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Associação entre ativação de recursos e momentos de inovação em psicoterapia: um estudo exploratório

Araújo, Daniela Sofia Soares

Abstract

Este estudo relacionou a ativação de recursos do cliente com os Momentos de Inovação (MIs), que são momentos em que o cliente passa de um padrão de significado mal-adaptativo para um mais adaptativo, associados a bons resultados terapêuticos. A hipótese é que a ativação de recursos em sessão contribui para a emergência de MIs. O estudo analisou um caso de arquivo tratado com o Protocolo Unificado para o Tratamento Transdiagnóstico de Perturbações Emocionais. Foram examinadas 15 sessões, codificadas com o Sistema de Codificação de Momentos de Inovação e com o Resource-Oriented Microprocess Analysis. Constatou-se que a ativação de recursos do cliente está associada à emergência de MIs de nível 2 na mesma sessão (r = .64, p < .05) e que a emergência de MIs está associada a um aumento de recursos na sessão seguinte (r = .43, p < .05). Além disso, quando ativados pelo terapeuta, os recursos estão associados à emergência total de MIs na mesma sessão (r = .50, p < .05). Estes resultados sugerem que a ativação de recursos potencia a emergência de MIs e, por sua vez, os MIs promovem a ativação de novos recursos.

Full text

Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia Daniela So ia Soa es A aújo Associação en e a i ação de ecu sos e momen os de ino ação em psico e apia: um es udo explo a ó io junho de 2024 Associação en e a i ação de ecu sos e momen os de ino ação em psico e apia: um es udo explo a ó io Daniela A aújo UMinho | 2024 Uni e sidade do Minho Escola de Psicologia Daniela So ia Soa es A aújo Associação en e a i ação de ecu sos e momen os de ino ação em psico e apia: um es udo explo a ó io Disse ação de Mes ado Mes ado em Psicologia Clínica e Psico e apia de Adul os T abalho e e uado sob a o ien ação do P o esso Dou o Miguel Gonçal es e do P o esso Dou o João Tiago Oli ei a junho de 2024 ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos. Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho. Licença concedida aos u ilizado es des e abalho A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações CC BY-NC-ND h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/ iii Ag adecimen os A ealização des a disse ação não se ia possí el sem o apoio e a con ibuição de di e sas pessoas, às quais gos a ia de exp essa a minha p o unda g a idão. Em p imei o luga , gos a ia de ag adece àqueles que são a minha base e o meu po o segu o. Pai, mãe, ob igada po me ou i em ala sob e udo is o, mesmo quando não en endiam exa amen e o que eu es a a a explica . Ob igada po apoia em as minhas escolhas e decisões, po ac edi a em nas minhas capacidades e po me pe mi i em chega a é aqui, mesmo que pa a isso enham ido de aze eno mes sac i ícios. Sou g a a po es a em semp e disponí eis quando p eciso e po e em o ab aço mais acolhedo do mundo. Aos meus i mãos, Gab iel e Má cio, que, mui as ezes sem se ape cebe em, anima am os meus dias mais desmo i ado es e is es. Que possamos, nós cinco, caminha jun os pa a um u u o melho , sabendo que emos semp e uns aos ou os e um la pa a onde ol a . Amo- os mui o. Às minhas amigas Bea iz, Bá ba a, Joana, Guigui e Ana, que es i e am semp e ao meu lado du an e es es cinco anos, pelo apoio e amizade incondicionais. Ob igada po me ou i em, po me incen i a em nos momen os di íceis e po celeb a em comigo cada pequena conquis a. A ossa p esença o nou es e pe cu so mais le e e cheio de memó ias inesquecí eis. Ao Dou o João Tiago Oli ei a pela o ien ação ao longo des es meses, pela disponibilidade imedia a pa a ajuda e pela paciência e empa ia com que me guiou nes e pe cu so. A sua mo i ação e apoio o am undamen ais pa a a cons ução des e abalho, e sou p o undamen e g a a pelas aliosas con ibuições. Ao P o esso Dou o Miguel Gonçal es, pelo conhecimen o alioso que ansmi iu, pela in luência ma can e e pela inspi ação cons an e ao longo do meu pe cu so académico. À equipa de in es igação, pelo eedback e suges ões, semp e p on os a con ibui pa a a melho ia des a disse ação. Um ag adecimen o especial ao Da io e ao Rui, pela cons an e disponibilidade pa a me ajuda . Aos meus colegas Bea iz, Ma lene, Pin o, Ri a, Juliana e Sé gio, pelo ambien e de pa ilha e en eajuda enquan o a a essá amos es a ase jun os. Do undo do meu co ação, ob igada a odos! i DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho. (Daniela So ia Soa es A aújo) Associação en e a i ação de ecu sos e momen os de ino ação em psico e apia: um es udo explo a ó io Resumo Es e es udo elacionou a a i ação de ecu sos do clien e com os Momen os de Ino ação (MIs), que são momen os em que o clien e passa de um pad ão de signi icado mal-adap a i o pa a um mais adap a i o, associados a bons esul ados e apêu icos. A hipó ese é que a a i ação de ecu sos em sessão con ibui pa a a eme gência de MIs. O es udo analisou um caso de a qui o a ado com o P o ocolo Uni icado pa a o T a amen o T ansdiagnós ico de Pe u bações Emocionais. Fo am examinadas 15 sessões, codi icadas com o Sis ema de Codi icação de Momen os de Ino ação e com o Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis. Cons a ou-se que a a i ação de ecu sos do clien e es á associada à eme gência de MIs de ní el 2 na mesma sessão ( = .64, p < .05) e que a eme gência de MIs es á associada a um aumen o de ecu sos na sessão seguin e ( = .43, p < .05). Além disso, quando a i ados pelo e apeu a, os ecu sos es ão associados à eme gência o al de MIs na mesma sessão ( = .50, p < .05). Es es esul ados suge em que a a i ação de ecu sos po encia a eme gência de MIs e, po sua ez, os MIs p omo em a a i ação de no os ecu sos. Pala as-cha e: A i ação de Recu sos, Capi alização, Momen os de Ino ação i Associa ion be ween esou ce ac i a ion and inno a i e momen s in psycho he apy: An explo a o y s udy Abs ac This s udy ela ed he ac i a ion o he clien ’s esou ces wi h inno a i e momen s (IMs), which a e momen s when he clien ansi ions om a maladap i e o a mo e adap i e meaning pa e n, associa ed wi h good he apeu ic ou comes. The hypo hesis is ha esou ce ac i a ion in session con ibu es o he eme gence o IMs. The s udy analysed an a chi ed case ea ed wi h he Uni ied P o ocol o T ansdiagnos ic T ea men o Emo ional Diso de s. Fi een he apy sessions we e examined and coded wi h he Inno a i e Momen s Coding Sys em and he Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis. The indings e eal ha he ac i a ion o clien esou ces is associa ed wi h he eme gence o le el 2 IMs in he same session ( = .64, p < .05) and ha he eme gence o IMs is associa ed wi h an inc ease in esou ces in he ollowing session ( = .43, p < .05). Fu he mo e, when esou ces a e ac i a ed by he he apis , hey a e associa ed wi h he o e all equency o IMs in he same session ( = .50, p < .05). These esul s sugges ha esou ce ac i a ion enhances he eme gence o IMs and, in u n, IMs p omo e he ac i a ion o new esou ces. Keywo ds: Capi aliza ion, Resou ce ac i a ion, Inno a i e momen s ii Índice In odução .................................................................................................................................. 8 Mé odo ..................................................................................................................................... 11 Pa icipan e .......................................................................................................................... 11 T a amen o e Te apeu a ...................................................................................................... 12 Codi icado es ........................................................................................................................ 12 Ins umen os ........................................................................................................................ 13 P ocedimen o ....................................................................................................................... 14 Análise de dados................................................................................................................... 15 Resul ados ................................................................................................................................ 16 F equência dos ecu sos ao longo das sessões .................................................................... 16 F equência dos MIs ao longo das sessões ............................................................................ 19 Sob eposição en e ecu sos e MIs ao longo das sessões ................................................... 19 In luência da a i ação de ecu sos na elabo ação de MIs ................................................... 21 Discussão .................................................................................................................................. 21 F equência dos Recu sos ...................................................................................................... 22 F equência dos MIs .............................................................................................................. 22 Sob eposição en e Recu sos e MIs ..................................................................................... 23 In luência da A i ação de Recu sos na Elabo ação de MIs .................................................. 24 Limi ações ............................................................................................................................. 25 Índice de abelas Tabela 1. F equência dos Recu sos do Pacien e Du an e o P ocesso Te apêu ico ...……………. 16 Tabela 2. F equência de Recu sos A i ados pelo Te apeu a Du an e o P ocesso Te apêu ico ..18 Índice de igu as Figu a 1. E olução dos Recu sos do Pacien e Du an e o P ocesso Te apêu ico …………………. 17 Figu a 2. E olução de Recu sos A i ados pelo Te apeu a Du an e o P ocesso Te apêu ico .. 18 Figu a 3. E olução dos MIs Du an e o P ocesso Te apêu ico …………………………………………….. 19 14 P ocedimen o Es e es udo u ilizou dados de a qui o que o am p e iamen e ecolhidos no âmbi o do p oje o de in es igação: "E e i idade Psico e apêu ica do P o ocolo Uni icado pa a o T a amen o T ansdiagnós ico dos T ans o nos Emocionais em um Con ex o Comuni á io". A ap o ação pa a a ealização desse p oje o oi concedida pela Subcomissão de É ica pa a Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade do Minho (SECSH 011/2018). Pa a in eg a a amos a da in es igação sup aci ada, os clien es inham de cump i os seguin es c i é ios: (a) cump i os c i é ios de diagnós ico pa a Pe u bação Dep essi a Majo ou Pe u bação de Ansiedade, de aco do com o DSM-5 (APA, 2013); (b) se maio de idade; (c) assina um consen imen o in o mado, p eenche os ques ioná ios e au o iza a g a ação ideog á ica das sessões. Os pa icipan es o am excluídos quando: (a) es a a p esen e algum diagnós ico de Pe u bação de Pe sonalidade; (b) ha ia como bidade com qualque ou a pe u bação cen al, oco de a enção clínica (e.g., pe u bações de consumo de subs âncias, pe u bações sexuais, pe u bações alimen a es); (c) ideação suicida se e a; (d) sin omas psicó icos, ou (e) pe u bação bipola . Na seleção do caso, o am conside adas as condições de áudio e ídeo adequadas pa a a codi icação. No en an o, a sessão 8 não ap esen a a condições sono as adequadas e, po esse mo i o, oi excluída da codi icação. Assim, ga an iu-se que odas as sessões analisadas cump issem os equisi os necessá ios pa a uma codi icação p ecisa e con iá el, man endo a in eg idade dos dados cole ados. Codi icação dos Momen os de Ino ação A codi icação inha sido ealizada p e iamen e de aco do com os p ocedimen os habi uais de codi icação (c . Gonçal es e al., 2017). A conco dância en e os codi icado es quan o à p opo ção de MIs iden i icados oi de 88.01%, e o kappa ponde ado de Cohen oi de .87 en e os codi icado es 1 e 2 e de .93 en e os codi icado es 1 e 3. Codi icação dos ecu sos A codi icação oi desen ol ida po dois in es igado es independen es, que não inham pa icipado da codi icação dos MIs. Pa a assegu a a compe ência dos codi icado es na u ilização do ROMA-P/T, oi ealizado um p ocesso de eino. Inicialmen e, os codi icado es i e am acesso a ma e ial o necido po um dos c iado es do ins umen o, D . Ch is oph Flückige , pa a se amilia iza em com o mesmo. O eino pa a a iden i icação de ecu sos 15 seguiu as seguin es e apas: (1) codi icação de minu os alea ó ios de sessões selecionadas alea o iamen e, seguida de discussão dos esul ados; (2) ealização de euniões ia Zoom pa a escla ece possí eis dú idas com o D . Fluckige ; (3) codi icação de sessões comple as, as quais o am p e iamen e codi icadas po in es igado es expe ien es, pe mi indo a compa ação dos esul ados ob idos. Du an e odo o p ocesso, um codi icado expe ien e a uou como mediado . Du an e as discussões das codi icações, qualque disco dância e a amplamen e deba ida a é que um consenso osse alcançado. Cada sessão oi codi icada duas ezes po cada in es igado , uma ez u ilizando o ROMA-T e ou a u ilizando o ROMA-P. Po an o, o am codi icadas um o al de 30 sessões, conside ando que a amos a possui 15 sessões. Análise de dados Uma ez que os dois sis emas de codi icação assumem unidades de análise di e en es (e.g., minu o-a-minu o) oi necessá io desen ol e di e en es o mas de aze co esponde os sis emas. Dado que o SCMI iden i ica a p opo ção do início e im de cada MI, oi possí el cons ui uma base de dados segmen ada em minu os, indicando cla amen e se cada minu o con inha algum MI e de qual ní el. Es a ans o mação pe mi iu que a análise dos dados en e o SCMI e o ROMA-P/T osse coe en e, uma ez que ambos ica am di ididos em minu os. Após a p epa ação dos dados, as análises o am di ididas em ês e apas dis in as, co esponden es aos obje i os da p esen e disse ação. Inicialmen e, oi u ilizada es a ís ica desc i i a pa a quan i ica a equência e a e olução das oco ências de MIs e ecu sos ao longo das sessões. Pos e io men e, oi ealizado o es e es a ís ico de qui-quad ado pa a in es iga a exis ência de sob eposições signi ica i as en e MIs e ecu sos ao longo das sessões. Pa a analisa os dados, oi c iada uma base de dados onde se egis ou a p esença ou ausência de MIs e ecu sos em cada minu o de sessão, u ilizando um sis ema biná io em que 0 indica a ausência e 1 indica a p esença. Es e es e pe mi iu de e mina se ha ia uma associação es a is icamen e signi ica i a en e a p esença de MIs e a p esença de ecu sos, conside ando os di e en es ní eis e ca ego ias. Po úl imo, oi ealizada uma análise es a ís ica de co elações c uzadas u ilizando o Simula ion Modeling Analysis Ve sion 8.3.3 (Bo cka d & Nash, 2014), com co eção de Bon e oni, pa a comp eende a in luência en e a a i ação de ecu sos e a oco ência de MIs. Nes a análise, oi conside ada a a i ação global dos ecu sos, medida po uma escala Like de 16 5 pon os, e a p opo ção dos di e en es ní eis de MIs, sem dis inção das ca ego ias especí icas dos ecu sos. O empo conside ado oi de 1 lag, is o é, pa a além das elações numa dada sessão (lag 0) o am conside adas a sessão an e io (lag -1) e a sessão pos e io (lag +1). Especi icamen e, uma elação de Lag -1 indica a que a a i ação de ecu sos na sessão an e io p omo ia a oco ência de MIs na sessão seguin e; Lag -0 indica a uma elação en e a a i ação de ecu sos e a oco ência de MIs na p óp ia sessão; e Lag +1 indica a uma elação en e a eme gência de MIs na sessão an e io e uma maio a i ação de ecu sos na sessão seguin e. Resul ados Os esul ados o am es u u ados em qua o secções dis in as: (1) equência dos ecu sos ao longo das sessões, (2) equência dos MIs ao longo das sessões, (3) sob eposição en e ecu sos e MIs ao longo das sessões, e (4) in luência da a i ação de ecu sos na elabo ação de MIs e ice- e sa. F equência dos ecu sos ao longo das sessões ROMA-P (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o Pa ien s) A codi icação das sessões e apêu icas pe mi iu obse a a dis ibuição das di e en es ca ego ias de ecu sos du an e a e apia (Tabela 1). Foi cons a ado que a ca ego ia mais equen e oi a dos ecu sos posi i os, a su gi 142 ezes ao longo das 15 sessões (14.82%), seguida da e o mulação do p oblema (9.08%), que oco eu 87 ezes, e po úl imo, os ecu sos mo i acionais, que su gi am 58 ezes (6.05%). Ao obse a a e olução dos ecu sos (Figu a 1), e i ica-se que eles não oco em em odas as sessões. A ca ego ia dos ecu sos mo i acionais não se mani es ou nas sessões 5, 12 e 14, enquan o a ca ego ia da e o mulação do p oblema não oi obse ada na sessão 2. Tabela 1 F equência dos Recu sos do Pacien e Du an e o P ocesso Te apêu ico Ca ego ia de ecu sos F equência Pe cen agem (%) Recu sos posi i os 142 14.82 % Recu sos mo i acionais 58 6.05 % Recu sos de e o mulação do p oblema 87 9.08 % 17 As di e en es ca ego ias de ecu sos a ia am ao longo do a amen o, como obse ado na Figu a 1. Os ecu sos posi i os o am dominan es a é à sessão 5, diminuindo a meio do p ocesso e apêu ico, e ol ando a sob essai a pa i da sessão 13. Na sessão 6, os ecu sos mo i acionais assumi am um papel impo an e, sendo ambém nes a sessão que os ecu sos de e o mulação do p oblema o am mais ele ados, man endo-se bas an e p esen es a é ao inal do a amen o. Após es a sessão, os ecu sos mo i acionais pe manece am quase ausen es a é à penúl ima sessão, aumen ando bas an e na úl ima. Es a ca ego ia de ecu sos, man e e-se abaixo dos ecu sos de e o mulação do p oblema em quase odas as sessões. Figu a 1 E olução dos Recu sos do Pacien e Du an e o P ocesso Te apêu ico ROMA-T (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o The apis ) A codi icação das sessões pe mi iu obse a a dis ibuição das ca ego ias o ien adas aos ecu sos do clien e que o e apeu a a i ou du an e a e apia (Tabela 2). Ve i icou-se que a ca ego ia que ap esen ou maio equência oi a ca ego ia dos ecu sos posi i os a su gi 147 ezes (15.34%), seguida pela ca ego ia dos ecu sos mo i acionais, 146 ezes (15.24%), enquan o a ca ego ia da ein e p e ação posi i a dos p oblemas su giu 111 ezes (11.59%) e, po úl imo, a ca ego ia da e o mulação do p oblema oi obse ada 108 ezes (11.27%). 18 Tabela 2 F equência de Recu sos A i ados pelo Te apeu a Du an e o P ocesso Te apêu ico Ca ego ia de ecu sos F equência Pe cen agem (%) Recu sos posi i os 147 15.34 % Recu sos mo i acionais 146 15.24 % Recu sos de e o mulação do p oblema 108 11.27 % Recu sos de ein e p e ação posi i a dos p oblemas 111 11.59 % As di e en es ca ego ias de ecu sos do clien e, a i adas pelo e apeu a, a ia am conside a elmen e ao longo do p ocesso e apêu ico (Figu a 2). Os ecu sos posi i os su gi am de o ma consis en e e com alo es ele ados ao longo das sessões, alcançando o pico na úl ima sessão. Os ecu sos mo i acionais demons a am es abilidade, a ingindo um alo máximo na sessão 11. Os ecu sos de e o mulação do p oblema es i e am ausen es na sessão 2, mas ap esen a am alo es mais al os nas sessões 3, 4, 5 e 6. Po im, os ecu sos de ein e p e ação posi i a dos p oblemas oscila am conside a elmen e, chegando a es a ausen es nas sessões 9 e 16. Os alo es mais ele ados des a ca ego ia de ecu sos su gi am numa ase mais inicial do acompanhamen o psicológico. Figu a 2 E olução de Recu sos A i ados pelo Te apeu a Du an e o P ocesso Te apêu ico 19 F equência dos MIs ao longo das sessões Du an e o p ocesso e apêu ico, os MIs su gi am, em média, 10.48% do empo o al das sessões, 4.57% co esponde am a MIs de ní el 1, 4.22% ep esen a am MIs de ní el 2 e 1.69% a MIs de ní el 3. Ao longo da e apia a p opo ção e ní eis de MIs a iou (Figu a 3). No início hou e uma maio p opo ção de MIs de ní el 1, no en an o a pa i da sessão 5 os MIs de ní el 2 apa ece am em maio p opo ção, e essa p opo ção supe io man e e-se, à exceção das sessões 7, 11, 12, 13 e 14. Os MIs de ní el 3 su gi am apenas nas sessões 3, 7, 11, 12, 14, 15 e 16. Es e ní el de MIs a ingiu a sua p opo ção máxima na úl ima sessão do p ocesso e apêu ico. Figu a 3 E olução dos MIs Du an e o P ocesso Te apêu ico Sob eposição en e ecu sos e MIs ao longo das sessões ROMA-P (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o Pa ien s) Dos 958 minu os o ais da amos a, oi obse ada uma sob eposição en e os ecu sos do clien e e a eme gência de MIs em 73.5% do empo. Des es, 59.4% não ap esen a am a i ação de ecu sos nem eme gência de MIs (ou seja, ambos es a am ausen es), enquan o 14.1% dos minu os ap esen a am a i ação de ecu sos e eme gência de MIs (ou seja, ambos es a am p esen es). Cada um des es minu os, pode ia ap esen a ecu sos e di e en es ní eis de MIs. Especi icamen e, hou e uma maio sob eposição en e ecu sos e MIs de ní el 1 (7.2% do empo), seguida pelos ecu sos com MIs de ní el 2 (6.4%) e, po úl imo, uma meno 20 sob eposição en e ecu sos e MIs de ní el 3 (2.3%). O es e de qui-quad ado suge e uma di e ença signi ica i a na dis ibuição das sob eposições en e os di e en es ní eis de MIs (χ² = 29.10, p < .001 pa a ní el 1; χ² = 133.09, p < .001 pa a ní el 2; χ² = 53.42, p < .001 pa a ní el 3). A inhe a seguin e é um exemplo de uma sob eposição en e um ecu so posi i o e um MI de ní el 1. Clien e: “Sei que consigo aze melho e se calha se es i esse nas minhas capacidades o ais, enho a ce eza que consegui ia e melho es esul ados” (Sessão 3) ROMA-T (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o The apis ) Da o alidade dos 958 minu os da amos a, hou e sob eposição en e a a i ação de ecu sos po pa e do e apeu a e eme gência de MIs em 63.1% dos minu os. Des es, 44.6% dos minu os não ap esen a am a i ação de ecu sos nem eme gência de MIs (ou seja, ambos es a am ausen es), enquan o 18.5% dos minu os ap esen a am a i ação de ecu sos e eme gência de MIs (ou seja, ambos es a am p esen es). Cada um des es minu os, pode ia ap esen a ecu sos e di e en es ní eis de MIs. Em elação aos ní eis, hou e uma maio sob eposição en e a i ação de ecu sos po pa e do e apeu a e MIs de ní el 1 (9.7% dos minu os), seguida dos ecu sos com MIs de ní el 2 (6.3%) e, obse ou-se uma sob eposição meno en e ecu sos e MIs de ní el 3 (2.3%). O es e de qui-quad ado suge e uma di e ença signi ica i a na dis ibuição das sob eposições en e os di e en es ní eis de MIs (χ² = 8.01, p = .005 pa a ní el 1; χ² = 35.08, p < .001 pa a ní el 2; χ² = 17.50, p < .001 pa a ní el 3). A inhe a seguin e é um exemplo de uma sob eposição en e um ecu so de ein e p e ação posi i a do p oblema e um MI de ní el 3. Te apeu a: “A sua desc ição ago a é mui o di e en e, oi desc ição do caso, de como es á a sua mãe e de como es á o seu pai, ob iamen e e e indo que se sen e is e po isso, é no mal que se sin a, mas não es á ime sa.” Clien e: “Sim, conco do.” Te apeu a: “Há uma posição de dis anciamen o, que não é um dis anciamen o emocional, no sen ido de não que o sabe deles pa a nada, é um dis anciamen o no sen ido de pe cebe que a esponsabilidade não é sua. Faz sen ido?” 21 Clien e: “Hm, hm. Conco do.” Te apeu a: “Isso em um impac o em odos os ní eis em si.” Clien e: “Sim, é mais ácil de lida e sin o-me mui o melho po causa disso.” (Sessão 11) In luência da a i ação de ecu sos na elabo ação de MIs ROMA-P (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o Pa ien s) Os esul ados indica am uma associação posi i a signi ica i a en e a a i ação de ecu sos po pa e do clien e du an e a sessão e a oco ência de MIs de ní el 2 du an e essa mesma sessão ( = .64, p < .05). Além disso, a oco ência o al de MIs, ou seja, a soma en e os di e en es ní eis, numa sessão an e io p omo e a a i ação de mais ecu sos na sessão seguin e ( = .43, p < .05). Todas as ou as elações não ap esen a am signi icância es a ís ica. ROMA-T (Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis o The apis ) Os esul ados indicam apenas uma associação posi i a signi ica i a en e a a i ação de ecu sos do clien e po pa e do e apeu a com a eme gência o al de MIs den o da mesma sessão ( = .50, p < .05). Todas as ou as elações não ap esen a am signi icância es a ís ica. Discussão Es e es udo e e como obje i o analisa a equência, a sob eposição e a in luência dos ecu sos e MIs du an e o p ocesso e apêu ico de uma clien e diagnos icada com Pe u bação Dep essi a Majo , u ilizando o p o ocolo uni icado pa a o a amen o ansdiagnós ico de pe u bações emocionais (UP; Ba low e al., 2011). A análise oi ealizada com base na codi icação das sessões u ilizando o Sis ema de Codi icação de Momen os de Ino ação (SCMI; Gonçal es e al., 2011) e o Resou ce-O ien ed Mic op ocess Analysis (ROMA; Flückige & G osse-Hol o h, 2008b). Analisando 15 sessões, obse ou-se que os ecu sos posi i os o am os mais equen es, an o quando a i ados pelo clien e quan o pelo e apeu a. Po sua ez, os MIs su gi am em 10.48% do empo o al das sessões, com MIs de ní el 1 p edominando no início e ní eis 2 e 3 apa ecendo mais nas ases pos e io es da e apia. Hou e uma sob eposição signi ica i a en e ecu sos e MIs, indicando que o discu so do clien e equen emen e inco po a a ambas as dimensões. A a i ação de ecu sos pelo clien e co elacionou-se com a eme gência de MIs de ní el 2 na mesma sessão e associou-se a mais ecu sos na sessão 22 seguin e. A a i ação de ecu sos pelo e apeu a ambém se associou à eme gência o al de MIs na mesma sessão. Os esul ados des e es udo mos a am que a a i ação de ecu sos pelo clien e e pelo e apeu a es á associada à eme gência de MIs. F equência dos Recu sos Os esul ados mos a am que os ecu sos posi i os o am os mais equen es du an e as sessões, an o na codi icação do pacien e (ROMA-P) quan o na do e apeu a (ROMA-T). Em elação aos ecu sos a i ados pelo clien e, es es esul ados co obo am os esul ados ob idos po Flückige e colabo ado es (2014), que in es iga am uma amos a de pacien es com Pe u bação de Ansiedade Gene alizada, epo ando equências de 23.4% pa a ecu sos posi i os, 11.5% pa a ecu sos mo i acionais e 6.1% pa a e o mulação do p oblema. Simila men e, Flückige e al. (2009) obse a am equências de 20.6% pa a ecu sos posi i os, 13.9% pa a ecu sos mo i acionais e 3.9% pa a e o mulação do p oblema. Em ambos os es udos, assim como no p esen e, os ecu sos posi i os o am os mais equen emen e a i ados. Con udo, a p esen e pesquisa e idenciou uma maio p e alência de ecu sos de e o mulação do p oblema em compa ação com os es udos de Flückige e colabo ado es, possi elmen e de ido ao caso se um sudden gain. A p e alência dos ecu sos posi i os pode se explicada pela na u eza enco ajado a dos mesmos, que são undamen ais pa a o alece a au oe icácia e o bem-es a emocional do pacien e (Flückige & G osse-Hol o h, 2008a¸ Flückige e al., 2014). A p edominância dos ecu sos posi i os, especialmen e no início do a amen o, pode e le i a necessidade inicial de c ia um ambien e e apêu ico segu o e enco ajado , p omo endo a cons ução de uma base sólida pa a o p ocesso e apêu ico (Flückige e al., 2014). Po ou o lado, os ecu sos mo i acionais e os de e o mulação do p oblema i e am uma p esença meno , o que pode indica que es es são a i ados em momen os especí icos de mudança, se indo como um ca alisado pa a o p og esso e apêu ico. A e o mulação do p oblema, es e e conside a elmen e p esen e du an e odo o a amen o, o que suge e a con ínua comp eensão e ea aliação das ques ões ap esen adas pela clien e. F equência dos MIs Du an e o p ocesso e apêu ico, os MIs su gi am, em média, em 10.48% do empo o al das sessões. Es es esul ados co obo am os de Gonçal es e colabo ado es (2021), onde ambém oi u ilizado o p o ocolo UP, e ela a am uma p opo ção de MIs de 14.8% do empo 23 o al. No en an o, ap esen a am uma p opo ção ge al de MIs in e io à obse ada em ou os modelos e apêu icos, como a e apia cogni i o-compo amen al (24.1%), a e apia ocada nas emoções (31.4%), e a e apia na a i a (21%). Gonçal es e al. (2021) hipo e iza que es e esul ado pode se , pelo menos pa cialmen e, explicado pela abo dagem al amen e es u u ada e psicoeduca i a do a amen o UP. Is o implica que, em sessões especí icas, uma pa e signi ica i a do empo e apêu ico é abso ida pelas in e enções do e apeu a e po ou as a e as e apêu icas que não en ol em o compo amen o e bal do clien e, como exe cícios de mind ulness. Compa ando os ní eis especí icos de MIs, obse a-se que, na p esen e amos a, MIs de ní el 1 ep esen am 4.57%, MIs de ní el 2 ep esen am 4.22%, e MIs de ní el 3 são os menos equen es com 1.69%. Es es alo es são ligei amen e in e io es aos encon ados na amos a de Gonçal es e colabo ado es (2021), com 8.3% de MIs de ní el 1, 4.7% de MIs de ní el 2, e 1.8% de MIs de ní el 3. A equência dos MIs ao longo das sessões mos ou uma e olução espe ada (Gonçal es e al., 2021). No início do p ocesso e apêu ico, hou e uma p edominância de MIs de ní el 1, o que é consis en e com a ase inicial de cons ução de insigh s e pequenas mudanças cogni i as (Gonçal es e al., 2017). A pa i da sessão 5, os MIs de ní el 2 passa am a se mais equen es, indicando um a anço pa a mudanças mais p o undas e signi ica i as na cognição e compo amen o do pacien e (Gonçal es e al., 2017). Os MIs de ní el 3, que ep esen am ans o mações mais subs an i as, su gi am mais subs ancialmen e nas sessões pos e io es, a ingindo o pico na úl ima sessão, o que pode e le i a consolidação dos ganhos e apêu icos (Gonçal es e al., 2017). Sob eposição en e Recu sos e MIs Os esul ados demons a am uma sob eposição de ecu sos do clien e e MIs em 14.1% dos minu os e uma sob eposição de ecu sos a i ados pelo e apeu a e MIs em 18.5% dos minu os. A maio sob eposição de ecu sos a i ados pelo e apeu a em compa ação com a sob eposição de ecu sos do clien e pode se explicada pela na u eza a i a da in e enção e apêu ica. Quando o e apeu a iden i ica e a i a ecu sos do clien e, es á a acili a a explo ação de no as pe spe i as e p omo e mudanças cogni i as e compo amen ais, o que pode le a di e amen e à eme gência de MIs. A in e enção do e apeu a pode se mais es u u ada e di ecionada, o que aumen a a p obabilidade de coincidência empo al en e a a i ação de ecu sos e a eme gência de MIs. Po ou o lado, a a i ação de ecu sos pelo clien e pode se mais espon ânea e menos es u u ada, esul ando numa meno sob eposição. A 30 he apy o dep ession. Psycho he apy Resea ch, 26(4), 425-435. h ps://doi.o g/10.1080/10503307.2015.1035355 G awe, K. (1997). Resea ch-In o med Psycho he apy. Psycho he apy Resea ch, 7(1), 1–19. h ps://doi.o g/10.1080/10503309712331331843 G awe, K. (2004). Psychological The apy. Be n: Hog e e. G awe, K., & G awe-Ge be , M. (1999). Ressou cenak i ie ung. Ein p imä es Wi kp inzip de Psycho he apie [Resou ce ac i a ion: A p ima y change p inciple in psycho he apy]. 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