Português, língua de ciência?
Abstract
Não é possível ignorar que para ter peso no panorama científico global, em muitas áreas, a divulgação tem de fazer do inglês o veículo fundamental. Esta imposição do inglês como única língua de ciência pode contribuir para uma menorização das outras línguas no panorama científico. Neste texto defendem-se as vantagens de uma política linguística que favoreça a publicação científica também em língua portuguesa e demonstra-se que em determinadas áreas o português pode ser a língua mais eficiente para o debate científico.
Full text
Índice 7 Introdução José Teixeira 15 Efeito da proximidade linguística no comércio internacional: o português no conjunto das línguas globais José Paulo Esperança 31 Contributos para o aumento de qualidade na língua digital Anabela Barreiro 49 Português internacional: alguns argumentos Diana Santos 67 O português como língua pluricêntrica: indicadores linguísticos e sociais e novos métodos de investigação Augusto Soares da Silva 85 Que gramática temos para estudar o português língua pluricêntrica? Hanna J. Batoreo 103 Não falem português, falem brasilês. Algumas notas sobre a noção de português como língua internacional Roberto Mulinacci 129 Algumas reflexões sobre lusofonia - o que ela não pode, nem deve ser Onésimo Almeida 141 Português como língua estrangeira na República Checa Iva Svobodová 161 Um olhar sobre o processo de aquisição da linguagem através do estudo do português como língua de herança Cristina M. M. Flores 175 Português, língua de ciência? José Teixeira
PORTUGUÊS, LÍNGUA DE CIÊNCIA? José Teixeira Universidade do Minho – Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos [email protected] O português diante dos espelhos O que dá a dimensão global a uma língua? A Geografia onde se fala? Nesse caso, a língua portuguesa não está nada mal... A História e a vontade de vários povos (e não apenas de Portugal) foram generosas para com ela. O número de falantes? Felizmente que para seu bem, o português conseguiu enraizar-se em latitudes e longitudes bem produtivas e desde o imenso Brasil até África é visto como uma das línguas que apresenta o mais promissor crescimento no século XXI (Figura 1). O seguinte texto corresponde à citação Teixeira, José (2016). “Português, língua de ciência?” in Teixeira, José. 2016, O português como língua num mundo global - Problemas e potencialidades. Centro de Estudos Lusíadas da Universidade do Minho, Braga, pp. 175-190. (ISBN: 978-989-755-209-0)
176 José Teixeira Figura 1 Fonte: United Nations (1999) Revision World Estimates and Projections E para além da geografia e do número de falantes? Certamente importantes para a sua dimensão global, serão os usos efetivos que ela tem no seio das línguas do mundo. E aqui, parece que as coisas também correm de feição. É frequente, na apresentação do português, começar com dados muito envaidecedores: Terceira nas redes sociais e nos negócios de gás e petróleo, a língua portuguesa é a quinta mais falada na Internet (Jornal Público, Cultura, 20/09/2013). E até parece que se só valesse o Facebook, o português ainda teria uma posição mais cimeira. Segundo a página socialbakers[1] que a imprensa portuguesa muito repetiu, o português será a terceira língua mais utilizada no Facebook. Dá quase a sensação que se o português não domina esta aldeia global, para lá caminha. Aliás, parece que numa das metades do mundo, o português já é mesmo dominante, já que é a língua mais falada no hemisfério sul[2]: 1 http://www.socialbakers.com/blog/1064-top-10-fastest-growing-facebook-languages, consultado em 17/2/2016 2 Fonte: Observatório da Língua Portuguesa, consultado em 17/02/2016.
177 Português, língua de ciência? País População (milhares Valor considerado Falantes Português (milhares Angola 25000 72% 18000 Brasil (HS) 208000 99,50% 207000 Moçambique 28000 70% 19600 São T. e Príncipe (HS) 95 100% 95 Timor Leste 1190 30% 357 Total 262285 245052 Os autodeslumbramentos, quando nos contemplamos ao espelho, podem ser enganadores, como se sabe desde os tempos da madrasta da Branca de Neve. E, na realidade, se se tiver algum espírito crítico, nota-se que o prestígio do português, entre as outras grandes línguas do mundo, não corresponde à imagem que alguns espelhos, por mais verdadeiros que sejam, nos apresentam. Múltiplas serão as razões para esse aparente desfasamento entre aquilo que parece que o português vale e aquilo que o mundo acha que ele vale. Mas, destacadas entre essas razões, estão, a meu ver, as ausências do português de muitas instâncias, fóruns e acontecimentos internacionais de prestígio. Deixar de ser apenas uma língua doméstica entre os países que a partilham é condição vital para a afirmação prestigiada do português. Como explicou Gerson Melo, ao justificar por que é que, durante a Copa Africana das Nações de futebol de 2013, a seleção de Cabo Verde só daria entrevistas e conferências de imprensa em português, “uma das razões pelas quais o português não é bem projectado internacionalmente passa por querermos ser educados com os estrangeiros e falarmos nas suas línguas [...] somos mais de 200 milhões de pessoas a falar português, se insistíssemos em falar português, talvez as pessoas levassem mais a sério a nossa língua”[3]. Ora se é bom, para o português, que seja visível (ou audível) no Facebook ou nas conferências de imprensa dos campeonatos internacionais de futebol, parece-me que será imprescindível, para adquirir uma dimensão de prestígio, que seja também uma língua em que se faz e comunica ciência. 3 http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article84590, consultado em 10/10/2013.
178 José Teixeira A necessidade de a nossa língua ser uma língua de ciência não é uma descoberta da minha mente iluminada. É uma dimensão abordada em múltiplos fóruns e encontros que nos últimos tempos vão aparecendo. No entanto, apesar destes sinais sobre a aceitação teórica da validade do português como língua de ciência, outros indícios aparecem ligados a práticas de sentido absolutamente contrário. É, assim, nesta dialética entre o que parece que todos pensam que deve ser e aquilo que realmente se faz que reside a problemática da questão. O que é uma língua de ciência? Certamente que, hoje, ninguém que se preze dentro do panorama científico defenderá as conceções de há tempos atrás que advogavam que havia línguas específicas para determinados assuntos: a língua do amor, a língua da música, a língua da filosofia e da racionalidade, a língua dos sentimentos e dos poetas e outras ingenuidades (para ser simpático) do género. Aparentemente, uma língua de ciência é simplesmente uma língua em que se divulga ciência. Entende-se que a questão entre a língua e a ciência reside apenas no momento da divulgação. E neste caso, todas as línguas que sejam veículos de comunidades científica e tecnologicamente desenvolvidas poderão ser línguas de ciência. É, no entanto, um truísmo frequentemente inquestionado a afirmação de que a língua veicular da ciência é cada vez mais o inglês. Basta fazer uma visita aos fóruns de discussão da internete. Como se compreende (se quisermos continuar a utilizar a metáfora de «língua veicular») nem todos os veículos têm a mesma capacidade de transporte e a mesma velocidade. Ora o inglês é, na situação atual, indubitavelmente o melhor veículo, porque o mais global e o mais rápido, para a divulgação científica. Por isso, pode dizer-se que o inglês se apresenta, se gostarmos da metáfora dos veículos, como o avião linguístico para a ciência (mesmo que muitas viagens acabem por ser feitas em low-cost, pela pouca qualidade do veículo linguístico usado.) O problema da questão é que, chegados aqui, por vezes se entende que constatar este facto implica aceitar que o inglês, por globalmente ser a mais vantajosa, deve ser sempre, ou pelo menos preferencialmente, a língua utilizada na veiculação científica.
179 Português, língua de ciência? Ora é esta aparente implicação que devemos contestar. E as razões para tal, não são apenas de ordem pragmática, económica ou política. São também razões ligadas ao próprio âmbito científico. Ou seja, defende-se aqui que as ciências cognitivas mostram que há razões científicas e não apenas emotivas ou políticas que justificam não ser indiferente a língua em que se faz e divulga a ciência. Permita-se que, a este respeito, se evidenciem alguns pontos. As línguas e as visões do mundo A velha hipótese de Sapir-Whorf está quase a fazer um século (originária dos anos 30 do século XX). A sua assunção original de que a estrutura das línguas influencia, modela e determina a forma como cada pessoa concebe e vê o mundo tem sido defendida desde pontos de vista bastante extremos e dificilmente aceitáveis até posições bem mais moderadas e facilmente compatíveis com os novos desenvolvimentos de vastas áreas das ciências cognitivas. É que a ciência da suposta verdade absoluta e objetivável, completamente independente do observador e dos mecanismos de observação, vai dando lugar a uma conceção menos rígida que sabe ser constituída por um conjunto de modelos formulados como interpretativos da realidade, modelos dependentes do observador e dos meios e formas de observação. Neste processo de fazer ciência, a nossa mente e a nossa língua (separação muito difícil de fazer em absoluto) são instrumentos imprescindíveis de intermediação entre a realidade e os modelos científicos com que a procuramos descrever e explicar. Cada vez mais, os desenvolvimentos das neurociências apontam para a implicação sistemática entre processamento cognitivo e linguagem. Apenas a título de testemunha, permita-se que convide António Damásio: No caso dos seres humanos, a narrativa não verbal de segunda ordem pode ser convertida imediatamente em linguagem, é evidente. Poder-lhe-íamos chamar a narrativa de terceira ordem. Para além da história que significa o acto de conhecer e o atribui ao recém-forjado si nuclear, o cérebro humano também forja uma versão verbal automática dessa mesma história. Nem eu, nem ninguém, tem qualquer possibilidade de suspender essa tradução verbal. O que quer que seja que acontece nas «faixas» não verbais da nossa corrente
180 José Teixeira mental é rapidamente traduzido em palavras e frases. Não é possível inibir esta tradução verbal. (Damásio 2004:217) Não é possível não pensar sem ser através de uma língua, está a dizer Damásio. E só quem ainda acredita na ideia ingénua de que os conceitos são universais e completamente independentes da formulação linguística é que pode defender que é indiferente a língua que usamos para criar modelos sobre a realidade. Lakoff, um dos pais da Linguística Cognitiva pós chomskyana, diz que costuma começar os cursos de Ciência Cognitiva em Berkeley com um exercício para os alunos em que apresenta a frase “Não pensem num elefante!”. Obviamente que ao tentar fazer-se o que é pedido, está a ir-se contra aquilo que se pede. Conceitos e palavras associam-se de forma inevitável. Acionar uma palavra implica evocar um conceito. As construções cognitivas –e todo o modelo e teoria científica é uma construção cognitiva—são construções da cognição humana, são construções suportadas pelo todo da cognição: e neste todo concetual, a linguagem e as línguas têm um papel muito maior do que o estruturalismo ou o racionalismo clássico supunham. Porém, para muitas perspetivas sobre a ciência, admitir que a concetualização individual e linguística tem um papel na construção dos modelos e teorias científicas implica introduzir um elemento de subjetividade desaconselhável, porque entendem que, em ciência, tudo deve ser objetivo, independente do observador e dos seus mecanismos de observação e perceção. É pura ilusão, defende a neurociência. Não adianta não aceitar que a intermediação da cognição e das idiossincrasias linguísticas introduzem dimensões de subjetividade. António Damásio também concorda: O facto de as imagens mentais serem apenas acessíveis ao organismo do seu proprietário não impede a sua caracterização, não nega a sua dependência da substância orgânica e não bloqueia a nossa aproximação gradual das especificações dessa substância. Tudo isto poderá preocupar um pouco os puristas, educados na ideia de que aquilo que uma outra pessoa não pode ver não merece a confiança da ciência, quando, na verdade, não deve preocupar ninguém. Nada nos impede de tratar cientificamente os fenómenos subjectivos. Quer
181 Português, língua de ciência? as pessoas gostem, quer não, todos os conteúdos mentais são subjectivos e a força da ciência provém da capacidade de verificar a consistência de muitas subjectividades individuais. (Damásio 2004:106) Quando o objeto de investigação é o fenómeno da linguagem humana Não é difícil reconhecer que, na maior parte das vezes que se faz ciência, o inglês é a língua de divulgação que mais vantagens traz, quer para o investigador, quer para a investigação em si mesma, já que a divulga de uma forma muito mais eficiente no mercado global. Mas, lembro novamente: a questão não é a de saber se o inglês é habitualmente a língua mais vantajosa de divulgação. Isso será pacífico aceitar. A questão é se deverá ser a única. E se em muitas áreas o objeto de estudo é relativamente independente da língua em que se faz (e divulga) a investigação realizada, quando o objeto científico é o fenómeno da linguagem, a realidade é um pouco diferente. As Ciências da Linguagem ocupam hoje uma vasta área de interconexão com outras áreas científicas, desde a Inteligência Artificial, a Neurologia, a Psicologia, a Sociologia e várias outras que têm interesses nos fenómenos da cognição e processamento da informação. Ora a linguagem humana tem especificidades como objeto de investigação científica. Em primeiro lugar, é o único sistema que se serve de si mesmo para apresentar os resultados que encontra. Todo o objeto da ciência é descrito por uma língua natural e a própria linguagem, como objeto de estudo, obviamente, também. Isto faz com que na descrição e investigação linguísticas, por vezes, haja particularidades mais fáceis de descrever na própria língua analisada do que através de outras: por exemplo, nas áreas do processamento do significado. Descrever as relações de significado de uma palavra do português (tão importantes para projetos como a WordNet e a Web Semântica), mas fazê-lo em língua diferente, é bem mais complexo. Claro que se consegue que tudo seja descrito e divulgado noutra língua, mas isso pode implicar perder importantes nuances no processo de análise. Isto não significa que haja alguma parte do conhecimento e da investigação que não possa ser
188 José Teixeira aí falado no tempo do Império Romano, mas que foi transplantada a partir da Galécia Magna após a reconquista cristã. Exactamente como a língua falada no Rio de Janeiro ou em Maputo foi para aí transportada a partir de Portugal. (Castro 2006:8-9) Ajustar as velas poderá ser perceber que, mesmo a nível global, sendo o português e o espanhol línguas intercompreensíveis, elas podem formar um mercado cultural e linguístico muito significativo e desafiador da hegemonia anglo-saxónica. Ajustar as velas implica saber que a língua portuguesa não pode olhar para o inglês como inimigo e passar o tempo a lamentar-se. Inimigo do português nunca será qualquer outra língua, mas nós próprios que a usamos se não fizermos o que devemos fazer. Ao longo da nossa história, talvez tenhamos passado demasiado tempo a queixar-nos contra Castela e assim, em muitos casos, não olhámos o suficiente para as culpas próprias. Sá de Miranda[4], a este propósito, na carta a “António Pereira, senhor do Basto, quando se partiu para a Corte co’a casa toda”, desabafa: Não me temo de Castela, donde inda guerra não soa; mas temo-me de Lisboa, que, ao cheiro desta canela, o Reino nos despovoa. O verdadeiro “inimigo” (se assim se quiser pensar) não era Castela naquela altura, nem é o inglês no nosso contexto. Os inimigos de uma cultura e de uma língua não devem primeiramente ser procurados no exterior. São, antes, os que as menosprezam, abandonado aquilo que é a sua essência e se sentem atraídos por realidades que prometem lucros fáceis e estão na moda –a metonímia da canela do poeta renascentista. Custa ver tantos “antónios pereiras” que partem “co’a casa toda” para a “Corte” que o inglês tem como língua de ciência, abandonando o português que, assim, no domínio científico, se despovoa. E embora a “casa toda” que levam nem sempre seja apreciada pelos outros cortesãos, o deslumbre de aparecer como “homem da Corte” parece compensá-los. 4 Sá de Miranda, 1977:83-85
189 Português, língua de ciência? Não é possível ignorar que para ter peso no panorama científico global, em muitas áreas, a divulgação tem de fazer do inglês o veículo fundamental. Mas este facto não deve impedir o reconhecimento de que uma língua que se quer global não pode descurar qualquer das dimensões que lhe garantem o prestígio e a sobrevivência. Mais do que ser apenas uma aldeia global, o planeta está transformado numa espécie de maçã global, a que os grandes poderes económicos procuram dar as dentadas que puderem. A as línguas e os seus domínios não são partes menores desse fruto apetecível. Como defender a língua? Não há melhor forma de defender as línguas do que usá-las. Ora para além de todas as outras dimensões (a sua história secular, a sua literatura, a sua dimensão numérica e planetária, a sua presença nas indústrias culturais, a sua visibilidade no mundo das redes globais), para além destas dimensões, é fundamental que quem pode, ou seja, quem tem o poder, lhe permita que também seja objeto e instrumento de ciência. Por isso, não podemos ficar satisfeitos apenas com declarações de paixão pela língua, usualmente feitas pelos detentores dos poderes quando lhes dá jeito. Já estamos todos um pouco experimentados de declarações políticas de “paixão” e amor pela língua portuguesa que depois se traduzem em nada de concreto. A relação do poder com a língua não deve ser prioritariamente de paixão e amor. Como lapidarmente disse o grande poeta brasileiro Vinicius de Moraes, o amor é eterno enquanto dura (“que seja eterno enquanto dure”, disse Vinicius). Ora fazendo a língua parte da essência dos povos que a falam, não pode estar sujeita ao “enquanto dura” de certas declarações de amor. Nem basta prometer que se defenderá a língua como se defende a pátria, enfiando no contexto a desbotada citação de Fernando Pessoa/Bernardo Soares “Minha pátria é a língua portuguesa” [5] . Identificar pátria e língua não é aconselhável para uma língua que se quer global e policêntrica. Felizmente o português é hoje língua de muitas pátrias. Mas ainda tem um longo, muito longo, caminho para adquirir, no mundo, a relevância correspondente ao seu estatuto de língua policêntrica. Como sabemos, 5 In Livro do Desassossego, fr. 259 (Texto publicado originariamente em “Descobrimento”, revista de Cultura n.º 3, 1931, pp. 409-410, transcrito do “Livro do Desassossego”, por Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), numa recolha de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha; ed. de Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Ática, 1982 vol. I, p. 16-17.
190 José Teixeira a língua portuguesa também é uma língua que é ponte para importantes áreas económicas: áreas em que se fazem aviões, se negoceia petróleo, se organizam os grandes eventos mundiais e se vendem produtos por todo o mundo. E para além de tudo isto, ser uma língua em que se faça e divulgue ciência faz parte imprescindível do seu caminho de afirmação. “Da minha língua vê-se o mar”[6], é outro dos soundbites preferidos para referir o português. Sem querer esmorecer a beleza da frase de Vergílio Ferreira, gostaria que os poderes vários que influenciam as políticas de língua tivessem a perspetiva do português como uma língua de várias pátrias e não apenas de uma; como uma língua que, para além de muito poética que possa ser, seja uma língua que se afirme em variados ramos, entre os quais o de veículo da investigação científica. E lembrando-nos da pluralidade da língua e das pátrias que a usam, sem esquecer a poeticidade de “da minha língua vê-se o mar” se pudesse também dizer “da nossa língua vê-se ciência”. Referências CASTRO, Ivo, (2006). Introdução à História do Português. Edições Colibri. DAMÁSIO, António, 2004, O Sentimento de Si: O Corpo, a Emoção e a Neurobiologia da Consciência, Publicações Europa-América. FISCHER, Steven Roger, 2002, Uma História da Linguagem, Temas e Debates, Lisboa. SÁ DE MIRANDA, Francisco de, 1977, Obras Completas II, Edição Sá da Costa, Lisboa 6 Excerto do texto «A Voz do Mar», lido por Vergílio Ferreira em 1991, na cerimónia em que recebe o Prémio Europália.