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Universidade do Minho Escola de Psicologia Diana Filipa da Silva Vieira Capital Psicológico e Capital Social: Relações com Dimensões Psicológicas Positivas e Negativas em Jovens Universitários junho de 2022 UMinho | 2022 Diana Vieira Capital Psicológico e Capital Social: Relações com Dimensões Positivas e Negativas em Jovens Universitários
Diana Filipa da Silva Vieira Capital Psicológico e Capital Social: Relações com Dimensões Psicológicas Positivas e Negativas em Jovens Universitários Dissertação de Mestrado Mestrado Integrado em Psicologia Trabalho efetuado sob a orientação da Professora Doutora Teresa Freire Universidade do Minho Escola de Psicologia junho de 2022
ii DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS Este é um trabalho académico que pode ser utilizado por terceiros desde que respeitadas as regras e boas práticas internacionalmente aceites, no que concerne aos direitos de autor e direitos conexos. Assim, o presente trabalho pode ser utilizado nos termos previstos na licença abaixo indicada. Caso o utilizador necessite de permissão para poder fazer um uso do trabalho em condições não previstas no licenciamento indicado, deverá contactar o autor, através do RepositóriUM da Universidade do Minho. Licença concedida aos utilizadores deste trabalho Atribuição-NãoComercial-SemDerivações CC BY-NC-ND https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
iii Agradecimentos Com o fim da realização desta dissertação, não posso deixar de agradecer a algumas pessoas que foram essenciais na concretização deste projeto rico em desafios e aprendizagens. Em primeiro lugar, quero agradecer aos meus pais! Obrigada por me incentivarem a lutar sempre pelos meus objetivos e a dar sempre o meu melhor. Obrigada por serem um exemplo profissional e humano. Obrigada por me apoiarem nos dias mais difíceis. E obrigada por serem meus pais. Sem vocês nada disto seria possível! Obrigada à minha amiga, Filipa, pela amizade que construímos nestes cinco anos, por me ouvires nos momentos mais difíceis e por me apoiares nos momentos mais desafiantes e stressantes! Obrigada à minha amiga, Inês, pela amizade de longa data, por me ouvires sempre e por me acalmares com doses de café! Obrigada, também, à Maria, companheira deste desafio, pela partilha de dúvidas ao longo deste ano e pelo apoio que sempre me ofereceste! Obrigada à minha orientadora, Professora Doutora Teresa Freire, por ter aceitado ser minha orientadora, por toda a partilha de conhecimento, por ser um exemplo e uma inspiração para mim! Obrigada por toda a exigência e rigor que me permitiu evoluir como profissional e como pessoa ao longo deste ano e meio! Será, sempre, a minha melhor professora! Obrigada a toda a Equipa de Investigação em Desenvolvimento Positivo e Funcionamento Ótimo, por todos os conselhos e por todo o apoio ao longo deste projeto! Muito obrigada a todos!
v Capital Psicológico e Capital Social: relações com dimensões psicológicas positivas e negativas em jovens universitários Resumo O caminho para o equilíbrio mental e físico dos indivíduos parece passar pela interligação do Capital Social (instituições positivas) com o Capital Psicológico (características individuais positivas). É, também, importante estudar fatores negativos como a Ansiedade, o Stress e a Depressão e aspetos positivos como o Bem-Estar Subjetivo (emoções positivas). Os objetivos desta investigação foram analisar a relação entre o Capital Social e as componentes do Capital Psicológico bem com as relações destes com variáveis negativas e positivas. Objetivou, também, analisar as diferenças do Capital Social e das componentes do Capital Psicológico ao nível das variáveis dependentes como a Ansiedade, Stress, Depressão, Afeto Negativo, Afeto Positivo e Satisfação com a Vida. Esta investigação incluiu 255 participantes que responderam a um questionário online de preenchimento único. Os resultaram evidenciaram uma relação positiva significativa entre o Capital Social e as componentes do Capital Psicológico bem como relações significativas com as variáveis negativas e positivas. Os resultados demonstraram que grupos com maior ou menor Capital Social apresentam diferenças médias ao nível das variáveis dependentes. As diferenças ao nível das variáveis dependentes ocorreram, também, para o Otimismo, Esperança, Resiliência e Autoeficácia. Palavras-Chave : Capital Psicológico, Capital Social, Relação
vi Psychological Capital and Social Capital: relationships with positive and negative psychological dimensions in university students Abstract The path to the mental and physical balance of individuals seems to pass through the interconnection between Social Capital (positive institutions) and Psychological Capital (positive individual features). It is also important to study negative factors, like Anxiety, Stress and Depression, and positive aspects, like the Subjective Well Being (positive emotions). The goals of these study were to analyze the relations between Social Capital and the components of Psychological Capital, as well as the relations between these and negative and positive variables. It was also a goal to examine the differences of the Social Capital and of the components of Psychological Capital at the level of dependent variables, like Anxiety, Stress, Depression, Negative Affect, Positive Affect and Satisfaction with Life. This investigation included 255 participants that answered an online questionnaire of a one time fill. The results pointed to a significant positive relation Social Capital and the components of Psychological Capital as well as to significant relations with the negative and positive variables. The results showed that groups with bigger or smaller Social Capital present medium differences at the level of the dependent variables. The differences at the level of the dependent variables also occurred to Optimism, Hope, Resilience and Self-efficacy. Keywords : Psychological Capital, Social Capital, Relationships
vii Índice Enquadramento Teórico ......................................................................................................................... 8 1. Psicologia Positiva .......................................................................................................................... 8 1.1 Capital Psicológico ....................................................................................................................... 9 2.Capital Social ................................................................................................................................ 11 3. Capital Social e Capital Psicológico ............................................................................................... 13 5.Ansiedade/Stress e Depressão ...................................................................................................... 15 5.Bem-Estar Subjetivo ...................................................................................................................... 16 Método ................................................................................................................................................ 18 1.Amostra .................................................................................................................................... 18 2. Instrumentos ........................................................................................................................... 18 3. Procedimento .......................................................................................................................... 21 4. Análises Estatísticas ................................................................................................................. 22 5. Resultados ............................................................................................................................... 22 6. Discussão ................................................................................................................................ 27 7. Limitações e investigações futuras ........................................................................................... 29 Referências .......................................................................................................................................... 30 Índice de Figuras Figura 1. Capital Social e Capital Psicológico: Contribuições no contexto pandémico…………………………14 Índice de Tabelas Tabela 1. Coeficientes de Correlação de Spearman entre as escalas das variáveis do estudo ................. 23 Tabela2. Diferenças entre grupos com Maior Capital Social e com Menor Capital Social ao nível da Ansiedade, do Stress, da Depressão, do Afeto Positivo, do Afeto Negativo e da Satisfação com a Vida .......................... 24 Tabela 3. Diferenças entre os grupos com Menor Otimismo e com Maior Otimismo ao nível da Ansiedade, do Stress, da Depressão, do Afeto Positivo, do Afeto Negativo e da Satisfação com a Vida .......................... 25 Tabela 4. Diferenças entre os grupos com Menor Esperança e com Maior Esperança ao nível da Ansiedade, do Stress, da Depressão, do Afeto Positivo, do Afeto Negativo e da Satisfação com a Vida .......................... 25 Tabela 5. Diferenças entre os grupos com Menor Autoeficácia e com Maior Autoeficácia ao nível da Ansiedade, do Stress, da Depressão, do Afeto Positivo, do Afeto Negativo e da Satisfação com a Vida .......................... 26 Tabela 6.Diferenças entre grupos com Menor Resiliência e com Maior Resiliência ao nível da Ansiedade, do Stress, da Depressão, do Afeto Positivo, do Afeto Negativo e da Satisfação com a Vida ..................................... 27
14 COVID-19 representou a maior adversidade vivida pela população mundial nos últimos anos e obrigou a implementação de diversas restrições que impediram o contacto social. Atendendo ao distanciamento social que se impôs, a tradicional via através da qual o Capital Social se transferia foi comprometida o que concebeu destaque à nova forma de reprodução, o Capital Social Online. Contudo, o Capital Social Online não recebeu, ainda, o devido foco de investigação já que a literatura privilegiou a tradicional forma de gerar Capital Social (Pitas & Ehme, 2020). Esta necessidade de investigar o Capital Social Online amplia a pertinência de estudar esta variável ligada ao contexto pandémico. Algumas conclusões, baseadas na investigação atual, podem ser já retiradas: o distanciamento físico e o isolamento reforçaram o Bonding Capital, mas reduziram o Bridging Capital e diminuíram a capacidade da comunidade recuperar e responder à pandemia (Pitas & Ehmer, 2020). Perante esta adversidade, o Capital Psicológico revela, mais que nunca, o seu poder na medida em que contribui para a construção de estratégias de coping adaptativas (Fang et al., 2020). Mais especificamente, a autoeficácia pode facultar força mental ao indivíduo para lutar com os problemas e manter a determinação. A resiliência permite a capacidade de recuperar de todas as dificuldades e obstáculos que a COVID-19 provocou. A esperança mantém as expectativas positivas durante a pandemia, e o otimismo reduz o stresse pós-traumático e leva ao processo de pensamento construtivo (Pathak & Joshi, 2021). Figura 1 Capital Social e Capital Psicológico: Contribuições no contexto pandémico Características Individuais Positivas Instituições Positivas Emoções Positivas Capital Psicológico Capital Social Recursos internos para enfrentar adversidades e alcançar desafios Recursos externos para alcançar desafios Combate à COVID-19
15 5.Ansiedade/Stress e Depressão Atendendo que as taxas de Depressão são mais altas entre jovens adultos dos 18 aos 25 anos e vários estudos têm demonstrado que estudantes universitários sofrem de um alto nível de Stress comparando com a população em geral (Abdulghani et al., 2011), a inclusão destas variáveis na presente investigação torna-se relevante. Para além disso, no contexto pandémico atual, os níveis de Ansiedade, Stress e Depressão aumentaram, especialmente para estudantes e professores (Rehman et al.,2021), o que confere relevância acrescida ao estudo destas variáveis na atualidade (Abdulghani et al., 2011; Rehman et al., 2021). Numa situação representativa de ameaça a Ansiedade desencadeia um conjunto de alterações fisiológicas, comportamentais e cognitivas que objetivam preparar o indivíduo (Ruiz et al., 2001). A Ansiedade, quando adaptativa, promove um estado de ativação com uma função protetora. Contudo, quando a ameaça é percecionada pelo indivíduo em níveis superiores aos níveis reais, e este padrão ocorre sistematicamente, a Ansiedade torna-se patológica a (Castillo et al., 2000). O Stress assenta numa resposta a um stressor específico traduzida em alterações fisiológicas, cognitivas ou comportamentais dependentes da disparidade entre a avaliação que o indivíduo efetua do stressor e da capacidade própria para o enfrentar (Lipp, 2006). Níveis moderados de Stress capacitam o indivíduo a enfrentar adversidades aumentando os níveis de motivação e produtividade, enquanto níveis elevados de Stress prejudicam o bem-estar desencadeando problemas como cansaço, perda de memória (Lipp, 2006). A Depressão enquanto doença envolve alterações de humor pautadas, nomeadamente, pela tristeza, apatia, sentimentos de vazio, alterações psicomotoras e vegetativas. Contudo, a Depressão pode, também, surgir enquanto sintoma de uma outra perturbação, ou seja, como manifestação secundária (Del Porto, 1999). Ansiedade, Depressão e Stress estão associados positivamente entre eles (Freire & Ferreira, 2020) e mostram um impacto negativo no funcionamento dos adolescentes, nomeadamente na saúde e nas relações com os pais e pares (Freire & Ferreira, 2020). Alguns estudos fundamentaram que componentes negativos como o Stress têm uma relação inversa com o PsyCap , nomeadamente, no seio de investigações com médicos e enfermeiros, o PsyCap revelou-se um preditor negativo de Ansiedade e Depressão (Liu et al., 2013). Literatura recente vincula uma associação negativa entre Capital Social e Ansiedade (Hall et al.2019). É expectável que uma
16 comunidade com maior Capital Social disponha de mais recursos e de maior suporte social resultando numa maior capacidade para enfrentar os desafios o que diminui os níveis de Stress e Ansiedade (Hall et al.2019). 5.Bem-Estar Subjetivo Para as instituições estarem preparadas para desenvolver as competências dos indivíduos no sentido de, para além de promover o desenvolvimento profissional, promover o desenvolvimento pessoal, afetivo e social, não é suficiente conhecer, apenas, os fatores negativos que podem prejudicar o desempenho dos estudantes (Schleich et al., 2006). É necessário estudar, também, aspetos positivos relacionados com o domínio cognitivo e afetivo. Assim, esta investigação pretende incluir o Bem-Estar Subjetivo a fim de compreender a avaliação cognitiva e afetiva que os estudantes universitários fazem das suas vidas nesta etapa. O Bem-Estar é uma área assente em duas conceções filosóficas da felicidade: o eudemonismo e o hedonismo. O eudemonismo centra-se no funcionamento psicológico positivo e no potencial humano (Ryff & Keyes, 1995). É tradicionalmente associada à autorrealização (Waterman, 1993) e à autodeterminação (Ryan & Deci, 2001). O modelo atual de bem-estar que se enquadra nestas orientações teóricas é o Bem-Estar Psicológico. O hedonismo procura compreender a origem de uma vida agradável (Kahneman et al., 1999). O construto central desta perspetiva é o Bem-Estar Subjetivo uma vez que consiste na avaliação cognitiva e afetiva que cada indivíduo realiza (Diener, 1984). Esta investigação debruça-se sobre o Bem-Estar Subjetivo. Esta escolha deve-se ao facto deste estudo assentar numa vertente afetivo-emocional acentuada, sustentada pelos pilares da Psicologia Positiva. Sendo as emoções positivas um dos alicerces desta investigação, a integração do Bem-Estar Subjetivo, que permite estudar a avaliação afetiva e cognitiva, é de extrema pertinência. O Bem-Estar Subjetivo é descrito como "as avaliações cognitivas e afetivas de uma pessoa sobre sua vida" (Diener et al., 2002), e manifesta um papel indispensável na saúde mental (Cates et al., 2015). Integra duas componentes conceitualmente distintas, mas relacionadas: a componente cognitiva e a componente afetiva (Diener, 1984; Kieny et al., 2020). A dimensão afetiva do Bem-Estar Subjetivo enfatiza os aspetos afetivos da vida (Keyes, et al., 2002). É importante distinguir o afeto positivo, que se caracteriza por emoções positivas como a alegria, do afeto negativo, que corresponde a emoções negativas como a tristeza (Galinha, 2008). A felicidade
17 pode ser interpretada como um estado subjetivo em que há preponderância dos afetos positivos sobre os afetos negativos (Diener et al.,1997) A dimensão cognitiva do Bem-Estar Subjetivo é representada pelo conceito de satisfação com a vida (Galinha, 2008). Segundo Frisch (2000), a satisfação com a vida concerne na "avaliação subjetiva de uma pessoa sobre o grau em que as suas necessidades, objetivos e desejos mais importantes foram atendidos". Esta avaliação é, maioritariamente, desenhada pela comparação entre as condições da vida do indivíduo e o padrão estabelecido pelo mesmo (Albuquerque & Tróccoli, 2004; Diener, 1984). A literatura vincula que o Capital Social tem fortes associações com o Bem-Estar Subjetivo uma vez que o Capital Social se revelou significativamente associado à Satisfação com a Vida (Clark & Lisowski, 2018). A investigação de Portela et al. (2013) preconizou uma correlação positiva e significativa entre a maioria dos componentes do Capital Social e o Bem-Estar Subjetivo. Cohen (2004) acrescentou que as relações sociais têm a capacidade de promover estados psicológicos positivos como o afeto positivo e, por consequência, aumentar o bem-estar. A literatura, também, indica uma relação positiva estatisticamente significativa entre PsyCap e Bem-Estar Subjetivo (Avey et al., 2009; Culbertson et al., 2010). Evidências empíricas explicam que pessoas com mais recursos psicológicos positivos, como alto PsyCap , experienciam um nível mais alto de Bem-Estar Subjetivo (Avey et al., 2009; Pinkerton & Dolan, 2007). Associado a um contexto mais específico, o estudo de Avey et al. (2010) salientou que o PsyCap melhorou o Bem-Estar Subjetivo dos funcionários no ambiente de trabalho. Em suma, tanto o Capital Social como o Capital Psicológico desempenham papéis importantes no florescimento do indivíduo. Embora representem dimensões diferentes e recursos diferentes, apontam para o mesmo objetivo final: o desenvolvimento positivo. Sabendo que o Capital Social e o Capital Psicológico se cruzam na construção do indivíduo e do respetivo potencial, estudar a relação entre estas duas variáveis é bastante relevante. Torna-se pertinente estudar, também, a relação da Ansiedade, do Stress e da Depressão com o Capital Psicológico e com o Capital Social bem como estudar a relação do Bem-Estar Subjetivo com o Capital Psicológico e com o Capital Social. De acordo com Kwok et al., (2014) o Capital Psicológico será analisado segundo as quatro dimensões: Otimismo, Esperança, Autoeficácia e Resiliência. Na mesma linha, de acordo com Chen (2016) o Bem-Estar Subjetivo será analisado segundo as dimensões afetivas e cognitivas: Afeto Positivo, Afeto Negativo e Satisfação com a Vida.
18 Assim, esta investigação apresenta os seguintes objetivos: I. Analisar a relação entre o Capital Social e o Capital Psicológico, segundo as suas dimensões Otimismo, Esperança, Autoeficácia, Resiliência; II. Analisar a relação do Capital Social com a Ansiedade, Depressão, Stress e com o Bem-Estar Subjetivo, segundo as suas dimensões Afeto Positivo, Afeto Negativo e Satisfação com a Vida; III. Analisar a relação do Capital Psicológico, segundo as suas dimensões, com a Ansiedade, Depressão, Stress e com o Bem-Estar Subjetivo, segundo as suas dimensões; IV. Analisar se diferentes níveis (maior e menor) de Capital Social e de Capital Psicológico, segundo as suas dimensões, se traduzem em diferenças ao nível da Ansiedade, Depressão, Stress, e ao nível do Bem-Estar Subjetivo, segundo as suas dimensões. Método 1.Amostra A amostra foi constituída por 255 estudantes universitários com idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos (Média= 20,96; Desvio-Padrão= 1,93), maioritariamente do sexo feminino (87,5%) com nacionalidade portuguesa (96,9%) e solteira (98,8%). Em termos académicos, a maior parte da amostra frequentava a mesma universidade (87,5%) e estudava no mesmo curso (60,4%) do 1º ao 6º ano. 2. Instrumentos 2.1 Questionário Sociodemográfico onde todos os participantes responderam a um breve questionário que incluía questões relativas à idade; sexo; curso, ano e instituição académica. 2.2 Escala de Capital Social Pessoal-16 (PSCS-16) é uma versão reduzida da Escala de Capital Social Pessoal (PSCS) (Chen et al., 2009) e foi correlacionada com o PSCS original (r ¼ .95; p <.001) (Wang et al., 2014). O PSCS16 é composto por 16 itens, onde os itens 1 a 8 avaliam o Bonding Social Capital e os itens de 9 a 16 avaliam o Bridging Social Capital . Contém duas escalas de resposta do tipo Likert que variam entre 1 e 5. A escala de resposta que avalia o tamanho das redes dos participantes varia entre “muito abaixo da média' ” e “muito acima da média” . A escala de resposta que avalia a perceção dos participantes sobre o número de membros nas suas redes varia entre “nenhum ” e “todos” . Este instrumento foi validado para a população portuguesa através de uma amostra constituída por portugueses nativos e imigrantes com mais de 18 anos. As análises psicométricas revelaram valores
19 adequados para as validades convergente e divergente, nomeadamente valores de AVE (r 2 ¼ .31) (Nascimento et al., 2021). 2.3.1 Escala de Esperança é um instrumento de autorrelato com 6 itens que avaliam algumas atitudes do indivíduo face ao futuro (Barros, 2003). São respondidos numa escala numa escala de Likert de 5 pontos que varia de “ Totalmente em Desacordo ” (1) até “ Totalmente de Acordo ” (5) podendo-se obter uma pontuação total entre os 6 e os 30 pontos ou uma pontuação média entre 1 e 5 pontos. Todos os itens encontram-se formulados no sentido positivo, pelo que, valores elevados na escala indicam a presença de uma elevada esperança. A consistência interna foi verificada através do alfa de Cronbach que apresentou um índice de 0.80 apresentando uma boa consistência interna. 2.3.2 Escala de Otimismo é um instrumento de autorrelato com 4 itens que avaliam algumas atitudes do indivíduo face ao mundo (Barros, 1998). Os itens são respondidos numa escala Likert de 5 pontos que varia de “ Totalmente em Desacordo ” (1) até “ Totalmente de Acordo ” (5) podendo-se obter uma pontuação total entre os 4 e os 20 pontos ou uma pontuação média entre 1 e 5 pontos. Todos os itens encontram-se formulados no sentido positivo, pelo que, valores elevados na escala indicam a presença de um elevado otimismo. A consistência interna foi verificada através do alfa de Cronbach que apresentou o índice de 0.75 apresentando razoáveis qualidades psicométricas. 2.3.3 General Self-Efficacy Scale (GSE) desenvolvida por Schwarzer e Jerusalem (1995) pretende avaliar o sentimento geral de competência pessoal para lidar eficazmente com situações stressantes (Schwarzer & Jerusalem, 1995). A Escala de Autoeficácia Geral é um instrumento de autorrelato constituído por 10 itens respondidos numa escala de Likert de 4 pontos que varia de “ De modo nenhum é verdade ” (1) até “ Exatamente verdade ” (4), podendo-se obter uma pontuação total entre os 10 e os 40 pontos ou uma pontuação média entre 1 e 4 pontos. Todos os itens encontram-se formulados no sentido positivo, pelo que, valores elevados na escala indicam a presença de uma elevada autoeficácia geral. A validação da Escala de Autoeficácia Geral para a população portuguesa obteve um alfa de Cronbach de 0.87 (Araújo & Moura, 2011). 2.3.4 Brief Resilience Scale (BRS) foi originalmente desenvolvida por Smith et al., (2008) com o objetivo de avaliar a capacidade do indivíduo se recuperar após situações adversas através de uma nova escala de resiliência breve (Smith et al., 2008). A Escala de Resiliência Breve (BRS) é um instrumento de
20 autorrelato constituído por 6 itens respondidos numa escala de Likert de 5 pontos que varia de “ Discordo Totalmente ” (1) até “ Concordo Totalmente ” (5). Os itens 1, 3 e 5 estão escritos na forma positiva e os itens 2, 4 e 6 estão escritos na forma negativa. A pontuação efetua-se através da média dos 6 itens sendo que os itens 2,4 e 6 se pontuam de forma inversa. Apresentou uma boa consistência interna com um valor de alfa de Cronbach de 0,80 a 0,91. Atendendo à ausência de uma validação da Escala de Resiliência Breve para a população portuguesa com mais de 18 anos, à utilidade de um número reduzido de itens e às validações bemsucedidas da Escala de Resiliência Breve por diversos países, a presente investigação recorreu a uma versão traduzida para fins de investigação. 2.4.1 Escala de Afeto Positivo e de Afeto Negativo-VPR (PANAS–VPR) (Galinha et al., 2014) é uma versão reduzida da PANAS portuguesa desenvolvida por Galinha & Ribeiro (2005) que corresponde a uma validação para a população portuguesa do um instrumento desenvolvido por Watson et al. (1988) para medir o afeto positivo (AP) e o afeto negativo (AN), que descreve a experiência afetiva dos indivíduos. Apresentou boas qualidades psicométricas pelo que desenvolveram uma versão mais reduzida (PANASVRP) que, também, apresentou boas características psicométricas e correlações elevadas entre o valor total do AP e do AN revelando que a versão reduzida é equivalente à versão integral. Este instrumento de autorrelato é constituído por 10 itens divididos igualmente por duas dimensões (AP e AN) respondidos numa escala Likert de 5 pontos que variam de “Nada ou muito ligeiramente” (1) até “Extremamente ” (5), podendo cada uma das dimensões obter uma pontuação entre 5 e 25 pontos. O Afeto Positivo inclui os itens “ Interessado(a) ”, “ Entusiasmado(a) ”, “ Inspirado(a) ”, “ Ativo(a) ” e “ Determinado(a) ” enquanto o Afeto Negativo diz respeito aos itens “ Nervoso(a) ”, “ Amedrontado(a) ”, “ Assustado(a)” , “ Culpado(a) ” e “ Atormentado(a) ”. A Escala de Afeto Positivo e de Afeto Negativo para a população portuguesa apresentou um valor de alfa de Cronbach igual a 0.86 na escala de AP e 0.89 na escala de AN (Galinha & Ribeiro, 2005). 2.4.2 Escala de Satisfação com a Vida (SWLS) desenvolvida por Diener et al., (1985), é um instrumento de autorrelato para medir a satisfação com a vida (Diener et al. 1985). O instrumento é constituído por cinco itens respondidos numa escala de Likert de 7 pontos que varia de “ Discordo Totalmente ” (1) até “ Concordo Totalmente ” (7), podendo-se obter uma pontuação total entre os 7 e os 45 pontos ou uma pontuação média entre 1 e 7 pontos. Todos os itens encontram-se formulados no sentido positivo, pelo que, valores elevados na escala indicam a presença de uma elevada satisfação com a vida.
21 A validação da Escala de Satisfação com a Vida para a população portuguesa obteve um valor de alfa de Cronbach igual a 0,89 (Neto, 1993). 2.5. Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS), originalmente desenvolvida por Lovibond & Lovinbond (1995), foi validada para a população portuguesa por Ribeiro et al. (2004) tratando-se de uma versão reduzida. A EADS-21 é constituída por 21 itens divididos em três escalas: Depressão, Ansiedade e Stress, sendo cada uma delas constituída por sete itens. Desta forma, os itens 3, 5, 10, 13, 16, 17, 21 correspondem à subescala de Depressão; os itens 2, 4, 7, 9, 15, 19, 20 correspondem à subescala de Ansiedade; e os itens 1, 6, 8, 11, 12, 14, 18 correspondem à subescala de Stress. Cada item é respondido numa escala Likert de 4 pontos que varia de “ Não se aplicou nada a mim ” (0) até “ Aplicouse a mim a maior parte das vezes ” (3), podendo se obter pontuações de 0 a 21 pontos em cada dimensão sendo que os resultados mais altos indicam estados afetivos mais negativos na respetiva dimensão. A validação para a população portuguesa da Escala de Ansiedade, Depressão e Stress apresentou também uma boa consistência interna com valores de alfa de Cronbach igual a α=0.85 para a escala de depressão, α=0.74 para a de ansiedade e α=0.81 para a de stress (Ribeiro et al., 2004). 3. Procedimento Numa primeira fase, a investigação foi aprovada pela Comissão de Ética para as Ciências Sociais e Humanas da Universidade do Minho (CEICSH 034/2019). O questionário foi disponibilizado e respondido online uma única vez num link gerado na plataforma Qualtrics . A investigação foi divulgada através do email institucional da Universidade onde foi realizado o estudo como através das redes sociais e contactos entre colegas. Para além disso, a investigação esteve disponível em Plataformas de apoio à participação dos estudantes em investigação da sua universidade. No início da investigação, foi apresentado o contacto de e-mail para esclarecer qualquer questão sobre a investigação que surgisse aos participantes bem como o enquadramento da investigação, seguida pela apresentação do consentimento informado que destacou a total liberdade de participar ou não tal como a confidencialidade e o anonimato dos dados. Foi, ainda, clarificado que não existem respostas certas ou erradas. Após o consentimento, os participantes responderam ao questionário sociodemográfico. Seguidamente, foram apresentadas as escalas relativas às variáveis em estudo devidamente randomizadas. O questionário terminou com um agradecimento aos participantes. Não ocorreu o recurso ao engano na presente investigação na mesma medida em que os participantes não foram submetidos a nenhum custo ou perigo pela participação.
22 4. Análises Estatísticas A análise estatística foi efetuada com recurso ao IBM Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) (Versão 28.0) de modo a obter análises estatísticas descritivas e inferenciais. Uma vez que os dados não seguiam uma distribuição normal, a análise recorreu a testes não paramétricos, nomeadamente ao coeficiente de Spearman para as análises de correlação. Para as análises de diferenças foi utilizado o Teste-U de Mann Whitney que comparou as médias do grupo com Capital Social acima do ponto médio da escala (Maior Capital Social) com as médias do grupo com Capital Social abaixo do ponto médio da escala (Menor Capital Social) ao nível da Ansiedade, Stress, Depressão, Afeto Negativo, Afeto Positivo e Satisfação com a Vida. A mesma comparação foi efetuada para as restantes variáveis independentes (Otimismo, Esperança, Autoeficácia, Resiliência) ao nível das variáveis dependentes (Ansiedade, Stress, Depressão, Afeto Negativo, Afeto Positivo e Satisfação com a Vida). 5. Resultados No sentido de verificar as relações entre as variáveis, as análises de correlação apresentam-se na Tabela 1. É possível verificar que existe uma correlação positiva estatisticamente significativa (ρ<0,01) entre o Capital Social e cada uma das dimensões do Capital Psicológico. A Ansiedade, o Stress, a Depressão e o Afeto Negativo apresentam correlações negativas significativas com o Capital Social e com todas as dimensões do Capital Psicológico. Por outro lado, o Afeto Positivo e a Satisfação com a Vida apresentam correlações positivas significativas com o Capital Social e com todas as dimensões do Capital Psicológico.
23 Tabela 1 Coeficientes de Correlação de Spearman entre as escalas das variáveis do estudo Variáveis 1. 2. 3. 4. 5. M (DP) MÁX. (MÍN.) 1.ECS - 45,9 (7,8) 69,0 (23,0) Bo.C 0,36** 0,38** 0,31** 0,27** 24,8 (3,8) 35,0 (12,0) Bri.C. 0,21** 0,21** 0,26** 0,18** 21,1 (5,4) 34,0 (8,0) 2.EO. 0,32** - 14,4 (3,1) 20,0 (4,0) 3.EE. 0,32** 0,79** - 21,5 (3,8) 30,0 (9,0) 4.EAE. 0,33** 0,56** 0,59** - 29,3 (4,4) 40,0 (14,0) 5.ER. 0,25** 0,43** 0,45** 0,55** - 17,3 (4,0) 27,0 (9,0) 6.SEA. -0,12 * -0,31** -0,37** -0,25** -0,36** 11,1 (4,2) 28,0 (7,0) 7.SES. -0,21** -0,33** -0,37** -0,34** -0,50** 14,6 (4,7) 28,0 (7,0) 8.SED. -0,23** -0,56** -0,59** -0,44** -0,42** 12,2 (4,9) 28,0 (7,0) 9.SEAP 0,23** 0,54** 0,60** 0,44** 0,19** 16,5 (3,3) 25,0 (6,0) 10. SEAN -0,23** -0,49** -0,54** -0,43** -0,50** 10,2 (4,1) 25,0 (5,0) 11. ESV 0,38** 0,63** 0,64** 0,52** 0,40** 24,7 (6,1) 35,0 (80) Nota . M = Média; DP = Desvio-Padrão; MÁX .= Máximo; MÍN. = Mínimo; ECS = Capital Social; Bo.C = Bonding Capital ; Bri.C = Bridging Capital ; EO = Otimismo; EE = Esperança; EAE =Autoeficácia; ER = Resiliência; SEA = Ansiedade; SES = Stress; SED = Depressão; SEAP = Afeto Positivo; SEAN = Afeto Negativo; ESV = Satisfação com a Vida. *p<0,05, **p<0,01
30 Referências Abdulghani, H. M., AlKanhal, A. A., Mahmoud, E. S., Ponnamperuma, G. G., & Alfaris, E. A. (2011). Stress and its effects on medical students: a cross-sectional study at a college of medicine in Saudi Arabia. Journal of health, population, and nutrition , 29(5), 516. https://doi.org/10.3329/jhpn.v29i5.8906 Albuquerque, A. S., & Tróccoli, B. T. (2004). Development of a subjective well-being scale. Psicologia: Teoria e Pesquisa , 20 (2), 153-164. https://doi.org/10.1590/S0102-37722004000200008 Aluicio, A., & Revellino, M. (2011). Relación entre autoeficacia, autoestima, asertividad, y rendimiento académico, en estudiantes que ingresaron a Terapia Ocupacional, el año 2010. Revista Chilena de Terapia Ocupacional , 11 (2), ág-3. https://doi.org/10.5354/0719-5346.2011.17775 Araújo, M., & Moura, O. (2011). Estrutura factorial da general self-efficacy scale (escala de auto-eficácia geral) numa amostra de professores portugueses. Laboratório de Psicologia , 9 (1), 95-105. https://doi.org/10.14417/lp.638 Avey, J. B., Luthans, F., & Jensen, S. M. (2009). Psychological capital: A positive resource for combating employee stress and turnover. Human resource management , 48 (5), 677-693. https://doi.org/10.1002/hrm.20294 Avey, J. B., Luthans, F., Smith, R. M., & Palmer, N. F. (2010). Impact of positive psychological capital on employee well-being over time. Journal of occupational health psychology , 15 (1), 17. https://doi.org/10.1037/a0016998 Bandura, A. (1977). Self-efficacy: toward a unifying theory of behavioral change. Psychological review , 84 (2), 191. https://doi.org/10.1037/0033-295X.84.2.191 Bandura, A. (1986). Fearful expectations and avoidant actions as coeffects of perceived self-inefficacy. https://doi.org/10.1037/0003-066X.41.12.1389 Bandura, A. (1997). The anatomy of stages of change. American journal of health promotion: AJHP , 12 (1), 8-10. https://doi.org/10.4278/0890-1171-12.1.8 Barros de Oliveira, J. H. (1998). Optimismo: Teoria e avaliação (proposta de uma nova escala). Psicologia Educação e Cultura .
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