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Cartilha de boas práticas e bem-estar de Betta splendens para iniciantes

Juliana Andrianczik Ferreira

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J U L I A N A A N D R I A N C Z I K F E R R E I R A BEtta Splendens BOAS PRÁTICAS E BEM-ESTAR DE CARTILHA DE PARA INICIANTES Juliana Andrianczik Ferreira Universidade Federal do Paraná Zootecnia 2025 BEtta Splendens BOAS PRÁTICAS E BEM-ESTAR DE CARTILHA DE PARA INICIANTES ILUSTRAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO Juliana Andrianczik Ferreira Esta obra é de acesso aberto. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e autoria e respeitando a Licença Creative Commons indicada. ORIENTADOR Prof. Dr. Antonio Ostrensky Neto ISBN: 978-65-01-63439-5 SUMÁRIO Introdução 1 1. Conhecendo o Betta splendens 3 2. Bem-estar 7 3. Manejo 9 4. Alimentação 26 5. Enriquecimentos 31 6. Estresse 35 7. Doenças e sinais de alerta 38 8. Problemas comuns e soluções 43 9. Situações de emergência 45 10. Escolha do Betta 46 11. Custos 48 12. Guia rápido 52 Epílogo 56 Referências 58 INTRODUÇÃO Oque é ter uma experiência com um peixe Betta? ᅠᅠ É algo maravilhoso e único. Desenvolver uma ligação com esse pequeno peixe nos permite criar um mundo onde convivem conexão, fantasia e responsabilidade. Essa relação, chamada de relação interespecífica — ou seja, entre humanos e outros animais — é valiosa, está presente na história da humanidade há milênios e é capaz de criar laços profundos de afeto e respeito. ᅠᅠ Os Bettas, são capazes de trazer mais cor à nossa vida, e isso é uma de suas grandes virtudes. Além disso, são capazes de desenvolver uma relação de proximidade e confiança em reconhecer seus cuidadores com o tempo. ᅠᅠ Mas é importante lembrar que o Betta é um ser vivo com necessidades próprias. Ele vive submerso na água e, isso significa que sua respiração, alimentação, locomoção e comportamento dependem da qualidade do ambiente aquático em que está inserido. Mais do que os cuidados diários com a alimentação e a limpeza da água, cuidar de um Betta é também entender como ele vive, do que precisa e o que realmente contribui para seu bemestar. ᅠᅠ Infelizmente, ainda é comum que muitas pessoas vejam potinhos de 1 ou 2 litros como “aquários”, quando, na verdade, esses recipientes são inadequados e comprometem seriamente a saúde do peixe. 1 ᅠᅠ Ambientes pequenos acumulam rapidamente substâncias tóxicas, causando picos de amônia e dificultam a estabilidade da temperatura, o que resulta em choque térmico e estresse crônico. Para oferecer uma vida digna há um Betta, é essencial entender que o bem-estar começa com um ambiente adequado — e isso inclui espaço, equipamentos e conhecimento. ᅠᅠ No início, pode parecer complicado ou trabalhoso. Mas, com informação e dedicação é possível proporcionar ao seu Betta uma vida longa, saudável e ativa. ᅠᅠ Observar seu peixe nadando com energia, exibindo cores vibrantes e um comportamento ativo é uma grande recompensa para quem dedica tempo e carinho a ele. ᅠᅠ E como fazer isso? ᅠᅠ É justamente para isso que esta cartilha foi criada. Aqui, você encontrará orientações práticas, dicas valiosas e curiosidades sobre a espécie Betta splendens, para que você possa entender melhor as necessidades desse peixe e oferecer uma vida com bemestar e qualidade. ᅠᅠ Nosso objetivo é ajudar você a cuidar com responsabilidade e, ao mesmo tempo, aproveitar ao máximo essa jornada ao lado do seu Betta. 2 a verdade, este é o Barok — nosso amigo que vai nos ajudar a entender melhor sua espécie e o que é necessário para que ele viva de forma saudável e com bem-estar. CONHECENDO O Betta splendens 3 N ᅠᅠ Também conhecido como “peixe-de-briga”, “peixe-lutador” ou “peixe-combatente”, o Barok recebeu ᅠᅠ Isso faz dele o nosso pequeno guerreiro. nome — e sua armadura — inspirados em um comportamento naturalmente agressivo entre os machos, que disputam território e fêmeas durante o período reprodutivo. ᅠᅠ Por isso, o Barok logo avisa: nunca coloque dois machos no mesmo aquário! Isso pode resultar em brigas sérias e até fatais. 4 ᅠᅠ As fêmeas de Betta também podem ser agressivas entre si e, por isso, exigem cuidados especiais quando mantidas juntas. É importante realizar a socialização inicialmente em aquários separados, inserindo-as no mesmo ambiente apenas após esse processo, sempre observando atentamente os comportamentos nos primeiros dias para evitar brigas e ferimentos. 11 ᅠᅠ Dessa forma, recomenda-se um aquário de 20 litros, volume suficiente para manter a qualidade da água e oferecer ao Barok espaço suficiente para nadar e expressar seus comportamentos naturais. ᅠᅠ No entanto, aquários maiores, como os de 38 litros, proporcionam um ambiente ainda mais estável e confortável, tanto do ponto de vista físico quanto mental para o peixe. ᅠᅠ Em ambos os casos, a profundidade do aquário deve ser de, no mínimo, 20 cm e, no máximo, 35 cm, sendo preferível o formato retangular, por se assemelhar às canaletas de água e à profundidade dos arrozais, habitat natural da espécie. 12 ᅠᅠ Ainda é importante manter o aquário fechado, dando preferência a telas finas ou tampas semiabertas e transparentes, que permitam a passagem de luz e de calor. O uso de tampa é fundamental para evitar que objetos caiam dentro do aquário e, que o Barok salte para fora — já que ele é um peixe ativo e explorador, podendo se exibir com saltos — ou ainda que outros animais tenham contato com ele, o que poderia colocá-lo em risco. ᅠᅠ Em aquários maiores, é possível aplicar o chamado enriquecimento ambiental utilizando plantas naturais, troncos e esconderijos. Esses elementos tornam o aquário mais semelhante ao habitat natural do Barok e só são viáveis quando o volume de água é proporcional ao tamanho do peixe, aos equipamentos e aos itens de ambientação. ᅠᅠ Criar esse ambiente torna o espaço mais interessante para o Barok e também ajuda a reduzir o estresse e a prevenir comportamentos indesejados, como nadar repetitivamente de um lado para o outro ou nadar constantemente próximo as paredes do vidro do aquário. ᅠᅠ Além disso, um aquário bem montado pode se transformar em um elemento decorativo no seu ambiente, trazendo beleza e significado ao espaço. ᅠᅠ Após a escolha das dimensões do aquário para o Barok, é essencial lembrar que seu bem-estar depende não apenas do espaço, como também da qualidade do ambiente em que ele será mantido. ᅠᅠ Como o nosso amigo Barok é originário de regiões tropicais do sudeste asiático, ele está habituado a águas de temperatura mais elevada. Por isso, a temperatura ideal da água deve se manter entre 24 °C e 28 °C. Entretanto, 26 °C corresponde à faixa ideal para o metabolismo do Barok, na qual ele se sente mais confortável, nade com disposição e apresente bom apetite. ᅠᅠ Atenção: variações bruscas de temperatura fora dessa faixa ideal podem comprometer seriamente a saúde do peixe. Isso porque o Barok é um animal ectotérmico, ou seja, sua temperatura corporal depende diretamente da temperatura do ambiente onde vive e, qualquer alteração é rapidamente percebida pelo seu organismo. ᅠᅠ Quando a temperatura da água aumenta além do ideal, é comum que ele apresente sinais como letargia, prostração e diminuição do apetite. Esse quadro está relacionado à menor solubilidade do oxigênio em temperaturas elevadas, o que pode causar hipóxia (falta de oxigênio para o Barok). ᅠᅠ A exposição prolongada a essas condições pode causar estresse, exaustão respiratória e, em casos mais graves, levar à morte do animal. 13 ᅠᅠ Desta forma, é fundamental manter parâmetros adequados no aquário, como a temperatura correta, o pH estável, o movimento da água controlado e, quando necessário, uma iluminação adicional bem ajustada — tudo isso tende a evitar o estresse e favorece a saúde do peixe. ᅠᅠ Vamos começar pela temperatura: ᅠᅠᅠ Em uma situação oposta, quando a água sofre uma queda de temperatura, o Barok tende a ficar mais lento e pode até definitivamente parar de se alimentar. Isso acontece porque o frio desacelera seu metabolismo, afetando suas funções vitais. Caso essa condição se prolongue por muito tempo, ele pode não resistir, pois seu corpo não consegue se manter em equilíbrio em temperaturas tão baixas. ᅠᅠ Por isso, é fundamental utilizar no aquário equipamentos que ajudem a monitorar e controlar a temperatura com precisão. O termômetro deve estar sempre visível e atualizado, permitindo verificar diariamente se a temperatura está adequada — especialmente se o aquecedor estiver regulado corretamente para 26 °C. O aquecedor com termostato é essencial para manter a temperatura estável em dias frios. E vale o alerta: se o aquecedor quebrar, ele deve ser substituído rapidamente. Manter um aquecedor reserva simples guardado é uma precaução valiosa para evitar emergências. ᅠᅠ Nos dias mais quentes, especialmente no verão, a temperatura da água pode subir além do tolerável. Nesses casos, é necessário o uso de um cooler ou chiller (resfriador de água), que ajuda a reduzir o calor e manter a temperatura dentro da faixa segura. 14 15 ᅠᅠ O pH: ᅠᅠ O pH é uma escala que indica se a água está ácida ou básica, variando de 0 a 14. Quando o valor se aproxima de 0, a água é considerada ácida; já próximo de 14, é básica. O ponto médio da escala, o 7, representa a neutralidade, como ocorre na água pura. No aquário do Barok, é essencial que esse valor permaneça entre 6,5 e 7,5, faixa que reflete as condições naturais da espécie em seu habitat de origem. Para realizar essa medição, utiliza-se um pHmetro, aparelho digital que apresenta o resultado de forma simples e precisa. ᅠᅠ Manter o pH dentro desse intervalo é crucial para o equilíbrio fisiológico do Barok, já que seu organismo foi adaptado para se manter adequadamente em ambientes levemente ácidos a neutros. Variações extremas de pH estressam o Barok, comprometendo funções vitais como respiração, digestão e o controle da quantidade de água e sais no corpo, que implicam diretamente na sua saúde e bem-estar. ᅠᅠ Outro parâmetro importante para a saúde do Barok é a dureza da água, que se refere à concentração de sais minerais, especialmente cálcio e magnésio. Existem dois tipos principais de dureza: a dureza geral (GH) e a dureza de carbonatos (KH). Ambas influenciam diretamente a osmorregulação do peixe (capacidade de equilibrar água e sais no corpo) e a estabilidade do pH. ᅠᅠ O Betta splendens tolera águas de mole a moderadamente dura, mas valores extremos podem causar problemas fisiológicos. Se o GH estiver acima de 15 °dH ou o KH abaixo de 2 °dKH, há risco de osmorregulação inadequada e oscilações perigosas no pH da água. Por isso, recomenda-se manter o GH em até 12 °dH e o KH igual ou superior a 3 °dKH, garantindo um ambiente estável e seguro. ᅠᅠ É possível medir esses parâmetros com tiras-teste, facilmente encontradas em lojas de aquarismo. Monitorá-los regularmente ajuda a prevenir desequilíbrios que muitas vezes passam despercebidos, mas afetam diretamente a saúde do Barok. 16 ᅠᅠ Além da dureza e do pH, outros compostos tóxicos devem ser monitorados com frequência como a amônia (NH₃/NH₄⁺), nitrito (NO₂⁻) e nitrato (NO₃⁻). Esses compostos fazem parte do ciclo do nitrogênio, um processo natural que ocorre no aquário. A amônia é liberada na água por restos de ração, fezes e matéria orgânica em decomposição — e é extremamente tóxica mesmo em pequenas quantidades. Com o tempo, bactérias benéficas transformam a amônia em nitrito, que também é tóxico, e depois em nitrato, que é menos prejudicial, mas deve ser mantido em níveis baixos para não causar estresse. ᅠᅠ O ideal é que a amônia e o nitrito estejam sempre em 0 ppm, enquanto o nitrato deve se manter abaixo de 20 ppm. Para acompanhar todos esses parâmetros, é possível utilizar o mesmo tiras-teste multiuso. Monitorar regularmente o pH, GH, KH, amônia, nitrito e nitrato é essencial para garantir um ambiente estável. 17 ᅠᅠ O movimento da água: ᅠᅠ Como descrito, o Barok possui nadadeiras longas e delicadas, o que o torna um nadador naturalmente lento. Por isso, é importante manter a movimentação da água no aquário suave e constante. Esse movimento, mesmo que leve, é essencial por dois motivos: melhora a oxigenação da água — facilitando a respiração do Barok — e contribui para a filtragem do ambiente, evitando o acúmulo de resíduos e mantendo a água limpa e saudável por mais tempo. ᅠᅠ Esses tipos de filtros são seguros para as nadadeiras do Barok pois, não possui uma sucção forte que possa machucá-lo. Além disso, ele oferece um fluxo de água suave e realiza uma filtragem biológica eficiente — ou seja, favorece a manutenção de bactérias benéficas que transformam substâncias tóxicas, como amônia e nitritos, em compostos menos prejudiciais, mantendo a água limpa e segura. 18 ᅠᅠ Para garantir esse movimento leve e contínuo da água, recomenda-se a utilização de filtros de baixa vazão. Um dos mais indicados para aquários com Betta, especialmente os menores, como os de 20 litros, são os filtros de esponja, filtros internos de baixa vazão e filtros de canto com regulagem. ᅠᅠ Mas, esse equilíbrio pode perder-se com o tempo especialmente quando a água, começa a apresentar uma coloração turva ou em tons esverdeados indicando a hora de realizar a limpeza do aquário. ᅠᅠ É importante lembrar que a limpeza de um aquário é diferente da faxina tradicional que fazemos em casa. Como o Barok é sensível a mudanças no ambiente, é fundamental realizar a limpeza e os ajustes com organização e cuidado, evitando alterações bruscas na temperatura, oxigenação e no pH da água. ᅠᅠ Recomenda-se realizar trocas parciais de água semanalmente, retirando cerca de 5 a 6 litros no caso de um aquário de 20 litros, e 10 a 11 litros para aquários de 38 litros. Essa prática contribui para a manutenção da qualidade da água sem provocar mudanças drásticas nos parâmetros físico-químicos, que são importantes para o bem-estar do Barok. 19 20 ᅠᅠ A limpeza dos vidros do aquário pode ser realizada a partir da remoção das impurezas visíveis com o auxílio de uma esponja própria para aquários, deslizando-a suavemente pelos vidros para retirar o excesso de sujeira acumulada. ᅠᅠ Uma dica valiosa é preservar uma das laterais do vidro — preferencialmente a parte de trás — com uma leve camada de limo, aquela película formada em tons esverdeados ou amarronzados que se forma com o passar do tempo. Esse limo é formado por bactérias benéficas que aderem ao vidro e ajudam a garantir o equilíbrio do ecossistema, mesmo após a limpeza. 27 ᅠᅠ A alimentação do Barok deve ser feita com atenção e equilíbrio. O ideial é oferecer uma ração específica para Betta duas vezes por dia, em quantidade que ele consiga consumir tudo em até dois minutos. Em geral, 2 a 3 grãos por refeição são suficientes, mas não existe uma regra exata — com o tempo, observando o comportamento do seu peixe, você entenderá quanto ele deseja comer. Com carinho e cuidado, você vai perceber quando ele estiver satisfeito. Pode ter certeza de que ele encontrará um jeitinho de dizer: “Já comi tudo, obrigado por cuidar tão bem de mim!”. ᅠᅠ Para manter a saúde digestiva e realçar as cores do Barok, é importante variar a dieta. Oferecer apenas ração seca aumenta o risco de constipação e, dietas pobres em carotenoides podem deixar as cores mais apagadas. Por isso, recomenda-se complementar a alimentação com larvas de mosquito ou artêmia congelada de 2 a 3 vezes por semana, além de reservar um dia de jejum semanal, o que ajuda o organismo a se equilibrar naturalmente. 28 ᅠᅠ É importante lembrar que, assim como nós precisamos de uma alimentação equilibrada para manter a saúde em dia, o Barok também necessita desse equilíbrio por meio de uma dieta balanceada. Sendo um peixe carnívoro, ele precisa de uma quantidade adequada de proteínas para crescer de forma saudável, manter suas cores vivas e ter energia para suas atividades. Sendo assim, é fundamental escolher uma ração de qualidade e específica para Bettas, com pelo menos 35% a 40% de proteína bruta em sua composição. Essa informação pode ser verificada no rótulo da embalagem e vale sempre a pena conferir antes de realizar a compra. ᅠᅠ Além disso, fatores como a idade, tamanho, estado de saúde e o nível de atividade do Barok influenciam diretamente na quantidade e frequência da alimentação. Bettas jovens, por exemplo, que ainda estão em fase de crescimento, precisam de refeições mais frequentes e com maior teor proteico para se desenvolverem bem. Já os adultos, que já atingiram o tamanho ideal, necessitam apenas de uma dieta equilibrada para manutenção da saúde. Animais idosos, por sua vez, tendem a ter uma digestão mais lenta e podem se beneficiar de alimentos com menos proteína e maior teor de fibras, facilitando o processo digestivo. 29 ᅠᅠ O tamanho corporal também é um fator importante: Bettas maiores, consequentemente, precisam de porções maiores. Por sua vez, os menores se satisfazem com quantidades menores. O nível de atividade do peixe também influencia bastante — aqueles mais ativos, que exploram bastante o aquário, gastam mais energia e, por isso, precisam de um aporte nutricional maior. Por outro lado, os mais tranquilos devem receber porções ajustadas, evitando sobrepeso ou outros problemas de saúde. ᅠᅠ A condição de saúde do Barok também merece atenção especial. Quando ele está doente ou em processo de recuperação, é comum apresentar menor apetite ou precisar de alimentos específicos, enriquecidos com vitaminas e minerais que auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico. Nesses casos, ajustar a dieta com cuidado é essencial para oferecer sua recuperação. ᅠᅠ É fundamental ter atenção à quantidade de alimento oferecida ao Barok. O excesso de ração podem causar sérios prejuízos à sua saúde e, em casos extremos, levá-lo à morte. Dietas com altos teores de proteína também exigem cautela, pois podem provocar obesidade, dificuldades digestivas e ainda comprometer a qualidade da água do aquário, devido ao acúmulo de resíduos nitrogenados, como a amônia — substância tóxica aos peixes. Por isso, manter o equilíbrio na alimentação é uma das formas mais importantes de zelar pelo bem-estar do seu companheiro aquático. 30 Sempre que surgirem dúvidas como adaptar a alimentação nessas situações, o ideal é buscar a orientação de um médico veterinário ou zootecnista especializado em peixes ornamentais. Assim, você garante que o Barok receba exatamente o que precisa em cada fase e condição da vida. 31 alamos anteriormente sobre o enriquecimento ambiental, e agora vamos compartilhar algumas dicas práticas para tornar o aquário do Barok mais aconchegante e saudável! ᅠᅠ Quando pensamos em plantas para o aquário, estudos demonstram que os Bettas preferem plantas naturais, como Anubias, Vallisneria, Cryptocoryne. Essas espécies ajudam a criar um ambiente mais próximo do habitat natural do Barok oferecendo sombra, abrigo e áreas de descanso. Para que cresçam de forma adequada, é importante instalar uma iluminação artificial específica para aquários plantados, com tempo de exposição controlado entre 6 a 8 horas por dia. ᅠᅠ No entanto, com o uso da luz, também se torna essencial garantir um lugar de refúgio para o Barok. Isso porque ele apresenta um comportamento natural de buscar tocas ou áreas com menor intensidade luminosa para descansar ou se esconder quando sentir necessidade. Você pode oferecer meios de conforto utilizando troncos próprios para aquários, pedras lisas e seguras, além das próprias plantas naturais, dependendo do formato e da densidade de suas folhas. ENRIQUECIMENTOS F ᅠᅠ Criar um de ambiente equilibrado, com luz, abrigos e elementos naturais, contribui para a redução do estresse, estimula comportamentos naturais e torna o aquário mais bonito e harmonioso — tanto para o Barok quanto para quem o observa. ᅠᅠ Recomenda-se o uso de rochas naturais próprias para aquários, especialmente aquelas que possuem espaços vazados, como furos e cavidades. Além de servirem como esconderijos para o Barok, essas rochas também contribuem para a qualidade da água. Elas podem liberar pequenas quantidades de calcário, composto que auxilia na dureza, o que, por sua vez, favorece a estabilidade do pH — promovendo um ambiente mais equilibrado e saudável para o peixe. ᅠᅠ Quando não for possível utilizar plantas naturais, uma alternativa segura são as plantas artificiais de seda. Ao contrário das versões em plástico — que costumam ser duras e pontiagudas, podendo causar rasgos e ferimentos as delicadas nadadeiras do Betta — as plantas de seda são macias e seguras, além de proporcionarem um ambiente visualmente agradável. ᅠᅠ Estudos recentes sugerem que o Barok demonstra preferência pela cor azul, o que pode ser um aliado ao seu bemestar, já que essa cor está associada a ambientes tranquilos, como os arrozais de seu habitat natural. Assim, incluir elementos em tons de azul no aquário pode ser benéfico. No entanto, é importante fazer isso com moderação, pois o excesso de estímulos visuais também pode gerar desconforto. Como em tudo, o equilíbrio é essencial. 32 33 ᅠᅠ O uso de espelho pode ser um recurso útil para promover exercício físico leve e estimular o comportamento territorial natural do Betta, mas deve ser usado com moderação. O ideal é mostrar o espelho por apenas 1 a 2 minutos por dia, nunca de forma contínua. A exposição prolongada ao próprio reflexo pode gerar estresse excessivo e esgotamento, já que o peixe acredita estar diante de um rival. 34 ᅠᅠ Outra dica importante, que também pode ser considerada uma forma de enriquecimento alimentar, é oferecer ao Barok petiscos ocasionais, utilizando alimentos vivos ou congelados, como artêmias, dáfnias e larvas de mosquito. Esses alimentos estimulam o comportamento natural de caça, promovem bemestar e podem até fortalecer a interação entre você e o peixe durante os momentos de alimentação. ᅠᅠ No entanto, é fundamental reforçar que esses petiscos devem ser oferecidos apenas como complemento, e não substituem a ração balanceada, que é a base da nutrição do Betta, nem a oferta regular e planejada de alimentos naturais na rotina alimentar. Seu uso deve ser moderado e controlado, sempre respeitando a quantidade total recomendada por dia. O excesso pode provocar desequilíbrios nutricionais, prejudicar a digestão e comprometer a saúde do Barok. 35 ESTRESSE D ᅠᅠ urante a convivência com Barok, nosso companheiro aquático, é possível notar que ele se expressa por meio do seu comportamento. Assim, sinais como prostração, reclusão ou coloração menos vibrante ou escurecimento das listras horizontais do corpo podem indicar que Barok está sob estresse. ᅠᅠ O estresse é uma condição em que o animal não consegue manter um estado fisiológico normal, sendo prejudicado por elementos que afetam negativamente seu bem-estar. ᅠᅠ Diversos fatores podem causar esse desequilíbrio. Entre os estressores químicos, destacam-se as condições inadequadas da água, que afetam diretamente a saúde do Betta. Parâmetros como pH fora da faixa ideal (6,5 e 7,5), baixos níveis de oxigênio dissolvido, presença de amônia, nitrito ou nitrato em excesso, além de resíduos de medicamentos ou produtos químicos, podem tornar a água tóxica. ᅠᅠ Além disso, uma alimentação desbalanceada — seja por carência ou excesso de nutrientes — pode enfraquecer o sistema imunológico, comprometer o metabolismo e reduzir a disposição do peixe. 36 ᅠᅠ Também podem ocorrer estressores biológicos, que envolvem interações com outros seres vivos. Caso Barok conviva com outros peixes no mesmo aquário — especialmente se forem espécies incompatíveis —, podem ocorrer disputas territoriais, agressões ou estresse por convivência forçada. Além de que, o contato com microrganismos em desequilíbrio ou parasitas internos e externos podem comprometer silenciosamente sua saúde. ᅠᅠ Entre os estressores físicos, evidencia-se a temperatura da água, que deve ser mantida entre 24 °C e 28 °C. Temperaturas fora dessa faixa podem deixar o Barok apático, excessivamente agitado ou mais vulnerável a doenças. Outros fatores físicos, como iluminação intensa ou constante, ruídos fortes no ambiente ou até o excesso de gases dissolvidos, como o dióxido de carbono (CO₂), também podem afetar diretamente sua respiração e rotina biológica. ᅠᅠ Há ainda os chamados estressores processuais, que se referem aos cuidados práticos no manejo do aquário. Manuseios bruscos, captura com redes, transporte sem os devidos cuidados ou tratamentos intensivos podem causar impactos emocionais e fisiológicos significativos. Até mesmo ações necessárias — como a troca de aquário —, se não forem bem conduzidas, podem gerar sofrimento, desorientação e estresse ao Barok. 43 esmo com todos os cuidados, imprevistos podem acontecer no aquário. O mais importante é saber reconhecer os sinais de que algo não está certo e agir rapidamente para proteger a saúde do Barok. PROBLEMAS COMUNS E SOLUÇÕES M Problema Sinais observados Soluções recomendadas Amônia elevada Barok ofegante, parado no fundo, coloração escurecida Fazer TPA imediata (30–50%), usar condicionador de emergência, testar água diariamente Temperatura fora da faixa ideal Letargia, perda de apetite, respiração acelerada ou lenta Ajustar aquecedor (dias frios) ou usar chiller/cooler (dias quentes); manter 26 °C Filtro parou de funcionar Água turva, acúmulo de sujeira, baixa oxigenação Ligar backup, limpar filtro com água do próprio aquário; nunca lavar com água da torneira 44 Problema Sinais observados Soluções recomendadas Queda de energia Água esfria, oxigenação diminui, peixe fica parado Envolver o aquário em manta térmica, oferecer agitação manual da água até retorno da luz Barok parado no fundo ou na superfície Letargia, respiração fraca, nadadeiras fechadas Verificar temperatura, pH e amônia; observar sinais de doença Infecções visíveis Manchas brancas, desfiamento de nadadeiras, lesões, fungo tipo algodão Isolar o peixe, iniciar tratamento com medicamento específico, aumentar a temperatura (se indicado) Saltos para fora do aquário Peixe encontrado fora da água Sempre usar tampa! Em caso de queda recente, recolocar com cuidado e observar por 24h 45 SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA ᅠᅠ Se perceber que algo está muito errado com o Barok ou com o aquário, siga estes passos rápidos: 1. Mantenha a calma. Agir com pressa e sem avaliar pode piorar a situação. 2. Observe o peixe com atenção: comportamento, cor, respiração, natação. 3. Teste imediatamente a água (amônia, nitrito, pH e temperatura). 4. Realize uma TPA (troca parcial de água) de 30 a 50% com água na temperatura correta e condicionada. 5. Corrija a causa primária (religar o filtro, ajustar aquecedor, remover resíduos). 6. Isolamento: Se houver sinais claros de infecção, considere colocar o Barok em um recipiente hospitalar com aquecimento e filtro suave. 7. Use medicamentos apenas quando o diagnóstico estiver claro ou com orientação de um médico veterinário especializado. ᅠᅠ Dica: Ter sempre à mão um kit de primeiros socorros do aquário com termômetro, condicionador de emergência (como Seachem Prime), tiras-teste, aquecedor reserva e recipiente hospitalar pode fazer toda a diferença. 46 ᅠ a hora de escolher o Barok é importante observar alguns critérios que ajudam a garantir a saúde e o bem-estar do peixe desde o início. ᅠᅠ A idade do peixe é um dos primeiros pontos a considerar. É possível adquirir um Betta juvenil, com cerca de 3 meses de vida, ou um exemplar já adulto, geralmente entre 4 e 6 meses. Ambos são boas opções, mas os juvenis podem exigir mais tempo de crescimento e adaptação. ᅠᅠ O tamanho médio de um Betta saudável costuma ser de aproximadamente 6,3 cm. Embora o tamanho possa variar um pouco entre linhagens, ele indica se o peixe está se desenvolvendo de forma adequada. ᅠᅠ A cor também é um sinal de saúde, principalmente em linhagens ornamentais. Prefira peixes com cores vivas e intensas, nadadeiras inteiras e comportamento ativo — nadando com curiosidade, reagindo ao ambiente e sem sinais de apatia. ᅠᅠ Ao observar o ambiente em que o peixe está sendo mantido, é comum encontrar Bettas em recipientes pequenos nas lojas. No entanto, mesmo nesses espaços reduzidos, a água deve estar limpa e o peixe não deve apresentar sinais de doenças, como manchas brancas, nadadeiras rasgadas, corpo curvado ou comportamento letárgico. ESCOLHA DO BETTA N 47 ᅠᅠ Depois da compra, nunca coloque o Betta diretamente no aquário principal, pois isso pode causar um choque térmico e osmótico, resultando em estresse, doenças ou até morte. Para evitar esse problema, é essencial realizar uma aclimatação lenta. Comece flutuando o saquinho fechado na superfície do aquário por cerca de 15 minutos, permitindo que a temperatura se iguale. Em seguida, abra o saquinho com cuidado e adicione meia xícara de água do aquário a cada 5 minutos, repetindo o processo 3 a 4 vezes. Após esse período (cerca de 30 minutos no total), o peixe poderá ser transferido com segurança para o aquário, de preferência utilizando uma rede para não misturar a água da loja com a do sistema. ᅠᅠ Além disso, antes mesmo de adquirir o peixe, é fundamental que o aquário já esteja preparado e o filtro funcionando por cerca de 30 dias — período necessário para o estabelecimento do ciclo do nitrogênio. Durante esse tempo, bactérias benéficas colonizam o filtro e transformam substâncias tóxicas, como amônia e nitrito, em nitrato, menos prejudiciais. 48 ntes de trazer o Barok para casa é necessário prever os custos de manutenção de um Betta splendens para garantir cuidados adequados, bem-estar e evitar gastos desnecessários no futuro. ᅠᅠ Os custos iniciais envolvem a montagem completa do aquário, incluindo os equipamentos e materiais básicos para manter o ambiente saudável. CUSTOS A Item Função Faixa de preço (R$) Peixe Betta (macho ou fêmea) O protagonista! Escolha saudável, com cores vivas e comportamento ativo 30–80 Aquário (20–38 litros) Ambiente adequado com espaço mínimo para o Betta 100–250 Filtro de baixa vazão Mantém a água limpa, evita acúmulo de amônia 50–120 Aquecedor (25–50W) Mantém a temperatura estável (ideal: 26°C) 40–80 Termômetro Permite monitorar a temperatura da água 10–25 Item Função Faixa de preço (R$) Chiller ou cooler Mantém a água resfriada em dias muito quentes, evitando estresse térmico 60–180 Rede pequena de malha fina Usada para manusear o peixe com cuidado, sem machucar suas nadadeiras 8–15 Betta cups (copos de transporte) Utilizados para aclimatação segura e transporte durante TPA ou quarentena 3–10 (cada) pHmetro digital Mede o pH da água, importante para manter os parâmetros ideais 30–70 Condicionador de água Remove cloro e metais pesados 20–40 Tiras-teste (GH, KH, pH, amônia) Avaliação da qualidade da água (pacote inicial com 25 a 50 tiras) 30–70 49 Item Função Faixa de preço (R$) Ração específica para Betta Nutrição adequada, preferencialmente com 35% ou mais de proteína 15–40 Plantas naturais e decorações Proporcionam abrigo, enriquecimento e estética 30–80 Luz artificial (LED) Ilumina o aquário, favorece o ciclo do peixe e o crescimento das plantas 40–100 50 ᅠᅠ Total estimado (inicial): R$ 477 – 1.160, dependendo da qualidade dos produtos e da capacidade do aquário. ᅠᅠ Após a montagem do aquário, ainda é necessário realizar uma manutenção regular para manter a água em boas condições e garantir a saúde contínua do Barok. Item Frequência Faixa de preço (R$) Ração 1 embalagem dura 1–2 meses 10–25 Condicionador de água Usado a cada troca parcial 5–10 Item Frequência Faixa de preço (R$) Tiras-teste (reposição/diluição) Reposição a cada 1– 2 meses, custo mensal diluído 5–10 Testes químicos adicionais (pH, NH₃) Média mensal se usar reagente líquido ou digital 5–10 Eletricidade (aquecedor + filtro) Contínua ~10–15 Substituição da mídia filtrante A cada 1–2 meses 5–15 51 ᅠᅠ Total estimado (mensal): R$ 35 – 65, dependendo do consumo e da manutenção feita. ᅠᅠ Investir em equipamentos de qualidade desde o início pode parecer mais caro, mas reduz problemas futuros, como doenças e necessidade de substituições frequentes. Um aquário bem montado e cuidado garante uma vida saudável ao Barok e economias a longo prazo. 52 GUIA RÁPIDO 1. Seleção do espécime Idade recomendada: 3–6 meses (juvenil a jovem adulto); Critérios morfológicos: coloração intensa, nadadeiras íntegras e simetria corporal; Parâmetros comportamentais: responsividade ao ambiente, natação ativa, ausência de letargia ou movimentos erráticos; Rejeitar exemplares com sinais de doenças: pontos brancos, desfiamento de nadadeiras, opacidade nos olhos ou corpo encurvado. 2. Dimensões mínimas do sistema Volume do aquário: mínimo de 20 litros e superior a 38 L; Justificativa: maior volume estabiliza os parâmetros físicoquímicos, reduz estresse e comportamentos anormais. 59 FORSATKAR, Mohammad Navid et al. Individual boldness traits influenced by temperature in male Siamese fighting fish. Physiology & Behavior, v. 165, p. 267-272, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.physbeh.2016.08.007. Acesso em: 22 maio 2025. GOLDSTEIN, Stephen R. 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