [tese de doutorado]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; 2022. 5. Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Portaria nº 97 de 26 de junho de 1996. Dispõe sobre as Normas e Requisitos Técnicos a que ficam sujeitas as escovas dentais, com ou sem pigmentos ou corantes nas cerdas. Diário Oficial da União. Brasília, DF; 1996. 6. Bottan ER, et al. Critérios adotados para a escolha da escova dental: estudo com consumidores de Florianópolis, Santa Catarina (Brasil). RSBO. 2010;7(2):173-81. 7. Brasil. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Relatório da análise em escovas dentais para uso adulto e infantil. Rio de Janeiro; 2013. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/escovas_dentais.pdf. Acesso em: 07 set. 2023. 8. Zaze ACSF, Oliveira ER, Melão MJAS, Alves E. Eficácia de diferentes tipos de escovas dentais na remoção do biofilme bucal. Arq Cienc Saúde UNIPAR. 2016;20(2):101-9. 9. Emmi DT, et al. Análise da eficácia de métodos alternativos de higiene bucal. Braz Oral Res. 2012;[s.n.]. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.15825705 http://bjoshealth.com ISSN 3085-8097 GRANULOMA PIOGÊNICO E GRANULOMA PERIFÉRICO DE CÉLULAS GIGANTES: RELATO DE CASO DE DUPLO DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO Pyogenic granuloma and peripheral giant cell granuloma: case report of dual histopathological diagnosis Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 RELATO DE CASO CLÍNICO Gabriel Silva Rezende Freitas1 ; Letícia Oliveira de Carvalho1; Késsia Suênia Fidelis de Mesquita Guimarães2; Cássio Vinhadelli Ribeiro2; Carlos Deyver de Souza Queiroz2,3 ; Emmelyne Sousa Salatiel Ribeiro2; Wander Tamura2; William Eduardo Pirola2,4 RESUMO Introdução: O granuloma piogênico (GP) e o granuloma periférico de células gigantes (GPCG) são lesões hiperplásicas benignas da cavidade oral, de natureza inflamatória e reacional, que compartilham etiologia semelhante, porém apresentam diferenças clínicas, radiográficas e histopatológicas. Objetivo: Relatar um caso clínico incomum de duplo diagnóstico histopatológico, no qual um mesmo paciente, avaliado pelo mesmo laboratório, recebeu inicialmente o diagnóstico de GP e, posteriormente, após nova biópsia, de GPCG, destacando os desafios diagnósticos, conduta e evolução. Relato de Caso: Paciente do sexo masculino, 57 anos, apresentou lesão nodular, exofítica, avermelhada e assintomática, em rebordo alveolar inferior esquerdo. A biópsia incisional resultou no diagnóstico de GP. Frente ao caráter benigno, optou-se pela excisão completa, precedida de tomografia, que evidenciou reabsorção óssea superficial. O exame histopatológico da amostra excisional revelou diagnóstico definitivo de GPCG. Discussão: O caso ilustra, de forma clara, as limitações da biópsia incisional em lesões com arquitetura histológica heterogênea, além da significativa sobreposição clínica e histológica entre GP e GPCG. Reflete, ainda, a importância da análise criteriosa dos achados clínicos, radiográficos e histológicos para evitar diagnósticos parciais ou incorretos. Conclusão: Este relato reforça a necessidade de abordagem diagnóstica integrada e de amostras representativas, alertando sobre a possibilidade de duplo diagnóstico em lesões reacionais da cavidade oral, mesmo quando avaliadas por um único laboratório. Palavras-chave: Anatomia Patológica; Cavidade Bucal; Diagnóstico Diferencial; Granuloma de Células Gigantes; Granuloma Piogênico. 1 – Acadêmico(a) do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Goiatuba, UniCerrado, Goiás, Brazil 2 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Goiatuba, UniCerrado, Goiás, Brazil 3 - Docente do Curso de Odontologia da Universidade de Rio Verde, Rio Verde, Goiás, Brazil 4 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Rio Preto, São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil Autor de Correspondência: William Eduardo Pirola email: [email protected] Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 232 ABSTRACT Introduction: Pyogenic granuloma (PG) and peripheral giant cell granuloma (PGCG) are benign hyperplastic lesions of the oral cavity, with inflammatory and reactive nature. They share a similar etiology but differ in clinical, radiographic, and histopathological characteristics. Objective: To report an uncommon clinical case of dual histopathological diagnosis, in which the same patient, evaluated by the same laboratory, initially received a diagnosis of PG and, subsequently, after a new biopsy, a diagnosis of PGCG, highlighting the diagnostic challenges, clinical approach, and lesion progression. Case Report: A 57year-old male patient presented with a nodular, exophytic, reddish, and asymptomatic lesion on the left mandibular alveolar ridge. An incisional biopsy resulted in a diagnosis of PG. Considering the benign nature, complete surgical excision was performed, preceded by a CT scan that revealed superficial bone resorption. The histopathological examination of the excised specimen confirmed the final diagnosis of PGCG. Discussion: This case clearly illustrates the limitations of incisional biopsy in lesions with heterogeneous histological architecture, as well as the significant clinical and histological overlap between PG and PGCG. It also highlights the importance of a thorough analysis of clinical, radiographic, and histological findings to avoid partial or incorrect diagnoses. Conclusion: This report reinforces the need for an integrated diagnostic approach and representative sampling, emphasizing the possibility of dual diagnoses in reactive oral lesions, even when evaluated by a single laboratory. Keywords: Oral Patology; Oral Cavity; Differential Diagnosis; Giant Cell Granuloma; Pyogenic Granuloma. INTRODUÇÃO As lesões hiperplásicas de origem inflamatória representam uma das principais manifestações reacionais na cavidade bucal, estando diretamente associadas a estímulos locais crônicos, como trauma, biofilme dentário, cálculo, restaurações desadaptadas, próteses mal ajustadas ou extrações traumáticas (Neville et al., 2016; Chrcanovic et al., 2018; Akerzoul e Touré, 2023; Meshram, Durge, e Shirbhate, 2023). Dentre essas lesões, destacam-se o granuloma piogênico (GP) e o granuloma periférico de células gigantes (GPCG), que, embora compartilhem diversos aspectos clínicos e etiológicos, apresentam características histopatológicas e comportamentos biológicos distintos (Neville et al., 2016; Pirola e Queiroz 2022). O GP é uma proliferação benigna de tecido de granulação, altamente vascularizado, que se desenvolve como resposta a agressões locais, processos inflamatórios crônicos ou alterações hormonais, especialmente no período gestacional (Neville et al., 2016; Maymone et al., 2018; Akerzoul e Touré, 2023; Meshram, Durge, e Shirbhate, 2023). Clinicamente, manifesta-se como uma lesão exofítica, de crescimento rápido, coloração avermelhada a hemorrágica, superfície lisa ou lobulada, frequentemente ulcerada e com sangramento fácil à palpação. A base pode ser séssil ou pediculada, e a lesão é geralmente indolor, embora possa gerar desconforto Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 233 em casos de trauma recorrente (Sachdeva, 2015; Neville et al., 2016). Radiograficamente, o GP não apresenta alterações ósseas, salvo em casos de longa duração, nos quais pode haver leve rarefação óssea (Jafarzadeh, Sanatkhani e Mohtasham, 2006; Neville et al., 2016). Do ponto de vista histopatológico, caracteriza-se por intensa proliferação de tecido de granulação, com numerosos capilares, estroma edematoso, infiltrado inflamatório crônico e, por vezes, áreas de ulceração superficial (Mendonça, Jardim, 2011; França et al., 2018). O GPCG é uma lesão reacional exclusiva da gengiva e do rebordo alveolar, que surge em resposta a irritantes locais semelhantes aos do GP, como biofilme, trauma e corpos estranhos (Neville et al., 2016; Chrcanovic et al., 2018). Clinicamente, apresenta-se como uma massa nodular, exofítica, de coloração que varia do vermelho ao arroxeado, frequentemente com tendência a sangramento. Sua superfície pode ser lisa ou lobulada, e sua base, séssil ou pediculada, assemelhando-se, portanto, em muitos aspectos ao granuloma piogênico (Neville et al., 2016; França et al., 2018). Entretanto, diferentemente do GP, o GPCG apresenta capacidade de provocar reabsorção óssea superficial, frequentemente observada radiograficamente como defeitos em formato de taça ou cunha, quando localizado sobre a crista óssea (Neville et al., 2016; Chrcanovic et al., 2018). Histopatologicamente, o GPCG distingue-se pela presença de numerosas células gigantes multinucleadas, dispersas em um estroma de tecido conjuntivo fibroso altamente celular, acompanhado por intensa vascularização, extravasamento de hemácias, depósito de hemossiderina e infiltrado inflamatório crônico (Neville et al., 2016; França et al., 2018). Esses achados são fundamentais para o diagnóstico diferencial, especialmente quando comparado ao granuloma piogênico e ao fibroma ossificante periférico. Epidemiologicamente, tanto o GP quanto o GPCG acometem preferencialmente adultos, com discreto predomínio no sexo feminino, embora o GPCG apresente maior frequência entre a quarta e sexta décadas de vida (Neville et al., 2016; Chrcanovic et al., 2018). Ambas as lesões ocorrem mais frequentemente na gengiva, sendo a mandíbula o local de predileção para o GPCG e a maxila e mandíbula igualmente acometidas no GP (Neville et al., 2016; Meshram, Durge, e Shirbhate, 2023). O tratamento para ambas as lesões se baseia na remoção cirúrgica completa, associada ao controle rigoroso dos fatores etiológicos locais. Contudo, o GPCG apresenta uma taxa de recidiva ligeiramente superior, variando entre 5% e 20%, em comparação com 5% a 15% no GP, quando os agentes irritantes não são completamente eliminados (Neville et al., 2016; Chrcanovic et al., 2018; Maymone et al., 2018). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 234 Apesar das semelhanças clínicas e dos fatores etiológicos compartilhados, o diagnóstico diferencial entre GP e GPCG é imprescindível, uma vez que suas características histopatológicas, potencial de reabsorção óssea e prognóstico diferem significativamente. Além disso, limitações inerentes ao exame histopatológico, como amostragem insuficiente ou variações morfológicas dentro de uma mesma lesão, podem gerar desafios diagnósticos, inclusive levando, em situações raras, a diagnósticos divergentes em momentos distintos da evolução da lesão. Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico singular de duplo diagnóstico histopatológico, inicialmente classificado como granuloma piogênico e, posteriormente, como granuloma periférico de células gigantes, destacando suas características clínicas, radiográficas, histopatológicas, bem como discutir os desafios impostos ao diagnóstico diferencial dessas lesões reacionais da cavidade oral. RELATO DE CASO Paciente do sexo masculino, com 57 anos de idade, branco, sem comorbidades, nega tabagismo, etilista, compareceu ao atendimento clínico odontológico relatando aumento de volume na região posterior de rebordo alveolar inferior esquerdo, paciente relata que a lesão cresceu rapidamente após a exodontia de um dente, mas depois permaneceu alguns meses no mesmo diâmetro. Paciente não soube precisar o tempo específico da lesão, relatando apenas que estava presente na cavidade bucal por alguns meses. Paciente assionou o TCLE no prontuário odontológico. Ao exame clínico, observou-se uma lesão de aspecto exofítica nodular, com cerca de 20mm, coloração avermelhada/hemorrágica predominante, mas com bordas superiores arroxeadas, única, limites nítidos, lisa, resistente à palpação, sem exposição de tecido conjuntivo, com base séssil e mucosa adjacente normal. A lesão apresentava-se indolor, porém com incômodo e sangramento ao utilizar a escova dental na região e sem comprometimento de estruturas adjacentes (Figura 1). Diante do quadro clínico e das hipóteses diagnósticas, optou-se pela realização de biópsia incisional da lesão. O procedimento foi realizado em ambiente ambulatorial, sob rigorosos protocolos de biossegurança, com antissepsia intraoral utilizando digluconato de clorexidina 0,12% e antissepsia extraoral com digluconato de clorexidina 2%. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 235 Figura 1. Aspecto clínico inicial da lesão localizada na região posterior de rebordo alveolar inferior esquerdo. Observa-se aumento de volume nodular, exofítico, de coloração arroxeada com áreas eritematosas, superfície lisa e base séssil. A lesão apresenta limites bem definidos, aspecto hemorrágico e mucosa adjacente preservada. Fonte: Autoria própria (2025). Após anestesia infiltrativa local, realizou-se incisão com lâmina de bisturi, seguida da exérese parcial da lesão na região vestibular da lesão, com o intuito de remoção de fragmentos para diagnóstico histopatológico. O controle hemostático foi realizado com gaze, sem a necessidade de medicações auxiliares no processo de hemostasia, e, para o processo de síntese, optou-se por utilizar duas suturas do tipo simples na ferida cirúrgica com fio de nylon 4.0, (Figura 2). Figura 2. Aspecto transoperatório durante a realização da biópsia incisional da lesão. Observa-se a delimitação do tecido acometido, exposição da área cirúrgica e início do processo de síntese. Fonte: Autoria própria (2025). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 236 O material coletado foi acondicionado em frasco estéril contendo solução de formol tamponado a 10% e enviado para análise histopatológica (Figura 3). O paciente foi orientado quanto aos cuidados pósoperatórios, prescrição medicamentosa de analgésico, e acompanhamento clínico. O pós-operatório transcorreu sem intercorrências, com adequada cicatrização e ausência de sinais de infecção, dor persistente ou deiscência de sutura. Figura 3. Fragmentos da lesão acondicionados em frasco contendo solução de formol tamponado a 10%, preparados para envio ao laboratório de anatomia patológica para análise histopatológica. Fonte: Autoria própria (2025). Diante do diagnóstico histopatológico inicial de granuloma piogênico, lesão benigna e de caráter reacional, foi indicado o tratamento cirúrgico por meio de biópsia excisional, conduta amplamente preconizada na literatura para esse tipo de alteração. Com o intuito de avaliar possíveis repercussões sobre o tecido ósseo subjacente e obter informações adicionais para o adequado planejamento cirúrgico, foi solicitado exame de tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC). A avaliação tridimensional possibilitou observar a presença de reabsorção óssea superficial na região de rebordo alveolar inferior esquerdo, sem envolvimento de estruturas adjacentes ou alterações ósseas significativas além do sítio da lesão (Figura 5 - A, B, C e D) Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 237 A B C B Figura 5 (A, B, C e D). Representações obtidas por meio de tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) da região posterior de rebordo alveolar inferior esquerdo, demonstrando a lesão. (A) Corte panorâmico evidenciando área de rarefação óssea na região correspondente à lesão, sem delimitação precisa dos limites. (B) Corte axial demonstrando comprometimento ósseo localizado na topografia da lesão, com discreta rarefação trabecular na região de rebordo alveolar. (C) Reconstrução tridimensional (3D) em vista lateral, permitindo observar abaulamento ósseo compatível com a área de acometimento. (D) Reconstrução tridimensional (3D) em vista oclusal, reforçando a presença de irregularidade superficial no osso cortical, na região correspondente à lesão. Fonte: Autoria própria (2025). Diante desse cenário, a proposta cirúrgica visou não apenas a remoção completa da lesão, mas também o controle dos fatores etiológicos associados, com o objetivo de favorecer adequada cicatrização e prevenir recidivas. O planejamento da excisão considerou os limites clínicos da lesão, incluindo margem de segurança nos tecidos moles, conforme recomendado para lesões benignas de caráter reacional. A Figura 6 ilustra o aspecto clínico da lesão no momento pré-operatório, evidenciando que não houve qualquer aumento de volume ou alteração morfológica significativa em comparação ao exame anterior. Dessa forma, a biópsia Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 238 excisional foi conduzida com finalidade tanto terapêutica quanto confirmatória, permitindo, assim, a obtenção do diagnóstico histopatológico definitivo. Figura 6. Aspecto clínico da lesão no momento pré-operatório da biópsia excisional. Observa-se lesão nodular, exofítica, de coloração arroxeada, superfície lisa e base séssil, localizada na região de rebordo alveolar inferior esquerdo, sem alterações significativas em relação ao exame clínico anterior. Fonte: Autoria própria (2025). O procedimento foi realizado em ambiente ambulatorial, seguindo rigorosos protocolos de biossegurança, com antissepsia intraoral utilizando digluconato de clorexidina a 0,12% e antissepsia extraoral com solução de clorexidina a 2%. Após anestesia infiltrativa local, procedeu-se à incisão com lâmina de bisturi, seguida da remoção completa da lesão, incluindo margem de segurança nos tecidos moles, visando minimizar o risco de recidivas (Figura 7). O controle hemostático foi realizado de forma eficaz, e a ferida cirúrgica foi submetida à síntese com fio de nylon 4.0, empregando-se dois pontos simples, garantindo adequada coaptação dos tecidos (Figura 8). O material cirúrgico foi acondicionado em frasco estéril contendo solução de formol tamponado a 10% e encaminhado para análise histopatológica. A evolução pós-operatória foi satisfatória, sem intercorrências, apresentando cicatrização adequada e ausência de sinais de infecção, dor persistente ou deiscência de sutura. A análise histopatológica do material removido estabeleceu o diagnóstico de granuloma periférico de células gigantes, evidenciando tecido conjuntivo fibroso altamente celular, com presença de abundante infiltrado inflamatório crônico, intensa proliferação capilar e numerosas células gigantes multinucleadas distribuídas de forma difusa no estroma. Observou-se, ainda, áreas de extravasamento de hemácias e depósito de hemossiderina, achados compatíveis com os dados clínicos e radiográficos previamente observados (Figura 9). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 06, 2025 ISSN 3085-8097 Granuloma piogênico e granuloma periférico de células gigantes: relato de caso de duplo diagnóstico histopatológico Freitas GSR; Carvalho LOC; Guimarães KSFM; Ribeiro CV; Queiroz CDS; Ribeiro SEM; Tamura W; Pirola WE 239 Figura 7. Aspecto macroscópico da peça cirúrgica após exérese. Observa-se lesão nodular, de coloração avermelhada a arroxeada, com superfície lisa, previamente à sua fixação em solução de formol a 10% para análise histopatológica. Ao lado, lâmina de bisturi utilizada no procedimento, posicionada para efeito de escala visual. Fonte: Autoria própria (2025). Figura 8. Aspecto clínico imediato pós-operatório, evidenciando a região do rebordo alveolar inferior esquerdo após exérese total da lesão. Observa-se a ferida cirúrgica suturada com dois pontos simples utilizando fio de nylon 4.0, com boa coaptação das margens e ausência de sangramento ativo, preservando os tecidos adjacentes. Fonte: Autoria própria (2025). BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.15859143 http://bjoshealth.com ISSN 3085-8097 USO DO GEL DE EDTA COMO COADJUVANTE NO TRATAMENTO PERIODONTAL NÃO CIRURGICO Use of edta gel as an addjuvant in non-surgical periodontal treatment Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Ana Vitória José de Sousa1; Vinicius Curti Morselli Araujo2; Amanda Carolina Saraiva 2 ; Ana Julia Vieira do Nascimento Guedes2; Amanda Viega Tarocco2; Thais Uenoyama Dezem3,4 RESUMO Introdução: O tratamento periodontal não cirúrgico produz uma camada de “smear layer” pós raspagem e o alisamento radicular, que dificulta a inserção de tecido conjuntivo e formação de epitélio juncional longo, atuando como barreira física entre esses tecidos Objetivo: Avaliar a eficácia da aplicação subgengival do gel de EDTA a 24% na superfície radicular dentro das bolsas periodontais como coadjuvante ao tratamento periodontal básico, através de uma revisão narrativa da literatura. Metodologia: Foi realizada uma pesquisa nos bancos de dados PUBMED e Scielo, utilizando a estratégia de busca por meio dos descritores: “doença periodontal, edta, tratamento periodontal”. Estabeleceram-se como critérios de inclusão: artigos científicos publicados sem limite de tempo, publicações em língua inglesa, portuguesa ou espanhola, artigos que estivessem na integra, assim como livros-textos na área de Periodontia, Endodontia, monografias, dissertações, teses e trabalhos disponíveis na integra online. Resultados: Os estudos relataram resultados significativos, como redução da smear layer e a exposição da fibra colágena sem perca de minerais com o uso de gel de EDTA na concentração de 24% adjunto a raspagem periodontal. Conclusão: Podese concluir que o gel de EDTA pode ser um auxiliar na eficácia do tratamento periodontal reduzindo a smear layer e expondo as fibras colágenas periodontais para uma melhor recuperação da bolsa periodontal. Pesquisas futuras são necessárias para determinar os efeitos a longo prazo do gel de EDTA. 1 – Graduada pelo Centro Universitário de Goiatuba, UniCerrado, Goiatuba-GO, Brazil 2 – Acadêmico do Centro Universitário de Rio Preto, UNiRP, São José do Rio Preto-SP, Brazil 3 – Professora Doutora do Centro Universitário de Rio Preto, UNiRP, São José do Rio Preto-SP, Brazil 4 - Doutora em Biologia BucoDental Autor de Correspondência: Vinicius Curti Morselli Araujo email: [email protected] Palavras-chave: Doença periodontal; Tratamento periodontal; EDTA Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 247 ABSTRACT Introduction: Non-surgical periodontal treatment produces a layer of "smear layer" after scaling and root planing, which hinders the insertion of connective tissue and formation of long junctional epithelium, acting as a physical barrier between these tissues. Objective: To evaluate the effectiveness of the subgingival application of 24% EDTA gel on the root surface inside periodontal pockets as an adjunct to basic periodontal treatment, through a narrative review of the literature. Methodology: A search was carried out in the PUBMED and Scielo databases, using the search strategy using the descriptors: “periodontal disease, edta, periodontal treatment”. The inclusion criteria were: scientific articles published without time limit, publications in English, Portuguese or Spanish, articles that were in full, as well as textbooks in the field of Periodontics, Endodontics, monographs, dissertations, theses and works available in full online. Results: The studies reported significant results, such as reduction of smear layer and exposure of collagen fiber without loss of minerals with the use of EDTA gel at a concentration of 24% adjunct to periodontal scraping. Conclusion: It can be concluded that EDTA gel can be an aid in the effectiveness of periodontal treatment by reducing the smear layer and exposing periodontal collagen fibers for a better recovery of the periodontal pocket. Future research is needed to determine the long-term effects of EDTA gel. Keywords: Periodontal disease; Periodontal treatment; EDTA INTRODUÇÃO O tratamento periodontal não cirúrgico por mais completo que seja apresenta algumas limitações quanto a remoção completa da camada do “smear layer” pós raspagem e o alisamento radicular. O que dificulta a inserção de tecido conjuntivo e formação de epitélio juncional longo, pois atua como barreira física entre esses tecidos1. Smear layer é uma camada de partículas muito pequenas de matriz de colágeno mineralizado e detritos orgânicos, que é espalhado pela superfície dentária durante procedimentos odontológicos quando a dentina é cortada com instrumentos manuais ou rotativos e os tecidos mineralizados não são picados e limpos, mas fragmentados. Geralmente varia de 2 a 15μm e pode servir como uma barreira física entre os tecidos periodontais e a superfície da raiz, inibindo a formação e inserção de um novo tecido conjuntivo na superfície radicular e formando epitélio juncional longo1. Com o intuito de produzir uma superfície radicular viável, a raspagem e o alisamento radiculares (RAR) com vários tipos de instrumentos é o tratamento inicial de doença periodontal. A função primordial desta instrumentação é a remoção de cálculos aderidos, placa bacteriana e o cemento superficial, permeado por toxinas, da superfície radicular. Para que haja regeneração periodontal, são condições muito importantes aos tecidos: ausência de processos infecciosos agudos; criação e manutenção de um coágulo estável na área; isolamento por tecidos competitivos (atualmente com o uso de membranas – “regeneração tecidual guiada”); criação de uma superfície radicular biologicamente compatível, sem células e/ou produtos químicos Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 248 bacterianos; e, fisicamente, criação de uma superfície com rugosidade ideal para migração e proliferação celular 2,3. O reparo dos tecidos periodontais, após o procedimento de RAR, na maioria das vezes, é a restituição da função dos tecidos de suporte dos dentes, mas sem forma e arquitetura originais. Histologicamente, a formação do epitélio juncional longo pode ser caracterizado pela migração apical do epitélio juncional, caracterizando assim o reparo tecidual4. Após a raspagem e o alisamento radicular (RAR) com ou sem procedimento de retalho, as superfícies radiculares serão recobertas por smear layer, impedindo uma nova fixação das fibras periodontais e inibe a migração e proliferação de fibroblastos. A fim de aumentar a chance de nova inserção em tratamentos periodontais regenerativos, o uso de agentes modificadores bioquímicos na superfície da raiz tem sido considerado há muito tempo5. Pois a raspagem não é totalmente eficiente e mesmo a mais criteriosa delas com qualquer tipo de instrumento manual ou vibratório deixa sobre a superfície radicular restos de cálculo ainda aderidos3. O condicionamento químico da superfície radicular foi proposto com a finalidade de descontaminar a superfície radicular pela remoção de smear layer, bactérias e suas toxinas, e expor as fibras colágenas da matriz orgânica do cemento ou dentina, sendo um importante passo inicial para o processo de cicatrização natural e formação de uma nova inserção6,7. Dentre os agentes químicos utilizados para condicionamento da superfície radicular, podemos citar: o ácido fosfórico, o ácido cítrico, o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) e o cloridrato de tetraciclina6. Com isso o objetivo desse trabalho é avaliar a eficácia da aplicação subgengival do gel de EDTA na superfície radicular dentro das bolsas periodontais como coadjuvante ao tratamento periodontal básico (RAR manual), através de uma revisão narrativa da literatura. METODOLOGIA Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados eletrônicas Scientific Electronic Library Online (SciELO) e National Library of Medicine (PubMed), além de consulta à literatura específica da área de Periodontia. A estratégia de busca utilizou os seguintes descritores: “doença periodontal”, “EDTA”, “tratamento periodontal”, “periodontal disease”, “EDTA”, “periodontal treatment”. Os critérios de inclusão adotados foram: artigos científicos publicados entre os anos de 2000 e 2025, redigidos em inglês, português ou espanhol, e com disponibilidade online na íntegra. Além dos artigos, Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 249 também foram considerados materiais complementares, como livros-texto de Periodontia e Endodontia, monografias, dissertações, teses e demais trabalhos acadêmicos disponíveis integralmente online. Foram excluídos os artigos escritos em idiomas diferentes dos previamente especificados, bem como aqueles cujo título ou resumo não apresentavam relação com o tema proposto. REVISÃO DE LITERATURA De acordo com Sousa et al.6 o condicionamento químico tem por objetivos: remover as endotoxinas; promover a desmineralização da superfície radicular, por meio da remoção de smear layer; abrir túbulos dentinários; expor as fibras colágenas da matriz orgânica do cemento ou da dentina; favorecer a formação e a adesão do coágulo de fibrina; inibir a migração apical do epitélio; possibilitar a liberação dos fatores de crescimento existentes na matriz orgânica do cemento ou da dentina, estimulando a divisão e a proliferação das células do ligamento periodontal. Agentes químicos podem ser utilizados para condicionamento da superfície radicular, como o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA). O EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) por possuir um pH neutro, age por quelação dos íons cálcio, dissolvendo o “smear layer”, tem sido utilizado no tratamento das superfícies radiculares e tem apresentado menor degradação do retalho e maior inserção de tecido conjuntivo3,8. O EDTA é usado como solução irrigante devido aos seus principais atributos, tais como: ação quelante, capacidade de aumentar a permeabilidade dentinária, capacidade de remover a camada de esfregaço, capacidade de desinfetar canais radiculares e papel no intracanal remoção de medicamentos, tornando-se a solução de escolha para pesquisas e tratamentos. Também pode ser encontrado na forma de gel, que é útil para remoção de detritos, raspagem e alisamento radicular em tratamentos periodontais e como lubrificante em casos de tratamentos de canal radicular atrésico e/ou obstruído6. Zia et al.1 compararam em seu estudo a capacidade de condicionamento radicular de EDTA 17% e uma solução experimental Biopure MTAD (um irrigante endodôntico final – mixture of tetracycline and acid detergent), com solução salina normal como controle. Ambas as soluções experimentais removeram a smear layer com sucesso das superfícies radiculares e as amostras experimentais foram significativamente mais limpas do que o grupo controle (p <0,001). Os resultados demonstraram que o escore médio do esfregaço para as amostras tratadas com Biopure MTAD foi menor do que aquelas tratadas com EDTA, porém os resultados foram marginalmente estatisticamente significativos (p = 0,04). Eles concluíram que Biopure Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 250 MTAD é um agente condicionador de raízes eficaz, apresentando capacidade de remoção de smear layer semelhante ao EDTA. Amaral et al8 compararam quatro agentes desmineralizantes comumente usados quanto à sua capacidade de remover a smear layer e abrir os túbulos dentinários. Os autores usaram do EDTA por 3 min e após realizaram a microscopia eletrônica de varredura para verificar a presença de smear layer residual e para medir o número e a área dos túbulos dentinários expostos. Eles concluíram que o EDTA falhou na remoção adequada da smear layer e na exposição dos túbulos dentinários. Cinco espécimes (50%) do grupo EDTA não tinham nenhum dos túbulos dentinários expostos e apenas 2 estavam totalmente limpos da camada de esfregaço. Já Silva et al9 testaram diferentes marca e tempos (1, 2 e 3 minutos) de EDTA Gel a 24% com aplicação tópica, fricção vigorosa e fricção suave. Eles não detectaram diferenças estatísticas para os diferentes tempos de aplicação, porém o modo de aplicação com fricção suave obteve-se como resultado uma menor quantidade de smear layer residual. Enquanto que Reis2 usando 45 ratos induzindo a doença periodontal no 2° molar superior esquerdo por meio da inserção de ligadura de fio de algodão, divididos em 3 grupos, onde um grupo controle os ratos receberam apenas o tratamento mecânico, outro foi condicionado com gel de EDTA a 24%, pH 7,0 durante 2 minutos, o terceiro grupo foi condicionado com gel placebo, pH 7,0 durante 2 minutos, logo após Todos os grupos foram irrigados com cloreto de sódio a 0,9% por 1 minuto e submetidos à análise histológica e histomorfométrica para avaliação do grau de preenchimento e do tipo de tecido presente na região da marcação. Conclui-se que o gel de EDTA a 24%, pH 7, não modifica os eventos de regeneração dos tecidos periodontais; como coadjuvante ao procedimento de raspagem e aplainamento radicular, não melhora o reparo dos tecidos periodontais, em doença periodontal induzida em ratos. Na tabela 1 podemos observar os estudos selecionados, como autor(es) e o ano da sua publicação, o tipo de estudo, país, número de dentes, método (ativo ou passivo), parâmetros avaliados e resultados encontrados nos estudos. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 251 Tabela 1 – Estudos comparativos sobre a utilização do EDTA no tratamento periodontal, desenho do estudo e principais resultados Autor, ano Tipo de estudo Pais Amostra Intervenção com EDTA Método de análise Parâmetros avaliados Principais resultados Reis (2002)2 In vivo Brasil 45 ratos (segundo molar) EDTA 24%, aplicação passiva por 2 min Análise histológica e histomorfométrica Reparo tecidual periodontal Não melhora o reparo dos tecidos periodontais, em doença periodontal induzida em ratos Gamal & Mailhot (2007)10 Ensaio clínico controlado e duplo-cego. In vitro + análise clínica ex vivo Egito 80 pacientes com periodontite crônica severa. O gel de EDTA foi aplicado por 2 min nas superfícies radiculares expostas e previamente instrumentadas por RACR Microscopia eletrônica de varredura Percentual da superfície radicular coberta por partículas de sílica (substantividade da CHX) O pré-condicionamento com EDTA aumentou a substantividade da clorexidina nas superfícies radiculares. Amaral et al. (2011)8 In vitro Brasil 50 fragmentos de raízes Gel de EDTA a 24% por 3 min Microscopia eletrônica de varredura Remoção da smear layer e abertura de túbulos dentinários EDTA não removeu adequadamente a smear layer em comparação aos demais condicionantes testados (ácido cítrico e tetraciclina-HCl) Martins Júnior et al. (2011)11 In vitro Brasil 28 dentes Gel de EDTAC 24% por 2 minutos após raspagem radicular e/ou Microscopia eletrônica de varredura Uma análise morfológica comparativa semiquantitativa foi realizada; a A aplicação tópica de gel de EDTAC 24% após a raspagem remove efetivamente a camada de smear Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 252 instrumentação ultrassônica intensidade da smear layer e a descalcificação do cemento e das superfícies dentinárias layer, expôs túbulos dentinários e fibras colágenas. Silva et al. (2013)9 In vitro Brasil 96 Incisivos anteriores Gel de EDTA 24% por 1 minuto após raspagem e alisamento radicular Microscopia eletrônica de varredura E MTT Remoção da smear layer, exposição de fibras colágenas, adesão de fibroblastos, componenetes sanguneos e viabilidade celular EDTA promoveu remoção efetiva da smear layer, exposição moderada de fibras colágenas, adesão satisfatória de fibroblastos e viabilidade celular intermediária Souza et al. (2013)6 In vitro Brasil 225 dentes Gel de EDTA 24%, em diferentes marcas comerciais, modos de aplicação (tópica, fricção vigorosa e suave) e tempos (1, 2 e 3 min) Microscopia Eletrônica de Varredura Remoção da smear layer, exposição de fibras colágenas, abertura de túbulos dentinários Não foram encontradas diferenças no tempo de aplicação, apenas no modo de aplicar, onde a aplicação suave gerou melhores resultados. Este estudo in vitro confirma que o condicionamento radicular com gel de EDTA 24% é eficaz na remoção de smear layer e na exposição de fibras colágenas. Além disto, o condicionamento da superfície da raiz promove a sua descontaminação, o que pode gerar benefícios na terapia periodonta Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 253 Zia et al. (2014)1 In vitro Índia 60 dentes/ 20 no grupo do EDTA Após a raspagem EDTA 17% por 5 min Microscopia eletrônica de varredura Remoção da smear layer Eficaz quanto a remoção da camada de smear layer. Cobb et al. (2023)12 in vitro Estados Unidos 11 dentes extraídos RACR Administração de EDTA na superfície radicular por 2 minutos MEV e Espectroscopia por Dispersão de Energia (EDS). Elementos analisados: N, O, F, Na, Mg, P, S, Ca.Resultados expressos em: % de peso e % atômico. O EDTA apresenta eficácia na terapia coadjuvante da periodontite, degradando a matriz extracelular de microrganismo e reduzindo a concentração de N, F, Na e S, enquanto aumenta a de Mg, P e Ca, diminuindo assim a inflamação periodontal. EDTA degradou o biofilme, alterou a composição química (redução de N, F, Na, S; aumento de Mg, P, Ca) Felemban et al. (2023)13 In vitro Arábia Saudita 60 amostras obtidas de 30 dentes EDTA 24% por 2 e 4 minutos, com ou sem EMD, após raspagem Ensaio de viabilidade celular (brometo), adesão de fibroblastos Adesão e viabilidade de fibroblastos O EDTA modificou a superfície radicular para promover a adesão de fibroblastos Harrel et al. (2024)14 In vitro Estados Unidos 32 dentes extraídos Polimento com EDTA 24% por 30 s, 1, 2 e 3 minutos após RACR microscopia eletrônica de varredura. Remoção de cálculo residual EDTA removeu grande parte dos resíduos de cálculo remanescente após a raspagem Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 254 DISCUSSÃO No presente estudo, analisou-se o potencial do gel de EDTA como coadjuvante na terapia periodontal não cirúrgica. Dos dez estudos incluídos, oito demonstraram resultados positivos, evidenciando que o EDTA foi capaz de remover a smear layer, desobstruir as aberturas dos túbulos dentinários e expor as fibras colágenas, favorecendo, assim, um ambiente propício à regeneração periodontal. Por outro lado, dois estudos não observaram benefícios significativos com o uso do EDTA. O estudo de Reis2, conduzido em modelo in vivo com ratos, avaliou a aplicação de gel de EDTA a 24% após raspagem radicular e não encontrou melhora histológica significativa na regeneração periodontal, quando comparado ao tratamento mecânico isolado. Além disso, no estudo de Amaral et al8 , o EDTA a 24% apresentou desempenho inferior a outros agentes condicionadores, como ácido cítrico, tetraciclina-HCl e ácido fosfórico, mostrando menor capacidade de remoção da smear layer e exposição dos túbulos dentinários. Em relação à concentração utilizada, observou-se que o gel de EDTA a 24% foi a escolha em nove dos dez estudos analisados, o que demonstra uma tendência de padronização metodológica, além de refletir os bons resultados obtidos com essa concentração na remoção da smear layer e na exposição de fibras colágenas8,9. A única exceção foi o estudo de Zia et al.1, que utilizou EDTA a 17% (forma líquida), comparando-o ao MTAD, e verificou que ambos foram eficazes na remoção da smear layer em superfícies radiculares. Contudo, aspectos como a formulação comercial, o tempo de aplicação e o modo de uso do gel de EDTA a 24% apresentaram grande variabilidade entre os estudos. Essa heterogeneidade metodológica sugere que tais variáveis devem ser exploradas com mais rigor em futuras pesquisas. Nesse contexto, o estudo de Souza et al.6 , que avaliou diferentes marcas comerciais de EDTA 24%, bem como diferentes tempos e modos de aplicação, utilizando análise por microscopia eletrônica de varredura (MEV). Os resultados mostraram que o gel da marca Biodinâmica apresentou menor eficácia na remoção da smear layer e na exposição de fibras colágenas, em comparação com as demais formulações testadas. Quanto ao método de análise, a MEV foi a técnica mais empregada, 8 dos 10 estudos revisados, sendo considerada um método eficaz para avaliação da morfologia da superfície radicular. Essa escolha se justifica pela sua capacidade de fornecer imagens de alta resolução e com grande profundidade de campo, permitindo a visualização tridimensional da topografia superficial, essencial na análise de efeitos como remoção de smear layer e exposição de túbulos dentinários11. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 11, 2025 ISSN 3085-8097 Uso do gel de EDTA como coadjuvante no tratamento periodontal não cirúrgico Souza AVJ; Araujo, VCM; Saraiva AC; Guedes AJV; Tarocco AV; Dezem TU 255 Do ponto de vista metodológico, destaca-se ainda que a maioria dos estudos foi conduzida in vitro, utilizando dentes humanos extraídos. Embora essa abordagem facilite o controle das variáveis e a análise morfológica detalhada, ela não reproduz completamente as condições biológicas do ambiente periodontal in vivo, como a presença de sangue, fluido gengival, células inflamatórias e resposta imune do hospedeiro, o que limita a extrapolação direta dos resultados para a prática clínica9,13. Diante da presente revisão, fica evidente a necessidade de mais estudos, tanto in vitro quanto in vivo, com o objetivo de definir os protocolos ideais de aplicação do EDTA, incluindo tempo de condicionamento, forma de aplicação e tipo de formulação, a fim de validar sua real eficácia como adjuvante na terapia periodontal não cirúrgica. CONCLUSÃO Pode-se concluir que o gel de EDTA apresenta potencial como adjuvante no tratamento periodontal, favorecendo a remoção da smear layer e a exposição das fibras colágenas periodontais, o que pode contribuir para a reparação e cicatrização dos tecidos periodontais. No entanto, são necessárias pesquisas adicionais, especialmente ensaios clínicos controlados em humanos, para validar sua eficácia e estabelecer protocolos de aplicação mais padronizados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Zia A, Andrabi SMN, Bey A, Kumar A, Zareen F. Endodontic irrigants as root conditioning agent: An in vitro scanning electron microscopic study evaluating the ability of MTDA to remove smear layer from periodontally affected root surfaces. Singapore Dent J. 2014;35:47-52. 2. Reis LM. Influência do gel de EDTA a 24% no tratamento da doença periodontal induzida em ratos: análise histológica [dissertação]. São José dos Campos (SP): Universidade Estadual Paulista; 2002. 3. Bastos NFVR, Gregui SL. Análise em microscopia eletrônica de varredura de superfícies radiculares antes e após raspagem e condicionamento com ácido cítrico e EDTA: um estudo in vitro. J Appl Oral Sci. 2003;11(1):41-4. 4. Faria TB. Princípios biológicos da regeneração periodontal [monografia]. Salvador: Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública; 2008. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 262 Tabela 1 - Resumo dos estudos selecionados ANO AUTORES TÍTULO DO ARTIGO PRINCIPAIS RESULTADOS 2015 KANUPURU et al. Relação entre alfabetização em saúde bucal e estado de saúde bucal entre estudantes universitários A prevalência de cárie foi maior entre indivíduos com baixo LSB. A higiene oral foi ruim entre os indivíduos com baixa LSB. O IPC foi mais baixo em indivíduos com alta LSB. 2015 Vazquez et al. Fatores individuais e contextuais relacionados à cárie dentária em adolescentes brasileiros carentes Os adolescentes que declararam ter algum preso na família e residiam em domicílios com maior número de pessoas apresentaram maior número de dentes cariados. Houve maior número de dentes cariados, maior valor de CPOD e pior autopercepção em relação à saúde bucal. Outras variáveis, como sexo feminino, idade e tempo desde a última visita ao dentista, foram relacionadas ao índice CPOD. 2016 Macek et al. Avaliando a literacia em saúde e a saúde oral: resultados preliminares de uma investigação multi-site. 21% dos participantes relataram ter dificuldades com tarefas práticas de literacia em saúde. (preenchimento de formulários). 2017 Macek et al. Conhecimento conceitual de saúde bucal e suas relações com resultados de saúde bucal: resultados de um estudo de alfabetização em saúde em vários locais No geral, 18% dos 909 participantes adultos exibiram “baixo” conhecimento conceitual. As pontuações do CMOHK foram significativamente associadas a três instrumentos de alfabetização em saúde, o REALM, o Short-TOFHLA e o preenchimento de formulários com confiança. Nas análises bivariada e multivariada, os escores CMOHK também foram significativamente associados às crenças e atitudes odontológicas e à autoeficácia para prevenir a cárie dentária e a doença periodontal. As pontuações do CMOHK não foram associadas à utilização, medida como consulta odontológica ou limpeza dentária no último ano. 2019 Dutra et al. Adolescentes com piores níveis de literacia em saúde oral apresentam mais lesões de cárie cavitadas Adolescentes de 15 a 19 anos com níveis mais baixos de LSB tinham um maior número de dentes cariados, lesões de cárie identificadas, independentemente do seu nível socioeconômico e histórico de visita a um dentista. 2019 Martins et al. Baixo alfabetismo em saúde bucal de pais/ responsáveis está associado à cárie dentária com envolvimento pulpar de seus filhos A prevalência de cárie dentária cavitada foi de 51,0%. O modelo multivariado ajustado por condições. O alfabetismo não foi associado à presença da cárie não tratada. Pais/responsáveis com menor alfabetismo em saúde bucal tiveram 93% vezes mais chance de ter filhos com consequências clínicas pulpares. 2019 Dutra et al. Adolescentes com piores níveis de literacia em saúde oral apresentam mais lesões de cárie cavitadas. 93% dos adolescentes já foram ao dentista pelo menos uma vez na vida. Na análise multivariada, adolescentes com OHL inadequada e aqueles no nível inferior classes sociais apresentaram mais dentes com lesões de cárie cavitadas. 2020 Brega et al. Alfabetização em saúde e conhecimento, crenças, comportamento e status sobre saúde bucal dos pais entre pais de recém-nascidos índios americanos Os pais com LS mais limitado tinham significativamente menos conhecimento, percebiam que as cáries eram menos graves, percebiam mais barreiras e menos benefícios aos comportamentos de saúde oral recomendados. A LS limitada não foi associada ao comportamento. 2020 Neves et al. O impacto da literacia em saúde oral e da coesão familiar na cárie dentária no início da adolescência As seguintes variáveis estiveram associadas ao maior número de lesões de cárie cavitadas: baixa escolaridade completa da mãe, classe social menos privilegiada, maior número de residentes em casa. 2021 Prata et al. A coesão familiar está associada à autopercepção da necessidade de tratamento odontológico entre adolescentes A prevalência de adolescentes que perceberam necessidade de tratamento foi de 88,6%. A maioria dos adolescentes era do sexo feminino, não brancos e de classe social baixa e as mães tinham 8 anos ou mais de escolaridade. Mais de um terço dos adolescentes apresentava nível marginal de PAO. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 263 2021 Lopes et al. Estrutura familiar, fatores sociodemográficos e tipo de serviço odontológicos associados ao alfabetismo em saúde bucal no início da adolescência As variáveis mais associadas à melhor LSB estavam no sexo feminino, escolaridade da mãe > 8 anos de estudo e utilização de serviços odontológicos privados. 2021 Neves et al. Associação de alfabetização em saúde bucal e fatores escolares com cárie dentária não tratada entre crianças de 12 anos: uma abordagem multinível A cárie dentária não tratada no início da adolescência foi impactada pelo ambiente escolar, pelo nível socioeconômico, pela PAS e pela satisfação do adolescente com a última consulta odontológica. 2021 de Moura et al. O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e o letramento em saúde bucal exercem influência na ocorrência de cárie dentária no início da adolescência A adaptabilidade e a coesão familiar não foram associadas à experiência de cárie. A experiência de cárie dentária no início da adolescência foi influenciada por sintomas de TDAH, LSB e fatores sociodemográficos. 2021 Neves et al. Alfabetização em saúde bucal, preditores sociodemográficos, familiares e clínicos de consultas odontológicas entre adolescentes precoces brasileiros Maior nível de alfabetização em saúde bucal, classe social elevada, maior escolaridade materna, coesão familiar classificada como emaranhada e conectado, e a ausência de dor de dente permaneceram associados à visita ao dentista. 2021 Lopes et al. Estrutura familiar, fatores sociodemográficos e tipo de serviço odontológico associados ao letramento em saúde bucal no início da adolescência. O nível de alfabetização em saúde bucal em adolescentes precoces esteve associado ao sexo, estrutura familiar, escolaridade da mãe, idade do cuidador e tipo de serviço odontológico utilizado. 2021 Sun et al. Tendências e desenvolvimentos na literacia em saúde oral: um estudo de investigação cienciométrica (1991-2020). O número total de publicações aumentou ano após ano, com a maioria das publicações provenientes dos EUA. A maioria dos estudos centrou-se na relação entre a literacia em saúde (oral) e a saúde oral, e no desenvolvimento de instrumentos de LSB. As 10 principais palavras-chave por frequência foram "alfabetização em saúde", "saúde bucal", "atitude em relação à saúde", "cárie dentária", "adulto", "crianças", "atendimento odontológico", "conhecimento", "questionário" e "adolescente". 2021 Prata et al. A coesão familiar está associada à autopercepção da necessidade de tratamento odontológico entre adolescentes A cárie dentária, a dor dentária, a perda dentária e a coesão familiar influenciaram a autopercepção da necessidade de tratamento odontológico em adolescentes. 2021 Fazli et al. Alfabetização em saúde bucal e dados sociodemográficos como determinantes do estado de saúde bucal e medidas de comportamento preventivo em participantes de um programa de aconselhamento pré-casamento. A OHL teve correlação significativa com a frequência de consultas odontológicas e tabagismo, e correlação inversa com o número de dentes cariados e perdidos. Os resultados atuais destacam a necessidade de intervenções de OHL para preencher as lacunas existentes. Esta é uma necessidade não satisfeita dos casais, e tais intervenções são necessárias para promover a sua própria saúde oral, bem como a saúde oral dos seus futuros filhos. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 264 2022 He et al. Fatores sociodemográficos, situação dentária, conhecimento e atitude em saúde bucal e comportamentos relacionados à saúde em consultas odontológicas entre adolescentes de 12 anos de Shenzhen: uma análise multinível Um total de 27,6% dos participantes não tinha ido ao dentista. As variáveis: Shenzhen Hukou, cárie moderada, Classe II de Angle , escovação dentária às vezes ou nunca, uso de fio dental, ter tido dor de dente dentro os últimos 12 meses, alto nível de conhecimento, nível moderado de conhecimento, foram fatores associados à consulta odontológica experiência. 2022 Baskaradoss et al. Associação entre a literacia em saúde oral dos cuidadores e a saúde oral de crianças e jovens com necessidades especiais de saúde A maioria dos participantes era deficiente física, seguida de crianças com dificuldade auditivae anomalias/síndromes congênitas. O baixo conhecimento conceitual de saúde bucal do cuidador foi significativamente associado a pontuações mais altas de IP. Os participantes que escovaram os dentes duas ou mais vezes ao dia tiveram resultados significativamente mais baixos. 2023 Lopes et al. Impacto da alfabetização em saúde bucal e das substâncias psicoativas na perda dentária em adolescentes A alfabetização em saúde bucal foi inversamente associada à perda dentária, enquanto o uso de múltiplas substâncias psicoativas e última consulta odontológica para tratamento/sintomas estiveram diretamente associados à perda dentária. O letramento em saúde bucal, o uso de múltiplas substâncias psicoativas e o motivo da última consulta odontológica exerceram influência na perda dentária entre adolescentes. 2023 Neves et al. Estruturação dos efeitos da literacia em saúde oral na cárie dentária em adolescentes de 12 anos A alfabetização em saúde bucal e a escolaridade da mãe estiveram diretamente associadas à cárie dentária, enquanto a coesão familiar e o nível socioeconômico exerceram um efeito indireto na ocorrência de cárie dentária em adolescentes. 2023 Menoncin et al A alfabetização em saúde bucal dos pais influencia a utilização de serviços odontológicos por crianças em idade pré-escolar. A prevalência de crianças que já haviam consultado o dentista foi maior entre os pais com maior nível de OHL quando comparados àqueles com menor nível de OHL. 2024 Lopes et al. Baixo nível de alfabetismo em saúde bucal, cárie dentária e características escolares estão associadas ao motivo da procura por serviços odontológicos em adolescentes Escolaridade materna com menos de oito anos de estudo, baixa literacia em saúde bucal, cárie cavitada e ambiente escolar desfavorável foram associados à procura por tratamento odontológico. 2024 Rachmawati et al. Dados sociodemográficos, alfabetização em saúde bucal e experiência de cárie relacionada ao desempenho diário entre adolescentes A literacia em saúde, a experiência de cárie e a educação parental contribuem para a qualidade do desempenho diário dos adolescentes. Adolescentes com pouca cárie e alto LSB apresentam melhor qualidade de desempenho diário 2024 Bhadauria et al. Efeito da coesão familiar nos preditores de saúde bucal em crianças e adolescentes: uma revisão sistemática Foram identificados 272 registros nas bases de dados. A frequência de consultas odontológicas, a alfabetização em saúde bucal e a autopercepção da necessidade de tratamento odontológico foram relatadas como maiores em famílias com melhores laços coesos. Uma associação direta inconsistente foi relatada entre cárie dentária e coesão familiar. Fonte: os autores Vazquez et al4 analisaram os fatores de risco para cárie e demonstraram associação entre desigualdade de renda e prevalência de cárie. Observaram índice CPOD (cariados, perdidos e obturados) em adolescentes Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 265 carentes. A relação entre o nível limitado do letramento em saúde (OHL) e a pior saúde periodontal foram observados em 150 pacientes e relatado por Baskaradoss5. Em um estudo transversal realizado com 740 adolescentes realizado por Neves et al6 em 2021 fatores como ambiente de aprendizagem inadequado, situação socioeconômica, pele não branca, baixo letramento em saúde bucal e baixa satisfação com a consulta odontológica foram relacionados com a cárie não tratada no início da adolescência. Nesse mesmo ano o estudo de de Oliviera et al7 realizado com 756 adolescentes sobre autopercepção de necessidade de tratamento utilizando o questionário BREALD-30 concluíram que a alfabetização funcional em saúde bucal, cárie dentária e coesão familiar influenciaram na autopercepção da necessidade de tratamento odontológico. O questionário C-OIDP foi aplicado em 346 adolescentes em 2024, concluindo que a alfabetização em saúde, experiência de cárie e educação dos pais podem contribuir na qualidade do desempenho diário8. O conhecimento em saúde bucal (CMOHK) foi acrescido de covariáveis como local de recrutamento, idade, sexo, raça/etnia, nível de educação e idiomas falados por Macek em 2016.9. No estudo de Neves et al10, os questionários e avaliação de cárie dentária foram relacionados a fatores sociodemográficos, características familiares e letramento em saúde em adolescentes. Os resultados do estudo de Frias et al11 mostraram desigualdades na distribuição dos serviços de saúde nas diversas regiões brasileiras e sugerem que as desigualdades também podem estar presentes na efetividade dos serviços prestados. Lopes et al12 aplicandos questionários em 740 escolares observaram que fatores como sexo, estrutura familiar, idade e escolaridade do responsável e tipo de serviço odontológico prestado estão relacionados ao nível de letramento em saúde bucal. Em um outro estudo mais recente realizado em 202413 os mesmos autores relacionaram a baixa alfabetização em saúde bucal e a escolaridade materna de menos de oito anos de estudo, e ambiente desfavorável foram associados à menor procura de tratamento odontológico de adolescentes. No estudo de Dutra et al14 adolescentes com níveis mais baixos de OHL tinham maior número de dentes cavitados. De Moura et al15 associaram a experiência de cárie no início da adolescência como influenciada por sintomas de TDAH e fatores sociodemográficos. CONCLUSÃO O adolescente que possui alto letramento em saúde tem conhecimento e habilidades para aplicar as informações acessadas, fazendo escolhas saudáveis e obtendo resultados positivos na melhora de sua saúde bucal. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 266 Segundo os estudos, os adolescentes com maior CPOD e alterações periodontais estão relacionados com baixo letramento em saúde bucal, ambiente de aprendizagem inadequado, condição socioeconômica, pele não branca, tipo de assistência odontológica prestada e baixa escolaridade do responsável. Agradecimentos: Agradecemos a FUNADESP (Fundação Nacional para o Desenvolvimento do Ensino Superior Particular) pelo apoio no programa de incentivo à iniciação científica (no. 75-3212/2024). Declaração de disponibilidade de dados: Todos os dados relevantes estão incluídos no próprio artigo. REFERÊNCIAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. Marco legal: saúde, um direito de adolescentes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2007. 60 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária. SB Brasil 2023 : Pesquisa Nacional de Saúde Bucal : relatório final [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Estratégias e Políticas de Saúde Comunitária. – Brasília : Ministério da Saúde, 2024. 537 p. : il. 3. MARTINS, Leticia Pereira et al. Baixo alfabetismo em saúde bucal de pais/responsáveis está associado à cárie dentária com envolvimento pulpar de seus filhos. 2019. 4. VAZQUEZ, Fabiana de Lima et al. Individual and contextual factors related to dental caries in underprivileged Brazilian adolescents. BMC oral health, v. 15, p. 1-10, 2015. 5. BASKARADOSS, Jagan Kumar. Relationship between oral health literacy and oral health status. BMC oral health, v. 18, p. 1-6, 2018. 6. NEVES, Érick Tássio Barbosa et al. Association of oral health literacy and school factors with untreated dental caries among 12-year-olds: a multilevel approach. Caries Research, v. 55, n. 2, p. 144-152, 2021. 7. DE OLIVEIRA, Fabíola Belkiss Santos et al. Assessment of oral health literacy in adolescents: Instruments validated in Brazil. Seven Editora, [S. l.], 2024. Disponível em: https://sevenpublicacoes.com.br/editora/article/view/3539. Acesso em: 16 jul. 2025. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 267 8. RACHMAWATI, Yuanita Lely et al. Sociodemographics, oral health literacy, and caries experience related to daily performance among adolescents. Brazilian Journal of Oral Sciences, v. 23, p. e241338, 2024. 9. MACEK, Mark D. et al. Oral health conceptual knowledge and its relationships with oral health outcomes: findings from a multi‐site health literacy study. Community dentistry and oral epidemiology, v. 45, n. 4, p. 323-329, 2017. 10. NEVES, Érick Tássio Barbosa et al. Structuring of the effects of oral health literacy on dental caries in 12‐year‐old adolescents. Community Dentistry and Oral Epidemiology, v. 51, n. 5, p. 864-871, 2023. 11. FRIAS, Antonio Carlos et al. Individual and contextual determinants of the prevalence of untreated caries in Brazil. Revista Panamericana de Salud Publica= Pan American Journal of Public Health, v. 22, n. 4, p. 279-285, 2007. 12. Roanny Torres et al. Family structure, sociodemographic factors and type of dental service associated with oral health literacy in the early adolescence. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p. 5241-5250, 2021. 13. LOPES, Roanny Torres et al. Low oral health literacy, dental caries, and school features are associated with reasons for seeking dental services among adolescents. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 27, p. e2400466, 2024. 14. DUTRA, Laio da Costa et al. Adolescents with worse levels of oral health literacy have more cavitated carious lesions. PloS one, v. 14, n. 11, p. e0225176, 2019. 15. DE MOURA, Mirella de Fátima Liberato et al. Attention‐deficit/hyperactivity disorder and oral health literacy exert an influence on the occurrence of dental caries in early adolescence. International Journal of Paediatric Dentistry, v. 31, n. 6, p. 691-698, 2021. 16. KANUPURU, Karthik Kumar; FAREED, Nusrath; SUDHIR, Kudlur Maheswarappa. Relationship Between Oral Health Literacy and Oral Health Status Among College Students. Oral health & preventive dentistry, v. 13, n. 4, 2015. 17. MACEK, Mark D. et al. Assessing health literacy and oral health: preliminary results of a multi‐site investigation. Journal of public health dentistry, v. 76, n. 4, p. 303-313, 2016. BERNSTEIN, Judith et al. Integration of oral health into the well-child visit at federally qualified health centers: study of 6 clinics, August 2014–March 2015. Preventing Chronic Disease, v. 13, p. E58, 2016. 18. NEVES, Érick Tássio Barbosa et al. The impact of oral health literacy and family cohesion on dental caries in early adolescence. Community dentistry and oral epidemiology, v. 48, n. 3, p. 232-239, 2020. 19. BREGA, Angela G. et al. Health literacy and parental oral health knowledge, beliefs, behavior, and status among parents of American Indian newborns. Journal of Racial and Ethnic Health Disparities, v. 7, p. 598-608, 2020. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 21, 2025 ISSN 3085-8097 Autonomia e Cuidado: O Papel do Letramento em Saúde Bucal na Vida dos Adolescentes Cayetano MH; Lima DB; Valentim BD; Ibarra AMC 268 20. PRATA, Isolda MLF et al. Family Cohesion Is Associated with the Self‐Perceived Need for Dental Treatment among Adolescents. BioMed Research International, v. 2021, n. 1, p. 4504030, 2021. 21. LOPES, Roanny Torres et al. Family structure, sociodemographic factors and type of dental service associated with oral health literacy in the early adolescence. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p. 5241-5250, 2021. 22. NEVES, Érick Tássio Barbosa et al. Oral health literacy, sociodemographic, family, and clinical predictors of dental visits among Brazilian early adolescents. International Journal of Paediatric Dentistry, v. 31, n. 2, p. 204-211, 2021. 23. NEVES, Érick Tássio Barbosa et al. Association of oral health literacy and school factors with untreated dental caries among 12-year-olds: a multilevel approach. Caries Research, v. 55, n. 2, p. 144-152, 2021. 24. SUN, Yue et al. Trends and developments in oral health literacy: a scientometric research study (1991–2020). BDJ open, v. 7, n. 1, p. 13, 2021. 25. FAZLI, Maryam et al. Oral health literacy and socio-demographics as determinants of oral health status and preventive behavior measures in participants of a pre-marriage counseling program. PloS one, v. 16, n. 11, p. e0258810, 2021. 26. HE, Jinfeng et al. Socio-demographic factors, dental status, oral health knowledge and attitude, and health-related behaviors in dental visits among 12-year-old Shenzhen adolescents: a multilevel analysis. BMC Oral Health, v. 22, n. 1, p. 102, 2022. 27. LOPES, Roanny Torres et al. Impact of oral health literacy and psychoactive substances on tooth loss in adolescents. Oral Diseases, v. 29, n. 5, p. 2310-2316, 2023. 28. MENONCIN, Bruna Leticia Vessoni et al. Parental oral health literacy influences preschool children's utilization of dental services. Brazilian Oral Research, v. 37, p. e090, 2023. 29. GUDIPANENI, Ravi Kumar et al. The impact of parental dental anxiety and oral health literacy on child oral health and dental-visit patterns: a cross-sectional study. BMC Oral Health, v. 24, n. 1, p. 853, 2024. 30. BHADAURIA, Upendra S. et al. Effect of family cohesion on oral health predictors in children and adolescents: A systematic review. Community Dental Health, v. 41, n. 2, p. 134-139, 2024. 31. HELLER, Lauren Suzanne et al. Parental perceptions of an oral health promotion program in early childhood education and care settings: A qualitative study. Journal of Public Health Dentistry, v. 84, n. 4, p. 407-419, 2024. Patient Care Team BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.16300470 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 INTRODUÇÃO DA ODONTOLOGIA EM UM PROJETO MULTIPROFISSIONAL DE CUIDADOS PARA PACIENTES PÓSBARIÁTRICOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA Introduction of dentistry into a multiprofessional care project for post-bariatric patients: experience report Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 RELATO DE EXPERIÊNCIA Júlia Braga Cunha1 ; Aline Cardoso de Paiva2; Thiago de Amorim Carvalho3 RESUMO Introdução: A cirurgia bariátrica é um método eficaz para tratar a obesidade mórbida, porém gera mudanças significativas na saúde geral, tornando necessário o acompanhamento multidisciplinar no pósoperatório. Apesar de ainda atuar pouco nesse contexto, a Odontologia é fundamental para identificar precocemente manifestações bucais relacionadas aos efeitos da cirurgia. O objetivo deste relato foi descrever a experiência da inclusão odontológica em um projeto multidisciplinar para acompanhamento de pacientes pós-bariátricos no UNIPAM. Relato de experiência: O projeto foi desenvolvido por professores de Nutrição, Psicologia e Medicina e contou com a colaboração de acadêmicos de várias áreas da saúde. A integração da Odontologia ocorreu após perceber-se a ausência de avaliação bucal e o aumento das queixas orais entre os pacientes. As ações odontológicas envolveram palestras, rodas de conversa, orientações sobre saúde bucal, sinais e sintomas frequentes como xerostomia, sensibilidade e erosão dentária, além de intervenções educativas em grupo e avaliações individuais. Os pacientes foram receptivos, demonstrando maior compreensão sobre os cuidados necessários. Discussão: A literatura mostra que a cirurgia bariátrica frequentemente resulta em alterações bucais, como gengivite, periodontite, erosão dentária, xerostomia e sensibilidade, fatores que comprometem a qualidade de vida e o sucesso do tratamento. A presença do cirurgiãodentista na equipe multiprofissional é destacada como essencial para detecção precoce, orientação e prevenção dessas complicações. Conclusão: A inclusão odontológica no acompanhamento multidisciplinar pós-bariátrico é essencial para promover saúde bucal, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, além de contribuir para uma formação acadêmica mais completa dos profissionais envolvidos. 1 - Acadêmica do Curso de Odontologia, Bolsista do Projeto de Extensão (PIBEX) Hospital Sorridente, do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil 2 - Doutora em Ciências Nutricionais. Docente dos cursos de Nutrição e Medicina do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil 3 - Doutor em Odontologia. Docente do Curso de Odontologia e Coordenador do Projeto de Extensão (PIBEX) Hospital Sorridente do Centro Universitário de Patos de Minas, Patos de Minas, Minas Gerais, Brazil Autor de Correspondência: Thiago de Amorim Carvalho email: [email protected] Palavras-chave: Cirurgia bariátrica. Equipe de Assistência ao Paciente. Odontologia Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 22, 2025 ISSN 3085-8097 Introdução da odontologia em um projeto multiprofissional de cuidados para pacientes pósbariátricos: relato de experiência Cunha JB; Paiva AC; Carvalho TA 271 ABSTRACT Introduction: Bariatric surgery is an effective method for treating morbid obesity, but it causes significant changes in overall health, necessitating multidisciplinary postoperative monitoring. Although still underutilized in this context, dentistry is essential for early identification of oral manifestations related to the effects of surgery. The objective of this report was to describe the experience of including dentistry in a multidisciplinary project for monitoring post-bariatric patients at UNIPAM. Experience report: The project was developed by professors of Nutrition, Psychology, and Medicine and involved collaboration with academics from various health fields. Dentistry was included after noticing the lack of oral evaluations and an increase in oral complaints among patients. Dental interventions included lectures, discussion groups, guidance on oral health, common signs and symptoms such as xerostomia, sensitivity, and tooth erosion, as well as group educational interventions and individual assessments. Patients were receptive, demonstrating a greater understanding of the necessary care. Discussion: The literature shows that bariatric surgery frequently results in oral changes such as gingivitis, periodontitis, tooth erosion, xerostomia, and sensitivity, factors that compromise quality of life and treatment success. The presence of a dentist in the multidisciplinary team is highlighted as essential for early detection, guidance, and prevention of these complications. Conclusion: Including dentistry in post-bariatric multidisciplinary followup is essential to promote oral health, prevent complications, and improve patients' quality of life, in addition to contributing to a more comprehensive academic training for the professionals involved. Keywords: Bariatric surgery. Patient Care Team. Dentistry. INTRODUÇÃO A obesidade configura-se como um grave problema de saúde pública global, com crescente prevalência e impacto significativo sobre a morbimortalidade das populações. A cirurgia bariátrica emerge como estratégia eficaz para o controle da obesidade mórbida, promovendo redução ponderal e melhorias nos desfechos clínicos relacionados às comorbidades associadas (OLIVEIRA; FÉLIX, 2022). No entanto, os benefícios proporcionados pelo procedimento coexistem com a necessidade de acompanhamento multidisciplinar rigoroso, uma vez que profundas alterações metabólicas, nutricionais e comportamentais são desencadeadas a partir do pós-operatório (ASSUNÇÃO et al, 2023). Entre as diversas repercussões advindas da cirurgia bariátrica, destaca-se a vulnerabilidade do paciente à manifestação de condições e complicações bucais. Estudos apontam para o aumento da prevalência de gengivite, periodontite, erosão dentária, xerostomia e sensibilidade dentária em indivíduos submetidos à cirurgia bariátrica, em virtude de mudanças fisiológicas e hábitos instaurados após a intervenção. Essas alterações, muitas vezes, estão relacionadas à diminuição do pH salivar, maior exposição a episódios de E N S I N O S O D O N T O L Ó G I C O S R. Rio Negro, Nº 227 - Goiatuba, GO, 75600-000 (64) 98441-0365 @praxisensinosodontologicos SEU FUTURO PEDE EXPERIÊNCIA NA TEORIA E NA PRÁTICA! Para mais informações: BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.16421493 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 O PAPEL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE BUCAL DO BRASIL NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS ORAIS The role of Brazil's public oral health policies in the prevention of oral diseases Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Gabriela Bomtempo de Sá Ribeiro1 ; Alessandra Kelle Cardoso1; Dieniffer Kristina Campos da Silva1; Fernanda Carneiro de Bastos Souto2 RESUMO Introdução: As políticas públicas de saúde bucal no Brasil são fundamentais para a promoção da saúde oral e a redução de doenças como cárie e gengivite, especialmente em populações vulneráveis. Desde a criação do SUS, programas e ações ampliaram o acesso aos serviços odontológicos e reduziram desigualdades regionais e sociais. No entanto, persistem desafios que limitam sua plena efetividade, tornando essencial compreender seu papel para aprimorar estratégias e garantir melhorias contínuas. Objetivo: Identificar o papel das políticas públicas de saúde bucal do Brasil na prevenção de doenças orais, analisando diretrizes, estratégias, impactos na população e desafios enfrentados. Método: Tratase de uma revisão narrativa de literatura baseada na estratégia PCC, com a pergunta: “Qual o papel das políticas públicas de saúde bucal na prevenção de doenças orais na população brasileira?”. Foram consultadas as bases PUBMED/MEDLINE, Scielo, Google Acadêmico e EBSCO, com estudos publicados nos últimos dez anos sobre a população brasileira e impacto das ações. Resultados: As políticas públicas, principalmente através do SUS e da Estratégia Saúde da Família, promoveram avanços significativos no acesso aos serviços odontológicos, prevenção de doenças bucais e redução das desigualdades. Destacam-se ações educativas e a inclusão das equipes de saúde bucal na atenção primária. Contudo, persistem desafios como subfinanciamento, desigualdades regionais, fragilidades na avaliação das ações e baixa participação social, que comprometem a continuidade e a efetividade das políticas. Conclusão: Apesar dos progressos alcançados, ainda é necessário fortalecer o financiamento, qualificar a gestão, ampliar a participação social e implementar avaliações mais eficazes. Tais medidas são indispensáveis para consolidar políticas públicas sustentáveis, equitativas e capazes de promover a saúde bucal de forma integral à população brasileira, integrando ações preventivas e curativas com fortalecimento institucional. 1 – Discente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Unipam, Patos de Minas-MG, Brazil 2 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Patos de Minas, Unipam, Patos de Minas-MG, Brazil Autor de Correspondência: Gabriela Bomtempo de Sá Ribeiro email: [email protected] Palavras-chave: PolíPcas de Saúde; Saúde Bucal; Prevenção de Doenças; Doenças da Boca; Sistemas de Saúde Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 280 ABSTRACT Introduction: Public oral health policies in Brazil are essential for promoting oral health and reducing diseases such as caries and gingivitis, especially among vulnerable populations. Since the creation of the Unified Health System (SUS), programs and actions have expanded access to dental services and helped reduce regional and social inequalities. However, challenges remain that limit their full effectiveness, making it crucial to understand their role in improving strategies and ensuring continuous progress in oral health. Objective: To identify the role of Brazil's public oral health policies in the prevention of oral diseases, analyzing their guidelines, implementation strategies, impacts on the population, and challenges faced. Method: This is a narrative literature review based on the PCC strategy, guided by the question: “What is the role of public oral health policies in the prevention of oral diseases in the Brazilian population?”. The databases PUBMED/MEDLINE, SciELO, Google Scholar, and EBSCO were searched, considering studies published in the last ten years focusing on the Brazilian population and the impact of actions. Results: Public policies, especially through SUS and the Family Health Strategy, have significantly advanced access to dental services, prevention of oral diseases, and reduction of inequalities. Educational actions and the inclusion of Oral Health Teams in primary care stand out. However, challenges such as underfunding, regional disparities, weaknesses in monitoring and evaluation, and low social participation still compromise the continuity and effectiveness of these policies. Conclusion: Despite the progress achieved, it is necessary to strengthen funding, improve management, expand social participation, and implement more effective evaluation mechanisms. Such measures are essential to consolidate sustainable and equitable public policies capable of promoting oral health comprehensively for the Brazilian population, integrating preventive and curative actions with institutional strengthening. Keywords: Health Policy, Oral Health, Disease Prevention, Mouth Diseases, Health Systems INTRODUÇÃO A saúde bucal é essencial para uma boa qualidade de vida dos indivíduos. Os cuidados diários, como escovação, uso de fio dental e a visita regular ao dentista desempenham um papel fundamental na prevenção de doenças bucais; a partir deste ensinamento, manter uma boa higiene oral evita problemas como cáries, gengivite e mau hálito, preservando não apenas os dentes, mas também a autoconfiança e a estética do sorriso, além disso, a saúde bucal está diretamente relacionada à saúde do corpo como um todo, podendo influenciar em doenças cardíacas, diabetes e até mesmo na saúde mental, impactando milhões de pessoas e sobrecarregando os sistemas de saúde (Spezzia et al., 2015 apud Ribeiro et al., 2024). Segundo Pucca et al. (2015) o Brasil é o único país com mais de 200 milhões de habitantes que tem um sistema de saúde universal financiado pelos orçamentos federal, estadual e municipal (Brasil, 1988). Nas últimas décadas, o sistema evoluiu de um modelo excludente para um modelo universal, um sistema de saúde unificado que é o Sistema Único de Saúde (SUS). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 281 Política pública pode ser compreendida como uma resposta do estado às necessidades da população, mediante as condições de vida. A evolução histórica das políticas públicas está condicionada diretamente às transformações políticas, sociais e econômicas da sociedade. Conhecer o contexto histórico das ações e políticas destinadas à saúde bucal no Brasil possibilita o monitoramento das desigualdades e também da evolução dos serviços ofertados à população. Até a década de 1970, os serviços de saúde bucal no Brasil eram caracterizados pelo acesso limitado e direcionados à demanda espontânea e aos tratamentos curativos individuais, na maioria dos casos, as ações preventivas limitavam-se às aplicações tópicas individuais de flúor, davam pouca ênfase à promoção da saúde, divergindo da perspectiva de um sistema de saúde bucal que buscava enraizar-se nos conceitos de universalidade e equidade e nos princípios da abordagem da Atenção Primária à Saúde (Nascimento et al., 2013). As políticas públicas na área de saúde bucal são relevantes porque muitas condições bucais são consideradas problemas de saúde pública devido à sua alta prevalência e gravidade. A falta de acesso a cuidados odontológicos e a ausência de políticas preventivas eficazes podem agravar esse cenário, tornando a intervenção governamental fundamental para reduzir as desigualdades (Antunes et al., 2016). Períodos turbulentos enfrentados no Brasil também estão diretamente relacionados ao declínio da efetividade das Políticas Públicas de Saúde Bucal (Santos et al., 2023). O objetivo deste artigo é identificar o papel das políticas públicas de saúde bucal do Brasil na prevenção de doenças orais, analisando suas diretrizes, estratégias de implementação, impactos na população e os desafios enfrentados para a promoção da saúde bucal. METODOLOGIA O estudo em questão se trata de uma revisão narrativa de literatura que teve como pauta a pergunta de estudo “Qual é o papel das políticas públicas de saúde bucal na prevenção de doenças orais na população brasileira?”. Tal pergunta foi elaborada utilizando a estratégia PCC (População, Conceito e Contexto, sendo assim representados: População (P): População brasileira, Conceito (C): Políticas públicas de saúde bucal, Contexto (C): Prevenção de doenças orais no Brasil. A pergunta final de estudo foi: “Qual o papel das Políticas Públicas de Saúde do Brasil na prevenção de doenças orais, considerando as estratégias implementadas, seus resultados e os desafios enfrentados?”. A busca de artigos foi realizada nas bases de dados PUBMED/MEDLINE, Scielo via busca avançada do Google Acadêmico e EBSCO, utilizando dados primários e secundários, a partir das referências dos artigos selecionados em busca da amplificação da pesquisa. Foram empregadas as palavras-chave de busca “Public Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 282 Health Policies” OR “Health Policy” AND “Oral Health” OR “Dental Health” AND “Prevention” OR “Disease Prevention”, e “Políticas públicas de saúde bucal” e “Prevenção de doenças orais” e “Brasil”. Foram utilizadas como ferramentas de assessoria na busca de artigos e na contextualização as inteligências artificiais (IA’s) Consensus, para auxiliar na busca de artigos com base na pergunta de estudo em inglês, Perplexity para apresentação de ideias que contribuam para a construção da pergunta de estudo e na organização estrutural em forma de tópicos na introdução, Connected Papers e Scipace para localização de artigos relacionados com o tema e Ask Your PDF no auxílio de demonstrar resultados dos artigos escolhidos. Observa-se na Tabela 1 os critérios de inclusão e exclusão para a seleção de artigos deste estudo. Tabela 1Critérios de inclusão e exclusão para seleção de artigos Critérios de Inclusão Critérios de Exclusão Artigos publicados nos últimos 10 anos Artigos sobre saúde bucal sem relação com políticas públicas ou estratégias preventivas Estudos que abordem a população brasileira Estudos com foco exclusivamente clínico ou técnico, sem relação com políticas de saúde Estudos empíricos ou revisões que avaliem impacto, eficácia, desafios ou resultados das políticas públicas de saúde bucal na prevenção de doenças orais Pesquisas realizadas em populações fora do Brasil Artigos em qualquer idioma Trabalhos sem rigor científico, como relatos de experiência sem metodologia ou opiniões pessoais Estudos com delineamento metodológico claro e dados relevantes para a análise do tema RESULTADOS E DISCUSSÃO As políticas públicas desempenham um papel importante na saúde da população, e o acesso universal aos serviços de saúde é um exemplo que tem efeitos benéficos em diferentes resultados de saúde (Aguiar, Patussi e Celeste, 2017). As políticas públicas de saúde bucal no Brasil têm sido um elemento fundamental Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 283 para garantir a melhoria do acesso aos cuidados odontológicos para a população. Com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), no qual é um direito de todos e um dever do Estado, garantido na constituição (1988), a saúde bucal foi reconhecida e integrada ao sistema de saúde pública de maneira progressiva (Cayetano et al., 2019). O Brasil tem avançado com seu Sistema Único de Saúde (SUS) ao estabelecer como princípios a universalidade e a integralidade da assistência e ao ampliar a cobertura da Atenção Primária à Saúde (APS), por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF) (Scherer e Scherer, 2016). A Atenção Primária à Saúde é a espinha dorsal do novo sistema, em consonância com as diretrizes estabelecidas pela Reforma da Atenção Primária à Saúde, recomendada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)/ Organização Mundial da Saúde (OMS) (2007) (Pucca et al., 2015). O Programa de Saúde da Família (PSF), criado em 1994, tornou-se uma estratégia eficiente para a atenção básica ao priorizar a família, o registro do paciente e a abordagem clínica. Um de seus principais avanços foi a criação de vínculos entre profissionais e comunidade. A inserção das Equipes de Saúde Bucal (ESB) no Programa Saúde da Família foi efetivamente definida pela Portaria n.º 1.444, de 28 de dezembro de 2000 (Pucca, Chagas e Silvestre, 2019). Nascimento et al. (2013) relatam que apesar dos avanços, o SUS ainda enfrenta um sistema predominante de assistência à saúde organizada de forma privada, que absorve a maior parte do orçamento social e atende menos de 40% da população. A consolidação do SUS encontra diversos obstáculos, especialmente em um país onde grande parte da população depende exclusivamente do sistema público para acesso aos serviços de saúde. CONTEXTO HISTÓRICO O contexto histórico das políticas públicas de saúde bucal no Brasil começa na década de 1940, com a criação do Subsetor de Odontologia vinculado ao Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), que havia sido estabelecido em 1942 por meio de um acordo de cooperação técnica entre Brasil e Estados Unidos, apoiado pela Fundação Rockefeller. Na década seguinte, o SESP evoluiu para a Fundação dos Serviços de Saúde Pública (FSESP), vinculada ao Ministério da Saúde, expandindo sua atuação nacionalmente (Junqueira et al., 2008) Segundo Pucca, Chagas e Silvestre (2009) as políticas tradicionais de Saúde Bucal brasileiras eram baseadas em um modelo assistencialista que apresentava o parâmetro mãe-bebê. Seus objetivos eram atingir grupos populacionais compostos por crianças e mães grávidas. Devido à precariedade do papel do governo na oferta de serviços, o padrão dominante de assistência à saúde bucal era curativo, em grande Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 284 parte dentro do domínio da prática privada, junto a uma intervenção extremamente não confiável do Estado, a situação era caracterizada por altos níveis de pessoas desdentadas e grandes parcelas da população brasileira desassistidas. Durante anos a Odontologia esteve à margem das políticas públicas de saúde. O modelo de assistência odontológica estatal era centrado no atendimento a grupos prioritários (crianças em idade escolar) e urgências, e gerava um quadro de intensa exclusão do acesso e baixo impacto sobre os índices epidemiológicos de doenças bucais. Com a criação do SUS buscou-se romper com esse modelo vigente, no entanto, somente algumas experiências isoladas conseguiram ampliar o acesso, desenvolver ações de promoção e ofertar serviços mais complexos (Scarparo et al., 2015). Ao longo do tempo, o Brasil enfrentou desafios relacionados à desigualdade no acesso aos serviços, problemas epidemiológicos como altas taxas de cárie e perda dentária, e uma prática de atenção predominantemente curativa. (Junqueira et al., 2008). Nos primeiros anos do SUS, a assistência à saúde bucal era incipiente e muito limitada em escopo. No entanto em 2004, foi lançada a Política Nacional De Saúde Bucal (PNSB), também conhecida como Brasil Sorridente, sob essa iniciativa, a saúde bucal foi designada como uma das quatro áreas prioritárias do SUS (Pucca et al., 2015), visando uma reorientação do modelo de atenção, incorporando ações de promoção, proteção e recuperação da saúde bucal, com foco na integralidade do cuidado e na formação adequada dos recursos humanos envolvidos. A história das políticas públicas de saúde bucal no Brasil reflete uma trajetória de avanços na tentativa de garantir acesso, ampliar ações de prevenção e promover uma atenção mais integral e equitativa à saúde bucal de toda a população (Junqueira et al., 2008). BRASIL SORRIDENTE Conforme dito por Scarparo et al. (2015), o Programa Brasil Sorridente é constituído por medidas que têm como objetivo garantir as ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal dos brasileiros, entendendo que esta é fundamental para a saúde e qualidade de vida da população. É o maior programa público de saúde bucal do mundo e completou uma década em 2014 (Scherer e Scherer, 2016). Apresenta como principal objetivo a reorganização da prática, bem como a qualificação das ações e serviços ofertados, por meio de uma série de ações em saúde bucal direcionadas aos cidadãos de todas as idades, com ampliação do acesso ao tratamento odontológico aos brasileiros, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) (Scarparo et al., 2015). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 285 As diretrizes da PNSB surgem com a expansão das equipes de saúde bucal (ESB) nos serviços de atenção primária à saúde (APS) e a organização da atenção especializada (AE) por meio da criação de centros odontológicos especializados (CEOs) e laboratórios regionais de prótese dentária (LRPDs). Outras prioridades incluíam a promoção da saúde, como procedimentos em grupo e fluoretação da água, e a vigilância em saúde bucal, por meio de inquéritos epidemiológicos periódicos e a criação de centros colaboradores com universidades, cujo papel principal era a avaliação dos CEOs e o monitoramento da fluoretação (Santos et al., 2023). De acordo com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o programa Brasil Sorridente completou 20 anos em 2024, com significativos avanços na saúde bucal no país, para marcar a data, o Ministério da Saúde realizou um seminário. Além de marcar as festividades pela longevidade do Brasil Sorridente, o evento comemora a conquista da sanção da Lei 14.572/2023, que inseriu o programa como política de Estado, fazendo parte da lei orgânica do SUS, garantindo que os investimentos em saúde bucal sejam obrigatoriamente aplicados, independentemente do gestor estadual ou municipal. O evento serviu também para tratar da expansão da oferta de serviços de saúde bucal à população como Equipes de Saúde Bucal – ESB na atenção básica, expansão de Centros de Especialidades Odontológicas – CEO, Laboratórios Regionais de Prótese Dentária – LRPD, Serviço de Especialidades em Saúde Bucal – SESB, Unidades Odontológicas Móveis – UOM, dentre outras. Em 2024, foram destinados R$ 4,3 bilhões, o maior investimento da história para combater a dificuldade de acesso a tratamento odontológico no país, refletindo em um aumento de 126% em relação a 2023. Segundo a Ministra da Saúde serão investidos mais R$ 187,8 milhões para a compra de insumos e instrumentos para tratamento de estudantes de escolas públicas matriculados no ensino básico (infantil e fundamental). A ação “Mais Saúde Bucal nas Escolas” vai alcançar 26 milhões de estudantes de 3 a 14 anos em 5.055 municípios, por meio de 31,2 mil equipes. Ainda, foi reforçado a inclusão da saúde bucal no Programa Saúde na Escola, destacando que é um elemento fundamental da política pública. O Ministério da Saúde divulgou os resultados da pesquisa SB Brasil 2020/2023, a principal forma de avaliar as condições de saúde bucal da população, em que mais de 40 mil pessoas foram entrevistadas e examinadas nas 27 capitais e em 403 cidades do interior de todo o país. Do total de pessoas, 7.198 são crianças de 5 anos de idade. A pesquisa registrou que 53,17% dessas crianças não têm cárie, índice 14% maior do que o resultado da última pesquisa, em 2010, quando 46,6% das crianças entrevistadas estavam livres da doença. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 286 A pesquisa destaca um importante crescimento de crianças de cinco anos livres de cárie nas regiões Sul (aumento de 40,7% entre 2010 e 2023), Sudeste (21,9%), Nordeste (17,1%) e Norte (11,2%), tanto nas capitais como nas cidades do interior, sendo que a Centro-oeste apresentou pequena diminuição nessa proporção (de 38,8% para 37,9%). É por meio desse estudo que os governos federal, estadual, distrital e municipal podem planejar políticas públicas com base nas necessidades reais dos brasileiros. DESAFIOS ENFRENTADOS Conforme dito por Scherer e Scherer (2016) é notória a ocorrência de desafios ao longo dos anos, tendo em vista a abrangência do Sistema Único de Saúde (SUS). Os principais incluem a dificuldade de oferecer cuidados completos e integrados, bem como a necessidade de melhorar as condições de trabalho dos profissionais da área. Além disso, a colaboração e o trabalho em equipe entre os profissionais de saúde ainda necessitam de aprimoramento. O planejamento, monitoramento e avaliação das ações implementadas também apresentam lacunas, dificultando a análise dos resultados e a adaptação das estratégias. Outro desafio significativo é a promoção da participação popular e do controle social, que ainda é fraca, e a questão do financiamento inadequado. Entre os anos 2016 e 2018 houve uma instabilidade política e econômica e as medidas de austeridade fiscal, notadamente a aprovação da Emenda Constitucional 95/2016 congelando os gastos públicos até 2036, tiveram impacto direto no financiamento do sistema público de saúde do país e consequentemente nos serviços de saúde bucal (Santos et al., 2023). Para Santos et al. (2023) o monitoramento da implementação das mudanças no financiamento da APS e da saúde estava previsto para começar em 2020, um ano marcado pela pandemia do coronavírus, quando foi recomendada a suspensão de consultas odontológicas agendadas, mantendo apenas os serviços de emergência, que também foi considerado um grande desafio para eficácia da Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB). O investimento financeiro ainda é insuficiente e o modelo de ensino superior na área da saúde ainda prioriza abordagens individuais e curativas baseadas em consultórios particulares. A execução das Políticas Públicas de Saúde Bucal muitas vezes sofre com a falta de recursos suficientes, o que prejudica a continuidade e a expansão das ações. No entanto, é importante salientar que, desde 1988, os poderes políticos e sociais vêm atuando no Brasil para lidar com essa questão e desenvolver medidas para consolidar o SUS (Nascimento et al., 2013). . Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O papel das políticas públicas de saúde bucal do brasil na prevenção de doenças orais Ribeiro GBdeSá; Cardoso AK; Silva BKC; Souto FCB 287 Após fazer um breve resgate histórico acerca da construção da Promoção de Saúde, ressalta-se que as práticas preventivas se mostram apenas como um pequeno instrumento nesse processo, sendo importante enfatizar que o contexto social e político interfere diretamente no impacto das atividades. Ao considerar esses aspectos, evidencia-se a necessidade de contextualizar as práticas à realidade da população, assim como desenvolver as ações com frequência e periodicidade e integrada aos outros profissionais e à comunidade (Almeida, 2007). Há uma relação evidente entre os processos de promoção da saúde e as práticas preventivas, especialmente no contexto das populações vulneráveis, que muitas vezes não têm acesso a programas educativos preventivos relacionados à saúde e doença. Nesse sentido, a atuação dos agentes de saúde, especialmente na atenção básica, se torna crucial para a implementação desses processos e para que surtam efeito nas comunidades vulneráveis, ajudando a combater as consequências da falta de informação sobre as boas práticas para garantir uma saúde bucal adequada. (Silva et al., 2021 apud Ribeiro et al., 2024). Ao longo da história, as políticas de saúde bucal no Brasil adotaram predominantemente uma abordagem assistencialista e curativa, focada em procedimentos mutiladores e com poucas ações preventivas, o que ainda reflete na vida das pessoas e em sua percepção sobre a saúde bucal e no trabalho do cirurgião-dentista. Embora muitos avanços já tenham sido alcançados, a desigualdade de acesso aos serviços ainda é grande. Assim pode-se considerar que é urgente que as políticas públicas sejam concretas e efetivas. Que essas políticas saiam da teoria e sejam aplicadas no cotidiano sanitário do país. Pois, dessa forma, de fato a população será beneficiada com esse serviço vital para a qualidade de vida das pessoas, principalmente as que vivem em estado de vulnerabilidade social (Oliveira et al., 2021). CONCLUSÃO As políticas públicas de saúde bucal no Brasil, com destaque para o SUS e o programa Brasil Sorridente, ampliaram o acesso e contribuíram para a prevenção de doenças orais, sobretudo entre populações vulneráveis. Estratégias como a inserção das Equipes de Saúde Bucal, os Centros de Especialidades Odontológicas e várias outras ações mostraram resultados positivos. No entanto, desafios persistem, como o subfinanciamento, desigualdades regionais e dificuldades na avaliação das ações. Concluise que é fundamental fortalecer o financiamento, a gestão e a participação social para garantir a efetividade e a continuidade das políticas públicas de saúde bucal no país. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 294 de 24 anos). Os descritores e palavras-chave foram criteriosamente estabelecidos e inseridos nas bases de dados tanto em português quanto em inglês com base no assunto, sendo esses utilizados em ambas as bases de dados, e realizando ajustes conforme a singularidade de cada base de dados escolhida, conforme demonstra o quadro 1. Quadro 1. Estratégia de Busca - PubMed, Scielo e Lilacs. Fonte: Autoria Própria (2025). BASES DE DADOS PALAVRAS-CHAVE UTILIZADAS Bloco 1 - PubMed "Child sexual abuse" AND "Dentistry" Bloco 2 - SciELO "Abuso sexual infantil e Odontologia" Bloco 3 - Lilacs "Abuso sexual infantil" E "Odontologia" E "Cirurgião-dentista" Como alternativa metodológica complementar, utilizou-se a estratégia PICO para a formulação da pergunta norteadora, resultando na seguinte questão: “O cirurgião-dentista recebe/possui o preparo necessário para identificação e manejo de casos de abuso sexual infantil, e os realiza?”. A partir disso, todo o processo de seleção dos artigos foi baseado naqueles que eram capazes de responder à pergunta e consequentemente os acrônimos delimitados (Quadro 2) de forma a facilitar o processo de seleção dos estudos. Foram inclusos à revisão todos os estudos que atingiram os critérios de seleção. Quadro 2. Definição dos acrônimos e estratégia PICO. Fonte: Autoria Própria (2025). ACRÔNIMO DEFINIÇÃO P: População Cirurgiões-dentistas e estudantes de graduação. I: Intervenção Ações que preparam a identificação de manejo de casos de abuso sexual infantil. C: Comparador Não se aplica. O: Desfecho (outcome) Nível de conhecimento, habilidades de identificação, capacidade de manejo e encaminhamento, e confiança diante desses casos. O processo se deu inicialmente pela identificação e exclusão das literaturas duplicadas. Em sequência realizou-se a leitura do título e logo após isso, a leitura do resumo. Foram excluídos todos aqueles que não atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos e aqueles que atendiam aos critérios de inclusão e foram elencados para leitura na íntegra, desde que respondessem à pergunta norteadora. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 295 RESULTADOS Foram identificadas 19 referências no total, das quais 13 atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos e responderam à pergunta norteadora, de acordo com a estratégia previamente descrita, como demonstra a Figura 1. Entre os artigos incluídos, 9 estão em português, 3 em inglês e 1 em espanhol. Dentre esses resultados, observou-se que, dos 13 artigos incluídos, 9 são estudos observacionais (especificamente transversais descritivos, com abordagem quantitativa, para verificar o nível de conhecimento de profissionais ou estudantes acerca do abuso sexual infantil e condutas realizadas nesses casos); 3 são relatos de caso; e 1 trata-se de relato de experiência. Ademais, dos estudos incluídos, 1 foi conduzido na Colômbia, 1 em Portugal, 1 no México (com destaque por ser um relato de caso) e 10 no Brasil (apresentando dois relatos de casos, e um relato de experiência e 7 estudos observacionais). Outro fator relevante nos resultados é que, além de a maioria dos estudos terem origem no Brasil, há uma concentração geográfica que se repete: dois estudos são provenientes do estado de Pernambuco, ambos da mesma instituição; e outros dois são do estado do Paraná. Figura 1. Fluxograma baseada no método PRISMA (2020), evidenciando o processo de seleção dos artigos. Fonte: Autoria Própria (2025). Identificação Triagem Elegibilidade Inclusão 19 referências identificadas PubMed: 5 resultados. Scielo: 3 resultados. Lilacs: 11 resultados. Foram usados os descritores: “Child sexual abuse”; “Dentistry”; “Abuso sexual infantil”,”Odontologia” e “Cirurgião-dentista” 19 referências eleitas para leitura do título. 0 referências excluídas após leitura dos títulos. 19 referências eleitas para leitura do resumo. 3 referências excluídas após leitura dos resumos. 16 referências eleitas para leitura na íntegra. 3 referências excluídas após sua leitura na íntegra. 13 referências incluídas para elaboração do estudo. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 296 No quadro 3, foram dispostos os estudos devidamente selecionados para a revisão, organizados conforme a ordem alfabética dos autores. Ainda, no quadro a seguir, foram apanhados os seguintes dados: autor/ano de publicação, tipo de estudo, e resultados/conclusões obtidos. Quadro 3. Identificação dos estudos incluídos. Fonte: Autoria Própria (2025). Autor/Ano Tipo de Estudo Resultados/Conclusões Calado, Lucena, 2023 Estudo Observacional A maioria dos participantes era composta por mulheres entre 21 e 30 anos, no décimo período. Cerca de 48,9% afirmaram não ter recebido informações sobre abuso infantil na graduação, enquanto 29,1% mencionaram as aulas teóricas como a principal fonte de conhecimento. Entre os participantes, 68,8% conhecem algum órgão de proteção, sendo o Conselho Tutelar o mais citado (46%). A região da cabeça e pescoço foi identificada como a mais atingida em casos de violência. Em geral, os acadêmicos apresentaram bom conhecimento para identificar violência infantil, mas um conhecimento razoável quanto à notificação e condução efetiva dos casos. Condori et al., 2018 Estudo Observacional A maioria dos profissionais conhecia a ficha de notificação (64,9%), sabia como conduzir casos suspeitos e optava pela notificação (69,5%), além de se sentir capaz de identificar maus-tratos (75,2%). Ressalta que demonstrem conhecimento sobre o tema, é essencial que ele seja abordado de forma contínua na educação permanente do Sistema Único de Saúde (SUS). De Lima, Pieri, 2021 Estudo Observacional A maioria dos participantes possui especialidade (75,56%) e atua há 16 a 20 anos (31,11%) em ambientes público e privado (71,11%). Embora 53,33% definam corretamente maus-tratos infantis, 75,56% citaram incompletamente os tipos, sendo os físicos (71,11%) e psicológicos (57,78%) os mais mencionados. A média para a capacidade de identificar maus-tratos foi 5,71, com 84,44% citando sinais físicos e 77,78% sinais comportamentais. 24,44% já suspeitaram de violência, e 36,36% acionaram o Conselho Tutelar. 55,56% sabem que esse é o órgão a ser acionado, mas 80% desconhecem as consequências legais da não notificação. Demonstraram interesse em melhorar o conhecimento sobre o tema, com média de 8,74 para a disposição em receber informações. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 297 De Souza et al., 2019 Estudo Observacional O estudo, realizado com 30 alunos do 3º ano de odontologia, revelou que a maioria dos alunos não presenciou casos de abuso, afirmou conhecer o papel do dentista nesse contexto, mas não sabe como realizar a denúncia. O medo e a insegurança foram apontados como as principais razões para a não denúncia, e os estudantes apoiaram a inclusão do tema em mais discussões no curso. Demonstrando que a discussão do assunto deve ser mais frequente para um maior preparo dos estudantes e consequentemente profissionais. Fernandes et al., 2018 Estudo Observacional Dos 134 cirurgiões-dentistas, 108 (80,6%) responderam ao questionário. Apenas 21,3% conheciam a ficha de notificação de violência, e a violência física foi a mais citada. A análise estatística revelou que as mulheres tinham mais conhecimento sobre a ficha de notificação, e que os profissionais desconheciam a ficha e o banco de dados relacionado. A maioria nunca participou de atividades educativas sobre o tema. Conclui-se que os dentistas da rede pública da região carbonífera possuem pouco conhecimento sobre violência e notificação, mas demonstraram interesse em aprender, participando ativamente de atividades educativas após a coleta de dados. Figueiredo et al., 2011 Relato de Caso O profissional de saúde é capaz de identificar comportamentos e sinais físicos ou psicológicos que indiquem violência, devendo estar atento para reconhecer e denunciar abusos, colaborando para que esses atos não fiquem impunes. GarrochoRangel et. al., 2015 Relato de Caso e Revisão de Literatura É essencial que dentistas colaborem para aprimorar a prevenção, detecção e tratamento dessa condição, adotando medidas urgentes de proteção à vítima e oferecendo acompanhamento adequado em cada caso, visando evitar a reincidência de abusos físicos ou sexuais em crianças vulneráveis. Kwiatkowski, Bedran, Perotta, 2022 Estudo Observacional A amostra foi composta por 144 respondentes, predominantemente mulheres, com mais de 5 anos de formação e atuando no setor privado, em consultórios particulares. Embora a maioria não tenha suspeitado de casos de abuso ou maus-tratos, os profissionais sabiam que o sexo feminino é o mais afetado, a região de cabeça e pescoço é a mais atingida e que a denúncia deve ser feita ao Conselho Tutelar. Grande parte considerou que não recebeu informações suficientes na graduação e desejava um melhor preparo para lidar com casos de abuso ou maus-tratos. A totalidade da Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 298 amostra reconheceu a importância do tema, e muitos expressaram o desejo de terem sido mais bem preparados durante a formação. Moura et al., 2015 Estudo Observacional Entre os dentistas, 38% não sabem qual área do corpo é mais afetada em casos de abuso infantil, 43% reconhecem a importância da notificação oficial, e, desses, 48% sabem que isso pode ser feito anonimamente. Além disso, 47% não receberam treinamento durante a graduação, embora 60% dos alunos do último ano afirmem tê-lo recebido. Conclui-se que os dentistas ainda carecem de familiaridade com o tema, o que destaca a importância de abordálo regularmente na formação e de criar uma ferramenta que unifique critérios para triagem, diagnóstico e registro desses casos. Silva, Brasileiro, Brasil, 2021 Relato de Caso A odontopediatria desempenha um papel essencial na notificação de violência infantil, pois mais de 50% das lesões de abuso físico envolvem a cabeça e o rosto. O profissional deve realizar diagnóstico diferencial e denunciar os casos às autoridades competentes para proteger a criança. No entanto, a formação dos dentistas nessa área ainda é limitada, tornando urgente a promoção de ações educativas e pesquisas desde a graduação. Veloso, Magalhães, Cabral, 2017 Estudo Observacional Entre os 72 profissionais de saúde da atenção básica de Belém, Pará, os dados revelaram que a negligência foi o tipo de violência mais citado (60,74%), seguida da violência sexual (24,14%), física (39,47%) e psicológica (34,88%), sendo a violência sexual a mais notificada (50%). Quanto à ficha de notificação, 50% dos participantes afirmaram não a conhecer e 86,11% nunca a utilizaram. Os resultados indicam a necessidade de capacitação contínua e de melhores condições instrumentais para apoiar os profissionais no enfrentamento dos desafios relacionados à intervenção em casos de violência. Vergara, Cárdenas, Martínez, 2014 Estudo Observacional Uma avaliação de 215 estudantes de odontologia revelou conhecimento adequado sobre abuso sexual infantil, mas mais da metade se sente despreparada para diagnosticar casos na prática. Esses dados destacam a necessidade de mais conteúdos sobre o tema nos currículos, dado o papel crucial do dentista na detecção e controle de maus-tratos. Werneck, et al., 2022 Relato de Experiência É necessário ampliar as discussões sobre Violência Sexual Infantojuvenil nas Instituições de Ensino Superior, visando preparar futuros cirurgiões-dentistas para um diagnóstico e notificação Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 299 adequados. Com essa conduta profissional, haverá um aumento na identificação e registro dos casos, permitindo que as autoridades adotem medidas protetoras mais eficazes em resposta aos relatos. DISCUSSÃO O abuso sexual infantil constitui um desafio social de amplitude difundida, transcende barreiras de classe, etnia e instrução, e frequentemente passa despercebido e subnotificado devido à escassez de familiaridade com a extensão do problema e à falta de sensibilização das pessoas que cercam as vítimas. Tal lacuna entre a realidade e os registros estatísticos é notória1. O tema da violência doméstica é ainda tratado com reservas, pois a família é vista como “sagrada e protetora”. Isso dificulta a aceitação de que pais ou familiares próximos possam ser os próprios agressores, o que é alarmante, dado que, na maioria dos casos, o abusador é um dos pais ou um parente próximo2,11. Os agressores geralmente têm laços afetivos com as vítimas, como membros da família ou amigos próximos. Fatores de risco associados ao perfil do agressor incluem agressividade, baixa autoestima, desemprego, uso de substâncias, histórico de abuso, problemas psiquiátricos e comportamentos possessivos. No entanto, esses fatores não são determinantes, pois muitos agressores parecem ser pessoas comuns e até zelosas com suas famílias11. Além disso, um dado preocupante diz respeito às vítimas, pois o perfil das crianças afetadas por esse problema inclui, em sua maioria, meninas a partir de um ano de idade, estendendo-se até os 18 anos4,7,8. As informações supracitadas são importantes e confirmadas a partir dos resultados obtidos nesta revisão. Nos relatos de caso e experiência que foram incluídos neste estudo, todos representam como vítimas crianças, do sexo feminino, cujo abusos iniciaram com 6 meses de idade ou em algumas situações com a crianças já com idade mais desenvolvida, iniciado aos 5 e 7 anos de idade. Outro dado que se confirma, é que nestes mesmos estudos, as vítimas foram violentadas por algum conhecido próximo, sejam pais, primos e/ou tios14-17. O estudo de Werneck17, demonstra muito bem o quanto o diagnóstico de abuso sexual é complexo e não depende apenas do profissional, demonstrando que a família também tem de estar disposta a cooperar. No seu relato de experiência é informado que após suspeitarem que a criança era vítima de maus-tratos, foram tomadas as medidas indicadas, realizando a denúncia anônima e dando continuidade aos atendimentos odontológicos para posterior obtenção de mais informações. No entanto, a mãe da paciente utilizou desculpas para evitar o contato da paciente com a instituição de ensino, negando os retornos da criança à faculdade. Esse Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 300 relato evidencia o quão problemáticas e complexas são as situações de ASI, uma vez que muitos familiares podem negar-se a acreditar que um de seus companheiros realizem tal atitude17. A partir dessas informações, o cirurgião-dentista e também o acadêmico de odontologia desempenham um papel fundamental. Os dados sugerem que em casos de violência sexual, as regiões mais acometidas incluem em mais de 50% dos casos, a região orofacial (cabeça, face e boca), pois, são vistas como áreas de exposição e acessíveis. Estas representam áreas de total competência e domínio do cirurgião-dentista, para que o mesmo possa identificar lesões, que na maioria das vezes passam por despercebidas17,18. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por meio da Lei 8.069/9019, estabelece sanções para profissionais que deixam de notificar casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos, contra crianças ou adolescentes. O Artigo 245 prevê multas para médicos, professores e responsáveis por estabelecimento de saúde e ensino que falhem nessa obrigação: Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente: Pena – multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência19. Ainda, a Lei 13.431 de 2017, reforça o compromisso com a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, incluindo profissionais de saúde, como cirurgiões dentistas, no rol de agentes responsáveis por identificar e relatar casos suspeitos de abuso20. Menoli e colaboradores21, destacam que o cirurgião-dentista tem a responsabilidade de notificar suspeitas de abuso infantil, conforme a legislação brasileira. Em países como os Estados Unidos, é destacado que odontopediatras devem estar preparados para diagnosticar abusos infantis, já que médicos pediatras frequentemente têm treinamento limitado em saúde bucal. Os abusos podem ser facilmente identificados pelo cirurgião-dentista durante consultas de rotina, que tem a autonomia e competência necessárias para reconhecer e agir diante dessas situações21. No entanto os dados mostram que essa responsabilidade não é tão levada em questão, visto que nos estudos observacionais incluídos, que tinham como objetivo avaliar a qualificação dos profissionais e/ou estudantes da área da odontologia na detecção e manejo de casos de suspeita de ASI mostraram que uma grande parte dos profissionais e acadêmicos de odontologia não dispõem de aptidão e segurança para realizar tal ação. O estudo de Fernandes22, realizado em 2018, avaliou os conhecimentos de dentistas que atuam na região carbonífera de Santa Catarina (SC), sua amostra foi composta de 134 cirurgiões-dentistas, onde apenas Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 301 108 responderam ao questionário (80,6%), mas nem todos responderam a todas as perguntas. Cento e sete dos profissionais consideram a violência física (manifestações clínicas, como hematomas) como a mais frequente. É preocupante que entre os 108 participantes, apenas 23 (21,3%) relatam ter conhecimento acerca da ficha de notificação compulsória de violência, e apenas 10 conhecem algum banco de dados sobre a mesma. Sessenta e quatro profissionais mencionaram ter presenciado algum tipo de violência, enquanto 43 já depararam com algum tipo de violência durante a atuação profissional, mas somente 16 relataram conhecer a rede de assistência de vítimas de violência. Um dado que chama atenção, está na quantidade de profissionais que afirmam não realizar notificação por medo do envolvimento legal (36 profissionais), onde, apenas 6 (11,8%), já realizaram notificação para algum órgão responsável22. O estudo ainda enfatizou que grande parte dos cirurgiões-dentistas presenciaram algum tipo de violência durante a sua atuação, tanto em casa, quanto em âmbito profissional. No entanto, a maioria que já se deparou com violência sexual, não a identificou por meio do comportamento alterado da vítima, limitandose apenas as manifestações clínicas que podem indicar tal circunstância22. A pesquisa realizada por Kwiatkowski, Bedran e Perotta23, também avaliou o conhecimento de cirurgiões dentistas acerca da temática de maus-tratos infantis. A amostra foi composta de 144 profissionais, a maioria (70,1%) afirma saber e reconhecer sinais e sintomas de maus-tratos e abuso infantil, e 29,9% afirmam não ter qualquer conhecimento sobre. Cento e um profissionais (70,1%) afirmaram não ter suspeitado de algum caso, e apenas 43 (29,9%) informaram já ter suspeitado. Foram realizadas perguntas específicas sobre o gênero mais frequentemente vitimado, as regiões do corpo mais acometidas em casos de maus-tratos, os principais sinais indicativos de abuso, negligência ou maus-tratos, o comportamento mais comum de uma criança nessas circunstâncias e se receberam informações suficientes sobre o tema de abuso infantil durante a formação acadêmica. Entre os participantes, 124 (86,1%) afirmaram não ter recebido essas informações na graduação23. Um outro estudo, dessa vez realizado com o corpo docente de odontologia da Universidade do Estado do Amazonas, foi demonstrado que de 0-10, estes possuem a média de 5,71 para a capacidade de identificar maus-tratos. Cerca de 24% já suspeitou de violência durante atendimentos odontológicos, e desses, apenas 36,6% acionaram o Conselho Tutelar. Cerca de 55% responderam que o Conselho Tutelar é o órgão a ser acionado e 80% não sabem se receberão consequências legais caso não notifiquem suspeitas de violência. A maioria afirmou estar a disposição para receber informações acerca do assunto24. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 302 Esses dados se justificam por conta da ausência da discussão específica do assunto nas instituições de ensino superior, visto que nos estudos analisados, a maioria dos estudantes afirmam não receber um preparo exclusivo acerca da temática de violência sexual. Quatro dos estudos incluídos foram realizados estudos observacionais com estudantes de graduação, com o objetivo de avaliar o conhecimento destes acerca da temática de violência infantil. Vergara, Cárdenas e Martínez18, avaliaram o conhecimento de 215 alunos de odontologia na Colômbia, do sexto ao décimo semestre, onde 208 preencheram o questionário completamente. Objetivaram avaliar o conhecimento, atitudes em caso de suspeitas e verificar a conduta dos alunos frente aos casos. Quanto ao conhecimento, cerca de 54% informaram possuir bom conhecimento do assunto. Setenta e três por cento informaram saber onde devem ser realizadas as denúncias, e 96% afirmaram que é obrigatória realizá-la. No que diz respeito a atitude dos estudantes avaliados, 200 alunos afirmaram que apresentariam atitude favorável à gestão frente a casos de abuso sexual infantil. Mais da metade dos alunos afirma que o comportamento que adotariam, seria o de informar algum professor. Quanto as práticas frente ao abuso, 42 alunos relataram ter tido alguma suspeita durante a prática de formação e 15 informaram que a primeira ação é a de comunicar um professor, em seguida com um colega e permanecer em silêncio. No entanto, 10 relataram que ficariam em silêncio18. O estudo realizado por Moura25, em Portugal, feito com profissionais e estudantes de odontologia revelou que 35% dos dentistas não sabem a principal região do organismo mais afetada em casos de violência sexual infantil, 43% sabem da importância da denúncia, 48% têm conhecimento que a informação pode ser fornecida anonimamente. Dos membros avaliados (estudantes e profissionais), 47% declaram não ter recebido treinamento durante a graduação acerca do assunto, mas 60% dos alunos que estão cursando o último ano de graduação relataram que receberam treinamento. Já em estudos nacionais, como o proposto por Calado e Lucena26, analisaram o nível de conhecimento de estudantes de graduação de Odontologia em Paraíba (PB), que incluiu 141 alunos, composto principalmente por estudantes do décimo período, destes, quase metade (48,9%), informaram não receber informações sobre abuso infantil durante a graduação, cerca de 29% relatam que tiveram aulas teóricas sobre o assunto, mas não se lembram da disciplina que abordou esse assunto. Ainda, dos estudantes inclusos no estudo, 68,8% dos participantes afirmaram conhecer algum órgão, apontando principalmente para o Conselho Tutelar, como órgão responsável. Outro dado importante foi que a maioria citou a região da cabeça e pescoço como a mais frequente nesses casos26. Por meio de um estudo observacional, De Souza e seus colaboradores27, verificaram o conhecimento de estudantes de nível superior do curso de odontologia em Maringá (PR) sobre o abuso sexual infantil. O grupo foi composto por 30 alunos, todos no terceiro ano de graduação. O estudo foi dividido em dois Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Jul 25, 2025 ISSN 3085-8097 O despreparo do cirurgião-dentista na identificação do abuso sexual infantil: uma revisão Freitas GSR; Silva LVA; Lucas LR; Guimarães KSFM 303 questionários: o primeiro foi aplicado com o objetivo de avaliar o nível de conhecimento perante um paciente com suspeita de abuso; enquanto o segundo, foi aplicado sem sequência após os alunos obterem mais entendimento acerca do assunto. Neste estudo, apenas 21 alunos (70% da amostra) responderam o segundo questionário. Os resultados mostram que numa escala de 0-10, os alunos apresentam nota 7 para a capacidade de reconhecer e detectar sinais e sintomas de abuso físico infantil. Noventa por cento relatam nunca ter visto casos suspeitos de abuso ou de maus-tratos e essa porcentagem subiu para 100% após aplicação do 2º questionário. Esses dados mostram que a maioria pode não detectar ou suspeitar em virtude da não presença de sinais e sintomas patognomônicos associados a violência. Entretanto, nem todos os casos, resultam em lesões visíveis, por isso, o profissional deve estar atento a demais sinais, principalmente comportamentais da vítima, o que muitas vezes é deixado de lado pelo profissional da odontologia, que se limita apenas as manifestações orais e/ou faciais, culminando para a não identificação de casos14,17,27. Os estudos realizados por Veloso, Magalhães e Cabral28 objetificaram verificar o nível de percepção de profissionais de saúde sobre violência contra crianças e adolescentes e dificuldades destes, no manejo desse fenômeno. Foram inclusos no estudo 72 profissionais de atenção básica de Belém-Pará-Brasil. Destes, 9 profissionais (12%) eram graduados em odontologia, os quais, representaram junto do serviço social 100% dos casos de identificação de negligência (como ausência de cuidados) com as vítimas. Resultados mais gerais incluem que a negligência representa a violência mais identificada, seguida da sexual, física e psicológica, entretanto a mais notificada é a sexual. Um dado importante, é que dos 72 profissionais, 36 (50%) relatam não ter conhecimento sobre a ficha de notificação, e cerca de 86%, nunca a utilizaram28. Condori e seus colaboradoes29, avaliaram o processo de notificações de maus-tratos contra crianças e adolescentes por profissionais de saúde e da família, em dois municípios da região metropolitana de Curitiba (PR). Neste estudo, participaram 97 profissionais que atuam na ESF nos municípios de Colombo e Piraquara (PR), a maioria dos profissionais (64,9%) mostrou ter conhecimento acerca da ficha de notificação e sabiam conduzir o caso suspeito, optando pela notificação. Ainda, a grande maioria (75,2%) se sentem capaz de identificar casos de maus-tratos. Destes 97 profissionais, 23 eram dentistas29. Os resultados obtidos por Veloso, Magalhães e Cabral28, e Condori29, demonstram que apesar de muitos profissionais possuírem domínio e conhecimento do assunto, muito precisa ser debatido, a fim de difundir mais o conhecimento sobre violência sexual infantil e maus-tratos, não só isso, mas aproximar as diferentes áreas da saúde no intuito de unir os conhecimentos de cada área, para uma melhor identificação por parte dos profissionais. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 310 Das infecções hospitalares que ocorrem nas UTIs, as mais comuns são aquelas associadas ao uso de ventilação mecânica, devido a uma soma de fatores predisponentes, como resposta imunológica debilitada do paciente, bactérias multirresistentes e uso inadequado de fármacos (AMARAL, 2009). A pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) é a que apresenta maior morbidade e mortalidade. Pacientes internados em UTIs podem apresentar higiene bucal deficiente contribuindo para o aumento da quantidade de biofilme e sua colonização por patógenos respiratórios. Esses, quando intubados por via oral, apresentam maior risco de colonização de micro-organismos, pois o cuidado com a cavidade oral é dificultado pela presença de fitas, tubos e blocos de mordida que acabam por dificultar a visualização da cavidade, consequentemente à higienização (RORIZ, 2014; SCANNAPIECO, 2006). Estudos comprovam que após um período de internação ocorre um aumento da quantidade de biofilme dentário devido à dificuldade de higienização e alteração da microbiota oral, passando a ser colonizada por bactérias mais agressivas como Saphylococcus aureus, Streptococcuspneumoniae, Acinetobacterbaumannii, Haemophilus influenza e Pseudomonas aeruginosa (AMARAL, 2009). A odontologia hospitalar atua cuidando das condições bucais dos pacientes internados, a fim de prevenir complicações sistêmicas decorrentes de patologias bucais, como é o caso da pneumonia nosocomial, frequentemente associado ao uso de ventilação mecânica e causado por micro-organismos bucais (CROSP). A higienização bucal dos pacientes internados é de responsabilidade da equipe de enfermagem, que em muitas vezes pode apresentar deficiências devido à complexidade dos procedimentos na UTI (CARVALHO, 2008), por esse motivo, os cuidados de higiene bucal devem ser orientados pelos profissionais da Odontologia Hospitalar. Existem três métodos básicos utilizados para a higienização de pacientes críticos: o método mecânico, químico e o combinado (VIANA, 2011). A limpeza dos dentes e mucosa bucal pode ser compreendida como higiene bucal, o uso do método mecânico com a escova dentária tem por objetivo remover o biofilme dentário e resíduos alimentares nas superfícies de mucosas e dentes, evitando odores e gostos desagradáveis, estimulando o apetite e principalmente controlando as infecções. Nos casos dos pacientes dependentes de cuidados o profissional responsável por sua higiene pessoal é quem deve realizar este procedimento, sendo nas UTIs, as equipes de enfermagem as principais responsáveis (MANUAL, 2012). O prognóstico de pacientes debilitados pode ter interferências decorrentes de condições bucais desfavoráveis. Infecções bucais podem contribuir para a instalação de condição inflamatória sistêmica, sendo fonte de difusão de micro-organismos por via hematogênica. A avaliação completa e a adequação do meio bucal pelo cirurgião dentista são fundamentais para minimizar e prevenir complicações. O diagnóstico e o tratamento odontológico, bem como, o controle de processos infecciosos diminuem os riscos de complicações sistêmicas, de condições bucais e manifestações bucais de condições sistêmicas (MANUAL, 2012). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 311 Desta forma, o cuidado de higiene bucal nos pacientes internados e dependentes tornase fundamental para a recuperação do indivíduo, evitando sequelas e complicações que poderiam agravar seu quadro clínico, aumentando o tempo de internação, os riscos e os custos hospitalar. As escovas de dente utilizadas para higienização oral dos pacientes de Unidade de Terapia Intensiva são veículos de agentes que podem representar um fator agravante para infecções hospitalares nesse setor. A forma de seu armazenamento durante o período de uso pode exacerbar esse risco. MATERIAIS E MÉTODOS O presente estudo foi conduzido na UTI do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo mediante autorização dos responsáveis institucionais. A equipe de pesquisa foi formada pelo orientador, em conjunto com uma aluna do curso de graduação em Odontologia da Universidade de Mogi das Cruzes, equipe de enfermagem da unidade, técnicos do laboratório de microbiologia e representantes da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do hospital. Os participantes da pesquisa foram pacientes internados na UTI do referido hospital, adultos, de ambos os sexos, intubados (em ventilação mecânica invasiva), que apresentavam no mínimo dez dentes em diferentes quadrantes da boca e que apresentaram uma previsão de permanência na UTI de no mínimo quatro dias (essa informação foi possível de ser obtida através da situação clínica do paciente informada pela equipe médica). Por estarem intubados esses pacientes estavam inconscientes (muitas vezes sedados), sendo necessária a autorização para sua participação no estudo mediante assinatura de TALE – Termo de Assentimento Livre e Esclarecido específico assinado por um familiar direto ou responsável legal. Foram excluídos do trabalho pacientes que não estavam intubados, edentados totais, pacientes com condições clínicas de alto risco, pacientes em isolamento e/ou que tenham previsão de alta inferior a quatro dias. A higiene bucal dos pacientes de UTI já é um procedimento realizado na rotina do hospital pelos técnicos de enfermagem e preconizado pela CCIH como uma manobra para evitar que manifestações infecciosas de origem bucal possam interferir nas condições sistêmicas dos pacientes. Portanto, os participantes desta pesquisa não foram submetidos a procedimentos que não façam parte dos rotineiros realizados diariamente, sendo que foram alvo das análises apenas as escovas de dentes utilizadas no processo. A UTI possui um protocolo de higiene bucal que é realizado três vezes ao dia, nos diferentes períodos, sendo que nos participantes selecionados uma dessas higienes foi realizada pela equipe que atua na atenção ao paciente. Durante os procedimentos de higiene bucal os participantes puderam correr o risco de desconforto durante a manipulação, sensibilidade dolorosa (esses de acordo com o nível de sedação apresentado pelo Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 312 paciente), sangramento gengival e labial no afastamento e abertura de boca. Porém esses riscos são inerentes a qualquer paciente internado em uma UTI, em um procedimento de higiene bucal, mas puderam ser minimizadas com uma manipulação cuidadosa, lubrificação labial e técnica adequada. Prevê-se como benefícios do estudo o estabelecimento de protocolos de guarda das escovas de dente utilizadas por pacientes da UTI que possam salvaguardá-las de contaminação adicional e assim minimizar o risco de infecção hospitalar. Os participantes, durante todo o estudo, continuaram usufruindo também de todos os benefícios dos cuidados bucais realizados em todos os pacientes. Durante o processo de pesquisa foram coletadas duas amostras de raspado bucal para identificação laboratorial da microbiota bucal do paciente. Uma amostra foi coletada no primeiro dia de internação da UTI (microbiota tempo 1) e outra após quatro dias ou mais (microbiota tempo 2). Essas coletas foram realizadas com swabs estéreis, acondicionados na sequência em meio Stuart (meio de transporte) e então encaminhados para análise microbiológica no laboratório clínico do próprio hospital. Além da identificação da microbiota nos tempos 1 e 2, foram realizadas análises das escovas de dentes utilizadas no paciente durante o período estabelecido (quatro dias). Para cada paciente serão processadas três escovas de dente, conforme descrito em detalhes a seguir. A pesquisa em questão foi um estudo primário, intervencional, clínico, de caráter longitudinal, prospectivo e com grupo amostral controle. A sequência de eventos e os protocolos foram os seguintes: Selecionar paciente para estudo a. Deverá estar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI); b. Estar em ventilação mecânica invasiva; c. Ser dentado total ou parcial. Protocolos dias 1 a 5 Coletar 1ª amostra da microbiota bucal (microbiota tempo 1) e enviar para análise – laboratório de microbiologia (conforme protocolo em anexo); Reunir material para realização do protocolo de higiene bucal, de acordo com a normatização do hospital: a) Bandeja; b) Luvas de procedimento; c) Escova dentária; Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 313 d) Copo descartável; e) Espátula de madeira; f) Gaze; g) Solução antisséptica (Clorexidina 0,12%); h) Esparadrapo; i) Sonda para aspiração; j) Lanterna. Identificar três escovas para o procedimento: Escova 1: realizar a higiene bucal de hemiarco superior e inferior esquerdo. Após uso, realizar a lavagem e manter acondicionada dentro de uma embalagem de gaze estéril e armazenar na gaveta do armário de referência do paciente até o quarto dia. Só será utilizada, portanto no processo de higienização da boca do paciente no dia 1 do estudo. Nos demais dias (2 a 5) deverá ser retirada da embalagem de armazenamento e lavada da mesma forma que a escova 2, como se houvesse sido usada no paciente. Esta escova é a amostra controle contaminada pela microbiota original do paciente e visa determinar se há desenvolvimento de microorganismos não residentes na boca do paciente durante o período de armazenamento na gaveta e durante os processos de manuseio pelo atendente. Deverá ser encaminhada ao laboratório para análise junto com as escovas 2 e 3, no quarto dia de protocolo. Escova 2: realizar a higiene bucal do hemiarco superior e inferior direito. Esta escova será a utilizada para a higienização do paciente nos dias 1, 2, 3 e 4. Após uso realizar a lavagem e manter acondicionada dentro de uma embalagem de gaze estéril e armazenar na gaveta do armário de referência do paciente até o próximo uso. Deverá ser encaminhada ao laboratório para análise junto com as escovas 1 e 3, no quarto dia de protocolo. Escova 3 (controle): não será utilizada para a higiene bucal do paciente (escova controle). Deverá ser retirada da embalagem original e armazenada na gaveta destinada ao paciente dentro de uma embalagem de gaze estéril, igual à que será utilizada para as escovas 1 e 2. Deverá ser encaminhada ao laboratório para análise junto com as escovas 1 e 2, no quarto dia de protocolo. Os procedimentos de higienização serão repetidos nos dias 1, 2, 3 e 4. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 314 Protocolos dias 4 a. Coletar 2ª amostra da microbiota bucal (microbiota tempo 2) e enviar para análise – laboratório de microbiologia; b. Encaminhar as escovas de dente para análise microbiológica. Metodologia de análise da microbiota bucal e das escovas – Serão realizados protocolos padrão para cultura de secreções visando identificar os microrganismos presentes nas amostras identificadas como microbiota tempos 1 e 2 bem como nas três escovas de dentes. As análises serão realizadas no laboratório clínico do próprio hospital, estando sob responsabilidade dos analistas designados (biologistas, biomédicos, farmacêuticos ou analistas plenos). Será realizada cultura de organismos aeróbios utilizando os meios de cultura ágar sangue, ágar chocolate, ágar MacConkey e caldo BHI. O meio Stuart será o meio de transporte selecionado para as culturas de raspado de mucosa oral. Todos os meios de cultura utilizados são de procedência certificada e os procedimentos de análise das amostras seguirão instruções técnicas (ITs) pelo laboratório responsável. As amostras coletadas em meio de transporte são estáveis por 24 horas. Para manuseio e armazenamento das amostras pós-análise o laboratório irá seguir a IT. LABOR.003 – Conservação e Armazenamento do Material Biológico. Todas as análises serão realizadas em acordo com as normas de controle e garantia da qualidade descritas na IT.CQ. 004 - Controle de Qualidade – Microbiologia. As amostras em swab serão semeadas diretamente em Ágar sangue, Ágar Chocolate e Ágar MacConkey por esgotamento conforme descrito na IT. MICRO. 002 - Semeadura, incubação e interpretação de placas. As placas serão incubadas a 35 ºC± 2oC por 24 horas e terão o crescimento avaliado. Caso não haja crescimento será prolongado o tempo de incubação por mais 24 horas. No caso das escovas de dente, estas terão a área das cerdas introduzida em caldo BHI e incubadas por 2 horas. A seguir o caldo será semeado em placas contendo os mesmos três tipos de ágar citados anteriormente e serão incubadas nas mesmas condições que para as amostras em swab. Os micro-organismos que se desenvolvam nas placas serão identificados por série bioquímica seguindo IT específica para cada classe de agente, sendo posteriormente realizados os antibiogramas. Os laudos serão liberados para o pesquisador responsável pelo estudo, bem como para o prontuário do paciente. Fazer a identificação dos microrganismos isolados e realizar o antibiograma dos prováveis patógenos e de qualquer micro-organismo de tecido estéril. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 315 RESULTADOS Este trabalho foi realizado em sete pacientes internados na UTI e que se encontravam em ventilação mecânica invasiva. A maioria apresentava índice de cálculo generalizado. Foi realizado no primeiro dia de estudo a coleta da amostra da microbiota tempo 1, em seguida a higiene oral dos pacientes, os sete durante quatro dias, e enviadas as três escovas para análise, além da coleta da amostra da microbiota tempo 2. Houve uma predominância da bactéria pseudomonas aeruginosa que foi encontrada em quatro pacientes. Esta bactéria é um patógeno que frequentemente causa infecções adquiridas em hospitais, em particular em pacientes em ventilação mecânica. Outra bactéria foi a klebsiella pneumoniae que é uma bactéria transmitida especialmente em ambiente hospitalar, através do contato com secreções do paciente infectado e podem causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas e enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada. Esta bactéria foi encontrada em 3 pacientes. A acinetobacter baumannii foi encontrada em 2 pacientes. Normalmente ocorre em pacientes gravemente hospitalizados e é mais comum de causar infecção no trato respiratório, coloniza facilmente locais traqueostomizados e recentemente surgiu a acinetobacter baumannii multirresistente que acomete particularmente pacientes imunodeprimidos, pacientes com doenças subjacentes graves e pacientes tratados com antibióticos de amplo espectro após um procedimento invasivo. Também ocorreu a presença de Staphylococcus coagulase-negativa e Staphylococcus aureus que são membros da microbiota bucal e, algumas vezes, causam infecções quase sempre associadas à ventilação mecânica, sobretudo em pacientes muito jovens, idosos e imunocomprometidos. Em todos os pacientes, estas bactérias foram encontradas nas amostras da microbiota tempo 1, tempo 2 e na escova dois (que foi utilizada todos os dias de estudo), com exceção dos Staphylococcus que não foram encontrados na escova 2. Nas escovas 1 e 3 não houve o surgimento de micro-organismos de nenhum dos pacientes. Pode-se dizer que a clorexidina 0,12% apresenta maior eficácia nas bactérias Staphylococcus fazendo com que ela não colonize a escova utilizada todos os dias na microbiota oral do paciente, diferente das outras bactérias (pseudomonas aeruginosa, klebsiella pneumoniae, acinetobacter baumannii) que mesmo com a higienização com clorexidina 0,12%, houve a colonização destas na escova, mostrando uma menor eficácia. DISCUSSÃO O cuidado oral, embora seja um importante componente das ações da enfermagem em pacientes críticos, nem sempre é alvo da devida atenção, frente à complexidade do ambiente da UTI. Evidências Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 316 indicaram que a colonização da boca com patógenos respiratórios pode contribuir para pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) (CARVALHO, 2008). Munro (2009) estabeleceu que um dos fatores para ocorrer a PAV é a colonização na orofaringe por possíveis patógenos como Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae ou bactérias gram-negativas. Porém, vários fatores contribuem para a associação entre saúde bucal e o desenvolvimento da PAV. Dentro de 48 horas na UTI, a microbiota de pacientes críticos sofre uma alteração, surgindo micro-organismos mais potentes e a placa dentária pode servir como habitat para estes micro-organismos, sendo colonizada por patógenos como staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Porém Ames (2011) cita em seu estudo que 24 horas após a admissão do paciente na UTI ocorre a colonização de bactérias anaeróbias na cavidade oral e após 4 dias surge a colonização por patógenos respiratórios. Cruz (2014) também menciona em seu estudo que no desenvolvimento da PN, há a participação de microrganismos bucais, como, o Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa e outros bacilos Gramnegativos, encontrados na cavidade bucal de indivíduos saudáveis, na hemocultura e na secreção traqueal de pacientes diagnosticados com a PN – micro-organismos estes presentes na cavidade bucal de pacientes aparentemente saudáveis. Além destes, Morais (2006) realizou estudos que mostram claramente que a quantidade de biofilme bucal em pacientes de UTI aumenta com o tempo de internação, ocorrendo aumento de patógenos respiratórios que colonizam o biofilme bucal. O estabelecimento da pneumonia nosocomial ocorre com a invasão bacteriana, especialmente bastonetes Gram-negativos (Acinetobacter spp., Staphylococcus aureus, Klebsiella spp, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter spp. e Proteus mirabiis), no trato respiratório inferior por meio da aspiração de secreção presente na orofaringe, por inalação de aerossóis contaminados ou, menos frequentemente, por disseminação hematogênica originada de um foco à distância Além da pneumonia associada à ventilação mecânica, existem as infecções hospitalares e constatou-se que muitas destas complicações são oriundas de infecções bucais: cáries profundas, abcessos e doenças periodontais. Carvalho, 2008 menciona que muitos dos estudos realizados com pacientes de UTI levaram a pensar que esses pacientes não apresentam higiene oral adequada, o que logicamente conduz a relacionar, em alguns casos, complicações respiratórias decorrentes de um foco primário bucal. Ames (2011) também menciona que a cárie e má saúde bucal devem ser observadas e quando um paciente é internado em uma unidade de terapia intensiva, deve ser realizado exame clínico intra bucal, pois gengivite e periodontite podem aumentar o risco de bacteremias. Ele também mostra um alerta feito pela Associação Americana de Enfermeiros de Cuidados Críticos que informa que a prática para cuidados bucais em unidade de cuidados intensivos deve ter um procedimento que descreva avaliações orais frequentes, sugando e fornecendo umidade aos lábios e mucosa oral para evitar a ruptura dos tecidos. Por fim, Pettit (2012) mostra em seu estudo que a limpeza promovida pela ação mecânica através de uma Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 317 escova umedecida com solução aquosa de clorexidina 0,12% deveria ocorrer pelo menos uma vez ao dia somente em pacientes que se encontravam intubados sob ventilação mecânica. Porém a Associação Médica de Intensivistas Brasileiros (AMIB) preconiza em seus protocolos de higiene oral o uso de clorexidina 0,12% com escovas de dente em pacientes com ou sem a presença do tubo endotraqueal. Isto porque a presença da clorexidina intra bucal tem uma ação de até 12 horas. Assim como encontrado por Munro, Morais e Cruz, este trabalho confirma que após um tempo no ambiente de UTI, a microbiota de pacientes internados sofre colonização por micro-organismos que podem vir a causar infecções mais severas. Além disso, esses micro-organismos foram encontrados nas escovas de dente utilizadas para higiene bucal de pacientes internados, o que pode estar ocasionando uma recolonização destes micro-organismos nos pacientes. CONCLUSÃO De acordo com os resultados obtidos, pode-se concluir que tanto na revisão literária como na pesquisa realizada, as escovas dentais utilizadas em pacientes internados em UTI têm um grande potencial de serem contaminadas com micro-organismos que estão dentro do ambiente hospitalar e que podem ser causadores da pneumonia associada à ventilação mecânica. Porém, seu armazenamento pode ser considerado correto se estiver dentro de um pacote de gaze estéril, já que não houve surgimento de bactéria na escova que ficou armazenada desta forma durante o estudo. Além disso, observou-se que todas as bactérias que foram encontradas nestes pacientes são comuns de ambiente hospitalar e houve uma predominância maior da bactéria pseudomonas aeruginosa. Declaração de Disponibilidade de Dados Todos os dados relevantes estão incluídos no próprio artigo. Número do parecer do comitê de ética Número: 3.417.975 REFERÊCIAS AMARAL, S. M.; CORTÊS, A. Q.; PIRES, F. R. Nosocomial pneumonia: importance of the oral environment. Brazilian Journal of Pulmonology, São Paulo, v. 35, n. 11, p. 11161124. nov. 2009. BOLELA, F.; JERICÓ, M. C. Intensive Care Units: considerations of literature about the difficulties and strategies for its humanization. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 301-308, aug. 2006. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 04, 2025 ISSN 3085-8097 Avaliação Microbiológica de Escovas Dentárias Utilizadas em Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva Chiesa C; Martins de Jesus A; Tanaka CJ 318 CARVALHO, M. L. R. C. A educação continuada de profissionais de enfermagem para higiene oral de pacientes sob cuidados intensivos. Revista USP, São Paulo, p.25-27, 2008. CROSP - Conselho Regional de Odontologia. Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar. LIMA, M. E.; ANDRADE, D.; HAAS, V. J. Avaliação prospectiva da ocorrência de infecção em pacientes críticos de unidade de terapia intensiva. Revista brasileira de terapia intensiva, São Paulo, v. 19, n. 3, p. 342347, jul-set, 2007. MANUAL DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR. Grupo Técnico de Odontologia Hospitalar. Secretaria de Saúde. São Paulo, 2012. PINHEIRO, P. O que acontece com os pacientes na UTI. Disponível em: https://www.mdsaude.com/2008/10/pacientes-na-uti.html. Rio de Janeiro, fev. 2018. RORIZ, V. M.; BOAVENTURA, V. L.; DALBELLO, D. N. G. Perfil periodontal e episódios de pneumonias nosocomiais em pacientes internados em uma UTI: estudo piloto. Revista odontológica brasileira central. Anápolis, v. 23, n. 67, 2014. SCANNAPIECO, F. A. Pneumonia in nonambulatory patients. American Dental Association. Oct. 2006. VIANA, R. A. P.; WHITAKER, I. Y. Enfermagem em Terapia Intensiva. Artmed. Abril 2011. AMES, N. J. Evidence to support tooth brushing in critically ill patients. American Journal of Critical Care. May, 2011. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.16787063 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 UTILIZAÇÃO DE GEL DE ÁCIDO HIALURÔNICO 1% E CLOREXIDINA 0,2% (PerioKin Hyaluronic®) EM EXODONTIA DE DENTES COM DOENÇA PERIODONTAL EXTENSA: RELATO DE CASO Use of 1% Hyaluronic Acid and 0.2% Chlorhexidine gel (PerioKin Hyaluronic®) in tooth extraction of teeth with extensive periodontal disease: Case report Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 CASO CLÍNICO Gabriel Silva Rezende Freitas1 ; Ana Gabriele Oliveira Alexandre1; Fillipe Henner Borges Silva1; Letícia Oliveira de Carvalho1; Wander Tamura2 ; Késsia Suênia Fidelis de Mesquita Guimarães2 ; Leidiani Rossi Lucas2 ; William Eduardo Pirola2 RESUMO Introdução: A dor pós-operatória é uma ocorrência frequente nos primeiros dias subsequentes a exodontias, podendo estar associada a complicações, como a alveolite, caracterizada por dor intensa e atraso no processo de cicatrização. Com o objetivo de prevenir tais intercorrências, agentes como a clorexidina e o ácido hialurônico (AH) têm sido empregados devido às suas propriedades antimicrobianas e cicatrizantes. Objetivo: O presente estudo relata um caso clínico de exodontias múltiplas em paciente com comprometimento periodontal, seguido da aplicação tópica de gel bioadesivo contendo clorexidina a 0,2% e AH a 1% (PerioKin Hyaluronic 1%®). Caso Clínico: O protocolo terapêutico consistiu na aplicação do gel diretamente nos alvéolos pós-extração, com reaplicação após quatro dias e uma terceira aplicação no momento da remoção das suturas. O paciente apresentou evolução clínica favorável, sem relato de dor ou edema significativo, e com cicatrização satisfatória. Discussão: Evidências prévias demonstram que o AH, em concentrações superiores a 0,8%, apresenta efeito modulador da resposta inflamatória, favorece a formação de tecido de granulação e exerce ação bacteriostática. A clorexidina, por sua vez, é amplamente reconhecida pela sua eficácia na redução da microbiota oral, embora, na forma de colutório, possa promover deslocamento do coágulo sanguíneo, tornando o gel bioadesivo uma alternativa mais segura. Conclusão: A associação de clorexidina e AH demonstrou potencial benefício na prevenção de complicações pós-operatórias, na melhoria do conforto do paciente e na otimização da cicatrização. Conclui-se que o uso combinado desses compostos em formulação bioadesiva representa uma alternativa terapêutica viável e promissora na prática odontológica, especialmente em pacientes com alto risco de infecção e comprometimento periodontal. 1 – Acadêmico(a) do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado – Goiatuba, GO, Brazil 2 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Goiatuba – UniCerrado – Goiatuba, GO, Brazil 3 - Docente do Curso de Odontologia do Centro Universitário de Rio Preto – UNiRP – São José do Rio Preto, SP, Brazil Autor de Correspondência: Gabriel Silva Rezende Freitas email: [email protected] Palavras-chave: Exodontia; Alveolite; Clorexidina; Ácido hialurônico Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 11, 2025 ISSN 3085-8097 Utilização de gel de ácido hialurônico 1% e clorexidina 0,2% (periokin hyaluronic®) em exodontia de dentes com doença periodontal extensa: relato de caso Freitas GSR; Alexandre AGO; Silva FHB; Carvalho LO; Tamura W; Mesquita-Guimarães KSF; Lucas LR; Pirola WE 326 DISCUSSÃO Em estudo prévio utilizando o AH em alvéolos pós exodontia, pesquisadores utilizaram o gel PerioKin Hyaluronic 1%® após exodontia de primeiros molares bilateral por razões ortodônticas, após a exodontia, um lado realizou-se aplicação do gel, enquanto o outro lado realizou-se a sutura apenas com o coágulo no alvéolo. Após 30 e 90 dias, realizou-se exame tomográfico para avaliação da formação óssea, na qual foi possível identificar melhora na cicatrização e formação óssea no controle de 30 dias, enquanto no controle de 90 dias, não foi possível avaliar diferença estatisticamente significativa (ALCANTARA; CASTRO; NORONHA; MARTINS-JUNIOR et al., 2018). Identificou-se portanto a presença uma melhora na qualidade pós operatória nos primeiros dias após o procedimento, avaliação esperada no presente estudo, uma vez que avalia-se a cicatrização na primeira semana. O presente caso clínico não observou presença de edema extenso durante o processo de cicatrização, alteração clínico possível após procedimentos de exodontia; pode-se elencar portanto capacidades antiedematosas do HÁ, decorrente principalmente devido a capacidade de tamponamento osmótico e alteração na migração de leucócitos associados a adesão do receptor CD44 (COOPER; BROWN; MELETIS; ZABRISKIE, 2008; LONGINOTTI, 2014). A diminuição de dor pós operatória é descrita por estudos prévios que associaram a presença de HA pós exodontia (BALAKRISHNAN; NARENDAR; KAVIN; VENKATARAMAN et al., 2017), estudo de 2023 apresentou melhora significativa da dor pós procedimento odontológico em especial no terceiro e sétimo dia, dentro do período na qual a sensação dolorosa se torna mais presente (AL-SAADI; AL-QUISI, 2023), resultado também presente no caso clínico apresentado. Pesquisadores que avaliaram a comparação entre a utilização do PerioKin Hyaluronic 1%® e do PRF não observaram diferença estatisticamente significativa no controle pós operatório de dor e trismo entre os procedimentos de exodontia (AL-SAADI; AL-QUISI, 2023), neste caso, a utilização do gel bioadesivo em questão se torna superior pelo baixo custo e excluir a necessidade de venopunção no paciente. Estudos prévios apontam que introdução da clorexidina na odontologia se deu na concentração de 0,2% (LöE; RINDOM SCHIøTT, 1970), contudo, decorrente aos efeitos adversos relacionados a manchas nos dentes e queimação de mucosas, novas pesquisas adotaram uma concentração mais baixa (0,12%), com as mesmas propriedades microbiológicas (FARDAI; TURNBULL, 1986; JONES, 1997). A clorexidina é uma substância dose-dependente, capaz de apresentam propriedades bacteriostáticas em concentrações entre 0,02 e 0,06%; e bactericida nas concentrações 0,12 a 0,2% (MARRELLI; AMANTEA; TATULLO, 2015). No Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 11, 2025 ISSN 3085-8097 Utilização de gel de ácido hialurônico 1% e clorexidina 0,2% (periokin hyaluronic®) em exodontia de dentes com doença periodontal extensa: relato de caso Freitas GSR; Alexandre AGO; Silva FHB; Carvalho LO; Tamura W; Mesquita-Guimarães KSF; Lucas LR; Pirola WE 327 presente estudo, foi utilizado o gel com clorexidina 0,2%, amparado por estudos clássicos que apontam a redução dos níveis de microrganismos na saliva por horas, em até 90% (JONES, 1997). Apesar de estudos prévios apresentarem a capacidade de alterações de paladar, manchas nos dentes e efeitos irritativos na mucosa quando utilizado a Clorexidina acima de 0,12%, no presente estudo não foi prescrito a utilização de enxaguante bucal, tão pouco, a utilização do fármaco por longa duração; estudos prévios apontam ainda que a eliminação de S. mutans e Candida albicans é superior quando utilizado a clorexidina na concentração de 2% (MORAIS, 2024). As múltiplas exodontias foram indicadas especialmente devido a doença periodontal, associada a extensa perda óssea, tal patologia está associada a presença de múltiplas colônias de microrganismos (GRINGS, 2018), portanto, o controle microbiano nestes casos pode melhorar significativamente a condição celular no processo de cicatrização. A prescrição medicamentosa e de clorexidina pós exodontia pode ser utilizada na odontologia para minimizar possíveis processos infecciosos, o que poderia prejudicar o processo de cicatrização e gerar processo doloroso ao paciente, quando se trata de prescrição de clorexidina 0,12%, comumente opta-se pela apresentação de colutório (enxaguante bucal), contudo, este método pode deslocar o coágulo de dentro do alvéolo devido a força excessiva durante o bochecho, o que acarreta processo de alveolite, dor e dificuldade de cicatrização (ALMUSHALBN; ALBASSAL; HARFOUCH, 2022). Em linhas gerais, o presente caso clínico realizou os procedimentos de exodontia de acordo com as técnicas cirúrgicas odontológicos, e associou medicação a base de ácido hialurônico 1%, descrito no presente estudo como biomaterial compatível com o processo de cicatrização; e clorexidina 0,2%, biomaterial capaz de diminuir significativamente a presença de microrganismos, portanto, capaz de diminuir processos infecciosos. No caso apresentado, foi utilizado ainda o material na apresentação de gel bioadesivo, não sendo utilizado a formulação de colutório para evitar bochecho, e consequentemente perda do coágulo nas primeiras horas após o procedimento. CONCLUSÃO A utilização do ácido hialurônico com clorexidina não apresentou complicações frente ao procedimento de múltiplas exodontias associadas a problema periodontal extenso, entretanto, novos estudos são necessários, para comparação dos dados e formulação de protocolos clínicos. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 11, 2025 ISSN 3085-8097 Utilização de gel de ácido hialurônico 1% e clorexidina 0,2% (periokin hyaluronic®) em exodontia de dentes com doença periodontal extensa: relato de caso Freitas GSR; Alexandre AGO; Silva FHB; Carvalho LO; Tamura W; Mesquita-Guimarães KSF; Lucas LR; Pirola WE 328 CONFLITO DE INTERESSE Todos os autores declaram que não têm conflitos de interesse. REFERÊNCIAS AL-MAHDI, A. H.; ABDULRAHMAN, M. S.; AL-JUMAILY, H. A. H. Evaluation of the effectiveness of using platelet rich fibrin (PRF) with bone graft in the reconstruction of alveolar cleft, a prospective study. Journal of Craniofacial Surgery, 32, n. 6, p. 2139-2143, 2021. AL-SAADI, T. S.; AL-QUISI, A. F. The Influence of the Hyaluronic Acid Gel on the Postoperative Sequelae following Surgical Removal of the Impacted Mandibular Third Molar in Comparison with the A‐PRF: A Randomized Controlled Trial. International Journal of Biomaterials, 2023, n. 1, p. 1883460, 2023. ALCANTARA, C. E. P.; CASTRO, M. A. A.; NORONHA, M. S. D.; MARTINS-JUNIOR, P. A. et al. Hyaluronic acid accelerates bone repair in human dental sockets: a randomized triple-blind clinical trial. Brazilian oral research, 32, p. e84, 2018. ALMUSHALBN, A.; ALBASSAL, A.; HARFOUCH, M. Comparative clinical study between chlorhexidine gel (0.2%) and hyaluronic gel (1%) in the prevention of a dry socket after tooth extraction for orthodontic treatment. Cureus, 14, n. 12, 2022. ALNUMAY, S. H. Evaluation of the effectiveness of using platelet rich fibrin (PRF) as a sole grafting material and membrane in augmentation of dehiscence and fenestration defects encountered during dental implant surgery. 2019. BALAKRISHNAN, G.; NARENDAR, R.; KAVIN, T.; VENKATARAMAN, S. et al. Incidence of trismus in transalveolar extraction of lower third molar. Journal of pharmacy & bioallied sciences, 9, n. Suppl 1, p. S222, 2017. BLUM, I. Contemporary views on dry socket (alveolar osteitis): a clinical appraisal of standardization, aetiopathogenesis and management: a critical review. International journal of oral and maxillofacial surgery, 31, n. 3, p. 309-317, 2002. BRANCACCIO, Y.; ANTONELLI, A.; BARONE, S.; BENNARDO, F. et al. Evaluation of local hemostatic efficacy after dental extractions in patients taking antiplatelet drugs: A randomized clinical trial. Clinical oral investigations, 25, p. 1159-1167, 2021. COOPER, C. A.; BROWN, K. K.; MELETIS, C. D.; ZABRISKIE, N. Inflammation and hyaluronic acid. Alternative & complementary therapies, 14, n. 2, p. 78-84, 2008. FARDAI, O.; TURNBULL, R. S. A review of the literature on use of chlorhexidine in dentistry. The Journal of the American Dental Association, 112, n. 6, p. 863-869, 1986. FREITAS, L. Alveolite: como diagnosticar e qual seu tratamento? Revista Brasileira de Odontologia, 76, p. 34, 2019. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 11, 2025 ISSN 3085-8097 Utilização de gel de ácido hialurônico 1% e clorexidina 0,2% (periokin hyaluronic®) em exodontia de dentes com doença periodontal extensa: relato de caso Freitas GSR; Alexandre AGO; Silva FHB; Carvalho LO; Tamura W; Mesquita-Guimarães KSF; Lucas LR; Pirola WE 329 GRINGS, J. S. Protocolo de Branemark: uma revisão de literatura. 2018. ISHIHAMA, K.; KIMURA, T.; YASUI, Y.; KOMAKI, M. et al. Azithromycin as prophylaxis for the prevention of postoperative infection in impacted mandibular third-molar surgery. Journal of infection and chemotherapy, 12, n. 1, p. 31-35, 2006. JONES, C. G. Chlorhexidine: is it still the gold standard? Periodontology 2000, 15, p. 55-62, 1997. KOLOKYTHAS, A.; OLECH, E.; MILORO, M. Alveolar osteitis: a comprehensive review of concepts and controversies. International journal of dentistry, 2010, n. 1, p. 249073, 2010. LöE, H.; RINDOM SCHIøTT, C. The effect of mouthrinses and topical application of chlorhexidine on the development of dental plaque and gingivitis in man. Journal of periodontal research, 5, n. 2, p. 79-83, 1970. LONGINOTTI, C. The use of hyaluronic acid based dressings to treat burns: a review Burns Trauma, 2 (2014). Crossref View in Scopus, p. 162-168, 2014. MARRELLI, M.; AMANTEA, M.; TATULLO, M. A comparative, randomized, controlled study on clinical efficacy and dental staining reduction of a mouthwash containing Chlorhexidine 0.20% and Anti Discoloration System (ADS). Annali di stomatologia, 6, n. 2, p. 35, 2015. MORAIS, M. G. F. Avaliação da eficácia antimicrobiana de diferentes soluções para higienização de protetores bucais esportivos contaminados por biofilme de candida albicans e streptococcus mutans. 2024. MUñOZ-CáMARA, D.; PARDO-ZAMORA, G.; CAMACHO-ALONSO, F. Postoperative effects of intraalveolar application of 0.2% chlorhexidine or 1% hyaluronic acid bioadhesive gels after mandibular third molar extraction: a double-blind randomized controlled clinical trial. Clinical oral investigations, 25, p. 617625, 2021. ROHDE, L. E.; CLAUSELL, N.; RIBEIRO, J. P.; GOLDRAICH, L. et al. Health outcomes in decompensated congestive heart failure: a comparison of tertiary hospitals in Brazil and United States. International journal of cardiology, 102, n. 1, p. 71-77, 2005. SHETTY, P. R.; SETTY, S. B.; KAMAT, S. S.; ALDARTI, A. S. et al. Comparison of the antigingivitis and antiplaque efficacy of the herboral (herbal extract) mouthwash with chlorhexidine and listerine mouthwashes: a clinical study. Pakistan oral & dental journal, 33, n. 1, 2013. TAMURA, W.; FREITAS, G. S. R.; DE MESQUITA-GUIMARãES, K. S. F.; LUCAS, L. R. et al. DO CASO CLÍNICO À APROVAÇÃO ÉTICA: PASSO A PASSO PARA A PLATAFORMA BRASIL. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, 1, n. 1, p. 104-118, 2025. TORRES-LAGARES, D.; GUTIERREZ-PEREZ, J.; INFANTE-COSSIO, P.; GARCIA-CALDERON, M. et al. Randomized, double-blind study on effectiveness of intra-alveolar chlorhexidine gel in reducing the incidence of alveolar osteitis in mandibular third molar surgery. International journal of oral and maxillofacial surgery, 35, n. 4, p. 348-351, 2006. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI h6ps://doi.org/10.5281/zenodo.16879427 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 O USO DOS INFILTRANTES RESINOSOS NO TRATAMENTO ESTÉTICO DE DENTES COM HIPOMINERALIZAÇÃO MOLAR INCISIVO: REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA The use of resin infiltrants in the aesthe0c treatment of teeth with molar incisor hypomineraliza0on: integra0ve literature review Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Laura Rebeca Souza Santos1 ; Thais Soares Saturnino1; Denise De Souza Matos2 RESUMO Introdução: A hipomineralização molar incisivo é um defeito de esmalte de caráter qualitativo, que atinge primeiros molares permanentes e frequentemente é associada aos incisivos permanentes. Clinicamente, manifesta-se por meio de opacidades bem delimitadas, cuja coloração varia do branco ao amarelo-acastanhado. O esmalte hipomineralizado, por sua vez, representa um desafio terapêutico significativo, uma vez que apresenta fragilidade estrutural, propriedades mecânicas comprometidas e menor capacidade adesiva, o que contribui para a recorrente fratura de restaurações. Diante disso, a terapia com infiltração de resina surge como uma alternativa minimamente invasiva baseada na penetração de uma resina de baixa viscosidade à base de TEGDMA no corpo da lesão por forças capilares, promovendo a obliteração de porosidades e prevenindo a progressão da lesão e, consequentemente, alterando a percepção estética da mancha. Objetivo: O presente estudo conduziu uma revisão da literatura com o propósito de identificar as evidências científicas publicadas acerca da associação dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes anteriores acometidos por hipomineralização molar incisivo. Método: revisão integrativa da literatura, que utilizou a estratégia de pesquisa CoCoPop e selecionou sete trabalhos para a construção da revisão bibliográfica desse estudo. Resultados: Os estudos demonstraram que a técnica de infiltração de resina é eficaz em mascarar a aparência das lesões hipomineralizadas. Conclusão: A técnica de infiltração de resina é uma abordagem que vem conquistando crescente relevância na prática odontológica apresentando bons resultados estéticos e funcionais. Quando comparada a outras técnicas tradicionais, ela destaca-se pelo seu caráter minimamente invasivo. Contudo, ainda há lacunas na literatura científica, portanto mais estudos se fazem necessários para se estabelecer um protocolo e conhecer os efeitos clínicos a longo prazo desse promissor tratamento. 1 - Acadêmica do curso de Odontologia do UNIPAM – Centro Universitário de Patos de Minas. Minas Gerais, Brazil 2 - Mestrado e Doutorado em Odontopediatria pela USP – Universidade de São Paulo. Professora no curso de Odontologia do UNIPAM – Centro Universitário de Patos de Minas. Minas Gerais, Brazil Autor de Correspondência: Laura Rebeca Souza Santos email: [email protected] Palavras-chave: Defeitos do Desenvolvimento do Esmalte Dentário, Hipomineralização Molar, Materiais Dentários. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 15, 2025 ISSN 3085-8097 O uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes com hipomineralização molar incisivo: revisão integrativa de literatura. Santos LRS; Saturnino TS; Matos DS 331 ABSTRACT Introduction: Incisor-molar hypomineralization is a qualitative enamel defect that affects permanent first molars and is often associated with permanent incisors. Clinically, it manifests as well-defined opacities ranging in color from white to yellowish-brown. Hypomineralized enamel, in turn, represents a significant therapeutic challenge, as it presents structural fragility, compromised mechanical properties, and reduced adhesive capacity, which contributes to recurrent fracture of restorations. Given this, resin infiltration therapy emerges as a minimally invasive alternative based on the penetration of a low-viscosity TEGDMA-based resin into the body of the lesion by capillary forces, promoting the obliteration of porosity and preventing the progression of the lesion and, consequently, altering the aesthetic perception of the stain. Objective: The present study conducted a literature review to identify published scientific evidence on the association of resin infiltrates in the aesthetic treatment of anterior teeth affected by molar-incisor hypomineralization. Method: integrative literature review, which used the CoCoPop search strategy and selected seven studies for the construction of the bibliographic review of this study. Results: The studies demonstrated that the resin infiltration technique is effective in masking the appearance of hypomineralized lesions. Conclusion: The resin infiltration technique is an approach that has been gaining increasing relevance in dental practice, presenting good aesthetic and functional results. When compared to other traditional techniques, it stands out for its minimally invasive nature. However, there are still gaps in the scientific literature, so further studies are needed to establish a protocol and understand the long-term clinical effects of this promising treatment. Keywords: Dental Enamel Development Defects, Molar Hypominereralization, Dental Materials INTRODUÇÃO A hipomineralização molar incisivo (HMI) é um defeito de desenvolvimento do esmalte de caráter qualitativo, que atinge primeiros molares permanentes e frequentemente é associada aos incisivos permanentes. A etiologia ainda não foi totalmente elucidada, mas uma das hipóteses indica que mudanças no pH da matriz durante a maturação do esmalte podem levar ao HMI. Os fatores etiológicos potenciais são doenças sistêmicas, uso de medicamentos, parto prematuro, toxinas ambientais e desnutrição. (Altan et al.; 2023). Clinicamente, o defeito é visto por opacidades demarcadas que variam em tamanho e podem apresentar coloração de branco a amarelo-acastanhado. O HMI pode ser classificado de acordo com a extensão e a gravidade das lesões. Há 3 graus de severidade: leve, moderado e grave. Na forma leve, geralmente há descolorações brancas opacas do esmalte. O grau moderado se manifesta com descolorações mais pronunciadas, que podem variar de amarelo a marrom. Na forma grave, além das descolorações, há uma perda perceptível de tecido duro, levando à formação de cavidades ou fraturas do esmalte. (Inchingolo et al.; 2020). O esmalte hipomineralizado representa um desafio clínico, já que é friável e tem propriedades mecânicas inferiores, como o módulo de elasticidade reduzido quando comparado ao esmalte sadio. (Bandeira Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 15, 2025 ISSN 3085-8097 O uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes com hipomineralização molar incisivo: revisão integrativa de literatura. Santos LRS; Saturnino TS; Matos DS 332 et al.; 2021). Além disso, pacientes com essa condição podem comumente apresentar desconfortos como o risco de pulpite devido à exposição da dentina em decorrência de fraturas pós-eruptivas do esmalte, hipersensibilidade, lesões de cárie devido à fragilidade da estrutura e da má higiene oral decorrente da dificuldade de higienização devido à sensibilidade, dor que provoca medo e ansiedade em relação ao tratamento odontológico, diminuição da qualidade de vida, risco de perda dentária e impacto estético principalmente com relação aos dentes anteriores. (Hoan et al.; 2024) Diante da dificuldade de tratar dentes anteriores afetados pelo HMI, os infiltrantes resinosos surgem como uma alternativa aos tratamentos tradicionais, se mostrando uma opção minimamente invasiva, com bons resultados estéticos e funcionais. Essa terapia de infiltração de resina é baseada na penetração de uma resina de baixa viscosidade à base de TEGDMA no corpo da lesão por forças capilares, promovendo a obliteração de porosidades e prevenindo a progressão da lesão e, consequentemente, alterando a percepção estética da mancha, uma vez que altera também o índice de refração da região afetada. (Nogueira; 2021). Segundo Nogueira et al. (2021), a infiltração de resina provou ser uma intervenção mais eficaz para manter a integridade estrutural de incisivos e molares afetados por MIH do que as terapias com verniz fluoretado, diminuindo o risco de quebra do esmalte. O objetivo desse estudo é revisar a literatura disponível sobre a associação dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de defeitos hipomineralizados de esmalte em dentes anteriores, e supracitar os benefícios desse promissor tratamento. METODOLOGIA O presente estudo consiste em uma revisão integrativa de literatura sobre o uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de defeitos hipomineralizados de esmalte. Para elaboração da questão de pesquisa, utilizou-se a estratégia CoCoPop (Acrômio para Condição, Contexto, População). Assim, a questão de pesquisa delimitada foi “Qual a eficácia do uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes anteriores afetados por HMI?”. Nela, temos Co = Uso dos infiltrantes resinosos, Co = tratamento estético de dentes afetados por HMI e Pop = pacientes com hipomineralização molar incisivo. A partir do estabelecimento das palavras-chave da pesquisa, foi realizado o cruzamento dos descritores “Remineralização Dentária” e “Hipomineralização Molar”; extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) na seguinte estratégia de busca: (Defeitos do Desenvolvimento do Esmalte Dentário) AND (Hipomineralização Molar) AND (Materiais Dentários). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 15, 2025 ISSN 3085-8097 O uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes com hipomineralização molar incisivo: revisão integrativa de literatura. Santos LRS; Saturnino TS; Matos DS 333 A busca foi feita na base de dados PubMed no mês de janeiro de 2025. Foram incluídos estudos publicados no período compreendido entre 2020 e 2025, estudos primários, com disponibilidade de texto completo e publicados em português e inglês. Foram excluídos trabalhos que não abordavam as palavraschave associadas, artigos com mais de 5 anos de publicação e indisponibilidade de texto completo. A metodologia desse estudo seguiu as seguintes etapas: busca nas bases de dados selecionadas; leitura dos títulos de todos os artigos encontrados e exclusão daqueles que não abordavam o assunto; leitura crítica dos resumos dos artigos; e leitura na íntegra dos artigos selecionados nas etapas anteriores. Foram encontrados 28 artigos; após aplicar o filtro “últimos 5 anos” foram encontrados 20 estudos dos quais 13 foram selecionados para leitura na íntegra. Após leitura criteriosa das publicações, 6 artigos não foram utilizados, sendo que não correspondiam aos critérios de inclusão. Dessa forma, 7 trabalhos foram selecionados para a análise final e construção da revisão bibliográfica desse estudo (Figura 1). Figura 1Fluxograma de identificação e seleção dos artigos. Fonte: Elaborado pelos autores RESULTADOS Os resultados desta revisão de literatura estão organizados abaixo e dispostos conforme o autor e o ano de publicação, o tipo do estudo e os principais achados identificados (Tabela 1). Tabela 1Resultados da revisão de literatura AUTOR E ANO TIPO DE ESTUDO TÍTULO PRINCIPAIS ACHADOS TORRES ET AL.; 2024 Relato de caso Optimizing Resin Infiltration Procedure in Molar Incisor Hypomineralization Lesions Ao analisar a técnica de monitoramento por trans-iluminação na remoção da camada externa de esmalte sobre a lesão, necessária para expor a porosidade interna a ser Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 15, 2025 ISSN 3085-8097 O uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes com hipomineralização molar incisivo: revisão integrativa de literatura. Santos LRS; Saturnino TS; Matos DS 334 infiltrada, observou-se que essa técnica controla com precisão o procedimento de infiltração em lesões de HMI, melhorando o resultado estético. ALTAN ET AL.; 2023 Estudo clínico não randomizado e controlado Clinical evaluation of resin infltration treatment masking efect on hypomineralised enamel surfaces Esse estudo avaliou os resultados clínicos quantitativos e qualitativos da infiltração de resina em dentes com HMI por 6 meses, os resultados mostraram um efeito bem sucedido no mascaramento de dentes hipomineralizados em crianças com HMI. LUPPIERI ET AL.; 2022 Estudo in vivo preliminar, observacional e descritivo. A Resin Infiltration Technique for Molar Hypomineralization Treatment: A Preliminary Study in a Pediatric Population. A infiltração de resina demonstrou-se um tratamento promissor no tratamento de lesões de HMI graves, no entanto mais estudos são necessários para conhecer os efeitos a longo prazo. OZGUR ET AL.; 2023 Estudo Prospectivo Effectiveness and Color Stability of Resin Infiltation on Demineralized and Hypomineralized (MIH) Enamel in Children: Sixmonth results of a Prospective Trial A infiltração de resina conseguiu mascarar efetivamente os defeitos hipomineralizados de esmalte com estabilidade clínica de 6 meses, após esse tempo não houve diferença significativa. BRESCIA ET AL.; 2022 Estudo Retrospectivo Management of Enamel Defects with Resin Infiltration Techniques: Two Years Follow Up Retrospective Study Esse estudo demonstrou resultados estéticos ótimos em técnicas de infiltração superficial em elementos com MIH leve, no entanto em casos de hipomineralização traumática os resultados não foram completamente satisfatórios. NOGUEIRA ET AL.; 2021 Ensaio clínico randomizado Structural integrity of MIH-affected teeth after treatment with fluoride varnish or resin infiltration: An 18Month randomized clinical trial A infiltração de resina provou ser uma intervenção mais eficaz para manter a integridade estrutural dos dentes afetados por MIH do que as terapias com verniz fluoretado, diminuindo o risco de quebra do esmalte ao longo de 18 meses de acompanhamento. SANFELICE ET AL.; 2024. Estudo clínico não controlado Short-term Results of the Masking Effect of an Infiltrant Resin on Mild Molar Incisor Hypomineralization Lesions in Anterior Teeth Esse estudo demonstrou que a resina infiltrante foi eficaz em melhorar a aparência estética de opacidades Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 15, 2025 ISSN 3085-8097 O uso dos infiltrantes resinosos no tratamento estético de dentes com hipomineralização molar incisivo: revisão integrativa de literatura. Santos LRS; Saturnino TS; Matos DS 335 cremosas/brancas em dentes anteriores afetados por MIH. RABELLO ET AL.; 2021 Relato de caso Tratamiento estético de defecto de esmalte utilizando tratamiento combinado con resina infiltrante: Reporte de caso. É possível realizar tratamento restaurador estético de defeito de esmalte por hipomineralização de incisivos molares, sem remoção de tecido dentário, utilizando uma combinação de resina infiltrante e resina composta direta Fonte: Elaborado pelos autores DISCUSSÃO O tratamento restaurador estético é um desafio em dentes com HMI, visto que a adesão ao esmalte hipomineralizado é menor, o que resulta em maior frequência de fraturas nas restaurações. Por essa razão, as abordagens convencionais como a restauração em resina composta ou cimento de ionômero de vidro tendem a não resistir ao esmalte fragilizado, exigindo retratamentos recorrentes. (Brescia et al., 2022). A técnica de infiltração de resina foi originalmente desenvolvida para interromper a progressão de lesões de manchas brancas nas superfícies proximais dos dentes posteriores, prevenindo a cavitação. No entanto, sua capacidade de alterar as propriedades ópticas da lesão e proporcionar um efeito de mascaramento de cor redirecionou seu uso clínico. Atualmente, o principal uso da infiltração de resina é para promover a melhora estética dos dentes. (Torres et al., 2024). A resina infiltrante, por sua baixa viscosidade, consegue penetrar no esmalte hipomineralizado, melhorando a propriedade mecânica e evitando a progressão das lesões. Conforme demonstrado por Nogueira et al. (2021), a infiltração de resina demonstrou ser mais eficaz que a terapia com verniz fluoretado para manter a integridade estrutural dos dentes reduzindo o risco de fraturas no esmalte durante um período de 18 meses de acompanhamento. Outro estudo, realizado por Ozgur et al. (2023), também evidenciou a eficácia da infiltração de resina no mascaramento das lesões hipomineralizadas de molares e incisivos garantindo estabilidade de cor durante 6 meses, e após esse tempo não houve alterações significativas. Resultados semelhantes foram observados no ensaio clínico conduzido por Altan e Yilmaz (2023), que avaliou o efeito de mascaramento da técnica com resina infiltrate em lesões hipomineralizadas durante 1, 3 e 6 meses após o tratamento. O estudo revelou que houve uma diminuição significativa nas áreas de lesão após o tratamento com Icon, que se manteve estável durante os seis meses de acompanhamento. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 342 Fields] OR ("physical"[All Fields] AND "activity"[All Fields]) OR "physical activity"[All Fields])) AND ((y_5[Filter]) AND (ffrft[Filter]) AND (fft[Filter])) Fonte – autores, 2025 CRITERIOS DE ELEGIBILIDADE Foram incluídos estudos que atendiam aos seguintes critérios: (1) Estudos conduzidos exclusivamente com seres humanos; (2) Estudos observacionais (coorte, caso-controle e transversais) e ensaios clínicos randomizados ou não randomizados; (3) Estudos que avaliassem, direta ou indiretamente, a prática de atividade física associada a saúde periodontal. Foram excluídos: (1) Revisões sistemáticas, revisões narrativas, metanálises e outros estudos de síntese; (2) Estudos experimentais in vitro ou conduzidos em modelos animais; (3) Estudos que não abordassem a influência da atividade física na saúde periodontal. SELECAO DOS ESTUDOS Um fluxograma conforme as diretrizes PRISMA (16) será utilizado para o processo de seleção dos estudos. O processo de seleção será realizado em duas etapas. Inicialmente, dois revisores independentes farão a triagem dos títulos e resumos identificados na busca eletrônica. Os estudos potencialmente elegíveis serão submetidos à leitura completa para aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Divergências entre os revisores serão resolvidas por consenso ou por um terceiro revisor. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 343 Figura 1 – Etapas da seleção dos estudos baseados no fluxograma PRISMA EXTRACAO DOS DADOS Os dados dos estudos incluídos serão extraídos por dois revisores de forma independente, utilizando um formulário padronizado previamente elaborado. Serão coletadas as seguintes informações, conforme quadro 2. Quadro 2 – questionário elaborado pelos autores para extração dos dados 1-) Autor e ano de publicação 2-) Pais 3-) Delineamento do estudo Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 344 4-) Características da população 5-) forma de avaliação da atividade física 6-) desfechos periodontais analisados ou métodos de avaliação 7-) Principais resultados 8-) Conclusões Fonte – autores, 2025 APRESENTACAO DOS RESULTADOS Os dados extraídos serão sintetizados qualitativamente por meio de tabelas descritivas (Tabelas 1 e 2) das principais características e achados dos estudos incluídos. RESULTADOS A presente revisão integrativa incluiu 11 estudos publicados entre 2021 e 2025, que abordaram a associação entre atividade física e saúde periodontal. Entre os estudos analisados, 10 foram de delineamento transversal, utilizando diferentes bases populacionais e metodologias de avaliação. Apenas 1 estudo foi classificado como ensaio clínico randomizado, controlado e cego (17). Dez dos onze estudos incluídos observaram uma associação inversa significativa entre baixos níveis de atividade física e pior status de saúde periodontal (17,18,19,20,21,22,23,24) Por outro lado, o estudo de Buti et al. (25), embora tenha demonstrado tendências de correlação entre baixa aptidão física e parâmetros periodontais desfavoráveis, não encontrou significância estatística em algumas associações, ressaltando a necessidade de amostras maiores e maior controle de variáveis de confusão. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 345 Tabela 1 – autor e ano de publicação, país de origem, e desenho dos estudos incluídos. AUTOR (ANO) PAÍS TIPO DE ESTUDO WERNICKE ET AL. (2021) Alemanha Ensaio clínico randomizado, controlado e cego HWANG ET AL. (2022) Coreia do Sul Transversal MARRUGANTI ET AL. (2022) Itália Transversal SEN ET AL. (2023) Turquia Transversal FU ET AL. (2024) EUA Transversal XU ET AL. (2024) EUA Transversal TSAI ET AL. (2024) Taiwan Transversal LIN ET AL. (2024) EUA Transversal QIU ET AL. (2025) China Transversal BUTI ET AL. (2025) Reino Unido Transversal MARRUGANTI ET AL (2025) Reino Unido Transversal Fonte – autores, 2025 Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 346 Tabela 1 – Características gerais dos estudos incluídos AUTOR (ANO) POPULAÇÃO OBJETIVO AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE FÍSICA PARÂMETROS PERIODONTA IS AVALIADO RESULTADOS CONCLUSÃO WERNICKE ET AL. (17) 37 pacientes com DM2 não insulinodependen te Avaliar o impacto da atividade física na saúde periodontal e nos níveis de HbA1c em pacientes com DM2 Programa supervisionad o de atividade física por 6 meses sangramento a sondagem, severidade da periodontite, HbA1c, hsCRP Houve redução significativa no sangramento a sondagem (p=0.005), severidade da periodontite (p=0.001) e HbA1c (p=0.010). hsCRP aumentou no grupo controle (p=0.04) AF melhora a saúde periodontal e o controle glicêmico em pacientes com DM2 HWANG ET AL. (2022) 12.689 adultos (KNHANES) Avaliar associação entre estilo de vida saudável e doença periodontal Atividade física, dieta, IMC Presença de doença periodontal Atividade física associada a menor risco de periodontite (OR=1.16; CI 1.04–1.30); estilo de vida globalmente saudável: OR=1.54 Práticas saudáveis, incluindo AF, estão associadas à menor prevalência de periodontite MARRUGAN TI ET AL. (2022) 235 adultos Avaliar associação entre dieta mediterrânea, PA e severidade da periodontite Questionário validado sobre PA e adesão à dieta Estadiamento da periodontite (FEP) Baixo nível de AF e baixa adesão à dieta associados a OR=10.23 para estágio III/IV de periodontite Combinação de sedentarismo e dieta inadequada aumenta drasticamente o risco de periodontite severa Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 347 SEN ET AL. (2023) 235 adultos universitário Avaliar a relação entre status periodontal, atividade física, dieta e cárie dentária Questionário validado sobre prática regular de PA Estadiamento da periodontite (FEP) e presença de cárie dentária Sedentarismo + baixa adesão à dieta aumentaram o risco de periodontite estágio III/IV (OR = 10,23) Estilo de vida inadequado está fortemente associado à periodontite severa e cárie FU ET AL. (2024) 9605 adultos (2009–2014) Avaliar interação entre atividade física no lazer, exposição à nicotina (cotinina) e risco de periodontite METmin/semana em atividades de lazer Diagnóstico clínico de periodontite PA <750 METmin/sem associada a maior risco de periodontite (OR=1.44; CI 1.17–1.78); PA elevada + baixa cotinina: risco reduzido AF reduz risco de periodontite, especialmente em indivíduos não expostos ao tabaco XU ET AL. (2024) 5611 adultos (2009–2014) Avaliar associação entre combinações de estilos de vida saudáveis e periodontite AF: ≥3,5h/semana moderada a vigorosa Presença de periodontite (NHANES) Maior escore de estilo de vida saudável associado a menor prevalência de periodontite (p<0.05). Combinação de não fumar, beber moderadament e, IMC saudável e bom sono apresentou OR=0.33 (CI 0.21–0.50) Comportamento s saudáveis combinados reduzem significativamen te o risco de periodontite TSAI ET AL. (2024) 334 militares (18– 44 anos) Investigar associação entre níveis de Tempo de corrida Definição 2017 da World Workshop AF <150 min/sem associada a AF moderada ≥150 min/sem associada à Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 348 AF conforme diretrizes cardiovascular es e periodontite semanal autorelatado maior chance de periodontite (OR=2.45); AF ≥150 min/sem = proteção melhor saúde periodontal LIN ET AL. (2024) 9034 adultos Avaliar padrões de estilo de vida modificáveis e risco de periodontite Inclusão de atividade física, sono, tabagismo, exames bucais Periodontite (def. CDC/AAP) Estilo de vida com sedentarismo, tabagismo e sono inadequado = OR 1.80 para periodontite Estilos de vida pouco saudáveis elevam significativamen te o risco de doença periodontal QIU ET AL. (2025) 120 universitários (18–29 anos) Avaliar relação entre AF e status periodontal IPAQ simplificado IPC AF insuficiente associada a maior risco de periodontite (OR=5.29; p=0.018); FA vigorosa protetora (p=0.006) AF adequada reduz significativamen te o risco de periodontite em jovens adultos BUTI ET AL. (2025) 89 policiais britânicos (idade média 41,5 anos; 71,9% homens) Avaliar associação entre saúde periodontal e aptidão física VO2max, Loadmax, salto vertical (CMJ), acelerômetro % sítios com PPD>4mm, FMBS, DMFT PS > 4mm correlacionouse negativamente com força e resistência, embora sem significância estatística. FMBS associado ao tempo em atividade leve e sedentária (p<0.05) Baixa aptidão física pode estar relacionada com piores parâmetros periodontais Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 349 MARRUGAN TI ET AL. (2025) 49.066 adultos, 40–70 anos Analisar a associação entre estilo de vida saudável e saúde periodontal Questionário sobre atividade física, dieta, sono, fumo Autorrelato: sangramento gengival, mobilidade dentária AF inversamente associada a sinais de periodontite autorreferida. OR ajustado: 0,77 (IC95%: 0,74–0,80) Estilo de vida ativo está associado à melhor saúde bucal subjetiva Lista de abreviações: DM2 – Diabetes tipo 2; AF – Atividade Física; HbA1c – Hemoglobina Glicada; hsCRP – Proteína C Reativa Ultrassensível; VO₂max – Consumo Máximo de Oxigênio (Maximum Oxygen Uptake); Loadmax – Carga máxima atingida em teste de esforço (Maximum Load); CMJ – Countermovement Jump (Salto com contramovimento); DMFT – Dentes cariados, perdidos e obturados (Decayed, Missing and Filled Teeth); FMBS – Percentual de Sangramento em Boca Cheia (Full Mouth Bleeding Score); PS – Profundidade de Sondagem ; MET – Equivalente Metabólico (Metabolic Equivalent of Task); IPAQ – Questionário Internacional de Atividade Física (International Physical Activity Questionnaire); IPC – Índice Periodontal Comunitário ; FEP – Federação Europeia de Periodontologia; IMC – Índice de Massa Corporal; CDC/AAP – Centers for Disease Control and Prevention / American Academy of Periodontology. DISCUSSÃO O presente estudo reuniu evidências científicas que indicam uma associação consistente entre a prática de atividade física e a melhora da saúde periodontal. Os dados analisados demonstram que indivíduos fisicamente ativos apresentam parâmetros periodontais mais favoráveis quando comparados àqueles sedentários. Do ponto de vista clínico, observou-se que a atividade física pode contribuir significativamente para a redução de marcadores inflamatórios periodontais. Wernicke et al. (17), em um ensaio clínico randomizado com pacientes diabéticos tipo 2, verificaram que a intervenção com atividade física por seis meses reduziu significativamente o sangramento à sondagem (p = 0,005) e a severidade da periodontite (p = 0,001), além de melhorar o controle glicêmico (HbA1c, p = 0,010). Esses achados sugerem que a atividade física, ao reduzir a inflamação sistêmica, pode interferir positivamente na resposta periodontal. Consoante ao que foi observado em modelos periodontite induzida, os benefícios da atividade física sobre a saúde periodontal parecem estar relacionados à modulação da resposta inflamatória crônica, característica da periodontite. Estudos demonstram que a prática regular de exercício físico reduz citocinas pró-inflamatórias como interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral-alfa (TNF-α) e proteína C-reativa Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 350 (PCR), as quais estão implicadas na patogênese da destruição tecidual periodontal (13,14). A análise de biomarcadores realizada em dois grandes bancos populacionais (NHANES e UK Biobank), reforça essa evidência, ao mostrar que o efeito protetor da atividade física sobre a periodontite pode ser parcialmente mediado por reduções nos níveis de leucócitos, neutrófilos e PCR.(15) Parâmetros clínicos objetivos como profundidade de sondagem (PS), nível de inserção clínica (NIC) e sangramento gengival foram mais favoráveis em indivíduos fisicamente ativos. No estudo de Qiu et al. (21), realizado com universitários chineses, aqueles que cumpriam as diretrizes da OMS (≥150 min/sem de atividade moderada) apresentaram risco cinco vezes menor de desenvolver periodontite (OR = 5,29; p = 0,018), sendo a atividade vigorosa particularmente protetora (p = 0,006). De maneira semelhante, Tsai et al. (22), ao avaliar militares taiwaneses, observaram que indivíduos com níveis insuficientes de atividade física (<150 min/sem) tiveram 2,45 vezes mais chance de apresentar periodontite (IC95%: 1,24–4,82). Em uma perspectiva multidimensional, Xu et al. (23) identificaram que a combinação de quatro hábitos saudáveis — não fumar, ingerir álcool com moderação, IMC adequado e atividade física regular — reduziu substancialmente a prevalência de periodontite (OR = 0,33; IC95%: 0,21–0,50). Marruganti et al. (24), por sua vez, demonstraram que indivíduos com baixa adesão à dieta mediterrânea associada à inatividade física apresentaram 10 vezes mais chance de desenvolver periodontite severa (OR = 10,23; IC95%: 4,01–26,09). E valido destacar que nem todos os estudos apresentaram associações estatisticamente significativas. Buti et al. (25), ao avaliar policiais britânicos com métodos laboratoriais e clínicos de alto rigor, observaram correlações negativas entre VO2max e percentual de sítios com PPD>4mm e sangramento gengival. Apesar disso, as associações não alcançaram significância estatística (p > 0,05), possivelmente em razão do tamanho amostral reduzido e do efeito de confundidores como idade e adiposidade corporal. Os achados desta revisão possuem implicações clínicas relevantes. A incorporação da promoção da atividade física como medida coadjuvante à terapêutica periodontal pode representar uma abordagem preventiva e terapêutica de baixo custo e alto impacto. Além disso, ao influenciar positivamente fatores metabólicos e imunoinflamatórios, o exercício físico pode colaborar na modulação do microbioma subgengival, um fator crítico na patogênese periodontal. Do ponto de vista científico, os dados indicam que a atividade física deve ser considerada em estudos futuros como uma variável independente de interesse na etiopatogenia da periodontite. Contudo, algumas limitações metodológicas ainda precisam ser superadas. A heterogeneidade entre os instrumentos de avaliação da atividade física, a variabilidade na definição e classificação da periodontite, bem como a natureza predominantemente transversal dos estudos, dificultam o estabelecimento de relações causais. Assim, futuras pesquisas devem priorizar delineamentos longitudinais e intervenções controladas, com mensuração padronizada da atividade física e avaliação clínica periodontal completa. Além disso, mais Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Aug 20, 2025 ISSN 3085-8097 Influência da atividade física na saúde periodontal: Uma revisão integrativa da literatura Araujo, VCM; Saraiva AC; Bronzelli BMB; Rocha AC; Uenoyama Dezem T 351 pesquisas em modelos experimentais devem ser conduzidas de modo que a análise de biomarcadores inflamatórios e imunológicos possa esclarecer os mecanismos biológicos subjacentes à associação observada. CONCLUSÃO Os achados desta revisão evidenciam que a atividade física exerce efeitos benéficos sobre a saúde periodontal. Os estudos incluídos demonstram que indivíduos fisicamente ativos apresentam menor prevalência e menor gravidade da doença periodontal, possivelmente por mecanismos anti-inflamatórios e imunorregulatórios. Desse modo, o incentivo ao um estilo de vida ativo deve ser considerado estratégia complementar na prevenção e manejo da periodontite, com intuito de contribuir para a saúde bucal e geral da população. No entanto, ainda existem lacunas na literatura referentes ao predomínio do delineamento transversal dos estudos o que limita o estabelecimento de causalidade, o que reforça a necessidade de ensaios clínicos randomizados e estudos experimentais para confirmar a efetividade da atividade física como adjuvante no tratamento periodontal e esclarecer os mecanismos biológicos envolvidos. REFERÊNCIAS 1. Physical Activity Guidelines [Internet]. ACSM. [citado 12 de agosto de 2025]. Disponível em: https://acsm.org/education-resources/trending-topics-resources/physical-activity-guidelines/ 2. Organization WH. Physical activity fact sheet. 2021 [citado 12 de agosto de 2025]; Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/346252 3. Caspersen CJ, Powell KE, Christenson GM. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for health-related research. Public Health Rep Wash DC 1974. 1985;100(2):126– 31. 4. Dasso NA. How is exercise different from physical activity? A concept analysis. Nurs Forum (Auckl). janeiro de 2019;54(1):45–52. 5. Warburton DER, Nicol CW, Bredin SSD. Health benefits of physical activity: the evidence. CMAJ Can Med Assoc J. 14 de março de 2006;174(6):801–9. 6. DHULI K, NAUREEN Z, MEDORI MC, FIORETTI F, CARUSO P, PERRONE MA, et al. Physical activity for health. J Prev Med Hyg. 17 de outubro de 2022;63(2 Suppl 3):E150–9. 7. Myers J, Prakash M, Froelicher V, Do D, Partington S, Atwood JE. Exercise capacity and mortality among men referred for exercise testing. N Engl J Med. 14 de março de 2002;346(11):793–801. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 16, 2025 ISSN 3085-8097 Influência dos padrões alimentares na obesidade infantil como determinantes para o desenvolvimento da cárie dentária: uma análise do ciclo de desmineralização e remineralização Brito ALA; Souto FCB 438 YEN, C. E.; LIN, Y. Y.; HU, S. W. Anthropometric status, diet, and dental caries among schoolchildren. International Journal of Environmental Research and Public Health, Basel, v. 18, n. 13, p. 7027, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.3390/ijerph18137027. Acesso em: 22 jul. 2025. ZHANG, Y. et al. Childhood obesity in relation to risk of dental caries: a cumulative and dose-response systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health, v. 24, n. 733, p. 1-16, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12903-024-04733-5. Disponível em: https://bmcoralhealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12903-024-04733-5. Acesso em: 25 set. 2025. BRAZILIAN JOURNAL OF ORAL AND SYSTEMIC HEALTH DOI doi.org/10.5281/zenodo.17382317 http://bjoshealth.com.br ISSN 3085-8097 APLICAÇÃO DO FLÚOR NA ODONTOPEDIATRIA: INDICAÇÕES E CUIDADOS Fluoride Application in Pediatric Dentistry: Indications and Care Volume 1 Número 2 Jul-Dez 2025 REVISÃO DE LITERATURA Kauane Karoline da Silva1 ; Denise de Souza Matos2 RESUMO Introdução: A cárie dentária é uma das doenças mais prevalentes na infância, podendo comprometer o bem-estar geral da criança. O flúor é amplamente utilizado como medida preventiva eficaz e segura contra essa condição. No entanto, o uso inadequado pode causar fluorose dentária. Além disso, a ingestão acidental ou excessiva de produtos fluoretados, como cremes dentais e soluções concentradas, pode resultar em intoxicação aguda por flúor, um quadro clínico grave que exige atenção imediata. Objetivo: Analisar, com base em evidências científicas, as indicações, formas de uso, benefícios, riscos e cuidados no uso do flúor em crianças, orientando condutas seguras e eficazes na odontopediatria. Metodologia: Realizou-se uma revisão de literatura utilizando o acrônimo CoCoPoP (Condição–Contexto–População) para avaliar a eficácia do flúor na odontopediatria. As bases de dados utilizadas foram PubMed, Scielo, Bireme, Google Scholar e SciSpace. Resultados: Os estudos analisados demonstraram a eficácia do flúor no controle da cárie. Destacaram-se a fluoretação das águas de abastecimento como medida coletiva eficaz, além do uso de géis, vernizes e dentifrícios com concentrações adequadas. A maioria dos estudos enfatiza a importância da avaliação individual do risco de cárie para definir o protocolo de fluorterapia. Discussão: O uso racional do flúor, com indicação individualizada e supervisão profissional, é essencial. O verniz fluoretado é mais seguro para crianças pequenas, pois reduz o risco de ingestão. Dentifrícios fluoretados são eficazes, desde que usados em quantidade apropriada. A educação dos pais é fundamental para garantir o uso seguro. Conclusão: O flúor é um aliado importante na odontopediatria. Seu uso deve ser baseado em evidências, adaptado à idade e ao risco de cárie, com orientação adequada do cirurgião-dentista. 1 – Discente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil 2 - Docente do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM, Patos de Minas, MG, Brazil Autor de Correspondência: Kauane Karoline da Silva email: [email protected] Palavras-chave: Cárie dentária; Flúor; Fluorose dentária; Odontopediatria; Prevenção; Saúde bucal infantil. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 440 ABSTRACT Introduction: Dental caries is one of the most prevalent childhood diseases and can compromise a child's overall well-being. Fluoride is widely used as an effective and safe preventive measure against this condition. However, improper use can lead to dental fluorosis. Additionally, accidental or excessive ingestion of fluoridated products, such as toothpastes and concentrated solutions, can result in acute fluoride toxicity, a serious clinical condition that requires immediate attention. Objective: To analyze, based on scientific evidence, the indications, methods of use, benefits, risks, and precautions regarding the use of fluoride in children, aiming to guide safe and effective practices in pediatric dentistry. Methodology: A literature review was conducted using the CoCoPoP acronym (Condition–Context–Population) to evaluate the effectiveness of fluoride in pediatric dentistry. The scientific databases used were PubMed, Scielo, Bireme, Google Scholar, and SciSpace. Results: The analyzed studies demonstrated the effectiveness of fluoride in controlling dental caries. Water fluoridation stood out as an effective collective measure, along with the use of gels, varnishes, and toothpastes with appropriate concentrations. Most studies emphasize the importance of individual caries risk assessment to determine the proper fluoride therapy protocol. Discussion: The rational use of fluoride, with individualized indication and professional supervision, is essential. Fluoride varnish is safer for young children as it reduces the risk of ingestion. Fluoridated toothpastes are also effective when used in the correct amount. Educating parents is crucial to ensure safe use. Conclusion: Fluoride is an important ally in pediatric dentistry. Its use should be evidence-based, adapted to the child's age and caries risk, with proper guidance from the dental professional. Keywords: Dental caries; Fluoride; Dental fluorosis; Pediatric dentistry; Prevention; Child oral health. INTRODUÇÃO A cárie dentária infantil permanece como uma das doenças mais prevalentes e significativas em saúde pública globalmente, afetando mais de 530 milhões de crianças, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde. A prevenção efetiva da cárie é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar das crianças, e o uso do flúor constitui a principal estratégia preventiva reconhecida pela sua eficácia na remineralização do esmalte e no controle da microbiota oral (SOUSA et al., 2022; WHO., 2023). Diversas formas de aplicação do flúor são indicadas na odontopediatria, incluindo os métodos coletivos como a fluoretação da água e os métodos individuais como o uso tópico por meio de cremes dentais, vernizes e géis. Dentro deste contexto, a fluoretação da água tem se mostrado uma medida segura e eficaz na redução da cárie em várias populações, especialmente em regiões com acesso limitado a outros recursos preventivos. Já os cremes dentais fluoretados, utilizados diariamente, são recomendados para todas as faixas etárias, com adaptações na concentração e quantidade conforme a idade da criança, géis e vernizes, por sua vez, devem ser indicados e utilizados somente por profissionais habilitados (DOS SANTOS et al., 2022). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 441 Apesar dos benefícios, o uso inadequado do flúor pode resultar em fluorose dentária, caracterizada por hipomineralização do esmalte, que varia de leves manchas brancas a alterações estéticas mais severas. Essa condição está associada principalmente à ingestão crônica e excessiva de flúor durante o desenvolvimento dos dentes permanentes. Além disso, a ingestão acidental de grandes quantidades de produtos fluoretados, como cremes dentais, enxaguantes bucais ou materiais fluoretados de uso profissional, pode causar intoxicação aguda, especialmente em crianças pequenas, que têm menor peso corporal. Os sintomas podem incluir náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e, em casos mais graves, distúrbios neurológicos e cardiovasculares. Portanto, a supervisão da escovação e o controle rigoroso da quantidade de creme dental utilizada são essenciais para minimizar esses riscos, conforme enfatizado por recentes diretrizes clínicas (MANI, 2009; WONG et al., 2010). As recomendações atuais indicam que crianças menores de 3 anos devem usar uma quantidade de creme dental fluoretado do tamanho de um grão de arroz, enquanto aquelas entre 3 e 6 anos podem usar uma quantidade do tamanho de uma ervilha, sempre estimulando a a criança a cuspir os resíduos de espuma após a escovação e com supervisão parental para evitar ingestão excessiva. Além disso, novas tecnologias e formulações têm sido desenvolvidas para otimizar a liberação de flúor, aumentando sua eficácia e segurança na prevenção da cárie infantil (COUTINHO et al., 2022; ALAVI et al., 2024). Por fim, a atualização constante das práticas clínicas é indispensável para garantir que o uso do flúor continue sendo uma ferramenta segura e eficaz na odontopediatria. A integração das evidências científicas mais recentes, aliada à educação dos cuidadores, é fundamental para o sucesso das estratégias preventivas baseadas no flúor (BLUMER et al., 2018). O objetivo deste trabalho buscou revisar as indicações e cuidados relacionados ao uso do flúor na odontopediatria, abordando as diferentes formas de aplicação, dosagens recomendadas e provavelmente tóxicas, medidas para prevenir efeitos adversos, com base nas evidências científicas mais recentes. METODOLOGIA Este trabalho trata-se de uma revisão de literatura narrativa, com abordagem qualitativa, que teve como objetivo investigar as indicações e os cuidados relacionados ao uso do flúor em Odontopediatria, com base nas evidências científicas mais recentes. Para orientar a construção da pergunta de pesquisa, foi utilizado o acrônimo CoCoPop (Condição – Contexto – População), com a seguinte formulação: "Qual a efetividade e o risco do uso do flúor (Condição) Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 442 em contextos de atenção odontológica pediátrica (Contexto) na prevenção da cárie e redução de efeitos adversos em crianças (População)?" A busca por estudos relevantes foi realizada nas bases de dados científicas PubMed, Scielo, Bireme, Google Scholar e com o auxílio da ferramenta de inteligência artificial SciSpace. As expressões de busca utilizadas incluíram os termos: "flúor", "saúde bucal infantil", "odontopediatria", "fluorose dentária", "prevenção de cárie", "creme dental fluoretado", "supervisão parental", "protocolos de aplicação tópica de flúor" e “intoxicação aguda “. Foram incluídos estudos publicados nos últimos 5 anos, nos idiomas português e inglês, que abordassem o uso do flúor em crianças, incluindo suas formas de aplicação, dosagens, eficácia e potenciais riscos. Os critérios de exclusão compreenderam artigos da literatura cinzenta como teses, dissertações, monografias e trabalhos de conclusão de curso, estudos não revisados por pares, artigos de opinião e publicações com dados insuficientes sobre a temática. Os artigos selecionados estão descritos na figura 1 e tabela 1. Figura 1 - Fluxograma da seleção dos estudos. Fonte: Os autores Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 443 Tabela 1: Identificação dos estudos selecionados para a revisão narrativa da literatura. Autor/ Ano Revista Tipos de Estudo Avaliação Principais Resultados ALAVI et al., 2024 Journal of Drug Delivery Science and Technology Revisão integrativa da literatura Nanotecnologia biorresponsiva em odontopediatria Redução de toxicidade e maior eficácia BLUMER et al., 2018 Journal of Clinical Pediatric Dentistry Estudo transversal Atitudes dos pais sobre flúor e selantes Falta de orientação adequada compromete saúde bucal infantil CALVO et al., 2012 Caries Research Ensaio clínico Efeito versus tempo de aplicação Efeito semelhante independente do tempo. COUTINHO et al., 2022 Científica do CRO-RJ Revisão narrativa da literatura Abordagem integral da cárie na infância. Importância da prevenção desde os primeiros anos. DE OLIVEIRA et al., 2023 Facit Business and Technology Journal Revisão narrativa da literatura O uso de dentifrícios fluoretados na primeira infância e conhecimentos parentais/profission ais. O uso correto de dentifrícios fluoretados previne a cárie, mas a falta de orientação aumenta o risco de fluorose DOS SANTOS et al., 2022 Pensar Acadêmico Revisão integrativa da literatura Fluorose dentária A fluorose está associada à ingestão excessiva de flúor durante a formação dental. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 444 GOEBEL et al., 2025 Revista Eletrônica Acervo Saúde Revisão integrativa da literatura Fluorose dentária. Destaca a necessidade de novas pesquisas sobre estratégias de tratamento. LIMA et al., 2023 Revista Contemporânea Revisão narrativa da literatura Nanotecnologia em materiais odontológicos Potencial para regeneração dentinária e controle de liberação MANI, 2009 Arquivos de Ciências Orofaciais Revisão narrativa da literatura Diretrizes clínicas sobre uso de flúor Uso racional do flúor é recomendado PRASAD et al., 2023 Front. Public Health Estudo transversal Estudo em comunidade rural Alta prevalência de fluorose SILVA et al.,2021 Brazilian Dental Journal Estudo transversal Efeito da água fluoretada em escolares Redução de cárie e risco de fluorose associado ao uso de dentifrício fluoretado SOUSA et al., 2022 Brazilian Oral Research Ensaio clínico Uso de verniz fluoretado e gel neutro Alta eficácia do verniz e gel fluoretado na prevenção TOUMBA et al., 2019 European Archives of Paediatric Dentistry Diretriz clínica Uso do flúor em crianças Atualização das recomendações da EAPD para uso seguro e eficaz do flúor Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 445 Fonte: Os autores RESULTADOS O flúor tem sido utilizado há muito tempo como um dos principais agentes na prevenção da cárie dentária, especialmente na população pediátrica. Seu mecanismo de ação se dá, principalmente, pela promoção da remineralização do esmalte e pela inibição da desmineralização, além de atuar de forma bacteriostática sobre a microbiota cariogênica. A eficácia é potencializada quando utilizada de forma contínua e adequada desde a infância (SOUSA et al., 2022). A fluoretação das águas de abastecimento público é reconhecida como uma das intervenções mais eficazes e equitativas em saúde pública bucal. Estudos, como o de DOS SANTOS et al. (2022), apontam que essa medida pode reduzir a prevalência de cárie em até 60% nas populações infantis, sendo especialmente benéfica em comunidades de baixa renda, onde o acesso a serviços odontológicos é limitado. O uso de dentifrícios fluoretados é recomendado desde o nascimento do primeiro dente, com atenção rigorosa às quantidades empregadas. Destaca-se que o uso de pastas com concentrações entre 1000 e 1100 ppm de flúor é seguro e eficaz quando há supervisão adequada, contribuindo significativamente para a redução da cárie sem aumento expressivo do risco de fluorose (COUTINHO et al., 2022). A aplicação profissional de verniz fluoretado, especialmente a 5% (22.600 ppm F), tem se mostrado altamente eficaz na prevenção da cárie, principalmente em crianças com alto risco. WONG et al. (2010) reforçam que essa modalidade apresenta uma liberação prolongada de flúor, com baixíssimo risco de toxicidade, sendo recomendada semanalmente, como nos casos de cárie precoce e severa da infância ou em intervalos maiores, conforme avaliação clínica. WHO, 2023 World Health Organization Nota técnica/ relatório Panorama da saúde bucal global Alta prevalência de cárie; necessidade de estratégias preventivas WONG et al., 2010 Cochrane Database of Systematic Reviews Revisão sistemática da literatura Flúor tópico como causa de fluorose Flúor tópico pode causar fluorose em crianças Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 446 Além do verniz, os géis fluoretados, como o acidulado com concentração de 1,23% (12.300 ppm F) ou o neutro 2% (9050 ppm F), são indicados para crianças com risco moderado a alto de cárie. A aplicação desses produtos em ambiente clínico proporciona um aumento da resistência do esmalte contra os desafios ácidos, contribuindo para uma significativa redução de lesões cariosas (MANI, 2009). Na aplicação profissional de flúor em crianças, é essencial seguir medidas de biossegurança que envolvem o uso de isolamento relativo efetivo ou moldeiras próprias, controle rigoroso da quantidade de produto, sucção de alta potência para evitar ingestão, posicionamento do paciente na cadeira levemente inclinado, além de óculos de proteção no paciente, EPIs completos pelo cirurgião-dentista, além da higienização das mãos e superfícies clínicas. Esses cuidados, aliados à orientação aos responsáveis no pósatendimento, garantem maior eficácia do procedimento, reduzem riscos de acidentes e asseguram a segurança tanto da criança quanto da equipe odontológica (DE OLIVEIRA et al., 2023). Quanto ao tempo de aplicação, embora muitos fabricantes recomendem a manutenção do produto durante 4 minutos na cavidade bucal, é possível encontrar na literatura dados que que evidenciam que a quantidade de fluoreto de cálcio formado na cavidade bucal após o tempo de 1 minuto é semelhante ao formado em 4 minutos. Levando-se em consideração o risco da ingestão e de toxicidade água, a manutenção do produto por menor tempo na cavidade bucal é de grande relevância clínica (CALVO et al., 2012). Por outro lado, o risco de desenvolvimento de fluorose dentária continua sendo uma preocupação, principalmente quando há exposição crônica e descontrolada ao flúor durante os anos de formação dos dentes permanentes. GOEBEL et al. (2025) alerta que, embora a fluorose leve tenha impacto estético mínimo, casos moderados e severos podem gerar insatisfação estética e impacto psicossocial. A concentração ideal de flúor na água de abastecimento público, recomendada por órgãos de saúde, varia entre 0,7 e 1,0 mg/L, sendo eficaz na prevenção da cárie dentária sem causar efeitos adversos. No entanto, doses superiores a 2,0 mg/L aumentam significativamente o risco de fluorose dental, e concentrações acima de 5 mg/kg de peso corporal são consideradas tóxicas, podendo levar à intoxicação aguda, especialmente em crianças (SOUSA et al., 2022). A intoxicação aguda por flúor acontece quando há ingestão de grandes quantidades em pouco tempo, especialmente por crianças. Os sinais mais comuns incluem mal-estar geral, desconforto estomacal, salivação excessiva e episódios de vômito. Em situações mais graves, podem surgir dificuldades respiratórias, tremores e alterações no ritmo cardíaco (DOS SANTOS et al., 2022). A tabela a seguir relaciona as quantidades provavelmente tóxicas (DPT) para uma criança de 20kg. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 18, 2025 ISSN 3085-8097 Aplicação do flúor na odontopediatria: indicações e cuidados Silva KK; Matos DS 447 Tabela 2: Quantidade provavelmente tóxica de fluoreto (DPT) para uma criança de 20kg. Método / Concentração Equivalência mg F / g DPT (5mg/kg) para uma criança de 20kg Dentifrício 1100 ppm F 1,1 mg F/g 90,9 g (@ 1 bisnaga) * Dentifrício 1500 ppm F 1,5 mg F/g 66,7 g (@ ½ bisnaga) * Gel acidulado 1,23% (12300 ppm F) 12,3 mg F/g 8,13 g (@ 11/2 colheres de chá)** Gel neutro 2,0% (9050 ppm F) 9,05 mg F/g 11,0 g (@ 2 colheres de chá)** Verniz NaF 5% (22600 ppm F) 22,6 mg F/g 4,42 g (@ 1 colher de chá)** Solução NaF 0,05% (225 ppm F) 0,225 mg F/ml 444,4 ml (@ 2 copos americanos)*** Solução NaF 0,2% (905 ppm F) 0,905 mg F/ml 110,4 ml (@ 1/2 copo americano)*** Fonte: Adaptado de ASSED, S. Odontopediatria: bases científicas para a prática clínica. 1ed. São Paulo: Artes Médicas, 2005. *Levando-se em consideração uma bisnaga de 100 gramas. **Levando-se em consideração uma colher de chá com capacidade 5 gramas. ***Levando-se em consideração um copo americano com capacidade de 200 ml. Pesquisas como a de BLUMER et al. (2018) mostram que o nível de conhecimento dos pais sobre o uso seguro do flúor ainda é insuficiente em muitas comunidades. A falta de orientação adequada está diretamente associada a práticas incorretas, como o uso excessivo de creme dental fluoretado ou ausência de supervisão durante a escovação ou ainda sobre a não utilização de pastas fluoretadas desde o nascimento do primeiro dente. A supervisão dos pais durante a escovação é essencial para garantir o uso correto do creme dental fluoretado e prevenir a ingestão excessiva de flúor especialmente em crianças pequenas que ainda não têm total controle sobre a deglutição. Sendo assim, TOUMBA et al. (2019) afirma que é responsabilidade dos responsáveis dosar corretamente a quantidade de creme dental. Inovações tecnológicas vêm contribuindo para a segurança e eficácia do flúor na Odontopediatria. ALAVI et al. (2024) descrevem que sistemas de liberação controlada baseados em nanotecnologia estão sendo desenvolvidos, permitindo uma oferta constante de flúor no ambiente bucal, com menores riscos de toxicidade sistêmica e maior aderência do mineral ao esmalte. As diretrizes internacionais reforçam que a avaliação individualizada do risco de cárie é muito importante para determinar a necessidade e a frequência das intervenções com flúor. Recomenda-se que profissionais de odontologia adotem protocolos baseados em risco, considerando fatores como dieta, higiene bucal, acesso ao flúor e histórico de cárie (TOUMBA et al., 2019). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 454 dificuldades de cicatrização e até mesmo o câncer (OLIVEIRA, 2024). Portanto, é notório que o uso de CE configura um potencial agravante para saúde pública devido seus efeitos negativos sobre a saúde de seus usuários. Segundo o Ministério da saúde, o tabagismo, representa um problema de saúde pública e fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças. Além disso, existe um agravante ainda maior quando se trata do uso de CE, já que este dispositivo tem o efeito de potencializar a dependência por parte de seus usuários, aumentando o número de tabagistas. A explicação para isso reside no fato de que essa substância é responsável pela mudança na bioquímica no cérebro, provocando uma sensação de satisfação, relaxamento e dependência (OLIVEIRA et. al., 2024). Além dos efeitos negativos citados acima, o dispositivo também causa efeitos negativos psicológicos no usuário. Por exemplo, a nicotina encontrada na composição no C.E é um composto químico viciante e estimulante. Portanto, ao tragar aquele composto do dispositivo, o Sistema Nervoso Central capta estímulo e libera a dopamina. A Dopamina é um neurotransmissor que atua no cérebro responsável por regular funções como: humor, sensação, movimentos, atenção. Logo, gera no usuário uma sensação de prazer momentânea e por consequência faz com que os usuários repitam aquela ação, levando ao vício e a dependência (ITO et. al., 2023). Este trabalho configura uma revisão narrativa de literatura e tem como objetivo apresentar as alterações nocivas causadas à saúde dos usuários de cigarros eletrônicos, destacando-se as alterações ao sistema cardiovascular, pulmonar e principalmente na cavidade oral; a fim de disseminar informações para a população sobre questões importantes que devem ser tratadas com maior relevância pela sociedade. Esperase também que este trabalho possa contribuir com a criação de estratégias para a conscientização e prevenção da população acerca do tema. METODOLOGIA O estudo em questão, trata-se de uma revisão narrativa de literatura que tem como pauta a pergunta de estudo “Como o uso do cigarro eletrônico pode alterar a cavidade oral, e quais são os riscos à saúde relacionados ao uso desse dispositivo? Tal pergunta foi elaborada utilizado a estratégia CoCoPop (Conteúdo, Contextualização e População), com as seguintes atribuições: • Conteúdo: Cigarro eletrônico e a saúde • Contextualização: Os efeitos do cigarro eletrônico na cavidade oral • População: Cirurgiões-dentistas e população em geral Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 455 A metodologia, segue as diretrizes do PRISMA (Principais Itens para Relatar Revisões Sistemáticas e Meta-análises) para sua relatoria, e a busca de artigos foi realizada nas bases de dados PUBMED/MEDLINE, Scielo via busca avançada do Google Acadêmico e EBSCO, utilizando dados primários e secundários, a partir das referências dos artigos selecionados em busca da amplificação da pesquisa. Foram empregadas as palavras chaves de busca “Cigarro Eletrônico, Saúde Bucal e Cárie Dentária” e seus respectivos termos correlatos na língua inglesa “Electronic Nicotine Delivery Systems, Oral Health and Dental Caries”. Foram selecionados artigos publicados nos últimos dez anos, ou seja, de 2015 a 2025. Os critérios de inclusão dos artigos na pesquisa são artigos sobre estudos transversais, longitudinais, clínicos e revisões de literatura que tratem de assuntos relacionados ao tema escolhido. Foram excluídas monografias, resumos publicados em anais de revistas, artigos duplicados (disponíveis em duas ou mais bases de dados), resumos e artigos que não atendam ao objetivo do estudo. Os resultados estão descritos no Quadro 1. Quadro 1 - Critérios de inclusão e exclusão elencados para seleção dos artigos. Critérios de inclusão Estudos clínicos que abrangessem os descritores propostos 2015 a 2025 Português e Inglês Critérios de exclusão Artigos duplicados, resumos e monografias Texto não disponível Outros Idiomas Fonte: Os autores, 2025. RESULTADOS E DISCUSSÃO O cigarro eletrônico (CE), conhecido também por “Vape, e-cigarro ou pod” foi criado no ano de 1963 na Pensilvânia e validado por Hebert Gilbert em 1965. No entanto, foi apenas no ano de 2003, que o dispositivo ganhou espaço no mercado. Foi desenvolvido por Hon Link, farmacêutico chinês que, após a morte do seu pai que havia sido diagnosticado com câncer grave de pulmão, decidiu criar métodos que supostamente fossem menos prejudiciais à saúde dos fumantes (SILVA, 2025). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 456 Então, decidiu usar a tecnologia da vaporização para transformar a nicotina liquida em vapor, evitando a combustão, acreditando-se reduzir assim os riscos associados ao fumo. Foi então que o farmacêutico patenteou seu invento e no ano seguinte o disponibilizou no mercado, ganhando rapidamente popularidade na China, América e Europa. Desde então, várias marcas de dispositivos foram surgindo e desenvolvendo vapes mais modernos (SILVA, 2025). O dispositivo é constituído por 3 partes: uma bateria que oferece grande quantidade de energia em um espaço compacto, um atomizador que é a peça responsável por transformar os líquidos em vapor, e um cartucho que pode ser preenchido por substancias aromatizadas. Atualmente, é disponibilizado uma grande variedade de sabores que podem ser incorporados à nicotina, por exemplo: frutas (SILVA, 2025). Apesar da simplicidade e atratividade de sua apresentação, seus constituintes, nada inofensivos, contém substâncias tais como: cádmio, cromo, manganês, níquel, óxido de propileno e propileno glicol; que quando combinados formam um coquetel altamente tóxico, viciante e cancerígeno (SILVA, 2025, AGOSTINI, et. al.,2024). Não bastassem todos os malefícios acima apresentados, uma característica adicional que contribui para aumentar a adesão ao uso dos CEs, trata-se do refil contido neste dispositivo, que é aquecido pelo atomizador e vaporizado com substâncias de odor agravável, como aquela com cheiro de frutas. De tal forma, não produzindo odor desagradável como o que acontece com o cigarro convencional, e assim contribuindo com seu uso e disseminação entre a população. Notem que de trás de uma apresentação atraente e moderna existe toda uma engenharia química capaz de contribuir para decomposição térmica de substâncias altamente nocivas ao organismo que atinge a cavidade oral e potencializa o agravo de doenças não apenas da cavidade oral, como também psíquica e sistêmica (AGOSTINI, et. al.,2024). Não obstante, o dispositivo do CE oferece menores quantidades de nicotina quando comparadas às do cigarro convencional, essa característica tem como justificativa diminuir o impacto nocivo do tabagismo sobre a saúde da população. Esse é o principal argumento utilizado pelos adeptos do uso do CE para justificarem a prática de tal hábito, que gradualmente vem ganhando espaço no mercado principalmente entre a população jovem (ROTTA et.al., 2024). O que essas mesmas pessoas desconhecem ou se negam a perceber é que a menor quantidade de nicotina não os protege de riscos à saúde, apenas mascara os danos a curto prazo, e assim, sem perceber essas pessoas adoecem e sofrem de riscos ainda maiores em médio e longo prazo quando comparados ao uso do cigarro convencional ((ITO et. al., 2023). No Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA é proibido a comercialização, importação e propaganda de todos os tipos de dispositivos eletrônicos para fumar desde o ano de 2009. Esse fato se deve aos efeitos negativos que o tabagismo causa na população, já que se configura como problema de saúde pública e fator de risco para o desenvolvimento de várias doenças, por exemplo: doenças pulmonares, cardiovasculares, doenças da cavidade oral e psicológicas (ROTTA et.al., 2024). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 457 Segundo uma análise de opinião da população sobre o uso do cigarro eletrônico, os principais consumidores do cigarro eletrônico são jovens de 18 a 27 anos do sexo masculino, já que o dispositivo é associado a jovialidade, é considerado por alguns como uma forma de socialização, um hábito menos prejudicial à saúde e que apresenta um odor agradável se comparado com o cigarro convencional. Além disso, sua ampla divulgação nas redes sociais, contribui para o aumento de usuários, já que desperta a curiosidade dos jovens. Com isso, uma grande parte dos usuários do cigarro convencional migraram para o uso do dispositivo eletrônico. Por exemplo, cerca de 10% da população masculina entre 18 a 27 anos em um estudo feito na cidade de Uberlândia, substituíram o cigarro convencional pelo eletrônico (SILVA, et al., 2025). O cigarro eletrônico pode contribuir para o surgimento de algumas doenças como, por exemplo: doenças pulmonares, doenças cardiovasculares, doenças associadas ao tabagismo e doenças na cavidade bucal. A doença pulmonar, mais frequente associada ao uso do dispositivo é o câncer de pulmão. É o tumor maligno com a maior taxa de mortalidade mundial no homem e uma doença passível de prevenção, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde (2024). O câncer de pulmão associa-se ao uso do CE, devido ao fato que de fumantes possuem 20 a 30 vezes mais chances de desenvolver tal condição (ARAÚJO, et. al., 2022) Além do câncer de pulmão, a lesão pulmonar relacionada ao uso de cigarro eletrônico – EVALI - é uma condição que ganhou destaque nos Estados Unidos em 2019 após um surto que resultou em milhares de internações e óbitos, principalmente entre jovens e adultos usuários de produtos de vaporização (BRITO, el. Al., 2024). A EVALI é uma doença caracterizada por sintomas respiratórios, de intensa resposta inflamatória que prejudica o sistema imune, tornando-o menos eficiente contra infecções. Os sintomas da doença duram em média 6 dias e podem ser: dispneia, dor toráxica, náusea, vômitos, diarreia, dentre outros (TAVARES, et. al., 2024). Atualmente, estudos apontam o acetato de vitamina E como um dos principais causadores da doença. Isso ocorre porque esta substância é utilizada como diluente de cartucho e espessante e quando inalada pelos usuários do dispositivo, se incorpora com fosfolipídeos naturais do surfactante pulmonar aumentando sua permeabilidade e diminuindo seu adequado funcionamento produzindo gás ceteno (ou etenona, fórmula H2C=C=O) que é um gás incolor, altamente tóxico, inflamável e irritante, que contribui para a lesão tecidual e juntamente com a nicotina pode gerar inflamação pulmonar (TAVARES, et. al., 2024). O uso constante do cigarro eletrônico apresenta um fator de risco para o sistema cardiovascular devido ao aumento da a atividade do sistema simpático causando alterações da frequência cardíaca e pressão arterial que podem contribuir para o surgimento de doenças como a hipertensão arterial, o infarto agudo do miocárdio e a morte súbita. Também, a ativação plaquetária anormal associa-se à fisiopatologia de doenças cardiovasculares favorecendo a formação de trombos (OLIVEIRA, et. al., 2022). Além disso, estudos evidenciam que os metais presentes em concentrações mais altas nos aerossóis do CE, como o chumbo, níquel, antimônio, arsênico e podem apresentar fator de risco para doenças Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 458 coronárias e arteriais quando inaladas pela vaporização dos dispositivos. Isso ocorre porque a exposição contínua a substâncias como nicotina e metais presentes no vapor podem favorecer para que haja inflamação, disfunção endotelial e formação de placas de gordura nas artérias, elevando o risco de doenças cardíacas e até mesmo acidente vascular cerebral (OLIVEIRA, et. al., 2022). Ainda sobre o sistema cardiovascular, estudos apontam que usuários do dispositivo eletrônico apresentam quase 2 vezes mais chances de sofrer infarto do miocárdio em comparação a não fumantes, reforçando a preocupação com a segurança desses dispositivos para a saúde cardiovascular (SILVA, et al., 2024). Ademais, há também implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde da cavidade oral. Por exemplo, o câncer da cavidade oral afeta estruturas como língua, gengivas, palato, assoalho da língua, dentre outros. Segundo o Instituto Nacional de Câncer -INCA, o câncer da cavidade oral, é o quinto tumor mais frequente no país, afetando em sua maioria homens, pois estes configuram o grupo com maior número de tabagistas, e normalmente são diagnosticados em estado avançado da doença, dificultando o tratamento e apresentando pior prognostico (LISBOA, el. al., 2022). No Brasil, o câncer apresenta a oitava maior incidência dessa neoplasia. Dentre os principais fatores de risco para o câncer bucal estão o tabagismo, alcoolismo, exposição ao sol sem proteção, infecções pelo HPV, dieta e irritação crônica e as principais formas de prevenção são: não fumar, reduzir consumo de álcool, não expor ao sol, alimentação saudável e higiene bucal adequada (LISBOA, el. al., 2022). Na odontologia, o uso do dispositivo também apresenta implicações na saúde da cavidade oral devido toxicidade do vapor do cigarro eletrônico que tem efeito significativo no epitélio da cavidade oral, alterando o funcionamento das células, resultando na diminuição do fluxo salivar, do pH, e consequentemente, tornando o ambiente mais suscetível a cárie dentária, doenças periodontais, escurecimento dentário, sangramento gengival, xerostomia, sensação de queimação e halitose (MARÇAL, 2023). As doenças periodontais são processos inflamatórios que resultam da atividade bacteriana e da resposta imunológica do hospedeiro, que podem ter como consequência a perda do ligamento periodontal. Já a carie dentaria e a xerostomia estão associadas à diminuição do fluxo salivar e alteração do pH. (MARÇAL, 2023). Além do mais, o uso recorrente do CE implica no risco aumentado para o desenvolvimento de doenças graves como: queilite angular, estomatite nicotínica, candidíase hiperplásica, língua negra pilosa. O vapor gerado pelo uso do dispositivo tem o potencial de alterar a microbiota oral, aumentando o estresse oxidativo das células, causando sensação de boca seca e criando um ambiente favorável para infecções fúngicas e bacterianas. Além disso, as substâncias toxicas, presentes na composição do vapor (exemplificar quais são essas substâncias), causam irritação direta na mucosa oral e é potencializada pela diminuição do fluxo salivar aumentando o risco de lesões (PATRIOTA, el. al., 2023). Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 459 Há também, preocupação em relação ao hábito do tabagismo crescente entre os jovens no Brasil. Existem estudos que apontam que 20% dos jovens entre 18 e 24 anos já experimentaram o dispositivo (SILVA, et. al., 2025; CARRIJO, et al., 2022). A idade média em que esses indivíduos têm experimentado o C.E é 16 anos tanto para meninas quanto para meninos, sendo que entre os do gênero masculino, o percentual de usuários tende a ser maior, segundo o INCA – Instituto Nacional de Câncer. Em relação ao tabagismo no país, o dado mais recente, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, apresenta que cerca de 12,6% da população acima de 18 anos é fumante. Tal dado ressalta a importância de medidas de conscientização sobre as implicações do dispositivo para a saúde de usuários, bem como para a saúde pública no Brasil (SILVA, et. al., 2025). Portanto, estudos sobre o uso do cigarro eletrônico apontam que, apesar do dispositivo ter sido desenvolvido como alternativa ao uso do cigarro tradicional e com a promessa de apresentar menos riscos quando comparado aos cigarros convencionais, o uso do CE apresenta evidências de riscos significativos para a saúde. Desta forma, é mister a conscientização da população sobre seus impactos para a saúde, além do desenvolvimento de medidas de prevenção, mitigação e cessação do uso de tal prática (SILVA, et. al., 2025; LISBOA, el. al., 2022). CONCLUSÃO O uso regular do cigarro eletrônico constitui um hábito nocivo pois oferece riscos para a saúde dos usuários em vários sistemas, dentre eles: sistema pulmonar, sistema cardiovascular e doenças da cavidade oral. O dispositivo provoca alterações significativas na cavidade bucal, como por exemplo: alterações nocivas ao periodonto, risco aumentado de desenvolver a doença cárie, lesões inflamatórias orais e câncer de boca. Embora a propaganda e comercialização do cigarro eletrônico seja proibida no país, a sua popularidade tem aumentado vertiginosamente, principalmente entre jovens e adultos. Portanto, é importante que haja intensificação das ações de vigilância e promoção de educação em saúde, visando o combate à desinformação e fortalecimento de políticas públicas a fim de frear o consumo de CEs. Dessa forma, esse trabalho contribui para o acesso, disseminação e conscientização entre a população a tais informações sobre a temática. REFERÊNCIAS AGOSTINI, Helena Lino; VECCE, Iasmim de Oliveira; AMARAL, Pedro Ivo Sodré; BARROS, Gersika Bitencourt Santos. Uso do cigarro eletrônico e os prováveis danos no sistema respiratório: uma revisão Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 460 sistemática. Research, Society and Development, v. 13, n. 7, e4813746272, 2024. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i7.46272. Acesso em: 15 out. 2025. ANDRADE, Jahnsley Lorran Santiago Vieira; ROCHA, Anna Karla Sampaio da; ARAÚJO, Geovanna Inácio; et al. Os impactos do cigarro eletrônico na saúde bucal: revisão de literatura integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v. 6, n. 4, p. 2322–2334, 25 abr. 2024.Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n4p2322-2334. Acesso em: 5 de março. 2025. ARAUJO, João Victor Barros; FREITAS, Pedro Henrique Menezes de; GARCIA, Luis Fernando Burgos; et.al.Análise epidemiológica do câncer de pulmão no Brasil em função do aumento do uso de cigarro eletrônico nos anos de 2017 a 2022. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v. 8, n. 1, p. 1–11, jan./fev. 2025. DOI: 10.34119/bjhrv8n1-341. Acesso em 10 out. 2025. BRITO, Douglas Guimarães; SIQUEIRA, Lowhana Farias; MOREIRA, Gabriel Chagas; et al. Lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico (EVALI): características e repercussões. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 10, p. 4658–4664, 2024. DOI: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n10p4658-4664. Acesso em 10 out. 2025. CAETANO, Daynara Santos; SANTOS, João Pedro Macário Alves dos; MATOS, Camila Holanda Cavalcante; ALMEIDA, et al. Cigarro eletrônico e o efeito na saúde oral e periodontal. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 4, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.34119/bjhrv6n4-325. Acesso em: 5 de março. 2025. CARRIJO, Vinícius Silva; NISHIYAMA, Alex Yukio; BARBOSA, Guilherme Prado; SOUZA, Danila Malheiros de. O uso de cigarro eletrônico e os impactos na saúde do jovem brasileiro. VI Coloquio Estadual de Pesquisa Multidisciplinar, IV Congresso Nacional de Pesquisa Multidisciplinar, III Feira de Empreendedorismo da Unifimes, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i10.46983. Acesso em: 05 março. 2025. IACOB, Alin M.; MARTÍNEZ, Matías F. Escobedo; CASTRO, Enrique Barbeito; OLAY, Sonsoles Junquera, et al. Effects of vape use on oral health: a review of the literature. Medicina, v. 60, n. 3, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/medicina60030365. Acesso em: 5 de março. 2025. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 461 ITO, Gabriel Issamu; BIANCHINI, Vinicius Fazolo; VARGAS, Rodrigo. Avaliação da relação do uso de cigarro eletrônico com transtornos psicológicos. Revista Contemporânea v. 3, n. 8, p. 10420-10435, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.56083/RCV3N8-027. Acesso em: 05 out. 2025. LISBOA, Lidiane de Jesus; AMORIM, Marília de Matos; PIRES, Alessandra Laís Pinho Valente; et. al. Perfil epidemiológico e fatores relacionados ao câncer de cavidade oral em adultos jovens brasileiros e sua relação com o óbito, 1985–2017. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 68, n. 2, e142063, 2022. DOI: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2022v68n2.2063. Acesso em 10 out. 2025. MARÇAL, Thaís de Oliveira; ALVES, Francielle Ribeiro. O impacto do cigarro eletrônico na saúde bucal de pacientes adultos jovens. International Journal of Oral Science and Dentistry (IJOSD), v. 2, n. 64, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.22409/ijosd.v2i64.59570. Acesso em: 5 de março. 2025. NASCIMENTO, Kamila Lima do; ARAÚJO, Cynthia Angélica Santos de; ALMEIDA, Vilmar Santos de; et al. Os efeitos do cigarro eletrônico na saúde bucal: revisão integrativa. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, v. 16, n. 2, 2024. ISSN 2178-7514. OLIVEIRA, Brenda Lorrany Ramos; SANTOS, Letícia Brito. Análise dos efeitos do cigarro eletrônico na saúde Revista Científica da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni, v. 11, n. 1, 2024. ISSN 2674-8584. OLIVEIRA, Greziele Fátima de; PEZOLATO, João Pedro; SANTOS, Vânia Aparecida dos; et al. As implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 13, n. 10, e02131046983, 2024. OLIVEIRA, Vitor Hugo; NASCIMENTO JÚNIOR, Valter Paz do; ARAÚJO, Bethânia Cristhine de. O uso de cigarro eletrônico por jovens e efeitos adversos ao sistema cardiovascular. Research, Society and Development, v. 11, n. 4, e56811427886, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i4.27886. Acesso em: 05 out. 2025. PATRIOTA, Thais; SANTIAGO, Andressa. Uso do cigarro eletrônico e sua relação com lesões bucais: revisão de literatura. Revista Eletrônica Estácio Recife (REER), v. 10, n. 1, 2024. Acesso em 10 out. 2025. ROTTA, Amanda Eloise de Souza; NASCIMENTO, Rafaela Halabura do; DAL PRÁ, Priscilla. Os efeitos do uso do cigarro eletrônico na saúde dos usuários: uma revisão integrativa. Research, Society and Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 462 Development, v. 13, n. 3, e9913345359, 2024. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i3.45359. Acesso em 10 out. 2025. SANTOS, Erika Pires dos; OLIVEIRA, Mateus Cardoso; CASOTTI, Cezar Augusto. Conhecimento de acadêmicos de odontologia sobre os riscos do cigarro eletrônico para a saúde bucal. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 70, n. 2, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.32635/2176-9745.RBC.2024v70n2.4703. Acesso em: 15 março. 2025. SILVA, César Augusto Cirino; OLIVEIRA, Manuely Furtado; ARANTES, Rafaella Gomes; et. al. Análise da opinião da população sobre uso de cigarro eletrônico: comparação entre sexo e idade. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, v. 11, n. 4, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v11i4.18958. Acesso em: 22 jun. 2025. SILVA, George Vinicius Lima da; ROCHA, Maria Cecília Pimentel Leite; REIS, Marina et. al. Os impactos do cigarro eletrônico no sistema cardiovascular: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, p. 2637-2656, 2024. SILVA, João. A importância da pesquisa acadêmica. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 25, n. 3, p. 50–65, jul. 2025. SILVA, Larissa Almeida; REIS, Gessica Lene Santos; ALMEIDA, Igor Ferreira Borba de; et al. Implicações do uso do cigarro eletrônico “vape” na saúde bucal: síntese de evidências atuais. Revista Interdisciplinar em Saúde (REVISA), v. 13, n. 3, p. 661–671, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.36239/revisa.v13.n3.p661a671. Acesso em: 15 out. 2025. SOUSA, Ana Clara Carvalho de; FRANÇA, Allana Alexia Mendes dos Santos da; RODRIGUES, Alyssa Gabriely Lopes; et. al. Impactos do uso de cigarro eletrônico na prevalência do câncer bucal: revisão de literatura. Revista do Centro Universitário UNDB, v. 3, n. 1, 2023. SOUSA, Samuel Campos; SANTOS, Livia Pereira dos; FREITAS, Ana Beatriz Braga e; Associação entre o uso de cigarros eletrônicos e o desenvolvimento de lesões cariosas. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação – REASE, v. 9, n. 11, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.51891/rease.v9i11.12519. Acesso em: 15 out. 2025. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 28, 2025 ISSN 3085-8097 Implicações do uso do cigarro eletrônico na saúde bucal: alterações na cavidade oral e riscos associados Albino ILS; Silva NF; Silva DKC; Mendonça MB; Vieira CES; Rocha AM 463 TAVARES, Lorena Fecury; CARVALHO, Bruno Ferreira de. Lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico ou vaping (EVALI): revisão sistemática. Brazilian Journal of Health Review, v. 7, n. 1, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.34119/bjhrv7n1-452. Acesso em: 15 out. 2025. Brazilian Journal of Oral and Systemic Health, vol.1 n2, Publication date Oct 30, 2025 ISSN 3085-8097 Dispositivos eletrônicos de fumar no período da adolescência alterações sistémicas e bucais: revisão de literatura Resende ACS; Matos-Junior EJD; Martins FAP; Silva GM; Loredo LVS; Franzon LS; Couto LDR; Matos DS; Carvalho TA 470 químicos podem alterar a mucosa oral, causar inflamação gengival, modificar o fluxo salivar e aumentar a predisposição a cárie e doença periodontal. Sendo assim, o cirurgião-dentista possui papel essencial não apenas no diagnóstico precoce, mas também na orientação educativa dos adolescentes. É fundamental que a sociedade e os profissionais da área da saúde, especialmente o cirurgião-dentista, atuando de forma integrada com outros profissionais, tenham como objetivo de combater a desinformação e reduzir o uso desses dispositivos. Campanhas educativas, políticas de fiscalização e ações escolares podem contribuir para a formação de uma geração mais consciente sobre os danos que os DEFs podem causar. REFERÊNCIAS ALADEOKIN, A.; HAIGHTON, C. Is adolescent e-cigarette use associated with smoking in later adolescence? Systematic review and meta-analysis. Tobacco Prevention & Cessation, v. 5, n. 1, p. 1–10, 2019. Disponível em: https://www.tobaccopreventioncessation.com/Is-adolescent-e-cigarette-use-associated-withsmoking-in-later-adolescence-Systematic,108553,0,2.html. Acesso em: 6 out. 2025. ALY, A. S. et al. Association between harmful and addictive perceptions and e-cigarette use among adolescents: a systematic review. BMC Public Health, v. 22, n. 1, p. 1–11, 2022. Disponível em: https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-022-12610-5. Acesso em: 6 out. 2025. CATALA-VALENTIN, A.; BERNARD, J. N.; CALDWELL, M.; MAXSON, J.; MOORE, S. D.; ANDL, C. D. E-cigarette aerosol exposure favors the growth and colonization of oral Streptococcus mutans compared to commensal streptococci. Microbiology Spectrum, v. 10, e02421-21, 2022. Disponível em: https://journals.asm.org/doi/10.1128/spectrum.02421-21. Acesso em: 6 out. 2025. CICHOŃSKA, D.; KUSIAK, A.; GONIEWICZ, M. L. The impact of e-cigarettes on oral health — a narrative review. Dentistry Journal, Basel, v. 12, n. 12, p. 404, 2024. Disponível em: https://www.mdpi.com/23046767/12/12/404. Acesso em: 6 out. 2025. ESPINOZA-DEROUT, J. Electronic cigarette use and the risk of cardiovascular diseases. Frontiers in Cardiovascular Medicine, v. 9, 2022. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/cardiovascularmedicine/articles/10.3389/fcvm.2022.879726/full. Acesso em: 6 out. 2025. GLASSER, A. M. et al. Overview of electronic nicotine delivery systems: a systematic review. American Journal of Preventive Medicine, v. 52, n. 2, p. e33–e66, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.amepre.2016.10.036. Acesso em: 6 out. 2025. [Document text truncated for crawler view.]