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janeiro de 2020 Universidade do MinhoInstituto de EducaçãoSara Alexandra Ribeiro da Silva Ser Comunidade: a Importância daIntegração Comunitária na Terceira Idade Sara Alexandra Ribeiro da Silva Ser Comunidade: a Importância da Integração Comunitária na Terceira Idade UMinho | 2020
Sara Alexandra Ribeiro da Silva Ser Comunidade: a Importância daIntegração Comunitária na Terceira Idade janeiro de 2020 Relatório de Estágio Mestrado em Educação Área de Especialização em Educação de Adultos eIntervenção Comunitária Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Custódia Martins Universidade do MinhoInstituto de Educação
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição CC BY https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
iii Agradecimentos O sucesso na realização deste projeto não teria sido possível sem o apoio e colaboração de determinadas pessoas e entidades às quais tenho muito a agradecer, uma vez que, de diferentes formas, foram colaborando e participando no projeto. À Dra. Custódia Martins, orientadora de estágio, pela disponibilidade a apoio durante toda a realização deste projeto. À Dra. Alexandra Vieira, acompanhante de estágio, por toda a dedicação e auxílio quer no desenvolvimento do projeto, quer na integração na instituição e ainda no meu crescimento como profissional da área. Agradeço ainda pelo exemplo que me transmitiu. À instituição de estágio, a Residência Pratinha, por me ter recebido da melhor forma e por me ter permitido desenvolver este projeto da forma exata como o idealizei. Aos utentes da Residência Pratinha, por todo o carinho com que me receberam e participaram em cada momento deste projeto, e sem os quais nada disto teria sido possível. A todos aqueles com quem criei parcerias e que foram convidados a participar neste projeto, que aceitaram de imediato e se esforçaram para que tudo corresse bem, o meu muito obrigada, este projeto de integração na comunidade não faria sentido sem eles, sem a própria comunidade. Aos grupos que cantaram as janeiras, ao agrupamento de escolas, ao jardim-de-infância, à junta de freguesia, ao agrupamento de escuteiros, aos marchantes da união de freguesias, ao grupo de bombos infantil, ao pároco da freguesia, à Dra. Marta, à Sara, ao Sr. Joaquim, ao Sr. Novais e ainda à Educadora de Infância, Prof. Antónia, que, 18 anos depois, me voltou a receber de braços abertos e participou neste projeto de alma e coração, o meu especial obrigado. Aos meus pais e irmão, por todo o poio durante toda a minha vida académica mas principalmente pelo apoio neste projeto através de opiniões, colaboração e participação no mesmo e ainda pela paciência naqueles dias menos bons. Ao meu namorado que sempre me apoiou e compreendeu a falta de disponibilidade e energia em determinados momentos, ouvindo pacientemente as minhas queixas. Às minhas amigas, as melhores que a universidade me deu. Obrigada Cátia, Catarina e Daniela por todo o apoio e opiniões trocadas para que os nossos projetos tivessem sucesso, por estes 5 anos de amizade e de momentos únicos.
iv DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Declaro ter atuado com integridade na elaboração do presente trabalho académico e confirmo que não recorri à prática de plágio nem a qualquer forma de utilização indevida ou falsificação de informações ou resultados em nenhuma das etapas conducente à sua elaboração. Mais declaro que conheço e que respeitei o Código de Conduta Ética da Universidade do Minho.
v SER COMUNIDADE: A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO COMUNITÁRIA NA TERCEIRA IDADE RESUMO O presente relatório, inserido no estágio referente ao Mestrado em Educação com especialização em Educação de Adultos e Intervenção Comunitária, refere-se ao projeto desenvolvido na Residência Pratinha, uma residência sénior inserida num meio rural na freguesia de Cavalões, com um grupo de 17 utentes com idades entre os 76 e 93 anos dos quais nenhum deles era morador da referida freguesia até ao momento da institucionalização. O referido projeto tem como finalidade a integração dos utentes da Residência Pratinha na comunidade a que pertencem e conta ainda com os seguintes objetivos gerais: incentivar à participação ativa dos utentes; promover momentos de partilha intergeracional; potenciar momentos lúdicos e de recreação e ainda os objetivos específicos: contactar com os símbolos e história da freguesia; integrar o público-alvo nas tradições/iniciativas da freguesia; estimular o interesse pela leitura; potenciar momentos de convívio; promover a criatividade; comemorar as épocas festivas. De forma a atingir a finalidade e objetivos referidos as atividades desenvolvidas ao longo do projeto foram organizadas em cinco ateliês, sendo eles: (1) As Nossas Decorações, (2) Nós e a Comunidade; (3) Partilhas Intergeracionais; (4) Promoção da Saúde; (5) Nós e a Música. Este foi um projeto desenvolvido com a metodologia da investigação-ação participativa e no qual foi utilizada a animação sociocultural como metodologia de intervenção. Ao longo do relatório são apresentadas todas as etapas percorridas durante o projeto que levou à integração dos utentes da referida instituição na comunidade a que pertencem. Palavras-chave: Educação de Adultos; Envelhecimento; Integração Comunitária; Intervenção Comunitária
vi BEING COMMUNITY: THE IMPORTANCE OF COMMUNITY INTEGRATION IN THE THIRD AGE Abstract The present internship paper, inserted in the internship related to the Masterdegree in Education with specialization in Adult Education and Community Intervention, refers to the project developed at Residência Pratinha, a senior residence inserted in a rural environment in the parish of Cavalões, with a group of 17 users between the ages of 76 and 93 years of which none of them were residents of that parish until the moment of institutionalization. The purpose of this project is to integrate the users of the Residência Pratinha in the community to which they belong and also has the following general objectives: to encourage the active participation of users; promote moments of intergenerational sharing; enhance playful and recreational moments and also the specific objectives: contact with the symbols and history of the parish; integrate the target audience into the parish's traditions / initiatives; stimulate the interest of reading; enhance moments of conviviality; promote creativity; celebrate the festive seasons. In order to achieve the purpose and objectives referred to, the activities developed throughout the project were organized in five workshops, namely: (1) Our Decorations, (2) Us and the Community; (3) Intergenerational Shares; (4) Health Promotion; (5) Us and Music. This was a project developed with the methodology of participatory action-research and in which socio-cultural animation was used as an intervention methodology. Throughout the report, all the steps taken during the project that led to the integration of the users of that institution in the community to which they belong are presented. Keywords: Adult Education; Aging; Community Integration; Community Intervention;
vii Índice Agradecimentos .................................................................................................................................. iii RESUMO ............................................................................................................................................. v Abstract.............................................................................................................................................. vi Índice ................................................................................................................................................ vii Índice de Gráficos ............................................................................................................................... ix Índice de Tabela ................................................................................................................................. ix 1. Introdução .................................................................................................................................11 2. Enquadramento Contextual do Estágio........................................................................................13 2.1. Caracterização da instituição...............................................................................................13 2.2. Caracterização do público-alvo ............................................................................................15 2.3. Apresentação da área/problemática de investigação/intervenção ........................................17 2.4. Diagnóstico de necessidades/interesses .............................................................................17 3. Enquadramento Teórico da Problemática do Estágio ...................................................................19 3.1. Envelhecimento e Qualidade de Vida ...................................................................................19 3.2. Educação de Adultos e Intervenção Comunitária .................................................................21 3.4. Intergeracinalidade .............................................................................................................27 4. Enquadramento Metodológico do Estágio ...................................................................................29 4.1. Apresentação da finalidade e objetivos de intervenção .........................................................29 4.2. Apresentação e fundamentação da metodologia de investigação/intervenção ......................29 4.2.1. Definição do paradigma de intervenção/investigação ..................................................29 4.2.2. Seleção do método e das técnicas de intervenção/investigação ...................................30 4.2.2.1. Conversas informais ...................................................................................................31 4.2.2.2. Observação direta participante ....................................................................................31 4.2.2.3. Pesquisa e análise documental ...................................................................................31 4.2.2.4. Diário de bordo ...........................................................................................................31 4.2.3. Metodologia de Intervenção ........................................................................................32
14 Assim sendo, de acordo com o site da instituição, a referida instituição tem como visão estruturante “tornar-se referência na prestação de serviços à população sénior, disponibilizando as melhores práticas de saúde e de prestação de cuidados humanizados, através do desenvolvimento de ações centradas no utente e no seu bem-estar biopsicossocial” 1 A Residência presta os seguintes serviços aos seus utentes: Ocupação Terapêutica; Atividades socioculturais e recreativas; Apoio psicossocial tendo em vista a sua integração na sociedade de que fazem parte; Refeições; Tratamento de roupas; Apoio Clínico, de Enfermagem; Cuidados de higiene e de conforto; Barbeiro/cabeleireiro; Utilização do telefone para comunicação externa; Assistência espiritual e religiosa, asseguradas pelo Pároco da freguesia de acordo com a disponibilidade do mesmo. Para além dos serviços prestados a instituição conta ainda com uma parceria com a Clínica Médica e de Reabilitação Sentir Saúde, que presta, na instituição, serviços de fisioterapia. A Residência Pratinha está inserida numa quinta na freguesia de Cavalões localizada numa zona rural caracterizada pela envolvência de terrenos agrícolas. A quinta conta com, para além da estrutura residencial, uma extensa área de vegetação, entre jardins e pomar. A estrutura residencial é composta por 15 quartos (duplos/individuais equipados com casa de banho privada), 5 casas de banho, rouparia, dispensa, sala das auxiliares, cozinha, refeitório, sala de atividades, sala de convívio, sala de enfermagem e gabinete técnico. No que diz respeito aos recursos humanos a instituição conta com a socia gerente, a diretora técnica, a terapeuta ocupacional, 2 enfermeiras e 15 auxiliares, que em conjunto zelam pela qualidade dos serviços prestados. No que diz respeito às atividades desenvolvidas a instituição conta com um plano de atividades, planeado pela terapeuta ocupacional em colaboração com a diretora técnica e aprovado pela socia gerente. O referido plano contempla as seguintes áreas: atividades físicas (semanalmente), atividades 1 http://www.residenciapratinha.com/
15 psicomotoras (diariamente), atividades estéticas (semanalmente), saídas ao exterior (mensalmente), idas à missa (sempre que oportuno), reza do terço (diariamente) e ainda a celebração de datas festivas, tais como: Carnaval, Dia do Doente, Páscoa, Santos Populares, Dia do Idoso, Dia de S. Martinho e Natal. 2.2. Caracterização do público-alvo Dos 26 utentes da Residência Pratinha, apenas 17 destes participaram no projeto uma vez que os restantes tinham limitações, quer físicas quer cognitivas, as quais não permitiram a sua participação nas atividades desenvolvidas no presente projeto. Para a caracterização do público-alvo foi realizada uma análise documental e ainda recolhida informação através de conversas informais quer com o próprio público-alvo como com a direção da Residência Pratinha. Através da observação dos gráficos relativos às idades e género dos utentes, é possível concluir que se trata de um público-alvo predominantemente do género feminino, sendo que apenas 3 dos 17 utentes envolvidos são do sexo masculino. Quanto às idades observa-se que se trata de uma população envelhecida, com idades compreendidas entre os 76 e os 93 anos, sendo que a média de idades dos utentes é de 85 anos. Relativamente ao tempo de residência na instituição foram consideradas as variáveis de inferior a 1 ano e superior a 1 ano, sendo que se observa que a maioria do público-alvo tem um tempo de residência inferior a 1 ano, ou seja, a maioria dos utentes está há pouco na instituição. 3 14 Masculino Feminino 0 1 2 3 76 78 80 81 82 83 84 85 87 88 90 93 59% 41% >1 ano <1 ano Gráfico I: Género dos Utentes Gráfico II: Idade dos Utentes Gráfico III: Tempo de Residência na Instituição
16 Relativamente ao estado civil observa-se um equilíbrio nos seus resultados, sendo 6 utentes são viúvos(as), 5 são casados(as), 4 divorciados(as) e uma minoria, 2 utentes, são solteiros(as). No que se refere às razões pelas quais os utentes ingressaram na residência sénior, a principal razão apontada pelo público foi a impossibilidade por parte dos familiares de prestarem os cuidados necessários. De facto trata-se de um público que necessita de cuidados e de acompanhamento uma vez que dos 17 utentes 9 têm diagnóstico de demência e ainda 7 têm dificuldades motoras que os levam a serem movimentados em cadeiras de rodas. Sendo um público-alvo de um meio rural, a grande maioria teve atividades profissionais relacionadas com a agricultura, sendo que os restantes estiveram inseridos em fábricas à exceção de uma utente que teve a profissão de professora. Associado às dificuldades que as suas famílias apresentavam durante a infância dos utentes, 5 dos utentes são analfabetos uma vez que não tiveram a possibilidade de frequentarem a escola, algo que os faz sentir inferiores relativamente ao restante público. 5 4 2 6 Casado(a) Solteiro(a) Divorciado(a) Viúvo(a) 12 5 Alfabetizado(a) Analfabeto(a) Gráfico IV: Estado Civil dos Utentes Gráfico V: Alfabetização dos Utentes
17 2.3. Apresentação da área/problemática de investigação/intervenção O projeto “Ser Comunidade: a Importância da Integração Comunitária na Terceira Idade” tem como finalidade a integração dos utentes da Residência Pratinha na comunidade a que pertencem, sendo o seu público-alvo 17 utentes de uma residência sénior. Com a institucionalização em lares e residências sénior, os idosos veem reduzido o número de relações e participações socias com a comunidade envolvente que, na grande maioria dos casos, é desconhecida, uma vez que se deslocam da freguesia onde anteriormente residiam. De forma a combater este défice de ligação e de participação na comunidade, existe a necessidade de, os lares e residências séniores, se integrarem na comunidade a que pertencem através da participação em iniciativas da freguesia e ainda através do envolvimento com grupos e movimentos da mesma. Daí a pertinência de uma intervenção na área da integração na comunidade com idosos institucionalizados, não apenas para benefício da instituição em si, que se torna mais conhecida e valorizada pela população, mas principalmente para contribuir para aumento de relações sociais dos utentes com a restante comunidade e para promover uma participação ativa dos mesmos na comunidade a que passam a pertencer. Uma intervenção nesta área faz ainda sentido tendo em conta toda a formação já obtida em anos anteriores, onde foi realçada a importância de uma participação ativa na comunidade e de uma integração comunitária, que são relevantes não apenas nos idosos mas também em qualquer fase da vida, sendo o ser humano um ser social existe a necessidade de socializarmos e, consequentemente, estarmos integrados numa comunidade. 2.4. Diagnóstico de necessidades/interesses O diagnóstico de necessidades é a fase inicial de qualquer projeto de intervenção, com o qual, segundo Santos (2012), é possível identificar e caraterizar necessidades e/ou problemas, potencialidades, recursos e interesses do público-alvo. É a partir da construção do diagnóstico de necessidades que é possível perceber qual a intervenção necessária, bem como, delinear os objetivos e finalidade da mesma, possibilitando uma ação adequada ao público-alvo. Guerra refere que qualquer projeto de intervenção deve ser construído “(…) com base no conhecimento da realidade, sob pena de não ser adequado ou realista.” (2000: 129). Para a realização deste projeto, durante o diagnóstico de necessidades, foram utilizadas as técnicas de conversas informais, observação direta participante, pesquisa e análise documental e os diários de bordo. Através da análise documental foi possível ter acesso aos dados pessoais de cada um
18 dos utentes, o que permitiu perceber as limitações de saúde de cada utente e ainda um pouco da sua história de vida. Relativamente aos seus interesses, necessidades e predisposição para a realização e desenvolvimento de determinadas temáticas, foi essencialmente com as conversas informais e com a observação direta participante que se tornou possível a recolha desses dados. Dos dados recolhidos foi de realçar o facto de nenhum dos utentes ser residente na freguesia, todos os utentes são provenientes de outras freguesias e, grande parte deles, de freguesias bastante distantes. Também os profissionais, que com eles trabalham diariamente, não pertencem à freguesia onde se encontra a residência, o que faz com que também estes não conheçam as dinâmicas da mesma. Estes fatores fazem com que os utentes não conheçam nem tenham uma participação na comunidade onde vivem, daí surgir a grande necessidade de, com este projeto, os integrar na comunidade onde agora residem, fazendo com que tenham uma participação ativa na mesma e com que conheçam as suas tradições e o seu património histórico e religioso. Relativamente aos gostos e interesses do público-alvo, estes foram referindo variadíssimas temáticas como a atividade física, a leitura, o cinema, a jardinagem, entre outros, no entanto foi possível destacar-se o interesse pela religião e pela música e a vontade de conviver com as crianças que foram referidos como interesses por todos os idosos do público-alvo.
19 3. Enquadramento Teórico da Problemática do Estágio 3.1. Envelhecimento e Qualidade de Vida Apesar do aumento da esperança média de vida, o mais importante não é ter mais anos de vida mas sim dar qualidade a esses anos de vida, tal como defende Fontaine, “convém, de agora em diante, não só continuar a dar tempo ao tempo, mas também a dar qualidade ao tempo.” (2000: 147). Tal como a infância, a adolescência e a idade adulta também a velhice é um estado, no entanto, este é visto de forma diferente sendo que se trata da última fase da vida, fase esta que atingimos através do processo do envelhecimento, sendo este um processo biopsicossocial que se inicia desde que nascemos. A forma como a velhice é interpretada depende muito da sociedade em que vivemos e daquilo que nos é transmitido, os jovens veem os idosos e a velhice de uma forma diferente daquela que os adultos veem ou de como os próprios idosos veem, esta visão deve-se essencialmente à distância que estão dessa realidade, conforme vamos envelhecendo temos uma perspetiva diferente dos vários estados porque vamo-nos aproximando dessa realidade. A sociedade atual valoriza o dinheiro e a produtividade, uma vez que os idosos já não são tão produtivos, tal como Zimerman defende existe uma visão préconcebida destes como alguém que está numa fase final da vida, “quando se fala em velho a imagem que vem à mente é a de um sapato gasto, furado e que, portanto, já não serve para mais nada” (2000: 28) e que já não tem um papel tão ativo na sociedade, quer a nível social como económico, daí os jovens serem influenciados pela sociedade a terem esta visão negativa da velhice. Tal como Zimerman refere, o envelhecimento dá-se a nível físico, psicológico e social, isto é “pressupõe alterações físicas, psicológicas e sociais no indivíduo” (2000: 21), sendo que este processo varia de pessoa para pessoa e depende de como cada um enfrenta esse mesmo envelhecimento, se se resigna ou se combate esses efeitos de um processo inevitável, sendo assim o envelhecimento é um processo biopsicossocial singular e único. Segundo Oliveira a velhice pode ser categorizada como “bem sucedida e mal sucedida ou patológica, ficando no meio a velhice ‘normal’ ou habitual, não totalmente feliz mas também não infeliz” (2005: 87). A velhice normal caracteriza-se por mudanças a nível psicológico, sociológico e físico ditas como normais neste processo, a velhice patológica, por outro lado, caracteriza-se pelo surgimento de variadas doenças limitadoras, já a velhice bem-sucedida, sendo este o pretendido, é caraterizada por um processo de envelhecimento onde, apesar do passar do tempo, ainda se
20 apresentam níveis de saúde, autonomia e independência muito bons para a idade que a pessoa apresenta. Associado ao conceito de envelhecimento bem-sucedido surge também o conceito de envelhecimento ativo, que segundo Ribeiro & Paul remetem “o conceito de ‘ativo’ para uma participação e envolvimento nas várias questões sociais, culturais, económicas, civis e espirituais” (2011: 2), estes apresentam-nos três pilares a ele associadas enquanto essenciais no seu processo: a saúde, “a qual se institui desde logo como um dos aspetos centrais do envelhecimento” (2011: 4); a segurança que, segundo os autores, levanta questões “sobre o planeamento urbano e os lugares habitados, mas também atentam sobre os espaços privados e o clima de não-violência das comunidades” (2011:4) e por último temos o pilar da “participação social na comunidade em que está inserido, e que é marcado pelas relações estabelecidas com os distintos subsistemas institucionais” (2011: 4) apesar da importância de todos estes pilares é sobre este último que o presente projeto vai ter mais atuação, sobre o envolvimento e a participação social dos idosos na comunidade a que pertencem . Sendo a saúde uma dimensão importante em todas as fases da vida, na velhice, uma vez que a pessoa está mais propícia ao desenvolvimento de doenças, esta torna-se numa das dimensões mais importantes uma vez que esta vai influenciar a forma como o idoso encara a sua vida e o seu futuro. Quando nos referimos a fatores que influenciam a qualidade de vida, segundo Fonseca “a referência a problemas de saúde é uma constante, surgindo claramente no topo das preocupações” (2006: 125), como tal, esta é uma temática importante de trabalhar, quer a nível da prevenção da doença quer a nível de promoção da saúde. Amado apresenta assim a definição de Promoção da Saúde presente na Carta de Ottawa (1986): a promoção da saúde “é um processo que visa aumentar a capacidade dos indivíduos e das comunidades para controlarem a sua saúde, no sentido de a melhorar.” (2012: 248). A qualidade de vida é falada em todas as fases da vida mas é ainda mais valorizada com o envelhecimento, na velhice a pessoa está mais propensa à doença e, nesse sentido, como referi anteriormente, quando referimos a qualidade de vida na velhice o primeiro fator que todos referem é a saúde, a saúde é fundamental mas não é só a saúde que afeta a qualidade de vida. A qualidade de vida é, segundo Paúl & Fonseca, “multidimensional, que ultrapassa largamente a problemática da saúde” (2005: 77). Paúl & Fonseca referem ainda que “neste modelo da OMS que adotamos, a qualidade de vida abrange as dimensões física, psicológica, social e ambiental.” (2005: 78), ou seja, a qualidade de vida vai muito para além da saúde, passa pelas relações que mantêm, pelas atividades que praticam, pelo local onde vivem e ainda para independência que têm.
21 3.2. Educação de Adultos e Intervenção Comunitária A área da Educação de Adultos surge num momento pós 2ª Guerra Mundial, quando a maior necessidade era a criação de um clima de paz entre as nações. A educação de adultos surgiu assim com o papel de desenvolver no adulto um espírito de paz e de pertença a uma comunidade. Com a Quarta Conferência Internacional da UNESCO sobre a Educação de Adultos, em Nairobi, surge e definição de educação de adultos que permanece até aos dias de hoje: “a expressão «educação de adultos» designa a totalidade dos processos organizados de educação, qualquer que seja o conteúdo, o nível ou o método, quer sejam formais ou informais, quer prolonguem ou substituam a educação inicial ministrada nas escolas e universidades, e sob a forma de aprendizagem profissional, graças aos quais as pessoas consideradas como adultos pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas aptidões, enriquecem os seus conhecimentos, melhoram as suas qualificações técnicas e profissionais ou lhes dão uma nova orientação, e fazem evoluir as suas atitudes ou o seu comportamento na dupla perspectiva de um desenvolvimento integral do homem e de uma participação no desenvolvimento social, económico e cultural equilibrado e independente;” (UNESCO, 1977, p.10) É importante primeiramente ter em conta que não podemos confundir educação de adultos com educação permanente, uma vez que, a educação de adultos surge como um subconjunto da própria educação permanente. O processo de educar passa por tornar as pessoas autónomas e autodidatas, ajudando-as a pensar por si, a adquirir novas competências que as façam ter capacidade para resolverem os seus problemas, a emancipar-se. A educação de adultos veio diferenciar-se da educação escolar uma vez que, na educação escolar, o aluno ocupa um papel passivo, não participa no próprio processo de aprendizagem, na educação de adultos isto já não acontece sendo que o adulto é o principal agente do seu próprio processo educativo, tem aqui um papel ativo, tal como nos refere a recomendação da Quarta Conferência Internacional da UNESCO sobre Educação de Adultos, “num tal projeto, o homem é o agente da sua própria educação através da interação permanente da sua reflexão e das suas ações;” (UNESCO, 1977: 10).Para que isto seja possível o educador desempenha um importante papel de motivação do adulto, este precisa de ser motivado a participar no próprio processo educativo, para que consiga perceber as próprias necessidades e as consiga resolver, tornando-se autónomo e autodidata.
22 O campo da educação de adultos apresenta-se como diversificado e complexo, a nível das práticas educativas, a nível das instituições e a nível da figura do educador, tal como nos refere Rui Canário (2000). O autor refere ainda que ao nível das práticas educativas estas “correspondem à Alfabetização, à Formação Profissional, à Animação Sociocultural e ao Desenvolvimento Local.” (2000: 14). A alfabetização foi, em tempos, um dos polos mais importantes da educação de adultos sendo que era grande o número de analfabetos e havia a necessidade de dar literacia às populações para que estas conseguissem ser autónomas e pudessem ter um papel mais ativo na sua própria vida e também dentro da sua própria comunidade, mas atualmente esse número diminuiu significativamente, sendo que onde se registam mais casos é nos idosos, e isso fez com que a alfabetização deixasse de ser um polo da educação de adultos. Segundo Canário o polo da formação profissional remete-nos para “a qualificação e requalificação acelerada de mão-de-obra” (2000: 14) o que nos remete para a teoria do capital humano, que nos diz que quanto maiores as qualificações maior a produtividade dessa pessoa que, consequentemente, ajudará a economia do país, o que vai de encontro aos interesses das empresas, interesses de maior produtividade e de maior qualificação dos quadros da empresa. O desenvolvimento local apresenta-se como o terceiro polo da educação de adultos e como o polo mais forte desta área. Tal como referi anteriormente, a educação de adultos tem como objetivos “evoluir as suas atitudes ou o seu comportamento na dupla perspetiva de um desenvolvimento integral do homem e de uma participação no desenvolvimento social, económico e cultural equilibrado e independente” (UNESCO, 1977: 10), ou seja, visa a preparação do individuo para a vida em comunidade e, consequentemente, o melhoramento da vida em comunidade. A complexidade do campo da educação de adultos verifica-se ainda a nível da diversidade das instituições, uma instituição é educativa quando possui finalidades educativas sendo que “ as organizações sociais representam sempre contextos educativos” (Canário, 2000: 17) e o que distingue as instituições educativas das não educativas “é o facto de perseguirem deliberadamente ou não finalidades educativas e ainda o facto de essas finalidades corresponderem à atividade principal ou secundária.” (Canário, 2000: 17). Referindo ainda a complexidade a nível da figura do educador ou formador é possível afirmar que existe uma grande pluralidade de profissionais que trabalham neste campo, aos quais estão associadas
23 uma multiplicidade de tarefas e denominações distintas. Com tanta complexidade e pluralidade envolvida a nível da figura do educador, podemos resumir que um formador de adultos não é senão quem realiza uma formação dirigida aos adultos. O campo da educação de adultos apresenta variadas diversidades e complexidades daí ser ainda mais importante trabalhá-lo, uma vez que nos apresenta também uma diversidade de respostas para as complexidades existentes na nossa sociedade atual. Para além do campo da educação de adultos, também o campo da intervenção comunitária nos apresenta uma diversidade de respostas para as complexidades existentes na nossa sociedade atual. O objetivo de uma intervenção comunitária é sempre a transformação, e para isso é necessário ter em consideração não só as pessoas ou os participantes mas também as instituições e os recursos. Mas quando referimos a intervenção comunitária existe um conceito fundamental e que merece a nossa reflexão, o conceito de comunidade. Antigamente o conceito comunidade referia-se a um grupo de pessoas unidos pelos mesmos costumes, a mesma cultura, valores comuns ou interesses comuns, grupo esse localizado no mesmo espaço geográfico. Mas atualmente o termo de comunidade é mais abrangente, a questão do espaço geográfico foi ultrapassado pelas novas tecnologias, sendo que surgiram as comunidades virtuais, que partilham os seus interesses virtualmente, como por exemplo comunidades dos jogos online onde é partilhado um mesmo interesse, o jogo, e nas quais podem partilhar informações e manter o contato mesmo estando afastados geograficamente, sendo este um grande exemplo de globalização. Se por um lado a globalização contribuiu para um maior contato com o resto do mundo que está geograficamente distante, contribuiu por outro lado para um afastamento daqueles que estão perto geograficamente. A globalização abalou o espírito de pertença à comunidade, terminando com tradições e valores que definiam as comunidades, mas foi também esta globalização que fez com que as pessoas despertassem novamente para a comunidade. Ou seja, “estos últimos años han visto un renacimiento de lo comunitario” (Úcar, 2009: 16), a globalização fez com que as populações perdessem a sua identidade e o conceito de comunidade, o retorno ao comunitário veio trazer uma reação à globalização, como exemplo deste retorno temos a recuperação do artesanato e uma revalorização das tradições das aldeias, mas mesmo havendo estas recuperações, atualmente o relacionamento interpessoal é pobre, a nossa sociedade caminha muito para o individualismo.
30 de informação, avaliação e apresentação dos resultados do projeto de pesquisa.” (2015: 14). Visto que o seu objeto de estudo é uma realidade social, as pessoas são consideradas o centro da investigação. 4.2.2. Seleção do método e das técnicas de intervenção/investigação Em educação, a investigação qualitativa concretiza-se através de projetos de intervenção, sendo utilizada a investigação ação participativa (IAP), uma vez que procurámos compreender a realidade social em que realizámos a investigação, para podermos atuar sobre ela, transformando-a. Ander-Egg (1990), defende que a IAP é uma metodologia que supõe a participação de todos os agentes sociais envolvidos no projeto e em todas as fases do mesmo, quer nas atividades quer nas tomadas de decisões, cujos resultados da investigação convertem para todos os participantes do mesmo. Este tipo de investigação é uma metodologia de ação participativa que estuda uma realidade social a partir de um problema concreto da mesma, recolhendo informações sobre ela e analisando-a, e objetiva a promoção de transformações sociais nesse contexto, sob a atuação sobre essa mesma realidade, com vista à melhoria da qualidade de vida na mesma, segundo necessidades, problemas e interesses detetados. Neste tipo de investigação, a comunidade na qual o projeto se desenvolve é o principal agente do seu processo de transformação. Trilla (2004) distingue investigação ação de investigação participativa sendo que ambas trabalham em conjunto com um mesmo objetivo: a transformação do indivíduo e da comunidade. Segundo Trilla a “investigação-ação é uma metodologia de investigação orientada para o aperfeiçoamento da prática” (2004: 111). É através da prática que são definidos os problemas em que devemos intervir e é através da prática que esses mesmos problemas são resolvidos. Esta acaba também por se tornar numa investigação participativa uma vez que requer a participação, quer do indivíduo quer do investigador, em todas as fases da investigação. Trilla difere a investigação participativa pelo facto de esta “atingir um conhecimento mais profundo dos seus problemas e soluciona-los tentando incluir toda a comunidade no processo” (2004: 112). Esta trata-se de uma investigação conjunta, onde o conjunto de pessoas ou a comunidade analisam e transformam a própria realidade, participando assim em todo o processo de investigação. A investigação ação participativa divide-se em três fases, sendo elas a fase de diagnóstico, a fase da implementação do projeto e a fase da avaliação da intervenção. Sendo este um processo cíclico, no fim da avaliação dessa intervenção pode ser necessária uma segunda intervenção, contudo, uma vez
31 que o pretendido é educar para a autonomização, o esperado é que a comunidade aprenda a aprender e a conhecer por si mesma, resolvendo os seus próprios problemas. Ao longo do trabalho foram utilizadas as seguintes técnicas de recolha de dados: conversas informais; observação direta participante; pesquisa e análise documental; diário de bordo. 4.2.2.1. Conversas informais As conversas informais “baseiam-se em questões que surgem, naturalmente, da interação entre as pessoas, muitas vezes no decurso da recolha de dados, durante a observação participante.” (Patton, 2002, citado em Mendes, 2012: 168). 4.2.2.2. Observação direta participante Segundo Vale, “a observação é a melhor técnica de recolha de dados do indivíduo em atividade, em primeira mão, pois permite comparar aquilo que diz, ou que não diz, com aquilo que faz.” (2000: 233). Tudo o que é observado é de seguida convertido no diário de bordo para que esteja tudo registado, esta observação decorrerá não apenas durante o diagnóstico de necessidades, mas sim durante todo o projeto. 4.2.2.3. Pesquisa e análise documental Segundo Ludke & André a pesquisa/análise documental é “técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspetos novos de um tema ou problema.” (1986: 38) 4.2.2.4. Diário de bordo Esta é uma técnica importante na medida em que nos permite registar o que vamos observando para que seja possível compreender melhor a realidade em que estamos intervir.
32 4.2.3. Metodologia de Intervenção 4.2.3.1. Animação sociocultural A animação sociocultural é uma metodologia de intervenção que se insere na metodologia de investigação ação participativa, uma vez que se trata de um processo de transformação do indivíduo, que o torna livre, autónomo e consciente através da sua própria participação neste processo de aprendizagem. A animação sociocultural (ASC), segundo Vallicrosa, surgiu, como um processo de intervenção, para dar “resposta à crise de identidade urbana, à descida da qualidade de vida e à atonia social” (2004: 171), isto é, à paragem e desânimo social. Ainda segundo o autor a “ASC é uma resposta institucional” (2004:171), uma vez que revela um enquadramento dos diferentes atores/agentes, sendo uma resposta que funciona em rede e não isolada; “intencional” (2004: 171), uma vez que tem uma finalidade concreta, sendo ela dar ânimo e dar alma; e, por último, surge como uma resposta “sistemática” (2004: 171) uma vez que esta é estruturada e organizada, sendo uma área que funciona em rede, é necessária uma estrutura, uma organização. Segundo o autor essa intencionalidade, que é expressa de forma organizada, visa 2 objetivos, sendo eles: “promover uma participação ativa e voluntária dos cidadãos no desenvolvimento comunitário e na melhoria da qualidade de vida” (2004: 171). Quando referimos uma participação ativa não implica que esta seja voluntária, pode não ter sido decidida pelo indivíduo. Quando referimos participação voluntária esta é no sentido de ser consciente, não porque há uma condicionante, mas porque ela vale por si mesma. A ASC tem como grande finalidade promover a qualidade de vida, isto numa dimensão holística do ser humano, estamos a referir-nos a todos os componentes do ser humano na sua formação, isto é, a nível físico, emocional, psicológico, cognitivo e espiritual. A ASC é ela mesmo um processo dinâmico que ocorre na comunidade através da intervenção, é no desenvolver da ação, do processo de intervenção, que as técnicas utilizadas podem aumentar a sua eficácia. Para esse aumento da eficácia Ander-Egg apresenta-nos uma divisão das técnicas por categorias que nos dão orientação para o desenvolver de um plano de ação para que seja possível desenvolver uma intervenção mais eficaz e direcionada para a finalidade definida. Ander-Egg apresenta-nos as categorias de formação, de difusão, artística, lúdica e social que, por sua vez, se dividem em subcategorias, para classificar as atividades desenvolvidas em projetos de
33 ASC. Relativamente às atividades planeadas para esta intervenção, também elas foram projetadas tendo em conta as categorias de Ander Egg, organizando-se da seguinte forma: Atelier Atividade Categoria Subcategoria As Nossas Decorações O Nosso São Martinho Artística Artes visuais Linguagem e literatura Decoração de Inverno Artística Artes visuais Os Nossos Aventais Artística Artes visuais A Nossa Biblioteca Artística Artes visuais Linguagem e literatura Decorações de Páscoa Artística Artes visuais Dia da Mãe Artística Artes visuais Decoração dos Santos Populares Artística Artes visuais Nós e a Comunidade Iluminação da Árvore Artística Artes visuais Novas formas de cultura Lúdica Recreação Presépios da Minha Aldeia Artística Artes visuais Lúdica Recreação Mostra Comunitária Difusão Cultura viva Artística Artes visuais Novas formas de cultura Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Vamos lá Marchar Artística Artes visuais Dança
34 Música e canto Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Tradições de cavalo(e)s Difusão Cultura viva Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Partilhas Intergeracionais Luz da Paz de Belém Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros O Carnaval Artística Artes visuais Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Visitas de Erasmus Social Organização e realização de encontros Hora do Conto: O Pai Artística Artes visuais Linguagem e literatura Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Dia da Atividade Física Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Hora do Conto: A Mãe Artística Artes visuais Linguagem e literatura Lúdica Recreação
35 Social Organização e realização de encontros Dia da Criança Artística Artes visuais Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Os Nossos Finalistas Artística Artes visuais Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Promoção da Saúde Tertúlia de Gestão de Conflitos Formação Debates Educação de Adultos Social Organização e realização de encontros Workshop de Alimentação Saudável Artística Artes visuais Formação Debates Educação de Adultos Social Organização e realização de encontros Cuidar dos Nossos Pés Formação Debates Educação de Adultos Social Organização e realização de encontros Nós e a Música Cantar as Janeiras - Rancho Artística Música e canto Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Cantar as Janeiras – Artística Música e canto
36 Grupo de Cavaquinhos Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Bingo Sonoro Artística Artes visuais Música e canto Tarde de Fados Artística Artes visuais Música e canto Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros Bombos com Vida Artística Artes visuais Música e canto Lúdica Recreação Social Organização e realização de encontros 4.3. Recursos Mobilizados As atividades realizadas ao longo do projeto de investigação/intervenção tiveram reduzidos gastos financeiros os quais foram cobertos com os fundos angariados na atividade “Iluminação da Árvore” na qual os utentes estiveram presentes com uma Vendinha de Natal. Quanto aos recursos materiais e humanos seguem identificados na tabela: Atelier Atividade Recursos Materiais Recursos Humanos As Nossas Decorações O Nosso São Martinho Folhas EVA; Tesouras; Canetas; Cola; Jornais velhos; Computador Estagiária Decoração de Inverno Paus de gelado; cola quente; tinta; pinceis Estagiária Os Nossos Tecido; folha EVA; linha; agulha; Estagiária Tabela 1: Atividades segundo as categorias de Ander Egg
37 Aventais tesoura; caneta A Nossa Biblioteca Caixa de madeira; tinta; pinceis Estagiária Decorações de Páscoa Cartão; cartolina; tecidos; cola branca; cola quente; tesouras; canetas; ovos de esferovite; tintas; pincéis; folha EVA; fita de cetim Estagiária Dia da Mãe Alfinetes; forminhas de queques; fita de cetim; cartolina; tesoura; cola Estagiária; Auxiliares Decoração dos Santos Populares Papel crepe; carolina; vasos; bolas de esferovite; cola; tesouras Estagiária Nós e a Comunidade Iluminação da Árvore CD’s velhos; fotos dos utentes; tesouras; cola quente; abóbora; nozes; açucar; Bimby; frascos vazios; tecidos; fita de cetim Estagiária; Terapeuta Ocupacional Presépios da Minha Aldeia Madeira; serrim; palha; cola branca; presépio; paus de gelado; cola quente Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Pároco da freguesia Mostra Comunitária Folhetos publicitários da Instituição; cartões de contacto; fotos das atividades realizadas; tecidos; colas; tesouras; canetas Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Presidente da Instituição Vamos lá Marchar Utensílios de cozinha; ovos; farinha; açúcar; fermento; laranjas; chocolate em pó; Folhas de apoio à marcha; paus de espetada; cola; tesouras Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Marchantes da Marcha de Santo António; Auxiliares Tradições de cavalo(e)s Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Auxiliares;
38 Morador da freguesia com o seu cavalo Partilhas Intergeracio nais Luz da Paz de Belém Vela Estagiária; Elementos do Agrupamento de Escuteiros O Carnaval Cartolinas; tesouras; canetas; cola; botões; brilhantes; utensílios de cozinha; ovos; farinha; açúcar; fermento; laranjas; chocolate em pó Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Educadora de Infância; Crianças do Jardim de Infância Visitas de Erasmus Estagiária; Alunos de Erasmus Hora do Conto: O Pai Livro sobre o Pai Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Educadora de Infância; Crianças do Jardim de Infância Dia da Atividade Física Utensílios de cozinha; ovos; farinha; açúcar; fermento; laranjas; chocolate em pó Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Educadora de Infância; Crianças do Jardim de Infância; Fisioterapeuta da Instituição Hora do Conto: A Mãe Livro sobre a Mãe Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Educadora de Infância; Crianças do Jardim de Infância Dia da Criança Cartolina; tesouras; canetas; chupas Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Crianças da
39 catequese; Catequistas Os Nossos Finalistas Marcadores; cartolina; fit de cetim; tesouras; cola Estagiária; Terapeuta Ocupacional; Educadora de Infância; Crianças do Jardim de Infância Promoção da Saúde Tertúlia de Gestão de Conflitos Computador; Televisão Estagiária Workshop de Alimentação Saudável Computador; televisão; cartolina; canetas; cola; folhetos de supermercado; tesouras Estagiária; Enfermeira da Instituição Cuidar dos Nossos Pés - - - - - - - - - Estagiária; Podologista Convidada Nós e a Música Cantar as Janeiras – Rancho - - - - - - - - - Estagiária; Rancho; Auxiliares Cantar as Janeiras – Grupo de Cavaquinhos - - - - - - - - - Estagiária; Grupo de Cavaquinhos Bingo Sonoro Papeis do bingo; botões; computador; colunas Estagiária Tarde de Fados Televisão; computador; xailes; lata; tecido; folha EVA; tesouras; canetas; paus de espetada; cola Estagiária; Fadista Convidada Bombos com Vida Paus de gelado; folha EVA; tesouras; canetas; tintas; pinceis; cola Estagiária; Terapeuta ocupacional; Grupo Infantil “Bombos com Vida” Tabela 2: Identificação dos recursos mobilizados para as atividades
46 Realizar atividades psicomotoras e de recreação Nº de participantes 17 Data 26, 27 e 28 de novembro; 1 de dezembro; 11 de janeiro Descrição A União de Freguesias à qual a instituição pertence tem por hábito, na altura de Natal, envolver todas as instituições e movimentos da freguesia na iluminação de um conjunto de árvores existentes em volta da igreja. De forma a envolver a instituição nas atividades da freguesia, a Residência Pratinha participou também nesta iniciativa. Depois da primeira reunião de preparação do evento que houve com membros da junta e com os restantes participantes nesta iniciativa, foi iniciado processo de decoração da árvore. Os idosos selecionaram fotografias deles na instituição, recortaram-nas e colaram-nas em CD’s que foram posteriormente pendurados na árvore. Uma vez que no dia da inauguração da iluminação das árvores toda a freguesia se junta e fazem uma pequena festa na qual decorrem atuações e uma feirinha, os idosos cozinharam doce de abóbora com nozes e estiveram presentes no dia a festa com uma mesinha na qual deram a provar e venderam o próprio doce. Os idosos tiveram assim a oportunidade não só de decorar e iluminar a árvore mas também de assistirem à inauguração da iluminação de todas as restantes árvores. Com os fundos angariados nesta atividade os idosos foram lanchar e visitar as iluminações do centro da cidade. Esta atividade cativou não só os idosos mas também os próprios familiares que foram posteriormente visitando a árvore decorada pelos utentes. Presépios na Minha Aldeia Finalidade Participação na iniciativa desenvolvida pela paróquia Objetivo Geral Promover a participação ativa nas iniciativas da comunidade Objetivos Específicos Estimular a criatividade Realizar atividades psicomotoras e de recreação Nº de Participantes 11 Tabela 10: Atividade “Iluminação da Árvore”
47 Data 12, 13, 14 e 30 de Dezembro Descrição É tradição na freguesia que, no mês de dezembro, os moradores dos diferentes lugares se juntem para montarem um presépio ao ar livre que, posteriormente, é visitado pelo pároco e moradores e é realizada uma pequena cerimónia de bênção do presépio. De forma a envolver a instituição nas atividades desenvolvidas pela paróquia também a Residência Pratinha elaborou um presépio no exterior da instituição. Os utentes prepararam e montaram o presépio que, no dia 30 dezembro, foi visitado pelo pároco e alguns moradores da freguesia. Durante essa visita o presépio foi benzido numa pequena cerimónia na qual os utentes tiveram a oportunidade de estarem presentes. Esta atividade foi cativante para os utentes devido ao valor que eles dão à religião e ao pároco da freguesia. Durante a cerimónia da bênção os utentes tiveram ainda a oportunidade de conhecer e conviver com alguns dos moradores da freguesia, o que se tornou bastante enriquecedor para o projeto. Mostra Comunitária Finalidade Montagem de um stand demonstrativo Objetivo Geral Exibir o trabalho desenvolvido na Residência Pratinha Objetivos Específicos Estimular a criatividade Dar a conhecer a Residência à comunidade Nº de Participantes 12 Data 26, 27, 28 e 29 de abril Descrição A Mostra Comunitária é uma iniciativa da Câmara Municipal que é desenvolvida em todas as freguesias do concelho, esta consiste num fim-de-semana no qual a junta de freguesia organiza uma festa na qual cada associação, instituição e movimento da freguesia cria um stand onde expõem o seu trabalho e onde pode fazer angariação de fundos, durante este fim-de-semana decorrem ainda várias atividades relacionadas com as atividades da própria freguesia. Durante o fim-de-semana de 27 e 28 de abril decorreu a mostra comunitária na freguesia e a Residência Pratinha teve presente na Tabela 11: Atividade “Presépios na Minha Aldeia”
48 mesma. Após reunião com o presidente da junta na qual foi demonstrado o interesse da instituição em participar nesta mesma iniciativa começamos os preparativos. Os idosos selecionaram fotos e prepararam-nas para serem colocadas no nosso stand. Este consistiu num stand onde foi demostrado o que era feito na residência através da exposição das fotos e também de alguns trabalhos realizados pelos utentes. Para além da preparação do stand alguns dos idosos tiveram ainda a oportunidade de visitar a mostra comunitária, passaram o domingo a tarde na mostra a observarem todos os stands e a saborearem um lanche num dos stands existentes. Esta foi uma atividade que envolveu e deu a conhecer a Residência Pratinha à freguesia e ao conselho. Vamos lá Marchar Finalidade Celebração do Santo António Objetivo Geral Envolver os idosos na preparação da marcha da freguesia Objetivos Específicos Estabelecer o contacto dos idosos com a iniciativa da criação da marcha da freguesia Promover atividades lúdicas e de recreação Nº de Participantes 16 Data 5 e 13 de junho Descrição Uma vez que a união de freguesias tem uma marcha que vai atuar nas festas de Santo António desenvolvidas pelo concelho, foi feita a proposta para que os nossos idosos ajudassem de alguma forma na preparação da marcha e que depois pudessem assistir à sua atuação, a organização da marcha aceitou a proposta demostrando grande interesse nesta parceria. Assim sendo os idosos foram os responsáveis por fazerem as bandeirolas de apoio à marcha, cortaram, dobraram e colaram as bandeirolas para que no dia fossem distribuídas pela marcha. No dia 13, no nosso Arraial de Santo António, os idosos receberam a visita de alguns membros da marcha que, vestidos a rigor, cantaram e dançaram no pátio da residência. Enquanto os idosos com mais dificuldades de locomoção apoiavam com as bandeirolas feitas por eles, Tabela 12: Atividade “Mostra Comunitária”
49 aqueles com mais capacidades tiveram a oportunidade de dançarem com alguns dos marchantes. No final da atuação houve um lanche com todos que tinha sido preparado durante a manhã pelos idosos. Esta foi uma tarde de muita animação e alegria, todos os utentes estavam satisfeitos com o trabalho desenvolvido e ficaram agradecidos pela visita e atuação da marcha. Tradições de Cavalo(e)s Finalidade Conhecimento da história e tradições da freguesia Objetivo Geral Contactar com um dos grandes símbolos da freguesia Objetivos Específicos Promover a interação dos idosos com os cavalos Criar momentos de partilha intergeracional Nº de Participantes 16 Data 13 de junho Descrição Tendo a freguesia, à qual a residência pertence, o nome de Cavalões, faz parte da sua tradição a criação de cavalos e, como tal, foi contactado um morador da freguesia que tem cavalos para que pudesse fazer uma visita à instituição com um dos seus animais para que mostrasse aos idosos algumas perícias e falasse desta tradição. Assim sendo, e aproveitando o momento da festa de Santo António, após a atuação a marcha foi a vez da entrada do morador no seu cavalo que fez algumas perícias e explicou a tradição da freguesia. Os utentes ficaram bastante entusiasmados não só com o animal em si mas principalmente com as perícias desenvolvidas, que transmitiram algum perigo mas principalmente muita comédia. Tabela 13: Atividade “Vamos Lá Marchar” Tabela 14: Atividade “Tradições de Cavalo(e)s”
50 5.1.3. Ateliê: Partilhas Intergeracionais Partilha da Luz da Paz de Belém Finalidade Conhecimento da iniciativa “Luz da Paz de Belém” Objetivo Geral Trazer a Luz da Paz de Belém até aos idosos institucionalizados Objetivos Específicos Promover momentos de partilha intergeracional Comemorar a época natalícia Nº de Participantes 11 Data 24 de dezembro Descrição A Luz da Paz de Belém é uma dinâmica realizada pelos escuteiros de todo o mundo, consiste na partilha, de vela em vela, da luz que está acesa na gruta da natividade em Belém. Uma vez que a freguesia vizinha tem um agrupamento de escuteiros que costuma dinamizar esta partilha nas igrejas das comunidades envolventes, foi feita a proposta de estes fazerem a partilha na Residência Pratinha a qual foi aceite. No dia 24 de dezembro os utentes receberam assim a visita de 12 crianças dos escuteiros que para além da partilha da Luz estiveram com eles durante toda a manhã a desenvolver jogos e a cantarem para os idosos. Para além desta partilha houve ainda uma visita guiada à casa feita por uma das utentes da residência. Esta foi uma manhã de muita partilha e todos os idosos ficaram entusiasmados com aquela Luz de Belém, sendo que a mantiveram acesa durante a ceia de Natal numa candeeira colocada na lareira existente na sala de refeições. Os utentes gostaram tanto do momento de convívio com as crianças dos escuteiros que pediram que eles voltassem assim que pudessem. Tabela 15: Atividade “Partilha da Luz da Paz de belém”
51 O Carnaval Finalidade Comemoração do Carnaval com as crianças do Jardim de Infância Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos lúdicos e de recreação Recordar como eram as épocas festivas antigamente Nº de Participantes 12 Data 27 e 28 de fevereiro Descrição Esta foi a primeira atividade proveniente da parceria criada com o Agrupamento de Escolas. Após reunião com o diretor do agrupamento este direcionou-nos para o jardim-de-infância que se situa perto da instituição. Lá houve uma reunião com a educadora de infância na foram agendadas atividades mensais nas quais os utentes e as crianças iriam desenvolver momentos de partilha intergeracional, quer na residência sénior como no jardim-de-infância. Nesta primeira atividade as crianças visitaram a instituição e fizeram um desfile de carnaval, todas elas foram mascaradas e foram apresentadas aos idosos, sendo estes também posteriormente apresentados. No dia anterior à visita tinham sido feitas lembranças que foram entregues às crianças e ainda, na manhã do dia do desfile, foi preparado um lanche que foi partilhado entra crianças e idosos. Esta foi uma atividade que despertou o interesse dos idosos desde o primeiro ao último momento por tratarem-se de crianças bastante pequenas, tendo estas idades compreendidas entre os 3 e 5 anos. Visita de Erasmus Finalidade Apresentação da Instituição aos alunos de Erasmus Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos lúdicos e de recreação Dar a conhecer como é uma instituição sénior em Portugal Nº de Participantes 14 Tabela 16: Atividade “O Carnaval”
52 Data 11 e 12 de março Descrição Sendo também esta uma atividade inserida na parceria com o Agrupamento de Escolas, esta consistiu na visita dos alunos de Erasmus. Estes tiveram a oportunidade de conhecerem toda a instituição, de forma a saberem como são as residências séniores em Portugal. No final da visita tiveram ainda um momento de convívio com os utentes no qual receberam uma pequena lembrança preparada pelos idosos, com fotografias da residência. Esta foi uma atividade que despertou a curiosidade por parte dos utentes uma vez que conheceram crianças de vários países, todas as crianças foram apresentadas e disseram de que país vieram, o que cativou o interesse dos utentes. Hora do Conto: O Pai Finalidade Realização de Horas do Contos para as crianças do Jardim de Infância Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos de recreação Estimular o interesse pela leitura Nº de Participantes 6 Data 18 e 21 de março Descrição No dia 21 de março foi a vez dos idosos visitarem o jardim-de-infância. Os idosos levaram um conto sobre o pai que leram para as crianças, para além disso levaram também um marcador de leitura, anteriormente elaborado por eles na instituição, que ofereceram a cada criança para que estes guardassem como recordação e para os cativar para a leitura em casa, com os pais. Para além da leitura do conto houve um lanche preparado pelas crianças. Os idosos ficaram satisfeitos com esta atividade e demonstraram interesse em repetir a visita às crianças. Tabela 17: Atividade “Visita de Erasmus” Tabela 18: Atividade “Hora do Conto: O Pai”
53 Dia da Atividade Física Finalidade Comemoração do Dia da Atividade Física Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos de recreação Estimular o interesse pela atividade física Nº de Participantes 12 Data 26 de abril Descrição No dia 26 de abril decorreu a terceira atividade com as crianças do jardim-de-infância. Desta vez tiveram uma pequena aula de ginástica em conjunto, desenvolvida pela fisioterapeuta da instituição, de forma a comemorarem o dia da atividade física. No final da ginástica tiverem o habitual lanche das crianças e dos idosos, que foi preparado pelos utentes durante a manhã. Hora do Conto: A Mãe Finalidade Realização de Horas do Contos para as crianças do Jardim de Infância Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos de recreação Estimular o interesse pela leitura Nº de Participantes 5 Data 17 de março Descrição No dia 17 de março os idosos repetiram a visita ao jardim-de-infância, desta vez para lerem um conto sobre a mãe, os idosos lerem e mostraram algumas imagens sobre o conto aos idosos. Nesta sessão foi possível observar um maior à vontade quer por parte dos idosos que leram, explicaram e mostraram as imagens como por parte das crianças que ouviram atentamente e fizeram algumas questões acerca Tabela 19: Atividade “Dia da Atividade Física”
54 do conto. Tal como da última sessão houve um lanche preparado pelas crianças. Dia da Criança Finalidade Comemoração do Dia da Criança Objetivo Geral Realizar momentos de partilha religiosa intergeracional Objetivos Específicos Criar oportunidades de convívio intergeracional Refletir sobre momentos/ temas religiosos Nº de Participantes 10 Data 31 de maio e 1 de junho Descrição No dia 1 de junho foi o momento de receber as crianças de um grupo de catequese, uma vez que o tempo o proporcionou este encontro foi realizado nos jardins da instituição. As crianças cantaram músicas religiosas para os idosos e estes falaramlhes acerca de como era viver numa residência sénior, as crianças ficaram muito interessadas em ouvir os idosos e fizeram-lhes bastantes questões às quais estes responderam com grande alegria em dar testemunho de como é viver na residência. No final alguns dos idosos com melhores capacidades de locomoção apresentaram os diferentes espaços da casa às crianças e ofereceramlhes uma pequena lembrança preparada pelos utentes no dia anterior. Sendo esta uma atividade desenvolvida com crianças despertou o interesse e o empenho dos utentes que aguardavam ansiosamente pela chegada das crianças e que demonstraram vontade em repetir a experiência. Tabela 20: Atividade “Hora do Conto: A Mãe” Tabela 21: Atividade “Dia da Criança”
55 Os Nossos Finalistas Finalidade Participação na festa final de ano do Jardim de Infância Objetivo Geral Criar momentos de partilha intergeracional Objetivos Específicos Proporcionar momentos de recreação Estimular o interesse pela leitura Nº de Participantes 5 Data 17, 18 e 21 de junho Descrição Como forma de encerramento do ano letivo e consequente encerramento de atividades com as crianças do jardim-de-infância os utentes foram convidados a colaborarem e participarem na festa de finalistas. Os idosos elaboraram as faixas e cartolas para os finalistas finalistas e foram assistir à festa dos mesmos. Durante a festa foi uma das idosas que subiu ao palco para colocar as faixas e as cartolas nos finalistas. No final foi apresentado um vídeo onde explicava a parceria criada entre o jardim-de-infância e residência sénior, as atividades desenvolvidas e ainda algumas fotos dessas mesmas atividades. Esta foi sem dúvida uma grande forma de enceramento do ano uma vez que os utentes viram o seu trabalho valorizado perante toda a comunidade. 5.1.4. Ateliê: Promoção da Saúde Tertúlia de Gestão de Conflitos Finalidade Promoção da Saúde Objetivo Geral Proporcionar momentos de reflexão sobre a temática dos conflitos Objetivos Específicos Promover momentos propícios ao esclarecimento de dúvidas Refletir sobre os cuidados que cada um deve ter Nº de Participantes 15 Tabela 22: Atividade “Os Nossos Finalistas”
62 Cantar as Janeiras - Rancho Decoração de Inverno Reunião com a direção da Clínica São Félix Os Nossos Aventais Cantar as Janeiras – Grupo de Cavaquinhos Reunião com a fadista A Nossa Biblioteca Reunião com o diretor do agrupamento de escolas Reunião com a educadora do Jardim de Infância Bingo Sonoro Whorkshop “Alimentação Saudável” Cuidar dos Nossos Pés O Carnaval Visita de Erasmus Tarde de Fados Hora do Conto: O Pai Reunião com as catequistas Decoração de Páscoa Mostra Associativa
63 Dia da Atividade Física Reunião com a organização da marcha de Santo António Dia da Mãe Hora do Conto: A Mãe Decoração dos Santos Populares Dia da Criança Vamos lá Marchar Tradições de Cavalo(e)s Os Nossos Finalistas Bombos com Vida 3ª Fase - Avaliação Tabelas de observação das atividades Conversas informais com o público-alvo Reunião informal com a acompanhante de estágio Tabela 31: Calendarização
64 5.3. Evidenciação de resultados obtidos Em todo e qualquer projeto de intervenção, a avaliação ocupa um lugar de destaque, sendo que esta permite definir um caminho a seguir e acompanhar o desenvolvimento da intervenção, percebendo a forma como se está a desenrolar em torno dos objetivos pretendidos. Ela permite-nos ainda observar aspetos a melhorar e, por último, compreender a forma como a intervenção foi vista pelos intervenientes e se os objetivos da mesma foram atingidos. Segundo Isabel Guerra: “A avaliação é uma componente do processo de planeamento. Todos os projetos contêm necessariamente um ‘plano de avaliação’ que se estrutura em função do desenho do projeto e é acompanhado de mecanismos de autocontrolo que permitem, de forma rigorosa, ir conhecendo os resultados e os efeitos da intervenção e corrigir as trajetórias caso sejam desejáveis.” (2002:175) Dentro do processo de avaliação podemos destacar a avaliação diagnóstica, a avaliação contínua e a avaliação final, sendo que durante a intervenção foram realizados os três tipos de avaliação. Ainda segundo Guerra, a avaliação diagnóstica tem como função “estimular a amplitude e a gravidade dos problemas que necessitam de intervenção e elaborar programas em função desses problemas.” (2002: 196), a avaliação contínua pretende “saber se os projetos de intervenção estão a atingir os grupos-alvo e se estão a assegurar os recursos e serviços previstos” (2002: 196) e por último na avaliação final “pretende-se conhecer os resultados e a eficácia do projeto, o que pressupõe a existência de objetivos definidos de antemão e de critérios de sucesso definidos” (2002: 196). Na intervenção em questão foi a avaliação continua que teve mais impacto para a evidenciação dos resultados obtidos, uma vez que permitiu ter maior perceção do interesse, da participação e do envolvimento do público-alvo, sendo que, tratando-se de um público idoso e com algumas falhas de memória a avaliação final fica ligeiramente comprometida. A avaliação contínua foi realizada recorrendo a uma tabela de observação disponível em anexo, na qual foi registada a participação ou não participação do utente assim como se essa era uma participação ativa ou passiva, foram ainda registados os comentários realizados pelos utentes quer durante como após a realização da atividade.
65 Uma vez que a intervenção se organizou por ateliês torna-se também pertinente fazer a avaliação do projeto também por ateliês de forma a facilitar a mesma. Relativamente ao ateliê “As Nossas Decorações” é possível afirmar que ao longo do projeto foi surgindo mais interesse por parte do público-alvo em relação ao mesmo. Inicialmente, os utentes participavam nas atividades mas não saíam tão satisfeitos como foi possível observar mais tarde, foram percebendo a utilidade do que estavam a fazer e sentiam-se orgulhosos de ver o seu trabalho exposto pela casa. Nas atividades onde mais se observou o orgulho e satisfação pelo próprio trabalho foi na atividade “Os Nossos Aventais”, na qual fizeram aventais para eles próprios utilizarem em futuras atividades de trabalhos manuais e culinária e fizeram ainda um para oferecer no aniversário da diretora técnica. A sua satisfação ao oferecerem orgulhosamente o avental por eles preparado evidenciou o grande sucesso que esta atividade teve, sendo que, é possível afirmar que esta foi a atividade que mais impacto teve dentro deste ateliê. É ainda importante referir o interesse e o cuidado que demostraram sempre que utilizavam aqueles aventais, sendo que os guardavam cuidadosamente e já não os dispensavam. Outra atividade que também se tornou surpreendente dentro deste ateliê foi “A Nossa Biblioteca” que, apesar de não contar com a participação de todos na sua elaboração uma vez que não possuía tarefas suficientes à participação de todos, o seu resultado foi muito positivo uma vez que passou a ser utilizado por todos. Os livros e jornais eram lá guardados e todos os utentes recorriam à mesma quer para retirar um livro ou jornal para lerem como para o guardarem no final. É possível afirmar que, apesar de inicialmente este ateliê não ter despertado tanto interesse como todos os outros, ao longo do projeto o interesse foi aumentando e, para além dos objetivos estabelecidos que foram cumpridos, foi ainda possível criar nos utentes uma valorização do seu próprio trabalho e de si próprios através dos materiais desenvolvidos nas atividades que eram motivo de orgulho e de vontade de continuarem a fazer mais e melhor. Podemos afirmar que o ateliê “As Nossas Decorações” foi aquele que menos contribuiu para a finalidade deste projeto, para a integração dos utentes na comunidade a que pertencem, no entanto foi aquele que mais contribuiu para o crescimento pessoal dos utentes e para a sua auto valorização. Relativamente aos restantes ateliês, todos eles tiveram grande impacto na finalidade estabelecida para o projeto e todos eles se tornaram muito trabalhosos uma vez que exigiram a criação de parcerias com diferentes grupos, associações e moradores quer da freguesia na qual se insere a residência como das freguesias vizinhas.
66 No ateliê “Nós e a Comunidade” foi no qual se realizaram as principais atividades de envolvimento nas dinâmicas e eventos já existentes na freguesia, é de relembrar que nenhum dos utentes era morador da freguesia e que, grande parte deles, nem conheciam a mesma, neste ateliê tiveram a oportunidade de contactar e visitar os principais eventos e iniciativas da freguesia onde atualmente residem. Foi possível observarr uma grande evolução no envolvimento do público com a própria freguesia, permitiu-lhes conhecer tradições e costumes da mesma, ter contacto com pessoas influentes da freguesia e, o mais importante, integrarem-se na freguesia e serem conhecidos como moradores da mesma. O público-alvo sentiu-se entusiasmado com este envolvimento e, acima de tudo, sentiu-se parte da freguesia, sentiu o espirito de pertença à comunidade. Relativamente ao ateliê “Partilhas Intergeracionais” este foi sem dúvida aquele que mais interesse despertou no público de início a fim. A cada atividade que ia surgindo e ía sendo preparada havia ansiedade e muita entrega por parte de todos. Foram todas atividades muito enriquecedoras e nas quais os utente se sentiam realizados, principalmente pela faixa etária com a qual tiveram mais contacto, com os mais novos, todos os utentes demonstraram desde o início um grande carinho por crianças, daí a importância e sucesso deste ateliê no qual eles tiveram a oportunidade de conviver com as crianças da freguesia. A maior prova do sucesso deste ateliê e consequentemente deste projeto foi a atividade “ Os Nossos Finalistas ” na qual os utentes foram assistir e participar na festa de finalistas das crianças do jardim-de-infância, aquelas com as quais foram tendo atividades durante o ano. Nesta mesma festa, que aconteceu numa fase final do projeto, foi possível perceber que os utentes estavam finalmente integrados na freguesia, as pessoas já os conheciam e eles já conheciam as pessoas que lá estavam, eles faziam parte daquela comunidade, as pessoas cumprimentavam-nos quando passavam e as crianças de várias idades, com as quais foram tendo contacto através de atividades realizadas no âmbito do projeto, iam ter com eles para os cumprimentar e perguntar como estavam. Esta foi sem dúvida a atividade mais gratificante e aquela que transmitiu uma sensação de missão cumprida. O ateliê “Promoção da Saúde” apesar de ter contado com apenas três atividades foi muito importante para desenvolver nos utentes um espirito crítico e uma maior preocupação com a temática da saúde. Na atividade da “Tertúlia de Gestão de Conflitos” foi notável que alguns dos utentes não se sentiam à vontade para falar, quer pela temática como pela falta de espírito crítico, no entanto, na atividade do “Whorshop de Alimentação Saudável” estes já se mostraram mais à vontade para dar a sua opinião e até mesmo para colocar questões. Relativamente à atividade “Cuidar dos Nossos Pés” esta foi com a qual os utentes mais se interessaram, tanto pela temática como pela questão de se
67 tratar de um rastreio no qual tiveram conhecimento dos próprios problemas e os puderam esclarecer com a profissional adequada. Este ateliê teve uma avaliação bastante positiva uma vez que teve bastante aderência e proporcionou momentos educativos e de esclarecimento para os utentes. Por último, no ateliê de “Nós e a Música” os utentes mostraram-se sempre muito participativos e ansiosos pelas atividades, é de destacar a atividade “ Cantar as Janeiras – Rancho Folclórico ” que foi na qual os utentes mais se divertiram e mais gostaram, tiveram oportunidade de cantar as músicas de antigamente e ainda de dançarem, nesta atividade fizeram comentários como “ Isto é que é música boa ”, o que demonstrou a grande satisfaçam que estavam a sentir em participar na atividade. Este foi um ateliê que proporcionou bons momentos musicais aos utentes e no qual relembraram músicas dos seus tempos de jovens. 5.4. Discussão dos resultados em articulação com os referenciais teóricos mobilizados e com os resultados de outros trabalhos de investigação/intervenção sobre o tema “Autonomia E Integração Social Dos Idosos Que Vivem Em Lar” (Instituto Superior De Serviço Social Do Porto, 2014), trata-se da dissertação de mestrado de Sara Andreia Monteiro da Silva, realizado em lares da Póvoa de Varzim, e teve como pergunta de partida: “Será que os lares de idosos observados, no concelho da Póvoa de Varzim, estão a promover a autonomia e a integração social dos mais velhos?” (2014: 2). Este estudo foi realizado ao abrigo de uma parceria entre Instituto Superior de Serviço Social do Porto e a Rede Social do Concelho da Póvoa de Varzim, sendo que a autora utilizou o inquérito como método de recolha de dados. No decorrer do estudo a autora afirma, com base nos dados recolhidos, que “os inquiridos têm vontade de continuar integrados na vida da sociedade, por meio da realização de atividades socialmente uteis e que lhes permite manter o contato com pessoas de outras gerações que não a sua.” (2014: 10), também no projeto desenvolvido foi possível observar esta vontade por parte do público-alvo de estarem integrados e criarem relações nesta comunidade à qual pertencem e com a qual, até ao inicio do projeto, não tinham qualquer envolvimento. Com base no estudo realizado por Sara Andreia Silva, esta aponta quais os eixos de intervenção que lhe parecem particularmente relevantes, sendo eles: a implicação dos idosos em atividades que estimulem a ligação com o mundo envolvente, de forma a proporcionar descobertas múltiplas através de atividades quer dentro quer fora do lar, e que irão transportar o idoso para o património cultural envolvente, tendo ainda como vantagem a abertura do lar para mundo exterior com
68 a criação de parcerias que contribuirão para o desenvolvimento de competências e realizações para os próprios idosos; a construção de laços sociais que destaca a importância da existência de uma rede de relacionamentos, de oportunidade de criação de novas relações com membros de diversas gerações e ainda da existência de redes de voluntários que proporcionem atividades variadas fora do lar ou a presença regular quer para lhes ler o jornal quer para assistirem com eles a um filme; a salvaguarda da autonomia, aqui a autora destaca a importância de uma dinâmica de participação dos idosos na gestão do lar, de forma a que os idosos sintam que têm ainda algum poder para regular o seu quotidiano. Foi exatamente sobre estes eixos referidos pela a autora que o nosso projeto se desenvolveu e os quais conseguiu atingir. Com este projeto os utentes envolveram-se com a comunidade, quer em atividades desenvolvidas fora do lar nas quais os utentes participaram, como por exemplo a mostra comunitária, como em atividades realizadas na própria residência sénior e que foi aberta à população, como por exemplo a comemoração do Santo António na qual a marcha da freguesia também esteve presente, foram criadas parcerias que permitem a continuação de atividades de envolvimento na comunidade, foram criados laços e relações com a comunidade e com diferentes gerações o que permite aos utentes terem uma rede de relacionamentos com a comunidade a que pertencem. A pesquisa realizada por Filipa Servo, Joana Nave e Lilibeth Teixeira intitulada de “A integração da Pessoa Idosa na Sociedade” (Universidade Católica Portuguesa, 2006) teve como objetivo: analisar as condições de vida das pessoas idosas em Portugal. Para tal, as autoras iniciaram o seu estudo com a situação das pessoas idosas no mundo e em Portugal, sendo que de seguida avançaram para o estudo de várias políticas sociais existentes em Portugal, que visam o melhoramento da qualidade de vida dos idosos, baseando-se não só em relatórios mas também em testemunhos recolhidos juntos de alguns beneficiários dos programas através de conversas informais. Durante a pesquisa foram destacadas as seguintes políticas sociais em funcionamento em Portugal: o Plano Avô que “é uma certificação de qualidade para lares de idosos” (2006: 31); e o Plano de Apoio Integrado a Idosos que se destina a pessoas com 65 anos ou mais e tem como objetivos: “1. Promoção da autonomia das pessoas idosas e/ou pessoas com dependência; 2. Implementação de respostas de apoio às famílias que prestam cuidados a pessoas com dependência, especialmente idosos; 3. Desenvolver medidas preventivas do isolamento e da exclusão.” (2006: 33). As autoras afirmam que os referidos planos têm tido sucesso na sua implementação, no sentido de combater a exclusão social dos idosos.
69 As autoras concluíram assim, com o estudo acima referido, que as tendências demográficas em Portugal apontam para um envelhecimento da população e que, de entre os vários grupos sociais, são os idosos que se encontram mais vulneráveis a situações de exclusão social. De entre as políticas sociais em funcionamento em Portugal que foram estudadas as autoras destacaram o Plano Avô como tendo sido um programa bem-sucedido no objetivo de combater a exclusão social dos idosos. Também o nosso projeto pretendeu combater a exclusão social dos idosos, através de atividades de envolvimento com e na comunidade foi possível proporcionar aos utentes a criação de uma rede de relacionamentos que visam combater a exclusão social dos mesmos. “A integração do idoso na sociedade – o papel das redes sociais” (Instituto Politécnico de Bragança, 2015) trata-se de uma dissertação de mestrado de Cláudia Vanessa Carreiro Afonso. Desenvolvida numa metodologia de análise qualitativa, esta teve a seguinte pergunta-problema: “Como é que os idosos perspetivam o contributo das redes sociais na sua integração na sociedade?” (2015: 2), sendo entendida por rede social o conjunto de relações sociais que cada um estabelece. Esta teve como objetivos: perceber como é que os idosos percecionam o seu processo de envelhecimento, reconhecendo a existência de uma rede social pessoal; identificar as redes sociais que fazem parte da rede social pessoal de cada idoso, identificar as redes sociais que fazem parte da rede social de casa idoso; averiguar a forma como o s idosos reconhecem o contributo das redes sociais na sua vida. Como método de recolha de dados a autora recorreu à entrevista semiestruturada que foi dirigida a nove participantes. Esta entrevista foi estruturada segundo 3 categorias, sendo elas: caracterização dos participantes, na qual se encontravam questões como idade, sexo, estado cível, entre outras; ser idosos, na qual os idosos eram questionados acerca das principais mudanças que sentiram na velhice e como se adaptaram às mesmas; e por último a categoria redes sociais, na qual os idosos eram questionados acerca da sua situação atual de habitação partilhada ou em conjunto, da prestação de cuidados e das relações familiares. Com esta investigação a autora concluiu que os idosos valorizam as suas redes sociais e percebem a sua importância nomeadamente no que diz respeito ao apoio prestado pelas mesmas, quer apoio a nível afetivo quer a nível das tarefas domésticas. Os idosos do estudo, apontam como fator importante para a manutenção das redes socias o ingresso em centros de dia, uma vez que lhes permitem participar em atividades sociais combatendo assim o isolamento e a solidão que vão surgindo com a perda do conjugue e de algumas relações das suas redes sociais. Desta forma, a presente investigação permitiu concluir não só a importância das redes sociais na integração dos
70 idosos mas também a consciência que os próprios idosos têm dessa importância. Também no nosso projeto foi possível observar o valor que os utentes dão à sua rede de relacionamentos que, no início do projeto, pareceu estar pouco desenvolvida e distante uma vez que os idosos não pertenciam àquela freguesia até terem ingressado na residência sénior, ou seja, a sua rede de relacionamentos estava na sua antiga freguesia, foi então necessário criar uma rede de relacionamentos na freguesia a que pertencem, com a comunidade que os envolve. Através de atividades com e na comunidade foi possível criar relações que permitem que os utentes se sintam parte desta comunidade e que sintam que têm lá uma rede social estável e próxima. “Effects of Social Integration on Preserving Memory Function in a Nationally Representative US Elderly Population” (American Journal of Public Health, 2008), é um estudo de Karen A. Ertel, M. Maria Glymour e Lisa F. Berkman, iniciado em 1998 por docentes do Departamento de Sociedade, Desenvolvimento Humano e Saúde da Harvard School of Public Health, Boston. Com o presente estudo os autores pretendiam perceber se a integração social protege contra a perda de memória e contra outros transtornos cognitivos na idade da velhice, para tal, contaram com uma amostra significativa de idosos dos EUA. No início do estudo, em 1998, os inquiridos tinham idades compreendidas entre os 59 e os 99 anos, ao longo dos 6 anos seguintes foi medida a memória dos idosos, pela recordação imediata e atrasada de uma lista de 10 palavras, e foi ainda avaliada a integração social tendo em conta o estado civil, o voluntariado e a frequência de contacto com crianças, pais e vizinhos que os idosos apresentavam. Os autores concluíram assim que uma maior integração social contribui para um declínio mais lento da memória nos idosos, sendo que a diminuição da memória dos idosos com menos integração social diminuiu em dobro em relação aos que apresentavam maior integração. No nosso projeto não foi possível constatar se a integração social contribuiu ou não para um declínio mais lento da memória dos utentes, no entanto, foi possível observar que as atividades que envolviam grupos, associações ou moradores da freguesia foram aquelas que mais marcaram os utentes e as que estes mais tinham na memória, tratando-se de algo muito positivo para a vida deles.
71 6. Considerações Finais O ser humano é um ser sociável e como tal tem a necessidade de se relacionar com os outros, de partilhar momentos e criar uma rede social estável e próxima, em qualquer faixa etária em que esteja. Conforme a idade vai avançando existe uma tendência para a diminuição desta rede social que, em muitos dos casos, acaba por ser restringir aos vizinhos e familiares, isto acontece principalmente na velhice, uma vez que a população idosa tem tendência a se isolar. Um grande fator para este isolamento é o término da carreira profissional, a pessoa deixa de ter o círculo de colegas de trabalho e, quando não está envolvida no tecido associativo da freguesia, acaba por apenas ter contacto com vizinhos e familiares. Consequentemente o ingresso em lares e residências séniores acaba por reduzir ainda mais esta rede social já fragilizada anteriormente, principalmente pela questão de que, em muitos dos casos, o idoso vê-se descolado da própria freguesia. Surge daí a necessidade das residências séniores e lares terem um envolvimento na comunidade a que pertencem para que, por consequência, também os próprios idosos o tenham, não só para enriquecerem a sua rede social mas também para se sentirem envolvidos e parte da comunidade. Foi exatamente isto que este projeto pretendeu e conseguiu criar, a oportunidade de a Residência Pratinha se envolver na comunidade a que pertence e por conseguinte também os próprios idosos lá institucionalizados estarem envolvidos nas atividades, dinâmicas, tradições e redes sociais da comunidade a que passaram a pertencer. Neste sentido este projeto conseguiu ter um enorme sucesso, sendo que conseguiu envolver a residência e os próprios utentes com grande parte dos movimentos associativos e organizações, quer da freguesia onde se situa a a mesma como das freguesias envolventes. O grande objetivo de um projeto de intervenção é conseguir que o público-alvo tenha capacidade de continuar o caminho traçado com o projeto mesmo após o término do mesmo, algo que aconteceu com o nosso projeto. Após o término deste projeto continuaram todas as parcerias que foram criadas durante o mesmo, ou seja, a residência vai continuar a participar nas atividades e dinâmicas da freguesia, os grupos e associações que visitaram a residência durante o projeto vão continuar a fazê-lo e os próprios utentes da residência vão continuar a deslocar-se aos eventos e
78 Apêndice 3: Autorização para Divulgação da Identificação da Instituição
79 Apêndice 4: Foto da atividade “O Nosso São Martinho” Apêndice 5: Foto da atividade “Presépios na Minha Aldeia”
80 Apêndice 6: Foto da atividade “Partilha da Luz da Paz de Belém” Apêndice 7: Foto da atividade “Decoração de Inverno”
81 Apêndice 8: Fotos da atividade “Os Nossos Aventais” Apêndice 9: Foto da atividade “A Nossa Biblioteca”
82 Apêndice 10: Foto da atividade “Bingo Sonoro” Apêndice 11: Fotos da atividade “Whorkshop ‘Alimentação Saudável’”
83 Apêndice 12: Foto da atividade “O Carnaval” Apêndice 13: Foto da atividade “Tarde de Fados”
84 Apêndice 14: Fotos da atividade “Hora do Conto: O Pai” Apêndice 15: Fotos da atividade “Hora do Conto: A Mãe”
85 Apêndice 16: Foto da atividade “Decoração de Santos Populares” Apêndice 17: Fotos da atividade “Vamos Lá Marchar”
86 Apêndice 18: Foto da atividade “Os Nossos Finalistas”